Itamaraty vê risco com EUA; Câmara quer comissão de debate da maioridade penal; e tarifaço volta às audiências
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Pedro Wollenberger
Abraão Neto
Gustavo Pessoa
Homero Busnello
João Rosa
Ricardo Alban
- Poder de compra no BrasilEscritório de representante comercial dos Estados Unidos · tarifação · produtos brasileiros · Pix · etanol · Coca-Cola · Tesla · eBay
- Possível intervenção militar dos EUA no BrasilItamaraty · Estados Unidos · força militar · território brasileiro · Donald Trump · PCC · Comando Vermelho · organizações terroristas
- Redução da Maioridade PenalCâmara dos Deputados · maioridade penal · 16 anos · eleições de outubro · PEC da Segurança Pública · Aloysio Mendes · Mendonça Filho · Domingos Sávio
Itamaraty aponta risco de os Estados Unidos usarem força militar em território brasileiro. Câmara dos Deputados começa a discutir proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Audiência nos Estados Unidos sobre tarifação chega ao segundo dia. Empresas brasileiras relatam preocupação com risco de sobretaxa. 3 notícias em 10 minutos. Comece o seu dia bem informado. Eu sou Pedro Wollenberger e te faço companhia. Hoje é terça-feira, dia 7 de julho de 2026.
O Itamaraty informou à Câmara dos Deputados que vê risco de os Estados Unidos usarem força militar em território brasileiro. Esse alerta consta num documento oficial enviado pelo chanceler Mauro Vieira em resposta a questionamentos do Parlamento sobre as recentes decisões estratégicas de Washington. O pretexto para uma eventual ação estrangeira decorre daquela decisão do governo de Donald Trump que classificou as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo o Itamaraty, essa rotulação unilateral abre margem para que os americanos justifiquem intervenções e missões extraterroristas armadas. Na manifestação enviada ao Congresso, o governo federal destacou que a medida de Washington não traz benefícios práticos ao combate ao crime e pode gerar graves sanções migratórias e financeiras a cidadãos brasileiros. O Palácio do Planalto reiterou que aceita cooperação internacional, mas reforçou que a soberania nacional é inegociável.
E a Câmara dos Deputados vai criar uma comissão especial para discutir a proposta que reduz a maioridade penal penal de 18 para 16 anos. Só que a votação no plenário desse tema, gente, deve ficar para depois das eleições de outubro. Lá em Brasília, quem traz os detalhes é o repórter João Rosa. Fala, João.
Oi, Pedro. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, anunciou a criação de uma comissão especial para discutir a proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A comissão será responsável por analisar o projeto e elaborar o parecer sobre a proposta de da Constituição que permite que jovens de 16 anos passem a responder criminalmente como adultos. Apesar da criação do colegiado, Hugo Motta já afirmou que o tema não deve ser votado no plenário da casa antes das eleições de outubro.
A redução da maioridade penal chegou a fazer parte da PEC da Segurança Pública, mas acabou sendo retirada do texto principal para ser debatida em uma proposta separada. O deputado Aloysio Mendes, do Republicanos do Maranhão, foi escolhido para presidir a comissão. Já a relatoria ainda será definida, mas um dos nomes copados é o do deputado Mendonça Filho, do PL de Pernambuco. A criação da comissão foi comemorada pela oposição.
O deputado Domingos Sávio, do PL de Minas Gerais, afirmou que a medida pode contribuir para reduzir a criminalidade no país.
Portanto, nós defendemos sim a redução da maioridade penal para crimes hediondos, para crimes gravíssimos que atentam e tiram a vida do semelhante, para cometer latrocínio, do tráfico de droga, do estupro. São crimes terríveis, não dá para tratar isso como se fosse apenas uma atitude de criança.
Já o deputado Rogério Corrêa, do PT de Minas Gerais, afirmou que o combate à violência exige medidas mais amplas e que a redução da maioridade penal não resolve o problema.
Com isso, nós estamos cientes de que será discutido apenas após o período eleitoral, o que é desejável no tipo de PEC como essa, para que não tenha uma influência eleitoral maior do que a importância que tem a PEC. A posição do PT já é conhecida. A gente acha que segurança pública não se resolve com palavra de ordem, tipo matar bandido e colocar menores para ficar mais tempo na cadeia. Pendera fosse simples assim, não é.
A proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e agora será discutida pela Comissão Especial. Depois dessa etapa, a PEC ainda precisará ser aprovada em dois turnos pelo plenário da Câmara e depois seguirá para análise do Senado. Eu volto com você, Pedro.
O escritório de representante comercial dos Estados Unidos retoma hoje as audiências públicas sobre o tarifação 25% proposto aos produtos brasileiros. A sobretaxa vai ser aplicada a partir do dia 15, se não houver acordo. O primeiro dia de debate durou 7 horas e foi classificado por empresários como ameno, técnico e distante de embates políticos. Painéis individuais analisaram cada cadeia produtiva, focando em temas como comércio digital, propriedade intelectual, o sistema de pagamentos Pix, tarifas alfandegárias, o mercado de etanol e desmatamento.
Um dos representantes da sociedade civil brasileira que participaram das sessões foi o economista Gustavo Pessoa, professor da Fundação Getúlio Vargas. Na GloboNews, ele relatou que falou em defesa do Pix.
Eu quis expor o sistema que nós desenvolvemos aqui no Brasil, que é uma referência mundial, não só por conta do seu tamanho, do seu volume, mas também por conta da absorção que sociedade civil fez desse sistema. Hoje em dia são mais de 165 milhões de pessoas que utilizam o sistema diariamente, mais de 19 milhões de empresas. E eu tentei mostrar para ele que todos saem beneficiados desse sistema, não só os brasileiros, mas também as empresas americanas que operam aqui no Brasil. E me pareceu que os argumentos foram bem aceitos.
Grandes corporações americanas, incluindo a Tesla, Coca-Cola e o portal eBay, enviaram manifestações oficiais pedindo que a Casa Branca desista das tarifas. As multinacionais alegam que a medida vai encarecer insumos críticos, desorganizar cadeias globais de suprimentos e prejudicar a própria indústria dos Estados Unidos. A Coca-Cola solicitou expressamente a manutenção da isenção sobre o suco de laranja e regimes de transição para o limão importados do Brasil.
Segundo a companhia, os Estados Unidos são os maiores compradores de suco congelado brasileiro, com transações que já somam US$139 milhões neste ano. A montadora de carros elétricos Tesla afirmou que usa componentes adquiridos em território brasileiro e que as tarifas comprometerão a competitividade dos seus veículos. Já o portal eBay enviou um documento de 13 páginas defendendo a isenção de artigos de segunda mão para não punir financeiramente os consumidores americanos.
Ao todo, foram enviados ao Escritório de Comércio americano 365 comentários entre empresas, associações e pessoas físicas. O representante da indústria de refrigeração, Homero Busnello, e o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, Abraão Neto, Destacaram que o tarifácio também vai prejudicar as empresas e consumidores americanos.
As tarifas, elevação das tarifas tira a competitividade da própria indústria que já está instalada aqui nos Estados Unidos. As exportações brasileiras acontecem em setores que são importantes para produção americana, insumos, máquinas, equipamentos. Então é uma situação que leva a perdas para os dois lados.
O governo brasileiro enviou ontem uma contestação formal contra as acusações de que O país falha no combate ao trabalho forçado, alvo de uma possível sobretaxa de 12,5%. Nessa carta, pessoal, o Itamaraty afirma que as conclusões da investigação são errôneas, arbitrárias e que não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo. O Ministério das Relações Exteriores afirma que o relatório deixou de considerar informações sobre as leis e as ações de fiscalização adotadas pelo Brasil para combater o trabalho análogo à escravidão.
A Confederação Nacional da Indústria projeta que a aplicação conjunta das duas tarifas propostas por Washington pode atingir mais de 4 mil produtos exportados. O impacto financeiro estimado nas vendas brasileiras para o principal parceiro de manufaturados ultrapassa a barreira dos 15 bilhões de dólares. O presidente da CNI, Ricardo Alban, reiterou que o tarifação é injusto porque não há evidências de práticas comerciais desleais do Brasil contra os Estados Unidos.
Desafio grande, mas continuaremos tendo a expectativa de possamos não só reverter sensibilizando a USTA, ou bem como aumentando também a possibilidade de novas exceções que possam reduzir significativamente esse universo de mais de 4 mil produtos.
Ó, para hoje tá prevista a participação do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Na semana passada, ele enviou uma carta ao governo americano pedindo o adiamento do tarifaço para depois das eleições. Ontem, ele postou um vídeo nas redes sociais para falar da audiência, mas apenas atacou o presidente Lula.
E eu tô aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil ainda. Aí eu vejo notícias dizendo que eu posso atrapalhar. Tá de brincadeira! O Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou. Mas eu tô aqui mesmo com a construção dessa narrativa mentirosa contra mim. Eu não vou me omitir, eu vou fazer a minha parte.
O governo Lula optou por não discursar diretamente nas audiências, alegando que o espaço não é adequado para negociação entre governos. Equipes técnicas preparam agora uma rodada final de reuniões presenciais. Com ministros brasileiros para apresentar argumentos antes do veredito americano, fixado para o dia 15 de julho. Essas foram as 3 principais notícias de hoje. O CBN Primeiras Notícias é um podcast produzido por mim, Pedro Bonenberger, ao lado de Ana Paula Jaume e Edmilson Fernandes.
A edição sonora é de Renato Silva. Estamos todos os dias antes das 6 da manhã no seu tocador de podcasts favorito. Um ótimo dia para você!