Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
Chico Alencar
Hugo Mota
Marcel Van Raten
Marcos Polon
Moses Rodrigues
Murilo Souza
Sargento Gonçalves
Zé Trovão
- Conselho de Ética e imunidade parlamentarSuspensão de Marcos Polon, Marcel Van Raten e Zé Trovão · Ocupação da mesa diretora da Câmara dos Deputados · Projeto de lei de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro · Defesas e justificativas dos deputados · Críticas ao processo como perseguição política · Comparação com golpismo e estado de exceção
- Defesa de Zé Trovão e impacto nos assessoresDesabafo emocionado de Zé Trovão · Impacto financeiro nos assessores · Citações bíblicas e históricas na defesa
- Críticas de Polon e Van Hatten à recusa de pautaRecusa da presidência em pautar projeto de anistia · Classificação das prisões como ilegais · Cenário jurídico como estado de exceção
- Chico Alencar relaciona ocupação a golpismoOfensas dirigidas ao relator e mesa diretora · Processo histórico de golpismo · Separação entre golpistas e democratas
- Expectativa de punição dos envolvidosTentativa de criminalizar a direita · Escolha de bodes expiatórios · Participação de mais de 100 nos atos
Após mais de nove horas de reunião, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Polon, do PL de Mato Grosso do Sul, Marcel Van Raten, do Novo do Rio Grande do Sul e Zé Trovão, do PL de Santa Catarina, por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e a decisão final será do plenário por maioria absoluta de votos.
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues, do União Brasil do Ceará. O texto conclui que os parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da mesa diretora da Casa na sessão do plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, eles cobravam a inclusão na pauta de votações da Câmara do projeto de lei de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Mota, só conseguiu reocupar a cadeira da presidência no dia 6 de agosto. Moses Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento.
Aumentando para 60 dias de suspensão, a pena inicialmente sugerida pela mesa diretora, que era de 30 dias. Marcos Polon respondeu por se sentar na cadeira da presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Mota. Marcel Van Hatten por ter ocupado outra cadeira da mesa. E Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à mesa.
Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, deixando, segundo ele, cerca de 20 famílias sem sustento por dois meses. Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos e classificou o momento político como de perseguição. O que me condena não são os crimes que eu cometo, mas as defesas que eu farei a vida inteira pelo povo brasileiro, pelo povo catarinense. E digo mais!
Se for preciso tomar a mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim eu o farei. Fazendo coro ao colega, Van Haten chamou o processo de perseguição política e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente.
Polon criticou duramente a recusa da presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como ilegais e o cenário jurídico atual do Brasil como estado de exceção. Durante o debate no Conselho de Ética, o deputado Chico Alencar, do pessoal do Rio de Janeiro, lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à mesa diretora e relacionou a ocupação física do plenário a um processo histórico de golpismo.
Para ele, o relatório da comissão separa os golpistas dos democratas. Vamos passando de sete horas e eu não ouvi um milímetro de autocrítica. Parece que tudo o que aconteceu...
em agosto do ano passado, foi uma beleza, um fulgor democrático. Na verdade, o que houve aqui foi autoelogio, inclusive das qualidades pessoais de bravura e honra, e elogio a uma espécie de golpismo continuado.
quanto desapreço à democracia. Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves, do PL do Rio Grande do Norte, comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita e questionou a escolha de apenas três deputados como bode expiatório, em meio à participação de mais de 100 nos atos de ocupação. Da Rádio Câmara de Brasília, Murilo Souza.