A fábrica de absurdos das narrativas religiosas
Lançamento: O Paradoxo de Einstein : Ciência, Ética e o Deus Cósmico
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- Hipocrisia ReligiosaJorge Guerra Pires · Cristianismo original · Gnósticos e ortodoxos · Apóstolo Paulo · Epicuro · Tomé de Aquino
- Censura no cinemaMatrix · Trinity
- O Paradoxo de Einstein
- Relação entre lógica e dogma
- Papel da mulher em religiõesNoreia
Sabe quando a gente pensa numa atualização de software e a expectativa padrão é sempre que um erro seja corrigido? Tipo, o sistema apresenta uma falha, os desenvolvedores lançam um código novo e pronto. Tudo volta a rodar perfeitamente. Sim, o famoso patch de segurança, né? A lógica básica da tecnologia é sempre identificar a falha e aplicar a solução.
Exatamente. Mas tenta imaginar um cenário completamente invertido. Um cenário onde, ao invés de consertar o erro, os donos do sistema decidem lançar uma atualização para pagar de propósito a funcionalidade mais inovadora e libertadora do programa. Nossa! E fariam isso, tipo, apenas por um medo absurdo de perder o controle sobre a base de usuários?
Seria como instalar uma cegueira no código-fonte de propósito, né? Sim, uma regressão totalmente arquitetada para manter a galera dócil e dependente. E é fascinante pensar que essa lógica não se aplica só a computadores, mas a sistemas de crenças inteiros. Com certeza. E é exatamente sobre esses códigos culturais apagados que a gente vai falar na nossa análise profunda de hoje.
Pois é, nós vamos explorar hoje um material incrivelmente provocativo, que é um ensaio em áudio e uma série de textos com curadoria e autoria do pesquisador independente Jorge Guerra Pires. A missão da nossa análise de hoje é desconstruir o que as fontes chamam de fábrica de absurdos das narrativas religiosas.
O que é muito interessante sobre essas fontes é a trajetória do autor, sabe? O Jorge Guerra Pires é PhD em bioinformática e ele tem uma bagagem acadêmica imensa. Ele passou por instituições de peso, tipo a Fiocruz, USP, Ufiba e até a Universidade de Láquila, na Itália.
Aham, uma formação super rigorosa. Exato. E ele fez uma transição deliberada da ciência acadêmica estrita para a escrita independente. Então, quando ele analisa a religião, a política e o ateísmo, ele usa aquela precisão de quem está acostumado a modelar sistemas biológicos e lógicos complexos. Ele procura os bugs na narrativa, entende? E a premissa que ele estabelece para o cristianismo original logo de cara é de explodir a cabeça.
O material defende que a religião se iniciou dividida em dois mundos, os ortodoxos de um lado e os gnósticos do outro.
E o ponto de virada da tese é que os gnósticos não eram simplesmente hereges perdidos. A obra argumenta que eles eram cristãos de verdade. Eles seguiam os ensinamentos de Jesus, mas eles olhavam para os dogmas ortodoxos e riam. Sim, eles riam da ideia de uma virgem engravidar fisicamente, por exemplo. Porque eles enxergavam a religião através do intelecto e da lógica, rejeitando qualquer, como o livro diz, fábrica de absurdos.
E olha, para quem quiser mergulhar nessa tese por conta própria, as fontes base do nosso debate de hoje são os livros de Bíblia, A Fábrica de Absurdos e Seria a Bíblia um Livro Científico?
Vale lembrar um detalhe importante das fontes. O Seria a Bíblia, um livro científico, por exemplo, está disponível na Amazon. A versão impressa tem entrega gratuita pelo Prime e tem o formato Kindle que libera na hora, o que é super prático. E a Amazon é famosa por facilitar a vida do cliente caso precise de algum reembolso sem burocracia.
Com certeza. E tem uma alternativa fantástica que o autor destaca muito, que são os audiolivros no Google Play e Google Books. São mais de 10 horas de áudio usando três vozes diferentes para dinamizar o conteúdo. Isso muda tudo, né? A própria fonte sugere que ouvir audiolivros no smartphone durante uma caminhada ou lavando louça é uma revolução de produtividade.
Você baixa no aplicativo, ouve offline e transforma tarefas rotineiras em absorção de conhecimento puro. É uma dica de ouro. E tem um lançamento recente do autor que conecta muito bem essa batalha entre lógica e dogma com os dias de hoje. É o livro O Paradoxo de Einstein. Essa obra não é só uma biografia do físico. Ela explora por que o rótulo de ateu carrega tanta toxicidade, especialmente no Brasil.
Nossa, esse ponto é super atual. O texto faz um contraste bem afiado. Ele questiona por que figuras públicas que falam de ciência e filosofia, tipo Leandro Karnal ou Drauzio Varela, raramente cruzam certas linhas em rede nacional para assumir um ateísmo. Pois é.
E o ativista ateu Daniel Sotomaymar praticamente some da grande mídia. Enquanto isso, do outro lado, um líder religioso como o pastor Silas Malafaia tem espaço de sobra na TV para pedir doações milionárias de aviões aos fiéis. A obra levanta essa bola. Por que a lógica secular é tratada como tóxica, enquanto atitudes bem questionáveis de lideranças religiosas ganham passe livre?
É um choque de realidade mesmo. É uma constatação que mostra como o nosso sistema cultural ainda roda com aquelas mesmas restrições instaladas milênios atrás. E o medo da lógica gnóstica, essa que questiona a autoridade, continua moldando a sociedade hoje. Molda a sociedade e molda até mesmo a cultura pop global, sabia? O ensaio faz uma conexão brilhante, mostrando como essa exata censura dogmática afetou os roteiros do cinema moderno.
Espera, tem a ver com o filme de Matrix, não é? O autor entra nessa questão. Exatamente. Matrix é a maior ficção científica do nosso tempo. Nos rascunhos originais das diretoras, as irmãs Wachowski, existia a personagem Switch. O plano delas era que a Switch fosse interpretada por um ator homem no mundo real, o hardware, e por uma atriz mulher quando a mente entrasse na Matrix, que seria o software.
Caramba! A intenção era cristalina, então. Era provar visualmente que a consciência humana é soberana e não está acorrentada de jeito nenhum à biologia. Sim, a fluidez de gênero seria a prova de que a mente transcende a matéria. Mas aí o estúdio, a Warner Bros, interveio pesadamente e barrou a ideia.
Claro, para não ofender o público conservador e cristão lá de 1999. Então o estúdio agiu exatamente como um antivírus deletando um arquivo corrompido que não se encaixava no sistema deles. A suíte acabou sendo andrógena, mas vivida por uma atriz só. É o apagamento em ação.
Essa quebra do binarismo, a ideia de que o feminino poderia ser a força messiânica escolhida, só conseguiu ver a luz do dia muito tempo depois, em Matrix 4, através da Trinity. E isso só rolou pela força do movimento LGBT atual.
que abriu portas para obras tipo Supergirl também quebrarem essa arca das tradições conservadoras. Mas me tira uma dúvida agora, pensando nessa analogia toda. Se o Neil é o cara que questiona todo o sistema e acorda para a verdade, ele não seria, metaforicamente, uma figura feminina subversiva dentro dessa lógica apresentada?
O paralelo é exato. O autor aponta que, sim, as fontes indicam que a verdadeira insurreição contra o criador do mundo ilusório tem uma essência ligada ao feminino nos textos antigos. Essa censura no cinema é só um eco de apagamentos muito mais antigos.
A gente está falando do silenciamento das mulheres na fundação das religiões, certo? Chica, o primeiro bug nesse sistema de obediência cega não foi causado por um homem. Foi por uma mulher, chamada Noreia. E a história dela vira do avesso mito do dilúvio que a gente conhece. A história de Noé e da Arca. Na visão tradicional, o Noé é aquele herói máximo. Ele recebe as ordens, constrói o barco gigante e aceita o fim do mundo sem dar um pio.
Ele é o usuário padrão perfeito. Clica em aceitar os termos de uso sem ler uma linha sequer. Mas do outro lado da história está a esposa dele. A Bíblia ortodoxa quase não dá bola para ela. Mas nos textos gnósticos, tipo na hipóstase dos arcontes, ela ganha o nome de Noreia. E a Noreia não aceita essa salvação passivamente. O material conta que ela saca o que está por trás do evento todo.
Exato. Os gnósticos liam o Antigo Testamento de forma muito analítica. Eles não achavam que a Bíblia era uma mentira inventada, mas sim, nas palavras das fontes, o relatório de um crime. Nossa, essa definição é fortíssima. O relatório de um crime. Muito forte. E quando a Noreia olha para o dilúvio, ela usa a lógica. Ela conclui que um ser supremo e bondoso não precisaria afogar todo mundo no ataque de fúria.
Então, quem mandou o dilúvio não é o verdadeiro Deus. É o demiurgo, uma entidade ignorante e tirânica. Então, para ela, entrar na arca não era uma bênção. Era se submeter a um tirano. A arca era um curral para isolar e salvar só a galera disposta a obedecer cegamente.
E a Noreia não engole isso. Os textos contam que ela tenta incendiar a arca. Ela sopra fogo contra a madeira para destruir o projeto de controle. Ela vira praticamente a primeira hacker da história. É uma rebelião definitiva. E essa mesma lente lógica eles aplicavam a todo Gênesis.
Lembra da serpente no Éden? Na versão tradicional, ela é o mal. Na leitura agnóstica, a serpente era a portadora do conhecimento. Tipo a pílula vermelha do Neo. Tipo isso mesmo. A serpente entrega o conhecimento para que a humanidade perceba que está presa num zoológico gerido por esse ditador mesquinho. Para eles, a consciência humana, a agnose, é sempre superior ao sistema que tenta reprimi-la.
Mas espera aí, isso me gera um nó na cabeça agora. Se os gnósticos acreditavam no cristianismo, como eles conciliavam o fato de seguir Jesus com esse ódio absoluto pelo Deus do Antigo Testamento? Porque chamar o Pai de Jesus de demiurgo tirânico parece um paradoxo gigantesco.
Pareceria um paradoxo se eles vissem Jesus do mesmo jeito que a ortodoxia vê, mas eles não viam de forma alguma. A diferença fundamental está na origem do código-fonte de Jesus, por assim dizer. E qual era a origem dele para eles? O ensaio explica que a ortodoxia enxerga Jesus como o cordeiro, aquele sacrifício teatral que precisa derramar sangue na cruz para acalmar a fúria do Criador ofendido.
Mas para os gnósticos, Jesus não era o filho do demiurgo burro. Eles acreditavam num nível superior de divindade, então? Sim, eles acreditavam que além dessa matrix corrompida, existiu o pleroma. O pleroma seria o servidor raiz, uma dimensão de pura luz. Jesus era um éon, tipo uma centelha de código aberto enviada desse servidor supremo. Ele entrou na matrix não para morrer e pagar pecados, mas para atuar como um professor, para ensinar a fuga.
o que escancara a tese da fábrica de absurdos do autor. Se a missão de Cristo era totalmente intelectual e a matéria é só uma prisão, a ideia de glorificar um corpo físico perde todo o sentido.
Totalmente. Eles riam da ideia de Maria ser uma virgem grávida, porque a biologia não importava. E a ressurreição da carne, então, chegava a ser uma piada analógica deles. A analogia que a obra faz é perfeita. Acreditar em ressuscitar o corpo físico seria igual a um prisioneiro que passa anos tentando fugir da cadeia e, quando consegue, ele arranca as grades de ferro da cela para carregar nas costas para o resto da vida.
É cômico, não é? O Evangelho de Tomé, que o material cita como um dos textos mais antigos e talvez até anterior ao de Marcos, ilustra isso bem. Ele é super seco, não tem milagres grandiosos ou crucificação, tem apenas ditos de conhecimento filosófico.
Mas então vem a pergunta principal de sociologia nisso tudo. Se a versão gnóstica era tão embasada, lógica e libertadora, por que ela perdeu? Por que a versão ortodoxa, baseada em absurdos e sacrifício, foi a que dominou o planeta? A resposta é dura, mas é bem simples. Controle e marketing. Para você construir impérios e dominar multidões, o intelecto é inútil e até perigoso. A igreja precisava do teatro do trauma.
o marketing da morte e da dor, o sangue escorrendo, o medo do inferno. Diferente da serenidade intelectual de um budismo, por exemplo, o cristianismo usou terror existencial. E claro, uma instituição patriarcal não tem como governar milhões de Noês questionadoras. Eles precisavam de milhões de Noé obedientes. Exatamente. Só que para sustentar esse teatro contra os questionamentos racionais da época,
a igreja primitiva teve que fazer manobras complicadas. Nos primeiros séculos, os líderes, tipo o apóstolo Paulo, tinham uma verdadeira aversão à sabedoria dos gregos. A meta era humilhar os intelectuais. Mas o pensamento grego era baseado em perguntas fundamentais. Quando a igreja falava como uma virgem dá à luz, os gregos destruíam o dogma com a lógica.
E a obra do autor coloca o filósofo Epicuro como inimigo número um do sistema nesse aspecto. O Epicuro foi tão odiado pela igreja que o Dante colocou ele queimando eternamente no inferno, lá na obra A Divina Comédia.
E o grande crime do Epicuro foi simplesmente tirar o medo da morte das pessoas, certo? Isso. A lógica dele era impecável. Ele ensinava que a morte não significa nada. Enquanto a gente está vivo e consciente, a morte não está aqui. E quando a morte chega, a gente já deixou de existir. Então, não sente nada.
o que quebra o modelo de negócios do medo da igreja na hora. Se o povo ouve o epicuro e para de ter medo do além, a fábrica vai à falência. Ninguém compra seguro se não acha que a casa vai pegar fogo. Pois é. E a igreja teve que rebolar para responder a lógica de epicuro e dos gregos. O teólogo Agostinho inventou a famosa desculpa do livre-arbítrio e definiu que o mal é só a ausência do bem. Tudo como um pet de correção urgente para justificar o mundo.
Mas a cartada final, a grande espionagem industrial filosófica que blindou a fábrica de absurdos de vez, foi o trabalho de Tomé de Aquino. Tomé de Aquino é um mestre arquiteto da ortodoxia. Ele percebeu que bater de frente com a lógica grega era burrice, então ele sequestrou a lógica. Ele pegou toda a base e o vocabulário do Aristóteles e construiu uma muralha impenetrável em volta dos dogmas bíblicos.
Ele deu uma maquiagem de erudição falsa. Revestiu absurdos com palavras bonitas e complexas para justificar o injustificável. E o esforço todo do autor hoje é promover o que ele chama de redenção de Sofia. Sofia sendo a sabedoria.
É o trabalho de tentar desfazer essa muralha teológica e devolver a razão para o intelecto livre, tirando a sabedoria das mãos do dogma. E é incrível como o ensaio não deixa isso só no passado. Ele amarra tudo isso fazendo paralelos muito bons com a nossa cultura pop contemporânea. Lembra da comparação entre o Francisco Alves e o John Lennon?
Essa comparação é muito certeira. O Francisco Alves é descrito como a voz da ordem, o conforto social. Ele seria a arca de Noé cantando para manter as pessoas anestesiadas na ordem estabelecida. Enquanto John Lennon entra na história como um gnóstico moderno. Quando ele solta a música Imagine e pede para a gente visualizar o mundo sem o conceito de paraíso ou inferno, ele está atacando direto no código-fonte da matrix religiosa.
E qual foi a resposta do sistema? A mesma da Inquisição. Queima de discos dos Beatles em fogueiras nos Estados Unidos. Hoje, o secularismo e o ateísmo dão continuidade ao fogo da Noreia. A missão é mostrar através da lógica que a gente não precisa venerar as grades de uma prisão, por mais filosóficas que elas pareçam.
Para dar aquele resumo final da tese do autor, a religião moderna não caiu do céu como uma verdade incontestável. Ela é o resultado de uma eliminação brutal e sistemática de uma ramificação cristã que priorizava a lógica, o protagonismo feminino e a independência intelectual. Eles trocaram isso pelo espetáculo e pela obediência cega.
Fiquei evidente como a busca pelo pensamento crítico hoje é quase uma restauração de arquivos deletados pela história. É um ótimo jeito de enxergar. E sabendo de todo esse apagamento, que moldou desde textos antigos em poeira até roteiros de filmes em Hollywood, eu quero deixar uma provocação final da obra para quem está acompanhando a gente. Manda bala! Da próxima vez que uma instituição qualquer vermelho.
vier te dizer que possui a verdade absoluta sobre a vida e a morte, se pergunte, essa verdade oferecida tem o poder real de libertar a sua mente? Ou ela serve apenas para garantir que você nunca vai ter a coragem de olhar para o mundo fora da arca? É de virar a chave, sem dúvida. Então, o que isso tudo significa no fim das contas? Significa que a busca pela verdade nunca termina.
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