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Ep. 39 > RETAKE - BDSM quase 24/7

09 de agosto de 202612min
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Quando se fala em BDSM, muitas pessoas assumem que a pessoa dominante está apenas a "dar": a orientar, a controlar, a disciplinar e a cuidar da dinâmica. Mas será mesmo assim?
Neste episódio revisito o tema "Quase 24/7" para responder à pergunta: o que é que eu recebia desta relação?
Partilho aquilo que uma dinâmica de dominação e submissão me trouxe enquanto mulher dominante: a experiência de uma submissão genuína, a redução da carga mental através do cuidado e da iniciativa do parceiro, o acesso a experiências que de outra forma não teria vivido e, acima de tudo, o crescimento pessoal que nasce quando nos permitimos conhecer através da relação.
Este episódio é também um convite à reflexão para todas as pessoas que exploram relações de poder: uma dinâmica saudável deve beneficiar ambas as partes. Se és dominante apenas para satisfazer os desejos da outra pessoa, talvez seja altura de repensar aquilo que realmente procuras.
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When people think about BDSM, they often assume that the Dominant is the one constantly giving—providing guidance, structure, discipline and care. But is that really the whole story?
In this episode, I revisit "Almost 24/7" to answer one of the questions I received: what did I gain from that relationship?
I share what a Dominant can genuinely receive from a healthy power exchange: authentic submission, reduced mental load through acts of service, unique shared experiences, emotional support, and the personal growth that comes from deeply understanding yourself through a relationship.
This episode is also an invitation to reflect on balance within power dynamics. A healthy BDSM relationship should enrich both people involved. If you're only performing dominance to fulfil someone else's fantasy, it may be time to ask yourself what you truly want from the dynamic.
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Participantes neste episódio1
A

Ana Vaz

HostCoach de empoderamento feminino
Assuntos3
  • Beneficios do Dominante· SociedadeSubmissão genuína·Acesso a experiências·Redução de peso mental e econômico·Aprendizado e autoconhecimento·Encorajamento e apoio
  • Práticas BDSM 24/7· SociedadeDinâmica de dominação e submissão·Benefícios para o dominante·Carga mental reduzida·Crescimento pessoal
  • Equilibrio de Poder· SociedadeBenefício mútuo·Reflexão sobre desejos·Dominação feminina e poder
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
AVAna Vaz

Bem-vinda! Se estás aqui é porque já te apercebeste que mereces mais do que relações assim e assim. Eu sou a Ana Vaz e no podcast Há Mais Homens no Mundo vamos juntas explorar como expandir o teu poder e escolher as relações que mereces. Olá e bem-vindas a mais um episódio do podcast Há Mais Homens no Mundo. Mudei de cenário outra vez porque tive em conta o vosso feedback, várias pessoas contactaram-me a dizer que preferiam sofá, Estou de volta ao sofá, a gata está de volta à farinheira, que eu acho que era a única coisa que vocês queriam ver, era gatos.

Cá estão de volta e está um bocado diferente atrás, mas a essência continua lá. Bem-vindas! Hoje vou fazer um retake do episódio que se chama Quase 24/7. Vou fazer um retake porque também recebi vários comentários de várias pessoas a dizer-me que gostavam de ter o outro lado da história, gostavam de perceber o que é que se tinha passado do meu lado. Ou seja, neste episódio 24/7, que saiu há cerca de um mês, podem ir pesquisar no canal onde vocês veem o meu podcast, eu falei sobre um relacionamento de BDSM na qual eu era dominante com um homem e a nossa dinâmica era quase 24 sobre 7.

Isto é uma expressão que é utilizada com bastante frequência no universo BDSM. Até o dia 24/07, 24 de julho, é o Dia Internacional do BDSM, por ser uma expressão que é tão usada. E o que é que essa expressão quer dizer? Quer dizer que basicamente temos uma relação ou uma interação que é quase a toda hora, todos os dias, daí o 24/7. Ora, eu nesse episódio falei basicamente do que eu dava a esta pessoa, a este meu submisso, o que é que eu lhe proporcionava.

Expliquei que era uma relação em que basicamente eu controlava quase todas as coisas que a pessoa fazia em termos de dieta e exercício, maioritariamente, mas não vos expliquei o que é que essa pessoa me dava a mim. Então muitas pessoas contactaram-me a dizer, então, mas isto é uma relação de dominação e submissão na qual tu eras a pessoa dominante. Eu só te vi a ter trabalho, eu só te vi a ter que controlar esta pessoa, a ter que dar tarefas a esta pessoa, a ter que dar castigos a esta pessoa, a ter que dar recompensas a esta pessoa.

O que é que tu ganhavas disso? Excelente ponto, e obrigada por me terem sugerido fazer um retake, porque eu acho que também é importante que fique claro o que é que eu ganhei com isto. Ora, a primeira coisa que eu ganho em relações de dominação-submissão com outras pessoas é o seguinte: a sua submissão. A submissão de alguém perante nós, quando nós somos dominantes e quando temos esta necessidade de sermos adorados e servidos, já é uma grande coisa.

Pode parecer pouco porque é uma coisa muito subjetiva e muito pouco palpável, mas na realidade é o maior desejo que a maior parte das pessoas dominantes têm, é sentirem a submissão de alguém. E aliás, eu fiz o episódio sobre a dificuldade que é arranjar submissos, e essa é uma dificuldade que também é apontada por muitas pessoas dominantes, é que realmente nós não sentimos com frequência a submissão das pessoas, que é o que nós queremos.

O que nós sentimos com mais frequência é que as pessoas querem ser servidas, querem ter alguém que lhes diga o que fazer, mas que não se submetem realmente a nós, a nós pessoas, a nós mesmas pessoas, de uma forma de adoração e veneração, que no meu caso é o que eu quero. Ora, ter alguém que realmente se submeta a nós, por nós, é uma coisa incrível. E é muito pouco comum. Portanto, essa é a primeira coisa, a primeira vantagem que eu ganhei naquela relação: submissão quase total.

Depois, outras coisas que eu ganhei: esta pessoa, nós estávamos juntos talvez uma vez por semana, às vezes menos, mas para mim estar com alguém uma vez por semana é bastante, é uma relação bastante chegada. Eu sei que a maior parte das pessoas que têm relacionamentos normalmente com habitação passa muito mais tempo junto, ou mesmo em relacionamentos mais chegados, uma vez por semana não é considerado muito, mas para mim uma vez por semana estar com alguém consistentemente é muito.

Portanto, nós tínhamos uma relação muito chegada. Quando estávamos juntos havia sempre atividades que fazíamos, íamos jantar fora ou íamos a um espetáculo ou íamos viajar. Portanto, essa parte também foi uma parte que ganhei, foi aceder a coisas que normalmente não acederia. Esta pessoa levava-me a sítios que estavam um bocadinho acima da minha capacidade financeira. E então eu fui a restaurantes de estrela Michelin, fui a hotéis 5 estrelas, fui a um cruzeiro, fui a diversos países.

E esta pessoa, visto que não estava no nosso contrato eu controlar a parte das viagens ou controlar a parte dos restaurantes ou das atividades. Esta pessoa muitas vezes sugeria que fôssemos a sítios e tratava das marcações todas e tratava dos planos todos, obviamente sempre seguindo as minhas recomendações. Isto para mim é uma grande vantagem por vários motivos. Primeiro, tira-me o peso mental de ter de organizar férias, porque a pessoa organizava.

Depois tira-me o peso económico de ter de pagar as férias, porque a pessoa pagava. E depois também, na realidade, fazia com que eu conseguisse ter experiência que eu queria nesses sítios. Accedendo a experiências que eu de outra forma não poderia aceder. Estamos a falar de coisas simbólicas, seria uma massagem num sítio um bocado mais caro, seria ir fazer aquela experiência turística um bocado parva que é super cara, era comer nos melhores restaurantes, era não ter que pensar em planear tudo ao milímetro para não gastar dinheiro.

E isto na realidade, pensando em geral em pessoas que estão sempre em controlo, quer estejas numa relação 24/7 ou não, esta facilidade de não ter o peso mental de ter que estar sempre a planear tudo por causa de questões monetárias é muito importante. Portanto, essa foi a segunda vantagem, ou a segunda coisa que eu tive positiva daquela pessoa, que aquela pessoa me deu. Coisa mais importante, a submissão da pessoa. Coisa número 2 em termos de importância foi a questão de tirar o peso mental de algumas coisas que eu tinha, uma parte de planeamento e a parte também económica.

E a terceira coisa foi: eu aprendi imenso com esta pessoa. E eu digo isto várias vezes, não é porque alguém está na comunidade há algum tempo e não é porque alguém tem um projeto que ensina outras pessoas a fazer algumas dinâmicas de BDSM, ou negociação, ou aftercare, ou técnicas, que essa pessoa não aprende sempre que está com alguém. E esta pessoa sente que nós tínhamos uma relação muito chegada e que foi muito intensa. Acabou por me ensinar várias coisas, ensinou-me não diretamente, não é que a pessoa me estivesse a ensinar, mas as vivências ensinaram muito sobre mim, porque ensinaram-me sobre as minhas preferências, houve coisas que eu não sabia sobre mim que aprendi ali, por exemplo, a questão de Eu ser o arquétipo, já lá vamos, um dia vamos falar sobre os arquétipos num episódio, mas de eu me considerar rainha, de eu gostar de ser vista como rainha, gostar de ser adorada, mas também gostar que as pessoas tenham medo de mim, isso eu já sabia, mas a minha parte mais cuidadora, que é outro arquétipo, eu não sabia que tinha.

E essa parte só veio acima com esta pessoa. E isso vem com imensas coisas que temos de aprender connosco, como sentimos isso, como lidamos com isso, como de alguma forma viver isso. E então aprendi imensas coisas e foi muito positivo, porque como eu já disse também noutros episódios, as relações que se estendem no tempo, as relações de BDSM que são mais duradouras, podem ter um impacto muito maior do que uma interação que acontece numa festa.

Porque nós temos, ou pelo menos eu tenho, muito mais probabilidade de me entregar do que numa relação que vai durar pouco tempo. Então eu tive nesta relação essa liberdade, e isso é uma coisa muito positiva, foi uma coisa muito positiva para mim. Para além de que esta pessoa me encorajava imenso e me apoiava nas coisas que eu ia fazer. E eu nesse momento, quando estava nesta relação, estava a iniciar este meu projeto. Portanto, a pessoa deu-me todo o reforço positivo que eu precisava, porque eu, apesar de ser dominante, Eu preciso muito de reforço positivo na minha vida mais varonilha.

Nós também tínhamos, apesar de ser quase 24/7, também tínhamos alturas em que não estávamos numa relação de poder. Esta pessoa apoiava-me mesmo, porque esta pessoa na realidade não estava a fazer um papel ou fazer uma performance quando era submisso e que madurava. Esta pessoa adorava-me mesmo e respeitava-me mesmo e gostava, e continua a gostar, e continua a enviar-me mensagens a dizer que gosta do meu trabalho, e às vezes envia-me mensagens a dar relações.

Porque isto foi uma pessoa que de alguma forma também me impulsionou, me encorajou a fazer o trabalho que eu faço hoje. Portanto, eu dei-vos 3 motivos de eu ter de alguma forma beneficiado desta relação. Houve muito mais, mas estes episódios, como vocês sabem, são curtos. E o objetivo era dar-vos aqui a resposta a perguntas que várias pessoas me fizeram, que é o que é que as pessoas dominantes tiram destas relações com pessoas submissas.

Porque muitas vezes parece as pessoas que não estão dentro do— estão dentro do meio, que as pessoas dominantes estão apenas a servir as pessoas submissas, não é? Que estão, ok, o submisso quer dor, então a pessoa dominante vai lá e bate-lhe. Ok, o submisso quer humilhação, então o dominante vai lá e dá isso. Não é isso! Nós tiramos sempre alguma coisa das dinâmicas, senão porquê é que estávamos a fazer isto? E isso é essencial se estás a começar, mulher que tem um parceiro ou parceiros que querem experimentar ser submissos é ter a certeza de que eu estou a tirar algo disto.

Porque se tu estás apenas a performar, ser uma mulher dominante para fazer o que ele quer e não estás a retirar nada disso, então não estás a ser dominante e estás apenas a servir um homem. Que é que eu suponho? Tu não queres fazer, e que vai um bocadinho contra o que eu acho que é a natureza da dominação feminina, que é conseguirmos aproveitar o nosso poder feminino, que vai muito a esta parte do corpo e da sensualidade, para invertermos as dinâmicas de poder que existem na sociedade, que é os homens acabam ainda claramente por beneficiar mais do sistema patriarcal e machista em que vivemos.

Pensa nisto, pensa o que é que tu queres sentir nas tuas dinâmicas e também o que é que podes tirar das dinâmicas onde estás. Por hoje é tudo. Fiquem aí desse lado à espera de mais episódios. Vou continuar com este setting para vocês poderem ver a farinheira e o Totoro. Os próximos episódios eu vou tentar também revisitar outras coisas que eu falei nos episódios anteriores, porque eu tenho tido alguns pedidos. Também já sabem, subscrevam a minha newsletter que sai todas as quintas-feiras e vai diretamente para o vosso email com todas as novidades.

Venham ao grupo de apoio a mulheres dominantes que acontece também à quinta-feira, uma vez por mês. Todos os detalhes estão no meu site, chama-se Women on Top, e fiquem atentas aos eventos que vão acontecer todos os meses. Obrigada por estarem aí e até ao próximo episódio! Se gostaste deste episódio, partilha com uma amiga que também já está farta de relações mais ou menos. Obrigada por me ouvires e lembra-te: há mais homens no mundo.