Dias antes do fim da Eldorado FM, um papo reto com o diretor artístico da rádio
Paulo Lima
Emanuel Bomfim
- Fim da Eldorado FMDespedida do dial · Reação do público · Possibilidade de renascimento
- Legado e identidade da Eldorado FMA rádio que não parece rádio · Curadoria musical · Jornalismo cidadão · Clube cultural e social
- O futuro da Eldorado FMPossibilidade de retorno · Investimento em presença digital · Proposta de festival e listening bar
- Trajetória de Emanuel BomfimInfância e paixão pelo rádio · Início na rádio comunitária · Carreira na Eldorado · Estilo de liderança humanizada
- A relação do Estadão com a Eldorado FMHistórico de apoio e investimento · Pressão por resultado vs. missão cultural · Liberdade editorial e curatorial
- O papel do Trip FMContinuidade nas plataformas de streaming · Valorização do comunicador · Jornalismo com propósito e escuta
- Movimento corporativo e liderançaDesafios da liderança humanizada · Conflito entre lógica corporativa e afeto · Importância do exemplo e valores
- Jornalismo digital e fact-checkingInterpretação de fatos · Crise do modelo tradicional · Jornalismo cidadão e combate às paixões ideológicas
Aumente o volume e abra a cabeça. Você está no Tripe FM.
Bom pessoal, chegou a hora da gente fazer o último Trip FM aqui na Eldorado. É uma sensação mista, né? De, claro, alguma tristeza, alguma sensibilidade, mas também de alegria. Realmente, porque são 26 anos, praticamente 26 anos de parceria entre a Trip e a Eldorado. E um tempo longo e suficiente para gerar uma admiração muito grande.
Eu acho que é mútua, sem falsas modéstias, né? Eu acho que é mútua, mas da nossa parte é muito grande. A Eldorado é realmente a emissora onde o Tripe FM ficou mais tempo, né? Nós estamos com 42 anos de vida desse programa já, passamos por 4 ou 5 emissoras. E essa é não só a emissora onde a gente ficou mais tempo.
Mas a emissora que talvez tenha nos estimulado mais, e com todo respeito às outras que também foram muito importantes na nossa história, mas a que tenha nos estimulado mais no sentido de não só respeitar e nos dar autonomia total sempre, nunca ter criado nenhum tipo de restrição, pelo contrário.
Mas é para além do respeito, é de gostar mesmo, de ter interesse, de estimular, de achar interessante a troca, de alimentar essa troca. Então, uma grande gratidão, muito mais do que tristeza, uma gratidão a esse longo tempo de relacionamento aqui com o Eldorado.
É muito importante também dizer que o Triple FM continua normalmente, ele tem já há muitos anos uma vida aí nas plataformas de streaming, a gente vai continuar toda semana.
fazendo o nosso talk show. E aí a gente teve a ideia de convidar para esse último programa Tripe FM na Eldorado o maestro dessa orquestra, o maestro dessa banda, o líder dessa banda, que é o Emanuel Bonfim. Muita gente nesse período aí, desde que a notícia do encerramento das atividades da Eldorado veio à tona, muita gente citou a liderança do Emanuel como algo muito importante nesses últimos dez anos. É esse o período em que ele...
que ele está tocando a rádio, digamos assim, uma liderança muito inteligente, suave, humana, muito eficaz, conseguindo fazer a rádio crescer e se fortalecer, mesmo com recursos limitados, e mantendo principalmente esse compromisso.
alguma coisa que não tem o dinheiro e o faturamento como meta prioritária. Claro que isso é muito importante, ele conseguiu também fazer crescer o aspecto do resultado, do faturamento e tudo mais, mas eu diria que o mais importante foi ter conseguido isso mantendo e aprofundando e melhorando o vínculo da rádio com a cultura mesmo, com a cultura em vários aspectos, da música, do cinema, da literatura mais recentemente.
do jornalismo, né? E dessa maneira de transformar Eldorado muito mais num clube, ou numa espécie de entidade cultural e de encontro social do que propriamente uma unidade de negócios, né?
Então é isso, hoje a gente vai conversar aqui com o diretor artístico da rádio, diretor geral da rádio, o Emanuel Bonfim. Ele nasceu em 1982, é formado em Rádio e TV pela Fundação Casper Líbero.
E construiu uma trajetória consistente no meio radiofônico. Ele passou por emissoras como Gazeta, América e pelo próprio Estadão, onde ele atuou como editor multimídia. Ajudou a desenvolver vários projetos, a pensar o rádio em novas plataformas, inclusive, especialmente no universo dos podcasts. Mas o que torna essa conversa com o Emanuel especialmente relevante?
é o lugar que ele está ocupando. Dentro desse processo de encerramento da Eldorado no DAI, no 107.3, uma notícia que causou uma verdadeira comoção mesmo, numa parcela expressiva da sociedade. Acho que ninguém imaginava que fosse causar tanta reação, digamos assim, de todos os tipos e tal, inclusive movimentos de assinaturas.
uma baixa assinada com mais de 15 mil pessoas assinando, e um encontro de, sei lá, mais de 500 pessoas num domingo chuvoso da Paulista. E ele está no centro desse processo, gerenciando isso de uma forma muito elegante, como sempre.
e mantendo tudo funcionando como sempre, ou melhor ainda, tomando as decisões, conduzindo a linha editorial da rádio, e estando lá todos os dias, apresentando o programa em contato direto com o ouvinte, esse é o papel que ele vem desempenhando nesses 10 anos, e agora nessas 3 ou 4 semanas depois do anúncio, do encerramento.
Ele continuou fazendo isso ainda com mais dedicação, com mais afinco e com mais gentileza, inclusive. Claro, alguém que conhece Eldorado por dentro, por todos os ângulos, como gestor, como comunicador, apresentador, e também como parte de uma geração que viu o rádio mudar.
e que precisou e está precisando se adaptar a essas transformações do mundo, né? A revolução digital e mil outras transformações pelas quais o mundo está passando, né?
E que também fora do estúdio vive isso de perto, já que ele é pai de uma filha adolescente e também está vivendo no ângulo dela, acho que tem 15 anos, e experimentando na prática essa mudança na forma de consumir conteúdo. Então é sobre tudo isso.
e desse lugar da linha de frente da Eldorado que a gente começa essa conversa com Emmanuel Bonfim, diretor artístico aqui da Eldorado. Acho que vai ser uma conversa bem legal, vamos lá. Emmanuel, é um prazer te receber aqui nas nossas confortáveis instalações do Tipe FM, que você está conhecendo visualmente agora. Mas, cara, eu tinha pensado já em te convidar para conversar.
E agora temos esse motivo, não é o melhor dos motivos, não é o que a gente gostaria de ter, mas é essa ideia de que a Eldorado nessa frequência vai encerrar a atividade dela, agora no dia 14. Então achei que fazia muito sentido conversar com o maestro da orquestra e principalmente investigar alguns ângulos. Você tem uma...
um lugar muito interessante, né? Você tá tocando a rádio nos últimos 10 anos, né? E de uma forma muito legal, já falei aqui no ar, já falei em outras situações, né? De uma forma muito moderna, na minha opinião, né? E, pô, com recursos limitados sempre, qualquer coisa, cara, eu acho.
ligada à cultura, ao jornalismo, à música. Sempre trabalha com recursos limitados, não importa o que seja, quase sempre. Tem algumas exceções por aí, Piauí, por exemplo, maravilhosa exceção. Mas a regra não é essa.
Eu quero falar com você, obviamente, sobre Eldorado e tal, mas também sobre a tua história, né? Então, vou começar por aí, cara. Eu estou meio humilhado aqui porque eu vi que o Trip FM nasceu dois anos depois de você, cara. Então, assim, quando o Trip FM estreou, você tinha dois anos. O que me mostra...
uma questão de um certo tempo que se acumula sobre os meus ombros. Mas me conta um pouquinho da tua história, cara. Quase sempre começo por aí, os papos você deve saber, por uma razão muito simples. A primeira infância, a origem, os pais, eles dizem tudo sobre a gente. Então me conta aí, cara, onde é que você caiu quando chegou no planeta? O que tinha em volta? Quem estava lá te aguardando?
Paulo, primeiro, agradecer esse convite. Eu nunca imaginei estar nessa posição. Bom, primeiro que eu não estou acostumado na posição de ser entrevistado, você deve saber, né? A gente sempre se coloca nessa posição de fazer perguntas. Talvez seja mais confortável a posição de fazer perguntas. Então, eu te agradeço demais o convite. Acho uma honra o Tripefeme, um dos talk shows mais importantes da história do rádio brasileiro. Então, estar sentado aqui, estar falando contigo, assim, é...
É emocionante para mim, de fato, é emocionante. Eu acompanhei muito dessa história, né? Eu entro na Eldorado em 2006, né? Eu estou na coordenação na direção da Eldorado em 2016. Mas são 20 anos de rádio. Eu assisti há um pouco tempo, eu acho, de Eldorado quando eu entrei. Então, acompanhei muito dessa história do Tripe FM. Então, é uma alegria bem grande estar aqui. Obrigado pelo convite, né? Apesar do contexto e tudo mais, mas eu acho que o papo aqui pode render bastante.
Sobre a pergunta especificamente, eu nasci ali no começo dos anos 80, sou de Mogi das Cruzes, aqui próximo a São Paulo, numa família de muitos irmãos, somos em cinco irmãos. E naquele contexto de pais funcionários públicos, e enfim, família grande, que eu acho que tem toda uma...
Tem suas dores, mas suas alegrias de viver com muitos irmãos e sempre muita gente presente em casa. E por conta, até fazendo essa conexão com a vida profissional e com o rádio, por conta da paixão do meu pai com o rádio, sempre fui um ouvinte muito forte de rádio, que eu acho que despertou dentro de mim essa vontade de estar na latinha, como a gente diz sobre o rádio. Em especial por muito um contexto de época, eu gostava muito de futebol,
e não tinha opções como tem hoje, como as gerações atuais hoje podem assistir qualquer partida nos múltiplos canais que tem hoje disponíveis, mas não ouve jogos de futebol, você assiste a todos eles. Então eu era apaixonado por narrações de futebol, Paulo.
que eu achava que essa emoção de transmitir o que acontecia dentro de um campo me deixava vidrado de uma tal maneira, que eu acho que deve ser similar a quem ouvia a radionovela lá no começo do rádio, lá nos anos 30. Então eu fui fisgado a partir daí. E aí sempre sonhei em trabalhar no rádio. E aí acho que tem uma passagem interessante, não sei até onde você quer que eu conte dessa...
parte biográfica da minha vida, mas quando eu era adolescente, por morar numa cidade pequena, já não estava mais em Mogi, foi quando eu mudei para Vargem Grande Paulista, perto de Cotib, aqui na parte oeste do estado de São Paulo. Pintou uma oportunidade, tinha uma rádio comunitária lá na cidade, chamava, é incrível, Rádio 8, porque a cidade nasceu no dia 8 de dezembro, então chamava Rádio 8 numa homenagem à própria cidade.
E o dono da rádio me convidou, eu tinha 14 anos, me convidou para fazer um horário lá no domingo. E aí aquilo foi para mim o maior parque de diversões que já pôde abrir na minha vida. Pensar como fazer rádio, colocar música para tocar para as outras pessoas.
E aí eu criei o meu primeiro programa que chamava, Paulo, Rock Rango. Rock Rango? Rock Rango, porque era domingo meio-dia. Então era o horário que as pessoas estavam almoçando com as suas famílias. A gente devia ter uma audiência gigantesca de umas cinco pessoas, sendo essas cinco pessoas os membros das nossas respectivas famílias. Mas foi ali que eu pude entender o outro lado do fazer o rádio.
e foi uma experiência incrível, e a partir dali eu já estava completamente apaixonado, fisgado, falei que eu quero fazer isso na minha vida, e daí para frente foi a questão de estudar, e buscar oportunidades, e é engraçado, porque eu não sou desses profissionais que tem, quando você vai nessas apresentações e palestras, você vai apresentar alguém que fala...
Ah, passou por tal empresa, tal empresa, aquela outra. Eu não sou essas pessoas, porque eu mirei muito Star Nel Dourado. Passei por outras empresas, mas tempos muito curtos. E entrei logo depois da faculdade, né? Eu termino a faculdade em 2005 de rádio e TV. E em 2006 entro em Nel Dourado, porque eu mirava Star Nel Dourado. Eu queria muito trabalhar aqui. Era o sonho da minha vida. E eu conquistei rápido Star Nel Dourado. Claro que eu não entrei na posição alta, né? Comecei de baixo.
E fiquei desde então. Tive um percurso interno aqui também com mil coisas diferentes, mas estou aqui no Grupo Estado e na Rádio Eldorado desde 2006, Paulo. Não sei se eu resumi do jeito que você queria, mas é um pouco isso. Não, foi ótimo, mas eu quero voltar um pouco para trás, porque eu queria conhecer os seus pais e irmãos, etc. Por uma razão muito óbvia, eu acho que tem traços na sua gestão, na sua liderança.
que eu diria que são incomuns, eles estão agora sendo mais valorizados, os chamados soft skills, tem esse nominho em inglês e tal, mas que essa é uma coisa de prestar atenção em gente, no outro, cuidar e etc. Isso é evidente, um monte de gente já falou nessas últimas semanas com essa coisa do fim da programação, muita gente falou.
sobre isso. E você falou rapidamente, funcionários públicos e tudo, mas como é que era a pegada deles, o jeito deles, a escala de valores deles? Por exemplo, grana era um negócio importante, era perseguido lá. O que era valorizado na turma ali?
Nossa, Paulo, você vai no cerne de uma questão que eu acho que eu nunca teorizei tanto na vida, nunca elaborei a ponto de como é que eu falo sobre isso. Porque eu acho que o exemplo dos meus pais se deu sempre muito na referência do cotidiano da vida deles e da relação deles, daquilo que eles passavam de valores para os filhos, para a gente, para os nossos cinco irmãos.
e não no sentido, e acho que até muitos hoje, a geração de pais, eu me coloco nesse sentido hoje, a geração de pais hoje, às vezes quer explicar demais para os filhos, e explicar muito as coisas, o mundo e como deve agir e tudo mais, que é um papel importante, dialógico, mas o exemplo é mais importante.
e eu acho que com os meus pais foi muito nesse sentido. Eles têm, os dois, uma formação espiritual-religiosa muito forte, vinculado à Igreja Católica, e fazem parte de um movimento que se chama Movimento dos Focolares, Paulo, que não é muito conhecido, tem uma expressão aqui no Brasil que tem uma conexão com a Itália, porque ele nasceu na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.
A fundadora se chama Chiara Lubick. Ela foi muito importante nesses movimentos leigos que nascem da igreja, de uma visão cristã sobre as relações, mas de um mundo que pode ser isso, de você olhar para o próximo, amar o próximo como a si mesmo. E eu acho que essa foi a base da minha formação. Mais do que dizer que você tem que ser honesto, você tem que ser...
É isso, amar o próximo como a si mesmo. Acho que foi essa a regra número um em casa. E eu carreguei isso a partir de muitos exemplos, mais do que disciplina de ir à missa. Nunca teve isso em casa.
Eu acho que o cerne da formação vem muito daí. Eu participei muito desse movimento ao longo da minha infância e adolescente, depois saí. E saí, só deixei de participar, mas eu adoro o trabalho que eles fazem. É um trabalho muito bonito. Tem várias frentes sociais também, e não só de formação espiritual e humana, mas entendo que a fonte está aí, viu, Paulo? Eu não tenho dúvidas.
Manuel, eu queria explorar o seguinte, quem não conhece o mundo corporativo talvez não entenda muito.
A diferença entre você se formar em jornalismo e virar um executivo, uma palavra que eu até evito um pouco, mas um líder, digamos, um líder de equipe, de projeto e tal, é bem diferente, é outro planeta, poucos jornalistas conseguem fazer bem essas duas funções, porque você tem um aprendizado que não é nessa direção.
geralmente tem uma trajetória que não te ensina muito sobre como liderar, como funcionar como executivo numa corporação. E, pô, eu vejo, sei que você teve bastante sucesso como líder. Não é que você está liderando a NASA ou a Embraer, mas é uma equipe, e é uma responsabilidade bem grande numa empresa grande, que tem mais de 100 anos, enfim.
Me conta um pouco, cara, se você teve muita dificuldade tendo essa índole mais humana, mais afetiva, afetuosa, se você encarou umas roubadas no mundo corporativo.
Excelente pergunta, Paulo. Sim, acho que sim, porque você é confrontado o tempo todo com uma lógica de que você deve se impor em busca, tudo é válido em busca de um resultado final. Então, um pouco tem essa lógica do mundo corporativo, dessa busca...
convicta por resultado, mas que muitas vezes não olha e não dá a atenção necessária para os processos. E eu entendo que desde que eu entrei aqui... Bom, primeiro que eu peguei um cenário, eu acho que o primeiro cenário desafiador, que quando eu entro na Eldorado em 2016, ela estava numa situação muito deprimente, digamos assim, numa situação muito difícil como empresa, com falta de autoestima muito...
muito grande, com uma equipe muito pequena, ainda não se sabia o certo que seria da rádio naquele momento, e tinha, claro, o lastro histórico da marca e da força da marca.
E ali foi um entendimento de como a gente podia potencializar a marca, mas a partir dessa chave que você citou. Eu acho que eu sempre olhei para a Eldorado e para o meu cotidiano, para o meu trabalho, uma maneira de estar...
próximo às pessoas no sentido de tentar extrair delas o melhor possível, mas com a certeza de que você tinha que fazer isso de maneira colaborativa e colocar esse método em prática não é simples eu acho que a gente se auto-sabota muitas vezes e às vezes tem pressões múltiplas dentro e unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw
da empresa então eu fui talvez de uma maneira mais intuitiva do que catedrática estudada de como fazer isso mas foi o caminho que eu tentei aos poucos implementar e muito com base também
em valorizar a criatividade, que as pessoas possam expressar o melhor da sua criatividade, elas se sentirem valorizadas por isso, e no sentido de contribuição contínua. Enfim, acho que eu fiquei com dificuldade de responder um pouco a sua pergunta, mas... Deixa eu te ajudar um pouco, cara. Claro, por favor. A gramática do mundo corporativo, que é evidentemente traçada por homens brancos privilegiados como nós, por exemplo,
Mas o fato é que ela é construída em cima de uma dinâmica de competição, de machismo, de afirmação, eu sou maior que você. Isso ainda está enraizado nas empresas. E eu imagino que você possa ter sido...
em algum momento, diminuído por ter uma pegada oposta a isso, de valorização do afeto do humano, de ouvir, de prestar... Eu me lembro da primeira vez, quando você entrou, que a gente se encontrou. A primeira coisa que eu notei é um executivo novo numa posição de comando que quer saber de verdade...
o que a gente pensa? Isso eu não conheci. Porque, inclusive, no mundo da comunicação, tem um certo charme de você se achar o rei da cocada, meio banda de rock. Quem dirige um veículo de comunicação é meio vocalista da banda. Muita gente acredita nesse release. E aí, pô, sobe no crachá, como se diz.
Então, assim, puta, teve situações em que você foi visto como um cara menor, menos capaz ou menos eficaz por ter essa natureza?
Eu acho, Paulo, que o que me favoreceu, no certo sentido, foi porque tinha o meu trabalho como apresentador, que eu trazia um pouco disso antes de assumir a Rádio Adorado, fazer com que as pessoas já identificassem um jeito de pensar e olhar o mundo. Então, nesse sentido, eu acho que isso me deu uma certa...
respaldo para conseguir colocar em prática aquilo que eu gostaria pensando aqui como Rádio Dourado mas eu não consigo me lembrar de exemplos muito concretos é muito louco, é sempre uma luta constante com o mercado interno, de provar a relevância e a importância daquilo que a gente faz com o Eldorado e você entende que também a Tripe tem
dores muito parecidas. Mas é louco, eu nunca me apeguei, fica parecendo que eu estou fingindo humildade, mas eu, de fato, nunca me apeguei muito a essa questão de ter o cargo de direção, de ser o diretor, de poder mandar e de tentar me impor nesse sentido. Sempre busquei essa maneira horizontal de atuar no dia a dia, no trabalho, Paulo.
E é muito legal, cara, devo dizer que o pouco que eu sei, que eu estudo, que eu presto atenção, cada vez mais esse tipo de modelo de comando, comando entre aspas, mas de liderança, sei lá, de...
de maestro, é o que está sendo mais valorizado agora, porque as pessoas estão enlouquecidas, nas empresas existe uma crise de saúde mental gigantesca, uma pressão insuportável. Então, antigamente era ginástica laboral, ficava cinco minutos levantando o braço, agora isso já não está a resolver.
Então, essa liderança humanizada, como alguns gostam de chamar, está se valorizando muito. Mas vou sair um pouco desse campo e entrar na Eldorado mesmo. E eu queria saber o seguinte, você falou aí durante uma das suas respostas que você já tinha meio que uma mira, um alvo, você queria trabalhar na Eldorado. O que você imaginava que era a Eldorado quando você ainda não conhecia ela?
Primeiro eu achava que eu nunca estava à altura do Eldorado. Eldorado tem um estofo tão grande de repertório, o jornalismo que ela pratica, a curadoria que ela pratica, que eu falei, será que eu vou estar um dia à altura de poder ser convidado para trabalhar na Eldorado? E aí uma coisa que me surpreendeu, e é engraçado, porque a gente fez uma pesquisa recente com ouvintes da rádio, com o público da rádio,
E eu percebo que tem muito essa visão de fora para dentro, né? Del Dorado ser uma coisa de um clube de excelência tão elevado, as pessoas nos veem como uma BBC, sabe? Então também projetava isso o Del Dorado, não só aquilo que eu ouvia no ar, mas eu falava, putz, estou entrando numa BBC, né? Então você imagina uma coisa muito sofisticada em todos os sentidos.
Mas quando você entra aqui dentro, você vai percebendo que, você percebe que, claro, tem todo esse trabalho de excelência naquilo que é realizado, que vai para o ar, mas que, ao mesmo tempo, também tem todas as dificuldades que empresas têm, em geral, empresas com esse propósito.
que tem mais dificuldade de captação de receitas e tudo mais, e que tem suas fragilidades, suas fragilidades na estrutura ou de tamanho de equipe, e que não é homogêneo, que você vai encontrar tanto coisas muito positivas como coisas a serem melhoradas. Então, na realidade, quando tem realidade, você tem...
Tem essa parte de realizar um sonho, encontrar na prática aquilo que você ouvia como ouvinte, mas, por outro lado, você também percebe no dia a dia todas as vulnerabilidades. E aí você percebe que, como ouvinte, você projeta um cenário muito mais ideal daquilo que você tem na realidade. Agora, queria te contar um fato interessante.
uma passagem, eu falo que essa passagem eu acho que representa muito como caiu a ficha do que era o Dourado para mim logo de cara, assim, com uma ou duas semanas.
da importância dela. Eu entrei como assistente de produção e entre as minhas funções estava atender os ouvintes. Na época que eu entrei, não tinha Shazam, não tinha maneira de descobrir qual era a artista que estava tocando e qual era a música. E o que mais atendia ouvintes neodorado era a gente ligando para perguntar que música que tinha tocado. E eu era essa pessoa que tinha que...
respondeu os ouvintes. Então, ligava o ouvinte com uma lista de 20 músicas. Falava, Manoel, o que que tocou ontem às 4h02 da madrugada, às 4h15? E aí ainda ficava soletrando pro ouvinte, porque o Eldorado não toca também pra...
atrapalhar a vida do trabalhador, ainda toca a música da Estônia, a música da África do Sul, então você tinha que ser ainda meio poliglota para explicar para os ouvintes o que tocavam na programação. Só que aí eu estava com uma semana e meia, duas semanas de rádio, toca o telefone, e uma moça fala assim, ó, eu vou passar aqui a Malu Mader para falar com você.
Eu falei, não é possível que a Malu Mader está ligando no telefone de ouvinte da Rádio Eldorado. Achei que era um trote. E era a Malu Mader, Paulo. E ela falou, oi, como você chama? Eu falei, eu chamo o Emanuel. Eu falei, Emanuel, toda vez que eu venho aqui para São Paulo, do Rio de Janeiro, eu fico ouvindo Eldorado porque eu adoro a programação do Eldorado.
E tocou uma música da Joss Stone, que eu tô maluca pra saber que música que é essa que tocou. Aí eu falei, Malu, só que eu não sei te responder agora qual é a música. Ela deu algumas referências de dia e horário que tocou. E eu não consegui descobrir na hora. Fiquei envergonhado, nervoso. Era Malu no telefone, né? E aí eu falei, ó, me liga daqui uma semana que eu vou ter essa resposta pra você. E aí dali uma semana a Malu Mader me liga de novo.
Me liga de novo, né? Fica parecendo que ela ligou pra mim. Ligou pra Rádio Adorado.
E aí eu tinha a música que ela estava buscando, e ela ligou direto, falou, Malu, é aqui, não sei o quê. E aí eu passei o nome da música para ela, e aí eu falei, putz, isso aqui é Eldorado. Não é porque é só a Malu Mother, não é só por isso. Mas eu acho que é esse respaldo das pessoas entrarem num universo completamente desconhecido. Eldorado abre um portal mesmo para quem se relaciona com ela. Então foi...
Foi bem bonito isso. Acho que foi o primeiro impacto inicial de entender o tamanho do Eldorado para mim, Paulo. A gente estava falando um pouco aqui antes de começar a gravar de uma ideia que eu acredito muito inclusive uso muito assim como discurso na hora que eu vou falar da trip.
que eu acho que a gente não se encaixa exatamente no mercado de veículos, de comunicação, de mídia, como se chama. Eu acho que você tem um lugar meio híbrido entre uma espécie de entidade cultural. Eu até usei a expressão...
analogia com o Sesc, por exemplo, com clubes que tem na cidade, clubes sociais, clubes esportivos. A minha sensação é que o Dourado tem muito mais a ver com o Sesc, ou com o Clube Juventus, Clube Pinheiros, esses clubes onde pessoas que se gostam e que pensam parecido se reúnem para trocar, para curtir, para aprofundar.
as suas ideias, seus conhecimentos e tal. Eu queria que você falasse um pouco isso, cara. Se isso é uma viagem, uma coisa meio tentando edulcorar e tal, um exagero, o quanto você sente que é essa que é a mágica, né?
Não, não tenho dúvida de que essa é a mágica, Paulo. Eu falo que a melhor definição sobre Eldorado, parece um contrassenso, é a rádio que não parece rádio, apesar de a gente atuar como um veículo dentro do rádio. Porque toda a nossa maneira de atuar no mercado se comporta na via inversa do que existe dentro do mercado.
Posso citar vários exemplos, começar por um muito evidente no mercado da indústria musical. É muito comum o pagamento de execuções musicais em programações de emissoras de rádio, o famoso jabá. Eldorado nunca aceitou um jabá.
Eldorado, quando chega um disco novo de um artista para ser avaliado, para se vai entrar ou não na programação, não é levado em conta tal música de trabalho, que é uma praxis comum também no mercado da música. Aliás, a gente faz questão de não tocar a música de trabalho, quase como uma raiva com essa lógica. Então a gente quer escolher a música que faça mais sentido para a programação e possa ser mais surpreendente. Isso para mim já foi uma coisa muito, desde que eu entrei na Eldorado, muito...
fora da caixa e que eu achei extraordinário. As pessoas se reuniam para compartilhar as músicas que ouviam, as descobertas musicais que tinham, e para tentar entender se aquilo fazia sentido entrar na programação com reuniões muito criteriosas, que são mantidas até hoje, para a gente entender aquilo que deve ou não entrar na programação musical.
Mas isso se espraia para tudo, Paulo. Se espraia também para buscar um jornalismo que possa ser independente, um jornalismo que não seja afetado por paixões, ainda mais nos tempos de hoje. Nas escolhas curatoriais também, em outros temas que a gente busca se aventurar e falar. Por exemplo, eu acho que um movimento recente, que é muito inédito no mercado de rádio, é você abrir um espaço de uma hora na programação para ter um clube de leitura.
aberto para todos os ouvintes, um programa de literatura no ar, não sendo uma emissora pública, nem sendo uma emissora educativa, universitária, e podendo fazer isso com uma visão comercial, tendo até um patrocinador, como teve em uma das... Aliás, teve em todas as temporadas esse programa foi patrocinado, só para dar um outro exemplo. Então é engraçado, fica parecendo que a gente é...
ranheta, que a gente quer fazer tudo é do contra, o dourado é do contra Paulo, porque de fato faz tudo fora, mas isso acabou criando um universo muito particular e muito sedutor você quer estar muito dentro desse você fala, cara, esse é um mundo, parece um mundo impossível
E aí se conecta com o sentido de Eldorado, de encontrar o Eldorado. Então o Eldorado tenta criar esse universo próprio, que fica difícil até de comparar com emissora de rádio. Você tem toda a razão. E eu falo isso para as pessoas. Mercadologicamente a gente disputa o mercado das rádios adultas. Mas se vai comparar a gente com outra emissora adulta, não tem patamar de... Não estou falando isso para ser superior, não é isso. Não quero ir para essa linha. Mas é realmente sui generis.
Manuel, vamos falar mais da Eldorado, da parte especial, que torna ela especial, mas eu quero falar um pouco mal da Eldorado. Na verdade, você já falou que quando você entrou, você pegou a rádio muito deteriorada, num ambiente deteriorado, uma situação meio precarizada, talvez seja uma boa palavra. Quais foram os piores momentos que você enfrentou nesses 10 anos de comando da rádio? É fácil responder isso?
Os piores momentos, não, não é fácil responder isso. Eu acho que um deles, sem dúvida, foi... E aí, eu acho que atingiu todas as empresas, né? Mas acho que o momento da...
da pandemia realmente foi muito complicado, porque ficou com a sensação de que seria inviável continuar a partir dali, operando como rádio, como busca de... Porque eu acho que eu posso abrir isso, Paulo, o tipo de rádio que a gente faz e com as propostas de valores que a gente tem.
Não é fácil, e não operando como um mercado, você também sofre na hora de buscar receitas em relação a isso. Você também vai precisar buscar investidores, uma visão parecida. Porque não adianta, né, Eldorado, a gente só apresentar a defesa técnica da rádio, de audiência. É preciso algo mais para atrair quem nos patrocina. Então, se a gente já tem uma situação de muita luta de sobrevivência para poder estar no ar, naquele baque da pandemia, eu fiquei com a sensação que a coisa ia...
ia fechar ali, entendeu? Então foi um momento bastante difícil da rádio, atravessar toda aquela pandemia foi um momento difícil e nesse princípio, o princípio foi assim que eu assumi em 2016 fiquei com a sensação que eu assumi para fechar a rádio
porque não tinha direção artística, tinha uma equipe mínima, não tinha programas no ar, tinham poucos programas no ar, as coisas eram tocadas muito de uma maneira protocolar, mas não tinha investimento, não tinha pensamento de longo prazo. E eu falei, será que fez sentido eu aceitar o convite de Jair Dourado, porque aparentemente...
a coisa não vai andar. Então acho que esses dois momentos, tirando esse atual, né Paulo, essa notícia recente da gente ser despejado do 107.3, eu acho que foram os momentos mais difíceis da rádio, sem dúvida nenhuma. Nesse período que eu estou aqui.
Cara, imagino que tem um outro lado dessa posição de diretor de rádio, que deve ser bem louco, que é o assédio, né? No sentido de, por exemplo, artistas pedindo para você tocar música, pessoas que querem trabalhar no Eldorado também, a fila não deve ser pequena, né? Puta, eu sou perfeito, meu filho é um locutor, nasceu locutor, né?
ou, pô, minha vizinha tem uma banda que você precisa conhecer, né? Isso deve ser, assim, dia a dia. Fora que, às vezes, tem amigos, né? Eu, por exemplo, sei lá, eu tenho uns dois ou três amigos que são artistas, cara, e que são ruins. O trabalho artístico deles, eu considero fraco, né?
E aí ele te manda o material para você analisar e tal, você não sabe o que dizer. Como é que é esse lado, cara, da sua posição? Eu não sei como é para você na trip, que você também acho que imagino que seja, foi e é muito assediado em relação a isso. Fila de projetos é enorme, de gente para te apresentar projetos.
E aqui na rádio tem as duas frentes Você colocou bem Tem a frente de projetos, de quem quer atuar no microfone Del Dourado E tem essa dos artistas que querem estar Na programação Del Dourado Como é difícil dizer não Paulo, como é difícil E eu acho que foi legal Você puxar isso Porque acho que por muitos momentos Isso foi um problema que atrapalhou a minha gestão
acho que eu posso fazer essa autocrítica que por muitos momentos eu me enrolei nesse sentido de dar corda para coisas que não eram para dar corda de esticar a corda dizer que teria chance que teria uma possibilidade só porque eu não queria dizer não e dizer não não é você ser grosso com alguém ou ser muito...
fechar uma porta de uma maneira dura, mas depois eu fui entendendo que é respeitoso você também se colocar e dar esse feedback, dar essa resposta para alguém que se coloca, tenta estar na programação, tenta emplacar um projeto, mas também é muito respeitoso você dizer o porquê desse não.
avaliar e falar, é por isso, isso e aquilo só que eu não tinha coragem por muito tempo eu não tinha coragem porque eu sofria eu sofria com o fato da pessoa elaborar aquilo, ter um projeto ter a vontade, genuinamente querer estar com a gente, mesmo que eu avaliasse que aquilo não fazia sentido pra rádio eu ficava com pena mas ter pena não é legal né
afinal a gente precisa defender certos parâmetros, afinal somos uma empresa, não estamos atuando no terceiro setor. Então tem que ter parâmetros mínimos de resultado, de busca de audiência, de dar certo no ar. Então foi um aprendizado duro que eu fui tendo com o tempo.
Eu falo que é um processo de desumanizar, mas mesmo o processo de desumanizar, há maneiras gentis de você fazer, de conduzir isso de uma maneira mais leve. Foi o que eu tentei fazer, mas eu acho que até hoje eu preciso aprender cada vez mais a poder dizer esses não. Mas no começo era muito difícil, Paulo, a mim rolava muito nisso e tem mesmo muito assédio. Para artista, inclusive, para artista falar essa música, me desculpe, mas não cabe na programação de Eldorado por isso, isso e aquilo.
e depois que eu passei a ter coragem de dizer os porquês em geral, 95% das vezes, você fala, a pessoa vai te xingar vai ficar pé da vida com você mas não, a pessoa agradecia, agradecia o fato de ter dado atenção, de ter ouvido de ter avaliado e dado a resposta porque também tem o ghost quem fala que vai ouvir fala que vai avaliar e não dá resposta nunca né Paulo
Olha, eu vou te contratar, cara. Na próxima vez que meus amigos me mandarem uma musiquinha para ouvir minha opinião, eu vou te contratar. Como é que eu falo que eu não gostei sem ferir, sem romper? Mas, cara, você usou uma expressão que eu não ouvia fazer há tempo. A gente não é uma empresa do terceiro setor, né?
mas é muito interessante, não sei se você já ouviu, não é exatamente o caso da Eldorado nem da Tripe, mas tem a história do setor 2,5. Você não é do terceiro setor, mas você também não é do primeiro setor, que visa objetivamente resultado e o resto é detalhe. Então existe essa ideia do setor 2,5.
Talvez dê para a gente fazer uma analogia com a Eldorado, com a Tripe, com muitas outras empresas que se propõem a uma espécie de sacerdócio, uma espécie de sacerdócio de você defender uma tese que é muito mais para o coletivo do que para o seu benefício específico próprio. Mas, olha, quero ir para outro campo aí.
que é o seguinte, em várias das manifestações, talvez na maioria das manifestações dos artigos que foram publicados agora sobre o fim da Eldorado nesse dial e tal, vem muito a coisa da curadoria musical, que certamente é o maior atributo, realmente é um negócio muito cuidado, desde o início lá, e depois na gestão lá do João Lara Mesquita, o estúdio Eldorado, gravações de discos, muitos discos importantes.
e a própria discoteca, não sei quantos mil vinis e tal. Mas tem uma coisa, cara, que eu acho legal a gente falar um pouquinho, que é o papo do clube, assim, né? Quer dizer, o clube precisa ter a piscina em ordem, a sauna, a quadra de tênis e tal, mas é muito asocial também, né? Eu acho que o rádio, cara, principalmente depois que surgiram as plataformas de streaming, né? Em que você ouve a música que quiser, hora que quiser, vai pedindo.
eu acho que valorizou muito o papo do rádio, a conversa no rádio, a conversa entre as pessoas, e aí entra o programa que vocês inventaram lá, que é o Fim de Tarde, quer dizer, você teve outros programas na...
o Dourado, nesse período das 5h às 7h, mas tem um programa que hoje tem essa cara que vocês deram. Eu trouxe um admirador seu para fazer uma pergunta. Não acredito. Vai ser difícil você perceber quem é, mas se qualquer coisa depois eu te dou o nome. Vamos lá, vamos ouvir.
Salve, Paulo Lima, ouvinte do Tripe FM. Um prazer estar mais uma vez por aqui. E um prazer e uma honra estar num programa tão especial como esse. Você está aí conversando com um cara que é meu chefe, mas para além disso é meu companheiro de fim de tarde ao dourado. Para além disso é meu amigo de vida. A gente está juntos há 24 anos, aí a gente se conheceu.
lá em 2002, nos tempos de faculdade Casper Líbero, e desde então a gente mantém aí essa amizade, alguém que eu posso chamar verdadeiramente de irmão. E pra mim fica até difícil fazer uma pergunta pro Emanuel, porque eu conheço esse cara tão bem, não tenho muitas dúvidas pra tirar sobre ele, mas...
O que eu queria dizer é que aquele clima que todo mundo ouve de segunda a sexta no fim de tarde é o dourado, aquele clima de risada, de alegria, aquilo não é só o programa não, aquilo se estende também à redação da rádio e é o nosso dia a dia de convivência. Então eu vou perguntar para o Emanuel...
Como é que é manter esse clima que a gente tem lá dentro do estúdio, também fora, na redação, no dia a dia, na convivência com todo mundo? Como é que é se sentir tão amado e um chefe que todo mundo ama? Que isso é tarefa para poucos, acho que não é tarefa para qualquer um não, né? Paulo, obrigado mais uma vez pelo espaço. Emanuel, cara, tamo junto sempre, te amo demais, irmão. É isso. Beijos.
Ah, que demais, Paulo. Que surpresa. Quem que é que eu não captei direito essa voz, essa pessoa? Você não percebeu? É o Paulo Maluf, pô. Gente, Leandro Cacossi, apresentador, amigo, como ele disse, irmão. Tamo junto todo esse tempo juntos. E apresentando agora o fim de tarde. Não era uma proposta inicial, Leandro. Não sei se você sabe disso, Paulo. Ele não era apresentador. Ele veio como produtor.
do fim de tarde e aí eu propusso, assim que começou o fim de tarde, eu fazia sozinho no comecinho, eu falei por que você não faz uma agenda cultural aqui no fim do programa que eu acho que tem a ver com o programa faz ali uma curadoria do que as pessoas podem curtir em São Paulo que ele faz até hoje, o bloco de notas
E ele aparecia no final do programa só para apresentar o bloco. E aí eu me recordo que eu ia entrar de férias, e eu nunca tinha pensado, eu falei, putz, eu vou entrar de férias, quem é que vai apresentar o fim de tarde? E aí eu convidei o Leandro e ele nunca mais saiu do programa, e depois a gente foi tendo cada vez mais química juntos ali no ar na apresentação do programa.
Obrigado por esse depoimento. Deixa eu ver como é que eu respondo o Leandro sobre essa questão de manter um ambiente. Eu acho que até é um papo legal, Paulo, que remete ao começo da nossa conversa. Porque a gente aprende também a ideia de que um chefe tem que ser um chefe duro, autoritário.
autoritário, ríspido, disciplinador, às vezes inacessível. E eu, particularmente, Paulo, eu nunca estudei administração, talvez precisasse fazer até uns cursos de administração, mas eu nunca acreditei nessa ideia.
Eu falei, não é possível que isso vai significar a melhor produtividade das pessoas na empresa. Por que a gente acreditou nessa história? Por que as empresas se construíram a partir dessas premissas? De que alguém vai produzir menos porque tem um chefe que é próximo, que pode ser íntimo, que pode eventualmente até se transformar em um amigo. A ideia é de que você não pode ser amigo do seu chefe.
E de que se você for amigo, você não vai poder cobrar a pessoa no dia a dia de trabalho. E isso, desde que eu entrei, eu fui contra essa filosofia, Paulo. E acho que, claro que também há dificuldades em percurso de qualquer, em relações humanas. Já tive que fazer demissões, imagino que você também, Paulo, que é sempre um momento muito delicado e difícil.
mas sempre acreditei que precisava ter relacionamentos autênticos e verdadeiros com cada um dos membros da equipe. Estou falando que eu sou super amigo de todo mundo, não é isso, mas eu acho que ter uma relação minimamente próxima e verdadeira era fundamental para conquistar a confiança e para que isso pudesse resultar em coisas boas também na produção, e principalmente em ambientes que necessitam de produção criativa.
para mim é inconcebível um lugar que dependa da criação que as pessoas não se gostem e não tenham admiração uma pela outra eu falo, não é possível que isso possa funcionar então foi um pouco a maneira que eu tentei emplacar aqui no dia a dia respondendo diretamente a pergunta do Leandro Cacossi e eu queria só fazer um comentário rápido que você falou sobre, que eu acho muito legal isso
que as plataformas de streaming trouxeram essa possibilidade de você acessar a música facilmente, que antes você não tinha, e passou a valorizar isso que você falou, Paulo, a figura do âncor, a figura do apresentador, como alguém que não está ali só para fazer a parte operacional, mas alguém que conduz emoções, alguém que traz contexto, alguém que é companheiro, exerce companhia de fato ao seu interlocutor e ouvinte, voltou a valorizar isso. Eu fui...
Eu acho que é quase como um rádio AM De antigamente dos comunicadores A figura desse comunicador Que é onipresente ali Que volta a ter novamente essa relevância No rádio atual Mesmo com programação musical E foi uma coisa que desde que eu entrei em Eldorado Que eu sempre tentei implementar Para além do fim de tarde Sempre estimulei isso nos apresentadores Falei, vocês não precisam seguir Formulinhas, regras
Tem rádio, Paulo, que você entrava, eu já fui locutor, que é regras muito rígidas. Você fala depois da quinta música, tem que durar tanto o seu tempo de fala, você não pode falar, não pode improvisar, que é uma coisa de falar, é um rádio que emburrece a pessoa que está ali. E eu quis libertar as pessoas disso aqui no Eldorado. Vão ser natural, vão ser autêntico e vão ser companheiro do...
do ouvinte. E eu acho que as plataformas de streaming estimularam isso, estimularam a abrir novamente a valorização do comunicador. E até mesmo, eu acho, a própria curadoria musical, porque quando você tem tudo, é aí que você precisa saber o que você quer e quem você é. Tem tudo e não tem nada. Exato. Então, que alguém que tem alguma credencial, ou mesmo com quem você simpatize.
é legal que ela te ajude, que ela faça uma escolha, que te proponha algumas escolhas e tal. Então, na verdade, nós estamos falando da troca, da troca entre pessoas, que está ficando uma mercadoria mais rara. Eu estava vendo hoje, numa das, sei lá quem que se manifestou, uma manifestação lá de pesar pelo fim da rádio e tal, e num dos comentários, tinha uma pessoa lá que me tocou, obviamente.
Estou tratando um câncer há um ano e meio, e a rádio me fez uma companhia muito importante nesse período. Tem desde o motorista de Uber que precisa daquela companhia, que dá um valor, até isso. Então, de fato, essa coisa da troca humana tem a ver com essa campanha que a rádio...
lançou recentemente, do Não Algoritmo. Agora, Emmanuel, vamos falar de uma outra coisa, aliás, desse assunto, que é a curadoria musical. Eu estava vendo a galera comentando também dessas reuniões, eu não sabia que tinha essas reuniões para ouvir música, basicamente, para escolher, para tratar, para bater bola sobre a lista, playlist e tal.
Cara, o quanto isso é cartesiano, tem uma lógica, tem um critério, o quanto é no jam session, no feeling? É uma eterna discussão essa, inclusive, Paulo, porque Eldorado tem critérios tão abertos daquilo que pode entrar na programação do Eldorado. Só para citar outros exemplos de mercado.
Você pega uma rádio como a Nova Brasil, por exemplo, que ali está claro que é música brasileira, de um certo nicho e tal. Então você já tem um filtro mais fechado. Quando você vem para Eldorado, que você tem rádios que tocam escolas muito diferentes, gêneros muito diferentes, artistas de todos os lugares do planeta, fica aparecendo... Pode!
vir a aparecer, que nós somos completamente aleatórios. O famoso shuffle, né? Acho que existe ainda nas plataformas de streaming, existia nos tocadores analógicos, mas ainda acho que tem nas plataformas de streaming também. Nas playlists. Será que o Dourado é um grande shuffle? E não é um grande shuffle.
e é sempre difícil explicar porque dá certo e a gente acaba estando dentro de um mesmo mood como aquilo que a gente soa como programação no ar e eu acho que isso se responde por algumas coisas eu acho que tem que ter um certo...
uma certa originalidade numa proposta daquela canção. Ela também não pode ser uma canção exótica a ponto de você não ser convidativa para o ouvinte. Então tem uma lógica, digamos, da linguagem pop.
que está dentro das escolhas daquilo que a gente toca na programação da Adora. A gente entende que a música tem que comunicar com os ouvintes, mesmo músicas mais desafiadoras, digamos assim. Porque tem rádio que toca só hit. Você vai para uma alfa, está lá só hit desde sempre. Mas aqui não.
Mas a gente entende o valor do hit. Não é que a gente não quer deixar de ter hit e de tocar hit. Então tem uma lógica do pop que também está dentro. Tem originalidade, tem a linguagem pop, tem a ideia da sofisticação, que eu acho que é importante. Essa sofisticação pode se dar por uma letra bem acabada, pelo tipo de arranjo que aquela música apresenta.
pela qualidade do instrumentista, e aí são vários critérios que podem ajudar nessa escolha. E essas combinações de gêneros e escolhas, entre passado e presente. Eu gosto muito dessa mistura de Eldorado, que você vira um Paulinho da Viola com uma Billie Eilish.
certos contrastes que podem parecer que não são que não vão combinar mas que no final das contas fazem todo sentido, e eu acho que a nossa tara está aí viu Paulo, a gente fica o tempo inteiro discutindo essas possibilidades e elas são infinitas então você deve pensar que essas reuniões são muito malucas
da gente, de brigas, brigas no bom sentido, do porquê que aquela música faz sentido na programação, porque não faz, né? E fica discutindo eternamente sobre aquilo. Mas ao mesmo tempo é um sonho, né? Pensar que você tá num trabalho que você pesquisa a música pra depois discutir o que vai tocar no rádio ou não.
Manuel, vamos para um outro campo que você conhece bem. Eu tive uma reunião já faz uns anos, numa organização educacional, num grupo de faculdades. E a pergunta era assim, o que a gente ensina na escola de jornalismo agora? Porque, cara, você é bem mais novo que eu, mas acho que a gente tem em comum, entre outras coisas, o fato de a gente ter aprendido um negócio que meio que acabou.
E está acabando a cada dia, infelizmente, o jornalismo, pelo menos o que a gente conhecia por jornalismo, infelizmente está acabando. Acho que tem que dizer a verdade. Espero que demore, espero que não acabe, mas o fato é esse. Ao mesmo tempo, tem uma...
sempre tem um jeito de comunicar. Ao mesmo tempo que a hora que você vai dar a notícia, todo mundo já sabe, porque as redes sociais já falaram. Tem uma coisa de uma interpretação, que talvez converse com a própria curadoria musical. A capacidade de você interpretar, encontrar um jeito de tratar aquela informação, de dizer algo mais.
Cara, o que você acha que o jornalismo da Eldorado tem de original, de próprio? Qual é a receita aí? Enfim, o que você tem a dizer sobre o jornalismo da Eldorado?
Eu acho que tem duas coisas, Paulo. Uma é essa missão e esse compromisso de poder levar ao público ouvinte camadas de interpretação sobre os fatos. Aquilo que você falou é verdade. O fato em si, e narrar um fato em si, já não seja mais a missão primordial.
daquilo que a gente faz como veículo de rádio, porque isso já está inundado com diversas plataformas que cumprem esse papel, aquele hard news mais do dia a dia. Mas o desafio é como a parte... Que leituras eu posso trazer para o meu público ouvinte para que ele possa formar...
uma opinião ou um mosaico de opiniões sobre aquele fato. E aí também não ficar refém das paixões ideológicas que hoje tentam nos tragar, seja para um lado ou para o outro. Então essa é uma das missões primordiais. Sempre que a gente guiou, pelo menos ao longo da minha gestão, e foi aquilo que eu aprendi também com toda a história de Eldorado, de não se contentar com opiniões taxativas e poder buscar as melhores opiniões sobre um assunto.
e poder apresentar isso verdadeiramente para o ouvinte e não ter medo dessas análises. Esse é um ponto do jornalismo. O segundo, que eu acho que é muito importante, é que o Dourado sempre cumpriu um jornalismo comprometido com questões da sociedade, sempre cumpriu um jornalismo cidadão. E aí tem exemplos muito notórios e um jornalismo muito combativo.
quando teve a questão da despoluição do Rio Tietê, quando teve aquele movimento do abaixo assinado para a despoluição do Rio Tietê. Então tem algumas bandeiras do jornalismo do Eldorado, e eu acho que aqui é muito vinculado com a cidade de São Paulo. Então olhar quais são as dores da cidade de São Paulo.
de que maneira o Eldorado pode contribuir, e eu acho que é uma função do rádio, do rádio em especial por ser regional, a gente precisa estar do lado do nosso ouvinte, imaginar como é o cotidiano dele, a rotina dele, as dificuldades que ele enfrenta para trabalhar, para conseguir emprego, para o contexto de país, e de que maneira a gente pode atuar nesse sentido, cobrando as autoridades, e aí ter um jornalismo independente é isso, você poder cobrar abertamente, tudo...
quem está no poder, e aí não importa a coloração, mas cobrar sempre da mesma maneira, sempre estando do lado do nosso ouvinte. Então eu diria que isso, Paulo, é um jornalismo cidadão, do lado do ouvinte, e ao mesmo tempo apostando muito na camada analítica de como a gente tenta interpretar esse mundo difícil e complexo.
Você citou essa coisa do Rio Tietê, que foi muito interessante, muito importante. Eu me lembrei de uma outra, que é antiga, bastante antiga, e que deu muito certo, felizmente, que foi esse, não sei se a expressão melhor era essa, de reflorestamento das marginais do Pinheiros e do Tietê, que foi uma iniciativa do Jornal da Tarde, na época, eu era colunista lá e tal, me lembro bem, e que é o Dourado em Campô.
e que hoje você olha, quem é mais velho que lembra o que era a Marginal Tietê, era um lugar miserável. Hoje, mal ou bem, está lá com árvores, com até um desenho, um paisagismo, etc. Isso tem muito a ver também com a Eldorado. Mas eu quero te fazer uma... Eu já estou terminando aqui, não vou te segurar muito, mas...
Cara, tem uma brincadeira que eu pensei aqui que eu queria fazer com você, que é imaginar uma ficção. A rádio, como todo mundo já sabe, vai encerrar. É dia 14, né? 14 é o último dia, é 14 até meia-noite. Digamos que ela não fosse encerrar ou que ela voltasse daqui a um tempo numa outra frequência.
que eu pessoalmente alimento esperanças, acho que, pô, espero que tenha algum caminho. Mas, cara, digamos que ela não fosse acabar, que não tivesse essa história, e que, além disso, você recebesse uma dotação orçamentária considerável. Para dar um...
uma tunada na rádio, como diz o meu filho, dá um up, vamos dizer que você recebesse, sei lá, uma verba de 10 milhões de reais para investir na rádio num critério que você pode definir sem ter que consultar chefe nem nada. Qual o caminho que você iria?
Eu aprofundaria, Paulo, porque eu acho que a gente está muito bem equilibrado em relação à programação naquilo que ela é no ar, na programação linear da rádio. Eu aprofundaria duas frentes, de ter...
uma presença digital mais forte, porque eu acho que é uma necessidade hoje. E aí não é a transferência da programação linear por digital, aquela ideia de vou só colocar uma câmera e ficar transmitindo a rádio. De conteúdos que possam ocupar o universo digital de maneira também com a nossa característica. E aí aqui principalmente em duas vias. Acho que podcasts...
Acho que é uma demanda grande para isso. E os próprios vídeos, que podem ser tanto os videocasts quanto outras frentes de produção nesse sentido. E o segundo aspecto que eu tenho um desejo... Eu não consegui realizar nesses 10 anos, Paulo, que eu tenho muita vontade de fazer um festival, El Dorado. Porque eu acho que a nossa curadoria musical precisa ir para o campo da experiência. E acho que as pessoas desejam isso, Paulo. E aqui eu não falo não só mirando um festival no sentido grandioso, que até pode ser.
Mesmo que seja micro e com várias ações, eu gostaria que as pessoas pudessem acessar Eldorado fisicamente. Seja num espaço, vamos delimitar, que fosse um bar, que fosse um festival trimestral, que fosse um festival que percorresse várias cidades, mas que a gente pudesse levar essa curadoria musical, podendo trazer esses artistas da maneira como a gente olha para eles.
e podendo trazer artistas que nunca vieram porque a lógica também do mercado de shows de business, de show no Brasil também está muito vinculada a certos a certos executivos, empresários que trazem sempre as agências, que trazem sempre os mesmos nomes, mas falam por que não trazer, você citou o Sesc no nosso papo, o Sesc faz isso né an unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw unw
Tem aquele festival de jazz do SESI, vai trazer um cara lá, sei lá, de país qualquer, para tocar aqui. E a gente faz isso na nossa programação. Eu tenho muita vontade de fazer festivais diferentes que sejam uma realidade palpável de experimentar o tipo de curadoria musical do Eldorado. Mas isso tanto no nível grande quanto no nível pequeno. Que fosse um... Agora tem os listening bar, podia ter um listening bar do Eldorado, por exemplo, Paulo.
Cara, queria falar sobre um outro aspecto para a gente terminar aqui. Eu falei no nosso penúltimo programa, esse é o último programa Tripe FM aqui na Eldorado. Só para informar, a gente vai continuar. O Tripe FM tem uma vida nos streamings.
porque ele depende menos de música, enfim, ele consegue viver no streaming, está lá já em todas as plataformas, especialmente no Spotify, no Deezer, no Apple Podcast, só para informar. Mas nesse último programa, no penúltimo programa, que foi sobre a rádio também, eu fiz questão de falar...
sobre o Estadão, porque, puta, muita gente reclamando, achando que o Estadão está lá, que tem uns malvados e tal, e não é nada disso. Pelo contrário, eu fiz questão de cumprimentar o Estadão por ter mantido por quase 70 anos uma rádio sobre cultura brasileira, sobre música, sobre...
um pensamento democrático, enfim, uma rádio que ninguém contesta isso. Acho que o cara tem que ser meio... viver em outro planeta para contestar isso. Você pode até não gostar, nem ouvir, mas você respeita.
E eu fiz esse comentário de cumprimentar o Estadão por ter conseguido essa façanha num país em que isso não é prioritário, em que o mercado não entende isso como prioritário. O mercado, o que eu digo, é anunciante e tal, as empresas. Eu queria que você falasse um pouco, cara. Eu sei que, enfim, tem...
ao mesmo tempo que é delicado, você trabalha no Estadão e tal, mas eu acho que a gente tem liberdade, uma das coisas mais incríveis da Eldorado é a liberdade que a gente tem, em todos os níveis. Como é que é, cara? Como é que você lida e lidou com essa notícia, com esse fato, com essa necessidade, com esse despejo, digamos assim, de sair do dive, de repente acaba? O que você...
O que você me diz sobre essa coisa do Estadão e do final da rádio? Boa, Paulo. Bom, primeiro você aponta uma coisa que é uma tendência natural na reação das pessoas com uma notícia muito grave como essa, de rapidamente ter uma resposta superficial sobre isso, e achar que isso foi uma decisão da noite para o dia.
e vilanizar alguém, encontrar sempre um culpado e dizer como é que você faz isso dessa maneira? E as coisas não são exatamente assim. E problemas complexos têm soluções que não são fáceis, porque são difíceis, são camadas de problemas somados. Então, primeiro assim, isso que você se referiu ao Estadão.
É verdade, pensar que uma empresa construiu não só o seu jornalismo, que também é muito admirável ao longo de 150 anos, ter essas bases tão fortes de um jornalismo que luta pelo país e por um país melhor.
uma empresa como essa a segunda empresa que ela funda é a Rádio Dourado e com essas premissas que a gente comentou ao longo de toda a nossa conversa e que sustenta isso por 68 anos com altos e baixos e imagino que ao longo desses 68 anos vários momentos alguém falou, fecha isso daí que não dá dinheiro fecha isso daí que não dá dinheiro
Quer dizer, apesar de ter a pressão por resultado e a pressão comercial, se entendeu que tinha uma missão muito forte da Eldorado para ser cumprida. E isso se deu ao longo desses 68 anos. Eldorado se manteve no ar e manteve com essa liberdade, com essa liberdade jornalística, com essa liberdade curatorial. Então isso é um milagre, num certo sentido, Paulo. Eu acho que a gente precisa dizer isso, porque é muito fácil agora só ir lá e criticar, falar como é que está, por que não faz isso?
eles não fazem aquilo, então merecem realmente todos os aplausos. Agora é entender como, e depois eu acho que uma segunda coisa que eu posso dizer, é que a decisão não foi tomada da noite para o dia, e não foi uma decisão nesse sentido, vamos fechar porque não queremos mais, também não foi por isso, e que também não há internamente uma visão de que isso necessariamente acabou.
Eu nem sei se eu poderia dizer isso, Paulo, porque eu não quero vender falsas esperanças. Nesse momento acabou porque a gente não tem uma frequência para ocupar, mas existem sim possibilidades da gente renascer. Eu acho que eu poderia dar esse recado. Não é que essa... Eu acho que talvez o recado não seja esse. É dizer que a porta não está fechada e não está fechada pelo Estadão.
então aqui eu até conclamo o mercado como um todo que agora também tem se pronunciado e lamentado o fim do Eldorado que eles também podem ser protagonistas nesse momento, então se eles quiserem ser protagonistas, essas portas não estão fechadas então acho que esse diálogo é possível e que a gente pode até, quem sabe logo encontrar uma solução que vai deixar muita gente feliz e o TripFM não vai precisar só ficar nas plataformas de streaming e aí
Eu tive o enorme prazer de estar lá na manifestação, naquele encontro que eu chamaria lá na Paulista, e encontrar todo mundo, o Moacir Biás, que eu não via fazia um tempão, que é uma das figuras mais legais que eu conheci na Eldorado, que é um grande profissional da área técnica.
e outros tantos colegas, o André, com quem eu trabalhei em outras rádios há quase 30 anos, enfim, um monte de gente, a própria Roberta Martinelli, a Paula Lima, que eu não conhecia. Falei para ela, falei assim, a Eldorado não pode fechar por uma razão, é a única rádio do mundo que tem uma Paula Lima e um Paulo Lima. Então, essa é a principal razão. Mas, enfim...
Muita gente veio me perguntar, será que não tem um jeito? Eu vou dizer o que eu disse para eles. Eu acredito que tenha, sim, por conta dessa... Acho que dá para usar a palavra comoção coletiva que a notícia do fechamento causou. Eu acredito, sim, não é só uma questão de ter esperança, eu acredito, sim, que tenha uma mobilização de pessoas, de empresas e tal, para que ela...
independente de parar no dia 14, que ela volte, quem sabe aí, em breve também, não tenho certeza, enfim, estou falando do meu feeling só, e a minha vontade e esperança, mas, cara, vou te fazer uma pergunta final, que é uma pergunta que eu só resolvi fazer, porque é o último Tripe FM na Eldorado, senão eu não faria jamais.
porque seria cabotino, seria talvez até deselegante, e não é o nosso feitio. Mas como a rádio vai encerrar, e a gente tem um vínculo de parceria, de amizade, eu tomo a liberdade, cara, de pedir para você falar um pouco.
do teu olhar sobre o nosso trabalho, sobre o Tripe FM especialmente. Eu nunca faria essa pergunta se não fosse o último programa da nossa história de 10 anos com você e 26 com a Dourada. Me fala um pouquinho, cara. Desculpa a pergunta incômoda, mas como você já me falou muito generosamente várias vezes sobre a tua visão, e é uma visão muito...
não só carinhosa, mas muito inteligente e tal. Eu queria, cara, ouvir, acho que a gente merece ouvir um pouquinho assim, por que você não mandou a gente embora?
Não, jamais faria isso. Eu acho que primeiro... Vou contar uma história aqui para o ouvinte. E o Paulo está aqui como testemunho. Estou dando até entrevista para ele. E como a gente estava junto, de fato aconteceu. O dia que a notícia saiu do fim da rádio, a primeira pessoa que eu fiz questão de encontrar, eu mandei uma mensagem para ele no dia anterior para o WhatsApp, foi Paulo Lima. Não estou mentindo, né, Paulo?
Eu estava no calor da notícia, a gente almoçou no dia seguinte porque eu falei, se tem uma pessoa que eu preciso dizer pessoalmente o que está acontecendo com a rádio, é o Paulo Lima. Não só pela admiração que eu tenho por você, Paulo, e aqui eu faço um link com o que para mim é o Tripe FM, porque esse tipo de conversa verdadeira, em que você tem espaço de fato de escuta, olha, olha,
e o fato de ter um espaço de escuta não é também ignorar o jornalismo, de não deixar de fazer perguntas contundentes e necessárias. Isso que a gente tem até em fóruns íntimos, como minha conversa com o Paulo naquele dia, isso se reflete como um método de trabalho e como a alma desse talk show. E eu acho que ele está no ar ao longo de todo esse tempo e gerando...
interesse por todo mundo, por isso, e por uma coisa que também não está ancorada...
hoje se pratica um jornalismo muito vinculado no resultado do tal dos cliques. Então não está ancorado com essa visão desse tipo de resultado e nem com necessariamente responder a anseios da realidade que a gente vive muito no curto prazo. Eu tenho certeza que grande parte das entrevistas, agora me refiro a você ouvinte, grande parte das entrevistas que você ouviu do Paulo, sei lá, de 10, 15 anos atrás, elas estão atuais, porque a conversa ali tem outro propósito.
além de uma troca verdadeira tem uma busca de falar sobre questões essenciais da nossa vida e como a gente enxerga a nossa vida e aquilo que a gente construiu e o interesse real pela sua biografia então eu acho, Paulo, que eu enxerguei no talk show no Tripe FM
aquilo que eu entendo como o ideal de jornalismo. Eu falei, se eu pudesse, e eu reflito um pouco isso nas entrevistas que eu faço no fim de tarde, é uma referência para mim, buscar, e é um pouco como conversar com você. E aí vem o último elogio, Paulo, se eu fizer muito vai só exagerado e falso, o último elogio é para a sua maneira de conduzir.
É você como comunicador. Você é uma pessoa que sabe ouvir, sabe conduzir bem uma conversa e sabe puxar aspectos completamente surpreendentes na hora de abordar isso com o entrevistado. E às vezes entrevistados que eu imagino que não deve ser fácil abordar certos temas, porque são pessoas...
famosas, pessoas que muitas vezes fica difícil acessar a intimidade delas, e você conquista o espaço da intimidade, que esse é a maior conquista que qualquer jornalista quer, o espaço da intimidade, e não é o espaço da intimidade em off, é o espaço da intimidade em on, que aí é mais difícil ainda.
então queria dizer que sou muito fã do trabalho que vocês fazem aqui no Tripe FM e não estou falando isso porque está acabando porque é o último programa e é a última pergunta, Paulo mas é uma admiração real pelo legado de vocês aquilo que vocês constroem, constroem como Tripe FM e também é um elogio pessoal daquilo que eu sempre identifiquei em você viu, Paulo?
Emanuel, eu tô me sentindo, sabe quando você é criança e vai numa festinha de aniversário, quando acaba a festa, o aniversariante vem e te dá uma bola, um presentinho, uma lembrancinha? Tô me sentindo assim, ganhei a melhor lembrancinha da Eldorado que eu pudesse sonhar. Muito obrigado mesmo pelas palavras. E mais do que isso, por essa coisa dessa liderança que escuta.
que presta atenção, que ouve de verdade, que quer saber, que quer somar, né? Isso é muito legal, várias pessoas falaram, o Leandro acabou de falar agora de novo, né? Enfim, obrigado por esses 10 anos de muita competência, cara, de muito, eu sei como é que é tocar.
um barco com pouco recurso e com muita qualidade. Então, parabéns por tudo. Já falei, vou dizer de novo aqui, eu acredito que a Eldorado é tão forte que ela pode renascer. Acho que é uma ótima expressão que você trouxe aqui. E no que eu puder ajudar, vou ajudar.
Queria dar um recado para você que acompanha o Tripe FM aqui na nossa versão podcast. Quase todos, se não todas as plataformas de difusão de podcasts, elas têm lá um espaço para comentários. A gente queria muito que você comentasse.
Desse like, lógico, mas comentasse principalmente o que você sente aqui nas nossas conversas, nas nossas entrevistas, sobre o programa, sobre os entrevistados, sobre o tipo de conversa que a gente faz. É sempre muito importante para a gente receber o seu comentário, o seu retorno, a sua emoção mesmo. Esse foi o Tripe FM, abrindo cabeças desde 1984.
Direção e apresentação, Paulo Lima, roteiro, produção e edição, Adriano Conter. Nossas trilhas e vinhetas foram concebidas pelo grande produtor musical André Catiabava e com a locução luxuosa da atriz Marta No Will. Para você ouvir outras entrevistas nas edições anteriores do programa, é só acessar tripfm.com.br.
ou também acessar via a sua plataforma de áudio favorita. A gente está no Deezer, no Spotify e em todas as outras. Na semana que vem a gente volta com mais uma conversa boa aqui no Tripe FM. Abração e até lá!