Livros em Cartaz 105 - A outra volta do parafuso
O que o isolamento, duas crianças e a dúvida entre a sanidade e a loucura podem fazer com uma governanta no século XIX?
É isso que Andreia D’Oliveira e Gabi Idealli tentam descobrir neste episódio sobre a novela “A outra volta do parafuso” de Henry James e de sua adaptação “Os Inocentes”, dirigida por Jack Clayton em 1961.
Então, junte-se a nós para descobrir que a repressão pode tornar a mente humana um dos lugares mais perigosos do mundo.
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- As impressões pessoais sobre a leitura da novela de Henry Jamesprimeira leitura·suspense versus terror·comparação com Edgar Allan Poe
- A trama de 'A Outra Volta do Parafuso' e a percepção da governantaemprego misterioso·crianças Miles e Flora·aparições de fantasmas·influência dos espíritos·repressão sexual
- O final ambíguo da novela e a morte do menino Milesexorcismo da governanta·morte do menino·narrativa ambígua·leitor frustrado
- A ambiguidade do título 'A Outra Volta do Parafuso' e sua traduçãoexpressão idiomática·tradução literal·tensão narrativa
- A biografia de Henry James e sua vida de viagens e influênciasfamília erudita·viagens pela Europa·Guerra Civil Americana·influência de Flaubert e Zola·escrita experimental
- A adaptação cinematográfica 'Os Inocentes' e sua fidelidade ao livroroteiro de Capote·suspense psicológico·atuação de Deborah Kerr·ritmo do filme
A história nos deixara ao redor do fogo um tanto eletrizados, mas salvo a observação óbvia de que era horrenda, como na noite de Natal numa casa velha, é de se esperar que seja uma narrativa estranha. Não me lembro de ter ouvido nenhum comentário até que alguém notou que era o único caso de seu conhecimento em que tal aflição ocorrera a uma criança. E assim começa a novela A Última Volta do Parafuso, de Henry James. Eu sou Andréia de Oliveira.
Eu sou Gabi Dehali.
E este é o Livros Encartados.
É a outra volta do gótico, Andréia. Estamos aqui na outra volta do gótico, na outra volta dos que não foram, né?
É isso aí, é isso aí, é isso aí. E é muito curioso, a gente hoje vai falar desse, dessa novela que é muito conhecida E às vezes é chamada de A Volta do Parafuso, às vezes é chamada de A Outra Volta do Parafuso.
Isso, porque—
e aí eu acho que a gente já pode até começar por aí.
Ai, sim, é legal, porque a tradução—
porque assim, na verdade, assim como Gata em Teto de Zinco Quente, que é uma peça do Tennessee Williams, A outra volta do parafuso é uma expressão idiomática que não tem uma tradução para português literal.
Não existe uma tradução literal.
Então, na verdade, os dois termos acabaram sendo traduzidos de forma literal.
Não, sim, mas digo, né, mas a gente não tem, é, ela não faz sentido no nosso idioma. Volta do parafuso não faz porque ela é uma expressão Que até pra pensar sobre... Como você traduziria, Andréia?
Ai... Então, a gente não tem uma expressão pra isso, eu acho. Uma expressão idiomática pra isso. Porque seria o dobro de uma tensão, de algo mais...
É como, mais ou menos, quando a gente usa o buraco é mais embaixo?
É isso!
É um pouco do tipo, a situação tá ruim, então espera, porque o buraco é mais embaixo.
Que é mais porque o que acontece aqui, quando a gente entra na história, foi contada uma história que era com uma criança. Bom, todo mundo já assistiu filmes de terror com crianças, não é mesmo? Não tem nada pior. Pois é, do que filme de terror com criança. E aqui, qual que era a ideia? Era falar assim, ah, você tá achando que essa história com uma criança é ruim? Agora imagine com duas crianças. E é você tensionar ainda mais.
Exatamente. Porque no começo dessa história, a gente, a gente encontra esse grupo de meninos que tá em volta ali da lareira conversando sobre história de terror. Então esse trecho que a Andréia leu, inclusive, é isso. Você você pega ali a história no meio, você começa como eles gostam de chamar, né, André, em média ré. Ou seja, a história já começou e você entra na história com esses meninos ali em torno da fogueira, da lareira no caso, conversando sobre história de terror.
E aí alguém vira e diz, ah é, vocês ficaram assustados com essa historinha aí com uma criança? Esperem até eu contar A história que tem duas crianças.
E é isso que o Henry James vai fazer aqui. E como o nosso tema desse ano são governantas, é claro que vai ter uma governanta aqui no meio dessa história, uma preceptora, uma governanta para cuidar desses dois, desses dois alecrims dourados, desses anjinhos, desses anjos de candura. Que veremos aqui.
Anjos! Ela é uma obra como outras que a gente já tratou aqui, que foi publicada em capítulos.
Isso, folhetim.
Em folhetim, exato, numa revista, na Collier's Weekly, em 3 meses mais ou menos, ao longo de 3 meses mais ou menos, ali no inverno, no inverno no hemisfério norte. Que aqui o sol tá torando. E eu acho que antes da gente pensar um pouco sobre o Henry James, eu queria, eu queria perguntar para Andréia, para não fugir aí nosso, que isso já tá virando um hábito, que antes da gente começar a gente fala um pouco sobre as nossas impressões.
E eu queria saber, essa foi o quê, a segunda vez que você leu? A terceira? Você leu a primeira?
É, a primeira vez que que eu li faz muito tempo, foi logo que eu entrei na faculdade de ler, que eu li, porque foi uma indicação na verdade de um amigo, o Ricardo, que ele falou, Andréia, você vai amar, leia que você vai amar. Ele já tava no meu radar, tanto que eu já tinha a outra volta do parafuso aqui. Sim, eu falei assim, ah, vou ler. E aí a situação foi muito curiosa, porque eu tava lendo e assim, eu li numa, num dia assim, numa tarde, a primeira vez que eu li.
Eu peguei para ler e fui lendo, fui lendo, e cheguei, engoli o livro porque eu queria saber o que que ia acontecer e tudo mais. Sim, nas outras vezes li para fazer comparação com outras coisas, porque bom, ele, ele tem uma narrativa muito boa. O texto do Henry James, ele é muito bom, mas para mim ele só funciona na primeira leitura. Ele não é um texto que eu vou virar para você e falar assim, ah, eu vou reler. Eu li, eu li outras vezes, mas não porque assim, ai, nossa, eu tô com saudade desse livro e vou ler.
Sim, sim, sim, sim.
Foi porque eu queria fazer uma comparação, foi porque eu fui fazer um trabalho, foi porque Foi por outros motivos que não, agora para o podcast. Então assim, foi por outros motivos que não é assim, não é como, sei lá, não é como um Drácula, ou isso, tenho vontade de reler. Não é, não era essa, não é essa. Eu, e assim, e para além disso, ele é um livro de suspense. Mais do que o terror em si, ele é um livro de suspense. E eu acho que, diferente de outro cara que apareceu aqui e que eu posso ler obras dele a minha vida inteira, e por mais que eu saiba o final dessas obras, ela não me incomoda, porque o jeito que ele me faz chegar ao final delas é que importa.
E que aqui eu acho que o Henry James peca um pouco, que é em sustentar esse suspense, né? Eu tô falando do Paul. A gente tava conversando isso um pouco antes de começar, porque o Paul, assim, dificilmente você vai para uma história do Paul sem saber, ele é nosso queridinho. É, mas assim, eu acho que para além de ser o nosso queridinho, eu acho que dificilmente quem quem gosta de ler e tal dificilmente vai para o Edgar Allan Poe se já tem uma idade mais avançada, assim avançada que eu digo não é um jovem, não é um jovem leitor, já é um leitor já calejado, mas vamos supor que nunca leu Edgar Allan Poe, dificilmente essa pessoa vai para um texto do Poe sem saber do que se trata, às vezes até sabendo do final.
E eu vou dizer que muitas vezes por mais que o final seja surpreendente é o que menos importa. No Barril de Amontilado, por exemplo, que é um texto dele que eu acho a construção dele muito parecida com o que o Hitchcock faz nos Pássaros, né, que tem mesmo essa tensão do tipo, ele vai, ele vai emparedar um sujeito no Barril de Amontilado, e aí ele vai falar assim, fulano colocou a primeira, segunda e a terceira carreira e não sei o quê.
E aí você vai falando, meu Deus, ele vai emparedar o cara mesmo. E aí ele fala assim, não, ele para. Eu falo assim, não, não, ele não vai emparedar. E você já sabe o final. É a mesma, sabe essa coisa dessa tensão que depois o Hitchcock vai fazer a mesma coisa lá nos Pássaros, que é aquela cena maravilhosa e muito bem construída, muito bem construída, que a pessoa tá ali sentada e ela pega o cigarro, aí ela puxa o cigarro, pleno sentado no No banco, um pássaro.
Aí ela pega, fuma olhando. Aí daqui a pouco tem 10 pássaros, um do bicho pular, pular lá. E eu, sai, fulana, levanta, levanta, vai embora, fulana, né? E você já sabe, você já viu esse. Eu já devo ter visto os pássaros acho que umas 10 vezes, e todas as vezes que eu passo por ali eu fico tensa, tensíssima. Paul diferente. E aí eu entendo que é pela construção, é pelo gênero narrativo, é por N coisas. E eu também acho que pela genialidade do Paul.
Vou colocar essa carta aqui porque podem dizer o que for, eu acho, eu, eu, Andréia, no meu coração, o Paul, Edgar Allan Poe, é um gênio.
No meu também, é no meu também.
Eu acho que eles conseguem construir, ele consegue construir uma cena de suspense de uma forma que o Henry James tentou construir, tentou não, ele construiu aqui, mas que ao final você fala, ah tá, já entendi o que ele fez, já entendi esse suspense aqui, tá de boa. E nas outras leituras ela não vai, o suspense não vai te pegar tanto. Por isso que eu falei lá, falei, gente, por isso que leiam, quem não tinha lido leia. Porque pode ser, pode ser um livro que, dependendo do que a gente falar aqui, se você é muito apegado nisso, você não vai ler, entendeu?
Eu acho que esse programa nosso em específico, ele é um que eu não sei, assim, eu recomendaria que vocês lessem antes o livro.
Isso, isso.
Do que ouvir a gente. Porque, ai, Gabi, mas vocês sempre dão spoiler, eu já vi outros programas, nunca... Mas assim, neste em específico, eu acho que... Por quê? Pra mim, como funcionou a leitura? Pra mim, a leitura foi, digamos, foi maçã. Entrar nela, a partir do momento que eu entrei, eu entrei. Mas eu...
Mas não foi uma hora engatar, né?
É, para mim ela demorou. Eu acho que eu não sei se é uma questão de ritmo, se é uma questão— porque assim, o suspense para mim está no ar desde o começo. Sim, sim, porque a história toda é nebulosa assim.
Só que é um suspense que ele, por exemplo, no começo— porque só para vocês entenderem como é que funciona aqui, como a Gabi falou, tem esse monte de gente lá que estão contando histórias de terror. E aí tem um cara lá que fica lá parado, e aí ele, ó, e aí ele vai descrevendo como que esse cara tá incomodado. E aí ele fala assim, ai, eu vou contar uma história para vocês, e nananã. E aí ele vai esticando essa corda assim.
Então eu acho que ele vai tensionando logo no começo, porque ele ainda diz assim, ah, eu vou buscar essa história, ela é um relato que chegou até mim. E você Aí você vai ficando, gente, um relato. Aí ele diz, ah, mas quem escreveu esse relato se arrependeu muito no auge da sua culpa. Aí você fica, gente, na culpa? Culpa do quê? Aí você fica, você vai ficando assim, a história nem começou e você já tá intrigado, cheio de dúvidas para entender do que se trata.
Você fica, gente, calma, tem uma história de uma pessoa, então é uma narrativa. Aí você vai entendendo que a história ela vai, ela vai ser tensa. Então você de antemão, então assim, eu acho que Para mim funcionou a coisa, o apelo à atenção, ele me capturou. Mas o que foi difícil para mim foi porque, gente, como dizer isso, para mim a escrita dele me parece um pouco mais travada. E aí, sabe, parece que assim, parece que ele não tem familiaridade com escrever um suspense, basicamente assim.
Assim, me deu essa impressão. Porque parece... Ora parece que você tá lendo um romance. É, horror. Ora parece que você tá lendo um... É... Uma... Sei lá, um comentário. Ele não engaja... Nos momentos tensos, são muito tensos, eu achei isso. Os momentos em que o suspense atinge o ápice dele.
É, pra quem gosta de terror, pra quem gosta... Fica cagado, fica.
É isso aí, realmente muito medo. Mas digamos que os espaços entre esses momentos, eles são um pouco enrolados assim, eu acho, né? Eu acho que ele não, ele não acerta a mão no tom que ele quer dar para aquele, para mim, né? Ele tem uma dificuldade de acertar o tom do gênero. Para mim, eu acho que é por aí a questão. E eu acho que por isso eu demorei um pouco pra engatar. Mas eu acho que depois que eu entrei no ritmo dele, que eu entendi como ele seria, digamos assim, eu acho que eu tinha uma expectativa em relação...
Porque eu ouvi falar muito. A outra volta do parafuso é algo que a gente ouve... Eu, pelo menos, sempre ouvi falar. Então eu tinha uma expectativa muito alta de ser um grande terror. De ter... Você espera determinadas... Você... Eu, pelo menos, tive determinadas expectativas em relação ao gênero. Então, acho que o que me frustrou um pouco foi a expectativa em relação ao gênero. E aí, depois que eu entrei, eu acho que eu realmente engatei, assim.
Tanto que, pra mim, ele termina num ápice tão forte que me pareceu sacana ele acabar assim. Eu fiquei, meu Deus, você vai me deixar aqui com isso?
Sabe assim?
Porque ele termina termina num ápice mesmo. Ele não tem um— também nisso ele frustra, eu acho, o leitor. Ele não traz um fim com uma explicação. Ele te deixa ali com aquele emaranhado, coloca tudo no seu colo e fala: tchau, tô indo embora, se vira com o que eu te dei.
E veja, não é que a gente tá querendo— que somos contra finais abertos.
Veja, não é isso. Não, não, eu tô inclusive Inclusive, isso é fã, não é hater. É, então. É um elogio da minha parte. Mas é muito interessante, porque é isso. Você termina no... Você chega no coração da história e termina. É isso. É engraçado, vamos falar de Henry James sim, porque eu achava que Henry James era inglês. Eu tinha certeza que este homem era um inglês, um gentleman, como todos os autores do período romântico e gótico.
Eu achava, ou é escocês O irlandês!
Isso, ali, ali na meiuca, ali nas ilhas. Ali, ali, ali. E eu me surpreendi ao descobrir que o rapaz nasceu, foi em Washington. Quer dizer, foi em Nova York, na verdade. É que a região ali que ele nasceu era próximo a uma praça que se chamava Washington. Por isso que eu tava comentando com o André antes da gente começar a gravar que eu fiquei curiosa de tentar ler algumas outras coisas do Henry James. Por quê? Apesar dele ter nascido em Nova York, ele nasceu em 1843.
E ele era de uma família muito, digamos assim, intelectualizada. Talvez essa seja a palavra.
Erudita.
Isso, erudita é a palavra. Boa palavra. Porque o pai era teólogo, filósofo, professor. O irmão dele, o irmão mais velho, também era teólogo, também, enfim, muito erudito, como diria Andréia. E era uma família com 5 crianças. O Henry James era o segundo filho, inclusive com o mesmo nome do pai. Fica aí, né, a questão.
A questão.
E assim, qual que é a, qual que é o, digamos assim, o grande, o grande traço da família? A família gostava muito de viajar, gente, porque logo que ele muito pequeno ali, assim, com, se não me engano, com 10 ou 12 anos, a família, o pai pega e vende a casa deles em Nova York E tira a família para viajar, todos. Imagina isso, gente, em 1850, o quão incomum, o quão incomum. Exato, o quão incomum.
Quando que isso hoje é comum?
Isso, pega todos os filhos, 5 crianças, fala: gente, seguinte, atenção, montem aí as mochilas, tá, que a gente vai viajar. Ah, mas a gente vai de férias? Não, não, eu vou vender a casa, a gente tá indo embora, a gente vai, deixa Deus nos levar, né? Vamos para Inglaterra, me levar, vida leva eu. Exato. Então ele foi com as crianças para Inglaterra, para Suíça, para França, enfim. Depois a família volta, porque aí essa viagem dura 3 anos.
Tá?
Não é assim, ah não, vou ali passar as férias. Não, não. 3 anos viajando com a criançada. Volta, volta todo mundo, volta. Aí volta para os Estados Unidos, fica lá mais 2 anos, né? Que, né, também não é só, não dá para só viajar, gente. Então eles voltam. Só que acontece, pelo que eu vi por aí, Eles começam a passar por uns problemas de dinheiro mesmo, assim, de não ter muito onde ficar. Voltam, né? Ele vendeu a casa. Aí eles voltam pra uma casa da família, mas de outro membro da família. Moram mais um tempo nos Estados Unidos e de novo viajam.
É uma louca, né? É uma louca.
Muito, muito, muito. E tem ali um... A gente tá falando de uma época, de novo, que as pessoas não faziam isso, gente. Não que hoje todo mundo faça.
Então, não que hoje... Hoje é comum a coisa do turismo. Naquela época não.
Isso que eu ia falar. Isso que eu ia falar. Porque não é que não é... Não é assim, ai, ninguém viajava, ninguém tinha dinheiro. Não, gente. O conceito de vou viajar para sei lá. Porque aqui havia, pelo que eu entendi, Um propósito do pai formar essas crianças com uma formação mais erudita. Então ele tinha aquela vontade de levar pra França, de levar pra Inglaterra, pra eles serem orientados por tutores, estudarem em boas escolas.
Tinha uma questão de formação dessas crianças. Isso, essa viagem no sentido de Vamos para conhecer os lugares e vamos para voltarmos mais inteligentes, sei lá, mais conhecidos, mais cultos. Esse propósito de viagem, ele é relativamente novo.
Isso, isso.
Na nossa sociedade como um todo.
Até por lazer é novo.
Por lazer, isso. A viagem pelo simples, pela simples vontade de viajar Ir e conhecer o lugar e voltar.
É algo muito recente.
É muito recente.
E a gente sabe que não é pra qualquer pessoa.
Não, não, na época já não era, hoje não é, nunca foi algo barato. Mas é isso, é uma família— eu tô trazendo esse aspecto pra dizer assim, é uma família muito diferente.
Isso, isso.
Que não é comum hoje, você imagina no século 19. Você pegar toda essa galera e ir. Então depois eles voltam, ficam mais 2 anos nos Estados Unidos e de novo partem pra Suíça, pra Alemanha, enfim. Então uma família muito viajada, uma família que viajou muito, muito por vontade do pai. Mas enfim, aí voltam, continuam ali depois desses 5, 6 anos de muitas viagens, eles voltam a se fixar nos Estados Unidos. E a gente entra nesse período que é o período da Guerra Civil dos Estados Unidos, que pega ali a década de 60 do século 19, 65, 60, 65, alguma coisa assim.
E o Henry James, ele acaba não servindo porque eu não entendi direito essa história, gente, fiquei intrigadíssima. Porque o que acontece, ele se fere. Aí fiquei assim com uma pulga atrás da orelha, porque muita gente tenta fugir de guerra, tá, gente? É que aqui no nosso país a gente não tem essa coisa da guerra, mas é comum.
O patrão do meu pai era italiano, e tanto que somos palmeirenses por conta disso. Assim, é, meu pai quando veio para cá Meu pai muito jovem veio para São Paulo, veio trabalhar nessa empresa. E assim, imagina, não conhecia nada e tal, e a italianada tava ali, tava ali. E aí, é, ele cortou parte do dedo porque o dedo da mão direita, que era a mão que ele em tese atiraria para não ir para guerra.
Olha aí, tá vendo? Era muito comum, super. As pessoas tentam escapar porque, enfim, ou não, porque a gente imagina, a gente fala, né, a guerra não tem sentido. Mas é isso, as pessoas não veem sentido mesmo na guerra. Claro, e você vai culpar a pessoa que ela não quer ir para guerra? É isso assim. Ah, mas por que não quer a gente? Você ia querer ir? Porque assim, eu não ia querer ir também. Então é um pouco complexo mesmo a questão de...
Porque só vão os pobres, não é mesmo?
É isso, é isso.
Como já diria César Rafael, é isso, por que que sempre são os pobres, né? É isso.
É, o Henry James tem dois irmãos que acabam servindo no exército.
Isso.
Durante a Guerra Civil, mas... Como eles são de Nova York, eles acabam lutando do lado da União, que é o lado do norte.
Do norte?
Do norte. Do norte. E ele parece que sofre ali um acidente, uma história muito esquisita, que ele se fere nas costas, enfim. Fato é que ele é dispensado.
É, diz que ele tem um problema de coluna muito sério, né?
Isso ao longo da vida toda, inclusive. É, não entendi direito a história, mas pelo que eu entendi, ele foi visitar um lugar com o irmão.
Isso, isso.
Inclusive era tipo um acampamento de guerra, alguma coisa assim. E ali ele se fere mesmo, assim, parece que com uma bala mesmo. Parece que ele, não sei se leva um tiro, eu não entendi direito, mas a coisa É nebulosa. Um dia eu saberei, eu conto pra vocês num próximo Henri James que aparecer aqui. Fico aí devendo essa informação importante. Na minha opinião, é importante porque a gente veja o que é a vida sem uma boa fofoca? Não é nada.
Então eu preciso— fiquei com essa pulga atrás da orelha. Se alguém souber, inclusive, por favor nos escreva, nos conte esse detalhe, tá? Aí Henri James não vai pra guerra então. O que que ele vai fazer? Ele vai estudar, vai fazer direito em Harvard, mas ele muito rapidamente descobre que aquilo não é pra ele, porque ele começa nesse— a gente tá falando de 1862. Nessa época, ele já é o quê? Um cara que quer escrever. E ele faz muitos amigos escritores, jornalistas.
Aí, ó, sementinha do mal.
Um homem viaja, um homem viajado, fala vários idiomas, um gentleman. Então ele era bem apessoado. Ele inclusive, porque aí o que acontece, ele começa a—
aí eu vi umas fotos dele, não achei não, hein?
Eu também não achei. Inclusive ele nunca casou. Não, nunca se casou. Ele era um celibatário. Aí você fica assim, né, pô, século 19, não casou. Já fica aquela, aquela sensação da pessoa que ou não casou porque, sei lá, ou é uma pessoa difícil, ou não quer realmente se casar, ou é uma pessoa que Se apaixonou por alguém comprometida. Isso acontecia na época, eu acho.
Então, é sério, homem não casar por ser uma pessoa difícil, é, não existe.
Eu vou chegar lá, porque eu acho que assim, tem também, tem também essa hipótese de que ele era homossexual e portanto nunca se casou por motivos evidentes. E aí tem cartas dele, cartas dele para muitas pessoas, e tem cartas para homens que ele é extremamente carinhoso e diz coisas muito fortes. Mas assim como tem também cartas para mulheres nesse sentido. Pois é, fato é, o homem não casou e não temos como saber.
Não passava fome.
É isso, comeu bem, você foi alimentado.
É isso aí.
Isso, sim, foi bem na vida. E aí o que que ele faz? Ele começa a escrever, ele faz 1 ano, 2 anos de direito, descobre que aquilo não é para ele, que ele quer ser escritor. Eu amo, né? Porque hoje se você quiser ser escritor, você vai morrer de fome. Mas enfim, é isso que ele decidiu. Ele começa a publicar alguns contos em revistas ali nos Estados Unidos mesmo. Mas ele é filho de seu pai, não é mesmo? Então já dá aquele comichão no homem, ele vai viajar, chega dos Estados Unidos, chega.
Mesmo porque acho que alguém que passa boa parte da vida viajando é difícil ter raízes, eu acho, né?
É, e ele é muito jovem, viajou muito jovem. Uma coisa a gente já mais velho Viajar e tudo. Acho que ele era muito novo, então acho que tem sim esse lugar da pessoa que toma gosto, eu acho também. Ele não era pobre, não era nada, era bem do aristocrata. Então acho que ele, porque parece que ele era muito popular assim, que as pessoas gostavam realmente muito dele, vivia em festas.
E a pessoa era uma pessoa social. Do social.
Era, era muito, muito um homem, enfim, da night.
Da night.
Então ele foi pra Inglaterra, ele foi pra Suíça, ele foi pra Itália, foi pra França. E aí ele para um pouco em Paris em 70. Para, para um pouco. Por quê? E aí assim, é muito quem estuda Henry James, que não é o meu caso, mas enfim, existem pessoas que estudam Henry James. E propõe alguns momentos assim, após ler os escritos dele, determinam um pouco. Porque aí o que acontece, até essa época, porque aí em 75 ele vai para Paris, e lá ele conhece ninguém mais ninguém menos que Flaubert, Zola, o Maupassant, o Turguenev, enfim, todos essa gente, né, irrelevante.
Povo que não tava fazendo nada demais, nada demais, é o povo que vive ali em Paris. E aí isso influencia muito ele e os seus escritos, porque evidentemente virou amigo dessas pessoas. Até então, esses primeiros romances, esses primeiros contos e tudo tratam justamente de as personagens digamos, centrais dos romances e dos livros e dos contos eram majoritariamente pessoas que transitavam entre dois mundos. E isso, você sabe que eu reparo isso um pouco em algumas obras assim, principalmente norte-americanas, Que tem uma...
Porque qual é a questão aqui do Henry James? Ele faz alguns livros, O Retrato de Uma Senhora, por exemplo, é o maior exemplo dessa primeira fase, digamos assim. Que é essa pessoa que vem do velho mundo, entre aspas, que seria, sei lá, a Inglaterra.
Europa.
A Europa. E vem para o novo mundo. Sim, que seria, entre aspas, também os Estados Unidos, certo? E esse conflito entre posturas, culturas, o norte-americano ele é visto como muito liberal. Imagina, a gente tá falando de uma Inglaterra, gente, vitoriana. A gente tá falando de uma Inglaterra que tem essa herança muito fechada, muito contida. E eles caem num país que é isso, o chão é de terra batida, as pessoas estão, entre mil aspas, explorando o Oeste.
Então existe esse choque cultural entre esses dois lugares que, pros Estados Unidos, pra nós seria o equivalente a nós o tempo todo, no século 19, irmos para Portugal.
Isso era o que acontecia, na verdade.
Tinha muita gente que ia mesmo, né, para estudar, enfim, principalmente para fazer faculdade fora de direito, direito, de medicina também. Enfim, até a gente começar a ter aqui, a gente é a gente, né? A gente não, eu estaria, pois é, um lugar não muito agradável, mas Mas então esse primeiro momento, então até a década de 70, ele fazia muito esse tipo de romance assim, de ele trazia e punha em xeque muito desse conflito entre interesses.
E aí me parece que esse Retrato de uma Senhora tem a ver com, ele é um romance pouco moralista mesmo assim, dessa degradação dessa pessoa pessoa, que, ai, não guarda os seus valores e tudo mais. Não à toa é uma mulher, veja bem. É, não, coincidência, sempre é coincidência, nada, nada, simplesmente por acaso acontece, nada mais, nada menos. Quando ele conhece então o Flaubert, o Maupassant, o Zola, enfim, todo esse pessoal ali em 75, ele muda um pouco o seu foco E passa a ter essa espécie de influência do realismo, dos naturalistas, e passa a ter uma publicação um pouco mais política ou um pouco mais politizada, digamos assim, com intenções um pouco mais de discussão mais social, de cunho mais social.
Mas enfim, escreve, escreve muito a vida inteira. É... Ele, quando chega mais um ou dois anos depois que ele fica em Paris, ele vai passar um tempo em Londres. É sempre assim, ele fica um ano em um lugar, mais dois anos em outro. E ali ele começa, por exemplo, a escrever teatro, por exemplo. Então, uma pessoa assim muito... Muito múltipla, muito... Passa por uma fase dramaturgica, poderíamos chamar assim, né, de escrita teatral.
Ele só vai voltar para os Estados Unidos muito rapidamente, mais de 20 anos depois que ele sai do país, imagina, em 1904. E aí os irmãos todos se revêm, porque é isso, são esses irmãos que cada um vive em um lugar, cada um tá em uma região, mas quando ele escreve A Volta do Parafuso, ou A Outra Volta do Parafuso, ele tá morando em Londres, na casa que ele acaba morando por muito tempo e onde ele acaba inclusive falecendo, que é Lamb House.
Eu amo que todos tinham nomes, eu preciso dar um nome pra minha casa, que eu acho isso chiquérrimo, né? Sei lá que nome que eu daria pra minha casa, gente.
Vamos pensar, vamos pensar.
Pensem aí, gente. Tragam aí nomes de casa, por favor. Precisamos, Andréia e eu precisamos de nomes de casa para nos inspirarmos. Enfim, e aí esse é o Henry James, gente. Esse homem que nunca se casou. Dizem as más línguas, ou boas línguas, que ele era muito apaixonado por uma prima. Que inclusive por isso que ele quis deixar os Estados Unidos. Mas que enfim, nunca saberemos, não é mesmo? Mas é isso, ele entre diversos romances, ele também tem pelo menos 7 obras teatrais, escreve inclusive obras autobiográficas no fim da vida dele, enfim.
E viveu, né? Viveu.
Esse viveu. E assim, Tem também uma, uma, enfim, uma análise de que quanto mais velho ele foi ficando, mais experimentais foram ficando os seus escritos. Então, menos compreensível, né?
O que é diferente, normalmente é o contrário, né? Pois é, as pessoas tendem a ficar mais conservadores à medida que vão.
Tanto que dizem que ele influenciou os Bloomsbury. Isso, o pessoal da Virginia Woolf, porque parece que tem inclusive os escritos mais tardios mesmo são inclusive super nonsense assim, você não consegue muito entender o que que ele tá trazendo. Essa escrita realmente mais experimental. Nunca li, tá, gente? Não sei o que... como são, enfim, não tenho essa intimidade com a escrita dele pra dizer, mas peguei mais de uma referência que diz exatamente isso, do quanto...
Mas enfim, é isso, é um autor muito adaptado, muito adaptado pro filme, pra televisão, inclusive pra clipes de música, enfim. Tem mais de 150 adaptações entre 1933 e 2018. Eu amei essa referência porque ela tem um, tipo, um período muito específico, 1933 e 2018, e 150 adaptações de histórias curtas, novelas, romances de Henry James. Então é um autor extremamente reconhecido ainda hoje, reincorporado pela pela indústria, enfim, está aí na boca do povo. E A Volta do Parafuso tem nada menos que 28 adaptações diferentes.
Isso, isso.
Incluindo peças pra Broadway, óperas, minisséries, enfim.
É porque eu acho que é um produto muito adaptável, né? Assim, eu acho que é um, que é uma história muito adaptável, assim, adaptável no sentido de ser boa adaptação. Não é que é fácil, ela é profícua assim, ela abre muitas portas. Isso, isso. É porque tem algumas obras que assim, que você tem que fazer escolhas muito, você tem que fazer escolhas muito que podem descaracterizar a obra. Aqui não é o caso, não. Eu acho que não tem nenhuma escolha muito muito, pelo menos não na adaptação que a gente assistiu, que foi que as escolhas que foram feitas foram em termos de forma mesmo, né, no sentido de não ter um narrador, de foram outras coisas que não, porque a Outra Volta do Parafuso, para quem não sabe, ela é uma narração e moldura.
A gente falou aí que São pessoas contando histórias. Então são contadores de histórias contando histórias. Então a gente normalmente chama esse tipo de expediente de narração em moldura, que vai muito de encontro ao que acontece, por exemplo, no Morro dos Ventos Vivantes. Mas no Morro dos Ventos Vivantes, a a testemunha, digamos assim, ela é ocular. Ela não é uma testemunha que deixa um documento escrito para que a pessoa leia aquilo, né?
Então assim, no caso do Morro dos Elefantes, necessariamente é preciso ter algumas escolhas para que a história ande. Que são suprimidas no texto. Aqui não. Aqui as escolhas que são feitas estão ditas claríssimas, elas estão claras. E as escolhas que são feitas na adaptação que a gente viu, que é adaptação que é o filme Os Inocentes de 67, é isso?
61, né?
De 61.
É, 61.
Ela foram, são de forma, né, são de não ter essa narração em moldura, de não ter narrador, de algumas personagens serem simples, coisas que assim são muito coerentes, mas que em tese o filme, o livro tá todo ali.
E é uma escolha muito feliz.
Eu também acho, eu também acho.
O Henry James mesmo, a moldura do governante planta, duas crianças, uma mansão, pessoas que morreram. Isso, isso é uma fórmula sensacional. Isso, para o imaginário do gótico, mas também do terror, do suspense, da fantasia. Então dá pano para manga para muita gente vir depois e esticar alguns pontos, diminuir outros, modificar alguns outros, acrescentar alguma coisa. Ele realmente traz à tona, é realmente a outra volta do parafuso.
Ele boia o buraco mais embaixo mesmo, porque você— acho que agora a gente podia começar a falar da trama. Isso, então mais diretamente, vamos para o livro então.
Vamos, vamos lá para novela.
Vamos lá para a noveleta, porque nós, como o André bem colocou, vamos acompanhar então Então essa narrativa de uma governanta. E aí já no começo, para mim o começo já é, já chega chegando. Porque o que acontece, ela tá buscando um trabalho, ela coloca ali um anúncio no jornal. Enfim, gente, era assim que as pessoas faziam antes.
Isso.
E Ela descobre que esse homem, que é esse senhor aí elegante, bem apessoado, ela fica com crushzinho no homem. Fica, evidentemente, rapidamente, muito rapidamente, com crush no cara, que é um homem muito enigmático. De poucas palavras, sucinto, rico, bonito, que diz para ela: ó, é o seguinte, tem essas duas crianças que são minhas sobrinhas, meus sobrinhos. O meu irmão e a minha cunhada morreram e eu tive que cuidar deles. Eu sou tutor desses, dessas crianças.
Eu não quero ter nenhuma dor de cabeça. Você vai lá se você quiser, se você aceitar o emprego. Ele inclusive paga muitíssimo bem, o que ela estranha. Então fica aquela coisa assim, por que que esse homem está me pagando tão bem para cuidar de duas crianças? E elas estão lá nessa minha casa de campo em Blay. Isso, que Blay inclusive já virou tudo quanto é série por aí, tem Blay no nome, Mansão Blay, enfim. É, então tem essa casa em Blá e você vai até lá e você vai ser a preceptora deles.
Mas assim, você não me escreva para nada, não quero perturbação. Eu não quero que você me escreva para nada, assim, a não ser que esses crianças estejam morrendo. Exato, pega, vou pagar bem, então você vai, você vá. E aí ele diz para ela do tipo, ó, Já teve, né? Ele diz, não diz? Já teve uma preceptora falecida. Você, ela também era jovem, bonita como você. Você vai lá, tá? Cuida das crianças Miles e Flora. Adoro o nome deles.
E ela vai, né? Vai, vai com fé em Deus e vai. E aí o que acontece? Ela, porque aí eu acho que aí ela já tá tensa, você não acha?
Então, porque ela precisa que essas duas crianças gostem dela. Eu acho que existe uma tensão neste momento porque ela não é uma governanta muito experiente e já tem essa necessidade, e ela sabe que ela não vai que ela vai precisar dar conta. Ela vai ser mãe dessas crianças, ela não vai ser a preceptora, ela vai ser— ela tá sendo paga para isso. Mas assim, o que ele coloca ali é: eu não quero saber, você vai tomar conta dessas crianças, eu não tenho por que saber nada dessas crianças, não me interessa a vida dessas crianças, né?
Foi um infortúnio que que eu tive que, tive que estar com essas crianças. Então ele pega e acaba, acaba, como é que eu vou dizer, acaba dando esse, essa incumbência para ela, do tipo, ó, não quero nem saber, você se vira aí. Então eu acho que tem isso, acho que ela tá tensa e ela tá nesse lugar porque ela tá preocupada. Essas crianças têm que gostar dela, tipo, é isso, porque senão como é que faz?
Ela é meio insegura, ela tá— é o que a Andréia falou, ela tá começando, é o primeiro trabalho dela, ela tem esse crush nesse homem. Enfim, ela te dá uns elementos sobre ela Que é isso assim, você deveria já desconfiar dessa pessoa, mas você não desconfia. Eu pelo menos não desconfiei, tá? E aí ela vai, enfim. Então ela tem toda essa preocupação. De fato, a menina, a Flora, é um amor. Elas se dão super bem.
Uma coisa que é muito importante: essa moça, ela é filha de clérigos.
Isso, sim, isso é bem importante, realmente importante.
Ela é essa governanta crente em Deus. Ela é, ela é como, como a Charlotte era, né? A Charlotte Brontë, que a gente falou semana passada. A Jane Eyre não era, mas a Charlotte era filha de pastor. É o que acontece aqui. Essa moça, essa governanta, ela é filha de um reverendo. Isso. E aí tem um motivo para ele ter colocado isso, porque o Henry James escuta essa história de um reverendo como se fosse uma história real.
Ah, é?
É o reverendo, vou até pegar o nome dele, que era de Canterbury. Lembra que tem lá os contos de Canterbury, né? Conta até fairy tales e tal. Então enfim, não tem nada a ver especificamente, mas é o lugar, né? Canterbury é o lugar e ele era bispo, arcebispo desse lugar. E ele que conta para o Henry James isso como se fosse uma história real.
Então entendi, entendi. Não sabia.
Então, então nesse caso específico tem, quer ver, ó, vou pegar o nome do reverendo, quer ver que tudo tem aqui escritinho.
Reverendo, reverendo, venha homem, apareça, apareça demônio, demônio, se manifeste. Não, não manifesta não, não manifesta não, pela mão de Deus, por favor, estamos cansadas. Olha só, muito maligno isso aí.
Foi de um relato, em tese real, né?
Nunca saberemos, mas nunca saberemos.
Mas que surgiu porque o Eduardo— Eduardo é ótimo—
o Eduardo, o Eduardo Bença, ele mesmo falou que era.
Então, Henrique, pro Henrique, pro Henrique. É isso aí.
E aí, enfim, a preceptora chega. A menina Flora é uma menina boa. Tudo está ali mais ou menos correndo bem, porque tem um— ela se dá muito bem com uma empregada da casa, que é a senhora Growth. E enfim, estão ali, está criando-se ali aqueles laços e tudo mais. Quando ela recebe uma carta da escola do menino, isso dizendo— porque lembra que a gente falou no programa passado que os meninos iam estudar e as meninas em geral recebiam preceptoras em casa, porque não existia essa coisa da escola de meninas e tal?
Então o menino estava estudando e ela recebeu essa carta que dizia o seguinte: o menino, o Miles, foi expulso da escola. Ele tá voltando aí pra casa antes das férias, tá indo embora porque chega, ele não vai ficar aqui na escola mais. E aí ela, a nossa preceptora aqui, a nossa governanta, já o quê? Ansiosa que é, já deu aquele: meu Deus, será que eu mando mais uma carta? Mando uma carta pro pro tio deles, eu aviso. Não, vamos esperar, vai saber o que aconteceu com essa criança.
Não, vamos esperar. Menino Miles chega e ele é um fofo. Isso é um menino muito bom.
E ele foi expulso, dizem que era porque ele tava, ele tava corrompendo os outros meninos. E aí não se diz exatamente como. Isso, porque a gente é tudo muito mal explicado. Século 19 vitoriano, né, Inglaterra vitoriana, sabe-se Deus o que é corromper. Exato.
Então, o que que especificamente?
Então ficava tudo muito assim, ah, tá corrompendo. Exato. Ninguém sabe exatamente por quê. Então poderia ser, ninguém sabe, né. Inclusive, é a coitada da da preceptora. Ninguém sabe o que que tava rolando ali. Só que o menino, ele é muito, muito adultizado, essa criança.
Sim, né?
É uma criança muito adulta, diferente da Flora, que é uma criança mesmo.
Ele tem uma postura, a maneira com que ele fica, porque a relação que ele estabelece com a governanta é uma relação Como se ele tivesse cortejando ela.
Isso, o tempo inteiro.
O tempo todo ele diz que ela é linda, o tempo todo ele parece que tem, sei lá, 20 anos de idade.
Isso, é isso.
E fica assim, é isso. Ao mesmo tempo ele é bonzinho, ele gosta muito da irmã, tá o tempo todo os dois juntos, eles brincam bastante pela casa. Casa, crianças. Só que começam a acontecer coisas estranhas, coisas estranhas acontecem, e acontecem sempre que a governanta está sozinha. Então uma hora ela sai, ela vê numa torre do lado de fora da casa, ela vai buscar a menina, o menino, não lembro, vai sair, e ela vê na torre um homem.
Isso.
E leva um susto danado, né? Um homem, imagina. Eu também ia levar um susto. Um homem na torre, não sei o quê. Ela fica, meu Deus, quem é esse homem? Não sei o quê. Quando ela pergunta pra senhorita Growth, ela diz, ó, é o seguinte, não é ninguém. Imagina, não tem ninguém aqui. Os funcionários são os funcionários que estão aqui, que você conhece e tudo mais. Mas tinha um criado que é o Peter Quint, que inclusive era um criado aqui e tudo mais, e ele morreu.
Isso.
E pronto, é o suficiente pra gente o quê? Já entrar em pânico, né? Porque logo depois ela, ela Eles começam a— eu não lembro se ela tá procurando as crianças, eu acho.
É sempre nessa situação, ela tá sempre só, como você disse, né? Então é sempre nessa situação assim.
Ela entra num quarto assim, numa sala que tá ali meio escuro e não sei o quê, e na janela ela vê o rosto desse homem, desse Peter Quint, e tem certeza que viu, que viu, que viu, que foi uma depressão, que não sei o quê. E aí ela começa a usar a Mr. Gross como a Mrs. Gross, como uma confidente.
Isso.
Começa a dizer: nossa, que eu vi de novo o senhor Peter Quint na sala, não sei o quê. Ela: ah, você tem certeza? Não, imagina, não sei o quê. Aí quando ela fala, porque aí ela começa a associar o seguinte: Tem um dia que ela vê, acha que vê uma mulher no lago.
Isso, isso, isso.
E aí ela entra nessa de que ela viu uma mulher no lago, que ela viu uma mulher no lago. E ela fala com a senhora Grose, que diz para ela, olha, só se for a preceptora que morreu, a Gessle, a senhora Gessle. E pronto, ela começa a achar que Na verdade, as crianças estão sendo influenciadas pelos espíritos desses dois ex.
Esses espíritos zombeteiros.
Isso, esses espíritos zombeteiros que estão nas crianças, imagina. E o menino que é muito maduro desperta nela ainda mais essa questão. Justamente pela postura dele de mais velho, de muito consciente. Ele tem um quê de dono do lugar.
Porque também existe uma— o que que existe também? Esses dois servos, esses dois empregados, eles tinham um relacionamento, um casinho, um caso. E parece que a mulher tava com os quatro pneus arriados pelo tal do Quint, a governanta. E parece que eles não tinham muito freio moral.
Isso.
E o que, o que pode ser lido por conta dessa, desse comportamento do menino, principalmente, é que ele tá possuído pelo espírito do Hagatanga, entendeu? É isso. A ideia geral é essa.
É, a ideia geral é exatamente essa. Então tem aí um— esse emaranhado vai piorando porque ela vai ficando cada vez mais preocupada, achando que algo está prestes a acontecer, enquanto a senhora Gross fica: não, mas minha filha, tá tudo bem, tá tudo normal, as crianças só estão brincando, tá tudo normal.
E ela diz: é muito louco porque porque ela é colocada como maluca o tempo inteiro, porque as crianças não veem os fantasmas. A senhora não vê os fantasmas, é só a governanta que vê os fantasmas, é só ela.
E ela de fato começa a ficar muito influenciada pelo que tá acontecendo, ela vai ficando querendo provar inclusive que o que ela tá tá vendo é verdade. Então tem um momento que ela de novo vê a mulher no lago, isso, e ela força a Flora, a menininha, a dizer que também tá vendo. E a menina meio que surta assim, meio que diz, eu não tô vendo nada, não tem nada, você fica me forçando falando essas coisas, tá me deixando doida, não tô vendo nada.
E a senhora Grose meio que acolhe a menina ali, tira a menina ali do lugar. Mas a menina de fato tem uma espécie de surto ali com a governanta. Ela conversando então com a senhora Grose, ela diz, olha, então tira a menina daqui uns dias que eu vou tirar essa história limpo com mais. Porque ela entra numa de querer decifrar porque que o menino foi foi expulso. E ela acha que o menino foi expulso porque ele tava sobre influência desse espírito desse homem, que ele tava influenciando os outros garotos a serem maus também e meio moralmente incorretos também.
Isso. E aí eu acho que cabe essa nossa, vai por aí, essa contextualização dessa repressão sexual absurda dessa mulher, entendeu? Do tipo, por quê? Por que tem isso? Ela é muito incômodo, essa, esse cortejo dessa criança com essa mulher mais madura que está numa posição de subserviência a essa criança, que ainda tem isso, mas também tem essa coisa moralizante dessa mulher que é filha de um pastor, de um padre, de um pastor, de um reverendo, sei lá, e que é agora assim, virou praticamente uma missão dela entender o que tá acontecendo ali.
Isso é ali, você vai percebendo que passa nitidamente por ela. Ela é meio mal resolvida. Ou tenta rejeitar essa, esse impulso, digamos assim, mais sexual. Ela coloca fora do lugar algumas coisas. O filme retrata bem isso, né?
O filme é excelente. Quem pode assistir ao filme, eu—
tá aí nas internets, gente, facinho de achar, viu? Diga-se. Tá no YouTube, tem dublado, completinho, dublado e legendado. Você pode assistir legendado, legendadinho, fofinho lá, tá lá para você assistir. Porque o filme, gente, eu vou, aí tá. Então pera aí, vamos terminar a história. Aí é, aí a Então ela diz pra senhora Growth, olha, leve a Flora daqui porque eu vou tirar essa história limpo com o Miles. Eu quero saber por que ele foi expulso, eu quero entender se tem essa influência ou não, que eu vou salvar esse menino, que não sei o quê.
A senhora Growth sai da casa com a Flora e ela espera o Miles voltar e E coitado do menino, dá uma prensa no menino. Dá uma bela de uma prensa no menino. E eu acho esse momento muito interessante porque aqui fica bem evidente o quanto é dissonante a percepção dela da percepção das crianças. Porque o Miles meio que vira e diz, não, assim, eu fui expulso não sei pelo quê, assim. Aí ela, não, mas Giz, você influenciou como os garotos?
Ele, ah, eu sei lá, tipo, eu roubava coisas, né? Tem hora que ele dá umas blefadas assim, porque ele meio que quer entender o que que ela quer ouvir também. E aí ele vai entendendo que não é muito isso que ela quer ouvir, que ela quer ouvir outra coisa. Ele não consegue saber o que que ela quer ouvir.
E aí ela começa a ver, talvez ele nem saiba, porque é muito jovem, talvez ele nem saiba o que ela quer ouvir.
E aí ela começa a dizer que tá vendo o tal do Peter Quint, que vê que isso, que aquilo, que dê. E aí ela começa a fazer tipo um exorcismo com o garoto mesmo.
Aterrorizante, aterrorizante.
Nossa, muito, porque ele se assusta, você se assusta também.
Calcule uma criança.
Nossa, gente, dá um medo dessa mulher nessa hora, porque é isso, ela fica meio doida assim, meio falando, é o que a André falou, o fato dela ser filha de um preceptor, de um pastor, reverendo, pastor, de um reverendo, exato, faz com que ela entre numas assim de tipo, não, então deixa isso ir embora de você. E ele fica, gente, mas o que que tá dentro de mim, gente? E aí o menino morre. E a história acaba com o menino morto na mão dela, nos braços dela.
E acaba exatamente assim, do tipo, não tem nenhuma frase a mais, nenhuma frase a menos. O menino morre na mão dela.
A gente sabe que ela tá em algum lugar porque parece que ela continuou na profissão.
Assim, a gente não sabe, assim, a gente tem, a gente pelo começo do livro a gente tem pistas de que ela continuou, que ela já era uma senhora. Agora que ela envelheceu. Então ela continuou viva, ela foi governanta por muitos anos, você descobre um pouco isso assim, mas que o menino morreu.
Isso.
E aí é interessante o que eu ia fazer, o paralelo, enfim, é, enfim. Então essa é a história. E aí o que aconteceu comigo lendo, tá? Porque eu comecei lendo e eu falei, bom, ok, né, fantasmas. Porque é isso, chega uma hora que você olha e fala, tá, então essa casa tem fantasma, esses fantasmas são dessas pessoas que trabalharam ali. Só que eu acho que tem esse problema de ritmo no livro e tudo evolui muito rápido. É que assim, demora, demora, demora, e quando evolui É 20 páginas, acabou.
Exato. O que, o que normalmente histórias de fantasma, tá, ele vai falar do passado, normalmente. É o que mais me incomoda aqui, é que não é um, primeiro, não é de um passado da casa que essa mulher vai trabalhar, mas me parece não ter ligação com o passado dela, que acaba sendo acometida, porque ela que vê esses fantasmas. Então é quase como se esses fantasmas de fato não existissem, que era tudo da cabeça dela, de fato, que ela tava trilha ali.
É, então é isso que eu tô falando, chega uma hora, normalmente o fantasma, ele tem uma, a função de um fantasma numa história. Ah, estou entrando numa casa mal-assombrada. Normalmente, ou você comprou essa casa e aí tem alguma coisa mal resolvida, e aí a gente não vê nada mal resolvido aqui. A gente vê uma tragédia que aconteceu e que essa mulher acabou, e que em tese eles estão querendo se vingar nessas crianças. Por quê? O que que essas crianças viram?
Essas crianças estavam envolvidas em— por que nas crianças, né? Tanto que o filme, ele é muito, é muito curioso darem o nome de Os Inocentes. É porque isso no final, né, essas crianças em tese elas não têm motivos para que esses fantasmas as atormentem.
Isso, né?
Mas em tese essa mulher tinha. Mas o quê também a gente—
é, eu acho que, eu acho que Você, eu pelo menos comecei a desconfiar dela mais para o fim mesmo assim, né? Mas não diria fim, fim, né? Mas digamos do meio, do quarto, terço, quarto final do livro eu comecei a falar, bom, tem alguma coisa aqui que tem alguma coisa errada que não tá certa.
Mas a gente vai, a gente entra na dela, entra super em um determinado momento, a gente entra na dela. A gente não consegue ficar até o fim porque é sempre, é muito ambíguo, né? A narrativa é ambígua, então é difícil a gente, a gente de fato, é diferente, diferente de narrativas que são contadas em primeira pessoa, outras narrativas que a gente fala assim, ai, a gente tem que ter um pouco de cuidado porque é narrado em primeira pessoa, pessoa é um narrador não confiável. Aqui, aqui ela é total não confiável.
Exatamente. Tem um trecho que eu até separei aqui que eu acho que isso fica para vocês entenderem como ele mesmo coloca isso no texto, né? É ela que está escrevendo, mas ela diz assim: mas tais ideias que eram— porque ela começa a pensar do tipo quem são esses fantasmas, por que que eles estão. E ela diz assim: mas tais ideias não eram bastante nítidas para que eu não pudesse afastá-las. E foi somente a luz, ou talvez dissesse melhor, somente a obscuridade dos acontecimentos subsequentes que isso me acorde a memória.
E aí você fica assim, é a obscuridade dos fantasmas ou é a obscuridade da própria percepção dela? Porque aqui isso é ambíguo, concorda? Você não, você é Aí ela diz, foi somente a luz, ou melhor, somente a obscuridade dos acontecimentos. Do tipo, os acontecimentos seguintes foram muito confusos.
Sim, inclusive para mim, pelo menos é essa leitura que a gente faz.
É exatamente isso que eu tô falando, é ele coloca mesmo. A ambiguidade não é uma ambiguidade, ai, vocês ficam aí interpretando coisa. Não, ele coloca isso no texto. Está no texto. E você, o fim é muito impactante. Para mim foi muito impactante assim, ele, o menino morrer por pressão dela assim. Você, eu me culpei muito ela, fiquei muito culpando. Falei, gente, sua doida, para, entendeu? Menino, menino, menino, uma criança assim, por, ai, sei lá, por menos moral que ele fosse, por mais que ele fosse mais adultizado, era uma criança, sabe?
Do tipo, vamos combinar que assim, uma expulsão por corromper outras crianças no colégio interno pode ser qualquer coisa, inclusive dar uma porrada na cara de alguém, pode ser qualquer coisa.
Não sei, sei lá, ser irônico. Exato, se ele fosse irônico.
Entende? É difícil, difícil muito.
E aí assim, o filme, o filme que a gente assistiu se chama Os Inocentes, como a Andrea bem colocou. E ele tem algo que eu gosto muito, que ele foi escrito, o roteiro é escrito em parte pelo Capuri.
Isso, isso.
Porque eu acho interessante isso, porque É um filme que ele segue muito bem, na minha opinião, o tom do livro. Porque você se sente, você sente a ambiguidade o tempo todo. Isso, eu acho. Da primeira cena você já tá sentindo a ambiguidade, eu acho. E ela te acompanha o filme inteiro.
Exatamente. Exatamente. A primeira, quando ela chega na casa, ela já tá ouvindo gente chamar a criança.
Isso, exatamente. No momento que ela desce do carro, da carroça ali, ela já ouve alguém chamando a menina Flora. É um filme que eu acho que vale muito a pena assistir.
Eu vou confessar que eu gostei mais do filme do que do livro. Do que do livro. Eu acho que aqui é, e não por nada, eu acho que ele, ele te dá o suspense de novo. É aquela coisa que a gente tava falando do, dessa dessa contemporaneidade do suspense. Eu acho que ele resolve melhor o suspense no filme do que na novela.
É porque eu acho que ele cadencia melhor as coisas e ele ajusta o que precisa ajustar sem exagerar, sem trazer muito. Eu acho que assim, eu acho que tem um tom um pouco— ele tenta deixar mais evidente as contradições da da governanta. Eu acho que o livro ele te convence mais durante um tempo, ao passo que o filme você começa assistindo, já falei, trilili, você fala aí, trilili, isso aí vem coisa aí que isso aí não tá normal. O livro não, o livro eu entrei um pouco na dela assim, quase até a metade do livro eu ainda já tava bem confiante dela assim.
Acho que o filme dá essa leve exagerada sobre ela, mas em termos de narrativa, para mim, eu prefiro a do filme.
Ah, curioso!
E é muito fiel, muito fiel. Eu achei ele bem fiel. Acho que as mudanças que eles fazem são boas, são importantes assim para condução. Ele é um filme de 61, mas ele tem um ritmo, uma cadência que eu acho que até uma pessoa de 2026 vai gostar. Assim, não é lento, não, não é, não é. Ele não vai te dar o tal fatídico jump scare, né, que o pessoal fala aqui.
Não, também não.
Mas não é também por aí, é um pouco mais psicológica, é um suspenseção assim.
Para quem gosta de suspense, eu acho que vale muito a pena assistir assim.
Ah, eu também acho. Acho que a Débora Kerr, que é quem está fazendo a governanta, que aqui tem o nome, isso, de Miss Giddens, ela tá excelente no papel. O menininho também tá muito bem.
O menino é ótimo, menino é ótimo, excelente. A menininha também.
É fofo também, é que ele aparece mais que ela, eu acho.
Precisa trabalhar bem, né, o menino, porque ele fica ali entre a infância e essa necessidade, essa querência de ser um adulto assim.
Então é, e tem mesmo, é bem trabalhado assim a questão sexual mal resolvida dela, é bem retratada. E enfim, eu gostei muito.
Do filme. Eu também, eu também confesso que eu também.
E é isso, Gabi, temos, temos, Andréia, temos! Chegamos aqui. Então vamos entregar aqui mais uma governanta para esse povo, mais um par de vasos.
Então, mas aqui não vão ser, não vai ser um par, né? Vai ser um trio de vasos.
Ah, é, é, conte, conte. Interessante, André.
Vem mais então, vai vir mais uma governanta, mas essa daí prepare-se, prepare-se, porque essa daí é tiro, porrada e bomba.
Essa vem que vem, essa vem que vem, é super recente.
Então se vocês procurarem aí pelas internets, vocês já vão até saber, porque o livro, né, o romance ele é, ele é recente, ele é um romance contemporâneo que se passa no período vitoriano e tem uma governanta. Mas essa governanta é do— olha, essa daí, essa daí não vai deixar saudade.
Essa não, essa não.
E é isso. Para quem ficou aqui nos ouvindo até agora, o nosso muito, muito obrigado. E precisamos até Também agradecer a quem? Aos meninos do Portal Refil, que nos dão o quê? O quê? O quê? Esse puxadinho aqui para a gente tá aqui semana não, semana sim, porque eles são semana sim, semana não. Nós somos semana não, semana sim.
Exato.
É aqui a cada 15 dias. Muito obrigada, meninos. Preciso agradecer a minha cor roxa favorita, que dessa vez fez a pauta.
Ó, é, veio aí belezinha de pauta, belezinha.
É porque para quem me acompanha nas redes também não ia ver, a pessoa sofreu um pequeno acidente. Então a pessoa tá aqui, tá tudo bem, mas tá tudo bem, a pessoa só não tá, tá meio manctola, mas tá tudo certo. Cogitem a nos dá aqui um copo d'água, um cafezinho. Dá uma olhada lá no nosso post, tá lá, portalrefil.com.br. Veja uma forma de nos apoiar, ser nosso patrão, quem sabe. Dá uma olhada lá, dá um cascai para nós. É, e é isso, Gabi. Mais alguma coisa? Não, né?
Acho que é isso.
O email, é verdade.
Se o povo quiser falar com nós, escreve uma cartinha para nós no livrosencartaz@portalrefil.com.br, que a gente ama uma cartinha. Ou segue a gente no nosso Instagram, @livrosencartaz_. Aproveita para mandar para os amigos, comentar no nosso post, diz para nós qual deve ser o nome das nossas casas, porque a gente precisa muito de ideias, né, Andréia? Acho que depois de hoje não tem mais para onde correr. Nós temos que ter nomes nas nossas casas.
E é isso, não faço ideia, viu? Não faço ideia.
Ai, eu vou pensar alguma coisa.
Tô aqui pensando como seria o nome da minha casa.
Não sei, não sei.
Eu tô meio lesada. Esse negócio de tomar anti-inflamatório não é legal, é, né? A gente fica meio trilili. Tô igual a governanta lá, ó, trilili, trilili, trilili. Povo, um beijo, fiquem bem, cuidem-se, cuidem-se. Até o próximo episódio, tchau tchau!
Tchau, tchau!
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