26/05/26 | EUA atacam Irã em meio a negociações
Análise do cenário do dia com o economista Pedro Renault.
Pedro Renaud
- Ataques EUA e IrãEstados Unidos · Irã · negociações de paz · ataques a embarcações e instalações de mísseis
- Debate sobre fim da escala 6x1 e jornada de trabalhoPEC 6x1 · comissão especial · Câmara dos Deputados · Senado Federal · transição de 14 meses · horas semanais de trabalho · empresariado · MEIs · limite de faturamento MEI
- Comunicação BrasileiraIPCA 15 · Pesquisa FOCUS · inflação 2026 · setor externo · petróleo e soja · confiança da construção · confiança do consumidor
- Subsídio federal para gasolinaDecreto · gasolina · R$0,44 por litro · produtores e importadores · Petrobras · guerra Irã-EUA
Bom dia, aqui é o Pedro Renaud e esse é o Tom Morning Call do dia 26 de maio. Começando pelo Oriente Médio, o mercado parece que segue na ponta mais otimista como resolução da qual a gente vai se aproximando de forma no mínimo errática, mas pelo visto com uma leitura de que apesar de errático, esse desfecho tem chances de incrementar e de acontecer. O ponto aqui é que ontem a semana começou com esperanças de um acordo, aquele clima que eu brinquei que era de agora vai.
acabou não indo ainda, e a notícia mais fresca é que os Estados Unidos estão fazendo ataques no sul do Irã, embarcações e instalações de mísseis, isso é algo que o secretário de Estado disse que pode durar alguns dias. E aí eu menciono otimismo porque essa é uma notícia concreta que vai contrafalar de paz no curtíssimo prazo, mas a reação a ela até aqui tem sido bastante contida, o mercado já parece ter chegado num ponto que piora pouco com notícia ruim e melhora muito com notícia boa.
Isso provavelmente vindo da percepção de que um acordo, apesar de difícil, é a única opção viável, pensando que principalmente dos Estados Unidos, do ponto de vista dos Estados Unidos, os custos são muito grandes para recomeçar bombardeios, para tentar abrir o estreito à força ou não fazer nada e esperar o adversário sangrar.
Essas são também três opções que parecem pouco efetivas, e aí nesse sentido eu aposto num acordo que não parece ser tão provável quanto está precificado. Aqui no Brasil, o dia mais tranquilo em termos de dados, à espera da sequência que começa amanhã com o IPCA 15. Ontem teve a pesquisa FOCUS, que veio bastante tranquila em termos de evolução das expectativas.
com alguma alta adicional das projeções de inflação para 2026, que é natural, mas expectativas para prazos mais longos, praticamente estáveis, só com alta de 1 ponto base para 2027. Hoje tem dados de setor externo para sair, com outro resultado comercial forte em função de petróleo e soja, e também sai a confiança da construção, seguindo a do consumidor que veio ontem com queda.
Em Brasília, a PEC 6x1 teve votação adiada na comissão especial em função de um pedido de vista, com expectativa de retomada na quarta, na comissão, e voto na quinta no plenário da Câmara, segundo a CNN. Depois de reunião do presidente da Casa com o presidente da República, ficou acertado e já incluído nesse relatório que vai a voto.
um período de transição de 14 meses, com queda de duas das 44 horas semanais dentro de 60 dias após a promulgação e queda de mais duas horas para 40 semanais ao final do prazo. A CNN também reporta que o governo já se prepara para pavimentar o caminho da tramitação no Senado, considerando inclusive deixar uma gordura na transição aprovada na Câmara para os senadores cortarem um pouco mais o período e assim compartilharem o protagonismo.
mas aí não fica claro se o formato com gordura é esse de 14 meses ou se vão aumentar isso na hora de voltar para cortar depois. O fato é que essa transição de cerca de um ano é bem mais curta do que se ventilou recentemente e gera oposição do empresariado, que segundo os jornais se movimenta para destacar os riscos de efeitos indesejados no mercado de trabalho.
A propósito, veio quase como uma nota de rodapé na CNN, mas vale destacar que, segundo a notícia, o presidente da Câmara acordou com o governo tratar de mudanças nas regras de MEIs no projeto de lei que deve suceder à PEC. Essas mudanças seriam para mitigar efeitos do mercado de trabalho e podem incluir aumento do limite de faturamento das MEIs. Isso é um ponto que pode ser importante para o mercado, porque mudar esse limite tem um custo fiscal potencialmente grande.
Para terminar, o governo regulamentou via decreto o subsídio para gasolina em R$0,44 por litro, em linha com o que vinha sendo ventilado, com duração inicial de dois meses a ser pago para produtores e importadores. Importante destacar que isso não necessariamente vai virar alívio de preço de gasolina na bomba, porque tem que ver como o subsídio vai ser repassado ao longo da cadeia, e vale lembrar que a Petrobras ainda não reajustou em nada a gasolina na refinaria desde o início da guerra.
Então tem uma defasagem grande ali. E aí nesse sentido o subsídio pode ser algo mais que contém o risco de alta adicional para o consumidor do que um fator que leva à queda concreta de preços. É isso por hoje. Bom dia.