PF revela que Eduardo Cunha operou emendas sem mandato; Congresso quase de recesso; e Moraes avalia carta de Bolsonaro
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Investigação da PF revela que Eduardo Cunha operou emendas do orçamento mesmo sem mandato. Congresso entra na última semana de trabalho antes do recesso. Projetos como o fim da escala 6x1 podem ficar pelo caminho. Alexandre de Moraes vai avaliar se a carta de Bolsonaro lida pelo filho quebrou restrições judiciais da prisão domiciliar. 3 notícias em 10 minutos, comece o seu dia bem informado. Eu sou Pedro Bonenberger e te faço companhia.
Hoje é segunda-feira, 13 de julho de 2026. A gente começa o podcast de hoje falando sobre a farra das emendas. Uma investigação da PF revelou que o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Operou emendas do orçamento mesmo sem mandato. Em Brasília, Samanta Klaier é quem explica essa história. Bom dia, Samanta.
Olá, Pedro. O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga a suposta atuação ilícita de Cunha no direcionamento de emendas parlamentares. Ele não tem mandato desde 2016, mas circula por Brasília e busca voltar à política. Conforme a investigação da Polícia Federal, o ex-deputado coordenou diretamente a destinação de pelo menos 29 emendas da Comissão de Saúde.
As emendas foram destinadas a municípios de Minas Gerais. Na decisão, o ministro Flávio Dino disse que Cunha opera como agente privado com poderes políticos equivalentes ou até superiores ao de parlamentares em exercício, assim como no caso do presidente do PL, Marcos Taneto, o ministro cita que Eduardo Cunha coordenava a destinação de recursos públicos através da assessora parlamentar Mariângela Fialec, conhecida como Tuca. Dino destaca que as conversas extraídas do celular dela comprovam que o ex-presidente da casa seguia tendo influência na destinação de verbas públicas.
Para o especialista em contas públicas Murilo Viana, a prática configura em tratamento do dinheiro público como se fosse privado.
Não foram eleitos, não tem a legitimidade para poder fazer esse tipo de emenda, né? Então acontece ali algo que antes de tudo é inconstitucional e até mesmo criminoso, né? A gente tá tratando ali de pessoas que hoje não mais atuam como parlamentar e que devido à força política acaba condicionando recursos públicos como se privado fosse.
A Câmara dos Deputados também foi intimada a fornecerem dias todos os documentos de tramitação interna das emendas citadas na investigação. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi alvo de bloqueio de bens por ordem de Dino na semana passada. A suspeita é que ele direcionava as verbas de emendas mesmo sem ter mandato parlamentar. Ele negou qualquer irregularidade. Em nota do sábado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu a atuação de Tuca e afirmou que a investigação não demonstrou desvio, abuso ou aplicação destinação irregular de verbas públicas.
Na semana passada, o ministro Flávio Dino já havia bloqueado quase R$120 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, suspeito de também direcionar emendas parlamentares mesmo sem mandato no Congresso. No caso do presidente do PL, o esquema de desvio das emendas também envolvia 3 servidores da Câmara dos Deputados ligados ao Centrão. Em entrevista à CNN, Valdemar Costa Neto negou que tenha cometido irregularidades e disse que não tem o valor bloqueado pelo ministro Flávio Dino.
Eu não tenho esse dinheiro, nem que eu acertasse duas vezes na loteria eu teria esse dinheiro. Não imagina, mas nem perto. Eu gostaria de ter, mas eles fizeram do valor total das emendas e o bloqueio saiu desse tamanho. Então o cidadão que vê isso pensa que eu tenho esse dinheiro para pagar. Ele bloqueou as minhas contas E vamos mostrar que nós não cometemos nada de irregular. E as emendas todas são emendas sérias, não tem emenda para entidade, para essas coisas. É tudo emenda séria, tudo para município do PL.
A investigação da Polícia Federal apontou que a servidora Mariângela Fielec tinha pleno aval do presidente da Câmara, Hugo Motta, para promover o desvio de emendas. A defesa de Mariângela afirmou que a atuação dela era estritamente técnica, apartidária e impessoal. Em nota, Hugo Motta argumentou que a investigação da Polícia Federal e o despacho do Supremo não demonstraram nenhum tipo de desvio de conduta, abuso de poder ou aplicação irregular de verbas públicas.
Um relatório divulgado nesta madrugada pela Transparência Brasil revela que a Câmara dos Deputados movimentou R$1 bilhão e R$300 milhões em emendas de comissão sem transparência. E o recesso do Congresso, hein? O Congresso Nacional entra na última semana de trabalho antes do recesso sem votar ainda, pessoal, projetos considerados prioritários pelo governo neste ano. Propostas como o fim da escala de trabalho 6x1, a PEC da Segurança Pública e a regulamentação da exploração de minerais críticos estão travados no Senado.
Na Câmara, estão pendentes o projeto que criminaliza a misoginia, a atualização do limite do faturamento do MEI e a regulamentação do uso de inteligência artificial. Os parlamentares da Câmara e do Senado trabalham até sexta-feira e voltam no dia 1º de agosto. Mas as eleições desse ano devem esvaziar ainda o parlamento, pelo menos até o início de outubro, após o final do primeiro turno. Na Câmara, os deputados já combinaram sessões presenciais apenas de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro.
Fora desse período, os parlamentares ficarão livres para articular as próprias campanhas nas bases eleitorais, já que não estão previstas sessões de votação. O ministro Alexandre de Moraes deve avaliar nos próximos dias se a carta de Bolsonaro, lida pelo senador Flávio Bolsonaro numa transmissão ao vivo, configurou quebra nas restrições judiciais da prisão domiciliar. O deputado federal Lindenberg Farias, do PT, pediu ao Supremo a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente por causa da carta.
Carta aos brasileiros, saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade, escrevo no momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos, na certeza de que juntos tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade. Assina Jair Bolsonaro.
Parlamentares da oposição argumentam que a carta de Bolsonaro fere a proibição imposta pelo STF que veda manifestações do ex-presidente nas redes sociais por conta própria ou de terceiros. Além do pedido de prisão em regime fechado para o ex-presidente Jair Bolsonaro, O pedido solicita ainda a aplicação de uma multa de R$100 mil contra Flávio. O pré-candidato do PSD, Ronaldo Caiado, disse que a carta do ex-chefe do Executivo demonstra a falta de liderança e de autonomia de Flávio Bolsonaro.
Você tem que estar preparado para governar, para presidir um país. Você não pode recorrer a cada crise uma carta do seu pai. Você tem que ter ali as posições de poder, ter uma estrutura política, uma estabilidade emocional e ao mesmo tempo uma capacidade de poder superar as crises que amanhã venham acontecer. Nós estamos discutindo a presidência da República. Ora, a cada crise uma carta.
Investigação da PF revela que Eduardo Cunha operou emendas do orçamento mesmo sem mandato. Congresso entra na última semana de trabalho antes do recesso. Projetos como o fim da escala 6x1 podem ficar pelo caminho. Alexandre de Moraes vai avaliar se a carta de Bolsonaro lida pelo filho quebrou restrições judiciais da prisão domiciliar. 3 notícias em 10 minutos. Comece o seu dia bem informado. Eu sou Pedro Bonenberger, eu te faço companhia. Hoje é segunda-feira, 13 de julho de 2026.