Episódios de Saúde no ar

278º Programa - Ozônioterapia

05 de maio de 202610min
0:00 / 10:18

Ozonioterapia no tratamento de feridas

No programa Saúde no Ar do último sábado, o médico de família e comunidade do Unimed Pleno, Dr. Eduardo Arantes Botelho Rinco, conversou com o jornalista Carlos Roberto Sodré sobre a ozonioterapia no tratamento de feridas. Durante a entrevista, o Dr. Eduardo destacou a importância dessa técnica como um tratamento complementar que potencializa a recuperação e acelera o processo cicatricial, sem substituir os cuidados convencionais.

Ao longo da conversa, foram abordadas dúvidas frequentes, como:

• O que é ozonioterapia e como ela funciona?

• Como está a regulamentação da Ozonioterapia no Brasil atualmente?

• Qual o modo de ação da ozonioterapia no tratamento de feridas?

• Existem contraindicações para o uso da ozonioterapia?

A conversa trouxe reflexões importantes sobre o potencial da ozonioterapia como um recurso valioso e complementar na medicina moderna, especialmente no manejo de feridas complexas, sempre ressaltando a necessidade de aplicação por profissionais capacitados e dentro das regulamentações vigentes.

Uma parceria da Unimed Ubá com a Rádio Educadora.

Dê o play e confira!

Participantes neste episódio2
C

Carlos Roberto Sodré

HostJornalista
E

Eduardo Arantes Botelho Rinco

ConvidadoMédico de família e comunidade
Assuntos3
  • Ozonioterapia no tratamento de feridasO que é ozonioterapia e como funciona · Regulamentação da ozonioterapia no Brasil · Modo de ação da ozonioterapia em feridas · Contraindicações da ozonioterapia · Ozonioterapia como tratamento complementar
  • Ozonioterapia no BrasilFundação da associação brasileira · Inclusão no SUS como práticas integrativas · Sanção de lei como tratamento complementar · Reconhecimento do CFM · Regulamentação da Anvisa
  • Histórico da ozonioterapia no mundoRegulamentação na Alemanha · Regulamentação em outros países
Transcrição24 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Agora, na Educadora. Saúde no ar. Minha gente, o Marco Antônio já colocou a vinheta do Saúde no Ar, então nós vamos direto para a Unimédia Pleno, onde a partir de agora eu converso com o médico de família e comunidade, doutor Eduardo Arantes Botelho Rico. Vamos falar hoje sobre ozonioterapia no tratamento de feridas. Doutor Eduardo, bem-vindo ao Jornal Indieco Notícia. Muito boa tarde.

Boa tarde, Sodré, e a todos os ouvintes. Mais uma vez, um prazer estar aqui levando informação aí relacionada à saúde. Então, doutor, por favor, explica pra gente aí o que é ozônioterapia, como ela funciona, por favor. Tá. Então, é uma técnica terapêutica, né, que utiliza uma mistura de oxigênio, maior parte de oxigênio, e uma menor parte de ozônio, que é o O3, com uma finalidade medicinal.

Pode ser usado também para outros fins, por exemplo, limpeza de piscina, limpeza de alimentos, pelas propriedades que o ozônio tem de manter o ambiente equilibrado e matar o micro-organismo. Então pode ser aplicada de forma tópica, de forma subcutânea, de forma sistêmica também, agindo na circulação e nos órgãos internos.

dependendo da indicação de cada caso. E seu uso tem sido estudado principalmente por propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e de melhora de oxigenação dos tecidos. Então é uma alternativa que complementa muito bem o tratamento de feridas, por exemplo. Doutor Eduardo, como está a regulamentação da ozonioterapia no Brasil atualmente?

Bom, então eu vou fazer um resumo da história da ozonoterapia no mundo, depois eu falo como é que está no Brasil. Então esse recurso já é utilizado em alguns países, desde 1980 na Alemanha, já é regulamentado no sistema público deles e já é bem... faz parte das ferramentas terapêuticas básicas do sistema dele.

Em seguida, foi regulamentado também na Grécia, na Ucrânia, na Itália, na China, na Rússia, em Cuba, na Espanha, dentre muitos outros países. Então, isso evidencia para a gente o quanto que é óbvio o potencial terapêutico que tem. Já aqui no Brasil, em 2000, é que foi fundada uma associação brasileira, uma organização que fala a respeito disso, que ensina...

promove cursos. Em 2018, foi incluída no SUS como práticas integrativas e complementares, junto com outras práticas também. E em 2023, foi sancionada uma lei que permite a zoonoterapia como tratamento complementar. E ano passado, 2025, o CFM reconheceu e publicou uma resolução autorizando, de forma formal, o uso médico para algumas condições específicas, dentre elas a ferida.

e condições musculosqueléticas, diérnia, hérnia discal, por exemplo. Então, atualmente, é esse o cenário no Brasil. E, além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, já regulamentou alguns equipamentos, porque é importante a gente usar equipamentos que a Anvisa aprova para esse fim, para a gente ficar tudo dentro da ordem burocrática do país.

Doutor Eduardo, qual é o modo de ação da ozonioterapia no tratamento de feridas? Bom, alguns mecanismos são os seguintes. Tem uma ação antimicrobiana, então elimina, mata bactérias, fungos, vírus, micro-organismos que ficam ali contaminando a ferida e freando o processo de recuperação. Melhora também a oxigenação, ele facilita com que o oxigênio saia da hemácia e entraremos a ferida.

e vá para o tecido para ser usado como energia para poder recuperar e fazer a cicatrização. Então fica mais disponível o oxigênio, que é um dos nutrientes essenciais para essa cicatrização. E estimula também a circulação. Então além de entregar melhor oxigênio, ele faz uma vasodilatação, chegando mais sangue naquele local para esses nutrientes chegarem e tudo acontecer nessa cicatrização.

Modula a inflamação porque a inflamação bem controlada, equilibrada, ela faz parte do processo de cura, porque a inflamação nada mais é do que a chegada em excesso de sangue ali no local para poder curar. Só que se isso for de forma exagerada, em vez de ajudar, começa a atrapalhar. Então ela modula, ela equilibra essa inflamação para ficar num nível aceitável e bom. Então estimula a regeneração.

Então, favorece a formação daquele tecido de granulação, que é quando a ferida está avermelhada, rosada, avermelhada, que é chamado de tecido de granulação, e a cobertura posterior pela epitelização, que é a formação de uma nova pele cicatricial e o fechamento da ferida propriamente dito. Então, ela é muito útil em feridas crônicas de difícil cicatrização, que às vezes reinfecta várias vezes. Então, a gente consegue...

melhorar esse tempo de ficatrização. Então, por exemplo, em úlceras diabéticas, em úlceras venosas, feridas por compressão, paciente muito acamado que tem aquelas úlceras por estar na mesma posição sem se locomover, também é uma indicação, então é isso. Doutor Eduardo, existem contraindicações para o uso da ozonioterapia nas feridas?

Sim, mas na verdade são condições que a gente tem que coletar essas informações de cada paciente para saber qual que é a fragilidade daquela pessoa e conseguir fazer um tratamento individualizado com a concentração que vai ser ideal para aquela pessoa que tem aquelas comorbidades, aqueles problemas. Então no tratamento de ferido especificamente, a gente tem que ficar em alerta para irritações que podem promover.

Irritação que vem através de coceira, de dor, na própria ferida, ou através do veículo que é usado, porque muitas vezes a gente usa um óleo de girassol, por exemplo, ozonizado. Então, é um óleo de girassol que é potencializado com ozônio dentro da configuração dele, e aí a gente passa para ajudar. Então, essa pode ter alergia e aí a gente tem que ficar atento e ir modificando a dose para aquela pessoa. Naquelas feridas que está ainda com o sagramento muito ativo.

Então, primeiro tem que dar uma estabilizada nesse sangramento, as coisas ficarem mais equilibradas para iniciar o tratamento. Aquelas feridas que estão muito extensas ou muito profundas também, a gente tem que ter um cuidado extra, porque pela profundidade aumenta o risco disso ser absorvido, desse ozônio ser absorvido e ter um efeito sistêmico. E dependendo da situação da pessoa, esse efeito sistêmico pode ser ruim.

Mas caso tenha essa contraindicação de efeito sistêmico, né? Dá pra fazer sob uma dose mais regulada. Se tiver um tecido necrótico, aquele tecido morto, né? Aquela pele que já tá preta, né? Escura e muito ressecada. É necessário a gente fazer uma limpeza, um debridamento. Às vezes até cirúrgico, né? Em centro cirúrgico. Ou às vezes nem precisa. Às vezes superficialmente a gente consegue ir retirando devagarinho com o bisturi ali, né?

E manter a superfície úmida, porque a umidade também ajuda na ação do ozônio. E a pele ao redor da lesão, quando a pele ao redor é muito fragilizada, ela não está muito sadia, pode provocar mais irritação. Então, a gente precisa dar uma melhorada nessa pele, né? Antes de começar a ozônioterapia.

Eu, por telefone, estou conversando com o médico de família e comunidade direto da Unimed Pleno, naquele quadro Saúde no Ar, com o doutor Eduardo Arantes Botelho Rinco, estamos falando sobre a ozonioterapia. O doutor Eduardo, a ozonioterapia substitui os tratamentos convencionais de feridas? De jeito nenhum. É um tratamento que vem, é uma ferramenta que vem para agregar.

para somar o arsenal que a gente tem, para otimizar o tratamento, diminuir o risco de reinfecções e acelerar o processo cicatricial. Então, é um tratamento complementar e não substitutivo. Ele vem para potencializar os demais tratamentos. Então, todos os tratamentos convencionais, os curativos, a troca de curativo, a asepsia, todos aqueles cuidados que precisa ter com a ferida.

deve ser mantido como básico e aí a gente entra com a ozônioterapia como mais uma ferramenta nesse processo de cura. Direto da Unimed Pleno, eu conversei com o doutor Eduardo Arantes Botelho Rinco explicando pra gente detalhadamente sobre a ozônioterapia. Eu percebi que é uma técnica pra ajudar na recuperação, pra sarar as feridas, não é doutor? Isso, aqui hoje a gente tá falando especificamente das feridas, né? Então...

É uma técnica que complementa e que potencializa as outras terapias que é feita com as feridas. Então, assim como qualquer outra terapia deve ser realizada por um profissional que esteja capacitado, que esteja bem treinado, certificado nesse tipo de terapia, como mais uma ferramenta que agrega aos demais tratamentos.

Doutor Eduardo, então muito obrigado pela sua gentileza em participar conosco mais uma vez aqui do Jornal Indico Notícia. Um bom final de semana, aproveite bastante aí com a sua família, com seus amigos e até uma próxima vez. Ok, Sodré, bom final de semana aí para vocês e todos os ouvintes. Gratidão aí mais uma vez por dar essa oportunidade de levar conhecimento, né? Que através do conhecimento a gente conscientiza, através da consciência a gente...

vai conseguindo mudar o mundo aos pouquinhos, né?

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