Hipocast #46 - Histórias Históricas 2 - Cachaça, russos e pilantras
Nesse episódio nosso time se reúne mais uma vez para contar a histórias reais mais malucas que conseguiram encontrar. Descubra a origem da cachaça, como conseguir um exército mercenário e virar Czar e também como enganar o mundo inteiro e morrer rico!
Participantes: Max, Vitor, Pedro e Michelim
Max
Michely
Victor
Pedro
- Gregor MacGregor e a fraude de PoyaisOrigem e carreira militar de Gregor MacGregor · Casamento e entrada na alta sociedade · Fraude na Venezuela e autoproclamação como Aníbal da Cartago Moderna · Tentativa de invasão da Flórida · Negociação com o Rei da Costa dos Mosquitos · Criação e venda de títulos da nação fictícia de Poyais · Expedição de colonos para Poyais · Desastre da colônia e retorno dos sobreviventes · Fuga para Paris e novas fraudes · Retorno à Venezuela e reconhecimento como herói
- História da RússiaMorte de Ivan, o Terrível e herdeiros · Regência de Boris Godunov · Morte do Czarévich Dimitri · Ascensão de Boris Godunov ao trono · Crise de fome e canibalismo na Rússia · Falso Dmitry I e sua ascensão · Casamento com Marina Mniszech · Morte de Boris Godunov · Falso Dmitry II e a dualidade de poder · Invasão sueca e polonesa · Ascensão de Mikhail Romanov · Dinastia Romanov
- Historia do FrevoOrigem do termo e nomes alternativos · Primeira referência documental · Uso como suprimento em expedições e escambo · Interiorização do Brasil · Proibição e Revolta da Cachaça · Paraty como capital pingófila · Revolução Pernambucana de 1817 · Valorização e estigma da cachaça · Caipirinha como drink nacional
Peraí, peraí, peraí, peraí, peraí. Michely, você tá mosca. Não dá pra te entender.
É só... Meu Deus do céu. Vai, calma do Victor, peraí. Deixa ele resolver pra ele fazer os comentários dele, fazer sentido. Porque senão ele vai ficar falando igual um moço que a gente não vai entender. Pô, toda gravação tem isso agora, né? O Michelin participa os 50 minutos, aí do nada ele vira um esborre. Oi, voltou? Aí, agora resetou. Eu tava falando bastante coisa e ninguém tá me respondendo, eu tava achando estranho. Vai lá, vai lá, agora vai.
Eu achei que o Victor só tava me ignorando. Filha da puta retornada. Cala a banca.
Você está ouvindo o Hipocast.
Bom dia! Bom dia! Boa tarde, boa noite aos desavisados. Meu nome é Max e bem-vindos a mais um episódio do Hipocast. Bom dia! E hoje nós vamos revisitar uma pauta que é muito cara aos nossos ouvintes, quer dizer, alguns deles, né? Nós vamos fazer um episódio histórico! Caralho!
Dois, cara Chamou de bosta, hein Chamou de bosta, hein Minoria É o resto Falou que a maioria não quer isso Mas é, a gente faz o que a gente quer, né A gente não tá aqui pra agradar a maioria A gente tá aqui só pra se agradar Então é isso aí que vai acontecer hoje Pauta histórica Ah, é? É isso? É pauta histórica Ah, tá, tá Se é pra se agradar, então só eu vou sair daqui Não vou gravar Tomar no cu, vocês Me dá uma mamadinha pra me agradar Que negatividade, que negatividade Vai tomando seu cu, Victor Vai se fuder Recados Tchau
Que é nosso. Um, dois, três. Um, dois, três. Pim. Cinco, seis, sete. Pim. Pauta histórica. É isso aí. Pim.
Começa, Michelin. Conte-nos a sua história. O que você trouxe pra gente hoje? Cara, eu não trouxe nada, não. Conte a sua história. Trouxe minha história de vida, minha biografia. Se não trouxe nada, conte o teu dia aí, sei lá. Bom, hoje eu acordei querendo ver o mar.
Mas eu moro bem no meio de uma selva de pedra. Não, mentira. Vamos lá. O que eu trouxe para vocês não necessariamente é uma história linear. Por quê? Porque eu quero testar, ver se funciona o que eu estou pensando. Entendeu? Ah, Interstellar, Interstellar. Ah, não. É o Christopher Nolan. Ó, começou. É, ó. É, palhaçada. É, fodeu. Ai, meu Deus. É, exatamente. É o Tarantino. Começa no final, vai pro meio, depois é o turninho. O maluco puxou um dos únicos filmes do Christopher Nolan que é linear. Não quero saber. Não quero saber. Interstellar, Interstellar. Linear.
Se é nola e é você, é alto, é insta. Puramente hater, irracional. É, não precisa de justificativa, só precisa de xingar. Enfim, mas o que eu vou, o que eu trouxe aqui? Eu trouxe alguma, alguma base de como algo que é muito, nos é muito caro, tá certo essa frase? Que isso, cara? Calma, calma, não. Nos é bonitinho, nos é bonitinho, perigote das mulheres. Nos é caro, tá certo, assim.
É, então, algo que nos é caro, que é a história de uma bebida, que muita gente conhece e muita gente bebeu. Vocês querem tentar adivinhar qual? Espero que seja a Egemaister, porque a história da Egemaister é massa pra caralho. Não, não, não é. Bacardi. Não é também. Não é nenhuma marca, gente. Não é nenhuma marca, é uma bebida. Uma bebida? Coca-Cola? Tipo, cachaça, assim, um negócio assim. Não é nenhuma marca, Coca-...
Não, o que eu trouxe pra vocês É algo um pouco mais nacional Um pouco mais, né, raiz brasileira Eu trouxe a história da cachaça O Vitor falou cachaça umas 30 vezes Eu falei cachaça 150 vezes O Vitor não, o Vitor não falou nada Poxa, ninguém acertou Que pena Vocês teriam ganho um litro de cachaça Mas ninguém acertou, então Não vai acontecer isso Pelo menos a gente tentou, né, o que importa é tentar Tchau
Bane ele de novo nessa porra desse servidor. Esse filho da puta. Bane ele de novo. Mas eu acho que se você tivesse chegado perto, pelo menos, de cachaça, eu teria aceitado. Mas já que ninguém falou, então nós vamos seguir assim. Eu já ouvi aquela história da cachaça, que é um negócio que pingava na senzala, né? Destilava e pingava do teto. Mas isso aí é mentira, né? Até onde eu sei. Sim, sim, isso é mentira. Então, vamos lá. Nunca ouvi falar esse negócio aí.
Cachaça, assim, eu não tenho... A cachaça não é algo extremamente documentado desde o início, como é que ela surgiu, né? Mas a cachaça, ela é um... A origem do termo cachaça, do que falam, ela pode estar ligada ao ambiente do engenho, que cachaça era a espuma ou sujeira que surgia do caldo da cana quando se fazia o açúcar.
Então tipo, se moía cana, fazia coisa E aquela espuminha que ficava, aquele choruminha ali em cima Seria o nome de cachaça E como ela é um subproduto da cana, teoricamente Tem esse nome, mas isso não é certo Não é nem nada disso Simplesmente surgiu como cachaça E tem vários outros nomes
Nomes, como, por exemplo, pinga, já que o Max falou, porque provavelmente por causa do processo de destivação, né? Por causa do alambique, que é um tipo de destivador e coisa. Tem aguardente, aguardente da terra, vinho de cana, eu já vi muita gente falando. Táfia, e tem um nome que eu mais gosto, que é geribita. Geribita? Geribita. Que eu achei sensacional. Geribita, exatamente. Geribita ou gerebita? Geribita, com I. Eu gostei do vinho de cana.
Achei diferenciado, vinho de cana, nunca tinha ouvido falar. Eu gostei do vinho de cana.
Caralho. E a... Mas como tudo, né, basicamente no Brasil, é basicamente uma junção de um monte de coisa que acabou vindo pra cá e acabou saindo disso. O próprio alambique, ele mostra que o alambique, ele tem até a própria palavra, ele provavelmente é de origem árabe, tá? Começa com o al, né? Começa com o al, exato. A regra de ouro.
O ambix, ele quer dizer o copo ou taça em grego. Então ele vem de algum lugar de lá, que não é do Brasil. Entendi. Então, né, mas enfim. A primeira... Assim, eu tenho... A gente não tem uma história contínua da cachaça, então eu vou contar alguns pontos de meio que...
Como é que ela era usada no Brasil antigo? Ou algumas coisas que ela influenciou? Como é que a gente chegou no que ela é hoje? Mais ou menos isso, tá? A primeira referência documental que a gente tem de cachaça é de 1611. Ou seja, 100 anos depois do descobrimento do Brasil. Certo? Que tem uma primeira referência documental em São Paulo a respeito de um alambique. Então, como em 1611 o Brasil já era...
Uma merda. Como a bebida continua sendo... Não, mentira. Como em 1600 anos o Brasil já era... O açúcar já era a base da economia brasileira, é normal pensar que alguém vai fazer alguma bebida alcoólica disso, né? Assim como tem a regra da internet, né? Que qualquer coisa que existe, existe alguma pornografia na internet. Qualquer coisa que existe, existe alguma bebida alcoólica feita disso, provavelmente, né? Sim, sei. Não sei se existe alguma bebida alcoólica feita de peixe. Talvez tenha, já pensou nisso? Tem, tem. Eu fui pesquisar esses tempos. Garon?
Não é uma bebida, mas é alcoólico e é de feixe-peixe. Como assim não é uma bebida? O que é? É um molho. Mas aí é tipo tu chamar molho shoyu de bebida alcoólica. Não, eu acabei de falar que não é uma bebida. Não, não tem álcool, caralho. É. Então, o que tu falou do garum, porra? Enfia no cu o garum. Garum... Garum tem álcool. Gente, vocês estão agressivos. Gente.
Ó, até onde eu saiba, tem uma bebida chamada shironodori no Japão, que ela é uma bebida alcoólica que usa peixe. Shironodori. Mas a cachaça foi justamente feita como um subproduto, e ela é uma bebida com alto teor calórico, porque ela é feita de uma base que leva basicamente a cana-de-açúcar. Então, com isso, ela acabou servindo muito de base pra galera que ia de um lugar pro outro muito longe. Então, rapidamente...
A cachaça parou de ser simplesmente uma bebida e virou um suprimento até para os navios de pessoas escravizadas. Então, tem registro na costa da Angola da galera trocando o cachaça por pessoas para trazer para o Brasil para serem escravizadas. Então, né, ocorria, como todo mundo sabe, aquele negócio de... Ah, as tribos africanas levavam para a costa, blá, blá, blá. E o pessoal trocava basicamente por escambo e cachaça foi para Angola dessa maneira. De maneira...
Então ela ia pra lá não só como uma era de troca, mas ela ia também como uma maneira de ter, como eu falei, suprimento. Manter meio que as pessoas vivas. Isso e farinha ia muito pra manter essa galera pra conseguir trazer elas pro Brasil. Meu Deus, que dieta, que dieta desgraçada. Mas é, os caras tomavam caixão e comiam farinha pura? Pinga e farinha. Puta que pariu. Será que é daí que vem a massa do pastel?
Acho que essa foi a melhor teoria do... Com certeza. Nem entendi como é que chegou. É que massa de pastel leva cachaça pra não puxar gordura, teoricamente. Olha aí, ó. Dicas culinárias. Com certeza, então. Com certeza. Tenho certeza absoluta que é por causa da cachaça e da farinha.
Só que, assim como a cachaça era importante por questões externas ao Brasil, né? Tipo, pessoas que iam pra África e... Obviamente, né? Vamos deixar um ponto bem claro aqui. Nada do que aconteceu aqui aconteceu por conta da cachaça. Tirando uma ou duas revoltas que eu vou falar mais pra frente.
Mas ela estava inserida nesse meio. Ela começou a se espalhar e se tornar importante por isso, né? Então, como eu falei, assim como ela ia pra fora, ela também foi importante pra interiorização da colônia. Novamente, porque ela era um suprimento muito importante, porque ela... Mantinha as pessoas vivas.
É, exato. Ela tinha muita caloria. Então você bebeu uma cachaça até hoje, ela é muito calórica. Então ela acabou indo nessas expedições de interiorização do Brasil. Então o pessoal foi descobrindo, foi entrando para o Brasil para buscar, enfim, ouro e os próprios outros povos. Foram abrindo caminhos e fazendo povoados. Esses povoados eram paradas.
da galera que fazia a expedição, e ali se instalava normalmente um engenho e se instalava uma produção de cachaça. Então a galera que ia buscar metal, ia buscar, ia capturar indígenas, enfim, toda essa parte, ela precisava de comida, precisava de ferramenta, precisava de roupa, e sempre onde tinha um desses lugares existia normalmente um engenho e uma produção de cachaça justamente como suprimento, e acabou começando...
o interior do Brasil a ter uma produção, uma vida econômica, e começou a ter uma espécie de infraestrutura entre milhões de aspas, no interior. E a cachaça tá no meio disso, justamente como isso que eu falei. Então os caras paravam pra fazer uma vila só pra fazer cachaça, então, pra manter a galera que ia viajando ali naquele local.
Não só pra fazer cachaça. É, sim, sim. O pessoal fazia outras coisas, mas a cachaça estava ali no meio. E daí a Lick saiu de São Paulo, provavelmente, Rio de Janeiro, dessa galera. E começou a entrar pro interior do Brasil. Legal. Como eu falei, ela servia muito pra kit de abastecimento de viagem e de trabalho muito pesado. Ou seja, a galera que trabalhava em mina. A galera que trabalhava ia pro interior, tipo, muito e muito tempo.
essa galera provavelmente estava permanentemente bêbada, né? O que é muito interessante você pensar. Então a cachaça é o nosso beef jerky, é isso? Que nem eles tinham lá nos Estados Unidos? É um dos, né? É, né? Não, acho que a cachaça é o nosso garrafa de vidro velha com xixis no rótulo. Ah, tá.
Imagina que todo mundo que ia pro interior do Brasil, o Pedro tinha um... Pô, como é que é o nome da bebida de mendigo? Caralho, fugiu o nome agora. Camelinho. Camelinho, camelinho. Caninha da Serra? Corote? Corote, corote, isso aí, isso aí. Só que aí, devagarinho, a galera começou a perceber que a cachaça, ela tava se tornando algo importante na vida da colônia.
E ela era, comparada por exemplo ao vinho, ela era mais barata, ela tinha mais teor alcoólico, ela se adaptava melhor ao clima tropical, a viagens longas, etc. E isso começou a aumentar a produção de cachaça a ponto de vários destiladores, vários engenhos, a galera desviar parte da produção de cana pra fazer cachaça. O que a galera...
do reino, né, de Portugal, acabou falando que encarecia o funcionamento dos engenhos, porque diminuía a produção, aumentava a demanda por lenha, o que encarecia novamente os engenhos, e os proprietários começaram a culpar a bebida por rebelião e por acidente. Tá ligado? Então dizia, a galera tá completamente bêbada, completamente louca, tá começando a se revoltar, e não porque a condição de vida era uma merda, né? Mas enfim. Não, é, mas a real é que as pessoas estavam bêbadas porque a condição de vida era uma merda, né? Essa que é, não é revolução. É, tem, tem, tem esse ponto.
E a partir daí, depois que acabou a União Ibérica em 1640, né? Aparece um órgão fiscalizador que se chama Companhia Geral do Comércio do Brasil. Foi criado em 1649. Em metro. Em metro. Seria foda se fosse. Eu vou implodir o em metro.
E a base dele é uma base que vem de fora, né? Vem de Portugal. Como uma maneira de centralizar e proteger o comércio de mercadorias estratégicas. E aí, devagarinho, o controle da cachaça começa a virar proibição e medida de está...
Me dá de controle. Então, justamente por causa dessa questão de atrapalhar, eles têm medo de atrapalhar o comércio do vinho, por exemplo, eles começam a taxar muito e a proibir. Tanto que tem um documento que é a carta de setembro de 1649, carta de 13 de setembro de 1649, que é atribuída ao Dom João IV, que ele começa a restringir a fabricação da cachaça.
justamente por esse motivo. Até que chega um ponto onde ele começa a pedir pra galera que tá na colônia destruir os alambiques e a parte dos engenhos. Certo. Então o cara meteu um tá proibido, vamos destruir tudo e pau nos seus cu. E aí, como a gente bem sabe, um produto que beneficia muito o povo, principalmente um povo que gosta de tá bêbado e pulando e feliz, não é assim tão fácil de destruir, né? A lei seca dos Estados Unidos tá aí pra não deixar a gente mentir.
E aí, então, por mais que eles tenham mandado restringir e destruir tudo, na prática, o que aconteceu foi que, né, era 1640, você não tinha uma maneira eficaz de fiscalizar tudo, e a cachaça sobreviveu na ilegalidade. Destruíram alguns, né, obviamente, tem relatos, né, da galera destruindo alguns alambiques e os caralhos. Esse cara se fudeu, mas tinha muita gente que tava por baixo dos panos vendendo cachaça, vendendo cachaça pra autoridade.
É, a parada é que não é difícil de fazer também, né? É um processo relativamente simples. Então, por mais que tu destrua alguns, pra você recriar é muito simples, é muito fácil. Vamos fazer um rolê, então, de fazer rolê de cachaça? Fazer uma cachaça aqui em casa? Criar cachaça? Fazer um rolê de cachaça. É, vamos fazer uma cachaçinha? Bora, bora. Pior que não, aí os caras fazem cachaça na prisão, mano. Imagine. Se fosse difícil, o pessoal ia fazer igual. Nada ia impedir as pessoas de produzirem cachaça.
É verdade, é verdade. Nada pode impedir o ser humano de produzir cachorro. Exatamente. Não, o ser humano não. O brasileiro. É, é verdade, é verdade. Até que em 1660 ocorreu um evento no Rio de Janeiro. Obviamente, tudo o que acontece de relevante no Brasil é no Rio de Janeiro. Sim, até hoje. Tirando o que acontece em São Paulo. Não, não, não. O Hipocast aconteceu em Santa Catarina. Isso é uma das coisas mais importantes do Brasil aí.
Ihhh... Pesou o clima, pesou o clima. Que isso, cara? Pesou o clima? Pesou o clima. Eu falo dessa merda. Vai tomar no teu cu, então. O que é que acontece? Com essa proibição e essa parada de destruir todos os alambiques, existe um lugar que eles não seguiram isso, que foi o Rio de Janeiro, certo? Por quê? É o estado da Guanabara.
Teoricamente, o que acontece é que a cana produzida no rio era uma cana muito aguada. O caldo da cana era o mais aguado. O que prejudicaria o açúcar. Ou seja, faria menos açúcar, teoricamente. A produção não seria tão forte. Mas pra cachaça, tanto faz. Tu vai tirar boa parte da água mesmo. Vai destilar. Foda-se.
Então a galera não seguiu isso Só que o governador do Rio Do... O Hitzel O olho parado, grau 15 Ele não é governador, deixa eu ver o que ele é É governador, governador, é realmente O governador do Rio chamado Salvador Correia de Sá e Benevides Ele, eu vejo, era a terceira vez que ele tava sendo governador do Rio Ele começou a fazer um monte de merda Ele começou a gastar Novidade, né? É, governadores do Rio desde sempre Governador do Rio começou a fazer um monte de merda Vem!
Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! V
Ele começou a gastar pra caralho, fazer umas expedições malucas. Ele foi com tropa pra algum país da África, que eu não lembro qual era agora exatamente. E gastou uma grama fodida. Ele foi na ilha do governador e começou o projeto de um dos maiores galeões que já existiram no Brasil, chamado Galeão Padre Eterno. E isso começou a...
E ele começou a gastar dinheiro igual um louco. E aí ele aproveitou que a coroa tinha proibido a guardente, né? A cachaça. E pra não dizer que não tá cumprindo nenhuma ordem, ele começou a aumentar os impostos. Sobre isso, pra quê? Pra arrecadar dinheiro pra essas paradas malucas que ele tava fazendo. Só que aí, obviamente, os produtores não ficaram nem um pouco felizes, né?
E por algum motivo, eu tentei achar em algum lugar, eu não achei em lugar nenhum. Esse cara, na madrugada de 8 de novembro de 1660, ele não tava no Rio de Janeiro. Ele tava no interior do Brasil, em algum lugar, que até hoje eu não consegui descobrir qual que é. E ele deixou o tio dele, que é o Tomé de Souza Alvarenga, como governador em exercício. Eu sempre lembro daquela foto do Mourão como governador em exercício, o Mourão todo suado. Esse cara, o Tomé, virou governador em exercício.
E era tio desse cara aí. E nessa madrugada, cerca de 112 senhores de engenho, sendo 10 de São Gonçalo, eles foram marchando em direção ao prédio da Câmara, exigindo o fim das cobranças da taxa. Esse cara que ficou no lugar, ele tentou botar o exército, a tropa que ele tinha perto. Só que os caras falaram para os soldados que eles iam pagar para ele depois.
E os soldados deserdaram E o cara teve que fugir Se refugiou num mosteiro Só que acabaram pegando o cara Acabaram saqueando as casas da família Da família Correia e Salvador de Sá Esse cara, o governador em exercício Ele foi mandado pra Portugal Junto com uma lista de acusação da família O governo do Rio de Janeiro tentou proclamar um outro cara Como governador, o Agostinho Barbalho E esse cara, ele falou Pau no seu cu, não vou ser governador não Vocês estão achando que eu sou o quê? Caralho!
Esperto, esperto. Ele se recusou e buscou abrigo em outro convento. Mas ele acabou sendo empossado meio que a contragosto. E ele foi o cara meio que do deixa disso. Tipo, não, vamos esfriar isso aí. Vamos diminuir os impostos, não sei o que lá, não sei o que lá. Só que isso deu tempo.
Do governador original, como é o nome dele aqui, que eu me perdi? Salvador Corrêa de Saia Alvarenga, voltado aonde ele tava. E aí avisaram ele, galera, seguinte, o governador, tem uns 100 malucos lá que tá tocando os aralhos e nós vamos ter que dar um jeito nisso. E aí o cara voltou com uma porrada de tropa do interior, basicamente conseguiu aprisionar todo mundo. Pros líderes dessa revolução, foi montada uma corte marcial e controlou a parada na região. Os líderes foram mortos, etc.
E isso ficou conhecido como Revolta da Cachaça Só que... Devia ser Cachaçado o nome, né? Bah! Revolta da Cachaça é nada Cachaçado é muito melhor Cachaçado que é muito mais legal Só que isso, quando o maluco que tinha sido mandado pra Portugal Chegou em Portugal, com a lista de acusações E meio que falando o que aconteceu Conselho Ultramarino chegou e falou assim Cara, acho que esses caras aí estão certos Vamos lá! Putaria, né? Meu Deus!
afastaram o governador da função. Toda a família dele perdeu, tipo, todo o prestígio, a influência. Os rebeldes que foram condenados, que não tinham sido mortos, obviamente, foram libertados. A regente, Luísa de Gusmão, ela liberou a cachaça no Brasil e voltou a ser o que era. Voltou a ser o que era antes disso. Então os caras conseguiram, na prática, continuar com a produção de cachaça legalmente.
Depois de... Depois dessa revolta. Que coisa, né? Caralho. Depois disso. Cachaça vai se desenvolvendo e coisa, mas ainda muito como algo do povo. Mas nunca foi algo muito da elite. E depois tem uma parte que até hoje é reconhecida. Que um dos maiores pontos de produção de cachaça foi Paraty. Paraty é São Paulo? Pra mim? Caralho.
Nada de merda. Tanto que Paraty ficou conhecida como a capital pingófila do Brasil. Caralho. Pingófila. Pingófila é uma puta palavra, hein? Pingofilia. Eu acho que o nome da batalha... Não, não. Ai, meu Deus. Foda-se. Eu ia falar um negócio. Vai, segue. Pingo Douro. E aí, Paraty é estratégica. Por quê? Porque ela meio que conecta vários caminhos históricos do interior do Brasil com o mar. Então ela conseguia meio que escoar essa produção que tinha no interior do Brasil pra parte do...
do litoral. Então, por isso que ela acabou se tornando importante nessa questão. Teve um outro episódio na Revolução Pernambucana de 1817 que mostra como a cachaça foi evoluindo como um algo de... relevante pra cultura nacional. Porque é algo, novamente, que surgiu aqui, né? Então, na Revolução de 1817, conhecido como a Revolução dos Padres, que é uma revolução em Pernambuco,
A Pernambuco vivia uma grande recessão, digamos assim, uma grande dificuldade, por causa da crise do açúcar. Além disso, em 1808, quando a família real, a coroa portuguesa, veio pro Brasil, parte das elites locais foram obrigadas a enviar recursos pra sustentar a família real, querendo ou não. E em 1816, um ano antes da Revolução, houve uma seca fodida em Pernambuco.
E houve também o atraso de pagamento de uma galera, inclusive das tropas, inclusive de soldados. Então tava tipo um monte de merda acontecendo ao mesmo tempo ali, em questão de 10 anos. Pernambuco tava fodido. Aí na prática, o que aconteceu foi, como eu falei, a Revolução Pernambucana, a galera do movimento, né?
Ela tomou o governo de Pernambuco, tomou a capitania. Os revolucionários instalaram um governo provisório, que eles estavam muito ligados ao iluminismo. Então, meteram uma nova ordem com princípios de liberdade de imprensa, mudança tributária, meio que dando início a uma república. Nova ordem mundial. Nova ordem mundial. Nova ordem mundial, exato.
E aí, meio que dando início a, digamos assim, uma ideia de república. E aí eles queriam justamente essa ideia de romper com o império. Formar uma... deixar de ser colônia e virar uma república. E aí, algo muito importante pra essa revolução foi o clero. Foi os padres.
que ajudavam a incitar a própria população. Tanto ficou conhecida como Revolução dos Padres. Até que um dia que mostra essa tendência de virar algo nacional, e de cachaça ser um símbolo nacional, um rapaz chamado Luiz da Câmara Cascudo, que disse que ele foi fazer um brinde, e ao invés de brindar com vinho, ele pegou e brindou com cachaça.
Falou vinho ao caralho, eu quero um shotzinho ali de 50ml e nós vamos virar essa merda. Eu quero vinho de cana. Eu quero vinho de cana. Cana caiana. Como é que é, Victor? Como é que foi? Cana caiana. Essa aí, cara, essa aí, se nós tomar a copyright por causa dessa aí, a gente tem que se fuder mesmo.
Isso mostrou justamente como a cachaça começou a ser ligada, já comprou tudo daqui, à cultura nacional, à cultura do Brasil. A Revolução Pernambucana foi pro caralho, né? Como todas as revoluções, antes do maluco chegar e falar independência ou morte. Mas, né, como todas as revoluções, acabou deixando um legado, etc. E esse foi um episódio importante nesse sentido, né?
Depois disso, depois que a cachaça começou a se consolidar, ela sofreu alguns processos de valorização, de queda de valorização e voltar a ser valorizada. Então depois que ela se tornou, digamos assim, esse início de uma identidade nacional, ela chegou a ser colocada, inclusive, em cardápios da própria família real. Com a galera... Tchau!
Tipo, ah, cachaça é uma iguaria Brasileira e os caralhos Porém, no século XX Ela voltou a ser enxergada como uma bebida do povão Um período que ela foi sinônimo de atraso Sinônimo de pobreza, sinônimo de mau gosto E enquanto bebidas estrangeiras, né Elas eram como se fosse, tipo A parada mais foda do universo É Tanta!
Essa perspectiva brasileira, né, de não valorizar o que o país produz. Ah, merda, não sei por que isso é tão enraizado na nossa perspectiva social, cara. Não entendo isso. Cachaça é uma das bebidas mais fodas e até hoje tem estigma com isso. Agora tá melhorando um pouco, né? As pessoas tão se reconhecendo um pouco. Vamos chegar lá. É, mas é foda esse estigma. Não só com cachaça, com tudo que a gente produz. Não dá pra entender uma porra dessa.
É uma memória histórica, né? O país é uma colônia e o que era da metrópole sempre foi mais refinado, né? Acho que a elite sempre teve essa ideia. E querendo ou não, de fato, o começo dessa ideia é real, né? É um lugar assim onde não existia nada, né? Beleza, tinha os indígenas aqui, mas se construiu uma civilização no Brasil aqui, né?
E era uma terra sem nada, nenhum tipo de produção. Isso tinha dois índios e um cara bebendo cachaça. E também sempre, o Brasil sempre foi um país muito... Que não tem muita tradição de produção, assim, tipo... Começou, né, do século XVIII pra cá, mas antes disso era um país muito de... Daquele famoso boom and bust, né?
Tinha foco na produção de uma única parada. E aí, quando isso dava errado, ia todo mundo pro caralho. Falia todo mundo. Aí depois, e venha pro próximo. É, mas até em questão cultural. Tipo, em produto que não é algo palpável, acaba sendo isso. Vou dar um exemplo.
Merda e depois um exemplo um pouco mais atual. Tipo, Bossa Nova no Brasil não é tão valorizada quanto ela é no exterior. Por exemplo, é um negócio que surgiu aqui. E uma outra coisa que eu vou falar que talvez seja um pouco idiota é... Por que a galera pode gostar pra caralho de K-pop e, por exemplo, o funk brasileiro não pode sair pra fora? Ninguém entende coreano mesmo. Seria a mesma merda. Um ritmo dançante que poderia estar tocando em, sei lá, Portugal. Portugal não que fala português, né?
Enfim, mas... Mas, recentemente, até com o funk tem acontecido isso aí. O funk é uma parada que é muito odiada aqui, mas, recentemente, tem achado... Principalmente no TikTok, assim, nesses conteúdos. É, o Brazilian Funk é extremamente conhecido. Indonésia, Indonésia. Tem muita gente que insulta funk na Indonésia. Caralho, o que...
Pesquisa, data folha. É verdade? Oito a cada dez em Indonésia o Sul ouve em funk. O Filipinas também. Eu conheci uma menina das Filipinas, né? Lá quando eu fui morar em Prudentópolis, no interior do Paraná. Eu conheci uma menina que era das Filipinas, que estava fazendo estágio lá. Não me pergunte por quê.
Olha, aleatório, cara. Muito aleatório. Daí eu fui tomar um sorvete com ela. E aí eu lembrei dessa informação aí do funk nas Filipinas, esse bombado. Daí eu falei assim, é... Do you know Ed Lemons? Aí ela falou, sim, Ed Lemons, very good. É... É, como é que é? O som do milênio.
Não pode ser. Não pode ser. Não pode ser. Antigamente, você abriu o perfil da Dilema no Spotify e Jakarta era um dos lugares mais escutados. Deixa eu ver. Do you know MC Mayara? Yes, yes, pata de camelo. Não pode ser.
Proque 1, se eu posso ter 7. Eu posso continuar aqui? Pode. Enfim, novamente, em 2001, o Brasil oficializou cachaça como um produto de indicação geográfica. Cachaça oficialmente, por lei, eu acho que é só nacional, mas enfim, ela é um produto...
destilado de cana-de-açúcar, com graduação alcoólica entre 38% e 48%, produzida no Brasil, pura e exclusivamente. Só pode ser cachaça se for no Brasil. É, por lei nacional, sim. Só que o Brasil, apesar de produzir cachaça, e eu saber que tem uma porrada de gringo que gosta, o Brasil, basicamente, as exportações de cachaça, elas ficam entre 0,5% e 1% da produção. Enquanto 292,5 milhões de litros são consumidos internamente. Porra! Então a gente ainda não exporta a cachaça o tanto quanto deveria, acredito.
E por último, mas não menos importante Isso eu acho que eu já contei pra vocês, mas não custa Vamos falar do drink mais famoso Do Brasil de todos os tempos De todos os tempos, que é a caipirinha Que você coloca limão, açúcar, cachaça e gelo E bebe, feliz, vários e vários litros Muito feliz
Muito feliz. Porém, ele não surgiu assim. E, inicialmente, a caipirinha, ela... Dizem, né? Isso aqui também não tem nada de confirmado historicamente. Não tem como eu confirmar isso historicamente. Mas dizem que ela surgiu como um remédio caseiro pra gripe espanhola. E aí, a galera misturava cachaça, mel, limão e alho. Só que aí, a galera começou a achar que o alho não seria uma boa ideia pra beber. Que deixava o gosto meio merda.
Era o Max fazendo com alho, né? E daí... Isso, exato. Anos depois, o Michelin tomou e falou, Max, não tá legal isso aqui, não. É uma merda.
Muito bom, muito bom. E aí ele virou o que eu chamava de garrafada. Ela acabou se simplificando e virando o que a gente conhece hoje como caipirinha, que é o melhor drink que existe no planeta Terra. E é isso. É isso que eu trouxe pra vocês hoje. E aí? Legal. Parabéns, hein, pela pesquisa. Caraca, muito palmoço aí, hein, Max? Teologia aí, hein? Não, eu achei que alguém ia falar alguma coisa. Eu parei. Ninguém vai falar nada. Parabéns pela pesquisa. É o professor que achou uma merda o trabalho. É isso.
Amém.
Vamos sair do Brasil, vamos sair das Américas. Não, não pode, não pode. Viralatismo é o caralho. Mas a gente não vai viajar muito no tempo. A gente vai pro século XVI. Na verdade, a gente não vai quase viajar. Vamos pro século XVI.
O que acontece, galera? Estava bebendo cachaça. Vamos trocar de cachaça para vodka, certo? Eu vou falar da Rússia hoje. Certo. Mais especificamente, a nossa história começa em 1584. Por quê? Em 1584, morre o lendário Ivan o Terrível. Todo mundo já ouviu falar no Ivan o Terrível, né? Ele é muito... Ivan o ruim. O ruim, o maldoso. O medíocre, mais ou menos. Não. E aí, ele morre. E ele deixa pra trás dois herdeiros.
Ivan, o querido. Ivan, o bom menino. O primeiro é o herdeiro chamado Fyodor, que é quem acende ao trono. Só que o Fyodor, ele era... Ele não tem nenhum apelido? Não, não. O único que tem apelido nessa história toda é o Ivan. E ele começa a multa.
É muito triste, porque o teu pai se chama... Se chama, não, né? É conhecido como O Terrível, e você é o Fyodor. Porra, vai tomar no cu. Se o cara tivesse feito alguma coisa decente na vida, ele ganharia um título foda, tipo, terrível. Só que ele não fez. Já vou explicar o que ele fez. Ele era muito doente. Fyodor, o merdino. Fyodor, o doente.
É, o doente. O fudido. O fudido do... E aí, ele era muito doente e ele era relativamente jovem. Então, ele não conseguia governar sozinho. Então, ele era o imperador de júri, né? Ou seja, ele era oficialmente o imperador. Só que quem mandava era um cara por detrás dele. Ele era meio que um fantoche de um cara chamado Boris Godunov.
Sempre tem o Rasputin, né? A Rússia não consegue. Sempre. É, eles não conseguem. E aí, esse Boris é o cara que mandava na porra toda. Além disso... Eu não consigo imaginar nenhum Boris que não seja o Boris Casoy, tá ligado? Pra mim, automaticamente. Isso é uma vergonha.
E aí o Boris, ele era um nobre da alta elite russa que tava mandando no império de fato. Vocês não acham Boris um puta nome de cachorro? Desculpa se a gente tem algum Boris ouvindo, mas Boris não é um puta nome de cachorro. Um abraço pros nossos Boris. Eu só consigo lembrar do cara que... do filme de Boris lá. Filme de Boris? Não sei filme de Boris, amigo. Não é filme de Boris, mas é o cara que se chama Boris lá no filme de comédia.
É Borat? Ah, é Borat. Nem fudendo. Nem fudendo que ele foi falar e ele errou ainda. Então o Borat é a versão que é do Turcomenistão, não é do Cazaquistão. É o Borat. É o momento Crack Nelson do Pedro. Crack Nelson.
Só que além do Fyodor, o Ivan Terrível também deixou um outro herdeiro, que era um moleque chamado Dimitri. Ele tinha 8 anos quando o pai dele morreu. E aí, esse moleque, ele era saudável, mas ele era muito novo. Ele era saudável e ele que ia herdar o trono depois que o Fyodor inevitavelmente morresse, porque ele era muito fraco. O título dele era O Saudável, né?
Inevitavelmente morresse porque ele é humano, né? Então vai morrer em alguma coisa. Ou não, a gente não tem como afirmar nada hoje. A immortalidade está aí. Rasputin está aí, né? Aí, o que acontece? O Boris sabia que esse Dmitri, ele tinha tudo para herdar o trono e tirar o poder da mão dele. Então o que o Boris fez?
Caralho, calma aí, que porra é essa? Tirar o poder da mão dele, ele vai estar morto? Como assim? Não, cara, quem ia estar morto é o Fyodor. O Boris é o cara que trabalha por trás, entendeu? É o cara da elite. Ah, tá, tá, já confundi, confundi. Tá, e aí o que acontece? O Dmitry era uma ameaça pro Boris. Então, ele exila o Dmitry pra uma cidade no meio do nada chamada Ugly.
foda. Como é que se faz isso? Tipo, você está exilado, sai correndo, é isso? É tipo o Scar no Rei Leão, é isso? É tipo assim, você fala pro cara, comprei duas passagens, uma de ida e a outra também é de ida, amigo. Tchau. Você pode escolher um amiguinho pra levar. Aí ele foi exilado pra essa cidade do interior.
E aí, poucos anos depois, quando o Dmitry tinha 10 anos, ele foi encontrado morto no pátio com a garganta cortada de orelha a orelha. Mataram a criança. Ah, isso aí foi uma causa natural. Rapaz. Aí o que acontece? O governo falou isso. Não pode matar o herdeiro. Vamos fazer uma investigação. Só que a investigação foi ordenada e controlada pelo Boris, pelo Godunov. Foi quem matou, obviamente. Óbvio.
E aí, saiu um laudo, que era o seguinte. O menino, de acordo com o laudo, ele estava brincando com uma faca, e aí ele teve um ataque epilético, e durante a convulsão, acidentalmente, ele cortou a própria garganta. É isso que aconteceu. Em um corte só, limpo e incrível. Garoto estava brincando com uma faca, e aí ele teve um ataque epilético, e acidentalmente tomou quatro tiros na nuca.
Acidentalmente se enforcou na árvore. Só que, tipo assim, isso já era ridículo na época, já é absurdo na época. E ninguém comprou essa ideia, ninguém falou, pô, isso não é possível, cara, assassinaram a criança. Não é possível, epilepsia não existe. E aí, o que aconteceu? Em 1598...
o Fyodor morreu e aí o Dmitri também já tava morto e aí a dinastia Rurik que era o dinastia dos Kizares que já estavam governando a Rússia há séculos acabou porque não tinha mais herdeiro e aí tem que se coroa como Kizar o Boris o Boris chegou ao poder mas com essa contudo com toda essa história por detrás eu tenho uma coisa para falar rapidinho isso é um recado para o Boris que isso é uma vergonha pode continuar
Aí, o que aconteceu? O Boris chegou ao poder, só que ele era muito azarado. E aí começou a dar um monte de merda. Primeiro deu um puta de um incêndio. Começou a dar ataque epilético. Começou a... Deu um incêndio em Moscou. E aí tem relatos do Boris saindo das ruínas do fogaréu, assim. E distribuindo pão, tentando alimentar as pessoas. E falando que ia reconstruir. E aí vem um exército, logo em seguida, um exército de tártaros.
E aí destruiu a cidade de novo e o Boris tentou enganar os caras, não conseguiu, deu tudo errado. E aí ele se fodeu um monte. Por que ele não tentou apagar o incêndio? Por que ele distribui o pão? Não entendi. Sai com um balde d'água. Ele assumiu e imediatamente perdeu o mandato divino. Exato.
Aí, mas piora, entre 1601 e 1603, a Rússia foi atingida pela pior crise de fome da história. Foi um bagulho violentíssimo. O cara perdeu o mandato do céu mesmo. Mas se não pudesse... O pão seria útil. Na China, ele já teria sido depois.
Aí, foi tão extrema a situação que a gente tem relatos de pessoas que estavam comendo grama, pessoas que estavam comendo casca de árvore, e a gente também tem relatos dessa época de canibalismo, cara. Porque a fome estava muito, muito, muito forte. Caralho. Deixa eu entender uma parada. O que esse cara era pra ele assumir o trono, assim? Porra nenhuma, né? Ele era o Rasputin.
Ele era um regente. Mas ele tem alguma parada legal? Tipo, acabou o emelialenco ali, vai ser você. Cara, poder nunca é... O poder é sempre expressado por influência. E todo mundo sabia que quem já mandava antes, quando o Fyodor era o imperador...
Era ele. Então as coisas só tomaram o curso natural. Ok, tá bom, eu aceito. Não precisa de uma lei para definir o que vai acontecer ou não. É só tomar o curso natural. A lei sempre justifica o poder. Ela nunca dita quem terá o poder. Exatamente. Enfim, aí o Boris começou a tentar de novo distribuir pão. Porque o galera estava com muito...
Agora ele acertou De onde que ele tira o pão Ele viajou no tempo Dentro da geladeira dele Se ele saísse com um balde de água eu ia ficar puto Só que não adiantou Mais de 100 mil pessoas morrendo de fome Durante essa grande fome
Caralho! Sim. Aham. Quantas pessoas existiam na Rússia? 100.001. Só eles sobrevivendo. Todo mundo teve ataque hipolético. 100.001, só sobrou o Boris lá. A situação era tão absurda que a gente tem relato histórico de pessoas tentando dar esmola pro público, e aí acontecia pisoteamentos, porque as pessoas se matavam pra conseguir pegar uma esmola.
Meu Deus. E aí, ou seja, cenário total de apocalipse, terror, né? Horrível. Tá tudo em ruínas. Mas era uma sorte mesmo ou o Boris tinha o dedo? Não, então, aí o que acontece? O povo, que na época era muito religioso, começou a falar. Aí, rapaziada, Deus tá punindo a gente porque o Boris matou o Dmitry. Ele matou o herdeiro pra tomar o poder na marra e Deus tá punindo a gente. Isso não pode? Meu Deus. E aí começou esse papinho, começou esse papinho.
E aí, nesse papinho, essa primeira tese... Olha, mas assim, contando tudo o que aconteceu, eu tô do lado do povo. Não. Eu tô falando ali também, filha da puta. Não, não, eu não era aquele filho da puta, eu aceito essa tese, do jeito que tá. Aí, o que que aconteceu? Esse papinho inicial do Deus está nos punindo evoluiu pra uma outra fofoca, uma segunda fofoca, que é o seguinte... Dmitry é o diabo. E se... É Boris, né, Boris, não Dmitry. E se o Boris não matou o Dmitry?
E se ele tivesse matado uma outra criança no lugar? Ah, meu Deus. E aí começou a rolar essa fofoca de que o verdadeiro herdeiro não estava morto. Ele estava em algum lugar. Caraca, o Rei Arthur vai voltar. Ele vai tirar a espada da pedra e vai matar o Boris. É, exatamente. Puta que pariu.
E vai nos salvar. O rei Dmitri vai voltar e vai tirar a faca do bucho, né? Isso. Então, o que aconteceu? Tava tudo armado pra dar merda. Em 1603... Vamos cortar a cena. Vamos sair de Moscou. Em 1603... O Boris bateu o dedinho na mesa. A...
Aparece um homem à porta de um dos maiores nobres poloneses. Na época, a Polônia e a Lituânia eram um país só. E esse cara apareceu na porta de um dos maiores nobres poloneses da época, bateu na porta do cara e falou, eu sou o Dmitry, eu sou o príncipe que escapou do assassinato na infância. E aí, hoje a gente sabe... Mas ninguém teve essa ideia antes, né? Hoje, a gente sabe quem que esse cara era. Era um cara chamado Grigori Otropegev, que era um monge russo bêbado que fugiu do Munas-Téria. Caralho!
É o Max, meu Deus, o Max chegou lá na porta e falou, sai daí, filha da puta E aí ele resolveu miguelar Pô, é uma puta de uma ideia, ninguém teve essa ideia antes E aí, o que aconteceu? O Grigori bateu na porta dos caras E falou, vocês não vão acreditar Ele era muito útil, exatamente Porque os poloneses queriam um fantoche deles no trono
Então se esse Dmitry, independente se ele fosse o Dmitry ou não, se eles convencessem as pessoas de que ele era e ele chegasse ao poder, se ele virasse Kizar, eles teriam um fantoche polonês no trono da Rússia, que seria ótimo. Então o que acontece? O Grigori, que agora eu vou referir ele como falso Dmitry, ele, o falso Dmitry, ele, na corte polonesa, ali onde ele bateu na porta, ele conheceu uma mulher chamada Marina Minisjet, que era uma nobre também de altíssimo padrão polonês. Altíssimo padrão. Banco de c...
couro, vidro elétrico. Ela tava cagando se ele, se o cara era o Dimitri ou não. Ela queria ser Kizarina. Todo mundo tava cagando se o cara era o Dimitri ou não. É, exatamente. A Rússia tava cagando. Todo mundo saqueu um pedaço. O único que não tava cagando era o Boris. É porque ele tava dando balde de água pra galera. Aí, os dois ficaram noivos. Noivos. Eles foram até o rei da Polônia e falaram olha, nós somos ele é o herdeiro e eu sou a mulher dele. Nós somos Dimitri.
E a gente quer retornar pra Rússia, a gente quer tomar o país. E aí o rei polonês falou, poxa, é uma boa ideia. E aí deu um exército gigantesco de mercenários pro cara. Caralho, é tão fácil assim.
E aí, cara, eles pegam o exército e vão pra Moscou. Só que aí o Boris fica sabendo dessa história toda. E o Boris sabe muito bem que não é o Dmitry. Por que ele matou o Dmitry? Né? E aí o Boris... Não, não, não, não, não, não. Ele teve um ataque. Todo mundo sabe. É, isso, isso. Aí o Boris manda um exército maior ainda pra ir derrotar um falso Dmitry. E o exército de mercenários. E aí era pra ser uma das maiores batalhas do século, essa porra. E todo mundo se dizimar. Só que o que aconteceu? Na hora que...
Um dia antes dos exércitos se encontrarem no meio do campo de batalha, o Boris infarta e morre. Meu Deus do céu. Caralho, rapaz. O Boris morre. E aí, o que aconteceu? Chegou a notícia no fronte de que o Boris tinha morrido. Notícia ruim corre rápido, né? Que não tinha ninguém pra assumir o trono. Quando os exércitos se encontraram, o exército russo olhou pro Dmitry e falou, salve o Kizar, pode vir.
E aí, a gente precisa de alguém mesmo. A gente tem a história, até agora, do cara mais azarado do universo e do cara mais sortudo do universo. Pois é. Vocês saíram de casa, se encontraram e deu jogo, né? Esse filho da puta tava jogando Kingdom Come Deliverance 3, né? Pois é.
Aí, o falso Dmitry entrou em Moscou com o exército dele e com o exército russo, sob aplausos e rosas, todo mundo felizão que botou o herdeiro. O cara não fez nada! O cara não fez nada na vida dele, ele não fez nada. Não, eu respeito ele, eu respeito ele, ele é muito foda.
O cara jogou o verde. Sabe aquela frase? Um dia o Max olhou para mim. A gente estava conversando sobre algumas coisas ali. E o Max olhou para mim e falou o seguinte. Cara, meu futuro é tranquilo. Todos os meus planos dependem de um milagre. Essa foi a frase dele. Esse cara foi na mesma vibe. E aconteceu? Eu vou tentar. Todos os meus planos dependem de um milagre. E aconteceu. Deu certo. Aí ele chega em Moscou. Ele chega no Kremlin. E está todo mundo jogando rosas para ele. Falando que Zá voltou.
Arroz, né? É, a dinastia finalmente voltou ao poder, vai acabar toda essa tragédia, toda essa desgraça, porque agora os Hury que estão no poder de novo e tal, e ele estava tipo, um pensamento super positivo. O povo tem memória ruim mesmo, porque lembrem que o suposto pai dele é o Ivan Terrível.
ver como o Boris era zanado, né? E aí, o que aconteceu? Chamaram a mãe do Dimitri, tava exilada num convento, pra ir lá e falar que o cara era filho dela mesmo. E aí ela chegou lá e viu que o cara não era o filho dela, só que ela tava exilada num convento na puta que o pariu. E aí, se ela falasse que era, ela voltava pra corte, ela voltava a morar no Kremlin com todas as regalias. E ela falou, filhinho, querido. Meu Deus do céu.
Não pode ser. Aí cravou. O cara realmente é muito sortudo, cara. Vai ser. Sinceramente. Aí ele chega ao poder. Ele vira o Kizar Dmitry. Só que o Kremlin, naquela época, a nobreza russa, ela era cheia de rituais. Era tudo um... Era tudo encenado, sabe? Porque era da cultura deles. Essas culturas antigas têm muito disso pra você definir poder, né? Você estabelecer poder. Então você faz o que os outros poderosos antes de vocês...
de você fizeram, pra que você seja como eles e tenha legitimidade do poder, né? E, só que esse cara, ele era um capial fodido, ele não sabia dessas coisas e ele era um cara gente boa, ele era um cara massa, e ninguém gostava, tipo o Kizar não podia ser massa, o Kizar tinha que ser frio, tá ligado? Essa era a cultura deles. Então ele cometeu algumas gafes que as pessoas começaram a olhar torto pra ele Então, primeiro de tudo, na Rússia era obrigatório, por lei, que o Kizar tirasse uma sonequinha depois do almoço, era obrigatório tá!
E aí ele não gostava de tirar a sonequinha depois do almoço. Ele achava perda de tempo. Não pode ser. Porra, é mó bom, cara. Que porra é essa? Mó bom. Não acredito. O cara vai se foder porque ele não quer tirar a soneca. Filho da puta, cara. Não, isso é... Isso é... É falta de caráter. Se o cara tiver essa oportunidade e não quiser, é falta de caráter. Ele não era bonzinho, não. Ele era um filho da puta. Já tava se mostrando, já um corno.
Daí a galera olhava assim pra ele e falava Não vai tirar a soneca? Que estranho Já começaram a olhar todo, tá? Aí, a outra coisa, ele adorava comer vitela E aí todo mundo achava horrível Era muito escandaloso comer vitela Não sei porquê, mas era Era uma parada meio herege, assim, comer vitela
comeram vitela? Não. Eu acho que não. Não. Ok, também. Eu queria deixar claro isso. Eu não sou herége, cara. Nós não somos heréges, né? Não somos heréges. Não somos heréges, né? Até agora, eu dou a sonequinha se tiver oportunidade e comeria a vitela se tiver oportunidade. Então eu passava. Mas não pode comer vitela. Não pode? Não pode? Ah, então eu me fudi. Então eu me fudi.
O cara foi querer ser gente boa ali, ó, e se crucificado. Ah, me fodi. Mal caráter do caralho. O único momento que o cara ter o paladar aberto, tá ligado? Está disposto, não vai dar certo. Não, é. Pior que Vitor é nome russo, não é? Eu não sei, cara. É. Com K, com K. Confesso que não sei.
Aí os jantares, os encontros da corte russa, eram muito solenes, né? E as pessoas gostavam de jantar com calma, em silêncio, em lugares fechados e tal. Esse cara, ele mandou trazer um monte de banda, um monte de música, abriu todas as janelas, sabe? E dava festa que era putaria, assim, era só loucura. E aí a galera... Ah, esse cara é massa, eu gostei desse cara. Comer carne, João!
A única coisa errada é não dormir depois do almoço, o resto tá tudo valendo. Aí, além disso, ele aboliu a exigência de prostração, que na época era obrigatório que as pessoas se jogassem no chão diante do czar, né? Uma coisa de respeito. Ele institucionalizou o hi-fi. Ele aboliu isso porque ele queria que as pessoas falassem olhando pra ele, olhando nos olhos dele. E isso pra alta corte russa era muito, muito inaceitável. Não podia.
E o último prego do caixão, a última parada que ele fez, que daí acabou com a legitimidade dele, foi que ele gostava de andar pro Moscou, como se ele fosse uma pessoa normal. Então ele ia no mercado, ele ia no bar. Como se fosse não, ele era uma pessoa normal. Ele era, é, exatamente. É, foi certo. Caraca, o maluco realmente... Não sei, não tem palavra pra descrever, só triste. Ele só era um cara legal, normal, e ele se fudeu. Sim.
Ele gostava de ir no mercadinho, ele ajudava as pessoas a carregar os carrinhos pra levar pra casa, bebia com os populares, ele inspecionava as mercadorias que chegavam na cidade, ele gostava de ver teatrinho de boneco, ele era uma pessoa de boa, assim. E o Kizar não poderia fazer isso, ele.
Não poderia, nada disso, nada disso. Ou seja, a gente descobriu que Kizar em russo significa cuzão, né? Cuzão, é? É. Mas você consegue imaginar o Ivan o Terrível vendo teatrinho de boneco? Não pode, cara. Não, porque ele era um cuzão, né? Exatamente. Mas a sonequia da tarde, sim, claro. E aí, era um escândalo. Era um escândalo ele fazer tudo isso.
E aí ele já tava no limite da popularidade dele com a elite. Tá todo mundo meio assim, pô. E com o povo também, o povo achava tudo estranho. E aí o que quebrou, o que foi a última gota d'água, foi quando a Marina, a mulher dele, né? Lembram da nobre polonesa que casou com ele? Sim.
trouxe milhares de poloneses para o casamento em Moscou, porque ela queria casar em Moscou de novo, né? E aí chegou um monte de polonês lá, e aí todo mundo ficou pistolado, porque os russos odeiam os poloneses, né? Quando chegaram os poloneses, rolou uma revolta em Moscou, e invadiram o palácio, e começaram a quebrar tudo. Caralho! É, isso foi em maio de 1606.
11 meses depois dele virar Kizar, ou seja, não deu nenhum ano de governo, e aí a multidão enfurecida invadiu o Palácio Imperial. Que absurdo. Invadiu destruindo tudo. Calma, quando que o outro maluco morreu? Qual deles? O Dmitry. O Dmitry morreu bem antes, 10 anos, 1591. Tá, então foi 16 anos depois, ok, ok. E aí, em maio de 1606...
11 meses só depois dele virar Kizar, uma multidão invadiu o palácio e ele tentou fugir pela janela e quebrou a perna. Nisso que ele quebrou a perna, ele foi linchado pela população e morto. Morreu linchado. Caralho. Não, não, não. Você tá sendo injusto, né? Todo mundo sabe que ele teve um ataque epiléptico. Isso, isso, isso. Na frente da população.
Aí o corpo dele foi jogado na Praça Vermelha com uma máscara gigante de bobo da corte, amarrada no pescoço dele, assim. Pra ele ser bem reticularizado mesmo. A galera foi com muito ódio dele. Só que... Era a maior zoação, hein? Maior zoação do século XV.
Era uma palhaçada Só que daí quando fizeram isso Começou a dar uma geada muito forte Começou a gear Moscou Todo mundo ficou desesperado Como assim desesperado? Não neva lá? Que porra é essa? Não, começou muito forte, muito fora de época Uma geada muito, muito, muito intensa E todo mundo começou a falar Caralho, uma geada não cai Nós matamos o cara que era um feiticeiro Ele vai voltar dos mortos Nós assumiram que ele ia voltar dos mortos E aí pegaram o corpo dele Essa galera assume coisa muito fácil, né?
É, então. Céculo XVII, né? Ninguém assumiu que eles só estavam se fudendo porque eles foram os filhos da puta, não, né? Porque o cara era gente boa. Daí, eles pegaram o corpo do cara, cremaram, misturaram as cinzas dele com pólvora, botaram tudo dentro de um canhão enorme e atiraram na direção da Polônia.
Meu Deus. A mensagem fica bem clara. Galera, é o seguinte, se vocês, por acaso, por engano, matarem um feiticeiro, vocês já sabem como fazer, então. É, tá, já. Exatamente. Agora você só tem que descobrir pra qual direção fica a Polônia. O importante é a atenção, amigo, que nem meca.
Aí, um cara, um nobre chamado Vasily Schwissky, que era... Caralho! Um dos caras do alto escalão da nobreza russa assume o trono. Beleza. Ele fala, galera, esse cara era mentiroso, o Dmitry sou eu. É, vocês são o único jeito. Um ano depois, em 1607, aparece um outro cara dizendo que é o Dmitry. Ele é o Dmitry.
O cara falou isso, a galera puxou o canhão. É uma tradição anual na Rússia. Todo ano aparece alguém dizendo que é o Dmitry. Realmente, hoje em dia tem, né? Esse cara ficou conhecido como falso Dmitry II. Esse a gente não sabe o nome. Que escroto. Só que esse daí a gente não sabe quem que era direito, porque a gente não tem registro histórico recém. Pode ser realmente o Dmitry, então. Não. E aí o que a gente sabe é que parece que ele era um impostor sendo regido por algumas forças imperiais. Ou seja...
O Vasile, que assumiu o trono, era esse burguês que assumiu o trono, esse nobre, ele tinha alguns inimigos dentro da nobreza. E aí esses inimigos meio que pegaram esse cara como fantoche pra tentar botar ele no poder no lugar desse Vasile. E falando que era o Dmitry de novo, entendeu? Mas aí já passou, né? O cara tá tentando dar o golpe do bilhete premiado duas vezes, é foda. Duas vezes, é. É, não vai passar. Depois que passou no fantástico, do cara tá tentando... O cara que conseguiu dar o mesmo golpe duas vezes era a minha história daí.
Só que esse cara era o oposto do primeiro Esse cara era um grosseiro, era um estúpido Ele era um bárbaro, assim Cara muito escroto Mas ele aceitou fazer esse papel Ele aceitou se fingir de Dmitry Pra tentar conseguir o poder Mas ele não conseguiu, né? Calma
Não, não é possível. Não, não, não. Eu não acredito nisso. Ele reúne com parte da nobreza, que era essa parte da nobreza rebelde. Ele reúne forças e em 1607 ele marcha pra Moscou. E... Não, mentira, em 1608 ele marcha pra Moscou. Só que ele chega em Moscou e dá um...
Pega pra capar do caralho, dá uma briga do caralho Ele não consegue tomar Moscou E ele fica meio fodido, assim As tropas dele não conseguem ganhar e ele tem que recuar Aí ele recua pra uma cidade chamada de Tuxino Que é uma aldeia do lado de Moscou Pertinho de Moscou E aí ele falou assim Bom, já que eu não posso tomar Moscou A capital agora é Tuxino Porque eu sou o Kizar e eu faço o que eu quiser
E aí ele começou uma corte própria na cidade do lado, começou a fazer distribuição de cargo, começou a fazer concessão de terra, nomear governador, abriu uma corte e começou a dar decisão judicial. Só que isso tudo com a capital em Moscou ainda funcionando. Então, por esse tempo, a Rússia estava com duas capitais, uma oficial e uma paralela, uma do lado da outra. Só que eles não...
Eles não conseguiam um aniquilar o outro, porque eles estavam com forças neutras, assim. Então, tipo, um não tinha força pra destruir o outro, então ficou meio que os dois ao mesmo tempo acontecendo. Caralho. Só que daí o que acontece? Tem duas capitais das cidades, uma em cada cidade. E as pessoas, a população, os nobres, não sabem.
Não sabiam quem que ia vencer essa disputa, né? Não dá pra dizer se a capital ia ficar em Moscou ou se ia pra Tuxino mesmo. Então as famílias aristocráticas começaram a mandar um representante legal pra Tuxino só por preocupação, né? Vai que... Só que isso acaba dando legitimidade pro regime de lá.
E aí as coisas foram ficando cada vez mais legítimas. E aí começou, tipo, a ter dois governadores por lugar. Dois, entendeu? Dois representantes por província. E cada um dava uma ordem diferente. O país virou um caos. Fudido. O que é isso? É a vinheta? Ah, sim.
Show do intervalo. Aí o que acontece? Eles estavam... Esse Dmitry II, falso, ele estava trabalhando, né? Para dar legitimidade para a capital dele. Para dar legitimidade para ele. Então, o que ele fez? Ele mandou buscar a viúva do primeiro Dmitry. A Marina, a polonesa. Lembra dela? Caralho. Boa, isso aí vai dar merda, hein? Então... Ah, tá, tá. Do primeiro Dmitry, falso. Eu achei que era o primeiro moleque de oito anos que tinha vinte de beijo.
Não, não, não. Ah, tá. Ele achou que ele estava vivo ainda. Que realmente não tinha vinte.
Não, você é viúva, né? Mas eu achei que o moleque tinha uma mulher com oito anos. Eu não tava confuso. Cara, não aprendeu a lição, hein? Vai acontecer de novo essa porra. Aí a mulher chegou lá na corte porque ela ainda era uma voz política muito relevante na Rússia. Todo mundo conhecia ela. Então a palavra dela tinha valor. E aí a gente tem relatos dela chegando na corte e encontrando esse cara. Chegando em Tuxina e encontrando esse Dmitry Falso.
E aí a reação dela, segundo a testemunha primária que a gente tem, ela ficou horrorizada com a aparência do homem, tirou um punhal e gritou, eu prefiro morrer. Caralho! Isso! Que absurdo! E tentou se matar, só que antes dela se matar, veio um guarda e deu um tackle nela. Derrubou ela no chão, pra impedir que ela se matasse. E essa é a história do surgimento do futebol americano, galera. Isso!
Aí ela começou a tentar escapar e o guarda segurou ela e tiveram que, tipo, dopar ela. E aí ela foi... Caralho, que música? Qual que é a aparência? Tem no Google a aparência desse cara? Porque não é possível. Não tem, não tem. A gente não sabe nem o nome dele. Aí ela foi acalmada, negociaram com ela e conseguiram convencer a mulher. E aí o que ela fez? Ela casou.
Um cara reconheceu que ele... Reconheceu o poder dele E ainda declarou que ele era o primeiro Dmitry Que tinha voltado à vida Não era o outro Ele era o anterior Ah, eles não meteram que ele não tinha morrido Eles meteram que morreu, mas voltou É, Jesus Cristo Por isso que ele era feio Ele estava em decomposição O cara que tinha sido disparado no canhão Voltou à vida De algum jeito Ah, esse, cara Ah, entendi Ah
É, então deu três dias e ele voltou, pô. Isso. E aí ela ainda tinha uma expectativa de ser de Sarina, né? Essa mulher tá... Ela é a mais esperta dessa galera. Tá jogando um jogo muito estranho, né? Daí agora o Dimitris Falso 2, segundo...
Ele tava com tudo funcionando na corte paralela. Ele tinha a mulher original. Ele tinha todo um aparato político funcionando. E o exército dele tava crescendo. E a Rússia, com dois Kizáris, um em Moscou e um em Tuchino. E os nobres circulando entre os dois, tentando descobrir quem que vai ganhar. Tava numa situação tão insana que Moscou decide juntar todas as pessoas que tinham possíveis pra lutar. Fazer uma última investida pra tentar destruir...
o Dmitry, o segundo Dmitry. E eles conseguem. Eles invadem Tuxilo e matam geral. E rola um genocídio, assim. Todo mundo se mata e eles conseguem matar o cara. Eles matam a mulher que resolvem o problema. Aí o que acontece? Com o Dmitry morto, a Rússia... Um ano depois... A Rússia...
ficou sem comando oficial. O primeiro Kizar, o Kizar da nobreza lá, morreu nessa brincadeira também. E aí os suecos invadiram. Aí chegou. Esse aí é aquele quarto filme depois da trilogia, né? Isso, isso. Não faltou ideia, os caras estão tendo que... Pô, temos que começar uma trilogia nova, o que nós vamos fazer? Suécos, puta.
Os suecos invadiram no norte e os poloneses começaram a zoar e tentar invadir Moscou. Começaram a zoar? Como assim começaram a zoar? É, foi zoar, porque tava tudo um caos. Ai, vou invadir, hein? Tava tudo um caos. Seus atalhos, vodka polonês é melhor que vodka russo. Durante todo esse processo que tava acontecendo, o Império Russo tava realmente indo pro caralho e ia ser apagado. Ah, o Império Russo ia deixar de existir. A alta burguesia, né?
A nobreza russa se reúne, o que restou dela se reúne Pra eleger, tentar botar alguém no poder pra resolver o problema E aí eles escolhem um adolescente de 16 anos Chamado... Chamado Dmitry Mikhail Romanov E aí... Mikhail os butiá do bolso Mikhail os butiá do bolso
Mikhail Romanov. E aí o Mikhail Romanov Grande, grande. Ele resolve tudo. Ele consegue reparar tudo, ele consegue restaurar o poder, ele para os suecos, ele para os poloneses, ele faz um trabalho tão foda. E a nossa próxima história é só no século XX. Exatamente. A dinastia Romanov fica no poder por 300 anos até encontrar o seu fim na Revolução Russa de 17, que todo mundo sabe o que aconteceu com os Romanov. É isso, essa é a história que eu trouxe hoje. É, eles tiveram um ataque epilético, né? Isso, isso.
A nossa história começa nas terras altas escocesas. Musiquinha, Pedro, musiquinha. Ah, com certeza. Toma aí. Bota uma gaita de folha aí, gente marchando. Eu vou botar aquela... É Mongolian Throat Singing? Não, isso não é terras altas escocesas. Você fez o oposto. Não é, não tem nada a ver, Pedro. É. Ai, meu Deus. Eu vou colocar aquele samba de gafieira. Tem muito a ver.
Funk aí. Bota Madagascar do... Marcelinho, mexe bala, vai! É o som do milênio. Madagascar do Edilão. Essa história aconteceu até 1016, está valendo. O nosso protagonista, o nome dele é Gregor Magregor. Caralho. Muito foda.
Foda o nome dele. É parente do Conor, né? Esse cara, ele nasceu no século XVIII na Escócia, em 1786. E ele carregava o nome histórico, né? Gregor. McGregor. Que é um clã famoso na Escócia. Que vai ser uma pequena nobreza, digamos assim. Calma, o nome do clã é Gregor McGregor? É, só que esse clã dele era um clã que estava meio em... Cagou pra mim. Tinha caído em desgraça. Porque eles participaram de umas revoltas dos jacobinos lá em 1700 e caralho.
Aí, o avô dele que recuperou, meio que, tipo assim, reviveu o nome do clã, servindo no exército britânico. E aí, ele meio que conseguiu recuperar a reputação do clã dele, né? Aí, esse cara nasceu nesse contexto. E aí, a família dele colocou ele no exército inglês.
Ele acabou no Regimento 57 da Infantaria do Exército Britânico com 16 anos. 16 anos era o limite, a idade mínima para tu se alistar. Aí, nessa época, o Exército Britânico tinha um seguinte esquema. Ele era muito meritocrático. Você podia esperar o tempo para se alistar ou para receber uma promoção, ou você podia comprar a promoção.
Para poder rolar antes. Então, eles compraram um posto para ele. A família dele comprou um posto para ele no exército britânico. E aí, ele começou a servir. Era um posto foda, né? Não, era um posto meio bosta. É, Petrobras, Petrobras. Postinho, postinho. Porque era no começo. Ele tinha 16 anos.
É um postinho da 3100. Não é um posto na BR, é um posto na cidade. Entendi, entendi. Aí, o que acontece? Ele começa a servir no exército e tal. E aí, ele vai comprando os postos. Mas um deles, ele consegue por, de fato, mérito. E ele acaba casando com uma mulher chamada Maria Bowater. Que era uma herdeira rica. Maria Águas Boas.
E aí, através dessa mulher, que ela tem muitos contatos, ela é prima de general, filha do capitão, não sei o quê. Esse cara, ele entra na alta sociedade de Londres. E aí, ele meio que pega um gostinho desse poder, desse luxo, né? Só que aí, qual que é o problema? A mulher dele morre, cara.
Logo em seguida. Ah, rápido? Morreu com, tipo, 20 e poucos anos? Sim, ele fica casado, ele casa com ela. Epilético, teve ataque epilético. Isso, por acaso. Brincar com facas é perigoso, criança. Ele casa com a mulher, aí tem aquele, pô, aquela vida de luxúria ali. Lua de mel ali. É, o cara vive no bem bom e aí ela morre um ano depois. E aí ele pá, ele fica fodido, né, cara? Pô.
Eu também ficaria. É, é. Chorando com uma casa imensa na alta sociedade. Ah, muito triste, meu Deus do céu. Aí ele começa a... Pô, o cara começa a acumular dívida. E aí, pô, é uma burocracia do caralho. Ele tá meio que sem perspectiva ali no exército, porque ele perdeu os contatos, né? Aí o que ele faz? Ele vende a patente dele. Ele meio que pega o dinheiro de volta que ele usou pra pegar as promoções.
E aí ele pensa... Ah, tem como tu fazer isso? E como tu ser rebaixado também? Vendendo? Não, ele pega, ele pede dispensa do exército. E aí ele pede o dinheiro de volta. E aí ele pega o dinheiro de volta que ele gastou pras promoções. Ok, ok. E aí ele pensa, pá, esse velho mundo aqui não tem oportunidade pra vir. Sabe pra onde que eu vou? Eu vou pro novo mundo. Eu vou pra América do Sul. Vou pra Santa Catarina. Meu Deus do céu! Aí... Blumenau.
Tipo, talvez esteja em Jaraguajo, em Vili, Blumenau. Ele cantou essa música. Nessa época, na Europa, tá rolando as Guerras Napoleônicas, 1811. E na América do Sul, tá rolando a Revolução e a Libertação das Repúblicas ali na América do Sul. Principalmente na Venezuela. Aí, tipo assim, na América do Sul tem mais caos, tem mais possibilidade de...
E tu, tipo assim... Meteu o louco ali. A tua ambição te servia alguma coisa, né? Tu conseguir fazer algo, né? Esse cara, então, ele desembarca em 1802 na Venezuela. E aí, ele não sai desse barco aí. Ele não desembarca como se ele fosse um cara que vendeu a patente, que é um bosta. Caralho! Agora eu fechei quem é. Eu tô ligado quem é esse cara.
Eu já vi a história dele. Agora que eu me liguei quem é. Mas tá bom, vai lá, continua. Esse cara, ele sai do barco como Sir Gregor McGregor. Um baronete da Inglaterra. Caralho. Que está na Venezuela para libertar a Venezuela. Caralho.
Ele é um veterano de guerra foda. Essa é a história que ele conta. Aí, quando ele chega em Caracas, recém aconteceu um terremoto, cara. E tá tudo um caos. Prédio ruim, um monte de gente morreu. E aí, ele sobrevive e ele usa esse pânico pra se infiltrar no comando do republicano que tá mandando em tudo lá, que é o Francisco de Miranda. Esse cara, depois, vai sair ele e vai entrar o Simon Bolivar, no nome dele. Aham. Caralho. No lugar dele.
Entendeu? Então esse cara é o cara que mais manda em termos de revolução e república na América do Sul. É esse cara que manda. Aí, olha só o que ele faz. Ele manda... Basicamente, ele seduz e casa com a Josefa Aristegueta, que é a prima do Simon Bolívar.
Meu Deus. E aí, ele basicamente vira uma parte, assim, da família real da Venezuela ali, entendeu? Esse cara, supostamente, ele era corajoso. Ele meio que se jogava na frente de todo mundo. E ele conseguia, tipo, adquirir uma moral com a galera por causa disso. E...
O batalhão que ele participou no exército britânico, depois, ficou com uma fama fodida. Por quê? Porque em 1816, nas guerras peninsulares, que são parte das guerras napoleônicas, o batalhão que ele fazia parte, que ele saiu, ele saiu desse batalhão justamente porque ele meio que brigou com os chefes dele, sabe? Com os caras da patente alta.
Esse batalhão é cercado pelos espanhóis E eles meio que fazem uma Cara, eles fazem Eles basicamente cunham o termo Die Hard Que é duro de matar em português Hoje em dia, quando você tem muita convicção E você não muda suas ideias E você tá disposto a morrer pelas suas ideias Você é um Die Hard Die Hard conservative
Que se chama hoje, né? E aí esse batalhão fica conhecido como os Die Hards. Aí ele vem desse batalhão dos Die Hards, que é, porra, famoso, foda. E aí ele recebe do Miranda basicamente um batalhão de cavalaria pra ele ser um coronel ali na Guerra da Venezuela. Aí ele vai tocando isso aí e em 1816...
o batalhão dele acaba meio que tendo que fazer uma retirada. E aí ele desempenha muito bem. É uma retirada épica e ele consegue... Pô, passa por pântano e ele demora 30 dias pra retirar o exército dele do lugar e ir pra outro local porque os republicanos estão perdendo a guerra nessa época. E aí ele tem que pegar e... Pô, pegar o exército dele ali, que são mil e poucas pessoas, e mover de um lado pro outro da Venezuela com o exército...
Os realistas ali, como é que é realista em... Tipo, royalist em português. Realistas. Realistas. Ou lealistas, né? E os realistas estão na cola dele. E aí ele consegue fazer isso. E ele chega lá em Barcelona da Venezuela, que é o nome da cidade. Barcelona de Guayaquil, né? A gente tem o famoso. Isso. Quando ele chega na cidade lá...
Cara, ele é muito foda. Porra, esse cara é muito foda. Ele é promovido a general e tal. É muito louco, né? Os caras demorarem 30 dias para mover um exército. Tipo, hoje em dia isso seria absurdo. Aí o que acontece? Ele tem meio que uma desavença com o pessoal ali na Venezuela. E ele acaba indo para os Estados Unidos. Ele tenta financiar uma invasão privada da Flórida.
E ele tem uma fama dos Die Hards e de ser revolucionário na Venezuela, né? Então ele meio que vende títulos de terra na Flórida, que ele não tem ainda. Mas, tipo, pra financiar a campanha, ele basicamente tá falando o seguinte. Olha, você me dá dinheiro, eu vou conquistar a Flórida e um pedaço da Flórida será seu. Essa é a sua aposta.
Esse cara queria se incomodar, tá ligado? Ele não conseguia ficar quieto. Ele queria achar problema pra vida dele. Aí, ele consegue lá uns 150 caras pra invadir a Flórida. E ele invade um povoado na Flórida. Basicamente, a guarnição se rende, porque eles acham que ele tem uma galera muito maior do que ele tinha de fato. Basicamente, era igual, tinha 150 no forte, e 150 com ele. Só que eles achavam que era muita gente, porque o cara era...
Pô, se esses caras estão aqui, estão tentando invadir o nosso forte, deve ter gente pra tentar, pelo menos, tomar o forte, né?
Era só um blefe fodido, né? Aí, imediatamente, ele conquista o forte e ele se declara, basicamente, uma republiqueta na Flórida, que ele é o chefe de estado. Aí ele, pá, começa a confiscar posse, confiscar escravo, vender escritura. Confiscar as terras que ele vendeu, né? É, ele...
Ele declara uma república, ele cria uma bandeira, ele faz um monte de coisa. Aí, os espanhóis, que na época a Flórida era dos espanhóis, eles chegam pra retomar a porra da ilha, que ele conquistou uma ilha, basicamente, na Flórida. E, cara, quando chegam os espanhóis, ele junta o ouro todo e ele vaza, e deixa os caras dele pra morrer.
Ele espera chegar a noite e bota todo o dinheiro num barco e sai vazado, né? Um detalhe, o título que esse cara conseguiu na Venezuela é Aníbal da Cartago Moderna, porque tem nova... Tem nova cart...
Isso, Nova Cartagena. Isso, exatamente. Pra vocês verem como esse cara é bom de papo. Eles dizem que esse maluco, no exército inglês, ele era... Ele proibia todo mundo de não sair... De sair da tenda sem uniforme. Todo mundo, pra fazer qualquer coisa, tinha que usar o uniforme completo, com todas as medalhas, com tudo que tinha. E ele também fazia isso. Então esse cara era muito pomposo. Ele, tipo, se vendia muito, como se ele fosse muito foda.
assim, né? Bem ou mal, ele era, né? Porque ele conseguiu fazer uma porrada de coisas. Aí, depois desse esquema todo da Flórida, da merda, ele faz... Ele fica um tempo offline, assim, não sabemos o que ele fez. Ele estava no Caribe fazendo coisas. Ele estava gastando o que ele levou da Flórida. Ele devia estar comendo muita puta e bebendo muito. É, estava zoando. Em 1820, ele aporta na costa dos mosquitos, em Honduras.
E lá, ele senta com o rei da Costa dos Mosquitos, que é o rei George Frederick Augustus I, que é o líder de uma tribo local. E qual que é o esquema? Esse rei da Costa dos Mosquitos aí, ele é como se fosse um protetorado britânico ali, que os britânicos dão o título de rei pro cara pra ele ocupar a terra e não parecer que é de ninguém. Mas esse cara, rei da Costa dos Mosquitos, ele é como se fosse o líder de um conjunto de escravos que fugiu ali, entendeu? Mh-hm.
Então, tipo assim, ele é rei Frederick George, não sei o que, o cara da 4, mas ele é porra nenhuma. Ele é o rei da merda, é isso. É, aí, o que que acontece? Rei dos mosquitos, rei dos mosquitos, isso. Ele matou todos os mosquitos, né? O nosso grande Gregor, ele vende, na verdade ele troca um monte de garrafa de rum e joia de latão por, cara, uma quantidade enorme de terra na costa dos mosquitos.
Só que é completamente inútil. É tipo um pântano fudido a terra inteira. São 8 milhões de acres de pântano. Aí, esse cara, tipo, ele vê... Eu acabei de comprar um monte de bosta aqui. Só que aí, ele lembra o que ele fez na Flórida. Ele vendeu, não a terra, mas uma promessa da terra. Entendeu?
Aí ele pensa, eu não preciso vender aqui os lotes de terra nessa porra aqui. O que eu vou vender é uma nação que existe na costa dos mosquitos. Aí ele se auto-intitula o cacique, ou cacique, da costa do estado independente de Poié, ou Poiá. E aí ele volta pra Europa. Basicamente ele se auto-declara o líder dessa porra, desse pântano fudido e volta pra Europa.
É P-O-Y-A-I-S. É, acho que é P-O-I-E a pronúncia correta. Aí, cara, ele chega em Londres em 1921 e tá uma euforia fodida porque Napoleão foi derrotado. E o pessoal que tava guardando dinheiro até o fim da guerra do Napoleão, agora, pô, liberou geral. O que der pra investir, nós vamos investir. E aí, o que ele faz? Ele pode aí falar...
Aí o que ele faz? Ele abre embaixadas de Poie em Londres e Edimburgo. Ele cria bandeira, ele cria abrasão de armas, ele cria constituição. Ele cria a faixa da Ordem da Cruz do Carvalho de Poie. Ele faz mapa. O maluco é o maior designer da história. Cara, ele escreve um livro sobre um pseudônimo, sobre um capitão que viu Poie e viu como era foda e como era rico.
Ele contrata uma puta de uma gráfica pra desenhar os dólares de Poeia e imprimir. Botar a marca d'água e o caralho a quatro. E aí, cara, ele começa o plano dele. Ele lança uma oferta na Bolsa de Valores de Londres de títulos da dívida de Poeia. Ele foi o primeiro corretor. Caralho. Velho, velho. Caralho. Aí tem tudo, né? Tem guia turístico, tem livro, tem... Porra, cara, como que não vai existir esse lugar? Ele enrola todo mundo daí, né, cara? Tem bandeira.
Ele diz que tem grandes avenidas, um clima ameno, não precisa de casaco, tem teatro de ópera, o governo é democrático. É tudo uma maravilha, em poeira. E aí, cara, ele começa a vender pra todo mundo, não só quem é rico. Ele começa a vender pros sapateiros, médico, músico, todo mundo, cara.
Poie é uma terra de oportunidade. E você só precisa ir pra lá. Aí, ele convence uma galera a embarcar em direção ao Poie. Só que antes do pessoal ir, o que ele fala? Ele mete o seguinte. É perigoso tu viajar de barco. Por que tu não deixa o teu dinheiro aqui comigo em libra? E lá, quando tu chegar lá, tu vai ter os dólares de Poie? Meu Deus. Gênio, gênio. Aí o povo zarpa. 250 colonos zarpam.
Em direção à casa do caralho, né? Sem dinheiro nenhum. Aí, pô, cara, essa viagem é muito foda, porque o pessoal vai mudar de vida, né? Então, pô, no barco tem jantar, tem brinde, todo mundo se veste do uniforme da marinha de Poie. Pô, todo mundo pensa assim, pô, tu vai ser o prefeito, eu vou ser o vereador. Pô, vai ser muito foda.
Aí, cara, quando eles chegam lá, o barco não tem uma coordenada, assim, para dizer onde vai desembocar, porque não tem nada. Vai chegar num pântano. Aí, eles chegam lá, é uma selva fodida. Uma selva do caralho. Imagina essa galera, né? A galera chegando depois de um mês de viagem, né? Dois meses de viagem. Sim, bêbados, bêbados. Porra, é muito foda.
Eles desembarcam todo mundo na areia e veem que tá vindo uma tempestade, cara. E aí, cara, eles pegam isso, uma âncora e vazam pra se proteger da tempestade. Aí, nas primeiras 48 horas, é caos e destruição, cara. Todo mundo pensando, cadê a cidade? Onde que nós estamos? Não tem nada, cara. E aí tem gente que fala, não, é só a gente ir ali, vamos ver ali, vamos andar. Atrás do próximo morro é poeia, a gente só caiu no lugar errado.
Aí, finalmente, o rei indígena que vendeu as terras, ele aparece na praia, e aí o pessoal mostra pra eles, né? Ó, tá aqui meus papéis, onde é que é a cidade? É muito foda aí. Aí ele fala... É aqui. Cara, não tem nada aqui, e dinheiro não vai comprar nada aqui, vocês estão fodidos. E ele vai.
Aí, cara, chuva do caralho Até porque os barcos vazaram Esses caras tão se fudendo na chuva, cara Acampamento improvisado Tenda de lona Lama sal do cacete Enquanto isso, em Londres O aluno tá bebendo Esse cara em Londres, ele tá rico, mano Ele tá andando de carruagem na rua Meu, muito foda
Tudo apodrecendo em Poielli, os mantimentos. Os caras estão morrendo de malária à torto e à direita. O sapateiro, ele vira o coveiro, ele tem que ficar cavando cova. Meu Deus. Aí, o líder dessa expedição, ele não aguenta. Se sente muito, muito absurdamente mal por causa disso. E aí ele se mata.
É terrível, é terrível, é um desastre terrível. Aí, 250 colonos, cara, volta menos de 50, cara, para Londres. Conseguiram pelo menos voltar. Eles conseguem voltar porque passa um navio chamado Mexican Eagle e ele vê as fumaças na praia e eles decidem investigar. Eles falaram, galera, eu ouvi falar, será que é ali que é poeia? E aí eles foram em perigo.
ele chega na praia e o acampamento dos caras, meu, parece... Lost, né? É! Tá todo mundo muito magro, tudo destruído, terrível. Aí a notícia finalmente chega a Londres, né? Massacre dos inocentes que deveriam ter chegado, né? Em Poirier. E eles exigem a cabeça do...
Do Gregor, né? Só rapidinho, como é que você escreve esse poié mesmo? Porque eu quero ver essa merda desse país. P-O-I-Y-A-I-S. Não existe o país, Pedro. Você é igual é. O Pedro caiu aí. O Pedro caiu 300 anos depois. Não, mas não virou nada essa merda depois? Não teve merda? Os caras explodiram essa bosta? O cara não é bom mesmo. É Honduras, não é?
Só que aí, cara, vem a cartada máxima, cara. Porque é o seguinte, ele vendeu tão bem que alguns dos sobreviventes ainda acreditam, cara. E eles falam que a culpa é do dono do barco. Capitão? Dos capitões do barco, que largaram eles no lugar errado. Caralho! Então, não é claro.
Que ele fez merda. Tem facções. Então ele não se fode imediatamente por causa disso. Ele só foge de Londres porque as famílias querem matar ele. Não porque ele está sendo procurado pelo Estado, entendeu? Aí ele chega em Paris. E você sabe o que ele faz em Paris? O que ele faz em Paris? A mesma coisa. Ele abre mais uma embaixada de conversa de títulos.
É um gênio. Cara, ele só começa a se fuder de fato quando o governo francês começa a checar os passaportes dos colonos. Porque aí eles conseguem identificar, verificar a documentação e ver que de fato é mentira, né? E ele é preso. Só que aí, cara, ele é muito bom de papo. No tribunal, ele dá nó em todo mundo, cara. E ele é absolvido de todas as acusações de fraude em Paris. Aí ele passa mais uma década pulando de capital em capital na Europa fazendo a mesma coisa.
Meu Deus. Só que chega um momento que todo mundo sabe quem ele é. Não tem mais como. Aí, o que ele faz? Em 1838, ele decide finalmente voltar para casa, né? A Venezuela.
O Bolívar morreu e a briga dele principal era com o Bolívar. Tá. Pessoa boa pra brigar, é. Bem, bem, instituição. Tanto o general quanto o zagueiro do Inter. Qualquer um dos dois é foda. Quando ele chega na Venezuela, o Bolívar morreu. E o governo é basicamente os caras que eram parça dele no exército. Então, ele não menciona Poirier. Ele não fala nada depois de 1817. E ele fala, porra, eu fui um herói nacional aqui na Venezuela, hein.
Por que vocês não me liberam aí um faz-me rir? Aí, cara, a Venezuela atende o pedido dele e ignora completamente tudo o que aconteceu acima ali do México. E ele recebe uma patente de general do exército, décadas de pagamentos retroativos e uma pensão vitalícia do Estado venezuelano.
Meu Deus do céu. Aí ele basicamente vive o resto da vida dele rico em Caracas. E é isso. Ele morreu com tipo 50, 60 anos em Caracas. Eu conheci a história desse cara já. Eu já tinha ouvido essa porra, mas é muito absurdo, cara. O cara, ele conseguiu. Ele foi sepultado com honras, marcha frunibre, tiro de canhão, na catedral de Caracas e eu achei ele ainda muito foda em Caracas.
Vocês têm que admitir que esse cara venceu, entendeu? Ele venceu mesmo, cara. Não importa o que ele fez, ele venceu. Ele é muito foda. Impressante. O cara realmente enganou tudo e todos. Meu Deus. Grande general. Pô, mas ponhar é um nome muito ruim para o país. É melhor do que Costa dos Mosquitos, né?
A gente podia fazer um país fictício chamado de Ipoyé, né? Isso dá uma pauta, hein? Eu pensei em pronunciar Poá só para vocês fazerem uma piada, tá? Mas eu cheguei à conclusão de que não valia a pena. De Porto Alegre? É, exato. Ele inventou Porto Alegre, mano. Infelizmente, o Porto Alegre existe, Victor.
Vou te vender. Então compra aqui, ó. Vou te vender aqui um título da dívida de Porto Alegre. É, Porto Alegre existe em outros países, né? O Rio Grande do Sul realmente é a costa dos mosquitos do Brasil.
Ah, eu sou o novo Boris, né? Não é, Dmitry, porra, errei. Eu sou o Boris da nova geração. Eu sou o Jonathan da nova geração. Bitchbox.