20 reais no bolso e um sonho que o levou ao MPU e a futuro auditor-fiscal | Sidney Reges
Sidney Reges Ferreira, tem 35 anos, filho de pais analfabetos, cresceu em Trombas, Goiás, em uma casa feita de barro, sem água, sem luz, sem portas ou janelas. O chão era de terra, a cama era de palha de bananeira e, em alguns momentos, faltou até comida. Ainda criança, começou a trabalhar para ajudar a família, capinando, plantando milharais, fazendo cercas e carregando todo tipo de material pesado.Até que decidiu ir para Brasília aos 17 anos. Chegou com duas peças de roupa, vinte reais no bolso, uma rapadura e um punhado de amendoim. Em sua trajetória, chegou a dormir no chão, na rua, debaixo de chuva, ao lado de ratos e baratas. Trabalhando como empacotador, um dia perguntou por que trabalhava tanto e ganhava tão pouco, enquanto o gerente ganhava mais. A resposta: “Porque ele estudou.” Sidney decidiu que também estudaria. Sem dinheiro para comprar livros, procurava material no lixo pelas ruas de Brasília.E foi assim que começou a construir uma nova história. Fez cursos profissionalizantes, aprendeu informática desenhando um teclado numa folha de papel, entrou na faculdade e, durante essa caminhada, chegou a fazer uma prova depois de sofrer um grave acidente de moto. Mesmo ferido e sangrando, pediu aos policiais que o levassem até a faculdade porque não podia perder a prova. Foi também nessa fase que conheceu uma professora que se tornaria sua maior incentivadora nos estudos e, mais tarde, sua esposa.Juntos, começaram a estudar para concursos enquanto moravam em uma casa com parte da estrutura coberta por lona. Foram cerca de 100 concursos prestados e 15 aprovações, até a chegada ao Ministério Público Federal e à nomeação, em novembro de 2023. Hoje, Sidney tem casa, dois carros, lote quitado e aguarda a nomeação para auditor-fiscal de atividades urbanas do DF, sem precisar se preocupar se amanhã vai ter como colocar comida na mesa.