Olha a noiva que vai linda em verde seco
Os oito looks de Elizabeth Taylor, o vestido que ardeu, os ateliers mais concorridos, a moda dos casamentos em Portugal, e uma vaquinha para comprar a roupa de Isabel II.
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Maria, imagina que uma futura rainha decidia vestir um vestido de noiva exatamente igual ao de uma das rainhas mais famosas da sua época. Ai, Margarida, isto tinha tudo para ser um escândalo em qualquer coisa. Sobretudo hoje, não é? Com as redes sociais. Ainda bem que em 1774 não existiam estes problemas. Do Avesso, um podcast sobre moda, com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva.
Na exposição dedicada ao estilo de Maria Antonieta, no Museu Victoria & Albert, um dos vestidos mais bonitos era, de facto, o vestido de noiva da rainha. Um vestido prateado. Imagina bem. Só que há um pormenor aqui muito interessante. É que o vestido exposto não era mesmo o da Maria Antonieta. Pronto, é preciso explicar isso, exato.
Mas sim, o da duquesa Elizabeth Charlotte, que viria depois a ser a rainha da Suécia e que copiou praticamente de forma integral o vestido da rainha francesa. O que nós, na verdade, agradecemos muito, porque estamos a falar aqui de uma verdadeira obra de arte, embrocado de seda, com umas ancas enormes e um corpete magnífico, que teria ficado perdido no tempo que não fosse este atrevimento real. É que ele desapareceu tudo, exato.
Olha, é uma peça impressionante, que além da cor prateada, ainda tinha outro detalhe que lhe dava mais brilho, como se precisasse de mais.
Parece que tinha uma série de diamantes ali, todos pregadinhos no vestido. Bom, e parecendo que não, ilumina ainda mais do que entrar de branco na igreja, não é Margarida? Sim, até porque isto de entrar de branco na igreja é uma moda que devemos mais uma vez à Rainha Vitória, não é? Sim, precisamente.
Que lançou aqui modas e modas. Uma nova tendência. Exatamente. E o seu vestido de noiva, que data de 1840, dispensou de facto os bordados dourados e prateados e o manto vermelho típico dos casamentos reais daquela época. Casou apenas de vestido branco, com aplicações de renda e uma coroa de flores de laranjeira na cabeça. E dizia que foi por duas razões. A primeira porque no dia do seu casamento queria ser só esposa de Alberto. Não queria cá ser rainha.
E o segundo, porque também quis utilizar só vestidos, só tecidos ingleses. Isto numa tentativa aqui de promover a indústria do país. Olha, as imagens do casamento foram amplamente divulgadas e rapidamente as noivas, claro, começaram a eleger o branco. Até porque sejamos justos se a história de amor inspiradora é da Rainha Vitória do Príncipe Alberto.
É verdade, mas também há quem fuja do clássico e prefira assim um pouco de cor, não é? Que o diga a Elizabeth Taylor, que se casou oito vezes e só em duas dessas vezes é que se vestiu de branco. Olha, é difícil decidir sobre os vestidos mais moráveis, de facto. Nós temos o do seu quarto casamento com o Eddie Fisher, em que a Taylor optou por uma seda verde seco, muito pouco tradicional, e depois temos o inesquecível amarelo canário, não é? No casamento número 5, desta vez com o Richard Burton.
O casal de amantes deu o nó apenas nove dias depois de Elizabeth se separar do anterior marido, portanto também não tínhamos aqui grande tempo para arranjar outros vestidos. É um facto. Olha, ainda assim as fotografias deste casamento são das mais bonitas da atriz, aqui com uma longa trança, não é? Toda enfeitada com flores. E há que dizer que apesar do vestido ser amarelo, o casamento durou dez anos, portanto não correu mal de todo.
É que não só durou 10 anos, como os noivos se voltaram a casar. Pois é, se cada um só. Em 1975, apenas um ano depois de se divorciarem, portanto aquilo era uma relação assim um bocado conturbada. Intermitente, sim. E da segunda vez, a noiva também foi muito original, aqui com um vestido ao estilo boémio, bem assim dos anos 70, com um corte império e mangas largas, num tecido com as cores do arco-íris, imagina.
E era assim, todo bordado com miçangas, tinha penas. Era uma criação de Gina Frattini, que em 2011 depois viria a ser leiloada por 72.500 dólares. Ora, muito dinheiro. Olha, ainda temos outro, muito original, outro vestido, do seu sétimo casamento, que era uma peça de cachemira roxa. Portanto, mais uma escolha improvável. Por cima, a atriz levou um casaco de péls impressionante e na cabeça um turbante. Isto em 1976, também com...
com eu pouco tempo para fazer um vestido de noiva tradicional Olha, eu não sei o que é que me impressiona mais, se é esta originalidade toda para os vestidos de noiva ou se é a velocidade a que Taylor arranjava maridos para casar Superstónico, olha, de facto abençoada seja porque não só os encontrava, que não é tarefa fácil convenhamos, mas eles ainda lhe ofereciam sempre umas belas joias de noivado Olha, é verdade, temos que falar dessas belas joias Aguardamos isso para outro programa, sim
Mas hoje vamos aqui focar nos vestidos. É que nisto das cores, de facto, ninguém bate a Elizabeth Taylor, mas ela não é a única celebridade aqui com queda para inovar na moda no especial. Estou em 1969 e a Elizabeth no terceiro casamento. Também a Adri Hepburn se casava pela terceira vez, desta vez em rosa clarinha. Pois é, isso também é muito memorável. Um carinho mais discreto que o amarelo.
e um vestido Givenchy, claro. O seu amigo, sim. Olha, a moda da cor pintou outras décadas. Em 1997 a Sarah Jessica Parker casou vestida de preto, imagina. Tivemos a Gwen Stefani com um vestido de noiva com uma barra rosa-choque.
Bom, e quem é que não se lembra da Victoria Beckham, de roxo integral, a condizer com o noivo, não é? É verdade, essa fotografia que circula ainda. É como, como, como esquecer isto. Temos também a Lady Kitty Spencer, a sobrinha da princesa Diana, que casou, há não muitos anos, em 2022, festejos de três dias, cinco vestidos diferentes, isto agora é moda ter imensos vestidos, não é?
E depois da igreja, a noiva trocou a sua peça de renda branca, mais clássica, por um Dolce & Gabbana de seda, todo pintado à mão, com flores coloridas e bordados com cristais. Bem, fascinante. Mas olha, se é para falarmos aqui de caudas pintadas à mão, não é? Há concorrência, sim. Não podemos esquecer da Angelina Jolie, que tinha na cauda do vestido os desenhos dos seus filhos, não é?
Mas por muito que estes casamentos de celebridades sejam amplamente divulgados, a verdade é que nada bate o romance a poupa e circunstância de um casamento real. E nós por cá tivemos um que tu acompanhaste bem de perto. Sim, o observador esteve em peso, como se recordam, na Basílica de Mafra, em outubro de 2023, para o casamento da infanta Maria Francisca de Bragança.
que na altura confiou o seu vestido principal à Luzia do Nascimento, que é uma costureira com quem a família já costumava trabalhar e portanto aqui também se juntou a este processo. Não usou o vestido da mãe, curiosamente? Não, não foi provavelmente por falta de vontade, mas tu sabes que o vestido da Ana Isabel queimou-se. A toquesa de Bragaça chegou a contar-nos essa história. Isso dificulta. Dificulta, dificulta. Ela tentou protegê-lo da umidade síntara, mas olha, ainda foi pior do que a encomenda e depois para o copo de água a filha acabou por optar já por uma versão.
Menos clássica, mas também muito elegante. Bom, e como é tradição, recorreu a acessórios de passagem e sim houve essa possibilidade do contributo materno, digamos assim. A tuquesa de Coimbra usou uns brincos da mãe e outros da avó e uma pulseira real emprestada e ainda a tiara da rainha Dona Amélia. Bem, não é para todas, de facto.
Olha, mas já o casamento da rainha, Dona Amélia, tinha dado muito que falar. Muitíssimo. A cidade viveu isso intensamente, é verdade. Olha, desde logo, porque foram precisas obras no Palácio das Necessidades para os convidados a dormirem todos, não é? Porque isto era gente que vinha de longe, precisava de cá ficar a dormir.
Coisa que preocupou imenso do Luís, o pai do noivo, porque as finanças da família real não estavam muito bem. Mas mesmo assim, com essas dificuldades, os festejos duraram sete dias, com recepções, bailes de gala, corridas de cavalos e touradas. Imaginada e maçã. Foi tudo à grande e à francesa, como a origem da futura rainha. Tu sabes que o vestido da noiva era adornado com flores e o véu tinha quase três metros. Mas há um detalhe muito interessante no meio disto tudo, é quem causou o verdadeiro espanto.
Foi a rainha Dona Maria Pia. Um vestido de veludo azul celeste, bordado com pérolas, ramos de diamantes, um manto azul real sobre os ombros e ainda um diadema de diamantes na cabeça.
Ui, a sogra ao afuscar a noiva, não é? Eu acho que foi um pouco do género. Assim, um drama abeca-me, que parece que não é coisa de agora. Mas antes do tempo, sim. Eles afinal não inventaram nada, não. Olha, esse drama a dona Filipa de Lincaixo não deve ter tido, isto porque a sua sogra era na verdade uma amante do rei Dom Pedro, portanto é pouco provável que estivesse presente no casamento real. Fica lá tudo separado, não é? Casamento esse que aconteceu no Porto.
E o que sabemos é que a cidade foi coberta por flores de cheiro e que se abriram praças onde antes eram descampados, fizeram-se torneios, organizaram-se jogos em várias ruas. Foi assim também uma verdadeira festa popular. Olha, já a drama não faltou no século XV, no casamento de Dona Leonor de Aragão com Dom Duarte.
Uma aliança estratégica com o Mera Panágio nesta altura. A noiva veio acompanhada por um séquido castelhano. Parece que mal entrou em Portugal. Bom, os portugueses e os castelhanos desentenderam-se. A população portuguesa da raia envolveu-se na disputa. Como é que costuma? Pronto, houve ali um conflito sério. O D. João I ainda teve de castigar os moliantes. Portanto, aquilo foi complicado.
Imagina, e estudantes do banquete, não é? É que nem sequer havia a desculpa do mal vinho. Pois não, pois não. Olha, com bom ao mal vinho, o que é facto é que Lisboa continua a ser palco de casamentos mediáticos. Estivemos, por exemplo, na Basílica da Estrela, muito recentemente, a princesa Leopoldine de Lichtenstein, sem tiara, é verdade, mas com um belo colar de aquamarinas e convidados de algumas marquias europeias. Olha, mas não é preciso também ser da realeza para vir casar a Portugal, não é? O nosso país é cada vez mais procurado para este tipo de eventos.
Eu acho que a meteorologia ajuda um bocadinho, não é? Pelo menos é mais certo do que casar em Inglaterra, com certeza, que pode sempre apagar uma grande chuvada. Mas também, a verdade é que cada vez é mais tendência esta coisa de se fazer em casamentos de vários dias, com menos gente, mas reservar um hotel por inteiro para os convidados e fazer... Quase umas férias com um casamento lá dentro. É, pelo menos três dias ali uma festa íntima, mas mais completa. Eu acho que aqui também.
Os preços de Portugal talvez ajudem em comparação a outros países. E claro que para isto tantos dias de festa são precisos vários vestidos. E até já há quem procure os fornecedores em Portugal. Isto para não ter que vir com a casa às costas. Já chega a vir-se casar com os convidados todos atrás. Claro, incluindo os wedding planners, o catering, tudo mais. No design também, obviamente.
A Joana Duarte da Marca Behrend chegou a contar-nos que nunca pensou criar o ateliê enquanto estúdio de noivas, mas a procura ultrapassou de facto as expectativas e há tantas, aquilo funciona muito também neste segmento. Aliás, hoje é muito curioso porque há vários pedidos para vestidos pré e pós cerimónia civil ou religiosa, lá está, com encomendas até mais alternativas.
E o facto é que a Joana trabalha com muitas noivas que já vêm de fora, que escolhem Portugal como Destination Wedding, como se diz. Ou nem por isso. Sabes que há quem encomende, faz as provas todas virtuais, toda a distância. E depois aquilo lá segue o vestido por correio. Olha, seja o que Deus quiser e casam-se nos Estados Unidos ou nos outros sítios quaisquer.
Bem, na mais recente edição da Moda Lisboa, tivemos uma coleção só de noivas, de Nuno Baltazar, o que também ilustra aqui muito bem o sucesso deste segmento. Sim, nós já tínhamos a tradição da noiva a encerrar os desfilos, é um clássico. Criadores como o Diogo Miranda ou Nuno Abrantes, que trabalham de forma muito regular esta área.
Mas, de facto, o mercado explodiu nos últimos anos. A própria Constância de Interno também me falava que tem recebido imensas encomendas, portanto, os designers acabam todos por ir ter esta área, não é? Sim, temos depois também os ateliês de noiva, não é? Sim. Geralmente são ateliês que já têm uma coleção de vestidos feitos, mas normalmente o seu maior trabalho é fazer vestidos por medida, que é, de facto, um trabalho único de alta costura. Aliás, é um processo que demora vários meses e tem várias provas.
Sim, aliás, tu tens casos super concorridos, não é? Casos de ateliês como o Polícia, a presa Melbrainer, a Cetua, a San Agostinho, pelo menos por Lisboa, não é? Aqui na Grande Lisboa, que é quase preciso ter a senha como na loja do Cidadão, não é? Madrugar. É verdade, tens que ir marcar... Tu sabes disso, não é? Sim, sim. Tens que marcar a primeira prova com muitos meses de antecedência, a primeira reunião.
Porque olha, só o meu vestido de noiva foram seis ou oito provas, eu já nem me lembro bem, porque eu tinha um trabalho super meticuloso de drapeados, da Susana Agostinho, e depois há um problema, não é? Que eu emagreci à cada prova, isto é uma coisa comum entre noivas.
E portanto, normalmente aqui a última prova da noiva é sempre, imagina, na semana anterior ao casamento. Portanto, é mesmo um trabalho meticuloso. Olha, é de facto um trabalho único dentro deste universo da moda. Mas a verdade é que os sapatos também contam. Nem sempre se vê ali muito, não é? Mas é importante. Toda a gente fala do vestido de Diana, a princesa de galos.
Mas há um pormenor delicioso, hoje trágico, se virmos bem, no calçado, que na altura certamente passou despercebido. Sabes que nas solas a marca Jane Shilton tinha pintado as iniciais C e D, de Carlos e Diana, em folha de ouro, com o coração no centro. Bom, e diz que aquilo custou à volta de 70 mil euros.
Olha, uma realidade completamente distante do casamento da sogra. É verdade, sim. Que pegou o vestido, imagina, com cupons de racionamento pós-guerra, com os velhos e com os do povo. Porque as pessoas solidarizaram-se com a rainha e começaram a enviar os seus próprios cupons para ajudar a princesa. Olha, fizeram uma vaquinha, uma vaquinha real para o vestido. É incrível.
de Isabel II. O gesto impressionou o próprio governo que acabou por abrir os cordões à bolsa e dar assim um bocadinho mais de orçamento para o grande dia. Olha, quem não teve problemas de orçamento foi Faradiba que em 1959 casou-se com Reza Palavio, o último chá da Pérsia, numa daquelas bodas que definem uma era. O vestido era Saint Laurent, o diamante rosa usado era o maior do mundo e nas flores contou com 300 quilos de hortensas.
Olha, muito falado aqui também pelos eventuais números, foi o vestido da noiva Letícia Ortiz, uma das primeiras plebeias a casar na monarquia, e chegou a dizer-se que aquela criação super pesada e elaborada do Manoel Pertegas tinha custado quase um milhão.
Depois acho que lá desceu o valor destemado para 45 mil euros. Bom, o facto é que o vestido valia-se montante, mas a Casa Real só terá pagado uns simbólicos 6 mil euros. Até porque o criador depois confessou que, num primeiro momento, até quis oferecer a peça à então futura rainha de Espanha. E, portanto, não estava cá muito preocupado com os números, não é? Com os números, exatamente.
Olha, nós temos é que começar a fazer apostas para o que aí vem. Pois é, o que não falta neste ano são noivas famosas. Margarida, agora é esperar para ver quem surpreende mais. Até breve. Até breve.