A BASE PARA UMA FRANQUIA DE SUCESSO | Felipe Ferreira | Quiero Café #30
No episódio de hoje do Bello Papo, a conversa é com quem transformou uma necessidade simples do interior em uma marca nacional, sem trocar consistência por velocidade.
Recebemos Felipe Ferreira, cofundador do Quiero Café. Formado em Direito, ele deixou a carreira jurídica para empreender ao lado do amigo Matheus Fell. O que começou, em 2015, como uma cafeteria em Teutônia, no interior do Rio Grande do Sul, tornou-se uma rede com 89 unidades em cinco estados, reconhecida pela gestão, pela cultura organizacional e pela proximidade com os franqueados.
Neste papo, falamos sobre:
- Como identificar uma oportunidade de negócio onde ninguém estava olhando
- Os desafios de empreender sem experiência no setor
- Como crescer sem perder a essência e a qualidade
- A importância da cultura e da proximidade com os franqueados
- O que a preparação para um Ironman ensina sobre disciplina, liderança e consistência
Se você empreende, lidera uma marca ou trabalha com franquias e quer crescer com estrutura, inteligência e visão de longo prazo, esse episódio é para você.
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- Expansão de FranquiasIdentificação da oportunidade de negócio · Modelo de franquia como estratégia de crescimento · Importância da padronização e know-how · Exigência de sócio operador
- Esporte e Qualidade de VidaIronman como desafio pessoal · Planejamento e constância no treinamento · Superação de dor e lesões · O esporte como ferramenta de gestão
- Maturidade de Dados e IAUso de dados para tomada de decisão · Análise financeira para franqueados · Otimização de CMV e margens · Perfil de loja e ticket médio
- História e cultura do caféAdvocacia e o insight do café · Ausência de cafeterias em Teutônia · Primeira máquina de expresso na cidade · Felipe Ferreira
Esse é o Belo Papo e hoje teremos aqui um empresário, advogado e Ironman. Vocês não estão entendendo que a gente vai falar aqui sobre empreendedorismo, sobre realmente levar o teu negócio para um próximo nível. Mas um Ironman é diferenciado, né, gente? Afinal, são 3,8 km de natação, 180 de bike e 42 de corrida. Então o cara não veio para brincadeira, assim como ele montou a empresa dele em 2015 e que hoje já são 82 lojas operando.
Eu estou aqui de frente com Felipe Ferreira, o fundador da Quero Café. É isso mesmo, tá, gente? Tem um quê? Tem um Quero Café. Seja bem-vindo, Felipe!
E aí, vamos lá, vamos falar, vamos falar, vamos conversar. Obrigado aí pelo convite, aí uma honra poder estar aqui falando. E que moral, hein? Que tu me deu, né? Iron Man, né? E bom que tá fresquinho, né? Fazem duas semanas, né?
Olha aí!
Do dia 31 de maio a prova. Então, agora sim, né? Um tempo atrás a galera falava, pô, Iron Man. Não, mas espera aí, ainda não foi a prova, deixa eu fazer primeiro, né? Aí sim pode me chamar.
Na verdade, você já é um Iron Man do empreendedorismo, né?
Exatamente, exatamente.
Quando você fundou a empresa, o que aconteceu para você entender assim, cara, eu quero largar o ramo jurídico e quero realmente empreender. O que te deu? O que é essa visão? Sua família? Você já vem de família empreendedora?
Cara, minha mãe é... Cara, eu falo muito cara, tá?
Tá certíssimo.
Mas eu... A minha mãe é professora, né? Trabalha coordenadora pedagógica de colégio. Meu avô é empreendedor, então tem um sangue ali, né? Um pouquinho empreendedor, mas eu jamais tinha passado na minha cabeça lá em 2015 que eu iria largar o ramo jurídico, vamos dizer assim. Naquele momento da minha vida, final de faculdade, eu achava que eu ia virar o maior tributarista do país.
Vou dominar o país.
E aí, trabalhando nesse escritório, que ficava lá na cidade de Teutônia, onde a gente começou, os advogados tinham a cultura do cafezinho. E aí, eles que me instigaram na: Ah, Felipe, meia-manhã vamos sair para tomar um café, um espresso. Meia-tarde vamos dar uma pausa, vamos sair do escritório, sair ali da... Do olho do furacão, né? E pô, para mim não fazia sentido. E na cidade de Teotônia não tinha cafeteria, tinha padarias, alguma coisa, mas não existia, por exemplo, gostoso, não existia máquina de café expresso.
Em 2015 a gente coloca a primeira máquina de café expresso lá na cidade de Teotônia. Então naquele momento, o que que eu, cara, deu aquele insight, eu pensei, pá, vou abrir um café aí para ser um segundo negócio, um point assim que vai ficar, que vai ser algo para solucionar aquela dor da cidade do café, né? Do café daí do Sabor também, que a gente acabou colocando junto. Mas naquele momento jamais me passava na cabeça que eu iria largar.
Eu ainda achava que eu seguiria sendo no plano ali de ser um tributarista e depois esse aí seria só um negócio adicional. E que no fim das contas aí foi se tornando aí o negócio principal. E hoje eu sou um advogado aposentado, na verdade, e sou empreendedor aí todo dia aí à frente junto com meus sócios e todo o time, né, na frente do Quero Café.
Que legal! E eu sei que já são mais de 5 selos da ABF, né, ser reconhecido como uma franquia de excelência. E quando que virou franquia? Já não nasceu franquia. E porque esse pensamento de franquia para expansão é muito bom, mas você precisa seguir todas as regras da ABF, que são muito rígidas. Como foi isso?
Quando a gente, né, surge o negócio lá em 2015, foi bem nessa ideia, cara. A gente não sabia nada, a gente não veio do ramo da alimentação, né? A gente A gente não sabia nada, a gente só tinha uma vontade e bom gosto, a gente fala, né? A gente fez muito, o cliente ideal muito naquele momento era nós, era eu, meu sócio, nossos amigos, né? A nossa turma ali assim, o ecossistema que a gente vivia.
Os advogados que gostavam de café.
Exatamente, é. E aí a gente monta aquilo pensando para resolver essa dor. Depois, quando a gente abre as portas, a gente vai vendo que, opa, começa a receber clientes de outras cidades, né? De cidades vizinhas maiores, né? De cidades da serra ali, que têm uma gastronomia super legal. E aí, aquilo ali, eles começam: Pô, não tem nada na minha cidade, que negócio legal! Posso levar aqui para Bento Gonçalves, Passo Fundo... Até São Paulo veio um negócio, essa frase ficou marcada para a gente assim: Não tem nenhum negócio assim em São Paulo.
Eu falei: Como assim? E aí, aquilo ali nos despertou: Opa, está no momento de expandir, está no momento de crescer. E como a gente nasceu também sem zero funcionários, era eu e o Mateus na operação todos os dias, Então, a gente sentia muito essa necessidade da presença do dono, do empreendedor, vamos dizer, barriga no balcão, todo dia ali cuidando da operação, cuidando do cliente. E aí, quando a gente pensa em crescer, a gente fala: Qual é que é o modelo que isso se encaixaria?
Se a gente só tivesse lojas próprias, então a gente teria que ter um monte de sócios, investimento, CAPEX todo nosso, todo do empreendedor, e a gente não tinha. Eu comecei com R$0, né?
Então eu comecei com R$5.000 de faturamento.
Olha aí, ó, olha aí que legal!
Isso é demais! E um sonho.
É isso aí, é isso que move, né? E aí quando a gente começa, a gente, pô, qual é o modelo que se encaixa? E a gente conheceu como é que funcionava esse modelo de franchise, né? E aí foi através dele que a gente pegou lá uma consultoria que nos ajudou a formatar, né? A seguir todas essas regras que são rigorosas, né? Pô, tu tem que ter manual, tu tem ter uma transferência de know-how, né? Não adianta só dar a marca, colocar um frisado, fechar.
Como que as pessoas vão seguir o método que você quer aplicar e tem que seguir?
Exatamente. Então, a gente padronizou o negócio para esse formato e a gente falou, cara, não, esse é o formato onde cada loja vai ter um dono, cada loja vai ter um dono com essência, né? A gente fala, né? Muito se fala no franchising que franquia não tem alma, né? Mas não, a gente fala que a gente é uma franquia com alma e cada empreendedor lá na na frente do seu negócio, ele cria a alma do seu próprio negócio. Então, é o café da Marcela aqui em tal cidade.
Então, a gente busca muito isso. E esse modelo de franchising se adaptou muito nesse nosso formato. Até porque a gente exige, no caso, na nossa expansão, o sócio operador. Então, quer comprar só para investidor e não botar os pés na loja? Não é o perfil que se adequa com a gente.
E sabe o que eu vejo muito? É que apesar de você não ter... Cara, o empreendedor, ele é de uma constância e de um pensamento disruptivo muito grande, né? No Brasil a gente tem muitos empreendedores, muitos empresários, e uma das coisas que eu gosto demais é que você, mesmo sem essa veia, você não veio, não veio da tua família, veio da tua cabeça realmente de empreendedor. Você falou assim, agora, neste momento, para crescer eu preciso de método.
E isso me traz que método vem do grego, né? Métodos que significa direção, para onde eu vou, e logia, que significa ciência, estudo. Então seria a ciência da direção. E foi isso que você trouxe para o negócio quando você resolve realmente virar para franquias. É uma forma de expansão, mas que requer métodos muito claros para que você consiga realmente passar pela due diligence ali da ABF para conseguir expandir.
E é muito louco isso, porque Enfim, sou advogado formado em direito e aí quando eu e meu sócio a gente fala assim, cara, vamos para franquia. Eu falei, eu tenho uma lembrança lá na faculdade e tal. Franquia é só um contrato. Franquia é fácil fazer franquia, entre aspas. Essa parte é fácil de fato, porque não é que é fácil, mas enfim, existe meio que um padrão. Só que o negócio é, tu não faz, tu não pode montar uma franquia, uma rede, uma franqueadora para você utilizar o contrato.
Até hoje, graças a Deus e ao nosso trabalho árduo aí, a gente nunca utilizou um contrato de franquia. Eles estão lá praticamente para cumprir tabela, porque as nossas relações dão muito certo. E aí foi muito bom quando a gente vai e a gente começa, vamos para franquia, cara, a gente foi conhecer quem já tinha franquia, a gente foi conhecer uma franqueadora. E aí foi muito bom que a gente foi conhecer uma franquia lá da nossa cidade E a gente foi conhecer a estrutura e era o professor Kiko, ele era professor de faculdade do Matheus.
Ele falou: Bah, gurizada, franquia não é... Tem que ter responsabilidade, tem que ter um monte de coisa, tem umas regras a seguir, existe a lei de franquias. Então, ali foi muito bom. Ele que nos indicou esse consultor que nos ajudou na formatação e aquilo foi muito bom porque nos moldou para a gente já começar com o método. Daqui a pouco, se a gente começa meio torto, meio sem regra, é muito mais difícil e às vezes você pode...
Tu pode matar, vamos dizer, um baita de um negócio só porque tu pegou uma via errada, tu pegou um caminho que, sei lá, tu escolheu uma estratégia errada, mas o negócio é bom, né?
Eu acredito muito nisso. Mas você sabe de uma outra coisa que eu acredito também? Não só da metodologia, eu sou formada em processos gerenciais e sou Green Belt também. Então é realmente no Lean Six Sigma, que é evito de desperdício, no Pocayoke, que é a prova de erros. Então você vai provar muito erro ali para que antes de você colocar em produção, Mas uma das coisas que mais me chamou atenção nas suas palavras é que primeiro você fala de barriga no balcão.
Ou seja, você não foi a pessoa que colocou o dinheiro para que a franquia nascesse, né, que a Quero Café nascesse, mas você foi a pessoa que idealizou e começou lá arrastando a chinela no chão de fábrica, entendendo como você iria crescer. E aí eu sempre falo sobre as 3 camadas de uma empresa: você tem o estratégico, você tem o tático e você tem o operacional. No início de uma empresa você tem um flywheel, que é, cara, é, vamos embora, a gente precisa botar o negócio para girar. Então tu vem do operacional.
Exato.
E aí a escuta ativa, não, pera aí, deixa eu entender o que que tá acontecendo, o que que eu tô fazendo para que eu consiga melhorar. E aí depois você vai planejamento estratégico. No início a gente vai muito pelo feeling, né?
Exatamente, é puro, né? No fim, isso vai, e a vontade também, muita vontade, muita vontade de falar É vontades, muito suor, né? Sem isso não se constrói nada, né? E a gente, pô, isso na nossa trajetória, eu acho que tem, a gente fala, né, a nossa ignorância, né, tanto de alimentação quanto algumas coisas de empreendedorismo, vamos dizer assim, né? A gente sempre fala, pá, o nosso, o nosso, quem era o nosso cliente ideal, né? A gente falou, meu, é todo cidadão de Teutônia, que é a nossa cidade, que era uma cidade de 30 mil habitantes.
Falou, cara, a gente quer agradar todo mundo que está indo lá. E daqui a pouco, se a gente tivesse pegado uma consultoria ou tivesse pensado muito só no planejamento, tivesse passado a etapa do operacional ali, talvez o Care ia ser totalmente diferente. E o fato de a gente ter nascido na operação, a gente teve essa escuta ativa, que a gente estava ali, não era uma empresa, era eu e o Mateus escutando os clientes e a gente foi melhorando, melhorando, escutando.
Sentido, vamos trazer. Isso aqui não faz sentido. E hoje o que nós não tínhamos no início, que era a parte, vamos dizer, de restaurante, né, a parte de serviço completo.
Você saiu do café e hoje você tem um restaurante completo.
Exato. A gente era, a gente era lá no início, né, era uma opção assim de café da manhã assim simples, nada muito elaborado, né, desses mega brunch assim, né, era algo mais simples assim, um pão de queijo, uma torradinha, um misturinho. Avocado a gente entrou agora ano passado. Advocado, acho que foi. E pô, tá muito bom, vale a pena. Se alguém for em uma das lojas aí, pode pedir Advocado que tá gostoso.
Não erra nunca, né?
Não erra nunca. E a gente começa sem a parte de almoço restaurante pesado, digamos assim, carne. Nós nem tinha chapa, por exemplo, na cozinha. Então, a gente tinha uma saladinha com frango desfiado, sabe? Uma coisa mais leve, mais fit. E a gente foi escutando muito o nosso cliente que vinha lá. Ele falava, pô, eu tô vindo 3 vezes na semana almoçar aqui. Se eu comer só salada e baguete, eu não... Agora, se vocês botarem uma carnezinha aqui, um filé, um franguinho, aí eu venho todo dia.
Aí a gente foi escutando e foi acrescentando. E hoje, o nosso negócio, o core mesmo, o que mais representa faturamento na rede são os pratos.
Que legal!
É isso aí. Então, isso se tornou uma... Isso entrou para o estratégico e se tornou um baita de um diferencial hoje. Porque isso nos ajuda a ter um faturamento maior, vamos dizer, e conseguir performar, vamos dizer assim, acima da média do que o food service no Brasil. Porque às vezes o food service muito nichado sofre um pouquinho mais regiões, épocas do tempo. A gente não, a gente consegue ter um faturamento equilibrado ao longo do ano inteiro.
A gente estava falando disso, da casquinha de sobremesa, que aqui em São Paulo ela é um pouco mais barata que no Rio. E por conta de ser climas diferentes, né? O Brasil é tropical demais. Exatamente. E aí tem algumas regiões que se adequam melhor ou pior.
Exatamente. A gente hoje tem assim dentro uma... A gente tem uma empresa de sistemas internos, uma tech house assim, né? E a gente consegue ver o perfil de cada loja. Se ela tem um perfil mais de restaurante.
Você trabalha com dados então?
Eu trabalho com dados pra caramba.
Olha, você tá de frente para uma cientista de dados.
Pô, a gente tem um time lá que capricha assim no cruzamento de dados, né? Porque isso a gente faz muito também para o nosso franqueado. Pô, o cara vai lá, pô, não tô performando, não tô, ele tem um monte de coisa para fazer, a nossa operação é complexa. Se a gente não traduzir o dado para ele, ele vai só ter um monte de dado lá, ele não vai saber nem o que fazer, tá? Por onde é que eu corro primeiro? Eu olho para o estoque, eu olho para venda ou eu olho para gente, né?
Onde é que tá o meu ganho? E a gente consegue fazer esse cruzamento para saber. Ah, por exemplo, a loja de Chapecó é uma loja que não tem o perfil mais forte de restaurante, o perfil dela mais forte é de cafeteria. Isso faz com que ela tenha um CMV, um CPV melhor, uma rentabilidade, uma margem maior, porque o café tem mais margem do que o almoço, né? Só que em comparativa ela tem uma venda um pouquinho abaixo, porque o café ticket médio mais baixo, enquanto o prato é um ticket médio mais alto.
Você vai ter uma saída muito grande, mas com ticket têm um ticket médio menor. E aí você tem que vender muito mais para bater o prato.
Exatamente, exatamente. Então tem tudo isso, né? Então a gente vai pegando muito esse dado porque as lojas performam diferente em regiões diferentes e nas mesmas cidades. Depende muito. Como o nosso negócio é para o dia a dia, né, a gente fica como uma conveniência do local que a gente tá, né? Por exemplo, a gente tem lojas, a gente tem 7 lojas em Porto Alegre, né? Lojas de rua, lojas grandes, Cardápio igual, muito parecidas. Só que elas estão posicionadas em bairros, em conveniências diferentes. E umas têm perfis diferentes de outras. Outras têm um perfil melhor para noite.
Será que eu já fui? Eu vou em Porto Alegre direto.
A gente tem no Moinhos de Vento lá, que tem na Zona Sul também. É bem espalhado aí.
Mas sabe uma curiosidade que eu, ouvindo você falar, que é bem diferente? Porque ninguém estuda para ser empresário. Exato. E muitos empresários, eles não conseguem entender a profundidade que o dado tem. Ontem eu tava, dei uma palestra, acho que foi anteontem, eu dei uma palestra e falei muito sobre isso, porque tem muita gente que não consegue traduzir tudo que acontece na empresa em dado. E tudo é dado, tudo é matemática, inclusive o nosso cérebro, né?
Ele é formado por um conjunto matemático. E eu sempre falo, galera, Tudo vira dado, inclusive pessoas. A gente era dado desde a barriga da nossa mãe. Você acha que a gente era medida cabeça, circunferência, o peso, e tudo isso traduzia em informações para que a gente tome decisões. Então, quando que você passou a entender que o dado seria o diferencial para o franqueado? Porque você, se eu entendi bem, você montou um data-driven ali para que você conseguisse entender, para ajudar as 82 unidades que você tem hoje, falar, ó, Você precisa focar aqui, você precisa fazer isso.
Exatamente. Hoje, a gente conversa com muitos franqueadores e a galera pergunta, porque a gente tem hoje mais de 90% dos dados do franqueado, dados de DRE, estou falando de tudo, mais de 90% atualizado no mês atual. Então, a gente está em junho, então maio já está mais de 90%, já estão fechando agora, porque tem um timing ali para fazer esse fechamento. E a galera fala, pô, eu não consigo, eu peço para o cara, o cara não me manda, né, outros franqueadores.
E aí eles sempre nos perguntam, como é que vocês fazem, né? Daí a gente fala, eles começam, não, pera aí, tem alguma coisa errada. Porque hoje ainda a gente faz, a gente tem esse dado através de Excel. Eu quero dizer que é trabalhoso para caramba, mas tá feito, mas tá feito e ele tá enviando e tá funcionando. Então a gente até hoje a gente ainda não migrou para uma plataforma para uma ferramenta, a gente está desenvolvendo agora dentro de casa até.
Vai ter um data lake daqui a pouco.
Porque a gente falou, cara, está dando certo e tem que ter muito cuidado, não adianta eu colocar uma tecnologia que vai facilitar, mas que não saiba usar e não vai ter essa entrega. E aí quando a gente fala isso, a gente fala, pô, mas como é que vocês conseguem? E aí eu acho que esse é um diferencial, por que a gente fala, por que o franqueado nos manda esses dados? Porque ele vê valor naquilo. Ele não acha que é só mais uma forma que eu estou querendo ganhar dinheiro dele.
Porque para mim, o nosso sistema de royalties é sobre venda. Então, o resultado, entre aspas, vamos dizer assim, para mim é mais a preocupação do franqueado do que minha. Só que a gente não pensa assim, a gente pensa muito no resultado do franqueado e a gente quer que ele... Eu prefiro segurar a venda dele para que ele tenha um resultado melhor do que empurrar a venda e ele ter um resultado mais apertado. E aí, eu acho que quando o franqueado nota isso, ele manda mais fácil, porque daí que ele manda o dado para mim, eu pego esse monte de dado, aí o nosso time cruza, faz as análises financeiras, todo mês a gente envia essa análise financeira para eles dizendo: Ó cara, o teu problema é que o teu CMV está muito alto, mas não é carne, não é os salgados, cara, o teu problema está nos doces.
Vamos dar uma olhada ou faz um treinamento para rever padrão, você está botando... 10% a mais nas bolas de sorvete, nas caldas, etc. e tal, ou tu tá tendo algum furo ali, tá produzindo a mais, tá tendo desperdício. Porque daí eu dou o norte para ele, ele vai lá, ele mexe nesse setor e resolve, digamos assim, um pouco mais rápido. Porque se ele fosse para olhar para tudo, ele nem consegue olhar para tudo, todas as frentes. E aí que acontece, o resultado não vem. Então, acho que ele vê valor porque gera resultado para ele.
Não, uma baita aula, cara. Cara. E vou te falar, você traz aqui, você falou, olha, eu tenho 82 lojas e hoje eu faço com Excel. E aí tem muita gente falando, ah não, porque eu não vou iniciar porque Excel. Mas o Excel também, a gente fala de ACF, método ACF, arroz com feijão, dá super certo.
Eu falo FCA, feijão com arroz.
A gente trocou nessa. E é impressionante como as pessoas não conseguem entender a profundidade, como o dado consegue te dar direção para que você não perca dinheiro. Porque no final do dia é sobre CAC, custo de aquisição de cliente, quanto você tá pagando. Só que você pode, muita gente pensa que aumento de receita tá só na venda, não tá. Tá em evitar desperdício, em você, por exemplo, saber que você tá colocando 10% a mais numa bola de sorvete ou numa calda, que se você padronizar você vai ter aumento de receita.
Exatamente, exatamente. E sabe que a galera às vezes quando a gente fala isso, né, que é A gente traduz isso na prática, a gente fala: Não, eu prefiro que tu venda menos para ter um resultado melhor, que tua pele venha bem. Não adianta ter muito evento, tu ir muito trazer gente para dentro, mas tu não está conseguindo fazer o básico bem feito ali. E aí: Ah, isso é papo furado, vocês ganham sobre o faturamento, isso não funciona.
E aí é legal que a gente tem os cases dos franqueados dentro da rede e fala: Não, é verdade, os caras me puxam a orelha aqui porque... Eu não tô gerindo bem o meu CMV e eu tô querendo empurrar venda, empurrar venda. Eles me seguram, puxam a orelha, eu vou lá, arrumo, daí a gente fala: Agora vamos. Porque agora tu tá com a casa arrumada, agora é momento de acelerar. Porque se tu trazer mais vendas às vezes para dentro, se tu não tá com a base organizada, só piora, só vai destruir.
Vamos dizer, você tem problema de desperdício, é mais desperdício que vai. Você tem problema de desvio, é mais desvio que vai.
E o Lean Six Sigma traz isso, né? Que é evitar desperdício, mas através de dados você conseguir conseguir identificar onde que tá o desperdício para você corrigir. E uma das coisas que você trouxe também, eu tô tentando traduzir isso para galera entender, você que é empresário entender que você não precisa ser o fodão, né? Cara, faturamento é ego, caixa é rei.
Exatamente.
A gente precisa olhar para o caixa. O meu faturamento não vai traduzir o meu caixa. E você tá trazendo isso de uma forma brilhante, sabe? E aí quando você traz que Cara, precisa achar um padrão. A tua equipe precisa ser treinada. E aí, quando a gente fala de cultura, quando a gente fala de valores, quando a gente fala de propósito, o quanto que a franquia consegue trazer isso top-down para os franqueados? Porque hoje o Brasil ainda é muito carente, né, de cultura.
Por exemplo, propósito é porque você nasceu. Você serve para quem? Se você morresse, quem é que vai sentir falta de você? E valores são os que te norteiam para que você consiga atingir esse propósito. O quanto que você traz isso de clareza para os franqueados?
Tu sabe que essa também é um negócio assim que a gente nasceu, vamos dizer entre aspas assim, sem propósito, sem valores, sabe? Sem essa cultura já montada para trabalhar ela, né? Mas o que acontece? Na verdade, tu não nasce sem, tu tem tudo isso. É porque Tudo isso é o que acontece no dia a dia ali. E como a gente nasceu sem a frase pronta, sem o quadro bonito na parede, mas a gente já nasceu com uma cultura forte, que é uma cultura de prosperidade, cultura de balcão, de resultado, de gestão, de ter tudo isso aí, de acreditar nas pessoas.
E aí, acho que isso para a gente foi o... Porque a gente tem uma cultura muito forte, a gente consegue. A gente fala, os franqueados... São mais defensores da marca, acho que eles são mais apaixonados pela marca às vezes do que eu e o Mateus que criamos ela. Eles são muito apegados, a gente fala, a marca... E é muito louco que conhecidos, amigos nossos, empresários que vão em algumas lojas falam, cara, o que vocês fazem com essa galera?
Vocês fazem uma lavagem cerebral? Porque parece que é vocês falando lá na frente. E aí, o que a gente... A gente fez desde sempre. A gente sempre foi muito próximo do franqueado e a gente sempre investiu muito em saliva. Cara, é conversar, é trocar, é estar próximo. E estar próximo e conversar e compartilhar dor e melhorar, buscar melhorar junto, ombro a ombro. Essa cultura do ombro a ombro a gente tem muito forte na nossa empresa.
E aí, isso foi bom porque nós já estávamos com isso aí formado e aí a gente contratou, sei lá, devia ser 5 anos de empresa talvez, ou um pouco menos. Aí a gente contratou lá um time de branding lá para fazer e para nos ajudar, porque a gente falava, só que a gente não conseguia montar uma frasezinha legal. E aí a gente contratou eles, eles fizeram entrevistas com todo o time, com os franqueados, com a gente, e aí que eles montaram uma frase bonita, aí que eles montaram o quadro na parede. E aí ficou muito mais fácil, porque a cultura já tava lá.
Não é porque você precisa ancorar para que você, as pessoas consigam ver. A gente tem um propósito muito forte que é promover a saúde financeira de empresas e clientes por meio de tecnologia e inovação. Esse é o nosso propósito. Legal. E todas as vezes que eu faço alguma reunião com os meus liderados, eu, gente, qual é o nosso propósito? E aí meio que vira um mantra para a galera falar, enraizar, entender por que que a gente nasceu.
Exato.
Para disruptar o mercado.
E é muito bom quando tem, a gente fala, né, para nós ali que fomos criando e a gente foi pegando, pô, o nosso time, né, a gente começou a operação com zero funcionários. E a gente foi trazendo um mais um mais um e formando. Então a gente falava, eles viviam com a gente essa cultura. Depois na franqueadora foi exatamente a mesma coisa, era eu, Mateus, o Álvaro. Depois foi vindo os primeiros colaboradores e a gente foi transformando do lado.
Só que pô, hoje são mais de 60 pessoas. Então hoje eu preciso de um processo estruturado porque eu não consigo mais conversar todos os dias com as 60 pessoas. O Mateus também não consegue, né? Mesmo os franqueados, não consigo estar presente com eles todo tempo. Então esse mantra organizado com as palavras certas, isso é muito bom. E aí outra que a gente fala também, que é como faz isso dar certo, porque beleza, tá lá a cultura, tá a frase bonita, tá no manual, tá no processo de onboarding, tá.
Agora, se tu não fizer o onboarding, se tu não investir tempo, se você não viver isso, a cultura não vai, ela vai morrer ali no quadrinho na parede. Hoje a gente tem ritual assim de webinar mensal com franqueados, por exemplo.
Eu ia falar que os rituais, os ritos e rotinas sustentam a sua cultura.
Exato. Sem eles, a cultura morreria, né? Ela iria virar uma outra cultura.
Exatamente.
E a gente faz esses encontros mensais online, né? Então ali a gente tem pauta, mas é muita pauta aberta também, que a gente fala muito sobre a nossa essência, sabe? A gente fala que a gente tem essência aqui, né, que a essência do quero. Então a gente fala muito sobre isso, sobre, entendo, realmente de fazer. Exatamente. E aí a gente trabalha muito isso, coisas que acontece na loja, a gente abre o microfone para franqueado falar. E aí a primeira coisa também, quando nos pergunta, tá, mas não vira uma guerra?
Não vira, cara.
É uma, é um ciclo de energia boa que vai ajudando a fomentar e a manter. Porque também é muito bom quando não sou eu falando lá sobre a cultura, e sim o nosso franqueado falando. Ele vai falar, Aí significa que deu check, que você tá usando o BB. É ele que tá falando, não é só o cara que criou lá o negócio, não é só um papo bonito, de fato é o que acontece. Então isso, nossas convenções são muito boas, a gente faz uma por ano, são 3 dias de conteúdo muito legal.
O ano passado, na última, a gente teve 100% de aproveitamento, todos os franqueados foram. Isso é raríssimo de acontecer, porque a galera quer até mais, eles falam. Só que a gente fala, é complexo fazer o evento, é agenda, e a gente tem as nossas operações. Então, mas é muito legal assim, a gente tem, esses são acho que os principais, né? E aí os internos do nosso time, a gente tem um All Hands mensal que a gente junta, a gente para, a gente para a empresa ali 2 a 3 horas uma vez por mês, e mesmo formato do webinar com os franqueados assim, que a gente fala muito sobre cultura.
A gente fala sobre desafios, coisas que estão acontecendo, plano de crescimento, né?
A gente faz isso também no planejamento, o nosso planejamento estratégico, por exemplo, o nosso desenho, né, que a gente utiliza metodologia de OKR. A gente apresentou todos os OIs e todos os KRs para todo mundo da empresa, falando o que que a gente quer, qual era o nosso grande objetivo, como a gente vai fechar 26, 27, o que que a gente quer daqui a 5 anos, aonde que a gente quer estar, porque Se as pessoas forem só um número na planilha, muito provavelmente você só está usando o braço delas, mas não está usando a mente, né?
Para que ela esteja junto com você inovando. Falo muito disso, Felipe, que é o seguinte: a gente não pode querer inovar sozinho. A gente tem um valor lá na 4C que é: incentivamos a atitude de estar sempre um passo à frente. Que legal! E se eu incentivo a atitude de estar sempre um passo à frente, significa que as inovações não vêm da Marcela e do Ninho. Ela vem de todo o time. E para vir de todo o time, a gente precisa sustentar isso na cultura.
E aí, como a gente sustenta isso na cultura? Nos nossos ritos e rituais. E aí a gente usa muito a metodologia de Odalup, que é uma metodologia americana de guerra, artilheiro de guerra, que é orientar, observar o mercado, orientar, decidir e agir. Então, se eu observo o mercado o tempo inteiro, de franquias para entender quais são as melhores práticas, o que que tá se aplicando com tecnologia, AI, melhores métodos, estar próximo da ABF para entender o que que ela tá trazendo de novo.
Eu tô observando para que eu consiga orientar. Então orientar é botar na mesa, né? Deixa eu entender aqui tudo que eu tenho de plano de ação para eu decidir o que eu vou fazer para começar a agir e fazer.
Exato, não dá para fazer tudo, né? Se a gente perder nessa, né, tudo tu não executa nada. No fim, execução é tudo, né?
E eu sempre faço uma brincadeira que é o seguinte: lança aí um celular Nokia, puxa aí o celular Nokia que eu quero ver quem tem. E não tem. Será que ela não parou de praticar o Adalup?
É verdade.
Agora pensa na Netflix. A Netflix é um modelo de Adalup puro. Ela começa vendendo DVD, aí vai passando de estado em estado, depois ela cria o streaming, Mas aí ela vê que o streaming tá ficando estrangulado porque já tem outras empresas criando, aí ela cria conteúdo próprio. Sim. E aí com isso ela— Agora game, tá no game.
Mas é muito aí, aí tu tem que estar o tempo inteiro. Por isso que empreender é isso aí, é um desafio eterno. Então se tu não tiver preparado para um desafio eterno desse, se tu quiser se acomodar, empreender não é para ti, tu tem que estar todo o tempo. E eu falo isso à frente da franqueadora, mas o franqueado é a mesma coisa. O cara que está na frente da operação ali, cara, não é: Ah, beleza, cheguei até aqui, montei meu time, agora vou botar as mãozinhas para trás aqui, pezinho em cima da mesa e parar.
Não, cara. Tu tem que também estar pensando em crescer, porque se tu não tiver essa mentalidade de crescer, de evoluir... Crescer não significa só vender mais, crescer significa evoluir. E se tu não tiver essa mentalidade, o mercado te engole. Vai abrir um outro café no outro lado, daí você vai começar a perder. Então, você tem que estar pensando nessa evolução. E a gente instiga muito isso na nossa rede. A gente brinca, o franqueado não precisa ter muito tempo assim.
A galera fala, pô, mas os caras não querem inventar um monte de outras coisas, trazer, fazer coisa diferente do que é? A gente fala, tem até uns e outros aí que gostam e eles trazem bastante ideia e a gente traz eles para os comitês internos. Mas a grande maioria ele não precisa porque ele tá tão ali focado. A gente faz 2 cardápios novos por ano, né, o Delícias de Inverno e o Desejos de Verão. Então a gente tá sempre trazendo muita cultura, a gente tá sempre trazendo coisa nova, inovação, inovação.
Então a gente não tem esse problema assim, não tá acomodado, porque a gente não—
como que um Iron Man fica acomodado?
Exatamente, não tem, né, não tem como, né, não tem como. Se for acomodado também não faz um Iron Man, né. Acho que não tem, tem que ser meio, tem que ter aquela, eu tenho uma frase: os loucos abrirão caminhos que mais tarde serão percorridos pelos sábios.
Olha, sabe por quê? Porque a gente é ousado, a gente não tem medo. É isso aí, cara. O cara tá aqui, acordou 2:30 da manhã para vir para São Paulo, e uma das coisas que, olha que louco isso, é o que você sentou que tava nos bastidores. Eu vou só catando, né, Felipe? Você vai falando, a gente vai catando. Você falou, eu preciso visitar a loja. Ou seja, e isso traduz lá 2015, quando você fala barriga no balcão. Ou seja, hoje você é um baita empresário, você já fatura milhões, você tá com 82 lojas, você tem os franqueados, mas você ainda vai lá e faz a escutativa, barriga no balcão, arrasta a chinela, entende o que que tá acontecendo em cada loja.
Você já falou que, não, eu quero visitar Itapeva, porque Itapeva vai pro meu aeroporto, eu vou passar por lá, então já dou... Cara, isso é surreal.
Essa proximidade, tanto eu quanto meu sócio, o Mateus, que a gente fundou o negócio, a gente é apaixonado pelo operacional, digamos assim. Mas hoje a gente não pode ficar só preso no operacional. Então tem time que faz isso, tem os consultores de campo que vão visitar as lojas. Mas a gente sempre que pode, a gente dá uma comparecida. A gente se envolve muito ainda em desenvolvimento de produto, melhoria de processos. Mas a gente tem toda...
Hoje tem estrutura, tem time que faz isso aí. Mas principalmente a questão de presença em loja, estar nas inaugurações e não só nas inaugurações, passar de tempo em tempo nas lojas é difícil para caramba, porque geograficamente é longe e agenda. Hoje, se eu quiser passar, sei lá, uma vez a cada semestre em cada loja, eu já tenho quase que ficar só o ano inteiro só viajando para isso. Mas é muito bom porque sempre traz algo novo escutar quem tá lá sofrendo, tá com uma dor, tá com uma ideia.
Porque o nosso negócio é a operação. Então se a gente perde isso, se a gente para de escutar o cliente, se a gente para de escutar o franqueado, que é quem estaria assim, o nosso negócio vai morrer, vai acontecer aquilo que tu comentou de outras empresas. Então fica esquecido e tu fica ultrapassado. E quando vê o teu negócio que era muito bom, muito bom, ele não existe mais, ou ele tá, sabe, foi engolido, que é porque a gente para de observar.
E é muito legal, a Renata Vichy, quando ela tava à frente da Copenhague, ela tinha uma, ela tem, ela tinha uma meta de visitar 20 lojas, que eram 20 lojas, para que ela conseguisse fazer a escuta ativa. E aí eu moro em Niterói, no Rio de Janeiro, esse aí eu tava almoçando, fui tomar um café na Copenhague, quem é que tava lá? Falei, cara, é incrível. E aí tem um mito no mercado que muita gente fala, eu queria até te ouvir sobre isso, que eu acredito que nada a ver com você e com o Mateus, que é, ah, eu já dei certo, já faturo milhões, eu não preciso passear no operacional, eu não preciso ver o tático, eu só preciso estar no estratégico. Você sabe, a galera vem desse sonho, né?
Total, total. E isso não funciona, isso não existe. Em lugar nenhum, em negócio nenhum. Eu acho que isso é eterno, isso é para sempre. A gente fala, se em algum momento a gente deixar de fazer isso, é porque a gente tem que ceder a cadeira para alguém que vai estar fazendo e nos representando, porque senão o negócio vai... E é muito legal isso da Renata também, já escutei ela e é verdade. Eu também presenciei um dia ela numa loja e falei, olha aí, cara, às vezes a gente está lá falando, beleza, só...
É só para o palco, mas não, a coisa acontece. E a gente acredita muito nisso e acho que vai seguir fazendo para sempre enquanto a gente estiver à frente do negócio. Eu digo assim... E mesmo se não tiver, eu acho que depois a gente vai seguir. Daqui a pouco, um dia vai ter um CEO, sei lá, que vai estar comandando. Mas eu ainda vou seguir indo nas lojas, porque a gente é apaixonado. A gente montou esse negócio, tem até uma história legal.
Quando a gente monta o negócio lá em Teutônia, um dia antes da inauguração, aí eu e o Mateus sentamos assim, a loja pronta, bonitinha, a gente falou, putz, nós não vamos poder usufruir desse lugar, nós vamos só trabalhar aqui, nós não vamos poder curtir. Nós montamos pensando no que a gente gostava e a gente não vai poder usufruir. E hoje, rodar nas lojas, ver a operação rodando, ver não só o franqueado, ver o time do franqueado também levando essa nossa cultura adiante, sabe?
Pô, isso nos realiza, é isso que nos move. Hoje a gente está... Isso aqui não é pelo dinheiro, não é mais só pelo crescimento, a gente está aqui pelo desenvolvimento das pessoas, sabe? Por gerar oportunidade para elas. Pô, tem vários franqueados aí que estão com a gente. Pô, eu comecei do nada. Para não dizer que eu não tinha nada, eu tinha R$7.000 guardados de uma rescisão e de um presente de formatura. E a gente foi crescendo.
O Matheus tinha um terreno, conseguiu vender o terreno e a gente foi crescendo muito investimento todo nosso ali assim na unha. Não teve investidor, não teve nada assim. E aí, a gente vai, começa esse crescimento e a gente vê que tem franqueados hoje que não tinham nada e hoje tem 7 lojas, já são multifranqueados, caras que faturam muitos milhões já no ano, só eles.
Muito bom.
E eles conseguindo fazer hoje, eles cresceram e fazendo aquilo que a gente faz, que é desenvolvendo as pessoas dentro do grupo deles, né? Então dando oportunidade lá para baristas, para cozinheiros, para, sabe, se tornarem sócios deles, sócio-operadores deles, um novo negócio sem ter a possibilidade, a necessidade de aportar um dinheiro. Eles entram só com o trabalho e conseguem desenvolver. Então, pô, é isso que nos move. Isso é uma história Linda.
A gente está até agora com... A gente desenvolveu 3 programas. O primeiro é a Escola de Gerentes, que a gente traz, que era só escola interna. Pegava os gerentes, ajudava esses gerentes a se desenvolverem para se tornarem um dia sócios operadores de loja. E aí, o outro é a Escola de Franqueados, que é para ajudar os franqueados a se desenvolverem para se tornarem multifranqueados, mais ou menos assim.
Para aprender a ser empresário.
Para aprender de fato a ser empresário e a dar aquele segundo passo, né? Porque na vida do empreendedorismo, seja com franquias ou não, mas aquele sempre tem um passo, não existe o passo mais difícil, né? Existem várias etapas que tu vai indo, né? Então, pô, sempre falo, acho que o primeiro é o mais importante. Pô, quero decidir empreender. Esse aí eu acho que deve ser o mais. E aí depois, pô, quando tu tá com uma loja, aí a coisa tá organizada.
Quando tu quer ir da primeira para a segunda, cara, é tão desafiador quanto. Da segunda para a terceira já fica um pouco mais fácil, porque você já foi aprendendo um pouco mais esse jogo. E a gente vê isso acontecendo na nossa rede. Hoje, mais de 50%, se eu não me engano, 57% das lojas que estão em operação, não é contratos vendidos, é lojas que já estão operando, a gente sempre traz o dado do que está acontecendo, mais de 50% dessas lojas já são operadas por multifrancados. Mais da metade já tem pelo menos 2 lojas, né? E vários aí com 7, outros com 4.
Isso que você traz, eu falo muito nas minhas mentorias, que é maturidade de empresa. Então, o que te tirou do 0 para o 1 não vai te levar do 1 para o 10. Então, por isso que a gente precisa começar do 0 para o 1, é tirei do 0. Então, eu tô ali gerando 50% de caixa, 30% de venda e 20% de LTV. E aí depois eu mais do 1 para o 10 não vai ser assim. Então eu preciso estruturar processo, eu preciso estar junto, precisar de uma equipe, preciso vender o mix de produtos que eu tenho para que eu consiga garantir a receita. E aí daí você vai para as maturidades, né? Bebê, criança, infância, adulto.
Aí eu sei mais ou menos.
E aí você começa a escalar.
Exatamente. E aí que vai, e aí que é isso que é muito legal, porque... E aí que é essa questão do desenvolvimento eterno, sabe? A gente era essas pessoas, vamos dizer assim, a gente era os caras operacionais lá Quando a gente começa o negócio, a galera fala, pô, vocês têm que sair, vocês não podem ser o cara que está aqui dando treinamento de implantação de franquia. Pô, eu sei lá que loja era, até acho que a loja número 20, eu fazia parte ativa do time de implantação.
Hoje vão 6 pessoas para a unidade para ajudar, dar treinamento e ajudar nos primeiros dias. Eu era um desses 6 até a loja 20, mais ou menos assim. O Matheus era até a loja 10, daí ele separou, a gente separou as atividades ali para dar conta.
Então vocês operaram juntos até a loja 10, vamos dizer?
É, não operar não, o treinamento junto, eu digo, né? Tipo, ah, porque a gente ia, sei lá, ia abrir uma loja em—
aí vocês iam juntos?
A gente ia juntos, ele dava o treinamento de bar, eu de cozinha, aí tinha uma outra menina de cozinha e mais um outro cara de atendimento assim. Então era nós 4, hoje são 6 pessoas, né? Então a gente sempre começou isso, e aí a gente teve se desenvolver para conseguir dar esse próximo passo. E aí ver como isso, como a gente, cada passo adiante que a gente dá, os nossos franqueados também vão acompanhando e vão surgindo novas pessoas lá na operação que vão seguindo junto.
Então, agora vai acontecer pela primeira vez, que é algo, a Loja de Navegantes, que é um sócio-operador do nosso maior multifranqueado, que começou como sócio-operador dele, ele tá colocando a segunda loja, né? Ele vai se tornar multifranqueado e tá dando oportunidade para alguém. Então, digamos, é a terceira geração, digamos assim, que tá entrando e tá crescendo. Então, isso é o que nos motiva, é isso que faz acordar todos os dias aí, né?
A gente adora quando vem um grupo de, sei lá, mais formado já, um empresário um pouco mais pronto, né? É muito bom também porque tu já curta muito caminho de muita coisa, mas quando você acaba te ajudando também. Exatamente. Mas, bah, quando tem essas histórias internas assim de crescimento, desenvolvimento, pô, isso é, isso nos enche esse coração, né?
Eu posso te dizer que a cultura da Kiara Café é realmente o cliente no centro, pessoas no centro, porque vocês olham muito para desenvolvimentos. Essa escola de franqueados, essa escola de gerente. Cara, é realmente enraizado na cultura o desenvolvimento das pessoas.
Exatamente, exatamente.
E dá para perceber isso assim.
Eu não falei a última, só que a gente tá lançando agora, que é o programa Seja Dono, que ele vai ser uma espécie de trainee para virar dono de restaurante, digamos assim. Que daí a gente vai externar isso, vão ser vagas remuneradas que as pessoas vão poder se inscrever para participar desse processo trainee e se passarem, se der certo, podem se tornar suas operadoras ou franqueadas.
E a Azul, assim, é como fala, é impressionada com as nossas empresas e como a gente se parece. Porque a gente criou em 2015, a gente também tem um programa dentro, a gente também tem escola de liderança, e a gente tem um programa que chama Promove, que é o nosso trainee. Olha aí, a gente não tinha dinheiro para fazer trainee, e aí a gente criou o Promove, que a gente tem em 2 tempos. Ou você faz o Smart, que são 3 meses passando por cada área, e depois você faz um pitch, tipo pitch Shark Tank.
E depois, ou você faz o Master. O Master, que são 3 meses, e o Smart são, é 1 hora por dia em cada setor, para que você consiga ter o 360 da empresa, para depois você faz o pitch e a gente entende aonde a gente consegue te alocar na melhor área.
É muito parecido mesmo, até 3 meses, tá? Você tá no nosso programa, etapa inicial.
E aí a gente é Shark Tank, né? Então a gente participou do Shark Tank 10 agora.
Ai, que legal!
Foi desafiador, muito legal. Foi um Shark Tank com mulheres, então eram só tubaroas. Aí a Camila Farane, que fez a proposta pra gente, né?
Que legal!
R$7 milhões por 20%.
Caramba, que legal! Parabéns! Pô, a Camila é um monstro.
Tubarua, pode ser Tubarua, Tubarua, os dois podem. E eu tô impressionada realmente em como as nossas empresas se parecem muito. E a gente também, né, começou com R$5.000, um sonho, eu e meu sócio. Só que os R$5.000 já era de faturamento, já era de faturamento, não era nem do bolso ainda. E aí assim, a gente tá chegando aos momentos finais, infelizmente, porque o papo foi, podia, cara, ser um baita empresário. Parabéns, assim. E eu queria que você concatenasse como o esporte faz parte da sua vida para que você consiga sustentar essa rotina, que a gente não pode romantizar essa rotina do empresário, que ela é realmente cansativa, dói.
Mas eu sempre digo que a gente é forjado na dor, né? Ninguém cresce no amor, a gente só cresce na dor. Ninguém cresce no quentinho, né? Tô quentinho aqui, vou começar a me desafiar porque tá gostoso.
Ninguém faz isso.
É, mas, e você é um exemplo disso como Iron Man. Parabéns pela sua prova de 2 semanas aí, que, né, de ter completado. Eu queria que você trouxesse um pouco isso para gente, como te ajuda o esporte.
Sim, eu acho que tem um negócio que a gente também usa muito, né, na, que eu não posso deixar de falar aqui, né, que é o exemplo arrasta, né.
A palavra convence, o exemplo arrasta.
E nisso eu devo muito, né, agora essa minha virada de chave, eu devo muito ao meu sócio o Matheus, né? Ele que me arrastou para o Ironman, né? Ele que me trouxe para esse mundo assim de encarar o esporte como algo que te ajuda na disciplina do dia a dia, né? Eu sempre fui apaixonado por esportes, né? Sempre joguei futebol a minha vida inteira, sempre fui assim atleta, sempre fui ativo, né? Jogava tudo, tudo, tudo, tudo. Futebol, vôlei, atletismo.
Futebol, tudo, tudo, tudo. Só que com o passar do tempo começo a empreender, começo a ter essa rotina e eu comecei a delegar o quê? A base, o treinamento mesmo. Então, eu só jogava futebol, só jogava futevôlei. E aí, em algum momento, fazem 2 anos, foi, a minha filha tinha 1 mês, eu rompo o tendão de Aquiles jogando futebol. E enfim, tive que operar, ficar de muleta lá muito tempo. Faço fisioterapia. E realmente foi na dor, foi na dor assim.
E foi ali, foi um dos piores momentos assim acho da minha vida pessoal assim, né. Eu sempre fui um cara muito para frente, muito alto astral assim, né, nada me abalava, né. E ali foi o momento que eu tava assim meio abalado com isso, né. Não conseguia fazer nada, não conseguia nem pegar minha filha no colo de um mês, né. Tava ali sentado no sofá com a perna levantada, né. E daí eu volto, faço fisioterapia, melhoro, posso voltar a fazer esporte e tava assim numa desanimação, sabe?
Porque eu tava lá, não tava fazendo Ironman, nada disso ainda. Eu tava jogando futebol, dando uma corridinha assim, mas sabe quando não... Tudo meio maroto, né? Sabe quando não... O pessoal pensava, meu, isso aí eu não vou pra frente, eu vou ficar nessa e essa vai ser a minha nova realidade, né? Vai ser assim que eu vou... Pô, eu sempre fui um cara sempre ativo e tal. E eu estava ali meio sentindo meio desativo, meio... E aí, não, eu preciso de um desafio maior.
Aí foi aí então que eu já tinha feito duas vezes o 70.3, o Ironman 70.3, que é a metade da distância, só que eu fiz nas coxas, sem treinar. Eu fiz só como assim, cara, quero ir na raça. Treinei para um 2 meses e para o outro 3 meses. Foi assim loucura. E aí nesse eu falei, não, eu preciso, porque eu preciso encarar esse desafio agora não só como cruzar a linha de chegada e ser legal. Não, preciso algo que me transforme, algo que me faça entender o que de fato o Ironman tem de bom, que é a jornada.
O dia lá, a linha de chegada é só a formatura. O MBA mesmo, o legado que ele te deixa, ele te deixa na jornada de treinamento, da constância, da disciplina, de todos os dias, atingir alta performance. Exatamente. Então, Pô, hoje sou, né, até eu tô agora, tô no momento de férias pós-prova assim, né. Amanhã eu vou dar uma corridinha no Ibirapuera aí para voltar devagarzinho. Mas hoje, né, eu falei, eu não vou mais voltar a ser aquele cara que eu era antes, né, de romper o tendão de Aquiles. Eu vou continuar sendo e vou manter o esporte, né.
Eu acabei de fazer minha meia, aí eu tatuei aqui.
Que legal, que legal! Vai, é isso aí, né.
Quando eu fizer o Ironman também vou tatuar.
Com certeza. Eu botei no Instagram agora, eu sou um pouco mais low profile assim, né, no Insta ali, mas eu coloquei lá Iron Man, porque de fato foi uma conquista tremenda assim, né? É uma, enfim, só vivendo assim, né, para entender de fato, né, o que que tanto que tu sente no, pô, tu precisa de muita organização, tu precisa de muito planejamento para tu conseguir encaixar, né, uma rotina pesada de trabalho, uma rotina pesada de família, né?
Eu gosto de ser um pai presente, de estar junto com a minha esposa, minha filha. E também tem que treinar aí 10, 15, 20 horas às vezes na semana. Então, sem planejamento, tu não consegue fazer isso. E o Ironman te ensina muito isso. Acho que isso para mim foi... Acho que cada esporte tem o seu, não precisa fazer de fato um Ironman, mas o esporte acho que ele te traz isso como um todo, que tu consegue. E para mim, eu tive duas coisas.
Durante os treinos, eu... Eu resolvi tanta coisa que eu não resolvia, que eu tava lá procrastinando assim, porque a mente fica— eu tinha treinos de 6 horas de bicicleta, né, sozinho. Então, meu, ali dava para pensar muita coisa, né. Então eu falo assim, pô, quando é que tu tirou um tempo tu contigo mesmo, né? Quando é que ficou só, só tu e da tua cabeça, digamos assim, né? Pô, e o Ironman me trouxe isso. Então, além do planejamento, além desse tempo de Planejamento interno, vamos dizer assim, conversa interna.
A questão também de entender o que você está fazendo, porque às vezes você está fazendo um monte de coisa que não é importante, que não te entrega nada. E aí, quando você planeja, quando você tem um tempo um pouco mais escasso, você vê: Opa, mas isso aqui eu deixei de fazer.
Aí você cria prioridade.
E aí você cria prioridade. Então, enfim, acho que isso o esporte como um todo faz, o endurance principalmente pela carga, pelo volume. Mas só tem coisas a agregar e a melhorar em tudo na vida, né? Seja na vida pessoal, seja na vida profissional, né? Então, esporte é vida. E a gente estimula, a gente tem um projeto de corrida interno que é o Q Corre. Então, todos os franqueados que atingirem lá, acho que é 500 km de corrida no ano, participam no evento exclusivo daí com a gente.
Então, a gente leva também muito isso, né? Essa questão do exemplo arrasta, né? Assim como Mateus me arrastou, a gente tá tentando arrastar mais e mais gente.
A gente fez o primeiro 4C Energy na praia, levando a galera para treinar, fazer um treinão na praia também.
É isso aí, é isso aí.
Muito obrigada, Felipe. Parabéns para você, para o Mateus, para Quero Café. Foi uma honra te entrevistar e ver o quanto que você é um monstro do empreendedorismo. Sem, sem, você não estudou para isso, você foi criando seus métodos, entendendo quais eram os melhores caminhos. Eu tô muito feliz, de verdade. Eu acredito que esse podcast ele vai agregar a vida de muita gente, que é o teu propósito no final do dia.
Que bom, que bom. Obrigada. Eu que agradeço. Muito prazer aí, brigadão pelo convite.
Gente, esse foi o Belo Papo direto do mercado para quem faz o mercado. Então, se você quer entender como escalar um negócio, realmente sair do zero para o um, mas entender que o que te leva do um para o dez não vai ser a mesma coisa, assiste esse podcast, volta, anota. E entende como melhorar o seu negócio. Muito obrigada.
Fechou legal, né? Papão, de verdade, arrasamos!