EP 66 - SYSTEM OF A DOWN: SOBRE O QUE FALA O PRIMEIRO ALBUM DA BANDA?
No episódio de hoje do Em Síntese, mergulhamos nas vísceras ideológicas do System of a Down para entender como uma das bandas mais contundentes da história do metal lida com suas próprias fraturas internas. Analisamos o distanciamento entre o grito de protesto que definiu uma geração e as posições políticas atuais de seus integrantes, investigando o quanto o discurso individual de alguns membros parece colidir de frente com as letras que criticavam o imperialismo e o controle social. A discussão passa pela tensão entre Serj Tankian e John Dolmayan, questionando se a arte sobrevive quando o autor caminha para o lado oposto da trincheira que ele mesmo ajudou a cavar. É uma reflexão profunda sobre a morte do autor, a apropriação da obra pelo público e as complexas dimensões políticas que transformaram o SOAD em um campo de batalha ideológico. Aproveite para se inscrever no canal para acompanhar nossas análises semanais sobre geopolítica e cultura e não deixe de comentar como você enxerga esse abismo entre o microfone e a rede social.#SystemOfADown #SOAD #Política #Podcast #EmSintese #RockEPolitica #SerjTankian #JohnDolmayan #SociologiaDaMusica
- Análise do primeiro álbum do System of a DownManifesto político e musical do álbum · Interpretação das letras e traduções · Sonoridade única da banda · Comparação com Rage Against the Machine e Slipknot · Evolução da banda e divergências internas · Genocídio Armênio como causa comum · Crítica ao capitalismo e ao estilo de vida rockstar · Manifesto na contracapa do álbum · Uso de pôster antifascista na capa · Crítica à religião e aos religiosos · Crítica à guerra e ao uso da religião para justificá-la · Crítica à mídia e tecnologia como controle de massas · Metáfora do chip no cérebro e controle governamental · Medo do número da besta e controle por microchip · Importância do System of a Down na formação de caráter · Potência vocal e revolta de Serj Tankian · Mensagens políticas atemporais da banda · Diferença entre arte e produto musical · Angústia e revolta individual em bandas de New Metal · Transição do estilo de vida rockstar · Subversividade e proibição de shows do Rage Against the Machine · Mudança do nome da música 'Suicídio' para 'Chop Suey' · Divergências ideológicas e políticas entre os membros · Posição política de Serj Tankian e Tom Morello · Posição política de Daron Malakian e John Dolmayan · Crítica ao 'extremo centro' e à neutralidade política · Oportunismo e capitalismo na indústria musical · Música 'Suggestions' e luta de classes · Música 'Occupy Tears' e a questão palestina
- Obras de arte e sua capacidade de atravessar décadasArte como agente de mudança social · Diferenciação entre arte e produto comercial
- Nerdice e Cultura PopIntegração de cultura pop em análises políticas · Novos formatos de podcast · Análises objetivas e de obras com relevância
- Angústia e revolta individual em bandas de New MetalObras de arte como expressão de angústia individual · Revolta contra a sociedade exploradora · Histórias de vida difíceis dos músicos · Abuso infantil e uso de drogas como fuga da realidade
Estamos de volta com mais um episódio aqui do nosso podcast em síntese. E hoje, eu e o Chai, a gente estava comentando sobre fazer um episódio que meio que relembra um pouco daquilo que a gente fez anteriormente sobre cultura pop e introduzir essas ideias da cultura pop dentro de contextos analíticos de política, né? E o Chai fez essa proposta de a gente falar sobre um álbum em uma banda específica.
Pra gente poder discutir esse formato que a gente tá criando, que a gente tá tentando pensar em novos formatos aqui pra vocês. E hoje a gente vai falar sobre o primeiro álbum, e da banda em si, né, do System of a Down. Eu acho que é interessante, né, Tchai? Porque o System, pelo menos pra mim...
Ele foi uma banda que mudou bastante minha juventude, assim, pelo fato do conhecimento do que os caras estavam fazendo, as ideias dos caras e a exposição também deles nessa relação de música e política e crítica, né? Não, total, né? E a gente vai falar de... Pra não falar de política, vamos falar de política. Exatamente. Mas a ideia também é a gente fazer...
essas análises, o EnSintes é um canal de análises mais objetivas, mas também sobre outras obras, obras de outras áreas, não só na análise do acontecimento político cotidiano, mas também obras que tiveram alguma relevância. E aí eu sugeri a gente falar desse primeiro álbum do Sistema Fodal, porque eu vejo ele
como um manifesto político. Eu considero esse álbum um manifesto musical, assim, foda. E assim como você, meu Jorge, eu acho que a minha consciência política começou a ficar mais aflorada a partir do momento que eu passei, coincidentemente, pode ter sido influência ou não, mas a partir do momento que eu passei a escutar,
o Sistema Fodal, ali no começo dos anos 2000, 2002, 2003, e atrás das letras, porque como eu não sabia inglês, eu tinha que dar uma pesquisada na tradução pra saber do que os caras estavam falando. E se você para pra pegar as letras desse primeiro álbum especificamente, às vezes é difícil você entender do que os caras estão falando. Eu não sei se você teve essa sensação quando você escuta e lê.
Hoje não, né? Hoje você é professor de inglês, você já escuta e já entende, eu também. Mas o que você pensa sobre quando você escuta o Sistema Fodal? Mano, eu acho que assim, né? Eu acho que primeiro é pensar na... Eu acho que na pessoa que eu era na época, né, mano? E o conhecimento disso, porque o que acontece... O que acontecia é que eu sempre odiei inglês, né? Mas eu gostava de rock. Então...
Eu juro pra você que não é uma parada nem do inglês em si, mas eu passei 99% da minha vida, e eu acho que ainda faço isso hoje. Quando eu escuto música, mano, eu não escuto a letra. Eu não escuto o cara cantar. Você vai na melodia só. Você acompanha melodias. Presta atenção mais na melodia. Exatamente.
eu tô prestando atenção na melodia, tá ligado? Então, tipo, a voz do vocalista, pra mim, é só mais um instrumento. É irrelevante o que ele tá falando. Eu vim aprender isso, ouvir mais esses aspectos, quando eu comecei a fazer engenharia de áudio, né? Que aí eu, tipo, parei pra ouvir mesmo, porque você precisa, né, diferenciar os diferentes aspectos de sonoridade que tem ali pra você poder editar, mixar, né, masterizar um som. Mas no System, pra mim, eu sabia que ele tinha já essa...
Como que eu posso dizer? Ele já tinha essa ideia de uma banda revolucionária que estava criticando problemas da atualidade. E eu acho que eu tive um incentivo, porque na época do ensino médio...
Tinha uma banda também de uns amigos que eles faziam cover de Sister, né? Então, o Sister acabou ficando mais presente ainda na minha vida por causa dessa relação, né? Essa relação de contato, não só com a música que eu escutava nas minhas horas vagas, mas também de ver meus amigos tocando, entendeu? Os caras iam fazer show, a gente assistiu os caras e tal. E é engraçado porque esses moleques, na época, né? Existia esse grupo de amigos que eles sempre estavam debatendo sobre...
Relação de política, desigualdade, criminalidade. Eram os papos que já rolavam organicamente entre esse grupo de pessoas. Eu acho que muito influenciado também por causa do que eles escutavam, né? Porque era isso, o Rei de Aguirre e o Semachina e tudo mais. Pode crer. Eu acho que o System of the Down, eu fico pensando, às vezes, é uma banda que ela não tem muito...
Ela não tem um paralelo, né? Uma outra banda que faça algo igual, né? Os caras têm uma sonoridade muito única. Eu tava pensando nisso, que outra banda, você pode dizer que é um concorrente, entre aspas, do System of Down, né? Porque, por exemplo, o Slipknot, você tem outras bandas com formação de 10, 11 caras, com máscaras.
E tem uma pegada próxima ali do estilo, né? Mas o System of a Down, ele não tem, né? Ele é uma banda que meio que corre sozinha. Quando você para pra pensar em outra banda que tá falando assim, você vai pra assim, ah, outra banda que fala de política, Reis de Aguens da Machine, né? Mas, sonoramente, as bandas são muito diferentes, né?
Você não tem uma banda que faz uma parada igual o System faz, eu acho. É, eu acho que aí, agora falando de bandas mesmo, né, eu acho que é uma parada dessa negócio de produto, né, e de como que essas bandas se organizam. Eu acho que o System e o Rage Against the Machine, nessa comparação que nós estamos fazendo, eles já são uma banda que foi pensada para fazer crítica. E isso tá exposto nas letras das músicas, né, isso fica muito evidente.
Que eles apareceram pra fazer crítica mesmo sobre a realidade a qual eles estavam inseridos. O Sleep é diferente, tá ligado? Ele tá falando de problemas que se conectam com os adolescentes, em grande parte, né? Mas o Sleep, ele já foi uma banda pensada em produto.
Eles não estavam tanto preocupados com a mensagem que eles queriam... Não tô falando que não tinha isso, né? Que não tinha mensagem que eles queriam passar. Mas a realidade era que eles queriam ter uma banda comercial, tá ligado? Então, é que o Slipknot também já foi pensado no lance da performance, né? Dos caras estar lá com o macacãozinho, com a numeração, a máscara, cada um tem a sua máscara estilizada. Eu acho que eles começam também já pensando nessa ideia de produto que você falou.
É, existia uma vontade de vender ali, né? Isso não era uma banda política, isso não era uma banda revolucionária, não era nada. Ele era tipo uma banda, uma banda, tá ligado? Os caras querem fazer sucesso, ficar rico e vender a... Viver a vida, né? Do... como eu posso dizer? Vida de rockstar. É, os caras querem viver a vida de rockstar, tá ligado? É, que eu acho que é uma parada legítima, assim. No mundo que a gente vive, é legítimo você escolher esse caminho.
Mas eu acho que fazendo esse comparativo com o System of a Down, o System não tinha coesão interna na banda para seguir esse caminho. Eu acho que no começo tinha, tá ligado? Nos primeiros três álbuns, que é o System of a Down, que é esse que a gente está trocando ideia, o Still This Album e o Toxic City.
Eu acho que até o Toxic City eles tinham bastante coesão interna entre os membros. Isso vai mudando para os dois últimos álbuns, o Hypnotize e o Mesmerize. Você vê que os caras começam a ter opiniões, principalmente opiniões políticas, bastante divergentes. É o caso do baterista, que teve uma época que ele apoiava Donald Trump. O vocalista, que é o Serge, ele sempre foi mais à esquerda.
Não um cara tão revolucionário, mas a visão dele sempre foi mais à esquerda. E até o Daron, até certo momento, o Daron também tinha uma postura mais à esquerda, mas eu acho que ele sempre foi esse cara meio apolítico, o cara que se coloca não como um sujeito político, mas como ele mesmo disse, um cara de extremo centro. Então, aí que é a parada, né? Eu acho que inicialmente existia...
O interesse, sim, eu acho que era um interesse em comum, tá ligado? De se falar dos problemas, muito porque eles estavam guiados sobre o genocídio armênio, né? Que rolou. É, exato. São todos armênios, né? Descendentes de famílias imigrantes armênicas. Então, existia essa parada, tá ligado? Dessa coesão por essa luta. Uma causa comum, né? Sim. Era uma causa comum. Então, a crítica social tava lá.
De uma certa forma. O grande problema é que essa parada, né? Tem até um parceiro que falou isso recentemente, que o rock é coisa de reaça. Mas por quê? Porque é essa ideia de que eles adquiriram uma certa riqueza e agora que você envelheceu, você não quer perder ela. Tá ligado? Você se transforma protetor daquilo que você adquiriu.
E aí os problemas alheios a você não interessam mais. Porque agora a sua preocupação é manter aquela riqueza. É, porque a posição social do cara também muda, né, velho? Você pensa, uma banda que começa ali no final dos anos 90
com uns caras que já não eram adolescentes, já estavam indo ali... Bom, o Serge já estava indo para a casa dos 30, mas o Daron, ele era ainda bem jovem. Mas eram uns caras que não tinham um estilo de vida que eles têm hoje, obviamente, né? A projeção da banda, o sucesso que eles fizeram, que é mérito deles, lógico.
fez com que eles alcançassem essa posição. Aí tem que se perguntar, faz sentido essas críticas que eles estão fazendo? E eu acho que é interessante ver o caminho que o Daron tomou nas músicas dele, quando ele fez o Scars on Broadway, que não tinha mais acordo entre o System of a Down, pra fazer um sexto álbum. E aí ele fez a banda dele pra continuar tocando. E você escuta o System of a Down ali, né? Mas eu acho que as letras ali...
já não tem a mesma qualidade da iPad System, porque não era ele que escrevia todas, né, era mais o, no começo era mais o Surge, inclusive, pra quem não manja aí do sistema Fodal, o racha dos caras foi também porque o Daron queria escrever mais, queria ter mais reconhecimento, e com isso você ganha mais, né, você toca, escreve e...
Quanto mais coisas você faz dentro da banda, maior é a sua porcentagem nos royalties, né? É mais ou menos assim, né, amigo? Não é, porque quando você escreve uma letra da música, a letra, né? Você já ganha 50% da letra, tá ligado? Você ganha 50% de tudo que aquela música gerar de dinheiro, 50% só vai pro cara que serveu a letra. E aí o resto é dividido entre os músicos que participaram na composição, numa gravação, tá ligado? Na composição da música.
Então, por exemplo, vamos supor, você escreveu a letra, mas você também ajudou na guitarra, eu desenvolvi o baixo a bateria, tá ligado? Você vai ficar com 50%, e os outros 50%, você vai ter 33% e eu vou ter 66%. Então você pegou 50...
mais esses 30% dos outros 50%. Entendeu? Então, você acumula mais dinheiro. Esse é um problema recente, até que foi discutido no documentário que saiu da Globo do Raimundos, tá ligado? Que isso, por exemplo, era uma treta interna. Dinheiro, né, mano? Dinheiro sempre é uma... O capitalismo sempre... Ele tá lá pra te fuder, tá ligado? Não importa as coisas. Eu acho que o capitalismo ou ele castra a sua ideia revolucionária ou você abre mão e sai fora, velho.
Eu acho que é esse o processo. Você precisa pagar as contas, tá ligado? Essa que é a grande parada, entendeu? É, sim. Mas quando a gente olha pro primeiro álbum do System, né? Que leva o nome da banda, né? System of a Down. É engraçado porque na contracapa do álbum, eles falam, é basicamente um manifesto, né? Eles falam o que eles pensam.
Eu vou dar uma lida pra vocês aqui, de forma bem rápida, pra vocês entenderem o que é o System. Tem muita gente reaça aí que escuta o System e não entende que a banda, na verdade, tá falando mal de você, tá ligado? Mas vamos lá. Ó, tava escrito assim, no primeiro álbum tava escrito exatamente assim. Lembrando que esse álbum é de 98, né?
Então, à medida que o século se aproxima do seu formidável fim, nossa experiência global de proporções universais, previstas por muitos grandes nomes, chegará ao seu sistema solar, ao nosso System of Dawn. A opressão autoritária, o abuso familiar, a depressão causada pelo conformismo e a devastação econômica serão neutralizadas pelo terrorismo tecnológico em tempos de completo caos.
O controle nunca mais será recuperado, pois a tolerância será extinta. O marido brigando com a sua esposa não pensará duas vezes, nem se arrependerá de uma balagasta. Crianças famintas não pouparão o dono da mercearia. O remorso em todas as suas formas será removido do pensamento e das ações humanas. A liberdade só estará disponível através da revolução ou da morte.
Este System of Dawn, que seria basicamente o sistema em colapso, é inevitável à medida que a vida neste planeta se torna desnecessária. A mão tem cinco dedos capazes e poderosos, com habilidades tanto de destruir quanto para criar.
Temos o poder para parar e reverter as marés do tempo ao tornar a nossa consciência sobre esses abusos conhecidos pelos poderes da indústria e por seus rudes braços políticos. Somente elevando essa consciência e promovendo a paz pessoal dentro da atual sociedade derrotista, poderemos dar ao planeta uma chance de evitar a autodestruição.
Mano, isso daqui é o primeiro álbum dos caras. Mano, é o Manifesto. O Manifesto tá aqui, tá ligado? E aí ele escreve embaixo disso ainda, né? Abra seus olhos, abra suas bocas, né? Feche sua mão e faça um punho.
porque pra quem não conhece o primeiro álbum do System ele tem uma mão na frente que é uma mão que foi inspirada, essa mão foi tirada na verdade de um pôster antifascista que tinha sido feito pelo John Hartfield que fazia parte do Partido Comunista da Alemanha, tá ligado?
E isso foi diretamente contra o terceiro Reich, né? Contra o fascismo que tava crescendo na Alemanha, né? Basicamente isso. E aí eles pegaram essa mesma imagem e colocaram essa imagem na capa do álbum. Mano, é uma banda antifascista, cara. Cagada e cuspida. Cara, é extremamente comunista, eu acho.
Esse primeiro álbum deles, tá ligado? Então, tipo, é um manifesto antifa, assim, total, tá ligado? É um movimento antifascista, sabe? Você vê que ele é todo pensado, né? Eu acho que isso é interessante de notar. Não só o manifesto na parte de trás do álbum, mas o uso desse pôster antifa na capa, né? Exatamente, exatamente. Então, tipo assim, não é só o que eles queriam dizer no álbum. É o que eles estavam escrevendo claramente no álbum, tá ligado?
Não era uma parada de, ah, eu acho que eles falavam disso. Não, mano. Os caras abertamente falavam disso, tá ligado? A treta deles era... A ideia da banda era uma ideia de conscientização sobre a...
situação de que eles estavam vivendo naquele período, ao qual a gente também estava. Embora os Estados Unidos sejam uma nação militarizada, e eles não conseguem existir sem a guerra, sem o assassinato, sem o genocídio...
O System tá vivendo isso, tá ligado? E esses caras, eles estão criticando isso também pela história do Massacre Armênio, que nunca foi reconhecido, né, na verdade. Então é interessante você ver. E quando você vai partir pras letras dos álbuns, né, aí o bagulho, tipo, fica muito mais claro, né? Quando você pega a última música do álbum, né, que é o...
PLUCK, que é Political Lying Unholy Coward Killers, né? Que seria assassinos covardes, profanos e politicamente mentirosos.
É uma crítica absurda e clara sobre o sistema, tá ligado? Do que eles fizeram contra os armênios, nesse caso, né? Dessa última faixa. Mas quando você olha todas... Mano, tem uma... Qual que é a música? Tem uma música que só fala sobre religião, que acho que abre o álbum. A Sweet Pea, que abre o álbum, tá falando sobre religião e sobre abuso sexual na igreja.
A segunda, a No, também está falando sobre religião, de uma perspectiva um pouco mais espiritualizada, de que nós destruímos a Terra e tudo mais. Eu acho que são essas duas nesse álbum que falam de religião. Que, na verdade, não é uma crítica à religião em si, acho que é mais uma crítica aos religiosos, à pessoa, à figura religiosa, eu acho. Eu acho que a gente está nesse caminho mesmo. Não é sobre a religião, mas sobre os religiosos.
o que tá acontecendo. Quando você pega a faixa War, né, que também tá lá, tá falando sobre essas narrativas sobre ocidentais que é usadas, e também o uso da religião, né, pra justificar conflitos, né, pra você justificar guerras, matanças, sabe? Então ela dá essa ideia de que essas guerras são lutadas por motivos morais né, né, né,
Mas, na verdade, é uma grande mentira, né? É uma indústria. Ela precisa do seu dinheiro pra poder continuar fazendo essas guerras, né? Então ela precisa convencer as pessoas pra que essas pessoas acreditem e apoiem a guerra, né? Que engraçado, né? Não é o caso dos Estados Unidos hoje, né? As pessoas, elas não querem essa guerra acontecendo, né? É muito louco. Eu lembrava da War, mas realmente, ela também fala sobre religião. Tanto no refrão dela, fala...
Nós vamos combater os ateus. Exatamente, os pagãos, né? Hittens é pagão, né? É, pagãos. É mais do que ateu. Ateu não é. É mais pagão mesmo. São pessoas de outras religiões, né? Porque tudo que é de outra religião é pagão pros cristãos, né? Então, tipo assim, se você não é cristão, a gente vai ter que lutar contra vocês. E aí tem uma das músicas que eu mais gosto desse álbum, que é o Spider, né?
Spider é uma música do caralho, tá ligado? Linda, linda demais. Eu gosto muito dessa música. E aí você vê como que eles estão falando da mídia, né? Da tecnologia, como elas são usadas pra pacificar e controlar as massas, né? São críticas que são bem pertinentes. São bem pertinentes. Porque quando você vê o Spider, o Spider até funciona como uma certa metáfora, né?
Também pra censura que essas grandes conglomerados eles fazem pra controlar a narrativa do que tá acontecendo, sabe? Novamente, a gente pode aplicar isso pra hoje, pra qualquer país do mundo, né, mano? As narrativas que são feitas, criadas por meio de mídias que são pagas pra fazer propaganda política de algum determinado ponto de vista ou algo assim, né? Spiders foi também o segundo single desse álbum.
E eu gosto muito, eu falei lá no começo, né, que às vezes a gente escuta e não entende o que ele tá falando, porque nessa música, basicamente ele tá falando de uma mina chamada June, e que ela passou por um processo de inserção de um chip no cérebro dela, que controla os pensamentos e os sonhos dela.
Então essa é meio que a metáfora que eles estão fazendo, né? Do controle governamental da mídia sobre o indivíduo. E tem aquela referência dos V-chips, né? Na época tinha essa parada, né? Tecnologia de controle, sabe? Tinha todo esse papo, né? Aí que também se intensificou bastante aquela parada do número da besta, né?
de que as pessoas iam ser controladas por um microchip que ia usar pra fazer tudo e não sei o que lá, e o governo ia saber o que estava mano, ó, se você não tem essa idade nossa, tá ligado? parece que dois malucos falando mas isso na década de 90, no começo dos anos 2000 era muito real, mano o pessoal falando que o número da besta ia ser tatuado no corpo das pessoas e aí, que falavam que ia ter código de barras, né? Não sei se você lembra dessa brisa da década dos 90 né?
E aí você ia pagar tudo, tipo, todo o sistema financeiro ia passar por isso, e eles iam controlar você por meio desse chip. Mano, rolou isso nas vacinas da Covid, tá ligado? Imagina a década de 90. Né? Numa época que a gente já tinha muito mais acesso à informação, a gente passou por esse tipo de bizarrice, né? Mas imagina nos anos 90, realmente, né? Que a internet não era um meio de comunicação. Não existia, não existia, não era acessível.
Internet não era acessível, mano. A gente tá falando da década de 90, irmão. A gente tá falando de ET sendo dessecado no Fantástico de domingo, tá ligado? Ah, é verdade. A gente tá falando disso, mano. A gente tá falando de mulheres peladas no domingo, na hora do almoço, no Gugu. Isso é da década de 90, tá ligado? É tipo, não tinha...
Não tinha escrúpulo, tá ligado? A gente tava falando, depois dos anos 2000, ali, do Gugu falando que fez entrevista com o PCC, tá ligado? Esse é o nível de loucura que era a TV, sabe? Era uma loucura. Lembra até hoje das entrevistas que o Gugu fez com o Beta, o traficante chamado Beta. É, era. Puta que pariu, cara.
Mas eu falo que o System teve uma importância muito grande na minha formação de caráter também. Depois que eu comecei a compreender o que significava, o que eles estavam dizendo, foi quando eu acabei mergulhando mais e mais no System. Porque na época do ensino médio, quando foi apresentado para mim...
O System era uma banda legal, tá ligado? Bacana. Não entendi a porra nenhuma. Eu não gostava. Mas era uma banda bacana. É. Você não gostava? Não, não gostava. Eu era Metal Espadinha. Era Iron Maiden, Angra e Rapsod. Ah, você tava no... A minha atriz. A minha atriz. A minha atriz. A minha atriz.
nos gemidão, tá ligado? calças de couro, perna aberta perna aberta, informação V eu não me vestia assim, tá ligado? mas eu não vou negar que eu também escutava os espadinhas assim, escutava mas muito espadinha, viu? hoje, por exemplo, eu tava escutando Halloween ah, não, eu escuto até hoje, velho eu não tenho preconceito com espadinha, não mas o... o System, eu acho que ele me trazia essa revolta da época essa vontade de gritar né?
E porque as coisas estão erradas. Essa rebeldia, tudo isso. Até um ponto, exatamente sobre isso que você falou, dessa revolta, eu acho que está muito na forma como o Serge cantava nesse início de carreira. Porque todo mundo que acompanha o Sistema Fodown sabe que a voz dele mudou radicalmente ao longo dos anos. Nesse começo, ele tinha muito mais...
ódio, acho que pra cantar as músicas, mas revolta. Potência vocal. Uma potência, é, potência vocal, irmão. Porque ele dava uns berros, você fala, esse maluco não vai falar amanhã, tá ligado? E é também um período, tá, vai, anos 90, a gente não tinha...
tantos dados de técnicas vocais de grito como a gente tem hoje pra um cara fazer uma banda já sabendo como posicionar a voz dele. Você entende o que eu tô falando? Sim, sim. Tipo assim, não era técnica. Essa galera cantava e tirava do Forevis. Tira do cu, velho, porque hoje se eu for fazer uma banda e eu vou cantar...
Eu tenho aí um histórico imenso de vocalistas que gritam e pessoas ensinando como gritar com eles sem você zoar a sua corda vocal. Nessa época do Sistema Fadal, acho que não tinha tanto isso. Porque estava começando, ali no final dos anos 80, anos 90, a gente está entrando nesse rock mais gritado, mais berro, mais gutural. Eu acho que sim, eu acho que sim. Porque isso se expande bastante, porque ali no começo dos anos 2000, você vai vir...
você vai ter outras bandas que vão estar entrando nesse meio, nesse mesmo aspecto, né? Então, um exemplo disso, por exemplo, é tipo Linkin Park e tal. Mas a mensagem política aqui é uma mensagem que ela passou gerações, né? Porque as mensagens políticas desse primeiro álbum, elas estão até hoje presentes. Não é algo que passou, tá ligado? Ele é presente e atual. Exatamente, ele é puta.
Eu acho que posso ser um pouco purista, me permita, mas quando a gente tá falando de arte, eu acho que a arte que consegue atravessar décadas é esse tipo de obra, tá ligado? Tem começo, meio e fim, ela é toda amarrada numa ideia, ela tem um posicionamento, sabe? Acho que o tempo mostra que essa obra vai conseguir passar muito tempo e ainda vai ser foda. Diferente de um álbum comercial, uma parada que você tem que fazer ali, mas...
fazendo um produto mais pra vender. Eu acho que pode ser uma... Por isso que eu falei que pode ser meu purista, porque eu acho que tem essa diferenciação do que...
Estou fazendo arte, estou fazendo um produto. Você concorda com isso, você não concorda com isso, né, Mio? Não, não, eu acho que a arte é o diferente de produto, tá ligado? Ah, então você concorda. É, é, eu concordo com você. É diferente de um produto. Você pode transformar a sua arte num produto, tá ligado? Sim, sim. Mas a arte, ela é... E ele pode ser tão bom quanto, vale dizer isso. Exatamente. Mas que seja um produto, ele pode ter o mesmo afinco das pessoas que estão ali participando pra fazer uma parada foda.
Como também é o primeiro álbum do Slipknot, né? Também é um álbum do caralho e... Mas talvez, como a gente fez essa diferenciação das bandas, né? Eu acho que... Não sei nem se é válido dizer isso. Eu acho que, assim... Tipo, tem uma análise, eu acho que a gente poderia falar num futuro sobre o Slip também.
porque bem ou mal a gente tá vendo ali, embora a banda tenha sido pensada como produto, como a gente já falou mas existia a angústia da vida deles também, porque todos eles eram pobres fudidos entendeu? você via que a revolta que tava sendo passada também era uma revolta mas assim, não era um manifesto político ela era uma revolta do que ele tava sentindo enquanto indivíduo na sociedade explorada, tá ligado? é muito o que o Cornyn faz também né?
Também, também. O Korn, o primeiro álbum, mano, aquela música de 13 minutos lá, que é a última música do álbum, se eu não me engano, que ele tá falando daquela... de quando ele foi molestado quando criança, tá ligado? E aí, tipo, ele tá chorando na música.
Mano, aquilo é um cheiro de verdade, tá ligado? Eu acho que foi meio cuzão do produtor colocar o bagulho de verdade. Tipo, eu acho meio cuzão, tá ligado? Mas... Cuzão, sabe o que é cuzão? Cuzão foi Axl Rose botar na música Rocket Queen o áudio dele comendo a namorada do maluco da banda. Isso é cuzão. Ah, também, né? Mas é o Axl, né, mano? O que eu posso falar do Axl? O Axl eu posso falar que ele é surpreendente quanto vocalista, mas ele é um pau no cu do caralho, né? Mas...
A grande parada é que era diferente as motivações, é isso que eu tentei falar no começo, tá ligado? Não que o Sleep, que é uma banda que eu gosto muito também, não tenha ali aspectos de problemas sociais que eles estavam vivendo. E realmente eles estavam vivendo. Quando você vê a história de vida dos indivíduos, você vê que era uma vida fodida, tá ligado? Fodida, mano.
O corteio tinha sido também abusado Quando era criança Pobre pra caralho Virou alcoólatra, usou droga Todo mundo ali usou droga Intensidades absurdas, por quê? Porque é a fuga da realidade Eu acho que até vale dizer também Que esse período aí do final dos anos 90 Dessas bandas que surgiram aí No que era chamado de New Metal A nova geração, nova velha geração do rock Eu acho que é a geração Que faz essa transição do estilo de vida Do rockstar, tá ligado?
que começa na droga, na loucura, e vai entendendo que não é bem assim ao longo do tempo. O que várias bandas passaram no começo, né? Mas eu acho que o estilo de vida do rockstar era muito mais forte até o final dos anos 90. Até o começo dos anos 90.
hoje é mais restarte tudo, tá ligado? Mas, tipo... É porque, assim, o moralismo tomou conta das novas gerações e tem muita coisa, assim, meio que disturpada, sabe? Eu não tô falando que você tem que passar pelas drogas pra poder fazer um bom álbum, também não é isso, sabe? Não é isso. Mas eu acho que a parada é viver o que você tá vivendo, mano. É viver o que você tá vivendo. Tipo, assim, todo mundo sabia que todas as... Praticamente todas as bandas de grande sucesso né?
a galera usava droga pra caralho, tá ligado? Tipo, isso era algo não que era socialmente aceitável, mas todo mundo sabia isso na década de 90 e no começo dos anos 2000, entendeu? Isso também era parte do... da...
da mítica da coisa, né? da aura do rockstar de ser um transgressor das normas da sociedade exatamente, exatamente mas a diferenciação pra mim pra mim pelo menos, pode ser que tem outras bandas que eu não consigo lembrar nesse exato momento mas é a diferenciação entre tipo, o que eram essas bandas nesse período histórico, tá ligado?
E o que era o System e o Rage Against Machine. Claramente, eles não eram bandas comuns. Eles tinham outro... Mano, os caras eram proibidos de tocar, velho. O Rage Against Machine foi proibido de tocar. Eles estavam na lista do FBI. Por ser considerado muito transgressor, né? Subversivo. Subversivo. Isso, subversivo. O System, né, que lançou o segundo, o terceiro álbum deles, o Toxic City...
Foi publicado duas semanas depois do 11 de setembro. 11 de setembro, eles tiveram que mudar o nome da música. Porque, por exemplo, aquela música lá, a Chopsui...
Na verdade, esse nome não significa porra nenhuma. Não sei se vocês sabem disso. Porque o nome da música era Suicídio. É, o nome da música era Suicídio. Tanto que no começo da música, eles falam We are rolling suicide. É. Aí eles estão gravando a música chamada Suicídio, que seria, né? Mas o... Acho que foi o Rick Rubin, sei lá, o produtor, falou Corta... Corta o... Essa palavra. E aí eles fizeram essa brincadeira com Chop Suey. Chop é cortar, né? Chop Suey. É.
E também é um macarrão chinês, né? Isso. E aí, no clipe da música, eles estão comendo ali o chop sui. Então eles fizeram essa brincadeira, mas o nome original realmente era suicídio. Porque é uma música que fala sobre suicídio. Então, tipo, existia essas intervenções do governo, mano. E a gente tá falando de anos 2000, cara. A gente não tá falando de, tipo, nossa, quanto tempo atrás. Não. Tipo, é anos 2000, mano.
Então essas bandas, elas vêm com uma mensagem muito clara sobre o que eles vieram fazer. E eu acho que depois de um tempo...
Quando eles entregam em 2005 o Hypnotize, que é o último álbum do System, tipo assim, não era só, eu acho que não era só a divergência de criatividade, tá ligado? Que eles estavam vivendo. Eu acho que essa divergência de criatividade que eles falam era na verdade um racha ideológico que tava ficando claro dentro da banda. Porque a partir do momento que eles entregam o Hypnotize, eles já estão ricos, né?
eles ganharam muita grana, tá ligado? muita grana mesmo, o System até hoje lota, né? arenas, tá aí o Tchai pra falar porque ele foi ano passado no show do System, o melhor show que já foi na minha vida melhor show assim é sinistro porque o público o fã do System of a Down é um bagulho sinistro, os caras entraram com um sinalizador com um uºººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº
Com gasolina, velho, pra fazer, pra cuspir fogo no show, meu. Mais de uma pessoa fez isso. É sinistro, sinistro. E aí rola até aquela brincadeira do Daron no show, né? De falar assim, a gente não traz, a gente não tem pirotecnia no palco porque nossos fãs trazem o fogo. É muito louco isso. É, então. E tipo...
Neste momento do Hipnotize, já existe essa parada do controle, né? Do que é meu, quero garantir, tá ligado? Aí esse bagulho de divergências, de criatividade, pode ser justamente o fato de alguém estar ganhando mais do que os outros. E esse é o racha. E aí a gente vai ver esse racha se materializar na posição política deles. Mais pra frente. Tá ligado?
o baterista super conservador super conservador cara conservador para caralho assim você nem consegue falar que esse cara faz a parte do sistema da alma entendeu pelas ideias dele o guitarrista assim tipo pensa que
Vamos falar do Daron? Um pouquinho, brevemente Vamos, é porque assim, o Daron na verdade Ele é um cara que quer continuar vendendo Ele quer vender Eu acho que não só ele Não só ele, mas eu acho que o dele é mais explícito Pra ele poder vender Ele tem que estar em cima do muro Ele não pode assumir a posição política Que ele queira assumir E assim, o do Daron Ele tem essa sensação de ser mais direita Do que a esquerda também Obrigado
ele tem essa sensação o que não tem essa sensação claramente exposta é o Sérgio o Daron, pra quem não ficou sabendo ele se envolveu gratuitamente numa polêmica uns meses atrás quando teve o assassinato do Charlie Kirk lembra, meu jo? o cara levou um balaço no gogó e o Daron, ele resolveu se manifestar contra a violência política no caso do Charlie Kirk Sérgio
E isso meio que deixou os fãs dele divididos, né? Porque uma galera falou, pô, você tá...
achando ruim que um nazista foi baleado, morreu pelo próprio discurso, inclusive, e ele não gostou, porque a galera cobrou ele, né? E aí as pessoas foram lá no Instagram dele postar frases das músicas do System of a Down, inclusive uma muito emblemática, que é, a gente não pode se dar o luxo de ser neutro em um trem em movimento, que é a frase de um filósofo americano.
que tá na música, tá ligado? tá na música, e aí ele respondeu com uma outra frase da música, assim, tipo ah, mas nessa música também fala de juventude protestando pacificamente tá bom, mas o Charlie Kirk não era uma juventude pacífica ele não era pacífico
Ele era um fascista, né? Ele era um fascista, ele defendia coisas assim, extremamente abjetas. Então todo esse discursinho do Daron ficou meio estranho. E realmente, o que você falou me parece verdade. Ele quer ficar em cima do muro, porque quem tá em cima do muro vende pros dois lados. Entendeu? Exatamente, é.
E aí ele entrou numa onda de tipo assim, não, porque eu não sou da extrema esquerda, eu também não sou da extrema direita, eu sou do extremo centro e o dedo do meio é o nosso símbolo. Ele entrou numa piramide, pra mim é crise de meia idade, velho. Eu acho que ele entrou numa crisezinha de meia idade foda. Eu não acho que é crise de meia idade não, mano, eu acho que é ele mesmo, tá ligado? Não é crise de meia idade. É ele, cara.
É ele. Não, eu acho que sempre foi esse cara, isso não dá pra negar. Eu acho que até mesmo quando...
Ele fala sobre algumas das letras do primeiro álbum. Ele já dá essa ideia de que ele não gosta muito de pensamentos de grupo, nem de esquerda, nem de direita. Ele gosta de ser um cara mais livre. Ele quer ser rico e ter o dinheiro dele e todo mundo ser feliz por isso, tá ligado? É isso. E essa liberdade de assim, ah, eu não sou nem esquerda, nem direita. A gente sabe que isso é papinho, né? Se você não é nem de direita, nem de esquerda, você provavelmente é de direita.
Não, provavelmente não. Se você não é esquerda e direita, você é de direita, tá ligado? É isso, mano. Não tem outra coisa, cara. Porque se você está neutro no status quo, você contribui pro status quo. E o status quo é de exploração. Então não existe essa não sou direita, não sou esquerda, tá ligado? Se você não é de esquerda, você é de direita. Não tem outra, não tem centro, tá ligado? Não existe centro quando alguém enfia o dedo no seu cu, tá ligado? O centro é seu cu.
Tipo, é isso, mano? É isso, é isso. Então esse papinho dele é um papinho, do meu ponto de vista, né? Analisando socialmente a situação, é uma parada de perspectiva de lucro, né? De permanência de venda. E eu não tô falando que ninguém tem que... Cada um faz o que quiser da vida, tá ligado?
Tipo, foda-se o que ele pensa. É só hipócrita o fato de ele fazer parte, tipo, de uma banda gigantesca que tá criticando os problemas da sociedade, entendeu? Tanto dele quanto o baterista, assim. Do John, tá ligado? Tipo, a ideia meio que é essa. Então, e aí? O que você quer dizer com isso, tá ligado? É mais fácil você ficar quieto. É mais fácil você ficar quieto. Mas aí ele tava também em campanha pra vender o álbum novo dele, né? Então, mais um motivo pra você ficar quieto.
É, mas é que o álbum novo dele tinha exatamente uma música falando sobre isso. Tipo assim, não sou nem de esquerda, nem de direita, eu sou do extremo centro. Não, é verdade, é verdade, é verdade. Tem essa música tosca dele também. Eu acho que ele fez isso com uma, assim, rede social, velho. Faz aí a sua campanha pra vender seu produto. Arranja essa briga aí, compra essa briga pra seu produto bombar, sabe?
Acho que foi essa a ideia dele. Mas eu não sei se deu muito certo, porque ele teve um... Como eles falam, né? Backlash gigantesco por causa disso, né? Porque no final das contas... Teve, teve. Ele foi muito criticado. Ele foi criticado pra caralho. É, ele foi, ele foi. Foi, foi. Mano, tipo assim, ele foi criticado. Mas é aquilo. Se ele queria a mídia, ele conseguiu a mídia que ele queria. Ele conseguiu.
mas é isso gente, eu acho que pra quem não conhece, se você nunca ouviu o System e você acha que a arte ela faz parte do processo de mudança da realidade material, eu acho que vocês deveriam abrir uma chance pra escutar System of Dawn como o Miojo deu a dica dele de música favorita que é Spiders, que é muito boa, também sugiro ouvir, olha só, eu sugiro que vocês escutem Suggestions também, muito bom Obrigado
fala, pra mim, a leitura que eu faço dessa música é luta de classes, né? Se você controla a situação, você controla tudo. Você tem conhecimento, na verdade, se você tem um conhecimento amplo de uma situação, você pode controlá-la. Senão, você só pode dar seu cu. É basicamente isso. Basicamente isso. Então, vai lá, escute. Iremos trazer mais outros assuntos aqui, gente. A gente não vai ficar falando de banda, tá?
A gente vai falar de passar por várias coisas da cultura pop que tenham algum significado, alguma mensagem que ou alguém perdeu ela no meio do caminho, tá ligado? Ou você nunca parou pra pensar, prestar atenção sobre aquilo que eles queriam dizer de verdade. Mas é engraçado você ver, né? Tipo, esse processo de mudança deles mesmos, né? Dos próprios membros. Ou, na verdade, né? A gente pode até discutir sobre...
A pessoa que se aproveitou do movimento para ganhar dinheiro, né? Porque também tem isso. É outra crítica que pode ser feita. É aquilo. Talvez tanto o John quanto o Daryl nunca acreditaram nessa porra. Mas eles viram isso como uma oportunidade de ganhar dinheiro. E se abraçaram também, né? E isso chama o quê? Capitalismo. Ou pode ser que a banda inteira tenha sido só isso também. Tipo...
Porque assim, não dá pra romantizar, tá ligado? Não dá pra romantizar. É diferente de outras posições políticas que são abertas. Se a gente pega, por exemplo, o... Tom Morello. O Tom Morello do Richard Genshin, você sabe que o dele não é uma parada comercial, sabe? Ele é um cara que foi pra Harvard estudar ciências sociais, tá ligado? Ele se forma em Harvard, ele tem um conhecimento social, material, sabe? E ele ainda tá, hoje...
ele ainda é um militante. Eu acho que nisso hoje o Serge se aproxima mais dele. Ele não é tão militante quanto o Tom Morello, mas eu acho que vale dizer que o Serge foi um dos poucos músicos do rock, da cena do rock internacional, que participaram de manifestos contra o genocídio na Palestina.
Tanto assinando aí, abaixo assinado e o caralho que serve de porra nenhum, né? Mas melhor que nada. Quanto com músicas também, né? Tem uma música no álbum dele chamada Occupy Tears, né? Lágrimas Ocupadas. Ele tá falando sobre a questão palestina e a ocupação israelense. Como é irônico a situação, é mais ou menos isso.
Não, e ele também, as críticas abertas sobre o imperialismo nos Estados Unidos, sobre o Orgã que acabou de sair, né, perdeu a eleição lá, sobre o Putin, sobre o Trump, tipo, ele tem um ativismo claro sobre o que ele pensa da realidade, entendeu? Que não é um caso do resto dos membros do system, tá ligado? Não é o caso, não é o caso, tá ligado?
Porque é muito claro essa diferença, entendeu? Sim. Tipo, de pensamento, do que eles são. Se vocês olharem, eu juro pra vocês, se eu não me engano, tem uma matéria do Rolling Stones. Eu nem lembro de que ano que é, mas eu lembro que tinha, eu acho que... Essa matéria é recente, tá ligado? Eu acho que ela saiu, tipo, no passado, uma coisa assim. Que fala, eu acho que o título da matéria era mais ou menos se o baterista do System já deixava de ser de esquerda, tá ligado?
E tipo, eu juro pra você, eu acho que eles fizeram uma entrevista com um cara ali falando sobre isso. E é legal vocês acharem dar uma lida sobre isso, porque aí você vai ver o que realmente passava na cabeça deles, tá ligado? Entendeu? Mas, e o quanto que isso muda durante o tempo, no ponto de vista desses caras, tranquilo? Então, sem mais delongas, vamos despedindo de vocês. Se você gostou desse episódio, deixa aí seu like. Isso ajuda pra caramba.
pra compartilhar esse conteúdo com mais pessoas. Se você discorda da gente, escreve aí do porquê que você discorda, tá ligado? Se você acha que a gente tá errado, se você concorda, escreve aí também, é verdade, ó. Eu comecei a escutar System e isso fez a minha consciência política mudar, tal, tal, tal. E se você não escutou, vai lá escutar Spiders Suggestions.
o álbum inteiro é foda vale dizer também que como a gente está nesse novo formato mas nesse quadro de analisar primeiras obras de grandes artistas contemporâneos ou não diz pra gente aí também que obra você acha interessante que você acha foda e a gente pode fazer uma análise também, trocar uma ideia sobre exatamente, tranquilo? então sem mais, dê longas um beijo, um cheiro, vejo vocês no próximo episódio tchau, tchau, falou, valeu