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16 - Entre Máscaras e Silêncios: Falso Self Parte I

08 de maio de 202637min
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Existe uma versão de nós que aprende cedo demais a sobreviver.
Que sorri quando quer chorar, concorda para não desagradar, performa para ser aceita.
Uma versão construída no medo de perder amor, pertencimento e reconhecimento.
Em Winnicott, chamamos isso de Falso Self: uma camada criada para proteger o que existe de mais espontâneo e verdadeiro dentro de nós.
E, embora tenha surgido como defesa, às vezes ela cresce tanto que começamos a nos perguntar:
“Quem sou eu quando não estou tentando corresponder?”
No episódio de hoje, conversamos sobre as origens do falso self, suas marcas nas relações, no trabalho, nos vínculos afetivos e na forma como nos afastamos de nós mesmos sem perceber.
Uma reflexão sobre autenticidade, adaptação e o difícil, mas necessário, caminho de voltar a habitar a própria verdade.
Talvez amadurecer também seja isso: parar de existir apenas para atender expectativas e começar, aos poucos, a existir para si.
Fique Entre Nós!
Assuntos8
  • Liberdade e detençãoConsumo de produtos para controle · Falsa liberdade imposta pela sociedade · Pressão para viver o 'melhor' e gastar · Comodismo e praticidade na alimentação · Perda da capacidade de escolha genuína
  • Winnicott e o ambiente falhoExpressão de quem se é vs. adaptação ao ambiente · Processo de sobrevivência · Funcionamento sem sensação de estar vivendo · Viver no automático · Submissão ao outro e a si mesmo
  • Desaparecimento da Autenticidade e HumanidadePressão por produtividade e entrega · Hiperestimulação e excesso de opções · O 'dever ser' em vez do 'não poder' · Sociedade como produtora de Falsos Self · Capitalismo e produção constante
  • Erosão silenciosa da identidadeDefesa psíquica para proteção · Mecanismo de defesa para lidar com a realidade · Construções que surgem cedo na infância · Cuidados iniciais insuficientemente bons · Interrupção da espontaneidade
  • Identidade e AutoestimaNíveis de Falso Self · Falso Self como mentira patológica · Falso Self como organização psíquica · Diferenciação entre inspiração e Falso Self · Mal-estar causado pelo Falso Self
  • O Valor da Verdade e AutenticidadeConsciência da mentira · Disposição para contornar o Falso Self · Construção da verdade individual · Divisão entre o verdadeiro e o falso · Habitar a própria verdade
  • Psicologia e PsicanáliseLigação entre psique e soma · Dependência humana de outros seres · Fragilidade do corpo humano · Impacto das emoções no corpo · Conceito de 'Soma' em Admirável Mundo Novo
  • Presença vs. ConexãoRelação com o alimento e suas etapas · Perda da conexão primitiva com o alimento · Privação e prazer · Conceito de 'suficientemente
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E aí, bom dia. Olá, como você está? Bom dia, como está por aí? Que bom te ter por aqui. Como é que foram os seus dias? Como é que foi a sua semana? Não, mas me conta mais sobre isso. Fale-me mais sobre isso. Você está entre nós.

Olá pessoas enrolados, psys, amantes da mente humana e da sua alma. Bem-vindos a mais um episódio Entre Nós. Um lugar seguro e não rígido para todos que desejam se aprofundar nos sentimentos e pensamentos da gente que trabalha com a saúde mental. Eu sou Patrício Lagos, estou com a Letícia Tedesco e o meu amigo Ricardo Cardoso. Perceba que a Letícia não é minha amiga. É, eu notei isso, viu? É bom saber. Fiquei aqui olhando, gente.

O entre nós já não é mais o mesmo. Entre nós já é entre alguns de nós. Hoje a gente vai se aprofundar na teoria do papai Winnicott, doutor Donald Winnicott, num dos temas, assim, numas sacadas mais geniais dessa cachola que tinha, que é falar do falso selfie, né? Como é que funciona essa defesa? É como se fosse uma defesa? Quem pode me responder?

Um mecanismo de defesa, assim, de fato, justamente pra... Bom, a gente vai chegar nisso posteriormente, mas eu acho que vale a pena pensar que a gente quanto animais, a diferença nossa pra qualquer outro animal é que a gente desenvolveu mais o nosso cérebro. Então, a nossa mente é um artefato que a gente usa pra lidar com a realidade.

E aí a gente vai criando mecanismos de defesa pra gente conseguir lidar com essa realidade. Essa ideia do falso self é uma das que pode acontecer, seja numa intensidade maior ou menor, seja por um período específico, mas é algo que é pra defesa de fato.

Pois bem, queria começar com uma pergunta simples. O quanto da sua vida é, de fato, a expressão de quem você é e o quanto é uma forma de se adaptar ao que foi necessário, né? Ou seja, o que o ambiente exigiu que você fosse, né? Mais quieto, menos quieto, você chamasse a atenção como? O quanto isso é da gente e o quanto isso é um processo de sobrevivência, né?

Muitas vezes, né, a gente consegue funcionar muito bem, mas sem aquela sensação de estar vivendo de fato, né? Imagino que a maioria das pessoas já sentiu isso em algum momento, né? De o quanto eu estou fazendo isso por mim ou não. E é uma coisa que é bastante clássica e eu acho que os principais problemas é quando a gente tá fazendo isso sem nem perceber, né?

Será que a gente pode trazer aquela expressão que é comumente usada, né? De parece que estou vivendo no automático? É muito difícil fazer essa separação, né? De até onde, porque a gente acaba fazendo coisas que a gente não faria, né? Por nós mesmos, mas por estar num ambiente X ou por estar numa interação Y, a gente vai fazer. Só que isso não é um problema de fato, né? Quando a gente está falando do false self é quando se torna patológico, né? É onde a gente sabe o limite disso.

A gente tá falando de algo que tem níveis. Que existe um nível saudável que é importante pra, inclusive, fazer a nossa manutenção de saúde. E um nível que vai se tornando uma mentira. Uma coisa que eu acho que é interessante da gente colocar também, né? É que pra gente formular que é uma mentira, você precisa ter a consciência também, né? De que aquilo não está certo.

Vou até puxar um cunho religioso. Eu acho que tem essa ideia, né? Dentro, pelo menos, da religião católica, né? Se você tá fazendo sem saber, não é pecado, né? Aí, a partir do momento que você sabe, é pecado. Me corrijam se eu estiver errado. Se você não é batizado, você nem vai pro inferno, né? É, eu acho que tem alguma parada assim. Se você não sabe a palavra de Deus, tá tudo certo. De certo modo, né? Essa ideia de uma mentira, muitas vezes a pessoa acredita que aquilo é a verdade, né?

Porque não tem o conhecimento de outra coisa senão daquilo. Eu acho que quando a gente pensa sobre falso selfie, é mais ou menos esse o caminho. E aí vem a parte dois, né? A partir do momento que você sabe que é uma mentira, vem aí também a disposição de contornar isso e agir de outra maneira. De construir a sua verdade, né? Porque aí a verdade vai ser individual.

E aí entra uma dúvida. Um falso self, ele sabe que aquilo é um mecanismo? Existe essa divisão entre o que é verdadeiro e falso conscientemente? Não existe? Nem sempre existe? Como é que é? Ao meu ver, assim como tudo na psicologia, aquela palavra, né? Depende.

Pode tudo, né? Ou não pode nada. Pode tudo, não pode nada. Depende do dia. Se tiver calor... Pode ser que...

Bom, brincadeiras à parte, eu acho que depende, sim, mas no sentido de que é um caminho, né? Então, fazer para o outro algo que você sabe que não vai ser bom para você, ou que vai ser bom para você porque você não vai ter problemas, tudo isso acaba entrando como essas vivências, né? Sei lá, pô, o pato que é meu amigo...

É, né? Amo andar de moto. Mas eu vivo caindo. O Pato, que é meu amigo, ama andar de moto, vive caindo. O que me desestimula é andar de moto. Ou seja, e aí, como todo motoqueiro motociclista, ele fica, compra uma moto, ande de moto. Nossa, é uma maravilha. E aí, da semana sim, outra também, ele cai. O que pra mim não faz muito sentido. Então,

A ideia de ter essa vivência por conta do pato, talvez se encontraria aí num estado de falso self. Ainda mais se eu estivesse fazendo isso sem ter essa percepção, né? O que talvez a gente precisa tomar cuidado é em fazer diferenciações, né? Porque...

Nesse caso, o pato poderia ser apenas uma inspiração, né? Ou alguém que tá ali de fato influenciando, mas não necessariamente isso vai te fazer mal. O falso self, ele causa um mal-estar? Geralmente sim. Bom...

O Winnicott, ele traz a ideia, né, de que o falso self não é meramente uma mentira consciente, né, não é só um fingimento. Ele acaba sendo toda uma organização psíquica que acaba surgindo muitas vezes muito cedo.

Isso pode acontecer de N formas. Então, eu lembro muito de ver alguns textos dele, dele se questionando sobre bebês. Ele era pediatra, e aí ele olhava para a criança, então tinha toda a teoria do Freud ali, uma coisa bastante racionalizada já, só que ele olhava para um bebê ansioso.

Como que um bebê acabou de nascer e tá com ansiedade, né? Como é que tem essa vivência? Então, ele traz muito essa ideia de que essas construções, elas podem surgir cedo. Muitas vezes por conta até mesmo dos cuidados iniciais aí que os responsáveis têm e que não são, como ele fala, suficientemente bons pra que a criança possa seguir. Eu acho que essa diferenciação, ela é interessante de ser feita.

A gente entende que o bebê, ele é um ser desprovido, desprotegido. E ele tá ali sofrendo com os próprios impulsos, as necessidades básicas. E dependente de um cuidado externo pra resolver isso pra ele. É nesse momento que esse mecanismo começa a se formar.

O que eu entendo, e aí vamos ver se é por aí, que estamos falando de impulsos que são espontâneos. Então, essa questão da espontaneidade, ela é um fator, um elemento primordial para a constituição de vários outros processos que acontecem na sequência disso. E ela precisa ser atendida. Se ela não é, se ela é interrompida, se ela é invadida, a espontaneidade dá lugar à submissão.

Nossa, eu acho que você resumiu de maneira muito didática, né, toda a situação. E é uma submissão que acontece o ambiente, né, então, ao outro, essa servidão, né, ao outro. Mas que com o passar do tempo, e aí a gente costuma atender adultos, a gente costuma, né, a viver coisas assim, que essa submissão, ela vira para com ela mesma também, né.

Porque ela se vê na obrigação de realizar tal tarefa. Então, o fazer porque eu tenho que fazer. E não é aquele tenho que fazer assim de você tem que fazer exercício físico porque você tem que fazer exercício físico. Seu corpo precisa disso. É uma ideia de eu tenho que fazer, não sei explicar muito bem, mas eu tenho que fazer isso. Acho que uma frase legal é o bebê deixa de existir para si, a partir de si.

e passa a responder o ambiente. Então acaba protegendo e ocultando esses impulsos verdadeiros que a pessoa tem. A gente tem impulso o tempo todo, né? A gente não controla as coisas que a gente tem vontade, que sente, que pensa. E aí a gente racionaliza a partir disso. Mas quando tem esse ocultamento, é justamente de não ser algo real ali pra pessoa.

Beleza, né? Essa estrutura, essa forma de agir, ela aparece muito cedo, né? Essa ansiedade do bebê, essa interrupção do espontâneo, né? E essa submissão ao ambiente. Mas isso não torna o bebê, né? Com um falso céu. Aquilo que o Nicod vai falar de falha sistemática, né? Se isso se perdurar durante um...

um período que a gente vai aprender a agir assim. Estou comentando isso porque eu acho que quando a gente vai conceituar, a gente pega esses extremos do bebê já sofrendo isso e depois o adulto já com falso selfie. No meio disso, onde que a gente consegue pegar? Porque pra gente olhar o nosso paciente...

ou pra gente olhar pro nosso próprio comportamento, não é isso. Não seria dessa forma rasa de, ah, eu tô fazendo uma coisa que é só pro outro e não é por mim. Às vezes a gente faz isso e isso é saudável. Aprender a conviver em sociedade também é fazer pelo outro, né? Eu acho que o falso self, ele entra como uma patologia, como um problema. Ele não é um problema. Acho que a gente pode partir desse ponto, né? A gente não tá falando dele como essa expressão, né? Essa experiência sendo um problema.

torna um problema, vem a se tornar um problema, dependendo da frequência com que isso é empregado, né, por esse sistema de defesa ou de funcionamento. Me parece que é algo que se alterna entre o verdadeiro e o falso.

num indivíduo saudável. Então, é preciso que haja momentos em que esse self verdadeiro, que é aquele onde, de repente, está mais centralizado em si mesmo, está mais voltado para si mesmo, não num sentido narcisista, mas podendo fazer coisas simplesmente porque gosta, porque quer, porque vai se beneficiar disso, sem necessariamente envolver um outro. Agora, quando, por exemplo, precisa ocupar um cargo num trabalho, numa empresa, ou fazer alguma coisa, isso.

Se entra ali, de repente, dentro de certas regras, num conjunto de definições, que não é espontâneo dele, mas que ele consegue corresponder de uma forma produtiva, para continuar existindo. Isso é uma alternância entre o verdadeiro e o falso, saudável.

O Winnicott, ele traz a ideia de que um indivíduo saudável, ele consegue fazer transições. Então, ele consegue passar ali por uma situação neurótica, psicótica, voltar, né, pra uma normalidade e ir fazendo essas transições. Então, quando ele pensa em questões patológicas, é quando você fica preso numa determinada situação, né? Palavrinha da moda, né? Uma rigidez cognitiva, mas...

Pra além disso, né? É essa repetição dessa vivência e você não conseguir sair disso. Você fica sempre parado no mesmo lugar, acreditando que agindo dessa maneira é o correto. E não necessariamente é o correto pra você. Teve um dos episódios que a gente falou muito sobre isso, né? Aquele de ir na academia, acho que duas, três vezes, né? Então, sobre o fazer isso...

porque gosta, porque quer fazer, né? Porque, enfim, é muito diferente do ter que fazer pra se enquadrar ali numa sociedade, em alguma coisa assim. Como eu acho difícil essa separação. Aí a gente vai entrar em desejo, né? O que que rege o meu desejo? Por que que a maioria das pessoas quer fazer uma viagem pra Europa? Da onde vem o desejo coletivo das pessoas quererem fazer isso? Será que é espontâneo das pessoas? Será que isso é introjetado? Por que que eu quero comer tal comida?

E aí talvez essa é a grande problemática do abuso de telas no mundo atual, porque a gente está aí extremamente estimulado, incentivado. Então vão se existindo pessoas falando dos próprios desejos, que eu nem sei se são tão próprios assim, mas a convicção com que se divulga isso vai te apresentando uma possibilidade de, por exemplo, pessoas que fazem conteúdo sobre segundas-feiras.

Segunda-feira é o dia de começar a semana. É o dia mais importante da semana. Então, é um dia que você tem que se preparar pra estar disposto. Se você não começa a semana feliz, como é que vai ser o resto da sua semana? Se você não faz todo um ritual de skincare, skin vida, skin corpo, skin tudo. Como é que você... E aí, uma série de protocolos de autocuidado. Isso vai ser entregado com uma certa convicção. E se você consome isso com muita frequência, talvez você perca o discernimento.

E eu acho que a etapa do discernimento, a condição de fazer essa escolha, ela é fundamental pra te diferenciar do outro, né? Um selfie falso, você faria o quê? Realmente, aí, é isso. Então, eu vou seguir todo esse mandamento aqui e vou ter uma semana perfeita. E aí, lá pra terça e quarta-feira, essa pessoa começa a ficar extremamente irritada, porque ela tá vendo que tá dando tudo errado. Ela não tá feliz, igual a pessoa do vídeo parece estar.

E aí um selfie verdadeiro, né? Essa transição, talvez conseguiria olhar pra isso e falar cara, sem futuro nenhum, acordar 4 horas da manhã pra correr na segunda-feira só pra começar a semana bem. Eu vou acordar nas minhas 8 horas da manhã e vou fazer algumas coisas desse vídeo que me parecem... Vamos ver se a minha experiência me traz a resposta se isso faz sentido pra mim ou não.

Eu concordo com você, acredito que seja exatamente esse o caminho, né? A gente tem diversos movimentos assim, né? A gente tem movimentos assim, teoricamente, para o bem, né? Então tenha uma semana saudável. E a gente tem aí o movimento Red Pill, por exemplo, falando de como os homens têm que agir.

E aí você vê um homem que talvez seja mais sensível, que, sei lá, né, não gosta de fazer coisas que um homem cis, hétero faria. E ele se começa, né, a ser introduzido toda uma forma de pensar que não tem nada a ver.

E não é saudável nem pro Red Pill, nem pra pessoa que é aspirante a Red Pill, né? São N situações. O Byung-Chul Han, eu sempre não sei se tô falando o nome dele direito, né? Na sociedade do Kansas, ele faz uma crítica a Freud, né? Então, o Freud, ele traz muito a ideia de repressões. E aí, ele coloca que hoje não são mais repressões, né? Que dominam. Porque, teoricamente, você é dono de você mesmo.

E aí você pode, você tem que fazer e pode fazer o que você quiser. Então a gente vive nessa hiper estimulação, basicamente falando. É, eu acho que ele vai usar, eu não lembro qual teórico que introduz esse conceito, mas eu lembro que uma professora falou pra gente na faculdade, o super ego não é mais o não pode, né? E o super ego seria o você deve, né?

É o que você deve fazer, não é o que você não pode. Então, ao invés de falar, você não pode ficar sedentário, é você deve ir para a academia, né? Essa ser uma pressão mais moderna. Porque eu acho que, assim, a gente vive numa pressão, né? Num ambiente muito opressor mesmo, né? De demandas, né? De produtividade e de entregas, né?

Uma coisa interessante que eu vi esses dias em um post é que dizia no quanto a quantidade de escolhas que a gente hoje em dia tem como oportunidade de fazer é um problema. Então, pensando nessa questão do problema não ser mais a repressão, mas a gente continuar de alguma forma oprimido, vê, eu acho que entra também, essa falta de capacidade de justamente sentir falta, de não poder lidar com o vazio, de estar sempre muito cheio.

ou de opções, ou do tempo estar ocupado. E sem esse vazio, a gente não tem tempo de pensar. Sem ter tempo de pensar, a gente não consegue fazer escolha. E aí a gente, de repente, vai aí vivenciando nesse automático, ou vivenciando como um outro fulano vive, porque parece bom. Ou seja, a nossa sociedade, no momento, ela seria uma produtora de falsos selfies?

Eu acredito que sim. Sendo bem sincero com você, eu diria que sim. Porque a gente tem esse modelo do capital, né? Neste momento, eu não estou falando mal do capitalismo, mas em outros com certeza direi. O capital, ele funciona dessa maneira, né? Você precisa produzir o tempo todo. Tem o iPhone, não sei que iPhone que tá. Tá no iPhone 17. É o 17? Acho que vai ser o 18 agora esse ano. Eu não sei qual a diferença entre o 17 e o 16.

E eu não sei qual a diferença entre o 16 e o 10. E eu tenho certeza que tem diferenças.

Mas eu acho que se você pegar um iPhone X, você consegue utilizar ele muito bem pro dia a dia. Ou seja, a gente tá falando aí de 7, 8 versões diferentes de iPhone, que eu não sei nem se tem necessidade. Qual que é o ponto dentro disso? É a produção. E aí eu tô falando do iPhone, mas isso vale pra tudo que é coisa.

Não à toa, os produtos que a gente tem atualmente, muitas vezes são feitos para serem descartados, né? Isso reproduz uma forma de viver, né? A gente vai estabelecendo um padrão de como a gente precisa viver. Então, chegou o domingo, você não pode sentar no sofá e ficar largado assistindo filme. Você deveria estar fazendo alguma coisa, né?

E tem um ponto que eu acho que é fundamental de toda essa discussão, que é a presença e a existência do outro. Porque será que a gente produziria tanto assim, sem que isso fosse validado? Ou será que o falso self, ele existiria? Não, a resposta acho que já é não, a gente já respondeu isso, mas sim. Existiria, né, se não fosse ali a validação que acontece através do outro, ou a invalidação que acontece através do outro.

Eu acho que a gente tem aquela primeira aula na psicologia, que ela é a base das coisas, e eu acho que faz muito sentido a gente olhar por esse ângulo. De que? Quando a gente pensa num indivíduo, a gente faz uma separação, mas tá tudo junto acontecendo ao mesmo tempo. Então a gente tem a nossa parte biológica, a gente tem a nossa parte emocional, tem a nossa parte social, o biopsicossocial.

E não tem como a gente fazer uma separação. Qualquer bebê que é um ser humano, não sobrevive sem outro ser humano. Não é que nem, sei lá, acho que é a girafa que já nasce conseguindo andar. A maioria dos outros bichos que não é um ser humano nasce andando, né? É, a gente demanda aí, sei lá, muito tempo até conseguir fazer alguma coisa. Se a gente pensar assim, olha, uma capacidade física pra se defender, a gente tá falando o quê? 15 anos?

que você vai ter uma musculatura maior, que você vai conseguir fazer alguma coisa. Então a gente depende de outros seres humanos o tempo todo. Para se comunicar pelo menos um ano e meio, dois anos, né? Para se comunicar bem quatro, cinco anos, seis anos. A gente é muito frágil, né? Não à toa a gente vê todos esses problemas no nosso desenvolvimento. Todas essas falhas, tantas teorias que falam sobre as falhas do desenvolvimento.

E assim, o que eu acho interessante, até puxando o gancho para dar uma continuidade no tema, o Inicot faz uma separação que eu acho muito interessante entre psique e soma. Então ele vê o corpo humano não como algo parado, mas é algo vivo e que engloba tudo isso. E aí a gente tem esse artefato que é a mente que vai nos auxiliar a lidar com a realidade.

Então, a gente fala de diversas questões psicológicas que a gente tem, e que aí a gente tem falhas nesse desenvolvimento, justamente porque a gente precisa disso pra continuar a vida. Porque se a gente não tivesse isso, nós simplesmente não existiríamos, né? Nosso corpo é frágil. Então...

A gente não tem garras, não tem um canino decente, a gente não tem uma quantidade exorbitante de pelos no corpo para se aquecer. Se a gente não se desenvolve emocionalmente, a gente está fadado a acabar com a nossa sobrevivência.

Toda essa ligação, eu acho que ela vem daí. A gente depende das outras pessoas. Essa dependência, ela pode ser boa ou ruim. Assim como, pensando biologicamente falando, você pode ter uma alimentação boa ou ruim. E isso vai influenciar no desenvolvimento, em como é que você vai ser, como é que você vai ficar. Toda essa trajetória aí acompanha a gente.

Nossa, eu tô tentando me manter no tema, mas vocês estão falando e eu sempre vou caminhando pra sociedade, porque eu acho que tudo isso também tem uma pressão que a gente, enquanto sociedade, vai tá aplicando na gente mesmo, né? Porque essa ideia de comer, eu tava vendo um documentário sobre...

sobre obesidade. E aí tava... A reportagem tava mostrando famílias muito pobres, onde tem indivíduos obesos, assim. Ou seja, o problema nosso não tá nem de acesso à comida. Obviamente, tem muitas pessoas, né, que não tem acesso à alimentação, né, mas...

ali, né, caminhando pra classe média, né, o problema não se torna mais alimentação. E aí o tipo de alimentação que a gente tem acesso são, lá, tentando parar de tomar cocas, ah, então toma suco. Pô, fazer suco custa a mesma coisa que a coca e dá muito mais trabalho, exige muito mais tempo. Posso abrir um parêntese sobre isso rapidamente?

Vocês sabiam que tem uma cidade no México onde as pessoas todas só bebem Coca-Cola? Por quê? Porque a Coca-Cola comprou o negócio que redistribui água, né? E aí a Coca-Cola é mais barato que água. Então, são casos, assim, absurdos das pessoas tomarem, sei lá, 4, 5, 6 litros de Coca-Cola por dia. Diversas pessoas com diabetes, né? Obesidade, enfim. E aí, a gente tá falando do capital, né?

É tanto o capital, mas quanto, assim, esse caso extremo, né? Ele é bom pra exemplificar, mas a gente tem isso, assim, a gente, sei lá, numa vida corrida, nossa, eu vou parar, descascar uma fruta, bater no liquidificador, é um trabalho que às vezes abriu uma garrafa, abriu, né? Rodar a tampinha da garrafa é muito mais rápido, e aí se torna mais prático. Imagina isso aplicado num cotidiano ali bem estressante, com falta de tempo, cuidando de filhos e blá blá blá blá blá blá.

É o capital, mas é da gente É a gente enquanto sociedade Não agindo de uma forma Natural, de uma forma Mais saudável mesmo Por comodismo, por conta do Quanto é mais Prático, mais prático pedir Uma comida pronta, pedir Um lanche, eu tenho 15 minutos de almoço, aí o cara vai Pegar um dogão, não vai sentar Comer um prato, arroz, feijão E aí

Eu entendo quando você fala comodismo, e eu concordo, eu acho que essa busca, ela existe, não dá pra dizer que não. Mas o quanto também não é uma falta de condição de poder experimentar outras coisas. Porque tudo é relacionado a tempo e produção? É. Mas sempre foi assim. Não tinha acesso, talvez, antes, né? Não sei se sempre foi assim. Eu acho que a gente foi perdendo a capacidade de ter condição.

Então, se você tem que trabalhar oito horas por dia, vai um exemplo, e tem uma hora de almoço, vamos falar assim um exemplo relativamente bom. Você trabalha home office, tá aqui, tranquilo, e aí você trabalha oito horas, você tem uma hora de almoço, dá pra fazer almoço em uma hora?

Aí surgem os vídeos, né? Faça o seu almoço em 15 minutos, né? E aí vem ainda naquela coisa de produção, né? Tipo assim, como é que eu vou fazer pra fazer o meu almoço mais rápido, pra dar tempo de almoçar o meu almoço? Então eu acho que...

isso, né? A gente passou aí por esse período de industrialização, onde a gente foi perdendo essa condição. Não sei se sempre foi assim. Cadê Jaqueline Vogue, minha esposa, pra trazer uma aula de história aí pra nós? Mas eu não sei se sempre foi assim. Se a gente pegar o recorte de hoje, é assim. E eu acho que é bizarro a gente não conseguir ter condições de ter condições.

Então, eu acho que tudo vai se retroalimentando, né? Então, sei lá, aqueles lugares que vêm de banana descascada. Pra você não perder o tempo de você comer uma banana. E aí, você prefere comprar uma banana descascada. Porque você realmente não tem tempo de descascar uma banana, sabe? E você não tem tempo de descascar uma banana. Porque você tem que fazer isso, isso, isso e aquilo.

Eu tô com um pensamento que talvez pareça meio descolado, assim, ou muito ilusório. Realmente, né? Se a gente for parar pra pensar nas prioridades e nas cobranças que a gente sofre, ganhar tempo, né? Não precisando descascar uma banana ou não tendo que fazer uma refeição, comprando ela pronta. É isso, é ganhar. Você ganha alguma coisa. Não perde, né, o tempo.

Mas tem muito esse olhar, né, de o que que é importante. E o que que é importante e pra quem que é importante. E é isso que a gente tá perdendo. Realmente, a sociedade, ela tá aí num funcionamento muito maior do que a gente. Se a gente põe o pé pra fora de casa, ou nem precisa fazer isso. Se a gente se conecta a alguma tela, alguma rede social, a gente vai ver isso. Pessoas acordando cada vez mais cedo, dormindo cada vez menos, pra conseguir ter essa ilusão. É uma ilusão, né, de que o dia é maior.

Não é verdade. O dia continua sendo na mesma quantidade de horas. Mas o que tem sido importante? Porque, por exemplo, o processo de alimentação ele tem passado por uma grande transformação que é isso. A nossa relação com o alimento começa quando a gente

vai adquirir ele, quando a gente compra ele. Quando a gente pega ele na mão, por exemplo, uma fruta pra saber se tá boa ou não, né? Quando a gente começa a descascar uma banana e sente o aroma daquela fruta e consegue descartar aquela casca e mastiga. Se a gente pula todas essas etapas, a gente não tá se alimentando. Se a gente não tá se alimentando, a ideia de nutrição não tá acontecendo. E aí é onde a gente vê toda essa onda de transtorno alimentar acontecendo também, porque vai ganhando outro sentido o alimento e perdendo

A relação, que é uma relação primitiva, que é de conexão. Nossa, perfeito. Porque eu acho que é exatamente isso. Então, desde bebê, a gente precisa começar a aprender sobre quente, frio. Isso a gente aprende na pele, né? A gente aprende com os nossos sentidos. E aí, é simplesmente uma falta de conexão. É uma ruptura, assim, abrupta com a realidade.

E aí, por que eu falei que eu tava me achando meio cruel? Porque assim, gente, eu sei que muitas vezes não é uma escolha. Mas uma vez que, por exemplo, estamos aqui discutindo, nós três, por exemplo. A gente sabe algo nesse sentido. O que nos impede de fazer diferente pra nós? Esse é o grande desafio dentro da análise, junto com os nossos pacientes. Beleza, a gente tá conversando sobre isso. Então vai ter que fazer muita força.

Em que momento que a gente tem escolha? Em que momento que a gente consegue retomar essa relação com a escolha?

Porque aí a gente volta até pro tema, né? Finalmente. Que é... Onde que tá o seu poder de escolher? O seu poder de escolher? Onde você tá escolhendo coisas suas pra você, né? Porque se a gente cai nessa fala... A gente cai, não. A gente é capturado. A gente não cai. A gente é sequestrado pela questão do capital e da produtividade. E parece que o tempo todo é um resgate que a gente tem que ir se fazendo.

Porque se a gente ficar lá, é claro que eu vou comprar a banana descascada. Eu adoro pedir iFood, gente. Inclusive, eu preciso excluir os aplicativos do meu celular. Porque é aquilo de assim, né? A gente acaba vivendo dentro da nossa cabeça. Dentro da nossa cabeça, no sentido de... Você tá vendo um vídeo e você tá comendo. Você não tá sentindo o gosto da comida. Você não tá experienciando as texturas da comida. Você não tá... Você não tá vivendo aquele momento. Você tá vivendo...

a vida de outra pessoa fingindo que tá vivendo, porque desculpa também, não acho que essa pessoa tá vivendo do tanto que se grava, né? Mas pode ser que eu esteja equivocado. Você me lembrou um negócio, né? Chegou pra mim um conteúdo de uma garota que ela tá se preparando pra competir no fisiculturismo. Ela é novinha de tudo, assim, tipo uns 18 anos. Essa semana é a semana de preparação dela pra finalizar e subir no palco domingo.

E essa semana, em alguns momentos ali da estratégia, ela pôde comer refeições que se chamam refeições livres, né, Li? E aí, enquanto ela comia, ela fazia expressões faciais do tipo Hum, nossa, nossa, que gostoso! E ela tava se gravando comer pra registrar esse momento. E aí, conforme ela fazia essas expressões, assim, era tanto prazer que ela tava ali, ou encenando, performando, pra entregar, sei lá. Aquilo me fez pensar, nossa, como é gostoso comer, né?

É óbvio que é gostoso comer, gente. Mas, assim, aquilo ali me entregou uma experiência do tipo... Nossa, como é bom comer. E ela tava comendo com calma. Porque aquilo ali era a única refeição livre que ela ia comer em dias, assim. Né? E fazendo aquilo ali com uma conexão muito grande com aquilo. E eu olhando falando... Nossa! Que vontade de comer isso que ela tá comendo. E aí foi despertando várias coisas em mim, assim.

Isso abre um parênteses enorme, né? Porque talvez ela estava aproveitando tanto aquela comida porque ela estava privada disso, né? E aí a gente vai de novo num conceito de liberdades e de escolhas. Ela está escolhendo, ela não foi obrigada a ser fisiculturista, eu acho.

teoricamente, nós achamos que é uma escolha dela passar por privações principalmente alimentares e esforço físico extenuante mas é uma escolha e quando ela consegue uma folga disso, ela sente prazer, e aí isso abre um precedente gigantesco pra gente analisar o que a gente faz com o nosso cotidiano, com a nossa vida o que a gente se priva todos os dias pra gente tomar cerveja no final de semana ou o que a gente se priva todo dia pra conseguir dar um abraço em alguém no final do dia, passa o dia inteiro trabalhando pra conseguir abraçar alguém no final dele e aí

E aí, por que essas coisas são prazerosas? E aí, talvez seja exatamente porque a gente não pode a todo momento. Se a gente pudesse a todo momento, a gente sentiria menos prazer ou não? E eu acho que isso me leva a pensar em um outro conceito de Winnicott, que é a ideia de suficientemente bom. Que não é bom, ou seja, não é uma torneira ligada de uma enxurrada de satisfação o tempo todo, porque isso também não é bom.

Mas também não é uma privação extrema, mas é um meio termo disso que volta com a ideia da transição. Acho que a gente já deu uma boa pincelada aí no psiquei soma. E talvez seja interessante isso, né? Porque se não tem um equilíbrio, alguma coisa sofre. O quanto as questões emocionais que a gente tem, as psíquicas...

elas influenciam no nosso corpo. Quando não tem esse equilíbrio bem ajustado, alguma coisa sofre uma penalidade. Então, sei lá, um problema de pele, um ataque cardíaco, enfim. Isso acaba passando por diversos transtornos. Se a gente for pegar a própria ansiedade, que seu coração acelera.

Descomunalmente E você não tomou café Você não tá fazendo exercício físico Seu coração está acelerado Por uma questão emocional Que tá refletindo no corpo Que tá refletindo nessa somatória De coisas

No livro Admirável Mundo Novo, as pessoas são obrigadas a tomar uma droga. Eles são obrigados a se anestesiar da realidade. E aí todo mundo tem que tomar. E o nome dessa droga no livro é o soma. Já tomou o seu soma hoje? É justamente esse link entre pulsões e de junção de fazer o seu corpo se sentir bem pra sua mente se sentir bem. E aí eles usam isso no universo distópico ali de... É isso que faz bem pra você. Você tem que se entorpecer porque senão você não aguenta a realidade.

Não me é novidade, e eu acho que isso é abordado em várias outras produções, do quanto existe essa busca também por algo que traga algum tipo de controle pra gente. Que a gente consiga ingerir, né? Ou consumir. E que vá trazer um resultado esperado, né? Controlado.

Não à toa a gente escuta, né? Não, fica tranquilo, eu só tomo um remedinho antes de dormir. O somel é o conjunto, né? Mente e corpo, né? Não é só a mente, não é só o corpo. Que é a ideia da psicosomática, né? Que acho que traz a junção das duas palavras mesmo, né? É muito interessante. Eu tô aqui pensando no admirável mundo novo, né?

É uma sociedade onde exatamente a crítica é essa, né? De você tem que... Tem algumas passagens que a menina tá transando, assim. Ela vai transar, sei lá, a terceira vez com o cara. E aí, tipo, todo mundo começa assim. Caraca, mas você vai se apaixonar, assim. Tipo, tem tanta gente pra você transar. Porque você vai transar de novo com a mesma pessoa. Aí ela, tipo assim, ah, mas foi bom. Aí ele falou, não, mas é bom com qualquer um.

Assim, é sexo, é sexo. E é uma sociedade de pressões, assim, você tem que fazer isso, né? Você não pode se apaixonar, né? Isso é coisa de idiota. Você tem que transar o máximo possível, porque sexo é bom, a paixão não, né? E aí vai mostrando várias situações onde a sociedade vai demandando, né? Você tem que, é totalmente...

É uma liberdade, uma falsa liberdade que compulsoriamente você tem que praticar. Você tem que praticar sua liberdade sexual, sua liberdade financeira, sua liberdade de tempo. Você tem que ir ao cinema ver o próximo filme. Você tem que consumir esse cantor. É uma crítica que vale justamente porque cabe, vai cabendo no que a gente está tentando falar hoje, desse falso self. O que é a sociedade, e sociedade a gente não está me apartando, não está aportando a gente. A gente faz parte dela.

Então a gente, enquanto sociedade, tá obrigando todo mundo a tentar viver o seu melhor, viver o seu máximo e gastar o dinheiro desta forma, né? E o pior modo de dizer é que a gente faz isso, a gente colabora com isso, às vezes de uma maneira justamente espontânea. Voltando ao exemplo da moto, né? Então, os meus amigos que não são meus, né gente? Que são amigos entre eles, né?

Então, no caso, o Pato tem uma moto, né? E aí, ele fala pro Ricardo. Ele nunca falou pra mim, tá? Compre uma moto, que fique bem claro. A gente consegue realmente perceber que essa relação, ela é bem diferente mesmo aqui pro meu lado. Mas, voltando, né? Ele fala pro Ricardo, né? Compre uma moto, vamos andar de moto comigo, né? Então, assim, ele vai colocando isso e dependendo.

Do quanto o Ricardo tem internamente algo organizado, ele vai ser mais ou menos influenciado por isso. Se de repente é alguém que não tem um bom amadurecimento, ou tem muitas falhas, e vai buscar corresponder muito à expectativa do outro...

Esse alguém vai, sei lá, vai fazer uma dívida, vai se endividar, vai pegar um empréstimo, vai arrumar um dinheiro com alguém, com um agiota de algum lugar, vai comprar uma moto, não sabe dirigir uma moto, pilotar uma moto, vai tentar, vai se estrupiar tudo por aí. Então vai causando uma série de prejuízos pra tentar corresponder a esse... E vai se convencer que moto é legal.

Pato, ele nem imprimiu isso, assim, de uma maneira abusiva, né? Porque também acho que a gente precisa separar um pouco isso, né? A cultura, ela tende a ter um abuso ali, porque a gente tá falando de muitas pessoas, de vários grupos, de vários caminhos e meios que ficam reforçando isso, mas às vezes é uma conversa assim, né? Que de repente induz o outro, sem a intenção de fazer algo que ele não tem, né? Uma boa capacidade de escolher e acaba, acaba indo.

Então, gente, nós conversamos até aqui, a gente explorou um pouquinho. Nós chegamos à conclusão que precisaremos de um segundo episódio. Então, nós nos despedimos neste momento. Aguardem o próximo episódio, peçam nas nossas redes sociais, mandem mensagens. Ah, vou entrar nessa onda, tá? Vou entrar nesse falso selfie. Curte, compartilha. Manda pra aquele amigo que você acha que tem falso selfie.

E é isso. Então, um beijo e até mais. Até mais. Tchauzinho. Beijinhos.

Você acaba de ouvir o podcast Entre Nós, com produção e participação de Letícia Tedesco, Patrício Lagos e Ricardo Cardoso. A edição é de Leonardo Tremesquim. As informações contidas nesse episódio são restritas à experiência pessoal dos profissionais, não sendo utilizada nenhuma informação sigilosa de seus pacientes.