Episódios de FICA COM O TROCO

você sabe quanto gasta, mas sabe quanto sua vida custa?

10 de maio de 202618min
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Você sabe quanto gasta por mês. Mas sabe quanto a sua vida custa?São coisas diferentes. E essa diferença explica por que o planejamento financeiro da maioria das pessoas nunca sai do papel.Nesse episódio eu te explico por que "mais ou menos" é um número perigoso — e te passo o exercício que uso com todos os meus clientes antes de qualquer conversa sobre investimento, meta ou estratégia.Nesse episódio:

→ Por que saber "mais ou menos" quanto você gasta não é o mesmo que saber quanto sua vida custa→ A diferença entre gastos e custo de vida — e onde mora a maior distorção no orçamento→ Por que a maioria das pessoas evita descobrir esse número (e o que isso custa a longo prazo)→ O Raio-X de 15 minutos: o exercício em 3 partes que faço com clientes antes de qualquer planejamento

Equipe:Produção e gravação: Gabriel Silva (@ogabrielmds)Edição e sonorização: Lucas Aranda (@aranda.mp4)

Participantes neste episódio1
G

Gabriel

HostTerapeuta
Assuntos5
  • Mentalidade FinanceiraParte 1: Custos fixos mensais · Parte 2: Custos variáveis semanais · Parte 3: Custos anuais (sazonais/irregulares) · Parte 4: O que gostaria de incluir
  • Planejamento FinanceiroBase para um plano financeiro de verdade · Transformação de perguntas estratégicas · Tornando planos e sonhos possíveis
  • Custo de VidaDiferença entre gastos e custo de vida · Imprecisão em outras áreas da vida · Gastos sazonais ou irregulares
  • Descoberta de Gastos InconscientesEsperança de que a situação melhore · Medo de tomar decisões e mudar · Proteção da tranquilidade
  • Autonomia FinanceiraO número como ponto de partida · Metas financeiras sem clareza
Transcrição49 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Quanto custa por mês a vida que você tá vivendo? Se você travou quando você começou a pensar, tá ótimo, você tá no lugar certo. Se você veio rapidinho com um número na cabeça, ótimo também. Mas eu quero que você fique aqui, porque provavelmente esse número tá errado. Não porque por má fé, qualquer coisa do tipo, mas é que a gente quase nunca conta tudo.

E eu vou te falar um pouco sobre isso nesse episódio. Antes de mais nada, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao Fica Com o Troco. Eu sou o Gabriel, sou planejador financeiro e consultor de investimentos. E hoje a gente vai fazer uma coisa que parece simples, mas que a maioria das pessoas nunca fez de verdade.

que é descobrir quanto custa, de fato, viver a sua vida. Bom, e eu prometo que até o final do episódio, você vai ter uma ferramenta prática para chegar nesse número, mas antes eu preciso te convencer de por que isso importa muito mais do que parece.

Existe uma resposta que eu ouço muito quando eu faço essa pergunta para as pessoas, que é o seguinte, Gabriel, mais ou menos uns 3, 4 mil, talvez 5, depende do mês. Depende do mês. Essa frase, depende do mês, carrega muita coisa. Porque, repara uma coisa, você não aceita esse nível de imprecisão em outras áreas da sua vida. Olha só, você sabe quanto tempo você leva?

Pra chegar no seu trabalho, você que trabalha fora de casa. Você sabe mais ou menos quantas horas você dorme. Você sabe o tamanho do seu apartamento ou da sua casa em metros quadrados. Mas quanto custa a sua vida?

Aí depende, não sei, talvez, depende. E olha, eu tô falando isso não pra te julgar, né? Muito pelo contrário, eu tô falando porque durante anos, já faz bastante tempo que eu sou planejador financeiro, e durante esses anos eu vi diversas pessoas que queriam construir um plano financeiro, queriam investir, queriam organizar. E a gente ficava, no começo ali, conversando, falando sobre estratégias, as pessoas vinham trazendo coisas sobre onde colocar o dinheiro, sobre rentabilidade, não sei o quê, meta, longo prazo.

E aí, quando eu perguntava... Olha só соглас соглас соглас соглас соглас соглас соглас соглас

Quanto você gasta por mês? Silêncio absoluto. Isso acontece até hoje, tá? É como você querer planejar uma viagem, só que você não sabe pra onde você vai. Você pode até chegar em algum lugar, mas provavelmente não vai ser o lugar que você de fato queria chegar. Tem um cliente, e eu sempre trago casos de clientes, né? Vamos lá com mais um caso de cliente. Tem um cliente que eu vou chamar aqui de Léo. O Léo, ele tem 36 anos, ele é casado, tem dois filhos.

E ele chegou pra mim querendo saber em quanto tempo ele podia parar de trabalhar.

no regime atual, que ele trabalha CLT, pra abrir o próprio negócio. Uma pergunta legítima, uma pergunta legal. E eu falei pra ele, cara, quanto você precisa por mês pra viver? Ele parou, pensou e me deu três números diferentes em dois minutos. Um só pra ele, um considerando a família e um no mínimo. Nenhum deles, nenhum desses números, tinha o IPTU da casa que eles moram. Nenhum desses números.

tinha um fundo de reserva para manutenção do carro que eles têm. Nenhum desses números tinha os presentes de aniversário dos filhos. Nenhum desses números tinha a festa de fim de ano da escola dos filhos. Nenhum desses números tinha as férias que ele falou assim, pô, Gabriel, a gente viaja, mas normalmente é uma coisa simples que a gente faz. Simples que custa 8 mil reais cada vez que faz.

Então não é que o Léo fosse desorganizado, nem nada do tipo, tá? É que ele nunca tinha parado pra juntar tudo num lugar só. Então saber mais ou menos quanto você gasta não é o mesmo que saber quanto a sua vida custa. E essa diferença muda tudo.

quando você vai planejar qualquer coisa de verdade. Deixa eu te propor uma distinção que parece sutil, mas eu acho fundamental da gente falar dela, tá? Existe uma diferença entre o que você gasta e o que a sua vida custa. O que você gasta é aquilo que aparece no extrato da tua conta. Aqueles lançamentos que você faz no Pix.

que você passa no débito, os lançamentos que estão no seu extrato do cartão de crédito, e aqui fazendo um parênteses, cartão de crédito não é despesa, tá? Cartão de crédito é meio de pagamento, então quando a gente considera custo de vida, a gente olha a linha a linha do cartão de crédito para saber o que está sendo lançado lá. Então as compras, débito automático, enfim, o que saiu da conta ou você usou o crédito para pagar.

O custo da sua vida é outra coisa. Ele é bem maior que isso normalmente, ou muito maior. Depende do nível de grandeza que a gente está falando, mas assim, é maior de fato, sim. E é mais honesto também. Por quê? O custo da vida, ele inclui coisas que não aparecem todo mês. O IPTU, por exemplo, que eu falei no caso do Léo, ele vence uma vez por ano. E aí você acaba incluindo no teu orçamento mensal, porque muita gente parcela o IPTU. Mas tem também o seguro do carro.

tem a revisão do carro, tem a viagem de férias que você sabe que vai fazer, tem os presentes de Natal que você sabe que você vai comprar, tem a consulta no dentista que não é de emergência, às vezes não está no seu plano, mas que vai acontecer, você precisa trocar de óculos todo ano. Essas coisas não estão muito claras quando a gente olha para o extrato ou para o cartão de crédito, porque ou elas ainda vão acontecer ou a gente só esqueceu.

Que elas existem. E essas coisas têm um nome feio, meio estranho na literatura financeira, que são os gastos sazonais ou irregulares. Eu prefiro chamar de custos previsíveis, tá? Que é aquilo que a gente finge que é surpresa, mas não é. A gente sabe que vai acontecer. Mas todo mundo fala, nossa, que surpresa, meu Deus, não esperava.

Porque a conta do IPTU, vamos lá, né? Não é surpresa, você sabe que todo ano ela vem. Você só não colocou ela no seu cálculo mensal. E aí quando chega, caramba, nossa, esse mês tô apertado, tem IPTU, tem matrícula da escola, tem uniforme das crianças. Mas na verdade, verdadeira, esse é o seu custo de vida honesto, né? É que você tava sendo...

desonesto ou desonesta com os números antes. Por isso que ficou pesado. E tem ainda uma terceira camada, que eu acho que ela é ainda um pouquinho mais delicada, que é quando a gente olha para a vida que a gente quer viver. Porque talvez hoje você esteja vivendo uma vida que não é necessariamente aquela vida que você gostaria de viver. Lógico, assim, a gente gostaria de viver uma vida, muitas vezes, muito mais confortável do que aquele que nosso dinheiro proporciona. Mas estou falando de uma vida...

De coisas que talvez você adiou ou adia por muito tempo, mas poderia estar acontecendo hoje. Ou coisas que você deixou pra lá porque não sobra dinheiro e não sobra porque você não tem clareza desses custos. Exemplo, você queria ter um plano de saúde melhor.

Às vezes você até consegue pagar, só que como seu cartão de crédito sempre vem muito alta a fatura, você está sempre gastando de maneira desordenada, você não consegue tomar essa decisão de melhorar o teu plano de saúde e, portanto, você não vive aquela vida que você gostaria de viver, que é a vida com o plano de saúde melhor. Entende? A ideia é mais ou menos essa. Então, isso tudo faz parte do custo real da vida que você quer construir e a gente precisa considerar.

Então, quando eu pergunto quanto custa a sua vida, eu estou perguntando três coisas ao mesmo tempo.

Quanto você gasta hoje, quanto custa o que você já decidiu que vai gastar, só que você ainda não colocou ali, e quanto custa a vida que você quer, né? Que é aquela vida que se você parasse e desse prioridade para as coisas que você gostaria que acontecesse, ela provavelmente andaria. É um número mais complexo e é o único que serve de base para um plano financeiro de verdade. Também tem esse ponto.

Antes de partir para a parte prática que eu te falei no começo do episódio, eu preciso te falar de uma coisa que ninguém gosta de admitir. A gente evita saber qual é o nosso número real. Não é por preguiça, não é por uma fé necessariamente, mas é por uma coisa acho que ainda mais antiga do que a preguiça. Enquanto você não sabe o seu número exato, quanto custa viver a sua vida, você pode viver com a esperança de que está mais ou menos a coisa.

Meio que você pode acreditar que se você apertar um pouco, vai sobrar. Que o mês que vem vai ser diferente. Que quando vier o bônus, eu vou conseguir resolver. Quando cair o décimo terceiro, eu resolvo. Então, o número concreto, ele tira essa saída, essa fuga. Quando você vê que a sua vida custa 11 mil reais e você ganha 9.500 reais...

Não tem mais ou menos. Tem um problema específico que a gente precisa de uma decisão específica. E decisão dá trabalho. Decisão exige admitir que alguma coisa precisa mudar. E o nosso cérebro odeia as duas coisas. O nosso cérebro odeia tomar decisões. E o nosso cérebro odeia mudanças.

É da natureza humana. A gente não levanta o número e convive com uma ansiedade vaga, que é aquela sensação de que as coisas estão sempre apertadas, sem nunca entender exatamente o porquê, porque você não olha pra isso. Eu já vi isso acontecer, assim, inúmeras vezes na minha carreira. E eu entendo, tá? Não tô aqui pra fazer juízo de valor ou nada do tipo. Não é covardia, não é nada disso, não é medo. É uma forma de proteção, na verdade.

Acho que a gente protege a própria tranquilidade, evitando encarar o que pode ser desconfortável.

Tá mais nesse lugar pra mim. Mas tem um detalhe que eu sempre lembro nesses momentos. Que é o seguinte, o número, ele existe independente de você olhar pra ele. Concorda? A conta, ela já tá sendo cobrada. Você só não sabe qual é o total. Só que quando você sabe, quando você passa a saber qual é o total, muda tudo. Porque não é que a situação fica pior, mas porque você finalmente tem o que você precisa pra fazer alguma coisa a respeito, pra entender qual é a mudança que precisa ser feita. E aí você consegue caminhar em direção a isso.

Tá, agora a parte que eu te prometi, né? Então eu vou falar um pouquinho do que eu faço nas minhas consultorias. Antes de qualquer conversa estratégica sobre investimentos, sobre metas de longo prazo, aposentadoria, coisas nesse sentido, eu costumo fazer um exercício com os meus clientes que eu chamo de fotografia financeira, mas já ouvi falar como raio-x financeiro, que nada mais é do que uma estrutura orçamentária. Esse é o nome chato da literatura financeira.

E eu vou te passar hoje esse exercício aqui de graça, tá? Do jeito que eu uso com todo mundo.

Você não precisa de uma planilha sofisticada para fazer, você não precisa de um aplicativo especial. Você precisa de 15 minutos, uma folha de papel ou um bloco de notas do celular, pode ser também, e muita honestidade da sua parte. A gente vai dividir esse exercício em quatro partes. A primeira parte é o que sai todo mês, sem falta. Faça chuva, faça sol, você paga. Então aqui vai entrar aluguel.

parcela de financiamento, condomínio, energia elétrica, água, internet, plano de saúde, terapia, escola dos filhos, faculdade, tudo que você paga todos os meses vai entrar aqui, tá bom? Não precisa ser um número exato agora, nesse primeiro momento, pega o que você sabe. Normalmente esse número a gente conhece mais de cabeça, né? A gente tem uma ideia um pouco mais... Na verdade, a gente acessa mais rápido no cérebro.

essas informações, porque todo mês a gente tem acesso a elas, então fica mais fácil de lembrar. Então, assim, não precisa, como eu disse, fazer um número exato nesse momento, uma estimativa honesta já serve bastante, então você vai lá, escreve os números agora, e esse a gente vai chamar de custo fixo, tá bom? Esses são os seus custos fixos.

Na parte 2, a gente vai considerar os custos que acontecem de maneira mais variada, mais picadinho ali. Portanto, a gente vai usar um horizonte de uma semana. Então, ao invés de pensar em um mês, a gente vai pensar em uma semana. Então, pensa aí, uma semana da sua vida, o que acontece nessa semana? Você, durante a semana, usa passagem de ônibus, metrô? Coloca lá quanto é que você usa por semana.

Você usa aplicativo de corrida, Uber 99? Coloca lá. Você pede delivery? Você almoça no seu trabalho? Com o que você gasta dinheiro ao longo da semana? Vai listando e vai colocando mais ou menos quanto você gasta cada vez que você usa determinada coisa. Por exemplo, cada vez que eu chamo Uber, devo chamar umas três ou quatro vezes na semana. Eu gasto uma média de 20 para ir e 20 para voltar. Faz aí a continha, coloca aí. Você vai colocar também aquilo que afeta o seu final de semana. Eventualmente no final de semana.

Você não é uma pessoa que sai muito, mas você pede comida. Ou você não é uma pessoa que pede comida, mas você cozinha em casa. E, portanto, você precisa ir para o mercado, comprar os ingredientes para fazer a receita ou cozinhar. Enfim, você vai considerar tudo isso aí. Você vai somar essa semana, quanto é que custa a sua semana. Vai multiplicar por 4 e a gente vai ter o seu custo variável.

do mês. E, portanto, essa segunda etapa, a gente descobriu os seus custos variáveis. Agora a gente vai pra parte 3. E na parte 3, é o que acontece todo ano, mas não acontece todo mês. Então aqui é onde mora normalmente a maior distorção do orçamento. Você pode até pegar uma folha separada ou um espaço em branco aí do lado, pra listar tudo que você gasta ao longo do ano fora do mensal, fora do semanal. Então aqui a gente vai falar de IPTU, IPVA, seguro do carro, material escolar, uniforme,

reforme, revisão, presentes de Natal, presentes de aniversário, viagens, consultas médicas, medicamentos, suplementos, cursos, enfim, tudo que você faz uma ou duas vezes no ano, roupa de temporada, todas essas coisas a gente vai considerar aqui. Gabriel, não faço ideia com quanto que eu gasto com determinada coisa aqui. Chute. Dá um chute honesto.

Pô, se você sabe que você vai comprar roupa, não é todo mês, mas você compra a cada dois, três meses. Vamos pensar três meses. A cada três meses eu compro uma calça, uma camisa, alguma coisa assim, e eu gasto por volta de uns 300 reais. Então você vai pegar 300 reais, a cada três meses vai dar quatro vezes no ano, porque são três, é, quatro...

trimestres, e aí esse vai ser o seu valor. Você sempre vai colocar o valor total, que é o valor do ano, tá? Nesse valor total, no final, você vai ter uma somatória e você vai dividir por 12, que é o seu custo mensal com essas coisas. Esse número, o resultado dessa divisão, é o que a gente chama, na literatura financeira também, de provisão mensal, que é o dinheiro que você precisaria estar separando todos os meses para que quando essas contas...

chegassem, elas não pareceriam um choque, um peso a mais um mês, porque você já está considerando ela. A gente faz isso? A maioria das pessoas faz isso? Não, né? Não faz. Mas é super importante. Esse exercício, quando a gente faz ele pela primeira vez, inclusive muita gente se surpreende com o número. Não sei se vai ser o seu caso, se for, você comenta aqui que eu quero saber.

mas esse número ele costuma ser bem maior do que a gente imagina, por isso que a gente se surpreende. Ah, um adendo aqui, tá? Quando você olhar para o teu raio-x, tua fotografia, enfim, o que você quiser chamar, entenda que não é porque você gasta demais que os números são assim, é porque eventualmente você nunca tinha visto isso tudo num lugar só. E quando você junta num lugar só, é natural você ter uma certa surpresa.

A gente vai para uma quarta parte ainda, que é o que não está no seu orçamento. Essa parte do que não está no orçamento é um pouquinho diferente porque ela não é necessariamente descritiva. Você não vai colocar ali o quê, né, exatamente. Acho que ela é um pouco mais prospectiva, talvez, essa palavra. Que vai ser o seguinte, lá vou eu com as minhas perguntas. Você vai me responder o seguinte.

Veja só, tem alguma coisa que você gostaria de incluir na sua vida que não está no seu gasto atual? Uma academia, uma viagem anual que você não faz, mas gostaria de fazer, uma ajuda financeira para alguém da família, um terapeuta, uma reserva de emergência que talvez você ainda não tenha. Existe. Se existir, assim, não precisa ser algo luxuoso, tá? Não precisa ser algo grandioso. Pode ser básico, alguma coisa que você tenha adiado há muito tempo. Escreve isso aí também, com o valor estimado por mês, tá?

E agora, o que a gente vai fazer? A gente vai somar as quatro partes desse nosso orçamento. Então, a gente vai somar os gastos fixos, os gastos variáveis, que são aqueles semanais que você vai somar. Você vai incluir os gastos sazonais, enfim. E também o que você gostaria de incluir. E aí, a gente tem um número, que a gente pode chamar esse número do custo real da sua vida. Esse é o número. Esse é o ponto de partida para qualquer conversa séria sobre finanças pessoais.

Voltando no caso do Léo, quando a gente fez esse exercício juntos, ele chegou num número que era quase 30% acima do que ele tinha no começo, do que ele tinha estimado. Ele ficou com esse negócio de 30%, porque é um cara dos percentuais e tal. Mas assim, não é porque ele é gastador, tá? Mas como ele nunca tinha juntado todas as peças no lugar, rolou aquele impacto.

E esse número mudou o rumo da nossa conversa completamente também. Porque a pergunta não era mais em quanto tempo você vai abrir um negócio. A pergunta virou, cara, quanto você precisa construir de reserva antes de dar espaço com segurança? Porque ele não tinha uma reserva financeira confortável o suficiente. Percebe que a gente passou por uma pergunta muito mais útil e muito mais honesta também, de acordo com o que a gente descobriu?

É isso que um número real, um número apurado, um número mais próximo da realidade faz. Ele não fecha teus olhos, ele não fecha portas, ele não...

não exclui planos e sonhos, na verdade o que ele faz é tornar esses planos possíveis de verdade, porque a partir do momento que você conhece, você entende o que é possível fazer. E agora, para a gente fechar, eu quero te deixar com uma ideia super simples, super simples, está muito ligado com autoconhecimento financeiro, eu acho que o autoconhecimento financeiro, na prática, ele começa aqui, quando a gente descobre o nosso número, não é no investimento, não é na previdência, nem na reserva de emergência, acho que ele começa nessa pergunta, quanto custa viver a minha vida?

Porque qualquer meta financeira, pensa comigo, qualquer meta que você tiver, qualquer objetivo, qualquer sonho que você quiser construir, sem esse número, sem conhecer quanto custa a sua vida, vai ser uma fumaça, um negócio no ar, uma neblina. Porque você não sabe quanto você precisa guardar. E se você não sabe quanto você precisa guardar, você não sabe quanto você precisa gastar ou quanto você pode gastar.

Você não sabe, por exemplo, quando você vai poder parar de trabalhar no trabalho que você está, que você não gosta muitas vezes, para mudar de emprego, porque você não sabe nem quanto você precisa ganhar no próximo emprego, ou no negócio que você vai abrir, você não sabe quanto necessariamente você precisa faturar para ter de fluxo de caixa para viver a vida que você vive. Quando você não sabe, você não tem noção se você está progredindo, porque você não tem um ponto de partida. É isso que a gente está falando.

E o exercício que eu te passei hoje, né, as quatro partes da fotografia financeira, ou do raio-x, é o mesmo que eu uso com os clientes antes de a gente, de fato, cair no planejamento. Não porque ele é mágico, mas porque, sem ele, qualquer planejamento é um chute. É um chute com um nome bonito. Então, o desafio dessa semana aqui, dos próximos 15 dias pra você, eu vou te dar até essa colher de chá, tá? É...

15 minutos, papel ou celular, bloco de notas, o que você quiser. Você vai fazer esse exercício que eu te passei, as quatro partes. Vai chegar num número real. Você não precisa resolver nada agora, tá? Você só precisa conhecer esse número. Você só precisa saber dele. Saber já é o começo de tudo. Então eu vou ficando por aqui. Se você quiser estender a conversa, você já sabe. Me procura lá no Instagram, que é a rede que eu normalmente estou mais ativo.

arroba o GabrielMDS. Se quiser conhecer um pouquinho do meu trabalho e como eu posso contribuir no teu planejamento financeiro ou na tua carteira de investimentos também, fica à vontade para me procurar. Comenta aqui o que você achou desse episódio. Se tiver dúvida, vou ficando por aqui. Como eu disse, fica com o troco e até a próxima.