De garçom sem o ensino médio a 6 aprovações e ao cargo de policial na PMDF | Rodrigo Vieira
Ainda criança, Rodrigo começou a trabalhar na roça, ao lado do avô, no interior do Ceará. Aos 15 anos, perdeu a mãe e abandonou os estudos para poder trabalhar ainda mais.Alguns anos depois, veio para Brasília com os irmãos em busca de melhores oportunidades. Chegou já com uma vaga em um restaurante e começou uma trajetória de 12 anos trabalhando como garçom. Ali, ouviu falar, pela primeira vez, sobre concursos públicos.Chegou a se inscrever para um concurso do Tribunal de Contas da União. Conseguiu uma apostila antiga, começou a estudar e foi fazer a prova. Só descobriu naquele dia que precisava ser formado em Direito. Rodrigo não tinha sequer concluído o ensino médio.Depois daquela experiência, voltou para a escola. Concluiu o ensino médio pelo EJA e entrou na faculdade. Mas, em 2020, veio a pandemia. Rodrigo ficou desempregado, sua esposa estava grávida e ele precisou trancar a faculdade. Durante esse período, fez bicos em padarias e lanchonetes para ajudar a esposa a manter as despesas da casa.Depois, voltou ao trabalho e aos estudos. Trabalhava das 10 da manhã às 10 da noite e estudava nos intervalos e nas folgas. Muitas vezes, chegava em casa e continuava estudando de madrugada, com o filho no colo. Houve dias em que o cansaço foi tanto que ele chorou.Quando o filho tinha dois anos, veio o diagnóstico de autismo. Aquilo fortaleceu ainda mais o desejo de conquistar estabilidade e poder oferecer melhores condições para a família.Por meio do Gran, encontrou uma forma de organizar os estudos, passou a seguir um cronograma e uma sequência de conteúdos. Começou a transformar aquele esforço em aprovações. E foram seis. Entre elas, a da Polícia Militar do Distrito Federal.Hoje, há dez meses, o aluno Gran Rodrigo Vieira vive aquilo que um dia parecia tão distante.