A engenharia mental por trás do budismo
Fonte primária: Monja Coen conta bastidores do budismo, fala de machismo na religião, karma e prática espiritual
Trazendo as questões do ateísmo em debates! Escute no Spotify!
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- Budismo e emoçõesBarreira da linguagem e choque cultural · Adaptação da linguagem pela Monja Coen · Uso da palavra 'oração' no budismo · Lua como objeto de contemplação · Karma como ação e consequência · Rejeição budista ao karma fatalista · Priming e autossugestão · Anatta (não-eu)
- Karma e MoralidadeKarma como saldo devedor e punição divina · Karma como lei da física (causa e consequência) · Justificativa para pobreza extrema · Sistema de castas no hinduísmo antigo · Intenção do momento presente e responsabilidade coletiva · Metáfora do copo quebrado (metanóia) · Ética consequencialista e utilitarista
- Curadoria de Jorge Guerra Pires e ObrasPhD em bioinformática · Crítica social e interseção ciência, política e religião · O Paradoxo de Einstein: Ciência, Ética e o Deus Cósmico · Por que figuras públicas rejeitam rótulo de ateu · Seria a Bíblia, um livro científico · Gbiblia, a fábrica de absurdos · Audiolivro como ferramenta de produtividade
- Julgamento do MacacoLei Batur e ensino sobre evolução · Fé contra ciência, raça, poder e consciência · Questão técnica aplicada pela suprema corte · Democracia em avaliação
E 1925, na cidade de Dayton. Skull, jovem mestre, aceitou o vão. A lei Batur dizia que não se podia ensinar que o homem veio do animal. Os jornais chamaram de julgamento do macaco. A cidade virou palco, grande espetáculo. Não era só fé contra a ciência, era sobre raça, poder e consciência.
Sabe, antes da gente mergulhar de cabeça na análise de hoje, eu queria dar uma dica bem prática para o pessoal que acompanha a gente. Ah, sim, sobre o Spotify, né? Exatamente. Porque, olha, a melhor coisa é ir lá e configurar o Spotify para baixar os áudios automaticamente ou então já colocar o nosso canal nos favoritos.
Com certeza. Assim, tipo, cada episódio novo já cai direto na linha do tempo de vocês, toca tudo em sequência, sem interrupção. Pois é. E, bom, para quem é mais do visual, quem prefere aquela interface de vídeo, a alternativa é ouvir pelo YouTube. Todos os materiais são jogados lá automaticamente no canal Jorge Guerra Pires PhD. Então, fica a dica e uma ótima escuta para todo mundo.
Perfeito. E o nosso foco hoje, o tema principal da nossa imersão é explorar uma interseção que, nossa, parece improvável à primeira vista. Verdade. Nós vamos conectar, tipo, o zen budismo, a psicologia moderna e a visão de mundo mais ateísta e secular.
Isso, e a nossa base para isso, a nossa fonte primária, é uma análise em áudio excelente feita pelo pesquisador e autor, o doutor Jorge Guerra Pires. Ele dissecou uma entrevista que a monja Coen deu para o videocast Alt-Tabit.
E a nossa missão hoje é desconstruir de vez aquela desinformação clássica sobre o budismo aqui no ocidente. Porque, sabe, a gente acha que é uma coleção de superstições, né? Mas é uma tipo uma engenharia mental incrivelmente prática. Então, certo. Vamos desempacotar isso.
Vamos lá. Eu acho que o primeiro grande obstáculo, quando a gente tenta entender o budismo, é a barreira da linguagem. O choque cultural, sabe? Nossa, sim. Porque a gente lê as coisas usando o nosso próprio dicionário mental. Exato. E o Dr. Jorge, ele nota na análise dele que a Monja Cohen é uma comunicadora, tipo, brilhante. Ela adapta muito a linguagem dela, dependendo do público que está escutando.
Ele dá aquele exemplo de quando ela fala num portal secular, tipo o UOL. Ela usa termos super técnicos, fala de atenção plena, foco. Mas aí, quando ela vai falar para um público mais amplo aqui no Brasil, que convenhamos ter uma base cristão muito forte, ela muda. Ela chega a usar palavras como oração.
E é aí que o bicho pega, né? Porque para o nosso ouvido ocidental, a palavra oração já dispara um gatilho. A gente já pensa numa submissão, num pedido para uma divindade intervir na realidade e conceder um desejo. Pois é. Só que no budismo não tem essa figura de um Deus criador anotando pedidos, entende? Mas espera, deixa eu fazer o advogado do diabo aqui. Porque tem um exemplo nas fontes que é muito curioso. A oração para a lua.
Ah, sim. O ritual de lua cheia. Isso. A monja relata que, tipo, no mosteiro eles abrem as portas, os monges ficam virados para a lua cheia e começam a fazer recitações.
Olha, para quem olha de fora, isso é tipo a definição de dicionário de idolatria, né? Rezar para um satélite natural. Eu sei, parece muito isso. Mas o que o material explica é que no budismo, a lua ali é só uma escolha estética. Como assim estética?
Ela é um objeto de contemplação. O Dr. Jorge deixa bem claro que ninguém ali está pedindo favor para a Lua. Não é uma divindade que vai te dar uma promoção no trabalho. Entendi. Sabe o que me vem à cabeça? É tipo quando você coloca a foto de uma praia, uma paisagem bem calma, como o papel de parede do celular.
Olha, ótima analogia. Né? Ninguém está lá rezando para o iPhone, um adorando a tela do celular. A imagem está lá só como um lembrete visual para você respirar e voltar para o momento presente. Exatamente isso. A lua ali é só uma referência gigante e luminosa para ancorar a mente. Não é magia, é foco.
Bom, e se rezar para a Lua não é um ato de magia, a gente precisa falar do conceito que eu acho que é o mais distorcido de todos por aqui, o karma.
Nossa, o karma sofreu muito no Brasil, coitada. A gente misturou tudo, né? Pegou a influência do espiritismo kardecista, do cristianismo e fez uma salada. É, a gente transformou o karma num saldo devedor de vidas passadas. Como se fosse uma punição divina, sabe? Ah, bateu o carro. É o karma. Tá pagando pecado.
Pois é, mas as fontes são categóricas. O Dr. Jorge explica que a tradução de karma é pura e simplesmente ação. Só isso.
Ação. Sem um juiz invisível dando nota. Sem juiz nenhum. A monja Cohen usa aquela metáfora perfeita do bumerangue. O karma, na verdade, é como se fosse uma lei da física. É causa e consequência. Tipo gravidade, né? Soltou o copo, ele cai. Exato. Se você age de forma tóxica no seu trabalho, por exemplo...
A consequência mecânica e social disso é que as pessoas vão se afastar. Não é um universo te punindo misteriosamente. É a sua ação retornando. Tá, mas peraí. Porque isso tem um perigo, né? Se a gente não tomar cuidado, isso vira um karma fatalista. Tipo, justificar a pobreza extrema dizendo que a pessoa mereceu por causa de algo que fez antes.
E esse é um ponto crucial que a análise levanta. O hinduísmo antigo, antes da revolução do budismo, usava o karma exatamente assim, como uma justificativa para o sistema de castas. Ah, o pobre sofre porque merece porque foi impuro.
É uma cerca moral terrível. Sim, e o budismo rejeita isso completamente. O budismo foca na intenção do momento presente, na responsabilidade coletiva, sabe? Se o sistema é injusto hoje, a ação ou o karma para mudar isso é nossa responsabilidade agora. E isso tira aquele peso mágico da coisa toda. O que me lembra da história pessoal que o Dr. Jorge contou nas fontes, que é fantástica. Ele dizia que tinha muito medo de falar dos projetos dele para outras pessoas.
Ah, o medo de dar errado, do mau olhado. Exatamente. Ele, tipo, escondia até a prova da faculdade por medo da inveja alheia estragar tudo. Era pura superstição. Mas aí a gente vê como a ciência explica a mecânica disso.
Porque não tem energia negativa derrubando o projeto, tem, na verdade, uma liberação de dopamina. Pois é. Quando você conta a vantagem para alguém e a pessoa te elogia, seu cérebro 1 recebe aquele banho de dopamina da validação social. E o cérebro relaxa. Exato. Ele entende, tipo, ah, já ganhamos o prêmio, não preciso mais me esforçar. A pessoa perde a motivação. Olha só, a gente achava que era a magia do universo, mas era só a neurociência básica de causa e efeito. É muito doido isso.
E tendo estabelecido que o budismo age nessas mecânicas compreensíveis, o que é fascinante aqui é ver como essas práticas são totalmente validadas pela psicologia moderna. Se diz coisas tipo meditação e mantras? Isso, porque o Dr. Jorge traz para a discussão o trabalho do Daniel Kahneman, aquele ganhador do Nobel que escreveu rápido e divagor.
Ah, o cara da divisão entre o sistema 1 e o sistema 2 da mente. Esse mesmo. O sistema 1 é aquele rápido automático que age por instinto. E o sistema 2 é o lógico devagar analítico. Tem aquele experimento famoso dele, né? O efeito Flórida.
Sim, no experimento eles deram umas palavras embaralhadas para os estudantes formarem frases, só que as palavras eram tipo rugas, esquecimento, Flórida, que é onde os idosos se aposentam lá nos Estados Unidos. Tudo remetendo à velhice. E eles nem perceberam, né? Não perceberam nada. Mas o teste real era ver como eles saíam da sala. Os estudantes que leram essas palavras andaram fisicamente mais devagar pelo corredor.
É o que a psicologia chama de priming, ou pré-ativação, certo?
Perfeito. O cérebro foi sugestionado pelas palavras e mudou o comportamento do corpo sem a pessoa notar. Mas, conectando isso com o budismo, cara, isso explica os mantras? Exatamente. Quando o monge fica repetindo um mantra de paz, ou desejando o bem para quem fez mal para ele, não é um feitiço para o universo, é uma ferramenta de priming. É isso aí. Ele está, tipo, quebrando a mecânica dos pensamentos negativos do sistema 1, preparando o cérebro para ficar calmo.
É uma autossugestão fortíssima. E o Dr. Jorge ainda liga isso com Marvin Minsky, o pioneiro da inteligência artificial que escreveu A Sociedade da Mente. Aquele que diz que a gente não tem um eu central, né? Isso. Minsky defendia que o nosso cérebro opera em blocos de agentes que competem entre si. Não tem um diretor executivo na sua cabeça tomando as decisões.
É tipo um grupo de WhatsApp da família, todo mundo falando ao mesmo tempo, e o agente que gritar mais alto no momento, tipo o agente da fome ou da raiva, toma o controle. Boa comparação. E olha como isso se conecta perfeitamente com o conceito budista de Anatta, que é o não eu. A ideia de que nós somos só um agregado temporário de sensações.
Caramba! E até a postura física da meditação, sentar no zazen, coluna reta. É o corpo inteiro mandando uma mensagem no WhatsApp do cérebro dizendo Olha, agora a gente tá focado, a gente dá calma, assume o controle aí. É a engenharia mental na sua forma mais pura. Só que bom, isso nos leva a um dilema meio pesado. Se a gente pode programar a mente, e se o karma é só causa e consequência, como é que fica a moralidade nisso tudo?
Porque a gente foi treinado no cristianismo a ver o erro de uma forma muito específica, né? Muito. A gente vê o erro como um pecado que te mancha, algo vergonhoso. E a solução cristã, geralmente, é o apagar dessa mancha. É o nascer de novo, a purificação divina, você joga o passado fora.
Mas no budismo não tem isso de jogar fora, eles abraçam a totalidade da experiência. O Dr. Jorge destaca a explicação da monja Cohen sobre o arrependimento, que eles chamam de metanóio. E ela usa a metáfora do copo quebrado, que eu achei fantástica.
Muito boa mesmo. Se você deixa cair um copo e ele quebra, não adianta pedir perdão. O perdão não vai consertar o vidro. Exato. O fato mecânico já aconteceu. Você tem que ir lá, juntar os cacos um por um, colar com cuidado e, o mais importante, aprender a viver com as cicatrizes daquele copo e não derrubar de novo.
É lidar com as consequências reais, né? E é curioso porque ela conta uma história sobre quando quis ser vegetariana no mosteiro. Ah, sim. Que ela não queria comer carne, mas a motivação dela era péssima, né? Sim. Ela queria se sentir superior aos outros monges. Criou uma verdadeira cerca moral, tipo, eu sou pura, vocês são impuros.
E o mestre dela deu uma bronca gigante. Falou que essa atitude de divisão é exatamente o que cria as guerras no mundo. Pois é. O foco dogmático na regra cega ela para a consequência real da atitude, que era causar desarmonia. E isso me lembra muito a forma como o ateísmo moderno, tipo prensadores como o Sam Harris, trata a ética. É uma ética puramente consequencialista, utilitarista.
de minimizar os danos, certo? Isso, a moral secular pragmática é toda baseada no bem-estar geral, não na obediência a um dogma antigo. E a visão budista da monja Cohen se alinha demais com isso. Foca na harmonia prática, não na regra pela regra.
É uma quebra de paradigma enorme. E expandindo essa discussão toda sobre religião, ateísmo e moralidade, vale a pena a gente falar um pouco mais sobre o curador de todo esse material, o doutor Jorge Guerra Pires. Com certeza. A trajetória dele por si só já é um roteiro bem interessante.
É mesmo. Ele é um pesquisador com um PhD em bioinformática, com uma base acadêmica pesadíssima em biologia, matemática e inteligência artificial. E aí ele pegou todo esse rigor lógico e levou para a crítica social. Ele começou a escrever livros explorando essa intersecção entre ciência, política e região.
Isso. E o livro mais recente dele, que está sendo lançado agora, é O Paradoxo de Einstein, Ciência, Ética e o Deus Cósmico. É o livro 2 da série Mente Ateísta. O interessante desse livro é que ele usa a biografia do Einstein como tipo um trampolim. Ele tem anexos bem ricos sobre a vida do físico, mas o texto principal ataca um fenômeno cultural brasileiro muito específico.
Uma questão bem provocativa, né? Por que figuras públicas rejeitam tanto rótulo de ateu por aqui? É o tal do paradoxo. Por que intelectuais gigantes, como o Leandro Karnal ou até o Drauzio Varela, eles vão até um ponto na crítica, mas nunca cruzam a linha de se declarar ateus?
E o livro traça uns contrastes muito nítidos. Ele lembra, por exemplo, do Daniel Sotomayor, que era um ativista ateu, super vocal, e acabou saindo da grande mídia. Enquanto isso, a gente tem pastores envolvidos em absurdos, tipo pedir avião para a Fiel na televisão. O Silas Malafaia teve aquele debate histórico na Globo ao Vivo e a pergunta que o livro investiga é...
Porque a sociedade trata o ateísmo como se fosse algo supertóxico, mas releva comportamentos abusivos se vierem com um verniz religioso. Lembrando sempre, claro, que a gente aqui não está tomando partido, só relatando a tese do autor. Mas é inegável que é uma provocação necessária.
Sim, e ele tem outros trabalhos na mesma linha. Tem o Seria a Bíblia, um livro científico, e aquele outro, o Gbiblia, a fábrica de absurdos. Todos disponíveis na Amazon, tanto impresso quanto Kindle. E também no formato de audiolivro, no Google Play e Google Books. E olha, o audiolivro do Seria a Bíblia tem mais de 10 horas de conteúdo com três vozes diferentes para melhorar a imersão. E aqui é que fica realmente interessante. Porque o audiolivro, cara, é uma ferramenta brutal de produtividade.
Nossa, muda a vida, né? Totalmente. Antes da inteligência artificial popularizar tantos formatos, eu já achava incrível. Você consegue, tipo, ler vários livros por mês fazendo coisas triviais, cozinhando, lavando louça. Eu mesma ouço muito enquanto estou caminhando. Você baixa no celular pelo Google Play, vai para uma trilha, mesmo sem internet. É a otimização do tempo, né? Você não precisa mais ficar preso na poltrona com um dispositivo específico na mão.
É, o conhecimento denso ficou muito mais acessível. Mas, voltando e tentando amarrar tudo que a gente discutiu hoje. Vamos lá. O que a gente tira de mais importante é que esse budismo que exploramos é infinitamente menos sobre misticismo e muito, muito mais sobre assumir o controle. A autorresponsabilidade, né? A mecânica real do karma.
Exato. É parar de piercerizar a culpa e entender as ferramentas que a gente tem, tipo a meditação e o priming, para conviver melhor em harmonia. É tomar as rédeas da própria mente. E aí, se conectarmos isso ao quadro geral, eu deixo uma provocação final para o pessoal refletir. Se a gente abandonar de vez essa ideia de que o universo com o maiúsculo vai punir os maus ou recompensar os bons de forma mágica. Certo.
E se a gente entender que nós somos os únicos responsáveis pela mecânica das nossas ações, como isso muda a forma que a gente vai lidar com o próximo erro que cometemos hoje mesmo? É porque o copo pode até quebrar. Mas quem escolhe como colar os cacos e com que cuidado vamos manuseá-lo depois, somos puramente nós.
Perfeito, fica a reflexão. Muito bem colocado. Bom, chegamos ao fim de mais uma imersão. Queria agradecer a vocês que nos acompanham sempre. Não esqueçam de favoritar e adicionar nossos áudios na linha do tempo lá no Spotify para não perder nenhuma das nossas análises aprofundadas. Um grande abraço e até o nosso próximo mergulho.
Em 1925, na cidade de Dayton. Escobo, jovem mestre, aceitou o vão. A lei Batua dizia que não se podia ensinar que o homem veio do animal. Os jornais chamaram de julgamento do macaco.
Transcrição e Legendas Pedro Ribeiro Carvalho
Podia ter lua, sem fé dizia Brian O saber é mau, porta aberta O caos, caminho fatal Darão chegou, agnóstico gigante Defensor da razão, do direito constante Vila lei, ataque, a liberdade
Uma tiocracia sobre a humanidade Todos ao gramado, calor insuportável Darrell desafia a praia, ato notável Pergunta sobre Noé, show só a criação Seis dias de inúvio era a interpretação Praia admitiu, os dias eram longos Muralha do literalismo caiu com sons Derrota moral, mas a lei ainda vigorava Impacto cultural que a América sentia Escópolis pagou multa, depois anulada Pela suprema corte, questão técnica aplicada
O julgamento deixa um mar que lição Tu pois lembrava Democracia em avaliação Oh, oh, oh Evaliação Oh, oh, oh Evaliação Oh, oh, oh Evaliação Oh, oh, oh Evaliação
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