Crise após EUA revogar visto, escolha de vice de Flávio Bolsonaro e ex-chefe de gabinete de Lula devolve dinheiro
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Frederico Goulart
Bruna Barbosa
Igor Cardim
João Rosa
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Adotar reciprocidade contra os Estados Unidos após governo Trump retirar visto de embaixadora. Último dia das convenções partidárias, tem expectativa pelo anúncio do vice de Flávio Bolsonaro. Ex-chefe de gabinete de Lula diz que devolveu R$249 mil a lobista amiga de Lulinha. 3 informações em 10 minutos, o que você precisa saber para começar o seu dia. Eu sou Frederico Goulart e esse é o CBN Primeiras Notícias. Representantes do governo Lula vão se reunir hoje para discutir a melhor forma de responder à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto diplomático da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luísa Viotti.
O governo já decidiu que vai adotar a reciprocidade, mas ainda discute se a retaliação será feita na esfera de visto ou por meio de alguma outra medida. Ontem, a Presidência da República repudiou a decisão americana e acusou o governo de Donald Trump de promover uma escalada deliberada de medidas hostis e de tentar interferir nas eleições presidenciais brasileiras. De Brasília, o repórter João Rosa faz agora um resumo dessa crise.
Oi, Fred! O governo brasileiro reagiu à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luísa Ribeiro Viotti. Em nota, o Planalto classificou a medida como hostil e acusou a Casa Branca de tentar interferir nas eleições presidenciais deste ano. O texto adiciona que a revogação do visto não é um fato isolado, mas faz parte de uma escalada de ações motivadas por razões ideológicas incompatíveis com a relação histórica entre Brasil e Estados Unidos.
O cancelamento do visto de Viotti foi anunciado pelo Departamento de Estado norte-americano sem qualquer aviso oficial ao Itamaraty. A justificativa para a medida seria uma retaliação à suposta demora do Brasil em conceder o agrément, que é a autorização diplomática necessária para que o indicado de Washington, Daniel Pérez, assuma oficialmente a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. O Itamaraty, porém, rebateu essa justificativa e afirmou que os argumentos apresentados pelo governo dos Estados Unidos são falsos.
Nos bastidores, a decisão é vista como uma tentativa de pressionar o Brasil a liberar a indicação do novo embaixador norte-americano. O especialista em relações internacionais César Hiddell avalia que a crise poderia ter sido evitada.
Como o governo brasileiro não concedeu com celeridade o agrément, inclusive indicando a possibilidade de que este agrément fosse estendido até depois da campanha eleitoral, e o governo brasileiro também adota um expediente inusitado no momento em que faz, em que pretende fazer uma análise mais minuciosa da indicação de Daniel Pérez para atuar no Brasil, medida que apenas acirra uma escalada diplomática desnecessária para o Brasil nesse momento.
A medida foi anunciada 10 dias após o Itamaraty negar vistos a 2 diplomatas americanos citados pelo jornal The Washington Post como parte de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro. Essa versão foi negada pelo governo norte-americano. Na nota do Planalto, o governo também cita o episódio e diz que considera inaceitável uma tentativa de interferência no processo político nacional. Por fim, o Brasil reafirmou que se opõe à lógica de confrontação e reiterou que continuará defendendo o diálogo. Eu volto com você, Fred.
A crise diplomática do governo brasileiro com a Argentina, nosso país vizinho, que também é liderado por um presidente de extrema-direita, também escalou ontem. O Ministério das Relações Exteriores rebaixou o nível dessas relações. O Itamaraty entregou um comunicado formal ao embaixador argentino em Brasília e determinou que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bittelli, permaneça no Brasil por tempo indeterminado. A retaliação diplomática ocorre em resposta aos sucessivos ataques do líder argentino Javier Milei contra o presidente Lula e integrantes do Judiciário brasileiro.
Diplomatas ressaltaram que a permanência do embaixador no país não configura expulsão formal do representante argentino, mas sinaliza o maior grau de tensão na diplomacia bilateral em décadas. Terminam hoje as convenções partidárias para a escolha dos candidatos às eleições de outubro. O registro das candidaturas precisa ser feito até o dia 15. No dia seguinte começa a campanha eleitoral no rádio e na televisão. Até agora, 11 nomes foram oficializados para disputar a presidência da República.
Os mais bem colocados nas pesquisas são Lula, que concorre à reeleição pelo PT, Flávio Bolsonaro, do PL, Romeu Zema, do Novo, Ronaldo Caiado, do PSD, e Renan Santos, do Missão. Também são candidatos Edmilson Dias, do PCB, Hert Dias, do PSTU, Samara Martins, do Unidade Popular, Augusto Cury, do Avante, e Wilson Grassi, do Democrata. Por falta de apoio dos partidos do Centrão, que optou pela neutralidade, Flávio Bolsonaro chega ao último dia das convenções sem um nome definido para vice, mas ele prometeu que vai fazer o anúncio ainda hoje. É o que nos conta a repórter Bruna Barbosa.
Flávio Bolsonaro anunciou que vai divulgar o nome do candidato a vice na manhã desta quarta-feira em Brasília. A convocação para uma coletiva de imprensa foi enviada pela campanha na noite desta terça-feira, poucas horas depois de o senador acumular mais uma derrota na tentativa de ampliar a coligação para disputa presidencial. No fim da tarde, o Podemos decidiu permanecer neutro nas eleições. A presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu, era uma das cotadas para ocupar a vaga de vice.
Em vídeo divulgado após a reunião da executiva, Renata afirmou que a decisão representa milhões de brasileiros que não aguentam mais o confronto ocupar o lugar do diálogo e a polarização ocupar o lugar das soluções. Mais cedo, o Republicanos também confirmou que permanecerá neutro na disputa presidencial. Também nesta terça-feira, a União Brasil anunciou que seguirá o mesmo caminho. A decisão já era esperada pela federação com o Progressistas.
Durante uma sabatina promovida pelo G4 em parceria com o Antagonista, Flávio Bolsonaro minimizou a falta de alianças nacionais e afirmou que já conta com o apoio de importantes lideranças políticas, mesmo sem a adesão formal dos partidos.
Praticamente todos os estados nós estamos palanques montados com esses, com esses partidos. Nós temos 22 palanques já 100% fechados.
Sem o apoio das legendas do Centrão, a tendência é que Flávio Bolsonaro confirme uma chapa puro-sangue do PL. Entre os nomes discutidos internamente para ocupar a vaga de vice estão os senadores Marcos Pontes e Rogério Marinho e as deputadas federais Júlia Zanatta e Bia Kicis. Segundo interlocutores da campanha, uma reversão das decisões tomadas por Republicanos, União Progressista e Podemos é considerada neste momento praticamente impossível.
Enquanto isso, o candidato do Partido Novo, Romeu Zema, anunciou ontem como vice o senador cearense Eduardo Girão, que também é da mesma legenda.
Eu quero você como meu vice para nós mudarmos o Brasil juntos e acabarmos com essa farra dos intocáveis. Topa? Tu tá falando sério, Zema? Tô falando sério. Conta comigo, cara, é uma honra muito grande. E você sabe que comigo não tem essa questão de rainha da Inglaterra, de ser decorativo, não. É para dar expediente mesmo. Mas o Brasil não tá preparado para essa dupla não, né, meu irmão? Pão de queijo com tapioca lá no Planalto.
Enquanto tenta administrar no campo diplomático os problemas com Estados Unidos e Argentina, o presidente Lula também vê uma nova crise política se aproximar do Palácio do Planalto às vésperas da eleição. O foco agora é a investigação envolvendo seu ex-chefe de gabinete, suspeito de ter contraído um empréstimo com uma amiga de Lulinha. Ontem, o ex-assessor do presidente, Marcola, afirmou que o único vínculo com a empresária Roberta Luxinger, investigada no caso das fraudes no INSS, foi um empréstimo pessoal de R$249 mil.
Segundo ele, os sigilos bancário e fiscal já foram colocados à disposição da Justiça. As explicações foram dadas depois de Lula cobrar esclarecimentos sobre o caso. Voltamos à Brasília agora com Igor Cardim.
O ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, disse que a única relação com a empresária Roberta Luxinger foi um empréstimo pessoal no valor de R$249 mil, segundo ele, já quitado. Em nota, o ex-assessor de Lula afirmou que colocou os sigilos bancários e fiscal à disposição da Justiça. Ele informou ainda que constituiu advogado para apresentar documentos e esclarecer os fatos. As declarações foram divulgadas após o presidente Lula pedir ao aliado explicações sobre o valor recebido de Roberta, que é investigada pela Polícia Federal por suspeita de participação no esquema de fraudes em descontos de aposentadorias do INSS.
Marcola deixou a chefia de gabinete há cerca de 2 semanas para integrar a campanha à reeleição de Lula. Segundo interlocutores, a saída ocorreu antes da divulgação do caso para evitar desgaste à imagem do presidente no período eleitoral. Também nesta terça, o ministro do STF, Flávio Dino, autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra o Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a pedido da Polícia Federal. Ele já é investigado em outros dois inquéritos no Supremo.
Essas foram as três principais informações de hoje. O Primeiras Notícias é um podcast da CBN produzido por mim, Frederico Goulart, e pela Ana Paula Jaume. A edição sonora é do Renato Silva. Estamos todos os dias antes das 6 da manhã no aplicativo da CBN, nas caixas de som inteligentes e em todos os tocadores de áudio. Um ótimo dia para você!