28/05/26 | Câmara aprova PEC 6x1
Análise do cenário do dia com o economista Pedro Renault.
Pedro Renault
- PEC 6x1Redução da escala de trabalho para 5x2 · Período de transição de 14 meses · Pressão de custos de mão de obra · Oposição de setores produtivos · Articulação no Senado · Aumento do limite das MEIs
- Inflação no BrasilIPCA 15 de maio surpreendeu para cima · Pressão em alimentos e cuidados pessoais · Surpresa para baixo em passagem aérea · Núcleos de inflação subindo · Projeção IPCA anual com viés de alta
- Cenário Econômico InternacionalOriente Médio sem progresso · Ataques aéreos EUA-Irã · Bancos centrais e juros · Lisa Cook · Williams, Musalem e Barking · PCE (medida de inflação do Fed)
- Mercado de Trabalho BrasileiroDados de desemprego · Caged antecipado para hoje · Dinâmica moderada com desaquecimento
- O Papel do Centrão na Política BrasileiraPesquisa Datafolha/Ideia · Presidente à frente em simulações de segundo turno
- Comércio VarejistaServiços com alta · Comércio em queda · Foto ambígua de maio
Bom dia, aqui é o Pedro Renaud e esse é o Itaú Morning Call do dia 28 de maio. Começando lá por fora, o Oriente Médio ainda sem progresso, na verdade com retrocesso de novos ataques aéreos dos Estados Unidos ao Irã e do Irã aos Estados Unidos. O ataque que já tinha acontecido essa semana, que os Estados Unidos chamaram de ataque defensivo, não foi considerado violação do cessar-fogo. Parece que esses também não serão, mas são coisas que certamente não ajudam nesse zigue-zague em direção a um acordo.
Bancos centrais nos Estados Unidos e na Europa vêm falando mais grosso nas comunicações recentes, que juros estão na iminência de subir entre os europeus, e nos Estados Unidos parece mais distante, mas já entrou no preço também. Ontem, destaque para a Lisa Cook, que falou de juros que deveriam ficar parados à frente.
mas que está preparada para subir se for necessário. Hoje falam Williams, Musalem e Barking, e às 9h30 sai o PCE, que é a medida preferida de inflação do Fed, com o núcleo que a gente projeta em 0,3% em linha com o consenso de mercado. Aqui no Brasil, ontem a Câmara aprovou a PEC, que reduz a escala de trabalho de 6x1 para 5x2, de 44 a 40 horas semanais, com período de transição de 14 meses.
sendo que nos primeiros dois a carga de trabalho cai para 42 horas e passado mais um ano ela cai para 40. Essa medida tem efeitos bem difíceis de estimar, muito heterogêneos por setor, mas em um contexto de mercado de trabalho apertado é natural esperar que ela vá contribuir com pressão de custos de mão de obra.
Em parte por isso, ela enfrenta a oposição de muitos setores produtivos, que agora contam com articulação no Senado para barrar a mudança, enquanto o governo aposta que o placar expressivo e a velocidade de votação vistos na Câmara vão dar impulso a adicionar essa discussão entre os senadores, por serem mais evidência de apoio popular à mudança.
Importante ver então o que o Senado estabelece de rito e o que sinaliza de ritmo. Também relevante acompanhar pautas que surgirem em paralelo como aumentar o limite das MEIs. Eu chamei atenção para isso outro dia, veio em nota na CNN. Não é realmente uma compensação para as empresas afetadas pela mudança da escala, porque a maioria delas não se enquadraria, mas é um assunto que parece querer pegar carona e que pode ter custo fiscal relevante.
Lá atrás, quando se discutiu mudar o teto dos atuais R$ 80 mil para cerca de R$ 140 mil, o custo estimado por ano era mais ou menos R$ 20 bilhões. Ainda na política, seu pesquisa meio ideia, mostrando o atual presidente à frente de todos os adversários no segundo turno, com 46,5% versus 41,4% na simulação contra o pré-candidato do PL.
Passando para o fundo de dados, o IPCA 15 de maio ontem surpreendeu para cima com alta de 0,62% ante nossa projeção e consenso de 0,57, com pressão maior do que a gente projetava em alimentos e cuidados pessoais, que é um item bem sensível a petróleo.
Apesar desse número mais forte, teve surpresa para baixo em passagem aérea, que é um item que repete no IPCA do fim do mês o número visto no IPCA 15. Isso de forma mecânica acaba compensando um pouco as coisas na nossa visão para o dado fechado do mês de maio, que a gente estima em 0,5% e não mudou muito depois da surpresa de ontem.
De suposto, dá para argumentar que a surpresa veio de passagens que são um item volátil e com altas contratadas pela frente, porque só lembrando, nesse IPCA 15 só entraram as passagens compradas nas primeiras semanas de guerra. Os núcleos de inflação subiram, ambos para perto de 6% analisados, serviços e indústria, então essa foi uma leitura que mostra que o aspecto mais qualitativo da inflação continua piorando. A nossa projeção para o IPCA no ano é inflação de 5,2%, mas ela tem viés de alta.
Hoje é dia de mercado de trabalho, com dados que devem mostrar uma dinâmica mais moderada, flertando com algum desaquecimento, mas em níveis ainda muito distantes do que seria o equilíbrio. O desemprego vem às 9, com número bruto em 6%, que significa alta de 5,4% para 5,6% com ajuste sazonal, enquanto o ponto neutro é algo na faixa de 7,5% ou 8%. 10.
E o Caged, que estava marcado para amanhã, foi antecipado para hoje, deve vir em 130 mil no número bruto, 90 mil com ajuste sazonal, desacelerando de 125 mil no mês anterior, o que, olhando para uma média de três meses, é uma redução de ritmo de 120 para 110 mil por mês, também acima do neutro, que a gente estima em uns 60 mil.
Também saíram dados de crédito de abril, resultado do governo central, que acabaram de sair as confianças de serviços e comércio. Serviços com alto e comércio em queda, seguindo a indústria que subiu, construção que ficou de lado e consumidor que caiu, fechando com isso o conjunto de confianças de maio, uma foto ambígua. É isso por hoje. Bom dia.