Episódios de Grandes nomes do ateísmo

Richard Carrier, a busca pela história objetiva

06 de maio de 20268min
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Richard Carrier

ConvidadoHistoriador
Assuntos3
  • Richard Carrier e a história objetivaRichard Carrier, o Euler do ateísmo moderno · Rigor matemático contra a higienização da história · Método bayesiano na análise histórica · História como ciência de teste de hipóteses · Raciocínio motivado em temas polarizados
  • Grandes Mentes do AteísmoAteísmo moderno e suas figuras importantes · Carl Sagan e Albert Einstein como influências · Neo-ateísmo e figuras como Christopher Hitchens
  • A Revolução AteístaLivro sobre a história do ateísmo · Foco em Madalyn O'Hare · Complementaridade com o podcast
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Ateísmo é amor, é viver no agora, é sentir o calor que o presente aflora. Olá a todos, sejam bem-vindos ao meu podcast Grandes Mentes do Ateísmo. O podcast Grandes Mentes do Ateísmo é focado em pessoas que mudaram o mundo ateu, o que nós entendemos como ateísmo moderno.

É importante talvez destacar que esses nomes não necessariamente significam pessoas que contribuíram diretamente, mas que foram importantes, como Carl Sagan, Albus Einstein. Eles não eram pessoas necessariamente ateias publicamente ou declaradas. Mas esse podcast também dá um foco muito forte a pessoas que contribuíram fortemente, como o neo-ateísmo, o Christopher Hitch, Sam Heldes.

o Chidófono, que é largamente conhecido. Então, nesse podcast, eu convido vocês a fazer uma viagem no tempo, e talvez, às vezes, filosófica, sobre o ateísmo, como o ateísmo evoluiu, quais são as questões históricas. Mas também eu queria convidar vocês, aproveitando essa introdução do podcast, para conhecer os meus livros. São vários livros na Amazon.

Eu queria recomendar para vocês especificamente agora a Revolução Ateísta. A Revolução Ateísta é um livro que eu dediquei especificamente ao ateísmo, e é um livro que fala exatamente disso. O livro tem um foco na Madalyn O'Hare, que foi uma ativista ateísta norte-americana, mas o livro também fala de outros nomes e o livro é lançado em volumes.

Esse primeiro volume está focado na Madalina O'Hare, mas a ideia é que os próximos volumes também vão focar em outros nomes do ateísmo. Então esse podcast e o livro A Revolução Ateísta são dois complementares. Ou seja, ao produzir o podcast, eu estou preparando o material para os próximos volumes, que serão muito possivelmente dedicados a, talvez, nomes individuais ou grupos de ateus. Então, bom episódio, bom aprendizado e boa escuta.

Richard Carrier, o Euler do Ateísmo Moderno, o rigor matemático contra a higienização da história. Quando pensamos nos grandes nomes do Ateísmo Moderno, é comum virem a mente os quatro cavaleiros e suas críticas contundentes à moralidade e aos textos bíblicos.

No entanto, existe um pensador que está movendo a fronteira do debate para um campo onde os ateus costumam perder por W.O., a história. Estou falando de Richard Terrier, PhD em História Antiga, pela Universidade de Colúmbia.

Embora seu trabalho sobre moralidade secular e a lógica do universo seja brilhante, minha tese neste ensaio é que sua maior contribuição para o pensamento ateu não está na ética, mas no esforço hercúleo de transformar a história em uma disciplina mais objetiva e racional. A história como arma de omissão. Por séculos, fomos ensinados que a história é uma narrativa neutra.

Mas, como Carrier bem aponta, na prática, essa neutralidade é frequentemente uma máscara para a omissão. Quando a história é tratada de forma subjetiva, quem ganha são as instituições de poder. E no Ocidente, isso significa o cristianismo. Tomemos como exemplo a ditadura militar brasileira. Na escola, muitas vezes aprendemos o evento como um erro humano de militares isolados.

O que Carrier nos instiga a perguntar é, onde estavam as instituições? Onde estava o dedo da Igreja Católica e das organizações protestantes que deram suporte ideológico e marcharam com Deus pela família? A subjetividade histórica permite que essas instituições saiam como santas ou meras espectadoras, quando na verdade foram peças decisivas na engrenagem do autoritarismo.

A história subjetiva é uma história higienizada. Nela, as cruzadas viram vontade de Deus, e Einstein é transformado em um santo secular, amigável à religião, ignorando suas cartas privadas, onde chamava religiosos de cães que vivem na superstição. O método bayesiano, colocando as cartas na mesa.

A grande virada de chave de Carrier é a introdução da estatística bayesiana na análise histórica. Para muitos, isso soa como complicar o que deveria ser apenas um relato. Mas Carrier argumenta o contrário. A matemática é a única vacina contra o viés.

Ao aplicar o teorema de Bayes, o historiador é obrigado a ser transparente. Ele não pode mais dizer, eu acho que Jesus existiu, porque parece provável. Ele precisa atribuir probabilidades numéricas à sua hipótese e às evidências. Isso remove o poder dos critérios subjetivos, como o famoso critério do embaraço, que historiadores usam de forma arbitrária para validar narrativas bíblicas.

Carrier propõe que a história deve ser tratada como uma ciência de teste de hipóteses. Se a engenharia pode calcular a resistência de uma ponte com precisão, o método histórico deve buscar o mesmo nível de rigor, especialmente em temas com alto peso de chumbo ideológico. O chumbo da pergunta e o raciocínio motivado. Carrier toca em um ponto sensível.

Temas neutros permitem erros proporcionais à nossa formação. Se você é um doutor em história, tende a errar menos sobre a economia da Mesopotâmia. Mas, quando o tema é polarizado, como a historicidade de Jesus ou o papel da religião na política, a inteligência e a formação acadêmica param de servir como vacinas e passam a ser usadas como ferramentas para criar defesas lógicas mais sofisticadas para dogmas.

É o que a psicologia chama de raciocínio motivado. Quando a pergunta é pesada, Jesus existiu? O acadêmico sente o peso social e emocional. Se ele disser não, ele não está apenas dando um veredito histórico. Ele está desafiando a identidade de bilhões de pessoas e o status co-acadêmico.

Carrier escolheu enfrentar esse chumbo com a lógica fria, retirando o véu de neutralidade que protege as instituições religiosas do escrutínio real. Conclusão, por que Carrier importa para o ateísmo?

A contribuição de Richard Carrier é vital, porque ele entende que quem controla o passado, controla o presente. Ao permitir que a história continue sendo uma disciplina subjetiva e literária, os ateus permitem que a narrativa religiosa continue ocupando o lugar de base moral e histórica da civilização de forma imerecida.

Carrier não quer apenas dizer que Deus não existe. Ele quer mostrar como a omissão histórica construiu a ilusão de uma religião imaculada. Ao empurrar a história para o campo da racionalidade matemática, ele está finalmente tirando os santos do pedestal e colocando a verdade histórica sob a luz impiedosa das evidências.

Para o blog Mente Ateísta, Carrier não é apenas um historiador. Ele é o arquiteto de uma nova forma de ver o passado. Sem sombras, sem higienização e, acima de tudo, sem medo de fazer as contas.

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