Só Pod 85 - Minha terapeuta roubou meu namorado
Ela procurou terapia para cuidar da própria saúde mental. Mas, aos poucos, tudo começou a sair do controle e a confiança que ela tinha na própria terapeuta virou uma das maiores decepções da vida dela.
Hoje, quem me acompanha nesse episódio é a Ana Luiza, do podcast No Sofá da Minha Casa 🫶 Muito obrigada por ter aceitado o convite!
✨ Histórias sobre abuso de confiança e pessoas que cruzaram todos os limites.
🎙️Me conta o que você achou dessa história aqui nos comentários.
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- Terapia de casal e relacionamentosAbuso de confiança · Pressionar para falar mal · Sessão individual com o namorado · Mudança de comportamento da terapeuta · Culpa pelos problemas no relacionamento · Confissão do caso · Arrependimento e pressão · Denúncia e processo judicial
- Desafios na prática clínicaAtração mútua entre terapeuta e paciente · Transferência e contratransferência · Conversas por mensagem fora do horário · Gaslighting · Encerramento da terapia · Repetição de padrão de relacionamento abusivo · Mecanismos de defesa
- Expressão pessoal e terapiaSaúde mental e burnout · Supervisão e ética profissional · Autonomia e maturidade emocional · Terapia de grupo · Ressignificação de experiências · Construção de novas relações terapêuticas
- Autoconhecimento e TerapiaTerapeuta usando ChatGPT nas sessões · Terapeuta assistindo TV durante a sessão · Terapeuta com problemas de limite
O meu namorado teve um caso com a minha terapeuta e tudo começou depois que ela passou a pressionar ele para falar mal de mim. Eu não sei o que fazer. E aí, galera, bem-vindos a mais um episódio do Só Pode Ser História. Eu sou a Isa, tô com a maravilhosa, perfeita Ana Luísa.
Oi, gente, tudo bem?
É no sofá da minha casa.
Do próprio, do próprio. Você sabe até a musiquinha.
Eu, óbvio que sei. Conta aí pra galera. Se dê uma introdução leve.
Tá. Eu sempre odiei esses momentos de ter que me introduzir na escola, na faculdade, em processo seletivo, mas... Gente, meu nome é Ana Luíza. Eu sou psicóloga, sou terapeuta, atendo em consultório, terapeuta de grupo também. E para além desse mundo aí da psicologia, na verdade, dentro do mundo da psicologia, eu resolvi fazer um podcast. Eu tive um podcast de psicologia durante 5 anos. Há 2 anos, que foi o Psicologia Sincera. E esse ano eu lancei o No Sofá da Minha Casa, que sai um pouquinho desse mundo da psicologia, mas é um pouco parecido do que a gente vai fazer aqui hoje, que é um podcast que eu sento com pessoas para a gente conversar sobre algum tema da vida, com grande objetivo da gente inspirar as pessoas a terem mais conversas profundas e importantes, gente, no sofá da casa delas.
Então tô achando muito maneiro a gente estar no seu sofá, da minha casa, com o sofá da outra casa. São vários sofás juntos. E gente, sério, sigam, acompanhem, porque amiga, eu admiro muito seu trabalho. Gosto muito, de verdade. Sempre saio impactada de um jeito positivo, sabe, dos seus episódios.
Amiga, muito obrigada. E eu fiquei pensando que curiosamente isso não foi planejado, mas hoje tá lançando no Safado da Minha Casa o primeiro episódio de história.
Mentira!
Baseado em história. Eu tava pensando nisso vindo pra cá. Falei, cara, tudo a ver então.
Nossa, já tô com...
Já vai com a diva Isa do Só Pode Ser História.
E vamos que vamos! Bora! Bom, já que nada aqui é fácil, as histórias que a gente lê, eu também não preparei histórias fáceis. Vamos lá! E aí é muito legal ter você aqui porque a gente vai ter o lado de alguém com expertise, com que pode falar, não... Eu, por exemplo, às vezes dou opinião falando: "Nossa, tá super errado", zero background em saber as coisas, mas você... Eu peço para que você se prepare.
Não, e o peso da responsabilidade, tá aqui representando os terapeutas para falar de histórias de terapeutas, mas vamos lá, vamos lá, aceitei a missão, simbora, tô curiosa para ver essas histórias.
Vão ser duas histórias hoje, a primeira bizarra, o título é: o meu namorado teve um caso com a minha terapeuta e tudo começou depois que ela passou a pressionar ele para falar mal de mim.
"Eu não sei o que fazer." Eu não faço a menor ideia do que esperar dessa história.
Nossa, não. E tem perguntas que eu acho que são válidas de responder, sabe? Que eu queria muito saber, mas vamos lá. "Eu, mulher, 26 anos, faço terapia há cerca de 1 ano. Eu procurei ajuda porque eu tava à beira de um burnout e também porque eu precisava lidar com traumas de um relacionamento anterior que acabavam afetando o meu relacionamento com meu namorado." Homem, 28 anos. Tá. Nessa época, o meu relacionamento passou a ser um tema cada vez mais frequente nas sessões.
Mas a verdade é que eu tinha procurado terapia principalmente por causa da pressão nos estudos e no trabalho. Com o tempo, eu fui me sentindo cada vez pior e eu comecei a ter mais dificuldade ainda pra lidar com tudo aquilo. Isso acabou afetando o meu relacionamento também. Como eu não tava sendo totalmente honesta com a minha terapeuta e as sugestões dela não tavam funcionando, A gente decidiu incluir o meu namorado em algumas sessões.
Tá.
A ideia era que ele tivesse uma sessão com ela sozinho pra ela entender o lado dele da história. E aí criar um plano que também levasse as necessidades dele em consideração. Ok.
Eu tô pensando em algumas coisas, mas vamos lá.
Até aí, a minha terapeuta, mulher 37 anos, tinha me ajudado muito. Ela me ajudou a entender melhor as minhas emoções e a expressar as minhas necessidades com mais clareza. E quanto melhor eu lidava com toda a pressão que eu tava enfrentando, melhor ficavam as coisas entre eu e meu namorado. Só que depois de um tempo eu comecei a sentir que tinha alguma coisa estranha acontecendo. Antes de tudo isso, ela sempre foi muito neutra.
Ela fazia várias perguntas que me ajudavam a refletir sobre o meu comportamento, sobre o meu relacionamento e sobre alguns padrões que eu costumava repetir. Mas aos poucos isso começou a mudar. Ela começou a falar mal do meu relacionamento e a me culpar pelos problemas que existiam nele. Gente, eu não sou terapeuta, mas assim, eu achava aquilo muito estranho e eu não conseguia entender da onde vinha aquela mudança. Só que mesmo assim eu tentei não pensar muito no assunto.
Eu achei que eu talvez estivesse começando a perceber que de fato eu não tratava meu namorado muito bem. Avançando pros dias de hoje, ontem eu tava na casa do meu namorado. A gente tava curtindo o dia juntos e decidiu assistir um filme antes de dormir. Do nada, ele me olha com os olhos cheios de lágrima e me fala que ele tava tendo um caso com a minha terapeuta. Ele só chorava e repetia que ele se arrependia muito do que aconteceu.
E que ele não queria me perder. Segundo ele, a minha terapeuta colocou tanta pressão em cima dele que ele não soube o que fazer e não conseguiu dizer não.
Eu posso anotar? Pera aí, gente, um segundo. É porque tá me vindo muitas coisas, né? Pera aí, deixa eu anotar.
Fica à vontade.
Pressão da terapeuta colocar Desculpa, atender o namorado, tá, gente? Desculpa, é assim que minha cabeça funciona de terapeuta, eu preciso anotando, senão eu não vou lembrar as coisas que eu tenho para falar.
Pelo que eu entendi, tudo começou quando ela chamou ele para fazer uma sessão individual. Isso aconteceu há meses e desde então eles vinham se encontrando escondidos. Depois que ele me contou tudo, eu fui para casa dirigindo chorando o caminho inteiro. Por mais que eu pense sobre isso, nada do que ele disse faz sentido para mim. "Como que ele conseguiu fazer isso comigo? Ele não para de me ligar e de me mandar mensagem. Eu tenho 3 ligações perdidas dele e milhões de mensagens dizendo que eu sou tudo para ele." Que ele nunca quis que nada disso acontecesse e que ela pressionou ele.
Ele também foi para casa dos meus pais e a minha mãe contou que ele tá arrasado. Minha mãe falou que ele fica repetindo o tempo todo que foi a minha terapeuta que pressionou ele. "Como que eu lido com tudo isso? Uma parte de mim não quer acreditar em nada disso e quer acreditar nele. A outra sabe que o que ele fez não tem justificativa." E essa é a história. Temos uma atualização, mas essa é a história.
Quer ler a atualização antes de eu comentar?
Você que escolhe.
Quero ver a atualização. Tá. Curiosa.
Deixa eu só te fazer uma pergunta, só pra eu entender. É normal Se eu tô numa terapia e eu tenho problemas no meu relacionamento, é normal que o terapeuta ou a terapeuta traga ele?
Então, isso é uma das coisas que eu anotei. E aí, o que eu pensei em começar falando é que eu não vou, gente, cagar regra aqui, porque existem muitas abordagens e existem muitas formas de trabalhar. E às vezes tem uma forma de trabalhar que eu não entrei em contato ainda e não conheço, só quero Já começar colocando essa ressalva que eu acho importante. Se é normal, eu diria que sim, mas eu tenho ressalvas em relação a isso, tá?
Porque eu fiquei pensando algumas dúvidas, fiquei pensando se essa terapeuta é terapeuta de casal, se ela tem alguma experiência em relação a isso. Vou trazer um termo técnico, mas vou explicar. Se ela faz supervisão, o que que é supervisão? Supervisão é basicamente quando você tem um psicólogo ou uma psicóloga mais experiente que te orienta nos seus casos em relação a alguma coisa que talvez você ainda não tenha uma experiência de fato, né?
Então, assim, tô trazendo isso porque é uma possibilidade, tem algumas abordagens que trabalham para além só do indivíduo, então entender como que tá a relação, entender um contexto, então sei lá, a pessoa— posso até trazer minha experiência, vou me colocar aqui. A minha terapeuta também é terapeuta de casal e terapeuta de família. Então, a gente já convidou meu namorado pra participar. Se eu não me engano, acho que a gente fez uma sessão juntos.
Mas qual que é a ressalva? Uma coisa é ela convidar ele pra participar da minha terapia e fazer uma sessão pra gente juntos cuidar. E às vezes ela até me ajudar a falar alguma coisa aqui sozinha, assim. Dá pra ter um lugar. Só que aí que entra uma das palavras que ela colocou no título, que não me pareceu que existiu na história, que é Limites. Os limites têm que ser muito bem estabelecidos. E não me pareceu assim que essa terapeuta teve esse cuidado, assim, longe de ter um cuidado, né?
Mas não pareceu que ela teve esse cuidado, porque volta a dizer, uma coisa é convidar um namorado para fazer uma sessão conjunta para cuidar, trabalhar, pontualmente, pontualmente, né? Ou chamar Eu acho que é bom trazer exemplos, né? Então, na minha própria terapia, eu já fiz uma sessão com meu namorado. Não foi uma terapia de casal, foi ele sendo convidado em uma sessão pontual pra gente olhar e ela me ajudar a trabalhar com ele uma questão ali do casal. Eu já fiz uma sessão com a minha mãe.
Eu lembro que criança eu já fiz, mas é que eu era criança.
É, é diferente.
Pai, agora deixa eu trazer seus pais.
É, não, e criança também é muito importante que os pais sejam incluídos na terapia. Então assim, por que que eu tô falando isso? Porque acho que talvez fora do meu meio seja um pouco esquisito ouvir que a sua terapeuta imaginou que poderia chamar alguma outra pessoa. E eu até acho bom, dependendo da situação. Não essa, volto a dizer.
Não, acho que nesse caso não é bom.
Mas eu acho que dependendo pode até ser assim, porque você poder acionar a rede daquela pessoa para ajudar a olhar questões.
O entorno, né?
O entorno, exatamente. Então, sei lá, gente, às vezes chamar uma amiga pra uma pessoa que tá numa situação muito difícil e poder convidar esse entorno mesmo, assim, né? Só que tem que ter limites. Uma coisa é você atender uma pessoa pontualmente na sua terapia com você. Eu, particularmente, nunca ouvi, e dentro da minha experiência, da minha formação enquanto psicóloga, enquanto terapeuta, Eu nunca ouvi a psicóloga fazendo uma sessão, a psicóloga individual sua, fazendo uma sessão individual com a outra pessoa.
E também, por exemplo, numa terapia de casal isso acontece. Então, mas, então assim, já tem essa ressalva. E aí a outra ressalva de você se relacionar com a pessoa que você está atendendo ou com o namorado da pessoa que você tá atendendo.
Assim, você tem que fazer um checklist. Se existe em algum nível um caso onde não é justificável, a palavra que eu quero dizer, tá? Mas onde isso seria: "Ai, tá bom." Não sei se você assistiu How I Met Your Mother.
Não, mas conheço.
É um caso, enfim, a Robin em algum momento ela vai fazer terapia e ela percebe, ela se envolve com o terapeuta. E aí eles param de fazer terapia, lógico, né? Param de ter a relação paciente e profissional, e eles começam a namorar. E aí, isso nunca me desceu bem, sabe? Porque eu falei: "Cara, como?" Mas, ao mesmo tempo, eu fico pensando: em algum nível imaginável, isso é aceitável? Cara... Na sua opinião.
Na minha opinião, eu diria que não.
Não, né?
Eu diria que não, só que assim, é tão...
Complexo, né?
Complexo, exatamente. Eu acho que... Assim, eu não acho, só que o mínimo a se fazer é é encerrar a relação terapêutica, né? Porque uma das coisas que eu anotei foi pressão do terapeuta, né? É isso, eu acho que é um bom tópico, porque eu fiquei pensando em duas coisas assim. A primeira é que eu fiquei me perguntando, e aí não tem uma resposta certa, tá, gente? Assim, é o que a gente tem de informação da história. Eu fiquei me perguntando o quanto que ele tá tirando a responsabilidade do ato dele e colocando na terapeuta só nesse lugar de: ah, ela me pressionou, ela me pressionou.
Assim, precisaria entender mais de que forma ela pressionou, como que foi essa pressão. Exatamente. Tem assim, isso é muito da minha forma também de trabalhar, que é de entender os significados do que as pessoas estão falando. Então o que que ele tá querendo dizer quando ele fala que ela pressionou? Porque para mim pressionar pode ser uma coisa, para você pode ser outra.
É, beira, pra mim, a primeira coisa que me veio na cabeça, beira é tipo um... Não, um asset.
É, eu pensei nisso. Então, e aí esse é o outro ponto, porque são dois vieses que podem ser um pouco contraditórios a princípio. Primeiro, a primeira coisa que eu pensei é: tá, será que ele tá se desresponsabilizando do...
Tirando a dele.
É, tirando a dele da reta e colocando só nesse lugar de: ah, me senti pressionado. Como uma justificativa ou para aliviar a culpa que talvez ele esteja sentindo, assim, pode ser. Só que ao mesmo tempo eu pensei que tem um lugar aí que é uma coisa que, assim, fala desse lugar dos limites do terapeuta e da gente ter muita noção do papel que a gente está ocupando ali. Por isso tem que ter muito cuidado, por isso tem que ter muito estudo, por isso tem que ter supervisão e tudo isso que eu estava compartilhando, não é qualquer pessoa de qualquer jeito chegar e começar a atender e assim tirar da sua cabeça e das suas próprias regras o que você está fazendo ali.
Porque é um lugar de muita responsabilidade. E embora hoje em dia— e mais uma vez, cada abordagem vai trabalhar de certa forma, eu vou falar da minha. Embora esse lugar de terapeuta e paciente ou cliente, né, assim, a gente tem esse olhar de que não é pra ser um lugar de hierarquia. De quem, assim, de uma pessoa que tá num lugar de poder e outra não. Porque, assim, na minha forma de trabalhar, eu tento estar o máximo possível de igual para igual, assim.
É como eu me sinto na minha terapia também.
Exatamente, de igual para igual, assim. Eu falo isso para as pessoas que eu atendo. Eu não vou assumir que eu sei mais de você do que você sabe de você, assim. Eu sei, eu tenho experiência, eu tenho uma teoria que respalda o meu trabalho, eu tenho um olhar, mas eu tô aqui para te acompanhar. Então, até quando alguém chega com uma expectativa de que eu fale o que a pessoa vai fazer, assim, não é o meu lugar, porque aí que começa uma relação de poder, de estar naquele lugar de detentora do saber e a pessoa num lugar meio passivo assim.
Pra mim isso não é uma relação terapêutica e uma forma de trabalhar que faça sentido.
Mas existem abordagens que são?
Então, eu acho que tem abordagens sim que colocam, acho não, tem abordagens que colocam o terapeuta num lugar um pouco mais importante, assim, importante nesse lugar de detentor do saber, vou chamar. Mas por que que eu tô trazendo isso? Porque mesmo com uma tentativa de diminuir essa hierarquia, o terapeuta fica num lugar de poder.
Sim.
De alguma forma assim, sabe?
Entendo.
Então eu acho que se esse lugar não é trabalhado e olhado com todo esse cuidado, toda essa ética, que é uma palavra muito importante que não falamos até agora, mas essencial. Essencial. E assim, essa história tem muito pouco de uma forma ética dessa terapeuta trabalhar, né? Então assim, se não tiver esse olhar cuidadoso e ético do lugar que você tá ocupando ali, é muito fácil— é uma palavra complicada de usar, mas é muito perigoso, acho que é melhor.
É muito perigoso cair num lugar em que você influencie a pessoa, em que você se utilize de um lugar de e hierarquia e de suposto saber e da pessoa tá confiando em você pra fazer coisas muito ruins e muito problemáticas. Então assim, tô falando a beça, tá, gente? Mas pra voltar no ponto de fiquei me perguntando se ele tava se desresponsabilizando, sim. Mas também fiquei me perguntando se de fato teve alguma conduta dessa terapêutica que sim, aí passa de um limite e vai pra um lugar de assédio.
É, me veio um assédio assim.
É, eu pensei nisso também. "Então, claro que eu tenho que saber diferenciar e distanciar o que que é meu e o que que é do outro." Só que ao mesmo tempo tem uma hora que ela fala: "Ah, até então ela tava dando umas percepções neutras e tal." E aí isso também é um debate dentro da psicologia, se existe de fato neutralidade assim.
Acho que 100% impossível.
Então, é isso que eu ia falar. A minha percepção é que neutralidade é diferente de você separar o que que é seu e o que que é do outro. Eu não tô ali 100% neutra, mas isso não significa que eu tô apontando um dedo.
Ou indicando o caminho, né? Não vai por A, não vai por B.
É, porque eu já fui traída, então faz isso pra você não ser assim. Isso não é terapia, tá, gente? Inclusive, se essa tá sendo sua experiência, por favor, repensa. Recomendo repensar. Enfim, porque não é o lugar, né? A gente não tá ali pra ser amiga. Mas é um lugar complexo, tem muita coisa nessa história.
Muita coisa!
Você leu a atualização?
Não tem atualização. Não tem atualização, mas acho que assim, atualização é mais pra gente saber o que aconteceu. Eu não acho que... Eu não lembro, na verdade, tá? Ai, amiga, tem!
Comentei, eu comentei as 3 coisas que eu escrevi. Pressão terapeuta, colocar a culpa e atender o namorado.
Beleza. Tá, não, ele vai lançar uma braba aqui pra gente. Tá, vai, atualização. Desculpa ter demorado tanto para trazer uma atualização e também por não ter respondido os comentários, mas eu li todos e eu fiquei emocionada com todo o apoio que eu recebi. Depois que tudo isso aconteceu, o meu ex tentou me procurar em casa, mas eu tinha ido para casa dos meus pais. Mas alguns dias depois eu resolvi falar com ele. A gente conversou por horas porque eu queria muito entender o que tinha acontecido, mas a triste realidade é Eu ainda não sei se ela realmente pressionou ele tanto assim pra transar com ela ou não.
Ah, então eles transaram.
Tá. Ele não conseguiu me dar uma resposta clara, mesmo quando eu deixei claro quais podiam ser as consequências pra carreira dela. Eu disse que se ele sentisse que o que ela fez foi coerção sexual ou abuso sexual, ele podia me procurar quando fosse. Mas que eu não consigo esquecer o que aconteceu. Mesmo que eu não saiba quem realmente começou esse caso ou quem é o culpado por tudo isso. E eu também não tô em condição de continuar pensando se ele teve qualquer participação nisso ou não. Sobre a minha terapeuta, eu denunciei ela.
Arrasou!
Pensei também que seria o correto a fazer. E eu tô entrando com um processo pra pedir indenização pelos danos que ela causou. Eu não me importo o quanto ela manipulou o meu ex ou se ele se envolveu com ela por vontade própria. Eu era paciente dela e ela me traiu da pior forma possível. Ela cruzou uma linha absurda. Eu espero que quando tudo isso acabar, ela não tenha mais nada. É isso. Agora eu tô tentando seguir em frente, tentando focar no que importa, mas tudo isso acabou comigo.
De um dia para o outro, a minha vida virou de cabeça para baixo e eu sinto que eu vou ter que recomeçar do zero em relação à minha saúde mental. Eu nem consigo imaginar confiando em alguém assim de novo. "Mas eu acho que faz parte da vida. A gente vive e aprende.
Obrigada a todo carinho e apoio que vocês me deram." Cara, eu só queria muito que essa pessoa estivesse ouvindo, porque na verdade, a primeira coisa que eu pensei, eu nem falei, que foi só falar: "Cara, eu sinto muito." Por ela estar passando por isso. É, porque assim, não é nem talvez o foco do episódio, né? A gente falou de falar mais desse lugar da terapeuta, mas eu fiquei pensando Eu lembrei de uma frase que a minha terapeuta me falou quando eu vivi coisas que eu vivi em relacionamentos passados, de traições muito puxadas assim.
E aí ela só falou: "A gente vai ter que trabalhar muito a sua confiança." Porque... E eu fiquei com vontade de falar isso, por isso que eu pensei: "Cara, eu queria que ela ouvisse." Porque assim, é um momento e é uma situação que, gente, realmente não tem muito o que falar. Não tem muito o que falar no sentido de Não tem nada que a gente possa falar que nesse momento eu acho que faria ela voltar a acreditar e confiar na pessoa ou nela mesma.
Porque eu lembro que nessa minha experiência, e é uma experiência que acontece muito com pessoas que são traídas, que não é nem só desconfiar do outro, mas é desconfiar de si. Porque eu lembro que na minha experiência eu pensava: "Tá, mas não é só não confiar no outro, mas eu não confio nem na minha própria percepção, porque como que eu não percebi isso?" A gente meio que se culpa, né? É.
Como se fosse obrigação nossa perceber alguma coisa.
Exato. Então assim, eu só fiquei com vontade de falar que eu sinto muito, assim, que ela vai ter que cuidar e trabalhar muito. Porque, cara, teoricamente a terapia, né, pra muitas pessoas a terapia inclusive é o primeiro lugar de confiança e de segurança, né? De você poder se abrir, de você poder experimentar uma relação saudável, uma relação que você possa Confiar. É isso, confiar naquela pessoa. E eu gosto de falar, né, assim, a minha abordagem tem muito esse olhar de que às vezes o terapeuta vai ser o primeiro modelo, entre aspas, de uma relação saudável, só que não é para parar ali na terapia, é para se estender e expandir.
Então, cara, eu sinto muito e eu tenho certeza que essa não é a única pessoa. Inclusive, fiquei com vontade de convidar as pessoas. Se você já teve uma experiência ruim com terapeuta e terapia, e que tem a ver com o tema da confiança e se sentir confortável, compartilha aqui embaixo. Eu sinto muito, mas compartilha aqui embaixo porque muita gente assim, eu já ouvi de pessoas de— não chega a ser isso, mas também não é legal— de pessoas que, sei lá, estavam fazendo terapia e perceberam que a terapeuta ficava vendo TV durante a sessão.
É, gente, tem profissional ruim em todas as áreas, não tem como a gente fugir.
Mas eu fiquei com isso assim, cara, ela vai ter que trabalhar muito essa questão da confiança, porque—
Não, e a confiança até no terapeuta, né? Que isso é muito triste. Tipo, caraca, que bosta você tá passando por isso, sabe? Igual você falou, um lugar que deveria ser de confiança.
Eu espero que— eu vou entender se for, se tiver traumatizante nesse momento ao ponto de não querer buscar esse espaço, mas eu espero que em algum momento Ela se dê essa chance.
E consiga, né? Porque, gente...
Não, é muito puxado, muito puxado assim. Eu já ouvi algumas histórias bizarras, mas eu acho que essa é uma das mais bizarras.
Não, é só uma pequena observação. Tem umas 4, 5 dessas que eu achei.
As pessoas não tão fazendo supervisão porque assim, conduta. Se você tá se sentindo atraído, sei lá... Isso acontece, tá? Sim, spoiler, isso acontece. Você pode vir a se sentir atraído, porque a gente não controla a nossa atração, a gente não controla o que a gente sente, mas a gente controla o que a gente faz.
Eu falo muito isso, ai que horror!
O que a gente faz. Então, se você é terapeuta agora e tá ouvindo, cara, e você se sente atraído, procure, sei lá, procure a supervisão que eu tava falando pra entender, porque às vezes você tá projetando alguma coisa sua naquela pessoa, ou é o momento de encerrar o processo. É, tem muitas outras coisas que podem ser feitas antes de você ser antiético e de você passar de todos os limites possíveis.
Então, mas você acha que ela fez certo, né, de ter denunciado?
Com certeza, inclusive denuncie. Se vocês têm uma experiência ruim, gente, não deixem de denunciar, é muito importante. É, não fica calado, né?
Sabe que eu fico meio triste, né? Porque assim, eu não sou nem um pouco da área, eu falo muito no nos episódios como uma pessoa que tá no processo de fazer, enfim. E como me ajuda muito, eu acredito que pode ajudar muito outras pessoas também. Mas também, eu acho que é um ponto negativo pro Timi Terapia. Porque tem muitas pessoas já com um preconceito da terapia em si, né. Tipo: "Ai, não preciso", blá-blá-blá. E aí, você ouve isso, eu imagino se eu fosse uma pessoa já resistente ao...
E eu ouço isso, eu falo: "Gente, beijo, adeus, mas nunca que eu vou." Então, que pena que existem essas histórias, porque acabam desencorajando.
Exato, é complicado. Eu tento me consolar, pra ser sincera, com essa ideia que eu falei, que é: bom, tem profissionais ruins em todas as áreas e todas as profissões. Então, isso pessoalmente me consola de que, cara, vão ter terapeutas, vão ter psicólogos na minha opinião, horrorosos e antiéticos. É assim, e antiéticos, dentre outras coisas. Mas eu também fico triste assim, porque eu vejo, né, enfim, sou da área e vejo o quanto que, acho que melhorou muito, mas ainda tem, assim, dependendo da bolha que você for, ainda tem uma visão da terapia ou nesse lugar de que o terapeuta vai ser quem vai te falar o que fazer, ou algo nesse sentido, ou que é a mesma coisa.
Eu converso com pessoas que da minha vida, que às vezes falam: "Ah, mas pra que eu vou fazer terapia se eu tenho um suporte do meu namorado, do meu marido, se eu tenho suporte das minhas amigas?" Que bom! A terapia não é pra ser o único lugar de conversa, não é pra ser o único lugar de suporte, mas não é a mesma coisa. Então é um desserviço, eu fico bem triste, mas saibam que essa não é A realidade. É, ou a única, né? Assim, não é pra ser, na verdade.
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Amiga, de histórias mais bizarras assim que você pode elencar, a da TV, tô pensando, cara, eu acho que essa da TV eu tive a sorte de viver, assim, eu não vivi histórias bizarras, já tive terapeuta que Ai, falava opção sexual em vez de orientação sexual. Já tive terapeuta que eu não me senti muito apoiada no meu processo de sair do armário. Então assim, que eu não gostei. Mas algo, na minha experiência, de ter algo tão bizarro assim, eu felizmente não tive.
Eu tô tentando pensar, mas eu acho, agora só tá me vindo mais essa da TV assim. Foi até inclusive uma pessoa que eu atendi. Depois que veio com isso assim, de perceber. Já ouvi também, percebi que a pessoa tava... Lembrei de uma! Ai, amo! Lembrei! Viralizou, não sei se vocês viram. Não é minha, não é de ninguém perto de mim. Mas, gente, vocês viram que viralizou? Você sabia disso? De uma pessoa que fazia terapia e que ela, assim, até onde eu ouvi da história, ela não tinha como ter 100% de certeza porque ela não tava no notebook da terapeuta pra ter certeza disso. Era online, terapia online.
Ah, das anotações. O que você disse?
Que ela percebeu e começou a suspeitar e ter quase certeza que a terapeuta dela respondia ela, colocava as respostas dela no ChatGPT. Não, não viu isso? Gente, pesquisem, eu juro que isso não é fake news. Eu vi isso no Twitter, no Instagram, e eu acho que teve alguma psicóloga, se eu não me engano, que eu vi comentando essa história.
Mas foi isso assim, do que eu vi, tipo, as sugestões que ela dava vinha tudo do ChatGPT.
É, da história que, do que eu tinha entendido, ela Ela era uma terapia online, então, né, fica mais limitado o que que você vê. Inclusive, eu prefiro muito mais atender presencial, porque é isso, fica um espaço muito mais limitado do que você tá vendo da pessoa e até do que a pessoa tá te vendo. E aí ela descrevia que ela contava as coisas, a terapeuta anotava, e eu não lembro qual que foi o gatilho que fez ela perceber que tinha alguma coisa esquisita.
Não lembro se foi uma frase muito montada, cara de inteligente.
Eu não lembro se foi a resposta da terapeuta ou se Foi ela percebendo que a terapeuta anotava, ao mesmo tempo que isso acontece, tá? Assim, eu sou uma terapeuta que anota, mas eu aviso pras pessoas que eu tô anotando.
Gente, meu terapeuta anota tudo. Porque ele lembra de coisa de 1989, que eu não era nascida. Eu lembro dele, lembro de tal pessoa que fez tal coisa.
Falo: "Meu Senhor!" Se eu não anotar, eu não vou lembrar de muitas coisas. Então, eu não anoto a sessão toda, porque pra mim o mais importante é eu estar presente pra pessoa e a pessoa estar se sentindo escutada. Então, se eu passar a sessão toda anotando, eu realmente não vou estar presente ali. Só que se a pessoa falar uma frase ou alguma coisa que— ou alguma informação importante que eu acho que eu preciso lembrar, eu dou uma anotada.
Então não é que é errado, tá? Não é que é ruim a pessoa anotar. Só que ela descrevia que ela percebia essa terapeuta anotando muito. E eu acho que é isso. Eu acho que as respostas estavam meio que sempre a mesma coisa. Muito cara de coisa.
É porque dá pra perceber quando é—
Dá, dá, dá.
Integridade, não tem como.
Que eu me lembro dessa história, ela começou a testar, tipo, sei lá, ela tava falando de um assunto, a gente tá falando aqui desse assunto, e aí do nada eu mudo de assunto, começa a falar de outra coisa, e aí a terapeuta meio que ficava voltando, o tempo todo voltando, mas voltando e dando as mesmas respostas. Gente, procurem essa história.
Não, eu vou procurar agora.
Esse foi o que eu vi, não é da minha experiência, ninguém que eu conheço, mas que eu achei muito bizarro. E que é isso, né, agora com inteligência artificial, ChatGPT, eu Imagino que isso vai ficar comum. Gente, eu tô pensando aqui, gravando, eu tô pensando, cara, esse episódio vai ser basicamente um alerta para as pessoas não fazerem terapia. Mas não, gente, tem essas vivências. Eu falei para as pessoas comentarem experiências ruins, se você teve uma experiência boa também comenta aqui embaixo.
Isso é verdade, já vai deixando seus humildes, gente.
É, para dar uma incentivada.
Não, mais do que eu falo de terapia, eu acho que eu até sou meio chata. Sabe? E eu entendo também que lógico. Eu acho que talvez posso estar errada, tá? Mas eu acho que a gente tem que estar um pouco aberta, pelo menos, ao processo. Não tem como ser: "Não, eu não quero nem um pouco." Você vai, você não vai ter uma experiência bacana. Por exemplo, meu maridão aí, meu, vai fazer terapia, vai fazer terapia. Ele foi, ele: "Eu nunca mais vou." Eu falei: "Tá tudo bem, tipo, não é o seu processo no momento, demorou." Ou também às vezes não é a pessoa, eu falo muito isso também.
Tem que dar um matchzinho, sabe? A pessoa tem que, enfim, você tem que sentir, porque às vezes você vai falar, a pessoa vai falar xis, sabe? Às vezes não dá o match também.
Mas rola muito. É como, eu ia falar que é como qualquer outra relação, não, na verdade não é como qualquer outra relação, mas como qualquer outra relação no sentido disso que você trouxe, assim, gente, tem pessoas na vida que você troca e você sente que encaixa? E outras que você sente que não encaixa, não é garantia que você vai se sentir encaixado. E volto a dizer assim, eu gosto muito de trazer exemplos, e como eu não vou expor nenhuma das pessoas que eu atendo, eu vou falar dos meus exemplos, né, que aí eu posso me expor.
Mas eu já tive 3 terapeutas fixas ao longo da minha vida, uma que me acompanhou mais ali na época da adolescência, outra que me acompanhou— na verdade, a primeira terapeuta da vida que eu fui, eu não dei match, não gostei, fiz umas 2, 3 sessões, eu tinha uns 15, 16 anos. E aí fui pra outra que eu fiquei anos. E aí encerramos. Depois fui pra outra que eu fiquei acho que mais ou menos 1 ano. Encerramos. E aí entre essa segunda e a que eu tô hoje, que esse ano a gente faz 7 anos. Eu falo que ela é minha relação mais longa.
Nossa, eu vou fazer 10.
Então, só não falo que é porque eu tenho alguns amigos há mais tempo do que isso. Mas assim, é uma das minhas relações mais longas. Só que antes dela eu fui em algumas, porque eu tava passando por esse processo de entendimento de algumas coisas, até em relação à minha sexualidade, me descobrindo bissexual. E aí, se eu não me engano, eu acho que eu fui umas 2, 3 antes de ir nela, não senti esse match. E depois aí me indicaram ela. E assim, até hoje, gente, é muito match. Muito.
Eu boto muita fé que assim, tem que, tem que dar um clique, sabe? Você tem que se sentir bem. E não é que você sempre vai concordar também, é porque não é sobre concordar, é sobre tipo se sentir Se sentir bem. É, né? Conseguir ter uma troca, conseguir se abrir também.
Exatamente.
Porque, gente, a verdade é: se você mente na terapia, você mente pra você mesmo. Isso é uma bosta.
É.
Porque às vezes eu fico: "Isabela, não é bem isso que você quis dizer." Aí eu volto e falo: "Não, vai, deixa eu falar a real. Na verdade é que..." Então... Sabe?
Isso, se eu pudesse dar uma dica, como as pessoas fazem, tá, gente? Eu sei que não é... Inclusive, eu acho que a mulher na história, ela fala alguma coisa sobre isso. Não é nem o foco da história, mas ela fala algo sobre não conseguir ser honesta com a terapeuta, algo assim. Tipo assim, gente, eu sei que não é fácil, mas a minha dica de fora, que eu falo até para as minhas amigas quando estão me falando das terapias delas, é, cara, quanto mais você conseguir ser honesta, mesmo que seja desconfortável.
Cara, às vezes eu tô, vou falar uma coisa, que eu tô com muita vergonha, que eu não gosto em mim, eu acho que eu fui tóxica, eu acho que não foi maneiro, só que eu falo, até nas sessões que eu vou, não quero ir, eu falo, cara, eu não queria estar aqui hoje.
Nossa, tem vezes que eu falo, nossa, eu tô super bem, para quê? Aí eu saio disparada da cabeça.
Exatamente, exatamente. Então, e outra coisa que eu aprendi muito na minha abordagem e que também falo para as pessoas, aí vai depender também do seu terapeuta e da abordagem, como que a pessoa trabalha, né? Mas a minha abordagem é uma que trabalha muito também a partir da própria relação. Então, se você não tá se sentindo bem comigo, me fala. Se eu falei alguma coisa que te causou incômodo, Me fala. Se você for com raiva, gente, é normal sentir raiva do terapeuta.
É diferente você se sentir desrespeitado, é diferente você se sentir traído. Mas assim, de fato não é um lugar para você ir para a pessoa falar o que você quer ouvir. Então tem muitas nuances aí, mas que eu acho importante a gente tá falando e compartilhar com seus terapeutas. Se você não tá se identificando, inclusive, às vezes a gente sair compartilha, porque às vezes pode ter alguma coisa ali na relação que tá desajustada que só de você falar sobre já traz luz e vocês conseguem— já traz, você se conecta, porque senão fica baseado numa mentira, você fingindo que tá se sentindo bem ali, a pessoa achando que você tá se sentindo bem e nada— é mais uma relação performática.
É verdade.
E a ideia é que não seja assim, então fica aí a dica, gente, sejam honestos com vocês mesmos. Curiosa.
Nossa, quer a próxima? Quero.
Então vamos.
Essa daqui eu vou ser sincera, eu não entendi muito o que aconteceu. Tem dois termos que eu só queria que você desse uma resumidona. Eu pesquisei, mas eu não sei se tá correto, para a gente conseguir entender o que que é transferência e contratransferência. É porque isso é A pessoa que escreve traz muito esses termos, então, só pra gente ter uma noção do que que a gente tá lidando.
Falando em abordagens, transferência e contratransferência, eu vou ter uma limitação do que eu vou conseguir falar, porque é um termo da psicanálise, que é uma das abordagens dentro da possibilidade de atendimento em consultório. Mas eu estudei isso na faculdade e eu tirei 10 em psicanálise, então deveria saber explicar talvez melhor do que eu vou saber. Mas se eu fosse resumir, gente, se você tá ouvindo e você é psicanalista, não me massacre nos comentários, porque eu vou realmente falar de uma forma bem resumida, leiga, mas basicamente fala da relação e do sentimento que rola entre terapeuta e paciente, ou cliente, e cliente e terapeuta.
Então a transferência fala das sensações e sentimentos e tudo que envolve talvez de um Vou chamar de afeto no sentido de sentimentos, sensações mesmo, do terapeuta para com a pessoa que ela atende, ou o contrário. Não, minto, do paciente para o terapeuta, essa é a transferência, e a contratransferência é do terapeuta para o paciente. Então fica um pouco nesse lugar, basicamente, de como que tá aquela relação, o que que a pessoa tá sentindo em relação à outra. Você pesquisou?
Eu pesquisei, pelo que eu pesquisei, é isso. A transferência ocorre quando o paciente projeta inconscientemente sentimentos ou expectativas, só que ele coloca do passado na figura do terapeuta. Não sei se esse do passado faz sentido.
Pode ser, sim. Eu ia falar dessa questão da projeção, porque o que acontece, acho que de novo eu vou dar um exemplo, né? Por exemplo, se eu tô sentindo muita raiva da minha terapeuta, num olhar de desse sentido da transferência, talvez essa minha raiva na verdade não é uma raiva da terapeuta, é uma raiva que eu senti ou sinto de outras figuras da minha vida, que normalmente são as figuras dos cuidadores, pai e mãe, ou mãe e mãe, pai e pai, mas assim, de quem cuidou da gente, né, dessas figuras parentais.
E aí você, na verdade, é um sentimento relacionado a isso, mas que você tá projetando, colocando na sua terapeuta, inclusive colocando como se ela tivesse no lugar de pai e mãe, porque a gente também acaba A gente acaba às vezes fazendo isso, tá, gente? Colocar terapeuta no lugar de salvador, no lugar de mãe querer um colo, no lugar de pai. E tudo isso é para ser cuidado e olhado em terapia. Mas é nesse sentido assim, desse sentimento, sensações que vão ditar, entre aspas, como que vai ser aquela relação e o que que vai acontecer naquela relação.
Não, beleza, é isso que eu imaginei do que eu pesquisei, mas só para a gente ter certeza. Tá, vamos lá. O título é: meu terapeuta passou de todos os limites profissionais, ele tá fazendo gaslighting comigo e agora quer encerrar minha terapia.
Mais um sobre limites, bora lá.
Eu tô fazendo terapia com ele há 3 meses, tá? Meu médico me encaminhou porque eu precisava de ajuda para lidar com o— eu vou falar como tá escrito, tá? TEPT.
Isso, transtorno de estresse pós-traumático.
Perfeita. Que eu desenvolvi depois de relacionamento abusivo que eu tive no passado. E durante os primeiros meses, meu terapeuta foi ótimo. Eu realmente sentia, eu realmente sentia que ele tava me ajudando. Com o tempo, ficou claro que existia uma atração mútua entre nós.
Jesus!
Eu cheguei a pesquisar bastante sobre transferência e contratransferência para entender se aquilo era normal, tá? Na minha cabeça era só isso que tava acontecendo e não tinha nada de errado. Mas ao longo do último mês, as sessões começaram a mudar. Aos poucos, elas deixaram de parecer terapia e pareciam mais como conversas normais, com alguns flirts aqui e ali.
Ok.
Depois disso, a gente começou a se falar por mensagem. A primeira vez que eu mandei mensagem para ele foi no momento que eu tava emocionalmente abalada e com muita dificuldade de processar o que eu tava sentindo. A gente ficou se falando por mensagem por uma hora. Com o tempo, falar com ele por mensagem virou algo tão normal que já não parecia mais estranho. Então, cerca de uma semana atrás, ele me mandou mensagem à tarde por causa de um comentário aleatório que eu tinha feito.
Quando eu vi, a gente já tava conversando por 7 horas. Alguns dias depois, a gente voltou a se falar por mensagem e de novo a gente conversou por horas até umas 11 da noite. E não eram conversas sobre a terapia, a gente tava falando sobre coisas pessoais. No final da conversa, ele comentou que ele tava começando a achar que talvez a gente tivesse ultrapassando alguns limites.
Talvez.
Eu tenho para mim, eu não sei.
Não, talvez é ótimo, adorei. Talvez a gente tá ultrapassando alguns limites e que ele não sabia muito bem muito bem o que fazer. Supervisão.
Ele disse que ele tava confuso com tudo aquilo, falou que ele gostava muito de conversar comigo e que quando ele percebeu, as coisas já tinham saído do controle. Eu mencionei transferência e contratransferência e disse que eu também não sabia muito bem o que fazer porque eu não queria trocar de terapeuta. Foi aí que ele perguntou se eu não tava projetando os meus sentimentos nele por ele ser meu terapeuta. Eu achei estranho o jeito como ele me perguntou aquilo, mas eu disse que eu não achava que era isso.
Foi aí que ele disse que a gente ainda podia trabalhar tudo aquilo em terapia e que eu só precisava ser sincera sobre os meus sentimentos para que ele pudesse me ajudar. Depois disso, a gente se deu boa noite. Ou seja, tudo isso mensagem, tá? Na minha cabeça, a gente só ia voltar a se falar na nossa próxima sessão. Na noite seguinte, ele me mandou uma mensagem pouco depois das 8:30 da noite. Era só um "Oi". Eu não sei por quê, mas a palavra "Oi" sempre me dá a sensação de que alguma outra coisa ruim vem por aí.
Então, achei que ele tava entrando em contato para dizer que ele não achava uma boa ideia a gente continuar terapia juntos. Quando eu perguntei se era isso, ele deu risada e disse que ele só tava me dando um "Oi". Depois ele perguntou como eu tava, me contou sobre o dia dele. A gente ficou se falando por mais 3 horas e dessa vez a conversa parecia muito mais íntima. Não teve nada sexual de forma explícita, mas tava começando a ficar intenso e parecia que os dois estavam ficando cada vez mais envolvidos.
Tudo isso tava mexendo muito com a minha cabeça porque eu não conseguia evitar a sensação de que eu tava desenvolvendo sentimentos por ele, mesmo eu sabendo que o que tava acontecendo era inadequado, e eu tinha plena consciência disso. Eu já tinha me envolvido com homens abusivos e com caras que faziam gaslighting comigo o tempo todo, e ele sabia de tudo isso. Inclusive, foi ele que me convenceu a cortar contato com um ex. E sim, eu devia ter feito isso muito antes.
Mas ele insistiu bastante para que eu fizesse isso dentro de um determinado prazo, porque segundo ele o cara era um babaca. No sábado passado eu mandei uma mensagem dizendo que eu tava me sentindo muito mal com tudo aquilo. A resposta dele veio no mesmo segundo. Ele disse que ele tava lidando com um problema familiar e que apesar dele ter me ajudado muito quando eu tava abalada, que eu não podia ficar mandando mensagens para ele fora do horário de trabalho.
Ele falou que eu tava ultrapassando limites, que ele não ficava com o celular o tempo todo na mão, que eu não devia esperar resposta dele, que não era para eu mandar mensagem de novo. Ele também falou que ele ia me ajudar a encontrar outro terapeuta na nossa próxima consulta. Eu tenho todo o histórico das nossas conversas salvo. Eu ainda não consigo acreditar na forma como ele reagiu, porque aquilo simplesmente não reflete o que aconteceu com a gente.
O que mais mexe comigo é que quase todo contato foi iniciado por ele. E não só isso, era ele quem mantinha aquelas conversas rolando. Mas de repente ele passou a agir como se tudo tivesse se resumido àquela nossa única conversa na época que ela tava tendo problema com sentimentos dela e que ele só tava tentando me ajudar num momento difícil. Então eu não vou mais me consultar com ele. Eu nem sei se eu quero voltar pra terapia com qualquer outra pessoa.
Tudo isso abalou ainda mais a minha capacidade de confiar nos outros. Eu realmente não sei o que fazer. Eu não quero destruir a vida dele. Ele é casado, tem filhos e outros pacientes, e eu não quero machucar essas pessoas nem jogar a vida dela no caos.
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Posso dar minha impressão?
Claro.
Fora assim, né, do âmbito de terapia, para mim ele desenvolveu sentimentozinhos, sabe? Teve talvez aí uma atração mútua e ele meio que jogou a isca. Quando ele viu que pegou, ele falou: putz, não, então "Você tá confundindo as coisas", sabe? Essa impressão que me passa.
Cara, o que eu fiquei pensando, o que eu fiquei pensando é que parece que todo mundo nessas histórias tem problema com limite. Então, e isso, e volta a dizer, tá, gente, isso acontece. Terapeutas são pessoas, não justificando, não é para justificar isso, mas terapeutas são pessoas, terapeutas são pessoas com problemas também, com questões de limite. Por que que eu fiquei Fiquei o tempo todo batendo nessa tecla de: faz supervisão, faz supervisão, faz terapia.
Isso é importante. Psicólogo também precisa fazer terapia. Porque se a gente não cuida dos nossos problemas e das nossas questões, isso vai ultrapassar e vai entrar. Terapeutas podem ter problemas com limites nas suas próprias vidas, pode ter uma história de limites ultrapassados. Porque isso é uma coisa que eu perguntaria tanto pro terapeuta quanto pra ela assim: qual que é a história desse tema na vida de vocês? É uma pergunta que eu gosto de fazer também.
Qual que é a história do tema limite? Porque a gente tá vendo que não teve, não teve assim de ambas as partes. Acho que dele ali como profissional tinha uma responsabilidade, eu diria até maior, de cuidar desse limite e não teve. Mas assim, os dois têm questões de limites, então já é um caminho, uma porta aí para olhar de que situações passadas da vida relacionadas a limites dos dois podem estar aparecendo aqui assim. E uma coisa que me veio, porque eu comecei anotando, porque quando ela começou falando que foi para essa terapia depois de um relacionamento abusivo, e aí conforme você foi contando, fiquei pensando nisso, se era mais uma repetição de padrão da parte dela.
E antes de desenvolver a história e ver que ele de fato deu Concorda, né? Eu fiquei pensando se ela tava projetando. A gente falou dessa palavra projeção, né? O que que é projeção? É basicamente você pegar uma coisa que na verdade é sua e você colocar na outra pessoa, né? Então, um exemplo clássico de projeção é isso: você tem sentimentos por uma pessoa, seja bom, seja ruim, sei lá, você tem admiração por essa pessoa, ou você tem inveja da pessoa, ou você sente atraído por essa pessoa.
E ao invés de você assumir e bancar que são seus sentimentos, você coloca isso na pessoa do tipo: eu acho que ele tá atraído por mim." eu acho que ela sente inveja de mim." Então você projeta, você pega uma coisa que é sua e coloca no outro.
Por que que a gente faz isso?
Amiga, é tudo mecanismo de defesa. É assim, e eu também tenho essa visão, né? Porque tem um olhar de que mecanismo de defesa é ruim.
Sim.
O que a gente, né, da minha abordagem da Gestalt Terapia, a gente olha é que tem uma função assim. Se a gente não se defender, gente, uma pessoa sem defesas não sobrevive, não sobrevive assim. Então todos nós precisamos de defesas e existem muitos. Eu posso um dia voltar aqui e a gente faz um episódio só sobre diferentes mecanismos de defesa segundo a minha abordagem, a Gestalt Terapia. E a gente tem esse olhar de que que não é necessariamente ruim a gente ter defesas, é importante, só que é importante a gente conhecer quais são as nossas defesas, por que que a gente faz isso, para quê, qual que é a função disso.
Então é um pouco esse o território, sim. E aí, voltando no início da história, eu fiquei pensando se ela, tendo vivido tudo que ela viveu, da bagagem dela de relacionamento abusivo, tava projetando isso nele. E na verdade ele tava tendo uma conduta ok, e ela que tava de alguma forma enxergando coisa a partir dessa lente dela. Mas não, como ela descreveu assim, aí conforme a história foi passando, 7 horas. Não, não, isso assim não existe, não existe.
Eu lembro nos dedos às vezes que eu mandei mensagem para o meu terapeuta, que foi num caso muito de tipo, meu, "É sério isso?" Aconteceu uma merda e ele tá: "Demorou, então quer falar agora, quer falar amanhã?" Mas nunca também, porque a situação permitiu que a gente conversasse logo em seguida. E só assim, eu não imagino trocando 7 horas de conversa com meu terapeuta.
É, não, é outra coisa assim. Eu acho que o tema dessas histórias, as duas têm esse, acho que tem essa palavra no título, é limite mesmo.
É limite, é.
Porque a questão, e aí eu vou voltar um pouquinho no que eu falei de que Seu terapeuta pode chamar seu namorado para, enfim, gente, isso tudo é com cuidado, é com uma técnica por trás e é com contorno. Eu gosto muito dessa palavra, que contorno nesse sentido de assim, qual que é a linha, qual que é a delimitação, que ele me fala do que que delimitação, até onde a gente vai e o que que é isso e até onde passa dessa delimitação.
Então Nesse exemplo da sessão com o namorado, né? Você vai construir assim, qual que é o sentido dessa sessão?
Pra quê?
Pra quê que você vai fazer isso? E qual que é o limite? Então, ah, não vou entrar nisso porque isso passa de um limite. Não vou transar, né? Ou vou fazer uma sessão individualmente e continuar assim. Tem, é isso, né? Mas os dois, nitidamente, é isso, antiético. Falta de limite, falta de contorno. Tô pensando se tem mais alguma coisa assim, deixa eu ver.
E sabe o que eu saio dessa história com a mesma sensação que eu saí da outra? Que pra mais uma pessoa, assim, o processo terapêutico foi meio que queimado, sabe? E aí essa pessoa, tanto que muito louco que as duas pessoas falam a mesma coisa. Eu não sei se eu vou confiar de novo em nenhum terapeuta. Porque, gente, natural que você de fato tenha tipo um certo receio, sabe?
Claro, claro. E aí que entra o que eu tava falando da questão das defesas, que não é Não é que é necessariamente bom pensar que essa pessoa nunca mais vai confiar num terapeuta ou em ninguém. Não é que é bom, mas não faz sentido a pessoa criar uma defesa?
Com certeza, gente.
É meio que isso assim.
Com certeza.
Eu espero, volto a dizer, eu espero que essas pessoas tenham a oportunidade de ter a experiência de viver outra terapia e outra relação que ressignifique, porque eu gosto muito dessa palavra também, acho que a terapia é um grande processo de ressignificação. Nossa, sim. Assim, não dá para você mudar sua história, não dá para você mudar as coisas que você viveu, a gente não tem esse controle assim, mas eu acho que é um grande processo de às vezes ou significar, no sentido de dar sentido e dar significado pras coisas que você viveu, que às vezes não tem uma palavra assim.
Por exemplo, às vezes você vê alguma coisa e ao longo do processo da terapia você vai dar um nome. "Ah, isso aqui foi uma violência." Sim. "Ah, isso aqui é manipulação." "Ah, isso aqui ultrapassou um limite." Então é um processo de nomeando.
De colocar, tipo, uma etiquetinha. Tipo, isso daqui foi tal coisa.
Eu gosto muito dessa imagem que é tipo como se você entrasse numa casa toda bagunçada. E aí o processo é ir entrando cômodo por cômodo e organizando. Que você nem sabe, sei lá, que aquele sapato tava ali, porque tá tudo bagunçado. Então, arrumando, você vai ver: "Caraca, esse sapato tá aqui!" Aí você bota ele no lugar. "Ah, nossa, isso aqui eu nem sabia que tava aqui!" Então é um grande processo de arrumação, mas não tenham, gente, também a expectativa e aí o ideal, a idealização de que tem um lugar a se chegar, de que em algum momento a casa vai estar 100% aprovada.
Vou trazer muito da minha experiência com a terapia. É que, primeiro, a gente é muito complexo. Acho que tem várias camadas nossas que nem sempre estão disponíveis pra gente acessar. E a gente muda muito. É. Gente, eu tenho a mania de anotar as minhas sessões, né? Então eu anoto sempre coisas marcantes, sabe? É muito louco que tem sessões que as minhas anotações são uma bagunça, tem sessões que são todas bonitinhas. E vira e mexe, sei lá, uma vez por ano eu gosto de rever, sabe?
Tipo, revisitar esses lugares. E aí eu olho e falo: "Meu Deus do céu!" Tipo, como eu mudei, sabe? Então, por mais que eu acho que eu comecei a fazer terapia com a pessoa que eu faço, se eu não me engano, em 2017. Então faz 9 anos, cara. Eu nem quero que acabe, sabe assim? Me deixa aqui, porque eu sei que ela vai me acompanhar nas mudanças. Eu não sou a pessoa que eu era em janeiro. Hoje eu, sabe, amanhã, enfim.
E aí vai acompanhando tudo isso. Cara, e algumas coisas sobre isso. Primeiro que eu lembro quando eu comecei a faculdade, e até quando eu me formei, eu não sei como é que tá muito esse discurso hoje em dia, mas volta e meia eu escuto isso, que é de criar uma dependência da terapia, né?
Ah, sim.
Dá para criar uma dependência? Eu acho que dá. Eu acho que assim, dependendo do contexto, eu já ouvi pessoas, casos de que tinha que perguntar para terapeuta que roupa você vai usar.
Você tem que ter a sua auto—
É, a ideia é uma autonomia. Eu acho que é uma boa palavra. Criando um senso de autonomia, mas autonomia, gente, não é independência total e E eu, então assim, eu problematizo um pouco esse olhar das pessoas falando tipo assim: ai, nossa, mas eu vou fazer terapia para sempre, vou ficar dependente da terapia. Gente, você não vai ficar da terapia. Todo mundo precisa de uma bengala, seja qual for, na sociedade, no contexto, no sistema e nos sistemas que a gente vive hoje.
Esse é um olhar meu, tá? Minha opinião aqui pessoal em relação a isso. Então, se a terapia vai ser a sua bengala no sentido de um espaço, você podendo pagar, né, porque também tem isso, que não é um espaço ainda de muito acesso, mas você podendo pagar, podendo ter esse suporte, claro, com uma profissional boa que não vai fazer um trabalho para instigar uma dependência, que vai fazer um trabalho para você poder trabalhar, ter outras redes de suporte, ter outras redes de apoio, ter outras coisas que te dêem bem-estar.
Mas algumas pessoas, em alguns contextos, vão precisar disso, sim. E eu volto a dizer, se não for a terapia, você vai ter alguma bengala, não tem como. Assim, ou numa amizade, ou tem gente que é com hobby, ou com algum hobby, ou com álcool, ou com exercício físico, ou com alguma coisa que é muito importante para você conseguir sustentar Aquele, eu ia pesar um pouco o clima. Aquela amiga que pesa o clima. A angústia que é viver, cara.
Que é viver. E dependendo do seu recorte, dependendo do seu contexto, é difícil. Então eu ia trazer esse ponto. E o outro ponto que conversa um pouco com isso é que a minha abordagem não é uma abordagem que trabalha com alta. Não é que você é obrigado a começar terapia, você está assinando um contrato que você vai passar o resto da sua vida ali. Não, claro que não. Mas não trabalha com alta no sentido de que a gente tem uma visão que a gente realmente nunca tá pronto.
Não existe um estado pronto, não existe um, aquela, um nirvana, uma iluminação que você vai chegar. Claro que pode ter um período que você precisa de menos terapia, que talvez você não precisa tanto daquele espaço. E aí, ou você vai diminuir a frequência ou você vai parar. Assim, não ter alta não significa que você não pode sair ou parar a terapia, mas é porque não acredita-se que tem um lugar onde a pessoa vai estar vai estar pronta e vai estar curada e não vai ter mais nada que precisa de um apoio, né?
Ou para ser olhado assim, sabe? Exatamente por isso que você trouxe, que assim, a gente tem nossas histórias e isso também é um mito que as pessoas têm na terapia, dessa questão do tempo e como se fosse simples, tipo, vim para trabalhar a tal ponto. Cara, mas quando você tá em terapia, a vida tá acontecendo.
E tem mais pancada na cabeça.
E tem mais pancada. E aí você descobre uma coisa, aí começa uma nova questão, aí abre-se uma casinha pra procurar. Olha que loucura!
Eu faço, né, 9 anos. Eu já tive momentos em que eu parei por muito tempo, na época que eu morava fora, por exemplo. E algo que eu sempre considerei... Vou dar nome aos bois, tá? Eu sempre achei que eu tinha muito problema com a rejeição. Então sempre tratei isso, tipo: "Ah, tá, entendi. Ai, talvez..." Sei lá, se eu te vejo e você não me dá oi, já me pega num lugar, tipo: "Ai, nossa, por que ela não me deu oi?" E aí, depois de muito tempo, de muitas reviravoltas da vida, eu percebi que, cara, talvez a rejeição seja uma consequência da minha insegurança.
Então eu hoje, com... Cara, vou fazer 35 em dezembro. Percebendo uma coisa, sabe? Que de fato coisas novas que a vida me trouxe hoje, que eu tô tendo experiências novas que me tocam num lugar novo, ao mesmo tempo meio antigo, que eu falo: nossa, e aí, caramba, não, não é a rejeição, é mais insegurança. E você fala: mano, olha isso, velho, eu tô aqui há 9 anos e tô descobrindo muita coisa.
Exatamente, exatamente. Eu tive uma experiência parecida, que eu sempre fui desde criança uma uma pessoa muito sensível, mas com uma sensibilidade para além da conta. E que eu sempre via como tanto emocional quanto sensorial, dentre outras. E também sempre dava outros nomes pra isso, né? Inclusive de achar que era uma imaturidade, ou achar que, sei lá, era alguma outra questão. E recentemente tô num processo de identificação de altas habilidades e superdotação.
Olha que loucura!
E assim, e aí agora dando nome para algo e entendendo coisas sobre mim que, cara, eu faço terapia desde que eu tenho 16 anos, eu tô com 29, então há 13 anos eu lido e vou buscando outros suportes, outras formas, e me entendendo de outras formas. E agora tô dando um nome específico para algo que, como você, né, tá lá desde sempre, né? E tá lá desde sempre. Então isso acontece também. Por isso essa visão de que a gente nunca tá pronto, não tem um lugar ideal a se chegar.
É um processo de estar ali o tempo todo, assim, olhando essas camadas e se transformando e sendo transformado e até onde fizer sentido para você continuar. E eu espero que isso dê, pra gente fechar, eu espero que isso dê um incentivo para as pessoas. Gente, essas histórias são horríveis e Você pode ter uma experiência muito ruim, mas você também pode ter uma experiência muito boa na terapia, assim, de verdade.
Eu sou muito suspeita para falar, mas eu também, eu também, porque toda santa, todo santo episódio eu fico: gente, terapia, terapia ajuda muito. E também acho só importante pontuar uma coisa muito específica, que é: a terapia só não vai mudar sua vida. Ela te— pelo menos experiência particular, ela me ajuda a a entender, a buscar ferramentas, a entender mecanismos, como eu lido com tal coisa. Não, mas então e se eu parar pra respirar 5 minutos?
E se eu parar pra não sei o quê? Então, gente, terapia é maravilhoso? Pra mim, sinceramente, sim. Mas existe um trabalho também que eu faço meio sozinha.
É, não coloquem essa expectativa de que a terapeuta é quem vai mudar. Eu falo isso muito pras pessoas que eu atendo, que é um trabalho meio 50/50. Mas Eu falo muito isso, que é: se eu colocar, eu como terapeuta, botar os meus 50% e a pessoa colocar 0%, nada acontece. Se a pessoa coloca 50% e eu coloco 0, que eu não, não é assim o ideal, né, não é o que eu gostaria, mas eu falo nesse: se eu colocar 0 e a pessoa colocar 50, algo acontece.
Em que sentido? É muito mais sobre a pessoa tá engajada com o processo, e eu vejo a terapia como uma ponte mesmo. É uma ponte para trabalhar. É verdade. É assim, esses outros pontos fora da terapia. Afinal, se você faz uma vez na semana, são 50 minutos, uma hora ali só da sua semana. Tem a sua vida fora daquilo. Então, ter uma expectativa de que a sua vida se transforme dentro daqueles 50 minutos só é colocar muita responsabilidade no terapeuta.
E é mais uma coisa para você olhar assim, se você faz isso, acaba As pessoas pegando, fazendo isso, e tudo bem, não é para julgar, todos nós podemos passar por isso, certamente já fiz isso também, de botar muita responsabilidade na terapeuta, mas isso muito mais fala de uma dificuldade nossa de se responsabilizar pela gente e pela nossa vida.
E de a gente querer uma coisa fácil também, né? É muito gostoso querer coisa fácil.
É, exatamente, a gente quer uma resposta pronta.
Papum, vai, me faz.
Ai, me fala aí o que eu vou fazer e o que eu tenho que fazer, mas assim, construção de autonomia e de maturidade emocional Não é com outro te falando o que fazer, é com você arriscando e às vezes errando e aprendendo a lidar com frustração.
E que bom errar, porque gente, é errando que, cara, não tem como.
E construindo a sua vida. Assim, tem pessoas que podem passar por coisas parecidas, mas a sua vida é sua, né?
Só você sente do jeito que você sente, passa o que você passa. Amiga, eu amei tanto te receber.
Cara, eu fiquei 3 horas aqui falando.
Eu falei que ela tem que vir pra cá pra dormir aqui em casa. No caso, porque aí a gente faz várias histórias, fala até não poder mais, né?
Exatamente.
Mas amiga, muito obrigada.
Obrigada por me receber.
Gente, eu peço muito para vocês seguirem o podcast No Sofá. É no sofá da minha casa.
Cara, você sabe a música mesmo.
Mas é lógico que eu sei, porque eu ouço.
Chocada, maravilhosa.
Gente, eu vou deixar os links.
Gente, eu atendo, eu tô comediando aberta, inclusive, se você quiser ter uma experiência assim, eu espero positiva, é, com terapia, com terapeuta. As minhas informações vão estar aqui embaixo também. Eu tô com a minha agenda aberta, eu atendo individual e grupo também. Eu tô inclusive com um grupo aberto. É, então aí isso vai ter que ser outro episódio. Mas eu sou também suspeita para falar porque eu gosto muito de terapia de grupo.
É, não é muito conhecido ainda assim no meio leigo, e no Brasil não é muito praticado, mas eu gosto muito. Eu pessoalmente tive eu vi transformações maiores até nas terapias de grupo que eu fiz do que na individual. E assim, eu fiz com essa intenção de ajudar as pessoas a se conectarem, porque um dos objetivos do meu podcast não é só assim, é me conectar com as pessoas que estão assistindo, mas é assim, promover encontros e momentos de conexão entre os convidados, entre as pessoas que estão escutando.
Então eu criei esse grupo com o objetivo da gente pelo menos 15 anualmente ali, uma vez por semana se encontrar e se propor a ter um momento de verdadeira conexão, falar sobre temas da vida, sobre temas profundos, alguns rasos também, porque conexão é isso, né? A gente pode falar de muitas coisas. Eu vou estar propondo atividades com esse objetivo das pessoas poderem trocar, criar conexões. Claro que você pode participar. Então vou participar.
Se você quiser participar, vem participar.
O link vai estar aqui embaixo. Gente, muito obrigada.
Amiga, eu amei demais.
Amei, de verdade. Eu ficaria aqui 3 horas de conversa.
Da próxima vez a gente faz um mutirão de episódios, sabe?
E você tem que ir para o Rio para ir no Sofá da Minha Casa.
Não, eu vou, prometo. Gente, é isso. Não se esqueçam, por favor, de seguir o No Sofá da Minha Casa. Ana Luísa também, uma queridíssima. Eu assim, de verdade, tenho no meu coração, indico do fundo do meu coração também.
Ela é incrível.
Espero muito que vocês gostem. O Único lembretezinho do dia, por favor, siga o podcast no Spotify, dê as 5 estrelinhas, me ajuda muito. Já vai deixando nos comentários, inscreva-se no YouTube também e sigam as redes sociais que estão na descrição.
Maravilhosa!
Gente, a gente espera que vocês tenham gostado muito do episódio de hoje. Muito obrigada por terem ficado com a gente até aqui. A gente se vê no próximo episódio.
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