Ep. 60 - Quantas Alices cabem em um livro?
Carroll improvisou uma história num barco numa tarde de julho de 1862. E criou a obra mais relida, adaptada e ressignificada da literatura vitoriana — e o eixo central do TCC de MBA em Neurociência da Aprendizagem que Thaissa defende na USP em agosto.
O trabalho acadêmico mapeou cinco formas de entrar em Alice como demonstração da metodologia Arandu.Fun. Mas uma coluna da fotógrafa e cinegrafista Nikkole Presotto na CartaCapital jogou a pergunta que esse episódio não conseguiu ignorar: Alice não virou símbolo psicodélico porque Carroll pretendia isso. Virou por ressonância. O texto é aberto o suficiente para que cada época encontre ali o que precisa — o que significa que nenhum mapeamento, nem mesmo o do TCC, consegue esgotar a obra.
Thaissa e Eduardo exploram as muitas Alices que cabem num único livro: a Alice matemática que Carroll escondeu nas sátiras lógicas, a Alice psicodélica que a contracultura construiu sem pedir licença, a Alice política que dissidentes chineses usam como código, a Alice sem cor que Tenniel desenhou em 1865 e que a Disney coloriu de azul 86 anos depois — uma cor que não está no livro original.
Cinco Alices no TCC. Infinitas no livro. E a pergunta que fica: quantas ainda não foram lidas?
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Roteiros e apresentação: Thaissa Danielle e Eduardo Cotarelli
Arte e identidade visual: Luque
Voz da abertura: Valentina Bernardino
Trilha: Quincas Moreira
Referência especial: Nikkole Presotto — "Alice nos Limites da Percepção", CartaCapital, 09 mai. 2026
https://www.cartacapital.com.br/opiniao/alice-nos-limites-da-percepcao/