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Alimentação sustentável: pequenas escolhas com grande impacto

04 de maio de 202649min
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Neste episódio do Podcast 80/20, falamos de um tema cada vez mais presente e necessário: alimentação sustentável.

Mais do que uma tendência, é uma forma de olhar para o impacto que aquilo que colocamos no prato tem na nossa saúde, no ambiente e na forma como nos relacionamos com a comida.

Falamos sobre como equilibrar saúde, sabor e sustentabilidade, sem cair em extremos ou regras rígidas. Porque uma alimentação verdadeiramente sustentável é aquela que conseguimos manter ao longo do tempo.

Exploramos também os três pilares que se cruzam neste tema: cuidar da saúde, comer bem e respeitar o planeta.

No fundo, trata-se de trazer mais consciência às escolhas do dia a dia porque uma alimentação saudável também deve respeitar o ritmo do corpo e do mundo à nossa volta.

 Ouça o episódio completo no Podcast 80/20

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Assuntos6
  • Virada SustentávelDefinição e pilares da alimentação sustentável · Equilíbrio entre saúde, sabor e sustentabilidade · Sustentabilidade financeira na alimentação · Sustentabilidade aplicável no dia a dia · Diferença entre biológico e natural · Valor nutricional e proximidade da origem do alimento · Importância de comer natural e boas colheitas
  • Escolhas alimentares conscientesPequenos passos para fazer diferença · Confiança em talhos e peixarias · Relação com fornecedores de alimentos · Compras em mercados e feiras · Cabazes de legumes e frutas · Compras online de alimentos · Comprar a granel
  • Repensar hábitos alimentaresConsciencialização como motor de mudança · Pequenos passos e foco diário · Integrar legumes e cores nos pratos · Experimentar novas receitas · Criar hábitos de cozinha em casa · Escalabilidade da mudança · Resistência à mudança em família e no trabalho
  • Dieta Mediterrânea e princípiosPrincípios da dieta mediterrânea · Consumo de gorduras, cereais integrais e vegetais · Consumo de carne e peixe · Utilização integral do animal (caldo de osso) · Variedade de plantas na alimentação semanal · Sazonalidade dos alimentos
  • Impacto da IA na produtividadeAlimentação e desempenho no trabalho · Refeições pesadas e sonolência · Alimentação saudável e foco · Relação entre alimentação e bem-estar geral
  • ESG SustentabilidadeRedução de embalagens plásticas · Preferência por produtos locais e sazonais · Impacto ecológico da carne e peixe · Rotação de solos e variedade de culturas · Inflação e foco na sustentabilidade
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Bem-vindos ao 8020, o podcast onde juntos cozinhamos para uma vida melhor. Eu sou a Inês Chimas, chefe de cozinha natural. E eu sou a Mafalda Almeida, nutricionista funcional. 80% são rotinas saudáveis e 20% sem culpa. Aqui o equilíbrio fala mais alto, porque no final todos temos um objetivo comum, viver por mais tempo e com mais qualidade.

Neste podcast, fadamos sem filtros e sem extremismos. Queremos ajudá-lo a digerir novas ideias, a aprender verdadeiramente a cuidar o corpo dentro para fora e a questionar o que sempre foi rotina. Juntos, queremos abrir caminho para a mudança e para o crescimento enquanto indivíduos e sociedade.

Bem-vindos ao 8020. Hoje vamos mergulhar num tema cada vez mais presente e muito necessário, a alimentação sustentável. Muito além de tendências, falar de sustentabilidade na alimentação é falar sobre o impacto que aquilo que colocamos no nosso prato tem de facto na nossa saúde, no nosso ambiente e até na forma como nos relacionamos com a comida. Ao longo do episódio vamos explorar o que significa na prática comer de forma mais consciente. Quais são os pequenos passos que podem fazer diferença?

E como é que nós conseguimos equilibrar saúde, sabor e sustentabilidade sem cair em extremos? Inês, então conta-nos lá. Muita gente fala em alimentação saudável e sustentável, mas para ti que vives de facto neste mundo da cozinha natural, o que é que isto significa na prática?

Eu acho que alimentação saudável muitas vezes acaba por ser mal interpretada. Eu acho que a alimentação saudável é muito generalista. Para mim, a alimentação saudável é uma alimentação que segue os princípios da cozinha natural e que se preocupa no corpo, com o corpo.

que se preocupa como é que é recebida pelo aquele corpo, naquela determinada fase. Portanto, de que forma é que ativa ou não ativa, de forma é que propicia, dá mais energia, te torna mais cansado, e portanto acaba por ter um impacto efetivamente grande no teu corpo e tu consegues ter essa leitura. E portanto, para mim, uma alimentação saudável acaba por ser...

até um bocadinho depreciativo. Quando tu começas a trazer o sustentável, aí já não é. Quando tu começas a conseguir juntar aqui as duas coisas e a perceber que impacto depois é que de facto tem no teu corpo. Portanto, a tua origem, se é sazonal, se é local, a forma como trabalhaste, se tem toda a qualidade que merece ou se até potenciaste essa qualidade e a forma depois como vais recebê-lo no teu corpo.

E se tu tiveste cuidado com isto tudo, tiveste naturalmente cuidado com a questão da sustentabilidade. E, portanto, com a forma como ele foi produzido e como é que ele chegou até aqui. E, portanto, há aqui uma pegada importantíssima que nós devemos ter no nosso dia a dia. E, portanto, para mim, que vivo na cozinha, estes dois princípios têm que estar muito juntos e ligados.

Sim, e não só a sustentabilidade de práticas, de como é que realmente os alimentos foram produzidos, etc., mas até também sustentabilidade financeira, porque eu acho que quando pensamos numa alimentação saudável, há muito aquele mito ainda de que uma alimentação saudável é mais cara.

mas não tem que ser se tu a tornares sustentável financeiramente para aquilo que é a tua realidade financeira, que é se calhar escolheres determinados ingredientes em determinados de outros, se não podes comprar tudo biológico, ok, mas vais comprar mais local e sazonal, por exemplo, e isso já te vai ajudar a ter uma sustentabilidade de uma outra vertente, mas economicamente talvez mais viável.

Então, eu acho que isso também é muito importante, pensar na sustentabilidade de todos os pontos. E para mim, a parte mais importante de todas, que é a sustentabilidade no sentido de ser aplicável. Ou seja, de ser sustentável porque tu consegues sustentar aquela rotina de ir às compras, de cozinhar, de fazeres em casa. Portanto, não só a questão de sustentabilidade ambiental, que é aquela que muitas vezes é só o prisma que às vezes as pessoas olham.

E que pensam, mas no fundo é isso mesmo, é sustentabilidade da origem, sustentabilidade no sentido e na forma como chega até ti, sustentabilidade na questão financeira que falas, sustentabilidade naquilo que falas também que é, se consegues no teu dia-a-dia manter essa consistência, se de facto para ti é sustentável, portanto há aqui várias frentes, não é? Sim. É um prisma muito interessante. Sim, acho que é muito interessante.

Acho que a sustentabilidade na alimentação tem que ser pensada em todas estas formas. Porque enquanto nutricionista, por exemplo, às vezes há pessoas que me perguntam mas é uma falta com o produto biológico? E às vezes eu pergunto, ok, mas qual é que é a importância do biológico? O ser biológico é um selo de produção que garante a isenção de uma série de métodos, de práticas, de utilização de pesticidas, etc.

Mas, se calhar, para algumas pessoas que vivem num ambiente mais próximo do campo, se calhar não precisam que tenha esse selo biológico, mas as pessoas têm toda a noção de que aquilo é uma produção o mais caseira e biológica possível. Portanto, acho que o ser biológico não é um selo de ser saudável, ou de ser sustentável, ou o que quer que seja.

Acho que quando tu... Pois não, pois não. Tens muitos produtos biológicos impactados que são tudo bem saudáveis. Que são tudo bem saudáveis. E na verdade é tudo biológico. Mas são todos maus e estão carregados, se calhar, de muitas outras coisas que também não te interessam. Exatamente. É um selo que permite uma quantidade de coisas. E depois se afasta um bocadinho da essência da questão.

Mas no fundo, eu acho que o grande ponto é, quanto mais próximo aquele alimento está da sua origem, melhor será sempre, mais valor nutricional será, não é? Portanto, eu sei que aquilo que eu fui colher vai ter sempre mais valor nutricional do que se eu comer daqui a uma semana. Eu depois na cozinha posso dizer assim, está bem, mas se calhar ficou mais maduro com o tempo e eu consigo trabalhá-lo de forma diferente, o que é muito interessante poderes fazer isso.

Mas ele vai perdendo valor nutricional. E portanto, tu pensas, ok, então eu preciso...

e devo ir quase buscar à horta. Portanto, quanto mais próximo eu conseguir disto, mais eu tenho a ganhar. E isto aqui já é espetacular. Mas para além disto, existe a questão de quanto mais saudável e fértil é aquele solo onde foi semeado, mais valor nutricional terá também. Então, se eu tiver também um mesmo solo, que de facto está livre de pesticidas e de uma quantidade de coisas, mais ainda será. Mas isto nós já estamos a falar de coisas que é tipo o ótimo.

Porque só o facto de tu comeres uma maçã, mesmo que não tenha sido acabada de colher, um tempo depois, já será sempre melhor face a uma compota. Que será sempre melhor face a uma compota com açúcar. Que será sempre melhor face a uma compota com açúcar que tem não sei quantos de menos de validade e que tem mais não sei quantos conservantes. E portanto, estamos sempre a falar de um ótimo para...

E isto é muito interessante, este percurso e esta forma de nós olharmos. E isso que tu dizes de o ser biológico é importante, sim, mas mais importante é tudo o facto de comer natural e fazeres uma quantidade cada vez maior de boas colhas limpas e reais e depois então se calhar começares a se preocupar mais com esta parte, não é?

Sim, porque acho que é muito às vezes assustador para alguém pensar ainda tenho que me preocupar para sustentabilidade. Não, e sustentabilidade. Pois, sim, sim. Porque tu já tens tanta coisa com que te preocupar que às vezes para mim já é um desafio conseguir que a pessoa que está à minha frente numa consulta, o que seja, pôr aquela pessoa a cozinhar mais.

Tu tens que ensinar várias coisas, tens que escolher várias batalhas e às vezes é muito importante. Enquanto que já tens outras pessoas que já têm uma consciência muito grande, mas isso é uma minoria. E às vezes é esse conceito de, ok, ainda tenho que me preocupar com a sustentabilidade, de onde é que vem a vaca, ou de onde é que vem o frango, não é? É um bocado complicado. Passo a passo.

É muito difícil. Acho que, por exemplo, eu enquanto consumidora, por exemplo, o que eu penso muito é ok, pensa no talho. Qual é o talho onde tu sabes que as coisas são mais de confiança, onde há partida, sabes que os ingredientes vão ser mais bons escolhidos. Perde, tipo, 5 minutos a conversar com a pessoa que está no balcão do talho para lhes fazer umas perguntas. Isto vem de onde? É tu e as vossas caras que costumam ouvir de onde? Vem daqui? Vem de Espanha? Vem do Alentejo? Vem de onde?

E às vezes é um bocado isso, durante a pandemia viu-se muito isso, eu cheguei a encomendar diretamente sites da carne mertelenga e coisas assim do estilo, para ir procurar um bocadinho esse não só o apoio à nossa economia nacional, mas também essa sazonalidade, esse local.

Mas eu acho que este exercício, se tu descobrires um detalhe de confiança, um sítio onde podes ir buscar o peixe, também te darás essa confiança. Pronto, vai-te trazer naturalmente um bocadinho mais essa visão de sustentabilidade sem teres que perder não sei quanto tempo a pensar sobre o tempo. Acho que é um bocadinho isso. Tu tens esses sítios onde tu compras com confiança, vais ao mercado, como é que fazes?

Olha, eu vou muito ao mercado, tenho alguns sítios que também me trazem a casa, mas eu gosto de ir experimentando, eu gosto de ir variando. E acho que é fundamental isso. Portanto, não sou fiel a nenhum sítio em específico, apesar de ser muito defensora de que...

quanto mais nós cultivarmos a nossa relação com quem, seja na peixaria, seja no talho, seja melhor. É um bocadinho quase como cultivar das amizades. Eu acho que quantas vezes eu não sei que imagina o talho ou a peixaria, mais especificamente no caso da peixaria, e até vem com o objetivo de comprar a corvina.

E me dizem, Anês, olha, tenho aqui, não, isto hoje para si não tenho isto, hoje para si tenho este. E isto é o quê? É fruto de uma relação que de facto é cultivada e que sabem o amor que eu tenho pela cozinha e pelos alimentos com qualidade e que vou trabalhar a cru. E não é porque estão a vender algo que não é bom, mas se o outro acabou de chegar fresquinho e aquele se calhar estava ali há umas horas, vão ter esse cuidado contigo.

E acho que essa relação então é fundamental de ser cultivada a todos os níveis, não é? Portanto, acho que vale a pena.

Mas eu acabo por ter muitos sítios onde eu vou e onde eu vou cultivar um bocadinho essa relação e acho que é importantíssima. Sim, sem dúvida. Por acaso eu gosto mais de ter um sítio fixo. Sim, é aquele talho, pronto, compra ali, já sei que as coisas vão ser boas e quando não é boa também tens mais oportunidade de reclamar. Para poder reclamar. Sim, mas é pá, aquele frango, demorou 15 dias a assar para ficar a terrinho.

Não sei, aquela coisa de também teres uma relação mais de consciência. Eu é que vivo nas compras. Vivo no meu dia-a-dia. Eu às vezes digo-me assim, mas porquê não mandas vir as compras online? Eu sou incapaz. Os pesados tudo bem. Até devia. Não faço porque depois não... Mas eu vivo a ir às compras. Se me perguntares muitas vezes, é que eu vou às compras durante a semana? Eu não estou...

Mínimo cinco. Ai, que horror. Pois, mas eu gosto. Estás a ver? Mas eu gosto. Por quê? Porque eu vou comprando em supermercados e em mercados diferentes, coisas específicas. E tu dizes que horror, que loucura. Mas eu gosto, estás a ver? Gosto. Quem sabe? Portanto, são coisas que...

Não, eu adoro ir ao mercado, mas é uma vez por semana e está bom. E mesmo assim, tu já és ao espetáculo que faz só com muitas pessoas, não é? Eu te imagino. Não, recebo os cabazos com os legumes e a fruta e essa parte já ajuda imenso. E mesmo assim, eu sinto que os cabazos nunca chegam. Por exemplo, há alturas em que...

Eu adoro grelos e as folhinhas que normalmente não aparecem nos cabazos. Os fornecedores não trazem, às vezes temos espinafros, mas quando é altura de grelos e assim nunca traz. Ou porque é pouca quantidade, porque lá em casa realmente usamos muito mais legumes do que propriamente fruta. Então fruta há sempre imensa, tem que ir despachando, mas legumes não. Pronto, então aí vou ao mercado.

Mas o mínimo possível que tenha, eu talho mas nos ir para casa. Eu não consigo ter estes cavazes, porque para mim não chega. E ao fim de dois dias o meu cavaz já acabou. Pois. E depois não é só grande. Mas sabes o que é que acontece? A própria quantidade em si normalmente, ou melhor, o que é que eu quero dizer?

É espetacular porque te dá uma abrangência muito maior. Isto é, se calhar coisas que tu não comprarias no supermercado, eles mandam-te para casa porque é da época. E, portanto, tu vais ser muito mais criativa e trabalhar com muito mais ingredientes. Portanto, eu sou a maior defensora deste cabaz e destas entregas. É mais local também. É. E, portanto, acho que é espetacular. Para mim, nunca nada tem a quantidade suficiente. Aquilo que eu me disse. Isto é uma coisa estranhíssima, mas isto é assim.

então eu tenho imensa dificuldade e acabo por ter que gerir assim e portanto, eu guardo a maior parte da fruta no frigorífico porque nós comemos tudo adentado eu guardo a maior parte dos vegetais também no frigorífico também é muitas cenouras, os aipos, o isto tudo muito adentado e muito fresco

Eu não tenho espaço de frigorífico para aquilo que a minha família precisa. Pois. Então eu vou ter que ir repondo. E queres que eu te conte um segredo? A Kuro Kitchen é embaixo da minha casa, não é? Então, o meu frigorífico da Kuro Kitchen está cheio de coisas, porque eu tenho a certeza que os meus filhos acham que está a acabar ali e então poupam-me. Estás a ver? Porque se eu não tenho...

E depois, quando começa, eu vou subindo. E, portanto, eu vou girindo até umas certas compras através do frigorífico que eu vou tendo como um extra. De facto, é um... Mas pronto, mas são muitas crianças e depois são dois rapazes, não é? E dois rapazes comem por duas raparigas ou mais, não é? E...

E pronto, e depois temos vários menos de reflexão. Bom, não interessa porque isto era só complicado e o objetivo é nós conseguirmos aqui simplificar um bocadinho e não trazer os dramas para melhorar das compras livres. E essa dinâmica eu vejo cada vez mais que optam por pessoas que compram online. E eu também, aliás, eu rendi-me...

Porque eu tenho as duas miúdas pequeninas, mais o cão, não sei o quê. Eu não consigo muitas vezes ir com elas as duas e gerir que elas não estejam a tirar tudo das prateleiras enquanto eu estou à espera que o senhor me traga o saco da fruta e não sei o quê. Então, eles trazem-me o cabaz em casa, do talho também, eu ligo para lá, eu faço online, trazem-me para casa, peixe igual, que é para não ter que estar a perder esse tempo.

E tens a certeza que recebes aquilo que queres, do sítio que eu quero, exatamente, do que tu queres, e não te stressas e não tens essa... Não.

claro, percebo perfeitamente, eu sou um bocado maluca nesse aspecto mas pronto, é verdade não, cinco vezes, pronto, mas lá está mínimo, estamos a falar de... pois, em termos de trabalho, pois há coisas específicas que tenho que comprar, mas mesmo esse já começa de lojas muito específicas, já vou só quando quero mesmo fazer a granel porque quero, sei lá, ver as misturas dos chás ou assim que tem ou sentir aquele cheirinho do... mas pelo programa é pela granel sim, exatamente, aí sim

Eu por exemplo, só de pensar que alguém me escolheu as maçãs E meteu dentro de um saco as maçãs que queria Eu fico logo de dentro, já começa a agarrar nas maçãs Porque gosto do Pronto, cada um Cada maluco tem a sua Mas pronto Mas é engraçado que os meus filhos também já fazem isso Os próprios contornos compras já estão perfeitamente Parecem eu a escolher Agarram, olham, põem, vêm, metem no saco Alguém mete uma coisa, essa não Parece que fazem Exatamente, és tu que escolhes

É, eu acho que o que nós comemos define mesmo aquilo que nós somos, não é? E portanto, acho que cultivares, e mesmo ao nível educacional, não só para ti, cultivares este lado nas crianças e nas pessoas que estão contigo no teu dia-a-dia acaba por ser muito importante.

Porque, no fundo, essas mesmas pessoas, estes pequenininhos, no fundo, que estão a absorver esta informação, vão ser os crescidos daqui a uns anos e vão ser quem vai estar a formar, não é? Portanto, acho que se nós tivermos esta consciência, este cuidado de lhes passar esta informação, de estás a sentir-te doente, mas já pensaste o que é que comeste, o que é que fizeste, o que é que se está a estressar, mas estás com um... Toda esta consciência é ganha através de alguém que mete os pés na terra.

o chamado grounding e portanto é não só a escolha daquilo que tu queres ter no teu prato o saber escolher um ingrediente mas como é que ele vai de facto entrar no teu corpo como é que ele vai representar o teu corpo como é que ele te vai fazer viver aquele momento que consequências é que tem ou não tem em ti e vai ter daqui para a frente em todos aqueles que tu irás tocar cada um à sua maneira e portanto eu acho que

é um passo importante e portanto, pensando naturalmente na questão da sustentabilidade a todos os níveis mas não pensando, que é o tema que estavas a agarrar a bocadinho e que faz todo o sentido, que é se a pessoa já tiver que estar preocupada no que é que significa uma alimentação natural e na implementação disto no dia-a-dia e como é que faz as compras e como é que traz para a cozinha como é que consegue fazer a refeição se ainda estiver preocupada na origem às tantas parece que se baralha e não chega a lado nenhum isso acaba por ser uma coisa que acaba por estar naturalmente Exato É, é

Eu acho que é tudo uma questão de foco. Agora também tenho falado com algumas das pessoas que acompanho, tenho feito um bocadinho esta reflexão, que é, antes era aquela pessoa que treinava todos os dias, fui mãe, isso mudou durante a licença, conseguia treinar sempre, depois houve ali uma quebra, claramente, e depois eu a engravidei quando a minha primeira filha tinha oito meses, portanto, é que foi quase, nem deixas de estar em pós-parto, nem a licença de maturidade, pimba, estás grávida outra vez.

E, portanto, eu passei ali quase, foram precisos quase 4 anos para conseguir reorganizar-me e conseguir voltar a ter o foco de ser a pessoa que eu era antes, nesse aspecto. Porque é muito difícil, porque juntas o cansaço ao trabalho, ao agora não dá porque tens um filho doente ou não sei o quê, ou agora não estás a dormir bem, ou agora não estás, não, não, até conseguires...

Voltar a ter algumas coisas. E eu pensava, ok, eu treinava sempre em casa, sempre treinei imenso em casa mesmo, durante a pandemia e tudo. E portanto, quando tu pensas, ok, treinar em casa é fácil porque tu treinas em qualquer altura do dia. Se os teus filhos já estão numa fase em que te permitem, portanto, tu não tens que sair, podes estar com anza, etc. O que eu sentia, às vezes tentava treinar em casa e elas não me deixavam, estavam em cima de mim, ou começaram a chorar uma, ou não sei o quê.

E agora, este ano, eu pus aquele foco que está para ali. E quando tu pões o foco para ali...

Tu fazes tudo para que aquilo aconteça. E eu senti isso, que é, se tu pões aquilo na tua cabeça como a tua maior prioridade, tu consegues que faça acontecer, que é, não há dificuldade, já estás em casa, põe o vídeo a dar, faz, tens este tempo, tens uma coisa no forno, ok, ligas o forno, tens quanto tempo? 40 minutos? Bora!

é preciso, elas já tomam bem quase sozinhas, não é? Portanto, facilita-te isso, porque tu podes dizer, vão tomar bem, ajudas nessa parte e vais treinar. Então, eu acho que com a alimentação é um bocadinho igual, que é, se tu selecionas um, depois um botão de start, de, ok, meu foco agora vai estar aqui.

tu vais melhorando pequenas coisas. Onde é que eu vou começar primeiro? Como, sei lá, pão com manteiga e meia de leite todos os dias. Vá, bora começar por aqui. Porque só depende de mim. Então, pá, no primeiro mês ou as primeiras duas semanas pões esse foco aqui. A seguir começas a mudar o foco, sei lá. Então quero que a família coma mais legumes. E às vezes também há uma coisa que eu vejo muito nisso que é quando pensas em legumes, as pessoas pensam muito nos legumes no prato ter tipo o acompanhamento com os legumes.

E a minha filosofia de cozinha para a minha família, porque eu já vinha de educar uma marida a comer mais legumes há muitos anos, nunca foi essa, porque eu sabia que era muito mais difícil pô-la a comer os legumes se eles estivessem à parte, do que se eu misturasse legumes em tudo. Então, eu há anos que faço legumes com tudo, refogados nunca têm cebola, tipo cebola com cenoura e courgette e cenoura e...

Claro que ele no início às vezes refila e diz, ah isto tem muita cenoura, sabe muito a não sei o quê, mas se tu vais conseguindo trabalhar esse paladar e visualmente eles percebem que há sempre um verde e há cogumelos num sítio pouco provável e há alguma berinjela no meio de uma bolonheza.

Acho que isso também ajuda a tirar o foco. Então às vezes a ideia que tu tens do que é que vai ser mais sustentável em termos de alimentação para trazer os legumes, etc. Também tem que mudar um bocadinho o chip. Tu não tens um prato mais perfeito porque visualmente o teu prato está mais cheio de legumes como acompanhamento. Se calhar tu podes ter um prato mais perfeito e facilita-te muito a vida. Se tu olhas para a tua bancada da cozinha...

E aquilo que tu tens para cozinhar não é arroz e carne, não é? Olhas e estão imensos legumes ali. E no resultado final, se calhar tens um empadão de carne com arroz, mas os legumes estão lá envolvidos. Imenos os legumes lá no meio. E eu acho que isso é uma perspectiva que muitas vezes as pessoas não pensam. Não é quando tu pensas, sei lá, mesmo em termos de restaurantes.

É muito mais difícil, eu consegui convencer o meu marido a ir a um Honest Greens, do que se calhar ir, imagina, um Origens, onde eles cozinham imensos legumes lá no meio, estufados, e é muito interessante também essa perspectiva. Pois é.

No fundo é mudar o chip e, portanto, as pessoas terem consciência do que é que querem trazer para a mesa e depois integrá-los, cada um à sua maneira, adaptando à sua dinâmica familiar. Exatamente, para fazer umas lulas guisadas. Porquê é que não fazes um refogado e pões os legumes e sabes que eles vão refilar? Põe-lhe legumes pequeninos. Por exemplo, ainda no outro dia, o que é que eu estava a fazer que as minhas miúdas, até eu estava estupefacta, porque elas são pequeninas, estão naquela idade do ah, isto é verde, não gosto. Eu digo sempre, gostas, gostas.

E no outro dia, acho que já sei, eram palitos, aquelas batatas assadas no forno com ervinhas e não sei o que, faz os palitos de batatas e eu fiz os palitos com a cenoura também. E elas que elas estavam já, não sei, a comer carne picada, arroz, não sei o quê, e depois puse essas batatas que elas adoram.

a cenoura e acho que tinha feito também uns de curgetes. E então disse-lhes, olhem, querem experimentar a cenoura também? Os palitos com a cenoura? Posso pôr? E elas, podes, ok. E depois comeram e pediram para repetir a cenoura e a curgete. Que giro. Eu nem dizia nada, eu disse, espetáculo. No outro dia também, abóbora assada no forno e eu disse, olha, vou-vos pôr um bocadinho deste laranjinha que está aqui e vocês vão comer também.

É o quê? É cenoura? Ah, eu gosto de cenoura. Não, não, este não é cenoura, este é abóbora, mas também vão-me gostar. Ah, mas ok, provaram? Ah, eu gosto de abóbora, mas...

Que giro, já viste? Isso é super construtivo. Sim, ou seja, eu vou um bocado a medo, nunca ponho muita quantidade no início, mas tento-lhe explicar e é sempre prova que vais gostar. Elas provam, ok. Eu acho que o que acontece muitas vezes é que nós, enquanto mães, e eu vejo isso também lá em casa, não é? Porque tem esta resistência do outro lado e isto é tudo uma negociação. Tu tens que ter cabeça para estar ali a fazer conversa e a dizer vais gostar e prova e...

É o teu foco e portanto quando muda ao chip Tu tens que fazer todo o trabalho Que precisas para conseguir de facto Que passe a entrar nas rotinas e a ser algo que é natural A minha filha Pilar no outro dia Demorou uma hora e meia a comer um prato normal Já tinha comido a sopa Uma hora e meia para jantar Jura, tu estiveste lá? Um prato normal e eu estive lá uma hora e meia Com ela, já tinha passado a hora dela se deitar Que loucura, eu já sou do meio de segunda viagem Nestas duas

Pois, mas imagina, mas eu não sei se é por ser mãe de ser, eu acho que eu sou tão teimosa como ela, estás a ver? Então assim, tu vais fazer uma hora e meia, eu faço duas, estás a ver? Pai, eu acho que ela tem esse meu feitiço que é, ela testa até onde é que tu vais no insistir. Boa, boa, não insiste. E eu testo até onde é que tu vais no resistir. Imagina, o que eu pensai foi...

se nós vamos testar então eu vou estar aqui até tu perceber que tu tens que comer e que não pode ser e não é uma questão dela não gostar ela estava cansada e então tens que conversar e tens que não sei o que e eu pensava isto é mesmo preciso tu teres força de vontade porque senão qualquer pessoa desiste

Já a família toda já jantou, a irmã já jantou, a irmã super bem disposta para trás, para a frente, não sei o quê. E as tantas, a irmã pequenina, a dizer, Pilar está de castigo, porque a Pilar não come. Eu não, Pilar não está de castigo, Pilar está a jantar. Só está a esperar mais tempo. Já dá a dar a gente, por exemplo, a vestir, lavar os dentes, não é?

Não, a Pilar está a jantar, hoje está a demorar mais tempo E era um prato que ela adora Imagina uma coisa que ela adora E eu assim, isto é mesmo de luas Se eu estou em quarto minguante, gosto Se eu estou em quarto crescente, já não gosto Que paciência Mas o teu foco está em nutrir Então olha, aguenta-se

Exatamente, e acho que nós desistimos muito quando há esta resistência e com as crianças eu noto isso que é. Para mim é frustrante, enquanto nutricionista, tu percebes que estás a montar um prato super saudável e que os teus filhos têm resistência e logo por ser laranja ou por ser verde dizem não gosto.

E tu tens que ter aquela coisa e dar nomes. E quando elas eram pequeninas, por acaso a sopa sempre comeram bem. Mas eu dizia, olha, hoje é a sopa da girafa porque é a sopa amarela. Hoje é a sopa verde, é a sopa do crocodilo. E elas achavam graça aquilo e explorávamos as propriedades. E a girafa é o quê? A girafa é grande e come muitas folhas. E isso é tal jeito.

E eu creio que o Zila é muito forte e é paciente porque fica ali muito tempo, às pernas Mas exploras tudo, vais buscar a comida ao mesmo tempo vais buscar as cores, vais buscar toda a parte criativa vais buscar mas é que isso é mesmo giro porque isso é ir muito além

do que é o ingrediente é entrar no ato de cozinhar e no ato de estar à mesa e no ato de criar relação e no ato educativo isso é espetacular e é muito cansativo e ainda por cima já disse aqui no podcast eu sou uma pessoa de saltar a tampa facilmente quando estou cansada, portanto é muito difícil tu não descarregar sobre as pessoas que estão mais próximas e que tu gostas e onde sabes que é seguro descarregar

E portanto, quando chegas a casa e há as birras envolvidas e as rotinas e elas criam resistência, resistência para vestir, resistência para ir tomar banho, resistência para não sei o quê, e tu sabes que chegas à hora de jantar e ainda estás a negociar, não sei quantas coisas, e tu já estás tipo, eu só quero que vocês se calem e que comam e que me deixem em paz, sabes? E tens que estar ali a fazer mais um esforço, eu acho que é preciso muita dedicação, e por isso é que eu falo muito na questão do foco. Se o teu foco está em isto que vai ter que acontecer, der por onde der,

tu fazes acontecer e a sustentabilidade por isso é que eu estava a dizer muito no início a sustentabilidade na alimentação para mim é muito mais importante pensar no eu consigo manter isto a longo prazo do que propriamente às vezes pensar na sustentabilidade ambiental

são juntas mas acho que a sustentabilidade ambiental para nós enquanto consumidores, pelo menos eu sinto isto enquanto consumidores das pessoas que me chegam e que eu vou acompanhando é uma preocupação das pessoas preferirem comprar umas bananas ou um ananás que vem da Madeira do que vem da Costa Rica por exemplo, imagina

Ou as pessoas dizem, ah não, mas não quero aquelas cerejas que aquilo vai lá de Espanha, ou as laranjas que vêm da África do Sul, não, prefiro as nossas. E isso já é uma preocupação que tu vês, onde às vezes é difícil, porque lá está no cabaço, tu à partida confias, mas não sabes onde é que aquilo vem, depende do sítio onde estás a comprar. Mesmo numa mercearia que tu adores, ou num mercado que tu adores, tu sabes lá. No mercado, se a pessoa está a comer, sim, acreditas que sim, tens que acreditar. E vais ser para o mesmo, porque sabes que...

No limite às vezes o que eu penso é, no mercado tu apoias a sustentabilidade de ser um negócio, uma pessoa pequenina, que sim, que às vezes isso também conta. Também conta, também acho. Exatamente, e também faz toda a diferença.

Mas imagina, eu compro em vários sítios, não é? Como estava a falar. Mas imagina, eu sei que se vou ao algarve, eu vou fazer questão de ir às laranjas, de ir às amêndoas, de ir às amêndoas, de ir às amêndoas. Há N coisas que eu acabo por trazer e comprar lá e muitas vezes vem com o carro cheio. Portanto, eu acho que esta abertura também é interessante porque começamos a perceber o que é que é plantado em cada sítio. Que é nosso, o que é que é... Não é? Isto é tudo muito...

Também é entrar um bocadinho dentro da nossa cultura e dentro da nossa... E depois, naturalmente, aquilo que vem de cada um dos sítios, não quer dizer que tu não compres cá a laranja do algarve, não é isso, não é? Mas o que quer dizer é que tu acabas naturalmente por estar cada vez mais ter reacentado, não é? Não sei, dá-me esta... Eu acho que essa sazonalidade é super importante e perdeu-se. Tal como os princípios da dieta mediterrâneca também se perderam muito. As pessoas não fazem uma alimentação mediterrâneca.

O que as pessoas acham é que comem uma alimentação portuguesa. E mesmo assim é tudo mentira. E que até acham que é mediterrâneca, não é? Mas não é. Aliás, os princípios da alimentação mediterrâneca são super sustentáveis. Se nós formos a pensar, não é? Tipo as gorduras que lá estão, é super, não é? Os cereais integrais, a quantidade de vegetais, as leguminosas, não é? É tudo muito... Segue muito esses princípios. Não é? Tu comias, tu tinhas supostamente pouca carne.

Partia-se, por suposto, que era uma carne de qualidade. Quando eu ouço aquelas coisas de um porco que dava para um ano inteiro, para uma família, eu penso, como? Como é possível? Claro que nós não fazemos uma alimentação. Comias muito menos quantidade e depois não ias só a pequenas partes.

Comia praticamente o animal todo, não é? Portanto, vais a... E isto acaba por ter uma repercussão grande. A questão, por exemplo, do caldo de osso. Que é que estamos a falar de partes que são para ir para o liso, que ninguém come. Exatamente. E estás a ir buscar um tratamento. Portanto, tu ao estar a ingerir o caldo de osso, estás a regenerar a tua flora intestinal, não é? Tem um poder gigante em dias. É super regenerador, o colagênio, o tudo. Portanto, se nós formos pensar no animal inteiro...

Se fosse comido nas quantidades que é suposto, e se fosse todo ele comido em todas as suas partes, principalmente aquelas que hoje em dia nós não damos atenção, então tu não só conseguias ir buscar mais valor nutricional àquele animal, mas também conseguias, de facto, chegar mais longe. Portanto, voltamos a agarrar um bocadinho na questão que tu dizias, que é o acompanhamento vir na pontinha, ou o acompanhamento vir como base da nossa refeição, não é? No fundo já não é acompanhamento.

passa a ser o próprio prato e a partir daí tens menos quantidade o resto ao mesmo tempo que tens muito mais presença do vegetal e aí entras numa coisa super interessante que é vais entrar nas 30 plantas tu deves ter, das diretrizes deve ser 30 variedades de plantas durante a semana antigamente falava-se em 5 por dia não, desculpa falava-se em 5 por dia e agora são 30 por semana para conseguirmos atingir as recomendações de fibra mas se nós pensarmos nisto mas não, desculpa

É facílimo, porque plantas é desde o fruto seco, há semente, há erva fresca, há fruto, há vegetais, há luminosas. Há cebola e o alho. Há cebola e o alho, porque estão sempre presentes.

Só falando nos cereais, tu tens o arroz integral, o arroz branco, o arroz preto. Vais pensar-me aqui na aveia em grão também. Não é? Vais falar no trigo sarraceno também. Lá, porque aqui tem seis. Se tiveres... Não consomem nada disso. Pois. Comem o arroz, a batata e a massa. Pronto, pois. Mas imagina, esses três, mais estes que nós falávamos. Depois de repente vais buscar quatro tipos de vegetais verdes. O espinafre, o bagreão, a rúcula, a simples salada. Vais à couve roxa, à couve branca. Tens ervas frescas sempre na tua refeição.

se vais buscar os colentros a salsa a hortelão ou o manjericão falámos em quatro logo aqui já estás a ter mais variedade não é depois vais buscar batido ao pequeno almoço logo ali meteste três peças de frutas se calhar meteste um vegetal uns frutos secos e umas sementes já foram mais não sei colentos é fácil e muito integrar e nem sequer estamos a ir a grandes a grandes a grandes não é

É, se tiveres esse foco, se tiveres esse foco. Pois. Olha, ontem estava a falar com uma senhora em consulta e ela dizia-me que tinha comido. Tentar lembrar-me de tudo. Era, tinha comido uma torrada com fiambre e um... Tinha feito um batido, por acaso aí tinha fruta, tinha feito um batido com leite, morango e manga.

e depois tinha aquelas bolachas de arroz que uma camada de chocolate pôs dentro do iogurte. À hora de almoço tinha comido umas lulas guisadas com um pão, que tinha molhado só no pão, e depois à tarde tinha comido um queijo vaga que ri, e depois à noite tinha ido buscar um frangassado com arroz.

Isto, para mim, que é absolutamente impensável, isto é um dia-a-dia de muitas pessoas. E portanto, se tu pensas, ela teve ali um bocadinho de morangos e um bocadinho de manga dentro dessas plantas. Não tem mais nada. E os cereais, pronto, que estão no rancho do pão e tal.

Mas se forem brancos também pouco valor acabam por ter. Exato, ou seja, mas as pessoas não têm o foco em introduzir mais, porque lá está, porque é difícil, porque a família não gosta e porque depois se eles vêm vão refilar e se vão refilar já não insistes.

Percebes? Eu acho que também há muito isso. E depois é, eu acho que nós, enquanto portugueses, culturalmente, não fomos ensinados a incorporar os legumes um bocadinho em tudo, que é que eles só são o acompanhamento, não é? E depois tenho pessoas que às vezes na consulta me dizem, se estiverem a fazer uma dieta low food map, não podem comer brócolos ou couvos. Aí eu, pronto, eu fico sem legumes. Eu como fico a sem legumes? Como assim?

Eu faço uma abóbora assada, não faço uma terraba ralada e cenoura e não sei o que.

não faz essas coisas, tu aí os legumes para cozinhar, tanta coisa, eu disse, olha, no outro dia não tinha nada em casa, tinha lá cenoura e courgette, cortei aquilo as cubinhos, pois na frigideira com um bocadinho de azeite, já está. Já está, maravilhoso. Isso, soube-me lindamente para acompanhar uma dourada que tinha posto no forno e já está.

E assim, é só querer, quer dizer, e isto realmente o problema é isto, é que tu não tens o foco para aí, a maior parte das pessoas não tem, e portanto, por isso é que eu acho que nós estamos cada vez mais longe daquilo que é o Mediterrâneo, cada vez mais longe daquilo que é uma alimentação sustentável, os cereais também têm uma pegada ecológica grande, a carne e o peixe, nós comemos muita quantidade, portanto, se pensarmos em tudo isto...

Depois, se também não há variedade naquilo que tu utilizas, também não há incentivo àquela coisa que é tão importante para a sustentabilidade ambiental, que é rodares os solos. Num ano tens melão, no outro ano tens, sei lá, meloa, no outro ano tens outra fruta qualquer. E, portanto, isso é fundamental para o solo ficar mais rico e também não é estimulado. E depois tens pessoas que estão o ano inteiro a comer courgette, a meterem courgette, não sou para eu.

Pessoal, no inverno não se come corjetos, não é? Comes as corjetos. Por isso é que a sazonalidade é tão importante, porque nos obriga a ter rotatividade. Exatamente. Como já não vivemos da sazonalidade e tudo aparece, estamos sempre focados naquilo. A natureza sabe o que faz. E só comes aqueles legumes. Ah, eu gosto de brócolos. Então só compra o ano inteiro brócolos. Quer dizer, é normal que tu fartes, é normal que o teu corpo se farte. Claro. Uma intolerância, é isso mesmo, é uma saturação do organismo.

Como é que levas as crianças a apaixonarem-se por legumes? Se tu próprio não gostas, também não insistes, também não fazes nada. Eles nas escolas não vão aprender a gostar de legumes. Não vão aprender os nomes, não vão aprender a gostar de legumes. Portanto, esquece. Acho que não há incentivo assim.

Estava aqui a pensar numa coisa Nesse tema da sustentabilidade Que é Uma refeição, nós achamos que Uma refeição se for sustentável É sempre saudável Ou uma refeição saudável é sempre sustentável Mais assim A verdade é que As coisas não têm necessariamente de estar ligadas Imagina Se tu optares por uma alimentação Base mais vegetal Em que queres trazer mais fibras Se tu

Se tu fores comprar ou fores diretamente à horta, ela traz-te tudo aquilo que tu precisas. Mas se tu fores comprado, embalado, aquilo até pode dizer que tem alguma coisa, efetivamente ter lá, mas está carregado com tantas outras coisas, que na verdade já não é sustentável. Seja pela quantidade de coisas que lá estão dentro, seja pela embalagem que veio, seja pelo circuito que passou, seja pelo... E portanto, o facto de tu sentires que aquele ingrediente que estás a comer até é saudável, não quer necessariamente dizer...

que é sustentável, não é? E portanto é interessante este prisma também. Sim. Às vezes há uma dica muito simples que eu dou às pessoas quando pensam na sustentabilidade da alimentação, que é pensares assim, se tu tiveres mais ingredientes na tua alimentação que não precisam de plástico para ser transportados,

Plástico, recipientes no geral, imagina, tu podes trazer bananas, maçãs na tua mão, corjetes, cenouras, couvos, não podes trazer arroz, não podes trazer carne ou peixe. E portanto, isso é logo diferente na forma como tu encaras. Eu vou tentar trazer mais coisas que não precisam de nenhum tipo de embalagem e vou, ok, eu sei que tenho que continuar a comer arroz e o carne e peixe, etc. Mas do ponto de vista de sustentabilidade eu vou trazer mais dos outros. E só isso já te vai ajudar imenso.

Mesma forma como tu encaras as coisas, olha, vais fazer uma torrada, põe azeite em vez de manteiga. O tipo de embalagem do azeite não tem nada a ver, só isso já vai ser um pouco mais sustentável.

São pequenas coisas. Exatamente. Comes, sei lá, imensos iogurtes. Precisam sempre, estão sempre em embalagens de plástico. Podes comprar, obviamente, em embalagens de vidro, se quiseres. Continua a ter uma embalagem. Porque é que não pensas, ok, então e se eu fizer um pudim de chia? Ou fizer mais um smoothie? Posso triturar a fruta com a bebida vegetal? Em vez de ter o iogurte sempre de base, troca aqui por outro tipo de alimentos. E aí consegues ir trocando algumas coisas e mudando essa mentalidade.

E mesmo para quem tem as famílias e tem esta dificuldade, eu muitas vezes o que digo é, pensem o que é que os vossos filhos comem na escola o dia inteiro e pensem o que é que vocês podem trazer de diferente para casa. Se eles já comem pão na escola ou lãs, não vão dar pão ao pequeno almoço. Dê-lhes paquecas, papas de aveia, dê-lhes crepiocas, sei lá.

procurar alimentos, ingredientes outras coisas, isso vai trazer variedade vai aumentar o leque de paladar deles, vai aumentar até o interesse deles por outro tipo de coisas, na minha casa não há bolacha, não há ponto as minhas filhas não chegam a casa e pedem bolachas, dizem que têm fome

Então, olha, querem o quê? Querem cajus? Querem bolinhas energéticas? Querem comer já a sopa? Às vezes, às seis e meia, estão a comer sopa, porque vem com toda a fome. E eu também, quantas vezes. E está tudo bem, exatamente. Eu própria também prefiro fazer isso, às vezes. Então, se for inverno, dá cá uma sopinha, muito mais quente, reconfortada. Portanto, lá está, é o foco que tu colocas nestas coisas em, se eu quero que a minha alimentação se torne mais saudável.

ela pode ser saudável de vários prismas e se quer ser mais sustentável também. Por exemplo, esta coisa de comprar a granela, é óbvio que é melhor. Eu acho que já houve um esforço maior e parece que às vezes sentes que há uns passinhos à frente e outros passinhos atrás. Parece que houve uma altura em que se falava mais sustentabilidade. E acho que, infelizmente, com esta história da inflação, o foco não passou tanto a ser esse, porque o aumento dos produtos, do cabajo médio, dos bens essenciais, aumentou tanto.

que o foco deixou de estar um bocadinho nessa parte ambiental e sustentabilidade outra vez. Mas, mais uma vez, não devia, porque se aumenta o preço da carne, do peixe, dos ovos, porque não haver um incentivo ao consumo de mais luminosas que trazem esta componente de fibra. E lá está, mais uma vez, são coisas que só podes comprar granel, trazem de proteína na mesma. Muito mais baratas. Muito mais, muito mais acessivas.

Tem que haver um trabalho de educação contínua nesse aspecto. E portanto, não tens que ir a lojas específicas, a granela, a tudo biológico, não sei o quê. Mas pensa um bocadinho como é que podes melhorar também essa pegada e esse impacto.

Até porque de facto ser sustentável nesse aspecto e nessa busca, nessa procura, não é necessariamente mais caro, bem pelo contrário. Acho que é mesmo um princípio. E o caro também muito que se lhe diga, não é? É óbvio que esse valor aumenta. Mas aquilo que eu penso imediatamente é, isto é inegociável.

Portanto, se o orçamento aperta, onde é que tu vais sem ser aqui? Esquece. Claro. E lá está. E o que pode acontecer é, podes ter pessoas, famílias que já estavam a consumir tudo biológico e que de repente têm de transitar. Transitar para um preço mais tradicional não quer dizer que estejas a fazer uma alimentação menos saudável. Podes manter todos os teus princípios, só não tem o selo que obviamente incrementa um bocadinho o preço.

E eu acho que essa inflexibilidade em algumas coisas não negociáveis é muito importante quando falas de sustentabilidade. Mais uma vez, a alimentação sustentável é aquela que tu consegues manter sempre, ao longo de toda a tua vida. Imagino isso, é bem importante. O que é que achas que pode ajudar as pessoas a mudarem os seus hábitos? A ganhar essa consciência e pequenos passos que possam ser...

Ouvirem o podcast 80-20, onde eu peranei muito tempo. Estou brincando. Acho que aquilo que mais ajuda é a consciencialização. Porque lá está, porque hoje em dia tu tens tanta informação e tantos pontos de interesse e tantos pontos que já são obrigatórios que tu tens hoje em dia uma oportunidade de selecionar a informação que tu recebes.

E se selecionares a informação dentro daquilo que é a saúde, a alimentação, tu vais conseguir buscar muita coisa muito importante para melhorar os teus hábitos todos os dias. Portanto, mais uma vez, é o teu foco estar para aí. Acho que pequenas coisas podem ser só essas.

O meu foco vai ser que eu nunca mais vou cozinhar um prato em que eu vejo proteína com arroz, com batata, com carne, com isto. O meu foco vai ser ter sempre pelo menos um legume no meu prato. Sempre pelo menos uma cor extra. Começas por aí. Eu quero ter sempre um legume.

Ok, vou começar com a cebola, está bem, já ganhaste essa, está a seguir, vamos a outros. Ter sempre um alimento com outra cor, vou tentar desafiar-me a isso. E isso depois vai puxando, vais querendo experimentar uma receita, nem que seja uma receita por semana nova que tu introduziste, já ajuda muito. Portanto, não tem que ser uma coisa muito overwhelming, tem que ser uma coisa sustentada ao longo do tempo. Eu acho que isso ajuda muito. Muito no caminho. Sim.

O que é ganhares a consciência daquilo que mexes no prato e foco nisso, diário é com isto que começares a ganhar consciência no teu corpo e naquilo que tu precisa e que não te faz bem, porque se tu começares a perceber que estás a colocar mais fibra, que vais melhor à casa de banho, que te sentes melhor e portanto tudo naturalmente vai vindo portanto estas duas consciências acabam por estar um bocadinho de mão dada, não é?

Consciência na alimentação, no que é natural, consciência num corpo que está a começar a reagir a esse natural e naturalmente às necessidades que o próprio corpo vai ter, estar mais presente na natureza e em si próprio. E eu acho que aliado a isto é muito começares a criar hábitos de cozinha, pensares que queres comprar para cozinhar em casa, não queres comprar já feito.

Acho que isto é um ponto também muito importante, porque aí vais comprar com outra consciência, e vais receber, comer com outra consciência, e olhar para ti com outra consciência, e ganhar outro gosto. Eu acho que estes três... É tudo, imagina, pessoas que não sabem como cozinhar de forma mais saudável, ou que acham que não gostam muito, porque dizem, ah, eu tenho assim um paladar, às vezes dizem, tenho um paladar um bocadinho infantil.

Há muitas coisas que eu não gosto. Eu às vezes digo-lhe, ok, então, primeiro objetivo vai ser dos restaurantes onde vai, vamos começar a escolher os restaurantes que sabem que são mais saudáveis e cozinham com mais legumes, para se habituar ao paladar. Quando isso já for uma coisa mais normalizada para si, então podemos começar a comprar algumas refeições que já estão feitas, por exemplo, para ter em casa, para levar para o trabalho, marmitas, etc, que também tragam esse elemento. E devagarinho vamos começar a implementar também isso em casa, não é? Porque...

Aos poucos já está a própria pessoa a fazer as refeições e a congelá-las e a conseguir. Exatamente, a pessoa tem que criar um bocadinho isso. Eu acho que os restaurantes são um ótimo ponto para tu te familiarizar e para ir-te experimentando. A apurares e para o ladar e começares a gostar novamente. Sim, eu só queria que alguém fizesse isso por mim. E hoje eu digo, ok, mas confiaria donos fechados numa pessoa para a sua saúde ou para a saúde dos seus filhos?

Ah, não, se calhar não. Ok, então é isso que está a fazer. É esse caminho que está onde vamos estar. É confiar cegamente em alguém para tratar da sua saúde por si. Não pode ser. Não pode ser. Portanto, vamos ter que, em alguma altura da nossa vida, vamos ter que nos responsabilizar por isso. Então, vá, vamos devagarinho começar por isso. Ok, então quando vou fora, vou escolher aqui. Depois posso ter alguém que vai cozinhando por mim, compro, mas vou comprar...

com alguém que já tenha esta preocupação. Depois vou começar eu. Então eu acho que isso é tudo uma escadinha. E o que às vezes as pessoas se assustam é olhar-os para tudo. Ainda no outro dia tive uma reunião em que tinha uma pessoa que me deu uma lista infindável de coisas para mudar. Eu saí daquela reunião, justo, eu saí de nada. A minha cabeça estava tipo um novelo de lã todo embrulhado. E às tantas pensava.

Calma, não é? Ok, já percebeste que o caminho aqui é longo. Agora, vamos começar por traduzir isto por miúdos, traduz isto por tarefas. Esta tarefa, esta, esta e esta. Ok, então vá, não vais ter que mudar tudo hoje. Agora vais devagarinho definir um bocado um calendário do que é que dá para fazer. Em cada dia mudas mais um bocadinho.

E de repente, daquela reunião, no dia a seguir, dormi sobre o assunto, etc. E comecei a ter mais clareza. E portanto, eu acho que isto na alimentação é igual. Eu penso, ok, tenho isto tudo. Mas eu não vou mudar isto tudo de hoje para amanhã. Eu não vou conseguir que a minha família esteja toda no mesmo barco para mudar tudo de hoje para amanhã. Porque eles estão habituados a um registro diferente. E se nós vamos mudar, vamos mudar enquanto família.

E isto é sempre a perspectiva que tem que haver. E portanto, é óbvio que as outras pessoas vão criar resistência.

É a mesma coisa no trabalho, não é? Tu também tens resistência das pessoas quando apresentas ideias novas e quando estás a trabalhar às equipas e toda a gente tem resistência à mudança. Mas se houver uma insistência, se houver um mostrar, olha, vamos todos sentir-nos melhor, sei lá. Este é um caminho, estamos a crescer juntos, vamos ser melhores, vamos ter... as coisas funcionam de forma diferente. Acho que isso sim, faz toda a diferente.

Aliás, eu acho que esta perspectiva ao nível empresarial que estávamos agora a falar, uma empresa em que olhe para os funcionários e saiba que se os funcionários estiverem a comer bem, a dormir bem, a viver um dia a dia feliz na empresa, a sentir que estão a construir alguma coisa, com um propósito a todos os níveis.

são trabalhadores sempre muito melhores. Portanto, quando a alimentação naturalmente é boa e há esta preocupação, sem dúvida há um crescimento a todos os níveis. Até aí eu acho que se aplica muito essa questão da sustentabilidade e da produtividade, porque estão completamente também linkados. É natural, se é natural pode ou não ser mais sustentável e está ligada à questão da produtividade e no fundo a produtividade.

é a um pequeno nível, eu sou muito mais produtiva se comer melhor, não é? Tipo, se alimentas uma criança com cereais e leite ao pequeno almoço, queres que ele fique sentadinho, não vai nada ser produtivo, vai estar completamente, não é? Exatamente. E portanto, se tu alimentares em bom, tu consegues de facto, às vezes, é isto. E portanto...

Exato, mesmo se tu comeres uma refeição muito pesada à hora do jantar, por muito golosa que seja, tradicional, portuguesa, está tudo ok, mas como é óbvio, tu vais-te deitar pesada, vais dormir pior, vais acordar mais cansada no dia a seguir, e se fizeres isso à hora do almoço e comes uma francesinha à hora do almoço e queres-te sentar a seguir numa reunião em que tens que estar a ser produtivo, não vais, vais ter que desaportar o botão das causas, vais estar enfartado, vais estar ensonado. Exato.

Altamente desconcentrado, ficas irritado. Exatamente, porque estás mal disposto. Portanto, isto é tudo uma bola de neve. Portanto, eu acho que nós temos que começar a deixar de ter o foco no prazer, exclusivamente, da alimentação, e começar a ter esse foco no saúde. E depois perceberes que é possível tirar prazer, verdadeiramente, uma refeição que seja mais equilibrada e mais saudável e assíntome mais leve. É tudo uma bola de neve. Portanto, para mim, para fecharmos, sustentabilidade na alimentação é isto.

não te preocupares necessariamente com só a parte ambiental, mas pensar sobre todos estes prismas que levam a que eu não estou numa dieta, eu consigo fazer disto o meu estilo de vida e isto é uma construção. Certo, e eu preciso ganhar consciência naquilo que eu como, naquilo que eu sou, naquilo que eu preciso.

e não é pensar eu sempre fui assim, eu sempre comi assim, isto é assim. Eu não sei dar-me trabalho. Há uma linha, há um caminho, e um caminho muito importante a ser feito. E é isso, e é se tu não sabes, imagina este trabalho que fazes com os cursos, uma pessoa que não saiba cozinhar,

vai fazer um curso, quer dizer, estão à espera de aprender como prosmosa, não é com o vídeo do Instagram, a pessoa tem que parar. Com o princípio e meio e fim, é o que apangas as bases todas que precisas, o que é, como é que mudas, para onde é que começas e aplicas às rotinas, não é? Exatamente, esta história também que me diz, não tenho legumes para alternativa, acho que se tenho que estar ali a dizer as receitas que eu faço lá em casa para a pessoa perceber, realmente, sim, temos que parar de olhar para os legumes, como, ah, estes são os legumes da sopa e estes são os legumes que aparecem. Isso é uma coisa fundamental.

Porque existe muito esse... Sim, sim. Não é? Mas até a sopa já está fora. Porque antigamente havia este princípio de que o português comia sempre a sopa. Até isso eu acho que já saiu. Pois, não sei lá. Na minha casa não saiu. A mim também não. Mas não é? É uma coisa...

mas pronto, mas eu acho que vamos despedir-nos não é? Eu continuava aqui a falar contigo Obrigada, não, sustentabilidade tem muito que se lhe diga e acho que há muitas áreas para trabalhar mas acho que esta reflexão que fizemos aqui ajuda um bocadinho a tirar este novelo da cabeça das pessoas, não é? Não é assim tão complicado e este exemplo da Pilar eu acho que é muito importante partilhar porque

nós não partilhamos sempre as coisas boas ou más e eu não gosto de partilhar os momentos em que eu acho que para eles pode ser uma fragilidade ou para mim pode ser uma fragilidade mas é verdade que uma hora e meia com uma criança que é só o prato, não estamos a falar do jantar completo com a sopa não, é uma questão mesmo da pessoa perceber que se tu queres que a coisa aconteça tu vais ter que ficar ali ser consistente sim

E se acima de tudo queres conseguir nutrir bem o teu filho, tens que ser consistente. Sim, e explicar e conversar e não é como porque eu disse para comer. Uma teimosia minha. Sim, sim. Até é, mas não é. Há tantas é. Mas há um depósito. Medir forças. Há uma missão tua. Sim. Não é? Às vezes podias dizer, está bem, pronto, amanhã faço isso. Mas... Sim, repara, ela nunca em momento algum me disse, não gosto ou não tenho fome. Nunca. Ai, é?

É assim mesmo. Então, olha, beijinhos. Até a próxima. Até a próxima.