Além do Direito EP #002: Bruno van Enck, empreender no Mundo Real.
Neste episódio do Além do Direito, Renato Sapiro recebe Bruno Van Enck, fundador da Barbearia Corleone — uma das barbearias mais icônicas de São Paulo.
Bruno conta como cresceu dentro do restaurante alemão do pai no Shopping Center Norte, aprendeu desde os 7 anos o valor do trabalho, enfrentou uma crise financeira na adolescência, abriu uma distribuidora de chopp e chegou, em 2014, à criação da Corleone — que nasceu sem planejamento, sem sócio e com tudo o que ele tinha no bolso.
Uma conversa direta, autêntica e repleta de lições sobre empreendedorismo, gestão de pessoas, presença digital, delegação, foco e o preço real de construir algo do zero.Temas abordados:Carreira não planejada e o papel do acaso no empreendedorismoAprendizados com o pai comerciante nos anos 80Crise financeira, impostos e resiliência na adolescênciaComo surgiu a ideia e o nome "Corleone"Gestão sem sócio: vantagens e riscosCultura de empresa sem papel — o que isso significa na práticaO que o Rally ensina sobre foco e presençaBurnout: o colapso hormonal de 2017 e como se recuperouRedes sociais com autenticidade — e os erros que destroem reputaçãoCorleone Kids e a expansão para novos públicos.
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Edição: Felipe Mux
- Mentalidade EmpreendedoraCarreira não planejada · Aprendizados com o pai comerciante · Crise financeira e resiliência · Gestão de pessoas e delegação · Presença digital e redes sociais · Autenticidade e verdade no negócio
- Criação e Evolução da Barbearia CorleoneOrigem da ideia e nome 'Corleone' · Gestão sem sócio: vantagens e riscos · Cultura de empresa sem papel · Expansão e Corleone Kids
- Lições do Automobilismo no EmpreendedorismoFoco e tomada de decisão sob pressão · Multitarefa vs. Foco em uma atividade · Gerenciamento de tempo e saúde mental
- Tecnologia EmpresarialUso de tecnologia e IA · Delegação e controle de processos · Planejamento vs. 'Achismo' no início
- Redes Sociais e Posicionamento DigitalEstratégia de conteúdo e autenticidade · Riscos de cancelamento e exposição · Convergência do digital com o presencial · Impacto de adultos infantilizados online
- Saude Mental e BurnoutReconhecimento e tratamento do burnout · Importância do prazer e descanso · Diferença entre tristeza e depressão
- Relacionamentos FamiliaresValorização do casamento e parcerias · Importância de tempo de qualidade com a família · Educação de filhos e valores
- O Valor da Verdade e AutenticidadeAutenticidade como diferencial competitivo · Vender a própria verdade no negócio · Impacto da autenticidade nas relações
- Distribuição de Chope e Primeiro NegócioIdeia e execução da distribuidora · Busca por independência financeira · Aprendizado com o pai e autonomia
- Importância da falta
Eu me forjei muito na realidade. Eu não vim da teoria. Eu não vim da internet, do curso, da especialização, do sonho encantado.
do ganho rápido. A barbearia Corleone, na verdade, aconteceu sem querer. Eu inaugurei o primeiro dia com um bar, disfarçado de barbearia. Era dia 14 de julho de 2014. Dia 15 era o meu aniversário. A virada eu passei em casa, escrevendo tudo que eu precisava procurar no Google no dia seguinte para apresentar um sistema, uma agenda, contratar mais barbeiro, entender como funcionava uma barbearia.
Então ela nasceu oficialmente como um bar e restaurante disfarçado de barbearia. Mas no dia 15 de julho, no dia seguinte, ela já abriu as portas como uma barbearia. Senhoras e senhores, sejam muito bem-vindos a mais um episódio desse quadro novo e super especial, que é o Além do Direito, onde eu recebo personalidade de fora do mercado jurídico.
E hoje eu estou aqui em Loco, na Barbeia Corleone, que é um lugar que eu frequento há mais de 11 anos. E eu tenho a alegria de receber o seu fundador, Bruno Vanheck. Muito obrigado, prazer enorme te receber aqui, Bruno. É uma honra estar aqui falando com você. O tanto de gente bacana que passou aqui no teu podcast, e eu estar aqui hoje, é uma honra.
Não sei nem explicar o quanto eu estou gostando de gravar aqui pra você. A alegria é minha. A gente vai falar muito sobre o Bruno, que tem uma carreira super bacana. Antes, vamos agradecer a Lopt, a nossa patrocinadora Master, que está acompanhando a gente durante todo esse ano, no Direito de Resposta, no Além do Direito. É uma ferramenta de IA que está aqui pra ajudar você a fazer o que é preciso advogar de forma estratégica.
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além do direito e o direito de resposta, com uma pergunta clássica sobre o planejamento de carreira. Você tem uma carreira super estruturada, muito focada no empreendedorismo, começou a trabalhar muito cedo, com 12 anos lá no restaurante do seu pai, no Center Norte. Depois você chegou até uma distribuidora de shop, até que em 2014 montou a Barbearia Corleone, que na minha opinião é a principal e melhor barbearia que nós temos em São Paulo. Nem conheço as outras, também não preciso. Obrigado, obrigado.
Essa carreira foi planejada? Caso contrário, quais eram seus outros objetivos? Olha, eu acho que toda vez que eu falo para um público diferente, eu digo que o comerciante bate um bumbo diferente. A gente que tem um comércio com as portas abertas todos os dias e que o trânsito, chuva, um feriado, eles podem impactar muito em cima do nosso faturamento.
É impossível a gente dizer que planejou a vida de alguma maneira. Durante muitos anos, inclusive, no restaurante do meu pai, para você ter uma ideia, é um restaurante alemão, há 42 anos no Shopping Central Norte, continua lá o restaurante, especializado em shopping e cerveja, para eu fazer o pedido do Shopping. O Shopping, diferente da cerveja, ele tem um prazo de variedade muito curto.
Todas as segundas-feiras que eu fazia o pedido pra gente trabalhar durante a semana com o chope, eu não podia errar. Porque se eu errasse e o chope ficava velho, eu teria que descartar ele, seria prejuízo. Então, eu olhava o clima-tempo.
pra ver como seria o tempo dessa semana, e eu olhava o calendário de feiras do shopping do Expo Center Norte e do Anhembi. Então tudo variava muito ali, e às vezes o clima-tempo também não acertava, chovia numa sexta-feira, seis horas da tarde, a cidade parava, o Datena ia pra TV, falava que a cidade tava um caos, e isso acabava com o nosso movimento de sexta-feira à noite, que não era só...
Um turno de um dia. Era o turno da semana inteira. Então, falar que minha carreira foi planejada de lá até aqui, não foi. E outra coisa, eu sou fruto dos anos 80, assim como você. Eu comecei a trabalhar muito jovem no restaurante do meu pai, com uma função que talvez não existe mais, que é a de office boy.
E o Office Boy, ele tinha uma carga de trabalho muito grande que era... A gente não tinha cartão de débito ou crédito, era cheque, que eu tinha que bater três carimbos, eu tinha que fazer soma, aquilo tinha que ir para o banco, voltar, eu tinha que pegar fila no banco, arquivar. Era um troço bem demorado.
Comecei muito cedo, mas para ficar junto com meu pai, mas para que ele ensinasse o valor, da onde vinha o dinheiro para sustentar nossa casa, tanta coisa boa que a gente tinha na época.
E uma coisa foi acontecendo depois da outra, eu acho que até a gente foi chegar no ponto aqui que a barbearia Corleone, na verdade, ela aconteceu sem querer. Eu inaugurei o primeiro dia como um bar, disfarçado de barbearia. E eu entendi que ele era uma barbearia no primeiro dia e aí eu acho que essa atividade empreendedora, o lance do comerciante se virar todos os dias para fazer uma venda foi o que ajudou a gente hoje, 12 anos depois, a bem sólida mercado e, claro, com uma barbearia.
Uma prestação de serviço, Bruno, por si só já é muito complexo. Ser um comerciante, ainda mais restaurante, ainda mais um restaurante do porte do que o seu pai tem, com a quantidade de mesas que tem. Eu brinco que se fosse para ter um restaurante, teria que ser um restaurante tipo o entrecô. É carne, batata e salada. E que já não deve ser fácil. Então você gerir tudo isso é um tanto quanto complexo.
Você começou com 12 anos, é muito, muito cedo. Eu sei que você falou, olha, é pra estar com meu pai, é pra aprender. Se eu pudesse voltar no tempo, você teria começado com 12, você acha que foi cedo demais, foi no momento certo? E o quanto que essa vivência no restaurante do teu pai te ajudou na sequência da tua jornada? Não começaria depois, não.
E assim, oficialmente eu estava lá aos 12 anos, todos os dias, trabalhando, que depois, obviamente, eu ganhava a ficha do fliperama, que eu ia me divertir, não era uma vida penosa, mas ela tinha responsabilidades e eu tinha que cumprir o meu trabalho lá no dia. Eu lembro que a primeira vez que efetivamente alguém, o meu pai falou, olha, meu filho está trabalhando, eu devia ter uns 7 anos de idade, mais ou menos.
E isso me marca muito porque hoje seria um absurdo isso acontecer. Nós estamos falando que, na década de 80, meu pai tem um restaurante onde o carro-chefe é a venda de chope. Então você tem o chope saindo das torneiras.
E eu lembro que meu pai pegava num dia de movimento, assim, por coisa de 15 minutos, meia hora, na cozinha você compra duas coisas que vêm na caixa de madeira. Ou é o tomate, mas o tomate sai um líquido, ele apodrece a madeira, então aquela caixa de madeira é uma madeira bem fininha, depois você quebra ela e joga fora. Ou a laranja, que vem numa caixa que ela retornava. Porque hoje essas caixas são uma caixa de plástico. Mas eu lembro que meu pai pegava essa caixa de madeira, que ela era mais resistente, virava ao contrário e eu com 7 anos ia tirar chope.
E coisas que a gente lembra de pequeno, eu lembro que uma vez um cara chegou e falou assim, quem que é esse menino aqui tirando o chope? Aí o meu pai falou, é meu filho. Ele falou, que coisa legal. Você desde cedo tá ensinando pro seu filho aonde é o seu trabalho e porque é que a venda desse chope aqui vai trazer a casa de vocês e a harmonia que vocês vivem.
Eu lembro desse cara olhar uma criança mexendo com uma bebida alcoólica, claro que não tava bebendo. Uma criança mexendo com bebida alcoólica, ele enxergou que aquilo era uma pequena família num comércio, vivendo a sua vida e um pai ensinando valor pra um filho. Você imagina hoje uma criança de 7 anos tendo qualquer contato com bebida alcoólica pra ajudar o pai em alguma coisa. Acho que o mínimo que iam falar é de exploração infantil, que tava induzindo a criança a bebida alcoólica e que não era nada disso.
Final dos anos 80, você não tinha telefone celular, você não tinha cartão de crédito, a economia era fechada, a gente não tinha muitas opções do que fazer por aí e meu pai tem um restaurante dentro de um shopping que abre das 7 da manhã à meia-noite, 7 dias por semana. Fecha no dia 25 de dezembro e primeiro de janeiro.
Então, não importa em qual hora do dia que eu estivesse acordado, meu pai tava trabalhando. Se ele não tava exatamente lá, ele vinha pra casa e ficava telefonando, ele olhava a page. Não tinha tecnologia pra gente controlar a distância. Então, pô, dentro de um shopping, onde tinha Playland, onde tinha outros restaurantes, onde tinha um monte de coisas que eu podia fazer e ao mesmo tempo era um lugar seguro pra ter um filho, eu ficava o dia inteiro lá com meu pai.
Então foi muito natural essa coisa de aos 12 anos eu ter a minha função, zero penosa, mas que me trouxe muito valor. Em 1998, para finalizar a última parte da sua pergunta, em 1998 a gente teve um problema financeiro na empresa. Ele foi uma desorganização, ele não foi falta de faturamento, ou seja, a gente tinha umas dívidas que eram maiores do que o patrimônio. E eu lembro que meu pai se reuniu comigo e tudo mais, ele falou, cara...
houve um descontrole na família e tudo mais, e o meu pai e mãe, triste, eu não posso deixar esse negócio quebrar, porque você é meu filho, como é que você não vai fazer uma faculdade, isso e aquilo. Eu falei, pai, e tem conserto isso? Ele falou para mim, tem se você me ajudar. E aí que eu intensifiquei muito esse trabalho lá com ele, e isso combina 1998 com a criação do Simples, que é uma simplificação para pequenas empresas para pagamento de impostos.
Aí a gente teve o simples, o super simples, o simples federal. Foi evolução em tudo isso. Naquela época a gente não tinha grana pra pagar uma consultoria, pra pagar um bom contador, era o que dava pra fazer. Então em 1998, eu tinha 16 anos, no intervalo da escola eu lia diário oficial pra ver se no diário oficial saía alguma anistia de impostos atrasados. Ah, putz, olha, saía uma anistia de INSS, mas você não pode ter...
sei lá, nenhum imposto estadual em aberto. Então a gente corria aquele mês para trabalhar e todo o dinheiro que entrava a gente pagava o imposto para poder pegar essa amnistia para depois poder entrar no simples. Então será que essa carga horária, quando eu era praticamente uma criança, um adolescente, ela valeu a pena para o que eu tenho hoje aqui? Com certeza absoluta.
Isso, o comércio, para mim, administrar uma pequena empresa, a gente não está no simples, a Corleone já não nasceu no simples, a gente já nasceu no lucro presumido, mas continua sendo uma pequena empresa, limitada nos seus recursos aos quais...
No meu bastidor sou eu um contador e mais uma pessoa no financeiro, mas ainda sou eu, 12 anos depois, com o token no meu celular, autorizando toda segunda-feira as contas da semana. E eu falo pro pessoal que trabalha aqui, como eu não tenho sócio, vocês rezam pra eu ter uma vida bem longa, porque se eu não autorizar na segunda-feira o token aqui, ninguém recebe, mas... Cara, eu me forjei muito na realidade.
Eu não vim da teoria, eu não vim da internet, do curso, da especialização, do sonho encantado, do ganho rápido. E assim, a gente teve uns três anos de trabalho.
Pouco dinheiro. Tinha uma época que, assim, as quartas-feiras o ingresso no shopping internacional de Guarulhos do Cinema era, sei lá, 4 reais. Era o que a gente ia fazer. Graças a Deus a empresa não parou de faturar.
Então, passei três anos aí junto com meu pai, da gente fazendo tudo, abrindo e fechando. E depois, três anos depois, depois ganhei um puta carrão com 18 anos. Nem era a realidade daquela época, mas o pai falou, isso é um marco tão grande, porque, porra, dois anos atrás eu não sabia o que ia ser, né, do teu futuro como meu filho. Hoje é a minha conquista. Vou te dar um carrão que eu nem podia ter, mas com 18 anos você vai ganhar um carrão. Então...
Cara, eu fui forjado no mundo real. Sem aqui ficar contando história triste, nada disso. Mas foi muito real. Meu pai é um... Você não vê mais alguém falando de comerciante, né? Não.
empreendedor, mas cara, meu pai é um pequeno comerciante, é um cara barriga no balcão que precisava vender um produto perecível todos os dias, e se ele não vendesse naquele dia, se tivesse uma preguiça, se ele deixasse o mundo acontecer, aprendi muito, mas muito com o restaurante, você falou aqui sobre restaurante, restaurante é a coisa mais difícil de ser administrado, às vezes as pessoas chegam pra mim e falam assim, nossa, o cara deve ter um lucro no restaurante, quando você estica na linha do tempo...
Você pega num ano, por exemplo, porque o tomate, a caixa de tomate, depende da temperatura, se gea, se chove, se tem alguma geada, se acontece qualquer coisa no tomate, a caixa de tomate custava assim, num dia ela custava R$12,90, acontecia alguma coisa, ela ia para R$85. Era um absurdo do que varia a matéria-prima de um restaurante. Então, sem escalalhinha do tempo, você pega o apanhado do ano, quanto o restaurante deixou de louco, hoje é um restaurante muito bem administrado.
Ah, não sei se tem uma puta cara de vinho e tudo mais, mas assim, na média da realidade brasileira, não estamos falando do que a gente vive aqui na Faria Lima, o restaurante, se ele deixa 7% de lucro, é muito. Você imaginava que era um número desse? Não, e é super baixo. Então...
administrar hoje uma barbearia com serviços, onde eu tenho um cliente como você, que vem duas vezes na semana, que é difícil da operação dar errado com você, tem que ter sido alguma coisa muito fora do comum, porque o teu barbeiro já virou teu amigo, teu confidente. Quantas vezes o Rafa não foi o teu, de alguma maneira, ele foi o teu psicólogo? Sem dúvida. Então isso cria uma coisa com a gente que também acaba aqui virando a prova de erro.
A partir do momento que eu estou testando o meu, estou testando o meu, estou testando o meu e-mail e estou testando o meu e estou testando o meu
Como dono da empresa, estou aqui todos os dias para ver se tem alguma coisa errada. Não dá tempo de alguma coisa ficar muito grande no errado. Claro, às vezes passa alguma coisa, mas hoje a minha maior preocupação é que um cara como você, que vem aqui duas vezes na semana, tem uma ótima experiência. Se não aconteceu, é culpa minha. Pode me reclamar e eu vou dar um jeito de arrumar, mas ela não é intencional.
Bruno, é muito legal essa história que você conta, né, e sobre as duas visões de mundo, né, uma da década de 80, eu te entendo, sou dessa geração, e uma mais atual, né, de uma criança com 12 anos, entre aspas, trabalhando e uma criança trabalhando na década de 80.
E eu acho que a gente fala muito, a gente reclama muito da geração atual, geração Z. Eu não vou entrar muito nessa seara polêmica, mas eu acho que os pais, talvez seja a culpa dos pais hoje, de colocarem muitos filhos embaixo da asa e não liberarem isso para o mundo. Não trazerem, como você falou, o mundo real, como ele é. E o mundo está aí.
Então não adianta a gente querer ultra proteger, criar um mundo de Disney, porque não erra, a Disney é na Disney, ali dentro é a Disney, fora é o mundo real. Então é muito legal o que você traz, e são princípios, é o que você aprendeu, que você levou para o resto da sua vida, não só no profissional, mas no pessoal também. Se você tiver que elencar uma coisa que você aprendeu nessa jornada com o teu pai, que você levou para o futuro profissional, principalmente na Coleuni, o que você aprendeu, se você puder trazer até um exemplo para ilustrar, vai ser ótimo.
Meu pai é um daqueles pequenos empresários que ele tem medo de não estar presente em tudo e dele ser roubado. Consegue entender a tradução, o resumo disso? Sim, sim.
ele é o cara que quer ter controle de absolutamente tudo, ele não confia num sistema, ele era o cara que não confiava num cartão de crédito, e aí, putz, foi uma briga, uma ajuda que eu dei pra ele. Depois eu tinha saído, depois de muitos anos, ele contratar um serviço, por exemplo, que a Stony oferece de conferência de cartão de crédito, pra que ele não precisasse ficar com a boleta todos os dias. E aí...
nessa onde ele não tem a ajuda de um sistema, de onde ele não tem uma organização um pouco mais parruda com a ajuda da tecnologia, porque ele não confia, inclusive, na tecnologia, eu sinto que isso fez ele perder muito tempo de vida num escritório fazendo um trabalho, que você abriu aqui o nosso papo falando de IA, do patrocinador, ao qual a IA nada mais...
consegue fazer de benefício para o ser humano do que dar tempo de qualidade para ele aproveitar algo com o filho, com a esposa dele ou fazer qualquer coisa que reflete a cabeça dele para ele vir aqui melhor. Então, algo que eu aprendi com meu pai e que no mesmo assunto a gente discorda bastante. Sim, o dono da empresa precisa conhecer todos os processos. Esse negócio de delegar, a gente precisa tomar muito cuidado de saber se você está me falando que você sabe delegar algo para alguém ou se você está com preguiça.
de ir lá e viver esse processo para poder auditar depois alguém. Então, essa coisa assim de eu saber tudo o que se passa na empresa, do começo ao fim, eu não sei cortar cabelo, mas eu sei avaliar um bom corte de cabelo. Estratégicamente, eu nunca quis pegar uma tesoura na mão para não competir.
Com os meus barbeiros. Eles têm que ver em mim um cara que fala assim, faça um lugar bom, legal pra caramba, eu loto de gente e você trata muito bem esse cara pra ele poder voltar. Então, isso sempre funciona muito bem. Agora, onde eu discordo virmente frente ao meu pai, vocês sabem que eu saí do restaurante do meu pai e tenho 12 anos.
Até hoje, ele usa a mesma planilha de Excel que eu fiz pra ele quando ele coloca o valor bruto do cartão de crédito, tem o desconto daquela bandeira específica de cartão, que hoje também nem tem mais isso, e o valor líquido. Que assim ele consegue saber o valor líquido que ele tem pra receber de cartão de crédito, que por conta do descontrole...
financeiro dele, quando eu digo descontrole, não é porque ele gasta dinheiro, é dele nunca querer colocar um sistema que organiza as ideias dele, ele vai fazendo do jeito que dá. Não dá pra gente julgar alguém que aprendeu a ser empresário nos anos 90, aonde a inflação...
comia o dinheiro de manhã até a noite, o dinheiro já não tinha o mesmo valor. Então a gente não consegue pensar do mesmo jeito, a gente não consegue raciocinar de uma maneira a qual as famílias dos funcionários iam buscar o salário para poder ir para o mercado o mais cedo possível, porque à noite já tinha remarcação de preço.
A gente chegou nesse estágio. Ah, nossa, o Brasil tem hiperinflação. Não, como economista eu digo para você, o Brasil nunca teve hiperinflação. Hiperinflação é quando a moeda perde a sua principal função, que é o meio de troca. Na época da Segunda Guerra Mundial, onde as pessoas queimavam dinheiro para se esquentar por alguns segundos, que valia mais do que você sair para comprar alguma coisa, um pão.
Isso era imperiflação. Mas a gente teve uma inflação muito alta aqui, ao qual o dinheiro perdia valor ao longo do dia. Não dá pra julgar meu pai hoje, com 66 anos, que durante 20 e poucos anos, que é quando ele tava aprendendo, ele teve que fazer o negócio, tudo era muito mais dinâmico. Então, às vezes, comprar um carro... Olha o absurdo que, às vezes, comprar um carro era reserva de valor.
Comprar uma linha telefônica, era reserva de valor, que a gente declarava no imposto de renda. Então não dá pra julgar ele hoje com 66 anos que ele faça isso. Mas eu aprendi muito com ele, que eu não trouxe pra minha empresa, que é, eu me cerco de tecnologia. Mas a tecnologia não pode me enganar. Eu sei exatamente quais são os botões que eu tenho que apertar pra ter o resultado que eu quero ter. Que é muito fácil. Hoje, pô, o quão fácil hoje é você identificar alguém que tá usando IA pra falar com você?
Basta as pessoas não perceberem que todo texto grande sai um travessão junto. É verdade. Então, com a tecnologia ficou fácil para todo mundo. Não. O meu prompt ainda vai ser melhor do que de alguém preguiçoso. Então, o que eu aprendi com meu pai que eu trago para cá...
O dono barrigar no balcão adianta muito, faz muita diferença. O que eu aprendi com ele, que eu sei que não é bom, que é onde a gente talvez mais discorde, é não usar de tecnologia para te auxiliar no dia a dia. Para que você tenha, inclusive, mais momentos de lucidez para inventar coisas novas. É muito legal você trazer as duas visões. O que você aprendeu e coloca em prática, o que você aprendeu e que você não quer colocar em prática.
E eu concordo com você, é difícil você julgar as pessoas, elas aprendem de uma determinada forma.
Se você chegar agora, depois de tantos anos que ele tem um restaurante, e forçar ele a implementar uma IA ou uma ferramenta qualquer, não vai funcionar. Mas para você funciona. E eu gostei do exemplo que você trouxe do usar a ferramenta, mas não delegar porque você está com preguiça. Delegar porque você tem que confiar nas pessoas, e para você crescer o teu negócio, você tem que confiar as pessoas. Então, muito interessante esse exemplo que você trouxe.
Você saiu do restaurante do seu pai há 12 anos, mas você teve um período que você empreendeu. Em 2008, você começou a distribuir chope como comitante ao restaurante. Como surgiu essa ideia da distribuição do chope? Como é que você tocou concomitantemente os dois negócios? Meu pai tem 23 anos de diferença para mim, ou seja, é muito pouco. É muito pouco. Então, isso é muito bom, porque eu peguei várias fases da vida do meu pai. Eu peguei... Pô, eu peguei meu pai e não tinha barba ainda.
Eu mesmo fui ter barba depois dos 30 anos. Eu lembro do meu pai sem barba. Olha que coisa maravilhosa. Meu filho vai poder ver isso de mim várias fases. Mas em determinado momento, o pai não entende que o filho está ali. Ele já saiu da adolescência, ele já saiu da faculdade, ele já é mais adulto, mas ele ainda é um moleque para o pai. O pai, nos seus 42 anos, tendo um filho de 16...
Pra ele também era meio maluco o fato de reconhecer que eu tava parelho com ele. Não parelho em experiência, mas com a mesma sede. Preparado do mesmo jeito pra gente junto fazer algo maior. Quem trabalhou com o pai alguma vez na vida...
Se teve uma boa experiência de trabalhar com o pai, ainda o resultado é esse. E tipo, pô, meu pai demorou muito pra ele ver que eu tava lá, junto com ele. E aí, eu lembro que meu pai sempre foi meu melhor amigo, meu pai sempre foi meu herói.
E aí, naquela época, a gente não tinha muito cartão de crédito. Porra, comércio, restaurante, todo dia entrava um calhamaço assim de dinheiro. Não era muito cartão de débito e crédito. Então, todos os dias, quando fechava o caixa, eu ia no caixa do restaurante e falava assim, me dá 300 reais. Aí eu assinava lá no Vale, né? E aquilo era o salário que eu tinha no mês. Se sobrasse, eu ainda pegava mais um pouco e tudo mais. Mas todo dia eu pegava dinheiro ali. Putz, tô sem gasolina no carro.
Na época eu tinha uma Dakota RT V8 que fazia um e meio por litro, eu tinha que colocar gasolina toda hora, mas eu não tinha um cartão de crédito. Eu ia lá no fechamento e falava assim, puta, eu preciso de uns 300 reais pra abastecer o carro, vou pegar 400, sei lá o número da época, qual é isso que era, mas vou pegar 400 que eu fico 100 reais pra comer um negocinho e deixo um dinheiro na carteira caso aconteça alguma coisa. Nem carteira, mas eu tenho hoje tudo celular. Também não tenho.
Eu comecei a ficar mais adulto, eu comecei a ter mais noção do dinheiro, a gente recuperou muito bem o restaurante, o restaurante estava dando muito dinheiro, só que o tempo todo eu tinha que ir lá e, pai, me dá dinheiro, o que você quer fazer? Pô, tinha um dia que eu queria comprar um presentão pra ele. Pai, eu quero comprar um presente de aniversário pra você, não quero falar o que é. Dá o dinheiro. Presente pra você.
E aí eu lembro que isso me marcou muito. Eu falei, cara, eu quero fazer alguma coisa paralela pra eu ter o meu dinheirinho. Aqui é muito bom, minha vida é muito boa. O que eu ganhava lá era meu pai trabalhando. Era uma vida muito boa, mas eu queria ter alguma certa independência sem que toda sexta-feira eu tivesse que, sei lá, com 22 anos de idade, toda sexta-feira eu tivesse falado pro meu pai exatamente qual que era o meu programa pra ele ir calculando qual era o dinheiro que ele dava. Isso não era uma vontade dele, mas era um controle.
pra garantir que eu ia ter dinheiro suficiente pra passar o final de semana com conforto. Mas aquilo começou a me embaralhar um pouco. Aí eu falei, bom, a gente trabalha com restaurante, a gente trabalha com chope e tudo mais. Toda hora tem um cliente do restaurante que me pergunta se a gente não pode vender um barril de chope pra ele pra ele levar pra casa dele. Aí depois que a gente fala, posso? Ele fala, e a chopeira? Eu falei, quer saber?
Eu bati na porta, na época, do dono da Itaipava, que a gente era um grande vendedor de Itaipava.
Em épocas diferentes você tinha acesso aos donos. E eu falei com ele assim, se não me incomodar, umas 120 chopeiras, eu vou comprar um caminhão e uma Fiorino.
Eu vou pegar um espaço aqui bem próximo ao shopping, eu vou trabalhar nos dois lugares ao mesmo tempo, eu vou fazer uma propaganda na mesa do restaurante, 400 lugares lá, vou fazer uma propaganda na mesa do restaurante. Então, se você fosse fazer, se você tivesse um outro bar, um restaurante, se você fosse fazer uma festa em casa, se você fosse fazer uma feira num pavilhão de exposições, imigrantes, agora é São Paulo Expo, AIMB, Expo Centro Norte, eu ia pegar o meu caminhãozinho, eu ia montar a chopeira pra você lá, no final da feira eu ia buscar e você me pagava quantos parrês você consumiu.
E eu fiz isso e super deu certo. Foi meu primeiro escritório sozinho, montei um escritório super bonitinho, em cima do lugar, na Via Zaquinar, que é lá na Zona Norte de São Paulo, pequenininho. E aí eu passei a ter toda aquela rotina que eu tinha, trabalhando meio que como office boy do meu pai. Depois, obviamente, a gente evoluiu um pouco isso, mas eu continuava sendo responsável por todas essas coisas.
Foi um marco muito especial para mim, eu ter a minha rotina fazendo o meu escritório, mesmo que eu ainda continuasse trabalhando lá com ele. Então, de manhã, eu chegava no meu escritório e eu tirava um fax com o extrato da conta. Era assim que a gente sabia o extrato da conta, naquela época. Hoje a gente olha dez vezes por dia no tablet, mas naquela época, de manhã, eu tirava o extrato da conta para saber quanto que tinha de dinheiro lá, para pagar, enfim, fazer o relatório financeiro da empresa todos os dias.
mas buscando uma certa independência, que seja para comprar um presente para o meu pai sem ter que falar para ele que eu estava comprando presente. E eu acho que, no final das contas, essa veia empreendedora, era exatamente o que eu já estava fazendo ali com meu pai desde os 12 anos. De novo, o comerciante, a gente faz do jeito que dá.
Tem muito planejamento. Lembro que assim, no começo, quando eu abria a primeira colheira, quando eu abria a segunda unidade, né? E aí, é muito isso. Eu falava de business plan. E um amigo comerciante. Primeiro que ele não tem certeza de nada. Segundo, que ele não tem dinheiro pra gastar num business plan. Pra construir um business plan, eu prefiro pagar o luminoso da porta do meu estabelecimento comercial que talvez vai chamar gente lá pra dentro, porque se não entrar...
cliente, eu posso fazer, business plan é quem for. E outro business plan, ele demora tempo pra fazer. Você não tem dado, você não tem expertise, aí você vai contratar alguém, você vai gastar dinheiro que você podia fazer no teu negócio. Até chegar de volta ao teu business plan, você colocar ele em execução, talvez você já tenha até perdido o timing, se você é do comércio, você vai vender uma sorveteria, você queria abrir no começo do verão, às vezes você se atrasa todo e vai abrir no inverno.
Vai ter que sobreviver os seis primeiros meses de pagar impostos, salários, aluguéis no inverno. Então, nunca tive. Foi tudo no achismo. Putz, Bruno, no dia de hoje o achismo funciona? Pô, pra caramba, na atividade empreendedora, no comerciante pequeno, muito. Agora, se você quer aumentar o outro negócio, abrir a segunda, terceira loja, expandir, claro que sim, você precisa ter planejamento. Mas no começo... Ah, desculpa.
Será que algum dos seus... Alguém da sua audiência aqui, quando começou o seu negócio, começou já tanto planejado como... Então vocês aqui, eu imagino que uma grande parte sejam de advogados. Sim. O escritório de vocês começou gigante? Ou começou no prédio de escritórios que deu pra pagar o aluguel? Será que a tua mesa já era super imponente? Ou era uma mesa que às vezes ou já tava no lugar ou você pegou de casa, algum familiar te deu? A história do começo...
ela não é tão alegórica como ela se mostra a ser hoje em dia. E convenhamos, eu estou por trás do digital tem um tempão. Eu estou no digital desde 2012. Eu conheço muitos dessas figuronas grandes da internet pessoalmente. E quando...
o lance de não conheça o seu herói porque ele vai deixar de ser um herói, ele vai ser uma pessoa não tão genial quanto você imagina que ela seja na tua frente. Então, parte do que a gente vê hoje em rede social, porque eu posso abrir o meu telefone agora, fazer uma live e contar a história que eu quiser. Qualquer pessoa pode contar.
né? Sim. Eu posso abrir aqui e falar, ó, o Leon é um negócio que fatura 150 milhões de reais por ano. Quem vai testar isso? Aí o cara agora que tem duas lojas de tênis, num shopping que ele paga 40, 50 mil reais de aluguel, ele fala assim, meu Deus do céu, eu como empresário eu devo ser muito burro. Como assim? Então...
O começo de toda a história é o mesmo. Ele é o mesmo para o cara que tem um restaurante, para quem abriu uma barbearia, para quem fez o seu primeiro escritório de advocacia. Com certeza absoluta. Ninguém começa grande. Porque normalmente quem começa grande não sabe muito o que está fazendo. Eu gostei muito do que você trouxe. E o direito de resposta e a Sapiro são exemplos disso. O podcast, eu lembro, ele começou. Eu gravava ali junto com a pessoa, sem imagem, sem nada, com fone de ouvido.
Já com um amigo editando os primeiros episódios antes do meu maravilhoso editor, o Felipe, que está aqui, chegar lá no episódio 15. Mas começou do jeito que deu. E o que ele tinha que foi essencial? Verdade. Isso sempre. Verdade vende. É muito fácil você vender a tua verdade. A gente vê muita gente se embananando para vender alguma coisa porque não é a verdade dela.
Não tô nem te falando que é uma mentira, que alguém tá te enganando, mas não é a sua verdade. Autenticidade. A autenticidade. E olha só, você já viu, dentro de uma barbearia, seria muito óbvio de você colocar itens relacionados ao futebol. Indiscutivelmente é o esporte... Paixão nacional. Paixão nacional.
Se você quer puxar um assunto descontraído com alguém, basta você falar de futebol. Se você acertar do time dele, melhor ainda. Agora eu te faço uma pergunta. Não caberia qualquer coisa relacionada a futebol dentro da barbearia? Com certeza. Você já viu algum item? Nenhum. Sabe por quê? Eu não sou do futebol.
Desde pequeno meu negócio foi motor, foi carro, foi moto, foi fazer esporte que podia dar acidente, eu podia me machucar. Nunca o futebol. Não sei lá porque nunca foi o futebol. Eu não quero chegar aqui só pra te agradar e fazer uma história enorme em cima de futebol e aí você chega e fala, que bom, é o mesmo time que eu.
e você começar a discutir ou não saber falar. Então, a verdade vende. É muito mais fácil vender a tua verdade. Você não engasga pra falar. Você não precisa decorar texto. Você não precisa regravar um milhão de vezes um vídeo de venda, se for a tua verdade. Eu gostei disso. É algo natural, é teu, é autêntico. Fica muito mais fácil.
E o público percebe, né? Quando você está sendo autêntico, quando você não está sendo. Isso é para a tua empresa, isso é com os teus patrocinadores. Você tem que acreditar na marca. Então, antes de falar da tua história, da criação da Barbeira Corleone, eu vou falar do nosso patrocinador da Lopt.
Você que é advogado, que precisa advogar de forma estratégica, mas está se enrolando, se embananando no tempo, não perca tempo. O Bruno falou aqui, olha quão importantes são as ferramentas que a gente tem à disposição. E a Loft está aqui para te ajudar com prontos, contratos, petições, jurisprudência curada pela própria Loft, portanto zero chance de alucinação por tribunal, por juiz, é para facilitar a tua vida. Então acessa agora o link.
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De onde veio a ideia? De onde veio o nome? Em algum momento você imaginava que ela teria o porte renome que tem hoje? Não, claro que não. Eu nunca nem planejei isso. Eu nunca nem planejei. Eu lembro que quando eu fiz as minhas contas lá, e eu pretendia continuar trabalhando com meu pai, eu fiz umas contas lá que eu falava assim, o louco, eu acho que eu vou conseguir colocar uns 20 mil reais no bolso por mês. Nossa, como eu vou ter uma vida mais confortável. A Barberia Corleone começou pelo seguir tudo.
De novo, tudo teve sua verdade. Eu acho que tudo funcionou desde o começo, porque eu agi com a verdade de maneira intuitiva. Esse discernimento hoje que eu tenho de falar a verdade, de você vender a sua verdade, nem tinha isso na época. Então, o lance era o seguinte, hoje se fala muito de relacionamento, mas como é que se chama? Network.
pra cafonice, né? Pra cafonice. Aí fala assim, puta, hoje eu vou num encontro de networking. Eu vou subir pra cima, né? Já ampliou o naso, mas... Aí fala assim, mas o que é um encontro, um jantar de networking? Aí eu paguei 10 mil reais pra estar lá, vai ter um monte de gente interessante. Na minha cabeça vem outros desesperados numa troca de cartão pra ver se desse encontro consegue fazer um lucro de 10 mil pra poder não sair no prejuízo de ter ido num jantar.
Mas falando da base disso, relacionamento, os advogados sabem muito bem disso. Vocês estão limitados na maneira a qual vocês podem se vender, a maneira a qual vocês podem... Infelizmente, a OAB permite que vocês divulguem o seu próprio serviço.
o relacionamento é essencial. Então, eu não preciso muito explicar aqui qual é a força que tem de relacionamento. Nessa época, eu estudava na FAAP, aqui em São Paulo. Eu fiz engenharia e economia lá na FAAP, fiquei muito tempo estudando lá. E naquela época, a maior parte do PIB nacional estudava lá.
Então, um cara como eu, de classe média, super na média, claro que com acesso à informação e tudo mais, eu tive acesso a experiências que são inacreditáveis. Então, eu costumava almoçar na casa...
dos donos do Banco Itaú. Então, as coisas que eu via lá, se eu absorvesse, aquilo era uma escola de vida, porra, muito bacana. Que, inclusive, serviu para anos depois eu não ficar deslumbrado com as coisas que eu via por aí. Então, eu conheci muita gente. E eu trabalhava no Shopping Center Norte. E eu morava na Rojo Zema, na Lisboa, nos Jardins.
dificilmente alguém que era do meu convívio ia até o Centro Norte gastar um dinheiro para comer um joelho de porco. Mas como eu conhecia muitas pessoas, e olha só como a coisa se inverteu hoje, né? Hoje, quando você fala para uma pessoa, aquela pessoa é famosa, aquela pessoa é influência, é muita gente que te conhece. Você já parou para pensar que anos atrás, quando a rede social não era uma coisa forte, era você conhece muita gente?
Olha como o valor disso é mais interessante. Porque se eu, de maneira preguiçosa, só aparecer atrás da minha tela e cada vez mais gente me assistir, eu não tenho contato com ninguém, concorda que o meu relacionamento é muito fraco? Apesar de eu ter muita gente que me conhece? Com certeza. E naquela época era assim, nossa, Bruno, como é que você consegue conhecer tanta gente? Né? Então, eu conhecia tanta gente, não era que um monte de gente me conhecia. E isso tinha muito valor.
Então, por exemplo, se eu conhecesse alguém que fabrica tecido...
E na outra ponta, eu conheci alguém que é de uma família, porra, que fabrica, tem uma supermarca de roupas de ginástica, são os maiores fabricantes do Brasil, e eu fiz essa ponte entre um e outro, olha que coisa saudável. Isso é relacionamento, certo? Sim. E aí, depois de um tempo de eu fazer isso, isso era muito natural, eu recebi um telefonema de um amigo e ele falou assim, Bruno, eu tô meio sem graça de falar isso pra você, mas eu vou ficar sem graça tanto se eu falar quanto se eu não falar, então eu prefiro falar.
Você me apresentou três pessoas que eu fiz negócio, e você não me falou nada de levar uma comissão disso? Eu fico meio sem graça de você ter me apresentado isso na amizade, e eu tô falando pra você que eu quero te pagar. Mas enfim, como eu devo agir?
me deu um negócio na cabeça, eu falei, nossa, quantas pessoas eu apresento uns pros outros, mas eu não quero ser lobista, porque eu não quero um dia chegar numa roda e falar, para de falar que senão o Bruno vai se meter no nosso negócio. Eu queria continuar sendo conhecido como o cara que apresenta muito bem as pessoas uns pros outros, que eu tenho um bom relacionamento, porque o dia que eu precisar eu peço pra alguém alguma coisa.
Era isso que tinha na cabeça. Aí eu pensei, bom, peraí, eu não quero ser um lobista, eu não quero ficar apresentando as pessoas uns pros outros e ganhar dinheiro em cima disso. Por que eu não abro um estabelecimento comercial...
nos bairros onde eu conheço essas pessoas e essas pessoas frequentam lá. E aí eu cobro os favores de antigamente de que as pessoas passem a ir lá. Mas eu sei vender comida e bebida, eu sei vender chope, cerveja e comida. Quantos bares e restaurantes abriram no Itaim Bibi, que foi o nosso primeiro ponto, vou pular essa parte, mas o primeiro ponto, que é a unidade que você frequenta, quantos bares e restaurantes abriram nos últimos cinco anos no Itaim Bibi e continuam abertos e continuam com um bom movimento?
Porque eu venho da experiência do Shopping Center Norte, onde estou falando que nós estamos lá há 42 anos. É muito diferente do que a gente vê por aqui na Zona Sul, que o restaurante, depois de um tempo, você tem que fechar, falar que tem novos donos, fazer um rebranding total dele e tudo mais, e abrir de novo, porque senão não vai mais ninguém. Mesmo tendo uma ótima comida, uma ótima bebida.
A moda. Eu não queria ser um lugar da moda, porque eu não queria passar por isso. Eu tenho um exemplo em casa que é perpétuo, mas eu sei vender comida e bebida. Vamos fazer o seguinte? Eu não quero ter um bar e restaurante, primeiro porque eu não queria ficar aberto até de noite, porque lidar com o bêbado...
É a coisa mais chata do mundo. Você tá cansado querendo ir embora pra casa, o bêbado tá lá, é minha saideira, nunca mais volta aqui, você não dá saideira, aí você tem que ir, vai, toma aqui, mas vai embora. Era muito chato. Aí eu falei, então vou fazer o seguinte, eu vou colocar 450 rótulos de cerveja importada, que a gente tinha 600 restaurantes do meu pai, num lugar bonito pra caramba, enorme, lembra o tamanho que era a área comum?
O tamanho que era o bar? Tinha um restaurante dentro. Tinha um restaurante, tudo, mas a gente tinha 4 cadeirinhas de barba.
Certo? Sim. A minha ideia era a seguinte. Eu não vou chamar isso aqui de bar e restaurante, mas vai vender bebida e comida. Eu vou fechar mais cedo. E como é que o cara vai ser o meu cliente que ele sempre vai voltar? Ué, se durante a bebidinha dele eu der a comodidade pra ele cortar o cabelo e fazer a barba. Na verdade, eu nem pensei em cortar o cabelo, tá? Quando eu pensei em cortar o cabelo, eu falei, ah, o cara já tem. Mas ele vai, filando, se fazer a barba.
Pensei, na minha cabeça, de maneira muito ingênua, veio um lugar, um gentleman's club, onde o cara tomava um negocinho e sentava lá na cadeira e fazia barba. Que nem a gente vê em filme da máfia. Os caras faziam reunião em algum lugar e estava lá o barbeiro. Não foi por isso que veio o nome Corleone, mas... Depois eu posso contar, mas não foi por isso que veio o nome Corleone. Mas a minha ideia, então, era essa. Eu vou abrir um bar ou um restaurante disfarçado de bar e restaurante para não ter que ficar atendendo bêbado até de noite.
E eu não sofrer com a moda de três anos depois eu ter que refazer meu lugar como um todo. Então, as cadeiras de barba eram uma desculpa. Quando eu inaugurei no primeiro dia, eu tinha três cadeiras de barba. Eu não tinha agenda, eu não tinha sistema, eu não tinha nada. E aí eu lembro que eu fiz um trabalho tão bom do digital, intuitivo também. A minha divulgação foi muito boa por um fator mágico. Você aqui, comerciante, empresário, autônomo...
A gente sabe que não há tanto brilhantismo. A gente é esforçado, a gente estuda, a gente se prepara, mas nem sempre há garantia que o negócio dê certo. Todo mundo tem um momento mágico, que os astros parecem que eles se alinham para... Pô, deu certo. Né? Sim.
Não tira o mérito do esforço, mas óbvio que você precisa do esforço no dia seguinte, porque se deu certo um dia, você precisa manter isso. Mas eu tive um que era inclusive o seguinte, na época a revista Veja era muito forte, o sonho de todo dono de bar e restaurante era sair na Veja, eu consegui sair numa página dupla na Veja. Naquela Vejinha? Na Vejinha, na Veja de São Paulo. Porque se você saísse na Veja, cara, era movimento garantido.
A Globo era muito forte, não existia essa rejeição que hoje a gente sabe que tem, da TV aberta, por qualquer motivo que seja, a gente sabe que existe uma rejeição. E o digital estava começando. Como o digital estava começando, pouca gente produzia conteúdo. Eu produzia. Você não seguia quase ninguém, então o teu feed era pobrinho, porque você seguia quatro, cinco pessoas, então era muito fácil você apertar o botão de seguir.
Eu não sei se você lembra, lá atrás, o que eu fiz? Eu peguei motos no estilo café racer, no Pinterest. Motos de estilo café racer, carros estilo American Muscle. Eu falava de cervejas, porque eu sabia de falar de cerveja. Eu pegava referência de homem estiloso andando na rua, sem saber nada de moda, mas era só eu colocar lá o Lumberjack. Lembra que era o lenhador? Tem.
que tava em alta, e eu pegava esses caras prestilosos andando na rua, fiz um feed e falei, isso aqui é da barbearia que eu vou abrir. Eu ganhava, sei lá, dois, três, quatro, cinco mil seguidores todos os dias. Isso não existe mais. Porque as pessoas já estão cansadas da rede social, elas já não estão mais dedicando todo o seu tempo. Muita opção, muita gente. Se você seguir o teu feed um dia inteirinho, ele não acaba.
Naquela época ele acabava rápido. Então, quando a barbearia, quando o Leandro postava uma foto, era legal. Você, que estava começando a consumir alguma coisa de rede social, viu uma moto da hora e fala, cara, que moto legal. Quando a gente inaugurou, eu tive a força da Globo.
Eles iam assim, eles têm municipal, estadual e nacional. Os programas não se conversam. Teve dia que eu gravei para três programas da Globo. Era Bom Dia São Paulo, Jornal Hoje e depois Globo News. Globo News eu falava do trabalho, Bom Dia São Paulo era onda das barbearias, eu não sei das quantas, sabe? Cada um era uma pauta.
No primeiro dia quando eu abri as portas, a gente tem uma fila tão grande, mas tão grande, que as pessoas falam, como é que tá organizando essa fila? Eu falei, não sei, cara, coloca o teu nome aqui, porque eu não esperava isso. Falei, mas quanto tempo vai demorar? Eu falei, não sei, toma uma cerveja aqui, espera. Ele falou, eu tô completamente bêbado já, tô tomando cerveja aqui há duas horas, que hora que eu vou ser atendida?
Era dia 14 de julho de 2014. Dia 15 era o meu aniversário. A virada eu passei em casa, escrevendo tudo que eu precisava procurar no Google no dia seguinte pra implementar um sistema, uma agenda, contratar mais barbeiro, entender como funcionava uma barbearia. Então ela nasceu oficialmente como um bar e restaurante disfarçado de barbearia. Mas no dia 15 de julho, no dia seguinte, ela já abriu as portas como uma barbearia.
E aí sim, a gente fala dessa capacidade do empresário, comerciante, do empreendedor, chame como você quiser, de saber que aquele é um dia aberto, você precisa vender para pagar o aluguel do imóvel e o salário das pessoas e você não tem a opção de parar. É o tal do trocar o pneu com o carro andando. Todo mundo que tem essa grande habilidade, fatalmente se dá bem.
O lance de você demorar muito para tomar uma decisão, para você ter que se preparar demais para alguma coisa, realmente, às vezes, tem... O executivo, talvez por nunca ter vivido isso, ele tem um ritmo diferente. Ao mesmo tempo que o pequeno empresário tem uma limitação.
de entender como é que funciona um ambiente corporativo que podia ser muito mais bem organizado que a empresa dele, que ele está perdendo tempo lá, que ele está virando a noite trabalhando, que ele podia se organizar muito melhor. Então, eu acho que nasceu sem plano algum, mas no primeiro dia eu tive que colocar a cabeça no lugar e sim começar a traçar um plano, que na maneira muito simples.
Como é que eu ia colocar uma agenda? Qual sistema eu ia colocar? Como eu ia achar um barbeiro? Como eu saberia que o barbeiro ia cortar bem o cabelo? Que tipo de produto eu tinha que colocar, o cara colocaria no cabelo? Porque o bar e a cozinha estavam funcionando maravilhosamente bem, mas não era aquilo que o meu cliente queria. E que legal. Eu vou contar até uma curiosidade. Você falou da vejinha. Eu fazia o barba sozinho, aquela coisa horrorosa. E eu lembro que eu tinha até falhado na barba e eu estava muito chateado.
E aí eu vi uma foto no Instagram, uma barba assim impecável. Falei, cara, eu me falei pra minha mulher. Falei, por que esse cara acerta a barba sozinho desse jeito? E eu tava na casa dos meus sogros, um jantar, né, de sexta-feira à noite, o Shabbat. E aí eu comecei a folhar a vejinha.
Eu falei, nossa, olha. E aí acho que era uma matéria da Corleone. Tinha telefone, tudo eu liguei no dia... Eu nem liguei, porque eu acho que... Eu não sei o que aconteceu. Sábado eu tinha um casamento. Eu preciso dar um jeito nessa barba, tomborosa. Cheguei lá, conheci a ela, falei, olha, tem alguém aí pra me atender?
Era o Ale, até. O Ale, que também está há 200 anos lá. Desenagração. E aí, fizeram a barba. Ele salvou a barba. Eu fui para o casamento, todo mundo falou da barba. Eu falei, pronto, achei. E foi assim. E, bom, o Rafa já está há mais de 10 anos. Aliás, todos lá são muito bons, mas o Rafa é assim...
Deus no céu, Rafa na terra e agora cortando o cabelo do meu filho que também tá super acostumado, quando eu vou no Rafa então ele já vai lá cortar com o Rafa também tem a coisa boa claro, tem a Coleoni Kids, que você vai falar um pouquinho mas é uma coisa minha e dele, eu gosto de ir, e minha sogra adora levar ele lá então é uma é um programa quase familiar é muito legal isso e você entende pra mim como empresário
O prazer que me dá é escutar uma história dessa e ter vivido isso? Eu imagino. Porque lá atrás, quando era uma bagunça, que eu não sabia o que eu tava fazendo... Eu vou te falar, eu lembro da emoção que eu senti nos primeiros dias. Quando saía alguma reportagem, alguma coisa, o telefone a gente colocava no gancho e ele tocava de novo. E era a gente, anota. O telefone a gente colocava no gancho e tocava de novo. Eu comecei com três barbeiros, na segunda semana eu já tinha oito. E ninguém tinha horário. E era abrir e fechar todo dia.
Eu vou contar uma história pra você. Eu fazendo tudo sozinho. Financeiro, compra, atender cliente. Eu só não cortava cabelo. Só um parênteses antes de você contar a história. Eu quero saber como é que você fazia pra selecionar os barbeiros. Mas conta a história. Primeiro, sorte. Sorte. Eu não vou inventar uma história bonita aqui pra tentar florir. Foi na sorte. Passou gente ruim que saiu muito rápido. Mas... Talvez uma habilidade hoje um pouco mais comprometida porque o mundo mudou.
Mas a minha habilidade de controlar pessoas ali foi essencial. Como eu mantinha, ou como eu contratava um bom barbeiro, como eu mantinha esse barbeiro lá. Eu cheguei para um cara e falei assim, o cara que está do seu lado, ele não é teu concorrente. Porque vocês dois estão embaixo de Corleone.
Se ele fizer um corte muito errado, ele vai sair daqui e falar assim, colheu nem uma porcaria. Ele não vai falar assim, ó, o barbeiro X, especificamente da unidade tal, não é bom. Mas vai e experimenta outro, porque eu só não tive impressão com esse barbeiro, concorda? Sem dúvida. Quando você elogia, você falou o nome do teu barbeiro aqui. O Rafa da unidade tal que fica na cadeira lá atrás, você elogia. Se por um acaso você formar um tratado, você vai sair na internet e vai falar assim, a colheu nem uma porcaria.
Então, às vezes, o que um cara fez para você de mal, hoje a gente tem mais de 200 pessoas na operação. Então, o que um cara fizer de errado, ele pode trazer um impacto em cima de 250 famílias? Que isso dá o quê? Mil pessoas? Então, o que eu consegui, na época, raciocinar que eles duelavam entre eles, era assim, se esse cara fizer coisa errada...
Se ele cortar mal, vão falar que o teu trabalho é ruim. E eu consegui explicar exatamente desse jeito que eu expliquei pra você. Aí o cara falou, então, peraí, eu tenho que te ajudar a ter barbeiro bom aqui. Quem fazia a seleção dos barbeiros comigo? Os meus barbeiros dois antigos. Aos quais eu comecei dando sorte, porque eu também não sabia analisar. Então, até hoje, são eles que trazem pra mim. Eu falo assim, o cara é realmente bom?
Você não pode tentar ajudar ele aqui, porque senão ele vai te ferrar. Não, pode vir.
Então a gente funciona muito bem quando a gente fala de cultura de empresa. Eu não tenho a cultura da empresa escrita num papel. Eu não acredito nisso. Eu não acredito. Quando a gente fala de cultura de empresa, numa empresa pelo menos do tamanho da minha, do que a gente está aqui, é o que um Rafa, um Ale, um Jota, os caras que estão comigo há 12 anos...
Foi o que aconteceu na maior parte do tempo. Isso não tem escrito em lugar nenhum. Ele sabe como agir. Isso, para mim, é realmente cultura da empresa. E assim até hoje, viu? Não era na época, não. Foi sorte nos primeiros dias, mas a capacidade de falar assim, eu não sei administrar, mas deixa eu contar uma história para você, para você querer realmente me ajudar e eu vou te mostrar como é bom para você. Isso também acho que foi uma capacidade que eu tive porque durante muito tempo eu não tinha...
Cacifa contratar gente pra palpitar. Assim como durante um bom tempo eu não tive, não sobrava dinheiro pra gente contratar uma lavanderia pra lavar as toalhas. Sabe como eu lavava? Na minha casa. Sabe como? Eu tinha. Eu comprei toalhas brancas e toalhas pretas. Toalha branca era pro cabelo e toalha preta era pra fazer a barba.
Isso lá atrás eu tinha uma máquina que lava e seca, tá? Nenhuma novidade. Todos os dias eu tinha... O volume hoje é muito maior, né? Lá era menor. Mas todos os dias eu tinha duas caixas de plástico, uma lotada de toalha branca e uma lotada de toalha preta. Eu tinha uma rangerzinha, uma camionete. Os barbeiros jogavam na caçamba dela, eu chegava na minha casa e empurrava aquilo pro elevador.
10h30, uns horas da noite, jogava todas as toalhas pretas e eu colocava lavagem simples. Lavava, eu tirava tudo aquilo, jogava as brancas e deixava lavagem com secar. Lava e seca. Então, quando eu acordava no outro dia, isso eu mudava lá para uma hora da manhã, mais ou menos, no outro dia eu acordava às 5h40, perto das 6h, eu ia na máquina de lavar, tirava elas já todas sequinhas.
pegava as que estavam no varal secando a noite inteira e jogava lá dentro, vinha pro Itaem Bibi, os barbeiros pegavam, dobravam elas e eu ia lá pra minha empresinha de shopping. Eu tive que fazer acontecer o negócio. E eu lembro que eu ficava na cabeça, eu falava assim, cara, mora eu preciso ter grana o suficiente pra contratar gente, pra contratar empresas, pra eu ter um pouquinho mais de qualidade de vida, pra eu conseguir dormir um pouco mais. Só que não dava tempo de eu saber quando era esse momento.
Eu lembro que eu ia pra um lado, ia pro outro, aí eu comprei um leitor de código de barra, eu pagava os meus boletos, antigamente chamava duplicata. Eu pagava meus boletos no banco todo dia, eu autorizava, e aí já tinha cliente sentado lá, eu falava que todo mundo era uma loucura. Eu fiquei... Acho que eu devo ter ficado um ano sem olhar o extrato da minha conta. Porque eu não gastava nada, eu só trabalhava. Eu era sozinho. Morava num apartamento próprio, eu não tinha nenhum luxo.
assim, eu não tinha nada que eu saía, gastasse e tudo mais, então eu sabia que o dinheiro que entrava dava pra pagar as contas. E se eu não tinha tempo pra fazer essas coisas, é porque graças a Deus o comércio tava andando bem, então eu sabia que tava entrando dinheiro, mas eu não sabia quanto. Teve uma vez que eu sentei e eu falei, meu Deus do céu, eu acho que eu nunca olhei o extrato da conta pra ver quanto eu tenho de dinheiro aqui na conta da empresa. E se eu tiver no negativo? O Abrir tinha 600 mil reais.
E eu não tinha ideia que tinha 600 mil reais na conta. Claro, eu ainda tinha que pagar barbeiro, eu tinha que pagar as despesas, mas 600 mil reais naquela época me cobria três meses de despesas, então eu sabia que aquilo estava certo. E eu lembro que eu respirei, eu falei, meu Deus, eu posso contratar uma empresa para lavar as toalhas. Porra, no final das contas, a jornada disso é muito boa, cara. Eu lembro da emoção que eu tive comigo mesmo de poder contratar uma lavanderia.
No final das contas, eu podia ter contratado aquela lavanderia cinco meses antes. Mas foi parte do jogo, foi parte do processo. Eu sou muito feliz com essa jornada. Tudo que muitas vezes, a maior parte do tempo, ela foi solitária, tá? Talvez o que eu estou visitando hoje aqui com você faz tanto tempo que eu nem lembrava.
Ela não é uma jornada solitária, porque você não tem tempo para ligar para os amigos, aí depois todo mundo acha que, putz, você está ganhando dinheiro para caramba, agora você não quer saber dos amigos. Na verdade, você perdeu o aniversário, o casamento, todo mundo, porque quando eles estão indo para o bar fazer um happy hour sexta-feira, é o dia que mais bomba de movimento e não tinha como sair.
Eu não lembrava tanto dessa história. Mas sabe o que é legal? Isso é o legal do podcast. As pessoas falam muito pra mim. Poxa, eu revisitei coisas que eu nem lembrava. E isso é muito legal. Porque hoje a gente olha, a gente tá aqui no coração da Faria Lima numa baita barbearia. A do Itaim que eu frequento, que vocês reformaram, que é super legal. E eu gostei do que você falou. Quando você montou essa, você falou ali, eu vou dar um tapa, eu vou reformar a do Itaim, que é onde a gente começou. Então eu preciso dar atenção.
a kids, etc. Então a gente olha hoje e fala, caramba, olha tudo que você construiu. Mas quando a gente olha pra trás, e eu não preciso ir longe, hein? Quando você para no final do dia e olha o que você fez, é impressionante as coisas que a gente constrói. Então é muito legal revisitar, porque é bonito que você construiu e tem muito por construir ainda, mas...
Olhando lá de trás, nos bastidores do começo, a história de você mesmo lavar as toalhas, isso é muito legal, isso tem valor. É, e assim, a gente costuma ver história triste por aí, o Gugu fazia muito isso pra fazer o sensacionalismo, não teve nada de triste uma história aqui não. Eu não tô lamentando como absolutamente nada, não tô me fazendo de coitado não. O que eu tô trazendo aqui é inclusive pra tentar...
incentivar o jovem empreendedor. O que é o jovem empreendedor? Muitas vezes é o cara que trabalhou numa corporação, trabalhou numa companhia durante anos, e ele quer desistir do... Conheço muita gente, falei com muita gente ao longo desse tempo, com o cara que é executivo de carreira há muito tempo, e fala, chega, não quero mais.
quero pegar o que eu tenho aqui de fundo de garantia e vou abrir a minha própria empresa. Então, esse é o cara que eu chamo do jovem empreendedor. É o cara que ainda não está nesse negócio. Tem muita verdade nesse processo, tem muita coisa legal que acontece.
E você vê, eu carreguei caixas e eu lavava o negócio de madrugada, assim, até de madrugada e acordava cedo morrendo de sono, na verdade, atuou por uns quatro meses, dava pra ter feito antes. Mas fez parte do processo, foi muito bom. Então, por isso que eu te digo hoje, hoje eu conheço todas as etapas da minha empresa. Mas eu vou te contar, você acabou de falar um negócio, você tem muito pra construir aqui. Eu tenho, mas eu vou te trazer um outro lado também.
Um dia me perguntaram assim, você venderia a empresa? Eu falei, ela faz parte do meu plano.
Porque quando a gente começa um ciclo, o que é um ciclo? Começo, meio e fim. Começo, meio e fim. Eu tenho muita vontade de um dia fazer um M&A que tem o encerramento de um ciclo muito bacana, que eu vou chegar e falar assim, teve começo, meio e fim.
Tem um vídeo do Jack Ma, sabe quem é o Jack Ma? Sim. Teve um vídeo do Jack Ma que me marcou muito, que ele falou assim, cara, aos 17 anos você trabalha de graça pra alguém que vai te ensinar alguma coisa. Você nem queira ganhar, se você ganhar, vale a refeição, vale a alimentação, alguma coisa já tá valendo. Pois você entra na faculdade, o que é importante, você tem que adquirir conhecimento. Aí você vai atrás de ser estagiário e ganhar um dinheirinho, mas vai continuar aprendendo. Pois quando você se formar...
E aí ele explica assim de passar as fases, de fase, de fase, e ele fala assim, quando você chegar nos 50 anos, começa a buscar aquele que vai trabalhar de graça para você ensinar. Aos 60, ele vai começar a te substituir, sabe por quê? Ele ainda não tem filho, ainda não tem posses, ele ainda não construiu os sonhos dele, ele está com muito mais fome do que você, idade, disposição, porque acima de tudo, provavelmente você já tem até netos.
você tem que aproveitar a vida com os teus filhos, com o teu neto e tudo mais, passa o bastão pra alguém que vai continuar a jornada. Então, eu tenho 43 anos, tenho muito fôlego, tenho muita vontade, nunca tive preguiça, acho que resume um pouco a história aqui, mas eu também tenho essa coisa de fechar o ciclo.
Você falou do M&A. O M&A me traz a ideia do negócio e eventualmente de sócios. E você optou por montar um negócio teu, sem sócios. Por quê? Olha, é assim. Toda experiência que eu tenho de trabalho é o meu pai. Toda referência que eu tenho é ele. Então, mesmo que hoje eu tenha... Eu reconheça que ele tem alguns vícios ao qual a gente não anda junto.
Acaba sendo um vício meu. Então eu leio que meu pai falava assim, se eu tiver um sócio num restaurante, eu vou ganhar metade? Eu não tenho problema de trabalhar sozinho. Eu abro e fecho todos os dias. Mas eu vou poder ter um carro melhor, uma casa melhor, vou poder viajar mais. Não, eu não quero. Porque hoje, quando você fala de começar um negócio, a juventude, o que mais a juventude tem medo hoje?
Risco, certo? Sem polêmicas. Risco. O cara não quer tomar risco com nada. Eu preciso amar o lugar que eu trabalho desde o primeiro dia, aquilo precisa trazer um propósito pra mim. Eu quero entrar tarde, sair cedo e ganhar muito. Mas é verdade essa. É. Né? Mas a maior aversão do jovem hoje é o risco. A gente percebe. O jovem hoje...
que nunca ralou o joelho, nunca perdeu a tampa do dedão, jogando tacos na rua, passou metiolate, brincou de polícia e ladrão, fatalmente brigou com outro moleque, depois estava tudo certo, trocaram meia dúzia de soco. Eu tenho minha irmã que é 20 anos mais nova que eu, ela tem 23 anos, não sabe andar de bicicleta.
Então, eu lembro do meu pai falar assim, meu pai nem questionava risco, investimento, qualquer coisa. Era assim. E era uma outra época que eu fui estudar sobre muitas outras empresas para poder me inspirar e uma delas era o Boticário. E o Boticário estava passando por um problema que eles tinham franqueados muito grandes. Eles eram um problema para a marca porque a marca não conseguia absorver esses caras porque eles eram gigantescos. E como eles eram gigantescos...
Os filhos que estavam nascendo, aquilo não tinha, não era hereditário, os filhos não estavam querendo assumir as lojas. Era uma molecada que já estava nascendo, no que se chama lá do berço de ouro, não queria trabalhar e a boticária falava assim, meu Deus do céu, como é que vão ser essas lojas?
Houve uma preocupação com essa sucessão, que aí depois, isso, quem me ensinou muito foi o Caíto Maia, da Chili Beans, por isso que ele faz os navios, ele faz um monte de coisa para que o filho do franqueado dele queira continuar e perpetuar o negócio que ele não franqueava dele. E aí eu lembro que... E eu falava assim, mas como é que você tem lojistas do boticário?
tão grandes. Assim, eu tô te falando de gente muito rica que tem frequência e que tem franquia do Boticário. Mas como isso aconteceu? Eu lembro que assim, quando meu pai abria um restaurante novo, ele vendia o carro dele e ele conseguia comprar as panelas, montar a cozinha e o ponto comercial num shopping. Assim, de um carro você conseguia abrir a minha empresa.
Era uma maluquice. Eu lembro que quando meu pai comprou, a história que ele conta de quando ele comprou o ponto no shopping, o dono do shopping falou, ah, o que você tem? Ah, eu tenho isso, tenho aquilo, parei para lá, não sei das quantas, e tem a minha Kombi. Ele falou, não, a Kombi você precisa, porque você vai ter que fazer compra para sustentar o restaurante e pagar aluguel depois para mim. Era mais... Não é que era mais fácil, mas era menos penoso. Quando eu comecei o meu negócio, eu tinha...
Um carro, algumas economias, limite do meu cartão pessoa física e o limite dessa minha empresinha de shopping. Eu limpei tudo e abri a primeira unidade. Acabou o meu dinheiro. Acabou. Eu tive que inaugurar no dia 14 de julho, a final da Copa do Mundo foi 12 de julho. Ninguém queria trabalhar.
Nos últimos dias, eu tava passando umas coisas no chão, eu falei, caralho, eu preciso abrir, acabou, eu não tenho limite do cheque especial, eu não tenho limite do cartão de crédito, eu gastei todo o meu dinheiro, eu não tenho nenhum carro. Tá tudo aqui. Tudo aqui, eu preciso abrir, eu preciso faturar. Será que hoje, com 40 e poucos anos, eu teria coragem de fazer de novo? Talvez não. Mas, enfim, por que não ter sócios? Era coisa do meu pai.
Ter sócios pra quê? Ter sócios pra quê? E convenhamos, graças a Deus. Eu lembro que no final da abertura da loja, me faltou 60 mil.
que aí eu fiz um negócio na época da Copa também que eu consegui fazer 80. Ainda fiquei 20 no bolso, tranquilão. Mas pensa no seguinte, naquela época, se eu falasse assim, estou abrindo uma barbearia no meio do Itaimbibi, em São Paulo, e está me faltando 60 mil reais, alguém pode me dar 60 mil reais? Porque no banco já acabou, e no meu cartão de crédito já acabou, eu não tenho de onde tirar. Esse cara ia falar que ele queria quanto da minha empresa? É isso, um percentual. De quanto mais ou menos?
O que a empresa estava começando, 60 mil, 20%? 20%. 60 pau eu ia pagar... Cada 15 dias eu ia pagar 60 mil para ele, entendeu? Valeu a pena. Eu prefiro correr meus riscos. Talvez esse lado eu ordei do meu pai. Agora, eu sinceramente não conheço um grupo de pessoas que mais jovem, assim, pouco mais jovem que eu, que foi abrir um novo negócio, que eles não são compostos por 20 sócios.
Eles falam, mas por quê? Ah, o quê? Dilui lucro, eu posso colocar dinheiro num monte de lugar. Faz quanto a gente sabe. O cara não quer abrir e fechar sete dias por semana o negócio dele. Ah, eu sou um investidor. Tá bom, pode ser. O melhor é esse. Graças a Deus, eu sou muito feliz. É assim, tomei uns tombos bons, mas tô aqui. Um dia que você vê o M&A, não precisa perguntar nada pra ninguém.
Você decide, você decide os rumos, se você vai abrir, se vai fechar. E eu acho que você tem um grande exemplo que é o exemplo do teu pai. E funcionou, o negócio funcionou. A gente está aqui à prova disso. Ele estava gravando esse podcast e deu errado.
Talvez essa é a única versão que eu posso contar. E é muito legal conhecer essa história. Eu que frequento já há 11 anos dos 12. E entender toda essa história por detrás. Claro que eu já tinha ouvido você em outro podcast. A gente sempre conversa muito. É legal tornar público agora essas conversas. Mas de conhecer todos esses bastidores. E essas perguntas até por exemplo. Essa questão da sociedade. E uma pergunta que eu não quero calar.
Por que barbearia Corleone? Olha, o negócio foi o seguinte. Quando eu tive essa ideia de abrir a barbearia.
E ela era disfarçada do quê? De um bar. De um bar. Qual era o nome mais brilhante que podia ter na época? Eu não posso falar porque eu já ouvi em outro podcast, então... Bar de Aria. E eu fiquei com essa, do bar de Aria. Sem consultar um designer, sem nada. O Fernando de Grossi, que é meu designer até hoje, depois de muito tempo, eu não tinha grana pra pagar ele. E eu lembro que na época eu tava montando o logo num... OK.
num programa chamado Print Artist. Não era nem coreodral, não era nem... E eu montei, e aí eu fiz barbearia. Bom, eu comecei a contar pras pessoas que eu ia abrir uma barbearia. E nisso eu contei pra uma amiga minha na época que ela era uma designer que faz convites de casamento. E ela falou assim, Bruno, eu vou te dar o logo de presente. Você vai me contar a história de por que você tá montando essa barbearia?
Você vai me dar o nome e eu vou te presentear com o logo, que inclusive eu tatuei ele aqui. Não é, mas nosso logo tem alguns anos, eu fiz a evolução dele quando eu pude contratar o Fernando De Grossi, que é um amigão e está comigo até hoje. Mas eu sentei e eu expliquei três horas, porque hoje é fácil. O que é a Corleone? Putz, você se abrir o Instagram, você vai entender.
mas não dava para entender o que era uma barbearia com 450 hotos de cerveja, mas o que ia fazer e como é que funcionava? Não tinha barbearia na época. E aí eu fiquei duas horas explicando. Ela falou, ótimo, já sei todo o conceito, entendi, você está na frente de uma delegacia, você quer que os homens vão lá tomar uma cerveja, tipo, meio mafioso, faz a barba e tudo mais. Eu falei, é isso mesmo. Ela falou, como é que vai chamar? Eu falei, barbearia.
Ela olhou pra mim e falou, você vai fazer essa cara de idiota toda vez que perguntaram qual é o teu negócio pra explicar que é uma parbearia? Puta, que nome ruim. Aí eu murchei, né? Aí ela falou, nem no INPI você consegue registrar o nome, pô. É muito ruim o nome. Eu murchei, eu falei, putz, eu tô há meses pensando nisso.
Nossa, então eu vou ter que buscar outro nome. Ela falou, ok, buscar outro nome, nós vamos fazer isso aqui agora. Bom, você quer um bar, você quer um lugar que tem uma delegacia na frente, provavelmente os caras vão chegar armado, você tem os filmes lá onde os caras fazem reunião, tomam negócio, tá a figura do barbeiro, o barbeiro escuta os segredos, não conta. Tem que ser uma coisa assim, que fale o nome e o cara entenda que é um lugar de homem. Sei lá, Corleone. Corleone?
Aí eu liguei para um advogado amigo do meu pai, que era do INPI, que era com esses advogados e tudo mais, e eu falei assim, estou pensando em chamar de Barberia Corleone. Aí ele falou, por quê? Porque minha avó é italiana e ela vem da cidade de Corleone, eu quero homenagear ela. Ele falou, pode fazer.
Só não vai me fazer uma burrada de atrelar isso a um filme que tem conhecido com o mesmo nome. Pelo amor de Deus, você não faz nenhuma alusão. É. Ou nada. Eu falei, não. Não tem. E realmente eu não tinha. Estou te falando a história aqui. Não tinha. Mas era como o nome ia guiar o negócio. Nunca foi pra ser, tanto é que nunca foi temático. Nunca eu quis fazer alguma alusão. Bem que tinha uma época que eu deixava o DVD do Poderoso Chefão tocando nas TVs.
DVD, aparelho de DVD. Eu tinha um em cada TV e eu deixava rodando. Mas foi isso e eu falei, sério? Pode? Pode.
Liguei pro cara na mesa. Eu falei, então vai ser esse o nome. Decidiu-se em 30 segundos o nome. Olha que bacana. E aí, olha, colou, né? É um nome que, enfim... Você vê como as histórias reais, elas talvez não sejam tão mirabolantes e interessantes quando a gente imagina ser. Mas eu prefiro contar a verdade. A verdade vem melhor. Olha só. Inventei o nome em 30 segundos. Inventei não. Eu inventei um nome horroroso.
Em 30 segundos, uma pessoa criativa me deu uma saída que depois ela era viável. E é o mais legal mesmo, porque são as histórias reais. Não precisa embelezar a história, precisa contar a história como ela é. Isso conecta. Isso é autenticidade.
Então, muito legal. Primeiro, parabéns por toda a história da Corleone. E são muitos anos ainda pela frente, seja você fazendo M&A, seja crescendo com outras unidades. Hoje você tem Itaim, que foi a primeira, Farelima, que é onde a gente está, Morumbi Shopping e a Barbearia, Barbearia, que na verdade é a Corleone Kids. A Corleone Kids, que é um espaço, obviamente, para meninos e para meninas, e que inclusive atende as mamães e os papais. Então, é um ambiente extremamente democrático.
Então a gente tem atendido bastante gente da família toda que fica no bairro dos Jardins. Aí você me fala assim, vou levar o meu filho lá. Fique tranquilo, porque a maior parte dos clientes que são antigos tem essa hereditariedade com o barbeiro de confiança. Você não é o diferente, não precisa levar lá, o Rafa vai fazer o seu trabalho. A gente tem em todas as unidades os filhos sendo atendidos, pelo menos barbeiro do pai. Então lá a gente está criando um time diferente.
principalmente aos clientes que têm meninas, né? Sim, não, isso é muito legal. Enfim, eu também tenho a Olivia e eu sempre penso, pensava, poxa, na cor leone do Itaí eu não vou levar, né? Porque é um espaço ali de homens e tal. Então tem a oportunidade agora de levar ela na cor leone. E aí ela tem não só o corte do cabelinho, a gente faz finalização, tem pulseira, tem um monte de coisa para que realmente seja um ambiente lúdico para que a criança goste de cortar o cabelo. Sem dúvida, assim como o Mike adora e me pede.
Não bastasse a Corleone, enfim, todo o tempo que ela te toma, você também já há alguns anos corre no Rally, ganha alguns campeonatos inclusive. Queria que você contasse um pouco dessa experiência, mas mais do que isso, o que o Bruno Corredor, piloto, ensina para o Bruno empresário, especialmente em relação à tomada de decisão sob pressão? Eu estou no automobilismo desde 1989, eu sou federado desde sempre.
Sofri um acidente em 1991 que eu perdi a ponta dos dedos aqui, eu com 7 anos de idade, então a minha vida sempre foi do motor, cheiro de gasolina, quando era menor a bolinha de naftalina no motor cinquentinha, mas eu vou começar a minha oitava temporada agora como piloto de rally, pilotando para Mitsubishi, exclusivamente Mitsubishi. O rally é muito diferente.
de tudo que a gente tem no automobilismo. Então, toda a experiência que eu tenho de automobilismo antes do rally, ela é num circuito onde eu fico dando um monte de voltas, eu consigo decorar aquele circuito, e o piso é o asfalto o tempo todo. Não importa o que aconteça, o grip é o mesmo, a não ser que chova. O rally, diferente de um circuito, ele parte do ponto A para o ponto B. É um trajeto. Eu nunca passo duas vezes no mesmo lugar.
E aquilo normalmente é dentro de uma fazenda, um ambiente controlado, que é o Namitso Beach Cup, a não ser quando a gente faz uma prova maior, que é o Rally dos Sertões, por exemplo, que aí leva oito dias para fazer uma corrida, você chega a andar seis mil quilômetros. Mas eu faço normalmente três corridas de 30 quilômetros num final de semana.
Nesses 30 quilômetros eu vou do ponto A até o ponto B, eu não sei o que tem pela frente. Eu tenho o meu navegador que vai ao meu lado, dentro do meu capacete a gente tem o fone de ouvido com microfone que a gente consegue se comunicar. Ele tem os aparelhos dele que basicamente é para ele ver a distância que a gente já percorreu, um odômetro.
tem cronômetro para algumas outras coisas, mas pensem só no odômetro. E a gente tem uma planilha, que é um pedaço de papel que diz em 1.39 quilômetros, você tem uma curva acentuada à direita, onde tem cascalho no chão. Se você escorregar, é um barranco. E na saída ainda tem uma árvore. Eu tenho que receber toda essa instrução de um cara que nunca passou naquele lugar, ele só está lendo um papel, fazendo uma conta matemática da distância que está, e de vez em quando ele vê onde eu estou.
E eu, em compensação, estou em sexta marcha, 140, 150, 160 km por hora, esperando a hora que esse cara vai falar assim, a gente tem que ir a quase 20 km por hora, porque o que a gente tem é um gancho. O que é um gancho? É fazer um U-turn. Só que eu estou no meio da cana alta, onde eu não estou vendo onde é esse U-turn. Eu tenho que acreditar quando ele fala assim, em 400 metros vai ter esse U-turn. E aí ele tem várias outras informações.
O que eu aprendi com o piloto de rali, que eu trago não apenas para o trabalho, mas para a vida como um todo, é se eu estou concentrado naquilo ali, eu tenho que me concentrar naquilo ali. Se eu não me concentrar no rali com o que o cara está falando, eu posso morrer. Se eu, por algum motivo, estou vindo a 160 por hora e não escuto o cara falar que em 200 metros eu tenho uma curva acentuada que se eu errar é uma árvore, a gente entra, bate e morre.
Então quando a gente vê essa loucura de tanta gente falando que tem que ser multitask, que você é multitarefa, que você pensa em uma coisa, que você fala em outra, que você tem que otimizar o tempo, que você tem que ser bom na administração, que você... O quanto a gente não tem de ansiedade hoje nas pessoas porque elas mesmas se correm de fazer um monte de coisa ao mesmo tempo.
Porque parece que se você não faz tudo ao mesmo tempo, você é um incompetente, você está para trás, você não é o super-homem. Como é que você não faz tudo isso? Como é que você não faz tudo isso? E aí depois você não consegue entender como tem tanta gente tomando ritalina, os remédios que falsamente te deixam com a impressão de que você está produzindo mal, mas você não está produzindo mais. Você só toma enoiado naquilo que você está fazendo.
Então, isso me ensinou que quando eu estou comandando a barbearia Corleone, eu só penso na Corleone.
Isso fez inclusive eu vender todos os outros meus negócios que não são a Corleone, que é o negócio da minha vida, o que tem um M&A que eu posso pensar, o que me dá dinheiro de verdade é aqui. Assim como quando eu estou no Rally, eu não ligo pra cá, eu não penso aqui, sabe por quê? Porque eu tenho que focar lá. Eu me disponibilizei a ficar lá, eu tenho patrocinadores, eu gastei dinheiro, mas acima de tudo, é meu esporte, é o meu momento de não pensar em nada. Se eu ficar pensando na Corleone...
Lá, eu posso bater o carro. Como que eu tenho a tranquilidade de estar aqui? Durante a semana eu trabalho pra caramba e eu consigo organizar pra que eu consiga sair alguns dias. Aí eu te pergunto, quando eu tô na minha casa com a minha família, com a minha esposa, quando você tá com seus filhos, aonde você tem que tá pensando? Tá lá. E acabou. Então, o meu dia, ele acaba sendo de total atenção naquilo que eu estou fazendo. Então, hoje, a gente abre a barbearia às 10 horas da manhã. Eu hoje não chego mais aqui, porque eu tô morando...
no Campo Belo, que eu demoro antigamente. Eu morava a pé três quartelões, eu chegava em quatro minutos no meu trabalho. Mas hoje eu chego aqui por volta às onze e meia da manhã, que eu vou visitar alguma idade. Mas o que eu faço antes disso? Eu acordo seis horas da manhã. Eu vou para a academia, eu jogo tênis, eu luto boxe, eu faço alguma coisa com a minha esposa, eu levo ela para algum lugar. A gente tem a nossa vida de casal, para a gente não perder a conexão. Está tudo feito, agora eu vou lá para a barbearia.
Eu sou um vagabundo pra não chegar aqui às 10 e sair às 9, como eu sempre fiz, enquanto a gente tá pegando? Não. Não, porque uma hora já me custou a saúde. Quando eu falo custou a saúde, eu tive o tal do piripá, que eu cheguei no meu médico, que tava cuspindo sangue, em 2017 pra 2018, o Thiago Fou, porque é meu médico até hoje, e ele falou assim, você está tendo um burnout. Eu falei, tô tendo o quê?
Porque o nome hoje ele tá. Hoje é comum, é muito falado. Só que pouca gente realmente tem. Você tá meio nervoso, você tá meio puto da vida com alguma coisa. Ah, tô com burnout. Não, peraí. Burnout é algo muito mais complexo. Não sou médico, não vou cometer a irresponsabilidade de tentar classificar ele aqui. Mas no meu caso foi um colapso no meu sistema hormonal. Por conta de estresse, por conta de cortisol que eu produzi o dia inteiro.
Eu perguntei para o meu médico, como é que eu produzi tanto cortisol? Eu falo que você não teve um momento no seu dia que foi de prazer para você. Só foi a tua cobrança em cima do trabalho. E eu não estou te falando que lá é problema, mas está focado tanto ali que você precisa ter algum prazer. O teu corpo dá uma refrigerada, tá? Assim como eu vejo com muita irresponsabilidade as pessoas falando de maneira descontrolada sobre depressão.
Eu briguei com a minha namorada, eu estou muito triste. Ah, você está muito triste, eu concordo, você deve estar arrasado, mas isso não é depressão. Porque esbarra num ponto que me preocupa muito das pessoas que realmente têm um problema de depressão, às vezes levantam a mão de maneira muito silenciosa, não são escutadas e a gente tem um resultado catastrófico.
hoje em dia se classificar no negócio pra querer mostrar nossa, eu trabalho demais eu tô com burnout, eu tô com depressão a gente tem que tomar muito cuidado porque tem gente realmente que passa por isso e às vezes não é levado a sério tanto pra um quanto pra outro e que precisa de socorro mas enfim, nesse meu caso eu falei assim, mas como é que eu me curo? ele falou, você tem duas opções ou a gente te interna e aí e aí
Eu não vou te internar pra você sentar numa cama de hospital e comer uma comida ruim. É porque eu sou obrigado a te medicar. Só que se eu te medicar, vai ser tão difícil da gente conseguir desmamar com você em tudo. Faz o seguinte...
Fica dez dias fora, não liga pra Corleone, ela não vai quebrar, ninguém vai te roubar, não vai acontecer nada. Faça coisas que você gostaria muito. Vai viajar pra algum lugar, aí você faz uma aula de tênis, vai num restaurante que você queria muito, aluga um carro legal e a gente vê como é que teu corpo tá aqui na volta.
E quando eu voltei, tinha tudo se estabilizado. O doutor Tiago Volpe, um cara fenomenal, de longevidade, é um cara que eu confio muito na minha saúde, eu, meu pai, minha esposa, todo mundo que a gente confia aqui do Espaço Volpe, que é aqui perto, cliente meu também. Mas esse foi o primeiro passo ao qual eu comecei a dar de não ficar na loucura, de abre e fecha todos os problemas do mundo dentro do meu estabelecimento comercial, são meus.
Então, o piloto, eu dei essa volta toda para contar, o piloto de rali me ensina que eu tenho que ter o foco aonde eu estou. Se eu não tiver o foco na minha empresa quando eu estou nela, ela quebra. Se eu não tenho o foco no meu carro quando eu estou competindo, eu posso bater e me machucar. Se eu não tiver foco na minha casa, o que acontece com o meu casamento? Desculpa, casamento não pode ser descartável.
Você jovem que está assistindo aqui, que ainda não casou a primeira vez, e que acha que casamento é apenas um namoro, que você dá o tchau em um e arranja o outro, não é normal acharem isso. Os relacionamentos não podem, as amizades não podem ser descartáveis da maneira que hoje você mostra que é tão fácil o empoderamento de qualquer um dos lados.
Eu acho muito prejudicial quando qualquer um dos lados se mostra muito independente do sexo oposto. Ou, às vezes, do mesmo sexo, mas... Quando você tem a junção de duas pessoas, sei lá, eu tenho muita impressão de que as pessoas, os seres humanos, foram feitos para viver em dupla.
de colocar o pé no chão quando você está maluco e alguém vem e fala assim, calma, isso também é muito importante. Então, hoje eu dou muito valor para o meu relacionamento, para o meu casamento, para a minha casa. Então, quando eu estou com a minha mulher, ela é a minha prioridade. E eu não deixo de focar lá nela, no nosso relacionamento, fazer as nossas coisas de ajunto, porque no final das contas, um dia se vier um M&A da empresa e eu conseguir colocar um dinheirão no bolso e me aposentar...
Eu vou estar sozinho por aí para me divertir? Não, de jeito nenhum. Eu tenho a minha companheira lá na vida toda. E a companheira, ela é muito importante. Porque ela pode te impulsionar, te potencializar, te turbinar. Como eu imagino que é o caso da tua mulher, como é o caso da minha. Eu brinco que ela me comprou na baixa. Não é que eu esteja na alta, não. Mas ela me transformou, porque ela me potencializou. Ao mesmo tempo ela te afundar.
Por isso que é tão importante, né? Você escolher a pessoa certa que vai estar do teu lado e investir tempo.
Prometo trazer um último ponto polêmico aqui, que é a rede social. Você tem uma rede social que é forte, né? Você começou a se ir lá atrás no digital, ela é engajada, né? Você cuida da tua rede social. Ao mesmo tempo, o teu negócio demanda a tua presença física aqui. Como é que você faz para convergir digital com presencial e mais? Nesse mundo complexo que a gente está vivendo hoje, como é que você faz para se posicionar, né? Mas até onde você pode se expor para não ser... Qualquer coisa que você falou de ser cancelado. Que cuidado que você tem?
vou começar por esse ponto. Depois eu vou para o outro da rede social, porque é um assunto um pouco mais longo. Eu realmente uso as redes sociais de maneira muito ativa desde 2012. E eu tive muito resultado positivo. Tive uma experiência negativa também, que eu posso trazê-la aqui, mas foi muito mais positivo, principalmente para o negócio, para atingir novos clientes. Quando eu abro uma unidade, o meu principal meio de comunicação, que eu falo, pelo amor de Deus, gente, vai lá porque os primeiros dias a gente precisa, é a minha rede social. Eu acho que é assim. Você que quer se posicionar,
no digital, desculpa, você que quer ter uma presença no digital, a primeira coisa que você tem que fazer é estabelecer qual é o seu papel, o que você se permite e qual vai ser a sua estratégia como um todo.
Putz, eu não fico à vontade de colocar os meus filhos na rede social. Tá, mas, puta, você como uma figura de paizão, você se relacionaria com outro tipo de gente que podia ser muito saudável pro teu negócio. Tá, mas eu vou abrir mão disso, porque eu não quero meu filho na rede social. Pois é. Não tenho filho, não é isso que eu tô falando, mas, hipoteticamente. Então, quando você coloca esses seus limites dentro, e eu não te digo os limites apenas psicológicos e tudo mais, mas quando você define a sua estratégia, segue ela até o final.
Então, por exemplo, eu não deixo de ter opinião sobre algumas coisas. Algumas eu estou mais permissivo a ter esse cancelamento, eu estou mais permissivo a alguém ter uma opinião completamente diferente e não querer me seguir mais na rede social porque nós somos meio diferentes. A rede social acaba...
não sendo democrática. Concorda? Vou te falar o porquê. Você passa a seguir uma pessoa e vocês convergem nos pensamentos. De repente, ela aparece com uma opinião que é contrária da sua. O que é que você faz? Não aceita e deixa de seguir. Para de seguir. Só que quando você para de seguir, aquela opinião, ela não existe mais ou você apenas não assiste mais ela? Então, você se aliena. Sem dúvida. Então, é importante que você, pelo menos, observe coisas que você não concorda.
Não podem ser coisas que afetam o seu caráter. A gente não pode falar de racismo, de preconceito, de coisas que são crime. Mas talvez será que você tem que parar de seguir todo mundo que tem uma opinião política diferente da tua? Mesmo que eu passe raiva.
Eu tô lá pra pelo menos entender o que o mundo tá na rua. Porque se eu gosto de um candidato e eu só sigo as pessoas que falam bem daquele candidato, eu também me aliento. Aquilo também pode não ser bom. Eu usei o exemplo da política aqui porque esse é um ao qual eu... Eu tenho opinião política? Claro que eu tenho. Mas eu tenho um ambiente de porta perto. Você viu quantas pessoas entraram enquanto a gente tá gravando aqui?
Eu não sei qual é a posição política dele. Eu não quero que ele seja... Não se sinta bem-vindo aqui. E se ele vem aqui, alguém que tem uma opinião diferente da minha, por que a gente tem que ser inimigo? Eu sei que é um pouco utópico falar isso, tá? Mas algumas eu sou um pouco mais permissivo de ser cancelado. Então, por exemplo, adultos com atitudes extremamente infantilizadas. Me incomoda.
Por que você se comanda com outro comando? Porque, putz, sei lá. Se a gente tiver uma guerra um dia e precisar de um adulto ir lá e defender a família dele, ele não vai conseguir. Nós estamos falando de adultos que vão para a rede social se prestar a um trabalho.
Pode ser a minha opinião, medíocre. Cara, qual que é a trend que mais tem no momento agora? Que eu tô vendo um monte de gente, um monte de adultos se render a fazer ela. Um monte de profissional que ele fala assim, cara, eu tô desesperado porque se eu não faço isso, eu não tenho engajamento. Ah, mas o engajamento é tão negativo. A gente tem, neste momento, enquanto a gente grava o podcast, existe uma trend rolando de um cara com mais de 60 anos de idade.
que ele coloca uma chuteira colorida, uma roupa de futebol, fica dançando de um jeito completamente desgovernado para a idade dele, jocoso, na minha opinião, pelo menos, e o conteúdo do jargão dele não é infantil. Não chega a ser uma coisa acéfalo.
Você não precisa falar por quê. Não é uma ideia, como muita coisa que tem na rede social. Só que aí eu vejo um médico, eu vejo... Advogados. E aí eu vejo os caras falando isso. Será? Será? Será? E eu falo, cara, me Deus do céu, por que alguém está tentando se render a isso? Bruno, se você não colocar a música que é trend no momento, o teu vídeo não vai ter engajamento. Tá bom. As poucas pessoas que verem, eu quero que eles vejam.
que eu prefiro colocar Sultans of Swing, do Dire Straits, para aquela foto que eu editei, do que colocar o MC Perereca. Mas é a verdade que você sempre falou, é a autenticidade. Prefiro, porque no longo prazo é isso que vai ficar. Porque, desculpa, alguém que tem hoje uma profissão séria, que estudou pra caramba e se rendeu ao desespero de ficar dançando, será? Será? Será? Será? Será? Será que esse vídeo vai estar no ar daqui dois anos se eu rolar o vídeo lá pra baixo? Tchau.
Uma molecada, eu vi um desses grandes da internet falando com um outro que era menor, com um jovem, e falaram assim, ó, você tá fazendo coisas que são bizarras na internet em troca de dinheiro. O lance que você tem que saber é o seguinte, hoje você tem 20 e poucos anos. Um dia você vai ter filho. Você vai ter orgulho do que ele vai ver? Esse vídeo é pra sempre na internet. Você realmente acha que com 20 e poucos anos você tá pronto pra tomar uma decisão pra quando você tiver 50, o teu filho assistir e ser sacaneado na escola? Por algo bizarro que você tá fazendo em conta de dinheiro?
Então, eu sou permissista, você quiser me cancelar por isso, para eu dar essa opinião de achar que adultos infantilizados são nocivos aos mais jovens?
são nocivos à qualidade do que... Porque tem gente que fala assim, cara, eu produzo um puta de um conteúdo técnico sobre isso, ninguém assiste, a rede social não distribui para ninguém. Então, eu vou fazer essa palhaçada para ver se com essa palhaçada eu consigo trazer cliente para dentro. Então, o Pão e Circo realmente funciona de maneira sistemática desde Roma. É verdade. Eu não estou nem falando de política aqui, tá?
Esquece a política. Eu não vou acessar essa parte que desperta o ódio entre as pessoas, mas você sacrifica o teu estudo, as tuas décadas de trabalho, de conhecimento, de luta, para fazer uma trend, para ver se alguém assiste o teu vídeo, sendo que você pega a tua imagem e mostra a pior versão dela.
É verdade. E eu gostei dessa história. Pega daqui a dois anos, três anos, vê se vai estar lá. E mais do que isso, mostra para o teu filho daqui a 15, 20 anos. Você vai ter a resposta. Como é que você faz para convergir? Você é forte no digital, verdadeiro, autêntico, assim como você é no presencial, mas é demorar nos dois campos. Como é que você faz? Eu já fiz muito dinheiro com o digital, puramente digital. Eu já trouxe muito cliente para dentro da Corleone.
com o digital. Recentemente, eu lancei uma lista de promptes como fotógrafo para que o GPT em 60 segundos editasse a foto como eu edito, que há muitos anos eu falo para as pessoas, cara, vocês têm que estudar, quer fazer um curso meu, está aqui o curso de edição. Aí eu vendo o curso, a pessoa assiste 12, 13% do curso e para, porque, pô, ele tem 9 horas, eu não quero aprender, eu queria fazer o negócio logo. Então, também, uma boa grana.
Sapir, você cliente aqui há muito tempo, percebeu que nas cadeiras ao lado das suas, sentou um executivo de uma empresa, um cara que se admira da outra, você fala, caramba, mas quanta gente bacana frequenta aqui. E você trabalha na Coca-Cola. Você chega pra mim e fala assim, Bruno, tua rede social, e aí fatalmente eu cresci muito na rede social.
por conta de foto que eu postava, de Corleone, de podcast que eu participei, produção de conteúdo, eu ensinava muitos outros a fazer foto. Sempre falei assim em diversas frentes. Então, eu tenho uma boa audiência nas redes sociais. Você chegava para mim e falava assim, eu trabalho na Coca-Cola, você vende Pepsi aqui. Eu venho aqui todos os dias, e tem tanta gente que eu admiro aqui.
Se eu contratar você para nas redes sociais tomar Coca-Cola e servir Coca-Cola aqui na Barberia Corleone, a gente faz um contrato de uns dois anos, você aceitaria? E aí entra uma grande virtude, eu acho que do adulto como um todo, que depois que ele passa da área que ele tem que fazer o que dá do jeito que ele pode, que ele já tem um pouco mais de controle, que é o poder de dizer não. É a virtude de você dizer não para alguma coisa que você não acredita 100%.
Mas acabou que muita gente que estava aqui no meu físico trazia coisas para eu abastecer o meu digital por conta das pessoas bacanas que frequentavam aqui e fatalmente me seguiam na rede social. Você vê, um cara do seu gabarito...
que me segue há tantos anos na rede social, você não começou a me seguir na rede social porque, nossa, Bruno é bonzão, eu quero aqui ver ele. Não. Você foi três, quatro vezes na minha barbearia, eu sempre estava lá, eu te recebia com um bom dia, eu na segunda vez sabia o seu nome, eu sempre abri um espaço para você colocar a tua bicicleta. Se você esbarra na minha rede social e tem umas fotos legais, o que acontece?
De maneira natural você me segue. Sim. Então, eu tenho um grande valor dentro do meu digital que nasceu daqui, do físico. E aí, muita gente aí depois de fora enxergou esse valor e quis abastecer cada vez mais o meu digital. Então, por exemplo, hoje a minha conta do Rally, o Rally é um esporte caro. Você que é o homem da tua família, eu tenho certeza que você tem a vontade de prover tudo para a sua família.
Então, você só vai comprar uma camiseta para você quando os seus filhos estiverem com as camisetas bonitinhas e a sua esposa também. E, se possível, a tua esposa ter duas.
Somos assim, não somos? Então, para que eu consiga pagar a minha conta do Rally, eu preciso de patrocinadores. Então, por exemplo, nesse ano todo, agora, você vai ver eu falando da SGT Tools, que é uma marca de ferramentas, que está montando toda a oficina na minha casa, que tem tudo a ver com o Rally, que todas as ferramentas da minha equipe agora são SGT Tools, que a minha garagem dos sonhos da casa nova, que eu, porra, batalhei muito para comprar, são todas com SGT Tools.
Mas olha como tem verdade nisso. Eu falei sim para a CT Tools, mas eu falei não para uma Bet. A Bet ia me pagar mais. Mas eu acho que o preço da Bet, para mim, como o Bruno, ele era muito mais caro do que eu ia manter.
A imagem do Bruno empresário, fundador da Corleone, trabalhador e tudo mais, que de repente faz um anúncio da Bet, você rendeu para a Bet, está quebrado, está lascado, agora tem que ir com coisa ruim. Pelo amor de Deus, inclusive uma das maiores Bet que a gente tem no país, muito séria, é cliente nosso aqui. Obviamente as Bet foram legalizadas, mas aí você tem 10.
players que são legalizados. Não era exatamente esse que me procurou? Talvez eu não estou no gabarito de um cara desse de fazer a bet. Era bet joguinho e tudo mais. O preço eu achei que ele seria muito caro. Não a bet de esporte que você aposta num time de futebol e tudo mais. Era essas de...
engana os outros, pega os seus seguidores e faz eles fazerem um joguinho aqui. Então, pra eu conseguir andar o rali, eu preciso de um patrocinador. Então vocês vão ver eu falando das ferramentas pra caramba. Combina, ferramenta. Você não é o cara que monta e esmonta as coisas, mas não é o que agride o teu feed. Depois de 12 anos, eu postado as ferramentas, uma coisa que você vai falar, pelo amor de Deus, que conteúdo chato. Vou parar de seguir o Bruno.
Assim como talvez se eu falasse algo que não é legal para a sua profissão, para a sua religião, para a sua opinião política, talvez essas coisas não seriam legais de eu ficar expondo a minha opinião.
pode ser que elas não converjam. Mas eu falar de uma ferramenta, de uma chave de impacto que tira qualquer coisa e eu mostrar tirando a roda do meu carro não é algo que sou agressivo. Então, eu uso muito o digital para abastecer o meu físico. Esse ecossistema vai e volta para tudo, mas ele é uma fonte de renda. Eu tenho uma empresa aberta só para administrar o que eu tenho de digital.
Que bacana. E é muito legal. Primeiro, a forma como você construiu lá de trás as suas verdades e a autenticidade, que é o que a gente vem falando ao longo do episódio. E como uma retroalimenta a outra. E como você organizou as duas, como a empresa efetivamente. Isso é muito interessante. A gente vem falando aqui, durante esse episódio, sobre a tua jornada, lá atrás, os dois anos com o seu pai, até o momento atual com a Corleone e essas várias unidades.
Mas eu queria conhecer um pouquinho mais o Bruno na pessoa física. O que você gosta de fazer além do trabalho? Atualmente eu descobri que eu sou um cara muito caseiro. Eu e a minha esposa, a gente tomou a decisão de... A gente morava num apartamento alugado, muito confortável, que eu não ia estar em BB. E a gente tomou a decisão de, então, comprar uma casa.
Essa casa foi embora, apartamento que eu tinha alugado, que me rendia aluguel. Ela foi embora para dar entrada uma boa parte de dinheiro ao longo dos anos que eu fui colocando lá na XP e que me rendia também uma graninha no mês. Uma casa do tamanho a qual eu comprei tem custos diferentes do que um apartamento. Só que, putz, uma casa com piscina, com jacuzzi, ela tem quatro andares, ela tem elevador, ela tem churrasqueira, ela é realmente a casa dos sonhos.
Não dá pra ter tudo. Vamos bater um carro caro, fazer 10 viagens internacional, querer colecionar relógio, ter a casa e sair pra comer 3, 4 vezes por semana nos restaurantes de São Paulo, que eu adoraria ganhar dinheiro pra tudo isso, mas não dá. Então, eu e a minha esposa, minha esposa já é muito caseira, a gente falou, vamos ficar quieto em casa?
Carnaval a gente passou aqui, fizemos churrasquinho todos os dias, eu e ela, e a gente se dá super bem e foi maravilhoso. O Bruno na pessoa física, aos 40 e poucos anos, diferente do empolgado dos 20 e poucos, diferente dos 30 e poucos que ainda queria se firmar, mas sabe lá de Deus pra quem, mas é natural, acho que é natural do ser humano, então o cara que queria ter carrão caro.
Esse já não existe mais. O cara que colecionava relógio, eu fui assaltado, levaram todos os meus relógios de uma vez. Não ligo mais. Então hoje, se você me perguntar o que é um tempo de qualidade, é chegar em casa, tomar um banho, pegar minha esposa, vamos no Obo Hortifruti, tem um monte de coisa que a gente compra.
Comida, fruta, volta pra casa, ligo a minha Thermomix, que não foi barata, mas eu faço um puta jantar pra minha esposa, a gente às vezes abre uma garrafinha de vinho, a gente bebe muito pouco, meus cachorros pedindo comida ali, latindo, sirvo eles, assisto um bom filme, abro um chocolatinho, deito numa cama muito confortável e acordo no dia seguinte e vou cuidar da minha saúde antes de fim do trabalho. Eu acho que...
O problema é que a pessoa fiz riscara. Ah, que legal. E é isso também. Esse tempo de qualidade é aproveitar com a família, aproveitar essa casa tão bacana. Aliás, parabéns. Fora todo o resto que você constrói. Então é importante você ter esse tempinho também aí pra você curtir. Pra fechar esse bate-papo tão bacana, eu já quero te agradecer. Que conselho que você daria pros nossos ouvintes? Não se afobe. Não tente fazer tudo uma vez. Mas principalmente quando as coisas derem certo.
Não tende a acreditar que você tem o tal do toque de Midas. Às vezes as pessoas fazem a gente pensar isso pelos elogios que elas fazem e tudo mais, e tem gente que pode se perder no meio do caminho. Em alguma hora, eu já esbarrei nisso. A maior parte das pessoas que eu conheço esbarrei nisso. Uma hora da vida tudo está dando tão certo que você se lambuza no chocolate.
Seja na vida pessoal, seja no trabalho. Não se afobe e não acredite que você é muito bom em tudo o tempo todo. Isso não existe.
Que bacana, fechamos com chave de ouro. Uma alegria te receber aqui, ainda em loco. Parabéns por tudo que você construiu. Muito obrigado. Obrigado por dividir essa jornada com os nossos ouvintes, trazer os bastidores, todas as histórias, com autenticidade, com verdade. Uma honra minha. É uma alegria. Muito obrigado. Obrigado, obrigado, obrigado. Valeu. Fim de papo. Se você gostou, recomenda para seus amigos. Se não, fala comigo que eu quero te ouvir. Até a próxima.
Este podcast foi editado por Felipe Mux.
Sorte
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