Nossa agenda ou a de Deus? (Atos 21:17-26)
Você já percebeu como a gente consegue transformar costume em mandamento e, sem notar, trocar missão por rotina? A conversa começa com Atos dos Apóstolos como registro histórico do avanço do evangelho, passa pela cronologia de Paulo e chega ao ponto crucial: Deus fala, o Espírito Santo alerta, mas a resposta continua sendo uma escolha nossa.
A partir de Atos 21, a gente acompanha a chegada de Paulo a Jerusalém, o encontro com Tiago e os líderes da igreja, e a tensão com milhares de judeus convertidos que ainda carregam tradições e regras como parte da própria identidade. Falamos de legalismo, cultura religiosa, “bons testemunhos” mal entendidos e do cuidado de Tiago para evitar um caos que fecharia os ouvidos para a mensagem. E aí vem a parte provocadora: Paulo aceita um “jogo de cena” no templo não porque a lei salva, mas para não virar obstáculo ao evangelho.
Da Bíblia para a vida, a conversa fica bem prática: até onde vai a liberdade cristã sem flertar com pecado? O que fazer com convites para ambientes que a nossa cultura evangélica costuma evitar? A gente também conta uma história real em que um simples aniversário abriu uma porta improvável para uma visita no hospital e para alguém receber Jesus. Missão não tem dia nem hora, e muitas vezes não está no nosso programa, está na agenda de Deus.
Se isso mexeu com você, ouça até o fim e responda com sinceridade: quando o Senhor te convocar, sua resposta vai ser sim ou não? Assine o podcast, compartilhe com alguém e deixe uma avaliação para ajudar mais gente a encontrar essa conversa.
- Liberdade cristã e evangelismoPaulo aceita 'jogo de cena'·Não ser obstáculo ao evangelho·Liberdade sem flertar com pecado·Alcançar pessoas para Jesus
- Agenda de Deus vs. HumanaAutonomia e escolha humana·Espírito Santo alertando·Paulo e a missão
- Missão fora da agendaHistória de visita ao hospital·Flexibilidade de agenda·Presença de Jesus onde Ele quer·Agenda de Deus
- Servidão a JesusDizer sim ao Senhor·Jesus como Senhor·Obediência à vontade de Deus
- Paulo em JerusalémChegada e recepção·Encontro com Tiago e líderes·Milhares de judeus convertidos·Zelo pela lei judaica
dos Apóstolos, que é o livro que registra os primeiros, o espalhamento do evangelho, os primeiros anos depois da ressurreição e ascensão de Jesus. Jesus provavelmente, isso é até motivo de interessante falar sobre isso, o calendário chamado, o que a gente usa hoje foi o calendário gregoriano que substituiu o calendário juliano. Porque o calendário gregoriano não contava que todos os anos na verdade não completam 365 dias. Interessante.
Cada ano na verdade é feito mais ou menos de 3 horas, um quarto de dia. Por isso que o calendário tem o ano bissexto. A cada 4 anos você soma 6, vai dar 24 horas. Então você acrescenta um dia para dar conta disso. Por isso que quando o calendário que a gente usa hoje foi adotado, tem duas semanas na história que não existem, porque teve que pular, porque a gente não tinha esse calendário. E aí tem gente que diz assim: não tem como Jesus ter nascido no ano zero.
É verdade, provavelmente ele não nasceu no ano zero. Só que porque a conta foi feita errada, isso não quer dizer que Jesus não nasceu no dia que ele nasceu. Quer dizer que Quem fez a conta fez a conta errada. Então hoje a gente sabe mais ou menos que a conta foi uma conta de -4. Então Jesus não nasceu no ano zero, nasceu no ano -4. E aí casa direitinho com provavelmente a sua crucificação ocorrer, ocorrer, diz, né, se dizia no ano 33 ou no 34, mas não, é quando ele tinha provavelmente 33 para 34 anos.
Então Você pega -4 e soma 33, e aí você vai ter provavelmente entre o ano 29 e o ano 30 da era cristã. E aí esses eventos aqui do livro de Atos, Atos capítulo 1 começa a narrar da Ascensão. Então quer dizer, isso foi provavelmente no ano 30. E depois, no capítulo 9, quando a gente vê a conversão de Saulo, a gente tá falando de pelo menos uns 10 anos ou 15. Depois, a gente tá falando do ano 45. E aqui a gente tá no final da segunda viagem missionária de Paulo, quando ele retorna a Jerusalém.
Aqui a gente está falando provavelmente lá do ano 50, 55. Depois, Paulo é levado, a gente vai ver isso, preso a Roma. E então o Novo Testamento, no livro de Atos, que é o último livro de registro histórico específico, acaba em torno do ano 60, 61 da era cristã. E se ele termina abruptamente, ele termina com a prisão de Paulo sem registrar sua soltura. Então o que a gente acredita é que ou o livro, uma parte do livro final foi perdida, o manuscrito, ou o que é mais provável é que o autor, que é Lucas, por algum motivo parou de escrever ali no cárcere.
Se separou de Paulo, foi preso e morto, alguma coisa aconteceu com Lucas. O livro acabou ali. Então nós estamos caminhando mais ou menos para o final do livro, porque o livro tem 28 capítulos e a gente tá no capítulo 21. Só que esses capítulos agora eu vou sugerir que os irmãos leiam em casa, boa parte deles ou todos, porque são muitos discursos de Paulo do momento em que ele foi preso. O primeiro para multidão em Jerusalém, depois ele vai fazer no discurso para o governador romano de Jerusalém, depois ele vai repetir o discurso diante do rei Herodes Agripa.
E basicamente eles têm o mesmo conteúdo, então ia ficar— e são extensos. Então a gente vai pegar algumas partes só nos próximos domingos e a gente vai resumir os discursos de Paulo. Então hoje a gente tá vendo da chegada dele em Jerusalém até o momento em que ele vai ser anterior a ele ser preso. E aí depois, quando ele é preso, o que interessa mais são os discursos. E a gente vai resumir, porque senão a gente vai ficar lendo 100 versículos aqui que tem mais ou menos o mesmo significado.
É só para adiantar o que que ele fala nos discursos. Basicamente, a gente tem o resumo do evangelho, ele explica quem é Jesus E como Jesus é o final ou a conclusão da história de salvação que começa em Abraão e Noé, né, em Adão, vamos dizer assim, mas ele volta até Abraão porque Abraão é reconhecido pelos judeus como o primeiro fundador daquele povo, daquela religião. Por que que eles consideram Abraão? Porque eles não consideram que o outro filho de Abraão, Ismael, era um filho legítimo.
E depois eles não consideram que o outro filho de Isaque, Esaú, também fosse coerdeiro. Por quê? Porque Esaú desprezou a sua herança. Então por isso que eles falam, e é por isso que quando Deus se apresenta a Moisés, ele fala: eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Quer dizer, tanto Ismael, filho de Abraão, quanto Esaú, filho de Isaque, não são contados como herdeiros da promessa. Então é por isso que a apresentação do plano de salvação começa em Abraão.
Abraão é o pai da fé e todos os judeus são, se consideram semente de Abraão. O que que é ser semente? É ser gerado descendente do DNA de Abraão. E Jesus vai nos evangelhos dizer que os filhos de Abraão não são os filhos que são filhos segundo a semente, segundo o DNA, segundo a carne, E o apóstolo Paulo vai dizer isso também nos Evangelhos, mas são aqueles que são feitos filhos segundo a fé, não é? Então, enfim, isso é um resumo da mensagem do apóstolo Paulo que a gente vai ver nos próximos domingos.
E agora então, ele naquela— a gente falou na semana passada como nós todos ouvimos, os crentes, os salvos têm a possibilidade de ouvir o Espírito Santo, Mas a resposta que nós damos ao Espírito Santo, ela não é a mesma. Por quê? Porque Deus nos deu autonomia para responder ao Espírito Santo de acordo com a nossa vontade. Então, o mesmo Espírito Santo que dizia que Paulo iria sofrer, iria ser preso e iria padecer, ia ser chicoteado, etc. e tal, É esse mesmo Espírito Santo que disse isso a Paulo disse a outros discípulos em 4 oportunidades diferentes.
Esses discípulos imploraram a Paulo para que ele não fosse a Jerusalém, e a resposta de Paulo durante as 4 vezes foi assim: a minha vida não vale nada a não ser que eu pregue o evangelho. E depois ele vai dizer: eu estou disposto a sofrer o que eu tiver que sofrer, porque somente o que me importa é cumprir a missão que o Senhor me deu. Então, enquanto todos os discípulos diziam para Paulo, mesmo o Espírito Santo tinha revelado em diferentes ocasiões, os discípulos com aquela informação fizeram o quê?
Paulo não vá. E o que Paulo fez com aquela informação? Eu vou mesmo assim. Essa é a diferença, que é uma diferença que a gente precisa escolher, que caminho que a gente quer tomar na vida quando o Espírito Santo fala com a gente. Se a gente vai seguir a direção que o Espírito Santo está dando ou não, né? Porque Deus não subtrai de nós a nossa semelhança dele, que é a capacidade de raciocinarmos e de nos determinarmos, de fazermos escolhas de acordo com aquilo que nós pensamos, né?
De acordo com o nosso raciocínio, entendimento. Então aqui no capítulo 21, a partir do versículo 17, diz assim a palavra do Senhor: Quando chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria. Ou seja, eles chegaram lá em Jerusalém, encontraram com a igreja. Toda vez que a gente lê irmão e irmã aqui, não quer dizer irmão de sangue, quer dizer os irmãos em Cristo, os irmãos da família de Cristo. No dia seguinte, Paulo foi conosco encontrar-se com Tiago.
Agora aqui, inclusive, eu vi isso aí interessante, é uma, uma vamos dizer assim, como isso aqui alguns usam para refutar aquela tese de que Pedro foi o primeiro Papa, o primeiro apóstolo, o primeiro bispo primaz da Igreja. Por quê? Porque a gente vê aqui que o bispo primaz da Igreja em Jerusalém, o primeiro, foi Tiago. E esse Tiago não era nenhum dos 12 apóstolos. É mais interessante é isso, porque o Tiago, irmão de João, já tinha tido a sua cabeça cortada por Herodes lá no capítulo 14, né, antes da prisão. 14 não, capítulo 12, se não me engano, quando Pedro foi preso lá em Cesareia e os anjos do Senhor tiraram Pedro daquela prisão.
Foi nesse tempo que aquele Tiago, o apóstolo, foi decapitado. Então esse Tiago aqui é o melhor entendimento, que é o autor da carta de Tiago. Encontrada no Velho Testamento, no Novo Testamento, é o irmão de Jesus, o irmão mais novo, o mais velho dos irmãos sobreviventes, né? Jesus foi o primeiro filho concebido pelo Espírito Santo, mas depois a Bíblia diz que Maria teve pelo menos 4 outros filhos homens fora as meninas. Então Paulo encontrou-se com esse Tiago, que aliás é uma tradução do grego também Tiago é o nome grego, mas o nome dele mesmo era Jacó, nome muito comum naquela época, certo?
Então Tiago quer dizer Jacó. Então esse aí era o Jacozinho, era como Maria. Maria na verdade é um nome grego de Miriam. Então entre os judeus tem 500 Miriams. Por quê? Porque ela é lá aquela que é irmã de Moisés, que como também tem muito Moisés, tem muito Abraão, tem muito Isaque, tem muito Israel, e e tem muito Jacó também. Então esse aí é o Jacozinho, irmão de Jesus. E os presbíteros, péssima tradução, a gente já falou sobre isso.
A ideia aqui são os líderes da igreja, né, os anciãos. A ideia, a ideia de que cabelo branco dá autoridade, sim. Então os presbíteros da igreja, eu é graças a Deus que agora eu tô com alguns cabelos brancos, os presbíteros das, os líderes da igreja estavam presentes. E Paulo os saudou e relatou minuciosamente o que Deus havia feito entre os gentios por meio do seu ministério. Importante aqui também é o apóstolo explicando o seu ministério apostólico é para os gentios.
Isso muito importante, gente, porque os judeus, eles demoraram a crer que o Messias não era só para eles. Esse é o ponto. Eles criam que o Messias era alguém que havia sido prometido para o povo de Israel. E Jesus é o Messias, que a palavra Cristo quer dizer Messias. Ele não é para o povo de Israel, ele é um Messias, é um libertador, é um salvador para todo aquele que nele crê. Então esse relatório do apóstolo Paulo para aquela igreja de judeus era uma igreja de judeus convertidos que criam que Jesus era o Messias, o Cristo, Ele dizia o seguinte: olha, esse Jesus que é o nosso Messias, ele não é aquilo que a gente pensava, ele não salva somente os judeus, ele veio para salvar gente de todas as nações.
Então ele vai e conta isso lá para igreja em Jerusalém. E no versículo 20, ele diz assim: ouvindo isso, eles louvaram a Deus e disseram a Paulo— agora olha que coisa interessante que vai acontecer aqui— veja, irmão, Quantos milhares de judeus creram? E todos eles são zelosos da lei. Duas informações aqui. A primeira informação, pessoal diz assim: os judeus rejeitaram Jesus. Não, muitos judeus não receberam Jesus como Messias. Isso não quer dizer que os judeus como um povo rejeitaram.
Não rejeitaram. Que ele tá dizendo aqui: milhares de nós aqui em Jerusalém e fora creram. E receberam Jesus. Essa é a primeira informação. Agora existe uma segunda informação aqui muito interessante e que também é um pouco complicada, assim, complicada. Vamos chegar lá do ponto de vista de transpor barreiras culturais. O que que era ser judeu? Ser judeu era ser filho de um judeu, depois a tradição mudou isso para ser filho de uma judia, ser circuncidado e apresentado na sinagoga no sétimo dia, e a partir dali observar.
Quando eles falam observar a lei, a gente como evangélico pensa assim: ah, era observar os mandamentos do Velho Testamento ali, principalmente da Torá, né, dos 5 primeiros livros. Não, eles tinham catalogado com base na Torá 613 mandamentos, mas além daqueles 613 mandamentos, eles tinham os livros que os rabinos que consideravam eles consideravam autoridade escrito e que especificavam detalhadamente como você deveria observar cada um dos 613 mandamentos.
E porque o mundo evolui, a tecnologia, a gente, Deus nos fez com a mente pensante, né? É, você toda hora tem que adaptar os mandamentos. Eu quero dar um exemplo que é sobre guarda do sábado. A Bíblia diz que na guarda do sábado você não pode acender fogo. Por que que não pode acender fogo, irmãos? Porque na guarda do sábado você, naquela época quando a lei foi escrita, você tinha que catar lenha, levar e tocar fogo na lenha. Dava um trabalho, era trabalhar.
E como o sábado era um dia de descanso, o que que a lei dizia? Cozinha na sexta, e o que você cozinhou na sexta O sábado é para você descansar, você come no sábado. A que ponto vocês teriam uma ideia do regulamento judeu eles levaram isso? Se você já teve em Israel, você ficou num hotel. Se você ficar num hotel, tem dois elevadores. Que coisa interessante, por dois tipos de elevador. Tem um elevador que você que é estrangeiro, turista, você pode apertar o botão.
Ele vai para o andar que você quer ir, certo? E tem um outro elevador que você não adianta apertar botão, os botões não funcionam. Por que que eles não funcionam? Porque se o prédio tiver 20 andares, ele fica o dia inteiro subindo, parando de andar em andar, e depois descendo, parando de andar em andar. Porque o judeu pega ele. Por que que o judeu pega ele? Porque apertar o botão do elevador é acender fogo, é trabalho, e ele estaria quebrando o sábado.
Entendeu? Então, quando é isso que a gente precisa ter perspectiva, o que o Thiago tá dizendo é o seguinte: nós não conseguimos romper com as nossas tradições e com a nossa cultura. Para nós, isso diz respeito à nossa identidade, a nossa essência. O judeu não— hoje em dia, você, o fogão é você aperta um botão. O meu fogão, o meu fogão é elétrico. Você aperta um botão e a resistência funciona. O judeu não pode fazer isso porque é trabalho.
O judeu não pode ligar e desligar nenhum equipamento no sábado porque isso é acender fogo. Nem luz da casa. Ou bota no automático ou deixa ligada direto, mas ele não pode botar a mão no botão porque isso é trabalho. É nesse ponto que eu quero chamar atenção de como a gente pode deixar— aliás, como o diabo usa a nossa religiosidade para nos manter escravizados. Porque Jesus falou: o Filho do Homem, ele até do Senhor, até do sábado, ele é Senhor.
E o sábado não foi feito para que o homem não foi criado. Deus não criou o homem para servir ao sábado, mas ele criou o sábado para servir ao homem. Eles não entenderam isso, mesmo tendo crido em Jesus. E aí ele vai dizer assim: Paulo, olha só, a gente tem um problema. Porque qual é o problema? Você está dando mau testemunho. Olha aqui o que ele vai dizer: eles foram informados de que você ensina todos os judeus que vivem entre os gentios a se afastarem de Moisés.
Presta atenção, linguagem. O que ele está querendo é uma metáfora. Ele não tá dizendo abandonar o Moisésinho, até porque Moisés já tinha morrido ali tinha, sei lá, 1500 anos, né? Então não é se afastar do Moisés, a pessoa, é se afastar dessas, da religiosidade que eles ensinavam. E o apóstolo Paulo fazia isso? Fazia. E o apóstolo Paulo tava certo? Tava certo. Mas olha que coisa interessante, dizendo-lhe que não circuncidem seus filhos nem vivam de acordo com os nossos costumes.
Era um problema cultural, um choque cultural do evangelho com os costumes, a religiosidade judaica. Que faremos? Isso Tiago, né, perguntando retoricamente. Certamente eles saberão que você chegou. Vai dar problema, vai dar rolo. Tiago não está repreendendo Paulo. Tiago está sendo sábio. E dizendo para Paulo o seguinte: cara, vamos evitar confusão. Eu não tô nem questionando que você anda ensinando por aí. O problema é que aqui vai dar ruim, os cara vão vir em cima de você.
E aí o que que Tiago fala? Paulão, seguinte, tem 4 caras aqui que fizeram voto. Vamos fazer o seguinte, você participa com eles. Dos rituais de purificação. Pague as despesas deles para que eles rapem a cabeça, ou seja, entregar o voto. Rapar a cabeça, entregar o voto, o voto de Nazireu. E assim todos saberão que não é verdade o que fala, tudo mentira, mas que você continua vivendo em obediência à lei. É claro que não, é claro que não é verdade.
Isso era um jogo de cena, era um jogo de cena. Mas por quê? Porque, Paulo, é o seguinte: os gentios, os não judeus que se converteram, deixa eles para lá, eles não precisam virar judeus. A gente já escreveu, a gente viu isso em Atos capítulo 15, a nossa decisão. Eles só precisam não comer comida sacrificada aos ídolos, não comer chouriço, né, sangue, nem galinha ao molho pardo, nem a carne de animais estrangulados, e também evitar se afastar da imoralidade Moralidade sexual aqui é a ideia de prostituição cultual, né?
Isso que ele falou. E aí, no dia seguinte, Paulo tomou aqueles homens e purificou-se com eles. Depois foi ao templo para declarar o prazo do cumprimento dos dias da purificação e da oferta que seria feita individualmente em favor deles. Que Deus nos abençoe. Então, nossa pergunta hoje é a seguinte: a gente tá preparado para fazer como Paulo? Presta atenção, eu pensando sobre isso aqui, eu acho que o que que a gente pode tirar para nossa vida?
Aquilo que Jesus falou: o que contamina o homem não é o que entra. Lembra Marcos 7? A gente vai estudar o livro de Marcos em seguida, mas é o que sai de dentro dele. E por que que, qual é a aplicação disso aqui para o que Paulo tá dizendo? Se te chamarem para um casamento no centro espírita, irmão, vá, vá no casamento do centro espírita, sabe? Se te chamarem para uma festa de aniversário que o irmão tá celebrando num cassino, vá, vá no cassino.
Porque o que o apóstolo tá dizendo é o seguinte: mais importante é a gente fazer o que tiver ao nosso alcance para alcançar as pessoas para Jesus. O que o apóstolo Paulo tava fazendo ali, ele não acreditava em mais nada daquilo. Ele escreveu várias cartas, ele escreveu aos Gálatas, ele escreveu: olha, Cristo nos chamou para liberdade. Aos Romanos ele escreveu: a lei para nada serve senão para condenação. Então ele tinha convicção de que aquilo ali, aquela religiosidade dos judeus, para ele não significava nada e não podia levar salvação.
Mas para que os judeus mais uma vez pudessem ter o coração aberto para ouvir a mensagem através da vida dele, ele aceitou participar dos votos porque ele não queria que a sua vida fosse um impedimento para que a mensagem do evangelho chegasse aos outros judeus. Isso é para a gente pensar, isso é para a gente pensar. A gente precisa lembrar, se você é salvo Se você recebeu o Senhor Jesus como seu Senhor e Salvador, se você confessou o Senhor Jesus publicamente como Senhor e Salvador da sua vida, foi somente pela graça de Deus e nada mais que você recebeu salvação.
E se você ainda não recebeu salvação, ela está disponível. Basta que você invoque o nome do Senhor Jesus e seja salvo. Então é somente pela graça de Deus, irmãos, não é pela observância de nenhum costume religioso que nós somos salvos. E isso nos liberta, isso nos liberta para vivermos uma vida em Cristo, uma vida de santidade, uma vida que se desvia do pecado, uma vida piedosa, claro, uma vida que busca o Senhor em oração e na palavra, claro.
Mas o que eu quero dizer é, nós não Não é o hábito religioso, não é a cultura evangélica que salvou você, nem que vai salvar você. Então a gente precisa separar as coisas. Uma coisa é a obra de Cristo na cruz, o sangue que Jesus derramou por mim, e pela sua misericórdia, pelo, pela obra do Espírito Santo na minha vida, eu recebi salvação. Recebi sem merecer. Jesus me salvou, Jesus me amou. Agora eu sou salvo, agora eu sou dele.
Quem me santifica não sou eu, quem me santifica é o Espírito Santo de Deus que habita em mim. E isso agora me liberta e me libera para eu pagar o preço, aceitar o desafio de fazer o que for preciso ser feito, que não seja pecado, ok? Para que as pessoas sejam, para que eu não seja um impedimento na vida delas. A gente tem uma controvérsia entre os evangélicos como um todo sobre o consumo de bebida alcoólica, né? Isso tem uma razão histórica, porque quando o evangelho se espalhou aqui nos Estados Unidos, de leste para oeste, o alcoolismo era um problema muito sério.
Isso gerou, durante os movimentos de avivamento, o que se chama de movimentos pró-temperança, que chegaram ao ponto da Lei Seca, que é impor que ninguém bebesse nada, proibindo, criminalizando a venda de bebida alcoólica. Esse evangelho chegou no Brasil, certo? Esse evangelho chegou no Brasil. Então, durante muito tempo, a nossa identidade evangélica é o quê? Crente não bebe, não bebe nada, não bebe cerveja, não bebe vinho, muito menos, né, sai cachaça e uísque, nem pensar.
E eu não tô Presta atenção, eu não quero entrar na discussão se deve ou não deve beber, certo? Mas eu posso dizer que a Bíblia é clara em advertir contra embriaguez. E para mim, se ela adverte contra embriaguez, é porque ela admite a possibilidade de se embriagar. Ou seja, é possível beber segundo a Bíblia. O que a Bíblia recomenda é que não se embriague. Esse é o ensino bíblico. Mas vamos supor que nós estamos numa igreja tradicionalíssima em que nós temos essa herança cultural, certo?
Nós não bebemos, ok? Não bebemos. O que você faz se te convidarem para um churrasco em que você sabe que vai ter samba e bebida? Em geral, o que que o crente faz? O crente não vai. O crente não vai. Por que que o crente não vai? Porque vai ter samba e vai ter bebida, e provavelmente vai ter muita coisa que não é boa mesmo, certo? Provavelmente não é uma boa ideia ir, provavelmente não é uma boa ideia ir. E aí, por que que eu tô dizendo isso?
Porque, olha, presta atenção onde a gente vai chegar. Eu não fui criado num lar evangélico, me converti, eu tinha 28 anos, mas eu me converti mesmo, eu fiquei parecido com crente velho, né? Comecei indo no culto na quinta da minha igreja, mas aí depois eu comecei a ir quinta e domingo de manhã. Depois eu comecei quinta, domingo de manhã e domingo de noite. Depois eu comecei aí quarta-feira servir no nosso Ministério de Ação Social, quinta, domingo de manhã e domingo de noite.
Depois a gente começou um discipulado na terça, gente. A minha— depois a gente começou uma célula na sexta. Ou seja, eu só tinha dia que eu não tinha atividade, quase não tinha atividade da igreja, segunda e sábado. Todos os outros dias a minha semana era ocupada na obra do Senhor. As crianças eram pequenas, a gente tinha assessora que dormia na casa para que a gente pudesse deixar as crianças em casa e passava o dia inteiro na igreja.
Eu tô dizendo isso porque domingo era um dia que você podia me chamar para qualquer coisa, eu não ia, não ia, não fazia nada no domingo a não ser estar na casa do Senhor de manhã, de tarde, de noite. Pois muito bem, um dia, num domingo, Meu irmão me convidou para o aniversário do filho dele, do André, sei lá, 5 anos. E aí a primeira reação que eu falei, porque no meu coração foi o quê? Domingo não vou. Se a minha memória não me trai, Marta ponderou comigo: é seu irmão.
Meu irmão não é crente. Minha cunhada, à época, porque depois eles divorciaram, é espírita kardecista. Ia ser uma festa no meio de não crentes, uma festa de criança. Pergunta para você: onde você mais vê Jesus nos Evangelhos? A maior parte do tempo de Jesus está dividida entre os discípulos que ele tava treinando e os não crentes que ele tava alcançando. A gente precisa— Jesus quer estar nos lugares através de nós. Se você tem Jesus e você não está num lugar onde ninguém tem Jesus, Jesus não está ali.
E aí a decisão foi, depois de muita ponderação, dor no coração, será que eu tô fazendo o que é certo? Nós fomos ao culto da manhã, saímos do culto da manhã, morava no Recreio dos Bandeirantes, tive que ir lá para Botafogo onde era festa do meu sobrinho. É domingo, isso no Rio de Janeiro representa umas 2 horas de ida e 2 horas de volta para andar 30 km. Esse é o Rio de Janeiro. E aí fomos, chegamos lá, sentamos lá no nosso canto, conversamos com as pessoas.
Daqui a pouco senta essa minha cunhada espírita e a gente começa a conversar. Sabe aquelas coisas que a gente começa a conversar, começa a falar de, sei lá, de jardinagem, daqui a pouco é futebol, depois é política, fala de tudo, né? E lá pelas tantas da conversa, minha cunhada, o assunto, vou resumir, o pai dela tinha câncer e ele tava tanto tempo internado que eles trocaram o plano de saúde, já tinha acabado a carência. E ela disse assim, mas agora os médicos não querem fazer a transferência para um hospital melhor?
Porque ele está estável e o temor é que numa transferência ele morra. Ou seja, tinha mais de ano que ele tava naquela condição terminal. E aí, para Deus não dar dúvida, pela boca da minha cunhada, assim: parece que tem algo impedindo ele de morrer. Falou desse jeito, alguma coisa assim. E, gente, foi muito lindo porque eu falei assim, eu olhei para Marta, Marta olhou para mim Acendeu aquela coisa ali. É aqui que você vai fazer com que o Espírito Santo tá te falando.
E aí eu virei para minha cunhada e falei assim: nós vamos visitar o seu pai. O rosto, semblante da minha cunhada se acendeu de alegria, era nítido. Vocês vão mesmo? É sério? Falei: sim, claro que é. E nós vamos amanhã, nós vamos amanhã. Você acha que no dia seguinte eu não tinha o que fazer e a Marta também não? A gente cancelou o que tinha. Graças a Deus a gente tinha essa possibilidade. De flexibilizar nossa agenda. A gente trabalhava no centro da cidade, vamos chegar mais tarde, sair mais tarde, mas de manhã nós saímos e fomos lá ao encontro do sogro do meu irmão.
Aí chegando na porta do hospital, aquele trânsito do centro da cidade caótico, deixei Marta e fui arrumar um lugar para estacionar o carro. Marta entrou e eu estacionei, aí vim andando, aí cheguei na porta É, parei umas, fui parado umas 3 vezes, aquela coisa de entrar em hospital para visitar, dar identidade, não sei o quê. Cheguei lá em cima, ou seja, entre deixar a Marta estacionar e conseguir chegar lá demorou uma meia hora.
E aí quando eu cheguei lá em cima na porta da UTI, tava minha cunhada lá me esperando. Ah, que bom que você veio! Toda feliz ela. Aí ela me pegou, me levou lá para dentro onde tava a Marta. E aí apresentou o pai, que eu não conhecia, não me lembrava dele, acho que não tinha conhecido antes. E Marta, e a minha cunhada espírita, ela virou para nós, para mim, para Marta, e falou assim— essas palavras são algumas coisas que a gente não esquece— ela virou para mim e falou assim: eu vou deixar vocês aqui sozinhos para vocês fazerem o que vocês vieram fazer.
Foi exatamente isso que ela falou e ela saiu. Sabe, irmãos, é como é aquilo que eu falo: Deus coloca a bola debaixo da linha, é só você empurrar. E aí eu olhei para Martinha, aí Martinha falou para mim assim: ó, você faz o apelo, eu já expliquei tudo, conversei com ele, expliquei o plano de salvação. Preguei para ele, ele tá respondendo, ele tá piscando o olho, tá apertando a minha mão. Mas você que é o pastor, você pergunta se ele quer aceitar Jesus.
Que por que que é só pastor que pode perguntar para as pessoas se quer aceitar Jesus? Ele não me conhece, eu cheguei agora. Ele reconhece a sua voz, você tá conversando com ele, você pergunta para ele se ele quer, se ele se arrepende dos pecados dele e se ele quer receber Jesus como seu Senhor e Salvador. Marta fez e o homem recebeu Jesus como Senhor e Salvador da vida dele. E aí oramos e fomos embora alegres, alegria do Senhor, porque a Bíblia diz festa no céu porque um pecador foi salvo.
Festa no céu. E uma semana depois, ou coisa de uma semana depois, recebemos a notícia de que aquele homem que estava mais de ano na UTI terminal de câncer havia partido. E nós sabemos que ele partiu para estar eternamente com o Senhor. Sabe por quê, irmãos? Não é meu mérito, não. É só o Espírito Santo. O Espírito Santo nos falou: vocês podem deixar de estar um domingo na igreja, sim. Porque a missão aqui não é o lugar da missão, aqui é o lugar do treinamento.
Aqui a gente recebe a palavra, a gente adora o Senhor, a gente é edificado na palavra, os crentes, para que a gente saia daqui cheio de Jesus e cumpra a missão ali fora. E essa missão não tem dia nem hora, é domingo, é segunda, é terça, é quarta, é quinta, mas a pergunta é Você está disposto a fazer esse tipo de decisão para seguir Jesus, para ser a presença de Jesus onde Jesus quer estar? Onde vai ser, eu não sei. Quando que eu ia imaginar, né?
Eu não sou vidente, eu não sou profeta. Quando que eu ia imaginar que eu deveria estar naquele aniversário para receber aquela notícia de que o sogro do meu irmão estava terminal para que então eu fosse visitá-lo e ele fosse— isso não tá no programa. Presta atenção, não está na minha agenda, está na agenda de Deus. Nós precisamos abrir a nossa agenda para que Deus marque na nossa agenda os compromissos que ele quer marcar. É isso que o apóstolo Paulo nos ensina aqui.
Olha, eu não creio em mais nada disso, negócio do judaísmo. Mas eu não quero ser impedimento para que os judeus creiam que Jesus é o Senhor. Então, se o preço que eu preciso pagar é pagar um voto, pagar pelos caras ali, dá uma oferta, raspar a cabeça, eu faço. É isso, eu tô dentro, sabe? Se eu tenho que estar num churrasco porque ali eu vou ser presença de Jesus, porque ali eu vou estar dando oportunidade para Jesus me usar para que alguém venha conhecê-lo, Amém, amém, irmãos.
É ruim, é muito ruim quando a gente inverte isso e quando a gente entra aqui no domingo e a gente aqui é um bom cristão, e aqui a gente levanta a mão, e aqui a gente canta, e aqui quem sabe a gente até devolve o dízimo, mas no domingo saiu daqui, Jesus não tá com a gente, não tá dentro da gente e não tá usando a gente. E as pessoas que estão próximas de nós não veem Jesus através de nós. Gente, Jesus tem que ser conhecido, e ele precisa ser conhecido através de mim, de você.
E não sou eu que digo quando Jesus— presta atenção, eu sou servo, nós somos servos, Jesus é o Senhor. Ele diz quando como ele quer usar. Nós só temos a opção de dizer sim ou não. O problema é que quando a gente diz não, a gente tá dizendo o quê para ele? Tu não és o meu senhor. É, quem já trabalhou aqui de help, help, não tô dizendo help de limpeza não, help na cozinha, help na mecânica, né, servente de ajudante de pedreiro, né, Numa obra, se o teu mestre de obra diz para tu fazer A e tu faz B, o certo é o teu mestre de obra te mandar embora, né?
Na cozinha, se o chefe diz para o João lá faz A e o João faz B, chama o João uma vez. Joãozinho, presta atenção, acho que tu não pegou a visão. Eu falei para você fazer isso aqui, você fez outra coisa, filho. Não faz isso não, faz o que eu falei. Tem um script. Se o João não se enquadrar, que que faz com o João? Ele não serve, manda ele embora. É complicado a gente achar que é cristão e poder dizer não para Jesus. A gente não tem esse direito.
Ele não deu. Aliás, ele deu para a gente esse direito, a gente não deve usar, fazer exercício desse direito, porque quando a gente diz não, ele não é nosso Senhor. Ele só é nosso Senhor quando a gente diz sim. É isso que Paulo tá fazendo aqui. Paulo tá dizendo o seguinte: o que for requerido de mim, se for para pregar o evangelho, eu vou fazer. E você? E você, você tá disposto a abrir mão de tudo, abrir mão da sua agenda, entregar sua agenda nas mãos de Deus para que ele possa usar você da maneira que ele quiser?
Tá disposto a dizer sim ao Senhor? Essa é a pergunta que eu queria que você respondesse ao Espírito Santo. Eu queria pedir para você abaixar sua cabeça e orar e dizer isso: Senhor, talvez você tenha andado afastado dos caminhos do Senhor, talvez você tenha andado, não tem lido a Bíblia, não tem orado. Esse é o momento de você dizer assim: Senhor, eu tô aqui de volta. Senhor, me ajuda, me fortalece, me encoraja. E se o Espírito Santo tocou no teu coração, você pode dizer assim: Senhor, hoje me capacita a dizer sim.
A quando o Senhor me chamar, quando o Senhor me convocar, que eu possa dizer ao Senhor sempre sim. Que o Senhor seja verdadeiramente meu Senhor e que eu seja, assim como o apóstolo Paulo, verdadeiramente teu servo, mesmo pecador. Ainda assim, com a ajuda do teu Espírito Santo, alguém disposto a fazer tudo e qualquer coisa para fazer a tua vontade, para glória do teu nome. Ô Pai, é que nós te pedimos, é o que eu te peço, é o que a tua igreja te pede essa noite, em nome de Jesus. Amém.