OS BASTIDORES DO GOIÂNIA NOISE, DA CENA INDEPENDENTE E DA PRODUÇÃO CULTURAL EM GOIÁS COM LÉO RAZUK
No episódio #35 do Domingos Conversa, o jornalista e produtor cultural Léo Razuk fala sobre os bastidores do Goiânia Noise, a construção da cena independente em Goiânia e os desafios de manter vivo um dos festivais mais tradicionais do país após mais de três décadas.Um dos nomes por trás da Monstro Discos, Razuk relembra histórias das primeiras edições do festival, comenta as transformações do mercado musical, a relação com políticas públicas de cultura e o impacto da música alternativa na identidade cultural de Goiânia.O episódio também aborda os desafios da produção independente, a renovação da cena local e os bastidores da edição 2026 do Goiânia Noise, que dá seu pontapé inicial nesta quinta-feira (7). Uma conversa sobre resistência cultural e um contexto que ajudou a colocar Goiânia no mapa nacional da música alternativa.CRÉDITOSApresentação e roteiro: Domingos KetelbeyEdição, mixagem e design gráfico: Lucas CoqueiroStyling: Tainara MaiaFoto: Brena MagalhãesTrilha sonora original: Steven F Allen
Domingos Ketelbey
Léo Razuk
- Festivais de MusicaHistória e Longevidade · Desafios de Produção · Locais de Realização · Line-up e Curadoria · Edição 2026
- Cenário musical em SalvadorIdentidade e Referência Nacional · Plataformas de Revelação de Artistas · Impacto na Identidade Cultural · Renovação da Cena Local
- Politicas PublicasDesafios da Produção Independente · Relação com o Poder Público · Mecanismos de Incentivo (Lei Goiás, Lei Rouanet) · Calendário de Editais
- programação de festivaisVaca Amarela (Diversidade e Hip Hop) · Bananada (Laboratório e Bandas Novas) · Goiânia Noise (Rock e Underground)
- Goiânia· SociedadeGoiânia Noise no Calendário Turístico · Público Eclético e Aberto
- Música e CulturaSuperação do Estereótipo Sertanejo · Pluralidade Musical da Cidade · Goiânia Rock City
- Empreendedorismo CulturalPapel do Sebrae · Geração de Emprego e Renda · Programas de Formação e Qualificação
Goiânia construiu, nas últimas décadas, uma identidade própria na música independente. Fora do eixo tradicional, a cidade virou referência nacional, exportou bandas, formou público e consolidou um circuito que se sustenta até hoje. Nesse processo, alguns projetos deixaram de ser apenas eventos e passaram a funcionar como plataformas. Revelam artistas, movimentam a economia criativa e ajudam a manter viva uma cena que insiste em se reinventar.
O Goiânia Nois é um desses casos. Mais do que um festival, virou um ponto de encontro de gerações e termômetro do que está sendo produzido em Goiás e também no país. Para falar sobre esse percurso, os desafios de manter um projeto desse porte e o momento da cultura independente que o país vive, eu converso hoje com o Léo Hazuki.
Jornalista e produtor cultural, ele é um dos principais articuladores da Monstros Discos e do Goiânia Noz, que abre nesta quinta-feira a sua 31ª edição.
Obrigado, Léo, por estar falando aqui com nossa audiência, com nosso podcast. Obrigado pela oportunidade, por poder participar e falar um pouco desse evento. Essa entrevista era pra gente ter feito nas comemorações de 30 anos do Goiânia Nois. A gente estava comentando até agora há pouco que pouco mudou do contexto, que a pauta seria praticamente a mesma. Mas são 31 anos de festival. Como eu falei, um festival que... ...
tá no calendário anual de Goiânia, que gente vem de fora, que exporta bandas, que ajuda a dar palco pra muitas bandas goianas, mas também traz gente fora. Qual que são os principais desafios de consolidar um festival que já tá no calendário de Goiânia? Cara, os desafios são sempre os mesmos, por mais engraçado que seja, né? Se pensar assim, são 31 anos, e 31 anos praticamente ininterruptos, né? Porque...
A gente teve os anos da pandemia, mas mesmo durante a pandemia a gente ainda conseguiu fazer uma edição do Goiânia e Nós, que foi uma edição online. Então, por isso que dá os 31 anos. E sempre que a gente vai fazer, parece que é o primeiro, sabe? Porque os desafios são sempre os mesmos. Falta de apoio, às vezes falta de estrutura, falta de local.
Agora Goiânia até que tem palco para isso, mas tinha época que a gente tinha que inventar lugar para fazer o festival.
Mas são desafios, são sempre... Você fala de lugares inóspitos, assim? Adaptar lugares pra construir... É, adaptar lugares. A quarta edição foi num cinema pornô, no Cine Santa Maria, lá no centro. Naquele que tá hoje desativado. Eu não sei se ele tá desativado, se ele ainda funciona, mas... Mas foi lá, foi adaptado num cinema pornô. Foi lá, a quarta edição, foi lá. Isso atrapalha? Isso afastava a galera? Ou a galera gostava disso, você lembra?
Não, então, tudo era muito novo na época, né? Fazer um festival naquela época era tudo muito novo, então tinha a questão da curiosidade, a questão de bandas que dificilmente viriam em Goiânia. Qual que foi o Line Up essa edição? Cara, nessa época eu ainda não participava da Monstro, mas eu não lembro, assim, a maioria das bandas eram de Goiânia mesmo, algumas bandas de fora, acho que Helles Pública tocou.
Eu não tenho muito assim na memória, não. Eu comecei a participar do Noize a partir da quinta, sexta edição. Um ano depois, mais ou menos. É. E eu me tornei e entrei pra Monstro, em definitivo, na sétima edição, que foi 2001. Que foi, inclusive, a primeira edição feita no Martin Sererê.
E a primeira com esse conceito dos dois palcos, dos shows intercalados e tal, que é algo que a gente mantém até hoje. A gente entrevistei, Chispa, o Dinho, vocalista do Bugrens, e ele até comenta espontaneamente do trabalho que a Monstro faz de praticamente ter calendário mensal, às vezes até mais de um evento por mês. Como é que é esse reconhecimento da galera, da cultura, que de forma espontânea vê e cita esse trabalho?
Eu acho, assim, cara, para a gente é um motivo de muito orgulho, assim, ver o que aconteceu em Goiânia nos últimos anos. Uma banda como o Bulgarins, por exemplo, bandas como o Carne Doce, que não existe mais, mas também teve uma repercussão e uma projeção nacional, Black Dron Shocks, Hellbenders, são tantas bandas, assim, cara, que surgiram e a gente tem um orgulho, e não é querer...
ser acima de nada, mas de saber que muitas dessas bandas começaram ali no Goiânia Nois, no palco do Goiânia Nois. Os meninos do Black Droid falam que eles viam os shows e falam que a gente quer ter uma banda um dia também para tocar aqui. E construíram a banda, tocaram lá, tocaram em Montreal, tocaram em um monte de lugares, em um monte de países, por causa do Goiânia Nois, por causa do Bananada, por causa de toda essa cena que a gente conseguiu estabelecer em Goiânia.
Se você pensar, a Goiânia tem 90 anos, 90 e poucos anos, o Goiânia e nós tem 31. É um terço da vida da cidade já. É loucura. É um senhorzinho já, né? Tá virando um senhorzinho, assim. Já é um senhorzinho. É um senhorzão já, né? É um senhorzão. Se ele tivesse o nome de um ser humano, como é que... 31 anos, ele seria... Seria quem? O Goiânia e nós. Pô.
Seria um Leonardo, porque nós somos dois Leonardos. Muito bom. Seria um Leonardo, acho que é o nome da época. Aliás, tem um monte de Leonardo na nossa equipe, não é só a gente. Festival Leonardo. É. 31 anos de festival, Goiânia Léo Nois. Léo Nois.
Muito bom. E assim, aí é interessante porque 31 anos, tá no calendário anual, a Monstro, que organiza o Goiânia Nois, tem um calendário quase que mensal de atividades, e aí eu entro na questão do poder público. Porque, por exemplo, isso demanda tempo, demanda custos, demanda enfim, subsídios, demanda energia.
demandam uma relação com o poder público também, de segurança, de mobilidade. Como é que o poder público ajuda? De espaços, né? De espaços, né? É, porque grande parte... O festival foi feito num cine pornô há não muito tempo atrás. É, mas grande parte dos espaços acabam sendo espaços públicos, né? Espaços, o Centro Cultural Martins Sererê, que abrigou já várias edições, o próprio Oscar Niemeyer, que também várias edições, são espaços do governo estadual, né?
A gente já fez no Jockey Club, quando ainda o jockey tinha condições de receber eventos, fizemos no Jaó, nesse cinema, num bar, no território brasileiro, no DCE da UFG. Já teve edições nos mais diferentes locais. Mas o Martins Sererê e o Oscar Niemeyer são os principais palcos do Noize ao longo desses 30 anos. E são espaços públicos.
E uma das dificuldades, já que a gente estava falando de dificuldade, é justamente isso, é porque muda a gestão, muda completamente a cabeça de quem está lá. Então, o que a gente tinha como expertise de produzir o festival naquele local, no outro ano, se mudou a gestão, já é completamente diferente, porque as exigências são outras, os regulamentos são outros. Então, é sempre um desafio muito enorme e você colocar esse festival de pé por...
inúmeros motivos e esse é um deles, essa relação com o poder público, até na questão dos apoios, dos incentivos, por mais que a gente tenha...
os mecanismos de incentivo, a Lei Goiás, a Lei Municipal, ou mesmo a Lei Rouanet, que a gente acessa muito pouco a Lei Rouanet, porque ela é difícil de você conseguir captar. As pessoas não entendem muito como funcionar, acho que o Ministério da Cultura vai lá e te dá o dinheiro. Ele não te dá o dinheiro, ele te dá uma carta de crédito. E há muita desinformação. E você tem que ir atrás de uma empresa que receba aquele projeto.
mesmo com os mecanismos aqui locais, há uma dificuldade muito grande porque não há um calendário estipulado fixo, sabe? Isso é uma briga que a gente sempre tem, uma discussão que a gente sempre tem com os secretários, sejam eles quais forem, de estabelecer um calendário. Porque se você estabelece um calendário anual, olha, vai abrir o edital todo ano, em tal mês, fechar em tal mês, você consegue se programar.
E às vezes a gente não tem isso. Ano passado mesmo foi um exemplo, eram 30 anos do festival, e a gente não tinha esse apoio, não tinha, era para ser em maio, não conseguimos, não conseguimos, não conseguimos, fomos empurrando, empurrando, empurrando, acabou sendo em setembro. E a gente acaba fazendo as coisas muito na raça, porque...
Se fosse depender dessas coisas, talvez nem teria acontecido. Que é o que acaba ocorrendo com vários festivais. Porque é difícil levantar um festival, você não tem o apoio, o cara, esse ano eu não vou fazer. Bananada mesmo, teve um hiato aí de seis anos, né? É.
O Bananada teve um iá. E é um festival gigantesco, já consolidado também. Isso, isso. O Bananada foi, a gente, quando era sócio, nós quatro, o Fabrício era sócio na Monstro, nós produzimos o Bananada durante 10 anos. Depois saiu a sociedade, ele montou uma outra empresa e tudo, manteve o Bananada e aí teve...
Essas dificuldades todas. Acabou mudando para São Paulo também e o Bananada teve essa interrupção aí. Como é que você vê esse retorno agora? Eu gosto muito assim quando acontece. Eu acho que movimenta a cidade.
são festivais que tem uma similaridade, mas ao mesmo tempo eles tem uma diferença conceitual e eu acho legal porque são propostas diferentes são palcos diferentes para os artistas e uma possibilidade de você conhecer música nova, dos artistas circularem pelo país Goiânia tem três festivais de música independente que praticamente foram nacionalizados a marca ficou muito forte para além de Goiás, Vaca Amarela ou seja,
o Goiânia Noz e o Bananada. Qual que é a diferença? Você como produtor, qual que é a diferença dos três? Eu acho que o Vaca Amarela, assim, é bem nítida o conceito que ele dá de ser um festival mais voltado para as diversidades, mais voltado para essa música.
que dialoga mais com essa cena de hip hop, de rap, essas coisas assim, algumas coisas mais eletrônicas, e essa questão da diversidade de gênero mesmo. É um festival que abraça muito essa causa do LGBT. A gente tem também tudo, o Bananada tem também, mas eu acho que a grande marca do Vaca Amarela nos últimos anos é essa. O Bananada eu vejo assim... É...
Quando o Bananada era nosso, pra gente era até difícil, isso é uma história curiosa, era difícil pra gente, chegou um momento que era muito difícil pra gente diferenciar o que era um do outro. Porque muito parecido mesmo. Era muito parecido.
E aí teve uma edição que o Carlos Eduardo Miranda, aquele produtor que já faleceu e tudo, ele estava aqui em Goiânia, ele acompanhava muito a gente. Ele era uma espécie de padrinho desses festivais da música independente. É, ele vinha muito, ele produziu bandas aqui em Goiânia, né? E um dia ele chamou a atenção da gente sobre isso. Ele falou, pô, mas o Bananada... É...
vocês tinham que criar uma diferença, assim, e as bandas de Goiânia estão num momento tão bacana, assim, por que vocês não dão mais ênfase e destaque para as bandas de Goiânia? E aí, as últimas edições do Bananada, com a Monstro produzindo, se você pegar, você vai notar que a gente resolveu fazer do Bananada uma espécie de laboratório. Então, a programação do Bananada, a gente moldava ela com bandas que nunca tinham tocado em Goiânia.
E dando destaque para as bandas de Goiânia. Então as bandas de Goiânia eram sempre os headliners. E as bandas de fora eram bandas que nunca tinham tocado aqui. Para você justamente conhecer. E foi isso durante os últimos anos que a gente produziu. Quando a gente separou, o Fabrício voltou um pouco para aquele conceito que era muito parecido com o noise. Só que o noise, eu acho que é...
É difícil falar, mas eu acho que o Noz tem uma pegada um pouco mais pro lado do rock, do underground. A gente tá vendo aqui, trouxeram Sepultura, Jutamação, Corzios. Corzios, é. Nas últimas edições teve Nervosa, teve Dorsal Atlântica. Sempre tem umas coisas assim, Rato de Porão. São bandas que vão mais um pouco pra esse lado, até um pouco mais do peso e tudo. E o Bananada...
ele foi para um outro lado, que é um lado que a música brasileira foi, de surgir artistas como o Baiana System, Lineker, que é um outro lado da música brasileira, e o Bananado acompanhou isso. Ele deu palco para esses artistas, acho que ele influenciou muito, de alguma forma também, a esses artistas surgirem, e deu palco para esses artistas.
Eu acho que a principal diferença talvez seja essa, apesar de que são festivais muito diversos, a programação é muito ampla em conceito, em estilos, mas eu gosto muito quando tenho todos os festivais aqui, eu acho que a cidade fica mais rica.
meio a tanta, ajuda a tirar aquele estereótipo da música de Goiânia, ser uma capital da música sertaneja por exemplo, como é que você vê essa imagem? Então, o Bananada você sabe que surgiu por isso, né? Ele era em maio, chamava Bananada porque tinha a história de dar o banana pra pecuária e tal, aquelas coisas assim, né? E... e aí
Mas hoje eu acho que Goiânia já superou isso. Eu acho que sempre que perguntam se a Goiânia é a capital do sertanejo, Goiânia é a capital do rock, eu falo que Goiânia é uma capital. E é uma capital, como é nova, é uma cidade jovem. E a juventude é plural e a cidade é plural. Tem sertanejo, tem rock, tem o Bananado, tem o Vaca Amarela, tem o Vila Mix, tem um monte de coisa. E está tudo bem ter tudo isso. É, e é ótimo ter tudo isso.
tem movimentos meados dos anos 2000 ali Goiânia Rock City e tudo mais tinha essas justamente pra tentar contrapor essa ideia da música sertaneja, mais recentemente a gente viu, até mesmo um das bandeiras do prefeito São Mabel na eleição foi de criar o museu da música sertaneja e agora parece que mudou, agora vai ser o museu da música, enfim teve aquela vez do Darcy também que era o Goiânia Country né
Depois, volta e meia, os políticos pegam esse mote e parece que querem institucionalizar essa ideia da música sertaneja. É, mas eu acho que não precisa ter rótulo. A cidade é uma cidade plural, é uma cidade jovem. E como toda cidade jovem, uma capital, ela é diversa.
a música diversa em Goiânia. O curioso de Goiânia é que Goiânia foi criada sobre a cultura. O início de Goiânia foi um batismo cultural. O 24 de outubro é uma data oficial, simbólica, mas na verdade foi em junho, no batismo cultural, foi realmente o início da cidade.
Tem uma cidade de puça cultura. E é uma metrópole que tem inúmeras coisas. Chorinho inspecializado. Tinha o chorinho até que tava também no calendário semanal e era um evento super bacana que abria realmente as avenidas.
agora essa história do Goiânia Rock City isso era uma brincadeira a gente brincava, tem o Detroit Rock City e a gente brincava, Goiânia Rock City na época do Arcut surgiu uma comunidade super forte que pertencia a essa comunidade era divertidíssima
E a gente mais novo, a gente chegou a uma... Hoje a gente faz eventos mensais, mas nessa época, assim, era muito pulsante, era muito efervescente essa coisa do rock em Goiânia, dessa novidade, né, das bandas começarem a vir pra cá.
e uma juventude muito curiosa, muito interessada, e a gente fazia shows semanais, na verdade. E o Goiânia Rock City foi um projeto que surgiu para fazer isso, para valorizar as bandas de Goiânia. Então tinha a comunidade de Orkut, tinha os shows que a gente fazia, depois teve o site Goiânia Rock City, tudo era Goiânia Rock City, né?
queria que você falasse um pouquinho sobre o Goianóis desse ano 31ª edição um festival que mescla as bandas goianas com as bandas nacionais queria que você falasse sobre a dificuldade o desafio de montar esse line-up
Como é que você coloca uma Duda Beach fechando a quinta-feira? Como é que a construção disso, como é que isso é feito? São muitas cabeças pensantes. Eu queria que você falasse sobre a construção de um festival como o Guiana Nois. A construção é um desafio, é um exercício enorme que a gente faz. Porque... ...
Eu e o Léo, hoje, a Monstro, somos só nós dois. O Márcio e o Fabrício saíram e tudo. E a gente é que comanda as coisas. Só que a gente está velho já. A gente não tem mais aquela juventude de antes. E, às vezes, essa questão da idade... A cabeça pode até ser jovem, mas a questão da idade te impõe certas limitações. A gente já não sai mais como saía antes. A gente já não viaja mais como viajava antes.
e às vezes a gente se sente um pouco desconectado. A gente começa... Então o exercício de montar esse line-up é bem difícil, porque a gente não pode fazer um festival só com o que a gente gosta, porque senão a gente corre o risco do nosso gosto não ser o mesmo das pessoas hoje. E aí o festival ser um fiasco total.
Mas ao mesmo tempo a gente não quer abrir mão disso. Então a gente vai tentando mesclar. É óbvio que a gente gosta e conhece e sempre pesquisa um monte de coisa nova e traz isso para o festival. Mas é um desafio enorme, cara. E aí para esse ano, desde o ano passado, a gente começou com essa história de fazer quatro dias e não só três.
Aí, a quinta-feira, é um dia que na sexta muita gente trabalha, estuda, então a gente precisa colocar na quinta um artista que atrai a atenção e chame as pessoas para ir para uma quinta-feira, sair de casa, ir num festival, curtir lá. Então tem que ser um nome de peso. E aí a gente ficou pensando isso, pensando, pensando, então aí chegamos no nome da Duda Beach.
ficou super feliz, ela tinha uma vontade de tocar no festival, manifestou pra gente, e desde 2019, se não me engano, ela não toca em Goiânia. Acho que ela tocou a última vez no Bananada. No Bananada em 2019, se não me engano. Então ela ficou super satisfeita e tudo, e eu acho que a gente conseguiu então resolver essa questão da quinta. E aí o resto do festival é essa mistura louca que a gente costuma fazer, né?
E uma das coisas legais que aconteceu foi a história do Tom Zé. No ano passado, a gente tinha fechado, praticamente fechado com o Lobo Gomes para fazer. Estava praticamente tudo certo. Quando a gente recuou, porque ia ser nossa carninha-maria, a gente recuou para o Martins Sererê, por causa das condições financeiras, orçamentárias do festival.
A gente falou, pô, assim, cara, o cara da altura, do tamanho do Lobojo, a gente gastar essa ficha pra ele tocar no sererê, não que o sererê não seja legal, mas que a gente queria dar algo melhor pra ele e proporcionar pro público também, né? Mais pessoas poderem assistir o cara, né? E aí, então, congelamos, deixamos a palavrada do que a gente faria esse ano e aí aconteceu o que aconteceu, né?
E pra gente é uma dor muito grande saber que a gente não conseguiu trazer o Lobojas pra tocar no festival. Tem alguma homenagem pra ele, levando em conta essa situação? Não, nós não pensamos nisso, nós não pensamos nisso. Nós chegamos a cogitar trazer o Beto Guedes,
algumas coisas assim, chegamos a falar com os meninos do Bugarins, porque eles tem um show que eu acho que é o show que eles vão fazer no Bugarins toca com o Da Esquina é, que eles vão fazer no Bananado, mas eles estão no exterior nessa época eles não vão fazer o Nós esse ano porque eles estão fazendo uma turnê no exterior agora, esses dias
E aí a gente ficou, pô, cara, mas então, assim, aí um dia o Leo falou, cara, a gente tinha que levar esse negócio do Lobórdia como uma lição, assim, vamos atrás de artistas que a gente sonha em ter no festival e que de repente...
Se não for agora, pode não ser mais. Pois é, o Tom Zé. O Tom Zé, aí veio o nome do Tom Zé. Não que a gente ache. Sim, não. Mas ele vai fazer 90 anos. Sim. E quer uma pessoa que condensa mais o que é o rock do que o Tom Zé. O Tom Zé é o rock em pessoa. Pois é. É a irreverência, a ousadia, a quebra de padrão. Ele é o rock.
Então, a gente, pô, é um cara que tem tudo a ver com o festival, então vamos fazer o Tom Zé. E aí fechamos e ficamos super satisfeitos de conseguir isso, de ter as condições para trazer o Tom Zé. Mas aí vem a questão, pô, mas se a gente traz só o Tom Zé, será que não vai ficar uma noite só voltada mais para pessoas de idade? Ou será que o Tom Zé hoje dialoga com a juventude? A gente fica nesse dilema, assim, né?
Eu acho que ele dialoga, mas a gente não quer arriscar. Então vamos procurar nomes também que dialoguem mais com a juventude. Aí vem o FBC, aí vai surgindo as coisas. E aí as bandas que estão ali no molho do negócio, no tempero, que aí é a curiosidade, aí é a coisa que a gente quer ver. Porque são bandas que a gente acha que...
que as pessoas precisam ver pra entender que a música é muito mais do que o que tá tocando na rádio, ou que o que tá sendo o mais tocado do Spotify, sei lá, entendeu? Que existe uma outra vida musical no Brasil inteiro. A parcela dessas bandas, inclusive, elas têm um apelo político muito forte. E é inevitável. Às vezes, no nosso social, no festival, há pautas políticas mesmo. Isso é muito...
proposital, isso é algo que a organização, por exemplo, busca bandas que tenham um apelo mais político na essência seja nas letras ou nos arranjos ou é uma coincidência que acaba que acaba se conectando, acaba que a convergência vai chegando a elas e vai fazendo um line-up bem politizado. Eu acho que é um pouco inconsciente mas é também...
por essa característica nossa, né? Porque quem escolhe as bandas que vai tocar, não existe um grande grupo curador. No fundo, somos nós dois, assim. A gente até ouve pessoas, busca conselhos e indicações de amigos, de produtores de outros festivais, de outros selos, de tudo. Mas, no final, quem bate o martelo é a gente. A gente acaba tendo isso na gente e acaba passando isso para o festival, né?
E é lógico que o rock é política, né? O rock sempre foi uma música politizada e contestadora, né? E acaba isso refletindo um pouco na programação também. E pelo lado da gente se identificar com as pautas daquelas bandas, né? É óbvio que uma ou outra banda talvez tenha alguma coisa que a gente não concorde, não identifique, mas a gente busca também...
Bandas que estão dentro da nossa ótica política e divisão de mundo e de sociedade. Tem alguma banda que, ou cantora, enfim, alguma artista que ainda não pisou no noise, mas que você falou assim, enquanto o festival existir...
O dia que esse cara pisar no Goianóis, eu posso dar por encerrado a trajetória, porque eu vou morrer feliz. Tem um monte, cara. Tem um monte, assim. O Beto Guedes mesmo é um nome, assim, né? A gente gosta muito do Clube da Esquina.
a gente gosta dessas coisas gosta do Corsos, gosta do Rato de Porão gosta do Crisio, mas a gente gosta do Beto Guedes e do Lobo então são artistas que a gente queria muito no festival tem outros nomes o Adair José já tocou no festival
O Adair Júlio chegou a lançar discos pela Monstra. E se a gente pega os arranjos, foi um selo que lançou, tem alguns arranjos que são super pesados. São, é. Ele é um cara do rock também. É um cara super roqueiro, assim. Teve uma época que a gente tinha uma loucura, assim, de trazer o Guilherme Arante, sabe? Chegou a trazer? Não, não trouxemos. Mas é um nome. É um nome, assim, que a gente acha bacana, sabe? Tem várias coisas, assim. E aí de fora...
É uma história curiosa, que talvez algumas pessoas que são mais ligadas a gente saibam dessa história, mas existe uma banda que se chama Melvins, que é uma banda antiga americana.
que a gente gosta bastante de todo mundo, e a gente tem um pacto aqui entre a gente, que o dia que a gente trouxer o Melvins, o Mechanics, que é a banda do Marcio, vai abrir, e a hora que terminar o show, a banda acaba de vez. Então a gente tem um... Melvins tem um certo preciosismo. E a gente tem uma questão de honra de trazer o Melvins só pra ver o Mechanics acabar, pra ela deixar de existir e a gente tirar isso da nossa frente. Que aí, o ponto final... O ponto final...
final vai ser o show abrindo para o Melves. Enfim, e no final das contas você fala tanto do desafio, e a gente falou agora... A gente conversa, a gente recebe apoio, a gente tem diálogo, a gente se coloca à disposição para ajudar também com a nossa expertise.
para eventos que o governo faz. O Léo já participou muitas vezes, eu menos, mas o Léo já participou muitas vezes de curadorias para eventos do governo, seleção de bandas, seleção de artistas, dando palestras. A gente tem uma interlocução boa, mas uma interlocução institucional. A gente não levanta bandeira de ninguém.
mas também não deixa de ter um diálogo. Por exemplo, o artista, o pequeno artista lá que está começando hoje, e você acompanha muito, coloca os caras lá no line-up. Esse cara hoje, ele é bem assistido? Sim, ele recebe com os programas que estão disponíveis para ele? Eu acho que mais do que uns anos atrás. Ainda tem muitas coisas falhas, óbvio.
Mas tem, tem grandes mecanismos que funcionam. O FAC funciona, a Lei de Goiás funciona, a Aldir Blanc, que é federal e tem os braços municipal e estadual, funciona, a Lei Municipal de Incentivo à Cultura funciona. É óbvio que tem problemas, por exemplo, a Lei Municipal nunca é cumprida à sua risca.
tem lá um percentual que fala em cima da arrecadação do município, mas fala até tantos por cento. Esse até já matou, porque nunca vai ser o teto ali, né? Sempre vai ser menos. Mas há uma briga para que isso aconteça, a gente sempre tenta influenciar politicamente para que isso seja mudado, composições de comissões que avaliam os projetos, a gente sempre tenta...
Não participar, mas dialogar e tentar mostrar a importância. O Goianienóise, muitos anos atrás, quando surgiu a Lei Goiáses, era Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Era o nome, né? Lei Goiáses, Lei Estadual de Incentivo à Cultura. E a gente começou a colocar o projeto, e aí era contemplado, não sei o quê. Depois de um tempo...
houve um edital que a gente participou e a gente foi negado. E a gente ficou, pô, mas como assim, né, o festival e tal, e aí foi o parecer do cara lá, do conselheiro da época, falou, não, porque a lei é de incentivo, o festival já está consolidado, a gente precisa incentivar o que está... Então, tinha essas leituras, assim, e aí a gente começou, não só a gente, mas outros festivais, outros eventos, mas não é assim, né, tem que ter também um...
um mecanismo que ajude aos eventos que são de permanência. Um festival como o Guainé Noz movimenta quantas pessoas? Porque você fala de você e do Léo serem a cara da monstro, mas tem uma galera que trampa atrás disso pra fazer isso acontecer.
Tem, tem. São mais de 120 funcionários diretos que a gente contrata para participar do festival, fora os indiretos. Uma outra coisa curiosa, você estava falando de uma questão de abrangência, esse negócio tem que retirar o ingresso, ou mesmo quando tem que comprar, nesses sites de venda de ingressos ele vai te mapeando quem são as pessoas que estão comprando.
Eu olhei ontem, curiosamente, só dois estados no Brasil não retiraram ingressos pro Goianinoise. Só Roraima e Sergipe, se não me engano. Os outros, todos os estados, alguém tirou pelo menos um ingresso pra vir pro Goianinoise. A galera tá vindo pra cá mesmo. Vem pra cá.
E você consegue mapear também o público? Você falou agora há pouco do Tom Zé, vai ter uma galera mais velha. Você consegue ver a idade do público? Consegue, consegue. A gente vê... Você já consegue traçar um perfil de quem que vai estar lá no Guaranois? Já, já, por causa disso. A gente tem esse público variado, a gente tem uma diversidade de gêneros enorme.
então é muito bacana o anuário do Ministério do Turismo dos últimos anos, coloca o Goiânia Nós, já há alguns anos como um dos principais atrativos turísticos de Goiânia que legal, que foda está no calendário enfim
Motivos de reuniões aí, então, com o poder público pra pedir. Porque, se a gente for parar pra pensar, você me encaminhou um documento... Há um Goiânia Noz que começa antes do festival, né? Nas escolas, com... Com eventos pra... Enfim, pra fomentar até mesmo a arte junto a criança, né? As crianças. Sim. Isso é um negócio... É o Noz na Escola, que é uma ação que a gente já faz já há alguns anos.
E que essas questões todas, muito disso, a gente ia fazendo as coisas, jovem ia fazendo as coisas muito no impulso, e aí depois começa isso, a gente começa a entender, não, a gente tem que ter diálogo com o poder público, a gente tem que acessar esses mecanismos de cultura, a gente era meio contra isso no começo. Depois, não, se existe, cara, por que...
Por que a gente não pode também brigar e disputar esse espaço? E a gente começou. E muitos anos atrás, houve uma gestão do Sebrae aqui em Goiás.
que virou exemplar para o Brasil inteiro, que a gente foi, caiu para dentro do Sebrae. A gente entrou para dentro do Sebrae, era o Gilvane Felipe, que era o superintendente do Sebrae, nos puxou lá para dentro, porque ele começou a ver a importância de um festival como o Goiânia e Nós, e aí não era só o Goiânia e Nós, eram vários festivais, uma rede, uma cadeia produtiva enorme de geração de emprego e renda.
E aí ele, dentro do Sebrae Goiás, ele desenvolveu um departamento de economia criativa, que era um conceito novo. Hoje já se fala muito em economia criativa, na época nem tanto, e a gente começou. E aí nessa época, uma das coisas que o Sebrae pedia para a gente, a gente falou, a gente te dá suporte, mas vocês precisam dar uma contrapartida, e a contrapartida tem que ser de formação.
E aí a gente começou a fazer essas formações e qualificações lá dentro do SEBRAE. E depois a gente foi expandindo para fora. Esse programa do SEBRAE aqui em Goiás, não sei se existe, acho que não existe mais, mas ele foi um programa exemplar que várias unidades do SEBRAE nacional começaram a replicar isso em seus estados, de apoiar essas cadeias de economia criativa.
para ter geração de emprego e renda, e formação, qualificação das pessoas. Léo, já estamos ultrapassando aqui os 30 minutos que nós tínhamos acertado. Queria que só... Essa entrevista deve ser publicada na quinta-feira, exatamente no primeiro dia de shows. De shows, porque as palestras já começaram. É, o festival começa então antes. É, começa antes.
Mas eu queria que você, diante desse contexto, fazesse um balanço de como está a distribuição dos ingressos. Pela primeira vez, todos os ingressos por retirada são gratuitos. São gratuitos. Como é que está esse balanço? Você disse agora um pouco do perfil, mas você acha que nessa quinta-feira, enquanto essa entrevista estiver publicada, vai ter ingressos à disposição para a galera ou a coisa já está meio que esgotando?
A gente foi tentando fracionar, as pessoas até têm reclamado muito dessa questão, não consigo pegar, não consigo pegar, a gente tentou fracionar justamente para ir tentando chegar ao máximo que a gente conseguir com o ingresso ainda disponível para o público. Lógico que o espaço tem uma capacidade e vai chegar uma hora que eu acredito que não vai ter mais ingresso disponível, mas a gente está tentando isso.
E uma coisa que eu preciso ressaltar muito, cara, é que esse ano a gente tem toda essa condição de fazer o evento 100% gratuito por causa dos nossos apoiadores. A gente entrou num edital da Petrobras, eram 8 mil projetos culturais do Brasil inteiro, a gente foi um dos 400 selecionados aqui de Goiás, acho que só três foram, o Goiânia é Nós e o Bananada, e se não me engano um projeto do Zabriski, Escola de Teatro.
Então, para a gente é um motivo de muito orgulho ter esse apoio da Petrobras. A Petrobras é uma empresa que investe muito em cultura no Brasil e a Petrobras é uma das empresas que está propiciando essa condição de ser um evento gratuito. Além dela, o Programa Goiás, da Secretaria Estadual de Cultura do governo, que também nos dá um apoio, que é esse apoio de uma carta de crédito. Aí a gente vai atrás das empresas e busca o patrocinador.
Então esse ano a gente teve essa condição muito bacana e o que a gente costuma falar muito do nós é isso. Quando a gente tem uma condição, a gente pega isso e investe mesmo no evento, sabe? Quando a gente recua, que foi o caso do ano passado. A gente não tinha, vamos recuar um pouquinho, porque a gente respira aqui e tenta dar um passo maior o ano que vem. E esse ano a gente conseguiu.
Então, por isso que tem o Tom Zé, tem o FBC, tem o Cebosos, que é a Nação Zumbi, tem a Fernanda Abril, tem a Duda Beach, tem o Ras Bernardo, e tem um monte de banda bacana no meio ali, acontecendo o festival. É diverso, em estilo, diverso. Todas as regiões do país contempladas, tem artista de todas as regiões do país.
Então dá pra ver um monte de coisa. E uma coisa curiosa, que os artistas amam Goiânia, tocar em Goiânia, é porque aqui você não segmenta noite.
os grandes eventos no Brasil, em grandes centros, ou você precisa ter a noite do metal, a noite do pop, a noite do não sei o que, porque os públicos não se interagem aqui não, você tem na mesma noite você vai ter a Josiara e você vai ter o Varukers, que é uma banda lendária do punk inglês, e a Josiara baiana, tocando, então na mesma noite você vai ver um monte de coisa diferente. A galera aqui é mais aberta, assim, pra...
Eu acho que o público aqui é um pouco mais aberto, que é essa questão que a gente estava falando da juventude. Goiânia é nova, né? Então, acho que o público cresceu dessa forma. Todo mundo aqui gosta de... Não, todo mundo. Eu falo assim, todo mundo gosta de um tipo de música, mas tem uma ligação, às vezes, com o campo, com o sertanejo também. Então, é... Acho que o lance...
a maioria das pessoas que eu conheço realmente tem um lance eclético, fabuloso, de escutar eu mesmo, escuto tu tava vindo pra cá escutando Angra
Mas há poucos dias estava lá na minha playlist Christian Ralf, porque eu vi um vídeo do Bank tocando saudade do Christian Ralf. Do Christian Ralf. Num arranjo super bonito, assim. Você vê, o Bulgarins, que foi em tese. E em algumas bandas a gente nem sabe rotular direito, né? O Bulgarins tem uma pegada metal, psicodélica, rock. Agora está tocando o Clube da Esquina, enfim. Então, assim, as bandas também têm muito isso, né?
Tem muito isso, essa diversidade é bem característica do goianiense, do goiano, essa coisa de ter gente do Brasil inteiro formou essa cidade, formou esse estado, e acho que as influências vêm daí também. Léo, obrigado por essa entrevista. Só para a gente encerrar, uma resposta um pouco curta, não dá para fazer uma resposta em uma palavra, mas uma resposta mais curta, em 2026 a gente está chegando no período eleitoral. O que a cultura pede para quem está...
para quem vai ser eleito? Para quem vai entrar numa campanha e vai conversar com a cultura? O que a cultura está precisando? Quais são os gargalos da cultura? O que a cultura vai colocar a mesa nesse momento político? Eu acho que o que a cultura precisa e as pessoas precisam entender é que cultura não é supérfluo. Outro dia eu até falei sobre isso. A pandemia mostrou isso. Algumas pessoas entenderam, muitas não.
mas naqueles períodos de lockdown, quando você estava ali isolado, se você não tivesse um filme, um livro, uma música... Ou uma live com alguma banda. Provavelmente você iria surtar. Muitos até surtaram.
Mas acho que muita gente caiu a ficha ali e entendeu que cultura não é supérfluo. Então acho que cultura não pode ser tratada por nenhum governo, seja ele qual for, e nenhuma esfera de governo, municipal, estadual, federal, como algo supérfluo. Ela tem que ser tratada como um bem de necessidade. Ainda mais nesses momentos que a gente vê que a saúde mental...
todo mundo no Brasil está abalado. Os dados, as coisas, mostram que está todo mundo com problemas de saúde mentais seríssimos. Então, a cultura é esse escape e ela tem que ser tratada dessa forma. Eu acho que o que precisa ser colocado na mesa é isso. Cultura não é uma pasta secundária dentro de um governo, é uma pasta prioritária, assim como saúde, educação, infraestrutura e as outras. É isso. Obrigado, Leo. Sucesso. Obrigadão.
tanto para os eventos que a Monstro faz ao longo do ano, como agora para o Goiânia Nois. Obrigado. Prazer participar do seu programa. Admiro demais o seu trabalho, você sabe disso. Acompanho sempre e obrigado por participar. Que isso. Muito obrigado. Esse foi mais uma entrevista com... Mais um Domingos Conversa com o Léo Razuck, articulador da Monstro Discos.
e um dos organizadores do Goiânia Nois, que começa nessa quinta-feira, vai até esse domingo. Até a próxima. Valeu. Temos! Obrigado a você, ouvinte, pela escuta e audiência. Se gostou desse episódio, siga o podcast no seu tocador preferido e compartilhe com os amigos nas redes sociais. Assim você ajuda o projeto a crescer e a chegar até mais gente.
A apresentação e o roteiro são meus, Domingos Kettleby. A edição, mixagem, desenho e gráfico são de Lucas Coqueiro. O styling é assinado por Tainara Maia. A trilha sonora original é de Stephen Nulling. A transcrição deste episódio você pode ler no meu site, domingoskettleby.com.br. Obrigado e até a próxima.
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