Episódios de Sono Arretado

T2 E7 • LESÕES NÃO CARIOSAS: o que são e qual sua ligação com o sono? (Dra. Eleonora Burgos)

25 de abril de 202635min
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Neste episódio, recebemos a periodontista e professora de Odontologia Eleonora Burgos, referência na área em Pernambuco, para um bate-papo esclarecedor sobre as lesões não cariosas. Elas são desgastes e alterações nos dentes que não estão ligados à cárie, mas sim a fatores como comportamentos do dia a dia, distúrbios do sono e até o estresse. Ao longo da conversa, destacamos a importância do diagnóstico adequado, incluindo a polissonografia, e abordamos possibilidades de tratamento, como o uso de aparelhos intraorais, sempre considerando a saúde do paciente de forma integral.

Também falamos sobre perda óssea e seus impactos, incluindo o risco de perda dentária, além de um ponto importante: mesmo com boa higiene bucal, essas lesões podem surgir, exigindo mudanças de hábitos. Bruxismo, refluxo gástrico associado à apneia do sono e o consumo frequente de alimentos ácidos, como refrigerantes, água com limão e sucos cítricos, estão entre os principais fatores envolvidos. E também os exercícios de alto impacto. E um alerta: se a causa não for tratada, restaurações podem cair, já que o dente tende a sofrer novos danos no mesmo local.

O episódio ainda traz dicas práticas sobre como reduzir a acidez, manter hábitos de vida mais saudáveis e melhorar a escovação. A conversa contou também com as doutoras Sandra Jordão e Renata Grinfeld, especialistas em Odontologia do Sono, e com a dentista Manuela Calado, que soma mais de 20 anos de experiência clínica, tendo sido aluna de Eleonora Burgos. Um conteúdo completo para quem quer entender melhor a relação entre saúde bucal e sono.

Participantes neste episódio4
E

Eleonora Burgos

ConvidadoPeriodontista e professora de Odontologia
M

Manuela Calado

ConvidadoDentista
R

Renata Grinfeld

ConvidadoEspecialista em Odontologia do Sono
S

Sandra Jordão

ConvidadoEspecialista em Odontologia do Sono
Assuntos4
  • Lesões não cariosasBruxismo · Refluxo gástrico · Apneia do sono · Perda óssea · Alimentação ácida
  • Aceitação do diagnósticoPolissonografia · Tratamento integral
  • Riscos EconomicosEstresse · Exercícios de alto impacto
  • Cuidados com a saúde bucalHigiene bucal · Escovação correta
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Olá, olá, internautas e ouvintes. A gente tá de volta pra mais um episódio do nosso videocast, mesa-cast, podcast Sono Arretado. É um programa que fala sobre qualidade de vida e sobre a melhoria no seu sono e, consequentemente, na sua saúde. E hoje a gente vai falar sobre um tema super importante e curioso que as pessoas, inclusive, não conhecem direito, né? É um tema que tem um nome estranho, um nome diferente pra quem não é da área, que são as lesões não cariosas.

E elas nada mais são do que desgastes e alterações dos dentes, que não têm nada a ver com a carie propriamente, mas com os hábitos, os distúrbios do sono e até com o estresse que a gente vai passando no dia a dia. Para essa conversa, eu tenho a honra imensa de receber aqui no nosso estúdio essas quatro profissionais incríveis e também a doutora Leonora Burgos, que foi professora.

De Manuela, que é uma das nossas participantes, né? Calado, que a dentista tem ampla experiência na área clínica. E doutora Leonora, ela, além de ter sido professora da FOP e da UPE, ela também foi analista em saúde para o Estado durante alguns anos. As nossas gravações são realizadas aqui no Estúdio Móble, no Recife.

que é também responsável pela parte de captação de imagens. E a gente tem uma novidade recente, para todo mundo acompanhar mais ainda, a gente já estava no YouTube e no Instagram, e agora chegamos às principais plataformas digitais com Spotify, Apple Podcasts e Amazon Music. Então, basta você procurar por lá, Sona Retado Podcast, para seguir nos acompanhando. Sejam todas muito bem-vindas. E a gente começa com a Eleonora, perguntando o seguinte, o que eu queria que você explicasse para o nosso ouvinte, internauta, o que são, afinal, essas danadas, essas lesões no Carioca?

Eu queria começar agradecendo, gente, pelo convite. Dizer que é um prazer estar aqui entre amigas. Antes de tudo, nós somos amigas. Fui professora de Manu, mas hoje se perguntar quem é Manuela, não vou dizer uma ex-aluna, vou dizer uma amiga. Né, Manu? E isso é um privilégio para mim. Então, o que é lesão não cariosa?

Parece um termo novo, uma coisa moderna, mas, na verdade, nos anos 90, o professor Adalto Menezes, era um professor de dentística da UFPE, ele hoje é aposentado. Então, ele já falava de lesões de erosão, abfração e atrição. Então, era a mesma doença, mas o olhar mudou.

o olhar sobre as lesões não cariosas mudou. Então, lesões não cariosas sempre foram lesões, como você falou, lesões que não são causadas pela bactéria, né? Não são causadas pelos streptococcus mutans. São causadas por outras razões, que a gente até hoje em dia já chama assim.

Além dos dentes, porque são questões do sistema nervoso central, como o bruxismo. Então, hoje, a visão da lesão non-cariosa é muito mais nesse sentido.

de uma consequência do bruxismo e da nossa outra área de atuação, minha, da doutora Sandra, da doutora Renata, que é o sono. Também consequência da apneia, que está intimamente relacionada ao bruxismo. Então é aquela coisa de ver além do dente.

Mas como também sou periodontista, por que ver além dos dentes e por que o bruxismo tem a ver? Porque o bruxismo, tanto da vigília como do sono, ele provoca... O bruxismo do sono causa perda dental, perda da estrutura dental. E o bruxismo da vigília, que eu acho que a gente vai falar daqui a pouco, o bruxismo da vigília, ele causa perda óssea.

uma perda óssea na região periférica do dente. Então, quando tem perda óssea...

a gengiva acompanha. Onde tem osso, tem gengiva. Onde não tem osso, não tem gengiva. Então pode ser bem perigoso. Bem perigoso, exato. Pode estar relacionado realmente a um comprometimento poupar, né, doutora Manuela? Porque vai aumentando essa perda. Daqui a pouco chega muito próximo da poupa.

E também a perda dentária, né? Se a perda óssea for muito progressiva, vai levar a uma perda dentária. Olha, Leonora, e assim, que bom que você está aqui. Está muito feliz. A pessoa pode ter uma boa higiene e mesmo assim ter essas lesões. É comum, mesmo com uma boa higiene, porque às vezes a gente vê o paciente e tem a higiene maravilhosa, perfeita.

E quando olha, tá lá as lesões não cariosas. Não cariosas. Inclusive, na época que o professor Adalto dava aula, ele dizia que essas lesões estavam relacionadas, que era o entendimento da época, viu? O entendimento da época que era relacionado à escova, escova dura, a pasta muito abrasiva. Isso não é, hoje em dia...

Mudou, né? Mudou o olhar. Como eu disse, a doença mudou de nome e mudou o olhar. Porque a gente sabe que não é mais a escova dura. Escova dura não é bom, de todo jeito. Porque agride a mucosa, né? A nossa mucosa oral é bem sensível, então a escova dura não é recomendada. Mas dizer que a escova dura é a causa da...

Da lesão não cariosa não é isso. E como se via uma área sem cárie e com perda, então achar que não é a escova que traumatiza. Mas era a visão de antigamente. Hoje em dia, Manuela, a gente está relacionando muito mais com essa perda, com o bruxismo, com a oclusão.

E também com a biocorroção, que eu acho que a doutora Manuela pode falar um pouco sobre isso. Isso, elementos ácidos provenientes de uma alimentação muito ácida e também provenientes de um refluxo, que está intimamente ligado ao sono. Ao sono, a distúrbios do sono, ao ronco, a apneia. Então, essa erosão ácida, esses ácidos provenientes da alimentação e dado refluxo, eles podem causar também essas lesões noncariosas.

que são lesões, são cavidades muitas vezes até simples. Muitas vezes o paciente chega no consultório reconhecendo essas cavidades, pede inclusive para restaurá-las, colocar uma resina e resolver o problema, mas se a gente não resolver a causa...

a gente não consegue resolver de fato o problema do paciente. Porque essas restaurações, em algum momento, elas vão cair. Vão fraturar. Porque ele vai voltar a ter. Vai voltar a ter, é. Não resolvendo o problema. E quando você fala dessa alimentação que seria mais ácida, isso vai desde um suco até alguém que goste muito de coisa cítrica. Sim.

Sim, os shortes matinais, às vezes o condimento da salada, o molho da salada, às vezes muito vinagre, muito limão, frutas cítricas mesmo, suco de uva, suco de uva é algo muito ácido, os refrigerantes. Eu ia dizer, se falar em ultraprocessado. Aquela água com gás e limão. Tem gente que toma aquele limão antes de...

comer qualquer coisa, né? Em jejum, né? Em jejum. E tem gente que tem o hábito de bochechar, inclusive, refrigerante. Exato. Coca-Cola é muito ácido. Coca-Cola é super ácido. O pH lá embaixo, né? É bem... Pode danificar bastante o esmalte de dentário. Teve uma coisa curiosa que você falou nos bastidores é que às vezes, então, se você comeu ou bebeu alguma coisa assim, antes de escovar os dentes você toma uma aguinha assim? Sim, o ideal é que se tome uma água que lave bem os dentes, que não passe de imediato a escova de dentes.

É sobre aquele dente que acabou de ter contato com um ácido. O café, inclusive, também. O ideal é que se tome um café, se tome um café expresso. O ideal é que a pessoa tome um pouco de água, bocheche um pouco essa água e depois, em seguida, escove os dentes. Assim como chupa uma laranja, um abacaxi, qualquer coisa. O ideal é que de imediato não escova esses dentes. Em relação ao vômito também, eu já escutei alguma coisa. Sim, também tem isso.

Sim, aí nessa hora a escovação importa. E a textura da escova também importa, é verdade. E o professor Paulo Vinícius fala uma coisa também que eu me lembrei agora, que é... Que corpo sal... A gente diz boca limpa...

você pode ter lesão noncariosa. E num corpo saudável, super saudável, que você acorda e toma um shot matinal, você também vê muito envelhecimento precoce bucal. Que hoje se chama síndrome do envelhecimento precoce bucal.

que são as lesões não cariosas. E pessoas super saudáveis. Inclusive, aquelas que fazem academia. Sim, bem jovens e já com a boca de uma pessoa de muita idade. De muito mais idade. Como é o nome daquele negócio que pega muito peso? Alterofilista? Não. Sim, também. Mas que agora tá na moda, tem em todo ponto. O crossfite. O crossfite. O crossfite. É.

E tem uma dica também pra quem toma o shot matinal. Porque eu acho o seguinte, quem tem que resolver o shot matinal é o nutrólogo da pessoa, não tô aqui. Sim, sim. Querendo diminuir a profissão de ninguém. Mas, na verdade, uma dica que tem pra quem faz uso do shot matinal é tomar com canudo. Que esse shot não tenha contato com os dentes. Exato.

Aí você toma seu shot, que tem inúmeros benefícios, né? Que aí não é minha área. Muito menos eu quero opinar. Sim. Mas assim, a dica é quem toma o shot matinal, tomar com canudo. E a escovação demora um tempo. E demorar. Cada abrasão, né?

Tanto da escova como a própria pasta dentária, né? Exato. Porque você precisa neutralizar esse pH local. Porque na hora que a boca tá ácida e você pega a escova e... É, e faz o atrito sobre o esmalte. Faz o atrito, exato. Porque a própria cárie é um processo químico, né? A cárie.

Também a bactéria lança ácidos no dente e dissolve a estrutura, porque o nosso dente é mineral. Então, a lesão cariosa nesse ponto se assemelha no caso da biocorrosão.

Que é a acidez desgastando a estrutura dentária. Vou fugir um pouquinho da pauta, mas é uma curiosidade minha. Por exemplo, você comeu um doce, comeu um chocolate depois do almoço. Aí você tá ali com aquela preguiça de levantar pra poder escovar os dentes. Mas aí você lembra, então eu tenho que escovar logo. Ou eu posso demorar um pouquinho. Quanto tempo seria recomendado entre a hora que você comeu aquele doce e a hora que você vai escovar? Qual é a sua dica?

Eita! Eu fico até com... A gente brinca assim que fica com receio que a pessoa não... Não acha que é tão importante escovar várias vezes os dentes, né? Mas... Isso aí é ciência, viu? 24 horas. Se você fizer uma escovação perfeita dentro de 24 horas, você mantém uma boa higiene bucal.

Apesar de que a recomendação oficial é a seguinte, você sujou a boca, você limpa. Sujou, você comeu, você escova os dentes. Você lanchou, você escova os dentes de novo. Entendeu? Então, a recomendação oficial... Mesmo que seja umas seis, oito vezes por dia. É, exato. A recomendação oficial é essa. Mas se você... Eu digo muito aos pacientes, pelo menos uma vez por dia.

Capriche nesses dois. Capriche, passe o fio dental com todo o critério, porque a formação do biofilme são 24 horas. Do biofilme cariogênico.

Isso. Eu vou fazer uma pergunta, porque alguns pacientes perguntam. O fio dental deve ser feito? A gente usa antes ou depois da escovação? Na verdade, na verdade, o momento ideal no meio da escovação, você faz uma escovação grosseira para tirar resto de alimento, resíduos. E aí você passa o fio e depois você complementa com a escovação.

Você não pode passar o fio dental depois da escovação. Porque aí você trouxe sujeira pra uma área que... Mas assim... Também você não deve levar. E a escovação ideal... Toda vez que eu ensino no consultório, o paciente faz. Eu não fazia certo, não.

porque na verdade a escovação você tem que trocar o segmento do fio, né Manu? Então você tem que fazer a escovação ideal, acho que a gente pode até, eu tenho até vontade de gravar um videozinho sobre isso e o fio penetrando no suco de edival e o fio e o fio penetrando no suco de edival

suco genital. Penestrando na meia, bem bonitinho, né? Sem agredir, né? Explica melhor isso, mano. Algumas pessoas fazem elas com a tortura, né? Na verdade, um fio dental não é pra remover resto de alimento.

Não é pra remover a raiva de alimento. O fio dental é pra remover o biofilme. E na área, principalmente, que a doutora Manuela falou. Nessa meia. Lá em cima da meia. Nessa meia que ela falou, Tati. É o espaço, digamos, entre a gengiva e o dente. Tem um espacinho que o fio dental consegue penetrar. Penetrar. E remover o biofilme. Sem machucar, né? Sem machucar.

Pois é, e apesar, às vezes a pessoa faz toda essa higiene, a gente já está falando também de como prevenir até a cari, com esse assunto a gente já está também falando que é um assunto também muito importante, porque a cari ainda existe, é uma realidade dentro dos nossos consultórios.

Mas tem uma realidade muito nova, que são as razões noncariosas, que o paciente chega com a boa higiene bucal, chega passando o fio dental, escovando bem, mas com os dentes envelhecidos, né? Com essas razões, que são essas cavidades, essas biocorrosões, que não são causadas por bactérias, mas por hábitos, principalmente por hábitos de vida, principalmente por conta do bruxismo, né? E o bruxismo em relação...

Com relação ao sono, refluxo, não é isso? E falando do refluxo, é muito interessante a gente lembrar que existe a doença do refluxo, né? Que o gastro trata. Mas existe o refluxo relacionado à apneia. Isso. Que é outro tipo de...

que eles podem até estar juntos, né? No paciente, ele pode... Eu tenho uma forma bem didática, que eu digo ao paciente o seguinte, que a apneia, eu explico a ele, né? Que a apneia é uma parada respiratória e a obstrução, ela corre aqui, atrás da garganta, né? Então, o nosso pulmão, ele se prepara para receber o ar.

O pulmão se prepara, só que o ar não vem porque houve uma obstrução aqui da via aérea. Então, o que é que acontece? Uma pressão negativa, como se fosse um desentupidor de pia. Uma pressão negativa. Então, essa pressão negativa, ela suga, ela puxa o suco gástrico. Então, ela traz esse suco gástrico para a boca.

E aí também essa pressão negativa dá uma sobrecarga no coração. Todo tórax sente muito essa pressão, porque a pressão do A é uma pressão positiva. A pressão do CEPAP é uma pressão positiva. Mas o pulmão se prepara e não recebe o A. Então essa pressão negativa é um refluxo que não é relacionado, não é a doença do refluxo que o gastro trata. É um refluxo causado pela apneia.

Então, eu acho que a Renata pode também falar um pouco.

Acho que a Manu falou um pouquinho já sobre esse negócio de ter... Do sono, né? E o bruxismo ressuscitador, né? O bruxismo... Eu adoro essa frase. Do ronco ressuscitador. Muitas pessoas relatam essa condição de ronco ressuscitador e não sabem que tem. Que tem, exato. Quando você vai investigar, você precisa investigar não só a questão respiratória, mas também o fato de estar...

relacionado com o refluxo gastroesofágico. E como isso pode interferir no aumento do bruxismo. Então, quando o paciente chega, ele vai queixar do bruxismo, mas não é a primeira coisa que você vai pensar é colocar uma placa para tratar aquele bruxismo, né? Precisa investigar outras coisas. Você precisa investigar e ver se tem ronco.

Se tem apneia, apneia do sono, né? Porque a gente só tem apneia dormindo, né? Sim. E aí, realmente, os tratamentos vão mudar dependendo da investigação. Esse bruxismo...

que Renatinha está falando, pode ser não só o vilão, né, Renatinha? Exato. Ele é protetor. Ele é protetor. Protetor. Ele está dizendo que tem algo aí que não está. O chismo é que faz a gente respirar de novo. Exatamente. Ele está tentando abrir a sua viajou. Não só isso. Ele também vai ser responsável por estimular a produção de saliva. De saliva. Deutralizando aquela acidez do refluxo.

E não só na apneia também, que o bruxismo aparece. Se você estiver com rinite, você acaba fazendo mais bruxismo porque o cérebro quer oxigênio. Exatamente. O nosso cérebro quer oxigênio. Por isso que o paciente com bruxismo tem que investigar sempre o sono. O sono, as vias aéreas. Porque simplesmente fazer uma placa para esse bruxismo pode não resolver, pode piorar a condição do paciente. Exato, pode piorar a apneia.

E se a gente falar sobre sinais de alerta, como é que a gente desconfia? Como é que a gente fica sabendo que a gente está indo naquele caminho de ter um problema mais sério com as lesões não cariosas? Como é que a gente pode fazer para poder, a partir desses sinais? Uma coisa que acontece muito com paciente que tem lesões não cariosas é a sensibilidade, né?

Além dele perceber algumas vezes, dependendo do tamanho da cavidade presente no dente, ele muitas vezes tem a queixa de sensibilidade, de incômodo mesmo, de sensibilidade com frio, com calor.

E essa queixa é bem constante. A gente também percebe trincas no esmalte, a gente vê que tem alguma atividade ali de bruxismo, vê realmente pontos de biocorrosão no dente, às vezes na face oclusal do dente, que é a parte onde...

mordem os dentes e se encostam, né, os molares. E o refluxo, a gente estava falando agora há pouco, tem uma coisa também bem interessante, que às vezes o paciente que tem refluxo, e ele costuma dormir para um determinado lado, a gente percebe daquele lado...

o ácido agindo sobre os dentes. E a gente percebe, você tem refluxo e você dorme pra esse lado. Você dorme pra esse lado. Como é que você sabe? Então, é assim, é meio que, às vezes, a gente se sente detetive. A sensação que a gente tem hoje em dia é que, poxa, tem um mistério a ser desvendado aqui nesse paciente, no hábito dele, como um todo, assim, no dia a dia.

E o que isso que ele tem feito está refletindo na boca. A gente estava falando sobre, né, Renatinha citou sobre crossfit. Então, atividades de alta intensidade, como um crossfit, a pessoa que pratica, ela normalmente tem uma escassez de saliva, ela fica com a boca muito...

ressecada, e isso pode favorecer também as lesões não cariosas. Até o pessoal de corrida, é isso, Manu, que gosta de maratona? Sim, que corre bastante, às vezes usa aquele gel carboidrato, que aquilo pode danificar também o esmalte dentário. E criança que tem problema alérgico, que vive muito com a boca aberta também. Exatamente.

É uma coisa que eu ia perguntar. Criança tem lesão não cariosa? Eu ia perguntar exatamente isso. Criança tem lesão não cariosa? Criança, não. Lesão não cariosa, como o adulto tem? Diferente, né? É diferente. A criança tem muito bruxismo, né? Certo. Na verdade, a prevalência de bruxismo na criança é maior do que no adulto. Certo.

Aí a criança, mas lesão cariosa como o adulto tem, não. Até porque é uma coisa mais crônica, né? Mas eu acho também que o dente da criança não é um dente mineralizado como o do adulto. Então, eu já vi criança com dente... Isso é errado. Do bruxismo. Do bruxismo. Porque a criança... No dente e não na cervical. Na cervical.

Mas não é a lesão, é diferente. É porque, na verdade, a lesão noncariosa ela tá bem relacionada ao bruxismo do dia, né? Bruxismo da vigília. Mais do que ao bruxismo do sono. Certo. Bruxismo do sono, o dente vai-se embora, né? O dente, a parte oclusal, como o Manu falou, oclusal é a parte que os dentes se encontram, né? O ocluem. É desgaste. Então, o bruxismo, o desgaste é mais na oclusal.

Eu tenho um parte que relata um dos sintomas também, voltando para a questão do sintoma, é secreção purulenta em nenhum dente. Em um dente. E aí, às vezes, você vai buscar a causa, é um contato prematuro. De quem faz bruxismo. E se você não remover, não adianta você fazer raspagem.

E se você não remover a causa do contato prematuro, continua acontecendo. E nesse caso, as placas ajudam? Como é que seria para poder você aprender a conviver melhor com esse bruxismo, sofrer menos? Sim, a doutora Manuela estava até falando sobre isso.

Sobre isso, que é a questão do esporte, né, Manu? Sim, sim, a gente estava conversando. Que a gente estava conversando antes de começar a gravar, né? Isso. Que Manu falou, Manu estava falando que se você percebe que na hora que você está fazendo um treino, você aperta muito os dentes, é interessante usar o protetor bucal, né? É uma estratégia usar o protetor bucal.

E, na verdade, o bruxismo da vigília, o que significa bruxismo da vigília? É o bruxismo durante o dia, um apertamento que você faz quando está tenso. O dente da gente não é para se encontrar, só na hora de mastigar. Na hora de deglutir também, né? Na hora de deglutir e de mastigar. Mas o dente não é para estar em oclusão, não é para estar em função.

Na verdade, é para a gente estar com a musculatura bem relaxada. Isso, porque os músculos precisam repousar também. Precisam repousar. O trabalho é o tempo todo. Se você está sempre com os dentes encostados, os músculos estão o tempo todo tensos e trabalhando. No fim do dia vem uma cefaleia, né? A cefaleia tensional, porque você passou o dia forçando esses músculos. A gente chama isso de bruxismo da vigília.

Quando ela vem no final do dia, estaria mais relacionada com o bruxismo da vigília. E quando você acorda... Acorda, bruxismo do... Exato. Bruxismo do som. Se você acordar com desconforto no masseter... Masseter. No músculo masseter, é porque você passou a noite...

trabalhando com alguns episódios. Se bem que os episódios de bruxismo... E falando numa seta, a gente estava conversando sobre isso também, nos bastidores. Aquelas pessoas que têm essa região aqui bem desenvolvida, bem larga, bem hipertrofiada. Já está mostrando quem é. Já pode ter uma relação. Às vezes até um lado maior que o outro. Uma seta bem desenvolvida. Uma simetria.

E às vezes a gente atende um paciente, ele diz, não, não faço não, nada de bruxismo, não tenho nada. E a gente vê a musculatura o tempo todinho trabalhando, né? Quer dizer, aquilo ali, com certeza, durante o dia ele deve fazer várias vezes. Mas é porque é tão habitual.

que ele acha que aquilo ali está tudo certo. Para ele está tudo tranquilo. Está tudo certo, exato. E aí quando você vai ver muitos desgastes, muita coisa que ele não percebe. Exato. Realmente. E se a gente falar da odontologia do sono, doutora, dessa questão desse olhar que precisa se ter para, justamente, a partir de que descobriu como era o sintoma, essa causa, como fazer para poder melhorar, né? Como é que é essa coisa mais integral, gente?

Poder analisar esse paciente. Tratar na odontologia do sono. Sim. Primeira coisa é diagnosticar, né? Então, acho que o diagnóstico é a chave, né? Então, o diagnóstico é médico. Então, a gente tem o recurso da polisonografia, que a polisonografia, ela lhe dá o retrato da sua noite.

E, na verdade, o retrato da nossa noite é o que vai refletir no outro dia. A gente só fica bem no dia se a gente tiver uma noite boa de sono, de repouso, de renovação. Muito importante. Arthur Schopenhauer já dizia que dormir é como dar uma corda no relógio. Você se refaz, você recarrega as energias. Então, o diagnóstico é a coisa mais importante.

E o diagnóstico é médico pela polisonografia. E nós, como dentistas, nós tratamos com os aparelhos intravais, que avançam e não deixam ter o bloqueio que eu falei atrás da garganta.

Quando você tem o bruxismo e a apneia, ao mesmo tempo, você tem que dar prioridade ao tratamento respiratório. Do distúrbio respiratório, e não do distúrbio de movimento. Não sei nem se chama ainda assim. Distúrbio do movimento, é. É porque tirou em pacientes saudáveis, né? Então, tá, você perguntou de placa, né? Então, nem sempre o tratamento vai ser a placa.

O diagnóstico, é como ela disse, é super importante. Tanto o objetivo mesmo, que é a paulissonografia, como o clínico, né? Exato. Então, se ronca, se para, como é o seu dia, se tem sonolência, se não tem. Se está num período estressado.

Contar a memória, porque o sono impacta em tudo. Então, é outra visão. A gente, é como ela disse, a gente para de só olhar os dentes e a boca, a gente vai ver uma coisa... A saúde. Exatamente, geral.

Isso, e do ponto de vista da lesão não cariosa, a gente tinha falado anteriormente sobre o tratamento, né? O paciente chega e pede, ah, vamos colocar uma resina, vamos fazer uma restauração. Nem sempre isso também é indicado, né? Mesmo quando a gente descobre a causa, muitas vezes é colocado feito enxerto gengival.

Em alguns casos, né? Dependendo do tipo de... Do tipo de lesão não cariosa. A Leonora, como periodontista, pode... Na verdade, você precisa restaurar dentes e cobrir raízes, né? Sim. Agora, a restauração do dente, né?

ainda é muito importante porque você diminui o que a gente tava falando, a hipersensibilidade que é o que mais incomoda o paciente aí chega o paciente viciado e empastas pra sensibilidade só o uso

Eu ia falar sobre pasta de carvão, porque... Não. Pasta de sensibilidade. Então, mas tem gente que usa aquela que é a base de carvão. Que é mais abrasiva. É. Que é extremamente abrasiva. Não deveria pensar, né? No caso.

Eu então viciada em usar um creme dental para sensibilidade, desessibilizante. Sem ter sensibilidade. Que nem sempre... Não, tem sensibilidade, mas não resolve. Porque não busca causa. Esconde só. Só mascara, né? Só mascara. Mascara. Na verdade, acaba ajudando o paciente, né? Porque você vive com hipersensibilidade, mas a pasta dental para sensibilidade, ela é...

É assim, uso dependente. Usou, melhora. Parou de usar, volta tudo. Ou seja, vamos tratar a causa. Exato. Então, um dos primeiros sintomas seria a sensibilidade. A sensibilidade. Inclusive, que atrapalha até os clareamentos, né, Manu? É, isso. E existem protocolos agora que você faz antes do clareamento.

Principalmente em pacientes que têm bruxismo da vigília. Porque aquele esmalte cervical daqueles dentes já é comprometido. Acho que a Manuela pode falar melhor. Isso é. A gente pode fazer para alguns pacientes um protocolo. Protocolo de desacessibilização. Para que o clareamento seja de forma mais tranquila possível para o paciente. Sem dor.

sem tanta sensibilidade. E o paciente que já tem uma história de sensibilidade, o protocolo pode aliviar bastante. Tudo é o diagnóstico, tudo é conversar, investigar, não querer padronizar todo paciente, querer achar que é tudo igual, sempre é aquela história de personalizar. É, de personalizar. Fazer um tratamento mais humanizado, né? Personalizado, exato.

Então, assim, a gente pode dizer que a pessoa não deve, assim, aceitar uma hipersensibilidade como normal. Não. Porque muita gente chega, né, no consultório e diz, não, eu já sinto isso há tanto tempo, coloca a pastinha, né, e fico bem, e fico bem. Não, mas olha, o paciente chega no consultório, mas assim, a culpa é nossa, né?

Por isso, assim, eu acho que eu tava falando que essa ideia de vocês de divulgar som, de trazer esse conhecimento de uma forma digamos assim, que as pessoas entendam, é muito importante porque, na verdade, o paciente chega no consultório dizendo, ah, minha gengiva sangra. Sangrar não é normal. Meu marido ronca, roncar não é normal. Não é. Pode ser comum, mas não é normal. Exato. Pronto. Ela falou uma...

É comum, mas não é normal. Sangrar a gengiva é comum, mas não é normal. Roncar é comum, mas não é normal. Ter sensibilidade dos dentes não é normal. Ou seja, a gente precisa procurar ajuda. Procurar ajuda. E tudo tem tratamento. Tudo tem tratamento.

É falta de informação. Culpa nossa, viu? Dentistas que não divulgam. E do paciente que também normaliza muito. Normaliza, é. E não pede ajuda, não procura especialista. Exatamente. O idoso tem mais essas lesões? Tem, né? Tem.

Mas assim, sempre teve, até porque é o envelhecimento do periodonto. Aí tá tudo certo, não. Tá tudo dentro de entrada. O problema que hoje se chama muita atenção é o envelhecimento precoce.

Hoje, gente jovem tá com a boca de velho. Pessoas de 20 e poucos anos, 30 e poucos anos, com a boca de 70 anos. Exato. Mas aí não tem um caminho único, né? Isso, Manu? Teria que fazer essa coisa da prevenção, mudar os hábitos. Sim, tem que investigar o que é que tá acontecendo, o que esse indivíduo tá fazendo, o que tá causando esse envelhecimento precoce. É uma investigação de verdade.

Se a pessoa olhar na boca dela, no espelho, e tiver com aqueles dentes chapados, com os dentes diminuídos, às vezes até com rachadura mesmo no dente, com lasca, tem gente que tira lasca, né? Lasta, exato. E aí tem uma coisa errada. Se você é jovem, tem 40 anos, 30, e tá já chapado com esse dente, parece um platô. Deu tilt, né? Tá errado. Tá errado. E chega paciente que diz assim, ah não, meu marido acha bonito, minha mulher acha bonita.

tudo certo, então. Tá todo mundo feliz. Mas, assim, a gente só vai tratar quem quer ser tratado, né? Porque o consultório não é uma prisão. Eu digo, olha aqui o consultório, não é uma prisão. Você vai fazer o tratamento que quiser. Mas eu digo tudo que você tem. Porque tem paciente que fica dizendo que eu fico lançando sementinhas. Mas, na verdade...

Eu preciso, é minha obrigação. Moral, ética, tudo. Assim, me ensinaram isso na faculdade. Eu assisti essa aula. Então, eu falo tudo que o paciente tem, mas eu digo, olha, aqui não é uma prisão, não. Você vai fazer o que você quiser, mas eu tenho uma obrigação de dizer o que ele tem. Detalhar. Esclarecer tudo, né?

Gente, a conversa tá ótima, mas avisaram ali que a gente já tá perto do fim. Então, vou passar pros agradecimentos, né? Pras nossas doutoras maravilhosas, Sandra Jordão, Renata Grinfeld e Manuela Calado. E, principalmente, um prazer ter você aqui. Foi um momento muito esperado por essa equipe do podcast. Porque desde que a gente começou, né? A pensar o programa que Manuela já elogiava, a sua trajetória. Oh, meu Deus! Manuela é amiga, não vale, não.

Não vale não. Mas ela não travou essa amizade ao longo dos anos à toa. Exato. Tem esse motivo de você ser muito querida, muito competente. A admiração mútua é mútua. Joia, muito obrigada por ter vindo e por ter conversado bastante com a gente sobre esse assunto. Eu que agradeço. E a gente queria só reforçar que estamos aqui no Estúdio Móbuli fazendo as gravações, né? Eles fazem também a captação de imagens e que a gente tá nas redes sociais, tanto no Instagram quanto no YouTube e nas plataformas digitais, no Spotify e em outros tocadores digitais famosos. Agora a gente tem uma lembrancinha.

pra deixar pra você pra finalizar, só cuidado em agradecimento, só pra gente eu tô vendo aqui mostra pra gente, mostra coisa linda deixa eu botar e tem uma frasezinha no Pires só pra lhe dar mais trabalho ainda vou tirar com cuidado tá tão bem embalado

que você tenha um sono arretado de bom. Todo mundo merece. Todo mundo merece um sono arretado de bom. Porque a gente funciona melhor se a gente dormir bem. Obrigada, gente. Obrigada, então. Até o próximo episódio.