Episódios de Linha Campeira

Episódio #560 - Missões: 400 anos

02 de maio de 20261h56min
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Assuntos1
  • 400 anos das MissõesInício das reduções jesuíticas · Sonho de uma nova sociedade · Legado e Memória da Guerra Guaranítica · Nelson Tanure · São Nicolau · Evangelização e proteção dos indígenas · Guerra Guaranítica · Sete Povos das Missões · Vale do São Francisco · Arcanjo Rafael · Morte de Mister Sam · João Barradas · Homenagem a Gonzagão · Prefeitura de São Paulo · Estrutura das reduções · Invasões dos bandeirantes · Escravização de indígenas · Administração e convivência · Escolas, oficinas, igrejas · Cobiça dos invasores · Conflito Companhia de Jesus, espanhóis e bandeirantes · Preservação do patrimônio · Identidade cultural · Ruínas de São Miguel · Espetáculo Som e Luz · Patrimônio histórico (restrições operacionais) · Legado e descobertas arqueológicas · Grandiosidade da obra · Construções erguidas há quatro séculos · História da Arquidiocese · História viva · Organização social · Fé, trabalho, arte e coletividade · Influência na identidade · Herança cultural · Críticas à catequização e exploração · Orgulho do chão missioneiro · História, paisagens, arte e cultura · Projeto arquitetônico e restauração · Patrimônio de relevância cultural · Arqueologia · Técnicas de construção
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Já são 400 anos de início das reduções. As históricas missões e as ruínas falam por si. Jesuítas sonharam ali uma nova sociedade de progresso e liberdade para o povo guarani. Linha Campeira

Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco. Apoio Cultural Vision Uniformes. Do seu jeito, acesse visionuniformes.com.br Música

Boa aí nas gauchada que a partir desse momento passa a fazer parte dessa equipe que traz a tradição como bandeira, buscando prosear sobre temas relevantes, sobre a nossa cultura e a formação da nossa raça. Desta feita, a proposta é retornar na história numa época em que os jesuítas da Companhia de Jesus promoveram a fundação das missões jesuíticas guaraníes no continente de São Pedro com o intuito de evangelização e proteção dos povos indígenas.

Só que, no final, a coisa não saiu como planejado. O certo é que no dia 3 de maio de 1626, marca o início do projeto idealizado pelo padre Roque Gonzalez, fundando a primeira redução, São Nicolau. Vamos se atracar nas pesquisas, gurizada! Buenas, indiadas da volta! Buenas, nossos ouvintes, que certamente já estão roncando a cuia e indo para o lado do Mago Abenta.

Vamos atracar que é claro que já estamos envolvidos nas pesquisas da prosa de hoje. E por aí, Lucas, velho? Mas por aqui temos 100% ou 400%. Buenas pra Tchipanambi, buenas pra Agualismo e buenas pra toda gauchada que nos acompanha nesse universo gaúcho.

E que baita tema que vai sair hoje sobre os 400 anos das missões. Agora então passo a palavra para esse Catarina que já foi abduzido pelos missioneiros e agora está praticamente convertido. Buenas, Marangu! Mas a Lucas Negri não é para tanto. Mas como dizem, os que pelas missões vivem.

Quem coloca os pés na terra vermelha das missões ou bebe água das nascentes, se apaixona e passa a ser parte desse chão. É certo que sempre vai voltar, e de fato. E é sempre bom voltar por lá, porque lá temos, além dos parentes da prenda, amigos conhecidos do cancioneiro gaúcho, que é muito fácil de topar na praça com o Mano Lima, o Baitaca.

O povo da família Hortácia, da família Guedes, o Desidério, até o Yuri Menezes de quando em vez anda pelas bandas das missões. Esses muitos outros artistas missioneiros vivem ou passam com muita frequência pelas missões e sempre rende uma prosa ou uma conversa no banco da praça.

Bueno, baita proposta de prosear um pouco sobre as missões. Digo um pouco porque se a gente for falar muito das missões, a gente passa a edição toda de hoje só na prosa. E aí não tem espaço pra música. Bueno, então estamos empezando o episódio de número 560 do Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Nos dias quentes, quando o sol seca o capim, sinto que se encosta em mim a alma de Tcharaju. Sou guarani, enxaguando índias mágoas, no embalo doce das águas, braceio no ximbocu. Sou um missioneiro, nascido em São Luís Gonzaga, e não frouxo cabo da daga, pra autaurar mais cabordeiro.

Quando estou louco, eu lá bravo, soroca, arranco, já vou dar toca e tiro pra meu companheiro.

Se pego um potro por mais que seja veiaco Depois de eu botar os meus cacos Vamos ver qual é o mais macho Eu lhes garanto, deixo com a cola que é um top E já no quinto galope parece cria do guacho Sou missioneiro, nascido em São Luís Gonzaga E não frouxo o cabo da daga Pra autaurar mais cabordeiro

Quando estou louco, me vou lá pra voçoroca, arranco de aboda, toca e tiro pra meu companheiro.

Quando pulsa uma guitarra, sabem que eu sou missioneiro. Menestrelle guitareiro que solta a alma pastando. Igual ao mestre Martim Vieira. Gosto de cantar, opinar.

Por isso às vezes minha alma bulgra se ajoelha E pra esta terra vermelha canto um canto a banher Anda nos ares uma tristeza que esvoaça E um barulho de torcaça quando eu canto um chamamê Sou missioneiro nascido em São Luís Gonzaga E não frouxo cabo da daga pra o taura mais cabordeiro

Quando estou louco, me vou lá pra vô soroca, arranco de abobá, toca e tiro pra meu companheiro. Sou missioneiro, nascido em São Luís com saga e não frouxo cabo da daga, pois não sou manco da esgrima.

Quando estou louco, me vou lá pra vossoroca, arranco de aboda, toca e fizemos chover pra cima. Sou missioneiro, nascido em São Luís Gonzaga e não frouxo cabo da daga, pra o taura mais cabordeiro.

Quando estou louco, me vou lá pra voçoroca, arranco de a boda, toca e tiro pra meu companheiro.

Ronca uma gaita num surungo abagualado, Floreando o encanto de algum fandango fronteiro, Que é desse jeito que a peonada já se assanha, Pra arrastar a moda num bailou bem campeiro. Vem o chibeiro do maduro, vem o balseiro,

Do carreteiro a percantar e o plantador. É o mundo crudo se irmanando neste tranco. Eu não sou santo e neste embalo eu também vou.

E dele xixu na bailanta missioneira, onde as pinguancha retrechando no salão. Mexe os mondongo rebolcando a noite inteira, nesta vaneira bem na moda do pombão.

E dele xixu na bailanda missioneira, onde as pindonchas rebrechando no salão, mestre os mondongo rebocando a noite inteira, nesta vaneira bem na moda do pontão.

E aí

E o chão batido do galpão de dois copiá, de costaneira coberto de santa fé. É o velho templo onde o Rio Grande se ajoelha, nesta vaneira de fazer perder o chulé.

E a seaxinoca estralando os mocotó Levanta o pó num tranco o véio que repuxa Neste compasso dança em tequenta de luto Que é xixu bruto não tem coisa mais gaúcha E dele xixu na bailanda

A Câmara é a prisioneira, onde as pingancha refechando no salão Mexe os mondongo, reborgando a noite inteira Nesta vaneira vem na moda do pontão E dê lixixo nesta farro maraúcha

Onde a indiada tapada de bolvadeira Mexe os pelego, pateando, sai pro socado Nesta vaneira vem na moda missioneira Nesta vaneira vem na moda missioneira Nesta vaneira vem na moda missioneira

Linha Campeira, cultura e música gaúcha pra te acompanhar no teu churrasco.

Redomona, minha gaita querendona, no abre e fecha do fole que vem e vai. Os de onça, assobios de ventania, bater de remos nos remansos do uruguai.

Redomona, minha gaita que se entona Mesmo que a aba tem mochada de um chapéu É o horizonte que não se enfole, que se espicha Trovões e brisas galopando pelo céu

Duas hileiras, oito baixos por parceiros, Galo campeiro nos buleiros das manhãs, Chio de cambona, rio borrálio, pura brasa, Do galpão veio retorrando a pico-mãe.

Minha parceira, companheira de surundo, China Maria, que amacia minhas penas, Riscando a alma do meu povo, queixo duro, num timbre macho de punhais de Nazaré.

Redomona, minha gaita querendona, não abre e fecha do fobre que vem e vai. Rombos de onça, assovios de ventania, bater de remos nos remansos do Uruguai. Redomona, minha gaita querendona, gatos do mato garganteando aioí.

Ressombros longos, derrodados de carretas, gemendo estradas nos caminhos que há em mim. Duas hileiras, oito baixos por parceiros, cada campeiro nos buleiros das manhãs.

Cheio de cambona, no morralho, púlpura brasa Do galpão velho retorrado a pico-rã Minha parceira, companheira de surungo China Maria, que amacia minhas penas Riscando a alma do meu povo, queixo duro

Num timbre macho de punhais de Nazarenas Riscando a alma do meu povo queixo duro Num timbre macho de punhais de Nazarenas

Coi, areco e ara, escutei teu grito sepé e me virei numa quachara nas tribos de Mbororé.

Na garupa do vento Vem um gritito pra mim Riscado de adaga e lança Lutando pra não ter fim É um gritito campeiro Que já serviu de clarim

Grito na goela de um taura e agora grita por mim. É um gritito campeiro que já serviu de clarim. Grito na goela de um taura e agora grita por mim.

Esta terra tem dono, disse um índio do Rio Grande, sou mescla desse entreveiro, templado de terra e sangue. Por isso que quando escuto uma cordona roncar, chega me levanta o pelo e eu sou obrigado a gritar. Por isso que quando escuto uma cordona roncar, chega me levanta o pelo e eu sou obrigado a gritar.

véritable E aí E aí E aí E aí

Música

Na flor azul do aguapé, ainda se escuta este grito do cacique do Cepé. Tem mais Linha Campeira no Spotify.

Legenda Pedro Esteves

No meu pago tudo é lindo desde que o dia amanhece Canta alegre a passarada para o sol que aparece Clareando os horizontes, aquecendo toda a terra

Dando alegria nos campos onde a beleza prospera

Mesmo a tarde quando o sol se esconde nas ganhadas, Em seguida vem a noite, céu azul toda estrelada, O luar é cor de prata que inspira o trovador, Que canta canções bonitas lembrando do seu amor.

Mesmo a tarde quando o sol se esconde nas canhadas Em seguida vem a noite, céu azul toda estrelada

O luar é cor de prata que inspira o trovador, que canta canções bonitas lembrando do seu amor.

Sonho, sangue, cruz e sentimento, quatro séculos de glórias que o passado ainda traz. Sonho, sangue, cruz e sentimento, as missões de tantas guerras só lutavam pela paz.

Sou missioneiro, feito de pedra e tutana, tenho quatrocentos anos, alma búlgara e muita fé. Sou brasileiro, sanguizul americano, um gaúcho provinciano, descendente de CEP.

Sou missioneiro, tronco velho e galho novo Bronze que chamava o povo para os braços de uma cruz Sou guitarrero, sou gaiteiro, canto e trono Ao futuro eu me enrovo em companhia de Jesus Sonho, sangue, cruz e sentimento Quatro séculos de glória que o passado ainda traz

Sonho, sangue, cruz e sentimento As missões de tantas guerras só lutavam pela paz Sonho, sangue, cruz e sentimento Quatro séculos de glória que o passado ainda traz Sonho, sangue, cruz e sentimento As missões de tantas guerras só lutavam pela paz

Sou missioneiro, sou um tipo soberano. Tenho 400 anos a povoar as solidões. O pago inteiro vem da minha circunstância. Tudo isso foi a estância pioneira das missões.

Sou missioneira, venho da terra sem males, com o padre Roque Gonzales e o seu santo coração. Um pioneiro desse meu Rio Grande eterno, que não sabe ser moderno, pois não vive de ocasião.

Sou um missioneiro, sou um tipo soberano, tenho quatrocentos anos a povoar as solidões. O pago inteiro vem da minha circunstância, tudo isso foi a estância pioneira das missões. Sonho, sangue, cruz e sentimento, quatro séculos de glória que o passado ainda traz.

Sonho, sangue, cruz e sentimento, as missões de tantas guerras só lutavam pela paz. Sonho, sangue, cruz e sentimento, quatro séculos de glória que o passado ainda traz. Sonho, sangue, cruz e sentimento, as missões de tantas guerras só lutavam pela paz.

Ouvimos Tenho 400 Anos, de Rodrigo Bauer e Erlon Pericles, interpretado pelo Erlon Pericles e Convidados. Teve ainda Belezas Missioneiras, de autor e interpretação do Senair Maicá. De São Miguel a Mercedes, de Mano Lima, interpretado pelo Ângelo Franco. Redomona, de Aparício Silva Rilo e Luiz Carlos Borges, interpretado pelo Luiz Carlos Borges. Bem na moda das missioneiras.

De João Sampaio, Diego Miller e Robledo Martins, interpretado pelo Robledo Martins e Rui Carlos Ávila. E a primeira, Missioneiro, de João Sampaio e Jorge Guedes, interpretado pelo Jorge Freitas. Que tal para mim? As que é momento musical a mais alta qualidade, hein, tchê? Eu sou fã desse acervo musical que largamos por aqui. Só as classificadas. O que acharam, tchê, da prosa, da proposta do tema de hoje?

Comemoração dos 400 anos das reduções jesuíticas guaranês no Rio Grande Pois eu já vou começar me exibindo Pois tive a oportunidade no último dia 31 de março de 2026 Visitar novamente as ruínas de São Miguel das Missões E de Lambuja ainda assistir o espetáculo Som e Luz Eles digo, é realmente o melhor conceito de espetáculo

indescritível a emoção que se sente no mergulho na história, vivenciando uma prosa da Mãe Terra com a Catedral. Ah, é de tapar os olhos de cisco. E aproveito para registrar elogios ao IFAM, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, pelo esforço de preservação e administração desse monumento vivo de uma cultura quase extinta.

Vou ter que fazer um convite a todos que tiverem a oportunidade de conhecer as missões como um todo, pois são vários sítios arqueológicos muito próximos um do outro, com acesso fácil e preço justo para a vegetação. Claro que eu tenho a predileção por São Miguel, pela imponência e o estado de conservação do sítio.

Sei que estou meio tagarela hoje, mas é porque quando falamos em 400 anos da fundação da primeira redução e se tem o contato com a grandiosidade da obra construída pelos nativos, com a administração dos padres jesuítas, é como se parte da gente estivesse presente ali em tempos de antanho. Coisa de arrepiar o pelo. Realmente, tio, aquele lugar é incrível, tem uma energia ancestral.

que não tem como descrever. É preciso sentir. Eu reforço o teu convite e sempre digo, quem tiver a oportunidade de ir, vá o quanto antes e volte assim que puder. Quando a gente está lá nas missões, a gente tem a certeza de que aquele lugar não é somente um monte de pedra empilhada.

A lista tem a história viva de um dos capítulos mais marcantes do povoamento da América do Sul. Um projeto ousado onde padres da Companhia de Jesus e os povos guarani construíram juntos uma forma de organização social que misturava fé, trabalho, arte e coletividade.

E esses 400 anos não são só uma data redonda, são um convite para a gente olhar para trás e entender como que isso influenciou e influencia até hoje em nossa identidade. Porque o Rio Grande e toda essa região missioneira carregam muito dessa herança na cultura, na face, nos genes e na alma desse povo.

É, gurizada, concordo com vocês. A história das missões é tão grandiosa quanto o seu espaço territorial. E digo mais, quem ainda não conhece, recomendo a visita. Não apenas pela religiosidade, por toda a sua história, mas também pelas pessoas acolhedoras, pelas paisagens, pela arte e principalmente pela cultura que moldou todo o território.

É claro que há espaço para muitas críticas, principalmente por conta da catequização e exploração dos povos ancestrais. Mas o que se tem hoje é muito interessante. Quem é das missões tem muito orgulho do chão e dá para ver nos olhos quando contam histórias e alguns causos que perigam ser verdade.

Bueno, tu que tá na escuta, pede umas marcas no nosso WhatsApp 4799193000 porque vem chegando o Newton Ferreira com a estampa missioneira. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

O treito ventre da terra, canto o meu chão missioneiro, Os campos da poçorota, cresci gaúcho e campeiro, Com esta estampa missioneira, este taura se apresenta, Sou um palanque de pau-ferro, quem tem a golpe rebenta, Sou um palanque de pau-ferro, quem tem a golpe rebenta,

Onde não querem que eu cante, meu verso vai e se acampa. Quem não conhece as missões, é só olhar pra minha estampa. Percorro o rio grande inteiro, e às vezes saio pra fora. Cumpro com os meus compromissos, e me mando de volta embora.

As ruínas de São Miguel, Chora o sangue derramado, Vozes de índios ecoam, No pé sobrou do povoado, Por isso digo minha terra, Por ti me calço e peleio, Pra mim deixar a querência, Só se eu tombar nos arreio, Pra mim deixar a querência, Só se eu tombar nos arreio,

Onde não querem que eu cante, meu verso vai e se acampa. Quem não conhece as missões, é só olhar pra minha estampa. Percorro o rio grande inteiro, e às vezes saio pra fora. Cumpro com os meus compromissos, e me mando de volta embora.

Onde não querem que eu cante, meu verso vai e se acampa, E não conhece as missões, só olhar pra minha estampa. Percorro o rio grande inteiro, e às vezes saio pra fora, Cumpro com os meus compromissos, e me mando de volta embora.

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Quantas levas que terá Talvez a mesma distância Do Itaó a maçã bará Espera ali na cancela Que a noite vai ser de lua E eu vou chegar ao tranquito Esfoliando a saudade tua Ao repeixão baixo o fundo

Tô na coxilha, vou me apiar e colher pra ti Uma flor de maçanilha, meio rúbuloso de afeto Peão de tropa e capataz, revolta o rancho que ergui Há quarenta anos atrás

Aqui quem fala é o João Sampaio, que toca, canta e verseja. Sonhei que viu o Yocádio Marques lá no céu, onde esteja. Saí sacudindo o peleio enquanto acordeou na gargueja, no tranco desta maneira, tocada pelo cargueja.

Se às vezes chego num bolicho, não é por mal ou baseado Mas pra comprar algo pra ti, retoma um vinho açucarado Leva embaixo dos pelejos

Herondina é companheira, um quartito de capincho, chargueado a moda tropeira. Vou desenciliar noitão, com coração em atropelo.

E a mala de garupa cheia de saudade e caramelo. Antes de te abraçar, Irondina, com a mais criou-la emoção. Vou sorver teu beijo doce na bomba de chimarrão.

Nessa mulhoca de um mar que soproveiro e domador Eu criei limo no poncho igual pedra de corredor Eu criei limo no poncho igual pedra de corredor Eu criei limo no poncho igual pedra de corredor

Cria do chão, missioneiro Cria do chão, missioneiro Carrego desde criança A cruz de uma santa herança De cantor e guitareiro

Na minha alma de campeiro que venera as tradições Profundas convicções me dão a fibra e a garra De cantar como cigarra pela glória das missões

O som de bronze do sino O som de bronze do sino das reduções guaranês Dentro da alma é um lausus cris que me abençoa o destino

Por isso desde menino canto as minhas devoções. O chão das evocações de mim jamais se desgarra. E eu vivo que nem cigarra cantando as minhas missões.

O braço de meu violão, O braço de meu violão, Qual uma cruz de Lorena, Me concede a graça plena Da missionária moção, E aqui, sobre o coração, O bojo das vibrações.

Me transmite sensações de ter nervos de guitarra E a garganta de cigarra para cantar as missões

Quando canto minha herança Quando canto minha herança Para meus filhos transmito Por sobre ruínas transito Com auroras de esperança

Minha alma nunca se cansa de exaltar estes rincões. E as vindouras gerações no porvir que já me agarra. No corpo de uma cigarra me encontrarão nas missões.

Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Vou te contar bem direitinho de um fandango na fronteira. Baneirão se dança chote, também se dança rancheira. Os gaúchos são valentes e as chinocas são faceiras. E os índios de Inês, para o balanço da Baneira.

Este fandango que eu falo é na fronteira do Estado. Primeira instância da gerência, no Rio Grande é o mais falado. E lá dos pagos, missioneiro, é a Catedral Sucra do Pago.

Pra dançar lá na fronteira, o salão sempre é folgado. São gaúchos caprichosos, sempre estão bem arrumados. Guaiaca, pão baixa larga, lenço branco colorado.

Vou te contar bem direitinho das chinocas missioneiras. Dos olheres feiticeiros, carinhosas e candongueiras. Umas que são argentinas e outras que são brasileiras.

Quando vem clareando o dia, queixa, termina o fandango. Se ouve o ronco dos trinta, que forte está nos demando. Mas não é briga e não é nada, é os gaúchos baixos olhando.

E foi assim que eu te contei, que é o fandango na fronteira. Vaneirão se dança chote, também se dança rancheira. Os gaúchos são valentes, e as sinocas são faceiras. E os hindus tinha espora, no balanço da vaneira.

Legenda por Sônia Ruberti

Junto às fronteiras do prata, na pampa verde e amarela, a lista de sentinela, a figura intemerada, na própria estampa retrata.

A bravura e o denodo é o guerreiro rapizodo Ao pé de cujo fogão sempre abate, cimarrão Pra os povos do mundo todo Negro, guaranicha, rua, espanhol e lusitano

O germano italiano, caldeados na pampa nua É o gaúcho de alma crua, não nasceu para vassalo Nunca puderam domá-lo, foi ele que fez fronteira Foi pátria e porta-bandeira sobre o lombo do cavalo Foi pátria e porta-bandeira sobre o lombo do cavalo

Legenda por Sônia Ruberti

Seu berço a capitania, que nem teve donatário, foi um painel legendário. Desse vis-me rebeldia, até o mino ano assobia.

No meridiano sulino, as notas do mesmo hino, Rio Grande do Sul, Brasil, imenso poncho de anil, Sobre o verde esmeraldino. Negro Guaranixa, rua, espanhol ilusitano,

O germano italiano, caldeados na pampa nua. É o gaúcho de alma crua, não nasceu para vassalo. Nunca puderam domá-lo, foi ele que fez fronteira. Foi pátria e porta-bandeira sobre o lombo do cavalo. Foi pátria e porta-bandeira sobre o lombo do cavalo.

Rio Grande, cujo prefácio Teve a chance jesuíta Na catequese bendita Dos irmãos de Santo Inácio Depois os filhos de Elácio Lusitano fizeram-no E os brasões do além-oceano Dos mais estranhos bordados Tremularam desfraudados Sob o céu americano

Negro Guaranixa Rua, Espanhol Ilusitano O Germano Italiano, caldeados na Pampa Nua É o gaúcho de alma crua, não nasceu para avançar

Nunca puderam domá-lo Foi ele que fez fronteira Foi pátria e porta-bandeira Sobre o lombo do cavalo Foi pátria e porta-bandeira Sobre o lombo do cavalo Foi pátria e porta-bandeira Sobre o lombo do cavalo Pede umas marcas pelo nosso WhatsApp 479193000 3000 E aí

Na voz de bronze do meu canto missioneiro

Repicam sinos com passeando o coração Essência búlgara com marcas de adaga e lança Raiz templada na forja chucra do meu chão Repasso a história guardada dentro dos templos Busco sementes desde os tempos de guris

Se tenho a cruz palanqueada sobre o peito, é um legado que eu dei quando nasci.

A melodia da guitarra é um chamamento. Fica mais forte a cada dia que passa. Vai repontando o parajunto da vertente.

Os que campeiam sua origem, sua raça. Quem desconhece as razões deste meu cantor, saibam que é trança que nunca vai rebentar. Pois tem história, sangue, raça e procedência, e quem tem pátria sempre tem o que cantar.

E quem tem pátria sempre tem o que cantar. E quem tem pátria sempre tem o que cantar. A essência do campo está aqui. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Abram cancha gauchada, deixem livre o corredor, vem chegando um guitareiro com fama de cantador, trazendo os seus peçuelos de poeta e trovador, na verdade conhecido, missioneiro e pajador.

Se acaba encontrei o momento, em la inquietude do alma, buscando na noite calma. Desde me pago por aí, o sonido que há cá, o retinir que rezou, o compasio no amilonga, templando-me para cá. O compasio no amilonga, templando-me para cá.

Quando nasceu o Rio Grande, que é um missioneiro existia, Sendo essa galhardia, que é trago em todo o meu ser. Tenho muito que aprender, minha mirada se alonga, Pois toco e canto milonga, que mais eu posso querer? Pois toco e canto milonga, que mais eu posso querer?

Trago no fundo das eras, cantigas que vêm e vão, São coisas do coração, num canto forte e ordeiro, Pois nasci em missioneiro, e algum comparsa se aponga, Num desafio de milonga, sou galo em qualquer terreiro, Num desafio de milonga, sou galo em qualquer terreiro,

Esta sinaragana, entranhada em meu viver, que assim me faz proceder, nestas canções que debucho, sem pretensão e sem luxo, neste ofício de cantor, missioneiro e pagador, por sobrenome gaúcho, missioneiro e pagador, por sobrenome gaúcho.

Ouvimos Missioneiro El Pajador, de Amaury Beltrão de Castro e Desidério Souza, interpretado pelo Desidério Souza. Teve também Sangue, Raça e Procedência, de Gabriel Hortaça e Jorge Lima, interpretado pelo Gabriel Hortaça. Gaúcho, de Jame Caetano Brau, Joca Martins e Luciano Maia, interpretado pelo Joca Martins. Fandango na Fronteira, de Noel Guarani, interpretado pelo Luiz Marenco.

Missões, Guitarra e Herança, da Autora e Interpretação do Pedro Hortaça, De Volta, Dilma Tropeada, de João Sampaio e Luiz Marenco, interpretado pelo Grupo Carqueja, e a primeira, Estampa Missioneira, de Mano Lima e Newton Ferreira, interpretado pelo Newton Ferreira. Que baita lote de marca, gurizada! Até o nosso Cusco Intervalo tá aqui no costado. E se olhar bem pras patas do Cusco, tem terra vermelha, que tal? É um upa e tamo de volta!

Estamos apresentando Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

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E tamo de volta, povo bueno, pra dar prosseguimento a essa prosa de hoje. E conforme já comentamos, tem assunto pra mais de 400 anos. Desde a fundação de São Nicolau, a primeira redução em 1626.

e originando o chamado Sete Povos das Missões, juntando São Francisco de Borja, atualmente o município de São Borja, São Miguel Arcanjo, onde fica a Catedral da qual o Brago Aliso comentou, e aí tem São Lourenço Márcia, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Antônio Custódio.

Jay, essas povoações chegaram a abrigar aproximadamente 30 mil pessoas. E imagine a estrutura necessária para abrigar todo esse povo. E conforme já comentado, o objetivo era, além de catequizar e evangelizar os nativos,

os jesuítas também buscavam proteger esse povo das invasões dos bandeirantes portugueses, que faziam diversas incursões para prender os índios para escravizar e fazer eles trabalharem nas lavouras de café, por exemplo. E as plantas dessas reduções eram muito semelhantes, justamente para facilitar a sua administração e a convivência entre a população.

cada qual com seu a fazer escolas, oficinas, cozinhas, jardins, pomares, horta, lavoura, igreja e residência para as famílias.

E é muito interessante mesmo tomar conhecimento de como funcionava esse organismo vivo que era cada redução. Tive a oportunidade de assistir alguns vídeos em uma sala adaptada lá no sítio arqueológico, anexo à catedral, com simulações de como era o complexo missioneiro. Posteriormente, pesquisei e encontrei vídeos muito semelhantes e que se alguém tiver interesse pode buscar por.

passeando pela redução de São Miguel em 3D, só para você ter uma ideia da grandiosidade das construções erguidas há quatro séculos. Pois é, gurizada, mas por mais organizada a estrutura, que demorou aproximadamente 150 anos para ser desenvolvida, não conseguiu resistir à cobiça dos invasores, que quando tiveram a oportunidade, resolveram tomar posse e dividir algo que não lhes pertencia por direito.

O conflito entre a Companhia de Jesus, espanhóis e bandeirantes portugueses resultou posteriormente no que a história registrou como Guerra Guaraníticas. Bueno, tem muita prosa ainda pra gente desenrolar na edição de hoje. Enquanto isso, vamos escutar mais um Lote de Marca? Aqui, no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Sou canto antigo, rubro timbre desta terra Brado indomado que no pago se estirou Ouro e chaba que se erguem cada guerra Contra a Ibéria que não...

Eu sou o canto imortal dos missioneiros, larim liberto que se eternizou. Já fui a boio entre rotas de tropeiros e a oração que o jesuíta me ensinou.

Já fui clamor, sou memória de um povo, canto feroz, disse a nossa em redução. E a cada voz que entrou um canto novo, renasce um tronco no altar do coração. Já fui clamor, sou memória de um povo, canto feroz, disse a nossa em redução.

E a cada voz que entoa um canto novo Renasce um tronco no altar do coração

Se alçaram troncos na invernada do passado pra sustentar a catedral do Redutor. E na cruz, quatro braços estirados, se ergueram contra a força do invasor. Me tornei, vulto em pedra eternizado, de quatro troncos que confirmam meu valor. E o canto rubro ainda hoje relembrado, me fez poeta, cantador e pajador.

Sou a voz rouca de um Noel encristecido, que denuncia a miséria secular. E um Senaí eterno tom nunca esquecido, que exalta o rio e as belezas do cantar. Timbre de galo e um hortaça ainda vivo, canto campeiro.

Que se abriu no corredor E a espinela e buchincha Sem motivo E faz do Jaime O meu santo pajador

Sou sete cantos, sete povos e uma história Sou face agreste que no pago se levanta Sou tronco antigo que renasce na memória E em cada voz missioneira quando canta Sou sete cantos, sete povos e uma história Sou face agreste que no pago se levanta

Sou o tronco antigo que renace na memória E em cada voz, me se odeira quando canta

Nesta rancheira quenteira, copaço repiqueteado, com a morena faceira, dança um gaúcho largado. Ele é sem balo animado, a noite fica pequena, no sarandear delicado, do corpo dessa morena. Marca pra lá e vem pra cá, marcando sempre certinho. Marca pra lá e vem pra cá, marcando sempre certinho. Mais uma volta completa e agora é o burradinho.

Pra me fazer um costado, quero chamar o herdeiro da voz e do canto de Senair Maicá, seu filho, Patrício Maicá. Abre o peito, Patrício velho. Deixa pra mim, companheiro e irmão, de sempre Jorge Freire.

Assim é um baile de rancho no chão batido, da sala na fraca luz do canjeiro, esta rancheira que embala. E neste embalo animado a noite fica pequena, dançando sempre agarrado no corpo desta morena. Marca pra lá vem pra cá, marcando sempre certo, marca pra lá vem pra cá, marcando sempre certo. Mais uma volta completa e agora é o puladinho.

É neste baile gaúcho que a gaita do tio vilia Roncava a boca da noite, chorava o clarear do dia E nesse embalo gostoso a noite ficou pequena Pelo olhar carinhoso e o calor da morena Marca pra lá e vem pra cá, marcando sempre certinho Mais uma volta completa e agora é o muladinho

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Sou missioneiro de onde nasceu o Rio Grande, por onde eu ando e trago a verdade em meu canto. Herdeiro bugre da linhagem missioneira, raça guerreira da terra dos sete santos. Sou fronteiriço da origem dos potreadores, nos corredores...

Desafirmei o meu legado Bolhando potros no fundão do alegre Da mesma gente que caçava o gado alçado Sou domado, alambrado e meu metropa Vim lá da grota pra firmar a minha pampa

Eu sou chibeiro, pescador e guitareiro Por missioneiro trago meu pago na estampa Abrindo a guana neste canto abarbarado

Porretoba não carrega desaforo Eu sou gaúcho, tenho orgulho da minha gente Sou o rio-grandense, pelo duro, margatouro

Da minha terra trago a guitarra afinada, relíquia herdada que acompanha um missioneiro. Parcerá buena pra quem vive nas barrancas e firma a dança num bailecito costeiro. Lá do meu pago eu trago a gaita tresilieira.

Boa parceira pra varar a madrugada Nestes bailongos de galpão, fim de mundo Firma o surungo num fandango derramada Sou domado, alambrado e pego de tropa Vim lá da grota pra firmar a minha banda

Eu sou chimeiro, pescador e guitareiro, Por missioneiro trago meu pago na estampa, Abrindo a guela neste canto a bárbara.

Por retomado não carrega desaforo Eu sou gaúcho, tenho orgulho da minha gente Sou rio-grandense, pelo duro, marca touro Sou rio-grandense, pelo duro, marca touro

Eu pela noite negra dos teus cabelos Tô acendendo estrelas pra me guiar

Eu procurando a chave dos teus segredos Tu apagando o rastro do teu olhar Troca rincões a vida levou teus passos Flor das missões que vive nos sonhos meus

Como entender que um dia estando em meus braços Com luz de sol me sorriu e com uma voz de rio disse adeus Que é este amor que me traz assim peregrino em busca do teu querer É minha dor que jamais tem fim que será

Serena aos lírios do amanhecer, é este amor que ele traz assim, peregrino em busca do teu querer, é minha dor que jamais tem fim. Serena aos lírios do amanhecer, linda missioneira com voz de rio, porque na fronteira da solidão.

Me almoçou a boca e depois partiu E amargou pra sempre o meu coração Por onde andarás, por onde andarei? Quem será do amor que eu jurei por ti? Quem será de ti, Senhor, que eu te dei? Quem será de mim que já te perdi?

Sangra a terra vermelha dessas estradas Arde no sal do rosto o sol do verão E é o qual um andarilho pelas quebradas

Maldizendo os rumos desta paixão Louco de amar assim teu amor selvagem

E entender que passas pela paisagem Igual a flor do aguapé Que é linda mas que não é de ninguém E é este amor que me traz assim Peregrino em busca do teu querer É minha dor que jamais tem fim Que serena aos lírios do amanhecer É este amor que me traz assim Peregrino em busca do teu querer É minha dor que jamais tem fim

É minha dor que jamais tem fim Que é serena aos vídeos do amanhecer Linda missioneira com voz de rio Porque na fronteira da solidão Me adustou a boca e depois partiu E amargou pra sempre o meu coração Por onde andarás, por onde andarei Que será do amor que eu jurei por ti Que será de ti, Senhor, que eu te dei Que será de mim que já te perdi

Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco

Quem não souber, pago-santo, de onde eu venho, tenho o prazer de lhes dizer de onde é que eu sou. Quem não souber o Pagos Santo de onde eu venho Tenho o prazer de lhes dizer onde é que eu sou Sou do garrão deste Brasil, sou missioneiro Capitão rasteiro que do nada se criou Sou do garrão deste Brasil, sou missioneiro Capitão rasteiro que do nada se criou

véritable véritable véritable Pagos, ronda de tropas, pastoreios por a estrada Trago na alma a cantiga do meu pago Ronda de tropas, pastoreios por a estrada Cantar de espora num tratês de tu chasqueiro Que o missioneiro não se esquece nem por nada Cantar de espora num tratês de tu chasqueiro Que o missioneiro não se esquece nem por nada

Trago a querência na garupa do meu pingo Cantar dos ventos nas cordas do violão E uma tropilha de esperanças estraviadas Quem tropilhadas vem pastar do coração E uma tropilha de esperanças estraviadas Quem tropilhadas vem pastar do coração

Traga o calor do pai de fogo, galponeiro, Brasil do rubro, gordo só que vai sepor. Traga o calor do pai de fogo, galponeiro, Brasil do rubro, gordo só que vai sepor. Foi essa templa que me fez enraizado, olhar voltado pro pavilhão tricolor. Foi essa templa que me fez enraizado, olhar voltado pro pavilhão tricolor.

Se por acaso se estropear o meu cavalo, que eu não consiga prosseguir essa jornada. Se por acaso se estropear o meu cavalo, que eu não consiga prosseguir essa jornada. A deficar minha cantiga-misioneira, junto da poeira que-se erguer-na-alguma-estrada. A deficar minha cantiga-misioneira, junto da poeira-se-erguer-na-alguma-estrada.

Quem não souber, pago-santo, de onde eu venho, tenho o prazer de lhes dizer onde é que eu sou. Quem não souber o Pago Santo, de onde eu venho Tenho o prazer de lhe dizer de onde é que eu sou Todo o garrão deste Brasil sou missioneiro Capim rasteiro que do nada se criou Todo o garrão deste Brasil sou missioneiro Capim rasteiro que do nada se criou

Se por acaso se estropear o meu cavalo, que eu não consiga prosseguir essa jornada. A deficar minha cantiga missioneira, junto da poeira que segue de alguma estrada. A deficar minha cantiga missioneira, junto da poeira que segue de alguma estrada.

Você está ouvindo Linha Campeira.

Esta gana missioneira que carrego inteira dentro do meu peito, me faz caudadário de um rio que volta para o velho leito.

O madeque servo pra sorver solito quando o sol se vai. É a seiva búlgara da terra vermelha do alto Uruguai. É a seiva búlgara da terra vermelha do alto Uruguai. Eu sou missioneiro, nasci para a liberdade, mas aqui finca em meu rancho.

Pra nunca mais ter saudade, sou herdeiro de CP, retemperado na guerra. E se precisa eu tranco o pé, pra defender minha terra.

Ai os que se perdem por perder raízes que não acham mais, Ai os que se encontram por voltar às fontes de seus ancestrais, As encruzilhadas parecem caminhos a se afastar, Quando na verdade são pontos de encontro pra quem quer voltar, Quando na verdade são pontos de encontro pra quem quer voltar.

Eu sou missioneiro, sei de bailes e potriadas, Também sei de mutirões, no cabo liso da enxada, Por saber tudo que sei, me sinto bem à vontade, Sempre pronto a defender, terra, honra e liberdade.

Esta gana missioneira que carrego inteira dentro do meu peito, me faz caudatário de um rio que volta para o velho leito. O mate que servo pra sorver solito quando o sol se vai, é a seiva vulgra da terra vermelha do alto Uruguai.

É a seiva búlgara da terra vermelha do Alto Uruguai. É a seiva búlgara da terra vermelha do Alto Uruguai.

Estamos ouvindo Gana Missioneira, Denilo Bairros de Brum, Senair Maicá e Valdomiro Maicá, interpretado pelo Valdomiro Maicá. Teve ainda Pago Santo, de autor e interpretação do Telmo de Lima Freitas. Missioneira, de Luiz Carlos Borges e Mauro Ferreira, interpretado pela Anaí Guedes.

Das Missões à Fronteira, de Paulo Dias Garcia, interpretado pelo próprio Paulo Dias Garcia e Walter Moraes. Rancheira do Tio Bilia, de Senair Maicá, interpretado pelo Jorge Freitas e Patrício Maicá. E a primeira, Canto Rubro, de Osmar Ranzolin e Ângelo Franco, interpretado pelo Ângelo Franco e Lincoln Ramos. Que tal, Bragas?

Ai, zoi galete porqueira, quelote musical de saltacavaco. E a gente tem orgulho em reafirmar a qualidade das marcas que atracamos aqui no Linha Campeira, pois já faz parte da estampa desse ritual de tradição e cultura, trazer o que tem de melhor em manifestações culturais do nosso povo. E falando em cultura, hoje estamos resgatando uma parte da memória do nosso povo, pois as missões foram a primeira célula de sociedade organizada, numa época em que o Pampa era um infinito descampado.

Vale a pena a gente cavocar a história, pois a cada pesquisa vamos nos deparando com informações importantes que nos fazem refletir e quem sabe até mudar conceitos formados em cabeças alheias. E lhes garanto que a história vive em cada pedra das ruínas missioneiras e nos transmite uma mensagem silenciosa de que, através da preservação desse patrimônio, preservamos parte da nossa identidade. Bem por aí, Bragasveio!

Lá para as bandas das missões, a gente não visita só um lugar. Parece que a gente pisa dentro da história, literalmente. As ruínas contam em silêncio o tempo dos jesuítas e dos guaranis. E é a coisa de ripiá.

Quem passa por lá leva mais que lembrança, leva um pedaço da alma do Rio Grande. E eu fiz uma publicação essa semana no Instagram do Linha Campeira sobre como que estava o estado da Catedral de São Miguel Arcanjo quando chegou as primeiras câmeras fotográficas do Rio Grande ali por volta de 1880.

Antes disso, a gente tem algumas gravuras que mostram mais ou menos o que essas fotos comprovam. E aí está lá uma série de imagens onde mostra como que a natureza já tinha tomado conta de volta de muita coisa em cerca de 100 anos. É bom lembrar então que as missões foram até 1770 mais ou menos. E ali nas imagens, nos registros que a gente tem a partir de 1880, já aparecem grandes árvores crescendo no interior da catedral.

raízes entranhadas junto com as pedras e as colunas. E foi só no ano de 1922 que o governo do Rio Grande do Sul teve a sensibilidade e declarou aquele local como patrimônio de relevância cultural.

E é então que começaram a fazer o serviço de arqueologia, primeiro limpando, depois escurando as principais colunas e arco, para que não caísse nada. E aí, na década seguinte, se começou os projetos arquitetônicos e o início da restauração, revitalização, com a reforma das torres e de grande parte do interior, utilizando as técnicas de construção o mais parecido possível que se tinha na época.

Foi um grande e importante investimento. Se não tivesse sido feito aquilo há cerca de 100 anos, hoje dificilmente ainda estaria de pé desse jeito que a gente conhece. E lhes garanto que tem muita coisa ainda a ser feita.

E o investimento, esse vale cada centavo. Bem isso, Roquedo. Então vamos atracar mais um lote de marca de fundamento, agora só se confirmada. Já vem chegando Noel Guarani e Jorge Guedes para interpretar Trovas de Missioneiro. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Sou cria da boçoroca, linda e ira linda e são Luís, não saio da minha toca, se ali me sinto feliz. Pode não ser para os outros, mas pra mim sempre será, terra de livres e potros,

E alguém jamais tomará. Roda que roda e não anda, Rodando de mão em mão. Acuia o mundo em ciranda, Nasceu a dor do coração. Roda que roda e não anda,

E ciranda Na ceiba do coração

Gosto da lida campeira, Nessa escola me criei, O laço e a bolhadeira, São lições que eu decorei, Achei um rumo seguro, Meu ABC de campanha, Ao quebrar um bichão,

Virando-lhe pa' Alemanha, Roda que roda e não anda, Rodando de mão em mão, A cuia o mundo em ciranda, Na ceiba do coração, Roda que roda e não anda,

Acuia o mundo em ciranda, nasce em valor do coração.

Minha mestra foi a vida, meu mundo, meu professor A lição melhor sabida foi esta de cantador Depois da lida de campo, junto ao fogo do galvão Tempero

A roda de chimarrão, roda que roda e não anda, rodando de mão em mão. A cuia o mundo em ciranda, na ceiba do coração.

Música

Lá vem o Vito Solito entrando no Bororé E o Cusco Brasino ao tranco na sombra do Pancaré Chapéu grande e lenço negro, jeitão calmo de quem chega Na tarde em tons de aquarela, lembra um quadro do Berega

E se nega pros lados E uma perdice se regola No último fio do alambra Apeia na cruz da estrada E o seu olhar se enfumaça Saca o sombreiro em silêncio Por respeito a sua raça

Grande a cavalo entrando no coronel. Lá vem o Rio Grande a cavalo, que bonito que ele é. Lá vem o Rio Grande a cavalo, entrando no coronel.

Lá vem o Rio Grande a carral, que bonito que ele é.

Procura a volta do bingo e alça o corpo sem receio Enquanto uma borboleta senta na perna do freio Intenta, entértil cristão que se cruza campo afora Mirar a garça-matreira no seu palacor de aurora

Pois lá no rancho de leiva, que ele ergueu com seu suor, Fica um sonho por metade, de quem vive sem amor. Um suave bater de asas, cruza um bando sem alarde, E as garças e o Vitor somem, lá na lonjura da tarde.

Entrando no coronel Lá vem o Rio Grande a cavalo Que bonito que ele é Lá vem o Rio Grande a cavalo Entrando no coronel

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A CIDADE NO BRASIL

Vou lhes contar de um bochincho no velho rincão comprido. Não é a bailanta do Tiburço, mas é um fato assucedido. Prendo as lindas, viúva acesa, querendo arrumar marido. Paguei entrada, entrei, corri o zóio na sala. Vi a linda que eu queria perto de um índio de pala. Pensei, eu nunca perdi na raia pra frango da tua iguala.

O gaiteiro, muito bacana, me disse canta um bocado. Era isso que eu queria, não me parei derrogado. Pode acarcar uma vaneira de bailar com o pé trocado.

Ninguém me quebra o corincho Gosto muito de bochicho Que se baila no escuro Na sola da bota um furo De tanto arrastar o pé Nunca canta a garlisa Em terreiro de galo puro

Não me gostou, disse ele, touro branco, ceboleia A cascavel do atioguizo, de lincho se balanceia Lagarto não tem pestana e soro não tem sobrancelha

Esse é blandeando ele aí veio Bufando, vedando o pataço Um vacão marca a formiga Um bala ao redor do braço Mas pareciam puristos Na noite cortando espaço

Ali não mais tem um grito de arremanga, que alacaio, o gato por ser ligueiro, salta de lombo essas laio, e quem quiser o abiju, que venha saco de um galho.

Saímos trançando ferro como tolo num telado Eu venho lá das missões, no mundo não fui domado Espartifei um canzinho na salspa do desgraçado

Pedalinho saí bufando como touro jaguané A vaca mansa da leite, a brava dá quando quer O cabo da tague minha e a folha de quem quiser

Eu nasci de queijo duro, ninguém me quebra No orincho, gosto muito de pochinchos Que se baila no escuro, na sola da bota um furo De tanto arrastar o pé, nunca cantar a risé Em terreiro de galo puro E aprenda linda, vivente

Montei ela no meu sangue, no doutor, por sentir o calor Ele foi a galopito, juro a linda, meu amor Pra aquele jardim florido, onde senta o beija-flor

Hoje tem baile na bailanta da chinica, só não baila quem se achica, é só perder quem não vai. Tem muitas moças que vieram do outro lado, descaíque carregado, já atravessou o Uruguai. Tem muitas moças que vieram do outro lado, descaíque carregado, já atravessou o Uruguai.

A Cia Tassília vai trazer a filha arada pra dançar entre a madrugada com o cio da Cia Xandica. O possidônio com o ciumido telesforo só por causa do namoro com as primas da Cia Xinica. O possidônio com o ciumido telesforo só por causa do namoro com as primas da Cia Xinica.

Eu que sou moço, guitareiro e preparado Já arrumei tudo emprestado, meus amigos não falharão Tenho certeza que vou ser o bom da sala, pena me faltar O pala que faz tempo me roubarão Tenho certeza que vou ser o bom da sala, pena me faltar O pala que faz tempo me roubarão

Carnearam um porco, uma ouveia e uma vaca, três agobas de batata e um panelão de puxero. Por isso eu digo, só não baila quem se achica ou baile, dá-se a chinica, é um fandango missioneiro. Por isso eu digo, só não baila quem se achica ou baile, dá-se a chinica, é um fandango missioneiro.

Carnear um porco, uma ovelha e uma vaca, três arroba de batata e um panelão de puxero Por isso eu digo só não baila quem se achica ou o baile da Siaxinica é um fandango missioneiro Por isso eu digo só não baila quem se achica ou o baile da Siaxinica é um fandango missioneiro Por isso eu digo só não baila quem se achica ou o baile da Siaxinica é um fandango missioneiro

Você está na companhia do Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Lá vai o nego bedão com aperos de couro cru, mais gajo que o tiaraju, num gateado marchador. Pois já nasceu campeador, e era aqueles meu irmão, que sai dando com as duas mãos, num bicho corgoviador.

Gauchão da velha templa, que o tempo não me engoliu, Uma bundra lhe pariu, vem na costa do venheiro. Guarda o feitiço galponeiro, de centauro, despichão, Quem envelheceu na amplidão, lidando com o cabordeiro.

Que envelheceu na amplidão, lidando com cabordeiro Lá vem o nego betão, que China embala não popa Mas taura que um rei no trono, chapéu tapeado na copa Abrindo peito, estrada fora, em Nacula

Colatra da tropa Lá vem o nego betão Que China e bala não popa Mas da hora que um rei no trono Chapéu tapeado na copa Abrindo peito, estrada fora Vem na culatra da tropa

Profeta chucro dos galpões, que sempre tem argumento, proseia com o próprio vento e passa por louco talvez. O que ele tem de campo e vez, nunca foi dele amigaço, e se um dia sobra um pedaço, reparte com os dois ou três.

No lugar que cingue o laça, fica um buraco no chão Dos piados de paletão, cerrando só nos dois cascos

Nasceu pegado no basto e quando o baula sai berrango, o mango velho vai cruzando, arrancando terra com pasto. O mango velho vai cruzando, arrancando terra com pasto.

Lá vem o nego betão, que China e bala não popa, mas taura que um rei no trono, chapéu tapeado na copa. Abrindo peito, estrada fora, é inaculadrada a tropa.

Lá vem o nego betão, que China e bala não popa, mas Taurá que um rei no trono, chapéu tapeado na copa. Abrindo o peito, estrada fora, bem na culatra da tropa. Abrindo o peito, estrada fora, bem na culatra da tropa.

Eu comparo a minha gaita, um queixo duro de bagual Onde eu tenho a veia, os baixos são as médias e o vocal E o meu cantar é o relincho barbaresco do animal E o meu cantar é o relincho barbaresco do animal

Minha gaique fecha mais do que pescoço de cor. Minha gaique fecha mais do que pescoço de cor. Nem chega a se fechar bem, já está se abrindo o deitou. Nas munhecas deste taura criado a tuca do iô. Nas munhecas deste taura criado a tuca do iô.

Que lindo ver minha gaita num retorço de bailando. Que lindo ver minha gaita num retorço de bailando. O índio roça, as bombachas sobre as tochas da percão. Que nem toro num rodeio escarvão, curtindo a guão. Que nem toro num rodeio escarvão, curtindo a guão.

Coronco da minha gaita é mais ou menos assim Coronco da minha gaita é mais ou menos assim Salta a jojada com a feira, pela guincha do copo No silêncio desta pera, ressona igual um clarinho No silêncio desta pera, ressona igual um clarinho No silêncio desta pera, ressona igual um clarinho

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Hoje o velho rogou lá no mar Despertando o rio grande inteiro Me alertando que já existe gente Preparando um bugio de estrangeiros

Que me venham os lindos com esta, desgaranto não vão ter sossego Vou pelhar por aquilo que é nosso, vou surrar os amantes e peleio Vou pelhar por aquilo que é nosso, vou surrar os amantes e peleio

E na voz de uma gaita bagola, assanhada com a légua no cio, Mostra a eles que o bicho ainda é macho e ninguém, nem fresca o bugio. E na voz de uma gaita bagola, assanhada com a légua no cio, Mostra a eles que o bicho ainda é macho e ninguém, nem fresca o bugio.

Seu compasso é marcado a capricho, dos surumbos e bailes de rancho E não vai ser nenhum colapim, ser chegando assim de caranjo Misturando estas coisas modernas, só pra ver no que poderá dar Não tem jeito, bugio é campeiro, não se achica e não vai se entregar Não tem jeito, bugio é campeiro, não se achica e não vai se entregar

E na voz de uma gaita bagola, assanhada com a légua no cio, Mostra a eles que o bicho ainda é macho e ninguém, nem fresca o bugio. E na voz de uma gaita bagola, assanhada com a légua no cio, Mostra a eles que o bicho ainda é macho e ninguém, nem fresca o bugio.

Pinga graxa nas brasas. Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Legenda Pedro Esteves

E aí

Legenda por Sônia Ruberti

Estamos ouvindo Missioneiro, música de autor e interpretação do Tio Bilia. Ele também, Mugiu Campeiro, de Neuci Vargas e Sérgio Tarou, interpretado por Neuci Vargas e Miguel Marques. Retoço de Gaita, Delva Cibelo, Luiz Santos e Chiro Missioneiro, interpretado pelo Chiro Missioneiro. Nego Betão, de João Sampaio e Jorge Guedes, interpretado pelo César Oliveira e Rogério Melo.

Bailanta da Sinha Chinica, de Noel Guarani, interpretado pelo Ricardo Comaceto e André Teixeira. Queixo Duro, de autor e interpretação do Pedro Hortaça. Entrando num Bororé, de João Sampaio e Elton Saldanha, interpretado pelo grupo Quero Quero. E a primeira deste bloco, Trovas de Missioneiro, de João Máximo e Juarez Chagas, interpretado pelo Noel Guarani e Jorge Guedes. Vamos que vamos, Braguarismo!

Venha no gaúcho, e depois desse note de marca mais do que 100%, encerramos nosso ritual de hoje, onde comentamos os 400 anos da fundação da primeira redução jesuítica no Rio Grande. Penso que a prosa agradou a todos, e desse jeito já vou me despedindo de todos, deixando beijo para quem é de beijo, e abraço para quem é de abraço.

E tá feito, gurizada, mais uma prosa cheia de história. Mas agora tá na hora de bater o sal da costela. Eu já vou deixando um abraço a todos e até semana que vem. D'Alete, baita prosa essa de hoje, hein? Me agradou por demais. E só me resta então aqui deixar um abraço do tamanho desse universo gaúcho e missioneiro.

A Itaprosa de hoje, Loquedo, deixo aqui um abraço a todo o povo da Terra Vermelha das Missões. E já vou avisando que em julho, tamo por aí pra passar um friozito, tomar uns mate, se atracar nos assados e, quem sabe, num mosquedo de fundamento por algum galpão. Ha, ha, ha, ha. Nos queiram bem, que mal não tem. Até semana que vem, aqui no Linha Campeira, o teu companheiro de churrasco.

Ruína de São Miguel, a catedral missioneira, é a estampa verdadeira de um sonho interrompido. Os brados e os gemidos ainda ecoam presentes no coração da minha gente de um passado adormecido.

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