Ep.34 - Por que não se encontram submissos de jeito
Neste episódio, exploro algumas das razões pelas quais tantas mulheres dominantes sentem dificuldade em encontrar pessoas submissas compatíveis com aquilo que procuram. Falamos de expectativas irrealistas, da influência da pornografia e das redes sociais, da diferença entre fantasia e prática, e do trabalho pessoal necessário para construir uma dinâmica saudável e sustentável.
Um episódio sobre compatibilidade, maturidade emocional, consistência e sobre o que realmente faz uma dinâmica funcionar para além dos rótulos.
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- Dificuldade em encontrar submissosExpectativas irrealistas · Influência da pornografia e redes sociais · Diferença entre fantasia e prática · Trabalho pessoal para dinâmica saudável · Compatibilidade e maturidade emocional
- Diferença entre despiciente e despiciendoSer submisso · Ser bottom (receber/ser guiado) · Desejo de servir vs. desejo de ser servido
- Militância e presença femininaHomens que se aproximam não são submissos · Falta de responsabilidade emocional · Ausência de aftercare para a dominante · Dificuldade em tarefas práticas básicas · Mulher dominante assume papel de cuidadora
- Importância de Dizer NãoEvitar drenagem emocional e de energia · Avaliar a prontidão do parceiro · Não adicionar trabalho extra ao dia a dia · Ser mais rígida na procura
Bem-vinda! Se estás aqui é porque já te apercebeste que mereces mais do que relações assim e assim. Eu sou a Ana Vaz e no podcast Há Mais Homens no Mundo vamos juntas explorar como expandir o teu poder e escolher as relações que mereces. Olá e bem-vindas a mais um episódio do podcast Há Mais Homens no Mundo. Hoje quero fazer uma reflexão dos motivos mais comuns indicados pelos meios dominantes em relação às suas dificuldades em encontrar homens surpresos.
Isto porque ontem eu tive o meu grupo mensal Women on Top, que é um grupo de apoio, partilhas para mulheres dominantes, que acontece uma vez por mês, na segunda quinta-feira de cada mês, entre as 19h e as 20h30 da noite, hora de Lisboa, online. Nestes grupos, são bastante pequenos, eu normalmente gosto de ter um máximo de 6 pessoas comigo inclusive, as mulheres partilham as suas questões, experiências, dificuldades, histórias positivas.
E é um grupo para mulheres dominantes, sim, mas também para mulheres curiosas, switches, ou só alguém que, sendo mulher, quer ver de que forma é que pode usar o seu poder. Não é preciso ser uma pessoa que já esteja envolvida na comunidade BDSM, apesar de ser o mais comum porque acaba por ser o meu público-alvo. Nestes encontros que eu já organizei há cerca de 9 meses, acaba por haver uma linha condutora que é: temos dificuldade, nós mulheres dominantes, com várias coisas.
Uma delas é sim poder falar sobre este assunto abertamente, e por isso é que este grupo é tão importante, porque acaba por ser um sítio onde as pessoas estão protegidas e podem falar com outras mulheres que têm experiências semelhantes. Mas também há, para além dessa dificuldade, muitas vezes nós não podemos falar abertamente sobre as nossas dinâmicas e sobre os nossos interesses com a nossa família, com os nossos amigos, entre eleiantes.
A segunda dificuldade indicada é que é difícil também, apesar de se pensar que há muitos homens submissos, Ou apesar de, quando nós somos mulheres dominantes, nos chegarem muitos homens que dizem ser submissos, a dificuldade continua a ser também encontrar homens com quem somos compatíveis. Isto é um bocado como no dating regular. Há supostamente 9 vezes mais homens nas dating apps em Lisboa do que mulheres e, portanto, deveria ser bastante fácil para uma mulher conseguir encontrar um parceiro combatível.
Mas a verdade é que muitas vezes as mulheres da dating tradicional descrevem as dating apps como um caixote de lixo on fire, porque são muitos homens sim, mas todos eles muito pouco— como é que eu hei de dizer isto? Não é que não tenham qualidade, mas a abordagem dos homens em geral nas dating apps deixa muito a desejar. Costumamos dizer que os homens caçam, mas isto não é verdade. No dating os homens não caçam, porque caçar é basicamente, quando pensamos num leão, o animal viola, que vão tentar caçar uma presa.
Isto é, o animal foca-se no outro animal, só naquele, toda a sua concentração está naquela coisa que o animal quer caçar, não é? Aquela presa. E tudo o que o animal vai fazer até conseguir é desenvolver uma estratégia específica para aquela presa. Isso seria o caçar no dating, que seria o homem ou a mulher, mas neste caso estamos a falar na ideia geral de que o homem caça as mulheres, seria o homem concentrar-se a 100% numa mulher.
Ora, não é isso que acontece. O que acontece neste momento, e eu não sei se foi sempre assim porque eu só vivi nesta altura em que a ACD tinha apps, é que o homem envia a mesma mensagem genérica É todas as mulheres. Ou seja, um esforço bastante reduzido, apesar de na realidade enviar a mesma mensagem a todas as pessoas, mesmo sendo um copy-paste, ser difícil porque é monótono, não é? Mas o esforço personalizado é muito pouco. Então isso não é caçar, isso é pescar.
Isso é ter o isco, que é essa mensagem genérica, e esperar que alguém morra. Isso não nos faz sentir especiais quando nós estamos na experiência geral das datinhas. Isto é a perspetiva geral da forma como o dating está a ser feito, que já não é bom. Passemos então agora ao contexto do Tinder e do BDSM, em que supostamente os homens estão submissos, não é? E então os homens querem mulheres dominantes, serão homens submissos que supostamente estão a tentar ir contra esta ideia que nos foi incutida desde sempre de que os homens é que têm que liderar.
E então o que se espera, ou que as mulheres dominantes esperam, e isto também é erro nosso porque nós não devemos esperar coisas sem termos negociado com alguém ou termos falado com alguém, é que um homem submisso lide com o dating de forma diferente, que não faça uma pesca, mas que faça uma caça, que saiba que uma mulher dominante é rara, que uma mulher dominante é rara, e isto é verdade, e portanto que invista muito a tentar conseguir uma parceira.
Contudo, continua a ser verdade que a forma como os homens submissos nos abordam em sítios específicos para este tipo de dinâmicas, já vos falei algumas vezes no FetLife, continua a ser muito parecida com a forma como um homem regular aborda mulheres em dating apps normais, ou seja, uma mensagem genérica com pouco conteúdo e com até pedidos. O que me tem sido dito nestes grupos de apoio é que a grande frustração é que mesmo o homem dizendo que é submisso, o que ele quer é ser servido.
Tem um número de quincos, coisas que quer fazer em que ele é menos ativo, e ele quer de alguma forma ser servido por uma mulher dominante para lhe dar aquilo que ele quer. Ora, isso não é ser submisso. E isto é uma discussão que existe muito na comunidade, que é a diferença entre ser submisso e ser-se bottom. Ser-se bottom, ou ser a pessoa que recebe, que quer ser guiada, isso não é a mesma coisa que ser submisso. Portanto, cuidado com essa diferença de definições.
Eu vou deixar-vos ir ver na internet o que é que isso quer dizer, porque senão era um episódio inteiro sobre a diferença entre ser Bota e ser submissos. Mas a verdade é que quando nós temos uma pessoa que quer ser servida, isso não é ser submisso. Ser submisso é sentir dentro de si a vontade de servir outra pessoa, na minha perspetiva, obviamente. Então, um dos grandes problemas em relação a homens que dizem ser submissos é este mesmo, é que mesmo tendo eles a ideia de que são submissos, o seu condicionamento como homens acaba por se sobrepor a esta necessidade de submeter, que é: sou homem, tenho aqui uma mulher que me pode dar o que eu quero, então eu vou me apresentar e vou dizer: eu quero isto.
Em vez de fazer o contrário, que é: eu sou um homem submisso, há muitos homens submissos, há poucas mulheres dominantes, o que é que eu posso fazer para conquistar esta mulher para que eu a possa servir, para que eu possa lhe venerar? Porque dominação feminina É muito mais do que uma mulher guiar um homem sexualmente. Muito mais do que isso. A dominação feminina, como eu já disse nalguns outros episódios deste podcast, na minha perspetiva, é exatamente contra o serviço feminino em relação aos homens, porque isso nós já fazemos na nossa vida inteira, mesmo quando nós não queremos, porque está tudo construído para as mulheres estarem a servir um propósito, que é serem bonitas, serem de casa arranjadas, por aí adiante.
Eu também já fiz um episódio em que mencionei estas coisas. Este parece ser o maior problema que as mulheres dominantes têm quando estão a tentar encontrar um parceiro que seja mais submisso. É que na realidade estes homens que se aproximam delas não são assim tão submissos ou continuam à espera que elas os sirvam. Depois, outro problema que foi indicado neste grupo depois especificamente é o facto de ser bastante difícil conseguir um relacionamento um pouco mais complexo.
Dentro destas dinâmicas de dominação e submissão, que também é um problema que é indicado no dating em geral, que é parecer que os homens querem ter relacionamentos com mulheres, mas na realidade sim querem relacionamentos, mas querem relacionamentos que são muito de práticas. Eu quero ter intimidade sexual contigo, ou quero fazer esta prática contigo, neste contexto da DSM, mas depois há um desapego muito grande e há uma falta de responsabilidade emocional muito grande.
E isso faz com que uma mulher dominante que está a tomar as decisões, para além de ter de tomar as decisões, guiar dinâmica e tudo mais, de não ter o chamado aftercare, que eu também já fiz um episódio sobre isto, que é não ter ninguém que cuide dela, estar numa relação basicamente em que tem que guiar o homem, tem que tomar as decisões, tem de passar o tempo necessário para planear estas coisas, porque as plays às vezes podem ser complexas, e depois do outro lado não recebe nada.
E este é um grande problema. Outro problema indicado nos grupos de apoio é que os homens submissos que querem servir, querem fazer tarefas práticas para ajudar as mulheres dominantes, têm muito, muito pouca capacidade de conseguir fazer essas tarefas bem e sistematicamente. São coisas super, super fáceis, é limpar uma casa, ir às compras, é cozinhar, é fazer coisas que Um homem de 30 anos, que são normalmente os homens sobre os quais eu falo nos meus cursos, depois de 30, 40 anos, sabe o que fazer?
Que é ser uma pessoa independente, conseguir cozinhar a sua própria refeição, conseguir pensar o que é que precisa para cozinhar essa refeição, saber ir ao supermercado e ver os ingredientes para comprar para essa refeição, saber lavar a louça para conseguir ter louça pronta para cozinhar essa refeição. Estas coisas básicas continuam a estar em falha. Então a mulher dominante acaba por ter de mais uma vez assumir este papel de cuidadora, que é o que nós fazemos de qualquer forma quando estamos numa relação sem ser de dinâmicas de poder.
Estes são assim alguns problemas e indicações das mulheres dominantes e dos meus grupos de apoio. Temos também algumas histórias engraçadas, mas já vos relatei algumas. Mas isto, mulher que estás aí desse lado a ouvir, se queres encontrar uma relação com homem submisso Esta é uma coisa em relação à qual tens de ter atenção, que é o perigo de, mesmo sendo tu dominante, seres abordada por homens que não são realmente submissos. Então é dizer que não mais vezes, saber dizer que não, saber ter condições que façam com que mesmo no princípio da dinâmica que se está a estabelecer, tu percebas se este homem te quer drenar.
Como? Porque outro homem qualquer faria numa relação mais tradicional. É conseguir avaliar naquela parte inicial se realmente aquele homem está pronto para te servir da forma que tu mereces. Porque isso é com relação à dominação. É tu não estares a servir um homem. É tu não estares a adicionar mais trabalho no teu dia a dia. É tu não estares a ter que fazer uma performance por cima da que já fazes todos os dias. A não ter que pôr mais maquilhagem porque este homem te vê como mulher dominante.
A não ter que ir fazer despesa para comprar acessórios porque este homem quer uma peça de látex. Portanto, aqui fica o aviso. Este episódio é mesmo só para se estás aí e estás a começar a tua jornada como mulher dominante e estás à procura de parceiros, saberes que é muito comum esta dificuldade em encontrar pessoas compatíveis, como é no dating em geral. Mas tu, como mulher dominante, ou a aprender, deves sim ser um pouco mais rígida para encontrares a pessoa que queres, porque dizendo que não às pessoas que não queres, tu vais chegar ao que queres.
E já sabes, há mais homens no mundo. Nestes próximos episódios eu vou continuar a falar sobre como podes aumentar o teu poder. Aumentar o teu poder também é saber dizer que não sem te sentires culpada e sem teres que te justificar, tratando sempre as pessoas com carinho, obviamente, que todos merecemos. Obrigada por estares aí e fica para o próximo episódio. E sei, todas as coisas vêm. Se gostaste deste episódio, Compartilha com uma amiga que também já está farta de relações mais ou menos. Obrigada por me ouvires e lembra-te: há mais homens no mundo!
Ana Vaz
Grupo mensal Women on Top