Episódios de Café Espiritual

4ª Temporada, Ep 05 - Medicina e a Espiritualidade

06 de maio de 20261h11min
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Neste episódio falamos com o José Azantos, que faz uma ponte muito bonita entre dois mundos que, durante muito tempo, pareciam separados: a medicina e a espiritualidade.
É médico de família, autor e criador de um espaço muito especial chamado “O Médico que Fala da Alma”.
E este nome, só por si, já nos diz muito. Porque há médicos que olham para sintomas e diagnósticos e depois há aqueles que, sem deixar a ciência de lado, conseguem também olhar para a pessoa inteira. Para a história, para a alma.
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Assuntos9
  • Gestão de Pacientes CrônicosPaciente com mágoa e abandono paterno · Paciente que viveu a vida com plenitude apesar da dor · Paciente com tromboembolismo pulmonar e intuição médica
  • Espiritualidade na medicinaConexão entre medicina e alma · O Médico que Fala da Alma · Saúde através da alma · Cura como caminho de encontro
  • Sinais de alerta e comportamentos suspeitosTudo acontece através de nós · Doenças como mensagens · Feridas emocionais e infância
  • Formação do Homem: Corpo, Espírito e AlmaPrioridade à alma cansada · O corpo como espelho da alma · Processo de cura em múltiplas consultas
  • Trajetória profissional de Leandro SantosChamado para a medicina · Sensibilidade e empatia desde a infância · Apoio familiar · Primeiro médico na família
  • Recursos para lidar com o lutoSeparação entre profissional e filho · Comunicação de más notícias · Amor como ferramenta de cura
  • Impacto na saúde do médicoOportunidade de conectar com o próximo · Contratempos do Sistema Nacional de Saúde
  • Inspiração profissional através do Manual do MundoProfessora Filomena (cirurgia do mundo) · Doutora Ivone (ano comum) · Doutora Raquel (orientadora)
  • Histórias de PacientesA mensagem, não o mensageiro
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Hoje eu tenho café? Tem pois. Todas as quartas-feiras, Bruno Monteiro e Diana Machado servem da tua dose semanal de café espiritual. Olá pessoas lindas, maravilhosas, talentosas, dedicadas, amorosas.

pessoas com energia, pessoas com saúde, pessoas saudáveis, pessoas que não têm alergias, pessoas que conseguem respirar bem, chegam à primavera, não levam com aqueles pólenos na cara e depois não ficam-se todas cheias de catarro, é como eu estou. Eu sinto-me a velha automaticamente, aí tal, está a sol, eu quero sair, mas depois não consigo sair porque levo com pólen na cara. Pronto. Às vezes questiono mesmo a minha vida, sabes?

Porque falar com os mortos, vamos embora. Sentir a dor dos mortos, vamos embora. Mas levar com pólen ou com uma manga na cara já me lixou o dia. Mas tudo bem, enfim. Diana Massatz. Há quatro temporadas... De demorar mais tempo para apresentar-me, mas pronto. Acho que foi só. Estamos apresentando a Diana Massatz.

Eu acho que esta relação já está a chegar a um patamar, percebes? É que eu preciso ser visto, preciso ser modernizado. As pessoas já sabem o que é que aí vem, né? As pessoas já sabem que eu estou aqui, ou seja, não é preciso de uma grande apresentação. Exato. Mas se quiseres, vamos fazer uma coisa. A partir de agora, eu vou-te apresentar de formas totalmente diferentes. A partir de agora, vou-te apresentar de formas totalmente diferentes.

Tenho um bocadinho de medo, acho que prefiro só. Eu também, eu também. Vamos apresentar a sua... Bem, a tua semana que roubei...

Diana? Sim, eu também estou toda afanada. E é curioso que estamos os dois todos afanados. Eu recuperava uma gripe e tu assim. E vamos apresentar a pessoa que vamos apresentar. Exatamente, porque pela primeira vez o café espiritual vai ao centro de saúde. Isso parece uma coisa muito chica. Que é uma coisa de... Estamos todos embutidos num centro de saúde. Que é maravilhoso. Vamos lá então.

Hoje, no Café Espiritual, recebemos alguém que traz uma ponte muito bonita entre dois mundos que durante muito tempo pareciam separados, a medicina e a alma. O nosso convidado é José A. Santos, médico de família, autor e criador de um espaço muito especial chamado O Médico que Fala da Alma. E este nome só por si já nos diz muito, porque há médicos que olham para sintomas, para exames, para diagnósticos.

E depois há médicos que, sem deixar a ciência de lado, conseguem também olhar para a pessoa inteira, para a história da pessoa, para a dor que não aparece nas análises, para o que o corpo diz.

José Lasson, o livro O Médico Fala da Alma, onde fala sobre saúde, consciência, amor, humanidade e sobre aquilo que se chama Health Soldness, a saúde através da alma. Um livro que nos convida a olhar para a cura, não apenas como ausência de doença, mas como um caminho de encontro connosco, com os outros e com aquilo que nos habita por dentro. Portanto, senhores e senhores, o nosso primeiro médico, o Dr. Lindo, José Santos.

Olá, muito bom dia, muito obrigado.

Lino, adoro. Tu, para o cabelo, serás sempre um Dancing King, Dancing Queen, portanto, se está a ser assim. Adoro essa canção. Adoro. É, não é? Adoro. Podemos começar a falar por aí. Adoro essa canção, adoro a Eurovisão, adoro tudo, portanto, essa música está... Ah, tu és da Eurovisão. Tu és da Eurovisão. Não sou fanático, não, não fanático, não, mas acho piada a tudo que tem a ver com a Eurovisão. Portanto, todos os anos vejo a Eurovisão. Tu sabes que os americanos...

Estão a tentar imitar a Eurovisão E querem fazer isto Em vez de ser com os países todos da América Não, é fazer com os Estados Unidos O melhor cantor daquele ano para fazer

Isto não pode ir para quietos, faz favor. Para quietos, a Eurovisão é nossa. É pronto, whatever. Exato. A Eurovisão é nossa. Ok. Ah, que giro. Olha, tenho aqui uma perguntinha muito interessante para ti. Como é que tudo isto começou, meu querido? Como é que tu levou a este encontro da tua alma? Portanto, como é que isto começou?

Bem, na verdade, não te posso dizer, não consigo sempre especificar o momento concreto, não houve assim um momento, uma data, uma fase. Eu acho que foi tudo de uma forma muito gradual, ou seja, isto tudo começa um bocadinho também, claro, desde que eu só era mais miúdo, mais na minha idade, mais, enfim, como costumamos dizer aqui na linguagem médica, na idade pediátrica.

eu já sentia que gostaria sempre de interagir com o próximo, entendendo o próximo eu notava muitas vezes isto em diferentes questões, ou seja, eu olhava, ou seja, eu observava-me a observar os outros e por vezes até lembro-me quando era miúdo pensar, olha, fiquei aqui uma hora só e e e e e e

a ver o mundo passar. E até achava isto muito curioso, porque na altura os chamados meninos sossegados na sala de aula eram os meninos bem comportados, os meninos que não faziam muita agitação, e portanto para muitos colegas meus isso era uma tortura, estarem ali quietinhos, estarem ali direitinhos, sem criar nenhuma agitação.

E eu lembro-me que na altura, enfim, com oito, nove anos, lembro-me de pensar, olha, mas isto para mim até não me custa, ou seja, de facto não me custava estar numa atitude contemplativa. Pronto, com os anos, os anos vão passando, e com a adolescência percebi que queria sempre seguir um percurso que fosse muito ligado a esta interação com o próximo, de entender o próximo.

mas também entender-me a mim próprio, não é? E quando cheguei à altura do final do ensino secundário, achei que a medicina seria a maior opção.

E hoje, olhando para trás, fico muito grato por a minha mente ter escutado a minha alma que me deu essa dica e eu seguia. E hoje, pronto, fico feliz porque não tinha exatamente a mesma consciência que tenho hoje, nem daqui a 20 anos vou ter uma consciência maior do que tenho hoje. Mas fico contente por a minha história ter incluído um momento em que me permitia escutar aquilo que verdadeiramente me fazia sentido.

E pronto, e assim foi. Então escolhi a medicina. Agora, basta isso para te dizer que... E depois tu és o único da tua família que está no real de medicina. Uau! Sim, sim, sim. Na verdade, é. Da minha família, não há ninguém na área. Até tenho uma tia que esteve na área da saúde, que é enfermeira. Mas a família é muito grande. Portanto, os meus pais, nada tem a ver com a saúde. A família mais próxima, nada tem a ver com a saúde.

E fui uma família enorme, fui o primeiro a ir para a área da saúde. E, curiosamente, continuo a ser. Porque, pelo que eu sei, dos meus primos que vieram a seguir, e filhos-primos, também nenhum envergadou para a área da saúde. Portanto, acaba mesmo por ser assim. Exato. Eu estou a perguntar-vos porquê. Porque é muito giro. E acho que a pessoa compreenda. E o facto de que, muitas das vezes, a saúde, ou a área da saúde, ou é uma área que é mesmo apaixonante pela pessoa,

Ou então é algo que é imposto, que os pais seguiram, os avós tentam relacionar. Então é uma coisa que tem que ser. Contigo é muito gira, porque na família ninguém está ligado a isto. Tu sentiste mesmo um chamado para nascer. E disseste uma coisa muito gira que foi. Quando a tua alma comunicou também com a tua mente. Portanto, fazer uma ligação é uma coisa muito gira.

Foste assim uma pessoa muito especial e, portanto, tu já sentias as coisinhas ou, com o passar do tempo, é que isso foi desenvolvido? É assim, eu acho que sempre senti aquilo que hoje nós temos nomes para isso, não é? Não, por exemplo...

Eu gosto só de lhes chamar empatia, não gosto de lhes chamar nada mais, mas pronto, mas sim, há os chamados empat, os empáticos, não é? Pronto, hoje em dia consegue sentar alguns nomes para isso, mas eu sentia desde muito cedo que eu conseguia efetivamente sentir o lugar mais…

mais emocional ou sentir o estado emocional das pessoas sem elas verbalizarem comigo o que sentiam. Isto notava-se muitas vezes na escola, não é? Com os meus colegas, com os meus amiguinhos, até com diferentes familiares, e notava muitas vezes isso em diferentes contextos. Por exemplo, eu lembro-me que entrava em determinados meios e...

e sentia que as pessoas tinham estado a discutir, por exemplo. Ok. Mas é o ambiente pesado. O ambiente está pesado. Exatamente. Hoje está em ambientes pesados. Portanto, eu sempre fui...

muito sintestésico e portanto sempre tomei muitas decisões baseadas nessa sensação, não é? Eu gosto muito de... Ou melhor, eu sempre aprendi a gostar de me dar crédito nesse campo, ou seja, eu sinto algo, eu tomo decisões baseadas naquilo que eu sinto e portanto sempre tomei decisões baseadas naquilo que eu sinto e portanto muitas vezes sentia tipo vou falar com aquela pessoa porque eu sinto que e eu sinto que eu sinto que eu sinto

aquela pessoa não está bem, ou eu não vou abordar este assunto porque eu sinto que aquela pessoa não está disponível para abordar este assunto. Portanto, eu tomava decisões baseadas naquilo que eu sentia, não que eu tivesse grandes evidências, quase está, porque muitas vezes eram coisas que eu sentia, era tal sentir o estado emocional dos outros, mas fui tomando essas decisões e depois, com o passar do tempo, fui percebendo que isso de facto se confirmava, ou seja, imagina, tinha alguns amiguinhos de turma.

que eu sentia que estavam tristes, ou que eu sentia que tinham ficado chateados com uma situação qualquer, ou que eu sentia que estavam magoados de alguma forma, e até tomava decisões de gente, tipo, não abordar, ou não falar sobre o assunto, ou não estar indisponíveis. Passados uns tempos, eu percebi, e eles próprios verbalizavam, ah, porque eu fiquei chateado, ou eu fiquei magoado, ou eu fiquei aborrecido, por exemplo, comecei a perceber que aquilo que eu sentia, de facto, que eu tinha as evidências posteriores. Portanto…

Desde muito cedo eu comecei a ter essa sensação. Mas essa sensação era uma sensação que na altura eu...

Como é que eu te explicar? Eu sentia, tomava decisões baseadas nisso, mas eu não tinha nome para isto, nem tinha grande consciência. Pois é, e é isso que eu ia perguntar, porque vens da saúde, não é? Onde você nos chama de outro para seguir a saúde. Mas essa empatia, essa sensibilidade sempre te acompanhou. Exato. Então agora a minha pergunta é, a nível também da sensibilidade, da espiritualidade, tinhas alguma referência na tua família de alguém também ligado à espiritualidade ou também foste um pioneiro da família?

Também não tem nenhuma referência. É porque aí o que eu digo é que quando nós temos referências na nossa família, no nosso redor, é muito mais fácil compreender as coisas. Mas as referências hoje existem porque houve um pioneiro lá atrás que andou a descobrir coisas all by himself. A questão é essa. Então é muito chique porque tu sentes a conexão da saúde e tu sentes a conexão da alma. Então tu agagas nesse bolo...

E lá vais tu, tu vais-te sozinho, portanto, que é maravilhoso. A tua família sempre te apoiou com isto? Sempre compreendeu, ok, o José é assim ou eles estranhavam sempre o teu comportamento? Não, não, sempre apoiaram. Aliás, vou te explicar, esta questão trazia sempre, na visão dos meus familiares mais próximos, não é? Sempre trouxeram esta perspectiva de que eu era uma...

uma pessoa, como diria, mais sensível, não é? Mas sensível no ponto, não no sentido, não no sentido, às vezes as pessoas, uma pessoa sensível como sentido pejorativo. Não, ou seja, sobretudo os meus pais, não é? Sempre entendiam essa sensibilidade como algo extremamente positivo. Portanto, eu também desde miúdo que tive este grande incentivo.

Porque, por exemplo, se eu mostrava um pouco mais empate, havia, claro, muitos momentos em que eu comentava com os meus pais, tipo, aquela pessoa, ou a tia, ou o tio, está um bocadinho mais triste, ou eu notei que a avó ou a avó dos meus pais eu tinha sempre aquela...

como dizem que podemos chamar de elogio, mas aquela validação do género, olha que bom que ter a reparar-se nisso. Olha, nós não tínhamos reparado, ou olha, por acaso, que bom reparar-se nisso, porque nós também achamos que sim. Ou por aí fora, ou por aí fora. Portanto, sempre muito... E repara, eu aqui estou a dizer isto, mas os meus pais, e os meus avós, estão as pessoas mais próximas, não é?

para eles isto também, esta sensibilidade é aquilo que eu também acho que é a sensibilidade que nós temos eu, tu, a Diana e todas as pessoas que nos estão a escutar, isto é uma forma de amar não é? Portanto para eles isto não teria nada de negativo necessariamente isto de sentir a dor do outro ou a alegria do outro ou sentir a emoção do outro o outro

com esta sensibilidade, para eles é sempre um lugar, vem sempre de um lugar de amor. Portanto, nunca interpretaram isto como algo estranho ou algo menos positivo, de todo, de todo, de todo. Ok, olha uma hora de muito giro. Que incrível, sim. Sim, eu costumo dizer, e digo isto muitas vezes, repare, hoje em dia, felizmente, nós temos a internet, temos redes sociais, temos, felizmente, muita informação.

mas os meus pais, portanto eu nasci em 1980 e os meus pais foram pais, sou filho único, e os meus pais tiveram que dar uma educação e crescer um filho num tempo em que não havia esta informação de parentalidade consciente, portanto eu acho que os meus pais, com a sabedoria que eles tinham, acho que...

não tinham muita informação, mas tinham a sabedoria da alma deles, não é? Portanto, acho que me foram acompanhando, sempre com, eu acho que eles foram pais super conscientes, sem saber o que é que era parentalidade consciente, não é? E, portanto, acho que...

Como eu costumo dizer, os meus pais souberam-me amar muito, o meu pai já faleceu, a minha mãe continua aqui, felizmente, muito bem, e a verdade é que os meus pais, sempre para eles, todas as decisões que tomavam, relativamente a mim, eram sempre na base do amor. Portanto, eu amo-me sempre de sentirem o que é que eu queria fazer.

sempre sentiam, e se sentiam que eu tinha um entusiasmo de dentro, não era uma birra, eu sentia um apoio gigante dos meus pais, eu lembro das grandes decisões que eu tomei da minha vida, eu tinha sempre uma plataforma de projeção, e muitas delas, e por exemplo nesta questão também agora, a minha mãe continua a acompanhar o meu percurso.

E portanto, apesar de muitas delas eram plataformas nas quais eles não tinham qualquer especificidade ou as suas mentes não estavam especializadas, por exemplo, quando eu optei por esse medicina, na área da saúde, eles não estavam dentro dessa área, mas sempre a projetar-me no mais possível neste sentido. Projetar-me no sentido de conferir todo este entusiasmo por eu estar a seguir o meu entusiasmo.

Serviriam de trampolim, não é? Exatamente, é isso. O que eles podiam fazer era, e eu não tenho muitas vezes isso nos meus pais, era entusiasmarem-se por eu estar entusiasmado. Não podiam dar entusiasmo diretamente, mas eles entusiasmavam-se por eu estar entusiasmado. E eu sentia isso. Portanto, para mim, este é o melhor que acho que se pode fazer um para o outro. Nós estamos felizes, por outro estar feliz. E eu sinto que meus pais fizeram isso sempre. Portanto.

Permite-me fazer uma pergunta, porque tu partilhaste aqui connosco. Tu vai, já partiu? Tu já estavas ligado à área da saúde? Sim, sim, sim. Sim, sim, já há dois anos. Então, eu recebo várias pessoas da área da saúde, o que eu acho sempre muito interessante. Eu acho que...

acredito sempre, desde o início do meu despertar, que as doenças da saúde, as doenças físicas, a sua que estão mais profunda é a alma. Portanto, a alma é a origem da doença física. E o que acontece é que tenho vários relatos de pessoas que estão ligadas à área da saúde e que veem os seus partidos. Mas quando veem os seus partidos, não é...

o luto não acontece logo ali. Porque quem gera a partida daquela pessoa não é a Anabela, mas sim a enfermeira Anabela. A profissional de saúde Anabela. Então, isto leva-me a perguntar, e espero estar em Varina, pouco mais ou menos, mas acho que seria uma coisa muito gira e muito humana tua.

Como é que foi lidar com isto? É porque tens a área da saúde em que tu estás a começar a perceber de alguma forma o que é que está a passar. Mas depois tu tens de perceber que, ok, isto não é meu. Isto é meu, familiar, mas isto não é o meu profissional. Como é que foi? Bem, na altura, de facto, eu senti que tive ali um papel. Fui profissional de saúde e fui filho ao mesmo tempo, não é? Nessa altura em que o meu pai faleceu.

porque havia questões que eu tive que intermediar e ser intermediário entre o meu pai e os meus colegas e portanto lembro-me de uma conversa que tivemos numa sala de espera de um serviço hospitalar em que eu tive que lhe comunicar diretamente o diagnóstico que era uma neoplasia maligna.

e antes dele precisamente fazer um exame, estávamos à espera dele fazer um exame seguinte, portanto, eu lembro-me de comunicar isso, eu lembro-me de termos dado um abraço na sala de espera, e pronto, e a partir dali eu senti que passei a ser só o filho, ou seja, houve ali, portanto, em todo o encadeamento, até ao diagnóstico, eu intervi enquanto...

enquanto filho e enquanto personal de saúde, mas a partir daquela conversa e daquele diagnóstico que fui eu, pronto, também fiz questão de ser eu a dizer ao meu pai. Ou seja, senti que podia ser, poderia usar a minha mente com os seus conhecimentos, também para o meu pai. E se eu uso a minha mente com os meus conhecimentos científicos médicos para tantas pessoas, não é? Ainda hoje de manhã o fiz e vou fazer a seguir.

senti que o meu pai nem poderia ajudar o meu pai, porque é um ser humano tal como as pessoas que eu vou tendo aqui na consulta. Ou seja, não era por ser o meu pai que eu iria não o fazer. E pensei, bem, se calhar eu sinto-me neste contexto de comunicar más notícias, eu sinto-me particularmente...

Capaz, ou seja, o que eu quero dizer com isto é, eu sinto uma conexão muito grande com a pessoa e sinto que em amor estou tratando mais fácil. E então não tenho propriamente grande dificuldade em dar más notícias, porque eu penso que estou a fazer um serviço em amor.

Não quer dizer com isso, como eu digo muitas vezes, é um processo de dor, porque eu acabo por interagir com a dor do outro. Mas sinto-me realizado nesse processo, porque eu sinto que é um processo muito íntimo, é um processo de grande envolvência.

E eu sinto que consigo ser amor naquele contexto. Se calhar há outras situações em que eu sinto que não consigo ser amor inteiramente. Acho que o meu ego se mete pelo meio e o meu ego pode complicar. E há outras situações em que eu sinto. Não, neste contexto eu sinto que se calhar ainda o meu ego se mete muito pelo meio. Eu não consigo ser amor inteiramente.

E incondicionalmente, portanto, se calhar até passo para outro colega meu, em nada contexto. Mas nesse contexto eu sinto que consigo ser amor inteiramente. E portanto, para mim, pensei, bem, se calhar não há ninguém que consiga neste momento dar esta notícia ao meu pai, a não ser, de melhor forma, de não ser eu. Pronto, e então optei por ser eu. A partir do momento em que isso aconteceu...

Todo o processo entrou um bocadinho mais técnica e já envolver aqui algumas medicações mais técnicas. E pronto, e aí percebi, tipo, ok, aqui já vou ser só o filho porque eu sou médico-família, já não tenho aqui estas especificações de oncologia. Portanto, já seri filho, não é? Eu tinha percebido, eu tinha percebido. E pronto, e assim foi. Isto para te responder, já não me olhou ancora a pergunta, acabei por divagar um pouco, mas não sei se respondi. Não, não, não sei.

Como é que foi para ti lidar mesmo com isso? Pronto, conseguiste fazer a separação? Portanto, até um determinado momento tu foi profissional de saúde e depois a partir daquele momento já foi o filho. Portanto, ok.

Sim, sim, porque, repara, e foi para uma coisa natural que é, porque o conhecimento que eu tinha, pronto, por si só, tipo, ok, a partir daqui o meu conhecimento, enquanto científico ou médico, já não dá para mais, pronto. Portanto, fui até ali.

se tivesse mais conhecimentos, imagina que eu estava na área da Oncologia. Se calhar até tinha... continuava, não é? Mas não, percebi-te. E pronto, é até aqui, é até aqui. A partir daqui, serei filho. Claro que fui dando-lhe umas luzes enquanto médico ainda, mas muito mais enquanto filho. E pronto, e assim foi. É muito interessante o facto deste projeto Café Espiritual ser mesmo assim, ser um espiritual. Porque nós estamos aqui a conversar.

mas são eles lá em cima que dão as dicas, que dão os alinhamentos. Às vezes gosto de pensar como se fosse mesmo tipo alguém da regia dizer câmera 3, 3, 2, 2, avança para 4, 4, 5, 1, vai para 8. Então é muito isto. Então o que acontece é, estás aqui a falar e eu começo a sentir fisicamente coisas que não são minhas, entende-se? Então começo a sentir o sabor de algo que para mim é cancro, começo a sentir isto, começo a sentir aquilo e depois...

dizem para apontar isso assim, ok, então há aqui associações a esta doença, há aqui associações a isto, o que é também muito interessante, porque muito obrigado também pela tua partilha e por tu estares aqui e poderes mandar cá para fora, porque é maravilhoso. Muito obrigado, muito obrigado, o gosto é todo meu, muito obrigado. Agora, nós temos uma pergunta.

Outro elemento. Podemos chamar meia volta a Deus. Acho que há meia volta a adicionar. Pronto. Por cá e tal. Quem quer o José? E há uma pessoa que decidiu comunicar.

Queridos Bruno e José, desde já um enorme abraço a cada um de vocês. Duas pessoas incríveis, maravilhosas e absolutamente luminosas. E para a Diana também, olha o pai. Para a Diana também, que a Diana é muito luminosa.

José, quero-te deixar uma pergunta. Como é que tu consegues conciliar tão bem aquilo que é a tua profissão extraordinária e necessária de médico de família com aquela que é a tua maravilhosa espiritualidade? Aqui fica esta questão. Um grande abraço para vocês e um tudo bom. É o João. Penso que é o João Magalhãesco. É o João Magalhãesco.

Exatamente, estou a ouvir aqui com os meus headphones e às vezes o som não é o melhor, mas pronto, parece uma voz do João e é o mesmo, João. Muito bem. Obrigado, meu querido João. Muito obrigado pela tua pergunta. Obrigado por teres feito parte deste episódio e em breve estaremos juntos, nós todos. Como é que eu consigo conciliar a prática da medicina familiar com a espiritualidade? É assim, resposta curta e sem...

curta, mas que eu posso desenvolver. A medicina familiar é deriva da espiritualidade. Pronto, portanto, uma das formas de eu exercer a minha espiritualidade é estar aqui e exercer a minha prática clínica. Portanto, eu sinto que vem na sequência de não é a única, não é a única, acho que a minha escrita também é uma das formas de exercer a minha espiritualidade, tenho as minhas práticas espirituais comigo próprio, é outra forma.

Mas a medicina familiar acaba por ser uma das formas de ser espiritualidade. A espiritualidade para mim é a expressão desta força espiritual que nós somos, é a expressão deste amor que nós somos, portanto a medicina familiar vem nesta expressão deste amor que eu sou. Como é que se entra, agora eu penso que o João queria perguntar, como é que se também aborda questões ligadas à espiritualidade na consulta? Penso eu que é isto que ele também queria dizer.

É de forma muito simples, porque as consultas vão lançando as suas pontas, não é? E nós agarramos. E portanto, por exemplo, ainda na semana passada, hoje é segunda-feira, para quem nos vai estar a ouvir, estamos a gravar numa segunda-feira, e ainda na semana passada, que foi na sexta-feira, desculpem, na quinta-feira,

tive uma uma paciente aqui que teve aqui uma situação diagnóstico recente e naturalmente surgiu esta constatação que é, o marido dela já faleceu e disse nós sabemos os dois que o, vamos chamar o Luís nós sabemos que o Luís está aqui connosco e vai apoiar neste caminho e vai apoiar

E ela disse-me, pois os dois sabemos. Claro que sim. E demos um abraço. Portanto, surge assim de um... Quer dizer, não é preciso... Não há uma pausa na conselha. Bem, agora vamos falar sobre o campo espiritual. Não, surge de forma muito natural, não é? Mas isso é uma coisa... Mas acho que isso não se ensina, entende? Isso és tu. E isso é maravilhoso. E vou-te dizer uma coisa. Eu...

Os lá de cima mostram-me os hospitais como se fossem, tipo, em breve. Os hospitais vão ser os hospitais da alma também, entende-se? Os hospitais que nós temos aqui, nesta dimensão mais pequena, agora parece que eu estou a falar com um discurso um pouco shanti-shanti, mas são hospitais da doença física, mas a origem da doença física é a doença da alma. E o facto de tu existires, e de tu fazeres isto de uma forma tão boa e tão autêntica,

dá-me esperança que haja mais apoio no nível da saúde, entendes? Porque ninguém te ensina a ser empático, és tu, foste tu autêntico que falas, és tu autêntico que acolhes essa mulher, és tu autêntico que falas e que lhe das o apoio e a segurança mesmo que não estejas a ver o teu companheiro, tu não estás sozinha. E o facto de tu levantares e dás o abraço, tu dás o pólo que essa pessoa precisa também. Sim, sim, sim. Entendes? Então, isso tudo e aí

faz um bolo maravilhoso. Maravilhoso. Obrigado. Obrigado, fico caro por as suas palavras. Mas isto também, eu só dei esse exemplo, mesmo para quem nos está a ouvir, perceber que isto é de uma forma muito natural. Ou seja, quando se fala, tipo, essa questão até me vão colocando, como é que se conjuga a espiritualidade com a medicina, ou como é que se traz alguns temas da espiritualidade para a medicina. Bem, é desta forma, é de uma forma muito natural. Quer dizer, não há...

Nesse contexto, foi isso que veio ao de cima e isso fez todo sentido para aquela paciente. Para mim fez muito sentido e para ela também, não é? E, portanto, fez todo sentido e aquilo foi assim que a consulta ficou, se arrematou a consulta, não é? E, portanto, e noutros contextos, em outros contextos, por exemplo, também não há, foi também na semana passada, não é? Uma paciente também que...

que vinha numa questão aqui de um, enfim, de um dilema. Vinha de um dilema. Pronto, eu não posso falar muito, porque isto é a questão sempre de sigilo, mas pronto, mas posso falar assim por alto, não é? Vinha de um dilema e, nesses contextos, e eu acabei por dizer, tipo, pronto, há aqui uma questão muito importante que é, e eu penso que, imagina, a Maria, vamos chamar a Maria, eu penso que a Maria já chegou a essa conclusão que é, a alma claramente está a dizer...

para a esquerda, e aquilo que não é a sua alma está a dizer que é para a direita. Eu pergunto, aquilo que não é a sua alma é aquilo que você é? E ela, não. Então, não se trata bem de uma indecisão. Eu até escrevi um post esta semana sobre isso, bem inspirado nessa consulta, que é, muitas vezes nós não estamos indecisos, nós estamos é com medo de seguir a escolha que já fizemos.

ou neste caso, desta paciente, muitas vezes o que é que acontece é que ela não estava indecisa, ela estava com medo de seguir a escolha da sua alma, que na verdade é a sua própria escolha, porque ela não é nada mais do que alma. Mas pronto, estás a ver, surge assim, os sistemas da espiritualidade surgiram desta forma, e a pessoa que estava do outro lado não é de todo, até pouco que eu conheço, não é uma pessoa que...

propriamente leia livros de espiritualidade a todo, mas fez todo sentido. Portanto, chegamos a dizer, depois, agora, ela foi para a vida dela normal.

Mas ela ficou com esta ideia, pronto, agora não sei que decisões ela vai tomar, mas a verdade é isto. É só para entendermos que a espiritualidade entra na consulta de uma forma muito direta. Para além da consulta que tem toda a questão clínica, como é óbvio, a questão clínica médica, não é? Ou melhor, a parte médica já inclui tudo isto. Existe a parte clínica, ou seja, uma consulta médica para mim tem a clínica, que é a parte meramente mais ligada à abordagem do tema de saúde.

E depois toda a componente que a reveste, sem a qual eu acho que uma consulta não fica totalmente completa, que tem a ver com toda esta componente mais ligada à espiritualidade. Mas a espiritualidade tem a questão da conexão com o próximo, de empatizar com o próximo, de sentir a dor do próximo. Portanto, tudo isto, na verdade...

É essencial, eu até costumo dizer que a conexão entre médico e paciente, neste campo de alma com alma, é a ponte. É uma ponte. E depois tudo o resto que passa em nível de informação, entre eu tenho isto, isto pode ser isto aqui, vamos fazer este exame, vamos fazer aquele exame, é o fluxo. Mas sem a ponte...

Este fluxo é muito difícil, não é? Porque é que se criam pontos entre dois lados de uma margem? Para facilitar todo o fluxo. Senão é tudo muito mais difícil. Claro, a pessoa atravessa o rio, o vedece, o vado, sobe a encosta, mas é tudo muito mais complicado. Portanto, uma consulta que não tenha esta conexão de alma com alma, a comunicação entre paciente e médico é possível? É. Mas é muito mais complexa.

Porque não existe a ponte. E quando há uma conexão de uma com a alma, a ponte está criada e depois o fluxo é muito mais difícil. Sem se perder, porque há pessoas que não, de facto, quando há uma ponte, podem tentar atravessar para o outro lado, mas perdem-se. Ou caem, ou resbalam, ou não conseguem nadar para atravessar o rio. Portanto, a meu ver, esta conexão de uma com a alma, esta ponte é essencial para qualquer consulta médica. Olha, falou e disse. Adoro.

Olha, vamos agora, Diana, às perguntas rápidas? Vamos. Então, vamos começar agora uma série de perguntas em que nós vamos fazer umas perguntas e a gente quer que tu fales o texto para falar, manda cá para fora, o texto para mandar, vamos embora. Muito bem. Desta altura em que o Sebastião coloca uma música tensa para isso parecer uma coisa mais tensa. Adoro.

A tua música tensa. Então, Diana Lina, vamos começar. Vamos começar. O que falta hoje na medicina? Temo. Podes explicar. Podes explorar? Ah, bom, pronto. Pensei que era, tipo, pergunta rápida, resposta rápida. Tempo. O que falta muitas vezes é tempo. Eu acho que os profissionais de saúde...

não têm tido tempo para perceber o quão especiais, ou seja, todos nós somos seres especiais e seres únicos, todos nós temos uma alma capaz de coisas extraordinárias. O que eu acho que muitas vezes acontece é que na medicina, nos profissionais de saúde, muitas vezes não têm tempo para tomar esta consciência de que são seres de amor.

Porquê? Porque a sobrecarga é de tal ordem, as consultas, as coisas que falham, as correrias, é tudo de tal forma ligado à hiperprodução de consultas, não é? Há baixos recursos também, os recursos são muito escassos, sobretudo no sistema de saúde, portanto, muitas vezes falta este tempo.

para um profissional, seja médico, seja enfermeiro, seja psicólogo, seja nutricionista, qualquer profissional, parar e perceber. Espera aí, eu estou aqui num lugar, qual é a minha missão neste campo, neste meu lugar, nesta minha cadeira, não é? A minha missão é eu usar os conhecimentos que tenho ao serviço do próximo, mas isto é um serviço de amor.

E portanto, muitas vezes parece, acho que às vezes falta tempo para tomar consciência destas oportunidades que isto tem. Portanto, quando me perguntas o que é que falta na medicina nos dias de hoje, é tempo. Porque a medicina já tem tudo. Tudo no sentido de tudo pode dar. Pois há outras áreas, não é? Pois a psicologia já tem tudo, a enfermagem já tem tudo, enfim, as terapias já têm tudo. Portanto, estas áreas diferentes, todas elas já têm todo o seu potencial.

O que é que falta? Acho que falta tempo para elas serem exploradas ao máximo, para elas serem exploradas enquanto plataformas de amor. Ok. O melhor e o pior de ser médico? Ora bem, o melhor é, sem dúvida, isto é a minha perspectiva, não é? O melhor é, sem dúvida, ter uma oportunidade extraordinária.

de efetivamente conectar com o próximo. Acho que é daquelas profissões que cria uma oportunidade única. Eu sei que haverá outras profissões em que o contacto com as pessoas é muito mais escasso.

É o que é, também são oportunidades de amar o próximo, mas é como eu costumo dizer, quando tu cumprimentas o teu vizinho que mal conheces e dizes bom dia, a oportunidade que tens de amar o teu vizinho é dizer-lhe bom dia, mas quando estás com o teu melhor amigo, as oportunidades que tu tens de amar uma outra pessoa são muito mais, porquê? Porque tens muito mais relacionamento com esse teu melhor amigo, tens muito mais campo de abertura.

Portanto, eu acho que aqui o que acontece é que a medicina oferece oportunidades de estar em grande conexão com o próximo. O pior, o pior, ser médico, agora venhaste-me assim um bocadinho, porque assim…

Quando falas o pior, vem apenas aqui à minha mente as questões ligadas aos contratempos do Sistema Nacional de Saúde. Portanto, não propriamente ligado à profissão em si, não propriamente ligado ao facto de ser médico, não é? É diferente, são coisas distintas. Não tem a ver com a profissão em si. O sistema, tem mais a ver com o sistema, não é? Que nós já sabemos muito bem. Portanto, eu não sinto...

que eu consiga responder neste momento, mas que posso pensar e depois enviar-vos uma mensagem. Não é um problema, tudo certo. Sobre o pior do ser médico. É maravilhoso, acho que isso é, já disse tudo, é maravilhoso o facto de tu só conseguires dizer o bom e não conseguires dizer o mal. Portanto, é maravilhoso. Não conseguires dizer o mal da profissão, repara. Claro, é isso aí, sim. Agora, do sistema, podemos estar aqui todo um podcast, se for falar. Claro, exato, exato. Próximo.

Chega alguém à consulta com o corpo cansado, mas alma ainda mais cansada. Por onde começar? Certamente com a alma cansada, sem dúvida. Portanto, perguntaste-me por onde começar, pela alma cansada ou pelo corpo cansado, não é? Foi o que disseste. É, sim, sim. Sem dúvida.

embora o corpo cansado nos dê sempre todas as dicas, não é? Pronto. Mas é sempre um espelho, não é? Ou seja, o que eu quero dizer com isto é, se nós olhamos para um espelho e vemos que o nosso cabelo está todo despenteado, nós não vamos tentar corrigir o nosso penteado tocando no espelho. Nós vamos sempre olhar, vamos sempre...

tocar no nosso próprio cabelo. Portanto, é sempre, se o corpo espelha, muitas vezes questões ligadas à nossa desconexão com a alma, ok, o corpo transmite essa informação.

é a utilidade que o nosso corpo tem, assim como o espelho é muito útil, para nós percebermos então o que temos que fazer em nós. Portanto, é ótimo que o corpo apareça como espelho, dá-nos muita informação, mas a fazer o trabalho temos que começar, assim como para pentear, não é? A gente não vai trabalhar no espelho, vamos trabalhar no nosso próprio cabelo para aquele penteado ficar melhor, não é? Portanto... Claro.

para depois no espelho espelhar algo que já nos agrada. Portanto, é sempre, começando sempre pela conexão com a alma. Agora, que é um processo que tem diferentes etapas? Tem, porque primeiro é preciso entender que o corpo é um espelho.

Depois preciso entender que o corpo é um espelho, que claro que tem que ser trabalhado e abordado, e vai ser abordado, porque aqui enquanto médico-famil é claro que uma vez havendo manifestações físicas de várias questões, claro que eu vou ajudar a pessoa no seu processo de...

de dor e de dor física, como é óbvio, e depois ir percebendo, tipo, ok, o corpo está a espelhar uma coisa, vamos abordar esta imagem que o corpo está a transmitir, mas por sua vez isto tem uma relação com a mente e a mente tem uma relação com a alma ou com o ego e, portanto, há toda esta desconstrução que muitas vezes é necessária e muitas vezes não acontece numa consulta, acontecem várias, que é o habitual até, é habitual a serem várias, não é? Porque hoje levantas, repara, nós e aí

se formos bombardeados. Começamos este podcast, este episódio, a falar de Eurovisão. Para quem gosta de Eurovisão, e nós sabemos que algumas atuações de Eurovisão são muito, há muita informação. Portanto, nós não conseguimos captar toda a informação vendo só uma vez. É preciso ver.

5, 6 vezes para conseguir captar todas as informações, todos os estímulos que têm aquela atuação. E às vezes...

Nesta matéria, aqui em medicina, também é um bocadinho assim, que é, perante um sintoma, não dá para eu, numa só consulta, atirar tudo para cima da mesa e abordar todas as questões. É preciso vir a uma consulta, depois vir à segunda, tal para conseguir captar todas as informações necessárias, todos os estímulos que são necessários ser captados para haver um processo de interpretação e de apreciação. Portanto...

muitas vezes não é só numa consulta, porque se eu até abordo uma questão física logo com, nesta perspectiva do, ok, uma questão física, uma doença física, vamos lá ver aqui a questão da relação entre a mente e o corpo, do corpo da mente com a relação com a alma, numa só consulta pode ser para a mente de muitas pessoas o ruivo. Portanto, nós temos que levar as coisas de uma forma é que não pareça ruivo, não é? E...

E lá está, é como uma atuação com muitos sistemas, não é? Pode-nos parecer ruído, mas depois, à medida que nós vamos vendo uma vez, duas vezes, três vezes, vamos de compondo e percebemos, tipo, ok, não, reparei naquele pormenor, aquele que está pormenor está ligado com este, e afinal a voz também está muito bem, portanto, dá-nos tempo, não é? E na consulta, não é repetir a mesma consulta, é hoje um bocadinho, amanhã a outra, mas repara, já tive consultas em que deu para fazer este processo todo.

mas outras em que não dá, para fazer tudo uma só vez. Qual é o maior sinal que a pessoa precisa parar e desouvir? Sempre que surge, eu costumo dizer isto que não é meu, não é? Eu li alguns, já nem sei quem é o autor, mas que eu gosto muito de relembrar, que é tudo acontece através de nós, nada nos acontece a nós, não é? E, portanto, qualquer situação que nos traga...

uma emoção relativamente elevada, seja de alegria, seja de dores. Eu penso que isso é sempre um sinal de algo. Portanto, se há algo que é extraordinário, que nos deixa bastante alegres e com sensação de plenitude, é sempre um sinal para algo que é...

Isto é um reflexo de que eu estou a seguir, de alguma forma estou a seguir um caminho de amor. De igual forma, situações de dores também devem ser interpretadas deste contexto que é o que é que em mim pode ter, mesmo que seja de forma não consciente, ou seja, pode ter acontecido de forma subconsciente, ou seja, eu não tive consciência disto, eu não fiz, não fiz, entre aspas, por isto.

mas é possível que eu tenha tido algum tipo de atitudes perante a vida, de forma subconsciente, que tenha gerado uma energia que depois materializa esta situação na minha vida. No contexto da medicina, isto é muito importante porque muitas vezes os sinais a nível de saúde que surgem, quase sempre, muitas vezes revelam.

questões pendentes do seu ponto de vista de feridas emocionais. Portanto, muitas situações nos levam muito a pensar nisto. Ou seja, a abordagem aqui, a abordagem da medicina enquanto médico, é sempre muito no sentido de abordar a patologia, tentar que a pessoa recupere, fique melhor, mas sempre esquecendo, nunca esquecendo, ok, por muito que recupere, que mensagem é que esta doença, esta patologia me trouxe?

que sinal, este sinal, que sinal é que é? É um sinal de alerta? É um sinal de validação? É um sinal de confiança? É um sinal, pronto, se tem que tentar perceber que por muito que as doenças sejam até aqui remitidas, elas trazem sempre uma mensagem. E nós temos que aportar a mensagem, não é? E eu falo muitas vezes sobre isto, que é, você vai melhorar, mas por favor não vamos descurar a mensagem, porque vai melhorar, eu espero, e vai melhorar.

Porque a medicina tem ferramentas incríveis e que ajudam as pessoas a melhorar, mas lá está. Vai melhorar, vai remitir, mas se a pessoa não acaba de mensagem, a mensagem vai aparecer de outra forma. Mais para a frente. E pode não ser através de outra doença. Pode aparecer sobre uma questão a nível dos relacionamentos pessoais ou a outros níveis. Ou então através de outra doença outra vez. Não é? Pronto. Sim. Grata. Gratulho. Se pudesses enviar um beijinho a um professor.

Quem seria? Ui, agora de repente falaste a segunda, foram três nomes. A minha professora Filomena, que foi a minha professora de cirurgia, de cirurgia do mundo, de faculdade, e que pronto, não sei, eu ia estar aqui em detalhes, mas gostei muito, foi uma professora que é cirurgiã, e que apesar de tudo,

tinha uma perspectiva muito... quase holística das pessoas. Talvez porque ela própria tinha passado por uma instituição de saúde. E, portanto, sempre muito confiante, muito entusiasmo, sempre me entusiasmou muito, gostava da cirurgia. Eu não segui a cirurgia, não é? Eu sou em medicina familiar, eu testava a cirurgia. Mas eu gostava muito da prática clínica da cirurgia e desta interação, portanto...

a minha professora na verdade já foi minha doutora a doutora Ivone quando acabamos a faculdade temos um ano de de intervalo por assim dizer, em que nós não escolhemos especialidade é o ano chamado ano geral, ano comum e aí estive no estágio no ensino interno e tive a doutora Ivone que também foi passava o tempo no internamento, mas também foi uma grande entusiasta desta visão do e aí

Era uma grande entusiasta dessa visão da pessoa enquanto no todo. E depois a Dra. Raquel, que foi a minha orientadora durante o meu percurso de medicina geral familiar, que nós temos a especialidade, são quatro anos, e nesses quatro anos temos um orientador. E neste meu caso foi a minha orientadora. Portanto, fora outros... Filomena, portanto, a Filomena, a Ivone e a Raquel. Adoro. Gosto, gosto.

Agora, houve algum caso de uma paciente que te tenha inspirado especialmente? Sim, sim. Por acaso, esta paciente é muito curiosa porque... Olha, agora isto é engraçado, porque lembrei-me do paciente que está aqui e outra que não está.

mas esta outra que não está deve ter entrado aqui no nosso podcast e deve ter dito, e eu? Olha, e surgiu outro, e agora surgiu, pronto, isto agora começam aqui a começar connosco, pronto. E pronto, agora, três pacientes, pronto, já não fala mais comigo, dois que já partiram, e um que não, como é que está aqui? Resumidamente, dos que já partiram,

Uma paciente, tive uma consulta com ela, portanto era um paciente que tinha mudado de médico várias vezes.

médico de família, e depois de ela entrar na minha consulta, tivemos algumas consultas em que eu percebia que havia sempre ali uma mágoa, e que não era uma mágoa relativamente aos profissionais de saúde, mas como isto acontece muitas vezes, as pessoas acabam por projetar nos profissionais de saúde algumas referências que têm dos seus próprios cuidadores.

ou seja, os pais muitas vezes, pronto, e nós enquanto médico, eu enquanto médico apercebo muitas vezes disto e então, isto é de forma subconsciente, lá está, isto não é de forma consciente e então eu sentia que ela tinha alguma questão relativamente ao pai porque em consulta eu sentia isso e portanto projetava para mim, mas também já havia projetado para outros os meus colegas anteriores, portanto ela tinha pedido para o meu dado médico porque sim, compatibilizava e aí

Pronto, depois de umas duas consultas, eu achei que, pronto, que havia ali um momento em que eu não tinha consultas a seguir, era a última consulta e sentia que não tinha que ir embora. Ou seja, não tinha nada, não tinha nenhum compromisso. Portanto, eu resolvi pousar a caneta depois de uma consulta assim com alguma tensão, em que, por exemplo, eu sugeria algo e ela desconfiava ou fazia uma pergunta que era...

para, digamos, atentar quase como provocar o meu próprio ego, mas como estava a perceber que aquilo era uma questão que não era minha, que não era comigo, pusei a caneta e disse, bem, então, olha, é assim, eu tenho tempo, esta é a última consulta, e nós temos todo o tempo do mundo para falar sobre a sua infância. Por isso, eu gostaria que me falasse um pouco sobre a sua infância.

E essa paciente, que estava sempre muito reticente, ficou assim lá para mim e disse-me, a minha infância. E eu, sim, sim, porque eu acredito profundamente que, já não sei bem as palavras que lhe disse, mas disse que lhe acreditava profundamente que tinha passado por um momento muito difícil na vida dela, na sua infância. E expliquei-lhe mesmo que, muitas vezes, as pessoas têm algumas questões, algumas feridas, algumas mágoas, corretamente ao pai ou à mãe, e que depois, com outras pessoas...

que fazem lembrar o pai ou a mãe, e depois comecei a explicar, por exemplo, o médico, muitas vezes as pessoas, este é a mente absolutamente subconsciente, eu estava assim a explicar. Ou seja, eu comecei a dissecar a razão pela qual, e enquanto eu estava a dissecar a razão pela qual, estava a explicar, estava a perguntar, pela infância, estava nesta lenga-lenga, do nada, ela interrompe-me, e diz-me, fui abandonada pelo meu pai. Pronto. Assim, do nada.

E, portanto, eu gostava naquela de explicar que as pessoas projetam, parei e disse, ah, pronto, então podemos falar um bocadinho sobre isto, porque eu acho que isso, já não lembro, mas basicamente o contexto era, efetivamente, esta pessoa tinha uma relação, era filha única, tinha uma relação complicada com a mãe e o pai era a figura de carinho que ela tinha.

mas como os pais se davam mesmo muito mal não aguentaram não aguentaram juntos e portanto o pai saiu de casa e disse-lhe que explicou-lhe quando ela tinha 10 anos não te preocupes que o pai vem te buscar é verdade que ela nunca mais viu o pai e portanto e ficou a viver com a mãe com quem sempre tem uma relação complicada e portanto essa questão dessa ferida de abandono veio muito ao de cima e só a partir dessa consulta e aí

Tudo mudou. Ou seja, tudo mudou na consulta, não é? Nessa consulta. E eu lembro-me que foi a primeira vez que eu percebi como era importante abordar estas questões de infância, porque já foi há muitos anos atrás, e marcou-me especialmente, a partir daí, comecei mesmo a querer abordar estas questões de infância de forma mais sistemática com os meus pacientes para tentar entendê-los melhor. Por isso é que me marcou. Esta paciente já acabou de falecer.

por uma situação, pronto, lá está, que eu hoje em dia acredito muito que tenha uma certa relação, ela na verdade acabou por nunca resolver muito bem essa ferida, e carregava com ela uma emoção que eu posso definir como raiva, e eu acho que isso acabou por influir muito no desfecho, eu não quero dar muito mais para nós, mas acabou por influir no desfecho da vida dela, da vida terrestre, desta vida.

Depois, outro paciente que me marcou muito. Tenho tempo para falar, ou eu gostava de alongar-me muito. Como é que sabes por causa das consultas? Sim, sim, ainda estamos tempinho. Para fazer justiça aos três, não é? Um paciente que já faleceu e que era a verdadeira, para mim, foi aquele paciente que eu posso dizer que...

também teve um diagnóstico de uma doença maligna, teve o processo todo prolongado de cuidados coletivos, enfim, foi um processo longo, e que até ao último dia ele soube viver a vida. Portanto, eu lembro-me de ele viajar com a família, vir à consulta a contar-me, mesmo com o Bengala, que tinha andado a viajar, tinha ido à Europa, tinha ido a não sei o quê, portanto, e mostrar-me as fotografias.

olha, teremos esta fotografia, teremos mais, porque vamos ter a fotografia, vamos registrar todos os momentos especiais que a vida nos traz. Portanto, era uma pessoa que no processo de desfecho da vida dele teve dor, mas nunca senti sofrimento, em nenhum momento. Eu nunca senti sofrimento dele, em nenhum momento. Tinha dores, porque a doença acabou por metastizar para os ossos da coluna, para as vértebras, portanto havia momentos em que ele tinha dor.

Mas mesmo quando ele via com dor, ele não trazia sofrimento. O que foi uma coisa extraordinária. E eu senti que isto aqui é viver uma vida, até à última, em plenitude. Não sem dor, mas em plenitude. E a terceira paciente que ainda está vivo foi uma paciente cujo caso com ela me comprovou que, de facto, nós temos muito que seguir esta nossa intuição.

e esta informação que nós captamos uns aos outros tem que saber de onde é que vem sem ter evidências. Este caso vai para o próximo livro, que vai sair no próximo mês. Boa! E é um caso que me trouxe muitas reflexões e que eu optei por não trazer no primeiro livro, mas que vem no segundo.

e que, resumidamente, é uma paciente que tinha um tromboembolismo pulmonar, que é uma situação grave. Basicamente, para traduzir, as artérias dos pulmões ficam entropidas por coágulos. Só que isso traz uns sintomas muito inespecíficos. Ou seja, a pessoa tem uma dor do peito, uma dor torácica, mas não é a dor típica de um infarto de coração.

traz uma falta de ar, mas também não é uma coisa típica como a asma, por exemplo. São temas muito específicos. E naquele contexto em que ela estava relativamente bem, até estava muito bem, eu lembro-me de ter, na interação com ela, eu lembro-me de ver aquela informação que é, ela tem um tromboembolismo pulmonar. Portanto, eu não sabia o que ela tinha, mas de repente, esta informação sai que é, ela tem um tromboembolismo pulmonar. E eu penso que foi.

a minha mente captou algo da própria meta dela. Pronto. Depois o desafio foi eu ligar para o colega que estava na urgência e pedir para aceitar baseado em nada concreto. Nada. Por favor, receita esta paciente que eu acho que tem um tranche pulmonar. E a colega pergunta, mas o que é eu?

Não sei. Eu só sei que ela tem um traumismo pulmonar. Um passarinho, como contou. E foi ali um desafio. Eu só conseguia reverter. Isso é algo que lhe ia acontecer. Percebos, lá na tomia de Grey. Se calhar. Entende-se que confia. Eu não sei, mas confia. Ok? Confia. Exatamente.

É assim, tem a ver com esta, toda a mensagem, ou seja, porquê que esta paciente me marcou? Porque há muito mais comunicação para além daquela que nós podemos observar e nós podemos escutar, não é? Portanto, esta paciente, observando-a, não havia nada a apontar, nem sob o ponto de vista de testes arteriais, ou escutação, tudo o resto, nem observando-a, ou seja, porque ela estava a falar normalmente comigo, não é? Portanto, não havia nada sob o ponto de vista concreto que eu pudesse apontar, mas eu tenho essa informação.

Portanto, essa paciente também me marcou, ou acaso com essa paciente, me marcou porque passei a confiar muito mais na informação que é transmitida entre nós, porque eu acredito profundamente que as nossas mentes também comunicam, daí os estudos sobre telepatia, que comprovam que a telepatia existe, que é a informação que passa por muito para lá da verbal e a não verbal, que nós estamos aqui neste momento a partilhar.

Sim, incrível. Estás-me a fazer lembrar que eu tenho isso muito, muito, muito, e já a miúda também tinha com uma amiga na altura, que já não sei o que é feito dela, mas eu tenho isso muito com uma amiga, esta questão da telepatia, ou seja, eu estou aqui em minha casa, normal, e algo me diz, muito forte, que está a ter uma discussão com o companheiro, e eu envio-lhe mensagem a dizer, olha...

sabes que podes partilhar tudo o que precisares, e ela só me envia de volta. E és mesmo bruxa! E eu já sei que aquilo aconteceu naquele dia. Mas é incrível. Só tenho isso assim mesmo, especificamente com ela, e é muito interessante, de facto, esta... Quando algo nos diz muito forte que...

Eu acredito que as nossas mentes conseguem perfeitamente passar a informação sem terem necessidade de usar o nosso corpo. Mas a verdade é que no nosso dia-a-dia, não é? Estamos a nossa mente tão atenta aos sinais, aos comportamentos verbais e não verbais uns dos outros, não é? E às palavras, e à intuação, e ao ruído, que de facto a nossa mente foca-se muito nas coisas mais visíveis, entre aspas, não é?

por muito que até tomemos decisões baseadas em comportamentos não verbais, que nós não estamos a ter consciência que estamos a captar, mas estamos a captar. Mas estamos a falar de uma coisa que é para além de um não verbal, não é? Estamos a falar de informação que nós carregamos e que uma outra mente consegue captar. Pronto, lá está. Esta telepatia está comprovada cientificamente, não é? E funciona mesmo. E, portanto, esta paciente eu aprendi o que é que é telepatia. Incrível.

Entretanto, já respondeste aqui a duas questões que nós tínhamos próximas, por isso eu vou saltar aqui uma e vou-te perguntar, deixa-me ver, já respondo esta e esta, porque esses casos depois acabaram por dar resposta. O que é que gostavas que os teus pacientes se recordassem de ti? Na verdade, eu gostaria que eles se recordassem da mensagem, não do mensageiro, não é?

Ou seja, não propriamente de mim, mas dos momentos das consultas. É mais nisto. E porquê? Porque as consultas vão tendo algumas... As consultas são formas de amor. Portanto, acho que, assim como eu me recordo destes pacientes, pelas suas mensagens que trouxeram, não é? Por exemplo, esta é a minha paciente da telepatia.

O outro paciente de que é possível morrer, apesar da dor, morrer sem sofrimento. O outro paciente trouxe-me esta informação de que, efetivamente, as mágoas do passado acabam por interferir muito, se nós não as transmutarmos, estas mágoas, acabam por interferir muito no nosso comportamento, no nosso dia a dia, até com coisas e com pessoas que não têm nada a ver. Portanto, eu recordo sempre muito as pessoas com as mensagens que me torceram. E eu sinto que também...

terá que ser assim, não porque nós na verdade somos a nossa alma, nós somos almas, não somos verdadeiramente as pessoas que somos, não é? Não somos as pessoas que estamos a ser, somos almas, não é? Portanto, eu hoje sou, a minha alma está nesta vida a ser o José, médico, mas se calhar no vento passado foi outra pessoa, portanto, eu acho que o que conta sempre é, são as mensagens que fico, ser recordadas as minhas mensagens.

Se a mensagem for que os meus pacientes se recordem que eles próprios são amor, porque na consulta sentiram-se como seres de amor, pronto, era isso. Acho que é o objetivo. Pronto, acho que é isso. E pronto, não penso muito nessa questão. Já ouvi aqui perguntas que tu também já respondeste, tranquilo. Então vamos para a última, que é qual é o teu tipo de café preferido?

pingado café pingado pronto, café pingado café pingado, ok se há uma coisa que eu cheguei a trabalhar na restauração e estava quando chegava lá alguém dizia assim eu quero um café sem princípio curto, sem princípio estava na fria tipo não gostas de café? tipo, muito, tira-te embora olha que é...

tenho uma pergunta extra para te fazer, que é que conselho dás a hipocondríacos? Ora bem. Terapia, não é? Manda para a travia, diz ao Bruno, trata-te. Ora bem, a hipocondria na verdade é uma das para mim é uma das formas uma das formas de medo. Portanto, é uma das formas de ansiedade, a emoção central é o medo.

é apenas uma das formas que o nosso que o nosso lançamento arranjou para lidar com questões mais profundas. Ou seja, o que eu quero dizer é o seguinte, é muito mais fácil lidar com medos relativamente à saúde, por muita dor que isso traga, porque há sempre profissionais que podem ajudar, que podem aliviar, que podem esclarecer.

E, portanto, a hipopondria muitas vezes traz. Eu não acredito muito que as pessoas têm verdadeiramente um medo de ficar doentes. Eu acho que elas... Esse é um medo secundário. Acho que há um medo primário, que é um medo de não conseguirem... Medo, por exemplo, de não serem suficientes. Por exemplo. Uma crença muito comum. Eu não sou suficiente.

Portanto, essa crença ligada ao eu não sou suficiente traz uma sensação de insegurança do poder interno e insegurança desse poder pessoal, relativamente a esse poder pessoal. E então, a hipocondria também é um bocadinho espalhidista. A pessoa sente-se com pouco poder para lidar com a sua própria... Portanto, acha que está sempre na iminência de se perder, de morrer, ou de ficar doente, ou de ficar mal. Esta é uma questão mais ligada ao corpo físico, muitas vezes.

mas que na verdade eu sinto que é uma estratégia que a nossa mente criou para lidar com uma questão mais profunda. Pronto, ou seja, eu nunca acredito que a placondria é a questão primária. Temos sempre que ir à questão, à ferida emocional, muitas vezes que vem da infância e que está a complicar a situação e que a mente, para não lidar diretamente com essa ferida, cria outra.

outra situação. Então a hipocondria é uma forma mais ligeira, apesar de tudo. Traz muito sofrimento, traz muita dor. Mas o que eu quero dizer é que não vejo a hipocondria como o aspecto a ser abordado diretamente. Acho que é melhor irmos à raiz da questão. Portanto, não sei se respondi à questão. A minha hipocondria que eu sinto é porque, como sou muito empático e sinto muito ajojo de quem já partiu,

Uma coisa é, eu estou em sessão, estou consciente, estou a sentir, vamos embora. Agora, quando eu não estou em sessão, isso não quer dizer que eu não deixo de sentir. Eu continuo a sentir na mesma. Apenas a minha consciência de, ah, ok, pronto, é alguém que partiu.

É outra, entende? Até como se eu estou no meio da rua e estou a entregar mensagens, por exemplo, estou numa sessão e sinto-te a acreditar, aquilo não é meu. Mas se não estou em sessão e sinto aquilo, automaticamente é pronto, é errado para morrer e vou morrer aqui, que horror, que vergonha. Vou morrer aqui agora, como dá-se a gente toda, está aí para o trabalho. Entende? É isto aqui.

Então eu sinto que é só mesmo por causa disso. Mas pronto, a pergunta foi-lhe desenviada por um anónimo. Anónimo, foi anónimo. Diana, para a última. Por último, que mensagem deixas a quem nos está a ouvir para encerrarmos em bom um episódio? A mensagem é a mensagem que eu gosto sempre de deixar e que repito 500 vezes.

que é somos amor. Somos esta alma. Esta alma é composta por amor, portanto somos amor e acho que a nossa missão aqui passa mesmo por manifestarmos a nossa alma, o que significa amar. Temos aqui dois instrumentos incríveis, que é a mente e o corpo. Estes instrumentos incríveis que estão aqui disponíveis para nós manifestarmos este amor que nós somos. Cada um tem a sua missão.

portanto cada um tem a sua forma de amar cada um tem a sua forma de manifestar o amor que é

Mas, assim como uma orquestra, o violoncista tem o violoncelo para expressar o talento musical. E o pianista tem o piano para expressar o seu talento musical. E o guitarrista, a guitarra. Nós todos temos milhões, cada um tem o seu, somos milhões de pessoas, milhões. Portanto, cada um terá o seu, nesta orquestra gigante que é o mundo.

Cada um tem os seus instrumentos. Que há pessoas que não estão a usar os seus instrumentos, mente e corpo, para expressar o amor que são, isso há. E basta pensarmos em alguns líderes atuais, não é? Pronto. Mas é uma pena, porque na verdade são amor tal como nós. Apenas não estão a usar. Mas pronto, depois acho que vão ter outra vida mais para a frente e talvez aí terão a sua missão.

e se calhar terão a fazer as suas aprendizagens e está tudo certo, pronto, terão mais para a frente acho eu, ainda vão a tempo fazer nesta vida, acho, toda a gente vai a tempo penso eu, mas acho que está a ser um bocado difícil isso acontecer mas pronto, por isso é isso que eu quis dizer, somos amor e a nossa missão o nosso propósito é amar

A nossa missão é distinta, porque temos momentos e corpos distintos, mas cada um vai encontrar a sua missão específica. Eu sinto muito que a minha missão passa muito por ter os relacionamentos que tenho, a nível pessoal.

por estar a trabalhar enquanto médico, por escrever, sinto que isto tudo passa muito pela minha, as minhas missões passam muito por aqui, não é? Mas pronto, o meu propósito é um só, é amar, eu acho que é o propósito comum de todos nós, não é? Todas as nossas almas têm esse propósito. Agora, por exemplo, vocês os dois têm as vossas missões, que são diferentes da minha, mas acredito que nós, nós os três, temos a mesma missão, ou melhor, temos o mesmo propósito, que é amar.

E as pessoas, quando estão a escutar, todas elas têm o mesmo propósito que nós, que é amar. Agora têm as suas missões específicas. Muito bom. Obrigada. Olha, muito amorzinho para ti. Nós vamos nos encontrar já este fim de semana no 17º Congresso de Reiki, que está no Hotel Olícipo, aqui na zona da Esfa do Oriente.

Agora, os bilhetes, há bilhetes que estão disponíveis ainda, basta procurarem o 17º Congresso de Reiki, aqui na descrição do episódio vão estar disponíveis todas as informações sobre o querido José. Então, pronto, olha, muito amorzinho para ti, nós este fim de semana encontramos para dar um abracinho, e que lá venha esse segundo filho, esse segundo livro assim bem bom. Foi um grande gosto e um prazer ter estado aqui contigo.

Então olha, que hajam mais profissionais de saúde. Obrigado. Que hajam mais profissionais de saúde, assim como tu. Está bem? Obrigado. Que haja vocês também. Muito obrigado. Muito obrigado. Nós encontramos para a semana. Então pronto, beijinho grande. Beijinho, beijinho. Tchau, tchau. Se gostaste deste episódio, comenta, partilha e envia-nos a tua pergunta. Até à próxima semana para mais uma dose de café espiritual.

Anunciantes1

O Médico que Fala da Alma

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