Livros em Cartaz 095 – As Horas
- As Horas: Livro e FilmeComparação com Mrs. Dalloway · Fluxo de consciência · Retrato feminino · Michael Cunningham · Stephen Daldry · Nicole Kidman · Julianne Moore · Meryl Streep · Ed Harris · Virginia Woolf · Clarissa Vaughan · Laura Brown · Richard Brown · Lars von Trier
- Michael Cunningham: Biografia e ObraIowa Writers Workshop · Prêmio Pulitzer · Obras anteriores
ainda é preciso comprar as flores. Clarissa finge-se irritada, embora adore tarefas como essa, deixa a Sally limpando o banheiro e sai correndo com a promessa de voltar em meia hora. E assim começa As Horas, romance de Michael Cunningham. Eu sou Gabi De Alli. Eu sou Andréia da Oliveira. E este é o Livros em Cartaz.
Andréia. Gabi. Andréia. E aí? Andréia, estou muito feliz de ter lido esse livro. Gente, pra quem não sabe, Andréia me fala desse livro há muito tempo. Acho que desde a primeira vez que...
Não vou aqui, né? Não vou denunciar tanto assim o passar dos anos, tá? Mas a primeira vez que o André e eu falamos lá atrás, assim, dois anos atrás, talvez, um ano e meio, quando a gente falou a primeira vez de Virginia Woolf, Woolf, enfim, eu acho que já nessa vez...
Andréia já tinha me falado desse livro. Então é um livro que tem muitos anos, que eu tenho muita vontade de ler. Eu já tinha assistido ao filme, acho que duas vezes, três talvez. Antes de reassistir agora pro podcast. E eu já gostava do filme, assim. Claro, de uma maneira talvez até...
Enfim, inocente, assim, porque eu era muito menina, realmente, quando o filme lançou. Mas eu me lembro, me lembro de assisti-lo a primeira vez sendo bem menina, depois sendo um pouco mais madura, mas também ainda jovem. Talvez eu tenha assistido uma terceira vez um pouco mais velha. Já gostava, mas nunca tinha lido o livro. E que livro! Eu amei esse livro.
Eu amei. Eu falei. Nossa, Andréia, pra variar, me conhece desde sempre. Desde a hora zero que Andréia olhou na minha cara. Andréia sabia quem eu era. Porque Andréia nunca errou, gente. Andréia sempre acertou. Comigo, ela sempre acertou. Não sei como é com os outros. Os outros falam por eles, mas comigo, essa mulher sempre acertou tudo. E, de fato, eu amei o livro. Eu acho que ele...
Ele tem... Ah, eu não sei explicar, gente. Ele faz uma coisa que cada vez tem se tornado mais rara pra mim, e isso é uma curiosidade que eu queria saber se isso acontece com o André também, que eu acho que talvez a gente ainda não tenha conversado sobre isso. Mas ele faz uma coisa rara comigo...
que é, ele me toca de uma maneira diferente, assim, eu não sei explicar, ele dialoga bem comigo, de algum modo, assim, eu acho que ele tem um tom muito acertado, assim, ele não é pedante.
Ele tem uma proposta bem diferente, mas é uma proposta que se sustenta do começo até... Do primeiro a última folha do livro. E ele tem algo de retratar essas mulheres que não me incomoda. Assim.
E mesmo sendo um homem que tem respeito. Ele não me incomoda. E ele não só não me incomoda, como de certo modo eu me sinto compreendida. É isso que eu tô falando. Eu acho que essa sensação que eu acho que quando eu era muito jovem eu tinha, num lugar talvez até da imaturidade, não sei. Mas assim, isso tem sido cada dia mais raro de me acontecer, assim.
Deu ler uma coisa que me toca com... Não sei explicar, me dá um abraço, assim. Eu me senti muito bem lendo. Então, eu gostei. Confesso, assim. Tá aqui já nos primeiros minutos do programa. Já estou deixando evidente a minha... Muito claro. Claríssima a minha admiração.
Pelo livro, pela proposta do livro, pela maneira com que ele executa essa proposta, pela delicadeza, ele parece delicado, assim, cuidadoso na hora de abordar todos os temas que estão ali. Então, muito, tô feliz, assim, tô feliz já de antemão, antes da gente começar.
Eu já estou muito, muito feliz de fazer esse programa. Eu acho que você falou uma palavra que eu acho que é muito importante para um livro como esse, principalmente pensando no que ele foi inspirar. A gente falou no programa passado de Mrs. Dalloway que as horas, e a gente deu todo um prazer. Para quem está chegando aqui e está caindo de paraquedas nesse programa,
Esse programa é um combinho, ele não pode ser vendido separadamente. Isso. Do programa anterior. O programa anterior a gente falou a respeito de Mrs. Dalloway, que é um livro da Virginia Woolf, que aqui ele vai vir como uma inspiração. Ele não chega a ser um pastiche, mas ele é uma inspiração no outro para abordar outras perspectivas do que foi abordado naquele outro livro.
Ele retoma a parte estrutural do livro, então ele vai trabalhar também da mesma forma, talvez de uma forma mais palatável, com o fluxo de consciência. Mas o que eu quero dizer é, a palavra que você disse foi pedante. E de fato, esse livro tinha tudo pra ser pedante.
tudo. Ele tá fazendo, ele foi extremamente laureado. Ele ganhou um Pulitzer por conta desse livro em 98. 99, na verdade, o livro saiu em 98. Ele ficou conhecido e popular por conta desse livro. Não existiram, mesmo aos estudiosos de Virginia Woolf, foram poucos os que se foram contra ou falaram alguma coisa mal, porque não é?
É um livro muito bom, de novo, assim, não é fazendo propaganda vazia aqui. Eu contei mais ou menos a minha história até chegar no Mrs. Dalloway, e foi a partir deste livro. E eu acho que ele podia ser, como o Gabi falou, ele não é um livro pedante. E ele poderia ser. Nossa, ele tinha tudo pra ser. Tudo pra ser, porque ele poderia ser insuportável. Sim, sim. Não é? Ele poderia ser insuportável, porque...
Ele está tratando e ele não coloca. A gente percebe que existe uma reverência pela história da Virgínia Wu, pelo texto dela, pela estrutura que ela criou. Ele cria em cima dessa estrutura, mas ele não coloca...
e aí eu acho que é por isso que ele não é pedante, ele não a coloca num altar. Isso, eu... É... Não é isso. Ao mesmo tempo que ele é bem respeitoso. E isso, é isso, é isso. Eu acho ele respeitoso, e ao mesmo tempo que ele se inspira, a gente já vai chegar na premissa do livro, mas ele se inspira nela e na obra, ele pega para si, eu acho, assim. A gente não vai fazer aqui um programa tentando ver o que ele acertou, o que ele errou.
Em relação à biografia, ou a um ponto de vista, ou ao próprio Mr. Dalloway. Acho que tem aqui as adaptações que ele fez, mas eu acho que ele faz... Tudo que ele adapta aqui, ele faz de uma maneira muito justa para si. Assim, muito honesta, talvez, com a obra, com a Virginia Woolf, com o que ele queria fazer com esse livro. Então...
Talvez venha daí o sucesso, em parte, assim, do quão ele conseguiu dosar tudo. E como a Andrea falou, sem ser pedante. Porque tava, assim, dado de bandeja pra ser pedante, vamos combinar? Porque poderia ficar muito popular. E ele fica ali no meio do caminho, e é o meio do caminho que é muito difícil ficar. Muito!
Muito, muito. A gente tem um exemplo, vou dar um exemplo aqui de um livro que fez muito sucesso, que também virou filme, mas que é um filme, primeiro, que a proposta dele é completamente diferente desse aqui, ele é um livro de comédia, mas que ele usa como base o Orgulho e Preconceito, que é o Diário de Bridget Jones.
O Diário de Bridget Jones, ele é um livro. E, de novo, eu fiz o mesmo percurso. Eu cheguei no Diário de Bridget Jones pra chegar em Orgulho e Preconcil. Então, assim, foi o mesmo percurso. No caso do Diário de Bridget Jones...
Ele é uma contrapartida muito pobre, né? Assim, ele é um livro que eu adoro, assim, acho super divertido, mas se a gente for comparar com o que ele fez aqui, é risível, assim.
Sim, sim. Eu sei que é horrível falar isso. Mas eu entendi. Comparar qualidades e tal. Mas assim, a proposta da Ellen Fielding era completamente diferente da proposta dele aqui. Ele é um homem, depois a gente vai falar um pouquinho da biografia dele. Mas ele é um sujeito, estudou literatura inglesa. A Ellen Fielding também, mas assim, era mais jornalista. Era uma outra pegada.
Aqui as coisas são muito distintas. Os públicos eram muito distintos. Ela fez muito barulho na época que saiu o livro, e muito mais barulho que ele, inclusive. Ele só foi fazer barulho fora do eixo Estados Unidos, fora dos meios literários, por conta do filme. Ela acaba saindo porque ela cria uma visão Eu não sei não.
de uma mulher da década dos anos 2000. Que é essa mulher de 30 anos, que não casou e que tá louca pra casar. Então ela cria uma outra coisa usando essa chave do orgulho e preconceito também. Que tem a coisa do casamento e tudo mais. Talvez por isso ela tenha ganhado mais visibilidade. Quando ela chega aqui, ela já faz sucesso com o livro, muito antes do filme. Na época.
ele não. E aí eu acredito que é por conta disso, por conta dessa... Não foi tão popular a ponto da qualidade técnica dele e é notória, assim. A narrativa dele é espetacular. Eu não tenho um A pra falar da narrativa dele.
E é uma narrativa intruncada. E as pessoas podem dizer, ah, mas é difícil. Não. Eu acho que assim como, por exemplo, ele poderia ser pedante, que é isso que a gente tá falando aqui, ele também, e assim, eu conheço incontáveis maneiras de que ele poderia ser desrespeitoso com essas mulheres que ele tá retratando. E ele não é desrespeitoso com nenhuma delas. É um negócio, sim. Com nenhuma delas. Uma preciosidade esse homem. Tá realmente em falta.
É bem por aí mesmo. Nossa! Foi o que eu disse, é muito curioso um homem que consiga escrever mulheres como ele escreve. Acho difícil, muito difícil. Muito, sim. Com a sensibilidade e com todas as questões, né? A gente vai ter questão de maternidade, a gente vai ter questão de bissexualidade. Sim, e que não... Tchau!
ele foi. Isso, isso, exato. E que, sabe, nada tá dito, nada tá dado, e tudo tá dado. É ótimo, que delícia, é isso. É isso, entendeu? Nada é questionado, nada é taxado, mas também nada é fechado, nada é muito... Não. É tudo sob medida, de acordo com o que essas pessoas sentiam, queriam, faziam.
estavam, então assim, é tudo muito, um olhar muito bonito sobre essas personagens, assim, então é, e todas elas todas, todas, até quem nem precisar mas a gente vai chegar lá vai, vai, a gente vai mas é isso vamos falar um pouquinho do homem? vamos, vamos falar do homem
Ele ainda está vivo, olha só, vejam vocês. Andréia, você gostou de um autor contemporâneo? É, tá? Você acha que não? Os meus autores contemporâneos, eu sempre brinco.
Os meus autores contemporâneos normalmente são autores de conforto. Eu brinquei com a Ellie Fielding, que escreveu O Diário de Bridget Jones, mas esses livros vieram para mim no período da faculdade que você lia o Memórias do Subsolo e você ficava...
Você ficava em posição fetal depois, sem querer ler nada. Então, o que me fazia voltar a ler eram livros muito, muito, muito bobocas. Vou colocar assim, bobocas em que sentido? Que não eram... É...
Não tinha o que as pessoas chamam de qualidade técnica ou qualquer coisa. Então eu li muito durante um tempo esses autores. E aí o Cunningham entrou por essa via do filme, como eu disse. E foi uma surpresa maravilhosa na época que eu li. Eu li também jovem.
Eu cheguei a falar aqui, lá com os meus 23 anos, acho. E, nossa, querendo muito gostar do outro livro que a gente falou semana passada. Né, pois é. Então, e eu acho que isso foi um problema. A minha porta de entrada ter sido as horas. Nossa, foi. Porque ele é um livro que, ao mesmo tempo, ele aproxima, mas ele... Mas, como eu disse, a narrativa dele é muito, muito, muito maravilhosa, assim.
E você tem mais pra além Do que a gente viu No livro passado, e assim, isso vai ser inevitável A gente ficar comparando com Mrs. Dalloway, porque ele é baseado Nele, então não tem como não A gente não vai nem comparar Mas é apontar mesmo os pontos de contato Não vai ter muito como não fazer isso
E eu acho que foi um problema, porque, de novo, eu fui querendo gostar muito de Mrs. Dalloway e acabei vendo que não era pra mim. Mas esse sujeito senhor, hoje de 73 anos, tá vivo ainda. Tá aí, tá aí. Vivo e vivendo. Nasceu em 6 de novembro de 1952, em Cincinnati. E cresceu em Pasadena. Pasadena.
Então ele fez literatura inglesa em Stanford E depois fez mestrado Em escrita criativa Na Universidade do Iowa E participou De um grupo que eu nem sabia Que era tão popular Que
Chama Iowa Writers Workshop. E falam que é um dos workshops mais importantes. De escrita criativa? Informação de escritores. Nossa. Eu não sabia, não fazia ideia. Bom, também, se cada um fosse assim como ele...
É, então, eu cheguei na minha pesquisa, eu acabei não indo atrás de outros autores que possam ter passado por essa formação. Mas, para eles terem indicado isso, porque eu fui procurar, porque primeiro falou assim, ah...
Nem deve ser tudo isso e tal, né? Enfim, fui olhar e não. O pessoal fala muito, principalmente, desse período da década de 90. Diz que ele formou muita gente, que foi fundado em 36, mas que formou muita gente boa, assim, desses escritores.
Ah, então, ele tem muitos alunos que foram prêmios Pulitzer. Então tem, ó, Felipe Hoff. Olha, Felipe Hoff. Felipe Hoff, para quem não está conectando o nome à pessoa.
Deixa eu ver algo que ele... O Ghostwriter, ele que escreveu. Ghostwriter, que também tem adaptação, inclusive. Adoro o Philip Roth, sabia? Então, ele é dessa turminha aí do barulho. Ele que fez pastoral americana. Isso, então. Esse livro que ganhou o Pulitzer. Então, assim, esses alunos aí ganharam o Pulitzer. Então, eles são ganhadores de Pulitzer. Entendi.
E ele fez o Complexo de Portnoy. Não sei nem se é assim que fala. Não deve ser, né? Mas tudo bem. Eu acho que sim. É assim? Eu gosto, quer dizer, controverso. Mas eu gosto dele. Então, The Ghost Writer é dele também. Que também tem uma adaptação.
É bem boa, com aquele menino que eu amo. Menino Eva McGregor. Se não me engano, é... Nossa, Flannery O'Connor, que é uma das minhas escritoras favoritas da minha vida. Eu gosto muito dela. Chocante. Então, ela também estava na turminha do barulho aí, do Iowa Writers Workshop. Cara!
Caraca, era assim, tão de famoso o negócio. É, era de famoso. E aí ele passou por isso, principalmente na década de 90, né? Falaram que eles ganhou muita coisa ali na década de 90, então é esse grupelho.
Enquanto ele estava estudando Fazendo essas aulas ali Lá no Iowa Ele teve muitas Muitas histórias publicadas Na Atlantic Monthly E na Paris Review
E teve um conto dele, um conto chamado White Angel, seria algo como Anjo Branco, ele não é traduzido para o português. Ele foi incluído no The Best American Short Stories em 1989. De novo, assim, ele é um autor muito laureado.
Mas ele... No meio acadêmico. Ah, tá, no meio acadêmico. E ele só teve esse sucesso, assim, maior? É, popular, assim, só. Porque... Que foi o que estourou ele pro resto, assim, né? Ele escreveu outros livros e tal. O que o pessoal diz é que ele meio que esgotou a fórmula. Porque...
quando eu tentei ler outras coisas dele falaram assim, ah ele meio que acabou fazendo tudo como as horas, e aí eu meio que você chegou a ler? e aí eu meio que eu não cheguei a ler, porque eu vi algumas coisinhas lançadas dele aqui no Brasil quando a gente foi fazer e me deu vontade porque eu gostei tanto do livro
Acho que a Companhia das Letras lançou algumas coisas dele aqui. A Carambaia também lançou acho que dias exemplares, a Carambaia. E... Ai, é, acho que foi. E aí tem o Ao Anoitecer, a Rainha da Neve.
Mas eu me lembro que esse Dias Exemplares... Por que eu lembrei desse? Porque o pessoal falou... Ah, ele meio que... Meio que manteve a fórmula do... Do As Horas. Do As Horas e tal. Aí eu falei... Ah, então nem vou...
Nem vou me me dignar assistir a ler e tal, né? Talvez se eu tivesse lido... Talvez um dia, quem sabe. É, então, é um... De novo, eu acho que ele... A prosa dele é muito boa, né? A prosa dele é... Ela te leva pra um lugar, assim, de... Ela incômoda.
No sentido de... Ela fala as coisas. Então não fica muito com o meio termo. Isso eu gosto. Também gosto. Então, o começo do livro, a gente acabou lendo o primeiro capítulo, mas a gente lê o primeiro capítulo do livro de fato. Ele tem uma introdução, um prefácio. O prefácio, ele traz como que a Virgínia Wolff, ele romantiza. Isso.
O suicídio da Virgen U. Então, assim, ele diz o que tem que dizer, na verdade, assim, não fica... Não é que assim, ah, ele diz o que... Não, eu quero dizer que ele não é de meias palavras. Ele não é... Ele toca nos assuntos. Ele toca nos assuntos. O que hoje a gente tem muito medo, que tudo é gatilho. Exato, exato, exato. Eu tenho...
Eu já conversei isso com o Gabi algumas vezes. E eu vou dividir com vocês. Não sei nem se deveria. Aí a editora vai pensar. Aí a editora pensa a hora que tiver ouvido isso. O que acontece? Eu tenho pra mim que a coisa do gatilho eu já entendi. Tá tudo certo. Acho que sim. Você, por exemplo, iniciar um vídeo e você dizer, olha...
Esse vídeo tem determinado... Tem isso, isso e isso, né? Um vídeo jornalístico, por exemplo. Eu acho que tudo bem. Acho que tá ok e tal. O que tá me incomodando muito na internet é, por exemplo, é as pessoas não darem o nome das coisas. E aí, por conta de engajamento. E aí as pessoas ficam fazendo várias mímicas e...
e não dizem. E isso me leva a pensar em algumas coisas. A primeira delas é por que a gente não está falando o nome das coisas? E o mais importante, por que essas coisas desmonetizam o vídeo? Então eu acho que a gente tem que começar a pensar nessas coisas.
Porque a Andréia mais, e aí eu vou no extremo, a Andréia mais falar a palavra pedófilo. Eu falei, então, falar a palavra pedófilo não está em nenhum... Atrelado. Então, mas não é nem isso que eu ia falar. É, você ter uma rede de pedofilia. Eles não se nomeiam assim. Eles não usam essa terminologia.
Então, dizer pra mim que você não fala isso no seu vídeo, porque ele vai desmonetizar, porque ele pode achar que você está errado. Ah, mas não pode porque é assunto sensível. Então, vai ser assunto sensível? Como é que eu vou dizer isso?
Então a gente vai continuar tendo esses assuntos sensíveis cada vez mais pra falar. Porque se é um assunto sensível, ninguém fala. É justamente por isso que tem que se falar, eu acho, sim. Claro, com as devidas... Obviamente com cuidado, obviamente com respeito, obviamente... Olha...
Quer ver? Olha como é que as coisas... Com responsabilidade, mas enfim. Aqui no Portal Refil, a gente fez um programa sobre Lolita. E a minha frase de abertura foi, é pedofilia que chama. E aí, nossa, mas é muito forte. Falo assim, gente, as coisas...
Tem nome. Elas têm que ser ditas. Porque senão fica esse meio dizer. E a gente volta para 1900 de Guaraná com rolha, que todo mundo fica meio... Ai, eu não vou dizer tal coisa. Fica melindrado. E isso só prejudica. Se a gente não nomeia as coisas, a coisa só piora. Exatamente. Nomear é conhecer, gente.
Exato, exato E aí conhecendo a gente pode Combater também É isso, é isso E aqui ele faz isso Ele nomeia Ele não é de meio termo Mas ele vai No fluxo de consciência Ele trabalha No fluxo de consciência também
É um fluxo de consciência como o dela? Como eu brinquei lá, o fluxo de consciência Pogobol? É, André, não é. Nesse sentido, ela eleva a enésima potência e o Pedro Páramo eleva. É, é. Ele também trabalha e assim, a gente está falando de literatura contemporânea.
que não tem muito, que acaba revisitando muita coisa. E o que ele faz aqui é revisitar esse modernismo. De dar uma cara...
Dá uma cara contemporânea, como eu disse, mas revisitando esse modernismo. E trazendo os temas que estavam lá, como a doença mental, como as questões de gênero, as questões de sexualidade. E revitalizando isso. E tirando ali do início do século XX, e ele é um homem do século XX também.
mas já do final do século XX. Então, como que essas coisas se dão aqui no século XX? Ainda, mas no final do século XX. Eu acho que é aí que mora a graça e a genialidade dessa história.
A gente entender que, sim, no caso da Clarissa ali, das duas Clarissas, né? A personagem principal dele também é Clarissa, que tem o apelido de Mrs. Dollar.
Mas como o quão diferentes e o quão iguais são essas mulheres. Então, é isso que ele faz. Lindamente. E, pelo que parece, foi muito bem instruído pela instituição lá de Iowa. Muito bem. Teve aulas excelentes, além de ser... Aulas excelentes. Vamos ver. Depois eu quero ver o...
a grade programática quem sabe ano que vem eu e Andrés estamos lá não vai rolar vou ficar devendo
Ele está casado hoje ainda. Ele está casado há 18 anos já. Olha só, vejam vocês. Viu, gente? Existe. Ele está casado... Existe. Claro que existe, né? Pessoa casada há 18 anos, né? Essa instituição está acabada, né? Está afadada. Está afadada ao esquecimento, a morrer. Mas tem gente ainda que sobrevive. Tem gente até que casa. Pois é, menina.
você vê só eu podia ficar quieta olha só tem gente até que nem vou falar nada não vou falar não fale pelo amor de Deus bom e ele está casado com um psiquiatra, com o Ken Corbett e aí é muito curioso porque foi o que eu falei pra Gabi na minha pesquisa não sei não
A gente não tem muita coisa a respeito da vida dele, não. Ele me parece ser muito low profile, muito na dele, muito tranquilo, casado, sabe? Essa coisa assim. Mas me parece que... E a gente tem que lembrar que ele teve esse boom de popularidade no final dos anos 90.
Que ainda tínhamos uma visão, principalmente do homossexual homem, como essa coisa da... Ai, sei lá, né? Essa coisa do cara que vai pra noite e faz e acontece, nananã e tal. E tem essa... E ele combateu muito essa coisa do autor gay, né? Sim. Que também pra mim é uma maluquice. Em mais de uma fonte que eu li... Eu não sei se não é uma maluquice.
Tava escrito lá assim, ah, ele acha ruim que as pessoas... E era assim o texto. Ele está casado com o fulano de tal, um psiquiatra... Não, o primeiro era...
Fulano é um homem gay. Ele está casado com fulano de tal, a não sei quantos anos. E ele fala que não é o autor gay. O oposto do livro dele é isso. Você entende? Gente, olha, vejam bem, tá? Nós não estamos aqui
Porque aí, né, vou falar do meu lugar de fala. Porque, assim... Sim, sim. É, você tem muito mais... Sim, André, sim. Sim, sim. Porque... Porque... No livro, por exemplo, isso... Eu entendo que, assim, talvez para a geração dele tenha um outro significado se posicionar dessa maneira, porque...
O livro, ele não tem...
Como dizer isso? Tô tentando dizer de uma maneira menos... Ele é um livro que ele não cria questões em nada. Então, em que sentido... Ele não cria um drama. Isso, ele não cria questões em torno de nada. E de nada eu estou querendo dizer porque a gente tá falando de um livro que trata desde suicídio até AIDS, até relacionamentos LGBTs, mães desfuncionais, mulheres que não queriam ser casadas.
Então, assim, aqui, se a gente fosse pegar, assim, qualquer um das personagens e qualquer situação, quase qualquer situação do livro, daria pano pra manga, assim, pra gente ficar aqui falando da vida, enfim. Mas... Do universo e tudo mais. Do universo e tudo mais. Por muitos anos, igual nós vimos aí, uns episódios atrás. Exato. Mas, ele não faz isso.
ele não deriva. Ele conta a história que ele veio te contar e ele deixa que você, que é o leitor, pense sobre essas personagens. Isso. Então, é meio contraditório que essa mesma pessoa... E aí, assim, por um lado eu acho contraditório, por outro, ele me parece até querer reforçar isso, assim. Porque é um livro de...
de 98, né? É um livro... Então, se a gente for datar, a gente tá falando de um período ali pós-grande onda da AIDS, pior grande onda da AIDS, esse ápice da... da...
Enfim, do preconceito. Da epidemia. Da epidemia. Porque foi uma epidemia. Exato, do preconceito e tudo mais. Então a gente tá num período ali que ainda não se tem essa fluidez no trato de se posicionar como homossexual tem uma carga. Enfim, eu não sei. Eu fico tentando entender o que passa pela cabeça dele em...
Em querer pontuar muito forte isso, assim, do tipo... Eu não quero que isso me defina num lugar de eu não quero ser... Não sei, assim, eu fico tentando... Eu gostei tanto do livro que eu fico tentando trazer um... Imagina, não sei se eu vou encontrar, mas eu fico tentando encontrar uma justificativa. É porque eu acho que, por exemplo, alguns autores, quando eles são marcados assim, do tipo, ah, o autor X...
Ah, quer ver? Não vamos colocar pra homossexuais, vamos colocar pra negros? Vamos colocar diretores negros? Vamos colocar o Spike Lee? Isso. O Spike Lee, ele é um cara... É, então, ele é um cara que faz filmes incríveis. Incríveis. Os filmes do Spike Lee são incríveis. E eles têm um viés racional. Ele é um homem negro. E aí, as pessoas falam cinema negro do Spike Lee, por exemplo. E eu falo, cara...
é também negro. É claro que vai ter um viés de... vai ter um viés racial, porque ele é um homem negro vivendo numa sociedade que o odeia. Então, é claro que vai ter. E tem obras dele que são focadas nisso, como...
O Infiltrado na Clã. Ai, muito legal. É maravilhoso. Sim, eu adoro. É muito maravilhoso. E eu acho que aqui é isso também. Ele não vai dar essa identidade pra obra dele, né? Exato, entende? Ele não vai ser esse cara. Mas ele vai falar desse lugar porque, de novo, a nossa sexualidade, seja ela...
homo, hétero, pan, sei lá. Seja ela o que for. Ela não é tudo de nós. Mas ela é ela não me define, mas ela é parte de mim. Então, querer dizer que não, que você não vai colocar essa parte em algo tão sensível como arte.
sei lá, eu acho e eu acho que ele vai nesse lugar do tipo, olha, eu não quero ser conhecido como um autor que fala só pra gays porque eu não tô falando só disso aqui eu tô falando disso também e nem é pra esse público apenas que eu quero dialogar, eu acho que tem um pouco isso, é isso, e também
Tem um traço de geração Que eu acho também Não sei Ah é, pode ser Porque ele é dos anos 50 Não sei até que ponto Porque eu também conheço Também tem pessoas que isso não tem nada a ver Então não sei, sinceramente Mas acho que pode ter sim um pouquinho Não sei
Mas que não deixa de ser curioso, não deixa, né? É que eu acho que acaba colocando numa caixinha, né? É tipo, sabe quando a pessoa... Ah, tem uma boa. Sabe quando a pessoa, ela... Eu já vi o Lázaro Ramos falando a respeito disso. Ele falou assim, eu não quero vir dar entrevista pra falar a respeito de racismo. Eu quero falar do filme e tal, eu quero...
Eu quero ser chamado pra outras coisas. E eu acho que é esse lugar. É, é isso. Acho que sim. Entendo? Tipo, não é de ser colocado na caixinha. Acho que é exatamente isso. E de novo, como é uma obra de arte e é uma... E você só escreve sobre aquilo que você conhece. A gente já falou disso algumas vezes aqui. Se você fez a pesquisa ou não, como o Mário Puzo ou...
ou enfim, mas você vai escrever sobre aquilo que você conhece e do jeito que você conhece a coisa é claro que alguma coisa de você vai estar ali, não tem muito como não acontecer, por isso que a literatura é tão importante gente, no final das contas porque a gente vê as outras possibilidades de leitura de mundo que não é só a nossa eu acho que isso também, militei, militei é, militamos é isso
acho que é isso. Podemos também, tá tudo bem. Acho que podemos. Podemos. Estamos nessa posição de poder, eu acho. Estamos. E é isso. Pelo menos por enquanto, enquanto a Gulag não chega. Exato, enquanto ainda estamos aqui, estamos aqui. E aí, bom, como a gente falou, em 98, ele ganha o prêmio Pulitzer de ficção pelo As Horas.
E é aí que ele se torna popular no mundo inteiro. Porque ele vai ser adaptado. Sim, imediatamente adaptado. E aí todo mundo. É, é. E aí as pessoas ficam malucas com o filme. E é um filme que é curioso. Era um filme que, quando eu assisti, eu me lembro da... Lembra do Rubens Edovaldo Filho? Não sei se você lembra dele. Crítico de cinema?
falecido. Não sei, lembro dele. Enfim, ele... Eu me lembro da crítica dele às horas, que ele falava assim, As Horas é um filme lindo, mas só as mulheres vão entender.
e foi muito engraçado é porque naquela época dificilmente alguém que assistisse ia compreender eu acho que hoje está mais maleável mas ele é de fato uma obra o livro, o filme, são obras muito pra frente impressionantes muito então já que a gente está aqui falando milhares de tempos sobre a obra não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não é não
Como a gente disse, ele é super low profile, não tem nenhum escândalo muito. A fofoca literária aqui não vai a roda. Não, hoje infelizmente vamos dever a fofoca. A gente vai ficar... Quem diria? Ficamos devendo. Olha só, você acha que tem autor? Acho que aconteceu isso quando eu fiz o programa de Tolkien com os meninos. Também era outro assim, que low profile total. Mas eu acho que... Nem pra causar um escandalinho pra nós.
nada mas eu acho que esse menos o Oscar Wilde esse pessoal que ainda esse pessoal que é acadêmico acadêmico, porque o Tolkien era, ele também fez mestrado eu acho que esse pessoal é mais no profile eu acho que sim que tem a coisa da escrita como num outro lugar talvez que tem a coisa
É, eu acho, eu acho, eu acho Eu acho que sim Vamos então às horas? Vamos às horas
Ai, gente, livrão. Só consigo falar isso. Porque assim... Gente, olha, como a André disse, a premissa do livro, o enredo, ele tem algo de banal. Mas isso não é uma crítica.
Ele tem algo de pegar três mulheres em três momentos distintos, historicamente distintos, mas que eu acho... Você enxerga... Você enxerga... Bom, que pergunta, né? Uma pergunta quase... Mas, assim, existe um fio da meada que conduz... Assim, essas mulheres se encontram...
Não fisicamente, sim, também, mas enfim. Há um encontro metafórico entre elas que ocorre, pra mim, através de basicamente dois vieses.
Vejo o que você acha. Que eu acho que vem daí também a minha identificação com a obra, que é, elas todas estão passando por um momento, ou passaram por momentos, em que elas se sentem pressionadas.
ou limitadas socialmente pelas circunstâncias históricas que elas estão inseridas. Então nós temos, nós acompanhamos a própria Virginia Woolf, nós acompanhamos a Clarissa, que é um paralelo com a Clarissa Dalloway, e nós acompanhamos também a Laura Brown. Isso.
cada uma delas está passando por uma espécie de crise própria, digamos. Está passando por... Elas são desencaixadas. E eu acho que a Clarissa, apesar dela... Porque aí a Clarissa vive na contemporaneidade do livro. Então, a gente está falando de uma mulher que vive ali nos anos 90 mesmo, em Nova York.
Apesar disso, porque ela, digamos, goza de certa liberdade e de poder escolher, de ter escolhido o seu caminho, a gente vai acompanhando ao longo do livro, você vai notando que ela teve algumas escolhas, ela...
Exato, então, era aí que eu ia chegar Porque inicialmente Você começa a ler e você fala Ué, né, assim Pô, né, tá tudo bem Essa é uma mulher relativamente Bem sucedida Que tem O seu reconhecimento Que é uma mulher Com um relacionamento estável Que tem uma amizade Ali que é recíproca Bem estabelecida E aí
Então, à medida que você acompanha, e acho que é aí que mora o intrincado da obra, você vai perceber que ela também é vítima. Assim, vítima, digamos, vítima hipotética, digamos, abstrata. Ela tem um lugar que lhe foi...
dado, assim, que... Então, eu acho que a palavra escolha que você usou, ela é perfeita, no sentido de uma falsa escolha. Isso. Onde que eu quero chegar? Onde? Clarissa, de Mrs. Dalloway.
A gente tem claramente que ela era apaixonada. Isso. Pelo melhor amigo dela. E ela fica com o Richard. Isso. E ela escolhe o Richard. Foi uma escolha dela. A gente diz, ah, foi uma escolha. Deliberada. Até que ponto, então, até que ponto foi uma escolha?
É uma escolha de uma estabilidade, é uma escolha de um casamento bom, é uma escolha de uma vida boa, é uma escolha de status.
Que ela acabou fazendo ali. A Clarissa daqui foi uma escolha até a página 2. Porque a gente começa a perceber que não foi uma escolha dela. E que... Eu amo porque é uma... O que eu gosto disso tudo é que assim... Essas são pessoas em crise. Isso. Todas elas estão em crise.
Justamente por esse fio da meada, assim, por essa incapacidade de serem donas mesmo do seu destino. E aí, é interessante porque a Clarissa, gente, pra gente dar um contexto, a gente tá falando de uma mulher dos seus 60 anos, 50 pra 60, assim, uma mulher madura.
Que trabalha com edição, qualquer coisa assim. Isso, era editora de livros. Isso, muito bem sucedida, então. Imagina, mora em Nova York, enfim, né? Uma mulher muito bem sucedida, casada... Num puta apartamento, vamos combinar? Num mega apartamento lindíssimo. É. Imagina.
lindíssimo, casada com outra mulher, que aparentemente com a Celi, exato, a Celi que estava aqui no nosso primeiro, primeira frase, já na primeira frase, e que também é uma mulher bem sucedida
E ela vive essa liberdade de uma metrópole, sei lá, cosmopolita, como Nova York. Uma mulher meio... Assim, a priori, ela é uma mulher dona de sua vida. Você lê...
E você diz, ah, imagina que ótimo, né? Assim, a descrição do apartamento, como a Andrea falou, a própria vida, assim, o que ela tá fazendo, o luxo que ela se dá de, assim, de estar acompanhando esse amigo. Ela tem esse grande amigo que é o Richard, que é um amigo que está passando por uma fase avançada do HIV.
E ali ele começa a ter alucinações e tudo mais. É proveniente do HIV? Não. Ele já tinha um problema de depressão. Eu entendo que sim. Eu entendo que sim. Eu entendo que sim. Porque Eu entendo que
Não que não possa, enfim, talvez naquele período não pudesse causar uma demência, uma espécie de uma demência, de uma psicose, né, de uma demência. Isso, isso. Mas é mais improvável. É porque aqui ele tá fazendo um espelho com o séptimo. Isso, exatamente. Ele faz esse, ele tem esse lugar total do séptimo, assim, apesar dele condensar mais de uma...
É, mas de uma personagem. Ele acaba sendo o Richard, que seria o marido dela. Um pouco do... O homem que ela... Um pouco do outro rapaz, que me esqueci o nome. Do grande... Isso, do grande amigo. Peter Walsh. Eu acho que ele condensa tanto o Richard quanto o Peter.
quanto o séptimo quanto o séptimo, é a medida que, porque aí você começa como a Andrea falou, ele é esse amigo então, que tá tendo alguns delírios você percebe que eles são quase vizinhos, ele é um grande escritor, assim, grande
Peronomútil, né? Existe uma certa dúvida de quão bom ele de fato foi e tudo mais. Mas ele tem, então, essa doença bem estigmatizada no período. Enfim, um pouco resistindo, um pouco se entregando. Ela acompanha... Você vai descobrindo que ela já o acompanha há muitos anos. Que eles têm, então, essa amizade muito longa. Que ele teve o Lois... Lois?
Louise. Louise, é. Como um grande amante, assim, um marido, namorado por muitos anos, mas que agora tá sozinho ali. Grande filho, tá puro. Exato, tá... Pois é. Tá ali sozinho, não sei o quê. E você, ao longo da história, você começa a se dar conta que ela...
era muito apaixonada por ele. Que ela não só era muito apaixonada por ele, como eles quase ficaram juntos. Isso. E você como... E parece que eles se amavam. Sim. Assim...
mesmo ali na contemporaneidade do livro, mesmo ali naquele lugar. Eles continuaram se amando, tanto que eles sempre repetiam a coisa do eu estou aqui por sua causa, eu ainda não morri por sua causa, você vai me deixar morrer?
você me deixa morrer ele é um ele é um chantageista um manipulador muito manipulador porque ele sabe ela diz isso em alguns momentos ela pensa isso e diz isso ela diz isso, ela diz ele sabe
Ele sabe que eu sempre gostei dele. Ele sabe que eu nunca vou deixar. Ele sabe que ele joga com isso. Ela está no lugar do Peter. Ela está no lugar do Peter. Exatamente. Ela está nas mãos dele, assim.
E ao mesmo tempo é isso, é uma personagem complexa, porque ao mesmo tempo ela é casada, ela dá zero indício de alguém que não goste da mulher, não é como se ela fosse uma mulher que estivesse em um casamento infeliz. Por quê? Porque nós vamos acompanhar em paralelo a ela... Eu gosto muito dessas personagens, porque para mim todas elas são complexas.
Eu acho que não tem muito sim e não aqui. Porque é isso. Ela tem uma grande paixão pelo Richard. Mas ela é casada. Mas ela também ama a esposa. Ela meio que tá casada. Ao mesmo tempo que está tudo bem. Com a vida como ela está. Também não está tudo bem.
É muito louco, sim. Ela tem essa coisa... Então, mas eu acho que tem essa coisa muito da mediocridade da vida. Isso, exatamente. Tipo, isso foi o que a vida fez de mim. Então, é isso que tem que ser, porque foi isso que a vida fez de mim e do tipo, bom...
Vamos fazer dos limões uma limonada e vamos gostar dessa limonada porque nós estamos aqui agora. Então, é isso, né? Ao mesmo tempo que tem condições muito piores no livro. Então, a própria... Enfim, temos essa personagem que eu acho que é o fio da meada do livro todo. Ela. Assim como o Mrs. Delway. Enfim.
E em paralelo a ela, temos Laura Brown, que eu amo esse nome, Laura Brown, que é uma mulher, gente, que poderia ser tantas mulheres, assim... Ah, é uma situação... E eu acho que poderia ser... É, poderia ser...
Tantas mulheres, inclusive, da minha geração. Sim, nossa, assim, é uma situação assim, porque... Enfim, quem é Laura Brown? Você... Enfim, ele dá alguns sinais de quem é Laura Brown, né? Então...
ela é uma mulher recém-casada, mais ou menos casada há poucos anos, com um marido que é um ex-combatente de guerra. E ali ele dá muitos indícios disso, do tipo, casou com ele porque era o que ela tinha que fazer.
Do tipo, como que ela não ia casar com ele? Ele voltou da guerra, ele amava muito ela, ele era muito bonzinho, ele era muito dedicado a um homem fora da curva. E, assim, por que não? Né? Assim, do tipo, o que mais eu deveria fazer? Né? Só... E num período, e num período, década de 50, 60, num período...
que a gente tá falando daquela dona de casa que estão imitando agora. Isso! Aquela dona de casa... I love Lucy. Isso! Propaganda de margarina, assim.
E ela é muito decadente, assim. Ela tá num momento muito ruim da vida. Porque ela é uma... A gente a acompanha enquanto ela está lendo Mrs. Dalloway. Isso. E você descobre que ela é uma grande leitora. Ela é uma mulher que gosta muito de ler. E não só isso, assim. Acho que dá a entender que ela... Eu não sei não.
Ela queria outra vida, assim, mesmo. Do tipo, ah, eu poderia ter sido, sei lá, professora. Não sei, entendeu? Poderia ter feito uma faculdade. Poderia ser escritora, jornalista. Mas ela não queria ser uma dona de casa. Isso, ela queria tudo menos estar casada com um filho, grávida. Porque aí é isso, ela está grávida. Ela já tem um filho e está grávida do segundo filho.
Ela é uma mulher absolutamente... Assim, eu acho que ela é uma mulher absolutamente do avesso do que deveria ser pra época. Então, na primeiríssima cena, a gente já acompanha ela descendo do quarto.
porque ela não queria sair do quarto, ela tava ali lendo o livro, e você percebe que ela, quando sai do quarto, o marido já acordou, já tá dando o café da manhã pro filho, fez o café da manhã dela, é aniversário do marido, e ele diz, ah, sente aí, meu amor, vamos comer, do tipo, né, fiz seu café da manhã.
E assim, o quão incomum era um homem fazer café da manhã na década de 50, eu não faço ideia. É. Porque... E ela se culpa muito, né? Ela fica... Ao mesmo tempo que ela não faz, ela também se culpa. É uma coisa, assim, de deslocamento mesmo, né? É. Enfim. E... Então, a gente vai acompanhando essa mulher que tá ali se esforçando por fazer o dia do marido muito bom, porque é aniversário do marido.
Um pouco retomando sempre o fio da meada do porquê ela está ali, do porquê que é importante ela manter aquela relação, aquela vida, aquele filho. Ela se esforça muito por...
segurar a peteca ali da maternidade, de manter uma soberania materna, assim, eu decido, pode deixar que eu resolvo tudo, pode deixar, não, ela não consegue, ela não consegue se enca... E ela não quer, eu acho que mais do que não consegue, eu acho que ela não quer ser essa mãe, né? Enfim, então...
Tem essas duas mulheres e tem a própria Virginia Woolf. Então, a gente acompanha também uma Virginia... Eu acho que é uma Virginia Woolf totalmente deslocada. Então... O que você achou da Virginia Woolf e da Nicole Kidman? Ai...
Nossa Senhora. Assim, digamos, dá pra perceber que ela se esforçou. Acho que ela se esforçou bastante. Acho que ela adota, assim, algo do trejeito... Ela tenta, num lugar que não seja tão estereotipado, adotar o trejeito ali da própria Virgínia. Sim. Mas...
fica faltando, né? Ah, muito, muito, e eu acho que... Fora o nariz, né? Exato. E assim, e não... Eu também não acho que a adaptação foi tão...
Assim, eu entendi, porque eu acho que se romantiza muito da vida dela. Eu acho que em épocas de excessivas problematizações, pouco se problematiza algumas coisas em relação à vida dela. Então, ela foi uma mulher que se casou, que amava o marido e tudo mais. E o filme, ele dá uma cutucada na relação com o marido, eu acho.
Acho que o filme provoca a gente na relação com o marido. Será que essa relação com esse marido era tão boa? Será que era saudável mesmo? Será que esse cara realmente era esse homem totalmente apaixonado por essa mulher? Como é que era essa relação? Porque o livro traz uma Virginia Woolf deslocada, mas deslocada um pouco no papel social que se espera de uma mulher casada. Ela não consegue lidar direito com...
com os empregados e não é com os empregados num lugar só de classe, eu acho que é num lugar do tipo, eu preciso gerir a minha casa, então eu preciso eu preciso acordar e pensar que todo mundo vai almoçar e eu preciso descer e falar logo com as cozinheiras e explicar o que eu quero e porque que eu quero, como que eu quero, e aí eu preciso
Pedir pra arrumarem a casa e pegarem flores, sei lá. Eu acho que ela tem um deslocamento em relação a isso, assim. Do tipo... Isso, isso. Dela não conseguir fazer esse papel específico. É, do papel, tanto que ela fala. A Clarissa vai ser...
vai ser a anfitriã, ela vai, ela mesma vai lá pegar as flores. Isso, exato, é, exatamente. Exatamente. E ele um pouco faz essas interpretações do tipo, quando ela estava escrevendo o Mr. Dalloway, era isso que ela estava pensando, porque ele diz em alguns momentos, eu vou por ela pra pegar as flores, ou eu vou, será que alguém tem que morrer? Né?
Quem vai morrer? Em que circunstância? Então, tem esse flerte com a morte. Tem essa... Esse total... Tem muita metalinguagem, né? É, muita metalinguagem. Exatamente. É uma metalinguagem. É um livro inteiro de metalinguagem, eu acho.
Sim, sim, sim. E a... Então tem esse desencaixe absoluto dela nessa função social do gerir a casa, do estar presente, do fazer e acontecer e tudo mais. E é isso. E aí a gente acompanha ela nesse momento que ela está recebendo a irmã.
numa tarde, assim. E eu acho que tem um pouco ali do forçar esse contraste entre ela e a irmã. Isso, isso. Porque se por um lado ela é essa pessoa totalmente deslocada, que não teve filhos, que não sabe gerir uma casa, a irmã parece ser o oposto, né? Ela tem três filhos, ela sim sabe gerir a casa, ela é cheia de vida, ela não deve pensar um dia na morte.
pelo menos é assim que ele retrata a irmã é assim que ele retrata a irmã como uma espécie de um negativo assim dela, de um oposto dela, então a gente vai acompanhando
o tempo inteiro, essas três mulheres, essas três vidas, esses três lugares, que vão correndo capítulo a capítulo. Então, cada capítulo você acompanha cada uma delas e, como bem apontou a Andrea, por dentro desse
fluxo de consciência, assim, por dentro desse... Você tá dentro dessas personagens, assim, o tempo todo acompanhando as coisas acontecendo, também nesse sentido de acompanhar quase que um dia ou um período, um dia... É um dia também. Um dia específico. Eu acho que a única que...
É a Brown, né? É, que a gente acaba estendendo um pouco mais, é a Laura Brown. Porque as outras duas, um pouco, acontece tudo ali no mesmo dia. Enfim, e aí... Enfim, e aí a gente vai acompanhar o desenrolar de cada uma dessas mulheres. Então, a Laura Brown vai num crescente, digamos ali...
Enfim, todas elas flertam com o amor. A morte é um... Assim, poderíamos aqui listar alguns... Alguns subtítulos. Alguns temas, né? Alguns subtítulos que estão em todo livro. Então, todas elas têm um flerte com a morte a seu modo. Então, a Laura Brown é isso. Eu, assim, durante um bom tempo ali da leitura, falei... Nossa, mulher...
Ela vai se suicidar. E eu acho que ela acredita que ela vai se suicidar. Sim. Então, ela vai seguindo aquele dia, tenta fazer um bolo junto com o filho pra receber o marido, o bolo fica horroroso. Chega uma vizinha que era simplesmente a menina mais popular da escola.
E tem isso que a André estava falando, acho, da mediocridade da vida, assim. Do tipo, nossa, ela era a mulher mais popular da escola. E olha onde ela está.
Do tipo, ora, ora, ora, não é mesmo? Onde viemos parar? É isso. O que essa sociedade nos prometeu, o que ela nos entregou. Então tem esse momento, ela encontra com a vizinha, e acho que se depara com um pouco essa crise, vem um pouco à tona, eu acho, com esse encontro com a vizinha.
E começa ali um plano, uma maquinação de se matar mesmo. Do tipo, vou deixar meu filho na casa ali da fulana. Vou pra um lugar, vou tomar tudo quanto é remédio e adeus. A Clarissa, por outro lado, está preparando uma festa para o seu grande amigo, para o Richard. Que...
Isso, do mesmo jeito que ela tava fazendo... Que ela não... Que o seu espelho... Isso, lá no Mrs. Thomas. Isso, ela está preparando uma grande festa pro amigo. E enquanto... Enquanto um pouco... Critica, reflete sobre a relação com ele. Sobre a vida dela, a relação com ele. Ela reencontra pessoas. Então ela reencontra o Luiz.
que foi esse grande amor do Richard.
Então, vem... E ela confronta, né? Confronta ele. Ele confronta ela também. Então, tem um devir, assim, tem um viratona de muito... Eu acho que as três passam por essa... esse devir, assim. E eu acho que no caso da Virginia Woolf é a confrontação com a morte mesmo. É ver aquele pássaro ali. Enfim, ela tá ali o tempo todo com...
Com a morte mais concreta, digamos. Não metafórica, mas concreta. Porque aquela cena no filme, eu acho que é uma das cenas mais bonitas. Que é logo quando a irmã está conversando com ela, a irmã fala assim, onde você foi? E ela está...
E ela tá pensando, assim. E aí a gente vê a Lara Brown na cama, e a cama se enchendo d'água. É, nossa, aquilo é...
Aquela cera é linda. Sensacional. De um jeito que ela já está... Para quem não sabe da história da Virginia Woolf, não vai entender aquilo como ela está prevendo isso. E não era nada disso. Na verdade, era essa coisa do rio ali, desse rio afluindo.
é uma cena incrível mesmo é linda essa cena, eu acho essa cena incrível também, também acho linda e a maneira com que o filme consegue mesclar as três muito bem
Isso pra mim foi muito incrível. A forma como ele conseguiu. Porque no livro, gente, pra quem nunca leu, ele vai... Um capítulo é a Clarissa. Outro capítulo é a Laura Brown. Outro capítulo é a Virginia Woolf. Aí, no outro capítulo é a Clarissa. Então, ele vai intercalando. E eu falava, gente, como que eles vão fazer isso no filme? Não, e parece uma história só. Como? Parece uma história só. É.
Você vive tudo como uma história só. E assim... Por que, gente? O que começa a acontecer? Que eu acho que é isso. A obra vai num crescente. Então você encontra aquelas mulheres que também já não começou... O filme não começa simples, mas eu digo assim. Ele desenvolve um ápice. Tal qual o Mr. Zelloy. É a mesma coisa. Então você começa num lugar que você percebe... Bebe...
Que a base já é muito alta. Então existe uma tensão que já está no ar, mas que eu acho que aumenta muito com a história. Então é um dia que parece ser um dia determinante na vida de todas as pessoas. E a Laura Brown, ela decide, ao invés de se matar, ela decide que ela vai ter que deixar a família.
É essa decisão que ela toma, do tipo, eu não consigo me matar, não consigo matar uma criança que está dentro de mim, porque seria isso, ela estava grávida.
Isso. Mas eu também não consigo sustentar essa vida que eu deveria ter por anos, deveria ter pelo resto da vida, deveria ter por décadas. Então, como eu não consigo nenhum nem outro, eu vou ter essa criança e vou embora. O menino é muito sensível, o filho, porque é isso, tem o menino dela.
Que está ali o tempo inteiro e que ele é muito perceptivo. Ele é muito sensível nesse lugar. Ele é perceptivo. Ele sabe. Pra mim, ele sabe que a mãe quer se matar. Ele sabe. Ele sabe. Coitado, me dá uma dó dele, assim. Porque ele tem... Ele queria que ela não fosse assim.
né, queria que ela estivesse ali com ele, e ele percebe, eu acho, que ela tá muito mal e não consegue se adequar e tudo mais, acho que ele se esforça pra também não ser um peso pra ela e a coisa do amor, né, que não se percebe dela pra ele, tem, ela se esfoge você percebe que tem momentos que ela se esforça, tem momentos que inclusive ela tem mesmo esse sentimento materno em relação a ele e
Mas ela se sente tão fora do papel. Ela não quer mesmo ser, né? Assim, é muito... Nossa, sei lá. É de uma... Ler isso dá uma sensação, assim, muito complexa. Pra mim é muito complexo essa situação, assim. Enfim. Então, tem essa questão, assim, de... Tanto que quando ela deixa o menino com...
E pra, enfim, pensar ali o que ela vai fazer, ele se opõe, ele grita, ele chora, enfim. Ele não quer, né? Enquanto isso, a Clarissa vai seguindo ali, fazendo a festa, preparando a festa e tudo mais. E o filme todo, ele culmina nesse ápice.
É. Que o Richard, ele faz o que o Sétimos faz no livro. Igualzinho, inclusive, né? Igualzinho, é. Igualzinho. E na frente da Clarissa também. Então... Isso, isso pra mim é... Ai, olha... Como a gente falou que ele é muito manipulador...
Nossa, fala sério. Ele podia ter feito... Ah, você quer se matar, desgraçado? É, nossa, eu tenho uma raiva dele. Olha, eu vou te dizer, viu?
Porque a gente tá vendo que ela tá ali pra ele. E aí, assim, depois que você descobre tudo... É, então. Dá vontade de dizer, meu amigo, você era pra tudo isso? Podia contratar um psicólogo, falar dos seus problemas de infância. Entendeu? Não é? Porque ali é nítido que... Enfim, que existe uma distorção, né? Na forma de se relacionar e tudo mais, assim. Sim, sim, sim. Né? Assim, do tipo...
Eu não tive isso. E essa pessoa está me dando isso. Então tomem aqui. Por que, gente? O pulo do gato é... A Laura Brown é a mãe do Richard. Isso. E a gente só descobre isso depois. Mas ela é a mãe do Richard.
E como foi pra você descobrir? Nossa, pra mim foi muito chocante. Pra mim foi muito chocante, assim. E ao mesmo tempo, se encaixa tudo. Sim. Porque o que ele... E você começa a entender. Exato. O que ele tá fazendo com a Clarissa...
E tudo mais, assim, quem ele é também, a maneira com que ele se relaciona com os livros, tudo, tudo, tudo, tudo gira em torno dessa criança que um dia não teve algumas coisas, assim, que nunca ia ter e que, por conta disso, criou uma relação com essa grande amiga, amante, enfim. Essa relação...
totalmente disfuncional. Tóxica mesmo, né? Tóxica, porque quem se... Porque, gente, o que acontece? Ele se mata na frente da Clarissa e ele meio que diz assim, do tipo, né? Eu tô indo porque...
primeiro que ele fala assim, você deixa? É. Você deixa? Porque eu tô aqui por sua casa. Ai, sabe. E aí ela fala assim, não, veja bem. E ele vai indo pro parapeito da janela e eu te amo e não sei o quê e puff, pula.
Ai, é muito sacana, viu? E a festa que ela tá fazendo, porque era pra ele. Isso, porque ele ia receber um prêmio. Isso. E aí ele fala assim, ah, eu vou receber um prêmio porque eu sou um moribundo. Porque eu tô com AIDS e... Isso é uma... É um prêmio de consolação. Uma encenação, é. É, é. Ai, olha. E ela, não, você tem... É.
Pô, é... E ele manteve, ao longo do livro, você vai percebendo que ele manteve ela na teia dele, assim, de certo modo. Apesar dele não ter querido ficar com ela e tudo mais, ele mantém ela por perto.
Tá certo que ela consente, claro, e tudo mais, mas assim, ele mantém ela por perto. Então assim, ai, eu não gostei dele, sinceramente. E eu acho que o Cunningham, ele é bondoso até com o Richard. Bondoso não é a palavra, mas ele é respeitoso. Ele não julga nenhuma dessas personagens, nem a Laura Brown.
Ele não julga ninguém. Ele conta essas histórias de um lugar que ele consegue se colocar muito bem, que é muito difícil de se colocar, mas ele se coloca num lugar muito bem, que, apesar... Sem fazer juízo de valor. E sem trazer peso, o que é mais difícil, assim. É. Porque, gente, são coisas... Olha que história tenebrosa que a gente tá contando aqui, né? É isso. E ele conta isso de uma leveza que não parece que ele tá te contando uma história tão... tão...
escabrosa. Uma dessas histórias já era mais que suficiente. Três, quatro, você fica gente, pelo amor de Deus, sabe? E ele faz isso de uma maneira leve, faz de uma maneira respeitosa. Difícil, na minha opinião. E aí é isso, então ele se mata e a Laura Brown aparece.
E a gente leva um susto no final. Exato, você fica, que o que? Meu Deus, onde que? Como assim? E é essa mãe, essa mãe que foi embora, que não se arrepende. Que ele mata no livro. Que ele mata no livro e que não se arrepende de ter ido embora. Do tipo, eu fiz o que eu precisava fazer porque era isso ou eu ia me matar. E como você acompanhou a história dela?
você sabe o que ela tá dizendo de fato. Assim, como você acompanhou esse dinho específico na vida dela, você sabe que de fato era isso ou se matar.
É isso. Assim, ou ela, né? Ou, sei lá, enlouquecer mesmo esse filho. Porque já enlouqueceu tendo ido embora. Imagina se tivesse ficado. É isso, né? Também que qualidade você vai fornecer pra essa família. Pra essa criança, é. Você se torna má, você desconta na criança. Porque ela já descontava, né?
Já, então, é por isso que eu tô falando, ela não tinha essa coisa do amor ali. Não, ela culpava ele. É, culpava ele. Muito, muito louco, assim, então... Ah, eu, enfim... E é isso, o livro, assim, sucintamente...
É isso. O livro, ele é isso. O filme, eu acho que ele... Como talvez ele... Eu acho que talvez ele tenha sido datado, em certo sentido. Eu acho também. Você também? Eu acho também. Eu tive essa impressão dele ter ficado datado. É, eu acho que ele ficou um pouco datado, em alguns sentidos. Então, eu acho que ele tende para um melodrama. Isso. Que o livro não tende. O livro não é melodramático.
Mas o filme, ele tem umas pitadas, assim, também não é um mega melodrama, mas ele tem, sim, um... Ele não consegue abrir mão dos anos 90, assim, dos anos 2000. Isso, isso. Ele não, ele fica abraçadinho com os anos 90. Então... Então, ai, tem... Porque quem faz a Clarissa é a Meryl Streep, que tá maravilhosa pra variar. Eu acho que ela está maravilhosa, enfim.
E ela tem uma cena ali, quando ela encontra o Luiz, que me incomoda muito, assim, porque não é a Clarissa do livro, não é? Não é. Ela tenta, ela tá expressando o que, de fato, a Clarissa no livro...
passa, mas... Mas é pra dentro, né? É isso que eu ia falar. Eu acho que como o livro tem essa coisa do fluxo, da consciência e tudo, isso é difícil de transmitir num filme, assim, do tipo... A gente precisa pôr isso na boca da personagem. Você precisa fazer a personagem dizer aquilo, porque você, só pelo que tá acontecendo...
você abre demais o leque. Você não deixa muito óbvio o que ela tá pensando. Então, acontece ali quando ela encontra o Luiz, ela tem uma cria, um piripaque, assim. Ela deita, ela chora, ela se joga. Esperneia. Esperneia. Um negócio que você fica tipo, gente...
Gente, levanta, Mary Strieg, levanta. Que isso, mulher? Levanta, mulher! Levante, vamos, vamos, vamos cozinhar. Cozinhe esses pratos aí de caranguejo pro homem. Então ela tem esse momento, esse melodrama dela, mas tinha mais um, tô tentando me lembrar, assim. Incômodo, né? Mesmo a discussão deles, eu acho. Isso, acho que sim também. Acho que tem um...
Um exagero mesmo, um melodrama, assim. Que o livro não carrega, não carrega. E que, assim, atores maravilhosos, né? Só atores bons. Nossa, só... Né? Então, a Mary Streep, a Julianne Moore, que faz a Laura Brown. Tá muito bem também, hein? É. A Nicole Kidman, eu acho que é a mais fraquinha ali. Nossa, mas a Julianne Moore... Porque, gente, o que acontece? Quando ela encontra a vizinha, ela beija a vizinha, né?
Ela dá um beijo. Mas, gente, não é... Como dizer isso? Bom, você achou sexual? Não. Exato. E a Julianne Moore, ela consegue fazer isso.
Não consegue? Eu achei que ela consegue. Porque isso é difícil de fazer, assim. Pensando nos anos 90, pensando no quão pouco existia esse tipo de exposição, assim. Eu acho que ela traz uma...
Acho que ela fez a Laura Brown mesmo, assim. Sim, sim, ela fez a Laura Brown. Ela é ótima. A Mary Strieff também. Eu acho que ela faz a Clarissa mesmo. Apesar de, assim, eu acho que tem ali uma condução... É, mas ali é o diretor, né? Isso, eu acho que ali tem uma condução... Ali é a condução, é. De direção que quer que ela faça algumas coisas ali no filme e tal. Mas eu acho que ela tá muito bem também. O próprio Richard... É, o Ed Harris, né? Tá muito bem, eu acho, sim.
Ele é. Excelente no papel. Agora, de fato, a Nicole Kidman, putz, assim... Caramba. E ela ganhou o Oscar, não foi, por esse filme? Putz. Ganhou o Oscar? Eu acho que sim. Nossa. Se não me esgano, como diz o outro... E olha... Se não me esgano... Deixa eu ver. Acho que sim. Melhor atriz, vamos ver.
Ela foi indicada que eu me lembro. Que adê, que adê, que adê. Ganhou, ganhou sim. Melhor atriz em 2003. Ai, gente. Ela tava concorrendo com quem? Deixa eu ver. Agora pronto. Agora vamos lá. Vamos ver quem tá coitada. Vamos destruir direito. Quem? Quem será? A próxima vítima agora. Eita porra. Ó.
Era a Nicole Kidman, como a Virginia Woolf. Era a Salma Hayek, como Frida. A Diane Lane, como Constance, naquele filme Infidelidade. A Julianne Moore, em Far From Heaven. Como é esse? Não conheço. Não me lembro. Não me lembro desse filme. E a Renée Zereger, por Chicago.
Nossa. E ganhou a Nicole Kidman. E ela ganhou a Nicole Kidman. Mas era da Miramax, né? O Oscar adora essas coisas, né? Então, mas era da Miramax, não se esqueça. O que que tem? Era do... Daquele nojento lá. Do Me Too. O mesmo que fez a Greenwich Pop ganhar no... O Shakespeare Apaixonado. É, né, gente? Aí, enfim.
mas eu não acho que ela tá bem não sendo sincera acho que deixou sem potência a Virginia
Eu também acho. Eu acho que é apática, né? Apática, sim. E eu acho que foi um erro de ficar entre nós, assim, de atuação mesmo. Porque é um erro achar que Virginia Woolf fosse... Primeiro que eu acho que é um erro colocar uma australiana pra fazer. Pois é, então. Mas não é. Me fala. Pra fazer uma...
uma inglesa. Pois é, então. Poxa vida, sabe? Enfim, mas é isso, ficou datado o filme, assim. Não que hoje não fossem fazer. Não duvidando da capacidade de colocarem de novo uma australiana pra fazer uma...
uma atriz, uma escritora britânica, mas enfim. Mas eu gosto do filme, gente, eu tô falando tudo isso no fim, mas eu gosto do filme muito. Acho que tem muitos pontos a favor, acho que de fato parece uma história só. Nota 10. Nota 10. Tô brincando. Nota 10, nem ninguém, nada.
Entendi. É isso. Eu gosto do filme. Eu gosto muito do filme. O meu problema é a Nicole Kidman como a Virginia Woolf. Ela não me convence. De verdade, assim. Então, eu acho que tem isso. Principalmente a gente sabendo da história dela e tal. Eu acho que ela não me convence. Como...
E eu não acho a Nicole Kidman uma grande. É, eu também não. Exato. Eu acho que ela não fere, ela não... Como é que fala?
Ela não marca. Ela não compromete, mas também ela não sei se era pra tanto. Eu me lembro que foi uma grande... Eu me lembro da campanha que fizeram. Nossa, Nicole Kidman. E eu fui assistir e falei, ah, tá. É, mas a Nicole Kidman é sempre assim. Você já reparou?
É, então. Todo mundo fica, meu Deus, o próximo filme da Nicole Kidman, meu Deus, aí você vai ver, você fica, ah, tá. Era isso? Então, pra mim, o filme dela, que ela realmente brilhou, foi Morroge. Fora esse. Entende. Deixa eu ver aqui se eu posso, coitada, falar alguma coisa.
desta mulher. Assim, tem esse baby girl dela. Que é péssimo. Eu acho... Ai, meu Deus. Nossa, eu não consigo. Eu acho muito ruim. Você assistiu o baby girl? Claro. Ai, gente. Gente, é um... Meu Deus. Tem uma hora que assim...
Dá uma vergonha alheia. Isso, isso, isso. Obrigada, obrigada. Que eu fiquei, gente, pelo amor de Deus, alguém... E aí, aqui eu posso falar no meu lugar de falar. Fala, André, vamos lá.
cara, não é vamos combinar, tinha lugares ali tinha coisa ali, que você olhava aquilo ali era pra te deixar, né e aí você olhava, eu tava dando risada é porque eu tava vergonha, ele é muito grande, gente não é? não dá não dá, não dá não dava, não dava, não dava, não dava mesmo é, eu tô dando uma olhada aqui na filmografia dela pra ver se surge alguma coisa que eu tenha não, não tem não tem
A única coisa que eu amei muito dela foi Moulin Rouge, que eu amo Moulin Rouge.
Mas, fora isso, e Moulin Rouge não é por causa dela, não. É mesmo? Ah, tá. Tenho que dizer que não é nem por causa dela. E assim, até em filmes muito extremos, eu acho que ela não entrega uma atuação extrema, sabe? Não, por exemplo, De Olhos Bem Fechados, você assistiu? Assisti, então. Esse é um exemplo, Dogville. A Dogville eu gosto.
Eu gosto do filme. Eu gosto, mas não é ela que me faz gostar do filme. Isso, então. Eu gosto do filme. Mas ela... É isso que eu tô falando. Ele é um filme que exige um extremo do ator.
É, é. E ela não entrega esse extremo. Nossa, que filmaço Dogville, né? É, Dogville é um filmaço mesmo. Nossa, é um filmaço, filmaço. E ele é pesado, pesadíssimo. Pesado no tanto. Nossa, no tanto esse filme. Eu recomendo só pra quem tiver, assim, de boa. Mas é que ele é muito bom. 60 anos com calmantes.
Pra cima de 60 anos com o Calmantes. Com o Calmantes, com o Calmantes. Chazinho. É. Porque é pesado o filme, mas é muito bom. Ele é muito bom. Porque ele tem de pesado, ele tem de bom. Ele é mesmo. Não é? E aí, é muito bom. Mas é não por ela. Te incomoda no começo. Então, não é por ela. É pelo filme mesmo. É, pela maneira de tudo, assim.
Pela estrutura, pela forma. Sim, por tudo. Mas ela, se realmente... É do Vontrier, não é? É do Vontrier. É, então. Filha da puta sabe fazer quando ele quer, né? Quando ele quer, né? Porque também quando ele quer ferrar a nossa cabeça... Porra! Ele bem que ferra e ferra realmente... Não, que aqui não ferrou, né? Não, ferra demais. Mas assim, esse eu consigo... Ver.
Isso, aquele dançando no escuro é difícil também. Não, e... Nossa, ele tem uns que, pelo amor de Deus, gente, aquele... The House... Ninfomaníaca? Ninfomaníaca. Ninfomaníaca, eu assisti o primeiro. Da bruxa, como é que é o nome da bruxa? Da bruxa. É, deixa eu achar aqui, peraí. Menina, esse também é muito punk. E aquele outro...
E aí, assim, chegou uma hora que eu falei, ai, assim, eu preciso de um... Pra quê, né? A casa que Jack construiu. Ah, não, não vi, não vi, não vi. Não veja, não veja. Não veja. Anticristo da Bruxa. Ah, o Anticristo é terrível. Você assistiu? Eu assisti. Gente, não, André, eu vou te contar uma coisa. Deixa eu contar? Deixa. Tive uma época que eu queria ver, porque eu assisti Dogville, e eu falei, meu Deus, que incrível. Vou assistir outras coisas. Aí...
É, na época, meu irmão ainda namorava. E aí, era véspera, assim, tipo... Época de Natal, assim, devia ser, sei lá, um dia antes do Natal, dois dias antes. É, tipo, dia 22, 23 de dezembro. E aí, eu... Ela tava dormindo no meu pai.
né, meu irmão morava com meu pai, então ela tava lá e tal, aí eu meio que fui visitá-los, parou de ter trabalho, eu passei um dia lá, passei outro dia lá, e aí nessa surgiu o assunto do cinema, não sei o que, ela falou, vamos assistir então, Anticristo. Aí eu falei, vamos! Ela falou, ah, eu nunca assisti, a gente podia ver, já que você tá afim de ver, já que a gente vai tá aqui, que só tem, aí imagina.
Sei lá, antes de véspera de Natal, a gente põe na sala do meu pai. O meu pai fazendo os negócios no computador, eu fazendo os negócios no computador, meu irmão fazendo os negócios no computador. Aí coloca o anticristo. Aí tem aquela fatídica cena que ela pega um puta de um pedaço de madeira, né? E taca ali no biruliro do cidadão. E, gente, eu não aguentei o Dumbbell.
Ai, não acredito que ela vai fazer isso. Dá uma aflição. Mas uma aflição, assim, que vem dentro da minha alma, aquilo. Que a namorada do meu irmão me olhou com uma cara, tipo, gente, por que eu pus esse filme? Meu pai, gente, o que vocês estão assistindo? Ai, eu ri.
Esse é Lars von Trier. Esse é Lars von Trier. Não, não dá, cara, não dá. Não, Deus. Aquele, o antigo, o nifomaníaco, aquela coisa de... Cara, chegou mal. Ah, não, porque não é... Não, e o pior é que você não sabe. Eu fui assistir o nifomaníaco no cinema. Nossa. Eu saí...
Meia hora eu saí, eu falei... É, porque... E não é sobre... Não vai rolar, cara. E não é sobre sexo. Não é, não é. Só que assim, você se sente super... Não, e você se sente muito desconfortável. O negócio, sim. Muito desconfortável, mas muito. E assim, esse é a casa que Jack construiu. É nível, gente. Assim, é coisa de gente... Me desculpa, assim. É coisa de gente doida.
Não recomendo pra ninguém assistir esse filme. Juro por Deus, assim. Ali eu falei, chega, não assisto mais Lars Von Trier. Tipo, pra mim, deu. Assim, eu falei, me aposento com esse filme. Porque é nível de você ter pesadelo mesmo, assim.
Muito ruim, muito ruim. Muito ruim. Ah, não. É, não dá pra assistir, eu acho. De verdade, assim, de verdade. Você sabe que eu já assisti muita coisinha doida por aí, mas assim... Eu sei, eu sei. É, mas esse, assim... Tanto que eu comecei... É o tipo de filme que você pensa, gente, esse diretor não é normal, entendeu? Você assiste, você fala, não, cara... Tem pobreminhas, né? É. Mas eu acho que ele não é mesmo. É, eu também acho que ele não é mesmo. Ele é bem problemático. Ele é bem esquisito. É. É. É. É.
Enfim. A pergunta que não quer calar, Dona Gabi Deale. Temos? Temos, Andréa. Temos, temos, temos. Senhoras e senhores, o novo parzinho de vaso está entregue. Esteja entregue. Esteja entregue. Qual será o próximo, hein? Não saberemos. Não falaremos. Arrisque, arrisque. Vamos arriscar. Vamos ver o que vai ser o próximo. Arrisque?
perguntem para nós, joguem aí isso, se quiser arriscar arrisca, como é que o povo pode arriscar? manda uma mensagem pra nós Andréia, manda uma mensagem pra nós a gente ama cartinhas manda pro livrosemcartaz arroba portal refil.com.br
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Com desenho. Chorar. Porque não para. Chorar. Não para. Mas não para, não. Não para, não. E o Sandro mandando vários e-mails pra nós. Recadinhos. Vários. Vários recados. Vários e-mails. E aí, eu vou separar, porque ele mandou...
Dois e-mails juntos? Dois e-mails separados, juntos? Separados? Ele falou sobre, ele mandou de Mrs. Dalloway, ele mandou do Poderoso Chefão parte 2, e ele mandou também do Poderoso Chefão parte 1. Então eu vou separar aqui por tema, porque tem outras pessoas também que mandaram. Mas saibam que os e-mails e-mails do Sandro estão felizes. É isso, estamos sempre.
Vou ler aqui. Isso sobre o Livros e Cartais 92, o Poderoso Chefão, parte 1. Olá, Donas Gabi, André e Gabi. Espero que este e-mail as encontre bem e convidando as pessoas certas pra tomar um café pra manter o vínculo vivo. Sabe como é? Não é mesmo? É isso.
Muito obrigado por dar prosseguimento ao trabalho de criar esse episódio sobre o Poderoso Chefão, conforme prometido e mencionado em episódios passados. Ficou batuta. Gostamos de batuta. Gostamos. Então vamos lá. É que eu gosto dos subtítulos.
O Poderoso Chefão, ou, são apenas negócios, não é nada pra pessoal. Eu amo. É isso. Que episódio, senhoras? Que episódio? Confesso que O Poderoso Chefão é daqueles filmes que todo mundo que trabalha com TI já ouviu o gestor de projetos usar a frase. Vou fazer uma proposta que ele não pode recusar em alguma reunião achando que era original.
informação inútil do dia. A versão do livro que eu li há uns bons 20 anos atrás se chama O Padrinho. E ao pegar pra ler não tinha a menor ideia que era a obra que deu origem ao filme clássico.
Ao ler o nome Corleone no começo que fiz a ligação. Sim, eu era lerdo desse jeito e ainda vou provar errado muita gente que acreditou em mim. Enfim, contei isso pra dizer que adorei a explicação sobre o título Poderoso Chefão vs. Girlfather vs. O Padrinho. Faz total sentido que num país católico como o nosso, chamar o chefe da máfia de padrinho ia confundir a cabeça de muita gente.
Gabi, a sua paixão pelo livro ficou muito evidente e é contagiante. Ah, é o meu jeitinho. É o meu jeitinho. Essa coisa de não querer que o livro acabe, de ficar com ressaca literária, é uma das melhores e piores sensações que existem. Pois é. E a ideia de que merecia virar uma série concordo em partes.
Seria incrível ver todos os personagens que o filme não teve espaço para desenvolver, mas ao mesmo tempo, mexer com algo tão icônico é perigoso. Anéis de Poder nos ensinou uma ou duas coisas sobre esse tópico. É verdade. André, a explicação sobre a hierarquia da máfia ficou excelente.
Dom, conciliere, underboss, capo regime, soldate. É basicamente uma empresa, só que o RH não manda embora. Manda ir junto para comprar canole. Quando vocês falaram que a estrutura é muito parecida com a milícia no Brasil, infelizmente faz muito sentido. Onde o Estado não chega, alguém chega. Pois é.
E agora a parte que ninguém pediu. Um nerdola chato explica coisas que não interessam a ninguém. Vocês comentaram sobre o Leni Montana, que faz o Luca Brasi. Curiosidade. O cara era lutador profissional de verdade e ficou tão nervoso de contracenar com o Marlon Brando que não conseguiu gravar uma cena decente o dia inteiro. O Coppola, ao invés de regravar, adicionou aquela cena do Luca Brasi, ensaiando as falas.
Antes de entrar no escritório do Dom. Ou seja, o nervosismo do autor virou cena do filme. E a parte mais legal, supostamente, para não ser processado, ele trabalhava para a família Colombo. A lenda diz que os mafiosos de verdade estavam querendo dar opiniões e ver como as famílias seriam retratadas no cinema. E o Coppola viu um armário ambulante e chamou ele para trabalhar.
existe um jogo dessa história em que comandamos um personagem que executa alguns momentos clássicos do filme, tipo espancar os caras que abusaram da filha do Bonacera e cortar a cabeça do cavalo e colocar na cama de um certo personagem enfim, fim da parte do nerd chato, chato nada, foi ótimo nada, amei
Concordando com vocês sobre a cena do batismo, é uma das melhores cenas da história do cinema. Dois batismos acontecendo ao mesmo tempo, um de fé e um de sangue. Enquanto o Michael fala assim, eu renuncio, com a maior cara de pau do mundo. E essa cena parodiada em Murder Family é outra obra-prima. Eu não vi Murder Family. Eu também não. Então eu preciso dar uma procurada. Pois é.
E chegando ao final do episódio, estava pensando que vocês poderiam falar do segundo filme, já que tem partes do livro e para minha agradável surpresa, já estou ansioso para ouvir o próximo episódio. Um forte abraço, fiquem bem, cuidem-se e lembrem-se, deixem a Armin, peguem os canais ali, mantém os amigos próximos, os inimigos mais próximos ainda, como se vocês tivessem. Ah não, a gente não tem inimigo nenhum, nem eu, nem Andréia, né Andréia?
não, não, não, nunca jamais nunca jamais, ainda mais próximo Sandro, PS essa semana acabei de ler meu pé de laranja lima e sei que tem adaptações e na minha ideia já tinha visto um episódio de livros em cartaz dele, mas acho que viajei na maionese mesmo, enfim, vale como sugestão pra 2027, na verdade Sandro ele ia entrar esse ano, mas não deu não
Porque a gente resolveu fazer de uma outra forma esse ano, outra dinâmica, por conta dos 100 episódios. Então, ele acabou não entrando. Mas ele é sempre um que está na nossa lista, né? Porque ele é um clássico mesmo, né? Meu pé de laranja lima ali do Infanto Juvenil, né? Então, ele é um clássico mesmo. Vai, Gabi. Vai no próximo. Ah, você vai me fazer ler... Você vai me fazer ler em italiano. Vou. Vou. Eu não sei ler em italiano.
Vou falar tudo errado. Eu também não. Ah, é. Eu não sei ler em italiano. Não, não.
Olha, cada uma. Gente, comentário no site do Guilherme Frediani. Bom pomeridio. É assim, senhorinas? Como está? Espero bem. Aqui escreve Guilherme Frediani. Sendo o mais novo de três irmãos, me identifico com o Maicon. Espero que só nisso.
Não sei, veja bem. Né? O Poderoso Chefão não é um filme sobre máfia, nem crime. É sobre família. A família é mais importante do que qualquer coisa. Honrar teu pai, tua mãe, teus irmãos, estar ao lado deles, apoiá-los, defendê-los. Isso é o que o Vito ensina como valores. Até para a Joni Fontaine.
E infelizmente, a família também acaba sendo um ponto fraco, e Santino pagou o preço. Parte meu coração quando Dom chama o Bonacera para retribuir o favor e diz para olhar o que fizeram com o seu menino, e não quer que a mãe dele o veja assim. Obra-prima do cinema e uma adaptação muito respeitosa ao livro. Abrate e bate. Ai, pois é, a gente também falou muito a respeito do Sony, né? Que é um...
É a minha personagem do livro favorita. Não tenho nem o que dizer. E quando acontece, assim, mesmo quando eu li, acho que Gabi também teve a mesma... A gente sabia que ele ia morrer. E mesmo assim foi um susto na hora que ele morre no livro.
E de cortar o coração mesmo. Não é? Sim. O próximo e-mail é de quem? Sandro Galina. Vem aí. E que poderoso chafão 2. Vem aí. Então, olá, Donas André e Gabi. Espero que esse e-mail as encontre bem e com a cortina bem fechada. Porque depois desse susto do episódio 93, não dá mais pra vacilar com a cortina aberta. Não mesmo. Segue alguns comentários aleatórios dos últimos episódios, já que estou por aqui mesmo.
Livros e Cartaz 93, O Poderoso Chefão Parte 2 ou Por que a Curtinha Está Aberta Sensacional Gabi, a sua reação com o atentado Logo no começo do filme Foi empagada Adoro quando alguém assiste um clássico Pela primeira vez e passa todas as fases O encantamento com a fotografia A paixão pela cena linda Calma, delicada E do absolutamente nada
Uma saraivada de tios na sua cara. Nada como um belo soco de tômago para acordar. Exato, bom dia. Bom dia. Concordo totalmente com vocês sobre o Coppola estar mais à vontade nesse filme. Dá para sentir que ele não tinha mais que correr contra o relógio para condensar o livro inteiro.
Ele pode respirar, deixar as cenas se desenvolverem e construir essa narrativa paralela que alterna a ascensão do Vito com a decadência moral do Michael. Mas o primeiro tem esse peso emocional do Marlon Brando que é difícil de superar.
A sua análise do Michael como o colonizado que quer ser mais que o colonizador... Alô, Paulo Freire, olha a sua ideia aqui. Foi brilhante, Andréia. Ele não viveu na Sicília, não passou pelo que o Vito passou. Então, ele transforma a ideia de família em uma espécie de código abstrato que segue sem flexibilidade. E é por isso que ele termina sozinho, porque a rigidez não deixa espaço para as relações humanas.
Reais, só para o cumprimento do código. Sobre o apanhado dos dois filmes-livro, eu sempre tive a impressão de que me vendem a ideia de que quem é o poderoso chefão é o Vito. Mas, na real, quem expandiu os negócios foi o Michael. Então, no final das contas, eu fico com a impressão de que o Michael é realmente o chefão. Considerando pela expansão dele para Las Vegas e Cuba, por exemplo.
E só pra deixar registrado que o beijo da morte dado do Fredo é uma coisa que marcou a cultura pop. E o olhar de, eita, deu ruim do Fredo, só corrobora que o John Casale era um baita ator. Fez cinco filmes, todos com indicação de melhor filme, sendo que três ganharam. O empresário dele tinha um bom faro. Pois é. É verdade, todo mundo fala do beijo da morte mesmo. A gente esqueceu de comentar.
Do... Do... Do... Do Michael. Do Michael no Fredo, né? No irmão. Isso. E vamos pro último e-mail do Sandro? Vamos! Que Sandro comentou o nosso último episódio de Mrs. Dalloway, ou... Por isso que a gente aprende história.
Confesso que esse episódio me pegou de uma forma diferente. Ainda não li Virginia Woolf, então vim sem referência de nenhum lado. Escutei vocês falarem do livro com essa honestidade brutal. Não é para mim. Tinha uma expectativa muito alta e achei muito corajoso. A gente tem muito essa pressão de que se é do cânone tem que gostar. E se não gostou tem que fingir ou se culpar por não ter entendido.
É libertador ouvir duas leitoras experientes dizendo que nem todo clássico precisa conversar com você e está tudo bem. Até porque já confessei para vocês que larguei a leitura de alguns livros por considerar que eu era muito burro para entender. Jamais, Sandro.
Mas agora posso usar o seu termo técnico. Não era para mim. E seguir a vida. Obrigado pelo acréscimo de vocabulário para dar desculpas com propriedade. Exato. A vida é assim. Só para registro, Tim Chico. É isso. Agora... Tudo bem, tudo bem. Obrigada.
Agora, o que mais me incomodou ouvindo o episódio? O queridão do Leonard Wolfe, publicando tudo contra a vontade explícita da Virginia. Concordo com vocês duas, isso é pior que muita traição. Ela deixou claro que queria tudo queimado e ele decidiu unilateralmente que o legado dela pertencia ao mundo, não a ela.
As cartas são pessoais e ponto final. Nesse caso, pode até argumentar que isso ajudaria a entender melhor a autor e blá blá blá. Mas no caso, foi para benefício dele. Única e exclusivamente para ele ganhar um pouco de notoriedade ou estou viajando muito e entendi tudo errado. O que não seria algo inédito, diga-se de passagem. Eu não sei se foi algo para ele ganhar uma credibilidade.
Mas, eu acho que talvez, quer dizer que, né, como disse bem o Sandro, né, não seria algo inédito. O que você acha, Andréia? Ai, é difícil, assim. Eu acho que sim, mas não só. Então, eu acho que ela não morrendo o legado dela, ele continua a ter um lugar. Ah, sim, com certeza. Então, é...
Então, eu acho que sim. Talvez não de forma como a gente está acostumado a ver, de forma... Ai, fulano publicou para ganhar dinheiro. Não, mas eu acho que é... No final tem o nome dele lá escrito também. Ela era a esposa dele. Então, eu acho que o Wolf era o sobrenome dele. Então, eu...
Eu acho que tem essa coisa do legado dela que também o coloca num determinado lugar, entendeu? Para mim, eu acho que é por isso. E no caso, por isso que eu acho que o caso dele é tão... Sabe o que eu acho? É tão de traição, assim. Por ela querer dizer que não queria e ele fazer.
Eu acho que tem a ver com poder. Isso, então. Do tipo, eu publiquei porque eu posso publicar. É isso. Você não tá mais aqui pra ver o que eu posso fazer ou não. Eu que publiquei, porque eu posso publicar. Então, é isso. Mas se pensar que isso também aconteceu com o Kafka, pois é. Queremos melhor. O Kafka é outro exemplíssimo disso. Queremos mesmo viver em um mundo em que coaches não poderiam usar a metamorfose como base para uma postagem no LinkedIn.
Para exemplificar o quão maravilhoso é o curso que está vendendo e o sucesso das pessoas que assistiram às suas aulas, esse é o mundo que queremos? Fica o questionamento. Ai, eu nem vou falar nada. Será que esse é o mundo que queremos, gente? Ai, meu Deus.
Achei bem legal vocês compartilharem que ambas são muito calmas e ponderadas nos assuntos de relacionamentos, sem pressa nenhuma, indo com calma, como tudo na vida deve ser. Foi isso que eu entendi. E não senti nenhuma pontinha de ironia em nenhuma das duas. Bem como não existe nenhuma vírgula de ironia nesse parágrafo.
Então, Sandro, minha defesa... Vai. Eu sou uma pessoa bem devagar, mesmo. Quase parando. Nossa, ó. Eu vou continuar a leitura aqui do Sandro. Agora a Gabi. Ué? É o seu... Ó.
Não vou falar nada. Eu não vou falar nada. Não vou falar nada. Não vou. Enfim. A conversa de vocês duas sobre a psiquiatria da época e o sétimo me afetou bastante. A saúde mental em um período em que nem nome pras coisas existia ainda, devia ser tudo tratado como histeria. Acredito que muitas foram rotuladas assim no passado. Eu ou falta de Deus no coração, pois é.
E a Virginia, tendo que conviver com psiquiatras na própria vida dela, deve ter dado uma raiva enorme ao escrever aquele médico odioso. Pelo menos atualmente temos nomes e remédios para ansiedade, depressão, transtornos e afins. E para tentar manter a ansiedade em algum lugar, em lugar dela, e falhando miseravelmente, né, Gabi? Pois é.
E como o e-mail já está grande o suficiente, vou encerrar por aqui, antes que eu invente o episódio 95 na minha cabeça. Mas posso comentar que assisti a uma parte do filme e o Eddie Harris estava dando uma masterclass de atuação.
Não aprendi nada, mas que foi bonito, foi. Enfim, muito obrigado por um ótimo programa, por seguirem sendo uma companhia agradável. Até o próximo episódio e pela atenção, obrigado. Sandro Galina, fofo. Ai, Sandra, muito obrigada. Muito obrigada. Querido demais. Amamos seus e-mails. Querido demais. Amamos seus e-mails. Ai, sim.
E é isso, gente. Se querem fazer como o Sandro, mandem o e-mail pra onde o Gabi já falou. É isso, manda pra nós que a gente lê aqui e a gente ri com vocês. Chora também. Chora também. Aqui a gente faz de tudo. Tudo. Sempre agradecendo a quem? Os meninos do Portal Refil pelo quê? Por esse puxadinho.
que a gente tem por aqui. Agradecendo também a vocês que estão aqui nos ouvindo e que se quiserem dar um cascai pra nós, dar um café pra nós, porque o bagulho tá louco. Vai lá no Apoia-se.
Sei lá, tenta ver se dá pra ser patrão Coisa do gênero Todas as formas de fazer isso estão aqui no post Sempre agradecendo a minha co-host Favorita Opa! Essa sou eu, não tem outra? Sou eu Ai, um beijo pra todo mundo Fiquem bem Até o próximo programa E tchau, tchau Tchau, tchau