CICLISMO com LULU CICLISMO
Uma comunidade criada para mulheres no ciclismo é formada por vivências de quem respira esse esporte como a Gisele Gasparotto e a Lilian Perrenoud na LULU CICLISMO. Vem assistir esse episódio do nosso podcast TREINO É TREINO JOGO É JOGO que tem muito pedal, mas acima de tudo uma maneira bem divertida de ver tudo isso.
Clarissa Brito
Gisele Gasparotto
Lilian Perrenoud
- Ciclismo femininoGisele Gasparotto · Lilian Perrenoud
- Criação da Lulu Ciclismo
- Histórias de ciclismo
- Competicoes e Eventos
- Desafios no ciclismo
Bem-vindos, Sorasteiros! Eu sou a Clarissa Brito e esse é o Treino é Treino, Jogo é Jogo. O podcast que traz pra você aquela história perfeita que, além de te ajudar no esporte de quebra, ajuda com seu bom humor independente da hora do dia em que você escutar. E hoje nós temos duas convidadas que representam a Lulu Ciclismo.
Criada com o propósito de incluir e desenvolver mais mulheres no ciclismo de forma segura, estruturada e consciente. Elas são a Gisele e a Lilian. Gisele Gasparotto. Eu vou começar pela Lili. Lilian, eu fiquei na dúvida como falava o teu sobrenome. Chuta! Ele é muito repuscado.
Perrenó? Perrenó. Sensacional. Então, começando pela Lili, que é educadora física, pedagoga, mestre em ciência do esporte pela USP, além de atleta amadora de mountain bike desde 2014, com títulos em maratonas de perfil técnico, como Rock Mountain Games, Sertões, entre muitas outras.
É professora de técnica de ciclismo de estrada na Lulu desde 2021 e sócia da Lulu Ciclismo desde 2022. E a Gi, que é ciclista de estrada na categoria Elite, empreendedora e fundadora da Lulu Ciclismo, ela acumulou muitos, gente, mas muitos resultados expressivos e consolidou hoje a sua atuação no pelotão de Elite, competindo em alto nível.
E vale dizer que a Gi também é comunicadora do esporte, sendo a criadora e host do podcast Na Roda do Estema. Porém, ela não fez esse milagre que nós fizemos aqui de trazer Lilian no microfone. Então, com certeza, ela está aqui com uma invejinha do treinamento Jogo é Jogo. Sejam muito bem-vindas com esses currículos gigantescos e maravilhosos, meninas. Obrigada, Clá. Muito bom estar aqui.
Agora eu preciso perguntar pra vocês. Por que vocês escolheram o ciclismo como esporte? Vou começar que é fácil essa. Na verdade, eu sempre falo que eu sou a criança que nunca parou de pedalar. A bike foi mudando o sentido na minha vida, ou a utilidade que ela tinha na minha vida, mas eu nunca parei de pedalar. Então eu era a criancinha que aprendeu a pedalar.
tempo de escola, etc. Tava sempre brincando de bike. Eu morava em chácara. Então, a bike era brincadeira. Bike, jogar bola, correr na terra, enfim. Você ia e voltava da escola de bike também? Não, não. Não porque era, tipo, a minha escola era, sei lá, 15 quilômetros da minha casa, sabe? Era super longe.
E aí depois, quando eu saí, fui fazer faculdade. E aí foi um combinado que eu tive na minha casa. Se eu passar numa faculdade, numa universidade pública, eu ganho uma bicicleta. Ganha. Ah! Aí ganhei uma bicicleta de gente grande.
Eu achava que era de gente grande, depois a gente vai falar disso. Mas era uma bike, tipo, Carrefour. Porque todo mundo começou com uma bike dessa, né? A gente sempre acha que, nossa, elas começaram, pedalam pra caramba, não sei o quê. Não. Comecei com uma bike Carrefour e eu achava sensacional a minha bike. E eu ganhei porque eu passei na faculdade pública.
E aí fui morar em Presidente Prudente e a bike virou meu meio de transporte. Ah, vai fazendo isso aqui, vai de bike. Ah, vou no mercado de bike. Tudo de bike, de bike, de bike. No último ano da faculdade roubaram minha bike do meu prédio. Aí não comprei outra bike lá, né? Ia vir embora e tal. Quando eu vim pra cá, comprei outra bike aqui. Aí eu já tava começando a trabalhar e tal. Mesmo esquema, né? Tipo, comprei uma bike um pouquinho mais acima, mas mesmo esquema.
E aí eu comecei a trabalhar de bike. E aí eram esses mesmos 15 quilômetros, porque eu voltei a morar na chácara que eu morava quando era criança, né? Então, esses mesmos 15 quilômetros, aí eu ia trabalhar cedinho de bike e voltava no fim da tarde. Trabalhava em clube, né? Com esporte e tal. E aí ela virou, então, meio de transporte.
E comecei a pegar gosto. O meu irmão pedalava, ele gostava de fazer downhill, na época ele tava montando uma baita bike pra ele de downhill, bem suave, bem... E eu achava o máximo, assim, eu achava, eu falava, meu, que legal, ele usa capacete, tipo, não, eu não usava capacete. Eu pedalava, tipo, teninho, roupinha e ia.
E aí comecei a aprender algumas coisas, né? Não, tem que usar capacete. Não, tem que ir fazendo isso aqui. E aí você vai, coloca uma roupinha. Morri de vergonha a primeira vez que eu coloquei roupa de bike. Bermuda apertadinha de bundinha. Ferrou. Morri de vergonha.
Mas coloquei, não tinha, a gente sempre fala isso, na época que a gente começou a pedalar, não tinha jersey, né? A camisa do ciclismo feminina. Então, tipo, eu com o meu tamanho todo, a jersey era gigante em mim, horrorosa, P. E era assim que eu ia, né? Aí, beleza. Isso foi na época que eu comecei a trabalhar, sei lá, 2006, 5, 6.
Comecei a pegar a gosto e de final de semana, agora eu vou sair só para pedalar. Aí eu já não ia trabalhar. Aí eu falava, não, hoje eu vou só pedalar com a mesma dificletinha. Beleza, ia lá, voltava. Fiz um upgradezinho da minha bike, meu irmão me ajudou. Tipo, vamos montar uma para você. Aí fui lá na loja. Era essa época que a gente tinha o costume de, tipo, você compra tal quadro, tal grupo, tal não sei o que. Os caras montavam a bike. Aí montei uma bikezinha um pouco melhor para mim.
E comecei a pedalar de final de semana. Beleza, aí parei, aí não era mais meio de transporte. Aí eu falei, não, agora eu pedalo. Aí beleza, um dia estava eu, tinha feito meu pedalzinho, 30, 40 quilômetros, estrada de terra. Então eu voltando pra casa do meu pedal, pedalava sozinha, super sozinha sempre.
Tô voltando, vejo um grupo de ciclistas, né? Vindo na minha direção, eles estavam ao contrário de mim. E algumas pessoas eu conhecia, a cidade é pequena, eu sou de Atibaia, morava em Atibaia. Cidade é pequena, então algumas pessoas, olha, é, não sei o quê, tal, tal. Porque eu trabalhava com esporte, trabalhava no clube, trabalhava na prefeitura da cidade, enfim. Ah, vamos com a gente. Aí eu falei, ah, não, tô voltando, já acabei.
Não, mas a gente também, só que a gente vai por aqui. Vamos com a gente. Ah, beleza, fui. Fui lá, Davina. Fui.
Aí fui, aí você vai conversando e tal, nunca vou esquecer a cara do cara que virou pra mim, ele olhou ele olhou pra minha bicicleta aí ele falou onde você pedala? Ah, pedalo aqui ali, faço não sei o que, tal, tal às vezes eu subo a pedra grande aí ele falou assim, mas você sobe com essa bicicleta? Aí eu falei eita, caramba
Eu falei, eu subo. Aí ele falou, não, mas você sobe mesmo? Eu falei, não, eu subo. Eu falei, minha bicicleta não é legal, né? Eu fiquei, tipo, só pensei assim, né? Falei, socorro, Deus. Cheguei em casa, falei pro meu irmão, falei, meu, minha bicicleta não é boa? Aí ele falou, é, tem melhores, né?
Aí eu falei, ah, tá. Tá bom, vamos começar a entender melhor esse negócio. E aí, dali pra frente, virou modalidade de verdade. Aí eu comecei a entender, a pesquisar mais, a querer saber mais e querer evoluir, né? E falar assim, poxa... E aí caiu a ficha de assim, tipo, se o cara falou, você sobe com essa bike... Eu falei, deve ser difícil isso que eu faço com essa bike. Eu devo ser muito... Acho que eu devo ser meio ciclistinha. Acho que dá pra...
E aí eu comecei a querer fazer umas coisas mais legais, assim, sabe? Tipo, de querer realmente evoluir, treinar e estar junto com a galera. E aí comecei a pedalar em grupo e tal. E aí foi mudando. E aí, nessa época que isso deve já ter sido... Não lembro que ano. 2010? 9?
comecei a introduzir, tipo, a modalidade na minha vida, sabe? Até que em 2014 comecei a competir, né? E aí, a gente vai mudando, a gente vai aprendendo, né? É que todo mundo acha, pelo menos eu vejo dessa forma, né? Quando você vê uma pessoa fazendo muito bem...
Você fala alguma coisa, você fala, ah, é porque ela já tinha esse dom, é porque ela já é boa desde o princípio. E óbvio, você já andava de bicicleta desde pequenininha. Mas existe todo um trajeto pra você chegar naquele lugar, né? E principalmente bike, eu vejo muita gente querendo começar já com uma bike motorizada praticamente, né? E...
Quanto mais casca você ficar naquela bikezinha, depois quando você troca, você voa muito mais, né? É, verdade. É isso. Eu? Como o ciclismo entrou na sua vida. Eu aprendi... Por que ciclismo? Pois é. Não, eu aprendi a pedalar quando criança, mas eu não fui a criança que pedalou a vida inteira, ao contrário da Lilian.
Eu fiz outros esportes, eu nadei, eu jogava vôlei, eu jogava handball, andava de skate. Eu era... Skatista? É, andava assim, né? Vamos...
Fala direito. Gisele Evrelavi. Eu subia no skate. Eu subia no skate. Mas assim, gostava de patins. A bike, eu aprendi a pedalar. Meu pai me ensinou, mas não era meu esporte. Não era... Tinha uma bikezinha ali, andava, mas não me acompanhou a infância e a adolescência. E aí, quando...
Eu tinha uns 20 e poucos anos, eu conversando com uma amiga, ela falou que ia trabalhar de bicicleta. E eu achei aquilo o máximo. Eu falei, gente, que maravilha, ela vai trabalhar de bike, ela não pega trânsito. Ela, sabe, eu romantizei muito aquela história, assim, de pedalar de bicicleta. E eu fiquei com aquilo na cabeça. Aí eu falei, nossa, eu quero pedalar de bike. Só que eu morava, na época, na estrada de Itapcirica, e trabalhava na Faria Lima.
Tipo, 15 quilômetros, não é nada, né? Mas assim, pra quem nunca tinha pedalado, era bastante coisa. E não tinha condicionamento, né, pra pedalar, porque é diferente também você fazer outro esporte, depois você pega a bike, são grupos musculares diferentes, enfim, você precisa de uma adaptação ali.
E aí eu fiz igual a Lilian, comprei uma bike no site do Carrefour. Full suspension. Achava que era a bike mais top da galáxia.
Não tem aqui assim. Qual bike vocês estão falando? Pode ser que você saiba mesmo. Você olha aquela azul e amarela? Não, era azul e amarela. Azul e amarela. Eu acho que a gente tinha a mesma bike, cara. Era a mesma bike. Era? Era, certeza. 300 reais. Falei, vou comprar. Comprei no site ali, chegou, mandei montar.
E aí foi essa aventura do primeiro dia. Foi um caos, né? Porque você sai da estrada de tapicirica. Eu mais empurrei a bicicleta do que pedalei, né? No primeiro dia.
Mas foi, eu fui insistindo e aí eu fui tomando gosto, assim, por ir trabalhar de bike. Não era todo dia que eu ia, tinha dia que eu tinha preguiça. Até você introduzir essa rotina na vida é complicado, dá preguiça. Você largar o carro pra pegar a bicicleta, chegar lá toda suada. Aí tive que mudar um monte de coisa no escritório também.
Colocar chuveiro, deixar a roupa lá. Então, é uma adaptação, né? Não é tão simples, a gente fala. Se chove também, né? Se chove, aí, putz, volta de condução ou de Uber, enfim. Mas, assim, foi indo. Aí, tive um tempo sem pedalar, sem fazer isso, porque eu engravidei.
Da Maria Clara. Foi em 2007. Aí em 2008 ela nasceu. E aí eu fiquei um tempo sem saber o que eu ia fazer da vida. Em 2009 eu me separei. E aí eu falei, nossa, eu preciso voltar a pedalar. Só que aí eu já voltei num esquema mais pedal noturno.
Eu conheci, fui atrás, entrei na internet, pedal noturno, sabe essa galera que se junta e pôs de gasolina? Supertei. E sai à noite, tipo Sampa Biker. Foi o que eu fiz, aí eu achei uma turminha que saia de um posto ali na República do Líbano e comecei de terça e quinta à noite com a minha bikezinha. Só que aí, nessa época, eu já tinha trocado por uma bike que eu achava que era a mais top de todas, que era uma Calói 100. Aí eu falei, agora eu tô com a bike boa.
E aí que eu comecei a entender que nesses pedais, você vê a galera de road, você vê a galera de mountain bike, aí eu vi a galera com sapatilha, de todos os jeitos, assim. E aí eu comecei a olhar e falei, nossa, o que é isso, né? Eu comecei a me interessar. E aí foi quando eu entendi que existiam modalidades de ciclismo diferentes, né? E eu me apaixonei pelo ciclismo de estrada, porque eu sempre achei o máximo.
o guidão, o curvadão, aquela coisa mais agressivona, a velocidade. E aí foi quando eu resolvi investir numa bike de estrada e comecei a treinar. Na verdade, antes disso, eu participei de uma prova, que foi a primeira edição da Claro 100K, na época, em 2010. E aí falaram assim, é uma prova de 100K, vai inaugurar o Rodoanel.
na época da inauguração do Rodanel. E a prova vai ser lá, antes de inaugurar o Rodanel. E aí eu falei, ah, vou me inscrever. Mas assim, o máximo que eu fazer era 30 quilômetros. E de volta. Não era nem direto. E aí eu resolvi me inscrever e fiz o 100K de tênis.
com a bike híbrida que era maior que eu, porque aí um amigo meu falou, ah, pega minha bike, ela serve em você. O cara, 1,90m de altura, me vendeu uma bike que estava em 56, e eu achei que era... Arrasando. É, arrasando, de tênis, e fui fazer 100K. E aí, assim, caí de prego, fiquei tão... Não comi direito, não bebi água direito, não fiz nada direito, né? Porque a gente, nessa hora, acha que não precisa de nada.
E aí caí sozinha, de cansaço, mas eu fiz o 100K. Demorei quase cinco horas pra fazer 100K. Mas tá feito. No plano fiz, aí que eu falei, não, eu gostei disso, quero... E aí que eu gostei. É, porque você termina, você fala, caramba, é uma superação, né? Eu falei, agora eu quero ficar boa nisso. E foi aí que eu comecei a treinar mesmo, entender do universo todo, e aí...
Chegamos aqui. Você sabe que eu pedalava quando era criança também, porque eu cresci entre São Paulo e Araçoiaba da Serra, né? Nos finais de semana, nas férias, a gente ia pra Araçoiaba da Serra, que é pequenininho, no meio do campo. E aí, meu, eu e minha irmã com a bicicletinha, e tal. E quando eu voltei a utilizar a bicicleta assim,
com gosto, como quando eu era criança, lá no interior, foi indo e voltando pra USP. Porque eu era pé rapada num nível... Que é um rolê também, né? É, eram 13 quilômetros. É? E eu lembro que eu falava, não, até o bilhete único ficava caro no final do mês, sabe, assim? E enquanto você tá fazendo estágio de jornalismo e tal...
E eu lembro que depois que você pega o jeito, no começo é uma preguicinha, você fala, nossa, sai da aula de noite, aí meio perigoso, tal. Mas depois que você pega o gostinho do vento na cara e tal, aí você vira um biker.
adoravam dar sem capacete, mas a primeira coisa que eu me lembro das lulus, gente, juro por Deus, é, gente, capacete é proteção. Fone de ouvido é perigo pra você e perigo pros outros. Mas assim, eu lembro de vocês falando isso num treino, acho que foi destrava, alguma coisa assim, eu falei...
Faz sentido. Elas sabem o que elas estão falando, cara. Fez sentido. É, porque até aquele momento, assim, eu via muita gente de fone, na ciclo e tal, eu falava, ah, cada um a sua. Mas não, quando vocês falaram, olha, é perigo pra você porque você não tá tendo a noção de todo o ambiente.
E, óbvio, tá prestando atenção em outra coisa que não na tua bike e no teu ritmo e tal. Mas também pras outras pessoas. Falei, puxa, uma coisa é perigo pra você. Já é ruim. Mas pras outras pessoas...
Cara, você tem que zelar por quem tá lá, seja um pai com uma criança aprendendo, seja um outro ciclista que também esteja no treino, seja alguém que tá passeando, mas é a nossa função deixar aquilo o mais seguro possível e é pra todos, né? O espaço da bike, quanto mais gente andar de bike, mais gente aderir ao ciclismo, e eu não tô falando do competitivo só, mas...
Do esporte, né? É isso que desperta em alguém e fala poxa, agora eu vou participar de uma competição. E isso ficou na minha cabeça. Nossa, Lulu, ciclismo, gente. Cada vez que alguém me falava vou começar a pedalar, eu falava olha, tem um grupo muito bom, tem uma assessoria aí que eu acho que vale a pena. Inclusive, me vem uma pergunta que eu quero fazer antes de...
de saber uma história legal de vocês. Como que nasceu o Luluciclismo? Então, nasceu dessa vontade que a gente, como mulher, né? Que pedala, tem de ver outras mulheres pedalando. Então, meio que veio daí. Na época, o Ronaldo Martinelli era meu treinador.
E eu sempre fiz coisas com mulheres, isoladas, assim, vamos montar uma equipe, vamos fazer um pedal só para mulheres. Então já tinha um viés ali de trazer as mulheres para pedalar. Não de forma organizada, assim como uma empresa, mas de forma isolada, minha mesmo, minha vontade.
E ele sabendo disso, ele virou um dia e falou, meu, você não monta uma metodologia de técnica, porque você é muito técnica, você tem uma didática, você gosta disso, monta, eu te ajudo e vamos junto.
E aí foi isso. Aí eu falei, nossa, legal. Só que nisso eu ainda trabalhava com seguros, né? E aí eu comecei a escrever quais eram as dificuldades, quais eram as técnicas importantes para o ciclismo de estrada, o que era legal a pessoa saber, né? E a gente focou em mulheres, porque eu sempre conversei muito com o público feminino.
E eu achava que as mulheres tinham mais dificuldade de entrar no esporte justamente por falta de informação, de acolhimento, de técnica. Então, a gente fez um espaço para mulheres, né? E aí o Lulu veio disso e o Five, na época do Five, era por causa da Five Ways, que era do Ronaldo.
E aí eu comecei, assim, boca a boca. Eu escrevia... Na época eu usava muito Facebook, nem era tanto Instagram, né? E aí eu começava a divulgar no Facebook. E aí as amigas, vem cá que eu vou te ensinar.
As que já pedalavam, né? E aí eu comecei a treinar com elas, com as minhas amigas. Eu falava, eu não vou te cobrar nada, vem cá, eu vou te ensinar, vou te ensinar umas técnicas e tal. E aí foi indo no boca a boca. E a coisa foi tomando um formato que, quando eu vi, minha primeira sócia foi a Matt, além do Ronaldo, a Marcela Tould. Aí depois ela saiu. Aí ficou eu e o Ronaldo. E aí já tinha a Erika e a Rose, que é a esposa do Ronaldo, como treinadoras.
E aí eu conheci a Lilia em 2021. Ela entrou também. E a gente ficou um tempo ali, ela me ajudando com a parte de eventos, de patrocínios, de parcerias e tal. E organização. Que é a parte mais trabalhosa. É, dá trabalho. Pedalar é gostoso.
E quando o Ronaldo saiu, porque aí a gente não deu mais fit, assim, de... Até porque ele mudou de cidade. E o foco dele sempre foi muito performance. E o nosso foco sempre foi mais acolhimento. E aí a Lili entrou como sócia.
Foi assim que surgiu. E assim temos a comunidade. E assim surgiu, é isso. E é legal porque, assim, quando eu conheci a Gi, ou melhor, antes, na verdade, de eu conhecer a Gi, acho que as mulheres se procuram. É muito mais fácil você pedir pra uma mulher te ajudar do que pra um homem, que vai olhar e vai falar ah, não é possível que você não saiba fazer isso. Ah, não é possível. Ah, é simples, faz aí. Porque é isso, eu morava em Atibaia na época, pedalava.
E muitas pessoas me procuravam também, tipo, ah, eu queria pedalar igual você, você me ajuda? Isso não virou uma empresa, né? Isso não, que foi o que a Gi fez, que foi muito legal. Mas virou um grupo de ciclismo. Então, eu tinha um grupo de ciclismo em Atibaia antes de eu mudar, antes de eu sair para fazer faculdade, enfim.
E virou um grupão, assim, devia ter, sei lá, vinte e poucas pessoas, e mais os maridos. A gente tinha uniformezinho, era super velho. Ah, era assim? É, fizemos um organizadinho, é. E eu ia ajudando a galera a pedalar. E aí falava, mas não vou te atrapalhar. Não, vou com você. Vamos que eu vou te ensinar. E aí ia do meu jeito, né? Aos trancos e barrancos ali, ia ajudando, ia ensinando, enfim.
E um monte de gente foi tomando gosto, acho que, pelo pedal por isso. Mas quase que essencialmente, assim, mulheres, sabe? Por essa facilidade, né? De você olhar e falar assim, putz, pra ela dá pra perguntar, eu acho. Pra mim, esse é o real significado de influenciador, sabia? Porque se banalizou muito a palavra influenciador como a pessoa nas mídias sociais que representa alguma coisa.
E eu falo alguma coisa porque pode ser qualquer coisa hoje em dia. Mas, quando vem na minha cabeça influenciador, é aquela pessoa que você se inspira, sabe? E tem os influenciadores da vida real que às vezes conseguem colocar isso nas mídias sociais e...
o algoritmo ajudar elas, mas às vezes não. Então tem muita gente que você vê que tem poucos seguidores. Eu falo, mas você tem uma olhada no engajamento dessa pessoa dentro da comunidade? É gigantesco, assim. É aquela pessoa que alguém que olha de fora fala, puxa vida, eu acho que aí tem alguma coisa, vou me inspirar. É isso. É a pessoa que você olha e...
Pô, claro, mas é muito louco isso que você está falando, porque, por exemplo, eu hoje tenho até bastante seguidores, mas não só pela influência da marca, do trabalho, mas a época que eu ganhei mais seguidores, por isso que eu falo que isso não quer dizer muita coisa, foi quando eu fui assaltada.
que o negócio viralizou. E eu ganhei, sei lá, 7 mil seguidores. Entendeu? Não foi assim pela... Metodologia. Pela metodologia, pelo trabalho. Pelo histórico. Foi essa época. Então, é muito relativo isso, né? É o que você falou.
Às vezes você influencia, mas não tem ali a quantidade... Eu acho que vai das pessoas, isso é um critério, né? Das pessoas, delas olharem o que realmente está sendo vinculado e quem é aquela pessoa. E das marcas também, né? Porque é o que você falou, às vezes as marcas, elas trazem visibilidade para aquele influenciador.
Mas se a marca olha a fundo e fala, tá, pra mim, não é a quantidade de seguidores que pode ser comprada, e por aí vai, né? Hoje a gente sabe mil e uma ferramentas, mas o que aquela pessoa traz de diferente dentro daquele nicho? O que ela traz de único dela?
Porque em uma sociedade em que cada vez mais a gente vê cópia, a gente vê mais do mesmo, e você fala, nossa, parece que eu estou vendo sempre a mesma coisa, quando alguém traz algo diferente, quando alguém traz algo genuíno...
Isso é uma pérola. É. É uma pérola. Uma coisa que a gente conversa muito, e a Lilia, quando a gente vai fechar uma parceria com alguma marca, a primeira coisa que a gente fala para a marca é a seguinte, a gente não é vendedora do produto de vocês. A gente...
Consome, a gente vai, acredita, a gente vai divulgar, só que vocês não podem avaliar o sucesso da parceria com base na quantidade de vouchers que são usados no site de vocês. É mais assim, estamos juntos, acreditamos no propósito da Lulu, a gente acredita no propósito da marca e vamos seguir juntos trabalhando ali, eventos, tudo que a gente puder trabalhar, mas se você...
quiser medir o sucesso pelo número, o cupom de desconto, não vai dar. Esquece. Eu não sou vendedora. É isso. As marcas vão falar comigo e eu falo, olha, eu admiro muito quem sabe vender. Eu não sou essa pessoa. A gente vende o nosso produto, né? Eu vende aquilo que eu sou. Por quê? Porque o que eu sou...
A pessoa vai olhar e ela vai ver como é que eu vou fechar com uma coisa que eu não uso, por exemplo. Ou que eu não daria de presente. Eu falo que eu sou a maior usuária dos meus cupons. Você mesma vai lá entre compra, né, com o seu cupom. Eu tô brincando. Porque tem muita coisa que eu uso pra caramba e que a marca vem me procurar e eu falo puxa, isso é muito legal. E aí eu quero dar de presente. Por quê? Porque eu sei que é legal. Mas, voltando ao ciclismo...
Eu quero uma boa história de vocês, que eu sei que vocês têm muitas, mas que vocês não tenham contado em nenhum lugar publicamente. Adorei a voz. Eu fui mesmo. Não, não, não.
Ai, meu Deus. Pode ser juntas, pode ser vivenciadas. Eu falo que eu tenho um... Eu não gosto de falar essa palavra, mas depois eu vou bater na madeira. A maldição do Grão Fondo, que é uma prova, que é uma chancela, Grão Fondo Nova York, e que eu já tentei fazer várias edições.
Eu já tentei fazer em Nova York, já tentei fazer o do Chile, já tentei fazer o do... De Portugal, do Brasil, em Conservatória, e depois teve Bento Gonçalves. Portugal, já tentei fazer vários e sempre dá uma zica. Impressionante, por isso que eu falo que é a maldição. Então, por exemplo, Baixa na Madeira, Gran Fundo Nova York. Fomos com o time da Lulu na época, 2018.
E a gente era patrocinado da Shimano, eles davam aquelas rodas tubular, né? Com pneu tubular, que hoje já nem se usa mais, principalmente porque fura muito. E fomos competir. E uma das nossas ciclistas da época, que era a Camilinha de Anela, era uma favorita pra ganhar a prova. E a gente foi meio que, apesar de ser uma prova amadora, meio com espírito de equipe. E aí, beleza, tamo lá, largada, não sei o que, largamos.
10 quilômetros de prova, eu vejo a caminhinha de anela parada. Aí eu falei, meu Deus, o que aconteceu? Aí parei, caminheta tudo bem, nossa, eu furei, não sei o quê, na hora eu tirei minha roda, coloquei na bike dela e falei, vai. Falei, agora eu me viro pra trocar. Só que era tubular e tinha rasgado o pneu. Então assim, não tinha a menor condição de arrumar e não passou nenhum suporte neutro.
na prova, os que passaram não tinha roda, enfim, resumo, perdi a prova, voltei os 15 quilômetros com o pneu no chão mesmo, né, vazio os aço, cuidando pra não cair, porque ele tava realmente muito murcho, voltei, acabou a prova pra mim ali, não corri Granfando Nova York, aí foi depois, uns meses depois fui pro Chile, correu Granfando do Chile,
E aí, tudo certo, tinha treinado, tava super bem, era uma prova que me favorecia, porque era mais plana no começo e tinha uma ou duas subidas assim mais duras. Eu falei, vou me agarrar no pelotão e vou tentar ir até onde eu consegui, porque eu queria ganhar.
E aí chegamos, a gente saía de Santiago e até Valparaíso, que é a parte das vinícolas ali, que era onde ela é largada. Com van, tudo mais, né? E aí eles colocaram as bikes na van, vamos descer pra Valparaíso. Chegou lá, beleza, arrumei isso aqui, alinhei, faltando 10 minutos pra largada. O Vitor, que era meu namorado na época, falou, Gi, cadê seu chip?
Aí eu tinha colocado na bike, só que tinha caído da bicicleta. Não tava na bike. Aquele desespero, faltando 10 minutos, fala com a organização, não sei o que, né? Ele falou, meu, não tem o que fazer. Você vai? Eu falei, mas eu quero ganhar. Ele falou, aí ele olhou, tipo, quem é você, né? Quer ganhar, nem de cobertura. Não é quero correr, eu quero ganhar.
Porque ele falou, vai sem chip, só que você não vai ter classificação. Aí eu falei, mas eu quero ganhar. Eu vou ganhar a prova. Aí ele falou, larga aí, depois a gente vê. E aí eu fui contando que eles iam aceitar o meu Garmin. E nisso eu fui como se eu não houvesse amanhã. Eu fiz a prova como se eu estivesse com chip. Ganhou? Fiz segundo.
foi passada na última subida por uma chilena e aí eles aceitaram, você acredita? depois, porque aí eu fui pegando testemunhas eu peguei a terceira colocada aí peguei a primeira aí peguei um monte de gente aí eles falaram, não, realmente ela tava na prova um Garmin aí eles pegaram o meu Garmin levaram, aí voltaram depois de uma hora e me chamaram pro pódio néu
No Chile, foi bem legal isso. Aí depois Portugal não teve, porque cancelaram. Aí do Uruguai cancelaram por causa da tempestade. Portugal cancelaram por causa das queimadas na época. Ficou perigoso. Não fiz. Estava lá e não teve prova.
Eu acho que a gente tem que falar com a organização do Grão Fondo. Sempre choveu. Sempre choveu. Bento Gonçalves. Lembra? Você tava junto. Nossa, eu tava. Que eu larguei e abandonei a prova, que eu tava muito mal. Eu tentei ressuscitar o corpo.
eu tava numa fase mental muito ruim, e aí eu larguei, eu falei, não quero sofrer na bike abandonei a prova, tipo virei pra ela, falei assim, depois mandei mensagem falei, peguei o voo de volta pra São Paulo, nesse nível nesse nível
E é isso. Então, assim, o Grão Fondo é uma prova... Uma prova bem emblemática pra mim, assim. Sempre dá uma ziquinha. É tipo a bandeira... Como é que é? A bandeira oposta do Grão Fondo. Aí tem gente que fala assim, você vai, Gi? Quando eu falo você vai, aí a pessoa já pensa. Vai dar ruim.
O mínimo que vai acontecer é chover. No mínimo vai chover. Pode acreditar. E você, Lili? A minha... Eu tenho uma maldição também, se ela tem a maldição no granfondo. Eu tenho uma maldição, sei lá, deve ser uma alma penada, deve ter sido alguma coisa...
Foi um episódio isolado que aconteceu comigo. Até hoje não sei, nunca saberei. Nunca saberemos. Não temos... Não tinha espectadores quando aconteceu isso. Eu ia fazer a Copa Internacional de Mountain Bike, Mariporã, 2023, se não me engano. Estava super bem, estava treinando, estava fortinha, estava empolgada. E ela ia ser no final de outubro, a Copa Internacional.
Se não me engano, era 15 de outubro, eu acho que era. Foi isso mesmo, 15 de outubro. Aí no dia 12 de outubro, feriado, falei, vou fazer o último treininho, né? Tava bem, já tava treinada, já tava. Falei, vou só fazer um treininho mais de técnica, dar uma rodada, tal, não sei o que, que eu ia correr. Beleza. Tinha um bike park em Atibaia, hoje ele não existe mais, fechou.
e a trilha era super eu conhecia, eu dava treino lá eu fazia Ride Day, da Lulu eu cheguei a fazer lá é isso, tipo aqui eu manjo aqui eu domino era ali que eu tava e aí o dono de lá era super amigo meu assim
Entrei em contato com ele, porque eu queria ir mais cedo, ele abria tipo às 10 da manhã. Eu falei, não, quero ir um pouquinho mais cedo, né? Só ia rodar um pouquinho e tal. Aí falei com ele no dia anterior, eu falei, meu, qual a chance de eu ir? Tipo umas 8, 9 horas pra ir, né? Aí ele falou, não, vem, vem porque tipo, eu chego mais cedo. Ele falou, você não precisa de ajuda, você não precisa, né? Vai lá e faz, tipo tal, não sei o que. Beleza. Fui mais cedo, cheguei lá, o bike park fechado, só tinha eu lá dentro.
E ele lá no escritório, né? Cheguei, deixei o carro, falei com ele, ele falou, peraí que eu vou dar uma volta de moto pra ver se tá tudo bem na trilha. E aí você vai. Ele foi, deu uma volta de moto enquanto eu tirava a bike do carro e tal, não fui nem pedalando pra... porque é isso, vou me poupar para a prova. Beleza.
É, tirei a bike do carro, tal, não sei o que. Ele voltou, falou, ó, pode ir lá, tranquilo, tal. Beleza, fui, fiz uma voltinha, tipo, pra aquecer. A trilha tinha 4,5 km, mais ou menos. Ela começa subindo, tem um platô lá em cima, e depois entrava na parte de descida. A subida e a descida eram bem técnicas, assim. E lá em cima, um platôzão, tipo trilhinha, assim. Beleza.
Me ajeitei, fiz uma voltinha aquecendo. A segunda volta, que eu não aguento, eu falei, vou pegar o com, né, do bike park. Aí fui.
Fui, saí, saí mais forte e tal, fiz, subi, pá, pá, pá, pá, subi, fui, fui, fui. Cheguei lá em cima na trilhinha, a maldição tava lá. O que aconteceu? Não sabemos, nunca saberemos. Eu tomei um capote, tipo... Na trilhinha? Na trilhinha, onde não tinha nada. Eu não caí numa vala, eu não caí no... Eu caí na trilha lisinha. O único lugar que era um platô, tipo, não era descida, não tinha nada. Nada, absolutamente nada.
Tomei um rola, fiquei desacordada um tempo, não sei quanto, não sei nada, não sei nada que aconteceu. Aí o que eu lembro? Tipo, caí, beleza.
Aí a próxima imagem que eu tenho, assim, a próxima cena que eu lembro, eu tava, tipo, indo buscar a minha caramaiola, tipo, no mato, e levantando, aí peguei a caramaiola e vim, tipo, pegar a bicicleta que tava caída. Coloquei a caramaiola na bicicleta, aí dei uma olhadinha e falei, acho que tá tudo bem, né? Me ajeitei e tal, falei, acho que tá tudo bem. Nem sabia que eu tinha ficado desacordado, nem me liguei, assim, tipo...
E só falta, tipo, eu tinha que descer, né? Eu já tava lá em cima, o pior já tinha sido, tal. Falei, ah, vou descer, vou descer devagarzinho, de boa, tal. Beleza, desci. Desci, eu sentia meu lábio fazendo assim, ó. Pulsando. Eu falava, nossa, tipo, tem alguma coisa. Acho que eu bati a boca. Aí passei a mão, assim, tipo, tinha um sanguinho, assim, sabe? Falei, nossa, bati a boca mesmo.
Mas beleza, acabei de descer e tal. Aí eu falei, não, melhor eu parar, né? Voltei lá pro escritório, onde tava meu carro estacionado. Voltei pra lá, a hora que eu cheguei, essa cara que você tá fazendo. O meu amigo olhou pra mim assim, falou, o que que aconteceu? E eu, pra mim, eu só tinha batido a boca.
Eu falei, ah, tomei um rola lá em cima. Aí ele, preocupadão, né? Tipo, o dono do bike park e tal. Aí ele falou, meu, pelo amor de Deus, tem alguma coisa na... Aí eu falei, não, não tinha nada. Falei, eu caí. Aí ele falou, não, não é possível. Aonde você caiu? Eu falava, ali, ó. E apontava pra ele, porque o escritório... Porque ela acha que ele enxergaria também. Não, mas era lá, era lá, porque tem... Depois ele foi lá. Porque olha o que aconteceu.
Aí, tipo, eu ia lembrando as coisas aos poucos, assim, sabe? Aí eu só falei pra ele. Falei, ó, caí ali, não sei o que. Aí ele falou, mas não tem nada, ó. Olha lá.
Eu falei, não, eu sei, mas tipo, caí, caí. Aí ele falou, não, mas vai se lavar porque tipo, machucou a sua boca e tal. Fui no banheiro, peguei água, lavei, bochechei, não sei o que, tal, tal, beleza. Aí saí, sentei lá fora de novo, ele me trouxe o primeiro socorro ali, ó, vamos, tinha um raladinho no cotovelo, um raladinho aqui, um ali, beleza, limpei. Aí ele falou, vou lá na trilha.
Aí eu falei, meu, eu falei, tenho certeza que não tem nada lá. Aí ele falou assim, então, deixa eu dar uma ajeitada na sua bicicleta enquanto isso. A hora que ele foi ajeitar a minha bicicleta, ele falou, tem sangue na sua bicicleta. Aí eu falei, tem sangue? Eu falei, deve ser porque eu ralei a boca. Aí ele falou, não, mas tipo... Aí ele falou, ó, bom, vou bater uma água aqui. Aí me veio um negócio na cabeça, assim, de tipo, nossa, eu vi sangue mesmo. Aí que veio uma lembrança, assim.
Aí eu falei pra ele, eu falei, meu, eu acho que eu vi sangue. Eu falei, eu acho que tem sangue onde eu caí. Aí ele falou assim, meu, mas não é possível que você tomou esse capote todo nesse lugar. Eu falei, juro, nesse lugar. Aí eu falei, vai lá de moto. Aí eu falei, até porque, tipo, vai abrir daqui a pouco. A galera vai chegar lá em cima e, tipo, tem uma poça de sangue, né? Tipo, no meio da trilha. Aí ele falou, não, vou lá de moto pra ver o que aconteceu. E se não tem nada mesmo, né? Tipo, por que que você caiu?
Pegou a motinho dele, eu fiquei sentadinha ali, tinha limpado, não sei o que, e tal. Aí, beleza. E a boca inchando, inchando, inchando. Aí ele pegou a motinho, eu enxergava também onde ele tava. Quando tava dentro de mata fechada, você não enxerga, mas quando saía e o platô lá era aberto, assim. Então, eu meio que enxergava longe, mas dava pra ver ele passando lá.
Aí ele parou a motinho lá em cima, não sei o que, daí a pouco ele volta, chegou aqui, aí ele falou, cara, tinha muito sangue lá. Aí eu tipo, não, mas... Da onde? Ah, então, mas não tenho nada, tá tudo bem, só ralei a boca. Aí foi você olhar no espelho, né? Até agora. Não, mas tá tudo... Eu falei, não, tá tudo bem mesmo. Eu falei, é que eu vou parar, porque, meu, não, né, pra quê? Tipo, não, beleza.
Aí ele falou, posso pôr sua bike no carro? Pode, pode pôr. Aí ele foi, guardou minha bike, não sei o quê, e eu ali, tipo, tentando voltar a vida. Ele guardou minha bike, aí eu falei, aí ele falou, precisa de ajuda? Quer que te leve? Eu falei, não, tá tudo bem, eu não sei realmente o que aconteceu, tá tudo bem.
Aí, beleza, peguei o carro, saí do bike park, peguei a armaestrada de terra também, até chegar no centro da cidade, aí entrei no carro, aí eu falei, meu, tipo, eu bati a cabeça, né, tipo, a boca tá doendo, não sei o quê, é melhor eu fazer uma tomografia, né? Prodeite. Beleza, vamos lá. Liguei pra minha irmã do carro.
Aí liguei pra minha irmã e falei, ó, tô indo pro hospital. Eu caí, tá tudo bem, só que eu acho que eu bati a cabeça. Eu falei, então é melhor eu fazer uma tomografia e tal. Não, vou pro hospital com você. Eu falei, não, não precisa. Tipo, tô super bem, tô dirigindo, tô indo embora. Tá tudo bem mesmo, assim. Aí ela falou, não, eu te encontro no hospital. Aí eu acho que eu ficar falando com ela no telefone, o negócio foi zoando, assim, ó.
Eu desliguei o telefone. Aí, tipo, fui fechar a boca, meu, eu sentia gosto de sangue, sangue na minha boca.
Aí eu resolvi... Aí... Não sei lá quanto tempo depois, eu resolvi olhar no espelho. Deixa eu ver. Olhei no espelho, a boca ralada, realmente, que eu tinha visto, né? Aí eu fiz assim, ó. Deixa eu ver se tá tudo bem. Mano. Foram 18 pontos pra você ter ideia aqui dentro, assim, ó. De cabo a rabo. Rasgou minha boca por dentro. Então, assim, era coisa pouca. Aí caiu a ficha. Eu falei, caraca, o sangue da bike, o sangue da trilha, o sangue todo era da minha boca, né?
Aí eu falei, bom, minha irmã já falou que tá indo, nem vou falar nada pra ela. Eu vou chegar no hospital. Meu, eu parei o carro nessa hora, porque acho que de ficar falando mesmo, acho que o sangue foi... Meu, eu parei o carro pra, tipo, cuspir sangue, assim, sabe? Aí cuspir sangue e tal, não sei o quê, e fui. Fui pro hospital, aí cheguei no hospital, aí já foi aquele caos, né? Porque aí eu já sabia que eu tava cortada daqui e aqui. E aí...
Eu ainda falei, foi bom que eu não descobri isso antes, porque eu não conseguiria bochechar, por exemplo, sabendo que tava aberto, sabe? Então, pelo menos eu bochechei lá na hora, limpei um pouco, porque tava cheio de terra a minha boca, né? Aí cheguei no hospital, meu, o caos, né? Tipo, não sei o que, tá rasgado. Aí que foi caindo a ficha de, tipo, da gravidade do negócio, assim, sabe? E aí foi isso, aí foram 18 pontos. E a competição? De cabo a rabo.
Acabou, né? Acabou aí. Acabou na sala do médico. A mesma coisa que fala na véspera da competição, vou pegar o pão aqui. Não sei se é essa competição. Não foi. Mas sabe que tem uma coisa que a gente sempre fala e serve pra gente também? A gente bate nessa tecla. Tem duas coisas que derrubam a gente. A falta de confiança e o excesso de confiança.
Então, assim, você tá se achando muito... Você tá muito... Baixa a bola, porque é a hora que pode dar ruim. E a falta de confiança também. Então... E que provavelmente foi muito isso, assim, sabe? Porque é isso. Eu tava numa fase super boa. Tava me sentindo bem. Confiante. Confiante. Parece que tem uma força. Você fala, não, não. Não, não. Menos. Menos. Volta. Volta. Baixa a bola. Droga.
Foi isso. Meninas, eu adorei as histórias de vocês. Mas agora eu tenho uma história pra vocês. Lembrando que os nomes das nossas histórias são histórias reais, mas anônimas. Então a gente muda os nomes justamente pra que vocês...
não saibam quem é essa pessoa. Mas você conta depois nos batizinhos? Jamais saberemos. Jamais saberemos. É igual o que te derrubou, minha filha. Nunca saberemos, tá? Às vezes, se a pessoa quiser mandar mensagem pra vocês, aí vai da pessoa. Mas aqui, a gente preserva a identidade dos nossos ouvintes e telespectadores. Preparadas? Sim. Bora. Vamos lá. Essa é a história da Marjorie.
E não aconteceu há muito tempo. Foi no ano de 2025, em uma viagem para a prova Giro de Itália em Campos de Jordão. Essa era a primeira competição de ciclismo da Marjorie. Que se eu puder escrever aqui para vocês visualizarem uma imagem de quem é a Marjorie, é uma mulher compacta assim como eu e com muita disposição.
E ela foi com o marido dela, que a gente vai chamar aqui de Chico. O Chico era casca grossa, pedalava muito bem e tinha um bom porte físico.
Esse casal participou de um grupinho de ciclistas que iam representar uma marca nessa competição. Então, foram com mais um amigo que estava começando a pedalar na época, mas que tinha muita empolgação e que valia por um exército de pessoas, que a gente vai chamar de Bruno. Um ciclista de longa data, que a gente vai chamar de Ângelo. E uma triatleta, que a gente vai dar o nome de Nina. Bom, grupinho apresentado.
Vamos aos fatos. A prova tinha três tipos de percurso, vocês sabem, né? Mas pra quem tá escutando ou assistindo a gente, o percurso curto, 60 quilômetros, o médio, 80 quilômetros, e o longo era igual ao médio, só que com um acréscimo de 10 quilômetros, mais ou menos, de pura piramba. E essa prova tem bastante piramba.
A competição mesmo aconteceria no domingo, mas todo mundo foi na sexta-feira para campus porque no sábado tem a retirada de kit, tem a feirinha da prova, dá para fazer um girinho de bike para aquecer o corpo e as emoções também, né? E porque a marca que eles estavam representando queria fazer umas fotos, uns vídeos da turma para divulgar aquela ação. Por isso, a marca sugeriu uma rodagem pequena no sábado de manhã, terminando em um brunch.
Mas tanto o percurso quanto o local desse pós-girinho eram surpresas que só o Ângelo sabia. Lembrando que ele era o ciclista mais experiente do grupo. Então, aqui vai a minha primeira pergunta para vocês, que são ciclistas, assim, experientes, mas vocês estão na pele da Marjorie.
que é uma ciclista iniciante e a primeira prova oficial de bike dela. Esse girinho no sábado, parece uma boa ideia? Vocês iriam? A gente faz girinho no sábado pré-prova, mas é isso, é girinho. Girinho. É, girinho. Uma hora no máximo. Eu iria desde que soubesse o pergunto. Esse é girinho. Vocês não sabem de nada.
Nada, é só o aviso é girinho sábado. Girinho, surpresa. Final, comidinha gostosa. Bora. Bora. A Marjorie também achou uma ótima ideia. Girinho, né? Até porque ela não conhecia muito bem o pedal em Campos de Jordão. Então, seria um reconhecimento de percurso muito reduzido, obviamente.
Só pra saber onde começa, onde termina, com um ritmo bem suave, boas companhias. E a previsão de pedal era no máximo... Uma hora. Uma hora. Então... Uma hora pra quem, né? Pro Ângelo. Não ia precisar acordar super cedo, porque é uma hora. E aproveitava o cafezão na manhã do hotel, que era muito bom.
E era também o tempo para ter fome para o brunch surpresa, né? Porque de nada adianta chegar num lugar com comida gostosa se você está sem fome. Então, com certeza ia ser maravilhoso. E lá foram os nossos cinco consagrados, saindo do hotel uniformizados, animados e curiosos para essa rodagem matinal e um clima perfeito para o ciclista em Campo de Jordão. Ou seja, nublado, sem previsão de chuva e sem um calor abafado.
Um dia maravilhoso. Aqui cabe mais uma vez de escrever a Marjorie.
porque ela estava com uma bike novinha de carbono, que combinava com as meias, com o capacete, e as sapatilhas brancas limpíssimas, tudo em harmonia. Ela era sua seguidora. Certeza. Sapatilha branca, certeza. Meia branca também. Para combinar, óbvio, né? E aí eu quero fazer mais uma pergunta. O que vocês levariam para esse pedal de, no máximo, uma hora seguida de um belo e grande brunch?
Água? E pra comer? Uma bananinha, no máximo. É, é isso. Um negocinho. Uma coisinha pra comer. No máximo. Uma hora. A Marjorie pensou que não era preciso levar gel. Afinal, era pouco tempo de pedal. Duas garrafinhas de água, que era o que cabia na bike dela, estavam de bom tamanho. Mas aqui, começam as nossas preocupações nessa história.
porque todo mundo pensou mais ou menos igual. Aliás, duas garrafinhas foram meio que um exagero da Marjorie, porque o resto do pessoal levou só uma. Só que ao sair do hotel, com mais ou menos 15 minutos de pedal, ela viu que as garrafinhas não estavam cheias de água. Que bom! Poxa, uma hora pedalando sem água não é lá muito bom.
Mais uma vez, eu pergunto pra vocês. E aí? Vocês já saíram do hotel? Já tá o grupinho animado. O que vocês fariam? Eu ia pedir pra um coleguinha meu. Falar, ó, esqueci. Trouxe a garrafinha, mas não trouxe a água. Vamos rachar essa água aí. Não, vamos rachar essa água. Mas em Campos do Jordão, você pode pegar água em qualquer lugar. Você para numa padaria, para numa farmácia, pega água. Mas ia pegar água. Tem que ir com água. É. Sem água, não. Ela não pegou.
bobagem bobagem uma garrafinha, pelo menos de água e o marido dela, o Chico estava junto, então ela pensou, na pior das hipóteses se ela ficasse com muita sede, ainda tinha a possibilidade de parar e comprar uma água no caminho né então segue o baile vai com as garrafinhas vazias mesmo pega de alguém do grupo né
Os cinco continuaram o pedal surpresa sob o comando do Ângelo. Mas lembra do nosso iniciante? Já tô com birra desse Ângelo. Vocês lembram do Bruno, né? O cara tava com uma superbike. Câmbio eletrônico, falando pelos cotovelos, sorriso de orelha a orelha. Mas quando chegou na primeira subida, o parafuso apertou.
O grupo viu que o Bruno sofreu e demorou bastante para chegar até o cume. Alguns até pensaram que ele não chegaria, mas ele resistiu. Então, segue o jogo. Segue com uma leve preocupação. Mas não deveria ter mais uma sumida muito íngreme naquele pedalzinho.
De paz pra prova. Afinal, era um pedalzinho de reconhecimento de uma hora. E aí é que os nossos heróis se enganaram. E vocês também.
Levados por uma prosa boa do Ângelo, que não fez eles perceberem o tempo que passava e o perigo em que eles se encontravam, apareceu mais uma subida. Só que, vamos enfatizar aqui, era uma senhora subida. Uma que ia acontecer nessa prova. Os mellows, certeza. E que ia separar os meninos dos homens. E no relógio, já tinha uma hora e trinta de pedal.
Gente, eles foram muito pro lugar errado, né? Foram. Foram fazer o reconhecimento do curto um dia antes da prova. Foram fazer a prova um dia antes da prova. Já fizeram a prova no sábado, anteciparam. Sem água. Sem água, sem comida. Sem gel, porque não fosse. Eu vou colocar uma informação nova aqui pra fazer a minha pergunta pra vocês. A Margem e o Chico são pais de três filhos.
Ou seja, são pessoas mais sensatas, pé no chão, afinal você tem três crianças para olhar sempre. Vocês estão pensando aqui como a Marjorie.
Vendo o Bruno, empolgadão, porém sem muito preparo, o que ela não sabia até aquele momento, que era tão sem preparo assim. Vendo a falta de água em um percurso sem nenhuma vendinha no caminho, ou seja, erramos no percurso também. Vendo a falta de qualquer gel, bananinha, paçoca, goiabinha no seu grupo, porque também ninguém levou. Afinal, ia ter um brunch maravilhoso no final.
E o relógio marcando 1h30 de pedal. O que vocês fariam? Matar o Ângelo. Não, é... É porque assim... Primeira coisa, né? O que é mais fácil? Continuar ou voltar? Ângelo, vem cá rapidinho. Vamos conversar. É mais fácil seguir ou é mais fácil voltar? Porque se é onde eu tô pensando...
que ela foi, não dá pra voltar pra trás que é pior. É aquela subida que você conhece. Então, e não dá pra voltar pra trás que é mais longe. Então, às vezes, é melhor continuar porque, pelo menos, é mais... Você já tá voltando, né? Você não tá indo ainda, mas, realmente...
Ou chamaria um resgate. Chamam uns resgate. Falou daqui eu não saio mais. Chamam um Uber. Um amigo que está com caminhonete, sei lá. Alguém, por favor. Porque nem com apoio foram, né? Claro que foram. Era só um rolozinho. Era só de uma hora. Bom, a Marjorie o que ela fez? Foi a primeira a atacar a subida.
Como ela era leve e forte, ela subiu sem olhar para trás e meio que puxou o grupo, assim, sem pensar muito. Cada um foi seguindo, até que um a um, cada integrante foi encontrando seu ritmo nessa subida. Bizarro. E quase todos chegaram ao cume meio que juntos.
Mas eu disse, menos o Bruno. Menos o Ângelo que foi morto. O Ângelo que mais foi visto. O Bruno, meu Deus, coitado do Bruno. O cara tava se arrastando e foi nessa hora que eles descobriram que ele não tinha se inscrito pro percurso curto. E sim pro médio.
Pós-piramba, todo mundo ficou esperando e aí começou uma discussão muito carinhosa, diz ela, entre os cinco, se teria como mudar a inscrição do Bruno para o curto. E se ele aguentaria realmente o percurso curto. De novo praticamente, né? De novo. Duas vezes. Depois de mais meia hora de pedal...
O Chico resolveu perguntar pro Ângelo, cara, a gente tá perto do local da comida porque eu tô com fome. Né, Ligico? E o líder respondeu algo que todos, tipo, ficaram bem aliviados. Claro, tá chegando, é a última subida. Ah, sim, falta bem pouco agora. É só descida e plano praticamente. Ah, claro. Papo de ciclista. Vocês conhecem ciclista como ninguém, não é?
Qual a reação de vocês para essa resposta do Ângelo? Eles não conheciam nada em campus? Não. Aí, nessa hora, você tem que acreditar. Você quer falar? Nessa hora, eu até ia ficar feliz. É, você acredita. Nossa, graças a Deus. É que na decisão de vocês, o Ângelo já estava morto, né? É, o Ângelo não existiria. Não existiria. Ele existindo, eu ia acreditar. Eu ia acreditar.
Era uma cilada. Era uma cilada. Sim. Era uma bilada, sim. Era uma cilada, sim. Mas ninguém no grupo percebeu. Pelo contrário, o bate-papo sob duas rodas ficou ainda mais feliz e alegre. Afinal, estamos chegando e não tem mais subida. Até porque depois do Melos ainda tem 7 km de Serra Velha.
é? Mentira! Ele mentiu! Daí pra frente foi só pra trás. Mais meia hora de pedal e o grupo ainda tava chegando de volta na cidade de Campo de Jordão. À uma da tarde. E a informação de que o Brand seria em um lugar lindo com uma vista maravilhosa entre as árvores que tem que subir, né? Deixou claro que aquelas duas horas de pedal não iam acabar em duas horas e quinze minutos de pedal. Com certeza.
O carisma foi saindo do rosto de todo mundo. Só que lembra que tinham as fotos e vídeos pra marca? Ah! Nas fotos e vídeos, todo mundo quer sair bonito. Por isso, o Ângelo fazia sempre nas descidas, que realmente era um momento de glória pra aquele grupo. E aí, o Ângelo ainda fotógrafo da história? Não dava pra matar o Ângelo. Não ia perder o fotógrafo ainda. Passadas três horas de pedal...
Finalmente o grupo chegou em um parque lindo. Mas a Marjorie reparou que não tinha mais asfalto para as roads que eles estavam pedalando. Era tudo estrada de terra. Então ela perguntou para o Ângelo, a gente vai deixar as bikes aqui ou vai levar elas andando? Veja bem, não tinha opção de ir pedalando na cabeça dela, porque tinha chovido no dia anterior e tinha mais uns 15 minutos de mata.
Mas o Ângelo respondeu, não, não. Vamos pedalando que dá. Dá, é tranquilo. É terrinha. É terrinha batida. Estradinha batida. Eles já conhecem o Ângelo? Não, mas as histórias. As ciclistas a gente conhece. A gente conhece, é. Vamos pedalando, a gente chega rapidinho. O carisma já foi embora. Você tá vendo que é cilada atrás de cilada.
No teu cérebro só passa a frase. Cara, eu devia estar deitada tomando isotônico com os pés pra cima. Porém, tô aqui. Então, o que vocês fariam na pele da Marjorie? Eu continuava indo. Pedalando? Não era pra ir na terrinha? Pra comer? Pra chegar na comida? Pra chegar na comida. Só falta chegar lá e não ter mais comida. Aí acabou o brunch. Chegamos atrasada.
Vamos pedalar. Sim, vamos. Claro que ela acreditou no Ângelo, gente. Não sei o que dá nos ciclistas, mas ela acreditou no Ângelo. A gente tem uma esperança, né? Tem que ter, é. A gente sempre tem uma esperança de que a pessoa esteja... Você fala, não, não vai ser tão ruim assim. Não, não vai ser tão longe. Não, não vai ser tão ruim. Choveu pouco. Choveu pouco. Não vai estar lá. Gente. Ai, minha sapatilha branca na lama.
Lembrou, né? Ela acreditou no Ângela até porque o grupinho todo já foi pedalando assim que ele terminou a frase. Tava todo mundo com muita fome. Muita fome. Mas a estrada de terra não era terra batida. Era terra molhada. Então as rodas finas das Rodes começaram a derrapar e atolar. E pra piorar, alguns carros apareceram do nada.
E os nossos ciclistas tiveram que se virar nos 30 pra ir pro canto da estradinha. Adivinha? A Marjorie foi pro chão, feita um saco de batata, no meio da lama, com o quê? Com a sapatilha branca. E meia branca. Com todo o seu modelito de sapatilha branca, meia branca, capacetinho branco, na lama. Foi nessa hora que ela disse, chega!
pegou a bike na mão e foi atolando a sapatilha branca no barro até chegar caminhando junto com a Nina, que ria de diversão e de desespero de fome.
E foi aí que apareceu um lugar lindo. Um restaurante em meio às árvores em que o marido e os pais da Nina esperavam sorridentes os sobreviventes famintos. Todos sentaram. Comeram. Muito. Um brunch maravilhoso com canecões de cerveja. Pega esse pão de prova. Nossa, cerveja. Alegria reinava.
A comida era maravilhosa. O bate-papo estava incrível. Nessa hora, ninguém mais queria matar o Ângelo. Mas quando todos comeram, vem a lembrança. Tem que voltar. Tem que voltar. Temos que voltar e retirar o kit. Nossa, tipo, oito da noite ainda. Foram os últimos a buscar o kit lá.
Nesse ponto, já tinham dois carros com as três pessoas que vieram desfrutar desse momento com o grupinho de ciclistas. Então, o grupo já pensou logo no Bruno. Porque falou, cara, melhor você colocar a bike no carro para voltar. O Bruno até tentou existir, mas contando que é a prova de verdade. Aqui valia. Era no dia seguinte. Ele achou mais prudente voltar para o hotel de carro mesmo.
Mas vocês não são o Bruno. Vocês são a Marjorie. A Marjorie, que foi até o fim. Tá cansada, lotada de lama na sapatilha, na bike. Tem a sua primeira prova de ciclismo no dia seguinte. O que vocês fariam?
Essa hora eu ia no carro. Eu também. Essa eu, ó, já tinha... Já deu. Já chegou, já comi. É isso, já comiu. Já comiu. O que que você pedava mais, Jalil? Essa hora eu ia pro carro. Mas só tem... Se tivesse essa opção... Não tinha essa opção. Tem dois carros só. Hã? Ela? E o Bruno tá indo. Ela? O Ângelo é o líder da escada, não merece. O Ângelo é o carro. E o Chico e a Nina? A Nina tava de boa. A Nina tava rindo. A Nina tava de boa. A Nina rindo triatleta. Triatleta. Call de bike. Vai, se vira.
E o Chico? O Chico vai de bike também. Não? Beijo. Beijo, tchau. A Marjorie não pensou duas vezes. Colocou a bike no carro, deu um pedido. Garantiu o lugar dela. Certíssima. Não julgo a Marjorie. Partiu pro hotel pra tentar tirar o lamassado da bike da sapatilha antes que aquilo ficasse duro.
Tudo certo. Todos alimentados, reidratados, Nina, Ângelo e Chico, voltaram pedalando. Já vi que vocês jogaram ele no trinco, é isso. E os cinco se encontraram na feira para retirar o kit da prova. Na retirada, conseguiram mudar a prova do Bruno para o percurso curto.
Compraram mais gel, mais bananinha, tudo lindo. Foram para o jantar e combinaram de se encontrar na saída do hotel para irem juntos pedalando para a largada. Cada um janta, bora lá. Enfim, depois de tudo isso, chegamos no dia da prova. Nossa, teve mais coisa. Se for culpa do Ângelo de novo, se ele estiver vivo. Eu vou achar quem é o Ângelo. A gente vai achar quem é. Eu vou achar quem é o Ângelo.
Todos estavam muito ansiosos. O Chico foi pedalando antes para ficar mais na frente, na largada. A Nina e a Marjorie foram para a largada do percurso médio com as mulheres. E o Ângelo foi ser o gregário do Bruno. Já que mesmo ele indo para o percurso curto, ainda assim estava todo mundo muito preocupado com o Bruno conseguir chegar. Porque essa é uma prova bem casca.
Foi dada a largada, a Nina saiu junto com um dos pelotes femininos que estavam mais na frente e meteu o louco. A Marjorie saiu logo atrás, mas na cabeça dela, como era a primeira prova de ciclismo que ela fazia, ela não sabia que ritmo imprimir. Ela já tinha se cansado bastante no dia anterior, então ela resolveu ir mais tranquila. Só que de repente...
surge o Ângelo do lado dela. Que é o apoio pro Bruno. Trazendo o Bruno. Não. Sozinho. Sozinho. Porque o câmbio eletrônico do Bruno tava totalmente descarregado. Ou seja, sem nenhuma chance dele fazer a prova. Providência divina? Talvez. Provavelmente. Mas com certeza muita sorte da Marjorie que ganhou um gregário muito fera pra prova.
que pra quem tá ouvindo, assistindo a gente e não sabe, o Gregário no ciclismo é o ciclista de apoio essencial. Ele pedala pra proteger e servir o líder da equipe, faz o vácuo contra o vento, se responsabiliza por pegar água, alimento, controlar o ritmo do pelotão. Ele é tipo um herói que tá lá o tempo todo ao seu serviço. Nesse cenário, o que vocês fariam no lugar da Mágera? Mete o louco,
Ou continua levando a prova na maciota, já que você nunca fez isso antes e o histórico do dia anterior tá complicado.
Não, assim, mete o louco, aproveita o gregário, acho que sim, mas o gregário que tem que se adaptar ao ritmo da pessoa e não o contrário, né? Porque o gregário também tem esse papel de editar o ritmo, mas tem que ser um ritmo que a ciclista consegue sustentar. Não pode ser muito acima, porque senão vai quebrar a pessoa, né? E ela não consegue nem terminar a prova. Então, eu iria, mas sempre controlando a intensidade de toda forma. É isso. Você tá na coma.
Eu ia aproveitar a presença ilustre dele ali e acabar meu passeio naquela hora. A hora que ele aparecesse do meu lado, eu ia falar, hum, acabou o passeio. Já que? Já que? É isso? Vamos. A Marjorie avisou o Ângelo que ela ia numa boa. E sugeriu que ele aproveitasse a oportunidade para fazer a prova dele. Mas ele insistiu que não, que ele ia focar no conteúdo para a marca e ia ser um bom gregário para ela.
A partir daí, essa prova virou um sonho pra Marjorie. Um sonho? Que bom. Um sonho. Um luxo. Ela comparou com viajar na primeira classe. Depois dessa experiência, você nunca mais se acostuma com menos que isso. Porque ele filmava takes lindíssimos dela nos cenários maravilhosos da competição. E de quebra, tava lá o tempo todo puxando um ritmo bom. Fazendo um vácuo pra ela.
parando na hidratação enquanto ela ganhava tempo pedalando e ele alcançava ela com água geladíssima. E até o gelzinho usado, ele guardava pra ela. Se redimiu. Se ele lavou a meia dela pra ficar branca, aí zerou a vida. Zerou a vida. Só que ele tava muito animado pra ela fazer um tempo muito bom. Então ele ia colocando alvos femininos pra ela ultrapassar durante a prova.
inclusive no final, na Serra Velha, quando a nossa protagonista já estava podre de cansada e ele falava, tá vendo aquela ali? É só passar ela, vamos!
Mas assim, sempre aparecia mais uma pra atiçar essa veia competitiva da Marjorie. E aí ele falava, acho que aquela ali é da tua categoria, hein? Vamos alcançar ela. E mais uma vez ela metia o louco e pá! Tentava passar uma nova menina. E foi assim até o final da prova em que ela passou a linha de chegada em uma felicidade que ela nem conseguia guardar dentro do peito.
A gente está chegando no final da nossa história. Então, eu preciso perguntar. Considerações finais desse final de semana cheio de emoções da Marjorie? Achei sensacional. E achei que esse dia, esse domingo, ela virou ciclista de verdade. É assim. Esse domingo ou sábado?
Não, o domingo coroou. Coroou. O sábado foi o perrengue, domingo ela falou, pronto, é isso. É isso que eu quero. E aposto que até hoje a Marja ali pedala e tá fazendo as provas dela e nunca mais passou um perrengão desse.
Não, achei maravilhosa. Que deu tudo certo no final das contas, né? Parecia que ia dar tudo errado e no final deu tudo certo e ela ainda... E no final parecia que tava no começo. E que bom que ela não matou o Ângelo. Que bom que a gente não matou o Ângelo, né? Que ela não fez o que a gente faria e o Ângelo ainda ajudou no dia da prova. Maravilhoso. Bom.
O Chico arrasou na prova, a Nina pegou o pódio, o Bruno achou que não foi uma coincidência a prova dele estar descarregada, que talvez fosse realmente muito pesado ele completar o percurso, mesmo que o curto. E ele se divertiu horrores na torcida, tomando cervejinhas com o marido da Nina enquanto eles esperavam, além de aproveitar o cafezão da manhã do hotel duas vezes. Duas vezes. Todo mundo ficou feliz. E a Marginha?
Ela ficou em quarto lugar. Não subiu no pódio por alguns minutos de diferença da terceira colocada, mas ainda assim ficou muito perto do pódio, com um tempo incrível logo na primeira prova de bike, e isso foi só mais um combustível para incentivar ela a fazer viagens de training camp de bike, se inscrever em outras competições tão lindas como essa, e até dar um...
Upgrade nas roupinhas de pedal com aqueles bretelhos que a gente só sonha em ter, mas ela falou eu mereço muito legal bom, essa foi a nossa história
Não sei. Virei fã da Marjorie. Marjorie, manda mensagem pra gente. Lula, você tá me perguntando. Tem alguém que vocês já viram passar por um perrengue desse? Já. Várias alunas? Várias. Pré-prova. Não, as alunas não, porque a gente realmente faz um girinho. Não é hoje. A gente vai pro horto florestal, faz uma hora. Se ela quiser fazer outra coisa diferente disso, ela vai por conta. Não me responsabiliza. É, mas geralmente pré-prova a gente faz assim. Mas eu ouvi algumas histórias.
Eu acho que eu ouvi alguma história nesse sentido de... Porque eu fiz esse giro, né? O Giri. Você tava lá. Não, eu fiz a prova. Ah, tá. Em 2025. Em 2025.
E eu fiz o médio também. E eu lembro de alguém falar, nossa, a gente acabou fazendo curto, tal, não sei o quê. E não tô lembrando agora, mas é comum as pessoas se perderem um pouco no dia anterior. Se empolgarem um pouco no dia anterior. Tem gente que vai subir Itapeva. É comum. Tem gente que vai consciente. Vai consciente. Ah, eu vou subir Itapeva. A gente vai com um amigo.
Fala, vamos só, é só ali, é rapidinho. E é rapidinho mesmo. Tem gente que vai subir o palácio, porque o começo da prova do giro é o palácio, não é o planão. Então, tem gente que não conhece, vai subir o palácio pra ver como é. Entendeu? Consciente. Eu, no ano passado, quiseram ir, eu não quis ir. Eu falei, ah, não vou não, eu já tinha que subir o Itapeva, porque a casa que eu tava era no meio do Itapeva. Eu falei, ah, não, vou só voltar.
Mas é comum, sim, as pessoas se empolgarem no pré-prova. Mas, assim, eu não acho que isso atrapalha tanto, desde que a pessoa saiba o que ela tá fazendo, né? Porque se é uma pessoa treinada, se ela tá bem, se ela tá treinada, não vai fazer diferença ela subir, não fazer o percurso. Alimentada, com água. Com água. Mas vai fazer muita diferença pro dia seguinte. Ah, eu vou subir o Itapeva uma vez.
A pessoa tá treinada, tá se alimentando, tá se hidratando, não vai desgastar tanto. O problema é a pessoa que não tá treinada e não levou comida, não levou água, não levou nada. Aí você deprecia um pouco, entendeu? A Marjorie, no nosso pódio, ela é terceira. É isso. Ela é pódio, né? É isso, Marjorie, tá vendo?
no nosso giro no nosso giro ela é pódio ela fez pódio eu espero que vocês tenham gostado de participar esse é o nosso FNF no Jogar Jogo e vocês que estão assistindo ou ouvindo a gente mandem também as suas histórias aqui pelas nossas mídias sociais quem sabe ela pode ser a próxima a ser contada aqui ah, eu vou mandar então, até a próxima Floresteiras
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Lulu Ciclismo
PTX Group