🐺 Raised by Wolves e o dogma ateu
🐺 Raised by Wolves
O material analisa a série de ficção científica Raised by Wolves como um ponto de partida para debates profundos sobre ateísmo, fé e a natureza humana. Os textos e transcrições exploram como a obra desconstrói a ideia de uma sociedade secular pacífica, revelando que a razão pode se tornar dogmática e autoritária quando imposta sem questionamentos. Discute-se o "vácuo simbólico", sugerindo que a humanidade possui uma tendência intrínseca de buscar o sagrado e criar rituais, mesmo diante de tecnologias avançadas. As fontes também estabelecem paralelos históricos entre o Mitraísmo e o Cristianismo, utilizando a economia do sagrado para explicar a expansão dessas crenças como estratégias de poder. Por fim, a análise propõe que a inteligência emocional e a capacidade crítica são ferramentas essenciais para navegar entre sistemas de crenças e evitar os perigos do fundamentalismo, seja ele religioso ou secular.
Saiba mais: Sessão Pipoca: Raised by Wolves
https://www.youtube.com/watch?v=04H17uiBciE
Lançamento: O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico
Usando a ficção como alavanca para as grandes questões do ateísmo. Estamos no Spotify. Leia mais no blog Mente Ateísta.
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- Etica e MoralConstrução de uma bússola moral sem fanatismo · Abordagem 'pick and mix' de Alain de Botton · Roubar a estrutura útil da religião: comunidade, rituais, amparo · O perigo do dogma absoluto sobre o pensamento livre · Humanismo de Keanu Reeves (compaixão presente) vs. Elon Musk (salvação futura) · Cultivo do pensamento crítico como antídoto
- Raised by Wolves e Dogma AteuAnálise da série Raised by Wolves · Debate sobre ateísmo, fé e natureza humana · Crítica à imposição de sociedades seculares dogmáticas · A busca humana pelo sagrado e rituais · Paralelos históricos entre Mitraísmo e Cristianismo · Inteligência emocional e pensamento crítico como antídotos
- Ateísmo e SecularismoProibição de fé, símbolos e rituais em sociedade ateia · A mente humana abomina o vácuo narrativo e busca padrões · A androide 'Mãe' como figura de moderação de conteúdo aplicada à vida · A repressão agressiva da androide espelhando a intolerância mitraica · O perigo de impor a falta de dogma pela força
- Lideranca ReligiosaA sedução do poder e da adoração em líderes · Líderes funcionalmente ateus que gerenciam a fé alheia · Diferença entre a fé do fiel e a do gestor de poder · Urgência do fim, pânico da salvação e medo escatológico · Justificativa da violência como ato de amor e sobrevivência
- Cristianismo e ConflitosMitraísmo como religião de mistérios romana · Associação do deus Mitra ao sol invictus · Valorização da ordem, lealdade e hierarquia no Mitraísmo · Exclusividade masculina do Mitraísmo · Competição entre Mitraísmo e Cristianismo primitivo · Estratégia de inclusão do Cristianismo vs. exclusividade do Mitraísmo · Exclusivismo universalista e o preço da institucionalização
- Curadoria de Jorge Guerra Pires e ObrasPerfil de Jorge Guerra Pires (PhD em Bioinformática) · Análise de religião e pensamento livre como sistemas complexos · Livro 'Seria a Bíblia, um livro científico?' · Livro 'Gibibria, a fábrica de absurdos' · Livro 'O Paradoxo de Einstein: Ciência, Ética e o Deus Cósmico' · Vídeo 'Sessão Pipoca: Raised by Wolves' no YouTube
- Religião e Fé no BrasilFiguras públicas que evitam o rótulo de ateu · Perigo social de assumir o ateísmo no Brasil · Comparativo: Daniel Sotomayor (ativista ateu) vs. Silas Malafaia (líder religioso) · Moralidade refém da religião no Brasil · Presunção de culpa para ateus vs. presunção de inocência para religiosos
Bom, vamos começar o mergulho de hoje com um exercício de imaginação. Tipo um experimento mental mesmo. Imagina que a humanidade perdeu tudo. Tudo mesmo. Nível apocalipse. Nível apocalipse total. A Terra foi completamente destruída. E detalhe, não foi por falta de água ou recurso natural, sabe? Foi uma guerra letal, motivada puramente por crenças religiosas inflexíveis. O planeta virou cinza. Nossa, um cenário bem pesado para começar, né?
Pois é. Mas aí, um grupo minúsculo consegue escapar. Eles precisam recomeçar do zero num planeta totalmente inóspito. E a grande regra dessa nova sociedade é ser puramente ateia. Zero religião, desde o dia 1. Proibido acreditar, basicamente. Exato. Proibido ter fé, símbolo, ritual. A provocação é a seguinte. Essa sociedade seria automaticamente pacífica e racional só por não ter religião?
Ah, essa é a pergunta de um milhão de dólares. E é engraçado porque a gente tem essa crença moderna, tipo, de que a irracionalidade é meio que um vírus que vem de fora, né? Que é só tirar o vírus e o paciente sara. Sim, só que a biologia evolutiva e a nossa própria psicologia mostram que não é bem assim. O buraco é muito mais embaixo. A nossa mente, ela abomina o vácuo narrativo. Como assim, vácuo narrativo?
Quer dizer que se você vaporiza todos os símbolos antigos de uma hora para outra, o cérebro humano não vira uma máquina fria de calcular. Ele entra em desespero e começa a buscar novos padrões para venerar. A gente é programado para isso. E é exatamente essa falha de cálculo sobre a natureza humana que serve de base para Erased by Wolves. É uma série de ficção científica absurda de boa, com o dedo do Ridley Scott na produção. Uma estética inconfundível, aliás.
Sim, visualmente incrível. E a ideia da nossa investigação de hoje não é só falar da série por falar. A gente vai usar essa obra como uma lupa, a partir de textos super densos e curados pelo pesquisador e FHD Jorge Guerra Pires. É um material riquíssimo. E a missão aqui não é de jeito nenhum tomar partido. Não é uma briga de fé contra ateísmo, sabe? É entender as engrenagens.
Exato, dissecar como a coisa funciona por dentro. Isso, entender por que a gente cria essas regras absolutas. Como o nosso cérebro, que evoluiu para viver em tribo e sobreviver a leões na savana, acaba sendo sequestrado por narrativas de poder e de controle.
E como a gente pode usar o pensamento crítico para se defender disso, né? Perfeito. É sobre ter ferramentas de defesa, seja o sistema religioso ou totalmente secular. Bom, para dar um contexto rápido para quem está ouvindo e talvez não conheça a série, em Raised by Wolves, a Terra acabou por causa dessa guerra brutal. De um lado, ateus militarizados. Do outro, os mitraicos.
Os famosos metraicos. É. Na série, eles são os fanáticos que adoram o sol e operam numa hierarquia bizarra de tão rígida. Eles ganham a guerra na Terra. Mas o que mais me deixou de queixo caído nos textos de base é que esses caras não saíram da cabeça de um roteirista de Hollywood.
Não, de forma alguma, eles existiram de verdade. É loucura pensar nisso. Pois é, o mitraísmo foi uma religião de mistérios gigantesca no Império Romano, lá pelo século I ao IV, mais ou menos. E para entender a série, a gente tem que olhar para quem eles eram historicamente.
Que eram soldados, certo? Majoritariamente, sim. Oficiais e soldados das legiões romanas cultuavam o deus Mitra, que era associado ao sol invictus. Por ser uma parada militar, a religião deles valorizava demais a ordem, o juramento de lealdade, a hierarquia. E era um clube do bolinha, né? Exclusivo para homens. Totalmente exclusivo. E o lance fascinante é que eles competiram pau a pau com o cristianismo primitivo pelo domínio do impário. Foram os grandes rivais.
E que entra uma analogia nas fontes que eu achei fantástica. É aquela do banco e do cartão de crédito, lembra? Ah, sim, genial essa comparação. Então, para explicar por que o cristianismo ganhou essa briga demográfica, o texto compara o cristianismo primitivo a, tipo, um banco digital moderno que oferece conta sem taxa para todo mundo.
Vem todo mundo, porta aberta. Exato. Aceitava mulheres, escravos, pessoas marginalizadas, famílias inteiras. Enquanto isso, o mitraísmo era aquele clube VIP exclusivíssimo que barrava quase todo mundo e só aceitava militar homem. E numa disputa demográfica, a estratégia de massa sempre ganha da estratégia de nicho.
Lógico, mas o texto dá um alerta sobre isso. Tem um preço? Não tem? Porque uma vez que o banco virou a religião oficial do Estado e monopolizou o mercado, as taxas começaram a ser cobradas. E taxas altíssimas. É o que a gente chama de exclusivismo universalista.
Explica melhor esse conceito, porque ele é meio chave para tudo hoje. Claro. Funciona assim. A mensagem inicial é inclusiva. A salvação é para todos. Mas, quando a instituição ganha poder total, as lideranças começam a colocar regras. A obediência vira dogmática.
Tipo, entra quem quiser, mas as regras são as minhas e não se discute. Exatamente. Grupos que antes tinham protagonismo, como as mulheres no comecinho, acabam silenciados. A regra vira, a salvação é universal, mas só nos nossos termos absolutos. E a série brinca de forma genial com um e se. E se o lado exclusivista e militar tivesse ganhado, né?
Isso. E se os mitraicos tivessem dominado a tecnologia e o futuro? É a distopia que a gente vê na tela. O que nos leva de volta para o planeta novo, Kepler-22b. E a reação a esse trauma todo. Porque os ateus que escaparam pensam, bom, a religião destruiu a Terra. A solução óbvia é proibir.
O que parece lógico na cabeça deles. Sim. Aí eles mandam uma androide, chamada literalmente de mãe, com embriões humanos para criar uma nova humanidade do zero numa bolha de secularismo puro. Zero reza, zero ritual.
O que levanta uma questão ética gigante. Eu sou o advogado do diabo aqui baseado na leitura. Hoje em dia a gente debate muito sobre moderação de conteúdo, certo? Algoritmos derrubando discurso de ódio para proteger a comunidade. Certo. Se a fé extrema causou apocalipse, a atitude dessa androide não seria só uma moderação de conteúdo aplicada à vida real? Tipo, uso protetivo da força para evitar que a humanidade se destrua de novo?
Olha, sobre uma lente estritamente utilitária, tem muito pensador que defende exatamente isso. Gente como Sam Harris, por exemplo, argumenta que crença sem evidência é a raiz da intolerância e que tem que cortar o mal pela raiz mesmo. Mas a série e a análise do material mostra que isso dá muito errado.
Muito errado. E dá errado por uma falha estrutural. A moderação ataca a superfície, ataca a ação, mas ela ignora solenemente a biologia do porquê a gente precisa crer. Mas peraí, se essas crianças foram criadas por um robô que nunca ensinou o conceito de Deus para elas, de onde elas iam tirar a ideia de rezar?
Do nosso próprio hardware neurológico. Como eu disse antes, o cérebro é uma máquina viciada em reconhecer padrão. Ele não lida bem com o caos.
Lida péssimo. Quando os sobreviventes lá dão de cara com um desconhecido, tipo dor, medo ou coisas alienígenas, tem um cubo nebro misterioso na série que é um ótimo exemplo disso. Nossa, essa parte do cubo é tensa. É perturbadora. Diante daquilo, o cérebro entra em angústia. Para aliviar, a gente projeta intenção no universo. As pessoas começam por puro instinto a atriduir significado sagrado ao que elas não conseguem explicar.
Elas meio que inventam uma religião na hora para não pirar. Exato. E quando a Android Mãe proíbe essa expressão de medo e pune as crianças por isso, sem dar nenhum amparo emocional no lugar, a ironia acontece. Ela vira o que ela tentou destruir.
Ela cria uma nova tirania, um verdadeiro dogma ateu. A repressão agressiva dela espelha certinho a intolerância dos mitraicos. Isso é muito forte. A falta de dogma, quando imposta na força, vira o dogma. E aí a gente entra num território complicado que é o poder. Porque onde tem gente vulnerável precisando de uma historinha para acalmar o medo, sempre aparece alguém para vender a historinha, né?
Sempre. É a lei da oferta e da procura do poder. Os textos curados exploram muito isso através de um personagem, o Marcos. Ou melhor, Caleb. A história desse cara é surreal.
O arco do Caleb é um baita estudo de caso. Ele é um soldado ateu que odeia os mitraicos. Mas para não morrer e conseguir fugir da Terra, ele assassina um líder religioso, rouba a identidade dele com cirurgia plástica e se infiltra. Tipo um espião, só que ele vira o líder.
Sim, ele vira o líder no novo planeta. E aí que está a genialidade da análise. Como um ateu convicto, que sabe que aquela religião é uma farsa porque ele mesmo está fingindo, se deixa seduzir pelo delírio. É uma loucura, porque ele começa a acreditar que ele é o escolhido divino. Ele muda. A neuroquímica muda. O poder e a adoração dos seguidores criam um feedback tão potente que ele se perde.
E o material levanta uma reflexão pesada para a gente trazer para a realidade. Manda. Quantos líderes dogmáticos e absolutistas, ao longo da história, não seriam, no fundo, apenas líderes funcionalmente ateus? Como assim líderes funcionalmente ateus?
Pessoas que no íntimo não acreditam em nada daquilo, mas atuam como gestores da fé alheia. Eles mantêm o grupo coeso pelo medo e pela regra, porque a obediência e o status que eles ganham são muito reais. Nossa, isso faz muito sentido. Tem uma diferença brutal entre a fé da senhorinha na base da pirâmide e a fé do cara que está lá no topo administrando o dinheiro e o poder.
Uma diferença abissal. E tem mais um componente aí que explica por que esses sistemas são tão violentos com quem pensa diferente. É, isso eu ia perguntar. Por que eles nunca conseguem só ficar na deles? Por que precisam sempre expandir e eliminar o outro grupo?
O texto chama isso de urgência do fim, o pânico da salvação e o medo escatológico. Pensa comigo, se o seu sistema de crença diz que quem está de fora vai queimar no inferno ou causar uma punição divina que vai destruir todo mundo, a existência do outro é uma ameaça existencial. Então, tolerar o outro pensamento é meio que colocar a própria tribo em risco.
Na cabeça dele, sim. Então, converter o outro ou eliminar se ele não quiser deixa de ser um ato de maldade pura, vira uma questão instintiva de sobrevivência. Eles justificam a violência como um ato de amor para salvar o rebanho. Eita, é a metáfora do título da série.
ovelhas agindo como lobos para devorar os outros em nome de uma salvação. Raised by wolves. É perturbador porque é muito real. É um beco sem saída. Porque se a religião institucional cai nessa violência expansionista pelo medo do fim, e o ateísmo militante da Android cai na mesma intolerância proibitiva. Para onde a gente corre? Como a gente cria uma bússola moral sem cair em fanatismo?
Essa é a discussão sobre a construção de uma ética secular. E as alternativas que os textos trazem são super pragmáticas. Tem a abordagem do filósofo Alain de Botão, que é bem interessante. É a ideia do pick and mix, né? De misturar e pegar só o que serve. Isso mesmo. A tese dele é que o mundo secular, as pessoas que não têm religião, perdem muito ao jogar fora todas as ferramentas que a religião criou ao longo dos séculos.
Mas espera, como você separa as coisas? Como você tem o ritual da igreja sem ter o Deus no meio? O Alain de Botton diz que a gente devia roubar a estrutura útil, a comunidade, o calendário de rituais, as músicas, a arte didática para ensinar a moral e, principalmente, a rede de amparo na vulnerabilidade. A parte do ombro amigo da caridade.
Exato. Você foca na conexão humana e deixa o dogma de fora. Porque quando a gente olha para a história, e o autor dos textos faz questão de lembrar disso, quando o dogma absoluto trinufa sobre o pensamento livre, o resultado é tragédia. O caso de Pátio de Alexandria, né?
Sim, ela foi uma das maiores mentes científicas da Antiguidade e foi brutalmente assassinada quando a intolerância dogmática tomou conta do Império Romano. É um lembrete do que acontece quando a razão perde espaço.
E é interessante porque a análise mostra que, hoje, a gente tem exemplos de ética secular que não são um bloco único, todo mundo pensando igual. Tem o paralelo do Keanu Reeves e do Elon Musk. Esse paralelo é brilhante para mostrar os modelos de humanismo. Total. De um lado, a análise coloca o humanismo do Keanu Reeves, que é um cara super focado na compaixão presente, no interpessoal, de ser gentil com quem está na sua frente agora. É uma ética do cuidado diário.
Isso. E do outro lado, o humanismo do Elon Musk, que é um negócio mais tecnológico, quase messiânico, de precisamos salvar a espécie no futuro indo para Marte. É o futuro da humanidade versus o indivíduo de hoje. E prova que o secularismo não é uma caixa engessada. Pois é. E para ter essa capacidade de separar as coisas, de debater compaixão, dogma, poder, sem cair em extremismo, a gente precisa de repertório.
Precisa cultivar o pensamento crítico, que é a grande dificuldade hoje em dia, né? Sem dúvida. E é aqui que o trabalho da curadoria dessas ideias todas ganha muito peso. Tudo isso que a gente está desdobrando vem da curadoria do Jorge Guerra Pires.
E vale destacar o perfil dele, porque não é alguém que vem da teologia clássica. Ele é PhD em bioinformática. Bioinformática, ou seja, biologia com computação. Isso, um cara super das exatas e da ciência dura. Ele tem pesquisa na Universidade de Láquila, na Polônia, na Universidade Técnica de Dansk. E aqui no Brasil rodou pela USP, UFBA, UFOP, Fiocruz.
O currículo é absurdo. É peso pesado. E ele pegou toda essa lógica matemática e biológica e começou a investigar, meio que modelar, a política, a religião e o pensamento livre. E é por isso que as obras dele fogem tanto do senso comum. Ele olha para a religião como um sistema complexo.
Falando nas obras, tem muito material bom para quem está ouvindo e quer ir além da nossa conversa. Tem o livro Seria a Bíblia, um livro científico. O título já é uma baita provocação. Super. Ele está na Amazon com entrega para a media atuita na versão impressa e no Kindle cai na hora, óbvio. Mas o legal é que tem uma versão em áudio, livro com mais de 10 horas, lá no Google Play e Google Books.
10 horas. 10 horas. E eles usam 3 vozes diferentes para melhorar a experiência. Fica muito dinâmico. Outro que eu tenho que mencionar é o Gibibria, a fábrica de absurdos.
Esse foca na história de Jesus sob uma lente ateísta, certo? Isso aí. Tem na Amazon também, impresso e Kindle. Para quem é mais ansioso, o Kindle é imediato, mas a versão física é legal porque a Amazon tem aquela política de reembolso superágil. Como é compra internacional, às vezes demora umas semanas, mas é rastreável.
E tem vídeo também, para quem é do audiovisual. Bem lembrado. Quem curtiu a conexão que a gente fez de Raised by Wolves com religião tem um vídeo quase de uma hora no YouTube chamado Sessão Pipoca, Raised by Wolves. É o paraíso para ateu ou cético que está caçando o que assistir, que é uma análise cabeça. Sim. Mas o grande destaque, o lançamento que está botando o dedo na ferida mesmo, é o Paradoxo de Einstein, Ciência, Ética e o Deus Cósmico. É o livro 2 dessa série Mente Ateísta.
E a comodidade é a mesma, né? O audiolivro já está no Google Play, dá para baixar no celular e ouvir offline. Eu acho o audiolivro uma revolução para a produtividade. Eu sou suspeito, lavo louça e faço caminhada só ouvindo audiolivro. A gente lê, ou melhor, ouve vários por mês assim.
Com certeza. Mas o que mais me chama a atenção nesse novo livro não é nem só a figura histórica do Einstein, que tem os anexos biográficos ótimos. O núcleo dele ataca um tabu social brasileiro que é muito incômodo. A questão de figuras públicas saírem do armário, digamos assim, sobre não ter religião.
Exatamente. O livro pergunta abertamente por que grandes intelectuais brasileiros, figuras famosas na mídia, evitam o rótulo de ateu a todo custo.
Pessoal como o Leandro Karnal ou o Drauzio Farella, mano. Sim. Eles até falam de racionalidade, de não seguir ritos, mas raramente cruzam aquela linha invisível de assumir o ateísmo puro. Por que é tão perigoso socialmente falar isso no Brasil? O livro traça uns contrastes absurdos para provar esse ponto. Tem o caso do Daniel Sotomayor, que era ativista ateu, debatia na TV e meio que foi ostracizado, sumiu da mídia principal.
E do outro lado, a gente tem lideranças religiosas de caráter duvidoso no horário nobre. Tipo o pastor Silas Malafaia, que teve a audácia de pedir um avião para os fiéis ao vivo em rede nacional. Os dois chegaram a debater ao vivo na Globo. E a provocação da Ogre é genial por causa disso. Por que assumir que você não acredita em Deus é um comportamento socialmente mais tóxico, mais punido no Brasil, do que ser um líder religioso que abusa financeiramente das pessoas?
É como se a moralidade fosse refém da religião. Se você fala que tem fé, a sociedade te dá presunção de inocência, mesmo fazendo atrocidades. Se você fala que é ateu, ganha presunção de culpa.
é a consequência daqueles milênios de exclusivismo que a gente estava conversando antes. O antídoto para isso, e é onde todos esses textos meio que convergem, não é apagar a religião no grito, igual o androide da série. Qual é o antídoto, então?
É desenvolver uma inteligência emocional coletiva, profunda, entender que a gente tem essa necessidade de pertencer e de encontrar sentido, mas não deixar que esse medo nos transforme em fanáticos, seja adorando um sol mítico ou a ciência dura. A bússola tem que ser a compaixão pela vida que está aqui agora.
Fechou perfeitamente. Mas, como é de praxe no nosso mergulho, não vou deixar a audiência ir embora sem uma última pulga atrás da orelha. Manda provocação. Como humanos falhos programam máquinas como a mãe lá na série com seus próprios preconceitos.
Hoje, no mundo real, a gente está alimentando as inteligências artificiais com todo o banco de dados da história da humanidade. O que inclui toda a nossa intolerância estrutural e guerras santas. Exato. A provocação para quem nos ouve refletir é se essas IAs do futuro basearem a ética delas nesses nossos manuais imperfeitos e violentos, elas vão se tornar os novos deuses dogmáticos para nos julgar sem piedade.
Ou será que as máquinas são capazes de aprender e praticar a compaixão que a própria humanidade ao longo de milênios falhou tanto em ter? É o tipo de coisa que deixa a pessoa pensando para o resto da semana. Fica aí o convite para manter a mente inquieta. Até a próxima exploração.
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