Gonçalo Lopes - Pres. C.M.Leiria
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- PTRR e TempestadesDimensão da destruição · Apagão e falta de comunicação · Montagem da sala de operações · Reconhecimento da calamidade · Reunião com autoridades locais
- Gestão de Crise e LiderançaDiário de trabalho e rotinas diárias · Operações de voluntariado e recolha de materiais · Desafio da falta de geradores · Gestão de expectativas da população
- Reconstrução e VoluntariadoOperação Rergue a Leiria · Mobilização nacional de voluntários · Entrega de alimentos e lonas · Importância das redes sociais e comunicação social
- Política e GovernoVoz do povo vs. voz partidária · Crítica à falta de empatia na política nacional · Aproveitamento político da catástrofe · Crítica ao populismo e sensacionalismo na comunicação social
- Impacto na Paisagem e MemóriaDestruição de jardins e árvores · Perda da paisagem florestal · Relação da região com a floresta · Alteração do ecossistema e clima
- Crises e ResilienciaDificuldade na reposição de eletricidade nas aldeias · Medo de cheias do Rio Lis · Ameaças recebidas após declarações públicas · Alegado roubo de telhas e escrutínio do trabalho
- O Castelo de Leiria e o EstádioDanos nas árvores do castelo · Destruição do estádio municipal · Estádio como quartel-general em crises anteriores
- Infância e Juventude de Gonçalo LopesGosto pela convivência e associativismo · Visão sobre as gerações mais jovens · Formação académica em Lisboa (ISEG) · Experiência profissional em resseguro
O meu convidado de hoje é presidente de Câmara. Tens 50 anos e talvez tenha envelhecido mais num mês do que nos últimos 5 anos. É um herói na sua cidade, basta andar um bocadinho com ele em marras, esmaceira, amor, santa eufémia, regueira de pontes, caranguejeira e em todas as restantes freguesias de Leiria. Lugar onde o inferno aconteceu. Um vento mais forte do que alguma vez superara, uma chuva copiosa que rebentou com o resto.
Leiria ficou destruída, mas o país comoveu-se com a capacidade da cidade de se reencontrar e reconstruir. Comoveu-se com as centenas de voluntários, com a sua presença nos lugares mais quebrados, junto das famílias mais desesperadas, a fazer o que era preciso, sem medo de dizer o que não era confortável para o governo ou os políticos de todos os partidos que apareciam apenas para serem vistos. O meu convidado de hoje é Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria.
É um grande prazer e muito obrigado por ter aceito. Obrigado por aquele convite. Obrigado a nós aqui na RTP Antena 1. E, Gonçalo, a primeira questão, volta à madrugada de 28 de janeiro, percebeu logo a dimensão do que estava a acontecer nas ruas? Primeira vez que contactei diretamente com a rua, a percepção foi imediata. Enquanto estamos em casa, não temos uma noção plena da dimensão. Sabíamos que tinha...
Batido forte, mas depois, a partir do momento em que há uma saída à rua e que se começa a dar os primeiros metros fora de casa, percebe-se perfeitamente o que é que é um abanão muito grande, porque todo o espaço público estava transformado, filas de carro que não podiam andar. Tive que sair de casa em quatro piscas até ao quartel.
e já com muita área danificada de espaço público, árvores tombadas, sinais de trânsito destruídas, e percebeu-se de imediato que o vento, que a tempestade tinha entrado e tinha sido devastadora. Nós estamos a falar de alguma coisa impensável, não é? Nunca nos preparamos para o pior, e às vezes o pior supera aquilo que é a nossa imaginação, porque nós não conseguimos imaginar, porque nunca tínhamos visto.
passar por leiria durante aqueles dias era ver aquilo que era o impossível de explicar. Prever um cenário destes, mesmo com avisos, temos sempre a sensação de que haverá uma tempestade, mas que...
nunca será tão devastadora como foi. Portanto, o contexto de apanhar uma cidade destruída, imediata, e a imagem que há de destruição de um ambiente de guerra, percebe-se ao fim de algum tempo, quando se começa a circular, que tínhamos levado com a tempestade mesmo em cima.
Dúvida que teríamos era se teríamos sido só a Leiria e as Redondezas, isso tinha afetado mais cidades. E quando é que deixa de ter comunicação com o exterior? É logo no primeiro momento? Nos primeiros momentos há um apagão imediato, escadas sem luz.
as comunicações ficaram automaticamente sem funcionar, tanto mais que uma pessoa para contactar ou para chamar teria que se deslocar. Portanto, a partir do momento em que uma pessoa tem um contacto com uma realidade totalmente de blackout, sente-se perfeitamente que tínhamos que estar num sítio protegido.
e sobretudo com dispositivos capazes de começarmos a montar uma operação. E é isso. E o facto das coisas que aguentaram foi o quartel municipal, que de facto tem condições para podermos operar, e depois é a montagem de uma sala de operações que a gente pensava que ia ser pequena, e de repente já tínhamos não sei quantas pessoas. E o reconhecimento imediato de que estaríamos perante um fenómeno que ia transformar as nossas vidas e que teríamos de ser nós.
a tentar resolver o problema de imediato, porque percebi também, quando há este tipo de calamidades no estrangeiro, de que terá que ser a população e os órgãos próximos, o Estado próximo, a resolver os problemas. A ideia de nós estamos por nossa conta, somos nós que temos que resolver isto. Naquele momento imediato...
Sabemos que vai haver aqui um conjunto de horas em que temos que ter, primeiro, uma noção exata da dimensão do problema, conseguir captar as atenções das pessoas mais influentes no território, seja as autarcas de freguesia, seja o hospital, seja a PSP, GNR, os bombeiros.
juntá-los à mesa o mais rápido possível foi o que conseguimos fazer logo nesse dia logo a seguir ao almoço porque o período da manhã foi para planear e fazer convocatórias presenciais tinha que ser, era uma loucura
E depois há, de facto, ali um momento muito marcante, a primeira reunião, onde se assume que se faz a ronda terra a terra. E se percebe que é ainda pior. É, que a devastação foi total em todas as freguesias. E, portanto, depois há os primeiros registros fotográficos da imprensa local, que foi muito importante, que começamos a mostrar as fotografias, porque era impossível ir a todo lado, não é? Começamos a dizer, olha, passei no jardim, está assim, passei no estádio, então, olha, ficaste sem cobertura, há claro, olha.
Começo a ver as fotografias e disse assim, ah, pois, já percebemos que isto vai ser difícil de orientar. E o país não sabe que lei iria estar. Sim, essa foi uma das primeiras conclusões. O país não sabe.
A comunicação social demora, nacional demora, a tentar entrar no espaço de operações, não é? E depois demora também o próprio governo a perceber a dimensão do problema. E aqui há uma cadeia de transmissão que eventualmente não foi reportada como deve ser.
Porque acho que o governo, nas primeiras horas, nunca imaginou que isto tinha acontecido em Portugal e que tínhamos uma região totalmente destruída por esta tempestade. Cometo aqui a inconfidência, não é propriamente uma inconfidência, mas...
Quando estive a última vez com o Gonçalo, com o Presidente da Câmara de Leiria, para o convidar para estar aqui, tinha um molho de papéis e eu perguntei-lhe, Gonçalo, mas que papéis são esses? E era um molho enorme de papéis, que eram quase um super leque, com todas as coisas que foi escrevendo ao longo dos vários dias em que praticamente não foi a casa.
Sim, nós tivemos um conjunto de rotinas diárias que foram montadas, todas elas resultavam num diário de trabalho, muitas delas eram decididas ou de madrugada ou antes de começarmos a reunir, as operações de voluntariado, as operações das telhas solidárias, as operações de recolha de lonas, tudo.
Foi idealizado e apresentado às 10 da manhã às pessoas com quem trabalhávamos diretamente. Muitas delas eram preparadas com uma hora, duas horas antes. A gente detectava o problema, que solução é que há para as casas? Temos que começar a arranjar lonas e plástico de estufas. Então temos que começar a encontrar onde é que há. Qualquer que a gente pode contactar é, não dá, porque não conseguimos chegar diretamente. Temos que lá ir. Então, o que é que lá vai?
A principal operação imediata foi geradores. Já tínhamos tido a experiência do apagão.
A empresa que nos fornecia geradores também levou com o armazém em cima dos geradores. Ficámos sem geradores nas primeiras horas, não conseguimos usar esse fornecedor. Depois foi começar a encontrar tudo o que eram pessoas que conhecíamos de empresas que tinham geradores. O nosso ciclo de contactos regional estava esgotado, porque todos eles precisavam. E aí sim é muito importante, as redes sociais foram importantes, a comunicação social foi muito importante. Quando chega, nós começamos a fazer apelos.
ao voluntariado, apelos à entrega de alimentos, apelos à entrega e então há um país que se mobiliza e percebemos, afinal de contas nós vamos perceber nós vamos ter aqui, vamos ter um exemplo como o povo português está disponível e preparado para ajudar no território
e por isso vamos usar este ícone. Eu já gostava de falar dos voluntários porque é das imagens mais bonitas que tenho visto nos últimos anos. O momento de dezenas e dezenas e dezenas de pessoas a chegarem com o que tinham, não é com baldes, com esfragonas, com o que for. É um momento lindo.
Lindíssimo. A sua vice-presidenta, Ana Bela Graça, contava-me que aquilo que mais a impressionou foi um senhor, um velhote, muito velhote já, a chorar copiosamente à frente de um jardim.
E ela foi falar com ele e ele disse-lhe Não, eu estou a chorar porque estou a ver Este era o jardim da minha infância E não está nenhuma árvore Todas as árvores do jardim caíram E é um momento muito bonito Porque não deixa de ser uma morte e uma infância Não é possível imaginar pessoas que nasceram em Lari O Gonçalo nasceu em Lari E que de repente perdem uma parte da infância Da memória de infância também A mudança da paisagem é mais traumatizante Não, eu não sou a...
Quando compra uma casa, quando passeia, quando vai a um parque infantil com os filhos, quando passeia num jardim, num circuito urbano, que a seguir a tempestade mais nos preocupa.
Porque depois é o trauma, mas afinal de contas, muito aquilo que era a visão que tínhamos do território se transforma. E é chocante perceber que já não vai ser na nossa geração que vamos recuperar tudo aquilo que era a paisagem florestal.
Já não vai ser. Já não é possível. Vai alcançar portes como tínhamos, árvores com portes, com 8 metros, 9 metros. Eu acho que só se vai dar valor. Agora as pessoas dão mais valor à árvore do que davam antes. A nossa região sempre teve uma forte relação com a floresta, com o pinhal.
quando vamos à praia ao São Pedro de Moel, ao Pedrógão, à Vieira toda aquela costa desde a norte da Nazaré até chegar à Vieira, a Pedrógão estávamos habituados a caminhar na mata de Leiria no Punhal do Rei o Punhal de Leiria já o tínhamos em 2017 desaparecido de uma parte com incêndio e foi traumatizando no caso da mata de Leiria é uma mata pública daí uma certa revolta a gente precisa fazer a gente precisa a gente precisa a gente precisa a gente precisa a gente precisa a gente precisa a gente precisa
de como não se salvaguardou aquele património coletivo.
E aí a paisagem mudou muito, mudou o ecossistema, mudou o clima na nossa região. Nós dois temos brisas marítimas em Leirí, estamos a 30 quilómetros da praia. Portanto, houve uma transformação. E agora temos uma segunda, que é, já tínhamos poucas barreiras em termos de árvores, agora foi o resto. E esse é o grande desafio. Mas houve momentos neste processo que é, ou nós assumimos os leirienses, em geral, de que somos vencedores, é o contrário do tipo do programa. degree.
Ou somos vencedores neste momento, ou vamos passar a ser coitadinhos. Pai, coitadinhos não. Nós vamos ter que mostrar que somos mesmo fortes. Sem dúvida. E eu acho que essa mensagem também foi muito importante, sobretudo para as pessoas que naquele momento estavam a desistir. Desde o início disso queríamos surpreender no trabalho que íamos fazer de emergência e no trabalho a seguir de regalera. E daí a palavra que utilizámos logo na nossa operação.
que é a Operação Rergue a Leiria, de onde saiu todos os programas que idealizámos naquele período. Muito bem. O Gonçalo nasceu em Leiria. Toda a sua infância e adolescência é passada em Leiria. Há alguma coisa que tenha perdido a sua infância, como aquele velho homem à frente do jardim?
A imagem que temos, o espaço público, os jardins, é de facto desolador para quem tem uma infância que passa muito tempo no parque infantil, do parque do avião. Atrapar as árvores. Atrapar as árvores, fazer um percurso a namorar daquilo que é alguma descrição protegida por parte dos nossos jardins. E essa parte é o espaço público.
dentro de si cá. Depois há um emblema porque está dentro daquilo que é a nossa maneira de estar. É impossível chegar à leiria de carro a pé e que não se olhe para o castelo para ver se ele está lá. É um vício. Está. Está lá.
E o que desapareceu do castelo é que o castelo tem várias muralhas, e a última muralha dentro do castelo, aquilo que é visitável, tem um conjunto de árvores que também saíram, e a gente começa a olhar e diz assim, nem as árvores do castelo se safaram. Depois há um outro, não tem a ver mais com a juventude, mas tem a ver com aquilo que foi o esforço do município ao longo de anos.
pagar uma diva da construção de um estádio custou 100 milhões de euros e o estádio que era o nosso plano de proteção civil o estádio sempre foi o quartel general de tudo, nós já tivemos a experiência da pandemia, tivemos a questão com os refugiados que ficavam no estádio e o estádio era o nosso quartel general o quartel general estádio balneários, espaço amplo estacionamento, geradores tem tudo
Era lá que era o nosso quartel-general, no Covid funcionou muito bem, nesta crise, o estádio não pode ser quartel.
porque voou a cobertura toda, aquilo está perigoso, e portanto não se aconselha. Sabes, o país recorda muito bem a sua cara incrédula e ao mesmo tempo entumista, apavorada e estenuada na visita da ex-ministra da administração interna. Mas...
haverá outros momentos que as câmaras não captaram. Se pudesse escolher um momento de verdadeiro desespero, é que o momento voltava, não querendo voltar? Sim. Há um momento, quando se toma conta da operação, percebemos que nós vamos dar conta do recado e que vamos conseguir inverter. Há um período psicológico, a partir do oitavo, nono dia, que a gente começa a perceber que a eletricidade vai demorar muito mais tempo a chegar do que imaginámos a todo o Conselho.
Há uma situação dramática que é, na cidade repusemos o sistema mais rápido, nas aldeias... Não. Não, que era, lideramos um conselho em condições normais, já tem várias diferentes velocidades, então aqui, uns tinham quase tudo e os outros não tinham nada, e sabendo que ia durar mais. Esse é o primeiro complexo que temos e todos os dias reunimos com os presentes de junta.
em que, à medida que vão tendo eletricidade, vão se estando mais calados, os outros cada vez vão ficando mais enriquecidos. O oitavo, nono dia, o pessoal já... Para si era importante dar a cara, continuar a dar a cara sempre. Era fundamental. E era dar uma mensagem para aqueles que estavam desesperados nesses territórios. Não adianta agora começarmos aqui a desesperar, porque senão nos vai trazer eletricidade. Portanto, temos que apelar às pessoas que este vai ser um momento difícil, mas que há de passar, a luz há de chegar, a eletricidade há de chegar.
Gerir as expectativas das pessoas era muito importante. E depois há um momento crítico a seguir à Cristina, em aquelas tempestades todas, aquelas chuvas, as chuveiras, as chuveiras, e cria-se. É que não parava de chover depois. E cria-se, não. E portanto, há um ambiente que é criado, não sei se de depósito ou não, porque depois, felizmente, a tragédia anunciada não se confirmou, que era às cheias do Centenário em Coimbra.
Há ali um momento crítico em que o Presidente da República, na altura, disse tenha cuidado que este fim de semana, este período vai ser muito difícil. E é a questão das chuvas que iam chegar a Coimbra. Eu naquele momento pensei assim, bem, se já levámos com a tempestade, voaram os telhados, se entretanto o rio transborda.
É a tempestade perfeita. E há um anúncio, que há uma raja, que há uma fissura na margem do rio. Exato. E que... Do rio Lys. E que começam a destacar meios dos bombeiros para ir ver o local.
E eu disse, não acredito que nos vai acontecer isto. Eu fiquei desesperado. Ter a cidade inundada era a pior coisa, porque o rio Lisboa, quem não conhece, está disciplinado dentro de margens. Portanto, são margens que foram construídas por os rios, assim como o nosso.
foi disciplinado, porque senão eles praiavam pelas aldeias e pelas cidades. Portanto, foram-se construindo as margens e o nosso também está a circular dentro de paredes, dentro de muros. E eu pensei, se há uma fissura, aquilo arrebenta, é como um dique. Só me lembrava Catarina. Se arrebentou o dique, aquilo entra agora. Então sai do quartel.
É preciso perceber que as casas estavam completamente desprotegidas porque tinham sido arrasadas. E, portanto, estávamos sem cobertura, assim ficávamos sem chão, não é? Claro. Era o que só faltava. E então sai, não dá para sair. Trânsito infernal, não dá para sair. Vamos a correr do quartel até ao centro da cidade, uns 500 metros, acho que já não corriia assim há muito tempo.
Quando chegamos ao local, está lá a PSP, a GNR, os engenheiros a olhar, e dizem assim, tenha calma, respira fundo, porque isto vai aguentar, que isto não tem problema, o rio não vai sair da margem. Foi o momento em que mais estresse e assim. Depois há um fenómeno muito engraçado, que é um do terremoto de Lisboa. Eu costumo dizer isso, já o disse, eu conheço a história do terremoto, mas tive a coincidência de assistir, no fim de semana, a um documentário sobre o terremoto, um documentário extraordinário.
Isso foi a influência que transformou na proteção civil, na arquitetura, na política, na religião, o terremoto.
E um dos pontos que aconteceu no terremoto de Lisboa é que pôs-se em causa. Foi um momento fraturante em que se põe em causa a existência de Deus. Exato. Foi no dia 1 de novembro, dia de todos os anos. E mais, porque as igrejas foram todas arrasadas. Arrasadas todas. E a única coisa que ficou incólme eram as casas de prostituição que ficavam em cima. Nos altas colinas. Houve-se alguma coisa. E depois eu comecei a pensar um... um...
Põe-se em causa tudo. E há uma altura que dizem assim, mas porquê que isto nos calhou a nós? Que é o primeiro pensamento. Eu sei que isto é uma coisa um bocado... Nem é científico. Eu nem sou crente, nem tenho qualquer tipo de... Mas o que é que o meu senhor fez de mal para merecer isto tudo? E quando há aquela hipótese do Rio Rebentar, dizem assim, não, de certeza que isto é alguma coisa que nos lançaram para cima para nos prejudicar. Que é uma coisa um bocado popular, um mito, não é?
Mas pensei, pensei Deve ter feito mal alguém Que me lançou aqui um feitiço qualquer Mas depois começo a pensar Se queria lançar um feitiço só a mim Tinha um publicado só a minha casa Não teriam sido tão competentes Mas pronto Foi aquele momento marcante Depois há uma relação com
com o governo, que é uma relação que não é compreendida em larga escala. Eu expliquei isso já várias vezes. A minha voz não era a voz de um partido, era a voz de um povo. E acho que confundiram muito o autarca socialista com o autarca leiria. Eu parto. E acho que muita gente não percebeu. Quer dizer, algumas pessoas não percebem. Quem me conhece e trabalha comigo, tanto mais que eu tenho muita gente a votar de outros partidos.
nas autárquicas. E tem mesmo que ser, porque é preciso perceber que Leiria é uma cidade que votou maioritariamente nestes 50 anos sempre no PSD. É uma cidade... E portanto ali foi um assumir de alguma pressão para a existência dos costos. Eu julgo que em nenhum momento da sua cabeça nestes dias em que não foi a casa, em que dormia no quartel, em que aparecia de facto e a sua cara não mentia, não pensou um único segundo que era socialista ou social democrata ou o que for.
Ali nós nunca tivemos... A minha equipa é constituída maioritariamente por independentes, presentes juntas. Não temos uma... Eu costumo dizer que para ser autarca quer dizer ser inteligente, prático e ter bom senso e ter coração. Que é uma boa ideologia. E ter uma coisa que é fundamental na política, que eu disse várias vezes.
que é ter empatia, que é termos a capacidade de colocarmos no lugar dos outros. E aquilo que eu senti ali é, como é que é possível? Faço sempre um exercício quando um presidente se junta tem um problema, quando atende um professor ou um empresário. Nós ouvimos, tentamos colocar no lugar da pessoa, desesperada, porque quando vão a uma câmara pedir uma reunião, geralmente é para pedir.
a pedir ajuda, soluções, etc. E a gente tenta fazer esse exercício de empatia e eu ali sentia, não, mas não há empatia. Não há empatia, à distância. O que é que se passa? Também estamos em um país de faz-se de conta.
Fazem de conta que resolvem e não resolvem. Vêm, mas não há soluções. Virem aos sítios só para marcar presença. Quando a gente precisa é de conforto no que diz respeito a soluções imediatas. Vêm mais recursos. Avance cá a dinheiro. Faça assim que eu vou fazer aqui inteligências para que aconteça assim. E pronto. Sabendo que...
A empatia é uma das qualidades do ser humano, que tem que ser exercitada, algumas é inata, outras se faz por exercício, e na política acho que é fundamental. E percebi outra coisa, que na política nacional não é o fator empatia, é o fator que é mais utilizado, é mais o das redes sociais, o do TikTok, que eu nem sabia. E foi aí que eu percebi que isto governa-se por aparências. O aproveitamento político chocou.
Acho que houve um momento, houve um grito de revolta, o qual se calhar não devia ter feito, porque isso depois virou por completo. Nós organizámos a primeira ação de voluntariado muito arriscada para segunda-feira, se houver dia 1.
Portanto, passado pouquíssimos dias da tempestade, em que nós temos que dar um sinal ao país que as pessoas podem vir a Leiria para nos ajudar. Lançámos uma operação de voluntariado de limpeza da cidade. Não era para limpar muita coisa, mas era para que as pessoas estivessem envolvidas, para ter o primeiro contacto com as pessoas.
E de repente tínhamos perto de mil pessoas, manhã ao pé do estádio, mães com uma vez ao colo, pessoas de idade, pessoas estrangeiras, chega uma pessoa brasileira ao pé de mim.
agarra-me, mete uma mão na cabeça e começa a rezar. Estava a passar algum poder especial. E naquela altura, depois há uma conferência de imprensa, lá onde acontece aquelas declarações fraturantes, que foi de que Leiria não era um jardim zoológico, parecia que vinham cá só de passagem, para observar o que estava a passar.
E depois há uma resposta, uma declaração, que é no ambiente da campanha eleitoral, em que há um candidato presidencial, líder de um partido, que quer fazer uma ajuda à Leiria, transportando.
com uma paleta de garrafas de água, que depois veio-se a saber que até simulou esse ambiente. A intensidade da chuva. Da chuva. E isso foi o primeiro golpe duro em que fiz uma declaração onde criou um sentimento revoltado, porque não se pode aproveitar da catástrofe para se buscar uma educação de votos. Isso com leiria não ia acontecer. O meu encontro. Portanto, recebeu uma...
Sebeu uma barragem. O meu convidado de hoje é Gonçalo Lopes, Presidente da Câmara de Leiria. Há um episódio, não vou dizer quem foi, mas faz parte da sua equipa e um episódio no meio de uma reunião em que começa a chorar. Começa a chorar e depois de muita existência consegue dizer que não, é que estou aqui e a minha casa está completamente destruída.
E depois fazendo uma coisa que eu acho que é muito bonita, porque alguém disse, então vamos tratar da tua casa. E essa pessoa começou a gritar, a dizer que era a última coisa que se podia fazer. A casa dele não era importante, seria sempre a última. Isto é verdade? É. Nós trabalhamos com muitas pessoas diariamente que foram afetadas, e a minha, felizmente, não foi afetada. Estava noutro registro.
E tínhamos colaboradores diretos a dar o litro até que chega um ponto em que eu percebo que a pessoa está a claudicar, puxo por ela e quando puxo percebo que tem uma reação e depois percebo que esta pessoa está afetada.
Porque tinha a casa destruída. Eu disse, mas a gente vai ajudar a fazer isso. Não, a minha casa é a última. Estou trabalhado na Câmara, estou contigo. A minha casa terá que ser a última a ser arranjada. Não quero criar problemas à Câmara nem a ti. O Gonçalo tem dois filhos. Foi um momento marcante. Foi aí que eu percebi que estávamos a trabalhar com uma tropa que também estava ferida. Psicologicamente.
Não, mas isso dá-lhe um conforto, não é? Muito grande. Um conforto enorme. Os seus filhos, depois disto, é uma pergunta um bocadinho de lugar comum, mas têm certamente hoje ainda mais razões para ter orgulho do pai. Sim, os meus filhos, o Simão, que está em Lisboa, viveu isto com muita intensidade, porque acompanhava as redes sociais, as notícias.
muito sensibilizado. O Pedro é uma das vítimas desportivas, porque nós tirámos dois pavilhões para a vida, ele é atleta de futsal e, portanto, ficou sem pavilhão. Deu em aleiria? Num clube que se chama Atilheiro. Atilheiro, aí te percebeu. O Atilheiro ficou sem atilhar. E, portanto, eles perceberam perfeitamente a dimensão do problema e perceberam que o pai, naquele dia, tinha que ser um farol e tinha que ajudar. E, portanto, o objetivo foi esse.
Nós encarámos esta tarefa como nós somos um farol e somos sobretudo uma vela que dá luz, um farol que orienta e temos de ser um gerador para dar energia onde não falta. Nós tínhamos que quem liderava os processos tinha que ter essa função. E há um momento muito importante que é...
Tu assumes esse papel, mas não adianta um assumir esse papel. Tu higaste que formar todo um exército que tem essa função. Gonçalo, tem consciência que se tornou uma figura nacional? Há coisas muito engraçadas, só agora que eu percebo, não sei muito leria, mas eu vim jantar a Lisboa e estava num jantar e chega-se um senhor ao pé de mim.
Reconhece-me, pronto, e disse, olha, e quero-lhe mostrar uma fotografia. Mostrou-lhe uma fotografia. Então era uma carrinha carregada de águas e disse assim, olha, está a ver isto? Eu fui entregar isto ao estádio de Leiria de Alimentos. E quero agradecer-lhe porque fez um trabalho excepcional.
Há muita gente que ajudou, que eu não conheço, que também não temos registrado, porque foram tantas as ajudas, sobretudo nos elementos, e que de facto são de fora da região de Leiria, portanto, que me conheceram devido a este fenómeno, que em condições normais nunca me iriam conhecer. E portanto, tenho a noção de que isto teve um impacto muito grande na vida dos portugueses.
seja pobres, ricos, do norte, do sul, nós tivemos tudo. Tivemos ajudas da madeira, dos Açores, tivemos pessoas que andaram semanas, pessoas ligadas à construção, que tiveram sempre a ir e ajudar a montar telhados gratuitamente.
Tivemos autarquias de todo o país que nos ajudaram, com os seus funcionários também destacaram para cá. Portanto, é uma dimensão claramente nacional e que resulta muito deste anúncio, destes apelos. E há uma outra coisa, é que passou a ter inimigos também. Normalmente, eu não sei se passou a ter inimigos. Eu digo que isto é quase científico, não é? Quando se começa a ser mais falado, a regra geral acontece que passa a ser.
Houve uma reportagem na Nau sobre o roubo de telhas que é uma coisa é um tema de repente eu
Quase que parece uma coisa surrealista, não é? Roubo de telhas e de repente... Percebi que no programa foi apanhado completamente, desprevenido. Sim, foi um momento também recente que deixa algumas marcas. O que é que nós percebemos também desde o início? E eu em particular, que era o escrutínio sobre o meu trabalho ia ser muito maior a partir da tempestade. Portanto, tudo o que faria ou o que dizia.
ia ser ouvido e escrutinado por outras pessoas, por muito mais pessoas. Nunca tinha a ideia de que o escrutínio iria ser de uma lógica de um exército de seguidistas, sem massa crítica. Longe de mim pensar que isso existia.
E, de facto, logo a seguir aquela declaração que disse ainda há pouco, comecei a receber mensagens da Suíça, da Holanda, ameaçadoras e tal. Nunca me aconteceu isto. Ameaçadoras? Nunca me preocupei muito com isso. E depois temos esta noção de que temos que manter um nível de transparência e de rigor.
na gestão porque há uma credibilidade que temos que manter. Ela é abalada com essa reportagem onde existe imagens daquilo que é o nosso centro de logístico de telhas porque houve muita gente a oferecer telhas e nós oferecíamos 50 telhas a cada pessoa que iria precisar delas. E a pessoa apresentou o número de contribuinte e o local onde mora e nós entregamos as 50 telhas.
A primeira questão é, as pessoas naqueles primeiros dias que estavam em filas de espera, às vezes duas ou três horas, não acredito que fossem para uma fila, buscar 50 telhas, para as vender, para as roubar, para as traficar, só mesmo a pessoa doente é que podia fazer isso, admito que possa acontecer. Tudo é possível. Tudo é possível, mas também é impossível numa operação.
de auxílio de emergência, torná-la burocrática. Ali era massificar a distribuição para o maior número de pessoas possíveis, para aqueles que procuravam. E foi posto em causa que o sistema, que havia pessoas que utilizavam essas telhas ou para as vender, ou que não precisavam, e nós tentámos explicar que tínhamos hoje um sistema muito mais complexo e controlador, nomeadamente a pessoa tem que ir...
à plataforma, por algumas fotografias dos danos e depois é que entregamos à mesma as 50 atividades. O sistema foi posto em causa. E é posto em causa depois num sistema de uma reportagem que eu não estava minimamente preparado para introduzir o assunto porque pega-se em testemunhos que depois ampliam e tentam generalizar. E essa é a primeira sensação de como episódios
não sei se são verdadeiros ou não, tenho algumas dúvidas, pois podem ser ampliados.
com o objetivo de ter audiências. E depois há outro, isso foi a primeira experiência que tive, que é, e agora estou num órgão de comunicação social, vou dizê-lo também, o populismo não chegou só aos partidos políticos, chega também à comunicação social, à procura de audiências, e portanto é o vale tudo. E portanto foi a primeira vez que fui confrontado em televisão com uma situação de um programa sensacionalista, cujo principal objetivo é alcançar audiências, em que as pessoas...
que com quem estou a falar, primeiro é uma entrevista, mas depois é um debate, aquilo já não é um debate, aquilo é quase um campo de tiro, de fuzilamento, em que tem um advogado e uma jornalista a atacar sistematicamente. Eu nunca tinha visto, não deixa dizer, nunca tinha assistido. Na nossa história, em relação a uma espécie de, não foi dito antes, um ato de quase corrupção, alegado, à volta de telhas, é uma coisa...
Não tem muito sentido. Não parece que tenha muita lógica criar um ambiente que põe em causa o trabalho que foi feito e é por isso que as pessoas de leria sentem-se também um bocadinho injustiçadas com a reportagem, porque passa a ideia de que as pessoas de leria que foram lá eram burlonas e estavam a usar telhas para outros fins, uma esmagadora maioria.
que foram buscar telhas é porque precisavam delas e não foi para extraficar ou para fazer, porque precisavam mesmo. E isso foi algo que nos magoou também e pronto. E agora temos que seguir em frente e mostrar a importância das ajudas. O meu convidado é Gonçalo Lopes, Presidente da Câmara de Leiria, nesta reta final, nestes minutos finais, 10 minutos, temos 10 minutos, já passaram quase 40.
Assim, aquele modelo de perguntas rápidas, respostas rápidas Voltando outra vez a este exercício de voltar à infância Não a partir dos estragos, mas a partir mesmo da sua infância Quem é que era o jovem Gonçalo que andava na escola secundária? Eu julgo que era a escola secundária e o domingo chegaram Mas não tenho certeza absoluta Quem era esse jovem Gonçalo?
Era um jovem que tinha uma... Que beijava protegido pelo azar? Sim, tinha uma componente de gostar de conviver com a juventude, desde muito cedo de querer intervir no associativismo.
e de assumir que era um bom amigo para os colegas. E acho que é muito parecido com a juventude de hoje, que é criar o seu ciclo de amigos, cultivá-la. Não é um pessimista em relação à juventude hoje e às gerações mais jovens? Tenho uma...
Para mim as questões geracionais já as ultrapassei muito, já tive muitas discussões quando era jovem com o meu pai e hoje percebo perfeitamente que sou pai, que as discussões geracionais são muito injustas porque cada juventude tem uma camada de qualidade que deve ser valorizada. E todos são, a seu tempo, todos representam o que há de bom. Os seus pais eram professores? É, o meu pai, a minha mãe era professora primária, o meu pai era comercial, tinha uma empresa ligada aos meus. Era comercial, pai.
E, portanto, sempre tive essa visão dos chocos de músicas, dos chocos de hábitos de roupa, de onde visitar, onde comer, etc. Porque é naturalmente haver o choque. Eu hoje olho para a juventude com uma inteligência muito grande, do ponto de vista da perceção. Às vezes as pessoas imaginam que eles não estão a percepcionar porque não têm capacidade de o fazer do ponto de vista de maturidade.
mas somos muitas vezes surpreendidos quando eles falam de temas totalmente com profundidade, que em condições normais nós, na idade deles e no nosso tempo, não tínhamos. Não tínhamos. Eu imagino que seja a União de Leiria, que está a um passo de poder ter uma hipótese de voltar à primeira divisão, e do Sporting. Eu estou a dizer isto, não sei se é do Sporting. Não, sou do Benfica.
Deixem-me só dizer Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Líria Que ganha as eleições num território do PSD Esmagadoramente em Leiria Sendo o Benfica Porque eu sempre ouvi dizer que Leiria é um território do Sporting
Sim, há muita gente que... Porquê que o Sporting está muito implantado? É uma ideia... Porquê? Mas temos muito bem fiquista. Porque, para já, temos uma referência que é um museu do Sporting, que é o único museu que um clube grande tem fora de Lisboa ou do Porto. O museu do Sporting tem a sua existência, um grande núcleo.
em Leiria, e que é uma referência de colecionismo de uma personagem única, de quem sou muito amigo. E, portanto, sempre desenvolveu esse museu. E, ao mesmo tempo, tem um jantar anual, que é os rugidos do Leão. Já lá foi. Onde já fui várias vezes como presidente da Câmara.
Eu não sou muito bem recebido, sempre. E lembro a primeira vez que foi lá o Frederico Varandas. Era na altura em que o Bruno Carvalho tinha saído. E então a Júvela estava toda contra. Porque ele tinha acabado com as claques, tinha mudado lá o sistema. Então foi um jantar. Quentinho. Em vez de ser rugidos, era para desabratar. Talher, pim, pim, sempre que ele falava.
Mas ele, de facto, é também um vencedor. Eu gosto de ter uma admiração por ele. Com coragem. Muito corajoso. E fez uma transformação no Sporting. E, sendo benfiquista, reconheço que fez um caminho correto. Que nós não podemos ter medo ir a um estádio por causa de clacos. Claro.
Quando vem estudar para Lisboa Jugo vai para o ISEG Estudar Economia, Gestão E depois fica cá o quê? Fica num quarto, fica numa residência universitária Fica num quarto Perto do ISEG Que fica ao lado da Assembleia A vida de Dom Carlos I
O ISEG é uma escola de referência na área da economia, formou muitos economistas. É uma escola que tinha o perfil ideal para aquilo que era a minha ideologia, que era um pensamento keynesiano, a importância da intervenção do Estado naquilo que é ultrapassar as diferenças sociais, a importância que o Estado traz. Sempre foi uma escola keynesiana, embora tivesse formado muita gente.
que de outras áreas de pensamento. E, portanto, foi a escola da minha primeira opção, podia ter entrado no Porto, podia ter entrado na Nova, mas entrei por opção. E, portanto, tirei o curso ali, onde criei muitos amigos também, onde tive professores de referência, mas depois tive sempre a ambição de voltar à leiria. A minha primeira experiência... Essa reação existia logo à partir? Sim, sim, sim. Não teria que fazer o meu trajeto ali.
tirar o curso e depois teria que tentar alguma solução em leiria. No início não fui logo. Estive a trabalhar na Companhia de Seguros Empérios, que agora já foi fundida com outras companhias.
E numa área muito interessante que era o resseguro. E, portanto, agora quando apanhámos esta lógica das tempestades é que se percebe, e importa-se explicar isto, quando há uma tempestade deste género em que os prejuízos são de mil milhões de euros ou de dois mil milhões de euros, não é uma companhia que paga. A companhia...
recebe o prémio desse seguro e depois distribui por outras companhias pelo mundo porque em caso de acidente, como foi agora, elas iriam à falência se fossem só nacionais e se não diversificasse o risco. Nós estávamos nessa parte do seguro e foi uma experiência interessante, mas depois voltei para a Leiria. Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, foi um prazer. Para acabarmos, vou dizer três palavras e o Gonçalo diz aquilo que lhe vai à cabeça logo, assim, sem preparação.
Incêndio. Assustador. Pandemia. União. Luís Montenegro.
Precisava de ter aqui uma palavra para o definir. Eu só o conheci agora, neste momento. Mas eu acho que ele pode surpreender daqui para a frente naquilo que é o processo de reconstrução. E, portanto, é para mim uma pessoa que tem enigmática neste momento. É aquilo que eu posso dizer. Amor. Isto de ligar o Luís Montenegro e o amor logo a seguir. Amor é a entrega. Gordalina.
É o meu apelido. Qual é a história desse apelido? Nunca tinha ouvido. Sim, tem algumas influências. É da sua mãe? Não, é do meu pai. É do pai. É muito difícil de pronunciar. É gordalina? É gordalina. Gordalina. E tem... E, portanto, tem... São poucas as pessoas que têm esse apelido. Muitas delas são daquela zona ali da Gândara dos Olivais, onde o meu pai era...
natural, e portanto a sua origem em termos de apelido não tem outra referência senão aquela ali, porque não é muito habitual encontrar este nome noutros pontos. O dia mais triste da sua vida? Posso dizer que o dia mais triste foi o dia da destruição, há três dias que marcam.
Três dias que marcam. A morte do meu pai, foi marcante, porque a minha mãe liga-me para ir buscá-lo, a casa que o pai está muito mal, está muito mal, e depois leva o hospital e ao final do dia já não volta. Foi uma coisa marcante. Como é que ele se chamava? Aníbal Francisco. E o incêndio de Leiria, que foi uma loucura.
É aquela perceção de que não conseguimos dominar aquela fera. E é mesmo uma fera? Nunca havia um incêndio? Não, daqueles incêndios, aquele incêndio é único. Já estive muitas vezes na linha da frente, na questão dos combates a incêndios, mas igual àquele não, porque era um dia de calor, com um vento fortíssimo, portanto, era arrasador.
E o terceiro dia foi, de facto, este o dia da tempestade de Cristina, em que transforma aquilo que é um projeto de vida, que é o projeto de vida de esta alheiria mais envolvida, onde a gente sente que há um retrocesso e, portanto, é um dia que marca, porque temos que pensar diferente aquilo que eram os nossos objetivos. Porque os objetivos que temos, do ponto de vista políticos, são objetivos também pessoais e, portanto, muito daquilo que acontece...
No território, para quem é autarca empenhado, sentimos sempre quando há um retrocesso. E, portanto, são os três momentos mais marcantes.
Mesmo, para acabar, agora, porque eu só te faço esta pergunta, porque o Gonçalo falou, queres ver que eu, ateu, num momento mais difícil, ainda por cima, com uma senhora brasileira a tocar-me, ou de repente com energias, e será que alguém me fez aqui algum bruxedo, se um vidente ou uma vidente lhe dissesse que um dia o Gonçalo chega a São Bento e vai ser primeiro-ministro, acreditaria?
nessa possibilidade? Não acredito. Há um pormenor engraçado que eu vou contar. Tem a ver. Uma vez a minha avó, a mãe do meu pai, é uma pessoa muito humilde, vivia da terra, chegou a pé de mim e disse que fui a abruxar ali da Barosa e ela disse que ia ter um neto, que ia ter muito sucesso. E eu às vezes lembro-me disso.
mas nunca disse o que é que iria ser nem que neto iria ser, porque ela tinha muitos netos mas ela disse-me a mim por algum motivo, se calhar era eu o escolhido da bruxa mas não acredito muito nessas questões mas neste momento o que sinto também é que não posso faltar e tenho que estar focado em leria, nem tenho outro tipo de ambições que não seja resolver os problemas do Conselho e tenho este mandato e tenho o próximo e tenho o próximo
Portanto, é ali que terei que dedicar as minhas energias. Já conto coroa bruxa da Marosa? Não. Gonçalo, foi um prazer. Obrigado. Muito obrigado. Foi mais um programa, mais uma conversa. Para a semana regresso com mais um convidado. E esta semana toda que entra com o puxal do dia. Muito obrigado. Obrigado.