04/05/26 | Nova rodada de tensão do Golfo; governo anuncia desenrola 2.0
Análise do cenário do dia com o economista Pedro Renault.
Pedro Renaud
- Tensao Paises GolfoConflito Oriente Médio · Proposta de paz do Irã · Estados Unidos · Irã · Marinha americana · Navio de guerra americano · Petróleo
- PEC 6x1Desenrola 2.0 · PEC 6x1 · Dívidas das famílias · FGTS · Jornada de trabalho · Comissão Especial da Câmara · Desoneração da Folha · Regime de transição
- Corte de Juros do BCCopom · Ata do Copom · Ciclo de corte de juros · Pesquisa Focus · IPCA · Selic · Petróleo
- Mercado de TrabalhoPayroll · Atividade resiliente
- Sistema Eleitoral BrasileiroIndicação para o STF · Vetos do presidente · PL da dosimetria · Supremo · Congresso · Senado
- Produção Industrial BrasileiraProdução industrial de março · IGP · Pressão de preços no atacado
Bom dia, aqui é o Pedro Renaud e esse é o atual Morning Call do dia 4 de maio. Essa semana, pareceu que poderia começar com uma nova tentativa de otimismo com relação à interrupção no conflito do Oriente Médio. Ao longo dos últimos dias, os prospectos de que Estados Unidos e Irã cheguem a algum tipo de acordo melhoraram depois da notícia de que o Irã apresentou na sexta uma nova proposta de paz e que o ministro de Relações Exteriores dele disse que estão prontos para avançar na diplomacia desde que os Estados Unidos contenham seus excessos.
No entanto, ontem o presidente americano anunciou que a marinha americana vai ajudar a liberar navios que se encontrem hoje presos dentro do Golfo, atendendo a pedidos de outros países, num post relativamente longo em que ele termina ameaçando o uso de força caso esse procedimento humanitário seja comprometido.
E aí parece que essa interferência pode ter acabado de acontecer, com manchete na imprensa iraniana trazendo que dois mísseis atingiram um navio de guerra americano que entrou no estreito sem autorização. O petróleo no momento dessa gravação sobe quase 5%, de volta pra cima dos 110 por barril, mas tem gente do governo americano negando que o navio tenha sido atingido de fato.
Então, de novo, a gente tem uma semana que promete volatilidade. E aí fora a guerra, vale lembrar que tem dados de mercado de trabalho dos Estados Unidos saindo nos próximos dias, com destaque para o Payroll na sexta, mas um quadro que no agregado deve passar de novo a mensagem de atividade resiliente. Aqui no Brasil, depois do copom da semana passada, foco grande na ata, que vem amanhã, e nela o que as autoridades escrevem a respeito da extensão do ciclo de corte de juros, tendo essa palavrinha nova, extensão.
funcionado para a gente como uma pista de que o mercado deveria trabalhar com um ciclo mais raso de calibragem do que estava na pesquisa Focus até antes da reunião. Propósito importante ver como evolui a pesquisa hoje, no contexto de muita gente revisando, incorporando mais pressão, como nós fizemos na semana passada ao revisar IPCA desse ano de 4,5% para 5,2% e Selic de 13% para 13,25%, condicional ao nosso cenário para petróleo que tem alívio a partir do meio do ano.
Ainda no fronte econômico, na quinta tem produção industrial de março e sexta mais um IGP que vem bem salgado, com pressão de preços no atacado. Na política, Brasília ainda digere as votações da semana passada, que recusaram a indicação do governo para o STF e derrubaram os vetos do presidente sobre o PL da dosimetria.
Esses assuntos podem ter desdobramento, alguns jornais trazem que o governo estuda levar para o Supremo a derrubada dos vetos e também usar pressão nas redes contra o Congresso. E aí tem muito ruído sobre os próximos passos frente ao Senado no que diz respeito à nomeação pendente para a corte. Mas depois do feriado, o foco aumenta sobre o desenrola 2.0 e a PEC 6x1, que foram os pontos centrais do discurso do presidente na véspera do dia do trabalho.
Para o desenrola ainda vem mais detalhe, provavelmente hoje, mas em linhas gerais o presidente prometeu que as dívidas das famílias vão poder ser renegociadas com descontos de até 90%, teto de 2% ao mês e possibilidade de se usar até 20% do FGTS para pagamento.
Sobre mudança da jornada de trabalho, o presidente fez uma defesa enfática da mudança em meio ao início de uma ofensiva de comunicação pelo tema. Nos próximos dias, deve ser definido o cronograma para a tramitação das PEC 6x1 na Comissão Especial da Câmara. Isso é algo que dura algumas semanas e, como eu já destaquei aqui, é onde acontece o grosso da negociação, onde vamos ver, por exemplo, pressão por compensação para setores mais afetados.
pedidos de nova desoneração da Folha, coisas que eventualmente diluam o impacto do programa, como, por exemplo, também um regime de transição. É isso por hoje. Bom dia e boa semana.