Episódios de Livros em Cartaz

Livros em Cartaz 103 – Degusta!

26 de agosto de 20262h11min
0:00 / 2:11:30
Chegamos a mais um Degusta com uma pergunta deveras importante: você tem manias ou as manias tem você?Andreia D’Oliveira e Gabi Idealli tentam fazer a trend do “ou isso, ou aquilo”, mas o resultado é uma sucessão de confissões sobre suas manias de leituras e um ranço genuíno da “performance da leitura”Para saber se você […]
Participantes neste episódio2
A

Andreia D'Oliveira

Host
G

Gabi Idealli

Co-host
Assuntos8
  • Livro físico vs. E-book vs. AudiolivroPreferência por livro físico·Uso de e-books para leitura teórica·Audiolivros como alternativa para quem tem pouco tempo·Adaptação a diferentes formatos de leitura·Performance da leitura nas redes sociais
  • Manias de leituraLer muitas páginas de uma vez·Ler um pouco por vez·Mania de parar em página redonda·Necessidade de terminar o capítulo
  • Anotações em livrosAnotar no livro físico·Anotar em caderno·Cadernos temáticos·Anotações no celular·Ex-libris
  • Narrativa em primeira ou terceira pessoaNarrativa em primeira pessoa e a desconfiança do leitor·Narrativa em terceira pessoa onisciente·Narrativa em terceira pessoa colada à personagem principal·O narrador como construção do autor·A historiografia como construção de narrativas
  • Sebo ou livrariaPreferência por sebos·Resistência à compra online e apoio a livrarias de bairro·Feiras de livro como alternativa de compra·O papel das editoras na publicação de livros·Aumento do preço dos livros de sebo
  • Ler de manhã ou à noitePreferência por leitura matinal·Dificuldade de leitura noturna por cansaço·Leitura como atividade em meio ao caos da vida·A importância do sono para o bem-estar
  • Café ou chá para acompanhar a leituraPreferência por café·Experiência recente com chás·O café como ritual de escrita·O chá como alternativa para quem bebe muito café
  • Ler ouvindo música ou em silêncioPreferência por silêncio para leitura·Música instrumental como ruído branco·Dificuldade de concentração com música em português
Transcrição317 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
ADAndreia D'Oliveira

Pronto?

GIGabi Idealli

Pronto. Dona Andréia, a gente sempre faz isso, você já reparou? Andréia e eu, a gente não sabe começar um degusto, gente. A gente, daqui a pouco, as duas dão aquele silêncio e daqui a pouco vem as duas juntas começando o degusto. É assim, aqui é assim.

ADAndreia D'Oliveira

Pois é, é tudo no improviso. Essa noite se improvisa.

GIGabi Idealli

Essa noite é um momento, o degusta, ele é esse momento.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, momento do improviso, momento do quê? Da pauta solta. Da pauta solta, que é um perigo essa pauta solta.

GIGabi Idealli

Porque a Andréia sempre me pergunta assim: e aí, o que que você quer falar? E aí, gente, vocês sabem que o céu é o limite. Porque nós vamos longe, nós aqui não economiza na vontade.

ADAndreia D'Oliveira

Não brincamos em serviço.

GIGabi Idealli

Não dão perdão.

ADAndreia D'Oliveira

Não dão perdão.

GIGabi Idealli

Dá dinheiro, diriam alguns. Então hoje, nós vírgula, porque a Andreia, gente, vocês não sabem, a Andreia ela é um poço de criatividade essa mulher. Quando eu acho que a gente já fez de tudo no Degusta, a Andreia me vem e me fala, tive uma ideia. Eu falo, vixe, eu já sento. Eu sei que vai vir alguma ideia boa. E desta vez, Andréia obviamente não decepcionou e me—

ADAndreia D'Oliveira

Vamos ver, vamos ver.

GIGabi Idealli

Talvez, né? Não, tá cedo para eu dizer.

ADAndreia D'Oliveira

Talvez, talvez, tá cedo, tá cedo para falar.

GIGabi Idealli

Exato. Não, não vamos, não vamos.

ADAndreia D'Oliveira

Não coloca essa pressão.

GIGabi Idealli

Não vamos chegar assim com tantas deduções, não.

ADAndreia D'Oliveira

As expectativas, não criei orquídeas, não expectativas.

GIGabi Idealli

Vamos, bola na areia, bola na areia. A Andréia me veio com uma ideia assim: e se a gente fizesse... Vocês devem ter se deparado com isso pelas redes sociais da vida, que é o UOU, que é o famoso: você prefere manhã ou noite? Você prefere praia ou prefere... Campo. É, campo, exato. Só que, porém, o nosso fatídico UOU de hoje será, é claro, em torno das nossas manias de leitura. Porque aqui nós temos mania de leitura. Então nós vamos— vocês, assim, não bastassem vocês nos ouvirem a cada 15 dias falando dessas coisas aí todas, vocês vão ter que ouvir as nossas manias de leitura.

ADAndreia D'Oliveira

É isso. Porque eu não tenho mania, as manias que me têm.

GIGabi Idealli

Exatamente, título do degusto: Eu não tenho mania, são elas que me têm.

ADAndreia D'Oliveira

É isso aí.

GIGabi Idealli

E aí fizemos uma listinha e vamos responder as nossas preferências, e claro, dando nossos detalhes ou não, tá? Também é permitido assim a pessoa guardar o que sua própria, sua própria particularidade para si, para o seu coração. Mas nós decidimos aqui trazer para vocês nossas manias de leitura. E a primeira, qual é, Andréia? Qual é a primeira mania? Que eu tô chamando de mania, mas enfim. Qual é o nosso primeiro ou ou? Qual a nossa primeira escolha?

ADAndreia D'Oliveira

Você prefere ler muitas páginas de uma vez ou ler um pouco Por vez? Então...

GIGabi Idealli

Eu sou uma pessoa peculiar. Sim. Eu vou dizer o quê? Depende. Aqui depende do que você considera muito ou pouco. Por quê? Olha a minha mania, Andréia. Não sei se eu já te contei isso. Eu tenho uma mania. Olha a minha mania. Gente, não me pergunte de onde isso surgiu. Eu não sei, sinceramente não sei. Mas é assim há muito tempo que eu sou assim. Olha que coisa estranha. O que eu faço? Eu tenho uma coisa assim, por exemplo, eu tô com um livro lá que eu tô lendo.

E quando eu sento pra ler o livro, eu gostaria, na minha cabeça, não me pergunte por quê, de parar. Quando eu parasse, olha a pessoa da mania, quando eu parasse de ler. Então, por exemplo, eu sentei agora pra ler, digamos. E aí o livro começa, depois da introdução, digamos que ele comece num número de página, sei lá, 22.

ADAndreia D'Oliveira

Tá bom.

GIGabi Idealli

Eu gosto de parar de ler numa página redonda. Então no número, sei lá, no 30, no 40. Não me pergunte por que que eu sou essa pessoa.

ADAndreia D'Oliveira

Então você vai ler até o 22, você vai ler até o 30 para parar no 30.

GIGabi Idealli

Então, por exemplo, eu fiquei— você quer me deixar irritada? É, por exemplo, eu sento lá para ler, então sei lá, por algum motivo tá na página, sei lá, 45. Se eu começo a ler e alguém me interrompe, acontece qualquer coisa e eu li, sei lá, 2 páginas, eu fico muito irritada.

ADAndreia D'Oliveira

Mas você não volta?

GIGabi Idealli

Eu tento voltar. O meu plano... Então assim, pode ser que eu leia... Se eu sentar pra ler, eu vou ler pelo menos umas 10 páginas. Acho que essa é a minha resposta, entendeu? Então vai ter dia que eu vou ler mais? Vai. Vai ter dia que eu vou estar mais, por algum motivo, mais livre, digamos. E eu vou ler mais páginas. Vou sentar e vou falar, não, hoje eu quero ler bastante. Sei lá, eu tô com a tarde livre. Então eu vou passar a minha tarde lendo.

Aí tudo bem, eu vou ler. Só Deus sabe quanto... Depende da obra, depende do quanto eu tô mergulhada na obra, sei lá. Mas a minha regra é clara. Eu preciso, não me pergunte, não sei por que que eu tenho isso, mas eu tenho isso com tudo. É claro que não se aplica... Eu tô falando da literatura, tô falando de livro, né? Sei lá, se eu tô estudando pra faculdade, claro. Totalmente diferente. É, tô falando de um livro. Que eu peguei para ler, ou que é do próprio programa, uma narrativa, é isso, exato.

Então eu tenho, é isso, tem que ver, depende. E aí depende, eu prefiro ler muitas páginas de uma vez, na maior parte das vezes. Se eu fosse escolher, eu não gosto de parar, é muito louco isso assim, eu não gosto de ser interrompida, não gosto de parar, não gosto, sinceramente. Então se eu tô No transporte público eu tô lendo, eu fico irritada quando eu chego. E se eu tô, sei lá, num lugar, né, com muita gente, ou que eu tô só aguardando pra ser atendida ou pra atender, tô num momento assim, eu também não gosto de ser interrompida.

Então, a minha... Se eu fosse responder um dos dois, eu diria ler muitas páginas de uma vez. Mas não também, não é que eu quero ler o livro inteiro numa sentada, né? Mas é mais um desejo de não parar propriamente. Do que algo metódico do tipo, não, eu quero ler muito, quero ler tudo o livro de uma vez. Não, é mais porque eu detesto ser interrompida e eu tenho essa mania, minha mania do número redondo.

ADAndreia D'Oliveira

Eu, no meu caso, assim, eu normalmente, eu às vezes não dá, mas eu normalmente quando eu pego para ler Eu gosto de ler um pouco por vez. Eu sou essa pessoa do devagar e sempre, todo dia um pouquinho, mesmo porque é proletário, né? Então é isso, proletário, ele vai ler no metrô, no ônibus, enfim. Então a pessoa faz esses trajetos lendo. O que eu tento É sempre terminar um capítulo. Isso é uma mania, tipo, a não ser quando os livros têm capítulos muito longos, aí tudo bem.

GIGabi Idealli

Tem alguns que têm capítulos imensos.

ADAndreia D'Oliveira

Agora, eu sempre tento começar na próxima vez, já tá começado para o próximo capítulo, então eu já sei o que ficou ali para trás. Isso sim, e é uma boa ideia. Eu gosto muito de ficção curta, né? Então, quando, quando, e porque a gente tem uma necessidade, eu não sei você, eu tenho uma necessidade de terminar o livro.

GIGabi Idealli

Isso, nossa, eu tenho muito também, tenho muita necessidade de terminar o livro.

ADAndreia D'Oliveira

E aí, se o livro é muito grande, tipo quando eu li Anna Karenina, Foi um suplício porque eu fiquei muito tempo lendo e eu não podia carregar porque ele é gigante. Eu tinha que ler só em casa quando eu conseguia chegar no horário que tinha. Enfim, eu não— e aí vai ter essa pergunta mais para frente. Eu sofri muito para ler o Anna Karenina. Então eu lia muito aos fins de semana que eu conseguia ler muitas, mas Parece que eu não absorvia, parece que— sabe o que me lembra quando eu preciso ler muitas páginas assim? Me dá a sensação da maratona das séries.

GIGabi Idealli

Tem série que tem essa densidade que te exaure assim.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu acho que tem série que ela é feita para você maratonar. Mas tem série, por exemplo, Ruptura. Não é uma série que é feita para você maratonar, é uma série que é para você assistir um episódio e ficar com esse episódio a semana inteira na sua cabeça até você ver o próximo.

GIGabi Idealli

E tipo Pluribus, você assistiu Pluribus?

ADAndreia D'Oliveira

Ainda não, ainda não.

GIGabi Idealli

Eu acho que é um pouco assim também.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu acho que assim, eu acho que tem algumas leituras que se você lê de forma, ai, vou ler tudo, vou ler tudo de uma vez, você acaba passando coisas. Sim. Então o Anna Karenina foi um assim que eu amei ter lido, mas que eu sofri muito na leitura. Porque eu só conseguia ler em casa quando eu tinha tempo em casa, que era o fim de semana. E aí eu tinha que ler muito e aquilo me deixava exausta, porque é muita coisa que acontece, enfim.

E é super denso e é Tolstói, enfim, tem todas as questões e os nomes, tudo que a gente já falou dos russos. Então Para mim é complicado. E aí, o que, o que que eu faço quando eu tenho esse tipo de coisa assim? Eu vou ler os contos, que aí me ajuda a ter essa sensação de finalizei uma coisa, entende? Então tem isso, né? Mas eu sou a pessoa que gosto de ler aos poucos, que essa sensação que também que é a mesma sensação do das séries.

Eu acho que essa coisa de, de novo, eu acho que vai ter livro que sim, você vai querer ler e não vai conseguir parar e tudo mais. Mas aí é mais sobre, isso fala mais a respeito da narrativa, da forma como ela foi construída, do que de fato do meu gosto. Mas se eu puder, eu prefiro ir construindo a minha história na minha cabeça Entendi. E tentando pegar todas as nuances.

GIGabi Idealli

Mas assim, mas é devagar, mas é no sentido de quando você lê, você tenta ler por capítulo.

ADAndreia D'Oliveira

Eu tento ler por capítulo, é, é isso.

GIGabi Idealli

É devagar no sentido de é gradual, não necessariamente que você, sei lá, você não— o que eu quero dizer, devagar não é que você quer dizer que você vai ler uma página por dia.

ADAndreia D'Oliveira

Não, não, não, não, não, não.

GIGabi Idealli

É devagar no sentido de que a história seja deglutida por você.

ADAndreia D'Oliveira

Eu não gosto de ter uma meta, porque, por exemplo, teve uma época que eu tava tão maluca que eu tava colocando meta de leitura para mim. Ah, eu vou ler por, sei lá, por semana. Na época da faculdade de letras, né, você fica meio maluca. Ah, vou ler por semana 300 páginas, senão não dava tempo de ler as coisas que eu precisava ler. E aí chegava um momento que eu já não tava mais assim, porque eu não só li, eu não lia só, porque tem isso, né?

Porque eu fiz a faculdade de letras trabalhando, né? Eu não parei para fazer a faculdade, né? Assim, eu não era uma pessoa jovem ao ponto de entrar na faculdade e, né, e não estar trabalhando. Eu estava trabalhando enquanto eu fazia faculdade. Então foi muito exaustivo. Eu acho que isso me deu um trauminha assim, essa coisa da meta da leitura, porque parece que que você tá se identificando ou fazendo uma graça, a sua experiência assim, ela vai para o ralo, porque vai, sabe?

GIGabi Idealli

É só assim, ah, é porque você se concentra, exato, você se concentra tanto em atingir. Eu também tive uma fase, faz muito tempo, mas eu também tive uma fase assim e eu também não gosto. É muito engraçado assim, eu também não gosto, também não. Mas eu, por exemplo, Essa minha vontade de não parar de ler vem de uma vontade... Porque o que acontece comigo é que eu demoro... Como dizer isso? Eu acho que eu demoro pra me ambientar na história.

Então, supõe, eu li, comecei a ler um livro hoje. Aí eu tive uma semana inteira muito caótica de trabalho. Quase não acontece, sabe? Porque em geral é muito tranquilo, eu consigo ficar bem tranquila. Mas vamos supor hipoteticamente que eu tenho uma semana muito caótica e só na semana que vem eu sento de novo para pegar o livro. E aí o que acontece é que eu demoro para me reambientar na história. É muito estranho isso, mas eu tenho isso assim.

Eu preciso de um tempo parada, sentada com aquele livro para eu me mergulhar naquilo assim de volta. Então eu acho que eu tenho esse delay assim. Eu começo eu vou ler, eu vou entrando, eu vou, e chega uma hora que eu tô tão entorpecida, tô tão dentro da história, às vezes da cabeça da personagem, dependendo do que você tá lendo, que eu gosto muito dessa sensação. E demora às vezes para ela me acontecer assim. Não é nem que eu não tô, sei lá, não tô entendendo a história, não é isso, mas eu não mergulho, demora um pouco Ah, mas isso eu acho que também tem a ver com atenção, né?

ADAndreia D'Oliveira

Acho que a gente tá cada vez com, assim, estão disputando a nossa atenção o tempo inteiro. Então eu acho que também tem isso.

GIGabi Idealli

Acho que sim, né? Acho que sim. Eu tenho muito, então assim, quando eu entro, eu, quando eu de fato fico muito envolvida, eu não quero Eu quero demorar um tempo ali, não é que eu não queira parar, mas eu quero um pouco ficar ali dentro daquela história, mergulhada naquele mundaréu de, às vezes, né, de dinâmicas e de questões que estão dentro da narrativa, da história e tudo mais. Então, talvez venha um pouco daí, assim. Aí eu preciso de um pouco mais de...

De espaço, digamos assim, né, de páginas, de... Não sei explicar, mas talvez eu precise de mais contato. Tanto que me incomoda muito, me incomoda muito ficar sendo... Porque acontece. Então, hoje em dia eu já sei como é meu dia a dia. Então eu sei que dependendo dos lugares que eu decidi ler, eu vou ficar sendo o tempo inteiro interrompida. E aí eu não consigo, entendeu?

ADAndreia D'Oliveira

Aí nem começa, né?

GIGabi Idealli

Aí eu não começo, exatamente. Então eu prefiro ter uma hora inteira com o livro, digamos assim. 1, 2 horas seguidas com o livro, ainda que seja mais espaçado, do que ficar picotando, picotando, picotando. Porque eu não consigo, não sei, eu não mergulho totalmente, né, na história, enfim.

ADAndreia D'Oliveira

Eu desligo. E aí, por exemplo, passar a estação de metrô.

GIGabi Idealli

É, eu sou assim também.

ADAndreia D'Oliveira

É a pessoa voltando da faculdade. Eu sei dessa história, você tá acostumada. E aí você olha, eu lembro dessa história. Onde eu tô?

GIGabi Idealli

Cadê minha casa?

ADAndreia D'Oliveira

O ônibus parou, chegamos na garagem do ônibus, né? Ponto final. Aí eu pulei e você lá. Você vai voltar? Não. Eu, vai ter ônibus para voltar? Eu, não. Eu, moço, eu perdi o ponto. Aí ele, você tava dormindo? Eu falei, não, eu tava lendo. Ele, não acredito, eu não acredito. Eu falei, moço, esta é a Andréia, eu tava lendo. Aí ele, onde você mora? Aí eu expliquei para ele. Ele, ah, é perto da garagem, eu vou ter que voltar para lá.

Então você só me deixa passar um rodo aqui e aí eu te levo, que eu vou lá e te deixo, cara.

GIGabi Idealli

E aí você ainda leu um pouquinho mais.

ADAndreia D'Oliveira

É isso, entendeu? Ele, não, você tem que me passar o nome desse livro, porque todo— eu já vi gente brigar e passar do ponto. Eu já vi gente dormir e passar do ponto, e passar do ponto, gente que tava chorando, passar do ponto. Agora vendo é a primeira vez.

GIGabi Idealli

Para tudo tem uma primeira vez.

ADAndreia D'Oliveira

Você pode, vai poder contar isso para todo mundo. É muito engraçado. Enfim, é isso. Pois bem, então vamos ao próximo.

GIGabi Idealli

Andréia, você é o tipo de pessoa que anota no livro ou que anota em um caderno? Assim, anota em um caderno o que você tá lendo no livro.

ADAndreia D'Oliveira

Que eu tô lendo no livro. Puts, então a gente já falou disso algumas vezes, né? Eu faço os dois.

GIGabi Idealli

Eu também faço os dois.

ADAndreia D'Oliveira

Eu faço os dois. Eu anoto no livro porque aí eu vou riscar, eu vou conversar com o livro e eu vou escrever coisa nas margens do livro. Sim, gente, eu vou Eu vou quebrar a lombada, os meus livros não vão ficar aquela coisa bonita na estante. Eu já sei disso. Então assim, ai, Andréia, mas eu falei assim, então o livro, ele, ele tem que ter esse aspecto de que ele foi lido, né? Para mim, o livro com aspecto bonitinho, com lombadinha, isso para mim é um livro que ele não foi usado.

Então sim, Eu sou a pessoa que risca, que quebra lombada, que sou essa pessoa com os meus livros. Veja bem, né, porque tem isso também. Não é com os livros dos outros, né, com os meus. É o meu, eu faço o que eu quiser. É meu, eu faço o que eu quiser. Mas eu tenho até, como eu gosto muito gosto muito de escrever e eu gosto muito de cadernos e eu gosto muito de ter algumas anotações muito fáceis à mão. Então nem sempre você tá, você tá com o livro ali ou você emprestou, ele tá num outro cômodo, sei lá.

Eu tenho muitos cadernos com anotações e com citações, por exemplo, muitas citações Às vezes desenhos que me veio à cabeça lendo. Acho que Gabi já viu alguns livros meus, alguns cadernos meus assim, né? Então tem desenho, tem escrito, tem colagem, tem um monte de coisa. E aí eu gosto, é um momento de eu pensar nessa história, de eu— normalmente isso acontece ao final do livro, Quando eu terminei de ler, eu vou voltar para essa história e eu vou voltar nos locais que eu marquei para fazer essas anotações e o que eu achar que seja pertinente ali. Enfim, é isso. Acho que eu—

GIGabi Idealli

a citação também você faz ao fim? Você pega ao fim?

ADAndreia D'Oliveira

Também, também. Eu pego tudo porque no momento que eu tô ali com o livro é o livro. Então, porque eu não tenho— é que também depende, né? Por exemplo, se for algo na época da faculdade, o que que eu fazia Mas aí, de novo, é porque eu tinha que dar uma, eu tinha que dar uma solução rápida para o que eu fazia. Já falei, eu estudava e trabalhava, então eu tinha que ter soluções rápidas. Então o que eu fazia? O que eu achava pertinente que eu tinha grifado, eu já pegava o celular e já tinha, já fazia o como é que fala, o ditado.

E aí ele preenchia ali para mim. Então eu, e aí, porque é possivelmente isso ia virar uma citação depois em algum trabalho. Mas aí assim, é uma, é uma coisa mais funcional, né? Eu preciso daquilo ali e tal.

GIGabi Idealli

Existe o mundo ideal e existe o que dá para fazer ali na hora.

ADAndreia D'Oliveira

Então no caso da faculdade, no caso da graduação, que é muita coisa, é muito muito texto, é muito, enfim, as pessoas falam, né, da pós e tal, mas eu acho que a pós você consegue meio que organizar todas essas leituras no sentido de eu vou, eu estou, como é que eu estou me direcionando a ler essas coisas. Na graduação é tudo meio aleatório, você não vai guardar tudo ao mesmo tempo que você tá tendo filologia, você tá tendo, você tá tendo 5 matérias ao mesmo tempo.

Então, e no meu caso, todas as matérias tinham TCCs, né, tinham trabalhos. Eu tinha que fazer trabalho de 10 páginas todos. Então eu tinha que agilizar de alguma forma. Então nesses casos eu acabei agilizando desse jeito: eu lia muito. Então quando eu sentava para escrever o texto para entregar, eu já tava com, já tava munida de muita teoria E essas teorias já estavam meio que organizadas em um bloco de notas ali que eu podia arrastar citações e tal.

Então isso facilitou muito a minha vida no período da graduação. Agora, quando é uma leitura para mim, ou quando é uma leitura aqui para o podcast, que também é de algum modo é para mim, é para eu ver a experiência, né? Não só por mais que a gente faça um estudo aqui, por mais que a gente vai pegar a parte de contexto histórico e contexto literário e tudo mais. Num primeiro momento, a leitura, ela é um, ela é uma experiência. Então, e aí eu também faço o que eu faço com as, com os livros que eu leio por— eu vou falar uma coisa e as pessoas vão achar ruim isso— que eu leio por entretenimento, né?

GIGabi Idealli

Para o meu prazer. Então eu faço, você, eu entendi, você não lê para um curso específico, para uma formação muito muito específica, né?

ADAndreia D'Oliveira

É isso, é isso. Eu acho que eu lido assim com as coisas. Então, se fosse para responder, são os dois. Não consigo fazer um ou outro. Acho que são os dois.

GIGabi Idealli

Eu também. A minha resposta seria ambos, porque eu também— é uma resposta muito parecida com a sua, porque eu depende do contexto que eu tô lendo o livro Mas em todos eles eu separo citações. Então primeiro eu tento deixar, depende do que eu tô na mão, porque depende da situação que eu tô lendo. Às vezes eu tô lendo, sei lá, é o que eu te disse, às vezes eu tô esperando algum, eu tô numa sala de espera, trabalho como médica, então às vezes eu tô esperando um atendimento começar, eu tô lendo, não tô com nenhuma caneta na mão, não tô com um lápis na mão, caneta não, mas lápis, né?

Eu não tô com nada que eu possa anotar, então às vezes eu dobro uma folha e logo em seguida, quando eu tenho tempo, eu anoto. Às vezes eu tô sentado e tô com uma caneta, com um lápis, então eu deixo separado a anotação ou eu circulo a página e aponto a anotação. Às vezes eu deixo anotado à mão mesmo um trecho ou faço um, coloco uma palavra que me lembra alguma coisa e depois eu transfiro isso ou para um caderno. Então, por exemplo, eu tenho um caderno em que eu anoto o que eu leio, eu sou essa pessoa.

Então, ah, li tal livro, eu vou lá e coloco no meu caderninho, li tal livro de tal autor no ano tal, ou no ano, eu costumo deixar ano e mês anotado. Para quê? Não sei, gente, mas eu gosto. Então eu tenho um lugarzinho que eu coloco as coisinhas que eu li, eu tenho uma nota no meu celular que às vezes eu não tô com tempo de anotar no caderno, e eu sei que eu vou demorar para conseguir ter tempo de sentar com calma e transferir para um caderno o que eu preciso, o que eu gostaria às vezes, porque são situações que não necessariamente têm um porquê de existirem para mim.

Às vezes eu simplesmente gostei, às vezes a situação tem a ver com outra coisa que eu já li, às vezes tem a ver com simplesmente ser importante para a história. E eu gosto de deixar anotado. Então, às vezes eu não tô com tempo e eu coloco no meu celular. Por exemplo, eu tenho o meu bloco de notas do celular, é gigantesco, porque eu sento e deixo anotado, anoto a página, o livro e tal, e deixo anotado. E aí depois, às vezes muito tempo depois, eu passo para um caderno.

Idealmente, eu gostaria de estar sempre com um caderno. E eu tenho diversos cadernos. E aí, vira uma... Uma bagunça. Vira, às vezes vira. Às vezes vira. Porque às vezes eu não tô com o caderno. Acontece bastante. Às vezes eu troco de bolsa, eu troco de mochila. Aí eu deixo um caderno, mas tô com outro. Aí eu anoto em outro, depois eu quero transferir pro que eu já tava anotando antes. Então é um mix, é uma loucura.

ADAndreia D'Oliveira

É, no meu caso, eu, como eu finjo que desenho, então o que que eu faço? Eu sempre tenho na bolsa lápis de cor. Parece uma criança, né?

GIGabi Idealli

Lápis de cor, tem um estojo também.

ADAndreia D'Oliveira

Eu sempre tenho lápis de cor, mas eu coloco, tem umas pastas, eu não sei se todo mundo já viu, Tem umas pastas, essas pastas de A4, que elas têm um zíper na parte de cima. E então o que eu faço? Eu dobro ela e aí eu coloco de um lado, eu coloco o meu estojinho de lápis de cor e do outro lado eu coloco as folhas que eu vou usar para desenhar e o caderno. Então assim, ele já vai ali fechadinho. Então onde eu vou, como eu sou uma pessoa muito esquecida, eu deixo as coisas muito organizadas para eu não esquecer, mesmo que eu trocar de bolsa.

Então, por exemplo, eu tenho ali, eu tenho uma nécessairezinha só com coisas de carregador de celular, power bank, cabo que eu vou precisar. Essas coisas eu já deixo em um. Aí eu tenho essa, aí eu tenho a minha nécessaire mesmo. Então elas ficam todas ali. Quando eu vou trocar de bolsa, eu só troco essas coisas porque eu sou esquecida. Então facilita minha vida, eu tenho que facilitar, saio cedo, volto tarde, aquela coisa toda.

Então eu acabo fazendo assim e ajuda muito. Então você tá sempre com um caderninho. E no caso do meu problema é sempre lápis e lapiseiras, né? Porque a pessoa gosta de um item de papelaria, que é uma beleza.

GIGabi Idealli

Pois é.

ADAndreia D'Oliveira

Então isso rola às vezes de, ai, não tenho nada. Tem, tá lá, mas você quer ir na porcaria da Calunga Ou nas papelarias, né, por aí. E aí comprar coisa de papelaria.

GIGabi Idealli

É, eu tenho, eu tenho, por exemplo, eu tenho 2 estojos e um deles está sempre comigo. É isso, impreterivelmente um dos meus estojos, dos meus 2 estojos, está comigo. E assim, prefiro morrer a perder meu estojo, gente, porque para mim é muito precioso. Realmente eu gosto muito das coisinhas que eu tenho dentro dos meus estojos. E aí é isso, eu tenho... Eu costumo ter 2 cadernos também. Mas às vezes, dependendo da bolsa que eu tô, eu levo um caderno desses menores.

Então, dependendo da situação, eu deixo anotado no menor. Porque por algum motivo eu troquei de bolsa, deixei o caderno na mesa. Sabe essas situações? Então, eu acabo... É isso, eu acabo anotando... Existem 2 ou 3 lugares que em algum deles estarão as anotações. Mas também anoto no livro, gosto de colocar no livro meu nome.

ADAndreia D'Oliveira

Ah, você tem o ex-libris, né?

GIGabi Idealli

Eu tenho o ex-libris e quando eu não uso o ex-libris, eu anoto simplesmente, pego uma caneta e coloco meu nome, mês e ano que eu li ou qualquer coisa assim. Então... Eu gosto, eu gosto de deixar, gosto de reencontrar as anotações depois. Acho uma experiência muito gostosa.

ADAndreia D'Oliveira

É muito bom mesmo.

GIGabi Idealli

É, e gosto de, eu gosto igual você, gosto do livro com cara de livro que foi usado, que foi lido, que foi manuseado, que você dialoga com aquele livro. Eu gosto muito. Então para mim também os dois, eu anoto no livro, anoto em caderno, anoto no celular, eu anoto Aonde eu conseguir, eu vou fazer alguma coisa.

ADAndreia D'Oliveira

Fora que eu ainda tenho livros, tenho cadernos temáticos, né?

GIGabi Idealli

Então é, eu também gosto de cadernos temáticos. Também, também tenho cadernos temáticos.

ADAndreia D'Oliveira

Eu tenho um caderno aqui que é só de gótico assim.

GIGabi Idealli

Então, ai, que legal!

ADAndreia D'Oliveira

Então tem vários desenhos. Eu acho que eu já te mostrei ele. Já, já lembro. Desenhos do Edgar Allan Poe, tem Isso.

GIGabi Idealli

Então, é, eu tenho, eu tenho de cinema assim, eu gosto de anotar coisas que eu faço, pequenas empresas, meio que não leva em lugar nenhum assim.

ADAndreia D'Oliveira

É quase um diário mesmo, né?

GIGabi Idealli

É como se fosse um diário.

ADAndreia D'Oliveira

Diário eu tenho também, mas é aí é separado.

GIGabi Idealli

Isso, eu também tenho diário diário, eu também.

ADAndreia D'Oliveira

Só que o diário, normalmente os meus diários eles são menores e eu com o tempo eu me desfaço. Faço dos diários.

GIGabi Idealli

Eu também. É que engraçado, eu tenho isso, sabia?

ADAndreia D'Oliveira

Porque eu tenho muito receio de muita coisa. Então, e olha, gente, não é que somos pessoas, mas é porque às vezes tem coisas que acontecem com a gente que não é todo mundo que precisa saber. E não é que você fez algo de errado, é às vezes de pessoas, às vezes de pessoas que fizeram com você E você não quer que as outras, que outras pessoas saibam, talvez por ser muito grave, talvez por expor. É, tem um monte de coisa, a gente tem que pensar nisso.

GIGabi Idealli

Eu tenho uma sensação de muito, eu não sei explicar, mas para mim me dá uma sensação de tão íntimo que eu mesma fico, se eu raramente pego para reler, porque eu sei que vai me dar uma sensação ruim, né? Uma sensação esquisita, exato. Parece que eu tô sendo muito estranho, eu não sei explicar, mas Me dá uma impressão de invasão, de... Não sei explicar, mas... E aí, quem me convenceu a parar de jogar tudo sistematicamente fora foi a Ana.

A Ana falou, não, deixa guardado. Não precisa ler se você não quiser, mas deixa, porque daqui sabe-se Deus quantos anos...

ADAndreia D'Oliveira

Não, eu tenho muito, muito receio. Aí eu desfaço, né?

GIGabi Idealli

É, eu tenho muito recentemente, mas mesmo bem recente mesmo...

ADAndreia D'Oliveira

Deixado.

GIGabi Idealli

Eu guardo alguma... É, assim, não pego pra olhar, que não me faz... Não sei explicar, não gosto, mas fica lá assim, fica lá um pouco. E eu acho que eu me tornei mais factual nos meus diários, é muito engraçado. Eles são mais pra eu me lembrar de algumas coisas que eu fiz, que eu senti, que eu vi, que eu estive. Muito mais pra isso do que propriamente... Claro, acaba sendo sempre confessional, porque é um diário. Mas é mais, eu acho que de uns anos para cá ele tem se tornado mais factual assim.

Ah, encontrei com a Andréia, almoçamos em tal lugar, relembramos tal e tal coisa. Essas coisas mais sensíveis assim.

ADAndreia D'Oliveira

É, não, no meu caso normalmente é sobre processos, é sempre sobre processos assim, ou de impressões ou E eu acho que é por isso o temor assim, porque sim, claro, claro, principalmente quando você tá falando de impressões. E porque às vezes a impressão não é aquela, coisa vai mudar.

GIGabi Idealli

Enfim, então para mim acontecia exatamente, então às vezes eu mudava a minha impressão, eu revisitava uma coisa que anos depois aquilo não me batia mais do mesmo, da mesma maneira. Engraçado, é interessante, é um processo que apesar de eu me desfazer, eu acho muito interessante, porque você vai vendo o passar do tempo em você mesma. Enfim, anotações, gente, acho muito legal. É legal, mesmo sabendo que eu acho que talvez venha até de mim, porque eu gosto de de pensar, de pensar que isso vai existir assim.

Muito doido isso, né? Muito ser humano isso. Mas de pensar, poxa, né? Assim, querendo ou não, é um documento. Muito estranho isso.

ADAndreia D'Oliveira

Então é exatamente por isso que eu me desfaço, porque eu não quero.

GIGabi Idealli

Eu não quero isso.

ADAndreia D'Oliveira

Não quero. Aí as pessoas podem dizer, ué, então por que que faz? Porque existe umas, como é que eu vou dizer, existe uma necessidade de colocar as coisas para fora às vezes que não necessariamente é para outra pessoa.

GIGabi Idealli

Ah, sim, exatamente. É um processo, uma maneira de processar os sentimentos, as impressões.

ADAndreia D'Oliveira

Eu só consigo pensar bem quando eu eu escrevo. Eu tenho essa pensar bem no sentido de organizar. Eu acho que eu tenho isso da escrita.

GIGabi Idealli

Eu tenho também. Então eu tenho também, acho que é isso no final. E eu acho que dá uma seriedade quando a gente escreve, que é um compromisso que você assume com aquilo. É muito diferente para mim, é muito diferente de pensar, muito esquisito, porque Pensar pra mim é muito mais abstrato no sentido de aberto, de é uma flu— está fluindo e eu estou aqui considerando. Ao passo que quando eu coloco na escrita, é quase como se eu sedimentasse aquilo e ficasse muito grave, sabe assim? Do tipo, meu Deus, eu estou realmente querendo, querendo, pensando isso mesmo?

ADAndreia D'Oliveira

Então... Então, você sabe que a sua amiga é come palhacitos de manhã, né? Então às vezes acontece de eu pegar, eu tá lendo uma coisa super séria assim e tem uma piada ali no meio. Eu falo, gente, e essa pessoa? Tipo, como pode, né? Como pode? Tem isso assim, é muito, é muito curioso como é legal, é ótimo.

GIGabi Idealli

Acho muito interessante, acho um exercício muito Pra mim é muito bom, eu gosto, né? Engraçado que era pra gente falar de leitura e no fim a gente tá falando de escrita, mas... De escrita, é, sempre.

ADAndreia D'Oliveira

Tem muito jeito.

GIGabi Idealli

É sobre, é sobre.

ADAndreia D'Oliveira

O próximo tema: ler apenas um livro por vez ou ler muitos livros, múltiplos livros?

GIGabi Idealli

Leio um livro por vez. Eu acho que eu tenho um pouco, ainda mais depois de mais velha, eu, é a vida, a gente tem pouco tempo e eu Eu fico, eu tenho uma, de novo, é uma mania talvez, porque eu quero muito terminar o que eu começo. Eu tenho essa vontade de, eu comecei um livro, muito raramente eu sou a pessoa, a não ser que eu não goste mesmo, enfim. Mas eu tendo a falar, não, eu vou começar e vou terminar um livro. Então eu tenho dificuldade, porque eu já fui a pessoa de ler múltiplos livros.

Só que o que acontecia? Eu começava às vezes vários livros e eu acabava, é, ou acabava só um ou não acabava nenhum, ou uma hora nada deles, nenhum deles fazia mais sentido para mim, então eu não continuava. Então hoje em dia eu sou uma pessoa que prefere, de novo, eu sou bem monogâmica porque eu prefiro começar e gosto de falar, não, eu vou. Ainda mais que eu tenho pouco tempo, eu gosto de aproveitar esse tempo que eu tenho. Então eu falo assim, não, eu vou ler, sei lá, tal livro.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu pego, eu começo, vou me dedicar, e eu termino.

GIGabi Idealli

É claro, na medida do tempo que você consegue. Mas assim, eu prefiro. E aqui, repito, tô trazendo o que eu leio por, como disse bem a Andréia, entretenimento. Que não é essa palavra exata, mas por prazer. Livros que eu abro, isso, livros que eu abro sem compromisso, sem compromissos externos, por mais prazerosos que eles sejam, também são prazerosos. Mas, por exemplo, livros de estudo, muitas vezes a gente acaba tendo que ler um ou dois capítulos de um livro porque precisa.

Então, às vezes, só muito tempo depois você retorna naquele livro e lê com a calma que você gostaria. Mas literatura mesmo, hoje em dia, até para eu ler bem, eu acho que eu preciso ler um por vez. Então eu hoje em dia eu sou a pessoa do um livro por vez.

ADAndreia D'Oliveira

Eu não, eu—

GIGabi Idealli

é, você é das múltiplos livros?

ADAndreia D'Oliveira

Então não dos múltiplos, eu estou sempre lendo livros de contos. Eu acho que eu já falei aqui que eu sou a moça dos contos. Por mais que a gente aqui fale muito dos romances e tudo mais, a minha ficção favorita são os contos. E assim, eu acho que eu tenho essa necessidade do finalizar, eu preciso. Então para mim foi uma, foi uma questão muito grande quando eu larguei o meu primeiro livro. Hoje eu largo facilmente, assim, não tenho muita coisa agora, mas eu tinha essa coisa do tipo, e aí eu ia procrastinando aquela leitura porque eu não queria terminar, e aí eu não podia pegar outra para ler e não sei o quê e tal.

Então eu percebi que eu tinha essa necessidade do finalizar a leitura, era muito para mim, eu precisava. E o conto te dá isso, né? O conto te dá essa Como já diria o Paul, essa história de uma assentada que você vai lá e lê e termina aquilo ali. E a narrativa do conto, a teoria do conto, tudo no conto me chama atenção, eu gosto. Então o que eu normalmente faço, se eu estou lendo um romance, possivelmente na semana eu vou ter lido uns 2 ou 3 contos.

Junto. Então não é, mas de novo, eu não vou engatar com romance junto, né? 2 romances, 3 romances, isso para mim eu acho, não é que eu acho, acho que daria conta e tal se fossem coisas muito distintas, sei lá, um romance, o outro uma ficção científica e tal. Acho que, e não é porque, ah, vai confundir, não, não é nem isso, é porque teriam que ser coisas muito distintas para eu conseguir, para eu chegar a pegar 2 assim. Mas de novo, eu ia ter essa necessidade de terminar, e aí ia ser um inferno na minha vida essa coisa do, ai, aí eu tô aqui, aí ia ficar nessa coisa, ia ter que, ah, porque eu fiz essa aqui, aí, ah, mas eu quero voltar para ler o primeiro, mas o segundo tá atrasado, né, eu vou ter que ler o outro, aí eu vou ler, vou lá voltar.

Então eu acho que tem essas coisas que o conto me serve bem. E de novo, como é um gênero que eu gosto muito, então me ajuda a suprir essa necessidade de término e de outras histórias, né? Às vezes o livro não tá tão legal, ou às vezes você não tá querendo ler aquilo exatamente, porque tem isso também. Às vezes a gente tá lendo um livro, por mais que a gente goste e tal, a gente tá lendo, fala assim, putz, mas eu preciso pegar o livro para ler, tá?

Mas eu quero ler isso aqui agora. Ah não, queria dar uma passeada em uma outra coisa. Aí vai lá nos contos e faz isso. Então eu tenho muitos livros de contos aqui. Então eu, alguns eu releio, outros eu leio pela primeira vez. Enfim, aqueles livros da Companhia das Letras, que são aquelas coletâneas, eu acho que eu tenho quase todos aqui, que eu gosto muito, deixo aqui.

GIGabi Idealli

É, gostei, Andréia, gostei. Eu acho sempre bom. Eu faço isso que você faz, mas com filme, sabia? Eu tenho isso com— eu preciso ter um ponto, digamos, de base, que eu acho que você tem isso com seus contos, né? Eu tenho isso com um pouco com os meus filmes assim, enfim.

ADAndreia D'Oliveira

Mas o filme você consegue fazer como se fosse uma série, né? Você consegue assisti-lo em—

GIGabi Idealli

consigo, eu consigo.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu tenho, de novo, eu tenho essa necessidade de terminar. E aí não é só necessidade de terminar. Se é um filme, ah, sei lá, pode ser o filme, pode ser O Poderoso Chefão. Eu comecei a assistir hoje, não consegui assistir todo, vou assistir amanhã. Amanhã eu vou começar começar, não vou começar de onde eu parei, eu vou começar de novo.

GIGabi Idealli

Você vai começar, entendeu?

ADAndreia D'Oliveira

Então o filme também, para mim, ele é muito problemático. Eu ainda não fiz isso. Aí o pessoal fala, ah, mas é porque você tem tempo. Não é, porque tempo é uma coisa que eu não tenho.

GIGabi Idealli

Se tem algo que nós não temos ultimamente.

ADAndreia D'Oliveira

Mas porque eu acho que no caso do filme é a coisa da experiência também, né? Que tem essa coisa de você cortar ali no meio. Sim, mas é isso.

GIGabi Idealli

Próximo tema, Andréia. O nosso próximo tema é: você prefere livro físico, e-book ou audiolivro? Ai, meu Deus, essa é difícil.

ADAndreia D'Oliveira

Pode ser depende?

GIGabi Idealli

Pode, porque o meu também— só pode porque o meu também é a mesma resposta.

ADAndreia D'Oliveira

Depende. Eu acho que o e-book, eu vou começar pelo e-book, eu acho que, que acontece, o e-book, a coisa da literatura em si, da narrativa, eu consigo ir bem no e-book. Vou ter algumas, porque eu ainda consigo selecionar, consigo fazer algumas anotações e tudo mais. Quando é um livro teórico, não consigo. Tem que ser o livro físico, é, tem que ser o livro físico, não dá para ser livro teórico. A Andréia, mas o livro só tem para imprimir.

Eu vou imprimir, não existe, não tenha dúvida, não existe a possibilidade de eu estudar com o livro, com o livro digital. Essa possibilidade ela não existe, porque eu vou riscar, eu vou, eu preciso dessa materialidade. Preciso. O audiolivro depende do narrador e depende também.

GIGabi Idealli

E aí sim, concordo que depende do narrador. Eu acho que são experiências diferentes.

ADAndreia D'Oliveira

Então, por exemplo, a gente falou aqui do Mauro Ramos, que ambas tivemos experiências com o narrador que era o Mauro Ramos, que é o dublador do— para quem não sabe quem é, é o dublador do Pumba, do Shrek.

GIGabi Idealli

O que que a gente leu com ele mesmo?

ADAndreia D'Oliveira

Eu li O Senhor dos Anéis e você leu O Poderoso Chefão.

GIGabi Idealli

Isso, O Poderoso Chefão. Nossa, foi excelente com ele, inclusive.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que o audiolivro ele tem essa particularidade da pessoa que tá fazendo a narração, com certeza, com certeza. Mas que tem uma coisa que me incomoda: o audiolivro, eu necessariamente preciso ter esse livro em ou digital ou físico em mãos. Por quê? Porque eu vou sempre— falou alguma coisa, eu vou anotar, e depois eu vou ter que olhar lá no livro, riscar, fazer. Então o audiolivro, por mais, por mais legal que ele seja, e ele te dá uma outra, né, você tá estimulando uma outra coisa, mas ainda assim, para mim ainda é difícil audiolivro porque eu ainda tenho essa necessidade de escrever, de anotar, de saber onde estão as coisas, né, de saber o que que me chamou atenção.

Então isso ainda é um— eu não sei ainda como resolver isso com o audiolivro, mesmo porque eu ouvi poucos, não ouvi muitos, né. Porque se o audiolivro começa a me incomodar muito, eu largo. Tipo Drácula. Que eu fui ouvir e eu larguei. Eu falei, não, não, eu vou ler eu mesma, vou correr aqui para ler porque não vai rolar, né? Não vai ter jeito assim. Então foram poucas as vezes que eu acabei ouvindo. Mas eu acho que é isso assim, acho que depende, depende do que você precisa.

No caso do e-book eu tô familiarizada um pouco mais. De novo, eu vou acabar escrevendo todas aquelas coisas no meu caderno lá também. Enfim, o livro, eu acho que a experiência do livro físico ninguém tira. Assim, não existe suporte que tire, que seja suficiente. O livro, o livro físico livro, ele, ele é um suporte perfeito, eu acho assim.

GIGabi Idealli

Para mim também, ele é o suporte, ai, de todos esses. Gente, é isso, o livro foi feito, isso é um livro, é isso, isso, isso, ele é, ele é perfeito, ele é um livro, ele foi criado desta maneira, não dá para ele não ser tão perfeito, ele é o mais perfeito dele, é ele mesmo, mas Como não sei?

ADAndreia D'Oliveira

Mas eu também não sou aquela pessoa, ai, nossa, porque eu sou, não sou essa pessoa, não sou. Se tiver só em e-book, a gente lê em e-book. Se tiver como ler, ah, não vai dar tempo de ler tudo porque tá uma maluquice, tá com audiolivro lá e escuta. Então assim, eu acho que essas outras tecnologias vieram para ajudar. É, exato. Mas o livro em si, ele é perfeito em si, soberano, eu acho.

GIGabi Idealli

Eu acho o livro físico, é, para mim, sem dúvidas, o livro, o mundo ideal, o livro físico. Não, para mim não tem experiência melhor em qualquer aspecto, seja para uma leitura de formação formação, por uma leitura teórica, digamos, por uma leitura de formação mais literária, mais artística. Para mim, nada até hoje superou a experiência com o livro material, o livro físico ali na minha mão. Mas eu, eu me aventurei pelos outros dois à medida que a vida me exigiu isso, é isso, que eu me aventurasse por eles.

Então Eu precisei em alguns momentos, por exemplo, fazer leituras de livros teóricos em e-book, porque e-book, enfim, porque eu não tinha nem condições, digamos, lugar para imprimir, nem sei lá, tempo hábil. Por exemplo, eu faço parte do grupo de estudos por conta do mestrado e a cada 15 dias é um texto. E aí eu tenho as minhas leituras do mestrado, eu tenho o nosso podcast, eu tenho o grupo de estudos. E aí eu falo, gente, eu vou ler como der para eu ler.

Então eu vou pegar e vou ler o e-book, o capítulo lá que a gente selecionou para aquilo. E paciência, assim, muitas vezes eu acabo anotando muito rapidamente os pontos que eu acho relevantes citando uma coisa ou outra no meu caderno e tentando, porque os ebooks hoje em dia você consegue grifar, enfim, separar também. Então eu acabo, eu acabei me adaptando a isso e não me arrependo em nada, porque muitas das minhas leituras, e é que eu acabei me focando no grupo de estudos, mas mesmo pro nosso podcast eu já li ebook.

Mesmo para leituras minhas, que eu achei que era muito mais barato, por exemplo, comprar um e-book. Então comprei e li pelo e-book e gostei, gostei muito. E são coisas que são livros que às vezes eu não leria se eu não tivesse pego em e-book, por exemplo, ou eu demoraria muito tempo para ler por diversos motivos diferentes. Teve uma Uma vez eu li, eu dei um livro de presente para minha mãe, que é aquele Baviera Tropical, tá, que é sobre o Mengele.

Porque enfim, já meu pai médico fez, meu pai fez perícia médica, eu trabalho com perícia médica. O Mengele foi descoberto no Brasil depois de uma perícia médica na exumação do corpo. Então é uma história que a gente ouviu muito na família. E quando saiu Baviera Tropical diga-se de passagem, um excelente livro. Eu comprei, tinha comprado um para mim, só que quando chegou, chegou no dia que eu ia ver minha mãe. E eu falei, não, eu vou dar para minha mãe o livro, não vou ficar comigo.

Então eu peguei, encontrei minha mãe, dei o livro para ela e falei, vamos ler junto, tá louca? Vamos ler junto, vamos conversar sobre o livro. Eu queria estimular, fazia muito tempo que a minha que não lia assim. E eu falei, vamos ler junto. Então eu fui lá e comprei o e-book. Ela falou, não, vou começar hoje. Eu falei, eu também. Aí eu falei, como? Como que eu vou começar hoje? Eu preciso conseguir o livro hoje. Então eu fui lá e comprei ele e-book, li em e-book com a minha mãe, né?

Então existem algumas experiências que eu só tive na forma com que elas aconteceram porque eu me permiti, sei lá, Ler ele nesse formato, né?

ADAndreia D'Oliveira

Por isso que me incomoda muito nas redes sociais essa coisa da performance da leitura. É porque, porque que o nosso Instagram, gente, ele não tem nada? Porque a gente, porque a gente não tem essa coisa da performance da leitura. A gente lê quando dá, como dá, porque dá, entendeu? Como qualquer trabalhador nessa terra maluca que é São Paulo. Então assim, eu acho que a coisa da performance da leitura, da pessoa sentar e pegar um chá ou pegar um café e mostrar aquela calma.

E cara, se eu tiver que esperar isso aqui, eu não vou ler nunca, entendeu? Que é mais ou menos que é a história do Teto Todo Seu, da Virginia Woolf. Isso que ela fala assim, ah, é uma mulher, para ela escrever ela tem que ter um teto todo seu, que é um quarto na casa. A Carolina de Jesus escreveu O Quarto de Despejo sem ter nada, nenhum teto na cabeça. Então a gente tem que, a gente tem que entender até onde a gente quer fazer as coisas e como a gente quer fazer.

Você quer performar? Tem problema nenhum, né? Porque, por exemplo, eu acho muito engraçado, eu vejo nas redes sociais, a pessoa pega e passa assim: ai, um dia na cafeteria, na livraria. Aí você vê lá a pessoa, pausa, volta. Aí você olha, você fala: cara, isso para mim é terça-feira. Se eu tiver passeando na Paulista, eu vou lá, entro na cafeteria, vejo uma livraria, Vou embora e tá tudo certo. André, mas você tá pegando no pé das pessoas que querem bater foto do croissant?

GIGabi Idealli

Não, do cappuccino.

ADAndreia D'Oliveira

Não, não é isso. É porque eu acho que existe uma performance da leitora que atrapalha quem quer começar a ler. Cara, você quer começar a ler?

GIGabi Idealli

Não importa se você vai comer croissant, se você vai tomar cappuccino, se você não vai tomar nada, você não vai ter tempo. Porque, e aí, por exemplo, isso do e-book, o podcast me fez migrar para os audiolivros. Por quê? Porque Gabi não tem tempo, gente. Eu dirijo muito. Ah, você é Uber? Praticamente. Porque eu realmente dirijo muito. E aí, que momento a pessoa vai ler?

ADAndreia D'Oliveira

Não dá para ler.

GIGabi Idealli

Eu quero bater meu carro? Eu não quero bater meu carro. Então não tem como levar. Exatamente. Então é, ah, Gabi, mas você consegue prestar atenção? Gente, eu consigo. Gente, que opção eu tenho? Me explique.

ADAndreia D'Oliveira

É isso.

GIGabi Idealli

Porque eu não tenho, na verdade. Ou eu faço isso ou eu não vou ler o livro. Dependendo do semestre, dependendo das condições de possibilidade, da minha vida é audiolivro ou é audiolivro. E aí eu tenho que me virar. E, gente, já li muita, muita coisa que eu achei magnífica. De novo, livros que talvez eu demorasse muito para conseguir ler porque eu não ia arrumar tempo, porque eu tenho outros livros antes que eu preciso, porque sei lá, por qualquer outro motivo, porque eu tô fazendo mestrado.

E aí Existem livros que às vezes você quer ler, que você vai ler daqui 5, 6 anos, se você ler. Então, ah, eu li Quarto de Despejo mesmo. Eu li Quarto de Despejo como audiolivro. Amei, amei, né? O Nome da Rosa, um livrão gigantesco, gente. Eu li porque eu li em audiolivro.

ADAndreia D'Oliveira

É, O Nome da Rosa a gente pretende fazer, mas O Nome da Rosa eu não vou conseguir ler em audiolivro, eu já sei.

GIGabi Idealli

É, não, óbvio que é óbvio que não, mas não é por isso.

ADAndreia D'Oliveira

Aquele monte de linguagem, aquele monte de latim, você acha que a Andréia vai passar ilesa por aquele monte de latim?

GIGabi Idealli

Não, então, mas é disso que é isso que eu tô falando. Eu acho que o audiolivro, assim como o e-book, eu tenho a minha experiência parecida no sentido de, vou ser sincera, tá? Eu acho que dependendo da minha leitura, eu não...

ADAndreia D'Oliveira

Eu não...

GIGabi Idealli

Eu sei que eu vou, por exemplo, O Nome da Rosa, que a gente usou agora. Eu quero ler, reler no caso. Eu preciso em livro físico.

ADAndreia D'Oliveira

É, então. É o tipo de livro.

GIGabi Idealli

Porque assim, você não adianta... Ah, eu gosto. Eu repito tudo que eu disse aqui. Eu acho que é muito, foi muito importante. Eu me abri para essas mídias diferentes. Mas de fato, eu sim tenho... Por exemplo, O Nome da Rosa, quando eu terminei, eu mais enlouqueci do que qualquer outra coisa, porque eu queria muito ter tido a calma com o livro. Porque é um livro muito bom, muito denso. Você quer... É o que o André falou, você passa por...

Porque O Nome da Rosa, para quem... Nunca leu, eu não vou contar aqui o enredo completo, mas ele se passa na Idade Média em um período monástico. Então ele vai falar muito sobre diversas questões que para nós que amamos letras e filosofia e história e história do desenvolvimento do pensamento, gente, isso aqui é um prato cheio. Aí você quer, você quer ter quer um pouco mais de contato com aquilo, você quer anotar e falar, mas de onde vem?

Ah, mas em que outro lugar que está dito? Mas como, por onde? E aí você quer, você quer. Obviamente que se você for fazer isso, você vai ficar 2, 3 anos com o livro na sua mão e não vai dar conta.

ADAndreia D'Oliveira

Então, e ainda tem a maluca das línguas mortas, aí faz o quê?

GIGabi Idealli

Exato. Então aí você vai para o latim, você vai, enfim, difícil, você vai para teologia, teologia, ele tem muita teologia. E enfim, eu acho, eu acho que assim, as duas outras experiências, os ebooks e os audiolivros, para mim eles são como uma espécie de aperitivo. Assim, ele te dá, ele te deixa, ele te abre essa porta, ele te permite essa experiência de um lugar que provavelmente só daqui muitos anos eu leria O Nome da Rosa. Por exemplo.

E hoje eu sei do que se trata, eu amei o livro, amei o tema, amei a história, amei a forma com que ela é contada. E eu sei que em algum momento, espero que não tão distante, eu vou querer ler ele com calma pra me dedicar melhor a ele. Então eu acho que eles servem pra quem tem muita coisa na vida. Se você vive uma vida que você consegue, não tô nem falando Veja bem, eu não estou aqui dizendo que só ler livros físicos com calma, quem tem todo o tempo do mundo.

Não, às vezes você trabalha com isso, gente. Tem gente que trabalha com isso, tem gente que é pesquisador, tem gente que vai trabalhar com, tem gente que é professor que vai ter que dar aula disso para o ensino médio, vai ter que dar aula disso para o ensino fundamental, vai ter que receber gente em museu e falar sobre um tema. Então você às vezes precisa ler mesmo porque é o seu trabalho, né? Mas assim, se você não é essa pessoa, se você não tem esse contato íntimo com os livros no seu dia a dia, se isso não faz parte do seu trabalho, cara, se joga no e-book.

Ah, você não consigo, eu dirijo muito, eu passo o dia— às vezes a pessoa não dirige, né, mas ela, sei lá, passa muitas horas no transporte público e tem, e fica muito— tem gente que passa mal, né, no ônibus.

ADAndreia D'Oliveira

Isso, minha mãe.

GIGabi Idealli

Então põe um audiolivro, gente. Pega um audiolivro, vai ouvindo um audiolivro, entendeu? Então eu acho que são mídias excelentes pra você, que te permite nessa vida, nesse caos de mambembe, mas permite que você tenha contato com obras que talvez você só fosse ter, sei lá, muito tardiamente na sua vida. Então... É meio por aí, mas sem dúvida eu prefiro o livro físico, sim. É incomparável a minha experiência, seja ela teórica, seja ela literária, seja ela emotiva.

É muito diferente ter o livro físico do que qualquer outra experiência, assim, para mim. Então, se eu fosse escolher, no meu mundo ideal, escolheria o livro físico, mas Sou super pró e-books, super pró audiolivro.

ADAndreia D'Oliveira

Como a vida não é esse morango, né?

GIGabi Idealli

Exato, sou super pró. Não sou a pessoa que vai chegar aqui e falar, não, sabe o que é o livro físico? Nada. Ah, gente, sabe?

ADAndreia D'Oliveira

E de novo, quem gosta muito de leitura, quem gosta muito de livros e tudo mais, rede social, gente, É uma mentira, tá? Assim, eu não sei se vocês sabem, mas é uma mentira, é uma performance. Aquilo ali pode ser, pode ser que algumas pessoas façam daquele jeito, pode, eu não tô dizendo que não, mas no final é uma performance também. Então esquece, ah, eu quero ler, mas eu tenho que estar, cara, você tem que ler, você lê, e tá tudo bem, tá tudo certo, entendeu?

GIGabi Idealli

Até porque se muitas vezes você for esperar O momento ideal, você vai ler quando muito um livro por ano e olha lá, porque esse momento ideal ele nunca surge. Se você não faz, ele acontece, ele realmente não surge. Então é a vida como ela é. Agora a coisa vai ficar séria. Vocês achavam que era oba-oba? Não, não, não, não, não, não, perdão, perdão. Segura esse rojão, Andréia, e me conte se você prefere a narrativa em primeira pessoa ou a narrativa em terceira pessoa.

Você consegue responder essa pergunta? Porque eu, no momento que eu vi, eu falei, pô, que legal! Aí no momento seguinte eu falei, poxa, como Como escolher? Porque também não sei. Me explica você que como você resolveu essa conta.

ADAndreia D'Oliveira

Conta para mim essa conta. Não resolvi, porque assim, a narrativa em primeira pessoa ela vai ter uma coisa que nenhuma outra vai te dar, que é a desconfiança do que o sujeito tá falando. Quando você entra numa narrativa em primeira pessoa, a gente já falou isso muito aqui, Você tá vendo o ponto de vista de uma pessoa.

GIGabi Idealli

Exato.

ADAndreia D'Oliveira

E essa pessoa pode estar mentindo para você. Então esse jogo com leitor, para mim, ele é fantástico. E ele vai chegar ao máximo para mim lá no Dom Casmurro. Isso, para mim também é o máximo desse jogo que o narrador faz com o leitor, né? A narrativa em terceira pessoa, eu acho que, porque a gente tem alguns tipos de narrativa em terceira pessoa, e é aí que eu acho que entra o nosso segundo tema aqui, que é narrativa com um ponto de vista ou narrativa com dois ou mais pontos de vista.

GIGabi Idealli

Que seria o nosso seguinte. Isso, porque o que que acontece?

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que fica tudo meio junto, porque no caso da narrativa em terceira pessoa você pode ter esse narrador onisciente que vai saber de tudo que tá acontecendo na cabeça de todas as personagens, ou você vai ter aquele narrador que ele vai colar na sua personagem principal. Como que funciona hoje a maioria dos livros hoje? Hoje é essa última forma de narrativa que eu falei. Você tá, o sujeito, quando ele não está em primeira pessoa, ele está em terceira pessoa, mas ele está colado nessa personagem principal.

É porque que isso acontece? Eu acho que vem muito da nossa experiência de cinema, tipo, a gente tá sempre vendo a experiência, né, a trajetória daquela personagem, e você facilita porque a câmera fica simplesmente naquela personagem. Então eu acho que também existe, depois que as adaptações viraram também uma forma de produto, no sentido de Uma coisa é você adaptar O Morro dos Ventos Uivantes, que a Emily Brontë não vai ganhar absolutamente nada.

Outra coisa é você adaptar Harry Potter, que a mulher vai encher o rabo de dinheiro e depois vai ficar fazendo um monte de merda para financiar ainda. Então assim, são coisas diferentes. Então quando você cria uma personagem em que essa câmera tá muito colada com, né, uma pessoa, é um livro em terceira pessoa porque ele tá vendo ao redor, mas ele tá muito colado com esse personagem principal. E aí eu vou falar, depende, depende da história que eu quero contar.

Porque, por exemplo, a gente falou do Poderoso Chefão. O Poderoso Chefão, se ele tivesse sido feito colar com essa lente colada no Michael só e não passasse pela cabeça, porque o Poderoso Chefão é aquele narrador em terceira pessoa onisciente clássico, que ele sabe, poderoso inclusive, que ele sabe de tudo que tá passando na cabeça de todas as personagens. Ele é onipresente, onisciente, ele tá ali em todos os lugares. Então eu acho que para o nosso entendimento daquele universo, eu acho que tem que ser assim mesmo.

Quando você tá numa criação desses universos, eu acho que sim. Eu acho que tem que ser para você entender tudo aquilo ali, como que essas— e sendo um livro que tem muitas entrelinhas, se a gente não olhasse a cabeça dessas pessoas, desses personagens, a gente não ia entender essas entrelinhas. Então eu acho que foi a melhor escolha para aquele tipo de narrativa. E eu acho que há para aquele tipo de história, eu acho que essas narrativas elas vão servir a que história eu quero contar.

É inegável que hoje a narrativa em primeira pessoa ela é, e aí por exemplo no gênero, né, gênero no gótico, por exemplo, no gótico, no— o Poe faz muito isso também, né? A narrativa em primeira pessoa, ela te dá essa coisa dos temores. Então por isso que ela é muito usada no gótico. Então tem isso também, né? A depender do gênero também, ele combina mais com um tipo ou outro de narração. Mas de novo, A depender, vai servir a história.

Então eu particularmente, eu não consigo dar uma resposta porque vai depender muito o que eu— e aí acho que entra uma coisa também, que tem pessoas que demonizam o narrador onisciente, que falam que é um tipo de narrador velho, antigo. Que eu acho uma bobagem, porque se esse narrador, de novo, esse narrador onisciente que sabe de tudo, poderoso narrador de todas as cabeças, esse narrador, se ele está servindo a história, ele não é antigo, ele é uma forma de contar.

Então, mas é Principalmente nas letras, porque, bom, vocês acham que não tem moda nos livros e nas formas e nas autoficções? E enfim, existem também uma fetichização, uma forma, do que tá certo, do que tá errado, do que tá ultrapassado. E eu sou um pouco contra essa ideia do ultrapassado, do que, enfim. E na letra tinha muito isso: ah não, mas ele é um, ai, mas é um saco porque ele é um narrador onisciente daqueles. E aí isso meio que colava na coisa do ser antigo.

E eu acho que, de novo, eu acho que a depender como que vai servir a história, o quão antigo também, porque aí é que tá essa coisa do antigo, é o fora de moda, né? É o, não é antigo no cronologicamente antigo, ele não é o som e a fúria, entendeu? Esse negócio rançoso, século 18, século 16. Então tem um negócio assim, não é mesmo? Que coisa!

GIGabi Idealli

Eu não achava que tivesse na Letras. Olha, eu achava que era até o oposto, achava até que gostassem.

ADAndreia D'Oliveira

Não, o pessoal gosta do negócio mais— então depende, né? Mas o pessoal que vai para Letras Modernas, tipo francês, inglês, alemão, alemão, nossa, alemão modernoso, é Vamos para o— é que o alemão é um problema, porque o alemão, se você fica muito ali século 19, século 18, você vai cair em umas coisas que não é muito legal. Assim, é legal, mas que vai ter um reflexo muito complicado no século 20. Então é difícil. O alemão acho que não é um bom exemplo, mas o francês, inglês, né?

Então tem isso assim, tanto que é muito comum que o pessoal que faz inglês não gostar de literatura inglesa, gostar mais da estadunidense, porque tem essa frescor, essa coisa do, aí é, né, como eu disse, o Faulkner, né, que é muito que é muito diferente de um Dostoiévski. É, não, mas vamos pegar o Dickens mesmo, né, para ficar no mesmo idioma. É muito difícil. O próprio Shakespeare, que ele, né, O Sonho e a Fúria é lá do Macbeth.

Então, então tem, eu acho que tem isso assim, sabe? Eu acho que rolam essas problemáticas. Então eu não consigo falar para você, olha, eu gosto mais do narrador em primeira. Eu acho que o narrador em primeira pessoa, ele tem uma situação que é essa do: você está me enganando, eu sei que você tá me enganando, você está falando, eu nunca vou confiar plenamente em você. O narrador iniciante, você vai confiar nele porque ele tá vendo tudo e ele tá te mostrando tudo.

GIGabi Idealli

Esse narrador, e mesmo assim, esse eu acho que hoje em dia eu fico com um pouco mais impressão de que topar uma história é topar ser enganado de alguma maneira. Eu acho também, eu acho também, mesmo que seja um narrador onisciente, você tem uma pessoa, digamos entre mil aspas aí, quer dizer, não é uma pessoa entre mil aspas, na verdade, uma pessoa bem da, bem da viva que tá guiando esse narrador, que em última análise está querendo te contar uma história que sim, podem ter, sei lá.

Veja bem, o narrador onisciente, ele te apresenta, querendo ou não, a história sobre vários pontos de vista, o que não significa que ele está te apresentando várias histórias. Isso aí, ele está te apresentando uma história que também, dependendo de quem lê, vai ler de determinada maneira.

ADAndreia D'Oliveira

Então, pode falar.

GIGabi Idealli

Não, não, termina, porque na verdade eu vou muito ao encontro do que você tá falando. Eu vou muito te encontrar.

ADAndreia D'Oliveira

Eu particularmente, eu, e porque tem isso também, né, a gente nunca pode misturar o narrador com o autor, são coisas diferentes. André, mas você tá dizendo para mim que quem conta a história não é o autor, não, é um narrador que ele cria para contar aquela história?

GIGabi Idealli

Claro.

ADAndreia D'Oliveira

E aí eu acho que tem isso também, a depender, por exemplo, a voz narrativa de determinado autor, a depender da voz narrativa, você não vai confiar no narrador, que pode ser em terceira pessoa, né? Então tem isso também, a depender do Por que que eu gosto tanto dos narradores, da narradora, da Jenny Austin? Porque ela é irônica, ela tira um barato, ela: olha só, deixa eu te contar aqui como é que isso funciona. Então eu acho que tem isso, mas de novo, como que isso serve a história?

Então por isso que para mim é difícil, é difícil falar assim: ah, eu gosto de um, gosto de outro, eu gosto de outro, eu gosto de um.

GIGabi Idealli

É, eu na verdade, eu sei que é muita sacanagem responder isso, mas para mim realmente depende. Eu acho que tem espaço para tudo. Eu tenho fases em que eu já reparei, se eu fosse olhar os livros que eu já li ou as minhas preferências, eu já reparei que eu tendo gostado de um narrador em terceira pessoa, mas não é dele, não é consciente. Não é que eu escolho conscientemente isso. Eu acho que depende, de verdade, depende da minha vontade de experiência naquele momento.

Essa é uma resposta. E a minha segunda resposta é: eu acho que no fim essas ideias todas podem se mesclar de uma maneira inesperada. Então às vezes você pode ter um narrador único, único narrador em terceira pessoa que te dá múltiplos olhares, múltiplos pontos de vista. Como você pode ter um narrador único que você sabe que ele está te enganando? Você sabe, você não é enganado por ele. Não é que você lê, não é que você lê e fica: realmente é isso que está acontecendo?

Não, você sabe que ele está te contando Mentira! E você fica: Não, esse louco, olha o que ele tá falando. Isso não faz sentido nenhum. E aí você termina o livro e fala: Meu Deus, eu estava... Para de ser louco! Para de ser louco! Então, e eu gosto dessa brincadeira, eu gosto da gente apagar um pouquinho esses limites e ter consciência de que, na verdade, independente da história que você tá lendo, você tá topando ser enganado.

Então, vai, vamos pegar um tipo de livro clássico sobre narrador. Autobiografia. Sim, autobiografia, você tá falando de um narrador único que está deliberadamente te contando a história dele. Aí você fala, não, não tem como esse homem estar mentindo. Nossa, muitas vezes é exato, muitas vezes é exatamente ele que mente mais.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu acho interessante a história dele do jeito que ele quiser.

GIGabi Idealli

Isso, e muitas vezes Eu lia, acho que foi ano passado, no começo desse ano, não me lembro agora, o livro do Werner Herzog, tá, que é, que se chama Cada Um por Si, Deus Contra Todos, que é uma autobiografia, mas é uma autobiografia sem cronologia certa. Não é que ele começa de um período e termina, né, no começo, não é cronológico, mas Ele traça ali diversos momentos da vida dele que você...

ADAndreia D'Oliveira

Você...

GIGabi Idealli

A minha impressão lendo o livro é que quase não é uma autobiografia. É tão maluco que ele um pouco tá falando de arte, um pouco ele tá falando de cinema, um pouco ele tá falando de morte, da relação com a natureza, o que é a natureza. E ao mesmo tempo é uma autobiografia também, porque ele também, tudo isso está sendo contado enquanto ele está contando sobre a vida dele. E uma pessoa muito inteligente, muito múltipla, muito cabeçuda assim, me parece uma pessoa muito sui generis.

Então eu gosto, eu também gosto quando essas narrativas diluem esses conceitos do narrador único, do único ponto de vista. Então eu acho que também é legal lembrar que são convenções de mentirinha que a gente topa.

ADAndreia D'Oliveira

Isso.

GIGabi Idealli

Que a gente topa, assim.

ADAndreia D'Oliveira

Nesse nosso exercício do pacto que a gente faz com esses autores.

GIGabi Idealli

Isso. No momento que você abre o livro, você descobre se você vai topar ou não vai topar. Aquele jogo que ele vai fazer com você. Mas assim, qualquer— ah, Gabi, mas você tá falando de livros de ficção.

ADAndreia D'Oliveira

Não, não, nem sempre.

GIGabi Idealli

Não, imagina. Inclusive, se a gente quiser esticar a cordinha, livros de história, história com H maiúsculo, historiadores. A história tem um debate longuíssimo sobre historiografia, sobre a forma com que você escreve sobre a história, sobre apagamentos, né? Apagamento, sobre maneiras de recontar essas histórias, sobre— é muito engraçado, uma vez eu— tem um filósofo que se chama Didi-Huberman, já leu alguma coisa dele? Já viu ele por aí?

Ele tem umas escritas que assim são polêmicas, mas eu acho que às vezes ele traz questões que são interessantes, que ele um pouco põe em xeque algumas, porque por exemplo, existe na história da arte o começo das biografias dos pintores, essa ideia do pintor como um grande, o Leonardo da Vinci, que é para nós um clássico, né? Ele é o gênio, ele era, como é que fala, autodidata, ele sabia de tudo. Então existiu um momento em que alguém um dia sentou e falou, não, eu vou contar a história da vida de um grande escritor e vou contar como se ele que fosse um cara genial.

E aí isso se consagrou na história da arte. E muitas das vezes, quando a gente vai ler sobre algum pintor, principalmente os mais, os que a gente tem menos documentos sobre, por exemplo, Leonardo da Vinci, a gente se baseia muitas vezes em escritores da época dele, muito próximo, contemporâneos, né, é muito, muito próximos dele, ou que escreveram biografias poucos anos depois da morte deles. E a gente se baseia nisso como fatos.

A gente lê uma biografia do Leonardo da— é que Leonardo da Vinci, a gente— eu não consigo, eu não tenho esse conhecimento para dizer uma obra consagrada antiga sobre a história dele, mas existem inúmeras biografias de pintores do Renascimento por exemplo, de seus contemporâneos. E a gente segue essas biografias quase como documentos históricos. E o Didi Obermann vai dizer assim, gente, a gente tá partindo de uma premissa errada.

ADAndreia D'Oliveira

Quem disse? É como Vidas Paralelas do Plutarco.

GIGabi Idealli

Isso, esses escritores da antiguidade é um clássico. Exato. Assim, é novo para a história para história com H maiúsculo, para disciplina da história, a gente questionar o que esses historiadores antigos estavam dizendo. Porque na verdade é uma premissa errada você achar que essas pessoas sabiam o que elas estavam dizendo. Você não sabe, porque na verdade pode ser que sim, pode ser que não, pode ser que ele esteja criando, pode ser que— e aí o Didilberma vai dizer, a gente a gente esquece o quão anacrônico pode ser um documento.

Às vezes esse documento, esse documento no sentido de, ah, uma biografia do Leonardo da Vinci, de alguém que publicou ali 20 anos depois da morte dele, ou seja, alguém que conhecia o Leonardo da Vinci. Assim, o quão anacrônico este personagem, esta pessoa que escreveu este livro, pode, poderia estar sendo naquele momento.

ADAndreia D'Oliveira

É isso, é o Plutarco, é muito isso. Isso mesmo, sim. Ele vai falar do César, ele vai falar do Alexandre, né? Essa noção do Alexandre o Grande que a gente tem é dele, né? Ele ali de 1470 ali, né? Então é isso. O Heródoto não tem muito, é que o Heródoto ele vai contar a história do jeito dele, né? O primeiro grande mentiroso da história, né? Primeiro historiador que vai virar e falar assim: não, porque colocaram, fizeram uma ponte de naus, de navios. Eu falar: ah, vá!

GIGabi Idealli

Ah, sim, ah, claro, com certeza. Então assim, para vocês terem, eu trouxe a questão da história por isso, porque a própria história que a gente tende a acreditar muito piamente, a gente tem aula de história na escola, quer dizer, já se acreditou mais na história, mas digamos que existe uma tradição de se crer nos documentos que a gente tem. A gente não questiona os documentos históricos que a gente tem.

ADAndreia D'Oliveira

E que é muito louco, porque algumas pessoas pensam que é, por exemplo, tem uma frase do Indiana Jones, ó, vou trazer que ele fala assim para o aluno: se você quer a verdade, você, o curso de filosofia é do outro lado. E olha, né, olha só, porque ele era arqueólogo, né? E eu falei assim: ah, mas isso é verdade? Ele: então, se você quer a verdade, você vai no curso de filosofia que é aqui do lado, porque a história, sabe, ele que nem os filósofos, mas não tem a coisa discussão da verdade e tal.

GIGabi Idealli

Então, claro, eu entendi.

ADAndreia D'Oliveira

E aí é o que ele— e eu acho que é isso, porque a história, por a gente, ela é uma, ela vai sendo construída, mesmo essa história antiga não tá em pedra, mas é uma historiografia, é a maneira com que você conta a história.

GIGabi Idealli

Historiografia é a grafia da história, escrita da história. Então, uma vez que tem uma pessoa historiografando, escrevendo essa história, ela por si só é um ponto de vista, um ponto de vista, e que pode sim ser validado porque de fato algumas circunstâncias ocorreram daquela maneira, o que não significa que a interpretação daquilo tenha sido— enfim, são construções. Então a gente entra num terreno muito movediço assim.

ADAndreia D'Oliveira

A gente, as pessoas podem falar assim, então vocês podem, então a pessoa dizer que não houve ditadura militar no Brasil é uma possibilidade. Você entende como é perigoso? Porque a pessoa normalmente não entende o fazer científico, porque normalmente para essas pessoas o fazer científico ele vem de um lugar das exatas e das biológicas. Ele não vem no lugar das humanas. Então também tem isso, ainda tem essa outra camada.

GIGabi Idealli

De novo, gente, discutir, veja bem, discutir a maneira com que se faz a história, que se escreve a história, não é discutir isso. Veja bem, discutir a história, exatamente, a história, exato. Ninguém aqui tá dizendo que as coisas não aconteceram. O que se põe em xeque é o quão mais, quais são os critérios, eu acho, os critérios, a gente escolhe contar isso. E como, eu acho que como também, eu acho que como também, porque você tem, e eu acho que a gente tem uma tendência, eu acho que se criou um caminho, uma forma, eu Eu acho muito interessante esses debates, porque eu acho que são debates.

Então, partindo da história, você tem hoje em dia o campo da história oral é muito maior do que já foi considerado antes. As pessoas consideravam só documentos escritos. Quando você, ao considerar documento só escrito, você está apagando trocentos povos que não conseguiram deixar documentação escrita. Então esse debate, a gente está fazendo esse debate, gente. Ninguém aqui está dizendo, é isso, não se trata de questionar a existência de fatos ou a existência de determinados eventos históricos marcantes, sejam eles a Batalha do Peloponeso ou ditadura militar.

Se trata de como proceder de maneira mais coerente tecnicamente, cientificamente, em relação a um fato, que é muito difícil, gente, porque nós, em última análise— aí é culpa minha porque eu sou da filosofia— então, em última análise, é tudo criação. A gente não pode dizer que não é. Em última análise, nós estamos criando narrativas para nós mesmos, para as nossas histórias, para as nossas vidas, para as vidas coletivas. A gente cria e defende ardorosamente as nossas narrativas, nossas próprias narrativas.

Então, o debate do narrador, do ponto de vista de um, do narrador onisciente, do narrador— para mim, trata-se muito mais do momento que eu estou comigo mesma para aquela leitura e do tipo de acordo, de pacto que eu topo ou não fazer com aquele escritor, com aquela pessoa que está me oferecendo o seu livro. Porque no fim das contas, se a gente for entrar nesse debate, a gente pode fazer brincadeira, é isso, a gente pode brincar com o narrador onisciente que tá mentindo pra você, a gente pode fazer que nem Drácula é um bom exemplo porque ele é todo epistolar, ele é todo criado para ser epistolar, para você achar que você tá lendo as cartas daquela história.

Então são diversos pontos de vista sobre uma mesma narrativa e que vai criar para você um retrato desse ser, desse monstro, desse ser que é o Drácula. Então são tantas, são tantas possibilidades que eu gosto, eu acho rico. Acho que depende da minha fase. Eu estou, até comentei, eu acho, no último episódio, que eu comecei a ler os Irmãos Karamazov. E é isso, são, é um narrador onisciente, mas são tantos pontos de vista e tão densos e tão intensos Que aí você diz assim, pô, então você tá lendo um livro de vários pontos de vista?

Sim, mas ao mesmo tempo é um narrador onisciente, ao mesmo tempo são múltiplos pontos de vista, mas são muitos narradores, são muitos, né? É tão— e aí, que mais, Andréia? Agora é sua vez. Qual é o nosso próximo tema? Para deixar a coisa mais leve, vamos, vamos para coisa mais leve, deixar coisa mais leve.

ADAndreia D'Oliveira

O que você prefere, Gabi, ler de manhã ou ler à noite?

GIGabi Idealli

No mundo ideal?

ADAndreia D'Oliveira

É, fala no mundo ideal e depois você fala na minha prática.

GIGabi Idealli

Eu prefiro mesmo ler de manhã. Eu rendo bem de manhã, sou uma pessoa que eu acordo bem, eu acho uma— eu acho que eu retenho melhor o que eu leio Então eu gosto, gosto da leitura, gosto da leitura matinal, porque em geral aí o que acontece à noite, que na verdade é quando eu consigo ler, eu tô muito cansada. Então eu começo a minha leitura e eu preciso lutar basicamente comigo mesma, falei. Pra eu conseguir manter a minha leitura.

Então... Então... E aí é isso, assim. Idealmente, eu deveria ler de manhã, mas eu não consigo porque eu tô trabalhando. Então eu vou ler à noite, mas daí à noite eu tô muito cansada. E aí eu acabo lendo pouco, porque eu poderia ter lido mais se eu não tivesse cansada. E isso vai virar um ciclo infinito de situações em que... Mas eu acho que, assim... Eu acho que pra mim o ideal é... Não sei se de manhã, manhã, né? Acordar e ler, mas...

Durante o dia. Eu acho que se eu consigo sentar, se eu consigo abrir o livro, se eu tenho um caderno do meu lado, se eu tenho outros livros que eu posso também procurar alguma coisa que tá ali interessante para mim, se eu tenho essa possibilidade, para mim esse é o cenário ideal. Se eu tenho uma organização, se eu consigo me organizar, eu prefiro. Mas isso assim é muito raro, muito raro para mim. Então o que acaba acontecendo no meu dia a dia é que se eu leio durante o dia é porque eu tô ouvindo um audiolivro e eu acabo lendo livro físico mesmo à noite ou fim do dia ou a hora que eu chego em casa, enfim, se eventualmente eu chego um pouco mais cedo eu ainda leio um pouco antes, mas é isso. E para você?

ADAndreia D'Oliveira

Então no meu caso não existe, não existe possibilidade de ler à noite, não existe, tá? Porque a pessoa é muito boa de cama, a pessoa deita e dorme como ninguém.

GIGabi Idealli

Então essa história para mim é muito difícil. Ah, leio um pouco antes de dormir, eu tô dormindo já.

ADAndreia D'Oliveira

Então eu deitei, você marca 5 minutos no relógio, eu já tô roncando. Não vai ter a possibilidade de eu ler à noite, não vai assim, porque eu vou dormir, eu vou cochilar, não vai, não tem essa possibilidade. Pessoa passou o dia inteiro, por isso que para mim ler livros muito que eu não possa carregar comigo é desesperador, porque o carregar o livro significa que a qualquer brecha eu vou lá Abro o livro, entendeu? Isso. Então, isso para mim é o que eu posso.

Cheguei à noite em casa, normalmente quando não tem gravação, é comer e dormir. Comer o quê? Não é comer, eu não como, eu não janto. É tomar banho e dormir. Eu prefiro dormir. Gabi sabe, eu não sei se Gabi já me pegou com privação de sono, acho que não, né?

GIGabi Idealli

Não me lembro, talvez muitos anos de amizade, pode ser que sim.

ADAndreia D'Oliveira

Eu sempre falo isso, eu falo, gente, eu posso estar com fome, eu posso estar com sede, eu posso estar cansada, tá tudo bem, eu vou ser essa pessoa, eu vou brincar. Agora, a privação do sono, você quer ver o diabo, você quer ver o demônio. Mas você não quer me ver do seu lado porque eu viro o cão. Não dá, não existe. Eu, quando eu tava na USP e eu tinha aula—

GIGabi Idealli

descreva a privação de sono, por exemplo. O que que é dormir pouco para você? Horas, em quantidade de horas?

ADAndreia D'Oliveira

Não dormir pelo menos 7 horas.

GIGabi Idealli

Ah, tá, então entendi.

ADAndreia D'Oliveira

7 horas. Se eu dormir 7 horas 7 horas, tá de boa. Se eu dormir menos que isso, acabou.

GIGabi Idealli

Nossa, eu dormi muito menos que 7 horas, muito. Durante, até hoje, dependendo da minha semana, então tem vários dias que eu durmo menos que 7 horas.

ADAndreia D'Oliveira

Aí o que que acontece? Vai acumulando. Então, por exemplo, eu também não consigo dormir 7 horas. Aí chega na sexta-feira, eu estou possuída pelo espírito Hagatanga, entendeu? Tipo, é desesperador e não Tiro porrada e bomba. É tanto que quando é o seu corpo, quando eu estava na USP e eu tinha que, eu tinha porque eu queria fazer uma aula com um professor específico, então eu tinha na quinta-feira, eu chegava 15 para 1 da manhã e saía daqui às 15 para 5.

Para pegar outra aula do cara lá. Então assim, eu não dormia. Então quando eu fui, eu fiquei 6 meses fazendo isso. E aí eu cheguei para os meninos que trabalhavam comigo, eu falei assim, olha, sexta-feira, se acontecer qualquer coisa, eu for grossa, acontecer qualquer coisa, me perdoa. Porque eu já sabia E já tinha, já trabalhava muitos anos com essas pessoas, então já tinha uma intimidade muito grande, né? Trabalhei mais de 12 anos nessa empresa, então os meninos eles já me entendiam.

Não, Andréia, beleza, a gente tá de boa. Porque eles sabiam que não era, que não é meu ser grossa ou dar patada, não é meu. Mas às sextas-feiras era o terror, batata, porque eu chegava lá, aquele acúmulo, e chegava para trabalhar, porque eu assistia a primeira aula e ia trabalhar. Então eu terminava a primeira aula às 10:30, aí eu já voltava para o trabalho e ficava lá, chegava uma, chegava meio-dia e ficava lá até 10 horas. Da noite.

Não é que não, eu tinha que cumprir o meu horário. Então assim, então, e aí no sábado eu entrava, eu não dormia, eu entrava em coma. Sempre falo isso, eu entrava do coma e saía do coma.

GIGabi Idealli

Eu tive uma época, uma longa época na verdade, mas aí eu era mais jovem, em que eu dormia pouco porque por causa da faculdade mesmo, medicina. Medicina, dá plantão. E você, de fato, você dá plantão e no dia seguinte você tem a aula. E enfim, são situações que você não tem como, entendeu? Você não tem como dizer, ah não, eu não vou, sabe, porque eu não dormi bem, então eu preciso dormir, paciência. Não, você tem que ir porque você tem que ir, né?

Você precisa se formar, então você vai. Mas hoje eu sei que o meu corpo, ele não ele não me permite mesmo assim. Então eu, por exemplo, meus finais de semana se tornaram praticamente sagrados hoje em dia. Já tem uns 3 anos que assim, 4 anos que assim, o meu final de semana é meio que você falou, chega sexta-feira, eu não sei, minha filha, eu não sei meu nome, não sei meu estado, não sei nada, eu só quero simplesmente, né, comer o mais brevemente possível e deitar, porque eu não tô conseguindo.

Então, mas enfim, básica a vida, gente. Reparem que 90% das nossas, das nossas respostas tem a ver com resumir, é, se resumem ao que dá para a gente fazer, porque é isso. No mundo ideal, eu adoraria ter uma manhã livre ou uma tarde livre livro livre para ler, eu amaria, porque eu conseguiria dar atenção para o que eu tô lendo, conseguiria fazer conexões com histórias, pensar em novos planos para o podcast também. E você faz o que a vida te dá, você faz dos limões uma limonada, mais ou menos uma limonada, às vezes muito azeda, meio mais ou menos, mas você faz.

Então é isso. E aí, quando você quer, quando você quer performar Quando você quer tirar aquela foto, isso, aquela foto, você vai tirar com café?

ADAndreia D'Oliveira

Você vai tirar com chá? Você vai tirar com o quê? O que que você acha?

GIGabi Idealli

Se eu tivesse que escolher um só, eu escolheria café, com certeza. Com certeza café.

ADAndreia D'Oliveira

Primeiro que chá para mim é água suja, né?

GIGabi Idealli

Então eu tenho um problema sério com chá. Então, eu, sabe que para mim é recente a minha experiência com chá? Porque assim, eu fiz um amigo que ama muito chá e ele é um senhor, porque eu sou essa pessoa, né? Eu faço amizade com pessoas as mais diversas que vocês puderem imaginar. Ele é um senhor francês, diga-se de passagem, e ele ama chá. E aí eu vou ver ele e ele quer tomar chá.

ADAndreia D'Oliveira

Ah, que ótimo!

GIGabi Idealli

E ele quer porque quer tomar chá. E ele só toma chá, ele toma um chá muito forte, que é tipo chá preto, aqueles ingleses mesmo, chá preto. Não gosta de chá frutado, de chá leve, nem nada disso. E aí aquela coisa, tipo, uma vez eu fui falar, não, vou te acompanhar, vou tomar, vamos experimentar, tá? E aí você experimenta uma vez daqui, você experimenta uma vez dali. Ele pega e me dá um chá, leva para casa e tal. E aí a pessoa decidiu fazer mestrado, então a pessoa precisa tomar alguma coisa às vezes para escrever, para fazer alguma coisa mais densa e não olhar o celular, não fazer nada.

Comecei a fazer chá, porque se eu for tomar café, 2 litros de café, eu não chego aos meus 50 anos com um estômago íntegro. Então eu preciso dar um pouquinho de variada para mim, o meu organismo. Então eu fui me obrigando, digamos assim, de certo modo, a ter alguma outra bebida que não fosse só o café, porque eu acabava bebendo muito café, muito, muito, muito, muito.

ADAndreia D'Oliveira

Eu amo café, mas eu não sou a pessoa que bebe muito café. Então eu também, eu bebo de manhã com leite e às vezes eu bebia depois do almoço assim, tá?

GIGabi Idealli

Mas você gosta muito, só que você toma pouco assim.

ADAndreia D'Oliveira

Eu não sou, às vezes, por exemplo, é que, por exemplo, quando eu tô em casa eu faço aquele bolinho de laranja. Aí você vai fazer o quê? Você vai fazer um café, aí você vai tomar um café, entendeu? Mas eu não sou essa pessoa assim, por exemplo, meu irmão, e isso é raro das pessoas da minha área, porque as pessoas da minha área bebem muito café. Meu irmão é uma pessoa que bebe muito café, muito, muito.

GIGabi Idealli

Eu não. Todas as pessoas ao meu redor bebem muito café. Meus pais bebem muito café, a Ana bebe muito café, meus colegas de trabalho bebem muito café, todo mundo bebe muito café. Só que eu não, eu consigo até um limite assim. Então, por exemplo, eu tô no consultório, eu tô Eu tô ali, tô com meu pai, que a gente divide o consultório. Eu chego, tomo um café com ele. Aí, um pouco antes do almoço, ele fala, vamos tomar mais um? A gente toma outro.

Aí eu volto do almoço, dá lá umas 3 da tarde, eu tomo outro café. Só que aí é meu último café. Tem gente que de fato passa o dia... Eu não consigo. Eu acho que eu tô no meio... Eu nem tomo pouco café, mas eu também... Não consigo. É quando eu entrei no mestrado que, gente, querendo ou não, você precisa tirar algumas horas, você precisa arrumar um jeito de escrever, você não tem como fazer e não escrever. E aí você precisa sentar, gente, não tem, você não vai fazer meia hora de escrita, não existe isso.

Você precisa sentar algumas horas e escrever. E me faz muito bem ter alguma coisa para tomar enquanto estou escrevendo. E eu não consigo, eu eu não consigo colocar tipo uma caneca grande de café e tomando uma caneca grande de café por 2 horas. Não consigo fazer isso. Eu admiro quem consegue, mas para mim é muito forte. Então eu começo—

ADAndreia D'Oliveira

normalmente a água que fica aqui sempre assim, água, eu bebo muita água, muita.

GIGabi Idealli

Eu também bebo bastante água. É, eu também.

ADAndreia D'Oliveira

E eu gosto muito dos sucos também.

GIGabi Idealli

Então o suco eu gosto também, mas muitas vezes Às vezes eu gosto de alguma coisa quentinha. Minha questão é que às vezes eu gosto de coisa quentinha.

ADAndreia D'Oliveira

Então a coisa quentinha para mim ou é chocolate ou é café.

GIGabi Idealli

É, então. E aí eu comecei a entender que assim, eu não ia conseguir ficar tomando café, entendeu? Porque não ia, não me cai bem mesmo. Se eu tomar muito, eu sinto azia, eu não fico bem. E aí eu comecei a migrar para o chá, porque chá você consegue fazer, sei lá, 1 litro de chá e você consegue pôr ali uma caneca e você vai se servindo, vai pondo, faz numa garrafa térmica e vai se servindo, vai tomando. Eu tomo inteira, imagina, numa tarde eu tomo 2 litros de chá, né?

Eu tomo cuidado também porque também não adianta você trocar o café por um chá preto, veja bem.

ADAndreia D'Oliveira

Exato.

GIGabi Idealli

Então eu faço lá uma mistura, Misturo uns cafés, uns chás diferentes e faço. Hoje em dia eu já conheço as misturas que eu gosto mais e coloco e faço, faço um chá. Mas é isso, se eu tivesse que escolher só um, eu escolheria café com certeza, porque eu gosto muito.

ADAndreia D'Oliveira

Eu também gosto muito.

GIGabi Idealli

O que eu gosto pra valer é café, eu gosto muito de café.

ADAndreia D'Oliveira

Tanto que toda vez que eu penso assim, ah, eu vou comer algo, é sempre o café. Assim, ah, vou... Vou numa cafeteria, vou, a não ser quando tá mais friozinho assim, aí você quer, porque o chocolate ele te abraça, né?

GIGabi Idealli

O chocolate tem, chocolate abraça mesmo, concordo, ele te abraça.

ADAndreia D'Oliveira

Mas normalmente quando eu vou é o cafezinho, normalmente expresso.

GIGabi Idealli

Eu, eu, isso, eu também prefiro expresso, né? Do espresso, é, eu também, eu gosto bastante Gosto do café expresso. E música e silêncio, Andréia? Você prefere ler ouvindo música ou em silêncio? Música. Vamos colocar música. É, vamos colocar música, eu acho. Talvez seja melhor música e silêncio.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que se— então vamos lá. Eu sou uma pessoa, como é que eu vou explicar? Se não for música brasileira, pode ter música no fundo, pode ter. Não é que eu vou colocar, eu prefiro ler no silêncio.

GIGabi Idealli

É, eu também.

ADAndreia D'Oliveira

Se tiver tocando uma música, que seja ou uma música erudita ali, que não tenha Ou que seja uma música em outro idioma.

GIGabi Idealli

Porque se for em português, acabou, porque eu vou querer cantar junto, vai ser uma merda. Eu também, exatamente igual você. Então eu sou a pessoa que assim, das duas uma, ou eu tô, sei lá, numa biblioteca, na minha casa, e eu estou em completo silêncio E tudo bem, aí eu não preciso de música. Ou às vezes, por exemplo, eu adquiri o hábito de, como eu preciso escrever ou ler coisas do mestrado, momentos assim, às vezes eu vou em bibliotecas.

Em biblioteca nunca é aquele silêncio, não é o silêncio como se você tivesse num quarto, você fechasse sua janela. Ele é é um som ambiente, é um som ambiente, não sei explicar assim, mas você tem um ruído, digamos, que não é aquele ruído, não é que você tá numa balada e você tá ouvindo uma música alta, mas existe um ruído nesses lugares. Se eu não tô dentro da minha casa, eu coloco música, e é a música que você falou, é música sem canto.

Então uma música clássica, um jazz, sei lá, eu uma música instrumental, ou eu não consigo. Ou uma música estrangeira, com um idioma assim, sei lá, um idioma que eu não consigo muito cantar naquele idioma, porque senão não adianta para mim, eu não me concentro. Precisa ser uma música instrumental. E aí eu prefiro, eu até prefiro, porque Não é que eu ouço a música, eu não posso dizer que a música me relaxa, eu consigo ler.

ADAndreia D'Oliveira

Ah, não, ele tá ali de ruído branco, né?

GIGabi Idealli

Isso, ele é o meu ruído branco, exatamente. Ele pra mim é o ruído branco.

ADAndreia D'Oliveira

Ele é só pra te separar do outro ruído que tá te incomodando.

GIGabi Idealli

Que tá... Isso, exatamente. Ele serve como um ruído branco, eu não tô prestando atenção na música, eu tô prestando atenção no que eu tô lendo. Mas a música, ela facilita, ela me incomoda menos. Mas assim, já aconteceu de eu, sei lá, precisar ler Que nem já aconteceu de eu precisar ler no transporte público porque eu tô me deslocando e porque eu esqueci, sei lá, o meu fone de ouvido. Se eu entro na leitura, eu entro na leitura, assim.

ADAndreia D'Oliveira

É o meu caso.

GIGabi Idealli

E eu vou, é, eu vou, eu vou. Já aconteceu. Não é o meu cenário ideal, eu prefiro que se eu tô assim, eu prefiro pôr o meu fone, colocar uma música instrumental e ler.

ADAndreia D'Oliveira

Mas já aconteceu precisar É, então eu, essa coisa da necessidade, ela me incomoda um pouco, mas eu tenho menos dificuldade entrar na leitura.

GIGabi Idealli

Isso eu também, exatamente. Eu também, exatamente.

ADAndreia D'Oliveira

Se eu entrei na leitura, como eu disse, a pessoa, né, vai que vai, eu vou que vou.

GIGabi Idealli

Já aconteceu, por exemplo, na época de faculdade, que eu chegava na faculdade lendo, ou entrava na sala antes da aula começar e o povo começava a entrar na sala e conversar, menina, eu nem— se eu tô lendo, se eu tô precisando terminar, pode estar falando, contando fofoca, o que for que eu tô— quer dizer, fofoca, né? Fofoca pode ser aquelas— fofoca pode ser que eu ouço um pouquinho, mas no geral, se eu tô— se eu realmente mergulhei na leitura, pode ter o barulho que for do meu lado que eu vou conseguir sim.

ADAndreia D'Oliveira

E por último e não menos importante, Dona Gabriela Idari.

GIGabi Idealli

Não, não menos importante, nunca.

ADAndreia D'Oliveira

O que você prefere?

GIGabi Idealli

Nunca jamais.

ADAndreia D'Oliveira

O sebo ou a livraria?

GIGabi Idealli

Hoje em dia eu prefiro os dois. Na verdade, vou fazer o quê? Uma sacanagem. Porque eu acho que a gente passa por um período do capitalismo mais que tardio, do capitalismo quase canibal, em que a gente tem tem um, nossa, sei lá, um não lugar. As pessoas não procuram mais nem sebo nem livraria. Então eu me esforço, é um esforço deliberado que eu faço, por exemplo, para evitar. Eu criei compromissos comigo mesma de comprar, por exemplo, livros o mais físicos possível.

No sentido de, em São Paulo, porque tanto Andréia quanto eu somos de São Paulo, a gente teve um período de fechamento dessas mega, mega livrarias, mega livrarias. Então as Saraivas da vida que foram fechando gradualmente ao longo de uns 10 anos. A gente teve fechamento de grandes livrarias aqui em São Paulo históricas, né? Livraria Cultura, que gigantesca, histórica mesmo aqui em São Paulo. E de uns, acho que desde o meio ali, o fim da pandemia para agora, a gente vem crescendo essas livrarias alternativas, essas livrarias de bairro, muito pequenas, que às vezes não sobrevivem, sobrevivem por pouco tempo, ou sobrevivem num nicho muito específico.

Mas tem crescido essa quantidade de livrarias que meio que resistentes a essa digitalização, digamos, da compra do livro. Então eu resisto nesse lugar. Então eu não, eu não eu não consigo. De novo, vamos para o mundo real. Eu gostaria de ter mais tempo de visitar livrarias, por exemplo, sejam essas livrarias alternativas, sejam as pouquíssimas que sobraram. Por exemplo, a Martins Fontes tá aí, gente, resistindo, resistindo. De vez em quando eu dou umas passadas na Martins Fontes que eu falo, gente, olá, vivendo, né?

Olá, sumida! Então eu vou lá, vou lá dar uma visita. Eu me esforço. E aí eu tenho umas, uns compromissos comigo mesma que, apesar de eu não conseguir ir sempre em livraria, eu tenho o meu compromisso comigo que é as feiras de livro, que tem muito aqui em São Paulo, principalmente vinculadas às universidades. Então tem a Feira do Livro da UNIFESP, tem a Feira do Livro da USP, tem a Feira do Livro da UNESP, e são lugares em que as próprias editoras fornecem seus livros com desconto.

Então eu tento priorizar as compras, eu anoto ao longo do ano o que eu não preciso comprar com muita urgência, porque não é livro, por exemplo, os livros do podcast eu compro, eu tento, como a gente sempre programa, a Feira do Livro da USP, por exemplo, costuma acontecer em novembro, dezembro. Então eu até lá, em geral, a gente já sabe alguns livros que a gente vai tratar no ano seguinte. Se eu não tenho, eu compro na Feira do Livro da USP, por exemplo.

Então eu tento anotar ao longo do— eu tenho feito esse quase esse esforço assim do que dá, porque eu sei que tem gente que também não consegue, gente. Às vezes você mora em outra cidade, você não tem tempo de ir, você precisa comprar online. Mas eu acho que existiu sim, assim, sebo, por exemplo, ainda tem, eu acho, em São Paulo, principalmente no centro, tem bastante sebo.

ADAndreia D'Oliveira

É, eu ia falar deles, é que são os meus favoritos assim, de longe, de longe, de longe. E eu acho que é porque eu também comecei a ler num período que ler não era algo Não era algo instagramável, não era uma performance, como eu disse. Eu tô pegando muito no pé disso, né? Mas é que ler antigamente era coisa de gente esquisita.

GIGabi Idealli

Isso sim. Então assim, e tá, e tá, vamos combinar que ainda é, no mundo real é. Ah, eu me sinto bem esquisita. Você não vai dizer que você não se Você tá lendo no metrô, você não se sente esquisita? Você se sente esquisita. Eu sou esquisita na minha família até hoje, gente.

ADAndreia D'Oliveira

Então, e aí o que que acontece? Tem muito livro que eu li quando eu era mais jovem e que tem uma capa específica, tem um texto que eu só vou encontrar no Cebo. Ah, Andréia, mas é antes do uma cor do outro. E agora com essa história desse monte de livro que tá sendo cortado aí, que a gente não vai saber mais, né, o que que foi o autor que escreveu, se foi o autor que escreveu.

GIGabi Idealli

Ainda mais estranho ler livro, gente. Vai ficar cada vez mais estranho ler livro.

ADAndreia D'Oliveira

Tanto que eu falei falei assim, a partir de hoje, livros que foram escritos antes de 2022, eles só entram na minha casa se forem adquiridos por Cebo, senão não.

GIGabi Idealli

É, você, eu acho que algo que eu aprendi no mundo dos livros e que transformou muito a minha percepção sobre livro É conhecer as editoras, gente. Isso faz uma diferença quando você conhece o trabalho. Porque, gente, eu tava vendo a história da Tamara Klink. Você viu o que a Tamara Klink falou? Tamara Klink, a filha de Amir Klink, que tem um livro recém-lançado sobre a viagem, a invernagem que ela fez. Ela foi às redes sociais e falou: parem de comprar meu livro, porque a natureza, porque não sei o quê, porque emprestem livros e tudo mais.

Eu acho que a gente, a gente tá passando por uma, por uma fase de preguiça. É, eu acho que a gente tá, a gente tá passando por uma fase como a Andréia bem colocou, que tem muito. Porque assim, gente, por mais instagramável que seja você tirar uma foto com seu livro, no mundo real, no mundo fora do negócio, se você tá lendo em qualquer lugar assim, as pessoas acham estranho, de verdade. Quantos pensam aí, vocês que pegam transporte público, quantas pessoas vocês veem de fato lendo?

ADAndreia D'Oliveira

É, aqui em São Paulo ainda mais comum, né, que o povo lê muito, é que depende da linha. Se for a linha amarela, que aí tem muita gente lendo, e normalmente é universitário.

GIGabi Idealli

É assim, claro, veja bem, sim, sempre tem.

ADAndreia D'Oliveira

Depender muito da linha, né? Então assim, a depender da linha e do horário, vai ter muita gente lendo, de fato, mas é porque é muito universitário e tal. É, agora se for horário de trabalhador mesmo, vai ser difícil. O cara vai estar ou cochilando na janela, é isso.

GIGabi Idealli

Mas o negócio da Tamara Klink, eu acho interessante sobre essa questão da Tamara Klink, das editoras, é interessante pensar que assim, para uma editora como a Companhia das Letras, é que a Companhia das Letras é muito grande, mas vamos, vamos pensar assim, Então, para uma editora, um livro como um best-seller, independente de qual tema ele tenha, seja ele um romance, um livro como o da Tamara Klinck é um best-seller, vendeu muito.

Esses livros, eles custeiam, na verdade, diversos livros que não vendem tanto, mas que a editora quer muito lançar, publicar. Então uma coisa que eu aprendi como leitora é prestar atenção no trabalho, no trabalho das editoras. Então, que tipo de tradutor eles contratam para traduzir o livro, que livro eles escolhem lançar, por que que eles escolhem fazer uma edição de determinado livro, reeditar determinado livro. Eu acho que é um trabalho muito, eu acho muito, muito interessante.

Importante, porque é um trabalho que é meio oculto, na verdade. Você pega um livro, você fala, ai, que legal, vou ler um livro. Gente, tem toda uma gama de trabalhadores por trás daquele livro para você conseguir ler. Então tem muito livro que, por exemplo, não é um best-seller, mas que por algum motivo a editora banca o livro através da venda desses best-sellers. Então, gente, Questões, temos questões, temos questões. E eu acho que se livraria.

ADAndreia D'Oliveira

Tem um lugar também que mesmo que seja um best-seller, o autor não ganha, né?

GIGabi Idealli

Sim, sim, vai para o autor, é assim, é minúsculo, né?

ADAndreia D'Oliveira

É mais fácil o autor pegar, fazer uma autopublicação via Catarse Ele vai ganhar mais se for um autor grande do que às vezes se filiar a uma editora grande.

GIGabi Idealli

Não, e assim, se livraria tá quase por água abaixo, sebo então eu acho que em breve, pelo menos em São Paulo, os sebos vão ficar mais caros, os livros de sebo ficarão mais caros mais caros que os livros. Depende do livro, mas acho que a tendência é que fique caro. Eu acho que é assim, infelizmente.

ADAndreia D'Oliveira

Porque na verdade, para comprar minhas Crônicas Vampirescas, viu?

GIGabi Idealli

É isso que eu tô falando, vai. Porque de verdade, a gente, André e eu, a gente vem de uma geração, imagino que a maior parte dos nossos ouvintes também vem de uma geração em que livro de sebo era livro barato, 20 conto, 20 conto. É, eu comprava um classicão. É, você comprava um classicão bom, inclusive, numa excelente, de uma excelente tradução, sei lá, numa excelente editora, você pagava R$10. Então era meio que sobrou, que a família não queria, dava lá para o sebo, o sebo vendia.

Eu acho que esse jogo vai mudar muito dos anos, eu também acho, uns anos também. Vamos adiantar Vamos, quem sabe a gente combina com ter um sebo. Você, a gente combina bastante para ter um sebo. Mas é isso, acho que eu acho que esse é um tema interessante para a gente pensar mesmo a hegemonia da Amazon, por exemplo, que vende livros mais baratos do que se você entrar na própria editora. Experimenta fazer, pega um livro aí que você tá querendo comprar e vê de que editora é, digita no Google o nome da editora, abre a editora e procura o livro no site da editora e compara.

ADAndreia D'Oliveira

É, às vezes é muito mais barato mesmo. Isso acontece muito com quadrinhos, muito.

GIGabi Idealli

Nossa, mas eu vejo assim, eu tomei esse hábito tem alguns anos porque meu irmão começou a me provocar. Não lembro o que que ele leu lá, que ele falou, nossa, é É muito mais, eles fazem uma loucura com os livros, estão destruindo as editoras. Eu falei, como assim? Isso assim uns anos atrás já. E aí às vezes me dá esse insight assim, tipo, ah, deixa eu ver como é que tá na editora. E eu vou ver e tá muito mais barato comprar. E é óbvio, as pessoas vão começar a comprar mais na Amazon mesmo, entendeu?

É óbvio. Aí vai fechar livraria mesmo. Já tem uma queda no nível de leitura, quantidade de cultura. Aí você, além de tudo, vende mais barato. Aí é livre mercado, né? O povo chama livre mercado.

ADAndreia D'Oliveira

E ainda tem a problemática do— e de novo eu vou entrar de novo nessa história da performance, que é essa coisa de você às vezes só querer ter o livro, que vira um produto no final das contas.

GIGabi Idealli

E, gente, a gente brincou que eu tô lendo Os Irmãos Karamazov, Ou a Andréia falou de Anna Karenina. Gente, tem livro que você tem que querer muito terminar mesmo, assim, que são livros muito densos, que vão tocar em questões muito íntimas suas ou da história, enfim, que você, que dá muito trabalho mesmo ler, porque você demora pra ler.

ADAndreia D'Oliveira

Ah, não precisa ser livro, eu acho que quando a gente falou de Dostoiévski, eu falei de Memórias do Subsolo.

GIGabi Idealli

Memórias do Subsolo, para mim foi terrível, terrível, curtíssimo, um livro curtíssimo e terrível, terrível, dificílimo de deglutir.

ADAndreia D'Oliveira

Ué, Pedro Páramo, Pedro Páramo, é que Pedro Páramo era num outro lugar, né, num outro lugar, mas é uma, mas é que o Memórias do Subsolo, ele criava uma situação do desagradável mesmo, então um sofrimento físico. Então é difícil, é difícil, é um lugar muito difícil, é difícil mesmo, entendo.

GIGabi Idealli

Então, Dona Gabi, a pergunta que não quer calar: temos, temos, Andréia, temos, Andréia, temos, conseguimos.

ADAndreia D'Oliveira

Hoje a gente fez essa pauta mais Leve, nem tanto, né, que a gente fala muito. A gente consegue transformar algo muito leve em coisas densas e pesadas, e coisas filosóficas.

GIGabi Idealli

Nem precisava, ninguém nem perguntou. Não precisava, né, gente? A pergunta é chá ou café?

ADAndreia D'Oliveira

Veja bem, literalmente café. Não, você tem que contar história das lindas orientais.

GIGabi Idealli

Ler de manhã ou ler à noite? É só dizer de manhã ou à noite. Não, a pessoa precisa o quê? Criticar o capitalismo, criticar o sistema, falar que você trabalha que nem uma louca.

ADAndreia D'Oliveira

Não, mas eu acho que a todo momento que a gente possa criticar o capitalismo, a gente tem que fazer.

GIGabi Idealli

É uma missão, eu também acho. É a nossa missão, achamos.

ADAndreia D'Oliveira

Se você acha isso também, se você não acha, se você não acha, você pode mandar um email para nós. E aí, pode mandar um email para onde, Gabi?

GIGabi Idealli

Para o nosso email livrosencartaz@portalrefil.com.br. Manda uma cartinha, que a gente ama ler cartinha. Andréia, não ama ler cartinha. Mas se você não quer mandar cartinha, também, também gostamos de quem é para frentex. E aí você vai seguir a gente lá no nosso Instagram, no @livrosencartaz_. Aproveita, segue a gente, comenta no post do degusta, fala: meninas, eu prefiro chá, vão para o café, para o raio que o parta aqui.

ADAndreia D'Oliveira

Ou sugiram blends para Gabi.

GIGabi Idealli

Blends, blends, blends, por favor. Preferencialmente que não sejam de chá preto só, porque senão a Gabi vai subir pelas paredes. Então você aproveita, comenta, manda para o seu amigo, publica no seu story, manda um direct, que a gente também é para Frentex de vez em quando. Andréia mais que eu, mas a gente é para Frentex também. A gente responde no Instagram também. Vem, só vem, só vem.

ADAndreia D'Oliveira

Agradecendo aos meninos do Portal Refil que nos dão aquele, que, o quê, esse, esse puxadinho. Agradecendo a todas as pessoas que assistiram. Gabi, você não sabe, teve a live de 10 anos do Portal Refil no dia 22.

GIGabi Idealli

Fosse vocês, corria lá para ouvir, porque eu ouvi os highlights Ouvir uns highlights e recomendo.

ADAndreia D'Oliveira

Aí vocês vão ver a fuça dessa pessoa que vos fala.

GIGabi Idealli

Isso.

ADAndreia D'Oliveira

Só que assim, toda sem jeito mandou lembranças, porque eu odeio câmera, odeio foto, odeio todas essas coisas, entendeu? Então, mas estava lá para essa tarefa inglória de rever.

GIGabi Idealli

Eu e Andréia somos amigas há 15 anos e a gente tem uma foto É muito.

ADAndreia D'Oliveira

Eu acho que a gente não tem nenhuma juntas.

GIGabi Idealli

Eu também acho que não, de verdade. Eu acho que não. Andréia e eu nunca sentamos lado a lado e tiramos uma foto, eu acho.

ADAndreia D'Oliveira

Nunca, nunca, né?

GIGabi Idealli

É isso. Então Andréia, sem jeito, mandou lembranças. Porém esteve lá de frente de mim. Pois é, estive lá.

ADAndreia D'Oliveira

Então tá salvo lá no YouTube, quem tiver vontade, é só ir lá dar uma olhadinha, né?

GIGabi Idealli

Por favor, faça isso.

ADAndreia D'Oliveira

Teve muita, muita coisa legal. Alguns patrões falaram, foi bem legal, bem legal. Assistam lá. Agradecendo a vocês que ficaram aqui ouvindo essas duas malucas até agora, certo?

GIGabi Idealli

Pois é, duas malucas falando.

ADAndreia D'Oliveira

Agradecer a minha co-host favorita, está aqui.

GIGabi Idealli

Estamos aí sem foto, mas estamos aí, estamos aqui.

ADAndreia D'Oliveira

Um beijo para todo mundo, cuidem-se. Até o próximo episódio, já começa o quê, Gabi?

GIGabi Idealli

Ah, vem aí, ó, o Esquenta, o Esquenta, o nosso queridíssimo especial gosto.

ADAndreia D'Oliveira

É isso, então aguarda. Então vem aí, pensem, pensem, cogitem o que vem aí, que vem aí, o que que pode ser.

GIGabi Idealli

O que será que vamos aprontar este ano?

ADAndreia D'Oliveira

Vou falar uma palavra: governanta.

GIGabi Idealli

Durmam com esse barulho, durmam, procurem, busquem conhecimento. Como é que é? Já diria o ET Bilu.

ADAndreia D'Oliveira

Já diria o ET Bilu, é isso aí. Bilu ET, né?

GIGabi Idealli

Bilu ET.

ADAndreia D'Oliveira

Beijo, fiquem bem, até o próximo episódio. Tchau, tchau, tchau, tchau.

Livros em Cartaz 103 – Degusta! | Castnews Index — Castnews Index