Episódios de CBN Primeiras Notícias - Frederico Goulart

Bolsonaro tem 48h pra explicar carta; Trump quer pedágio no Estreito de Ormuz; e Brasil tenta reverter tarifaço

14 de julho de 202610min
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3 notícias em 10 minutos: defesa de Jair Bolsonaro tem 48h pra explicar se ex-presidente sabia que carta seria divulgada nas redes por Flávio; Trump vai cobrar pedágio no Estreito de Ormuz; e termina nesta quarta prazo sobre tarifaço de 25% em produtos brasileiros.

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Participantes neste episódio4
P

Pedro Borenberg

Host
D

Donald Trump

ConvidadoPresidente dos Estados Unidos
J

João Rosa

ReporterJornalista
L

Lula

ConvidadoPresidente
Assuntos3
  • Tomada de DecisãoJair Bolsonaro · Flávio Bolsonaro · Alexandre de Moraes · Carta divulgada · Proibição de visitas · Propaganda eleitoral antecipada
  • Estreito de OrmuzDonald Trump · Estreito de Ormuz · Cobrança de pedágio · Bloqueio naval do Irã · Irã · Lula
  • Aumento de tarifas de importação no BrasilEstados Unidos · Brasil · Tarifa de 25% · Práticas comerciais injustas · Flávio Bolsonaro · Lula
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
PBPedro Borenberg

Alexandre de Moraes proíbe visitas de Flávio Bolsonaro a Jair Bolsonaro e Defesa tem 48 horas para explicar divulgação de carta nas redes sociais. Trump promete cobrar pedágio de 20% das cargas de cada navio no Estreito de Ormuz. Na véspera da decisão dos Estados Unidos, Brasil tenta reverter tarifação. 3 notícias em 10 minutos, comece o seu dia bem informado. Eu sou Pedro Borenberg e te faço companhia. Hoje é terça-feira, dia 14 de julho de 2026.

A defesa de Jair Bolsonaro tem 48 horas para explicar se o ex-presidente sabia que a carta escrita na prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais pelo pré-candidato Flávio Bolsonaro. A intimação foi feita pelo ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu as visitas do senador ao pai até outubro, depois do primeiro turno das eleições. Lá em Brasília, quem conversa com a gente é o João Rosa. Fala, João!

?Voz B

Oi, Pedro! Os advogados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à presidência classificaram como inconstitucional a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias o direito de visita do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa informou também que vai recorrer da decisão. O direito de visita foi suspenso até o primeiro turno das eleições depois que Flávio divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Bolsonaro em que o ex-presidente pediu união entre seus apoiadores e apresentou o senador como seu porta-voz.

Para Moraes, a divulgação do documento representa uma tentativa de burlar a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar as redes sociais. Flávio, no entanto, classificou a medida como desproporcional e afirmou que o ministro está tentando interferir nas eleições.

?Voz 1

E a justificativa fajuta seria que eu, a carta que o presidente Bolsonaro escreveu e que veio a público em minhas redes sociais e em diversos outros canais de comunicação. Então, pessoal, é obviamente algo completamente desproporcional, desarrazoado, e claramente configura essa tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições desse ano. Não bastasse toda a maldade e injustiça que ele já vem fazendo.

?Voz B

Na mesma decisão, Moraes deu prazo de 48 horas para que a defesa esclareça se Bolsonaro tinha conhecimento de que a carta seria divulgada nas redes sociais. O ministro também determinou o envio do caso à Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar uma possível prática de propaganda eleitoral antecipada. O advogado Fábio Solto, especialista em tribunais superiores, explica que presos podem se comunicar por cartas, mas avalia que neste caso a divulgação pública do conteúdo pode trazer consequências para Bolsonaro.

?Voz D

As pessoas que eventualmente estejam cumprindo pena têm o direito de se comunicar através de cartas com outras pessoas. No caso específico, me parece que não é bem isso, tendo em vista que a carta foi dirigida ao povo brasileiro e lida através da rede social do pré-candidato Flávio Bolsonaro. Assim, diante dessas premissas, Entendo que sim, houve uma burla à determinação do ministro Alexandre de Moraes.

?Voz B

A decisão também provocou reações no meio político. O deputado Lindbergh Farias, do PT, afirmou que Bolsonaro conhecia as restrições impostas pela Justiça e transformou o descumprimento da medida em uma estratégia política. Entre os pré-candidatos à presidência, Renan Santos, do Missão, criticou Moraes e disse que a decisão fortalece politicamente Flávio Bolsonaro e alimenta a narrativa de perseguição adotada pelo grupo bolsonarista.

Já Ronaldo Caiado, do PSD, afirmou que a leitura da carta demonstra falta de autonomia política do senador. Eu volto com você, Pedro.

PBPedro Borenberg

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promete retomar hoje o bloqueio naval do Irã. O republicano declarou que o Estreito de Ormuz está aberto sob controle americano e que os Estados Unidos vão cobrar um pedágio de 20% do valor da carga de cada navio que fizeram a passagem pela rota.

DTDonald Trump

Nós tivemos um acordo. Isso que ninguém sabe, nós tivemos um acordo. Foi um acordo feito e depois eles quebraram. Eles sempre quebram. Nós tivemos uns 10 acordos com essas pessoas. Então nós vamos atacá-los duramente e manter as coisas no rumo certo. Provavelmente vamos comandar o Estreito de Ormuz. Seremos os guardiões do estreito e nós deveríamos ser recompensados por isso, porque as outras nações são muito ricas. Elas estão ao nosso lado e não podem esperar que vamos fazer isso por nada, como fazemos muitos anos.

PBPedro Borenberg

O bloqueio está previsto para entrar em vigor hoje às 5 da tarde no horário de Brasília. Estima-se que para um superpetroleiro totalmente carregado, a taxa poderia passar de 30 milhões de dólares. A ordem é para que os militares americanos impeçam a passagem de qualquer embarcação que saia ou tenha como destino portos e a costa iraniana. Em retaliação às declarações de Trump, o Irã alvejou dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos, que denunciaram a violação da lei internacional.

O regime também lançou drones e mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio. Em um comunicado do comando militar, o regime iraniano afirmou que não permitirá que os Estados Unidos atuem na região do Estreito de Ormuz, O governo do Irã avisou que vai atacar qualquer embarcação que não tiver sua autorização para passar por rotas designadas. No plano político, o chanceler iraniano ironizou as falas de Trump e disse que o Irã é o verdadeiro e eterno guardião do Estreito de Ormuz, mas que cobraria um pedágio mais justo.

A Organização Marítima Internacional lembrou que nenhum país tem o direito legal de cobrar pedágio. Ameaçar, impedir ou dificultar a passagem em estreitos. Aqui no Brasil, o presidente Lula acusou Donald Trump de praticar pirataria internacional ao propor a cobrança do pedágio marítimo.

LLula

Tem um Twitter do presidente Trump dizendo que ele vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso antigamente chamava-se pirataria. O Estado importante como os Estados Unidos não pode agora virar pirata, ou seja, ele não tem que cobrar porque o Estreito de Ormuz é da responsabilidade deles.

PBPedro Borenberg

A tensão extrema no Oriente Médio fez o preço internacional do petróleo disparar mais de 10%, com o barril do tipo Brent cotado a $85 nessa madrugada. Nos bastidores, pessoal, da guerra, o jornal The New York Times revelou um plano secreto e fracassado de Israel para colocar o ex-presidente iraniano de volta ao poder. Após as revelações do complô com o serviço de inteligência Mossad, o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar pelo regime dos aiatolás.

E termina amanhã o prazo dado pelos Estados Unidos para decidir se vão aplicar o tarifácio de 25% sobre as exportações brasileiras. A representação comercial americana acusa o mercado brasileiro de práticas comerciais injustas e desleais. Os pontos de atrito envolvem barreiras ao etanol dos Estados Unidos, favoritismo regulatório ao Pix em detrimento de operadoras americanas de cartões de crédito, além de alegações inéptas de falhas na fiscalização do desmatamento ilegal na Amazônia.

Para evitar a alta de preços interna nos Estados Unidos, a Casa Branca preparou uma lista de exceções que poupa produtos estratégicos como carne bovina, partes de aeronaves, terras raras e a maior parte do café bruto. A diplomacia brasileira trabalha com um cenário mais provável de que o governo Trump vá confirmar as taxas, mas conceder uma carência de 30 dias antes da cobrança nas alfândegas. Depois de visitar os Estados Unidos para pedir que as tarifas fossem aplicadas só depois das eleições, o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, admitiu que a taxação é inevitável.

?Voz 1

A tarifa vai chegar para o Brasil, tô adiantando para vocês, essa tarifa vai acabar chegando no Brasil. Não tô com informação privilegiada não, são que os sinais mostram aí.

PBPedro Borenberg

Apesar da falta de acordo com o governo americano, o presidente Lula acredita que o tarifaço não será aplicado.

LLula

O país tá preocupado com o novo tarifaço? Alguém do governo tá conversando?

PBPedro Borenberg

O governo brasileiro tenta uma última reunião antes da decisão dessa quarta-feira e ao mesmo tempo busca calibrar uma resposta ao tarifação que pode ser baseada na lei da reciprocidade econômica. Essas foram as 3 principais notícias de hoje. O CBN Primeiras Notícias é um podcast produzido por mim, Pedro Bonenberger, ao lado de Ana Paula Jaume e Edmilson Fernandes. A edição sonora é de Renato Silva. Estamos todos os dias antes das 6 da manhã no seu tocador de podcasts favorito. Um ótimo dia para você!