Governo discute ajuda antes do tarifaço; Trump concede Green Card a Eduardo; e convenções partidárias com impasse
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Governo reúne setores afetados para fechar plano de socorro antes do tarifaço americano. Donald Trump concede green card a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Convenções partidárias começam com impasse na definição dos candidatos a vice. 3 notícias em 10 minutos. Comece a sua terça-feira bem informado comigo, Frederico Goulart. Aqui você encontra o que é mais importante que você precisa saber antes de iniciar o seu dia. Bem-vindo ao CBN Primeiras Notícias.
O governo federal vai receber hoje representantes dos setores afetados pelo novo tarifaço americano de 25%, que entra em vigor amanhã. O objetivo é mapear a perda de contratos e o risco de demissões. Os encontros devem definir os detalhes do plano de socorro financeiro, como nos conta de Brasília a repórter Samanta Klein.
O governo começa nesta terça-feira uma série de reuniões com setores afetados pelo tarifação de 25% às exportações brasileiras. Os primeiros a serem consultados serão as entidades que representam os calçadistas, vestuário e setor de plásticos. Coordenados pelos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Fazenda, os encontros vão dar base para o programa de apoio às exportadoras. A intenção é ouvir os segmentos e mapear perdas de contratos e a necessidade de crédito.
Depois disso, a equipe econômica deverá calcular o tamanho da ajuda e priorizar os setores mais prejudicados pelas tarifas que entram em vigor na quarta-feira. A ideia do governo também é manter um programa de auxílio sem extrapolar os limites fiscais. Entre as possibilidades na mesa estão a ampliação do Plano Brasil Soberano, lançamento de novas linhas de financiamento e abertura de novos mercados para as exportações. Para o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Haroldo Ferreira, a ideia é que a negociação do governo com os americanos continue.
A FDR, que é a principal associação do mercado norte-americano que representa a indústria calçadista norte-americana, bem como seus importadores, os distribuidores, está trabalhando junto ao governo federal norte-americano para ter um teto limite de tarifas de calçados. Se conseguir lá, os calçados brasileiros também terão esse teto. Então estamos trabalhando com os nossos congêneres no mercado norte-americano, bem como estamos continuando dialogando com o governo federal.
Conforme a Bicalçados, o tarifação deverá provocar uma queda de 7% nas exportações totais de calçados em 2026. O tarifácio de 25% passa a vigorar a partir desta quarta-feira.
Ontem à noite, durante um discurso na convenção do PDT, o presidente Lula reiterou que o objetivo do tarifácio americano é interferir nas eleições brasileiras. Ele voltou a defender a soberania nacional.
Aliás, eu tô convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte um comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país.
Ainda ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma nova tarifa adicional de 50% sobre produtos importados do Canadá. A sobretaxa vai entrar em vigor no dia 19 de agosto e afeta centenas de itens comerciais como vinho, laticínios, cimento e até tacos de hóquei, símbolo do esporte canadense. A Casa Branca justificou a medida alegando que o país vizinho aplica restrições e tarifas discriminatórias contra produtos americanos nos setores automotivo, de bebidas alcoólicas e de laticínios.
O governo Trump argumentou ainda que o Canadá e a China foram as únicas nações que optaram pela retaliação em vez de negociar novos acordos comerciais. Em meio ao aumento de tensão diplomática entre Estados Unidos e Brasil, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro obteve o visto de residência permanente americano, chamado Green Card. O documento autoriza o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a morar, trabalhar e estudar nos Estados Unidos por tempo indeterminado, além de garantir acesso a serviços públicos e há praticamente os mesmos direitos civis de um cidadão americano.
Em contrapartida, o green card não dá direito a voto nas eleições federais nem à emissão de passaporte dos Estados Unidos. Eduardo alegou que o processo foi estritamente burocrático, conduzido no Texas sem qualquer interferência política do governo americano. Segundo ele, a solicitação foi feita na categoria destinada a pessoas com habilidades extraordinárias e a concessão garante mais segurança jurídica. O ex-deputado deixou o Brasil em fevereiro do ano passado com visto de turista e na época chegou a dizer que pretendia pedir asilo político, alegando perseguição por parte do Poder Judiciário brasileiro.
Depois de receber o green card, voltou a afirmar que se sente seguro nos Estados Unidos. A concessão acontece em meio ao agravamento dessas relações entre Brasília e Washington, Lembrando que no mês passado Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de prisão, além de multa e inelegibilidade por 8 anos por coação no curso do processo e por articular sanções junto ao governo americano contra o Judiciário brasileiro durante o julgamento da tentativa de golpe envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A temporada de convenções partidárias começou ontem sem a definição de vices nas chapas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, dois dos principais pré-candidatos à presidência da República. Dos cinco principais nomes na corrida, apenas três já anunciaram os companheiros de chapa. Voltamos a Brasília com Rani Veloso.
O calendário eleitoral segue até o dia cinco de agosto, data limite para formalização das candidaturas. O primeiro a oficializar o nome foi Renan Santos, do Partido Missão, que vai concorrer à presidência. O evento foi online sem transmissão. Convenção. O candidato antecipou o ato por motivos de segurança, após relatar ameaças de facções criminosas. Com a oficialização, a Polícia Federal poderá reforçar a proteção para o lançamento da campanha em público no dia 1º de agosto, em São Paulo.
O vice da chapa será o militar da Reserva Haroldo Medina. A maior parte dos presidenciáveis escolheu São Paulo para as convenções. Flávio Bolsonaro, do PL, será lançado no próximo sábado, Ronaldo Caiado, do PSD, no dia 26. O presidente Lula, do PT, terá o nome homologado em 2 de agosto. Já Romeu Zema, do Partido Novo, oficializa a candidatura em Brasília na segunda-feira, dia 27. Apesar do início do prazo, os partidos enfrentam impasses na formação dos palanques regionais.
O PT tenta fechar alianças em Goiás após confirmar Patrícia Ananias para o governo de Minas Gerais. Já o PL, de Flávio Bolsonaro, busca resolver a indefinição de vice e palanques em 10 estados. Uma das cotadas para vice a economista Daniela Marques, do Republicanos. Mas a legenda condiciona a Aliança Nacional ao apoio do PL em estados estratégicos como Mato Grosso. Em Minas Gerais, o maior desafio é definir o palanque para o governo estadual entre o senador Cleitinho, também do Republicanos, ou lançar o nome do presidente da Federação das Indústrias de Minas, Flávio Roscoe, para tentar aproximar o setor empresarial.
No Distrito Federal, o impasse é a decisão de Michele Bolsonaro se vai ser candidata ao Senado após o vídeo que ela fez com críticas a Flávio ao dizer que ele tinha a maltratado. O cientista político Rubens Figueiredo analisa essa dificuldade de composição que ocorre, segundo ele, porque os partidos atuam como confederações com interesses regionais.
E o candidato a presidente que ajuda em um estado, ele pode atrapalhar em outro. Além disso, as lideranças e os partidos estaduais, eles ganharam autonomia, principalmente em função das emendas. Então o presidente tem cada vez mais dificuldade em fazer uma aliança vertical que contemple palanque na maioria dos estados ou em todos os estados.
Já Ronaldo Caiado não tem unanimidade de apoio da própria sigla nos palanques regionais, a exemplo do Rio de Janeiro, onde o candidato ao governo, Eduardo Paes, apoia Lula. E Zema ainda não tem vice. Uma das opções colocadas por ele seria Michele Bolsonaro, Mas a ex-primeira-dama negou ao dizer que não há nenhuma possibilidade.
Essas foram as 3 principais informações de hoje. Primeiras Notícias é um podcast da CBN produzido por mim, Frederico Goulart, e pela Ana Paula Jaume. A edição sonora é do Reginaldo Pires. Estamos todos os dias antes das 6 da manhã no aplicativo da CBN, nas caixas de som inteligentes e em todos os tocadores de áudio. Um ótimo dia para você!