🎙️ Ep 08: A Arte de Não Fazer Nada... e Porque é Tão Difícil
Neste episódio, gravado em tempo de Beltane, refletimos sobre um momento em que a natureza floresce sem pedir permissão e nos recorda que a vida quer ser vivida. Falamos da criatividade esquecida, do impacto profundo de viver em piloto automático e de uma sociedade que valoriza o fazer acima do estar. Exploramos o que acontece quando nos desconectamos de nós mesmas e como o corpo sente essa ausência. E abrimos espaço para um regresso simples ao essencial: parar, sentir, esvaziar… e simplesmente ser.
Dinamene
Mónica
- A Arte de Não Fazer NadaCriatividade esquecida · Impacto do piloto automático · Desconexão de si mesmo · Importância de parar e sentir · Relação com a natureza
- Beltane e a PrimaveraFlorescimento da natureza · Energia da primavera
- Equilíbrio entre Fazer e SerCulpa por não produzir · Importância do ócio
- Desfrutar do SimplesPrazer nas pequenas coisas · Atividades manuais
Este é o Pela Tua Saúde. Conversas sobre pessoas, transformação e escolhas que fazem a diferença. Ciência e sabedoria ancestral mostram como hábitos e ambientes saudáveis cuidam de ti. Respira fundo e vem conosco. Este podcast tem o patrocínio da Home Health.
Na altura em que gravamos este episódio, atravessamos Beltane, um tempo em que a natureza floresce sem pedir permissão, como se nos lembrassem em silêncio que a vida foi feita para ser vivida. E talvez seja por isso que este tema surge com tanta força, a criatividade que deixámos para trás, o sentir que fomos adiando, o hábito de estar sempre a fazer, sem realmente estar presente.
Neste episódio abrimos espaço para essa reflexão íntima sobre o que acontece quando nos desconectamos de nós mesmas, sobre o impacto subtil, mas profundo, de viver em piloto automático e sobre a possibilidade de voltar ao essencial, para esvaziar, sentir e simplesmente ser.
Bem-vinda, Mónica. Bem-vinda, Dinamene. Bem-vindos também a quem nos está a ouvir, a quem está desse lado. A mais um episódio aqui do Pela Tua Saúde. E este episódio é aqui um bocadinho dedicado a esta arte de não fazer nada.
mas com muita profundidade e porque é tão difícil muitas vezes nós conseguimos fazer isto sem culpas a pensar que não estamos a produzir enfim porque é realmente tão difícil para nós parar, saber parar estar connosco mesmo e nós estamos de facto agora a gravar este episódio numa altura de Beltane em que esta energia do
da primavera e da natureza está a florescer e está a pedir aqui. Está-nos a chamar a este florescimento aqui um pouco, sem pedir permissão, não é? A natureza floresce sem pedir permissão.
e lembra-nos realmente que a vida é realmente para ser vivida, para ser desfrutada, e é por isso que quisemos também trazer este tema nesta altura em que estamos a gravar, provavelmente se calhar depois quem vai ouvir não vai ouvir noutros momentos do ano.
mas espero que também esta mensagem não é só para ser vivida em Beltane, não é? É para ser vivida ao longo do ano e, sobretudo, é chamar a atenção para a importância de saber parar, para a importância de saber resgatar este... parar, este sentir, este simplesmente estar connosco, não é?
Sim, este desfrutar. Olha, eu ainda ontem fui dar um passeio à natureza e de facto a natureza está ao rubro, não é? Há flores por todo o lado, os passarinhos. Este é este... Cheiros. Este tempo para mim são cheiros. Está linda. E eu acho que se vê muitas coisas, até muita gente a falar, não é? Chega a primavera e é a altura do fazer e do acontecer e da ação. Mas também é a altura do desfrute.
Porque aquela alegria que agora pensando na mata onde estive ontem, a mata está em celebração, a vida está em celebração e está a acontecer simplesmente por acontecer. Então nós não temos que estar sempre em ação e apesar da primavera ser aquele momento que nós sentimos este chamado para sair para fora,
Mas que este chamado seja também um chamado de contemplação, de desfrute deste não fazer nada, deste estar, deste resgate da nossa inocência, do nosso prazer, do nosso fazer por fazer. Eu acho que muitas vezes até, mais do que não fazer nada, porque o não fazer nada também pode ser uma exigência, mas é fazermos por fazer.
Exatamente. Sem nenhum objetivo. E criar também, que no fundo a natureza também é isso, é criar. E Beltane fala-nos um pouco disso. É o tal casamento alquímico, é o tal momento da fertilidade de tudo à nossa volta, da primavera, das flores, dos cheiros, de tudo aquilo que tu falavas. E também deste desfrutar, como tu dizes. Por isso é que acho que faz sentido também falarmos disso, associado aqui um bocadinho a isto.
porque de facto é o desfrutar, é o casamento alquímico, é quando o yin e o yang se encontram, mas para desfrutar, para fertilizar, não é? E eu acho que é super importante, realmente, e eu falo muito disso, muitas vezes até nos meus workshops e nos cursos, etc, da questão de nós, muitas vezes só estamos a viver a 50% das nossas capacidades, não é? Porque a nossa sociedade valoriza muito o tal fazer, não é? O tal fazer, o tal...
estar sempre a fazer e nós próprios estamos completamente formatados para estar sempre a fazer e sentimos-nos na maioria das vezes culpados quando pura e simplesmente estamos só a sentir, não é? E não falo só da criatividade, não falo só do hino, não é? Porque o hino associado é aqui ao criar, ao saber receber, ao saber parar para também receber, não é? E...
E quando nós só vivemos aqui a 50% do nosso cérebro, das nossas capacidades, peço desculpa porque eu estou com um bocadinho de tosse, mas estamos só a viver a 50% das nossas possibilidades, daquilo que nós podemos fazer com as nossas vidas. E o contrário também é verdadeiro, não é? Quando nós só estamos numa de criar e de não fazer nada e de não, acabamos também por não estar a viver a 100%. E aí
e portanto a importância dos dois é grande mas eu peço desculpa mas eu estou mesmo com tosse e com a garganta inflamada e mesmo assim estou aqui a dar o meu melhor neste podcast mas peço desculpa se descer se ficar engasgada, etc
Coisas humanas. Coisas humanas. Coisas humanas. Tem que fazer asma, tem que hidratar um bocadinho. E sabes, Mónica, é também aquela questão de fazer sem um benefício, fazer sem estarmos a pensar num determinado resultado. Estou a fazer isto porque me dá prazer, não é porque eu sou, sei lá, vou dar um exemplo, se eu estou a pintar, eu nem sou boa a pintar, mas eu estou a pintar porque me dá prazer.
porque nós parece e levamos gerações e gerações e gerações disto, portanto também é uma questão geracional e nós mulheres temos muito esta carga e este peso em cima de gerações e gerações de mulheres que fizeram, fizeram, fizeram para conquistar determinadas coisas então isto está nos entranhado socialmente nós somos desde pequenos infelizmente
moldados para fazer nós fazemos aliás na escola da minha filha eles têm uma música que é a música da escola que uma das partes da música diz que ser é mais do que fazer e eu adoro claro, porque ser é mais do que fazer e nós esquecemos disso ser, nós precisamos de ser
É fazer pelo desfruto fazer. Não é estou a fazer este trabalho manual porque vou vender. Não, estou a fazer porque me dá gozo. Nós perdemos-nos desta questão do gozo. É tudo industrializado. Eu próprio já passei por essa questão do eu não vejo filmes, eu só vejo documentários. Porque a necessidade está sempre a aprender qualquer coisa. Porque senão é uma perda de tempo.
Mas há coisa mais linda do que ver uma obra de arte cinematográfica. Vê-se um daqueles filmes mesmo muito bons que nós ficamos... Uau! Que nos faz bem à alma. Ponto. Sem dúvida. É uma nutrição. Ou um livro. Ou um livro simples. Ou um livro. Que não é de desenvolvimento pessoal. E que é de...
De uma história. Sim, uma história. Olha, eu aqui tenho regra e mais ou menos vou cumprindo esta regra interna. Ao final do dia, à noite, já depois da minha filha adormecer, o tempo, se eu digo para ler, é para ler um livro desses, um livro de história, um livro só para nutrir o coração, porque senão nós somos bombardeados com esta sensação de que temos sempre que aprender mais qualquer coisa. Portanto, falta-nos sempre qualquer coisa, nós ainda não somos mais suficientes.
e temos que aprender mais e mais e mais e mais e mais
E é tão interessante como isto tudo se liga, não é? Porque esta altura do ano, em termos do Bagua, do Feng Shui, está associada ao ponto cardeal sudeste, que é precisamente o ponto cardeal que eu associo também aqui a Beltano, que é precisamente a área do Bagua que está relacionada com a prosperidade e com as bênçãos. E é tão engraçado, não é tão curioso? Porque realmente, e essa área do Bagua, normalmente quando essa área do Bagua está...
bloqueada numa casa de uma pessoa, significa que a pessoa realmente não está aberta a receber também da vida, da prosperidade da vida, e às vezes não é só trabalhar a prosperidade no sentido de ganhar dinheiro para comprar isto, ou para fazer aquilo, etc. Tem a ver com a pessoa abrir-se a receber, não é? Ou de não se sentir merecedora também de...
de receber, de parar de receber simplesmente porque sim porque merece, porque faz parte da vida porque o dar e o receber são faces da mesma moeda está no fluxo está no fluxo, não podes só dar aliás isso é uma coisa muito interessante mesmo em termos de desenvolvimento pessoal eu quando li isto há muitos anos atrás fica uau e eu passei a trabalhar desta forma no meu trabalho, na minha vida pessoal é tipo um barómetro para mim que é eu faço isso
Além do dar e receber mesmo. Isto na altura foi pelo John DeMartini que eu li, que ele trabalha muito essas questões da abundância e da prosperidade e do dinheiro mesmo, concreto. E ele falava nisso, quando uma pessoa dá demais sem receber nada em troca, isto a nível do trabalho, a nível pessoal, a nível das emoções, das relações e tudo mais. Quando uma pessoa dá demais sem estar a receber nada em troca. Claro que nós não vamos contabilizar isto nas amizades, nas relações, mas...
É estar atento a este fluxo, quando nós damos demais e não recebemos nada em troca de uma pessoa, de um negócio, de um trabalho, o fluxo da vida acaba por ficar desequilibrado e vem sempre com certeza alguma lição da vida para nos mostrar que temos de trazer os pratos da balança ao equilíbrio.
E o contrário também é verdadeiro. Quando nós estamos numa também só de receber, de tirar aos outros, seja em trabalho, seja numa relação, o fluxo da vida também nos vai dar um ensinamento para nos mostrar que nós temos que trazer os pratos da balança ao equilíbrio. E isso para mim foi tipo... Ah! Ahá! E eu acho que quando está...
E isto é válido nas relações externas, mas também é válido olharmos para a nossa relação interna, na nossa relação connosco próprios. Também tem que haver esse equilíbrio, não é? Entre a ação e a não ação. Exatamente. Entre estudar e saber. É importante, nós estamos a ter de ser este fluxo nas relações, no trabalho, mas também dentro de nós, não é? Quando nós, como tu dizes e bem...
quando nós estamos só a fazer a fazer, sem ter aquele momento de parar para sentir, para criar, para estar, para escutar simplesmente só a nossa voz interior, se calhar alguma coisa vai acontecer para nos trazer a este equilíbrio. E o contrário também, porque quando nós estamos demasiado com a cabeça no ar, só na criatividade, só em criar, e também não agimos, não é?
Se calhar escrever um livro, fazer uma criação e pôr na gaveta e depois também não fazer nada com aquilo, não é? Acaba por também ser um desequilíbrio, não é? Portanto, estes dois lados são importantes. E aí Beltrán traz-nos um pouco esse casamento entre os dois, não é? Mas claro que nós estamos aqui a dar enfoque aqui à questão da criatividade e do parar e do sentir, porque sentimos que de facto é uma coisa que está em desequilíbrio.
É urgente. É urgente. É urgente nos dias de hoje. É aí que nós estamos perdidos. É aí que nós estamos perdidos. E estamos perdidos. É vou fazer mais um curso, vou fazer mais um curso. Vou aprender mais uma técnica de meditação. É tudo mais. Sempre mais. Sempre mais. Não vou fazer mais um vision board. Vou fazer...
Eu acho que nós estamos a passar um bocadinho essa fase, digo eu, não é? A vida está-nos a obrigar, não nos está a dar muito tempo, obrigam-nos a muitas mudanças ultimamente, que, bem, desde o Covid até agora, quer dizer, tem sido uma aceleração.
Nós já sabíamos, não é? Mas nós estamos a viver num momento. E eu acho que nós nem falávamos um bocadinho há pouco em off, não é? Nós nem temos noção do que é que está a acontecer. Vamos tentando vir aqui à tona e encontrar o nosso equilíbrio de formas diferentes do que é o que fazíamos, se calhar, há 10 anos atrás. Mas se calhar só daqui a... Nem sabemos se estamos cá para conseguir olhar para isto, olhar para trás e pensar.
Não, nós vivemos num momento de mudança muito importante, que é o atual. Nós agora, eu acho, estamos tão preocupados com tentar encontrar um equilíbrio no meio das mudanças que estão a acontecer no mundo, em nós, nos nossos mundos interiores e no mundo à nossa volta, que nem temos noção realmente do que é que está a acontecer. Mas daqui a uns anos, se calhar, nós vamos olhar e vamos ter essa noção, mais consciente.
porque há uma mudança estrutural no mundo a acontecer e é aquela coisa do nós não podíamos continuar a viver como vivemos agora não sabemos o que é que isto vai dar mas estamos cá presentes nessa
viragem estamos a aprender estamos a aprender a renascer totalmente porque este ano então do ponto de vista da astrologia e até do Feng Shui da astrologia do que das nove estrelas e do ano do cavalo e da numerologia e do que for a numerologia tudo se combina para um ano de renascimento completo só que as pessoas eu acho que também venderam muito e quiseram agarrar-se muito este ano ia ser espetacular este ano tem tudo de espetacular e de besta exatamente exatamente tal é igual eu acho que
Qualquer purga transformação. Sim, tem tudo espetacular e de besta. E nós estamos no final de Abril e parece que já passou um ano inteiro. Ah, caramba! É verdade. Tem sido uma intensidade. Só estamos no final de Abril e sinto-me confusa. Porque ao mesmo tempo que o tempo passa muito rápido, há esta sensação de que já foi tanta coisa e é tanta coisa. E há uma intensidade a acontecer em todos os planos.
E lá está, eu acho que aqui ainda mais o chamado, não é? Para este lugar do desfruto, do pequeno, dos pequenos prazeres. Dos pequenos, não é? Do pequeno que se torna grande, não é? Das pequenas mudanças que depois se tornam grandes. Sei lá, a mim, olha...
Porque depois todos temos os nossos gostos e as coisas que nos centram e nos trazem de volta a nós. E tu sabes, como minha amiga, em momentos muito difíceis da minha vida, os trabalhos manuais, as minhas criações artísticas, sempre foram uma coisa que me trouxeram de volta à minha sanidade mental, ao meu centrar. Portanto, sempre como um lugar de, ok, aqui eu respiro, aqui eu acalmo, aqui eu centro-me.
E uma das coisas que eu gosto muito de fazer e que tem surgido agora mais neste último mês tem sido voltar à cozinha, a coisas na cozinha que exigem presença, que exigem dedicação, mas que exigem isto, este estar presente. E eu voltei muito ao fazer o pão com a minha massa-mãe, aos meus fermentados, a minha casa de repente está cheia de frascos de coisas a fermentar e olha isto.
Beltano, esta explosão, ir apanhar ainda ontem, parei no caminho a apanhar pétalas de rosa para hoje fazer um fermentado com as rosas e mais flores de sabogueiro. Ok, porque há este convite, mas ao mesmo tempo que esta é uma ação, há uma necessidade de estar presente, que é o que eu acho lindo neste amassar o pão, fazer crescer uma massa, fermentar alimentos, fermentar flores.
é que também te pede que é tudo também te pede observação presente e uma total ausência de controle porque tu não controlas o que está ali a acontecer exatamente sabe fazer sozinho os micro-organismos estão ali a desenvolver-se sozinhos, tu não controlas nada tu fizeste o que podias fazer, juntar x quantidade de sal com x de água e tal tal tal
teoricamente fizeste as quantidades certas mas o que vai acontecer ali dentro aquela explosão de vida que vai acontecer ali dentro tu não controlas e nós estamos muito enganados e vivemos muito a achar que controlamos tudo e que fazemos tudo eu não fiz nada, eu misturei ali uns ingredientes e agora a magia acontece
E o que é que me chama a mim? Observar. E, apá, uau, ontem cheguei a casa ao final do dia e a massa-mãe que eu tenho num frasco, tipo, estava a transbordar e eu, uau, isto está a crescer incrivelmente. E isto é um gozo de criança. Aquela coisa de uma criança que tem uma coisinha nova, que não é um brinquedo. Ai, que bom está a funcionar. Isto faz-te tão bem. Eu dou por mim a levantar-me da cama de manhã, em pulgas, do, será que aquele fermentado que eu nunca fiz, já é a primeira vez que eu estou a fazer? Está a resultar. E eu venho, tic tic tic tic tic.
ver o frasco, tem borbulhas, está...
Então, é esta inocência. Eu estou a fazer aquilo para cá. Claro, porque eu tiro muitos benefícios, eu e a minha família, de comermos aquilo. Mas há um prazer e eu acho que nos falta, hoje em dia, neste corre-corre que as pessoas têm pressa para tudo. Compramos tudo feito, como a minha avó costumava dizer. Agora já ninguém faz nada. Compramos tudo feito. Porque não temos tempo para fazer. Então estamos cada vez mais desequilibrados, cada vez mais.
E depois, para comprarmos também tudo feito, temos que ter mais dinheiro para comprar tudo feito.
Exatamente, e é uma roda do hamster, não é? É, e nunca estamos presentes nas coisas, porque as coisas chegam-nos e nós nem sabemos onde é que elas chegam. As criancinhas hoje pensam que o leito vem de um pacote. O leito não vem de um pacote, o leito vem da vaca, ou da cabra, ou da ovelha, ou o que for.
e nós perdemos esta conexão porque isto exige estar presente eu sei que infelizmente e eu conheço muitas pessoas à minha volta que se lhes perguntarem que faz estalo elas não sabem as pessoas nem têm tempo
para parar um bocadinho e para observar o que está acontecendo à sua volta, não é? Observar o céu, as nuvens, as flores que floresceram, os cheiros. As pessoas habituam-se, não é? Passam na rua, se calhar cheiram, mas nem ligam, não é? E aquele sentir, não é? Porque também está presente. E eu acho que este às vezes o não fazer nada, que às vezes tem que conversar com pessoas, ah, mas eu não consigo ficar no sofá quieta sem fazer nada. Mas às vezes o não fazer nada é só o estar em observação.
e eu não fazer nada não é estar no telemóvel a partir do momento em que eu estou a passear na natureza a observar, ou que eu estou ali com a minha massa do pão ao mesmo tempo eu não estou a fazer nada porque mentalmente eu não estou a fazer nada as minhas mãos até estão ali numa ação mas eu tenho que estar presente naquilo e eu acho que é o que nos falta não é? porque é sobretudo um fluxo mental constante que nós temos
viciadíssimos em estímulo estamos viciadíssimos à conta das redes sociais e não sabemos parar e um bocadinho essas atividades manuais também nos trazem um pouco para o corpo e eu noto isso todas essas atividades manuais acabam por nos colocar num tempo-espaço que não existe
às vezes passam-se horas e nós pensamos que só passaram 10 minutos ou meia hora e de repente a beleza destas atividades criativas, manuais, o arevo, nós estamos mais em contato com o nosso corpo até mesmo o desporto, até mesmo o desporto O exercício físico é ótimo? O exercício físico, a criatividade, tudo isso, colocam-nos num estado
de desligamento que nós não damos pelo tempo de passar, não é? E eu acho isso espetacular. Porque de repente às tantas até ficamos sem fome. A mim acontece-me isso, não é? Com o exercício físico e tudo mais. Eu fico sem fome, fico sem... Passou-se não sei quanto tempo... Ah, eu estou para ir só 10 minutos, mas se calhar... Ah, se calhar estou aqui à 40 e estou a adorar. Deixa-me estar sossegada sem olhar para o relógio, não é?
e faz falta isso e mesmo a criatividade seja ela de que formas for a criatividade tem muitas formas hoje em dia já ninguém remenda uma roupa os nossos avós remendavam as meias nós não fazemos nada
não fazemos nada. E estes fazeres, eu acho que eram muito mais quietos do que os fazeres que nós temos hoje, que é um estímulo constante, um frenético. É um estímulo mental. Que é este vício da dopamina e aquele tal livro, acho que falam da geração dopamina.
nós estamos a criar um problema grave a nível da nossa saúde psicológica, mental e física também porque todas as coisas negativas e as densidades energéticas que andam à nossa volta e mesmo das nossas emoções acabam por ficar cristalizadas se nós não a libertarmos do corpo por isso é que a gente é tão importante abrir falar, nem que seja só né
Mexer o corpo, seja por perdoçar, seja por carregar pesos. Mexer mesmo com o intuito de libertar isso, descarregar isso. Às vezes, os meus passos na natureza são um bocadinho isso. É descarregar as coisas, seja mesmo até as densidades dos eletromagnetismos a que estamos sujeitos hoje em dia, mas não só, emocionais também, emocionais, mentais, tudo aquilo que não interessa. Porque se nós, o princípio é o mesmo para tudo. Mesmo no Feng Shui, o princípio é o mesmo.
nós temos que esvaziar para depois entrar qualquer coisa de novo e de bom. Esvaziar o que não está em equilíbrio, o que não está tão bem, o que ocupa espaço no nosso corpo, na nossa casa, no nosso espaço físico, mental e à nossa volta, para entrar algo novo. E quando nós não conseguimos fazer isso.
é muito difícil, vai entrar algo novo, não é? E ficamos a ser bravados com essa energia cristalizada, não é? Daí a importância realmente de nós libertarmos e sentirmos mesmo que algo está a sair do corpo, não é? E nós não precisamos, se calhar, de um terapeuta ou isso para nos ajudar a fazer isso. Nós podemos fazer isso sozinhos e tendo a consciência da importância de parar para fazer isso, não é?
Sim, e nós já falámos disto outras vezes, mas esta questão é porque agora paramos sempre com os telemóveis então efetivamente não paramos, não há uma ausência de estímulo, não se cria esse espaço para deixar sair é sempre porque tenho que aprender mais qualquer coisa tenho que fazer mais qualquer coisa, tenho que me distrair não temos que nos distrair
às vezes nós não temos que nos distrair e podemos nos distrair com outras coisas com o passarinho a cantar antes nós distraíamos assim eu de antes quando estudava na faculdade eu ia no metro, adorava fazer cartografia e gosto de fazer crochê nunca fiz nada de jeito, diga-se aqui já de passagem nunca fiz nada
Faziam uns golos, mas que coisas, pronto. Mas nunca, ou seja, a minha árvore... Mas o bem que me sabe estar a fazer isso, não é? Mas o bem que me sabe. Eu, quando andava na faculdade, eu ia para a faculdade no metro a fazer crochê. Hoje em dia, vai-se para as faculdades, para onde for, no telemóvel. Agora até há rede dentro do metro. No meu tempo não havia rede dentro do metro. A gente descia à escada do metro e acabava-se. Agora há rede dentro do metro. Então,
Isto já não existe, não é? Porque tenho que aproveitar o tempo. Seja para assistir a mais um podcast, seja para aprender mais uma técnica. Calma, calma. Fazer aquele crochê que até fazes mal, mas que estás ali só ali, é muito saudável.
sem dúvida, cada um tem as suas fórmulas. Claro, claro, eu estou a falar das minhas, sei lá, que a mim que eu gosto e sabes que aparece a muitas pessoas mesmo a nível de saúde física com muitos problemas digestivos, com muitos problemas de ansiedade, de sono e falta a estas pessoas o desfruto do simples
Relaxa, do que centra, do que nos traz de volta a uma ativação do sistema nervoso parasimpático. Porque, na verdade, estas atividades vão ativar o nosso sistema nervoso parasimpático, ao revés de estarmos com o simpático em alerta sempre constante.
E é por isso que nós sentimos, não é, que as atividades manuais nos traz para o corpo, nos traz para o relaxe, claro, porque cria esta ativação de um sistema nervoso parasimpático. Agora, se eu estou ali a fazer também aquela atividade com uma pressão incrível para ser perfeito para não sei o que, já está tudo estragado.
No gozo, na inocência. Era o que nós falávamos no início. Quando começa a ser uma obrigação porque vimos, não sei aonde, que alguém disse que temos que ter um tempo para escrever todos os dias no nosso diário e todos os dias temos que ter tempo para acender uma vela ou um incenso ou ter que estar a fazer um crochê ou ainda mais acrescentar. Quando isso passa a ser uma obrigação, calma lá. Aí é que é preciso também regular.
E parar, e sentir, não é? Sim, esse sentir. Não, não é sentir. E é realmente... Eu tive sempre a sorte, também porque escolhi, não é? Foi sorte, mas também porque escolhi. Trabalhar em áreas que promovem a criatividade e a intuição. Por um lado, o design traz a criatividade.
atualmente o design de interiores também traz isso mas o Feng Shui também traz a intuição, não é? é entrar num espaço e desligar do mental para conseguires perceber o que está para além do visível, não é? e percebes, não é? entra-se num espaço e quando se tem bastante treinado tu entras num espaço e é inevitável tu não conseguires ver o que é que está para além daquilo que não é dito não é? daquilo que não é revelado, daquilo que não é dito
e pronto, e felizmente lá está, como digo, tive a sorte porque escolhi também trabalhar assim mas sempre tenho acompanhado alguns processos de evolução do mundo em relação a isto e da forma como o mundo, ainda me recordo quando terei o curso de design na altura
gráfico já há 30 anos as pessoas achavam que isto era uma coisa que não devia de ser paga basicamente era uma profissão que eu como fazia uns bonecos e até tinha umas ideias engraçadas basicamente não tinha que ser pago e às vezes até há dificuldade
Agora já não tanto, mas mesmo assim acho que continua agora por outros motivos, por causa da questão da inteligência artificial e por causa da questão da facilidade com que se faz as coisas na internet. Mas eu tenho acompanhado um bocadinho, acompanhei depois o auge desse crescer, dessa profissão, que depois entretanto também com as redes sociais e com a facilidade também vem um bocadinho por aí abaixo, valorizando-se sempre um bocadinho mais a parte técnica, não é? Acho que é um pouco isso.
Corritiva. Tudo que é ideias, tudo que é coisas assim, é pouco valorizado e tem sempre menos importância. E não é bem assim. Porque é isso que também traz alma à vida. É esse lado criativo que traz alma à vida. E nós quando compramos, até mesmo para as pessoas muito técnicas e muito mentais, quando nós compramos uma roupa, quando nós compramos um carro, seguramente que o design vai ter uma importância muito grande.
e não é só porque, com certeza, que outros fatores também terão, mas a parte estética, de repente, é aquilo que nos faz decidir e gastar, se calhar, o dinheiro, que até nem queremos ter, à partida, pensar em gastar.
para comprar algo é beleza, a beleza traz cura traz harmonia traz alegria à nossa vida a beleza das coisas eu acho que vocês concordam comigo para mim a beleza é uma manifestação do divino essa beleza que é harmónica que cura, como tu dizes
Sim, eu estava a pensar em ti e tu tens esse trabalho criativo e tens essa mente criativa mas eu sei que tu também não prescindes dos teus momentos não é? Seja do teu livro ou seja dos momentos em que tu também desligas Sim, sim e se calhar agora de formas diferentes que era aquilo que nós falávamos, que a vida muda
eu disse que antes tinha outro tipo de tempo para fazer estas coisas e agora deixei de ter e de repente tive que me reinventar nos últimos anos para tentar encaixar as coisas que me fazem bem, não deixar de as fazer mas num outro tempo numa outra forma
E obrigou-me mesmo a fazer um reset total e uma modificação total, mas não, mas eu já tenho consciência do bem que isso me faz, não é? Não prescindir, não é? Porque eu sei que quando eu prescindo disso, já sei que as minhas emoções ficam completamente desregoadas. Portanto, não quero chegar a esse ponto e já tenho chegado. Eu ia dizer isso.
Também com circunstâncias diferentes das tuas, mas a mesma coisa, a vida mudou muito e às vezes não consigo fazer e sei que estou a ir para um caminho que me desregula, mas é aceitar. É aceitar e depois quando tiver o tempo necessário fazer, não é?
ou fazer outras micro coisas que fazem com que este desregular este desregular não seja tão grande antes de ser mãe ah claro todos os dias quando me levantava de madrugada ainda, meu tapetinho de yoga pelo menos uma hora não é para uma prática, alonga corpo, asana, não sei o que meditação, não sei quanto tempo ha ha ha ha é é é E aí
não é? Então hoje em dia eu tento não me esquecer de me espreguiçar bem para um lado e para o outro quando me levanto e às vezes dá para esticar o tapete, às vezes não dá às vezes acontece isso acontece antes do almoço tenho ali um quarto da hora, vinte minutos e vou fazer
whatever e às vezes é o que se nota sobretudo é como as coisas mudaram muito e às vezes não temos o mesmo tempo que tínhamos, não é? e eu por outros motivos mas tipo é, às vezes quando surge a oportunidade tipo é agora e não estar à espera de, ah se calhar
não é o momento ideal ao final do dia, não sei o quê o desporto e a minha meditação e todos os fins de semana e três horas para a natureza e pronto e conectar, não é assim é aquele momento, olha, agora dá, deixa-me ir pronto, porque eu preciso disto sim, sim, sem dúvida eu olho aqui e sinto igual e é saber estar em presença com aquilo que é para fazer um
E isto exige, claro que tem que haver estes momentos para regular, não é? Tem que haver estes momentos para voltarmos a este gozo, às coisas que nos dão, que nos fazem sentir bem. Mas é a vida e não podemos ficar perdidos. Ah, porque eu não tenho tempo para fazer e eu não consigo agora meditar uma hora e meia e então não sei.
não se medite uma hora e meia respira-se fundo 5 minutos na casa de banho na casa de banho, enquanto estás a fazer a comida para a tua filha expires fundo ali e acabou, e aguenta porque a vida é mesmo assim e a vida é assim e as exigências da vida são assim
Porque eu acho que realmente a criatividade é uma ferramenta... A criatividade é o sentir, de facto, é permitir-nos receber a informação divina. E eu noto muito isso. Mesmo a criatividade artística e tudo mais, seja em forma de várias coisas. Estavas há pouco a falar dos filmes, mas pode ser dos livros, pode ser... Há forma mais divina de canalizar, seja o que for, do divino.
como a criatividade, eu acho que não há quer dizer, é incrível mas eu acho que a criatividade também está presente ou seja, pode ser na refeição que tu vais preparar está lá a tua criatividade na forma como tu te vais vestir é sempre uma expressão e acho que a criatividade está está presente se nós estivermos presentes se nós não estivermos a seguir um standard de não sei de quê, uma regra do não sei do que antes, pronto, nós estamos a fazer aquilo que nós sentimos que é alinhado eu acho que a criatividade é um eu acho que a criatividade é um
naquele dia, não é? Sem dúvida, porque realmente nós vemos muitas coisas acontecer nas redes sociais, hoje em dia a gente já nem sabe o que é que é verdade e o que é que não é e eu noto isso, às vezes as pessoas para venderem as suas coisas promovem um bocadinho a ideia de que tem que ter tempo para isto e tempo para aquilo e é mais isto, é pôr as rotinas matinais e é pôr não sei o que, é claro que sim
mas temos que ter algum quer dizer, temos que perceber o que é que faz sentido para nós e se realmente aquilo que nos estão a tentar vender é assim tão real ou não, não é? E que se encaixa na nossa vida ou não ou se é mais uma fonte de stress porque o que é que me dá a mim que ser uma rotina olha, sei lá, praticar meditação não é que já estávamos a falar sentadinha quieta, mas foi mais um motivo de stress para eu passar de dois minutos de estar aos gritos com a minha filha, sai daqui e eu deixo então qual é a utilidade daquilo? Assim, nenhuma, claro uma
mas é giro porque eu já quando comecei nesta área da espiritualidade há muitos anos, mas eu na altura era um bocadinho rebelde, porque tudo o que não fosse meditar vestido branco, vestido em posição de lotes e aquela coisa era considerado assim não é bem, não é bem a mesma coisa e mesmo eu passei pela fase das pessoas que ainda andavam vestidas de branco para se intitularem mais espirituais não é?
Tinhas gostido, era assim. Ainda é assim em alguns nichos. Ainda é assim em alguns nichos, mas não... Mas não é tanto. E eu na altura já achava que isso não me fazia sentido nenhum, não é? Quando comecei nesta área eu disse, epá, mas isto não me faz sentido nenhum e não vou fazer, vou fazer de outra forma. Mas era sempre um bocado, o quê? Tu fazes isso assim? Era sempre visto um bocadinho como estranha.
porque realmente não encaixava. Depois, portanto, as coisas foram mudando, felizmente, e hoje em dia as pessoas já sentem que há inúmeras possibilidades de fazermos as mesmas coisas e é como fizer sentido a cada um, não é? Epá, as pessoas já sentem. Olha que eu apanho muitas pessoas que vêm. As pessoas ainda procuram muita receita.
Ai, ai sim. As pessoas ainda procuram muita receita, que alguém venha de fora e lhes diga como é que elas têm que fazer. Porque há uma desconexão do sentir. E eu acho que há uma desconexão do sentir. Há um medo também, não é? Um medo de tomar a responsabilidade e se der errado. Como se pudesse dar assim tão errado que provocasse uma catástrofe. Há tantas coisas que estão erradas no nosso dia-a-dia e que fazemos errado.
e volta isto tem andado muito comigo e se calhar por isso vou usar esta palavra outra vez mas é esta inocência de criança esta inocência está tudo bem pura, vou ali experimentar sentar-me a fazer aquelas respirações mas deste lugar de uma inocência de um lugar puro não de um lugar de eu vou fazer isto porque vou atingir samsara a minha libertação está dependente disto, é vida ou morte não eu vou colocar
Vamos lá desfogar um pouco da vida. Tenho saudades e tenho tentado procurar um bocadinho também trazer isso à minha vida. Essa espiritualidade simples. De coisas simples. E sabes que eu tenho que fazer? De coisas muito complicadas. Estou-me aqui a lembrar, porque eu acho que nós também somos formatados para isto. És adulta, tem que ser tudo sério.
E sério, quer dizer que não é uma coisa que perdeu a inocência. Por isso é que a gente lhe diz que é a inocência de criança. E outro dia uma rapariga, num contexto de nada a ver, num contexto de dia de vida, disse-me referente-se à minha filha que aproveita bem porque estas idades são tão giras, tenho tantas saudades. Quando eles vão para a primária muda tudo.
E esta frase não me saiu da cabeça. Claro que muda, porque eles vêm da escola às cinco e meia, carregados de trabalho, ao matar a inocência. Já não tens... Agora a vida começa a ser a sério. E ouve-se muito isto. Olha, agora já estás na primária, já é sério. É sério o quê?
a vida sempre foi a sério brincar é a sério é sério brincar é a sério a vida está a acontecer a sério então há uma programação social com todas as suas intenções para que isso aconteça podemos fazer um episódio mais conspiracionista vamos fazer um episódio de conspiracionista sobre estes temas não é agora
Nada, não. Mas há um interesse, não é? E há um plano para que seja assim. Mas eu achei que esta pessoa sem...
Sem saber muito bom o que estava a dizer, ela estava a dizer algo muito, muito, muito profundo e grave. Porque é verdade. E muito inteligente, muito de observação, não é? Mudou tudo. Quando ela foi para a primária, mudou tudo. Perdeu-se aquela inocência que eu estou a ver ali na tua filha. Perdeu-se esta coisa. É pá, caramba! Com seis anos ou sete?
Mas isto é intencional. E eu quando ia à escola e tu quando foste à escola, a escola não tinha a carga que tem agora. Os miúdos agora que andam numa escola no ensino convencional é uma loucura. Eles na segunda classe fazem provas. Pois. Exames profissionais não sei o quê. É demais. É demais. Além de haver certas escolas de elites que promovem também um bocadinho a competição. Ah, mas as públicas também promovem e um símbolo de trabalho. E trabalhos. Sim. Então...
matamos esta inocência, com 6 ou 7 anos estamos a matar e depois os miúdos começam a crescer, não é ainda com sonhos ah tu vais ver, quando fôs adulto e tiveres contas para pagar tu vais ver e mata logo, mata logo é matar, e nós tornamos adultos como? ah eu não posso ir fazer aquilo só por prazer claro, agora vou fazer aquilo para quê? aquilo serve para quê? qual é a utilidade daquilo?
se não tiver uma utilidade não é importante não é importante não vais ganhar a vida assim pois não a fazer isso a minha vida sempre foi um bocado assim desde a área do design ao Feng Shui
Agora já não tanto porque estou mais relacionada com os interiores e tem um impacto um bocadinho maior porque mexe com outras coisas, não é? Com a imobiliária, a área imobiliária, etc. Mas a minha vida sempre foi assim. É do género, mas esta faz o que é da vida.
e é assim, e mesmo o design agora não é visto da mesma forma que há 30 anos atrás, agora as pessoas já dão muito mais valor e já entendem agora, mas há 30 anos atrás era uma coisa, e serve para quê? e vais fazer o quê com isso? e não podes ganhar a vida assim e quando nós trabalhávamos eu fiquei a trabalhar em agências de publicidade eu sou designer mesmo, de formação com curso tirado, curso superior etc, mas normalmente nas agências de publicidade eles chamam eu sou completamente
chamam-nos criativos, é os criativos é a sala dos criativos os criativos para aqui, os criativos para ali e então explicares a um tio ou a alguém ou uma avó, whatever o que é que é um criativo e o que é que um criativo faz é uma coisa um bocadinho complicada sobretudo nas agências pelo FIAD
nos gabinetes de design se calhar que podes mostrar coisas mais concretas é um fizeste um livro, fizeste um cartaz fizeste não sei o quê, uma publicidade agora tipo numa agência de publicidade ser criativo o que é que é isso para uma tia para uma tia ao ponto de tia na altura eu apanhei um bocadinho toda essa evolução agora já se consegue explicar melhor porque também as redes sociais promovem anúncios e etc e as pessoas já têm mais consciência do que é mas mesmo assim ainda acho que é um bocadinho estranho
e o mundo é muito diferente do que era há 30 anos atrás, não é? E a mim diziam-me sempre aqueles chavão que é ah, seguiu as pisadas da mãe que é arquiteta que não tem, tipo, acho que hoje em dia tem mais a ver por causa de todo o meu percurso do feng shui e do desenho interior, mas na altura não tinha nada a ver, eu assim, mas eu não sou arquiteta, sou designer e normalmente diziam-me sempre, ah, seguiu as pisadas da mãe foi para a mesma profissão que a mãe eu hum, hum
É engraçado, não é? Sim, é. Porque não se percebem. Estás a fazer isso para quê? Qual o objetivo? Sim, sim.
o ócio é uma palavra que já saiu do dicionário e precisa do dicionário o ócio, este desfrute, a inocência nós não precisamos fazer trabalho de resgate da criança interior e de cura da criança interior nós precisamos de desfrutar da vida trazer a criança interior para o dia a dia para o dia a dia, desfrutar da criança interior e as crianças também
Esta questão agora de nós estarmos sempre com a cabeça ocupada também acho que revela um bocadinho um medo que as pessoas têm de se escutarem a si próprias, não é? Eu acho que é um pouco por aí também.
Eu acho que sim, também. E acho que é muito este o fomo, este fear of missing out. Tem que estar sempre a aprender qualquer coisa, porque pode acontecer não sei o quê e eu não sei, eu estou desatualizada. Então há sempre mais qualquer coisa. E é disto que se alimentam as redes sociais, de criar a ideia de que te falta qualquer coisa.
então tu ainda não tens o sucesso que querias tu ainda não és bom o suficiente tu ainda não sei o que, não tens o corpo que querias porque tu ainda não descobriste aquela outra técnica não desenvolveste o não sei o que
Exatamente. Está tudo que eu estou indo à vida. Estamos em sintonia. Mas eu também acho que tem um bocadinho a ver com o silêncio interior que às vezes assusta, não é? O estares em contato com os teus pensamentos só por si e assumires certas coisas dentro de ti. Isso não é para todos. Eu estou à vontade porque eu fiz isso há muito tempo, portanto eu não tenho...
É assim, às vezes também me falta a tampa em certas situações, mas não tenho medo, porque já me confrontei a mim própria, comigo própria, em silêncio, enfim, já tenho um bocadinho esse trabalho feito de me ter escutado, mas claro que nós estamos sempre a mudar, porque depois acontecem outras coisas e vão acontecendo outras coisas.
Mas eu acho também um bocadinho isso, não é? As pessoas estão sempre ocupadas para não pensarem em certas outras coisas que as levam a uma dor. Para não se ouvirem. Para não se ouvirem. Para a dor. Para ir para este lugar de dor. Porque nós, infelizmente, na nossa sociedade, nós somos educados e treinados para fugir da dor e apegar-nos ao prazer. Já anda aqui o budismo e...
E os Vedas e os chineses há não sei quantos anos, as tradições mais ancestrais há não sei quantos anos atrás a dizer-nos que a razão do sofrimento humano é esse, não é? O apego ao prazer e o evitar a repulsa à dor. Mas nós vivemos assim. E é curioso como essas filosofias ancestrais trazem sempre uma componente também do corpo, não é?
estou pensando no Feng Shui o Feng Shui está integrado num conjunto de práticas, não é só o Feng Shui que é importante, é o Tai Chi é tudo com a mesma base olha se pensarmos na imagem dos Sufis, a dança dos Sufis para atingir um estado transcendente de consciência com o movimento físico e nós até isso perdemos, nós na nossa sociedade moderna achamos que trabalhar a espiritualidade é uma coisa e depois há as coisas do corpo e depois
Exatamente. E mesmo estou a pensar no xamanismo, também agora estás-me a fazer lembrar o xamanismo, porque no método do tambor, o tipo de xamanismo que eu pratico é só com o tambor para provocar, entre aspas, estados alterados de consciência, não é com substâncias, nem com nada disso, não respeito, mas não vou por aí. Mas só o facto de permitir sentir aquele som vibrar no teu corpo, nos teus ouvidos, no teu corpo todo.
já te permite um estado alterado de consciência que te permite aceder a outros mundos e é incrível, só com um som com aquele som repetido e tudo mais, e eu acho incrível acho incrível, não precisamos de mais nada mesmo
Sim, sim, sim. É através do corpo. Olha na Índia, quando estive no Passei Rode Festival em Puskar e eles fazem lá uma festa enorme e depois vem, tocam tambor à noite dentro e depois no dia de manhã. E é... Aquilo é um puro transe. É uma coisa completamente louca. São muitos homens a tocar tambor com uma intensidade enorme e entra-se num estado alterado de consciência com...
com a frequência do tambor não sei se é que a ancestralidade falava-nos sempre do corpo e nós agora a espiritualidade new age vestida de branco não falamos quase de uma anulação do corpo quase não, é uma anulação eles falar falam, mas não fazem mas não vivem
mas não vivem, eu acho que é um bocadinho falar falam, falar se fala-se mas agora não se vive isso na prática do dia a dia eu acho que é um pouco isso porque falar, falar, ouve-se muita coisa mas agora e fazer? Como é que é? Fazer mesmo, sentir mesmo fazer isso com o outro não é? com a tua família, com o outro com quem tu te relacionas não fazem, não dá sim continua a promover mais o mental com o outro
continua a ser uma promoção do mental e é para mim, olha, cada vez mais e com as circunstâncias que eu tenho agora da minha vida, é cada vez mais é isso é integrar essa espiritualidade no meu dia-a-dia nas coisas do meu dia-a-dia eu acho que o desafio é mesmo esse eu acho que nós viemos cá mesmo para aprender isso porque, ok, já temos a técnica toda a prática toda da teoria e agora, como é que é com o desafio da vida? como é que a gente vai integrar isto tudo com o desafio do filho da filha da, da, da
do casamento, enfim, de tudo trabalho do cliente, como? como é que tu vais fazer isso? e eu acho que esse é que é o grande desafio porque na teoria nós já sabemos tudo agora depois é fazer na prática com o amigo com a amiga com outra pessoa que até nós nem gostamos tanto eu acho que os desafios maiores são sempre com o que nos desafia mais com as pessoas que nos desafiam mais não é?
É pôr em prática. E connosco mesmo, sobretudo. E connosco mesmo. A começar em nós mesmos. Eu acho que é começar em nós. É começar em nós. Por mais tempo de presença, por mais tempo de ócio, por menos querer atingir objetivos.
Eu acho que os objetivos fazem parte, mas é os tais 50% que vivemos, não é? Falta os outros 50% para vivermos ao máximo das nossas capacidades. Sim.
E queremos deixar aqui um bocadinho esta reflexão, não é, Ida? E não sei quando é que as pessoas vão ouvir este episódio, mas deixar um pouco essa proposta no ar. Não é? Até um próximo episódio. E deixar que as pessoas, quando ouvirem este episódio, pratiquem só pelo menos uns minutos ou um... Acabem de ouvir o episódio e desliguem. Fiquem só.
Fiquem só, estar só. Ou criem só, sem grande utilidade. Só mesmo pelo simples facto de sentir. Sim. Sabendo se não vai dar certo ou se vai dar certo, não interessa. Não é? Sim. É. E olha, despedimos-nos.
despedimos e pronto, e até um próximo episódio obrigada por estarem aí, obrigada Dinamene pela tua partilha é sempre bom é sempre bom falar contigo eu adoro estes nossos peitos depois esqueço-me que estou a gravar um podcast contigo e é assim como certo profissionalismo claro, precisamos de conversar só as duas não pensem que as nossas conversas são assim neste todo
com tanto formalismo mas é mas é bom porque é que é seu coração e a nossa ideia com este podcast também era um bocadinho ou seja, falar das coisas importantes da vida mas também com alguma leveza alguma alma e claro que foi falar de coisas práticas e feng shui e alimentação e nutrição e medicina integrativa mas também mas também trazer a alma sim sim
porque já há tanto podcast sobre tanta coisa tão boa e tão bons e com quantidades tão incríveis que realmente o nosso propósito sempre foi ainda hoje falávamos isso no off não esqueçamos isso inspirar que as pessoas saiam de nos ouvir a sentir-se melhor, ainda outro dia uma senhora me disse isso, eu gosto tanto de vos ouvir e depois no final de vos estar a ouvir tudo permito-me sorrir é isso, como?
que bom, olha, obrigada um beijinho e obrigada um beijinho para todos os que estão desse lado um beijinho, e desculpem da minha tosse mas pronto, eu hoje já estou melhor, já estou melhor obrigada, então vá, beijinhos beijinho foi um prazer partilhar este momento contigo
Cuida de ti e dos teus espaços. E volta para mais histórias no Pela Tua Saúde.
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