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Labirinto: Bowie e um cinema que não existe mais | Cinematografia | EP. 37

03 de maio de 20261h31min
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No episódio 37 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni analisam Labirinto, o avesso do conto de fadas: uma dark fantasy sobre o amadurecimento e tudo o que ele implica: o abandono da infância, a travessia pelo desejo e o enfrentamento dos monstros de uma nova fase da vida.

Dirigido por Jim Henson em 1986, estrelado por ninguém menos que David Bowie no papel do Rei dos Duendes e por Jennifer Connelly como Sarah, o filme transforma bonecos, animatrônicos, música pop e grotesco em uma jornada de iniciação. Entre o fascínio nostálgico e o estranhamento contemporâneo, o episódio investiga o que ainda pulsa nesse clássico cult dos anos 1980 — e por que seu cinema artesanal parece tão distante do que se produz hoje.

🎥 Neste episódio, a conversa passa por:

•⁠ ⁠O labirinto como rito de passagem, para além de pura fantasia.

•⁠ ⁠O quarto de Sarah como mapa visual da memória, do acúmulo e da infância em despedida.

•⁠ ⁠O papel de Bowie como Rei dos Duendes numa fantasia ambígua, entre desejo, perigo e performance pop.

•⁠ ⁠Os animatronics como cinema artesanal em extinção.

•⁠ ⁠O grotesco como linguagem visual, repleto de monstros e contos de terror.

•⁠ ⁠A inesquecível trilha sonora de David Bowie.

•⁠ ⁠Os anos 80 como imaginário cult.

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Assuntos7
  • Simbolismo e Temas de LabirintoSexualidade e amadurecimento feminino · O labirinto como metáfora da puberdade · O irmão como símbolo da infância · O grotesco e o medo · Influências de Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz
  • Análise de Labirinto (1986)Labirinto como rito de passagem · O quarto de Sarah como mapa da memória · David Bowie como Rei dos Duendes · Animatronics e cinema artesanal · O grotesco como linguagem visual · Trilha sonora de David Bowie · Anos 80 como imaginário cult
  • Influências e Parcerias em LabirintoJim Henson e sua obra · George Lucas como produtor · David Bowie como escolha para o Rei dos Duendes · Terry Jones e o roteiro · Brian Froud e o design das criaturas
  • Tom Zé inspiração musicalLabirinto como musical e videoclipe · Atuação de Bowie como Rei dos Duendes · Músicas icônicas: Magic Dance, Chilly Down, As The World Falls Down · Influência da Motown e do glam rock · Diálogo retirado de filme de 1947 em 'Magic Dance'
  • Efeitos Especiais e Práticos em LabirintoPrimeiro CGI: a coruja · Uso extensivo de animatrônicos e puppets · Trabalho artesanal e manual · Comparação com produção moderna de CGI
  • Jennifer Connelly em LabirintoPerformance aos 14 anos · Desafio de atuar com animatrônicos · Comparação com Leonardo DiCaprio · Outros trabalhos notáveis de Connelly
  • Cenário e Direção de Arte de LabirintoO túnel de mãos · Influência de M.C. Escher e 'Relativity' · Cenários práticos e complexidade de produção · Comparação com Yu-Gi-Oh! e Michael Jackson's Moonwalker
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Cinematografia episódio 37, gravando, eu tô sem claquete, viu gente, eu fiz um livro aqui hoje, não tinha nada melhor na mão. Bem-vindos ao Cinematografia Podcast, o seu podcast da escrita do cinema, e hoje a gente vai ser mais uma vez nostálgico aqui, pelo menos eu, não sei os meninos.

E vamos falar de mais um grande clássico cult dos anos 80. E eu sou a Flávia Ariello. Fernando de Alonés. Não interessa quem eu sou. Você é nada. Olha, o próximo clássico cult dos anos 80 que a gente vai trabalhar em algum momento, eu acho que tem que ser História Sem Fim. Eu lembrei do nada. Você assistiu Jason? Não.

Olha, eu acho que você vai gostar muito. Porque é um filme infantil muito niilista. Infantil?

Infantil, nesse sentido do infantil que a gente vai trabalhar hoje. Ele é infanto-juvenil de processo de crescimento, né? Já adiantando um pouco aqui... Tem a mesma vibe, hein? Isso que eu ia falar, já adiantando um pouco aqui, engraçado, né? Eu sou da época do História Sem Fim, mas acho que eu não me conecto tanto nesse filme, pelo mesmo motivo que eu não me conectei muito nesse. Mas vamos que vamos.

falando em crianças falando em crianças, eu tenho uma observação sobre o Michael observe gostaram da transição, né? pelo gancho, pelo gancho falando em crianças eu sou revisor oficial do cinematografia o que significa que eu me torturo vendo todos os nossos vídeos do começo ao fim assim que eles são lançados, né? e no episódio passado em que a gente comentou o Michael e no episódio

Nós falamos, e principalmente eu, falei muito mal do editor-chefe do filme, só que em momento nenhum eu citei o nome dele. E eu me referi ao John Ottman, que é esse senhor que é um péssimo editor e ele continua recebendo propostas de trabalho milionárias, eu não sei porquê.

do tipo de gente que eu sou a favor de sacrificar de alguma forma para algum Deus. Então John Otman é justamente a pessoa de quem eu falava e que, enfim, prejudicou pra cacete o Michael. Mas aí daqui a 10 anos, quando a gente revisitar a primeira parte e a segunda, aí a gente volta a falar mal dele. Bom, aberto um parênteses super necessário aqui para o Jason falar mal do cara.

E conectar o Michael a essa história que, querendo ou não, tem a ver. E eu vou mencionar isso daqui a pouco com vocês. Tudo a ver, tudo a ver, né? O filme de hoje, gente, é Labirinto de 1986.

com ninguém menos do que David Bowie, no principal papel de alguém que pode ou não ser vilão. Em princípio é, mas eu não tenho certeza que de fato, olha só, o Fernando já coloca ele maravilhoso. Que isso, hein? Agora estou muito na tecnologia. É assim, é assim que a gente quer começar.

Olha, e eu vou já apresentar o seguinte aqui pra todo mundo que tá nos vendo e nos ouvindo, que é... A escolha desse filme pra discussão foi minha, porque David Bowie foi meu primeiro crush. De que eu me lembro por gente. Exatamente porque eu assisti esse filme muito novo, o filme de 86. Ele tá completando 40 anos e é por isso que a gente tá falando sobre ele também.

Mas acima de tudo, David Bowie me formou enquanto gente no mundo. Então é esse David Bowie que me formou de labirinto. E depois disso eu fui conhecer o David Bowie de Christiane F. E todos os outros filmes que ele foi fazendo. E finalmente toda a filmografia dele. Mas é ele que foi o meu ídolo.

já, sei lá, aos oito anos, sete anos de idade, quando eu assisti esse filme pela primeira vez. E talvez esse tenha sido um dos filmes que eu mais assisti ao longo da vida, exatamente porque eu comecei muito cedo. E cada fase da vida eu fui reassistindo e reinterpretando esse filme conforme as minhas próprias fases, que é algo que tem muito a ver com o que a gente vai discutir aqui do próprio enredo e do próprio roteiro do filme. Mas eu já queria mostrar e começar com essa imagem.

do David Bowie, porque ele é o rei dos duendes, The Goblins King, e é icônica essa imagem do David Bowie aqui. Foi pra vocês também, gente?

Aliás, vocês dois assistiram o filme pela primeira vez agora, não foi? Exatamente. Me fale um pouco sobre isso. Olha, é complicado, né? Porque esse filme talvez eu já deveria ter assistido. Mas como eu disse, eu acho que na minha infância, o que guiou o meu gosto...

audiovisual, foi o que os meus pais colocavam pra mim, entendeu? Eu não tinha acesso... Eu não era criança de ir na locadora ou de ver alguma coisa, né? Eu gostava muito, sei lá, de quadrinhos, de jogar bola, de outras coisas e tal. Cinema, pra mim, nessa infância muito jovem, quando esse filme foi lançado, era...

Era um entretenimento diferente. E eu vou confessar pra vocês que, assim, eu começo muito novinho, com uns 9, 10 anos a me interessar pro cinema, mas eu já fui direto pro Robocop, pro Exterminador Futuro, eu gostava de tiro, porrada e bomba, carros explodindo e tal. E confesso que, acho que a Flávia sabe melhor bem disso, né? Eu não sou um cara muito que alimenta ou tem muitas fantasias. Entendeu?

Então, assim, eu gosto da fantasia geralmente sci-fi ou tecnológica, mas a fantasia mágica, misteriosa, cara, eu não sei porquê, acho que é um defeito de fábrica, um erro de caráter, né? Eu nunca fui lá. A fábula, né? A fábula, exatamente. Eu particularmente... O mito!

mito, vocês já estão entendendo onde eu quero chegar com o meu depoimento, né, infelizmente eu nunca fui muito disso, e aí esse tipo de filme não me pegou, assim como História Sem Fim então é um tipo de coisa assim, História Sem Fim passava muito na sessão da tarde, sempre que eu começava a ver assim e aí

Esses bichos aí, parece marionete e vaza. Tá ligado? Por que é? É, não é. É, não, tô ligado. Mas por isso que eu falei, é uma falha de caráter em mim. Eu tinha um pouco... Eu até gostava de Muppets. Ok? Muppets. Mas porque daí não era fantasia. Eu gostava de TV Colossos. Que eram bichos e marionetes.

Então não, essa é a questão. O diretor desse filme aqui é o diretor, o criador de Muppets. É o Jim Henson. Mas eu acho que o Muppets já tinha uma pegada, eu falo mais adulta, é esquisito falar esse, mas um pouco mais complexo. Mas é. Esses filmes, não sei se eu também tinha um pouco a ideia de filme de menina, e aí isso é um problema quando você é um jovenzinho, né?

sei lá, você não fica... Vamos lá, eu nasci em 84, não existia o homem desconstruído ainda, existia a coisa de menino e a coisa de menino. Então, assim, nunca ninguém vai chegar e, oh, assiste Labirinto, tem o David Bowie andrógeno e uma menina é protagonista. Entendeu? Tipo, não tinha... Infelizmente, passou batido mesmo, e eu também nunca...

gostei muito desse tipo de animatronas. Por exemplo, quando eu assisti o Star Wars e tem aquela cena do... no café, que é um monte de bonete. Eu não faço ideia. Não faço ideia disso. É um clássico. Não.

É uma hora que eles estão dentro de um café, entra o Han Solo e a turma lá, e tá tocando jazz e tal. São muitos bonecos, assim. Eu lembro de ter olhado aqui e falado, nossa, que fake. Eu acho que eu tenho um problema muito de não conseguir entender uma subjetividade nessas coisas. Pra mim parece fake. E aí eu fico prestando atenção no... Sabe um vale da estranheza expandido? Sei lá, algo do tipo. Faz sentido. É, não sei. Tô chutando. Mas é um ótimo filme.

Eu compartilho da mesma ideia, não sou alguém que curte filmes fabulares assim como esse, apesar de que esse filme se parece muito com Star Wars nesse sentido mesmo, de você ter uns bonecos naquela época entre 70 e 80.

não tinha como disfarçar muito, né? Ou você colocava um boneco ali, ou você fazia alguma coisa animada. E quando você colocava um boneco, de fato, a precariedade se mostrava. Mas eu acho isso um puta charme dos anos 80. E dos anos 90 também. Então, por exemplo, isso lembra muito alguns aspectos de Star Wars, principalmente desde o primeiro de 74 até o segundo e o terceiro, a segunda trilogia, que é a original e que é a melhor, como todo mundo sabe.

Lembra muito a família dinossauro, a estética das criaturas, a família dinossauro. E ele vem dois anos depois dos gremlins, né? Então também lembra gremlins. Inclusive parece que tem gremlins ali pelo filme todo na floresta, né? Fora o David Bowie que parece a transformação de um gremlin.

Lembrando aos que nos assistem só pelo áudio, depois se conseguirem, dê uma olhadinha porque a gente está exibindo as imagens. Então, por exemplo, no momento está no ar uma imagem dos animatórios do filme que parecem muito os Grêmios, que são os Goblins que parecem os Grêmios.

Gente, isso é muito legal, porque a gente tem que lembrar o seguinte, existem três parcerias aqui, eu diria quatro até, que dão o tom desse filme, que são muito importantes, elas não vão ser absolutamente reconhecidas em um primeiro momento, mas hoje sem dúvida. Primeiro, o criador e diretor é o Jim Hanson, que como eu disse, é o criador de Muppets, é o criador de Vila Sésamo.

E aqui, nesse caso, a gente tem uma versão dark. É como se você pegasse, de fato, os Muppets e jogassem eles num universo meio esquisito. Então, você tem uma transformação para que um adolescente conseguisse se reconhecer, e não mais uma criança. E os adultos, talvez, por conta principalmente do David Bowie. Então, é o Jim Henson, que é um gênio da criação.

quem é o grande produtor desse filme? Vocês já mataram a charada. O produtor é George Lucas. Então não é mera coincidência. Exato, não é mera coincidência. A gente tem então um gênio da TV americana com os bonecos, um gênio da criação do Star Wars e de tudo que isso implica, que é construção de várias mitologias em torno disso.

E depois tem a figura do David Bowie, porque quando o Jim Henson pensou essa estrutura, ele falou que precisa ser um astro do rock ou do pop. E aí quem são as pessoas que vieram à mente em 1986? Na verdade, ele começou dois anos e meio, três anos antes. Então joguem para 1980, ok? Quem? Quem poderia ser? Michael Prince, com certeza. Michael Prince, acertou, acertou.

Rolling Stones ou Mick Jagger e depois, obviamente o nosso deuso máximo, que é o David Bowie. Eu consigo, de fato olhar pra esse filme e enxergar quase todo mundo. Hoje eu diria Lenny Kravitz Eu também

Né, Jason? Eu colocaria uma galera aqui que funcionaria muito bem, mas o Bowie... Ah, ele grudou na imagem. Mas seria possível. E, pasmem, há indícios que talvez haja de fato uma refilmagem ano que vem. Vamos colocar quem no lugar.

O problema não é quem é quem vai filmar, porque depois do último filme eu fiquei com o pé atrás. E eu não sei até que ponto isso é verídico. Depois comentem aqui se vocês ouvirem algo sobre, ou se isso foi uma fake news, mas seria o Robert Egers. Nossa. Pois é. Se bem que eu acho um bom filme pra ele.

Então, veja, eu achava que Nosferatu talvez fosse também um bom filme pra ele, mas não foi. Então, quem sabe? Não, mas combina porque você tem um fator libidinoso aí no meio, né? E ele vai adorar fazer isso. Ele vai adorar, ele vai colocar... Ele vai transformar isso daqui numa grande bacanal. É, exatamente. Então é a cara dele, com certeza. Agora, quem vai ficar no papel do popstar? Isso que é complicado. E eu colocaria, sem dúvida, o Lenny Kravitz hoje. Justin Bieber, nova geração.

Pelo amor de Deus. O M, né? Vamos fazer versão ré. E aí tá faltando a terceira pessoa aqui. A quarta pessoa, na verdade, né? Eu já falei três. A quarta pessoa é alguém muito pouco conhecida, mas pra mim, especificamente, é reconhecível no universo das artes, que foi alguém que ajudou a manipular um dos marionetes e que deu voz a esse marionete. Ele foi uma das pessoas que ajudou a manipular o Ludo, que é o maior marionete de todos aqui.

E ele se chama Ron Mewick. Não tem o Ludo, infelizmente. Eu não coloquei ele. Não temos. Uma pena. Não temos o Ludo. Olha o Jim Henson. Eu consegui pegar o Jim Henson aqui. Deixa eu ver se eu consigo pegar o Ludo. Com todas as suas criações. Procure o Ludo, por favor, Fer. Sabe quem é o astro do rock que eu colocaria ali? Já que vocês mudaram de assunto. Claro, vocês não deixaram eu responder. Eu colocaria o Johnny Depp. Ok. Para fazer esse papel.

E se você quiser fazer uma coisa mais woke e colocar uma mulher no lugar, eu escolheria Lady Gaga. Eu acho que ela faria um excelente papel de homem do saco estuprador aqui, que é o que o David Bowie faz. Caraca. Mais ou menos isso. Viu? Mas Johnny Depp não é exatamente um astro do rock, ele é só um astro.

Ele é um astro do rock. Eu sei que ele canta. Ah, ele canta, mas gente, vamos lá. É que ele é um astro do rock hoje, né? Então hoje em dia você não tem mais o componente de astro que você tinha nos anos 80, né? Exato, exato. Mas é, eu aceito as duas versões aí, mas a Lady Gaga seria sensacional também.

E voltando, quem é o Ron Muir, que depois vocês procurem, ele hoje é um grande escultor de obras em hiperrealismo ou hiperrealidade. Teve uma exposição dele há alguns anos em São Paulo que foi maravilhosa. Linda, eu fui quatro vezes nessa exposição. Meu Deus, que coisa, foi maravilhosa, foi maravilhosa. Foi na Pinacoteca, né?

Foi linda, belíssima, e ele tá aqui, ele é um dos responsáveis. Então, olha que interessante o quanto esse filme impactou a carreira, porque, em princípio, ele ainda não atuava enquanto um grande escultor. E, enfim, cá estamos com o Romilk sendo um dos principais do hiperrealismo hoje. Então, gente, tinha como dar errado?

Não, vai dar errado em princípio. Mas é por isso que a gente está aqui falando sobre esse filme hoje, que em princípio seria algo infanto-juvenil. Eu classificaria como uma fantasia infanto-juvenil de crescimento. É rito de passagem.

Da menina pra mulher, em princípio. Com tudo que isso implica, inclusive com essas questões sexuais que ficam implícitas o tempo inteiro, de vez em quando elas afloram, e a gente tá dentro de uma grande fantasia dessa menina que tá crescendo, que tá deixando de ser criança e tá se transformando em mulher, e tem algumas coisas no caminho que ela precisa resolver ali, né?

E realmente, no principal papel, temos a Jennifer Connelly. O que vocês têm a dizer sobre ela?

Maravilhosa, né? Deixa eu ver se eu tenho uma foto legal dela. Olha o rosto dela novinha. 14 aninhos. Eu acho que assim, você nota que, veja, 14 anos ainda não era a maior interpretação do universo, mas eu acho que ela segura bem o filme, apesar da idade, né? Porque veja, o filme é basicamente ela, o David Bowie e um monte de boneco.

Então não é um desafio simples do ponto de vista da interpretação, porque ela e o David Bowen, bom, tem a criança, perdão, esqueci do bebê. Bebê. Mas tem... É, mas vamos lá. É uma dificuldade a mais, inclusive, o bebê. Exatamente, né, cara? Então, assim, eu acho interessante como ela consegue dar vida a esse personagem e tal. Eu acho ela uma adolescente emburrada, muito padrãozão, mas daí acho que não é muito ela, acho que é o roteiro mesmo que acaba privilegiando essa postura, né?

e, sei lá, ela é muito bonita e já mostrava um talento. Sabe o que eu sinto? Ela é muito parecida com os primeiros filmes do Leonardo DiCaprio. Você sabia que tinha, às vezes, uma potência latente de interpretação, de estrela, mas 90% pegaram ela porque ela era bonita nesse começo. E aí, ó, se melhorar, é bom, mas se não, pelo menos vamos ficar com essa moça bonita aqui, essa jovenzinha, 14 anos.

O que que eu posso dizer dela?

Naquela época, as garotas tinham cara de mulheres. Já. Entendeu? Então, assim, ela me parece uma mulher muito linda. Já uma boa atriz. Pelo que eu vi, é que ela tem alguns filmes realmente muito bons. E outros filmes, assim, medianos, né? E a maior parte deles eu não assistia. Eu vi que ela fez dois Homem-Aranha. Eu nem lembro quem ela fez nesses dois Homem-Aranha, que são recentes, inclusive.

Mas assim, ela é a gostosa do Top Gun Maverick, né? Então, assim, eu acho ela sempre encantadora quando ela tá em tela. Mas aqui ela faz o papel de uma menina que realmente tá na puberdade, né? E, sei lá, eu acho o papel dela... Eu concordo com vocês, o papel dela é meio bobo. Porque ele representa essa fase meio tonta mesmo do desenvolvimento humano, né? Mas a parte disso, eu gosto bastante dela.

Eu acho que assim, ela tem uma beleza Magnificante Magnética Magnética Ela era, você entendeu Você fica olhando, ela não precisa falar nada Você fica olhando pro rosto dela, as dimensões do rosto O nariz, a boca Você fala, poxa, parece uma coisa bela mesmo Entendeu?

Como eu falei, o DiCaprio era muito assim no começo também, sabe? E aí, acho que isso ajuda, né? Acho, com certeza ajuda pra atuar em Hollywood, pra conseguir os papéis. Mas acho que ela consegue segurar, assim. Até porque, eu vi até uma entrevista depois dela falando que o Boi ajudou muito, ela se sentia à vontade. Porque você imagina a pressão, né? Ela sendo protagonista de um filme aos 14 anos.

E, contudo, essas dificuldades de produção, complexidades de produção com animatronis, com interação... E, se eu não me engano, ela só tinha feito um breve papel num filmaço chamado Era Uma Vez na América, um grande clássico, e aí feito uma ponta ou outra em um determinado clipe.

Fez Duran Duran, fez algumas coisas assim. E esse filme, de fato, foi uma apresentação dela enquanto protagonista. E ela diz, aliás, gente, esse é um filme que vale a pena vocês irem atrás dos bastidores. Eu assisti várias vezes também um documentário de uma hora chamado Inside the Labyrinth.

que vai narrar absolutamente todo o processo de criação e conversa com o Bowie, conversa com ela, conversa com o George Lucas e com o Jim Henson, com todo mundo, mostra o desenvolvimento de cada um dos bonecos. A gente chama de Muppets e Animatronics porque tem os dois, tem Muppets sem a parte robótica, mas a maioria tem a parte robótica, que é muito interessante. Muppets, não?

Eu falei Muppets, perdão. Pronto, falho. É Puppets, obrigado. E aí a gente tem todo o trabalho dos títeres, ou os titereiros, escolham Master of Puppets. E é muito legal porque esse filme é radicalmente prático. A gente está em 86.

Ainda que... Nossa, eu já mudei de assunto, né? Já vou voltar na direita do microfone ali. Mas ainda que a gente tenha a primeira... Primeiro efeito de CGI. CGI é facsímil, assim, verossímil... Facsímil, isso. Que é a coruja da abertura.

Aquela coruja é o primeiro CGI. Não sei se exatamente o primeiro de fato, mas é o primeiro grande CGI que foi visto e foi reconhecido pela indústria cinematográfica. Realmente, que beleza aquela abertura com aquela coruja voando para dentro do filme, literalmente. Ela sai dos créditos e entra no filme. A gente acompanha. Muito bonito, muito bem feito. E é só todo o resto.

é prático e isso é muito lindo as novas gerações não sabem o que é um filme com efeitos completamente práticos desse tanto então tá aí uma boa oportunidade pra você assistir né você acha que o Jorge Lucas não colocaria um um CGIzinho né pra começar o dia

Mas só para finalizar, a Jennifer Connolly, de fato, ela encarou isso como um grande desafio e se divertiu, porque ela ainda era, de fato, ela era essa adolescente em processo de crescimento e fazer isso com o David Bowie do lado, meu Deus, que privilégio, que privilégio teve essa menina, maravilhosa.

Eu tava checando aqui os fatos e ela faz uma... Ela faz a voz de uma inteligência artificial da roupa do Homem-Aranha, o que mostra a cagada que é o Homem-Aranha da Disney hoje em dia. Isso por si só já mostra o lixo que é esse Homem-Aranha. Mas... Puta papel, né? Assim, ela faz uns papéis tipo, muito classe J, sabe? Mas assim, ela... Eu acho ela uma boa atriz, cara. Uma boa atriz. Cara, ela fez Requiem para um sonho.

Baita filme pesado. Aliás, acho que é o melhor filme dela. Ah, ela... Bom, tem outras coisas legais também, mas sem dúvida. Ela fez Polo aqui, que foi bem legal. Uma Mente Brilhante, ela também tá bem. Diamante de Sangue, se não me engano, é uma ponta. Ela fez muita coisa, né? Fez Pastoral Americana e Expresso do Amanhã. Tem muito filme bom aqui, né? É uma baita atriz, de fato. Quem tiver a possibilidade de estar vendo aí, eu coloquei com a cheia coruja em CGI.

Poxa, essa coruja tá com o cabelo que lembra o Trump. Então é isso. Eu ia falar Gugu, mas pode ser o Trump também. O Trump é mais um bravo. Que horror. Mas conta com a mãe.

que medo. Mas, cara, se você parar pra pensar é complexo, tá vendo? Você tem penas e tal, você tem um nível de... Não, uma boa renderização. Um fotorrealismo. E o filme é de 86? 6. 6. Começa em 82, 81. E o Harry Potter vai beber bastante dessa fonte aí, tá? Porque tem uns takes muito parecidos ali da Ed Virges, se não me engano, que é a coruja branca que é a correspondente na carteira do...

de Hogwarts lá que vai levar as cartas pros outros mensageira dos correios deles essa simbologia da coruja e sabedoria o povo adora, né? mas é que nesse caso a coruja é o próprio Bowie, é o animal que se transforma no Goblins King, né? Então isso é muito bonito também, inclusive lá no final, a hora que ele se transforma, ele tá com uma roupa que lembra apenas mas

meio etérea, aquele negócio lindo de plumas, todos os... o figurino do Bowie aqui é muito icônico, ele troca aqui três, quatro, acho que cinco vezes de figurino,

Aqui é essa cena. Depois eu quero que a gente volte nela. Mas aqui a gente consegue ver a beleza da Jennifer Connelly. Como eles transformaram ela praticamente numa mulher aqui. Que coisa linda. Ainda assim uma princesa, mas já... Um tom...

E aos jovens que nos assistem, o pessoal, era muito comum mesmo, festa de 14, 15 anos, as meninas se vestirem com grandes vestidos, parecendo mulheres e tal. Parecendo mulheres adultas. Ah, mas é mais isso, né? Existia uma tentativa muito grande da jovem emular a mulher adulta. Porque elas eram mais maduras mesmo.

Só que hoje você tem uma ideia de precocidade, não necessariamente de maturidade. É, exatamente. E eu acho que é interessante, porque é um filme de 86. E as mais velhas são retardadas. 40 anos que o bichão já apareceu. Então, a gente tem que tomar cuidado pra não ver algumas coisas talvez um pouco anacrônicas.

Por exemplo, o personagem David Bowie tá na cara que é um cara mais velho. E ele é meio apaixonado, né? Ele tem um crush na personagem. Ele tem uma tara na personagem. Pô, eu tava tentando dar uma segurada, mas é isso mesmo. Mas aí que tá. Mas, gente...

Não se esqueçam que tudo isso é uma grande fantasia dela. O Dede Bowie aqui representa a idealização da fantasia da menina de 14 anos. Então se existe uma tara, na verdade foi ela que construiu essa tara, em cima de um homem que é andrógeno, maravilhoso, mágico e maldoso ao mesmo tempo. Ele é violento.

Ele tenta matar ela, algumas vezes. Esse eu acho que é o maior acerto do filme, nesse sentido, que ele é bem focado em traduzir, mesmo que através de fantasia, todo esse processo de amadurecimento, despertar de desejo, pode ver, ela tá adultizando ali, né? O que eu quero dizer com a minha frase assim, não sejamos anacrônicos, é justamente por isso. É um super tema importante pra ser discutido sobre as meninas jovens, certo?

a sexualidade dela despertando, ter que deixar a parte da infância e tudo mais, e a galera ia ficar preocupada, não, não, o cara é mais velho, sabe? Então, esse negócio assim, sim, mas mulheres novas, às vezes, tem mais taro em caras velhos nessa etapa. Eu bem que sei, porque quando eu tinha 14 anos, não sobrava ninguém pra mim, eu só queria saber dos mais velhos.

Era difícil, era difícil. Não, e eu como menina, que também digo exatamente assim, sem dúvida, isso é um processo que acontece no desenvolvimento da passagem do tempo e da sua posição.

Dentro do mundo, você começa a ter desejos que você não tinha antes e você não sabe lidar com isso. Então você joga pra fantasia, você renega suas coisas de criança, porque agora você quer se tornar uma adulta e fazer coisas de adultos. Então assim, e veja que...

não é bem a ideia de inocência perdida, mas é esse processo de descoberta, e que é doloroso por quê? Porque você tem que abandonar de fato algumas coisas, e é o que ela está fazendo, ela está aprendendo a ser responsável, a cuidar de alguém, que é o irmão que ela odeia, porque não é filho da mesma mãe, porque ela tem uma madrasta, e aí vem todos os conceitos de família e tudo mais aí por trás.

Veja, o filme trata dela tentando salvar o irmão, que é sequestrado por uma criatura por quem ela tem uma certa tara sexual. E ela tem que passar por um labirinto pra chegar até lá. Então assim, o irmão representa a infância que ela tá tentando salvar. O labirinto é justamente o conjunto de obstáculos que você tem entre ela e o crush dela.

Então é muito interessante como você tem essa representação muito clara ao longo do filme, por exemplo, quando ela fica tentando marcar onde ela tá com o chão, com giz vermelho, que você pode até supor que pode ser. É um batom, na verdade. É um batom, né? Só que é um batom vermelho, né? Que é também um símbolo de menstruação, entendeu?

E, ao mesmo tempo, você tem as criaturas que ficam invertendo a direção do caminho dela. Ou seja, você tem componentes que confundem o processo de maturidade dela ao longo do tempo, que é a tradução da puberdade. Você está confuso, você fica desorientado, você vai para um lugar, acha que tem que voltar pelo outro. Então, o labirinto em si é uma excelente representação de como você consegue... Qual é o geneva?

Não consegue necessariamente, mas como que você acaba ficando perdido durante essa idade. Ao longo dessa fase infernal terrível que é, onde você tá descobrindo o próprio corpo, e de repente você se entrega fisicamente pra alguém, como é o caso dela, de forma literal, no fim do filme, essa coisa toda, né. Então...

Uma coisa que eu acho bacana disso tudo que a gente está falando aqui é que, assim, nessa época, até um pouco mais... Sei lá, até o início dos anos 2000, por exemplo, você conseguia fazer filmes que tinham um duplo sentido muito claro. Por quê? Você queria expressar uma mensagem, só que para atingir um público infantil, naturalmente você não pode...

transmitir essa mensagem como se você estivesse falando com um adulto. Então você torna essa mensagem fantástica pra que você consiga realizar a ideia e não seja algo, sei lá, não fique algo escancarado pra um adulto como, sei lá, um porno chanchado, alguma coisa assim, sabe? Então você infantiliza a situação justamente pra poder possibilitar a mercadologia do filme em si. Então isso que eu acho bem bacana. E que falta muito hoje em dia.

Eu acho que uma coisa super legal, até consegui trazer um pouco da imagem aqui, é tudo bem em linha com isso que o Jason falou, ou como o quarto dela simboliza essa transição. Inclusive, basicamente, a história toda se passa no quarto dela. Se a gente for entender...

e ela tá meio na cama ali, e os elementos que estão no quarto dela vão aparecendo na direção de arte. Então, você pode ver ainda, assim, um dos signos que ela tem, ela tá sempre abraçando um ursinho, bababá, no final ela entrega o ursinho pro irmão mais novo, quer dizer, ó, não tô mais brincando de ursinho. E tem várias cenas, eu não peguei um take, em que ela destrói o quarto.

E pra ela conseguir destruir o quarto, ela tem que parar de ser acumuladora, que é aquela animatrônica, né? Aquela velhinha. Nossa, aquilo ali é pesado. Então, mas é uma... É a senhora do lixo. E é uma super alegoria, ou seja, pra você adultizar, você tem que parar de acumular as coisas da infância e deixar sair, entendeu? E é interessante que quando a gente faz um paralelo, quanto mais ela vai acumulando, de repente, blum, ela cai dentro do quarto dela, que é essa metáfora concretizada do acumular coisas da infância, né?

Memórias de um Caracol. Memórias de um Caracol, Jason. Aliás, gente, vejam, eu e Jason fizemos um cinematografia dessa animação linda, difícil, que é Memórias de um Caracol. Volta lá nos nossos primeiros vídeos, vejam, tem muito a ver. Sem dúvida, o diretor daquele filme conhece Labirinto e entende. Com certeza.

Qualquer relação que tem aqui. Total, total. Muito bem lembrado, Jason. Sobre isso, inclusive, gente, eu acho que esse filme, ele tem uma questão muito sinistra e que vem do roteiro que teve uma participação muito especial, que foi o Terry Jones. Terry Jones é um dos Monty Python, é um dos mais sinistros. Acho que ele só perde pro Terry Gilliam.

São os dois Terrys, né? O Terry Gilliam é o mais complicado, porque daí ele vai para umas distopias muito doidas, mas o Terry Jones também não está muito longe disso. E ele ajuda a escrever o roteiro junto com o Jim Henson e com um terceiro. E é muito perceptível notar isso exatamente, não só nas próprias criaturas, porque essas criaturas foram...

elaboradas, desenhadas e pensadas por um desenhista brilhante chamado Brian Freud. Inclusive, o bebê Toby era o filho dele.

que da hora de saber o bebê é filho dele e poxa, ele simplesmente é o pai de todas as criaturas, então ele idealiza junto com toda essa galera e o Jim Henson torna isso possível só que juntamente com isso a gente tem esse brilhantismo dessa cabeça louca e grotesca do Terry Jones o que é muito importante, então esse é o ponto que eu queria trazer porque dá medo

É algo que você não tá entrando num reino de contos de fadas, em princípio. As fadas, lembrem bem, no início do labirinto, tá o Rogo, que é o principal. Elas mordem. Ele tá lá jogando inseticida, do tipo, aqui fada não tem lugar. O que você encontra aqui? Monstro.

Olha, isso é lindo. E os monstros são medonhos. Está todo mundo feio. Todo mundo é. Nariz muito grande, desproporcional. Orelhas e chifres. E você vê rugas, você vê bolotas. É tudo muito grotesco. Aqui, pronto. Para no rogo. Obrigada, Fer.

Esse é um dos personagens principais. E aí vamos lá. Então a gente tem o David Bowie no papel do Jarrett. A Jennifer Connelly no papel da Sarah. O Toby é o Toby mesmo, porque é um bebê e chamavam ele pelo nome. E aí a gente tem todos os puppets. Alguns muito complexos. Esse é o mais complexo de todos, porque aqui a gente tem um híbrido. É uma fantasia, portanto temos uma pessoa.

Com nanismo, vestindo... Aliás, muitos anões participaram como atores. Então, a pessoa era uma mulher. Ela vestia a roupa e portava a cabeça, que aí sim era um animatronic. Era um robô com 18 motores para mexer cada um das pálpebras, das rugas, da boca, do olhar, da sobrancelha, das orelhanas. Tudo mexe.

Cara, isso é brilhante. Ou seja, do pescoço pra baixo tinha uma pessoa e essa cabeça era toda animatrônica. Muito louco. Como ela enxergava e respirava, eu não sei. Não, o louco deve entrar, né? Porque o do Ludo, que era muito grande, eles tiveram que fazer uma abertura. Cadê o Ludo? O Ludo, eles faziam turnos de pessoas dentro dele, porque uma pessoa só não suportava.

E aí tinha uma TV, tinha uma câmera no chifre dele e uma TVzinha dentro da fantasia que a pessoa lá dentro olhava pra onde andava e aí ele ficava ali um tempo, realmente respirava muito mal e aí trocava com outra pessoa depois, né? Porque isso, gente, é um gigante.

Ele tá acachado, né? Mas olha a proporção da mão dele em relação a ela. Mas é tudo brilhante. Agora, o Hogle, de fato, é o mais interessante, porque ele é um protagonista também. E a Jennifer Connelly fica contracenando com ele o tempo inteiro. E ele é um personagem dúbio. Ele diz, eu sou covarde. Ele tá ali pra jogar ela pra trás, pra não deixar ela chegar no castelo do Jarrett.

e ele é feio, né, ele é disforme, como a gente está vendo, e essa questão do grotesco, ela é muito importante aqui, existe um livro muito legal de um autor, e agora, Wolfgang Kaiser, e se chama O Grotesco, é um grande estudo sobre o conceito, que eu acho que se aplica muito bem, porque uma das coisas que torna o grotesco grotesco é exatamente certos hibridismos, e aí você coloca...

Coisas que seriam inanimadas em papéis animados. Você dá vida a coisas que não deveriam ter vida, tipo mãos, tipo portas, né? Como a gente vê acontecendo aqui, tipo minhocas. Aliás, esqueci de colocar uma imagem e ferver. Se você consegue achar o Warman, por favor, a minhoquinha do início, que ela é brilhante também. Também super associada ao Memórias de um Caracol, né?

Então, tá vendo? Que conexão, né? Um paralelo muito bom, né? Muito bom você ter lembrado disso, Jason, muito bom. Então vejam que isso é muito interessante. É um conto de fadas, meio conto de terror. Também não tenho dúvida que o Guilherme Del Toro deve ter assistido isso a rodo. Ah, ele deve assistir isso todo dia. Filme de cabeceira. Não é? Deve ver esse filme todo dia. Deve ser, porque faz tanto sentido.

Exato, exato Então o que a gente tem aqui Eu acho que todas essas criaturas O Rogo O Ludo O Sir Didamus Que a gente não colocou aqui em princípio A minhoca I'm just a worm É muito bonito isso A Sarah está perdida ali no labirinto Porque essa é a ideia de um labirinto

E aí ela para e ela está recostada na parede quando ela ouve um hello. E aí ela olha e fala, você disse hello? E aí a minhoca responde, não, eu disse hello. É quase a mesma coisa, mas não é. Ela fala, você é uma minhoca? Ela fala, você sabe o caminho? Não, eu sou apenas uma minhoca. Cara, isso é...

situação interessantíssima. Você sabe, quase a pergunta, você sabe como é que eu vivo? Ela fala, não, mas eu sou só um verme. E ela é super simpática aqui, é super estilosa. Gente, é uma minhoca com cachecol, vocês têm essa noção?

É a coisa mais fofa e grotesca ao mesmo tempo. Uma obra inteira dedicada ao último verme que comerá a minha carne. Se vocês bem entendem o que eu tô dizendo. A gente entende, eu acho que a gente entende. Jason, fala referência pra todo mundo saber. Machado de Assis, né? Dedicando memórias de Brascubas. Memórias póstumas. O último verme que vai comer a carne dele.

Quando ela fala, eu sou apenas uma minhoca, ou a tradução original, que eu sou apenas um verme, o verme é verme, não é minhoca mesmo, é isso que essa minhoca quer dizer. Eu sou apenas um verme mesmo. Não sei caminho de absolutamente nada. Ainda que ela soubesse, né? Como nós aqui, como nós todos. Mas ao mesmo tempo, é um verme dissimulado, né? Porque a menina ia sair pro lado certo, e ela dá, opa, opa, opa, será que é por aí mesmo? Põe ela em dúvida só pra ela ter mais...

Mas a verdade é que ela não... Eu entendi que ela não fez de propósito que ela achou que a menina queria dar uma volta ali, né? E não ir pro castelo. Eu achei que não, eu achei que foi de propósito. É que a saída, ela perguntou a saída. A saída não é o castelo. O castelo é o lugar onde tá o mal. E aí, enfim, a minhoca tinha toda a razão aqui nesse caso. A minhoca, né? O verme. Bom. É... É...

Quero tirar o elefante da sala, que são as músicas. Como é que foi? Porque se trata de um musical, vocês acreditam que esse filme é um musical? E o que define um musical pra vocês? Cara, ele tem elementos de musical, mas eu não sei se chega a ser um super musical, porque, na verdade, parece um videoclipe, né? O pessoal para pra dançar e cantar, não é?

ele não tá rolando mais ou menos uma ação enquanto tá tendo a cantoria, né? Sim, tá rolando uma ação, mas não é uma ação gatilho pro roteiro, né? Então isso agora é bom, porque semana passada não era. Ah, voltamos, gente. Voltamos à polêmica do Michael. Não, não, eu acho que é justamente por isso que não é... Eu acho que não se encaixa no musical clássico. Que é aquela coisa do... Olá, você está aqui, sabe? Não tem isso daí, entendeu? Eu quero uma pizza.

Então assim, eu acho que nesse sentido não é. Mas em compensação, eu acho que é muito ligado aquela atmosfera dos anos 80, que graças ao nosso querido Maiko, a gente começa a ter a ideia de videoclipe, a ideia de música, áudio e vídeo associado a músicas, né? Não é só a capa do disco, mas pode ver, o próprio David Bowie aqui tem performances com um monte de animatronas e tal, que você faz um recorte e é quase um videoclipe.

Então eu acho que é esse hibridismo de mídia que ganha muita tração nos anos 80, no geral. Eu concordo totalmente. Pra mim, não é um musical. Não configura um musical porque as músicas não estão ali pra fazer parte da história, pra contar a história. Elas só estão ali porque é o David Bowie no papel principal. Mesma coisa que os filmes da Xuxa. Na Xuxa e os Duendes, por exemplo. Não sei se tem música, Fê. Você que é especialista nesse filme, nessa prova.

Tem, tem. Muitas vezes, assim, só tem má música porque o personagem é alguém da música mesmo. Não porque a música vai contribuir necessariamente com o filme. Mas eu não acho que isso seja ruim, tá? Pelo contrário. Eu gosto disso porque traz uma puta personalidade pro filme. Pro próprio personagem, mesmo não edificando o personagem, porque você evoca a pessoa por trás do personagem, que é o David Bowie. Muito maior do que o personagem aqui, né?

Porque aqui não é simplesmente o Jareth. É o David Bowie, de qualquer forma. Apesar dele entregar ali um... Sei lá o que ele entrega. Não sei se vocês gostam ou não da atuação dele. Eu acho péssima. Mas como todo músico seria. Nunca se escala um músico pra ser um ator. É muito raro. Como, por exemplo, o caso da Lady Gaga. Que ela consegue ser excelente nas duas coisas. Mas, tipo, Michael Jackson.

Bowie, Elton, qualquer um desses sempre atua muito mal. Eu gosto de outros filmes dele, é interessante isso, porque aqui eu realmente acho que ele é bem ruim. Não me lembro se foi o primeiro ou se antes veio Fome de Viver, que ele faz um vampiro, que é um ótimo filme, bem violento no começo, depois melhora um pouco, junto com a Catherine Deneuve, se eu não me engano.

Mas eu gosto muito dele no Homem que Caiu na Terra. Que ele faz um alienígena. Claro. Porque daí talvez ele se sinta bem naquela pele. É a cara dele, né? É o que ele era mesmo. Mas ele é um Goblins King muito bom. Porque o que você precisa ser? Fazer cara de mal, ter uma boa maquiagem e ser belíssimo. Ele consegue tudo isso ao mesmo tempo. E movimentar muito bem, né? E claro, gente, aí tem toda uma polêmica.

É claro que é, eu vou passar pano pra ele porque gosto muito, mas eu acho ele um péssimo ator de fato, ele canta muito melhor do que a tua. Que isso, porra. Só que... Essa cena é fenomenal, olha que a tua cena. Porra, é. Nossa senhora. Gente, essa é a segunda música do filme, só pra vocês saberem. O filme abre com underground, que é linda, aliás, em underground, só pra vocês terem noção. A gente tem um backing vocal de pessoas do coral da Igreja Batista.

Todo o coral é de mulheres negras, incluindo Chaka Khan, que também cantou com o Michael, como a gente bem sabe. Com certeza, um grande cantor. O coreógrafo, grande cantora, o coreógrafo de todas as cenas de dança, principalmente essa aqui agora que é a Magic Dance, era um grande coreógrafo negro também, e os movimentos, a ideia era trazer música da Motown.

e também movimentos que remetam a esse universo. Então vejam que conexão que a gente tem com o momento importantíssimo da música, e que o Bowie está completamente inserido, não apenas ele, mas todas as pessoas que estão vinculadas a esse filme. Que coisa brilhante. E aí vocês parem para perceber que essa daqui, que é a Magic Dance,

Todos os interlocutores, não. Quem dança junto são... Bairros. Bairros. É, todos os dançantes... Corpo de baile, sei lá. São puppets. São puppets aqui nesse caso. Figurantes. Menos a criança. Puppets.

Porque a criança tá lá no fundo da cena. A criança fica sendo jogada pra cima em alguns momentos, né? Só que tem algo muito legal. Pra que você tenha um filme em que haja um títeres, você precisa ter buracos por onde esses títeres não apareçam.

Porque uma coisa é você ter gente vestindo as roupas e atuando, que são as pessoas com nanismo, né? Depois você tem titereiros no teto furado e aí descem cordas por onde eles manipulam os puppets.

E os bonecos que são regidos por robótica. Então, é muito complexo essa cena. Essa música é um grande clipe musical, mas sem dúvida um dos mais caros da história, porque olha a riqueza de complexidade que você tem com o David Bowie contra o Senano, com um monte de ser inanimado em princípio, mas que aqui está muito animado, dançando ao som de Chacacã.

E tem outra coisa interessante também, é que como muitos dos bonecos são animados tipo Cocoricó, de baixo pra cima, Loro José, essas coisas, você... De cima pra baixo e de baixo pra cima. Você não enquadra muito os pés, o que é esquisito quando você tá pensando em dança, né? Então a câmera tem uma dificuldade de enquadramentos nessas cenas por causa disso. O legal, né? Como vimos no Michael, o próprio Michael já dizia que o importante é enquadrar os pés, não é mesmo? Durante o... Mas... Mas... Mas...

Ensinando John Landis. Exato. É verdade, foi o John Landis que pensou isso, é mesmo. Mas a pedido do Michael, né? É, não, e aí você tem... Porque de fato você dá mais plasticidade pra ação. E vocês podem ver que a maioria dessas cenas, você não enquadra os pés.

porque senão vai mostrar. É um desafio. Porque o cenário é um grande queijo suíço, todo furado, pra que você encaixe as pessoas tanto em cima quanto embaixo. Só pra eu ter uma última coisa, eu sei que eu tô falando muito, porque obviamente eu tô muito empolgada. Mais um ponto. Eram 48 bonecos aqui, pra facilitar.

Cada boneco às vezes tinha duas ou três pessoas juntos pra manipular. Portanto, a gente tá num set de filmagem com mais de cem seres presentes. Que caos, né? Coisa caótica. Imagina o cheiro desse lugar. Não, não quero pensar.

Sem corpos, com esse lácteos todo ali. Então, mas ainda bem que foi na Inglaterra que tava frio. Estão acostumados com o meu cheiro. Não, aqui é impossível. Aqui se fosse no Brasil seria um filme sobre ditadura, como essa daí.

Voltamos. Volta lá naquele quadro incrível que você colocou antes, que mostra esse aí. Esse quadro é um dos momentos em que fica explícito por que no começo do vídeo eu chamei o David Bowie de homem do saco. Não só porque ele quer comer crianças, mas porque ao longo do filme todo, enquanto ele tá com essa roupa,

movimentação ao redor da área paniana dele é impressionante. Assim, não sei se é pra representar realmente a fantasia da menina, ou se é por conta do ridículo da roupa, ou se, sei lá, o Jim Hansen, ou os produtores queriam dar uma sensualidade pro Bo, e eu não sei o que aconteceu aqui, mas puta, meu, é muito zoado.

É muito errado. É muito brega, sabe? Porque a calça dele aqui, assim, quase no peito, de tão puxada pra cima que tá. E aí você tem essa marcação no meio das pernas dele. É impossível você não olhar, sabe? Não ficar distraindo. É muito... Eu não quero dizer ridículo, porque ridículo é uma palavra pesada, mas assim, fica muito caricato, sabe?

E o que piora a situação é você não poder fazer enquadramentos muito desabertos. Então, geralmente, é um plano americano ou plano médio. Logo, esse negócio destaca muito, né? As bolas e o badalo ali, ele chama muita atenção, porque você não consegue enquadrar de outro jeito. Exato. Ele fica se mexendo, pulando, é aquele negócio assim, sabe?

Eu fico imaginando o diretor de fotografia, caraca, não tem como tirar essas bolas do take. O que eu vou fazer, né? Se fosse hoje, iriam editar o frame a frame pra apagar o volume que tinha ali, mas, cara, é muito engraçado. E todas, né? Todas as fantasias dele são a mesma calça apertada. Foi proposital, com razão. Mas eu ia falar, eu arrisco a dizer que talvez fazia parte do espírito da época de ter essa...

Essa dubiedade entre o que é lacivo, o que é fantasia, o complexo, né? Não acho que seja algo gratuito ou fortuito, não, sabe? Não, também acho que não. É que acho que hoje em dia a gente é um pouco mais...

Ah, não sei qual que é a melhor palavra pra definir, se é mais... Vou falar careta. Puritano, puritano. Hoje é muito mais puritano. É, entendeu? Total. Na época, não. O corpo fazia parte do dia a dia, né? A gente ainda não tinha as redes sociais e a internet pra deixar tudo muito limpinho. O corpo fazia parte do dia a dia. O nosso e os dos outros, entendeu? Então era natural que essas coisas fossem.

Além de puritano, é politizado, que é pior ainda, que junta os dois maus da humanidade de hoje em dia, sabe? Então, assim, antigamente um decote era um decote. Hoje um decote, ele se resume ou a uma tentativa de sedução

ou a um ato político de liberdade, sabe? Tipo, vem com todo um conceito por trás daquele decote, que, cara, antes era só decote, aqui a mesma coisa, antes era só um volume no meio da calça, hoje não, hoje é um negócio que, puta, ou o cara é um estuprador, que aqui também de fato era, praticamente. Não, veja bem, não aconteceu nada, não aconteceu nada. Ele não foi só barra, ele só envenenou ela. Não, claro, claro, não foi só barra. Só tentou matar ela em alguma...

Ele deu um bom nome de Cinderela Hoje em dia tem uma conotação Super politizada e puritana Ao mesmo tempo em cima do negócio Então eu também acho que faz parte Da constituição do personagem Do visual do personagem Mas que antigamente não tinha maldade nenhuma Ok Olha lá Olha o zoom

De novo, novamente, quem apenas está nos ouvindo no Spotify ou no Apple Podcast... Dá uma ligadinha na versão do vídeo. Vai lá, ligue o vídeo ou vai lá pro YouTube, assista, porque vale a pena. As imagens estão muito bonitas. E essa especificamente, bom, o que eu posso dizer, né? Lindas. Gente, só um detalhe. Nessa música, ele abre fazendo um diálogo com os bonecos. E aí é...

Oh meu Deus, fugiu a letra da música Você lembra do bebê What baby The baby of the power What power The power of voodoo You do do what My mother baby Mais ou menos algo do gênero E

E esse trecho foi retirado de um filme de 1947 com Cary Grant. Cary Grant, que era um dos astros do Hitchcock. E o filme se chama, foi traduzido no português como Solteirão Cobiçado. Nome péssimo.

E tem um diálogo que é isso. Só que eles trocam, né? Ele não fala voodoo, né? E nem baby, mas ele troca por outras coisas. E aí começa num looping. Isso, e o Bowie tira. Retira esse trecho e joga aqui. E a letra é toda maluca, né? Só que é um baita de um soul meio funk. Não tem como ficar parado. É uma baita de uma música legal.

tão legal quanto o Underground, mas as minhas favoritas de fato são o Chillie Down, com aqueles bonecos loucos fervolta nos bonecos do Chillie Down, que é The Fire Gang, a Gangue do Fogo, são os bonecos malucos vermelhos.

Os vermelhos, tá, peraí. Os vermelhos, isso. Que aqui a imagem tá estranha, mas é porque eles tentam retirar a cabeça da Sarah. Porque eles jogam a cabeça, né? Um do outro. Porque vamos lá, ela tá perdendo a cabeça também, né, gente? Fica bem...

evidente o que está acontecendo aqui, mas é um momento que ela entra numa trilha muito maluca e coisas estranhas acontecem. Existem duas grandes referências, aliás, para a escrita desse roteiro. Uma é Alice no País das Maravilhas, claramente uma menina em desenvolvimento, passando por situações e entrando num país louco da sua própria cabeça e a segunda é o Mágico de Oz.

E isso, inclusive, está no quarto dela, naquela cena que o Fer mostra, eu não lembro se dá pra ver, os livros em cima da mesa. Ah, não vai dar. Mas tem um traveling mostrando os livros e eles focam nesses. E claro que tem Irmãos Green ali também, porque entra essa parte do grotesco, do medo e tudo mais, né? Depois a gente vai falar do quadro no fundo também. Mas, de qualquer maneira, volta no Chilly Gang.

A atilidão, né? Isso, a gangue do fogo. Eu tinha muito medo dessa sequência quando criança, porque são bonecos malucos, eles não param quietos, eles soltam partes do corpo, eles soltam cabeça, mãos, pernas, eles brincam com isso e eles estão enlouquecidos em torno dela e ela está ali sozinha.

É um momento muito tenso e eles falam, vamos soltar a tua cabeça pra você curtir aqui com a gente. Eles tentam arrancar. E eles não param, ela precisa fugir e ser salva, porque eles vão desmembrá-la. É muito pesado, gente. Só que a música é uma delícia. Chilly Down with the Fire Gang. Né? Good time is bad food. É muito bom.

Vamos curtir comer lixo, né? Comer comida ruim. A ideia é ligue o foda-se e vá viver tua vida curtindo loucamente. Essa galera tá chapada. Perca a cabeça.

É muito bom. É que vocês assistiram adultos. Mas enquanto criança, realmente, eu tinha muito medo dessa sequência aqui. É, eu vi muito o rosto da Margaret Qualley nessa cena. Porque ela fica muito de perfil, né? Ela tá igualzinha à Sarah aqui, a nossa amiga Jennifer Connelly. Mas assim, no geral, as músicas são muito boas. São todas muito boas.

Você tem alguma favorita, Jason? Alguma? Você já conhecia essas músicas? Não, não conhecia. Você até tinha me recomendado a trilha sonora, mas eu não ouvi, né? Eu quis ver o filme primeiro. E eu gostei, assim, de forma muito... Muito...

igual, igualitária de todas elas. Eu acho que elas se enquadram muito bem dentro do filme, no tom que o David Bowie poderia dar para um filme de fábula, como é o caso aqui. Mas não fiquei apaixonado por uma específica, não. Achei todas boas. Fer, você gosta de alguma especificamente? Eu duro que eu não vou lembrar os nomes, né?

Só tem mais duas. Within You é quando eles estão brincando nas escadas. Depois eu quero ir falar um pouquinho disso. E a última, a que vem antes, na verdade, é As The World Falls Down, que é a música do baile de cristal, da bola de cristal. Eu acho que é o que eu mais gosto, essa daí do final. Coloca a imagem do baile, fazendo um favor. Essa aqui? Essa. É uma música romântica.

É o momento em que eles se aproximam, ela está divina, e o baile acontece quando ela está chapada do pêssego envenenado que ele deu para ela comer. Boa noite, Cinderela. Literalmente. E aí a gente entra na pira dela através de uma bola de cristal, que é o que ele fica brincando.

Tem uma coisa engraçada, aquelas bolas de cristal é efeito prático, aquilo aconteceu, mas não era o David Bowie. Tinha alguém por trás dele que enfiava a mão por debaixo do braço e era um mágico de verdade que brincava com as bolas de cristal. Então tinha alguém atrás do Bowie, com as mãos assim, brincando e fazendo. Ok, fecha parênteses.

Ela está divina, só que o baile é um baile grotesco. As pessoas usam máscaras grotescas. É o único momento que nós temos outros personagens, pessoas, e todos estão lindos, mas portando essas máscaras disformes. Então está todo mundo meio exótico e ao mesmo tempo muito erótico.

E não deixam ela chegar no Jared, até que o Jared tira ela para dançar. E aí? É meio Moulin Rouge nessa cena. Tampouco. Moulin Rouge tem um clima também de olhos bem fechados do COVID.

Ah, com certeza. Qualquer coisa mais pesada. Aliás, né, tudo isso inspirado aqui, na verdade. Sem dúvida. Mas sabe o que eu acho muito interessante dessa sequência? É o fato de a forma... Porque veja, até então ela tá meio querendo pegar o irmão de volta. Ela tá puta com o cara e tudo mais.

Ali ela começa a entender que é aquela clássica, né? A pessoa às vezes te faz um bullying, dá algum problema, você não gosta dela, quando de repente você tá perdidamente apaixonado pela pessoa que você, entendeu? Que te fez algum mal. Que é muito típico da adolescência. Exato. Odeio aquele menino ou aquela menina, odeio, odeio, odeio, de repente, nossa, eu quero muito. Eu odeio, mas amo. É, exatamente. Mas quero ficar com ele.

Então eu acho engraçado, porque o próprio David Bowie, ele tenta, o personagem obviamente, ele sabe jogar, então ele vai vendo ela de longe, de repente ele some, ela fica meio perdida, de repente ele aparece de novo em outro canto e tal. Ele é seduz, né? Exato, mas...

seduz, sem aquela sedução canastrona do Júlia e Gatinha. Ele é justamente no mistério, o que eu acho bem legal, porque de fato a sedução que mais cola, e ainda mais nessa época da vida, é o mistério, é a distância, pô, esse cara parece esquisito, parece mal, mas é engraçado que ele é meio atraente, por que eu tô atraída por ele? Daí ele vai passando ao longe e tal. E aí ele oferece pra ela, né, uma...

se ela ficar presa eternamente ali o prazer vai ser inesgotável, né? Mas aí você vai ficar preso nos prazeres da mente e tal, não vai deixar de viver a vida. É uma cena muito interessante por vários aspectos, assim, a música, a direção de arte, e eu acho que aqui é o, pra mim é o clímax do filme, embora não seja, talvez na prática, mas pra mim é o ponto mais forte. É muito bonito. Essa cena aí, ela se conecta muito com algo que eu vou falar depois, mas só pra deixar o gancho aqui.

Antes da gente... eu gosto muito de todas as músicas, eu decorei todas desde os meus sete anos de idade, eu não sabia falar inglês, mas eu já sabia cantar essas músicas, eu tenho a trilha sonora e eu tenho o disco.

e elas me formaram inclusive a entender um pouco desse glam rock, que é o que o Bowie representa. Tudo aqui é glam, tudo é glamuroso. Ele é glamuroso, as roupas, mesmo que os ambientes ali sejam ambientes darks, porque a gente tem esses duendes horríveis, ele é glamuroso. E aí volta, naquela primeira imagem dele sozinho no trono,

Ao que tudo indica, o Bowie quis construir a ideia de um personagem que é rei, mas ele não queria estar ali. Então ele é meio... Ah, eu não aguento isso daqui. Isso é pouco pra mim. Eu quero outra coisa, eu tô entediado. E aí essa menina chega e dá um... Meio Rei Davi, né?

Deixa eu procurar problema pra minha vida. Inclusive o sapato meio bota e as calças é muito luminista, né? Com a marcação, ele parece um rei meio luminista.

É, tem babado, né? A gente tem esse cabelo assimétrico. Muito couro. Esse cabelo de Ana Maria Braga, né? Convenhamos, que negócio zoado. Mas assim, combina com a estética dele, né? Com todo o gosto dele, exatamente. Os cabelões dos anos 80. Pensa na Cindy Lauper.

Cindy Lauper, isso significa muito sobre os cabezas dos anos 80. É mesmo. E aí quando ela tá, depois que ela tem essa ligação com ele no baile, e ela sai de lá e cai na cama dela e vem aquela cena da boneca que é a senhora do lixo, que aquilo é medonho, aquilo é pesado, é uma pessoa que carrega tudo nas costas, quase como um casulo, como uma concha mesmo, como a gente...

como o Jason lembrou aqui da memória de um caracol, ela entende o que ela precisa fazer.

E a partir daí, então, a gente vai rumando pro fim do filme. E quando ela se defronta de fato com ele, ele promete todos os sonhos pra ela através daquela bola de cristal, ela solta a frase que é uma frase que define muito o filme. Que é, you have no power of me. Over me. Over me. Over me. Você não tem poder sobre mim.

E aí a coisa termina, ela consegue salvar o irmão e tudo mais, né? Agora, eu pulei uma análise de uma cena muito tenebrosa das mãos.

Ah, a Senhora do Lixo. É, eu trouxe aqui porque eu acho a estética dela muito interessante. Interessante mesmo. E muito expressiva, né? Isso é Terry Gilliam. Isso não é nem Terry Jones, isso é Terry Gilliam, é muito louco. Enquanto o ser termina aqui, você na verdade tem uma ideia do todo, né? Parece que se fundiu, todas as coisas que você carrega fundiram com você.

Eu acho isso um conceito estético muito interessante. E aí você pega a terra de aranha pra deixar ainda mais... Ou seja, tava muito tempo estar ali, você vai carregando, envelhecimento, é muito interessante a personagem, eu acho. Cara, me lembrou muito a mendiga do Cidade dos Sonhos.

Mulholland Drive. Sim! Assim, pra mim, a mesma imagem. Praticamente, a mesma imagem. De uma pessoa que, você sabe quem é, mas ela fica deteriorada por conta das escolhas da vida dela, enfim. É muito o mesmo personagem isso. É pesado, é pesadíssimo. De novo, é pra dar medo. Nietzscheano, você acha? Lintiano. Ah, tá, Lint. Do David Lynch. Ah, com certeza. Com certeza.

Tudo aqui é feito pra causar esse impacto, e parece que ela lida muito bem, né? A Sarah vai lidando bem. Ela não tem medo, ela não tem medo do Ludo quando ele aparece, porque ele é muito gigantesco, né? Mas outra cena que dá muito medo é a passagem do túnel das mãos, e aí vai lá, Fer? Isso hoje em dia seria razoavelmente problemático. Esse ou esse aqui? Isso, esse, esse.

Ela cai depois que ela passa por aquelas portas confusas, que inclusive lida com um dilema clássico da filosofia, como que você entende o que é verdade e mentira, quando você tem uma definição que alguém só fala a verdade e alguém somente, em quem você confia. Enfim, é um dilema muito clássico. E aí ela cai.

num túnel de mãos, e é muito forte, porque ela literalmente desce com muitas mãos apalpando e segurando, de repente as mãos seguram ela e perguntam, pra onde você quer ir, pra cima ou pra baixo? E nós somos helping hands.

Nós somos mãos que ajudam. Tipo, me dê uma mãozinha aqui. É. É. É muito duplo sentido isso. Esse quadro é igualzinho, idêntico. Quer dizer, na verdade, esse é o primeiro eu que eu vou citar veio depois, dois anos depois.

a um trecho de Smooth Criminal no Michael Jackson's Moonwalker. Em que você tem, no meio da música, a música para, e aí você tem meio que um orgasmo coletivo ali, e as mãos indo todas pra cima e tal, igualzinho, veio daí, justamente.

Loucura. E as mãos formam rostos. Aí vai na anterior, Fer, por favor. Isso. Elas falam com você, elas te olham. E eu lembro que isso também foi muito assustador enquanto criança. Ver que as mãos falavam.

E aí quando ela fala que prefere ir para baixo, ou seja, go down, as mãos falam go down e todo mundo repete. E que cena pesada, ainda bem que passa, mas de novo, rito de passagem é sofrimento e é escolha. Ela começa indo para baixo. É muito representativo de fato, né?

Cara, nesse momento eu senti que esse filme é absolute cinema, mas no sentido de absolute art direction, entendeu? Design e produção, assim, que é impressionante. O que eles conseguem fazer, tanto dela caindo com as mãos, né? E você não vê ninguém, parece que é um mar de mãos mesmo, que deixa algo mais etéreo, né? Mais sonhos e fantasias e tal.

E essa sequência das mãos falando, é muito bonito. É bonito e assustador ao mesmo tempo, mas eu quero dizer é absoluto cinema nesse sentido. É uma direção de arte que arrisco dizer que acho que nunca mais vai acontecer nesse nível. Com o CGI de hoje em dia, eu acho que ninguém teria grana, ninguém financiaria uma loucura dessa. Loucura no bom sentido, né? E plástica... Talvez você teria a mesma coisa em animação, a mesma ideia em animação, mas não em efeitos plásticos.

Por isso que eu falei que essa geração nunca vai entender o que é um filme tão radicalmente efeitos práticos. Porque, gente, levou quase três anos de produção e aí assistindo o Inside the Labyrinth você vê galpões forrados de bonecos jogados para tudo que é lado. E nessa, na explicação desse túnel de mãos, você entra num galpão onde tem mãos e dedos pendurados feitos de látex.

e aí milhares, assim, pendura centenas, vai, tudo pendurado secando, porque alguém fez aquilo, pintou aquilo e deixou secando, pra depois formar um túnel. Isso é... É foda. Isso é cinema.

Real, você tem doação de pessoas. Hoje, todas aquelas centenas de pessoas envolvidas ali em processos de direção de arte, de prática de arte, de fotografia, de cenografia, virariam, sei lá, dez pessoas que fariam a CGI e olhe lá.

Que tragédia que a gente vive hoje com falta de produção prática? Hoje em dia você precisa de 30... Eu estava vendo isso, nossa, eu fiquei muito perplexo quando eu soube. Mas você precisa de cerca de 30 pessoas com prazo de 50 a 60 dias só para tirar a barriga do Tom Holland, as marcas da barriga dele, nos filmes dos Vingadores, por exemplo.

Então assim, a quantidade de gente envolvida num filme hoje em dia, ela é imensa muito por conta da necessidade de computadorizar ou digitalizar absolutamente tudo. Então hoje em dia, você tem que ter um corpo perfeito, até mesmo pra um filme de herói e pra isso você precisa mover um exército pra ficar editando frame a frame a... Meu, sabe? Isso beira o ridículo. Ou melhor, passa da linha do ridículo, sei lá.

Sem dúvida. E aí você pensa assim, tá, esteticamente fica interessante, mas cara, eu acho que esse nível de algo visceral, que nem a gente tá vendo aqui, isso esteticamente é interessante, né? Eu vou dar um exemplo. Quem quiser ver algo novo, mais recente, que é um trabalho tão hercúleo quanto, vê uma stop motion. Pega um Wallace Gromit, pega um Funga das Galinhas. Por isso que eu falo da animação.

Exato, e é animação e stop motion, frame a frame e live action acho que é um trabalho que regula de trabalho É o artesanato, entendeu? A textura é outra parada Pra ser justa Pra ser justo, o Guilherme Odeltoro fez o Pinóquio assim

E ele passou anos construindo o Pinóquio, que foi lançado em 2020, 21, alguma coisa assim. Não. É, né? É mais recente, eu acho que é 23. Se não me engano é 23 ou 24. É um papo de boteco ou procura aqui?

Procura aí, né? Vamos ter certeza. Você tem que procurar enquanto a gente fica enrolando. Efeito prático é isso, entendeu? Efeito prático. 2022. Gente, por isso que os filmes levavam pelo menos aí três anos, dois anos que fosse, né? Agora, tudo, obrigada, Fer, tudo isso demandava, obviamente, muita grana. E aí a grande pergunta é, meu Deus, quanto é que eles gastaram nesse filme? 25 milhões.

25 milhões em um filme Infantojuvenil. E são filmes independentes hoje. E 25 milhões em 86. É, mas se a gente fizer a correção, vai dar 100 milhões tranquilamente hoje. Exato. Então assim, se a gente levar o pé da letra, é um filme independente. Pra época, é um filme caríssimo e, infelizmente, a época ele foi mal aceito. E aí vamos...

Eu vou arrumando para a análise de mercado e para o fim aqui. Você quer acrescentar alguma coisa disso que a gente deixou no caminho antes de falar de mercado? Não, eu quero só acrescentar algo que assim, esse filme para mim, ele está junto com o Michael Jackson's Moonwalker, que estreou dois anos depois.

e que ambos, pra mim, têm a mesma estética, têm a mesma paixão, têm o mesmo fator artesanal nos dois. São filmes muito parecidos esteticamente e do ponto de vista estilístico também. O que eu quero dizer com isso? Não só a respeito da semelhança visual entre uma coisa e outra, o fato de serem dois músicos estrelando ali, etc. Mas assim, os anos 80...

Talvez os 90 um pouco também, de certa forma, mas principalmente esse recorte dos anos 80, da segunda metade pra frente, marca uma época, talvez a última época, em que fazer filme ainda era algo muito divertido. Entendeu? Você podia se divertir fazendo um filme, você podia se divertir colocando um filme no mercado.

Que é uma coisa que hoje em dia, por conta da objetividade contemporânea, por conta dessa necessidade de tudo ter sentido, tudo que tem que ser explicado porque as pessoas não prestam atenção no filme porque estão vendo o celular e tal, não existe mais, entendeu? Então tudo que a gente está falando aqui, acho que você pode estender até para Cocoricó, por exemplo, como o Fê trouxe aqui anteriormente. Com certeza.

Tem muito dessa arte artesanal ainda, desse estilo artesanal de se fazer, se produzir uma produção audiovisual, um filme, ou até mesmo uma série, ou até mesmo sei lá, o que quer que seja. Então isso se perdeu muito. E se a gente não assiste a esse tipo de filme hoje em dia, por exemplo, a gente não sabe o que é isso.

As pessoas mais jovens não vão ter essa referência Mais novas, melhor dizendo Elas não terão a referência Do que é você trazer o teatro Para o cinema Porque é isso que significa o que a gente está vendo aqui Você tem um esforço Físico, manual Artesanal de se produzir Uma obra que vai para o cinema Isso é teatro

É muito louco, né? Eu tava vendo aqui sobre o box office, né? A grana, e tem um site aqui, inclusive indico, box office mojo, que lhe dá o release original, ou seja, quanto gerou na época do lançamento e depois quando tem relançamentos, é muito normal filmes terem relançamentos, ele vai falando. E olha que interessante, receita doméstica no lançamento, 12 milhões de dólares, quase 13. Receita internacional, 411 mil dólares.

411 mil, não é milhões. É muito pouco, ninguém viu esse filme internacionalmente. E aí eu fico, pô, mas nem a Inglaterra, parece que nem a Inglaterra ajudou. O David Bowie em inglês podia dar uma força. Então esse primeiro ciclo dele foi 13 milhões. Aí em 2018 ele é relançado, e aí já com status de cult. E aí nos Estados Unidos ele fez um milhão menos, um pouquinho menos, mas internacionalmente ele fez um milhão e quinhentos. Então aí ele vai melhor internacionalmente no relançamento.

É que as pessoas já viram a cara do David Bowie nessa época. Com certeza. Já tinha morrido. É, e eu sinto que tem essa questão do redescobrimento do filme, ou seja, você vê, se o próximo release dele rendeu mais fora do que dentro, não foi pura nostalgia de quem gostou na época e tal. É de fato muita gente redescobrindo o filme e talvez vendo ali uma coisa diferente que na época.

Por ser uma... Eu não consegui achar quem distribuiu, mas esse filme tá com cara de um dos problemas dele, talvez tenha sido distribuição também. Por ser independente, quem quer abrir cinema pra ele, entendeu? É muito simples, né? A Lucas Filmes não tinha uma potência, né?

Na época, ele teve até razoável marketing interessante, porque ele foi lançado em Londres, inclusive com a presença do príncipe, na época, Príncipe Charles, casado com a Diana, e eles apareceram por lá, deram uma certa moral pro filme, etc. Mas acho que as pessoas não entenderam a época de fato que esse filme representava. Quando foi que ele teve sucesso de fato? Quando foi pra locadora.

E aí a gente começa a ter uma construção cult em torno dele, muito parecido com o que aconteceu com o Blues Brothers que a gente conversou. E aí as pessoas vão passando de um para o outro e tal, e aí pronto, vai se transformar em algo que é para poucas pessoas, vira um culto em torno dele. E eu lembro muito bem de quando eu entrei na faculdade, isso foi 2001, eu tinha uma amiga que veio de outro lugar e tal e...

Nós duas conseguíamos lembrar de falas presentes no filme, porque a gente era da mesma geração, isso foi muito interessante. Nossa, encontrei alguém que gosta, isso era 2001, né? Alguém que sabe o que é esse filme, que representa esse filme, e foi muito legal, e de fato ele já estava sendo visto como algo especial à época.

É, mas faz sentido, porque entrando como um filme, digamos, semi-infantil, nesse sentido, é uma época em que você tinha Star Wars, que você tinha Blade Runner, por exemplo, o cinema estava arrumando para uma outra coisa.

ainda mais fantástica do que o que a gente tava vendo aqui, sabe? No sentido do sci-fi, como a gente vem discutindo bastante aqui acerca dos nossos análises, dos nossos comentários. Então, hoje mesmo, se um filme desse fosse lançado, ele não faria tanta bilheteria. Veja, por exemplo, o filme do Weekend.

que é super popular no mundo todo, inclusive aqui no Brasil, e meu, é um lixo de produção. É um negócio que sai da cabeça dele, extremamente ruim, que faz pouquíssima bilheteria, quase nada. O filme da Charlie XCX também é a mesma coisa.

Dão a entender que esse filme é melhor, que ele é razoável, mas não é o tipo de coisa que dá bilheteria hoje em dia, porque não é o que vai fazer com que o brasileiro médio ou o americano médio saia de casa pra pagar uma fortuna pra ir no cinema ver, entendeu? É muito difícil. Concordo.

Vou terminar só fazendo menção, já que a gente passa por um filme que é muito artístico e artesanal. A maior referência para o nome do filme e que molda toda a estrutura é o labirinto.

E a maior inspiração é uma obra do MC Escher, de 1953. Para quem não conhece, Escher é um desenhista e artista holandês. E ele tem uma obra... Matemático, exatamente. O nome é MC porque é Moritz Cornelis Escher.

E ele trabalhava com desenhos milimetricamente pensados e que se complementam tal qual geometria. Isso é muito legal. E ele está lá, exatamente. Você consegue dar um zoom? Essa é a obra mais famosa e que inspira o filme, que é o Relatividade, de 1953. A gente nunca sabe onde começa e termina um desenho do Asher. Isso é maravilhoso, porque não tem fim.

Essa conexão do filme sendo um labirinto e a Sarah tendo que se transportar por um labirinto para chegar em algum lugar, e principalmente dessas sequências finais onde de fato o labirinto acontece tal qual a obra do Asher.

É maravilhoso porque não termina ali. Ela cresceu, ela amadureceu, sem dúvida. Mas ela vai ter novos desafios pela frente. Ela nunca vai saber o que está em cima, o que está embaixo. O que começa e o que termina. Tal qual, qualquer obra do Asher. E isso é lindo. Eu, quando vi essa cena, principalmente esse quadro que o Fê está projetando agora. Eu fiquei em absoluto choque. Porque esse retrato...

de um labirinto interno com escadas em ângulos improváveis e o fato deles andarem pelas paredes, por exemplo, que é muito legal, muito interessante visualmente no filme, é a mesma representação que tem, igualzinho, idêntica, em Yu-Gi-Oh! no anime. Então, para quem não apenas joga Yu-Gi-Oh! mas assistiu o desenho...

O personagem principal, ele entra dentro de um enigma que é exatamente assim. Um enigma que é uma relíquia, né? Na verdade, um objeto. E dentro do objeto, né? Que aí você tem o campo imaginário. É exatamente assim. É um labirinto de escadas, bejes. E o protagonista, ele fica exatamente nessa mesma pose do Bowie. Então eu falei, cara, olha da onde vem isso que a gente tá vendo. E que parecia super original, sabe? É muito interessante. É muito legal. E aí, só lembrando...

Pode falar, Fer, pode falar. Não, eu vou falar que uma das coisas mais legais que a gente tenta trazer aqui na cinematografia é isso. Muitas vezes a gente tem obras que uma referencia a outra, que referencia a outra, referencia a outra. E às vezes a gente gosta de trazer essas velharias, né? Afinal, 40 anos é velharia já, né, Flavinha? Mais ou menos, né?

Dá pra ser mais. Dá pra ser mais, espero que seja mais. Mas isso é legal, o que o Jason contou é muito bacana, que eu espero que a gente sempre esteja ativando memórias de outros, e conexões entre obras, porque é muito bacana, né? É a cultura humana em movimento, um leva pro outro, vê, acha legal, faz de novo.

Eu lembro de já ter visto cena assim no Looney Tunes também, é engraçado, né? O cara que é um puta artista complexo se tornou, às vezes, ele infiltrou na cultura pop de uma maneira muito interessante.

O Asher é um dos meus favoritos e, assim, já foi desejo de tatuagem pra mim. Eu dei uma desistida depois porque é muito difícil, enfim, deixar pra lá. De qualquer forma, só o último ponto, eu vou lembrar que, como tudo é prático, existe essa cena específica, o próprio David Bowie, ele tá andando pelo fundo.

da parede e aí de repente ele vem para frente. Isso é prático, ele estava preso em cabos e ele foi içado de maneira surreal. É muito bonito de ver esse movimento dele aqui. Então aqui ele e a Sarah andaram pelas paredes, pelos tetos, pelas laterais. É brilhante, é brilhante o que acontece.

É uma bela metáfora, né? Do que estava acontecendo na cabeça da menina. Sem dúvida. Muito bem, meninos. Querem acrescentar mais alguma coisa? Legal demais, Jason. É, eu acho que assim, embora eu particularmente não tenha sido, putz, grila, mas eu acho que o problema é meu por causa da época que assisti.

Se eu tivesse talvez assistido mais jovem ou com outra cabeça, mas como eu falei, tipo, quando eu tinha idade boa pra assistir isso daí, não era, não tava, tava longíssimo do meu radar. Acho que até por questões de referência, tá? É, é, isso que eu falei, não, o box office internacional foi bem, assim, bem fraco, né? Porque também fora dos Estados Unidos e ali, não, não, isso não foi muito divulgado.

Não é uma Disney produzindo. Então, assim, eu senti que... Eu, infelizmente, assisti o filme velho demais já. Mas, mesmo assim, achei... É, não, é verdade. Mesmo assim, achei uma puta produção, super metáforas legais e tal. Só tive essa dificuldade de me conectar à estética e com a narrativa por motivo meio exóbito. Ah, eu não. Assim, eu acho que quando você consegue ver uma obra...

Seja um livro, um filme, uma música, um álbum, um disco inteiro. O que quer que seja na idade em que a obra está alinhada com o que você está vivendo. A gente fala muito disso aqui. Já falei muitas vezes aqui sobre filmes que eu vi na idade certa, porque eu tinha a mesma idade do protagonista, por exemplo.

As coisas clicam mesmo, elas se conectam, elas fazem muito mais sentido. Hoje em dia, se fosse a Jennifer no lugar do David Bowie e eu visse o filme, eu também chegaria pra... que nem ele fala pra ela e falaria, se você vier comigo eu seria seu escravo. Eu falaria a mesma coisa pra ela, porque ela me encanta, ela tem esse negócio, como uma mulher exuberante, aquela coisa toda. Agora, é um filme que fala de uma fantasia...

feminina, completamente juvenil e que não necessariamente precisa se conectar com você pra você entender do que se trata ou pra você se conectar com o filme, né? Então eu acho super bacana. O que me encanta no filme foi o que eu falei aqui, é justamente esse aspecto artesanal dele, né? Que é típico dos anos 80 que se conecta com...

Produções como Família Dinossauro, como Yu-Gi-Oh! agora, olha como são incríveis as referências, são tão improváveis sempre. Com Michael Jackson's Moonwalker, por exemplo, Tartarugas Ninja, uma série de coisas. Então, assim, a gente tá vendo parte da história do cinema, parte da história da arte também. E eu sempre tento...

compreender uma obra a partir dessa perspectiva e não apenas do que há o que pode se relacionar comigo que pode se relacionar com o que eu tô vivendo porque senão o anacronismo toma conta mesmo aí fica um pouco difícil de você absorver o que você tá vendo em tela não é um filme que eu vou assistir de novo por exemplo mas assim eu gostei de ver sabe

Eu, de tempos em tempos, revi eu não sei quantas vezes. Foram muitas ao longo desses 30 anos, praticamente. E em cada uma das vezes ele me impressionou de formas distintas. E essa última continua sendo muito positiva.

Bom, como dica, eu vou deixar que vocês acessem de fato o documentário por trás das câmeras chamado Inside the Labyrinth. Está completamente disponível no YouTube.

Vale a pena porque isso é uma preciosidade que a gente tem muito pouco com filmes tão antigos. Não são todos que você vai encontrar essa riqueza de detalhes e de gente falando sobre como foi. E de fato, pessoal, valorizem esse cinema artesanal porque é algo literalmente artístico. É indústria, mas é essa indústria da beleza que a gente tem num cinema que não existe mais.

A gente vai tentar fazer aquelas dicas? Quem gostou assista. Essa foi a minha. Qual que foi? O documentário. Ah, tá. Não, mas eu entendi. Mas é que a gente geralmente relaciona outras obras. Mas beleza, entendi. Valendo, valendo. Cara, eu não sei. Essa questão do descobrimento da infância...

A gente falou do História Sem Fim, né? É, então, História Sem Fim eu acho que é uma boa, né? Eu não sei, talvez Aventureiros do Bairro Proibido. Quem gosta. Legal demais. Quem gosta de filmes dessa época eu acho que vai gostar também. Tem uma fantasia bem louca também. Eu vou roubar antes do Jason. E vou sugerir aqui Feitiço de Áquila. Ah, pode crer.

Que é quando a gente tem uma fantasia também em que um casal não consegue se conectar porque ela se transforma numa águia durante o dia e ele num lobo durante a noite. Portanto, eles nunca conseguem ficar juntos. É lindo. E anos 80? Puro suco dos anos 80.

Bom, eu já trouxe diversas referências aqui no meio da gravação, principalmente coisa dos anos 80 ali. Então, eu vou recomendar dois filmes, e só vou recomendar dois porque eu queria recomendar mesmo o segundo, só que pra ver o segundo você tem que ver o primeiro, que é o Kingsman, The Golden Circle, que é o segundo.

E aí você tem que ver o primeiro. Só que é muito engraçado porque o primeiro é super sério. E o segundo, eles assumem a galhofa num nível, assim, extraterrestre já. Só que tem a participação de um músico que ele atua muito mal, mas que ele acaba sendo a melhor coisa do filme porque ele é muito engraçado. E é só isso que eu vou falar pra vocês. Ah! Eu preciso lembrar.

Depois eu te agrido por conta disso. Não.

Eu nunca consigo lembrar. Mas assim, é primoroso. Não, a relação é justamente um filme onde um músico que não sabe atuar participa. Entendeu? Essa é a relação com esse. Porque em questão estilística, já trouxe ao longo da nossa análise inteira. Se esse é o critério, podem assistir Free Jack, onde o... onde o... como é que é? O Mick Jagger tem uma das piores atuações que eu já vi na minha vida.

Meu Deus do céu. É muito ruim. Eu não ouvi falar disso. Não, é da vergonha. Dá vergonha. Não, é tanto que não deu, né? Eu acho que é com ele e o Emílio Esteves, pra você ter ideia. Não faço nem ideia de quem seja, inclusive. Chama Free Jack e os Imortais.

de 1992. Esse Mick Jagger, assim, é horroroso. Nossa, o Anthony Hopkins para a torcida. É o Emílio Esteves, o Mick Jagger, o Anthony Hopkins. Sem zoar. Free Jack. Os Imortais. É isso aí, rapaziada. Que horroroso. Gente, passou aqui pra filmes ruins, né, pelo jeito.

Filmes ruins estrelados por pop stars. Por gente boa. Rock stars. Por gente linda. Maravilha. Pessoal, é isso. Então, não esqueçam, se vocês curtiram o vídeo, compartilhem e curtam literalmente. E se não gostaram, mandem pras pessoas que vocês não gostam, porque funciona também. É isso. Até a próxima. Valeu, gente.

E aí