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Livros em Cartaz 104 – Jane Eyre

09 de setembro de 20262h8min
0:00 / 2:08:11
Chegamos ao Especial Gótico de 2026! Este ano escolhemos como tema as governantas, estas personagens que estão no limiar de classe, assim como os fantasmas estão no limiar da vida. Para começar Gabi e Andreia escolheram atravessar os corredores de Thornfield Hall para acompanhar a trajetória de uma jovem que se recusa a aceitar o […]
Participantes neste episódio2
A

Andreia D'Oliveira

Host
G

Gabi Idealli

Host
Assuntos6
  • O papel da governanta no século XIX e sua representação góticaGovernantas·Século XIX·Gótico·Jane Eyre·Charlotte Brontë
  • A trajetória de Jane Eyre desde a infância até o casamentoJane Eyre·Rochester·Thornfield Hall·Lowood·Bertha Mason·St. John Rivers
  • A vida e obra de Charlotte Brontë e a família BrontëCharlotte Brontë·Irmãs Brontë·Emily Brontë·Jane Eyre·O Morro dos Ventos Uivantes·Elizabeth Gaskell·Pedra Azul
  • A adaptação de Jane Eyre para o cinema e a escolha dos atoresJane Eyre·Orson Welles·Robert Stevenson·Aldous Huxley·Mia Wasikowska·Michael Fassbender·Elizabeth Taylor
  • A independência e franqueza da personagem Jane EyreJane Eyre·Independência feminina·Franquesa
  • A problemática da 'mulher louca' no sótão e a bigamiaBertha Mason·Rochester·Bigamia·Mad Woman
Transcrição362 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
GIGabi Idealli

Não havia a menor chance de caminhada naquele dia. Isto é, pela manhã passamos uma hora vagando entre os arbustos sem folhas, mas desde o jardim— a senhora Reed, quando não tinha companhia, jantava cedo— o frio vento invernal trouxera nuvens tão pesadas e uma chuva tão penetrante que exercícios ao ar livre estavam fora de cogitação. E assim começa Jane Eyre, romance de Charlotte Brontë. Eu sou Gabi Deali.

ADAndreia D'Oliveira

Eu sou Andréia de Oliveira.

GIGabi Idealli

E este é o Livros em Cartaz. Gente, me diz, Andréia, lá vem. Que família é essa, Andréia? Pelo amor de Deus, gente, me fala. Porque assim, eu não conhecia as irmãs Brontê, quer dizer, óbvio, já tinha ouvido falar, mas eu ainda não tinha lido nenhuma delas. E aí agora eu já li duas. É isso aí, é isso aí. Trabalho de Andréia. Isso aí tem nome e sobrenome. Andréia de Oliveira. E é impressionante. Eu, pro nosso programa, eu li em audiolivro.

ADAndreia D'Oliveira

Tá.

GIGabi Idealli

E o audiolivro que eu li, ele tem um breve... um texto que abre o livro.

ADAndreia D'Oliveira

Uhum.

GIGabi Idealli

E nesse texto, eles comentam um pouco sobre as irmãs e a família. Porque na verdade, a gente chama das irmãs, mas elas eram 3 irmãs e um irmão.

ADAndreia D'Oliveira

Isso.

GIGabi Idealli

É isso, né? E hoje, conhecendo um pouco mais as duas obras, JNEC e O Morro dos Ventos Uivantes, eu fico com a impressão exata do que eu acabei lendo nesse livro. Que eles tinham uma vida juntos, né? Essa troca de irmãos e tudo muito rico, muito criativo, assim. Com exercícios criativos. Eu gosto de imaginá-los... Amorosos, felizes, assim. Agora já comecei a ter uma visão idílica, porque fiquei: gente, que maravilha! Que irmãos é esse?

Que família é essa? Porque é muito difícil. Eu sei que são... A gente tá falando do século 19 e que existiu uma maneira, um romance específico do século 19 que é muito narrativo, que é, enfim, que traz um estilo, é isso que eu quero dizer, específico. Mas Ainda assim, se a gente fosse chutar hipoteticamente que tem a ver com, sei lá, uma família que só a diferença é que eles se estimulavam muito e aí cada um escrevia uma história e calhou que eram livros bem escritos, eu acho que a gente anula a capacidade, a amplitude, o tamanho dessas escritoras que, gente, tô pra ver.

E olha, eu não sou uma super conhecedora do século 99. Muito do que eu li acabou sendo por conta do podcast e mais tardiamente por outros escritos, mas algo mais recente na minha vida. Mas eu tô pra ver quem conta tão bem história como elas. Eu acho que elas contam muito bem história. E essa JNEC, a história da JNEC que a gente vai conversar hoje, pra mim isso fica ainda mais forte porque pra mim Ela tem elementos complicados.

Eu acho que a gente vai chegar nesse momento da história, mas pra mim tem um ponto da história que eu acho muito difícil.

ADAndreia D'Oliveira

Eu já até sei qual é.

GIGabi Idealli

É, tem um ponto da história que eu acho muito... Eu acho que a história ressignificou muito do que tá nesse livro, nesse ponto especificamente. Ela é tão boa que ela é muito delicada na maneira com que ela coloca algumas situações, que ela poderia descambar muito facilmente. Realmente, pela temática que ela aborda. E ela não descamba. Tudo isso para dizer que é um imenso prazer falar dessa obra e voltar para um novo episódio das Irmãs Brontê.

ADAndreia D'Oliveira

Voltar para casa, né, das Irmãs Brontê, no final das contas.

GIGabi Idealli

Voltar para casa tomar um chazinho inglês da tarde na casa das Irmãs Brontê, aqui sentadinha comendo meu bolinho. Tomando meu chá inglês, porque, gente... Assim, vem com a gente que... Pega na nossa mão, pega na mão de Andréia, tá? Porque vou dizer que essa pauta está maravilhosa, pra variar. Mas de fato, Andréia faz pautas... Principalmente esses temas, eu acho que as pautas dela são espetaculares. Então pega na nossa mão e venha caminhar por este campo que pode ser a coisa mais linda, mas também pode trovejar e cair um raio.

ADAndreia D'Oliveira

E de repente encher a água. Pode ter uma névoa.

GIGabi Idealli

Uma, exato, você pode tropeçar, pode, e cair do cavalo na neve, enfim.

ADAndreia D'Oliveira

Cavalo, gente, olha que absurdo.

GIGabi Idealli

É, pode acontecer, mas pega na nossa mão e vem, porque hoje, hoje a gente promete, não promete?

ADAndreia D'Oliveira

Hoje promete, hoje promete. Você tá indo na ordem diferente da que eu conheci as Irmãs Brum. Eu conheci primeiro com Charlotte. Eu aprontei primeiro com JNEC. Olha, eu fiz uma releitura, na verdade, e é um prazer imenso porque, diferente da Emily, que eu amo também, mas diferente, as personagens da Charlotte, por mais às vezes difíceis que são, porque o nosso herói aqui byroniano, ele é bastante difícil, Nossa, sim, tem horas que... Ele é muito difícil. Ele é muito difícil.

GIGabi Idealli

Porque o Heathcliff, ele é difícil também. É. Mas a história o coloca num outro lugar.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, ele é uma vítima. O Heathcliff, ele é uma vítima.

GIGabi Idealli

Ele é uma vítima e você vivencia... Quando você vivencia a história, a história já aconteceu também com ele. Então aqui ele é colocado como um protagonista da história, junto com a nossa protagonista. Ele não é o protagonista. Eu acho, mas enfim. Mas ele tá num lugar de dialogar com a protagonista muito direto. Então é difícil, achei esse mais desafiador, assim.

ADAndreia D'Oliveira

Então, e ele é... E não é que você cria uma simpatia pelo Rochester, não é isso. É que você vai meio que indo na onda. A gente tem que lembrar que esse livro, ele é escrito em primeira pessoa. Então depois a gente vai falar um pouco mais dessas nuances. Então assim, você vai meio que se apaixonando por esse sujeito à medida que a Jane também tá, porque ela vai te contando desse lugar, que é diferente do Heathcliff, que a gente fica sabendo por bocas de terceiros, não é pela Catherine, né?

Aqui não, aqui a gente tá na cabeça da Jane. Então é um outro, é uma outra coisa aqui. E mesmo assim A gente consegue ter uma personagem extremamente rica, porque ele é complexo demais, esse sujeito. E ela é de uma complexidade, de um...

GIGabi Idealli

Ai, eu amo essa personagem. Ela é fantástica pra mim, né? Ela é uma Maralu pra mim, assim, tipo... Você também? Eu acho ela assim apaixonante, uma pessoa assim... Eu me espelho nela um pouco, assim, porque ela é tão franca. Isso.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, isso. Ela é muito franca. Que era algo que, imagina, século 19 era...

GIGabi Idealli

Pois é.

ADAndreia D'Oliveira

Pra uma mulher ser como ela...

GIGabi Idealli

E sustentar a franqueza dela. Exato. E o compromisso que ela tem com o que ela sente, com o que ela quer, com o que ela vai fazer.

ADAndreia D'Oliveira

É isso.

GIGabi Idealli

Eu acho de uma... Eu acho bem admirável, por isso tô falando assim. Eu acho bem... Acho uma mulher... A gente vai chegar lá, não quero me precipitar, porque senão, minha filha, eu fico 40 minutos falando dela, porque eu achei maravilhosa, realmente uma personagem incrível. Ela é incrível mesmo, incrível, muito admirável, muito admirável.

ADAndreia D'Oliveira

Mas já que a gente tá falando aqui, vamos falar um pouco. Eu acho que a gente já falou bastante da vida da Emily, bastante assim, né, o que a gente tinha para saber. A Charlotte viveu mais, foi a que viveu mais, gente. E viveu 39 anos. Ela viveu 9 anos a mais que ele. Só que ela tem uma biografia dela que foi feita pela Elizabeth— Jesus, me fugiu o nome dela agora. A escritora, escritora, meu Deus, de Norte-Sul. Calma, eu vou lembrar.

É a Elizabeth Geskel. Eu sabia que era Elizabeth, eu só precisava lembrar o sobrenome.

GIGabi Idealli

Elizabeth Geskel. Tá na terra das Elizabeths.

ADAndreia D'Oliveira

Das Elizabeth.

GIGabi Idealli

Você leu?

ADAndreia D'Oliveira

Eu li.

GIGabi Idealli

É legal?

ADAndreia D'Oliveira

É, ela é bem respeitosa assim, né? A Elizabeth Gaskell, ela tem uma prosa muito boa também. Então quem tiver oportunidade ou curiosidade, leiam, é muito bom, tá?

GIGabi Idealli

Uma hora eu vou querer ler esse livro.

ADAndreia D'Oliveira

Ela foi traduzida pela editora Pedra Azul, que é uma editora que acaba trazendo essas autoras inglesas do século 19 para cá. Eu não sei nem como é que tá isso hoje. Mas era uma editora que fez bastante barulho um tempo, que ela trouxe a biografia do— que eu até tenho aqui— a biografia do sobrinho da Jane Austen. Foi a primeira biografia que saiu da Jane Austen, eles trouxeram para português. E a da Charlotte, da Elizabeth Gaskell, também saiu por essa editora.

Então dei uma procurada lá, chama Pedra Azul. É uma editora que se especializou nesse período aí. Mas é boa a biografia, no final das contas é boa.

GIGabi Idealli

É, eu vou querer ler, com certeza.

ADAndreia D'Oliveira

Mas diferente da Emily, que ninguém sabia nada da Emily, né? A Charlotte, ela se colocou mais, que ela era a irmã mais— ela era irmã mais, eu não vou dizer marqueteira, porque vai parecer que ela fazia, é forçar, mas ela era mais velha, ela era a mais velha delas. E ela era professora, ela era mais extrovertida, ela se colocava mais. Eu não sei se você lembra que quando a gente falou sobre a Emily, que eu falo assim, ai, todo mundo fica falando que a Emily era essa mulher que— e na verdade essa atitude, entre muitas aspas, que hoje em dia as pessoas colocam para Emily, que essa coisa rebelde, eu vejo muito na Charlotte.

Porque ela, ela de fato não é que ela ficou só nessa coisa, ah, eu vou viver a vida do jeito que eu quero. Não, ela se colocou de fato nesses lugares, ela ia pra esses eventos literários, ela falava. Então assim, ela se colocou de fato nesse lugar. Eu acho que tem uma diferença entre as duas, que hoje a gente enxerga a Emily como essa pessoa, como uma selvagem, a que ia contra e tal, mas era muito mais pelo temperamento dela de não conseguir socializar do que de fato algo pensado para isso, que no caso da Charlotte era, era pensado para ela.

A mulher não pode, não pode trabalhar? Não, mulher pode trabalhar sim. Mulher tem que ter dependência financeira?

GIGabi Idealli

Sim.

ADAndreia D'Oliveira

Então era um outro lugar. Entendi. Bom, mas para falar dessa mulher, vamos começar do começo, né? Ela nasceu lá no dia 21 de abril de 1816 em Yorkshire, na Inglaterra, e morreu dia 31 de março de 1855.

GIGabi Idealli

Como eu disse, viveu aí 39 anos só, e que era comum para época, não é que ela—

ADAndreia D'Oliveira

mas é que essa família é muito— é todos, todos. O único que não faleceu foi o pai, que faleceu muito velho, mas prevaleceu com 80 e poucos anos, mas a esposa morreu, os filhos morreram, todo mundo morreu, só ele ficou.

GIGabi Idealli

Nossa, complicado, hein?

ADAndreia D'Oliveira

Difícil, né?

GIGabi Idealli

Ai, eu acho.

ADAndreia D'Oliveira

Aí, bom, ela era a terceira dos filhos de Patrick Brontë, que era um pastor anglicano, e da Maria Branwell. E aqui um parênteses: Gabi perguntou para mim, ela era irmã mais velha? Ela era. Esses irmãos também morreram, os antes dela morreram. Então tem isso também.

GIGabi Idealli

É muito maluco.

ADAndreia D'Oliveira

A gente vai de chegar lá.

GIGabi Idealli

Nossa, sim!

ADAndreia D'Oliveira

A mãe morre em 1821, ela tinha 5 anos quando a mãe dela morre. Nossa Senhora! E a Charlotte e os irmãos cresceram ali isolados, né? Enfim, a gente contou isso um pouquinho lá na, quando a gente falou de mortos-viventes, a gente falou da Emily. E assim, a gente tem que lembrar que o pai dela era um pastor, então assim, eles viviam nesse meio paroquial, na casa paroquial, Lembrem de Orgulho e Preconceito, do Collins com a véia. É isso, entendeu?

Essa configuração aí. A Charlotte, a Emily, a Anne e o Branwell, que é o irmão, e isso a gente falou também lá, eles gostavam de inventar mundos ficcionais. Então já se tinha essa coisa da imaginação muito latente faziam histórias, criavam contos de fada.

GIGabi Idealli

Tanto que foi o que eu li no comecinho do meu livro, era exatamente isso, que ela e o irmão já tinham isso. Por isso falar, ai, gente, que fofo, sério!

ADAndreia D'Oliveira

Tanto que tem aí, ah, mas como é que vocês sabem disso, né? Então tem, eles inventaram um mundo chamado Glass Town e um outro chamado Ângria. E aí eles criavam as personagens, as as histórias políticas, as guerras, os romances, as aventuras. E tem um documento, né, existe um documento, um manuscrito que a Charlotte fez. Ela juntou todas essas histórias que eles contavam, que eles brincavam, e ela escreveu em 1829, ela escreve The Search After Happiness, que é um manuscrito ali contando essas histórias que ela fazia com os irmãos.

GIGabi Idealli

Ai, que tudo!

ADAndreia D'Oliveira

Em 1824, ela—

GIGabi Idealli

só um parênteses, será que isso foi hoje? Isso tem publicação? Tem, tem. Que tudo!

ADAndreia D'Oliveira

Tem, tem.

GIGabi Idealli

Se procurar, prato cheio. Eu não sei se tem assim publicação, grandes publicações, claro, mas deve achar nas internets.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que sim. Projeto Gutenberg. Acho que dando uma olhada por ali, acho que encontra.

GIGabi Idealli

Que legal!

ADAndreia D'Oliveira

Em 1824, e aqui começa a desgraceira, a Charlotte e as outras duas irmãs, a Maria, a Elizabeth e a Emily. Então 4 irmãs, certo? É que tem que fazer as contas.

GIGabi Idealli

Eu vi, tem que fazer as contas, né?

ADAndreia D'Oliveira

Então a Charlotte, a Maria, a Elizabeth e a Emily foram todas elas enviadas para escola de— como é que eu vou explicar? Era um internato para filhas de clérigos.

GIGabi Idealli

Ah, sim! Nossa, essa história é tensa, né?

ADAndreia D'Oliveira

Então assim, ela vai para Clery Daughters School, que são esses internatos que existiam nesse período, uns anos depois que a mãe morreu. Isso, elas vão para lá para serem educadas porque eram filhas de clérigos. Antigos, né? A Maria Elizabeth morreram lá nesse lugar, morreram, morreram. E depois a Charlotte e a Emily foram retiradas desse lugar. Por quê? Porque o lugar era insalubre, insalubre. Insalubre como, Andréia? Insalubre como em Jane Eyre.

GIGabi Idealli

Isso foi, foi inspiração, foi inspiração, foi, foi.

ADAndreia D'Oliveira

Então Comida ruim, comida estragada, castigo físico.

GIGabi Idealli

Nossa, dá para imaginar, hein?

ADAndreia D'Oliveira

Era aquilo.

GIGabi Idealli

Frio, camas horrorosas.

ADAndreia D'Oliveira

Tudo para domesticar a alma daquelas meninas. Por meio— é, porque ainda tem o viés religioso, né?

GIGabi Idealli

É, sim, sim.

ADAndreia D'Oliveira

Então ainda tem essa problemática.

GIGabi Idealli

E o século, vamos combinar que o século 19 era horroroso com crianças de forma geral. Porque não eram crianças, eram meninas adultas. Não era, exato. A infância, tanto que trabalhavam com a Revolução Industrial, foi tudo trabalhar na fábrica.

ADAndreia D'Oliveira

A infância como a gente conhece, ela é muito recente, essa coisa de criança não trabalhar, que criança não trabalha, criança dá trabalho.

GIGabi Idealli

Acho que é o quê, do fim do século, provavelmente?

ADAndreia D'Oliveira

É, acho que sim.

GIGabi Idealli

Transição, provavelmente.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que com as primeiras teorias a respeito da infância, né?

GIGabi Idealli

E principalmente comecinho do século 20, eu acho que sim, começo do século 20. E aí a ideia de adolescência Isso veio mais tardiamente ainda, né?

ADAndreia D'Oliveira

Complicadíssimo. A Charlotte trabalhou como professora em Bruxelas porque ela estudou em Bruxelas, né? Ela aqui é engraçada, a gente falou disso no programa de Morro dos Entes Vivantes. Ela e a Emily, lembra, foram 4 irmãs, voltaram 2 porque 2 morreram, e aí ficaram as duas, ficou Charlotte e a Emily. Aí falou, o que que eu vou fazer com essas duas crianças? Vai mandar para escola de novo, tem que ir para outra escola. Aí mandaram para Bruxelas.

Aí o que que acontece? A Emily volta. A Emily não fica, ela não consegue. Tentem ouvir depois o programa de Mortos e Vivantes, porque ele é complementar a esse aqui. Porque o que que acontece? A Emily, ela é uma pessoa extremamente introvertida, tanto que eu falo naquele programa, existe uma ideia, porque não dá para saber também, de que a Emily tinha alguma coisa do espectro autista, que ela era extremamente nervosa, ela não ficava em lugar nenhum, ela, os estímulos ela não conseguia, ela não falava em público, era uma coisa assim muito, sei, muito marcada dela, tanto que a Charlotte ela se forma e depois ela volta para dar aula nessa escola, então ela volta para casa dos pais, do pai, né, instrui quem ela tem que instruir ali e ela volta para ser professora.

Ela vai ser professora nessa escola lá em Bruxelas. Aí, bom, ela volta. Quando ela volta, depois que ela é professora e tal, e aí ela volta, ela tem um segundo retorno para casa dela. E bom, essas irmãs, elas continuam escrevendo, elas não param de escrever. Em 1946, Charlotte, a Emily e agora a Anne, que é a mais nova delas três, publicam poemas por Currie, Alice e Acton Bell. É que também falamos disso porque eles se apresentavam, ela se apresentava como os irmãos Bell, não as irmãs Brontë, porque não se tinha credibilidade ser uma mulher que escrevia assim.

Se escrevia com pseudônimos masculinos, mas a coisa delas era era tão intrincada que essa coisa das irmãs Brontë, no primeiro momento, foi os irmãos Bell, porque elas publicaram juntas o primeiro livro. A Charlotte era o Courrier, que era um livro de poemas, depois de poemas. A Emily era Alice e a Anne era Acton. Então mantiveram ali o C, o E e o A, mas publicaram com nomes masculinos. Em 1847, aí sim, a Charlotte publica o Jane Eyre.

Ela publica como se fosse uma autobiografia que tinha sido editada pelo Currer Bell. Então assim, é como se alguém tivesse escrito, uma mulher tivesse escrito, tivesse dado para ele, ele fez a edição desse livro e ele publica com o nome dele, que na verdade é ela. Então durante muito tempo se imaginou que essa Jainer, ela de fato existiu. Porque primeiro é uma, ela anuncia, né, Jainer, uma, durante muito tempo, sobretítulo, né, o subtítulo era Jainer, uma autobiografia. Então as pessoas achavam de fato que existia.

GIGabi Idealli

Que isso deve ter confundido o povo, gente, não tá escrito. Exato, exato.

ADAndreia D'Oliveira

O livro Foi publicado e de cara já se tornou um sucesso de crítica e público, mas de cara. E começaram a especular quem era o sujeito. Quem é esse fulano?

GIGabi Idealli

Quem é este homem?

ADAndreia D'Oliveira

Quem é este homem que escreveu essa maravilha?

GIGabi Idealli

Quem escreveu esses personagens?

ADAndreia D'Oliveira

E assim, passou, né? Porque assim como a Jane Austen, a Jane Austen eu acho que demorou mais, mais, né? Porque a Jane Austen, até 1920, tinha livro que a Jane Austen não tinha o nome na capa. Nossa, pois é, ela demorou menos, mas porque ela já tava num outro, num outro momento. E que tem uma crítica bastante ferrenha também. E aí depois a gente vai falar a respeito, por conta especificamente do Jane Eyre. E aí, bom, para falar um pouco dos textos que ela escreveu, porque ela não escreveu só Jane Eyre, Não foi como a Emily, que escreveu só O Morro dos Ventos e o Ivã.

Então, as primeiras coisas que ela escreveu foi o... Tem a juvenília, que a gente normalmente fala, né? Que é o The Search After Happiness, que foi esse que eu falei ali em cima, em 1829. Eu acho que essa juvenília... Porque tem uma juvenília publicada aqui no Brasil pela Penguin, que eles juntaram a juvenília da Charlotte com a da Jane Austen.

GIGabi Idealli

Ah, é?

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que eu já vi por aí. Isso, que são textos. O que que é juvenília, né? São textos que eles não necessariamente têm um valor literário, mas são textos que esses autores fazem na sua juventude ali, que acabam publicando. Ah, isso aí é um teste da minha juventude, e acabam publicando. Eu não sei se esse texto específico tá na juvenília que foi publicado aqui. Eu vou até depois dar uma olhada. Passou na minha pesquisa agora falando, eu lembrei.

Mas pode ser que sim. O primeiro romance foi O Professor, de 1846, e que foi publicado só em 1857, depois, depois da morte dela. Tem um motivo também. Esse, O Professor, ele fala a respeito de um amor não correspondido da própria Charlotte. Então acabou se publicando depois. É claro que não foi por conta disso especificamente, Mas possivelmente não foi o primeiro, como é que eu vou dizer, a primeira escrita. Não foi a primeira escrita, mas não foi a primeira, sei lá, ela não pensou em primeiro colocar ele na identidade da JNER.

Acho que teve essa escolha, não foi a primeira escolha dela de publicação. Possivelmente por conta disso. O primeiro romance é JNER de fato publicado, e aí depois tem Shirley, Shirley em 1849 e Villette em 1853. Ambos estão publicados pela Pedra Azul, por isso que eu falei da Pedra Azul, porque eu achei quando eu li Shirley e Villette, eu li pela Pedra Azul.

GIGabi Idealli

Entendi.

ADAndreia D'Oliveira

Em 1854 ela se casa com Arthur Bell Nichols, que é um cura da paróquia do pai dela, então é um religioso também ali da paróquia do pai. Mas em 1855, então um ano depois que casa, ela morre grávida. Ela morre durante a gravidez. Então assim, é uma vida muito curta, com muitos altos e baixos.

GIGabi Idealli

E não tem foto delas juntas, né?

ADAndreia D'Oliveira

Tem aquele quadro que o irmão pintou.

GIGabi Idealli

Tem um quadro, é isso.

ADAndreia D'Oliveira

Dela tem algumas gravuras, porque nessa época foto não vai ter mesmo, só tem algumas gravuras, são aquelas aquarelas que o povo acaba reconstruindo, como o da Janost.

GIGabi Idealli

É porque elas—

ADAndreia D'Oliveira

mas dela ainda tem mais do que outras, porque ela fez, entre aspas, mais sucesso porque ela publicou mais. Enfim, ela acabou de ver mais também para fazer o complemento, porque a gente também não ia ficar repetindo muitas coisas que a gente falou, que a gente já disse naquele programa de Morro 200 Vivantes. Aproveita que é tudo gótico e vai lá.

GIGabi Idealli

Exato, aproveitem que já tem outro.

ADAndreia D'Oliveira

Vai lá, dá uma olhada lá no nosso programa do Morro 200 Eu omiti de propósito um dos trabalhos da Charlotte. Depois que ela foi professora, ela foi governanta. E aqui eu acho que a gente tem que fazer uma parada para a gente entender o que era ser governanta. Temos que lembrar que estamos no século 19, não é mesmo, amiga? Temos que lembrar que Charlotte Brontë, assim como as irmãs dela, eram mulheres no século 19. O que essas mulheres poderiam ser?

Elas poderiam ser professoras e enfermeiras, governantes. E aí, e coisas relativas à casa, né, cozinheiras, enfim. Mas os trabalhos domésticos, ou se fossem mais instruídas, professoras e governantes. Qual que era o grande problema das governantas no século 19? Temos que pensar que estamos falando de mulheres que têm algum nível de instrução, e normalmente não é algum nível, eram mulheres extremamente preparadas para isso. Por quê?

Porque elas eram contratadas por uma classe média alta e uma aristocracia para educar o quê? Os rebentos, os alecrims dourar, né? Bom, e o que que ela, o que que elas ensinavam para essas crianças? Ela ensinava ler, escrever, literatura, francês. Temos que lembrar que francês aqui nesse período é muito forte. Música, desenho, história, geografia, boas maneiras e religião.

GIGabi Idealli

Então era uma espécie de uma preceptora dessas crianças, da vida praticamente, da vida.

ADAndreia D'Oliveira

E se fosse normalmente meninas, porque chegava um determinado momento que esses meninos iriam para as universidades e as meninas as meninas iam ficando. Pois bem, só que a gente tem que lembrar que para essa mulher ter tido isso, ela também partia de um lugar que não era um lugar muito pobre. Como que se davam essas relações sociais de classe? Essa mulher dentro da casa, essa governanta, ela era um problema porque ela não era uma empregada.

Então ela não era vista como uma empregada da casa, Ela não era tratada como eles, como tal, mas tampouco ela também não era uma convidada nessa casa. Ela ficava entre esses dois limiares, ela ficava no limiar. Então, por exemplo, normalmente os outros empregados não gostavam delas porque eles tinham que servi-la, mas ela não era nada. As pessoas, né, os patrões também não sabiam o que fazer com ela.

GIGabi Idealli

Porque é um pouco o que acontece com a JNR também.

ADAndreia D'Oliveira

Isso é exatamente isso, porque esse não lugar, elas têm um não lugar. E era muito comum, tanto que não se tinha, não se sabia, tinham lugares que falava assim: olha, não trate ela como uma pessoa da, uma pessoa da família. Então tinha isso, por exemplo, não comer na mesa. Come na mesa, mas você come na mesa, ela, ela ela pode conversar com as outras pessoas, ela é só uma observadora. Não tinha uma regra. Essa pessoa era uma estranha ali.

Tanto que a Júlia Lopes de Almeida, brasileira, quando ela cria a nossa governanta aqui, ela chama de a intrusa. É o melhor nome que você pode dar, porque é exatamente isso. Essa pessoa, essa mulher que tá ali naquele limite, e para além disso ainda existe a problemática dessas mulheres. O patriarcado vitoriano precisava acolher essas mulheres, não conseguiu porque elas tinham que trabalhar, ao mesmo tempo que existia um medo, principalmente feminino, delas usarem isso como alpinismo social.

GIGabi Idealli

Ah, sim, exato.

ADAndreia D'Oliveira

Então, que também tem JNEC. JNEC, ela acaba abarcando todas essas coisas que possivelmente ela viveu, provavelmente ela viveu.

GIGabi Idealli

Sim, provavelmente aquelas conversas entre as madames que estão lá, a raiva das preceptoras, o desdém.

ADAndreia D'Oliveira

Eu odeio esse tipo, eu tive muitos problemas com essa raça.

GIGabi Idealli

E é um momento que, além de tudo, a gente também tá falando de um momento histórico em que a educação, não só, eu acho que não só a educação, sobretudo a educação feminina, mas não só Ainda não, a gente ainda tá num lugar de construção. Essa escola moderna que a gente tem na nossa cabeça, ela não existe. Então como que você vai educar uma criança que, digamos, é de uma classe mais ou menos alta, que os pais julgam que precisa ter determinados conhecimentos até para circular em sociedade?

E que mulheres vão ser essas preceptoras? Porque também elas precisariam ter tido esse tipo de conhecimento, de educação, né?

ADAndreia D'Oliveira

Exato.

GIGabi Idealli

Então é um período, me parece um período bem específico de existência, digamos, dessa relação.

ADAndreia D'Oliveira

Porque a Charlotte Brontë, ela era muito crítica aos romances da Jane Austen. A Jane Austen, e aí eu vou fazer um parênteses que a gente também faz lá no programa de morro dos antecedentes. A Era Vitoriana acabou com a Jane Austen. A gente foi recuperar Jane Austen no século 20 depois. Por quê? Porque tinha-se essa ideia, né, no período da Jane Austen era assim, não tem muito como dizer que não. Para ela ter algum tipo de subsídio, para ela ter algum tipo de, para essa mulher se manter ela tinha que casar.

Todas as histórias da Jane Austen são a respeito de casamento, não é à toa. E ela diz, ela desdenha disso, ela é irônica quanto a isso. A gente viu isso no romance que dá tudo certo, que é O Orgulho e Preconceito, e ela tira barato disso no primeiro parágrafo. Então, na Era Vitoriana, ela foi lida de uma forma muito cruel, eu acho, que falava assim: não, a mulher ela não precisa se casar, ela só precisa ser uma mulher muito bem instruída e ela pode trabalhar.

Como que essa mulher vai ser muito bem instruída. Como que a gente chega nesse lugar da instrução? Então eu acho que existem algumas problemáticas nesse caso. E aí cria-se uma celeuma entre essas duas grandes autoras. Por isso que hoje em dia eu sempre falei isso, né? Tem o time Irmãs Brontë e tem o time Jane Austen. As pessoas, elas não conseguem gostar das duas coisas ao mesmo tempo, não dá. Então elas não conseguem elas não conseguem entender as nuances dos dois períodos históricos.

E aí existe aqui também esse grito de: olha, dá, vai sofrer muito, vai ter muitos reveses, mas de uma certa forma dá para a gente não ficar só dependendo do casamento. Mas de novo, é um recorte muito específico, né? Por isso que eu acho também que tem que tomar muito cuidado. Depois, quando vem as fábricas mulheres. E aí vem a Primeira Guerra, aí tudo muda.

GIGabi Idealli

Mas, e primeira, porque aí tem que todo mundo descer para o play, né?

ADAndreia D'Oliveira

Aí todo mundo desce e as mulheres ficam na fábrica onde não podiam ficar. Exato. Que é o que tá acontecendo agora, porque agora eu vou militar. Tudo bem, milita. Quem não quiser, avança.

GIGabi Idealli

Exato.

ADAndreia D'Oliveira

Mas agora eu vou militar, que é a mesma coisa que tá acontecendo agora. Porque o que que tá acontecendo agora? A maioria dos estão indo trabalhar como Uber.

GIGabi Idealli

Pois é, pois é.

ADAndreia D'Oliveira

Está ficando um vácuo muito grande na construção civil em trabalhos muito braçais. E o que que tá acontecendo agora? Inúmeras escolas de mulheres para mulheres da construção civil. Então vem aprender a colocar um azulejo, vem aprender a subir uma parede. Você também pode. Quem disse que você não pode? Agora a gente pode. Porque tá faltando, porque eles não querem.

GIGabi Idealli

É porque tá todo mundo como Uber, você entende?

ADAndreia D'Oliveira

Porque é um— porque quando a pessoa fala eu sou Uber e eu não sou pedreiro, é isso, você tem uma diferença de— como é que eu vou dizer isso— de não é de importância, mas é de uma— eu não sou uma diferença, eu faço Uber.

GIGabi Idealli

É óbvio que tem, gente, óbvio que deveria ter.

ADAndreia D'Oliveira

Mas tem, por conta desse maldito sistema que a gente vive. Mas tem, porque trabalho é trabalho e tá tudo bem.

GIGabi Idealli

Mas tem, claro, óbvio. Mas tem, mas tem mesmo. E é um indício de que lugar social, econômico, as mulheres ocupam. Porque é isso, elas ocupam na medida em que ninguém quer mais, ninguém quer, ninguém diga trabalho ligado ao gênero, que é o caso aqui da governanta.

ADAndreia D'Oliveira

Então, que é o trabalho que vai lidar com criança, que é enfermeira, que vai cuidar, é sempre o lugar do cuidado.

GIGabi Idealli

Também já foi um lugar masculino, sim, mas também já foi. Mas, mas nesse período a gente já tem grandes universidades, o lugar para o homem se aperfeiçoar já é outro, espaço já é outro.

ADAndreia D'Oliveira

Mas é a história, minha mãe, minha mãe fala isso muito, minha mãe falou assim, é, mas todo mundo virou chefe agora. Eu falei, é claro, quando os homens foram para as cozinhas, eles viraram chefes. A gente era só cozinheira.

GIGabi Idealli

É isso, exatamente, é um bom exemplo.

ADAndreia D'Oliveira

A gente era só cozinheira. Quando eles começaram a ir para cozinha, agora eles, agora é o chefe, é o chefe, é o chef de cuisine. Ah, gente, entende? Até então a gente era só cozinheira, cozinheira de mão cheia, lembra?

GIGabi Idealli

Ainda é, dependendo do lugar.

ADAndreia D'Oliveira

Sim, ainda É, sim. Aí vai ter gente que vai vir aqui e vai falar assim: não, vocês estão errados, porque chefe é aquele que assina o cardápio. É, mas quando que as mulheres começaram a assinar cardápio em grandes restaurantes? Então não me venha, não me venha, não, não me venha. Que é a mesma coisa que esse momento a gente tem essa, essa pessoa que tá ali nessa profissão, que é uma profissão limiar, que ninguém sabe como tratar ninguém.

Os patrões não sabem como tratar essa pessoa, E essa pessoa também não sabe, eles não sabem os limites, os limites são completamente borrados. Ela mora naquela casa, ela não é, ela não recebe ordens direto. Tanto que no livro é muito engraçado, porque no livro ele vira e fala assim, é quando ele conhece a Jane, o Rochester, ele vira e fala assim para ela: você toca piano? E ela fala: um pouco. Que idade tinha quando foi para 10 anos.

E ficou lá por 8 anos. Então agora tem 18. Assenti. Aritmética, como vê, é bastante útil. Sem ela eu mal poderia adivinhar a sua idade. É difícil determinar a idade quando os traços e aparências são tão inexpressivos quanto os seus. E o que aprendeu em Lalloud? Sabe tocar piano? Um pouco. Claro, essa é a resposta padrão. Vá até a biblioteca, quer dizer, se desejar. Desculpe meu tom de comando. Estou acostumado a dizer: faça isso, e ser obedecido.

Não posso alterar meus modos usuais por causa de uma nova hóspede. Vá até a biblioteca, então. Leve um candeeiro com você. Deixe a porta aberta, sente-se ao piano e toque alguma coisa. Saí obedecendo às instruções. Já basta! ele exclamou. Alguns minutos depois. Você toca um pouco, já vi, como qualquer outra estudante inglesa, talvez melhor que algumas, mas não toca bem. Fechei o piano e voltei. Mr. Rochester continuou: Adele me mostrou alguns desenhos.

Aí ele se toca do que ele faz, ele falou assim: por favor, é que eu estou acostumado a dar ordens a todo mundo. Por quê? Porque nem ele sabe como tratar a Jane, porque ninguém sabe. Ninguém sabe como tratar esse sujeito que caiu dentro da casa, porque você precisa tornar essas crianças o mínimo aceitável para uma sociedade que tá te cobrando sempre mais. E como é que você faz isso? E aí o gótico, né? Por que que ela vira essa grande personagem gótica?

Porque ela tá no limiar, assim como o fantasma tá no limiar. Ela tá nesse limiar dos mundos, só que ela é palpável. Então assim, a governanta vai ser um tipo de personagem, um tropo muito utilizado no gótico. E esse nosso especial gótico desse ano, a gente vai falar de governanta e como elas aparecem nesses góticos. Existiam governantas antes do Jane Eyre? Sim, mas quem moldou essa, essa figura no gótico foi a Charlotte Brontë.

Então existiram antes? Existiram. Mas toda vez que a gente falar de governanta no gótico, existem dois. A gente vai falar desses dois. Existem dois que são os mais— um deles, que é o primeiro, é a Charlotte Brontë com Jane Eyre.

GIGabi Idealli

E por que, Andréia? Porque ela traz um lugar diferente ou ela protagoniza essa pessoa? Ou ambos?

ADAndreia D'Oliveira

Porque para além— ambos. Porque ela protagoniza, porque, por exemplo, o nome do livro poderia ser Mansão Blá Blá Blá, poderia ser, podia ser várias coisas, mas ela nomeia isso e é bem notável quando a gente começa a ler.

GIGabi Idealli

Assim, eu acho que é algo, o nome chama muito atenção.

ADAndreia D'Oliveira

Lembra quando a gente falou sobre eles não usam black tie, que o Gianfrancesco Guarnieri, ele desloca no teatro brasileiro, ele é o primeiro cara que desloca a personagem principal da classe média para um operário. Ah, sim, ela faz a mesma coisa.

GIGabi Idealli

Entendi. Porque é engraçado que vocês sabem, quem ouve a gente há um tempo sabe que eu tenho, eu já passei por inúmeras situações de leitura em que eu recebi o spoiler antes, porque a pessoa vai ler clássicos e dá nisso. E aí outro dia André falou, e aí, e aí, aí eu falei estou em tal momento, não me dê spoiler, né? Não, não, não, não vou te dar. E eu, só para dizer que em um momento, enquanto eu tava lendo, a gente vai falar, né?

ADAndreia D'Oliveira

Mas eu nunca te dei spoiler de livro, né?

GIGabi Idealli

Não, não, não, não, nunca. Não, não, a vida me deu. Na verdade, ninguém especificamente me deu. Não tem uma memória assim com uma história de alguém, mas eu meio que tropecei em spoiler. Insiders, porque às vezes você vai ler JNerd, gente, uma hora você vai encontrar alguma coisa. E aí, a hora que a gente for falar da história toda, da narrativa do livro, tem momentos que eu ficava, gente, mas e aí?

ADAndreia D'Oliveira

O que vai acontecer?

GIGabi Idealli

E aí eu me lembrava, não, se chama JNerd. Então assim, a única certeza que eu tenho é que ela continuará do começo ao fim desse livro.

ADAndreia D'Oliveira

Sim, porque ela é o que tá contando a história, né?

GIGabi Idealli

Exato. Então eu me apegava nela assim, eu ficava, bom, se chama JNerd, então ela eu tenho certeza que vai continuar comigo até o fim deste livro.

ADAndreia D'Oliveira

Então é isso, é isso, é isso. E ela desloca, né? Ela desloca essa importância para essa personagem. Então, e é muita coisa para você pensar no século 19, entende? Assim, de um, de um onde se falava de Mesmo, mesmo a Emily, a Emily ela vai falar de um lugar, O Morro dos Antes Vivantes, por mais que tenha o Heathcliff ali, mas ele fala-se de uma aristocracia rural ali. No caso dela não, ela coloca essa trabalhadora no centro da história, que é essa governanta.

Então o que, o que a gente pode pensar assim nesses aspectos dessa sociedade que tinha esse tipo de trabalhador ali. No caso dessa governanta, né, a classe delas era normalmente média e média baixa, normalmente, que era aquela moça que tinha tido uma pequena instrução. Ela não é uma pobre pobre, porque tem isso também, que é tipo, ela seria tipo a Elizabeth Bennet, que não tinha muita instrução, não tinha muitas conexões, mas tinha uma instrução porque o pai dela era clérigo, por exemplo.

GIGabi Idealli

Esse era um grande diferencial.

ADAndreia D'Oliveira

No caso, só que, por exemplo, no caso da Elizabeth, como tinha clérigo, no caso da Elizabeth Bennet, ela não saiu para se instruir. Então ela não tem francês, ela não tem outras coisas, tanto que ela fala, né, eu toco piano muito mal, eu não faço tudo bem. Não acho que, não acho que as mulheres têm que fazer tudo bem. Normalmente as mulheres que faziam tudo muito bem eram mulheres da classe alta, porque também não precisavam fazer outras coisas, faziam só aquilo, né?

Então sim, de novo, esse padrão, né, de educação muito elevado para os padrões femininos da época. Essas preceptoras tinham, elas dependiam, só Ao mesmo tempo que dependiam desse salário que era pago. O status dela, como eu disse, era esse, era um status intermediário. Elas eram fantasma ali no meio. Elas não eram nem, elas não eram tratadas nem como uma criada doméstica, mas era inferior à família. Então ela ficava ali nesse, com o pé nessas duas canoas.

Como que eu faço? É, a moradia era dentro da casa, então elas uma, um quarto dentro da casa. E normalmente, né, e aí a depender, algumas na parte dos criados, outras na parte dos patrões. Então, e não tinha muita regra. A relação tinha uma proximidade, proximidade. Eu achei isso engraçado, hoje eu ouvi, falou assim, proximidade com distância social. Por quê? Porque eu tinha uma proximidade com a casa e com as coisas que estavam acontecendo ali, mas Socialmente, como é que eu trato essa cidadã?

GIGabi Idealli

E é um lugar de muita intimidade. Eu imagino que para as crianças não, mas com certeza para os donos da casa, para o pai, para a mãe, enfim, é uma situação difícil. E que pensando aqui, por vezes essa preceptora pode ser a pessoa mais bem instruída da casa, por exemplo.

ADAndreia D'Oliveira

Exemplo.

GIGabi Idealli

A gente, eu imagino que não fosse raro, dependendo.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que às vezes é não só, mas principalmente das mães.

GIGabi Idealli

Isso, das mães.

ADAndreia D'Oliveira

Isso é, né?

GIGabi Idealli

Eu falei da família, mas eu quis dizer das mães.

ADAndreia D'Oliveira

Com certeza isso é um problema. Por isso tanto medo do alpinismo social.

GIGabi Idealli

Exato.

ADAndreia D'Oliveira

Ela como ponto narrativo é perfeito porque ela é uma observadora nata ali nesse lugar. Porque ela tá ali dentro e ela consegue narrar, ela consegue falar, ela é uma observadora. E a nossa Jane aqui, ela é extremamente observadora, crítica, é uma das principais características dela. No gótico vai ter essa coisa das relações sociais, e a gente vai ver isso com mais calma a hora que a gente começar a história. Depois da Jane Eyre apareceram outras, e uma delas é a nossa, vai ser o nosso próximo romance, que depois a gente fala no final.

Aqui a gente, a gente dá o spoiler, tá? A gente dá, a gente vai deixar dessa vez, a gente vai falar do mesmo jeito que a gente fez com o do gótico do ano passado, que do ano passado não, no de vampiros que a gente acabou falando. Esse aqui também, como é, a gente fez um tema, um tema guarda-chuva aqui que é governanta, A gente também vai falar. A gente falou do título, né, que ela desloca essa criada, essa governanta para o centro da narrativa aqui, né?

E ela coloca essa identidade no centro e tudo mais. Mas existem, que eu sei que vocês gostam quando a gente traz essas coisas aqui, existem algumas curiosidades a respeito da tradução para o português. Tem duas curiosidades, na verdade. Uma pro português brasileiro e outra pro português de Portugal.

GIGabi Idealli

Amo, amo.

ADAndreia D'Oliveira

Uma das primeiras versões daqui do Brasil, ela foi publicada como Joana Air em 1926. Só que é muito engraçado, porque ela já tinha sido publicada como Jane Air. Aí eu não sei se não foi bem. Aí falaram, vamos botar português já e vamos deixar isso com mais a casa da mãe Joana.

GIGabi Idealli

Então Praticamente.

ADAndreia D'Oliveira

Então colocaram Joanna Ayer.

GIGabi Idealli

Joanna Ayer.

ADAndreia D'Oliveira

Mas já tinha traduções como Jane Eyre antes de 1926. Em Portugal colocaram o nome, um título em 1941 de A Paixão de Jane Eyre. E aí você coloca um— você lê só Jane Eyre, você sabe que vai falar a respeito de uma pessoa. Ou então você colocar Paixão de Delíria, você coloca todas as suas expectativas no romance, né?

GIGabi Idealli

Isso, não.

ADAndreia D'Oliveira

E não é sobre romance, porque você poderia ler como a paixão, como acontece na Paixão de Cristo, por exemplo, né? Esse suplício. Mas não era, era a paixão no sentido do romance, né? Não tinha nada a paixão de Joan of Arc também, não, mas não Nesse sentido, era no sentido romântico.

GIGabi Idealli

Não que ela não sofra um pouco, mas sofre, hein?

ADAndreia D'Oliveira

A bichinha sofre.

GIGabi Idealli

Essa aí, essa aí.

ADAndreia D'Oliveira

Vamos dar um, vamos começar a história e aí a gente vai falando a respeito da história e já vai trazendo o filme.

GIGabi Idealli

A gente pode ir fazendo conexões com os filmes.

ADAndreia D'Oliveira

O que você acha? Então, eu acho que sim, mas eu acho que antes da gente falar isso, eu acho que tem um parênteses que precisa ser feito. Acontece, gente, deixa eu falar para vocês. Um dos filmes que a gente assistiu é o filme de 1943. Ele foi dirigido pelo mesmo cara que dirigiu Mary Poppins, pelo Robert Stevenson. Foi escrito pelo Aldous Huxley.

GIGabi Idealli

Sim, impressionante isso.

ADAndreia D'Oliveira

O roteiro, um dos roteiristas era o próprio, o próprio. Mas quem faz o Rochester é um homem chamado Orson Welles.

GIGabi Idealli

Então assim, gente, assim, quem ouve a gente há um tempo já sabe quanto André e eu a gente gosta. André, a gente tem uns queridinhos aqui, você sabe. E o Orson Welles, ele é, eu acho que talvez o nosso, é só, não é uso porque tem o Keanu Reeves antes, senão ele perde para o Keanu Reeves. Mas não fosse Keanu Reeves, seria Orson Welles. Acho que o Orson Welles, ele é o match que eu e Andréia temos na nossa vida, é um Orson Welles.

ADAndreia D'Oliveira

Então já esteja avisado, exato, entendeu?

GIGabi Idealli

Que a gente fez esse sacrifício, exato, assistir essa preciosidade, de assistir esta pérola Além de outro, outro livro, outro filme que nós assistimos também, o Jane Eyre de 2011, que é dirigido, um minuto, pelo, pelo Cary Fukunaga. Isso. E quem faz a Jane Eyre é a Mia Wasikowska. Isso, Wasikowska. Tem graça toda a vida, toda a vida. E o Rochester é feito pelo Fassbender. E chegaremos ali e falaremos.

ADAndreia D'Oliveira

Que pra mim é um problema, tá? Pra mim é um grande problema colocarem o Fassbender pra fazer o Rochester. Por quê? Porque está escrito lá, o Rochester é um homem feio.

GIGabi Idealli

Então, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Ele não é um homem lindo.

GIGabi Idealli

Então, a gente já vai começar por aí, porque assim... É assim que a gente vai começar. Então vamos começar.

ADAndreia D'Oliveira

Ele é um homem inteiro, tá escrito no texto.

GIGabi Idealli

Eu quero dizer o seguinte, tá? Este é um livro que, na minha opinião, é difícil de adaptar para os moldes da cultura de massa, no sentido do que o Adorno fala, no sentido de Hollywood. Ele é difícil de você adaptar para esse tipo de filme por muitos motivos. Esse para mim é o principal.

ADAndreia D'Oliveira

Eu encaixei. Vamos nessa discussão então. Tirem as crianças da sala, gente. Vamos nessa discussão. O nosso amigo Orson Welles, ele não é um homem bonito.

GIGabi Idealli

Isso era aí que eu ia chegar, porque assim, Orson Welles— a gente vai ficar defendendo nosso amor.

ADAndreia D'Oliveira

Vamos, vamos, vamos nessa. Eu já sabia que isso ia acontecer. Ai, gente, não, muito bom. Porque, gente, é o seguinte, eu não consigo nem falar sério.

GIGabi Idealli

Não, ó, gente, vamos lá, é o seguinte: quando a Charlotte Brontë vai descrever em diversos momentos do livro, não é no primeiro momento, não é a hora que ele aparece, não. Acho que ela deve falar no começo, no meio, no fim ela já fala isso também. O Rochester não é um homem bonito. E ela diz isso para ele, ela fala, ela fala, testa quadrada, ela fala. E ela diz para ele, porque ele pergunta: você me acha bonito?

ADAndreia D'Oliveira

A Amy diz: não. Ele ficou olhando o fogo por uns 2 minutos enquanto eu passava esse tempo a olhá-lo. De repente virou-se e viu meus olhos cravados no seu rosto. Está me examinando, Miséria? Disse ele. Acha que sou bonito? Se tivesse tido tempo para pensar, teria respondido a essa questão com uma evasiva convencional e polida, mas a resposta escapou-me dos lábios antes de eu me dar conta. Não, senhor. Há palavra de honra que existe alguma coisa de singular em você, disse ele.

Quando senta assim, com as mãos cruzadas no colo e os olhos no tapete, exceto, é claro, quando estão fixos no meu rosto, como agora, por exemplo, tem o aspecto de uma pequena nonete, uma noviça modesta, quieta, grave e simples. E quando a gente lhe faz uma pergunta ou uma observação que é obrigada a responder, você dá uma resposta direta que, se não é indelicada, é pelo menos busca? O que quer dizer com isso? Fui muito franca, senhor.

Peço-lhe perdão. Eu deveria ter respondido que não é fácil dar uma resposta imediata sobre questões de aparências, que os gostos variam muito e que a beleza é de pouca importância, ou algo assim. Não devia ter respondido nada disso. Dizer que a beleza não importa, francamente, em frente. E desse modo, com a pretensão de suavizar seu ultraje anterior e abrandar-me até a placidez, você enfia uma faca afiada no meu ouvido. Vá em frente.

Quais os defeitos que encontra em mim? Será que eu não tenho os membros e as feições de qualquer outro homem? Mr. Rochester, permita-me retirar minha resposta anterior. Não pretendia fazer uma réplica espirituosa, Foi apenas um erro. Apenas isso, também acho. Mas você deve assumir a responsabilidade dele. Vamos, faça-me uma crítica. Meu semblante não lhe agrada? Levantou as ondas negras do cabelo que se atravessavam em sua testa e mostrou a cabeça bastante sólida, denotando o poder de suas faculdades intelectuais, mas com uma abrupta deficiência onde suave sinal da benevolência deveria elevar-se.

E agora, senhora, sou algum tipo de bobo? Longe disso, senhor. Acharia rude da minha parte perguntar-lhe se é filantropo? Mais essa outra estocada com a faca afiada quando ela pretende elogiar minha cabeça. E isso só porque eu disse que não gostava da companhia de crianças e de mulheres mais Não, minha jovem, geralmente não sou um filantropo, mas tenho consciência. E ele apontou para a própria cabeça, as proeminências que se imagina indiquem a consciência, e que para sorte dele eram bastante desenvolvidas e emprestavam à parte superior da sua cabeça uma largura marcante.

Além disso, ele continua, continuou. Eu já tive um tipo de rude ternura no coração uma vez. Quando tinha a sua idade, eu era um rapaz sentimental, defensor dos imaturos, infelizes e desvalidos. Mas o destino me maltratou desde então, até mesmo me amassou entre os dedos, e agora me orgulho de ser duro, rijo, como uma bola de borracha indiana, permeável talvez, através de uma ou duas frestas e com o pão sensível no meio da massa bruta.

Então, alguma esperança para mim? Esperança de quê, senhor? De minha retransformação de borracha indiana em carne humana. Ele com certeza bebeu demais, pensei, e não soube o que responder a essa estranha questão. Como eu podia dizer se ele era capaz de ser retransformado. Você parece muito embaraçada, miséria, e já não é mais bonita do que eu sou. Um ar de embaraço fica-lhe bem. Além disso, ajuda a manter esses olhos penetrantes longe do meu rosto e os distrai com as piores flores do tapete.

Assim, continue embaraçada, minha jovem. Estou disposto a ser comunicativo e sociável esta É muito bom, é muito bom, é muito bom.

GIGabi Idealli

E a Jainer é assim o livro inteiro, gente. Se você não tá preparado, você não lê.

ADAndreia D'Oliveira

E aí as pessoas devem pensar assim, a gente vai falar porque que ela é tão franca assim, mas é muito engraçado porque ela fala assim, é porque ele me tratou mal, por isso que eu consigo ser franca. Porque senão, se ele tivesse me tratado bem, eu não ia conseguir.

GIGabi Idealli

Do tipo, eu amo a Jane Eyre demais, gente, ela é demais, eu amo muito Jane Eyre.

ADAndreia D'Oliveira

E eu acho que porque, e aí eu já falei isso para Gabi em off, eu assisti Jane Eyre com o Orson Welles, eu já assisti já tendo lido o livro há muitos anos atrás, e na minha segunda leitura que foi agora, na minha releitura Moura. Eu li aí, era o rosto do Orson Welles que eu vi, entendeu? É desse nível aí.

GIGabi Idealli

É sobre isso. É porque assim, aqui primeiro começa pelo próprio Orson Welles, porque o Orson Welles ele não, ele não se encaixa nesse padrão de beleza do homem muso, do homem galã, seja no começo da carreira dele, enfim.

ADAndreia D'Oliveira

Ele não é o Alfred Hitchcock. Tudo bem que o Ralf Bogart também não era um homem muito—

GIGabi Idealli

Também não era, mas é diferente. Mas eu acho diferente. Por si só, então, ele não é essa pessoa. E eu acho que ele fez, ele atua muito bem.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, ele é excelente.

GIGabi Idealli

E eu acho que por isso, essa combinação que deixa ele o próprio Rochester. E tem aqui um trabalho que eu acho que é válido falar. De maquiagem também, de figurino. Porque a Jane Eyre, a Charlotte Brontë, ela vai descrever o— a Jane Eyre vai descrever o Rochester como um homem com uma sobrancelha muito grossa, a testa, como a Andréa falou, quadrada, esse cabelo meio revolto, meio rebelde, é uma postura, um um pouco truncado também.

Ele tem, ele todo não é um homem bonito, e ela também não se descreve como uma mulher propriamente bonita.

ADAndreia D'Oliveira

Apesar da Joan Fontaine ser uma mulher muito bonita, né, a mocinha da história, né, a atriz. Eu acho ela muito bonita para ser a Jane Eyre.

GIGabi Idealli

Eu também acho ela muito bonita para ser a Jane Eyre, e eu acho, eu acho que só por isso já é muito difícil de fazer uma adaptação, porque, porque eu Eu acho que hoje em dia alguns, alguns atores, algumas atrizes encaram alguma— eu não vou nem dizer uma beleza diferente, mas eu diria características físicas diferentes. Por exemplo, né, nesse JNerd 43 aparece a Elizabeth Taylor, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Outro parente.

GIGabi Idealli

Parênteses.

ADAndreia D'Oliveira

A Elizabeth Taylor era Elizabeth Taylor com 8 anos. Isso é muito impressionante.

GIGabi Idealli

Vou falar que assim, a Elizabeth Taylor é um fraco meu também. Eu acho ela espetacular. E ela, e ela é uma beleza que também não se encaixava nos padrões, não, não, da época. Então eu acho que a gente A gente teve atores e atrizes que saíram do que era, digamos, o padrão da época. Mas é sempre muito difícil.

ADAndreia D'Oliveira

E você sabe, ó, pra você ver como o mundo é muito cruel. Eu sempre falo isso pra minha mãe. Porque a Elizabeth, como eu brinquei, Elizabeth Taylor, ela já era Elizabeth Taylor com 8 anos de idade. Ela já era. Como assim já era, Andréia? Pensa no rostinho da Elizabeth Taylor em Cleópatra. Ela já era aquilo ali. Ali com 8 anos de idade, 8, 10 anos de idade, porque ela não é acreditada no filme. A gente sabe que é ela, é muito louco.

GIGabi Idealli

Imagina, ela aparece, você fala, meu Deus, Elizabeth Taylor! Exatamente.

ADAndreia D'Oliveira

Sim. E aí toda vez que eu vejo esse filme, eu viro para minha mãe e falo assim, mãe, deve— essa menina deve ter tido uma infância muito difícil, porque ela era, ela, como eu disse, ela já era Elizabeth Taylor criança. Isso, tipo, eu fico imaginando o que essa menina não passou, assim, de verdade, assim. Ai, Andréia, mas é porque ela era muito bonita. E a gente sabe que assim, com crianças menos, tipo a Judy Garland, que as coisas já aconteceu.

GIGabi Idealli

Agora você imagina como uma menina como ela, eu, com 8 anos, num set de filmagem, entende?

ADAndreia D'Oliveira

Tipo, e lindinha, lindinha. Elizabeth Taylor, mini Elizabeth Taylor, tipo, é isso. Aí você olha, você fala, como que— olha, a gente vive no mundo desgraçado mesmo, porque de tudo que eu tinha para pensar, a primeira coisa que eu pensei foi isso. Eu falei, gente, essa criança deve ter passado poucas e boas no set de filmagem. Terrível, terrível, terrível. Pesei o clima, pesei, mas é isso.

GIGabi Idealli

Não, mas é isso, deve mesmo, deve, deve mesmo. E é isso, nós então fizemos essas duas, assistimos a esses dois filmes. E eu acho que a gente pode ir seguindo a história, a história do livro, e tecendo nossos comentários. A primeira coisa que eu acho que dá para passar e que eu queria saber sua opinião é que para mim existem três momentos Para mim, a primeira coisa que eu pensei foi: a Janelle é o centro desse livro. E para mim, ela passa por 3 períodos de amadurecimento, assim, que para mim são muito marcados, muito marcados.

E que sinceramente eu acho que nenhum dos 2 filmes deu conta. Não, não dá disso, que para mim Andréia me disse que tem uma série.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, isso.

GIGabi Idealli

Da BBC.

ADAndreia D'Oliveira

A série é melhor.

GIGabi Idealli

E eu fico com a impressão que esse é um livro que seria muito bom para uma série. É porque ele é um calamaço, né?

ADAndreia D'Oliveira

O JNER é um calamaço, assim, calamaço no sentido de é um livrão, para em pé. Isso, ele para em pé. Então Eu acho que, eu acho que ele serve melhor como série mesmo, porque ele tem muita coisa que acontece na vida. A gente tá contando a vida de uma pessoa da infância até ela se casar, porque é um, de novo, e esse é um verdadeiro livro de formação que a gente sempre fala aqui, os livros de formação em inglês.

GIGabi Idealli

E ele tem um quê que encaixaria bem com uma espécie, não sei se essa é uma comparação justa, mas me parece, ele funcionaria bem com uma série porque ele tem um quê de novelesco, no sentido de que, de novela, ele é melodramático. Isso, ele é melodramático. Eu acho ele melodramático, eu acho ele episódico, no sentido de que você vai acompanhando o desenrolar daqueles lugares. Ela vai passando por lugares e esses lugares têm um núcleo, e essas pessoas, essas pessoas giram ali em torno dela, e enfim, mas o foco é sempre ela.

Então acho que isso é um primeiro ponto, acho que nenhum dos dois filmes dá conta Eu acho que são filmes que se apressam em mostrar o núcleo da história, que é quando ela de fato já tá mais velha. Mas que eu acho que perde por não dar um pouquinho mais de ênfase. Não precisava, você não quer dar meia hora a mais, tudo bem, mas pô, põe mesmo uns 10 minutos. Eu senti um pouco de falta.

ADAndreia D'Oliveira

No caso do filme de 43, a gente já consegue até entender, porque não era muito comum filmes tão longos com o orçamento que esse filme teve, né? A gente, ah, André, mas tinha Cleópatra, por exemplo, a gente falou de Cleópatra, né? Sim, tinha Ben-Hur, sei lá, tinha, mas eram filmes épicos. Aqui a gente tá falando de uma governanta que se apaixona, que é assim, que era, que foi vendido, possivelmente é uma governanta que se apaixona pelo dono da casa.

GIGabi Idealli

É isso, isso, isso, isso.

ADAndreia D'Oliveira

Você vai fazer um épico disso? Não vai.

GIGabi Idealli

É uma pena que não vá, porque é muito rico e ela traz elementos para além do romance em si.

ADAndreia D'Oliveira

Mas é isso que eu vou dizer, em 43 eu passo o pano. Pro mais recente, eu não passo não.

GIGabi Idealli

Isso, exatamente. Eu também não passo não, porque vamos lá, Jainer já começa a sofrer, pobrezinha, porque você, quando você a conhece, como vocês ouviram aqui o começo do programa, ela, ela não, ela, ela já é uma, uma órfã. Ela perde a mãe e o pai muito jovens, ela é criada pela tia, na casa da tia. Porque não bastasse os pais morrerem, o tio dela, que acaba ficando com ela, morre também. A família Reed, o John Reed morre, e ela fica sendo ali criada pela senhora Reed, e de uma maneira assim horrorosa, tenebrosa.

Ela é muito maltratada pela família, E ela fica sendo criada ali no meio dos primos, só que como uma enjeitada mesmo, como uma dependente, mas nesse lugar da pessoa que não era muito para estar ali.

ADAndreia D'Oliveira

Ela já passa a estar nesse interlugar, nesse não lugar, já desde criança.

GIGabi Idealli

Não, e sofre muito. A família tem um menino mais velho que É um demônio menino super horroroso, bate nela. E aí você já vê quem é a JNER.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, isso, isso, isso, isso.

GIGabi Idealli

Essa é JNER. Porque primeiro você acompanha então ela ali, ela é uma menina muito sensível, ela gosta de ler, ela gosta de ficar perto dos livros, ela é silenciosa, mas ela é silenciosa mais porque circunstâncias fazem com que ela precise ser silenciosa. E o menino maltrata muito ela, o único filho homem, e o alecrim dourado da família. E ele, ele persegue realmente ela. E tem uma hora que ele vai atrás dela, implica porque ela pegou um livro dele, que ele nem leu o livro, enfim. E ele bate nela, faz ela sangrar. E a bonita não fica quieta.

ADAndreia D'Oliveira

Acho justo.

GIGabi Idealli

Ela vai lá e se joga nele, bate nele e se revolta. Isso aparece um pouco superficialmente no filme de 43 e tem um pouco mais de profundidade no filme de 2011. Mas ela é essa menina que se revolta, e que não fica quieta assim. E é muito mais, eu acho que é muito, me passa a impressão de que a Jainer, ela quer, ela quer ser muito justa com ela mesma. Isso é mais isso do que revolta pela revolta assim, do tipo, eu acho que ela quis externalizar essa, essa revolta que ela tava sentindo e ela Ela fica presa, a tia prende ela num quarto, é um farmacêutico, alguma coisa assim local, tira ela do quarto, cuida dela e tudo mais.

E a tia, devido a essa dificuldade de lidar com a menina, manda ela para o internato, manda ela para uma escola. Na verdade, essa escola, a Loa, tal qual isso, para Loa, tal qual Janeira e as irmãs precisaram ir. E ela diz, olha, leva, leva essa menina, quero que ela passe as férias lá, não quero que ela volte. Ela é um horror, ela é um— ela é mentirosa, ela é mentirosa, ela é má. Mentirosa é muito forte, que é tudo que ela não é.

Não, assim, se tem uma coisa que você descobre sobre Janeira, que tem uma uma característica que não faz parte dela é ser mentirosa. Ela vai dizer a verdade, doa a quem doer, inclusive. E a tia Amanda, elas têm uma altercação assim. A Jainer diz, você saiba que eu vou contar para todo mundo, eu não vou me esquecer da maneira que a senhora me tratou dentro desta casa.

ADAndreia D'Oliveira

É, né?

GIGabi Idealli

Ela dá um tchau muito, é isso que eu tô falando, Jane Eyre, gente, inspirem-se. E lá vai ela para Lowood, e você rapidamente descobre que o lugar é também tão pior quanto a casa que ela vivia. Mas eu fico com a impressão, tanto no filme de 43 quanto no de 2011, porque a impressão que me dá da Charlotte Brontë gostei é que ela, ela apesar de falar muito mal de Lowood, ela estabelece uma boa relação da Jane com as meninas. Sim, sim, que não tem isso, não tem, não tem nos filmes, é, não tem assim, porque ela, na verdade, ela fica muito próxima de uma menina em específico.

Que é a Ellen. Mas no livro ela é apoiada, porque o que acontece, ela vai para lá, tal, ela fica toda assim primeiro tentando se adaptar.

ADAndreia D'Oliveira

Aí o pastor, não é pastor, é o pároco, ele é o dono da casa ali, né, da instituição, porque ela tá numa instituição de caridade para moças.

GIGabi Idealli

Eu achava que ele era um pároco.

ADAndreia D'Oliveira

É, não, ele é um pastor mesmo.

GIGabi Idealli

Pastor.

ADAndreia D'Oliveira

Isso que, além de pastor, ele também é o dono da casa, da família.

GIGabi Idealli

Isso, exato. E ele quer meio que humilhar ela. Ele pega ela uma hora lá, coloca em cima de um banquinho e diz: olhem para esta moça, a tia dela diz que ela é uma mentirosa, tratem ela como uma mentirosa e tal. E no livro, nessa hora, ela primeiro se sente muito humilhada começa a pensar, ai meu Deus, minha vida vai ser muito difícil aqui, agora lá.

ADAndreia D'Oliveira

É porque ela fala assim, é uma possibilidade de eu ter uma nova vida aqui, então eu vou apagar tudo que aconteceu até agora e eu vou ser feliz nesse outro lugar. E não, não, perdão.

GIGabi Idealli

É, ela começa a se tocar, ela imediatamente diz, putz, né, não, não vou, ele tá me humilhando. Só que no livro tem algo de cúmplice com as meninas assim.

ADAndreia D'Oliveira

Tem uma delas que encosta ali, eu não lembro se é a Ellen, acho que não é nem a Ellen, porque ela pega e fala assim, ah, mas é, ah não, nesse momento eu acho que não é a Ellen, é uma outra, porque eu acho que é uma outra, fala assim, ai, mas eu não sou mentirosa, não sei o quê, a vocês todas não vão falar comigo, vão me odiar. Ela, não, não, se você já chegou assim e o cara não gosta de você É o contrário, a gente vai adorar você.

GIGabi Idealli

Então eu acho que nenhum dos filmes tem esse momento assim de—

ADAndreia D'Oliveira

Tem um outro momento que eu acho muito pertinente, que é essa coisa da Charlotte querer também tirar essa parte dessa hipocrisia, que é o quê? As meninas, elas são tratadas de forma muito austera E então tem todo esse negócio de, ai, como que a gente vai deixar essas crianças miseráveis ir para o céu? Então eles cortam os cabelos das meninas para as meninas não terem cacho nos cabelos. Tanto é, o cara é um filho da mãe, ele tem controle daqueles corpos daquelas meninas, ele tem controle da vida daquelas meninas.

Mas ele tem uma filha, é isso, e essa filha visita de vez em quando o lugar. E a menina é tudo o que as meninas ali não são.

GIGabi Idealli

Então a menina, ela tem um cabelo cacheado, então é tudo isso.

ADAndreia D'Oliveira

E aí a gente fala assim, ora, ora, ora, se não é a hipocrisia.

GIGabi Idealli

Hipocrisia, exato. E a Jane percebe tudo isso, é muito bom, porque é através dos olhos dela que a gente percebe isso também.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu acho que, eu acho que falta isso também nos filmes mostrar o que— porque, bom, a gente já falou aqui inúmeras vezes, o tempo que a gente tá falando de adaptação, que adaptação são escolhas que são feitas, né, para essa adaptação. E ambas elas acabam escolhendo pelo romance, por isso que elas avançam nesse lugar aqui, e elas vão para o romance entre a Jane e o Rochester. Mas a Charlotte Brontë era uma questão dela, esses lugares dessas meninas que tinham essas formações.

Exato. E que tinham muitos, né? E que normalmente eram esses, essas, como é que eu vou dizer, essas castigos e toda essa forma era também um jeito de imputar para essas crianças, para essas meninas, isso tudo, né? Assim, uma forma muito cruel, enfim. Então eu também acho que nesse caso, porque para a gente não faz tanto sentido, né? A gente olha e aí eles vão avançar mesmo, mas ali para ela, ela tava fazendo uma denúncia. No final das contas.

GIGabi Idealli

Ah, sim. E o imaginário, pelo menos o meu, é que a Inglaterra era particularmente cruel com a formação de crianças e esses lugares correcionais também muito horrorosos. Enfim, então eu acho que é um pouco isso. A gente também imagina o que a Charlotte Brontë não viu nesses anos que ela ficou a escola. Então aqui a gente vê isso, ela estabelece essa relação com a Ellen, que é uma das meninas um pouco mais velha que ela, e que a Ellen tem uma resiliência, uma postura que é muito diferente da Jane nesse momento, porque a Jane ela tá revoltada.

Ela é uma criança muito revoltada porque ela se sente muito injustiçada, violentada, não vista, não compreendida. Enquanto a Ellen fica: não, mas nós temos que entender.

ADAndreia D'Oliveira

E não amada. E não amada. Tem uma parte que é assustadora, que ela fala: eu quebraria um braço se alguém quisesse me amar. Ela fez uma pausa. Sim, Ellen, disse eu, pondo a mão sobre a dela. Ela esfregou os dedos gentilmente para aquecê-los. Então continuou: Mesmo que o mundo inteiro a odeie e a julgue má, enquanto sua consciência estiver tranquila e isentá-la de culpa, você nunca ficará sem amigos. Não, sei que tenho razões para pensar bem de mim mesma, Mas isso só não basta.

Se os outros não gostarem de mim, prefiro morrer a viver. Não consigo suportar a solidão ou o ódio dos demais, Ellen. Veja o que acontece aqui: para ganhar o seu afeto, ou de Miss Temple, ou de alguém a quem eu realmente estime, de bom grado aceitaria que quebrassem o meu braço ou deixaria que um touro me atacasse. Ou ficaria atrás de um cavalo selvagem para que jogasse as patas contra meu peito.

GIGabi Idealli

Ela diz para a tia também em algum momento: se você quiser, se você me deixasse, eu ia gostar muito de te amar. Enfim, nitidamente uma criança rejeitada. E elas estabelecem essa relação, e por conta da situação extremamente precária e ruim do ambiente, a Ellen fica doente e morre. A cena da morte dela é muito triste. É mesmo, porque elas eram muito próximas. A Ellen tem essa postura muito resiliente, convida a Jane para dormir com ela numa das noites, e ela morre.

ADAndreia D'Oliveira

Isso porque ela já sabia, na verdade, né? Tanto que ela já tá muito, ela já tá muito em paz que ela vai morrer.

GIGabi Idealli

É, ela tá bem entregue. E ali você percebe o quanto eu gosto muito dessa parte, porque acho que é uma parte um pouco de denúncia mesmo desses ambientes horrorosos que a gente vê muito no Charles Dickens também, essa espécie de denúncia, de retrato-denúncia desses lugares. Enfim, então para mim essa é a primeira parte de Jane Nerd, assim, para mim essa primeira Jane que a gente conhece, que essa menina já muito, muito observadora, já muito esperta, muito, muito crua, honesta com ela mesma e muito revoltada.

ADAndreia D'Oliveira

Isso.

GIGabi Idealli

E dali a gente pula para ela já mais, mais velha, porque daí ela vai ficando ali. Exato, ela fica ali 8 anos, 8 ou 9 anos. Anos na escola. E ela decide que deu o tempo dela, ela se forma ali, vira uma professora, uma preceptora.

ADAndreia D'Oliveira

Ela gosta muito de uma das professoras que tem lá, que porque aí o que que acontece com a morte da Ellen e com outras mortes que vão acontecendo ali, as pessoas começam a se perguntar o que que tá acontecendo, porque essas crianças estão tão pagam isso, por quê? E aí a direção passa para outras pessoas, eles tiram a direção do dono da instituição, porque a gente tem que lembrar que como era uma instituição de caridade, as pessoas que faziam caridade foram cobrar, falou: então, o que que o dinheiro que a gente tá dando para você, que que você tá fazendo com nele.

E aí tiram essa administração dele porque eles não querem que esse lugar morra por conta das meninas que são atendidas ali. E aí a coisa melhora um pouco, melhora muito, mas melhora um pouco. E aí ela fica ali até os 18 anos.

GIGabi Idealli

Isso. E nesse momento ela de novo, aí é uma nova Jane, porque ela é uma Jane muito que eu acho que daí ela vai ser assim para sempre no livro, que é essa pessoa decidida, auto-independente, decidida. Ela sabe que ela precisa viver outra coisa, ela decide mudar, ela decide sair, ela decide colocar o nome dela num anúncio.

ADAndreia D'Oliveira

Isso.

GIGabi Idealli

E ela é chamada para trabalhar num lugar chamado Thornfield Hall. E eu, esse, esse romance foi o primeiro que eu consegui entender a necessidade de dar nomes para os lugares, porque é isso, são tantos matos e morros e coisas que você precisa dar um nome para o seu, para o lugar que você mora assim. Não dá para você falar eu moro, que hoje em dia você fala eu moro na cidade de São Paulo, no bairro tal. É um período que você precisa dar nome para sua casa, gente.

E aí ela vai trabalhar em Thornfield Hall e enfim é recebida pela senhora Fairfax, que ela acha que é a dona da casa. Ela descobre que não, que a senhora Fairfax que também trabalha na casa e que ela vai ser a preceptora da Adele, que é a filhinha do Rochester.

ADAndreia D'Oliveira

Quer dizer, não sabemos se é, então, mas não fica muito claro o que que essa menina é. É uma protegida, eles tratam o livro inteiro como uma protegida do Rochester.

GIGabi Idealli

Exato. E ela é chamada, fica ali e tudo mais. É, eu, eu, esse para mim, esse é o primeiro momento que a gente entende que o livro é um pouco mais gótico. Eu acho que tem um momento no começo que é quando ela fica presa dentro de uma sala, de um quarto, enfim.

ADAndreia D'Oliveira

É porque falam que o tio morreu lá e ela tá com medo do fantasma do tio aparecer.

GIGabi Idealli

Tem isso que você vê um jeitinho da irmã dela assim, porque tem essa descrição do lugar. Então a casa é um pouco assim escura, ela é uma casa que você percebe que tem algum segredo ali envolvido, alguma coisa aconteceu. Então por ali você já começa a entender que, que enfim, que vai acontecer.

ADAndreia D'Oliveira

E Thornfield Hall, ele faz o bingo do gótico, né? Porque ele tem riso, ele tem barulho, ele tem porta secreta, ele tem sombra, ele tem incêndio, tem tudo, tudo, tudo que uma boa casa mal-assombrada precisa ter.

GIGabi Idealli

E eu gosto do filme de 2011 pela paisagem. Eu acho que, eu acho que o os lugares, eles transmitem muito desse, desse ar gótico, que dá para entender por que que é gótico, porque essas, essas paisagens são idílicas, lindíssimas, e ao mesmo tempo, para ela virar do avesso e se tornar muito sombria, é questão de horas assim. Então eu gosto das paisagens porque eu acho que dá para entender e dá um pouco para você se transportar para isso.

Eu acho que o filme de 43, ele se foca num cenário um pouco teatral, um pouco mais limitado também pelo, eu imagino, pela época e pela disponibilidade de dinheiro da época também.

ADAndreia D'Oliveira

E não é só isso, né? O Orson Welles, ele também é produtor do filme.

GIGabi Idealli

E por quê?

ADAndreia D'Oliveira

Então, mas por que que tem? Porque ele fez uma adaptação para o rádio de Jane Eyre. Então ficou essa coisa mais teatral, de fato, de propósito. Isso é coisa dele. Então, para que ele deu esse, essa essa ênfase mais teatral mesmo. Isso é coisa dele mesmo.

GIGabi Idealli

Eu achei bem teatral e eu gosto. Eu acho que são só, como a gente disse, são só escolhas. Eu gosto também, mas aqui é isso. Então é esse lugar no campo, muito aberto, essas árvores que são lindas e assustadoras. Escavadoras, essa casa que tem todos os rangidos e ruídos que você puder imaginar. Enfim, e aí é isso. Ela então começa a conhecer a menina que tem ali os trejeitos franceses e tudo mais. Um dia ela tá, um dia ela tá, ela foi levar uma carta para isso, um pouco caminhando ali.

Na região, quando do nada do nadão, eis que aparece este homem num cavalo com um cachorro, que eu acho que também é uma característica das duas irmãs. Elas têm esse apego pelo, por esses animais que acompanham a vida no campo, eu acho. Acho que são animais muito presentes, os cachorros, e eles aparecem e se trombam. E o Rochester, que enfim, até então nós não sabemos que é o Rochester, mas ele cai no chão. Ela se leva um susto com ele caindo, vai atrás dele, tenta oferecer ajuda.

E esse é o primeiro encontro dos dois, muito atabalhoado assim, muito doidinho. Ele já muito irritado, e você imediatamente percebe que ele observa ela e eles se encontram. Ela diz, ai, me desculpe. Ele diz, ah, de onde você vem? Então ela diz de onde ela tava. Ele não revela que ele é o dono da casa, pede ajuda. Ele é muito, muito. E ela, e ele sai assim. E eu, eu acho que para mim um dos meus maiores incômodos com o filme de 2011, porque aí eles, aqui começa relação dos dois.

E é uma relação muito marcada por ele. Ele tem um jeito muito peculiar, eu acho essa palavra assim. Ele tem um jeito que é um pouco irreverente, ao mesmo tempo é um pouco truculento, ao mesmo tempo é misterioso, ao mesmo tempo é atraente.

ADAndreia D'Oliveira

É um herói byroniano por excelência.

GIGabi Idealli

Isso, ele é esse cara que você fica encantada por ele, ao mesmo tempo assustado, meio dá vontade de sentar com ele, ter uma conversa assim muito aberta.

ADAndreia D'Oliveira

E aí eu acho que no caso, eu acho que o Orson Welles nesse sentido aqui, ele é muito maior assim, ele é muito mais assustador do que no livro. Livro.

GIGabi Idealli

É, eu também acho que ele é, por exemplo, assustador.

ADAndreia D'Oliveira

E aí, assustador no sentido de ele dá esse tom do sombrio, do gótico mesmo, noturno. E a gente tem que lembrar aquela voz, né, gente?

GIGabi Idealli

É a voz dele, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Não, e aí não tem para ninguém, não tem para ninguém. Ele abre a boca e ele vira e fala assim, eu achei que eu tava num conto de fadas. E você falava assim, é isso mesmo, você tava no conto de fadas, você me enfeitiçou. É isso mesmo, ela te enfeitiçou.

GIGabi Idealli

É isso mesmo, porque, e ele, porque no livro você sente, porque aí o que acontece, então tem esse primeiro encontro e logo depois quando ela chega em casa ela descobre que era ele o patrão E ele muito rapidamente quer se aproximar dela. Você percebe que ele fica, ele fica questionando, mas ele tá num lugar que ele quer conhecer mais sobre ela. E ela ali muito retraída, tentando entender qual que é a dele, quem é ele e como que vai se dar essa relação e tudo mais.

ADAndreia D'Oliveira

Mas existe uma, é um encontro mesmo, né?

GIGabi Idealli

Isso. E uma tensão até meio sexual entre eles, assim, eles estão atraídos um pelo outro. Só que, por exemplo, o filme de 2011, eu acho muito, muito exagerado isso assim, porque não é isso, entendeu? Porque assim, o que acontece, ele— então, por exemplo, eles têm essa primeira conversa e tudo mais, e aí algumas noites depois, poucas noites depois, ela ouve um barulho de madrugada, tá dormindo e ouve um barulho, uma risada, um não sei o quê, Ela levanta, abre a porta do quarto, vê uma vela no chão no corredor, tenta ver o que aconteceu.

E quando ela sente um cheiro de queimado, entra no quarto dele, vê que ele tá pegando fogo no quarto dele, joga água nele, no quarto, em tudo, e diz, olha, acho que alguém entrou aqui, colocou fogo e não sei o quê. Ele sai correndo, deixa ela deixa ela dentro do quarto e quando ele volta meio que tá tudo bem, meio que ele tá alerta, mas ele dá a entender que ele meio que descobriu quem que fez isso e ele agradece a ela, ele pega a mão dela pela primeira vez e fala, não, me dê a mão, eu quero te agradecer, eu devo a minha vida a você.

E você percebe uma tensão, você percebe assim, tipo, ele não precisava pegar a mão dela, né? Assim, sei, me dê a mão, que isso, né?

ADAndreia D'Oliveira

Na cama dele também é muito, é muito simbólico, é muito simbólico, muito simbólico.

GIGabi Idealli

Então assim, tem um, você sabe que tem um quê a mais. Mas por exemplo, no filme de 2011, ele quase beija ela assim, é muito incômodo, gente, é muito incômodo, porque não é isso que está acontecendo, gente, não é isso que esse homem está fazendo. Primeiro, a gente tá falando de um decoro que hoje não existe mais, mas que existia na época. Então nunca que isso ia acontecer daquela forma. Não é Bridgerton, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Não é Bridgerton, entendeu? Exato, obrigada. É isso.

GIGabi Idealli

Não é Bridgerton, gente, porque eles não vão fazer isso. E aí o filme é isso, ele meio que vai em cima dela. O Orson Welles, porque é isso, é uma tensão sexual, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Então é que o Orson Welles Meu Deus, como dizer isso?

GIGabi Idealli

Ele é essa pessoa, né? Ele, porque o Rochester também é essa pessoa, esse é o ponto.

ADAndreia D'Oliveira

Entramos no ponto.

GIGabi Idealli

É isso, ele não, ele não, ele não diz, ele não vai precisar deixar ela na mão.

ADAndreia D'Oliveira

Exatamente, ele não precisa, ele não precisa.

GIGabi Idealli

Não, tem uma hora que eu tô tentando me lembrar que hora é, que eu falo, gente, esse homem, ah, eu não me lembro. Tem uma hora que eu acho que no livro, que é assim, porque daí enfim, então tem isso, ela vê e se assusta, acha que ele tá sendo ameaçado de morte. Tem essa mulher na casa que é a, como é que é o nome dela?

ADAndreia D'Oliveira

É no primeiro momento o pessoal acha que é uma empregada Porque o que que acontece, a casa, ela na primeira noite que ela tá lá, ela já começa a ouvir pessoas rirem e falarem e não sei o quê. E ela, vixe, aí fala, não, não, Grace Poole, lembrei o nome dela. Então aí, não, não, é uma empregada nossa aí que fica ali costurando e tal. E aí ela de vez em quando ela é meio biruleiba. A bichinha. Aí ela é bom, então é isso. Então em tese é essa história, mas a gente vai percebendo que não é exatamente isso.

GIGabi Idealli

Isso tem esse mistério. Depois que ela vê, que ela fica preocupada, ela acha que no dia seguinte a pessoa que tentou assassinar o patrão vai aparecer, vai ser presa. E no dia seguinte ele ele some, ele desaparece. Ela fica de jeito, exato, nada acontece, feijoada. Ela fica, ué? Aí ela tenta dar uma investigada assim, ela percebe que meio que ninguém tá nem aí para nada. Ela fala, bom, ok, eu vou confiar no meu patrão, vamos deixar a vida levar e tudo mais.

E ele volta com essa galera, ele volta com uma galera, ele vai, olha, muito filho da mãe, ele volta com uma galera E ela fica sem entender, assim. Aí os empregados estão todos comentando do tipo, olha, pode ser que ele vá casar com uma das moças que vem aí, porque ela é uma moça assim assado, ele é solteiro, blibli blibli blá blá blá.

ADAndreia D'Oliveira

Não, e ele é tudo, ela é tudo o que a Jane não é, a moça. Isso, tudo, tudo, tudo, tudo que a Jane— e insuportável, além de tudo.

GIGabi Idealli

Intragável, a mulher é intragável. Ela é bonita, muito bonita. E ao mesmo tempo é isso, ela é super extrovertida, graciosa, é intrometida, super intrometida.

ADAndreia D'Oliveira

Até o nome nojento, até o nome.

GIGabi Idealli

Exato, acho que é de propósito. E rola esse medo, se essa— agora que ela começou a de fato se interessar pelo Rochester, ela tá super apaixonada e percebe que ele ele enfim está ali praticamente noivo dessa outra mulher, que é de uma classe social compatível, que assim é o match perfeito para o tipo de vida dele, né? Isso, sim, exato. E ela tem uma cena curiosa que parece que chega uma, uma cartomante na casa dele, que é ele, que ele Que ele se fantasia, digamos assim.

ADAndreia D'Oliveira

Mas por quê? Porque fica parecendo que é uma farofa, não é isso, gente? Que que acontece é o seguinte: eles estão fazendo umas brincadeiras lá, então eles estão se vestindo. E aí tem uma hora que eles se vestem de— tem que lembrar que não tinha televisão, não tinha Netflix, então eles tinham que se virar, né? Então tem uma hora que se vestem com roupas É para dizer que eram egípcios depois, não sei o quê. E aí ele finge que tem uma cartomante que vai na casa e ele se veste dessa cartomante, engana todo mundo, diz umas coisas muito loucas lá tentando.

GIGabi Idealli

E você vai entendendo que na verdade ele tá interessado, muito interessado na JNEC, e que ele quer sim ter alguma coisa com ela. E ela que não entendeu isso ainda, ela ainda ainda não caiu essa ficha na cabeça dela. E aí então tem esses momentos. Em determinado dia chega uma visita para ele, um tal de senhor Mason, e ele enfim recebe o rapaz, um rapaz meio misterioso que diz que já conhecia e tudo mais. E pela noite, de novo acontece algo estranho.

Esse rapaz se machuca. O Rochester de novo chama a Jane e pede para ela cuidar desse homem machucado enquanto ele pega o médico. E vai ficando esse clima de tipo, tem uma coisa estranha acontecendo nessa casa que a gente não entende o que é, mas que enfim, ok, vamos descobrir talvez em algum momento. As pessoas vão todas embora e ela passa a entender que ele vai se casar com a fatídica senhora Ingrid. E ele, nessa conversinha, esse papinho dúbio em cima dela, papinho dúbio, porque ele fica numa de, ah, porque sabe o que é, uma pessoa mudou minha vida.

Você acha que quando uma pessoa muda a vida do outro a gente deve se casar? Com ela. E ela assim pensando que ele tá falando da outra, quando na verdade ele tá falando dela. E aí a história atinge seu ápice quando ela diz, ah, se você for casar, então eu vou embora, porque eu que não vou ficar aqui. Você coloca a menina numa escola e eu vou procurar outro lugar para trabalhar. Você me indica em algum lugar ou eu saio, enfim. E aí ele diz, tá bom, eu vou te indicar no lugar longe da Inglaterra.

Bem doido, bem doido. Ah, é? Você quer ir embora? Então você vai embora mesmo, vou te mandar lá para longe, para Irlanda, alguma coisa assim. E aí, Jane Eyre sendo Jane Eyre, que que ela faz? Ela vira e diz para ele: não, eu não, eu não acho muito longe, é muito longe do senhor, eu não tenho como ficar longe do senhor. E aí, a hora que Aí você vê ela tá falando para ele, gente, que gosta dele. Eu falei, gente, é isso mesmo, estou ouvindo uma mulher do século 19 se declarar para o patrão dela.

Muito louco, muito, muito, muito, muito. E aí ali ele se declara, diz que queria fazer ciúmes e ver como ela reagiria, e pede ela em casamento. E você fica Tá no meio do livro, eles já vão casar.

ADAndreia D'Oliveira

Aí tem isso, porque aí você olha e você fala, não, algum babado aí ainda vai acontecer aqui. Porque eles estão no meio do livro.

GIGabi Idealli

Não, você tá literalmente no meio do livro, eles casam, ele pede ela em casamento, você fala, não, não, tem alguma coisa errada, porque não dá. Ele de fato, você percebe que ele fica muito acelerado para casar logo. No dia do casamento ele tá aqui, tá aqui, tá aqui. Que arrasta ela logo de casa para casar. E quando eles chegam lá na paróquia, lá no lugar onde eles vão casar, o mesmo homem Mason que tinha ficado na casa dele reaparece e diz: não, não, perdão, perdão, você já é casado, você é casado com a minha irmã, você não pode casar duas vezes, duas vezes é bigamia.

E ele tenta ainda acelerar o padre, né, diz: continua Vai aí, meu filho, vai logo, fala logo. E a Jane ali tipo, o quê? E o que que tá acontecendo? Ela de noiva, gente, pensa. E aí ele puxa ela, leva ela lá, leva todo mundo lá. É, então vocês acham que eu sou casado? Olha aqui a minha mulher. E aí você descobre que a pessoa que tinha tacado fogo nele, que tinha atacado o Mason, é a Bertha que era a mulher dele, que ele se casou muito jovem com ela, um pouco ali pressionado pela família, levado a casar pelo pai.

E que no fim, aí me pega, esse é o ponto da história que eu acho mais problemático.

ADAndreia D'Oliveira

Nossa, eu acho muito problemático assim, porque eu, né, ou essa mulher, essa merwoman É um tropos desse período. Era muito comum terem histórias de que as mulheres ficavam— quer ver, ó? E aí era, ou durante um tempo eram essas mulheres que ficavam nesses sótãos e porões, enfim, normalmente em sótão da parte de cima da casa, que ficavam presas. É muito da construção do Barba Azul, né? Enfim, tinha isso. Tanto que tem uma novela muito antiga, Um Sonho a Mais, talvez, não vou me lembrar o nome da novela, que tem um ator que eu gostava muito, mas ele ficou maluco, chamado Carlos Vereza.

E ele fazia um papel que eu acho que é o papel da Brasília assim, que chamava Monsenhor Montserrat, que era o homem mais odioso da face da terra nessa novela. E ele tinha uma esposa, e que ele fingia, e que ele dopava, e que era exatamente essa configuração aqui. Só que no caso dele não é que ela enlouqueceu mal e ele deixou ela lá. Não, ele a deixava lá e dizia que ela estava louca, era num outro, e que foi mais ou menos o que foi acontecendo depois na literatura, que essa coisa desses, dessas internações compulsórias, né, essa coisa do, a minha mulher é maluca e ela só é maluca porque eu quero casar com outra pessoa, que também acontecia.

Né? Então, mas é um tropos muito, muito corriqueiro do período tanto do gótico quanto depois, tanto antes, antes do romantismo. Mas é um tropos essa que é chamado Mad Woman, né? É um tropos.

GIGabi Idealli

Eu imaginei que fosse Mas nossa, é interessante, é porque a gente consegue ver por contraste o quanto o discurso sobre isso mudou, assim, quanto, o quanto em relativíssimo pouco tempo mudou muito o discurso. Porque é isso, então ela é uma mulher retratada como uma mulher louca, mas não só como uma mulher louca, ela é uma desviada mesmo, ela é uma espécie de pessoa A loucura dela se atrela ao fato dela ser má.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, isso.

GIGabi Idealli

Ela é louca, logo ela é má. Tem um quê de mal nela, do tipo, ela não é nem humana, ela é uma louca, ela tá aqui, ela fica aqui presa, ela tá animalizada mesmo, né? Isso, ela só sabe morder, matar, ela não sabe nem quem eu sou, não sabe nem quem é o irmão, do tipo, ela só me odeia mesmo. Quando Ela tem um irmão, é um chantagista, né? É, o irmão é super chantagista. Exato. Então isso é descoberto, isso vem à tona, e a Jane Eyre, por mais que esteja muito apaixonada por este homem, diz: eu não vou ficar aqui, eu vou embora.

E ela vai embora mesmo assim. Quem me viu mentindo Quem me viu mentiu, eu que não vou ficar aqui porque esse homem é casado, né? E ela vai embora, gente, simples assim. Vai com a roupa do corpo, pega as coisas dela, vai embora. E aí ela vai parar nesse— ela pega uma carruagem, sei lá como se diz isso, uma carruagem, vai parar no meio do nada no lugar que ela nem imaginava que existisse, fica ali padecendo, um pouco mendigando, até que ela cai na casa dos Rivers, que são esses 3 irmãos que você descobre que também ali já são órfãos, e que acolhem, que a recebem, e que desde o primeiro momento são muito fraternos com ela.

Isso, que estabelece uma relação excelente com ela. Cada filme aqui faz de um jeito a situação.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que 43, ele oblitera isso, né?

GIGabi Idealli

Ele não, praticamente, ele basicamente ignora, ele ignora totalmente, porque de fato é um desvio narrativo que eu acho que faz parte mesmo da, eu acho que era muito comum assim, que nem quando você lê Charles Dickens, ele faz algumas, ele tem assim uns momentos que você fica, tá, mas isso vai me levar aonde? Isso vai chegar aonde? E às vezes dá a impressão que nem eles muito sabiam assim, do tipo, eu acho que eu vou vir por aqui, vai, eu vou fazer alguma coisa com isso, é, eu vamos fazer alguma coisa com isso.

E ela faz algo muito interessante, porque elas estabelecem uma relação muito fraterna. Esse lugar é um lugar de recomeço. Primeiro ela mente a identidade dela e ela estabelece uma relação muito boa, meio adotada por essas pessoas. Eu acho que é o primeiro lugar onde de fato ela sente que tem uma família, que é amada, que enfim, que não tem ali uma relação de trabalho também, enfim. Enfim, e nesse meio tempo, ela, antes dela sair de lá, ela recebe uma carta dizendo que ela tinha um tio que vai deixar uma herança para ela.

Enfim, e aí então ela tá ali, ela conhece, então são duas irmãs e o irmão, que é o Sanjong, que ele é um pároco também, ele é um padre, sei lá, um pároco, e ele tem essa coisa missionária. Ele é uma pessoa muito difícil, até meio má mesmo. Ele é mais complexo que isso, mas isso eu gosto das personagens, inclusive, porque são personagens que dificilmente tendem para um lado só. O Sam Jones é um pouco isso, ele é mal, mas ele não é mal propriamente.

Ele é meio seco, mas ele ama uma moça e a Jane tenta ajudar ele com essa moça. Enfim, em determinado momento ele diz, ó, é o seguinte, eu estou indo em missão, bem louco, tô indo numa missão lá na Índia, você vai comigo, você vai casar comigo. E ela, Jainer, não é? Não falei para vocês que a Jainer é a Jainer? Ela fala, não, eu não vou não. Aí ele vai, você vai casar comigo. Ela, não, porque a gente não se ama, você tá muito doido, vou casar?

Dele, não, mas uma mulher solteira comigo, teria que casar. Não dá para você ir para Índia assim do nada. Enfim, fica ali assim bromation dos dois, até que ela um dia discutindo com ele ouve uma espécie do— porque, gente, ela nunca esqueceu o Rochester, vocês sabem, né? Não, nem nós. E aí ela um dia ouve uma voz E ela tem essa intuição do tipo, não, eu vou para as Índias com você, vou para a Índia, mas eu preciso resolver uma coisa antes.

Eu quero descobrir o que aconteceu com o Rochester. E ela volta para lá. E, gente, passou só um ano, porque a impressão que dá é que passaram-se tipo uns 3, 4 anos assim. E ela volta e descobre que a casa pegou fogo. Pouco depois dela ter ido embora, assim, quem colocou fogo foi a mulher do Rochester, e ela morre ali. Ele meio que volta para tentar resgatá-la do fogo e ela meio que se mata, meio que morre, enfim. E nisso ele é atingido, a casa se desfaz, é incendiada, Ele é atingido, ele perde a visão dos olhos e um braço, uma mão.

E ela fica, imagina, totalmente desgovernada, né, gente? Onde tá esse homem? Como assim? Eu fui embora e pegou fogo, a outra morreu, ele ficou cego, cadê ele? Então vai atrás dele. E ali a história finaliza com ela convencendo ele de que ela voltou, de que agora ela vai ficar ali com ele, de que ela vai cuidar dele. E ela dá aquela resumida dizendo pra gente que com o tempo ele recuperou uma das visões, assim, não fica 100%, mas ele recupera.

E eles ficam juntos, eles têm um filho, inclusive. E fim da história. A história é essa. Eu acho que, eu acho que tem alguns percalços assim de desenvolvimento.

ADAndreia D'Oliveira

Eu sinto falta de, por exemplo, tem o Deus Ex Machina da, da, como é que fala, da morte, da moça, não, da Meu Deus, da herança!

GIGabi Idealli

Isso, exatamente.

ADAndreia D'Oliveira

Mas eu entendo o que ela fez aqui. O que que ela quis? Ela quis colocá-los em pé de igualdade.

GIGabi Idealli

Isso, exatamente.

ADAndreia D'Oliveira

Foi isso que ela fez.

GIGabi Idealli

Foi, foi isso que ela fez. Eu também entendi assim. E ela, ela, ué, ela arrumou a história dela, gente. É isso, entendeu? Porque a impressão que me deu dela conhecendo essa outra família, primeiro que é reconciliar a Jane. Isso, eu acho que ela precisa de uma família. Então ela ganhou essa família, porque daí ela descobre que eles são todos primos, né? Ela é descoberta como Jane Eyre porque chega o— como o pai deles tinha morrido, eles estavam tentando organizar a herança do próprio pai deles.

Eles quando ela chega lá. E no fim o pai não deixou nada para eles, que hoje é isso é proibido, mas tudo bem. Na época o pai não deixou nada para eles e deixou para esse tio, e o tio também morreu, e o tio deixou tudo. Então o tio herdou o dinheiro do irmão e deu tudo para JNR. E o Sun John, depois que ele vê um desenho dela, porque ela desenha, inclusive desenha muito bem. Ele vê, eu acho que ele lê o nome dela num dos desenhos e se toca que ele tava com a prima dele o tempo todo.

Então é assim que ela— então tem assim, tem essa questão da herança, tem essa relação com o Sang-Joon que fica meio mal explicada, na minha opinião.

ADAndreia D'Oliveira

Assim, ela meio que vai embora, tipo, mas para mim ele também queria porque por causa da grana, entendeu?

GIGabi Idealli

Eu também fiquei com essa impressão, tanto da grana quanto por ele ser um cara meio autocentrado mesmo. Sim, é uma personagem, ela teimosa também, muito, muito assim, com uma personalidade determinada, é bastante. Então tem assim, eu sinto falta de entender melhor que aconteceu com a senhora Fairfax, também ficou um pouco assim, tipo, sumiu, né?

ADAndreia D'Oliveira

A casa pegou fogo, morreu.

GIGabi Idealli

Mas eu acho que é difícil mesmo, acho que são romances muito longos. A gente tá falando de um período e de uma escrita que é diferente dos romances que a gente leu hoje, dos livros que a gente tem hoje. Então a transição de espaço, de tempo, de tudo é muito difícil. A gente falou já de Charles Dickens aqui, esses, esses calhamaços assim, às vezes eles eram publicados em jornal, isso tipo novela, né? Então folhetim, então eram romances longos com muitas reviravoltas, muitos personagens.

E gente, imagina o quão difícil é você fechar. Eu acho difícil fechar e eu acho que ela fechou muito bem.

ADAndreia D'Oliveira

Eu também acho. Eu preciso, antes eu preciso falar uma coisa, porque se eu não disser isso eu não vou me perdoar.

GIGabi Idealli

O quê?

ADAndreia D'Oliveira

Você sabe quem é a tia dela? Você, no filme de 43? Não, você não pegou quem é a atriz?

GIGabi Idealli

Não, quem é a atriz?

ADAndreia D'Oliveira

Alice era a Endora da Feiticeira, a mãe da Samanta. Ai, sim, mesmo!

GIGabi Idealli

Eu cliquei aqui nela, gente. Nossa, não peguei que era ela. É, que linda!

ADAndreia D'Oliveira

Ela é linda. E ela, porque o Orson Welles gostava muito dela, ele, ela faz a mãe dele no Cidadão Kane. É ela também.

GIGabi Idealli

Nossa, que linda! Ela é muito bonita, né?

ADAndreia D'Oliveira

É impressionante assim. Eu falei, não, eu preciso falar.

GIGabi Idealli

Carona assim, uma carona.

ADAndreia D'Oliveira

Ela tinha um rosto muito marcado, assim, não era assim, não era, era uma, não era uma beleza, não era uma bad days, era, né? É, você olhava, falava, ok, entendi aqui o que que você quer passar. Era bem isso. Daí eu falei, não, eu preciso falar, eu preciso falar, não posso esquecer. É, amei.

GIGabi Idealli

Ainda bem que você falou mesmo, porque eu não lembraria, não mesmo, não associei que era ela. Amei, tô olhando aqui fotos dela. Depois eu fico no meu novo hiperfoco.

ADAndreia D'Oliveira

Bom, no filme de 43, que a gente acabou centrando mais, e eu acho que no de 2011, 11, 11, 2011, é, existe um foco, como a gente falou, um foco maior no romance, de fato. Eu acho que o filme de 43 ele resolve melhor melhor quando ele— porque o que que acontece, no de 2011 todo esse arco do Sanjong e tal, ele existe. Só que isso, eu me lembro que eu assisti esse filme com a minha cunhada e ela não entendeu. De 2011, ela não entendeu todo esse arco do Sanjong, ela não entendeu. Aí eu falei, por quê? Foi tudo meio jogado assim.

GIGabi Idealli

Foi, porque começa com ela chegando lá.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, isso, foi tudo meio jogado. Não explica porque que ela tá ali, não explica no sentido de como que ela foi acolhida, não explica nada.

GIGabi Idealli

Não, você, se você já leu o livro, você deduz, obviamente. Mas eu imagino mesmo que alguém que nunca tenha, que foi o caso da minha cunhada, quando a gente assistiu, eu acho que confunde mesmo, concordo.

ADAndreia D'Oliveira

E o de 43 optou por não ter ele, ele simplesmente—

GIGabi Idealli

eu gosto, sabia?

ADAndreia D'Oliveira

Eu também, eu gosto.

GIGabi Idealli

Assim, eu acho, de novo, eu acho esse um filme corrido. Isso, ambos são, eles são filmes muito corridos porque de fato, de novo, é um romance enorme, então é difícil mesmo. Mas o de 43, ele é bem chutinho assim. Acho que ele dá uma corridinha mesmo assim. Tem coisa que dá uma pincelada para dizer que deu, né?

ADAndreia D'Oliveira

Os primeiros capítulos é ela ali sofrendo com aquela família. Eles resolvem isso em 5 minutos. Exatamente, é muito rápido, é muito rápido.

GIGabi Idealli

Ela já tá aí, a própria Elizabeth Taylor. A própria Elizabeth Taylor, acho que não tem 2 minutos de tela.

ADAndreia D'Oliveira

E morreu, e morreu, e foi dessa para uma melhor. É isso mesmo, porque eles querem chegar logo no que interessa, né, que é colocar o Roster com a Jane. Eu gosto muito desse livro, eu tô muito feliz que a gente tá fazendo essa história, é muito bom, porque Eu acho que para além da história em si, eu acho que a forma da narrativa da Charlotte Brontë é primorosa. A forma como ela faz narrativa, essa narrativa em primeira pessoa que a gente já falou tanto aqui.

E a gente disse uma coisa que normalmente a gente não fala de narrativa em primeira pessoa: se tem uma coisa que a Jane não faz, é mentir. Foi a frase que Gabi disse. E aí você pode pensar, ué, mas não é uma narração em primeira pessoa? É que existem algumas coisas que ela não tem como dissimular, né? É dela mesmo.

GIGabi Idealli

Isso, é dela. Então, e a sobriedade com que ela coloca, porque tem um momento que o Rochester diz, ué, casa comigo. Do tipo, você viu minha mulher, casa comigo. Aí ela diz, eu não posso, eu não quero casar nessa situação, eu seria sua amante. Ela diz, eu seria sua amante, eu não vou fazer isso, eu não quero fazer isso, não vou fazer isso. Aí ele fica bravo, ele diz essa— eu acho que esse é o momento que eu sinto uma tensão sexual muito forte assim, que ele meio que diz alguma coisa do tipo, se eu, se eu quisesse eu poderia fazer qualquer coisa agora.

ADAndreia D'Oliveira

Isso.

GIGabi Idealli

E você sabe o que ele tá querendo dizer? Você entende o que ele tá querendo dizer? Ela entende o que ele tá querendo dizer e ela se mantém. Ela diz: eu não vou casar com você, não vou casar, tchau, não vou casar. Aí ele: ah, então isso é uma despedida?

ADAndreia D'Oliveira

Sim.

GIGabi Idealli

Eu fico: gente, que mulher, que mulher! Então ela é muito, ela é muito verdadeira com ela.

ADAndreia D'Oliveira

Boa.

GIGabi Idealli

Ela não faz o que ela não quer, acabou.

ADAndreia D'Oliveira

Muito assim, uma personagem incrível, incrível.

GIGabi Idealli

Eu gosto muito, gosto muito dessa personagem, impressionante assim.

ADAndreia D'Oliveira

E ela ficou, ela ficou muito marcada na literatura inglesa, é tanto que a gente vai ter muitas, muitas histórias de governanta e acaba sendo uma figura muito recorrente ficção, em ficção gótica. E a gente vai ter uma outra governanta também que vem depois dela, que é— falo? Posso falar? Que é a governanta da Outra Volta do Parafuso, que é o nosso próximo livro do Henry James.

GIGabi Idealli

A gente dá spoiler aqui, viu, gente, de vez em quando.

ADAndreia D'Oliveira

Esse daqui a gente vai convidar porque eu acho que vale a pena. E é um livro que ele vale a pena ser lido antes. Então o JNER, ele tem as reviravoltas tal, mas ele não tem muitos spoilers assim. A outra volta do parafuso, quando vocês vierem para esse, para cá, já saibam que é um livro que, a depender do seu nível de inculcar com spoiler, ele, você vai perder a experiência. Então, ai meu Deus, então não veja nada, hein, não veja nada.

GIGabi Idealli

Meu Deus, isso foi para mim, gente, isso foi para mim, gente, isso foi para mim, não foi para vocês, não leve para o pessoal. Isso com certeza foi para mim, que isso tem um negócio que às vezes me acontece, é spoiler sem querer. Tá?

ADAndreia D'Oliveira

Que tipo de Deus?

GIGabi Idealli

Ah, meu Deus, que eu tô curiosíssima!

ADAndreia D'Oliveira

E boa pergunta que não quer calar, Dona Gabi Deali.

GIGabi Idealli

Temos, temos, Andréia, temos! Chegamos aqui, finalizamos, finalizamos! É isso, que felicidade!

ADAndreia D'Oliveira

Eu tô muito feliz, eu gosto tanto desse livro.

GIGabi Idealli

Muito feliz! Ah, excelente! Ela e a As irmãs, gente, olha, não tem para ninguém, não tem para ninguém, é realmente.

ADAndreia D'Oliveira

E você já leu, né? Você já leu alguma das irmãs Brontê? Você leu o livro lá do Morro dos Anjos Vivantes? Que que você tá fazendo que você não leu nenhuma Brontê ainda? Já leu?

GIGabi Idealli

Vai lá ler, gente, pelo amor de Deus.

ADAndreia D'Oliveira

Se não leu, se leu, se quer ler, se quer mais de como é que o povo escreve para nós para contar tudo isso aí, que Gente, se vocês querem mandar cartinha, escreve uma cartinha para o nosso email livrosencartaz@portalrefil.com.br.

GIGabi Idealli

A gente ama cartinha, né, André?

ADAndreia D'Oliveira

Que a gente ama.

GIGabi Idealli

Ou você pode fazer comentário no post, no nosso YouTube, no Spotify, nas nossas redes, que nós também somos para fintechs. Nós temos um Instagram, @livrosencartaz Insider. Aproveita para seguir a gente, comentar, mandar para os amigos, colocar no story. Comente, comente!

ADAndreia D'Oliveira

Para além desses, desses dois jeitos que são os mais clássicos aqui, as pessoas estão falando conosco de outras formas. Quais são essas formas? Por exemplo, a Dona Morena de Carvalho, nossa querida, comentou lá no Livros em Cartaz lá no YouTube, comentou lá no degusta, no degusta, precisava desse refresco da alma. Olha que fofo! Sim, comentou lá, um beijo para você. E também tivemos no Spotify também comentário, que foi quem comentou lá também no degusta, no último degusta, foi o Solders Rodrigues, espero que seja assim que se leia o seu nome.

Ele pegou e colocou assim: eu invejo vocês de terem conversas assim, ouvindo do lado de cá é uma delícia. Que bom, porque a gente às vezes fica assim: nossa, mas a gente falou tanta bobagem.

GIGabi Idealli

Que bom que é muito bom isso mesmo.

ADAndreia D'Oliveira

O objetivo está sendo atingido, alcançado, atingido.

GIGabi Idealli

É isso, é, venham ouvir nossas conversas, gente, porque é assim que André e eu conversamos, né, André?

ADAndreia D'Oliveira

É isso. E bom, para começar, agradecendo aos meninos do Portal Refil, ao que é o que é o que é o que, esse puxadinho que nós temos aqui, a cada semana não, semana sim, como eles dizem. Eles são semana sim, semana não, a gente é semana não, semana sim. Junto aqui com o Que É Isso Assim, agradecendo a todo mundo que ficou aí ouvindo essas duas malucas, a minha co-host favorita, não é mesmo? Você que tá aí ouvindo e que ainda não é patrão, paga lá um cascai para nós, uma água, é um cafezinho, a gente gosta. Fiquem bem todos, cuidem-se.

GIGabi Idealli

Já prepara aí a outra volta do Parapente, preparando o chazinho, é o próximo, próximo livro. Esse, esse é Não Contratem Governantas, ou contratem, enfim, não sabemos. Vejam aí. Vejam vocês.

ADAndreia D'Oliveira

É isso, um beijo para todo mundo, fiquem bem, até o próximo episódio e tchau tchau tchau tchau.

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