Os Políticos Estão Viciados no ChatGPT? Triunfos, Barracadas e Fantochadas da Semana
No Episódio 35 do “Talvez o Contrário Seja o Mesmo”, analisamos os triunfos, barracadas e fantochadas da semana na política portuguesa e internacional.
- Desigualdade na distribuição do IRS em PortugalRedução da taxa efetiva de IRS · Concentração de rendimento em agregados de alto rendimento · Baixos salários da maioria da população · Incentivos fiscais para aumento salarial · Progressividade do IRS · Taxação do capital vs. trabalho
- Discurso político automatizadoPolíticos viciados em ChatGPT · Análise de discursos com IA · Maneirismos do ChatGPT em discursos · Produtividade e eficiência com IA · Ética no uso de IA por políticos · Transparência no uso de IA
- Conflito EUA-IrãUso da base das Lajes pelos EUA · Relatório da Amnistia Internacional · Participação voluntária ou involuntária de Portugal · Crimes de guerra em Gaza · Vassalagem de Portugal aos EUA
- Violência política nas democraciasAtaque a Donald Trump · Críticas de Trump à imprensa · Discursos de Trump sobre poder absoluto · Ataques de Trump a opositores e juízes · Autoritarismo nos Estados Unidos
- Significado do 1º de MaioOrigens do 1º de Maio em Chicago · Condições de trabalho no século XIX · Conquistas dos trabalhadores · Direitos laborais atuais · Lutas sindicais e transformação social
- Direitos TrabalhistasJornada contínua de trabalho · Despedimentos sem justa causa · Licenças de maternidade e paternidade · Baixa natalidade e incentivos
- Falta de TransparenciaDiscurso do Presidente da Assembleia da República sobre transparência · Perda de transparência na atividade política · Casos de falta de transparência (Spinoviva, Álvaro Sobrinho, António Costa) · Lei do lobby não regulamentada · Corporativismo na classe política · Monopólio dos partidos políticos
O camarada Ventura quer reduzir a idade da reforma. O camarada Montenegro quer a paz com o Putin. O camarada José Luís Carneiro quer reduzir impostos e aumentar reformas. Se a camarada Mariana Leitão vier para a semana dizer que é taxar os ricos, eu digo-te já que virámos todos comunistas de um dia para o outro. Completamente, completamente. Zé, nós vamos acabar isto. Nós é que somos direitos, Zé. Exatamente.
Nós somos direitos, nós não sabíamos isto. Avante camarada, avante, junta a tua nossa voz. Avante camarada, avante camarada, o sol brilhará para todos nós. Avante camarada, avante camarada, o sol brilhará para todos nós. Para que a noite quando estive...
A luz do dia, a felicidade, E o novo fã vai nascendo, Em nossas vases vai crescendo.
E o novo Estado vai nascendo em nossas vozes, vai crescendo um novo ídolo à liberdade. Bem-vindos ao 35º episódio do Talvez o Contrário Seja o Mesmo, um podcast semanal com o Tiago Gonçalves e José Maria Ptencourt. Esta semana voltamos a discutir os triunfos, as barracadas e as fantechadas da semana.
Esta semana vou começar eu. Eu, para triunfo, trouxe o 25 de Abril, os discursos do 25 de Abril. Infelizmente, o nosso bingo dos saudistas não deu em grande coisa. Portanto, tirando...
Tirando João Almeida do CDS, praticamente ninguém identificou aquelas novas pressões que nós tínhamos previsto que iriam ser utilizadas pelos chaldistas no 25 de Abril, o que são boas notícias. Significa que houve... Estão mais calibrados. Exato, e que há aqui um enorme apoio à importância da Revolução Portuguesa e da data na Assembleia da República. Perfeito.
Contudo, eu estive a ouvir os discursos no 25 de Abril e não deixei de reparar mais uma vez numa coisa que eu já falei aqui também no podcast variadíssimas vezes, que me está a irritar e a começar a incomodar e essa coisa é que os políticos portugueses estão absolutamente viciados no chat GPT.
Isto hoje em dia é impossível ouvir um discurso e não identificar naquilo que está a ser dito os maneirismos do chat GPT. E eu não sei se os políticos portugueses não percebem que os receptores do discurso também são eles próprios utilizadores da inteligência artificial e do chat GPT e do clode e de outros.
Ou simplesmente são ingênuos e acham que aquilo vai passar sem que ninguém repare. Ora, eu reparei... Eles estão a melhorar a sua produtividade, José, não é isso que nos estão a dizer. Sim, mas quer dizer, melhorar a produtividade é bom, a inteligência artificial está cá para ajudar, mas parece-me complicado que um político possa simplesmente ir ao chat do GPT e dizer olha, diz-me lá o que é que eu devo dizer sobre a importância do 25 de Abril.
Até porque os políticos têm assessores e têm speechwriters e têm tudo isso. Quer dizer, faz... quer dizer, ok, há mais... Assim aumenta a eficiência. Não é preciso estarmos com gabinetes intersecretariados e despichos. Metem lá o textecinho. Leem o textecinho. Eles já sabem também, 99% da população não está a ouvir os discursos quando estão a falar. E está despachado. É uma medida de eficiência. É, mas então eu espero ver os gabinetes dos ministros e dos políticos e dos deputados em geral para o próprio texto.
E o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto. Isso não tem nada para o próprio texto.
serem diminuídos também eu é uma plataforma de infecção artificial do software do governo do news web também estou à espera que haja um corte de pessoas eu já tinha falado aqui no podcast que o chat GPT, mas também os outros tem vários maneirismos que são facilmente identificáveis e isso tem que ver com recursos estilísticos tem que ver com construções frásicas que são muito o que o chat mobília
utilizadas palavras específicas, vocabulários, expressões. E já dei exemplos aqui no passado. O jargão técnico, por exemplo, é um exemplo muito comum. Eu faço recrutamento de trabalhadores para a empresa onde estou. E já na anterior também fazia.
E hoje em dia, quando vamos à parte dos skills nos currículos, toda a gente agora é especialista em cross-functional collaboration, porque é o que o chat GPT lhes diz, que é um skill absolutamente desejado. Para comprovar que efetivamente eu tenho razão e que estava a ouvir discursos gerados pelo chat GPT, eu dei-me o trabalho de fazer a transcrição dos recursos.
e colocá-las em duas plataformas que fazem análise de texto para perceber se houve ou não recurso ao chat GPT. O chat GPT é outra plataforma. Duas plataformas se chamam TextGuard e Zer GPT.
E fiz um gráfico para te mostrar quais dos discursos é que efetivamente recorreram com maior preponderância ao chat GPT. Houve quem não o fizesse, portanto que tivesse aqui uma parte residual, mas desde Mariana Leitão...
até Filipe Sousa, há uma grande parte dos discursos que foram feitos em chat GPT. Portanto, temos Mariana Leitão com 10%, depois Fabián Figueiredo e José Luis Carneiro com 13%, Hugo Soares com 15% e depois temos o top 3 com Inês Sousa Real 20%, Sua Excelência ao Presidente da República com 40% do seu discurso feito a partir de inteligência artificial e o grande vencedor foi efetivamente o deputado do JPP, Filipe.
Sousa com 67%. 67%. Ele também tem um gabinete pequeno, coitado. Tem um gabinete pequeno, exatamente. De todos, eu diria que Inês Sousa Real e Felipe Sousa é aqueles que eu compreendo melhor. Agora, Sua Excelência, o Presidente da República, com uma casa civil, assessores e tudo isso, vai à Assembleia, no 25 de Abril, fazer um discurso em que quase metade do mesmo é gerado a partir de inteligência artificial. Enfim. Isso.
Eu percebo o que estás a dizer, mas isto é o princípio do que vai ser sempre assim. Como é que as pessoas podem identificar isto? Eu já falei aqui de jargão técnico e de recurso a construções frásicas. Há uma que é muito, muito, muito, muito preponderante. Que é aquilo a que eu já chamei construções de contraste. Sabes o que é? Não. Desculpa. Então vê aqui este vídeo.
A liberdade não é um acessório, é o seu fundamento. Não é um dado adquirido. É uma construção diária. Não é uma opinião, são indicadores sociais. Não é uma questão administrativa, é um compromisso com a ética. Não está a resignar-se, está a sobreviver no mercado. Não é apenas um problema de mercado, é um direito. Não é um museu de boas intenções.
É uma oficina viva. Não foi uma imposição política. Foram os portugueses que o anteciparam. Não pertencem apenas ao calendário, pertencem à consciência. Não são apenas objetivos sociais, são exigências fundamentais. Não foi apenas uma mudança de regime, foi uma mudança de atitude. Não é só uma injustiça económica.
É uma perda irreparável. Não se fez para que nada mudasse. Fez-se precisamente para que tudo não é apenas um momento de história. É um compromisso. Abril não precisa de guardiões solenes. Precisa de cidadãos atentos, livres e com capacidade crítica.
Portanto, como consegues ver, isto não é isto, é aquilo. E há outros exemplos. Por exemplo, há um também de sintaxe previsível. Isto é o uso repetitivo de frases simples. Por exemplo, quando eles dizem a economia cresceu, a receita fiscal aumentou, o Estado lucrou. Pronto. O chat GPT também adora isto.
Portanto, também já o diziam várias vezes. A questão é, estamos todos a falar da mesma forma por coincidência, não é? Ou efetivamente houve aqui alguma coisa que alterou? E alterou, e isso é visível não só nos discursos políticos. Se tu fores ver artigos de opinião, de jornais, posts de LinkedIn, quer dizer, a praça pública neste momento está cheia de inteligência artificial.
E acho que a pergunta que se impõe é esta. Nós vamos querer uma sociedade em que toda a gente fala da mesma forma, toda a gente escreve da mesma forma, em que tu não consegues identificar um traço de personalidade, uma criatividade pessoal. A outra pergunta que nós já fizemos é essa. Estes tipos não têm assessores? Os jornais não têm redações que possam fazer este screening para ver o que é que é AI e o que é que não é? Das duas, uma. Ou os políticos já desistiram?
e estão apenas a deixar a máquina falar por eles ou então são simplesmente ingênuos e acham que nós não percebemos que isto está a acontecer eu acho que é uma mistura de tudo sinceramente, acho que é a nova tecnologia que entrou, poderosíssima a todos os níveis a todos os níveis
E uma sua pergunta estão-nos sempre constantemente a dizer, e estão a nível laboral, estão-nos constantemente a dizer quase todos os dias, nós temos que adotar a AI e temos que usar a AI, por isso temos mais produtivos e para melhorar e para melhorar e para melhorar.
Os políticos não são diferentes dos trabalhadores comuns e uma parte do trabalho deles é, efetivamente, escrever discursos. Certo, mas imagina... Talvez... Os políticos criticam muito os alunos nas universidades por causa da utilização da inteligência artificial, não é? Há muitos que até querem proibir. E depois eles fazem esse tipo de utilização. Com certeza, sim. Mas os alunos ainda têm que provar que estão aptos para trabalhar no mundo do trabalho.
Eles já provaram. E já tiveram as suas aulas, já estudaram e já o fizeram sem AI.
o donato da edição, que eles fizeram tudo sem AI, tal como nós. Fizeram tudo sem AI. AI veio para ficar, como uma vez falámos também no podcast, nós vamos ter que integrar AI. É inevitável entregar AI. Agora, se é ético ou se é legítimo um político que está a interessar só para eles usar AI, talvez para pessoas como nós que já têm a parte antes da AI ou estão vivendo no AI, talvez não muito. Para quem nasce no mundo totalmente da AI, sim. Sim.
Porque quem não usará aí nessa altura vai ser, epá, lá estão aqueles vejos do rostelo, que nunca usam, que estão ali para trás, são os retratores, e notou-se notográfico em aquele retrator, falta-se para trás, e afins. Quer dizer, por um lado não podemos estar constantemente a dizer a uma sociedade que tem que usar aí, tem que aumentar a produtividade, a produtividade, a produtividade, a produtividade, a produtividade, a produtividade, e depois quando um político usar aí e dizer assim, epá, realmente é uma falta de ética você estar a fazer um discurso com factos.
Porque se os prómetros forem bem utilizados, aí é uma ferramenta de investigação poderosíssima. Essa é a decisão aí, concordo contigo. Muito mais poderosa do que 50 pessoas numa redação. Mas nem tem nada a ver. Portanto, nós temos que arranjar aqui talvez um meio termo.
Mas eu não sei, eu não vejo com maus olhos usar-se ferramentas daí para fazer discursos para o país. Acho que tem que haver consequências, isto é, não pode haver os gabinetes que têm, não pode haver o número de pessoas que têm. Se conseguem poupar tempo para fazer discursos para uma nação, então tem que se focar mais em resolver problemas efetivos da nação.
Porque se nós formos a ver a quantidade de vezes que os políticos têm que falar e fazer discursos e dizer e refazer e defender-se e afins, isto não pode ser um trabalho de 24 horas de um político. Não pode ser. Portanto, é integrado. Não é bonito se ver. Não é, honestamente. Mas honestamente, olhando para o nosso povo...
Quem é que vai ter o trabalho que tu tiveste e ver se é AI ou não? Quem? Espero que ninguém se tenha esse trabalho. Ninguém se tenha esse trabalho. As pessoas nem ouvem os discursos. Mas repara, para mim aqui o que me irrita mais não é a utilização. Eu também utilizo, todos nós utilizamos inteligência artificial. Fica já aqui dito que há AI, eu uso AI para muita coisa. É fácil. Olha, até às vezes quando nós fazemos comparações de algumas coisas que queremos fazer na vida. Sim, sim, sim.
Dar orientações boas, claro que tem que-se ter sempre cuidado, tem que-se ter muito cuidado quando se usa, como é óbvio, porque se ela não tiver uma ponte contraditória vai sempre dizer o que nós queremos ouvir, como é óbvio. Portanto, é muito importante quando alguém está a usar essas ferramentas de tentar ter promos que digam sempre de ter opiniões consensuais, imparciais, de procurar fontes, de alargar o máximo possível de fontes para dar um texto coerente e justificado.
E eu acho que aqui há duas coisas que eu acho que eram importantes para além de tudo o que tu disseste é não fazer copy-paste o copy-paste é que é problemático o copy-paste é problemático o político pode utilizar a inteligência artificial para estruturar um discurso, perceber se ele está coerente, validar a informação que lá está, mas não fazer copy-paste
Sem lhe dar o seu toque pessoal. E a outra coisa é ser transparente. Olha, este discurso foi escrito com recurso à inteligência artificial. Com suporte de corno. E isto devia estar presente também nos jornais, nos artigos de opinião e tudo isso. Mas olha cá, muitos jornais já começam a ter que este texto... Para peças jornalísticas, para artigos de opinião, não. Não, artigos de opinião, pronto, são opiniões, não é? Quer dizer, também as eu percebo, também devia ter, exatamente. Mas para peças jornalísticas está lá, tem razão, tem razão, sim.
Bom, vamos avançar para o teu triunfo desta semana. Qual é que tu escolheste? Olha, o triunfo que eu trouxe esta semana foi o 1º de Maio.
Eu trouxe o 1º de Maio porque acho que é um dia importantíssimo para nós nos lembrarmos o que é que são os direitos dos trabalhadores e como é que era o mundo antes de começar a ouvir este, antes de existir este levantamento dos trabalhadores para ganhar mais direitos. E só quero clarificar aqui uma nota histórica que o 1º de Maio aconteceu em 1886 em Chicago.
portanto é engraçado num país que nós estamos sempre a ouvir sobre os trabalhadores e o capitalismo e trabalho, trabalho, trabalho, foi aí que começou o 1º de maio, é claro que o 1º de maio que ficou, que é uma data simbólica, histórica, com muito peso relevante não mudou a forma como é que os países, ou o Estados Unidos tiveram suas relações contratuais de um dia para o outro isto foi o processo mas foi aí precisamente nesse dia onde os trabalhadores operários de fábrica o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o que o
ergueram-se contra as injustiças daquela altura do mercado laboral. E até, efetivamente, houve um caso que é o caso Haymarket, que no meio da confusão alguém lançou uma bomba e morreram dezenas de pessoas e pessoas foram presas consequentemente. Foi um caso mau na altura. Até não sei se tem alguma relação, mas, por exemplo, o Dia do Trabalhador nos Estados Unidos nem se celebra em maio, se celebra-se em setembro.
Portanto, não sei se tem alguma conotação. Mas o que é que era importante perceber? Perceber porquê que este dia foi importante. No século XIX, tanto a Europa como os Estados Unidos tinham modelos de trabalho completamente diferentes, mas tinham alguns pontos semelhantes. Que não dá para fazer uma análise rigorosa porque cada país tem a sua realidade, mas dá para ter alguns pontos em que nós hoje damos como garantidos, que eles não tinham, nomeadamente.
Jornadas de trabalho muito longas, 12, 13, 14, 15 horas. Baixos salários, trabalho infantil, fraca proteção contra acidentes, ou quase nenhums. Para que eu não vi nada. Despedimentos fáceis, não havia acordos coletivos de trabalho, a negociação com o trabalhador era individual com o patrão.
portanto o padrão tinha um poder enorme sobre esta relação contratual, pouca proteção na doença, desemprego ouvelhice, repressão de greves em sindicatos, os sindicatos, como começaram a ver os movimentos socialistas na altura, não eram lá muito bem vistos, portanto houve uma forte repressão, ausências de férias pagas.
Por exemplo, a ausência de salário mínimo generalizado e a inexistência de negociação coletiva forte, como nós tínhamos falado há bocado. E com o 1º de maio, o que é que se conseguiu? O grande lema do 1º de maio foram as 8 horas. Isto é, 8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer ou de vida familiar. E nós, atualmente, nos dias de hoje, pelo menos aqui, vou falar para Portugal, porque o mundo não é todo diferente, temos isso.
Na generalidade dos casos temos isto. Não vou dizer que temos em 100%, porque há sempre que infelizmente quem se serviu deste modelo. E não foi só. Ao longo do 1º de maio e ao longo do século a seguir, foram implementadas outras coisas. Por exemplo, a semana de trabalho limitada, o princípio das 48 horas ou 40 horas, por exemplo, o direito ao descanso semanal, férias pagas, uma coisa que...
Todos nós, felizmente, temos isto, não é? Liberdade sindical, direito à greve, negociação coletiva, proteção contra despedimento arbitrário, se bem que agora estamos a tentar um bocadinho, pronto, escreimentos arbitrários, estamos a tentar trocar isso um bocadinho, salário mínimo, segurança na saúde e no trabalho, proteção social, proibição efetiva, e falámos na semana passada, pelo dia 5 de abril, do trabalho infantil, coisa que naquela altura era...
banal, a proteção de maturidade e parentalidade, igualdade e não discriminação. Portanto, nós temos aqui, temos que, mais uma vez, agradecer, e muito, às gerações que vieram atrás de nós, que lutaram para que nós tivéssemos alguns direitos. Lutar. Porque, na altura, nós todos podemos imaginar como é que era um ambiente fabril. Ou como é que era qualquer trabalho naquela altura, onde uma pessoa não podia dizer ao patrão que tinha que seguir mais cedo com medo de ser despedido na hora.
E nós agora temos essa proteção. Portanto, isto é mais uma vez. Como fizemos no 25 de Abril, quero agradecer muito mais a todas as pessoas que nenhuma delas está viva, como é óbvio, mas agradecer a todas as pessoas que lutaram contra isto, que tentaram criar um equilíbrio na relação entre trabalhador e empresário, porque nós estamos a beneficiar disto. Eu não consigo imaginar o que é que era trabalhar 14 horas por dia e não ter fim de semana.
Em condições absolutamente degradantes. Degradantes. Condições de trabalho degradantes. Portanto, é uma vitória. É um dia simbólico. É um dia para nos relembrar que se não houver proteção, se não houver coletivismo, se não houver as pessoas a trabalhar umas com as outras para um mundo melhor,
há sempre quem quer um mundo pior e uma relação pior. Eu acabei de dizer esta frase, mas não foi daí. Está bem? Foi agora que me vei até neste momento. Está bem? Não escrevi. Eu depois verifico no final. Verifica lá. Pronto. Diz-se também. E mais uma vez queria agradecer a toda a gente que lutou.
O Prima de Maio só foi celebrado como deve de ser em Portugal após os 48 anos dos 25 de Abril. Portanto, mais ou menos, muito obrigado. E nós temos que, mais uma vez, valorizar os direitos que temos e não estar constantemente a pôr em causa os direitos que temos. Porque...
Isto é fácil. Os empresários adorariam não ter que nos pagar para trabalhar. Isto é fácil. Eles adoraram ir ao regime voluntário. Adorariam. Mas nós temos que lutar contra isto. E temos fins de semanas. E temos proteção social. Portanto, mais uma vez, muito obrigado a todos, a todos, que lutaram para que isto fosse possível.
E eu agradeço-te a ti por teres trazido aqui esse contexto histórico, não é? E obviamente que subscreve tudo aquilo que tu disseste. Queria então só dar três notas rápidas. Uma sobre o passado, outra sobre o presente e outra sobre o futuro. O passado é muito interessante porque, pronto, as lutas sindicais aparecem depois da transformação social que aconteceu no pós-revolução industrial, não é? Sim, sim.
Os trabalhadores deixaram de estar tão ocupados no trabalho na agricultura, em setor primário, e começaram efetivamente a deslocar-se em direção às cidades e às fábricas. Obviamente no início, em condições absolutamente degradantes, não era só a questão da jornada contínua, mas...
as próprias condições de segurança e de higiene no trabalho eram absolutamente degradantes no início da Revolução Industrial. E o que é muito interessante perceber é que embora essas lutas tenham começado e tendo tido alguma intensidade no século XIX apenas no pós-Segunda Guerra Mundial
é que efetivamente este consenso relacionado com a organização do trabalho e a legislação laboral foi efetivamente, digamos, conseguida. E portanto nós estamos a falar aqui de centenas de anos entre o início da luta, depois da transformação tecnológica...
e a efetiva conquista de direito e isto é importante para o futuro e portanto eu vou passar o presente e já lá regresso, porque é que é importante para o futuro porque efetivamente o trabalho vai passar por uma fase de transformação gigantesca já está impulsionada obviamente pela transformação digital que aí vem, com a inteligência artificial e portanto era muito importante que os trabalhadores se unissem que as centrais sindicais se e
renascessem para este novo mundo e de uma forma proactiva começassem a abordá-lo com propostas... Porque é que são úteis. Exatamente. Porque nós temos muita gente uma sindicalizada no país. Exatamente. E a utilidade das centrais sindicais no século XXI não se vai medir apenas pela preservação dos direitos, que é uma luta importante, mas também pela conquista de novos e que efetivamente ajudem os trabalhadores de uma forma coletiva.
a passar por este processo de grande transformação. Ou seja, o que eu espero é que não demore 200 anos depois da inteligência artificial até que novos direitos e novas relações entre o trabalhador e o patronato possam ser estabelecidas.
E no que diz respeito ao presente, quer dizer, não deixa de ser irónico que nós deixamos a discutir hoje uma reforma laboral que, em muitos pontos, se assemelha àquilo que tu disseste, ou seja, à realidade antes das conquistas das lutas dos trabalhadores. Tu falaste dos despedimentos sem justa causa, não é? Sim, sim.
Mas, quer dizer, a jornada contínua de trabalho também é isso. A questão das 8 horas, não é? 8, 8, 8. Quer dizer, como é que nós, com uma sociedade altamente mais eficiente, mais tecnológica, mais produtiva, achamos que possa ser possível tantos anos depois?
voltar a pedir aos trabalhadores que possam ter uma jornada contínua de trabalho de 14 horas. Quer dizer, isto não faz absolutamente sentido. Mas também, como tu disseste, tens continuamente estado a dizer desde o ano passado, esta forma laboral, não vai passar porque até parece que o próprio mundo negro diz...
Não acaba se isto não passar. Agora parece que já não é importante. A direita portuguesa andou um ano praticamente a dizer que sem isto Portugal não avançava. Agora, pelo registro, já não tem importância nenhuma. Isto agora já não é no país não morre. Portanto, quer dizer que aquilo que nós tínhamos efetivamente não era mau?
Não é mau? Até provavelmente em alguns casos podia ser melhor, como por exemplo as licenças de maternidade e paternidade deviam ser no mínimo de 6 meses cada pessoa, ao mesmo tempo sem discussão possível pagos a 100%
Por exemplo, uma coisa simples. Uma coisa simples. Em vez de se olharem para isso, estão-se tanto a queixar da natalidade, e que é a baixa natalidade, e a baixa natalidade, e a baixa natalidade. Ora, isto pode ser um incentivo. Pode ser um incentivo, mas não. Ninguém discute isso. Só estão mais preocupados, muita gente está mais preocupada que haja uma substituição cultural por causa dos imigrantes e não fala disto. Mas pronto, tudo bem. Isto, infelizmente, o tempo é muito forte.
Muito bem. Muito obrigado. Feliz 1º de Maio para ti. 1º de Maio. Feliz 1º de Maio. Diria para continuares tu com a tua barracada da semana. Ok. Eu a barracada da semana. Houve muitos barracados esta semana. Houve sim senhor. Houve muitos barracados esta semana. Mas por exemplo queria dar uma nota que a Ana Aborinhosa vai pedir desculpa pelo comportamento que ela...
que ela teve. Não gostei nada de que três deputados, dois ou três deputados do Chega fossem nomeados para o Conselho de Opinião da RTP, sendo que o Lhoso até tinha alguma ligação com outro jornal. Acho isso estranhíssimo. Terrível. Não gostei nada de ver também que a RTP deu prejuízo, mas pronto, também é uma empresa pública.
que está aqui, mas os haters da RTP costumam ir ao nosso podcast, vão agora dizer, estás a ver? Estás a ver? Vão lá para os comentários todos, mas a RTP quando, na minha opinião, tem que ser pública e até nem devia ter qualquer tipo de publicidade era tudo direto, mas não gosto desta ingerência política na RTP
Com uma vantagem. É que a RTP ao menos sabe-se quem é que lá está a dar as opiniões políticas e eu não sei os acionistas das outras. Portanto, isto é muito importante. Relativamente a... Não, mas espera aí. Se estamos a fazer um poupo ri de barracadas sobre as quais não vamos discutir, eu queria só dar mais duas. Tivemos o Primeiro-Ministro de Portugal a defender que Putin vá ao G20 numa tentativa de restabelecer o diálogo.
E tivemos também o camarada Aventura a defender a redução da idade da reforma. Portanto, enfim, acho que a política portuguesa... O mundo mudou. Exatamente. O mundo mudou. O mundo mudou. Exatamente. O PSD ficou com tendências, pronto, assim um bocadinho mais baixas. O PSD chega a ficar com uma tendência de esquerda.
E nós vamos acabar estes anos todos a chegar à conclusão que o bloco é de extrema-direita e o PS é de certa-direita. Não, eu acho que... E o PCP é que originou o fascismo. E nós vamos chegar...
Eu acho que tu estás a ver a coisa mal. Portanto, o camarada Ventura quer reduzir a idade da reforma. O camarada Montenegro quer a paz com o Putin. O camarada José Luis Carneiro quer reduzir impostos e aumentar reformas. Estou-te a dizer. Se a camarada Mariana Leitão...
vier para a semana dizer que é taxar os ricos, eu digo-te já que acho que virámos todos comunistas de um dia para o outro. Completamente, completamente. Zé, nós vamos acabar isto. Nós é que somos direitos, Zé.
Nós somos direitos, nós não sabíamos isto. Exatamente. Eu nunca vi o socialismo escondido de tanta gente a vir agora ao de cima. Pronto. Mas vá, vamos à tua barracada. A minha barracada, primeiro quero salientar que violência na política não deve ser, não deve existir. Não deve existir. Simplesmente não deve existir. Tem que ser sempre condenada, independentemente de quem está no governo, quem está no poder, independentemente do quadrante de onde as pessoas originam.
Quer condenar o ataque a Donald Trump? Felizmente falhou. Mas eu quero salientar a barracada que ele mais uma vez, ele e a Melania, tenham pedido o despedimento do Jimmy Kimmel. Por uma piada que ele fez antes do acontecimento, onde eu ia entender, por causa da diferença de idades entre a Melania e o Trump, que ela era uma viúva de esperanças.
O nível de expressas. Eu e o Trump, o Trump e a Blaine emitiram um statement, fizeram a Natural Social, escreveram, quer dizer que ele tem que ser despedido, que isto é uma vergonha, que é uma pouca vergonha, mas eu queria só fazer aqui uma pequena análise deste mandato do Trump de algumas frases que ele disse. Algumas frases que ele disse. Uma delas é, He who saves his country does not violate any law.
Portanto, desde que seja para defender o país, está acima de qualquer coisa, para fazer o que lhe apetecer. O que lhe apetecer, basicamente. Outra seria que long live the king.
Por exemplo, é estranhíssimo um país que andou a lutar contra a monarquia para ser independente, a dizer que está-se a achar que eu sou o rei e que tem o seu poder absoluto. Isto, num país que, propriamente... Long live the king a falar dele próprio. Dele próprio, long live... Atenção, dele próprio. Ele vê-se como um rei num país que teve que lutar para ser uma monarquia do império. Brutal. Outra que, então, é claro que ele nunca acha que é mal nenhum, que é, the US will take over the Gaza Strip.
Parece que os Estados Unidos é que vão andar a invadir Gaza. Mais uma. Depois, outra, que nós tocamos particularmente aqui na Europa, que os Estados Unidos precisam da Grunelândia. Não foi uma vez, não foi duas, não foi três, não foi quatro, não foi cinco, não foi seis. Foi uma data de vezes que ele próprio precisava da Grunelândia. A ofensa total a um Estado soberano. O Canadá é o 51º Estado.
Na boa, mas ele pode dizer tudo. Na boa, pode dizer tudo. Chamou, no dia 26 de maio, de Memorial Day, chamou opositores e juízes de scum, monsters e USA hating judges. Opositores e juízes são scum.
E que, pronto, odeia os Estados Unidos. Tudo bem, é só o presidente, é só o presidente do suposto país mais poderoso do mundo. É só isto. Só isto. Outra, quando houve uma, sob a mobilização da Guarda Nacional para, se não estou em erro, foi para Washington, acho eu, disse que crime, savagery, filth and scum will disappear. Então, pessoas que possam estar a protestar são scum.
Tudo bem. E depois, um bocadinho mais recente, não, desculpem, do ano passado, I have the right to do anything I want to do. I'm the president. Portanto, separação de poderes, justiça... Toca a andar. Um rei absoluto ditadorzinho, que só não se chama ditador porque...
Ainda parece mal. Depois, outra que foi mais para dar a leal fintada. Merry Christmas, including the radical left scum. Só se o governo é de 300 e tal milhões de pessoas. O que é isso? Por amor de Deus. E pronto, e depois vem este senhor. Que já tem alguns traços de demência. Podia que o Jimmy Kimmel, um humorista, seja despedido.
Tanto Jimmy Kimmel, que não tem qualquer tipo de papel legislativo, executivo, do país, não é juiz, não é deputado, não tem poder, tem só o poder da comunicação, alguém de nós podemos concordar que até é mais poderoso que o poder político, fez uma piada e alguém, como Donald Trump, que diz que é libertário e é liberdade, e tudo, diz que não, não, tem que ser despedido porque fez esta piada só porque ele diz que a Melania, ele tem mais não sei quantos anos que a Melania, está a esperar que ele morra. Obrigado.
Acho estranho, acho irónico, acho que é uma barracada, porque demonstra como é que a extrema-direita, ao longo do mundo, se nota que é, pode dizer o que lhe apetecer, mas quando é criticada, são os calimers. Exatamente. Completamente calimers e... Calimers e, repara, e com pouco tino e... Vou dizer isto de uma forma simples. São burros, porque a interpretação que eles fazem da piada do Jimmy Kimmel...
Nem sequer é certa. Não tem dado nenhuma coisa que acabou. Ele está simplesmente a fazer uma referência ao facto do nonão Trump ter a idade para ser pai da Melania Trump e, portanto, é expectável que venha a morrer antes dela. E também é expectável que não vá durar mais 20 anos considerando que já tem 80 e tal.
Exatamente. É esta a piada. Mas pronto, ficou muito ofendido e pediu a admissão dele. Mas pronto, para mim é para a cara. Queria só dizer duas coisas. Eu já falei aqui há muito tempo atrás sobre o ataque que está a ser feito pela administração de Trump à liberdade de imprensa e à liberdade dos média. E muito interessante, à liberdade de expressão, que é aquilo que nos Estados Unidos, no fundo, agrega todos estes conceitos.
E este ataque é efetivamente feito pelas pessoas que se advogam como os principais defensores da liberdade de expressão. Portanto, tudo isto é uma hipocrisia. E eu falei na altura quando duas coisas estavam a acontecer. Primeiro, a tomada...
por parte de amigos da administração, de oligarcas, a tomada do poder em variedíssimas empresas dos médias americanos, isso aconteceu. A grande maioria das grandes empresas de média nos Estados Unidos e de produção de conteúdo já estão nas mãos de amigos de Donald Trump neste momento. Isso é muito problemático. E depois já tinha havido o caso do Stephen Colbert e do Late Show. Late Show é uma instituição na comédia americana.
que foi despedido, portanto o Stephen Colbert foi efetivamente despedido por imposição de Donald Trump, também por causa da sátira política que faz a ele. E isto é muito grave, que efetivamente sem uma liberdade de imprensa, uma liberdade de expressão...
nos Estados Unidos aquele país está a encaminhar-se rapidamente para um país autoritário, também visível noutras coisas, saiu esta semana a notícia de que o Donald Trump vai imprimir a sua cara em passaportes é verdade quer dizer, isto está, aquele país está a caminhar para o autoritarismo aos nossos olhos e continuamos todos a subir para o lado não é?
queria só dizer não é o nosso país como é o nosso país olha só sei o pessoal todo cá deste lado do Atlético é todo grande amigo do MAGA e de extrema direita não estão em silêncio agora queria só comentar a questão da violência na política porque embora eu subscreva também por completo o que tu disseste sobre o atentado ao Donald Trump
E não subscrevendo eu teorias da conspiração que até são interessantes. A teoria da conspiração... Ele é que anda a provocar isto tudo. Não, o interessante das teorias da conspiração é que elas têm sempre um fundo de verdade. É por isso que são tão aliciantes. Talvez, talvez. Mas eu não as subscrevo. Não as subscrevo. Agora, o que eu também não subscrevo...
é esta ideia de que Donald Trump passa a ganhar autoridade para vir fazer a crítica que faz. Tu deste veridíssimos exemplos de como ele efetivamente, dentro de portas, tem sido um instigador da violência política, e portanto, tendo sido instigador da mesma, não se pode agora vir a regar de vítima. Tu não falaste duas coisas importantes. Isto tudo começou em Charlottesville, quando houve aquela violência.
nas ruas. E ele veio dizer havia tipos bons dos dois lados, quando nós sabíamos perfeitamente de onde é que estava a vir a violência e não nos podemos esquecer da violência testada com a polícia ICE. Ah sim, é assim então? É assim então? Isso nem tem. Obviamente que uma coisa não justifica a outra e eu acho que quem defende o espaço democrático deve obviamente ter uma questão para o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio o próprio
ser um pacifista, fazer uma luta, como por exemplo as marchas de No Kings e tudo isso. Agora, efetivamente, quem é instigador da violência política não se pode depois arrogar como vítima. E fora de portas é igual.
O Papa, Gaza, o Irã, a Venezuela, o homem raptou um líder de um Estado. Sim, sim. Esta última imagem que ele diz que agora no more must the nice guy. Uma arma na mão. E depois ficou ofendido porque alguém diz faz nenhuma piada sobre ele. Enfim, é o mundo que temos, é a incoerência que temos e vamos ter que navegar nele, que remete.
Olha, por falar em coerência e em mundo que temos, eu para Barracada trouxe uma entrevista, Paulo Rangel deu uma entrevista à RTP Notícias esta semana. E Paulo Rangel nessa entrevista repetiu dez vezes a mesma lenga-lenga na entrevista à Vítor Gonçalves na RTP Notícias. Ele disse dez vezes, Portugal não está envolvido, não apoia e não subscreve o conflito no Irã.
Ora, eu tenho dificuldade em perceber como é, e esta frase já tinha sido também dita por Luís Montenegro no passado, portanto esta é a versão oficial do governo português em relação ao conflito. Só que ela é falsa. É o chat-sept, exatamente. Só que ela é falsa.
É falsa, inclusive esta semana, ou a semana passada, houve um relatório da Amnistia Internacional que efetivamente denuncia a possibilidade de Portugal estar a ser, estar a participar, voluntária ou involuntariamente, isso depois depende, não é, daqui da noção causal, neste conflito, a partir...
da disponibilização da base das lajes aos Estados Unidos. E eu queria aqui relembrar, relembrar, que a intervenção militar dos Estados Unidos no Irão, juntamente com Israel, acontece no dia 28 de Fevereiro. Só no dia 2 de Março é que Paulo Rangel vem apresentar ao país
As condições dessa utilização, onde Paulo Rangel diz, por exemplo, os Estados Unidos só podem utilizar a base das lajes para responder a uma contra, a uma resposta do Irã. Mas a realidade é que nós...
No dia 23 de Fevereiro, portanto, antes da intervenção militar, já tínhamos denunciado aqui, e estava publicado em variadíssimos órgãos de comunicação social em Portugal, o contingente militar absolutamente estratosférico que estava estacionado e em trânsito a partir das bases das artes. Portanto, a não ser que Paulo Rangel venha garantir...
que o movimento que se passou na base das lajas antes do dia 28 de fevereiro não teve nenhuma consequência depois no ataque que acontece nesse dia e nos dias consequentes até ao dia 2 de março, ele está a mentir e Portugal esteve envolvido. E é isso que vem dizer a Ministria Internacional, inclusive há neste momento uma petição da Ministria Internacional publicada para que se possa impedir.
no futuro que Portugal esteja envolvido desta forma neste conflito e que a utilização da base das lajes possa ser limitada. E, portanto, ver Paulo Rangel a dizer isto, quer dizer, é mais uma mentira em cima de uma mentira, em cima de uma mentira, no fundo, para sustentar aqui uma narrativa de Estado que não tem adesão à realidade. Relembrar.
Só para terminar que, efetivamente, desde o dia 22 de fevereiro até ao dia 28, passou muito material bélico na base das lajes, e que no dia 28 de fevereiro houve um ataque a uma escola.
Um ataque a uma escola que matou centenas de pessoas, a grande maioria de crianças, claramente dentro daquilo que se coaduna como um crime de guerra. E portanto, Portugal não está só envolvido na guerra no Irã, Portugal pode estar envolvido em crimes de guerra. E isto é gravíssimo.
Isto é gravíssimo. E, portanto, custa-me muito ver Paulo Rangel a querer, no fundo, limpar a sua consciência, a consciência de Portugal, mais uma vez, com este tipo de discurso. Aquilo que mais me checou na entrevista, e que eu, a ser verdadeiro, já não confio na palavra de Paulo Rangel, mas a ser verdadeiro é ainda mais grave.
Porque o que ele diz é que esta utilização por parte dos Estados Unidos da base das lajes condicionada...
foi alvo de acordo também por parte do Chega e do Partido Socialista. Portanto, no fundo, o que nós temos aqui é um enorme acordo do sistema em relação a uma situação que é absolutamente inaceitável. É absolutamente inaceitável e a mim...
Acho que isto mostra uma coisa que nós não quisemos ver durante muitas décadas, ou que sabíamos, mas não quisemos dar importância, e que nós fomos vassals dos Estados Unidos. Quer que estemos, quer não, nós como país, como Europa, só agora é que estamos a conseguir ter uma voz mais ativa nesta relação com os Estados Unidos.
que eu não acredito, eu não acredito, eu acho que houve um podcast que eu já disse isto, eu não acredito, se o governo português tivesse dito que não, não usem a base das lazes, eu não tenho ideia da pressão que os Estados Unidos iam fazer para conseguir usar a base das lazes. E este é que é o problema, este é que é o problema. Nós temos um acordo de décadas com os Estados Unidos que está bem limitado, está escrito.
Mas eu não sei efetivamente, nesta relação, o que é que nós realmente podemos dizer para eles fazerem ou não. Podemos dizer que não. Podemos dizer que não, mas a consequência é, dizemos que não, e aqui é o problema a paz da Europa, dizemos que não aos Estados Unidos, como, atenção, e volto a dizer que há muita boa gente continuar a dizer que a Europa não tem capacidade para ser independente dos Estados Unidos. Nível militar, nível infraestrutura, a nível digital, nível de soberania.
Mas eu pergunto-me isto é um caso concreto, em que nós estamos associados a crimes de guerra.
em que nós não conseguimos dizer que não. Ou pior, não conseguimos dizer que não, ou não quisermos dizer que não. Eu acho que é mais a segunda, porque tu tiveste casos na União Europeia que disseram que não, Espanha, Reino Unido... Espanha e Reino Unido, mas a Espanha concordam, efetivamente, concordo, mas, pá, eles têm outro tipo de poder social que nós não temos, só pode, não podemos esquecer que o território europeu mais próximo dos Estados Unidos...
Não sei se é por causa que tem a Grunlândia. Mas a nível da Atlântica, o nosso? O nosso?
Portanto, nós temos aqui uma relação super desequilibrada. Não tenho ideia, se nós quiséssemos dizer que não, o que é que os Estados Unidos fariam? Retiravam lá as forças da base das lajes? Qual é que isso implicaria para a economia local? O que é que aconteceria aquelas pessoas que lá estão? Se nós tivéssemos uma coisa inteligente, já devia ter sido feita há muito tempo, que é a base das lajes deixa de ser americana e passa a ser uma base da NATO.
onde podem estar suecos, franceses, ingleses, espanhóis. Isso era uma coisa diferente. Mas não, a base das lares é, efetivamente, soberania norte-americana. E nós temos que rever isto urgentemente. Substituam os militares americanos por militares europeus. Metam lá a parte europeia.
Não podemos compactuar com isto. Está claro que quem mora lá pode fazer N vídeos quando lhe apetecer e só ver os aviões. É só estar lá, olha. E como no outro dia anunciaram, e há duas semanas, quando havia aquele drone, aquele raptor, ou aquele drone assassino que ia passar por lá também, é só filmar. É só sentar e filmar.
E vê, portanto, mudem a parte jurídica, mudem o tipo de militares. E vi hoje uma notícia a dizer que, como o chanceler alemão disse que os Estados Unidos estavam a ser humilhados no Irão, o Trump já está a ponderar a tirar tropas americanas da Alemanha. Força! Força! Tirem! Como tu vês, nós não podemos, eu acho que a Europa não pode continuar.
a tratar os Estados Unidos como, olha, uma expressão de Trump, um aliado fiável. Um aliado fiável. Porque mesmo quando os Estados Europeus têm uma atitude subserviente em relação a Donald Trump, nunca vai ser suficiente.
Porque ele vai sempre exigir mais. Repara, nós começámos por aceder aos 5% do PIB na defesa. E mesmo assim, depois disso, já tivemos o caso da Grunlândia. Tens agora o caso espanhol, onde esta semana também, a PIT Hagsack, quer dizer que tem que se começar um processo para que a Espanha possa ser suspirada.
suspensa da NATO. Tiveste Donald Trump a ameaçar retirar os militares da Alemanha, quer dizer, não vale a pena. Com um bully, não se diz que sim. Não vale a pena.
Claro que sim. Claro que sim. É isso mesmo. E nós temos que mudar a nossa atitude. E é isto que nos está a faltar. Acho que estamos a caminhar nessa direção. A Europa aos poucos está a fazê-lo. Com muita cautela. Muita cautela. Mas temos que continuar esta direção porque temos que garantir a soberania europeia e temos que estar afastados destes casos.
Muito bem, Tiago. Então avancemos para as fantochadas. Pode ser? Sim. Eu queria trazer aqui uma fantochada que foi um artigo do ECO que saiu esta semana sobre o IRS de 2024. Este artigo analisa o IRS entre 2022 e 2024 e...
Chegou-se à conclusão que em 2022 a taxa efetiva de IRS era de 13,05% e em 2024 foi de 11,65%. Portanto, traduz-se uma redução efetiva da taxa de IRS e, ao mesmo tempo, houve efetivamente mais contribuições de rendimento declarado naquele triângulo. Podemos concluir que... Um...
Em média, houve mais rendimento disponível para as pessoas. Em média, eu vou dizer isto em média, porque isto não acertou, não foram para todas as pessoas, em média, e que realmente houve até mais rendimento declarado. Mas, porquê é que eu trouxe aqui esta fantocheada? Portanto, o IRS tem diferentes escalões, tem escalões que vão até aos 10 mil euros, que vão entre os 10 mil e 19 mil euros, 19 mil e 40 mil, 40 mil e 100 mil e depois mais de 100 mil euros.
da percentagem de agregados com IRS liquidade, isto é, IRS validado pelas finanças, a percentagem de agregados com rendimentos superiores a 100 mil euros, a 100 mil euros, foi de 3,69%, que representam, e isto é que é importante, representam 35,10% do IRS liquidade.
Se nós baixarmos um escalão, isto é, o escalão dos 40 mil a 100 mil euros, o número de agregados, a percentuais agregados com IRS liquidado foi de 22,35%.
que equivale a 41,67% do IRS liquidado. Isto, somando neste escalão, dá mais ou menos à volta de 7.210 milhões de euros e no escalão a seguir dos mais de 100 mil euros, 6.073 milhões de euros. Portanto, esta porcentagem de agregados que não chega aos 27% para o resto.
deve-se ser tais dos agregados do IRS de equidade, e que equivale a mais de 70%, atenção, a mais de 70% do IRS de equidade, isto de 2024. Atenção. O que demonstra que o resto da população, efetivamente, tem salários tão baixos, tão baixos, tão baixos,
que não consegue contribuir de forma, não consegue, não tem capacidade, para contribuir para o IRS do país, o peso está em cima de uma porcentagem muito mais baixa. E isto é preocupante. É extremamente preocupante. Isto não é novo. Isto nós vamos ver, provavelmente, as distribuições do IRS da equidade nos últimos anos. É mais ou menos isto. E isto é o que o país tem que efetivamente mudar.
Não é mudar para dizer que as pessoas estão com o escalão até aos 10 mil euros, entre os 10 mil e 19 mil euros, por aí que têm que começar a pagar IRS à maluca. Não, tem que começar a haver incentivos, benefícios fiscais, para aumentos salariais e focarmos numa transação mais simples para que estes escalões possam passar.
para qualquer coisa de IRS. Nós não podemos continuar. Eu vou repetir o número, porque isto é de... Nós só temos em Portugal do IRS liquidado 3,69% dos agregados acima dos 100 mil euros. Acima dos 100 mil euros. Que contribuem com 35,10%. Não pode ser. Não pode ser porque isto a longo prazo, e aliás, do prazo que há agora...
leva a que as pessoas comecem a pensar numa injustiça social, que há uns que são muito mais acreditados, que são muito mais taxados que outros. O nosso IRS é muito progressivo. E isto, nós temos que pensar que temos que redistribuir isto um bocado.
E, lá está, não é taxar quem não tem, é criar condições para quem não tem, não pode ser taxado, consiga elevar os seus ordenados para começar a ter uma transição suave, mais suave, também tem que se fazer dessa maneira, para conseguir contribuir de certa forma. É muito desequilibrado, é extremamente desequilibrado e é, na minha opinião, é uma fantochada porque, apesar da notícia de começar uma coisa boa...
a dizer que a taxa de efetivo abaixou em 2024 de IRS, temos este desequilíbrio total nos nossos contribuintes. E isto não pode ser para um país justo e para um país que quer crescer, que toda a gente possa ter a sua vida, não pode ser.
Eu subscrevo praticamente do que tu disseste. Portanto, esse retrato mostra-nos duas coisas. De facto, há uma grande parte da população portuguesa que é pobre. Que é pobre. E, portanto, como tu dizes, tem que haver incentivos para aumento de reais dos salários. Isto não pode continuar assim.
E esse aumento real dos salários para essa parte da população que é pobre não pode ser feita pela via fiscal. Ou seja, como tu dizes, já não há lugar a pagamento de IRS. Portanto, tudo aquilo que a direita portuguesa tem vendido, e desde que Montenegro lá está, e o próprio Partido Socialista tem a mesma política de baixa de IRS para escalões mais baixos, na realidade essas pessoas já não pagam. E portanto, o que tem que haver é uma valorização dos salários.
E a outra parte da história também é real, e eu conheço-a bem, tu sabes, o que tem que ter feito.
nós não podemos continuar a tratar como ricos quem não é tu não podes colocar o peso todo da despesa do Estado em Portugal nos ombros daqueles que ganham não chega a 27% se tomarmos os úteis nos calunhinhos não pode ser impensável essas pessoas não são ricas o suficiente para conseguirem exercitar
alicerçar o Estado português. Tu falas em 100 mil euros, é verdade, mas aqui é agregado. É agregado. Se um casal recebe 50 mil euros cada um brutos, são multimilionários em Portugal. Não são indivíduos. Nós só temos um caminho para resolver o problema da sustentabilidade do Estado.
social na Europa é reduzir as taxas de imposto sobre o trabalho e aumentar a taxa de imposto sobre o capital. É só isto. Nós temos que ir pescar a riqueza onde ela está a ser gerada e distribuí-la. Plenamente. Com uma ressalva. Essa taxação tem que ser global.
não pode ficar por Portugal alguém tem que dar o tiro de partida alguém tem que dar o tiro de partida alguém tem que dar o tiro de partida porque o mundo não vai querer avançar nessa direção e uníssono sem que haja um guinea pig exatamente mas lá está eu só espero que nós podemos ser o guinea pig agora não podemos ser o guinea pig durante 10, 15, 20, 30, 40, 50 anos
É pá, mas vamos começar. Passamos uma coisa. Nós precisamos. A riqueza está tão mal distribuída neste mundo.
E há tantos superfúgios onde essa riqueza pode ser colocada que não tem que deixar rigorosamente nada. E aliás, como muita dessa riqueza também é completamente virtual, que são ações, que são obrigações, que não existe. Não existe. É um número num sistema. Não existe. Nós nem conseguimos deixar isso. Nem conseguimos deixar isso. Não tentamos. Não. Mas podemos tentar. Mas lá, mais uma vez, tem que ser global. Não vale a pena Portugal começar com isso e depois alguém dizer assim eu meto a minha morada em um sítio X e não pago.
Não vale a pena. Quer dizer, por isso é que eu digo, tem que ser mundial. Isto vai ter que acontecer muito mais rápido do que as pessoas estão a pensar. Muito mais rápido mesmo. Porque não vai haver rendimento. Quer dizer, como é que nós vamos taxar rendimento se daqui a 5, 10, 15, 20 anos o estilo de trabalho vai mudar? Como é que se taxa rendimento? É uma AI. Não existe. Como é que se vai buscar uma TSU?
É uma AI. Não existe. Portanto, abram os olhos. A pirâmide como está agora em Portugal na distribuição do IRS. É uma bomba relógio. Isso é uma bomba relógio. E mais uma vez, e depois há um problema em Portugal, porque é como tu disseste muito bem, que isto é a percepção do que é que é rico e o que é que não é rico. O segundo escalão mais alto é de 40 mil a 100 mil euros.
de agregado, portanto, um casal como do Sérgio Simulto Bense, para caso, os dois ganham 20 mil euros cada, já está a ser o segundo escalão de IRS de liquidade mais alto. Quer dizer, parece que as pessoas são ricas, não é? Eu já ouvi muita gente a dizer aqui em Portugal que, acima de salários normais, 2 mil euros. Isto é sempre bruto, não é líquidos. É bruto. Uma pessoa ganhar 2 mil euros líquidos em Portugal.
Mas, são ricos, têm uma boa vida. Isto não é assim. O mundo está a encarecer a olhos vistos. Tudo encarece a olhos vistos. A política de baixos salários não funciona. Eu tinha aqui esses dados para dar, porque saíram esta semana, saiu agora, recentemente, os dados da inflação do Instituto Nacional de Estatística. Em abril, a inflação já é de 3,4%. Tchau.
nos últimos dois meses aumentou 0.4 0.5 se num cenário que eu espero que seja distópico mas se a inflação aumentar 0.4 por mês até ao final do ano, nós chegaremos ao final do ano com uma inflação nos 6 7% e portanto os 3.4 já é dramático
A energia aumentou 12, os produtos alimentares aumentaram 8. Se nós continuarmos a este ritmo, isto vai ser absolutamente destrutivo para as famílias portuguesas. Completamente. E ver o primeiro-ministro desvalorizar uma situação destas, eu fiquei que ó. E queria só dizer-te uma coisa que achei muito interessante, porque eu que estudei teoria económica, estudei gestão, estudei tudo isso, sempre me disseram que as taxas de juros...
normalmente aumentam, portanto a taxa euro e bor aumentaria quando aumentam as taxas de juros e que o Banco Central Europeu aumenta as taxas de juros para controlar a inflação. Esta semana saíram duas notícias contraditórias. A primeira foi que o Banco Central Europeu não vai aumentar as taxas de juros, mas nós já estamos a ver aumentos de euro e bor.
E eu fui tentar perceber porquê. Porque os bancos já estão a antever o que vai acontecer. E, portanto, como eu estou a antever, vou já encarecer o crédito à habitação das famílias que já estão a passar dificuldades. E eu pergunto para onde é que vão esses lucros? Se irão os resultados da Galp também, que também antevê em contratos futuros que o preço do petróleo vai aumentar e, portanto, também o reflete.
Eu digo-te uma coisa. É exatamente aqui que nós temos que ir. Isto é indecente. As pessoas estão a passar mal. Os trabalhadores estão a passar mal. As pequenas e médias empresas também estão a passar mal. E há muita gente que continua a ganhar muito dinheiro com isto sem que haja aqui, efetivamente, uma vontade de querer corrigir o problema.
Exatamente, e quando nós vemos que há muita gente a ganhar dinheiro com isso, não são estes agregados. Não, claro que não. Não são estes agregados. Eu tenho muito receio que o pessoal pense que as pessoas pensem que são estes agregados familiares. Não são nada. Vejam os lucros da TAP. Desculpem, da GALP. Vejam os lucros da EDP.
E isto não pode ser, não podemos continuar a ter pessoal a dizer que, epá, não, isto é um mercado a funcionar, é assim que é, são lucros deles, lucros que trabalham para estes lucros. Não foi nada. Não foi nada. Eu gostava muito de ter um negócio. Eu gostava muito de ter um negócio que criasse a dependência às pessoas, não é? É muito simples criar uma dependência às pessoas, nomeadamente deslocações, e estar só sentado a dizer, com certeza, o preço vai aumentar daqui a seis meses, vou já preparar-me. Qual é a dificuldade de ir a um negócio destes?
Qual é a dificuldade? Quando uma pessoa tem a necessidade, quando a população tem a necessidade daquele produto, que não consegue viver sem aquele produto, efetivamente, qual é a dificuldade de gerir um negócio desse? E muitos deles operam em regimes de oligopólio ou até memopólio. Ou completamente. Isto é facílimo. Isto faz algum sentido. E não se me dissessem que eram empresas de um mercado altamente correncial de produtos opcionais.
Porque as pessoas não precisam mesmo deles para comprar e estão ali a lutar uns com os outros para conseguir ter o melhor preço. E nem percebo esses. E nem percebo esses. Agora, GAPs, EDPs, NTSs, que não têm que fazer nada para ganhar dinheiro. Criticam tanto a RTP e criticam tanto o Estado só tem que estar sentado e receber os impostos e não sei o que. Então, e estas? Ninguém critica. É normal. É normal.
E nós podemos discutir a eficácia, mas o Estado arrecadar um imposto, em teoria, isso pode ter uma função redistributiva. Mas é essa a ideia do imposto. Supostamente é essa a ideia dos impostos. O ganho estratosférico dos lucros da Galp só vão para os acionistas da Galp. Sim, mas como não é uma coisa real, como não foi convertido em nada, não pode ser taxado. Está lá.
Como não é real. Nós venderam-nos esta cena de que tu tens um bem físico, tens que pagar sobre ele. Tens uma casa, pagas os impostos para comprar. Tens uma casa, pagas o IMI. Tens uma casa, pagas a taxa X, que é um bem físico, existe. Mas uma ação, mas um grupo de ações, que equivale a 10 mil milhões de euros, 20 mil milhões de euros, 30 mil milhões. Ah, não, isso não. Então, isso não foi convertido em nada.
É sempre esse o exemplo que eu dou. Eu consigo perceber as pessoas que têm uma posição completamente agnóstica em relação à taxação da riqueza. O que eu não consigo perceber é aqueles que defendem que um bem essencial como uma casa possa ser taxada com base no seu valor patrimonial, mas depois, quando se chega a uma carteira de ações, já não pode ser.
Então não pode ser, que é um ganho não realizado. Exatamente. Isso não faz sentido, é um ganho não realizado. Mas pronto, quem tem que pagar o MI, que agora as pessoas estão a receber as cartas para começar a pagar o MI, e depois temos a União Europeia porque estás a dizer, oiçam lá, o vosso VPT imobiliário está muito baixo, tem que começar a aumentar, está muito desfazado o preço do mercado. Claro, evidentemente que está, mas já estão a...
Quer dizer, a inflação, e vamos imaginar que as casas depois têm uma valorização do VPT...
aproximado ao mercado. Estão a ver quando é que vamos pagar a DMI. Não é por mal. Eu sei o que é que a União Europeia quer dizer, mas acho que há outros sítios para ir buscar dinheiro, mesmo que seja virtual. Eu posso dar a minha opinião muito rápida sobre isso, acho que até já a mencionei aqui. Eu sou muito favorável à atualização do VPT, acho que ela deve ser feita, se o Estado isentar de EMI a primeira habitação.
acho que isso é absolutamente necessário e portanto se as duas coisas fossem feitas à mesma altura acho que sim, caso contrário só vai piorar a situação das famílias que já estão numa situação meio dramática e lá está, também tem que ser algo progressivo o mercado como está se nós temos uma casa com um VPT de 50 mil euros e o preço de mercado é de 400 mil, porque a pessoa não fez nada, foi o mercado o mercado
Também sou, não é comum, mas também sou altamente favorável a que se estuda uma progressividade dos impostos sobre o património. Tem que ser, porque senão as pessoas não controlam o mercado. Quer dizer, têm que comprar a casa porque temos que comprar a casa. Faz parte. Ou alugar a casa. Como o alugar de casa em Portugal é o que é, tem que se comprar porque sim. E depois, as pessoas não têm culpa. Se comprar uma casa há 20 anos e ela agora valorizou 500% e não a querem vender, quem está na sua casa, pagarem-me porque, desculpe, o mercado que valorizou tem que pagar mais. Porque sim.
acho que já nos desviamos do ponto já nos desviamos um bocadinho e eu vou tentar ser muito rápido com a minha fantoixada vou acabar onde começámos que foi nos discursos no 25 de Abril e eu concordo inteiramente contigo esta semana houve coisas que se passaram que eu gostaria que nós tivéssemos discutido aqui que provavelmente são muito mais importantes para a vida das pessoas mas eu como pessoa que gosta de política e vive política não consigo não deixar passar
que tem a ver com o discurso do senhor Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, em que ele chamou, basicamente, ao contexto da transparência na atividade política, um grande reality show. Eu acho isto um disparate gigantesco. E não consigo deixar de ver aqui uma atitude deliberada.
principalmente vinda do PSD, mas também há elementos do PS que apoiam esta visão, e obviamente André Ventura adorou, que a ideia de pedir transparência aos políticos é transformar a política num reality show.
eu percebo o raciocínio não consigo é perceber como é que José Pedro Aliar Branco não explica porque é que nós chegámos aqui ou seja, primeiro ele não diz que mais transparência protege o exercício do poder político, protege o político
é por isso que ela existe não é porque as pessoas queiram saber a vida deles é porque isso protege a ele ou a ela no exercício das suas funções mas depois José Pedro Aguiar Branco não explica que efetivamente o povo português e o povo europeu em geral está a exigir mais transparência porquê? Porquê que será?
só esta semana tu tiveste casinhas é isso só esta semana Tiago eu já nem vou a José Sócrates ao processo José Sócrates só esta semana Montenegro não anexou como deve ser a lista de clientes à Spinoviva e portanto ela não está disponível
Alvaro Sérgio Despreira, governador do Banco de Portugal, ações da Galp, Jerónimo Martins, Navigator. Saiu a notícia que António Costa, afinal, mentiu e até sabia do cambalacho no Smart Campus. Os crimes de José Sócrates relacionados com o Val do Lobo vão prescrever. Ventura vem dizer, ok, a gente até pode ter aqui um escrutínio em relação ao financiamento partidário, mas fica só entre nós.
não há publicidade não há escrutínio jornalístico não há liberdade de imprensa sobre o assunto quer dizer, nós estamos a falar de um parlamento e de um poder político que aprovou uma lei do lobby que ainda não está regulamentada e eu elogiei aqui essa medida, ainda não sabemos com quem é que se reúnem os seus deputados e os tentadores de cargo político em Portugal, não sei de que é que estão à espera
As declarações de rendimento dos políticos há mais de 15 anos que eram validadas pelo Tribunal Constitucional, o Estado vem dizer vamos criar aqui uma entidade para a transparência, no fundo transferindo responsabilidade de um órgão de soberania para um NADO, para uma coisa que não tem recursos.
humanos e financeiros, para cumprir a missão para a qual foi criada. Se fores ao site da transparência, ao site desta entidade para a transparência, aquilo parece que foi alvo do lápis azul da PIDE. Não está lá nada. Não é acessível. A informação deixou de ser acessível. E, portanto, o que nós temos tido, efetivamente,
É uma perda de transparência nos últimos anos, não é? O que leva a que cada casa e casinho seja depois completo, ganhe uma dimensão absolutamente trasloucada na opinião pública. Exatamente, e só favorece o populismo e afins. Com certeza. Eu acho que isto é uma fantuxada, é uma barracada, é uma pura estupidez. Nós temos o Presidente da Assembleia República,
Fazer esse tipo de discurso, mas com que legitimidade? Mas com que legitimidade que os políticos depois vêm falar que as pessoas têm declarado todos os seus rendimentos e quando alguém vai fazer uma obra em casa de alguém tem que cobrar o IVA. Com que legitimidade?
Mas porquê? O que é que os politistas têm medo de esconder? Quem tem uma dívida ao Estado tem o seu nome publicado na Autoridade Territária, para toda a gente ver. Sabes o que é que isto me vai lembrar? Que, infelizmente, o corporativismo em Portugal não morreu. E está bem vivo. Exatamente. E está bem vivo. Uma das heranças do Estado Novo é o corporativismo. E as pessoas vão lá pesquisar o que é que isso quer dizer. Que é uma classe que se está a proteger quase a si própria.
para mostrar os seus rendimentos. Mas isto faz algum sentido? Isto faz algum sentido? Se nós fizermos, se qualquer um de nós, cidadãos, fizermos um erro em IRS, não declaramos alguma coisa, não fizermos alguma coisa como deve ser, vem logo uma multa todo o tamanho a dizer que tem que pagar, porque não sei o quê. Então estas pessoas querem esconder quem é que paga o partido? Quem paga o partido tem o poder de influenciar a política em Portugal.
Mas será que isto é assim? Mas é preciso o quê? É preciso ir ao chat do GPT para perceber o que é que isto quer dizer? Mas será que o Aguiar Branco não percebe que acabou de perder toda a legitimidade para dizer o que é que seja? Aguiar Branco também é envolvido no passado em casos menos transparentes. Com certeza. E a última parte que eu queria comentar é que Aguiar Branco vem justificar, no fundo, a falta de qualidade da classe política com não só esta questão do reality show como também o salário dos políticos.
Aumentem os salários. Eu não me importo aumentar os salários ao político. Aumentem-os. Mas só, Tiago, mas repara uma coisa. Uma pessoa vai para a política para ganhar dinheiro? Não, claro que não. Segundo, nós vamos comparar os políticos para a realidade portuguesa. Já recebem muito bem. Estão-se a comparar a um CEO de uma empresa? Devem-se comparar às pessoas que representam. Eu não sou desfavorável ao aumento dos salários. Não acho é que isso seja o fator determinante que leva a pessoas. Não, claro que não. É uma coisa...
Não vão para a política. Até porque, olha para o Parlamento Português. O Parlamento Português não tem diversidade nenhuma. Aquilo é economistas e advogados. Ora, se um político ganha 4 ou 5 vezes mais que o salário mediano de um português...
Do que 90% dos portugueses. Porquê que 90% dos portugueses não se sente atraído para a política? Sabes porquê que é? Porque 90% dos portugueses não quer estar ao lado de pessoas que têm este tipo de pensamento corporativista, como tu dizes. Muito corporativista. Que não quer, não quer. As pessoas não vão para a política porque não querem ter que enredar.
nas estruturas partidárias que estão podres têm o monopólio da participação política em Portugal que se fecham em copas e que quem não é carreirista, quem não é seguidista não tem hipótese nenhuma não tem hipótese nenhuma
Se José Pedro Rigueirar Branco quer trazer pessoas de fora da política qualificadas e aumentar a diversidade da representatividade no Parlamento, acabe com o monopólio da participação política em Portugal que é dado aos partidos políticos. Porque há muito boa gente, tenho a certeza, Tiago, que até gostava de contribuir, que tem ideias para apresentar ao país, mas que não está disposto a vender a alma e vender as suas ideias para ingressar no meio político-partidário.
partidário, não estou a falar do Parlamento, nos partidos que estão podres e fechados em si mesmos. Completamente. E cada vez que vão ficar, eu não sei se cada vez estão a ficar piores ou não, o que eu sei é que nós quando vamos a umas legislativas, nós vamos votar num partido. Nós não fazemos a mínima ideia quem é que o partido vai pôr no Parlamento. Podemos lá ir ver os currículos, podemos lá ir ver os CVs, isso não quer dizer nada da pessoa.
Esta semana houve um grande debate na RTP. Exato. O do PSD. O do PSD. Que eu fiquei... Quem é esta pessoa? Quem é esta pessoa? E eu fui pesquisar e tu não encontras informação nenhuma sobre o que é que esta pessoa fez na vida. Mas quem é que esta pessoa... Esta pessoa foi para ali dizer, falar em mutilação genital das crianças. Um putado do PSD. Exatamente. Quer dizer, mas quem é esta pessoa? Mas o que é isto?
E nós, este senhor está sentado na Assembleia da República, a legislar sobre as nossas vidas. O que é uma coisa engraçada, que o PSD está do lado de quem quer fazer uma lei totalitária para impedir os médicos de atuarem. Exato. Alexandre Leitão esteve muito bem aí. É, Alexandre Leitão esteve muito bem. Vê lá, quem está o debate, esteve um padre.
O seu padre também teve muito bem. O seu padre teve um espectacular, mas eu pergunto o que é que um padre está ali a fazer. Eu também me pergunto. Quer dizer, quer dizer, então o Estado... Vamos lá, vamos voltar ao mesmo. O Estado não é laico, mas os padres têm capacidade de aconselhamento das pessoas sobre estas matérias, mas têm informação para tal coisa. Pronto, mas pronto. Então é... Lá está. Eu olhei para aquele padre e pensei...
mas regredimos 5 anos já temos a igreja nos debates públicos outra vez eu concordando inteiramente com o que tu estás a dizer devo aqui elogiar o seu padre o seu padre teve muito bem comparado com o monte
que estava ao lado dele e que o deputado do PSD acho que teve perfeito o seu padre. O padre teve espetacular. Parabéns àquele senhor padre, mas, mais uma vez, a instituição que ele representa não é propriamente das melhores instituições nestas matérias. E parabéns à RTP por ter organizado, mais uma vez, um bom fórum de discussão.
Sobre esta questão, queria só terminar por dizer assim. Quem se quer? Então já temos caso que mora e vinte. Não pode ser. Estes políticos que, no fundo, a única ambição que têm é preservar-se a si próprios, num projeto de ambição pessoal e de poder.
e que se querem, e de preferência ganhando mais uns patacos, e que se querem preservar no cargo e no poder, a partir da opacidade estão completamente fora do seu tempo. E devem sair. Devem sair e dar lugar a outros. Não há lugar a este tipo de políticos. Mas então, como tu disseste muito bem, concordo contigo, abram o Parlamento a pessoas fora dos partidos.
Eu não sou a favor de cotas. Eu não gosto de cotas. Eu não gosto de cotas. Reforme-se o sistema político. Mas se tiver que se usar cotas nessa matéria, use-se com muito critério e abra o Parlamento às pessoas. Às pessoas. Tudo bem que tentar conciliar a política só com pessoas independentes com diferentes visões é um bocado, deve ser um desafio.
Extremamente complicado, como é óbvio. Um partido deixa para aquela ideia que um partido diz que todos têm que votar da mesma maneira e votam. A alternativa é democratizar os partidos. Está bem. Abram os partidos. Se não querem começar por abrir o Parlamento, abram os partidos à sociedade civil. Não fazem, não é? Não, isso não. Quer dizer, o que não fazem? Pagas a cota e vais.
Não, mas ok, mas é que aí tens que, mais uma vez, vender a alma e as ideias, não é? Para conseguir fazer alguma coisa dentro de um partido. E com sorte. É um partido. Há quem manda no partido e que, enfim, não aplica do partido. Se as pessoas não gostam do partido onde estão, criam os seus partidos. Como provavelmente o PNS vai fazer agora. Um exemplo muito paradigmático disto é, por exemplo, Bernie Sanders no Partido Democrata.
Ele nunca foi democrata, é um independente, não é? E, contudo, conseguiu... Ok, não.
de cortar-olhe as pernas, chegar a líder do partido já era tu, Matos. Mas, efetivamente, nos Estados Unidos, o sistema de primárias e tudo isso é um sistema muito mais aberto e que torna os partidos muito mais conectados com a sociedade civil. Em Portugal, os partidos têm a porta fechada. Não vale a pena. Não vale a pena.
Bom, julguei que já não há tempo para livros e filmes. Não, para a semana. Então, chega assim ao fim o 35º episódio do Talvez o Contrário Seja o Mesmo. Foi um gosto. Nós voltaremos para a semana com outros temas e até lá fale connosco nas nossas redes sociais. Um forte abraço. Muito obrigado e fica aqui o nosso compromisso que tentaremos fazer vídeos mais tarde. Vamos tentar. Um grande abraço.