Episódios de Em Síntese

EP 65 - O QUE É TRABALHO?

01 de maio de 202647min
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Neste episódio do podcast Em síntese, propomos uma reflexão profunda sobre o significado do 1º de maio, indo muito além das celebrações superficiais. Investigamos como a estrutura do trabalho contemporâneo se assemelha a uma nova forma de escravidão, onde a liberdade é frequentemente sacrificada em nome de uma produtividade implacável. A análise foca especialmente em como certas interpretações da cristandade serviram como alicerce ideológico para esse sistema, transformando o conceito de sacrifício e submissão em uma virtude espiritual que justifica a exploração. É um convite para entender como a fé e o ofício se entrelaçam para manter as engrenagens da exaustão em movimento, desafiando a percepção comum de que o trabalho moderno é sinônimo de libertação.#Reflexao #1DeMaio #DiaDoTrabalho

Assuntos4
  • Exploração Laboral e JustiçaOpressão terceirizada para o trabalhador · Trabalhador como seu próprio algoz · Falta de reconhecimento entre trabalhadores · Humilhação como parte do trabalho
  • Dia do TrabalhadorProtesto em Chicago em 1886 · Confronto com a polícia e massacre · Oficialização pela Segunda Internacional Socialista · Subversão para 'Dia do Trabalho'
  • Desconexão da realidadeAlcoolismo e uso de drogas · Uso excessivo de redes sociais · Comer compulsivamente · Casamento com bonecos virtuais no Japão
  • Distração e foco no propósitoTrabalho assalariado vs. trabalho não assalariado · Identificação pessoal com o trabalho · Produção de alimento como subsistência · Trabalho como venda de tempo
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Mano, você já parou pra pensar o porquê que as pessoas são alcoólatras e usam drogas? Porque a realidade é difícil, a vida é dura. É, mano. É um tormento. A vida é difícil, cara. A vida é dura. E aí as pessoas pensam que essa fuga, ela geralmente tá relacionada a coisas que tão com, tipo, como droga, alcoolismo e tal. Mano, mas tem várias fugas, mano. Você ficar na frente do Instagram aí de seis horas é fuga, mano.

É fuga da realidade, cara. Tipo, você comer doce, bolo, sorvete, quando você tá estressado, é tipo fuga da realidade, mano.

que você merece, né? Você teve um... Como é que é o nome disso? Não é um autocuidado, é um automimo. Ah, que uma expressão melhor pra isso. Você pode chamar do que você quiser, tá ligado? É, você pode chamar do que você quiser, mas... Mas na realidade você não quer tá fazendo aquela merda na sua vida. É porque você tá sofrendo, você tá pudido da cabeça e você quer uma recompensa pra sua miséria, né? Então você vai escolher. É.

Ou a coquinha gelada, ou uma cerveja, ou uma cachaça, ou um cigarro. Um baseado, um pó, uma heroína. Você vai o que você quiser, mano. E é engraçado porque isso não é uma parada exclusiva só dos países ocidentais. O mundo inteiro tem fuga, tá ligado?

O mundo inteiro tem fuga. Se você parar pra pensar no Japão, mano, a galera no Japão casa com um boneco virtual, mano. Às vezes eu penso, eu não julgaria isso aí com tanta força. Ah, porque é isso, né? O nosso contexto...

Isso é aceitável, isso se torna comum. É, se torna uma coisa mais aceitável. Mas a grande realidade... Mas é bizarro. É bizarro. Pra gente é bizarro, tá ligado? Porque você não tem esse impulso. Mas para pra pensar no Japão. Pensa no Japão, na Coreia, né? Esses países asiáticos que estão passando por decréscimo populacional. Mano, imagina o trabalhador lá, mano. Você tá lá, você trampa pra caralho, você trampa tipo 14 horas por dia.

Quando o seu chefe sai do trabalho e fala pra bebê, você tem que ir junto com o seu chefe pra bebê. Tem isso lá, né? Você tem que sair com o cara pra bebê, tá ligado? Aqui tem. Aqui tem que fazer essa cultura. Eu acho que tem essa cultura aqui também. Não, aqui tem também. Mas aqui a gente agradece, tá ligado? A gente agradece se o filho da puta pagar. A gente não é obrigado a aceitar. Se você não aceitar, você é...

Você tem que aceitar pelo menos uma vez, tá ligado? Não, mas por que a gente aceita aqui, geralmente, como trabalhador também? Porque o cara vai pagar, mano. Caralho, já trabalho pra caralho nessa empresa que se foda. Eu vou tomar tudo. Quantas vezes você já ouviu isso? Não, isso aí é... A festa da firma, isso é padrão, né? Quando a firma libera bebida, compra bebida pros funcionários. Eu ficava na festa só pela bebida, não nego não.

Quem trabalhou comigo e tá ouvindo esse programa Eu só ficava na festa por causa da cerveja Não é por causa de vocês não Não gostava de vocês Eu tava lá só porque só eu sabia tirar a porra da cerveja direito E eu me aproveitei disso Então mano, eu acho que tipo Eu tenho um problema muito sério Porque assim né Amanhã a gente tá gravando isso aqui no dia 30 de abril Amanhã é dia 1º de maio

Dia do Trabalho Mentira, erramos Dia do Trabalhador Dia do Trabalho é uma subversão aí da direita dos veículos de comunicação que decidiram chamar de Dia do Trabalho, mas o original é Dia do Trabalhador se eu não me engano Você sabia que isso começou em Chicago? Ah, lá nos Estados Unidos? É, foi por causa de um protesto que começou lá tá ligado?

Tá, beleza. E depois de quatro dias teve um confronto com a polícia e jogaram uma bomba na polícia, tá ligado? E aí a polícia começou a atirar na galera, matou uma galera, assim. Pode crer, teve um massacre, né? Teve um massacre, tá ligado? E aí, depois disso, foi-se pensado essa data, 1º de maio, que foi o dia do... que rolou mesmo o protesto, tá ligado? Que foi greve, muita coisa aconteceu. Foi em Chicago, isso daí, se eu não me engano, em 1886.

E aí foi usada essa data, faz tempo, como uma data de se lembrar sobre as coisas que aconteceram lá. Entendeu?

Então, inicialmente, essa data foi celebrada meio que na lembrança dessas pessoas que morreram. Entendeu? Como uma celebração. E depois ela se torna uma data de luta mesmo, né? Que foi oficializada até pela Segunda Internacional Socialista, em 89. Então isso virou um símbolo de luta. Entendeu?

Não só mais o luto daqueles trabalhadores, que isso já se perdeu o significado, né? Tanto que muita gente nem sabe disso, que a data começa nos Estados Unidos. É, eu não sabia, eu não lembrava não. Eu já tive que ter visto em algum tempo, mas eu não lembrava. Mas hoje eu acho que é tipo mais essa parada de uma...

deveria ser, né? Uma data pra lembrar as conquistas e uma data de luta. Porque as pessoas confundem muito data de luta com celebração, tá ligado? Tudo vira uma celebração porque tudo vira uma festa. E aí você esquece o motivo

principal do porquê você tá ali, entendeu? Uhum. É. Eu acho que também essa troca de uso de dia do trabalho é também uma forma de apagar o trabalhador, né? Porque assim, o capitalista... Hoje sim. Ele tem um tesão pelo trabalho. Se o capitalista pudesse, todos eles, sem exceção, os empresários do mundo, se eles pudessem colocar no portão de entrada da empresa deles o trabalho liberta...

Porra, você acha que eles não colocaram? Ah, vixi, com certeza. Com certeza, isso não é nenhuma dúvida. Quem tem boa memória sabe de onde vem essa frase, né? Porque eles têm tesão por trabalho. Quem não trabalha, né? Quem não trabalha tem tesão pelo trabalho.

Não pelo trabalhador, né? O trabalhador que se foda. Ele é uma ferramenta. É ele que faz trabalho, afinal de contas. Então, porque, novamente, o que eu tenho na minha cabeça é que o problema é o trabalho. E eu sei que um monte de gente vai discordar de mim. Eu já tive até essa discussão com vários amigos sobre isso. E eles, não, não dá nada a ver. Porque o trabalho... Mano, o trabalho é o problema, cara.

trabalhar é um problema trabalhar é um problema por que você tá trabalhando? por que você não pode simplesmente fazer as coisas que você precisa pra se manter e já era? não, porque você tem que ter ambição você tem que ficar parado? você quer apenas existir? ah, vagabundo você quer ser rico? que não tem responsabilidade com nada?

Aí você é vagabundo, não O cara rico que não faz nada Ele é bem sucedido O pobre que não quer fazer nada Ele é vagabundo Essa é a diferenciação Mas a grande parada pra mim É a ideia do trabalho O trabalho ele é um problema Porque o trabalho Ele é simplesmente uma ressignificação Hoje né Da escravidão

Pra gente ainda, cara, nós que somos de um país colonizado, o trabalho nada mais é que uma escravidão. Mas é que agora você, tipo, conseguiu socializar a escravidão, tá ligado? Agora a escravidão de todo mundo. Você não tem mais uma raça, uma cor, uma etnia. Agora todo mundo tá fodido. Eles só expandiram o massacre.

A opressão foi terceirizada para o próprio trabalhador. Aí cada um vira o seu próprio algoz, o seu próprio sensor, o próprio indivíduo.

Ele se policia, né? E isso bate em vários aspectos super interessantes, que um deles é até de uma coisa que a gente já tinha conversado, né, mano? Que é essa parada do trabalhador, ele não se reconhecer em outro trabalhador. Porque o trabalhador não se reconhece em ninguém, ele se reconhece em ele mesmo, né? Quem que quer se reconhecer com outro fodido, tá ligado? Mas é aquela história que você contou, né, mano? Tipo...

Você processou seu trampo, agora você não consegue arranjar um trampo, porque você processou os caras, porque os caras estavam cometendo irregularidades. Mas o otário é você que processou os caras.

Olha o nível. Então, tipo, o trabalho, ele tá muito significado pra mim, pelo menos, nessa parada de, tipo, humilhação mesmo. Você tem que se humilhar, cara. Você não precisa ganhar bem. Você tem que se humilhar. Porque isso faz parte do trabalho. E todo mundo... Aí vem aquelas frases, né? Se o trabalho fosse bom, não chamaria trabalho, né? E não sei o que lá. Porque, na realidade, é isso mesmo, né, mano? Porque trabalho não é bom, tá ligado?

E todo mundo sabe disso, né? Eu acho que a gente pode fazer uma diferenciação do trabalho aí.

Eu acho que o trabalho assalariado Porque eu tô pensando aqui, o que a gente tá fazendo aqui É um trabalho também, de certa forma Então, mano, mas é porque a gente pensa É que a gente pensa, tipo Nessa parada do Tempo organizado E você disponibilizar Tempo, conhecimento, esforço, isso vira trabalho Eu, eu, eu, eu Pessoalmente, Tchai, eu quero me Desvencilhar disso, o que eu estou fazendo aqui Não é um trabalho Tchai

Eu sei que as pessoas enxergam isso de uma forma negativa. Porque se você falar que trabalho não é bom, então você é o problema. Mas veja a contradição, né? Porque a galera tem essa ideia de que se fosse bom não se chamava trabalho e ao mesmo tempo trabalha. E não faz a crítica e aceita qualquer coisa.

No nosso caso, no que a gente faz aqui, a gente não tem ganho financeiro, a gente não tem perspectiva de transformar isso em uma empresa, porque a gente não enxerga isso daqui como uma empresa, como um CNPJ, como uma instituição que está em institucionalidade dentro da burocracia do Estado.

Pra que se vire algo lucrativo. Seria muito bom minhas contas serem pagas partindo daqui? Seria ótimo, tá ligado? Seria. Não vou nem... Mas, é que eu acho que o trabalho, ele tá no... Porque assim, mano, na hora que a gente quiser parar essa porra, a gente para. É diferente. O trabalho não te dá a opção de parar. Essa que é a diferença, Jair. Isso que a gente faz é outra coisa, tá ligado? Não é trabalho.

Não seria uma diferença só de trabalho assalariado e trabalho não assalariado? Eu entendo o que você está querendo dizer, mas eu sinto que essa é a visão das pessoas, porque para você ser alguém na nossa sociedade, você tem que estar trabalhando.

Exato, isso faz sentido E esse é o meu problema Como assim você não é ninguém Se você não trabalha É engraçado, porque quando você conhece uma pessoa Você está no rolê e conhece uma pessoa nova Essa é uma das primeiras coisas Que rola na conta O que você faz da vida

Eu acho isso tão bem escroto, velho Então, eu ainda não faço nada Eu fico em casa fumando maconha Eu fico em esses papos de trabalho Eu acho que eu virava a pessoa mais escrota Do rolê, porque eu nunca ficava perto Ou eu cortava o assunto rápido Porque eu não tenho interesse em falar de trabalho, velho Eu tô no bar, tô bebendo, tô me divertindo com o pessoal O maluco vem falar de trabalho Então, mas é porque

Aí a culpa é sua, Tchai. A culpa é minha, ela só é sua. É porque as pessoas, elas se identificam hoje, as pessoas se identificam que elas são pelo que elas fazem. Ela não existe enquanto ela. As pessoas são vazias. O trabalhador é vazio. Você que tá ouvindo a gente é vazio. Porque se você se identifica pelo trabalho, tá ligado? Você não é nada.

Você é simplesmente... Aí sim, você é uma engrenagem do sistema capitalista. Se você só se enxerga enquanto indivíduo através do que você faz dentro de uma cadeia produtiva...

Você é só uma engrenagem. Então sua vida não importa. E você pode ser substituível. Esse é muito louco. Mas é isso, mano. Free, cruamente, o debate é esse. Se você se identifica enquanto indivíduo simplesmente pelo trabalho, você não é ninguém. Você não existe. Pensa assim, num cenário hipotético, tá? Onde surgem ferramentas aí que tomam o seu trabalho ou que fazem o seu trabalho de uma forma muito mais...

rápida e gratuita e eficiente. Então, por que que alguém vai... O que que acontece com os profissionais, sei lá, de... jornalistas, de redação? O que acontece com eles, né? Nessa época de IA? Vai todo mundo pro caralho, irmão. Você se identifica como o quê? Você vai se ressignificar em outra coisa, mano. Mas você não para de trabalhar. Mas você vai se ressignificar em outro trabalho. É.

Você vai encontrar outra coisa pra fazer. Isso pra mim, meu jo, eu não sei se eu sou louco, se eu não bato bem da cabeça, mas isso pra mim não faz o menor sentido. Imagina você passar a sua vida estudando em uma área e de repente essa área sumir e você ter que encontrar uma outra área pra se identificar enquanto um ser humano e não se sentir espesinhado.

Isso é mais comum do que a gente imagina, né, mano? Porque se você parar pra pensar, tipo, os artesãs, eles sumiram, tá ligado? Tem pouca artesã. E hoje, você fazer qualquer coisa manual virou um artigo de luxo. Mas as pessoas que produziam as coisas há 300 anos atrás, 200 anos atrás, essas pessoas desapareceram. Não existe mais essa função. E ela foi virar o que precisava ser naquele momento da sociedade, né?

Vai trabalhar numa fábrica, vai fazer qualquer coisa assim, tá ligado? Então, é isso que eu ia chegar. Eu tava vendo, eu não lembro, acho que eu tava vendo o Chavoso da USP falando, né, que o trampo de produzir conteúdo, ele é um trampo uberizado. É tipo isso. É, é uma uberização, cara. Lógico que é. Você trabalha pra um aplicativo, tá ligado? Se você não trabalhar, você não ganha.

É isso? Tá ligado? É isso mesmo? Entendeu? É uma uberização. Tudo tá sendo diluído. Mas eu acho que na grande escala do trabalho, o que acontece é que se todo mundo virar uber, tá ligado? Ninguém é passageiro. E se ninguém é passageiro, ninguém ganha dinheiro. E se você tem o carro, mas as pessoas não têm condições de pagar a viagem, você também vai perder o trampo, você vai ter que arranjar outra coisa. Porque a sua vida vive em função de...

trabalho. Aí as pessoas falam assim, nossa, mas que viagem vocês aí, mano, você tem que trabalhar porque você precisa pagar as contas. Eu falei, é exatamente isso. Esse que é o problema, porque você tem que pagar contas.

E o que são essas contas, né? A grosso modo é o quê? Água, luz, internet e, sei lá, seu aluguel, sua moradia. O aluguel. Aí a prestação do carro, o imposto. Tem tudo isso, alimentação. Tudo item de sobrevivência, né? Tudo que você necessita para sobreviver. Você está pagando um shelter, né?

Você tá pagando a sua sobrevivência, é isso, mano. É, a sua sub-existência, tá ligado? A sua sub-existência, essa é a palavra. E que um cara que mora na rua também consegue. A diferença é que você não quer ficar fedido. É isso, mano. Já parou pra pensar que o maior medo das pessoas morar na rua?

É, não ter uma casa, né? E morar na rua é tão libertador, mano. Ficar desamparado. Eu não sei ser libertador. Não, eu já passei por isso, tá ligado? Já? Já, já, já. Quando os pais me expulsaram de casa por causa de igreja. É porque eu já ouvi muita coisa horrível. Eu já ouvi muita coisa horrível. Não, tem coisa horrível pra caralho. Lógico que tem. Por que você acha que as pessoas na rua, algumas delas, né, usam crack, por exemplo? Você sabe por quê? Pra não sentir fome?

Não senti fome, irmão. Aquece de noite em noite fria. Você não senti fome. E é assim que eu conto. É mais barato que um dogão.

Eu sei como é que é isso. Dessa parte aí, eu tenho um pouco de experiência. Não do crack, tá? É isso que eu ia falar. Caralho de fumar crack? Não, não. De álcool. Você beber pra não sentir fome, sacou? Isso aí eu já passei. Eu sei como é que é isso. E eu entendo que os caras falam que o morador de rua, ele tá bebendo, porque o corote que ele compra é 3 reais, 4 reais, e ele vai tomar 2, 3 dias.

E a comida é muito mais cara, né? E vai durar um dia. E ele vai voltar a sentir fome. Então a bebida, ela tira a sua vontade de comer. E vai ficar acabado, vai ficar podre depois. Qual que é a diferença desse cara pra um Uber? Nenhuma. Ele só barateou o custo de vida dele, tá ligado? Ao extremo. Ao extremo.

Ele sobrevive, ele vive, ele se alimenta do que dá, tá ligado? Quando não tem alimento, ele usa um artifício pra esquecer que ele tá com fome. Mas, na realidade, qual que é a diferença dele pra um CEO? Tá ligado? Nenhuma. Você tá trabalhando, você tá arrecadando algum tipo de fonte.

Pra você existir. O maior crime da nossa sociedade é o fato de nós não temos mais espaço pra produzir, cara. Espaço pra produzir, mano. Tá ligado? Terra. Terra mesmo. Tô falando de terra mesmo, tá ligado? Sim. Sim. Se nós tivéssemos tá ligado? Propriedade. Propriedade de verdade, né? Se a gente tivesse uma terra. Não tô falando de fazenda, mano. Tô falando de um espaço mesmo. Digno pra viver. A gente plantaria, mano. Porque, para pra pensar. Imagine assim. Você tem um teto.

Esse é outro problema também, tá ligado? Mas você já tem o seu shelter, né? Você já tem o seu teto. Pra se proteger da chuva e do sol. O que que falta pra você, mano? Comida. Comida, é. Ah, eu vou assim, não, mas e o gás, a internet, etc. Mano, isso é trivial. Isso aí já é um... Básico, básico, é comida, um abrigo e água. A água pode ser da torneira, mas aí você vai ter que ter essa bespa de qualquer jeito. Vai ter que ter essa bespa pra pagar, tá ligado?

É. Não tem água grátis. O que eu acho que as pessoas têm dificuldade de compreender...

é que trabalho é escravidão. Porque o sistema, o nosso sistema organizacional, não quero falar de sistema de forma abstrata, o sistema, tá ligado? Eu tô falando assim, a forma de vida, a organização social que nós temos em vigor,

Ela te expropria da terra, te expropria da água, te expropria do alimento, pra que você tenha que se submeter a situações absurdas pra você fazer aquilo que já tem de graça no planeta. Que é terra, água e abrigo. Isso já tem no planeta. O planeta já tem isso, mano.

Mas você, para ter acesso a isso, você tem que gastar 60 anos da sua vida construindo aquela pirâmide ali para aquele cara que é exatamente igual a você, mas ele é filho de uma divindade.

Segundo ele. E os soldados dele, que estão armados, protegendo ele. E aí, como que você consegue esse bando de trouxa pra defender o rico, tá ligado? Salário? É. O salário, mano. É a melhor ferramenta de convencimento, mano. Você acha que o cara, que é o segurança do Paulo Lema, você acha que ele ganha um salário mínimo? Por que será que ele não ganha um salário mínimo, irmão? Mas por que você acha que ele não ganha? Porque ele tá muito perto de uma pessoa que acumulou muito, né?

E ele ia se revoltar, mano. Ele ia se revoltar, mano. Ele ia se revoltar. Caralho. E assim, e não que os trabalhadores que estão lá não se revoltem também. Mas esse cara olha pros fudidos abaixo dele, tá ligado? E ele fala assim, podia ser melhor, mas eu tô melhor que esse fudido aqui, tá ligado?

Por isso que o salário dele não pode ser um salário bosta. Porque se o salário de um segurança, de um bilionário, for bosta, ele vai matar o cara. Porque esse maluco tá me tirando, tá ligado? Esse maluco tá falando merda, mano. Você é louco? Tipo, tem uma esquete, mano, do Porta dos Fundos. É dos Portas dos Fundos? Não sei, acho que não, mano. É uma esquete que eu tinha visto. Que é uma mulher dentro do carro, tá ligado? O motorista dirigindo. Essa esquete saiu na época, acho que das eleições pro Bolsonaro e Lula, né?

E aí, tipo, a mulher de trás, né? Classe média, o motorista ali. Classe média não, né? Ela é rica. E o motorista ali, pá, né? Dirigindo. Nordestino. E aí ela fala, ah, você tem que voltar no motorário, né, mano? Porque essa galera burra aí, esses nordestinos do caralho e tal, não sei o que lá. Fala um monte de merda. Aí ela olha pro motorista, né? Ela fala assim, mas não você, né? Você é trabalhador e não sei o quê. Eu tô falando dos outros nordestinos, não você. Você é quase família.

E aí ela meteram o pau no cara, tá ligado? De tudo da vida do cara. Ah, tem que subir na favela mesmo pra matar esses bandidos. Tem que subir nos morros e descer bala em todo mundo. Aí o cara, não, mano, mas eu moro no morro, tá ligado? Isso aí me lembra aquele filme, Parasita. Também? É, mano, mas é isso. A cena do carro, né? Eu acho que, mano, a Coreia se ligou dessa parada, tá ligado? E todo mundo tá assistindo os negócios.

Porque tudo é indústria, né? Tudo é trabalho. Tudo é trabalho. Mas a Coreia se ligou, mano. Se você pegar isso daí, se você pegar o Round 6, né? Que é o Squid Game. Do que esses dois... Essas duas produções cinematográficas...

Estão falando pra gente, na Coreia, se você trabalhar pra caralho, você vai ser um fudido. Então é melhor eu ir pra um jogo onde eu vou matar uma caralhada de gente, mas ficar rico pro resto da vida? É melhor eu fazer isso, tá ligado? Do que eu continuar nesse sistema bosta do cacete que eu tô devendo dinheiro sempre. Sabe o que eu acho engraçado disso aí? Principalmente do Round 6 e de obras de ficção, no geral. Porque ela tem essa crítica, né? Ela é uma série sul-coreana.

E ela tem essa crítica e tem uma personagem norte-coreana na série. Você lembra? Da primeira temporada? Tem, eu acho que tem. Sim, sim, sim, sim. E aí, tipo, o que rola de comentário na série sobre isso é... Pô, ela tava na Coreia do Norte, ela fugiu e veio pra cá. Lá devia ser pior. Pô, meu irmão, vocês estão num programa do...

do Mr. Beast se matando. E ainda assim, nesse cenário, você abre espaço pra dizer que a Coreia do Norte é pior. Do que isso, tá ligado? Do que isso. Aí a gente já entra na conversa de ideologia, né? Ideologia é um bagulho foda, mano. É foda. Ideologia é foda, tá ligado? Ideologia é foda, mano.

E o foda da ideologia é quando você não percebe, né? Quando você não percebe que a sua vida é guiada para uma ideologia, né? A vida de todo mundo é a ideologia dominante que vai determinar qual é a sua ideologia. Não é o que você... Não é o youtuber que você segue, não é o livro que você leu. Isso é um caminho para talvez você ter conhecimento sobre isso e poder determinar a sua ideologia. Mas se você não toma esse caminho ou se não tem uma orientação...

de família, de amigos, da sociedade num geral, mano, você vai seguir a ideologia dominante. Que é essa ideologia, velho. Se você não trabalhar, você é um otário. Se você não obedecer, você é um otário. Eu sempre vou lembrar disso daquele programa do Mano Brown, o podcast do Mano Brown, que ele fez com o Jones Manuel e com um outro cara, que o outro entrevistado passou o programa inteiro chamando o Jones de otário, falando assim, comunista e otário. Ele não tava falando de uma forma tão pejorativa, mas como eu coloquei aqui.

Mas ele fazia esse comentário assim E o Jones não conseguia rebater Eu acho que o Jones também tava um pouco ali emocionado De estar no programa do Mano Brown E tá com outro cara, com outro intelectual Pode ser, pode ser Mas pode ser também que ele entende que ele é um otário Mas eu acho que Sabe que esse episódio Mas não é um otário pejorativo, né? Eu sei que episódio que é

É com o cara lá de luta também, né? É, mas eu acho que... Sabe o que eu acho que isso aí entrou um pouco na cabeça do Jones? De... Falar assim, mano, você tá sendo otário de seguir essa parada de comunista. Você tá com um militante aqui de anos e esse cara tá falando que você é otário. E esse cara não é mais comunista hoje. Eu acho que isso aí foi uma parada que pegou no Jones, mas sei lá, né? No final das contas, mano, é tipo... A gente vive numa situação de otários, tá ligado?

À esquerda e à direita. Porque nós somos forçados a viver uma vida que nós não queremos, tá ligado? E aquilo, né? Trabalhamos em trabalhos que odiamos para comprar coisas que não precisamos. É isso. Duas obras. A gente está chegando já no final desse episódio, né, Miojo? E a gente, às vezes, dava indicações. E você trouxe essa frase aí, que se eu não me engano é do Clube da Luta. É, exatamente. O Clube da Luta, ele faz muito...

Eu tenho vários problemas no livro. Acho que nenhuma obra é livre de problemas e críticas.

Mas ele faz essa crítica sobre o estilo de vida capitalista, né? De você ter que se sacrificar pra ter algo, pra se identificar como algo. E a gente faz isso sem nem pensar, né? O Clube da Luta, na verdade, ele é basicamente um contra-sistema, né? É um filme contra o sistema. Porque os caras estão querendo... Qual que é o objetivo dos caras? Destruir os servidores de cartão de crédito, mano. É, eu acho que o problema do Clube da Luta foi o filme. O filme, ele é um pouquinho...

ele erra um pouco, mas eu acho que o livro tem mais essa pegada aí. Eu não li o livro, tá ligado? Eu conheço só o filme. Mas pra mim é muito claro que o filme, ele demonstra isso. Tipo assim, a história parece que é uma história sobre esquizofrenia. Não é uma história sobre esquizofrenia, mano. É uma história sobre revolução, cara. Sim, só que o filme, ele ele ficou muito conhecido pela parada do macho alfa, do homem alfa, tá ligado?

Ah, o Tyler Durden, ele é o Homem-Alpha Não sei o que Eu não sei, pode ser que seja O livro, ele faz essa crítica do tipo Você não precisa ter um corpo perfeito Pra se identificar como um homem, né E o cara é o Brad Pitt, apenas Não, então, eu entendo Eu entendo esse ponto de vista sobre

Como as pessoas absorveram a obra. Mas, mano, pra mim, claramente, é sobre revolução, tá ligado? Mano, o filme começa com o Tyler comprando um monte de merda no apartamento dele, velho. No começo do filme é isso. Ele sentado comprando aquelas revistas de departamento comprando móveis inúteis pra casa dele.

Ele tá comprando a personalidade dele. Num trabalho bosta que ele não gosta. É. Ele tá montando a personalidade dele. E é o que as pessoas fazem todos os dias, mano. Todos os dias. Quando eu vejo um otário usando um tênis da Nike. Mano, é um otário, cara. Quando eu vejo um otário usando camiseta de marca. Você é um trouxa, cara. Você é um otário, mano. Você é um trouxa, velho.

Mas você não consegue se ver como trouxa E eu sou o imbecil de tá falando que você é um otário Tá ligado? Mas você, tipo, gastou quanto tempo pra comprar essa camiseta Esse tênis, esse carro? Cada vez mais eu penso que a sociedade No qual a gente vive é uma sociedade De assinaturas E você precisa Mas assim, num contexto geral, tá ligado? Você precisa ter assinaturas pra fazer parte Então você precisa ter a roupa certa Você precisa ter o carro certo

Eu acho que eu vou além ainda, mano. Eu vou além, cara. A sua vida é uma vida. Eu não consigo, eu não nasci no mundo onde assinaturas não fizersem parte da nossa vida. O que é sua energia na sua casa? Assinatura. O que é água na sua casa? Assinatura. O que é internet? Assinatura.

Eu vou mais ainda, relacionamentos Relacionamentos são assinaturas hoje Também, também Nem todos, nem todos Não, mas é que a gente dilui, né, todas as relações Por coisas superficiais e básicas, tá ligado? Por consumo, velho, é tudo consumo É, tudo é consumo, mano Você sai com uma pessoa, não pra conhecer ela Ou, sabe, você sai com a pessoa Porque você não quer saber Dos problemas do outro

da merda da vida do outro. Você quer consumir a pessoa. É, é. Nossa, e as redes sociais só... Isso já existia antes das redes sociais, tá ligado? A gente não pode culpar as redes sociais como se aquilo fosse o mal definitivo. Ele é o mal definitivo porque ele organiza isso de uma forma predatória. Mas isso, mano, a partir do momento que começou a ter comunicação de massa, né, pra várias pessoas, essa ideia, ela tá embutida.

Primeiro com os jornais de papel, depois com rádio, depois com televisão, internet, e agora a gente tem as redes sociais. Mas a função é a mesma, tá ligado? É você, tipo, expor um modelo de vida, o que é melhor que o seu. E é ilusório, né? É ilusório.

mas como que você faz isso? sendo escravizado pelo trabalho só o trabalho que faz essa sociedade ser o que ela é e aí tem um monte de gente, novamente, eu sei que a gente não conceitualizou a ideia e aqui também não é nenhum motivo de criar conceitos sobre as coisas mas é porque o trabalho é o problema o problema é o trabalho

Eu não vou negar aqui não, que a União Soviética industrializou a União Soviética de uma forma absoluta, mas, tipo, qual que eram as condições de trabalho pros trabalhadores dentro da União Soviética nessa industrialização? Hoje, a China, o futuro, né? Tecnológico, o futuro da sociedade. Todo mundo tá olhando pra China dessa forma. Mas os caras lá tem um monte de problema, mano. Trabalhista. Ainda tem. Não é essa baboseira toda de escravidão, que não tem nada a ver, tá ligado? A galera...

que tá tentando a cabeça. Acho que tem em todo o país, velho. Eu não consigo pensar em... O trabalho escravo, você fala, né? O trabalho escravo, é. Eu acho que na China tem também, só que eu não acho que é. É que pra mim trabalho já é escravidão, né? Então, é isso, né? O trabalho já é escravidão moderna, que a gente não trata como escravidão.

Mas o trabalho de escravidão... O trabalho. A escravidão clássica, que é você ficar mantendo um cativeiro, imperialista. Eu acho que rola em todo o país ainda. Não, ainda tem. Eu acho que ainda tem. A China também não tá fora disso, tá ligado? Ela também tem esse problema. Mas no grande montante da população chinesa, essa não é a realidade, tá ligado? Não, não.

dentro da sociedade chinesa, você vê esses problemas banais também, mano. Tem problema, cara, tá ligado? Lá é o ápice do futuro, da civilização, e as pessoas estão presas em cargas, tipo, cargas de trabalho, assim, de horas de trabalho muito grandes.

existe um problema sobre ainda a distribuição de renda dentro da sociedade que é clara, é evidente, sabe? Sim. Os problemas da nossa sociedade elas existem porque nós trabalhamos, mano. E não tem como você querer mudar essa sociedade se a próxima proposta da sociedade também é você trabalhar, tá ligado? É por isso que as pessoas não veem a revolução de uma forma tipo, mano, o que vai mudar depois da revolução? Você continua trabalhando, mano.

O que mudou? Se a gente for pra uma revolução socialista, tá ligado? A revolução socialista é uma reorganização da sociedade. Ah, não, mas você vai ter direitos melhores e você... Sim, tá, beleza, tranquilo. Mas você ainda vai ter que fazer o quê? Trabalhar, mano. Você não tá livre disso. Eu acho que eu não seria contra a ideia de trabalhar contanto que tem um propósito.

mano, novamente eu entendo o que você está falando eu evitaria a palavra trabalho o trabalho tem um conceito é que o trabalho a palavra tem um conceito ela tem um peso trabalho não é você fazer algo tá ligado?

Trabalhar não é você fazer algo. Trabalhar é você vender o seu tempo em busca de algo. Que pode ser dinheiro, pode ser status, qualquer coisa. Quando você produz...

comida pra você, tá ligado? Isso não é trabalho, mano. Isso é subsistência. Olha só a diferença. Tem propósito, né? Tem um propósito. Tem um propósito que não é você ser um consumidor, né? Você tá aqui pra ser um consumidor. Trabalho não tem propósito, tá ligado? Você produzir seu alimento tem propósito. E você que tá ouvindo a gente, lembra que não é através do trabalho que você vai construir o seu sonho individual. Nunca foi, mas vai ser meio difícil.

Nunca vencer. Cara, se alguém estiver aqui ouvindo e vir falar pra mim, não, porque eu, por causa do meu trabalho, vou assim, tá, beleza. Deixa eu te perguntar. Agora, você consegue largar tudo e comprar um iate e viver o resto da sua vida dentro do seu iate? Se a resposta é não, você é só um otário. Achando que você venceu na vida. É a provocação do Zé Paulo Neto, né? Você tem toda a liberdade de ir pra França amanhã. Por que você não vai?

É, vai agora, tá ligado? Por que você não vai dar um rolê, viajar o mundo, conhecer as pirâmides do Egito?

Vai resolver, vai fazer o que você quiser da sua vida aí, mano. Tá ligado? Quanto tempo, né? Quanto tempo será que você aguenta fora do seu país, não sendo um bilionário? Então, eu acho que o 1º de maio é uma data que a gente tem que refletir sobre isso. A gente tem que refletir, beleza, é o dia do trabalhador. Mas o que a gente quer com isso, tá ligado? O que a gente quer com isso? Porque eu, mano, particularmente... A gente vai deixar isso até para um próximo episódio.

Mas eu praticamente, mano, sou a favor da inteligência artificial e das máquinas, mano. Se você quebrar a lógica do capitalismo, tá ligado? E você usar o conhecimento pra produzir o que é necessário pra sociedade, sendo que a sociedade hoje, muitas das coisas que a gente faz, elas não são mais necessárias. E você deixar a máquina produzindo comida, a máquina produzindo roupa, a máquina produzindo, sabe, com baixo custo, poucas pessoas ali que estão gestando isso, né?

E as pessoas não são obrigadas a gestar. Vai ter gente que vai ter interesse de fazer coisas, mano.

é isso que as pessoas não entendem o interesse de agilir o interesse de se movimentar o interesse de criar coisas novas ela é inerte ao sistema político e econômico que a gente tá vivendo ou você acha que o cara começou a dominar o fogo porque ele queria vender as tochas nas cavernas é, eu era o primeiro empreendedor o primeiro empreendedor ó, tem o fogo aqui, tô vendendo o fogo tá ligado

Tô vendendo fogo aqui, dois pedaços de carne. Na faculdade de jornalismo e publicidade, a gente aprende, pelo menos eu aprendi isso, né? E a primeira propaganda do mundo foi... A primeira propaganda do mundo foi a cobra tentando a Eva, vendendo a maçã pra Eva, né? Parece que a Bíblia foi escrita por marqueteiro, né? É. Que tá vendendo um produto que não é verdade, que você nunca consegue atingir, e que você nunca chega lá, tá ligado?

A Bíblia foi o melhor material de marketing da humanidade. Cara, é pior porque você chega lá, mas só quando você morrer. Aí você descobre. Exatamente. O Senhor obedece primeiro. Quando você morrer, você vai ter sua recompensa. E você ainda não tem a certeza da recompensa, né? Histórica. Olha isso aí, Histórica. Ju, quando você morrer, você ganha. E a galera fala, porra mesmo? Massa. E você nem sabe se vai ganhar.

Você nem sabe porque você tem que ser bom, você tem que obedecer, você tem que rezar, você tem que... Isso antigamente, né? Hoje não precisa mais. Hoje você só precisa estar em dia com o dízimo e... Não, não. Hoje em dia é a mesma coisa. Tá ligado? É a mesma coisa. Mas é que as pessoas acreditam...

Que elas fazem parte da reunião Da religião que vai salvar ela automaticamente Não, é que o que eu quero dizer hoje É que os 10 mandamentos não precisa seguir não Tá ligado? Isso aí é coisa do passado Não trair sua mulher Não fazer coisa errada, não Mano, eu juro pra você que Eu vou falar do fundo do meu coração isso daqui Se vocês que estão ouvindo se ofender Foda-se

Os cristãos, pra mim, eles têm uma deficiência mental tão grande porque os caras não conseguem seguir duas regras, cara. Duas. O Novo Testamento, Tchai, ele só tem duas regras. Amar ao próximo como a ti mesmo e Deus sobre todas as coisas. É só isso, mano. Não dá. Já era. Não tem como. E o cristão, ele não consegue fazer isso. É porque é contraditório com a nossa ideologia de vida.

É porque, na verdade, quem tá lendo a Bíblia, ele tá fazendo o quê? Propaganda de trabalho, né? Não, porque você tem que trabalhar, porque o trabalho dignifica o homem, porque trabalhar é... Deus pediu pra que suas obras fossem feitas através do trabalho. É o convencimento do trabalho. A Bíblia, a função dentro da sociedade capitalista inteira... Mano, o capitalismo não existiria sem a Bíblia. Cara, sabe o que é isso? Isso pra mim é magia.

O pessoal fala da África, que lá tem feitiçaria e não sei o que. Eu acho que o cristianismo, ele é feitiçaria. Imagina você dominar a pessoa, a vida inteira da pessoa, sem nenhum tipo de coerção física, só com palavra. Não agir, irmão. Isso é encantamento. É feitiço. É feitiço. É tipo um Gandalf, né?

é tipo isso, você olha pro cara e não acredita em que ele tá falando você falou umas palavras mexeu os dedos assim e a pessoa tá te obedecendo até a morte é isso mesmo, tá ligado? é tipo isso, e o trabalhador ele é convencido, o trabalho eu vou falar de novo, só existe por causa da bíblia

essa forma de trabalho que conhecemos, né? Porque o capitalismo, ele é fundamentado nisso, mano. Não existe capitalismo sem cristianismo. Não existe, cara. Não existe capitalismo sem cristianismo. É por isso que quando o cristianismo cair, enquanto ideologia...

o capitalismo acaba, porque não tem como você fundamentar essa exploração do homem sem uma resposta divina, tá ligado? E não só isso, por isso que o cristianismo, ele é fundamentalmente contra o comunismo, é só lembrar das propagandas que tinha aqui nos anos 70 da igreja católica, no comunismo a sua mulher será compartilhada.

Na verdade, não, né? Eu discordo de você, tá ligado? Eu discordo, porque o cristianismo, na verdade, o cristianismo, né? O Novo Testamento, na verdade, ele é comunista, né? Não, tudo bem, na teoria, os cristãos usam o livro de uma forma de propaganda anticapitalista, anticomunista, né? Anticomunista, né? Anticomunista.

Mas se você ler de verdade o livro, tá ligado? Vai soar muito como comunismo, eu acho. Mano...

Olha só, qual que é o paraíso de Deus? É um reino de uma perspectiva. Eu imagino uma nuvem com muita gente e um cara. Vamos falar do céu católico, tá ligado? É o reino de Deus. Ele é um reino. Então se ele é um reino, ele tem um rei, tá ligado? Que é Deus. No caso, seria Jesus Cristo. Não é bem Deus, né? Deus meio que tá cagando.

pra tudo, né? Na verdade, quem vai ficar é Jesus Cristo. Ai, gente, Jesus Cristo não é Deus, tá? Não é, não é. Se você minimamente lê essa porra desse livro, você sabe que são duas pessoas diferentes, né? Existe Deus e existe Jesus Cristo. Existe Jeová e existe Jesus. Jesus não é o... Eu achava que Jesus era o avatar de Deus pra usar na Terra. Não é, mano. Não é. Isso daí é coisa da igreja católica, cara.

aquela porra de trindade lá, que nem tá na Bíblia essa porra, tá ligado? Não tá nem escrito na Bíblia. O pai, o filho e o Espírito Santo? Não tá escrito na Bíblia, cara. Tipo, essa parada de trindade, tá ligado? Ele fala na Bíblia sobre o pai, pai, filho e o Espírito Santo, tá ligado? Se Jesus Cristo é Deus, por que ele tava falando na cruz, pai, por que me abandonaste?

Tudo bem, tudo bem. A gente pode discutir que Jesus Cristo está esquizofrênico? A gente pode. A gente pode discutir essa parada aqui também. Se o debate vai pisar. Ouvir vozes, tá ligado? Mas se você acredita no que está lá, o que ele está falando?

pai, porque me abandonou, acho. Ele tá falando com ele só? Ele tá falando sozinho. É, porque eu me abandonei, né? Por que eu me abandonei? Você é burro? Tá ligado? Entendeu? Tipo, é lógica isso, né, mano? Tipo, é lógica, mas tudo bem, né?

Se você acredita aí que os três é a mesma coisa, você só não sabe ler. Aí é um problema de interpretação. E você acredita no que a igreja falou pra você e não foi ler de verdade o bagulho. E quem que é o Espírito Santo? Eu também. É o Ki. Acho que a melhor forma de explicar é o Ki. O Chakra.

É, é isso, mano. É isso mesmo, de verdade. De verdade, eu não tô nem de zoeira, é isso mesmo. Eu acho que é a forma mais simples de eu explicar o que é o Espírito Santo. O Espírito Santo é o chakra. O Espírito Santo é a força de Deus, tá ligado? Caralho, eu não sabia que a Bíblia era um mangá também. Na verdade, né? As pessoas estão usando ela pra escrever. Tipo, mano, os Star Wars, né? Os Midichlorians é o quê?

Seria o Espírito Santo, tá ligado? A força de Deus que tá em tudo. Não, não, não, não. Eles têm a bactéria, eles conseguem medir. Então, eu entendo. Ah, não, olha só. Olha só, você errado. Você errado, Miogi. O chakra, eles conseguem medir. Quem tem mais, quem tem menos. Mas aonde? Quem consegue medir essa porra, cara?

O Dragon Ball O Dragon Ball eles tem um radar, velho Então é que foda-se, né, cara? Foda-se Mas ele é mensurável, irmão É mensurável O Vegeta tem 80 mil, o Goku tem 90 É mensurável Não se mensura o Espírito Santo Até o ponto que não dá mais pra mensurar Então o Espírito Santo é muito maior?

Então, é o que, mas é que Deus tem todo o que, tá ligado? Tipo, é isso. Tipo, ele tem que ir infinito. É basicamente isso, tá ligado? Mas, por exemplo, os milagres de Jesus Cristo, eles são feitos através do Espírito Santo, do que, tá ligado?

É tipo isso, entendeu? É basicamente essa a ideia A ideia é essa, tá ligado? Mas aí quando você lê o livro Você entende que o paraíso de Deus é o quê? É um lugar, olha só Olha só como que é a definição técnica do paraíso de Deus É um reinado Onde as pessoas viverão em harmonia Onde não haverá diferença Entre as pessoas lá dentro Mas as pessoas ainda vão morar Em comunidade Porque as pessoas vão estar ali Vivendo em comunidade Tá ligado

Mas lá você não precisa trabalhar, lá você não precisa, tipo, você não precisa fazer nada que você faz nessa vida merda, terrestre. E basicamente o comunismo é isso, tá ligado? O comunismo é a superação do trabalho, mano. O comunismo é um lugar onde as pessoas vivem em comunidade, ninguém é melhor que ninguém, não existe hierarquia, tá ligado? Tá todo mundo planificado. A única diferença é que a gente não tem um rei, que no caso da Bíblia tem. E se você acha que eu tô viajando, o pai do Karl Marx, ele era...

O Marx era judeu e o pai dele, na verdade, era protestante, tá? E ele era um pastor protestante, o pai de Karl Marx. Então, o Karl Marx conhecia muito bem da Bíblia. Muito bem da Bíblia. E é por isso que a proposta do Karl Marx, ela está fundamentada dentro de algo que todo mundo já conhece, mano. Que é o paraíso de Deus.

Mas ele tá falando disso na materialidade Ele tá falando disso aqui Ele tá falando de a gente construir essa porra É isso, essa é a diferença O espírito santo no Marques era forte Porque ele conseguiu Traduzir o céu Pra terra, né Então, na verdade ele só leu, né

Ele só leu o livro, tá ligado? Mas ele leu o livro, ele criticou também Ele criticou, lógico que ele criticou Mas não existe essa mitologia Nem sei se é verdade, tá gente? Essa mitologia de que o Marx foi uma das pessoas Que mais leu livros Na história da humanidade O único indivíduo É depois do Lula na prisão

É, tipo isso. Ele tá valendo até o livro do Lula. Mas a ideia é essa, mano. O bagulho tá escrito, cara. É que as pessoas não querem fazer. Por quê? Porque as pessoas não querem fazer. Elas querem que alguém faça por elas. Você entendeu? É o debate que eu sempre tenho sobre direitos trabalhistas. Pra encerrar esse episódio que já tá ficando grande. Gostei de ter essa conversa brisada aqui. O que eu sempre falo pra todo mundo, mano.

Você não quer participar de greve? Você acha que sindicato é uma bosta? Tá, não sei o que lá.

Eu sou a favor de realmente você não ter que contribuir, você não ter que participar de nada. Mas ele também não tem os direitos trabalhistas. Você não vai no sindicato, você não participa das reuniões, você tá cagando pra todo o debate. Super apoio.

você não querer participar. Mas eu também sou a favor de você não ter licença maternidade, de você não ter férias, de você não ter décimo terceiro, isso não é porra nenhuma. E a gente tá perto de chegar nisso, né? Eu acho que a gente vai ter, talvez, pelas próximas duas décadas, o PT se vangloriando de ter conseguido aprovar o fim da escala 6x1, mas ao mesmo tempo a gente vai ter o STF liberando a pejotização.

Então, ao invés de você ser contratado como CLT, você vai poder ser contratado como, olha só, PJ. É, aí você vai trabalhar 7x0. Olha só que delícia. Aprova o Fingas 6x1 e todo mundo vira PJ. E aí você vai na 7x0. Bom dia, mano.

Esse é o futuro, é um futuro amargo que nós estamos vendo, porque isso não é nenhuma utopia, isso está mais próximo do que a gente imagina, porque a gente está aí, batendo a cabeça, achando que trabalho é algo bom. Isso choca, para você que está ouvindo, deve chocar mesmo, sabe por quê? Porque pensamentos que podem ser revolucionários, não estou falando que são revolucionários, que podem ser revolucionários,

eles são estranhos mesmo. Porque eles quebram. Eles quebram a corrente contínua da nossa sociedade. E é por isso que é estranho. Faz abalar as estruturas do nosso mundinho frágil, né? É por isso que é desconfortável falar que trabalhar é um problema. Porque você foi convencido sua vida inteira de que trabalho dignifica você. Mas isso é uma mentira, mano. É, mas se curar o trabalho, o que sobra, né? Pergunta isso.

Sobra um animal, cara É, boa Faz essa pergunta pra você, se você tirar a sua profissão, o seu trabalho O que que você é? Não vale se identificar pelas coisas que você gosta também, né? Não Ah, eu sou cinéfilo Ah, eu sou a pessoa que gosta de ouvir O que é você sem o seu trabalho? O que é você sem o seu trabalho?

Sem você trabalhar, o que é você? Acho que essa é a pergunta que você tem que se fazer. Quem sou eu sem trabalho? É isso. Beleza? Então, espero que vocês tenham gostado aqui de ouvir esse episódio no seu feriado. Se você não estiver ouvindo no feriado, está ouvindo depois e você já está errado de estar ouvindo atrasado. Mas, é importante essa conversa. Mano, curti pra caramba. Eu e o Tchá, a gente está num momento filosófico muito complicado na nossa vida.

Estamos pensando em várias alternativas para esse programa aqui, porque várias coisas estavam fazendo a gente...

fazer a gente mal mesmo, né? Tô louco, velho, a gente passou um ano falando de genocídio e guerra, pai. Guerra, mano, eu tô meio saturado assim. Sabe? Eu sei que é importante falar sobre isso, mas, mano, é tipo, juro pra vocês, mano. Juro pra vocês. E aí, aí a gente volta, né? Porque a gente faz isso no nosso tempo, no nosso bolso. E isso tá fazendo a gente ficar mal.

prospecto geral. Então a gente tá sentando, assim, eu e o Tchá, a gente tá sentando pra tentar... Não, você tá, eu não tô ainda. A gente já conteve umas conversas, né? Sobre isso, do que a gente vai fazer. Eu podia ter metido um a ele pra você ter entendido o que eu quis dizer. Mas tudo bem.

Ah, sentado? Ah, não, eu sento direto também. Eu sento. Eu sento gostoso ainda. Mas, é isso, né? A gente vai ficando por aqui. Espero que vocês tenham gostado desse episódio. Se você não gostou também, pau no seu cu. Porque a gente vai estar de volta de qualquer forma aqui falando. E se você está ouvindo isso pela terceira vez, é porque você sabe que já deveria ter seguido o esquema. Então, espero ver vocês no próximo episódio. Um beijo, um cheiro, tchau, tchau. É isso, amigos. Até a próxima. Falou, valeu.

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