Só Pod 79 - Eu tentei terminar, mas ele não me deixou ir embora
Os sinais não apareceram de uma vez. Vieram aos poucos, disfarçados de amor, insegurança e preocupação. Até que já era impossível fingir que estava tudo bem.
✨Histórias sobre controle, manipulação e a importância dos próprios limites.
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No Brasil:
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Isa
- Relacionamentos AbusivosControle e manipulação emocional · Chantagem emocional · Diferença social e insegurança · Reação de autodefesa · Ale
- Imediatismo em RelacionamentosPedido de namoro após primeiro date · Love bombing · Medo de rejeição e carência · Insegurança e pressão
Um surto que salvou a minha vida.
E aí, galera, bem-vindos a mais um episódio do Só Pode Ser História. Eu sou a Isa. Hoje teremos duas histórias de ouvintes, porque elas se conversam aí em algum nível, e também histórias do Reddit. Lembrando que se você quer mandar história para ser lida e comentada aqui, é só mandar para o e-mail que está na descrição.
E a gente vai começar com a história da Ale, lembrando que o nome dela não é esse. E antes de começar, é importante dizer que as histórias que eu vou ler aqui hoje, elas contêm tópicos de relacionamento abusivo, manipulação emocional, controle e chantagem emocional. Se esses são tópicos sensíveis para você, por favor, ouça com cautela ou considere não ouvir esse episódio.
Vamos lá, o título da história da Ale é Um Surto que Salvou a Minha Vida. Oi Isa, eu espero que você esteja bem. Eu comecei a ouvir seu podcast há pouco tempo e resolvi escrever pra você. Antes de começar, eu aviso que se trata de uma história sobre relacionamento abusivo. Enfim, bora lá. Me chamo Ale, tenho 32 anos e esse é o relato do meu primeiro namoro.
Eu sempre fui muito nerdona. Eu estudava por meio de bolsa de estudo, então eu nunca tive muito tempo ou interesse em ficar ou namorar com alguém. Por causa disso, meu primeiro namoro aconteceu quando eu já tinha entre 18 e 19 anos. Eu com 1,68 de altura, ele com 22 anos, 1,94 de altura.
Essa informação é importante. A gente tinha amigos em comum e ele era muito bonito. Foi ele quem puxou o assunto pelo falecido Orkut e a partir daí a gente passou a conversar todos os dias. Eu tinha interesse nele, mas eu sabia que eu não estava apaixonada. Quando a gente começou a sair, em menos de um mês, ele me pediu em namoro e eu aceitei. Talvez esse tenha sido o meu erro.
Desde o começo eu deixei claro que eu queria ir com calma, porque eu ainda não sabia exatamente como eu me senti em relação a ele.
Ele, por outro lado, sempre foi muito intenso. Ele falava o quanto ele gostava de mim e o quanto ele estava apaixonado. Inclusive, o primeiro Eu Te Amo aconteceu muito rápido e partiu dele. Com o tempo, eu comecei a gostar dele como namorado. Eu não amava ele, mas ele era sempre muito gentil. A gente tinha uma conversa boa, fazia passeios legais.
E a química entre a gente também era muito boa. Só que esse amor nunca surgiu em mim. Não me pergunte o motivo, porque, sinceramente, eu também não sei. Até esse ponto, eu não tinha motivo para reclamar dele. Ele era um ótimo namorado. Quando a gente tinha cerca de um ano de namoro, começaram a aparecer, de forma sutil, os primeiros sinais de que, dali em diante, seria só ladeira abaixo. Eu lembro de uma situação que era aniversário da irmã dele.
O cunhado dele organizou uma festa surpresa e a gente foi. Quando a irmã do meu ex chegou, ela ficou muito emocionada com tudo e repetiu várias vezes o quanto ela amava o namorado. Abraçou ele, agradeceu todo mundo e tudo mais. Logo depois, ele me perguntou pela milésima vez sobre quando eu demonstraria amor por ele também. Eu só respondi que a gente podia conversar sobre isso depois. Depois da minha resposta, ele não falou mais comigo durante a noite inteira.
Ele me deixou em casa em completo silêncio, não me deu tchau, só esperou eu sair do carro e foi embora. Depois ele me deu um gelo de quase uma semana e me mandou uma mensagem dizendo que ele fazia de tudo por mim, que ele não sabia mais o que fazer ou dizer para que eu amasse ele tanto quanto ele me amava, e que não era justo, eu não o senti o mesmo.
como se isso fosse algo que desse para controlar. Eu só respondi que eu sempre fui sincera sobre o que eu sentia e que ele era livre para pensar sobre o nosso relacionamento se aquilo fosse melhor para ele. Como ele viu que eu não tinha respondido o que ele queria ouvir, até porque ele não tinha me abordado de forma incisiva antes,
ele voltou atrás e passou a agir como se nada tivesse acontecido. A gente nunca mais falou sobre aquela semana do silêncio, que aconteceu porque eu não falei que amava ele sem realmente amar. Depois desse episódio, ele oscilava muito entre ser um namorado ótimo e ser um cara possessivo, controlador e manipulador.
De repente, as minhas roupas já não eram mais apropriadas. Eu não costumo usar decote, mas eu sempre gostei de mostrar as pernas. Saias e shorts viraram pauta recorrente, a ponto dele pedir para eu mandar foto para ver como eu estava vestida. Mas ele fazia isso de uma forma que parecia inocente. Hoje eu vejo que não era.
Depois começaram as reclamações sobre eu ser muito vaidosa. Pra que se arrumar tanto? Por que tanta maquiagem? E eu nunca usei maquiagem carregada. Sem que eu percebesse, chegou um momento em que meu guarda-roupa era praticamente todo só de camiseta e calça. Eu quase não tinha maquiagem e as poucas que eu tinha estavam perto de vencer porque eu não usava mais com tanta frequência.
Sempre que tinha algum evento, eu já ficava ansiosa porque eu não sabia qual seria a próxima crítica. E a verdade é que era tão cansativo ter que tomar cuidado o tempo todo com o que ele sentia, que eu acabava cedendo para evitar desgaste. Nessa altura, ele já tinha me convencido de que aquele comportamento era fruto de uma insegurança causada por mim. Eu não passava segurança para ele.
E ele, por me amar demais, não sabia como lidar com aquilo. Agora que eu contextualizei tudo, eu vou contar algumas coisas que aconteceram. 1.
Um dia a gente marcou de ir para uma balada e eu coloquei uma blusa aberta nas costas. Quando eu falei que eu estava pronta para ir, ele simplesmente rasgou a minha blusa. Ele falou que aquela roupa era roupa de mulher qualquer e que a mulher dele não ia sair daquele jeito. Eu fiquei tão horrorizada que eu nem quis mais sair. Depois ele chorou, me pediu desculpas e, como sempre, agiu como se não fosse nada demais.
Afinal, ele conseguiu exatamente o que ele queria, impedir que eu saísse. 2. Ele vem de uma família de classe média alta, todos muito estudados, no mínimo trilingües, e que já tinham viajado muito. Eu era classe C, falava o inglês bem mais ou menos, e como eu já disse antes, eu sempre estudei como bolsista.
Sempre que a gente estava com os amigos dele, e nessa altura eu já tinha só duas ou três amigas, porque o restante acabou se afastando pela falta de contato, ele fazia questão de deixar claro essa diferença social. E ele agia como se ele fosse uma espécie de salvador. Porque, segundo ele, se não fosse por ele, eu provavelmente estaria namorando um Zé Droguinha, como ele gostava de chamar os caras do bairro onde eu morava.
3. Um dia eu cheguei na casa dele. Ele morava sozinho. Era aniversário de uma amiga muito importante para mim e ela tinha deixado claro quanto ela queria que eu estivesse lá. Mas ele fingiu ter perdido a chave do portão para a gente não ir. Eu tinha ido para a casa dele porque era mais perto tanto do trabalho quanto do lugar da festa. Eu tive a sorte de ter uma amiga incrível, que já naquela época entendia que eu não estava num relacionamento saudável.
4. Depois de muitos episódios desagradáveis que ele me maltratava ou dizia coisas horríveis para depois supostamente se arrepender, eu cheguei no meu limite. Eu tomei a decisão de terminar aquele relacionamento que já durava cerca de dois anos e só estava me trazendo mágoas e traumas. Tudo aconteceu depois que ele viu uma mensagem no meu celular.
Era um amigo de outro estado perguntando se eu estava bem, porque eu não estava mais entrando no jogo online que eu gostava. Ele também não gostava que eu conversasse no chat do jogo e me infernizou até o desinstalar. No momento em que eu me aproximei, ele segurou meu braço com força e começou a gritar comigo.
Me chamou de vários palavrões e puxou o meu cabelo e exigiu que eu admitisse que eu estava com esse amigo. Ele estava completamente descontrolado. Eu precisei me trancar no banheiro até eu me sentir segura para sair. Naquela noite, eu esperei ele dormir e eu fui embora sem fazer barulho. Eu fiquei com medo de que ele tentasse me impedir de alguma forma.
Depois disso, eu mandei uma mensagem falando que eu estava terminando oficialmente com ele. Eu listei todas as coisas que ele já tinha feito e eu expliquei que eu não via mais sentido em continuar com aquilo. Para minha surpresa, ele só respondeu que ele entendia e que se eu tivesse certa da minha decisão, ele aceitava o término. Eu respondi que eu não queria mais ser a namorada dele e a gente não se falou mais por aqueles dias.
Podia ter terminado aqui? Sim. Mas a gente não tá falando de uma pessoa decente, né? Alguns dias depois, eu tava procurando uma jaqueta super cara e um tênis que eu tinha ganhado de aniversário da minha mãe. Eram presentes que ela me deu, mesmo sem ter condições pra isso. Eu sou muito fã do Chicago Bulls, e ela comprou uma jaqueta pelo eBay na época, junto com a minha irmã mais velha.
Essas coisas estavam na casa dele. Eu mandei uma mensagem perguntando se ele podia deixar na minha casa ou no meu trabalho. Ele respondeu que ele não ia conseguir porque ele tinha uma viagem de trabalho marcada para o final de semana, mas que eu podia buscar e aproveitar para devolver a cópia da chave da casa dele que eu tinha. Eu não vi problema nisso. Eu admito, eu fui inocente. Quando eu cheguei, a casa parecia estar vazia.
Então, coloquei as minhas coisas numa mochila. A casa era um sobrado com dois quartos. Quando eu desci para a sala para ir embora, ele estava parado na porta. Eu levei um susto tão grande que eu quase caí de bunda da escada. Ele trancou a porta e disse com toda a calma do mundo, eu acho que eu mereço pelo menos uma conversa para justificar meus pontos. Eu falei que eu não queria conversar porque eu já tinha decidido que eu queria terminar o namoro.
Aos poucos, eu vi a expressão dele ficando cada vez mais sombria. Eu terminei de descer a escada, mas eu mantive uma certa distância. Nessa hora, eu já estava começando a ficar apavorada. Eu pedi para ele me deixar sair. Ele reforçou. Não, sem a gente conversar antes. Eu falei, e aqui eu já estava um pouco mais irritada, para ele sair da frente da porta e me deixar ir embora.
Foi então que ele disse algo que me fez gelar na hora. Você só sai daqui se for morta. Sim, foi exatamente isso que ele disse. Antes de eu continuar contando o que aconteceu depois dessa frase infeliz, eu preciso explicar como era a casa dele.
Tinha uma escada que levava para o andar de cima. A porta de entrada ficava em frente à escada e do lado do sofá. Embaixo da escada tinha uma cristaleira cheia de porcelana e cristais. Na parede oposta ficava a porta que levava para a cozinha. Eu estava do lado da cristaleira, de frente para ele. Ele estava literalmente entre eu e a porta da saída da casa. Depois de ouvir aquilo, eu não sei o que aconteceu comigo.
Eu surtei. Parece que uma voz lá no fundo do meu inconsciente dizia, é você ou ele. Na mesma hora, eu larguei a mochila no chão e eu comecei a arremessar tudo o que eu via na direção dele. Eu não sabia que eu tinha uma mira tão boa. Eu não errava uma, mesmo ele tentando se defender. Eu joguei copo, taça, prato, talher.
Tudo que tinha naquela cristaleira voou nesse cara. Ele mal se defendia de uma coisa e já tinha outra voando nele. Eu joguei até os cacos das coisas que caíam no chão e quebraram. Um dos pedaços acabou cortando um pouco o ombro dele. Reza a lenda que ficou cicatriz.
Eu berrava o quanto eu odiava ele, que ele era um merda, que eu nunca ia amar um lixo como ele, e que se ele não saísse da minha frente por bem, eu ia quebrar a casa inteira nele. Quando acabaram as coisas que eu podia remessar nele, eu parei e eu consegui ver um homem completamente desnorteado.
Eu acho que ele não esperava que eu reagisse daquela forma. Ele fez tantas coisas ruins comigo sem que eu me defendesse, que quando eu finalmente reagir e mostrei a doida que eu também podia ser, ele travou. Ele não soube como reagir. Eu lembro que ele saiu e foi em direção à cozinha. Eu imagino que ele foi ver como estava o corte por causa do sangue na camisa. Eu aproveitei para sair daquela casa, mas não sem antes arranhar o carro dele que estava na garagem.
Quando eu cheguei a uma distância segura, eu me agarrei na mochila com tanta força e eu chorei como eu nunca tinha chorado antes. Eu nunca chorei compulsivamente daquele jeito. Depois de alguns minutos, eu consegui me recompor, apesar de ainda estar com o coração a mil, e eu fui embora.
Eu nunca mais vi nem falei com esse cara. Ele sumiu. Eu espero nunca mais ter o desprazer de encontrar com ele. Hoje eu sou casada com um homem maravilhoso, amoroso, que me trata da forma que eu mereço e que eu amo com todas as minhas forças. Eu sei que eu fui uma exceção. Infelizmente, nem todas as mulheres conseguem escapar ou até mesmo dar uma lição em parceiro abusivo.
Desculpa pelo texto enorme. Eu tentei resumir o máximo que eu pude, mas mesmo assim ainda ficou um pergaminho. Hoje eu tô risada quando eu lembro, mas na época foi tenso. KKKKK. Um beijo e muito sucesso, Isa. Meu desejo é que respeitem o espaço de uma mulher que está aprendendo a ser mãe.
Nestlé Materna está com você em todas as fases da maternidade, com uma linha completa de suplementos que apoia você em cada momento e nas diferentes necessidades que surgem ao longo da jornada. Seja no planejamento, durante a gestação ou no puerpério, Materna tem o suplemento certo para acompanhar você. Nestlé Materna, com você, do seu jeito. Ale, meu Deus, nossa, quando eu li a história da Ale...
Quando eu li que ele falou isso pra ela, me gelou assim, me deu um gelo na hora. E antes de eu ir pros meus humildes, eu vou pras perguntas que eu fiz pra ela. A primeira pergunta que eu faço é, você acha que já existiam sinais no começo que você não percebeu na época? Até o sexto mês de namoro, ele era perfeito.
Depois disso, ele começou a dar pequenos indícios. Mas como eu era inexperiente, eu sempre achei que mesmo me causando desconforto, era só o jeito dele. Segunda pergunta. Você já tinha medo dele antes disso acontecer? Medo de algum tipo de agressão, não. Eu tinha receio de fazer algo que ele não gostasse e que isso virasse mais uma discussão cansativa, sabe? Daquelas que duram horas e horas, às vezes até dias.
Você chegou a acreditar que o comportamento dele era sua culpa? Sim. Em diversos momentos, eu pensava que se eu já sabia que ele não gostava e eu fazia, tipo usar uma determinada roupa ou me maquiar, eu estava meio que provocando. Ele sempre levantava essas pautas nas nossas discussões.
Se você não tivesse reagido naquela hora, tipo jogar as coisas nele e surtar, como você diz, você acha que ele teria te impedido de sair da casa dele? Eu acredito que sim. Durante todo o relacionamento, mesmo com os abusos psicológicos e às vezes até físico, como apertar meu braço, eu nunca respondi de forma agressiva.
Então eu acredito de verdade que ele me ameaçou tendo certeza de que eu ia recuar e ficar vulnerável para ele agir como ele bem entendesse.
Quinta pergunta. O que mudou em você depois disso tudo? Depois disso, eu sei exatamente o que aceitar e o que não aceitar. Eu consigo perceber melhor os sinais de comportamento tóxico e não só em relacionamento amoroso. Isso também me mostrou do que eu sou capaz quando ultrapassam os meus limites. Última pergunta que eu faço para ler. O que você diria para alguém que está passando por algo parecido? Falem, procurem ajuda.
Se causou algum tipo de desconforto e esse desconforto já foi sinalizado e mesmo assim continua acontecendo, falem com pessoas de segurança, nem que sejam profissionais. Não deixem esse desconforto virar algum tipo de abuso ainda maior. Gente, essa última resposta da Lê, eu acho que resume bem os meus humildes e as orientações aqui que eu ia dar para quem passa por isso.
É muito raro um relacionamento abusivo, ele já começar de forma abusiva. A maioria dos relacionamentos abusivos, eles começam aos poucos. A pessoa vai testando o seu limite. Então, um dia é, nossa, eu não acho muito bonito shorts curto. Depois de um tempo é, eu não quero que você use shorts curto.
No começo, talvez seja, nossa, eu não gosto muito de mulher com muita maquiagem. Depois é, eu não quero que você use muita maquiagem. Isso, gente, a pessoa que é abusiva, ela vai te acostumando com as coisas. Eu vejo muitos vídeos sobre, e eu procuro me informar muito sobre também. E eu vi uma psicóloga falando, um vídeo que eu vi de uma psicóloga, falando que o abusador, no começo,
ele começa a te dessensibilizar para as coisas. Então, ele vai, é o famoso comendo pelas beiradas. Aqui, no caso da Lê, ela viveu um relacionamento saudável aí, talvez com alguns sinais, talvez sim, mas até o primeiro ano era tudo normal e depois foi escalando.
geralmente escala e a gente sabe que, infelizmente, na maioria das vezes acaba muito mal. Então, quais que são os pontos de atenção para a gente que começa um relacionamento? Perceber qualquer coisinha que parece um discurso meio torto provavelmente é sinalzinho de posse, sinalzinho de abuso, sinalzinho de querer te controlar. E aí é muito importante que a gente perceba
que a gente não se afaste das pessoas de confiança, família, amigo, porque abusador também faz isso, ele te isola das pessoas de confiança e que a gente comunique o tempo inteiro. É muito perigoso continuar num relacionamento que já tem sinais de alerta. Eu digo porque agora eu vou compartilhar uma experiência pessoal que eu passei, eu não cheguei a me envolver tipo um namoro.
com alguém abusivo, mas eu cheguei em algum grau a me envolver com alguém assim, e eu entendo que eu estava num momento muito carente, eu entendo que eu ignorei muitos sinais, e a coisa escala de uma forma surpreendente. Eu super entendo, eu tenho muita empatia com pessoas que entram e permanecem num relacionamento abusivo, porque eu sei que às vezes quando você percebe já é tarde demais, você fala, meu Deus, como que eu vim parar aqui?
E aí fui pesquisar e fui entender aí quais são as orientações mais seguras para caso você esteja em uma situação em que a pessoa te impede de sair do lugar, igual foi o caso da Lê.
O que eu consegui resumir de informação, e aí lógico, como vocês sabem, nenhuma história fica completa sem o comentário de vocês, mas também pedindo ajuda aí para ouvintes e profissionais também, que saibam dar uma dica mais direcionada. Mas pelo que eu pude reunir de informação, gente, numa hora em que você está correndo perigo...
O ponto principal não é tentar ganhar argumento, é tentar sair do lugar em segurança e, óbvio, sempre fazer boletim de ocorrência, se comunicar com as pessoas de confiança, falar o que está acontecendo. É isso que eu consegui reunir de informação, mas eu deixo também aberto a vocês, para vocês darem aí os seus humildes e a sua opinião.
E a Lê é assim, eu fico muito feliz que você tenha saído em segurança. Eu acho que, de fato, você terminou o relacionamento num momento crítico. E eu amei que você tacou as coisas neles. E eu fico muito feliz, assim, que você conseguiu sair de lá com segurança. E eu imagino, quando você fala que você abraçou a mochila e chorou, deve ser uma descarga de adrenalina de, meu Deus, eu consegui sair viva.
Então eu fico muito, muito feliz que você conseguiu sair dessa. Que bom que você tá bem, que bom que você, enfim, tá com alguém que é bacana com você, que é amoroso. E é isso que a gente merece, gente. Todas as pessoas merecem alguém que respeite e que não seja um bosta como esse namorado da Ale, ele era.
E aí vamos para a segunda história do dia, também uma história de ouvinte. Eu trouxe porque eu acho que elas se comunicam aí num nível de quando começam a aparecer os sinais. Vamos lá. O título da história dela é Quem nos escreve é a Pietra, lembrando que o nome dela não é esse. E ela começa dizendo Doutor
Um olá da Suíça. Eu adoro o seu conteúdo e eu acho que você faz um trabalho incrível. Fofa, querida, muito obrigada. Eu já acompanho o seu conteúdo há um tempo. Honestamente, eu nem sei se essa história é interessante o bastante para ser contada. A história que eu vou contar aconteceu há três anos. Antes da história, eu vou explicar algumas coisas importantes sobre mim. As únicas declarações que eu recebia eram brincadeiras cruéis dos meus colegas da escola.
Eles falavam coisas do tipo, quer namorar comigo? E logo depois que eu acreditava, vinham com um, se acreditou mesmo? Eu nunca ficaria com uma menina feia. Por isso, toda vez que alguém se declarava para mim, eu nunca acreditava. Isso me marcou muito.
E mesmo depois de tantos anos, eu ainda tenho medo de passar por isso de novo. A prova disso é que eu nunca namorei. Eu tenho medo de voltar a confiar e acabar me decepcionando. Eu também tenho uma doença rara, chamada neurofibromatose tipo 1.
Ela pode ficar estável a vida inteira, mas também pode evoluir. Eu já precisei passar por algumas cirurgias por causa disso. Desde pequena, eu tenho medo de me tornar um peso para as pessoas que eu amo. Mas, ao mesmo tempo, eu também não quero que alguém fique comigo por pena. Nem alguém que vá me abandonar. Estranho, né? Vamos para a história. Eu, mulher portuguesa de 23 anos e ele, homem, 25.
Um dia eu recebi uma declaração de um cara que eu conhecia só de vista por causa de amigos em comum durante um rolê. Detalhe, a gente nunca tinha conversado por mensagens antes. A gente só se encontrava nesse rolê com os amigos.
Um dia, do nada, ele me mandou uma mensagem dizendo que gostava de mim e perguntou, você quer namorar comigo? Ele também pediu para eu não contar para ninguém. Eu fiquei confusa porque eu não esperava aquilo. E, sinceramente, eu também achei muito estranho ele pedir segredo.
Na minha cabeça, isso não fazia sentido nenhum. Como alguém podia dizer que gosta de mim, sendo que a gente nem se conhecia direito? Mesmo assim, eu aceitei dar uma chance para a gente se conhecer melhor como amigos.
Ela coloca entre parênteses, sim, fui burra. Mas na época eu não queria magoar ele. E eu também pensei que talvez com o tempo as coisas pudessem evoluir naturalmente. Ela coloca entre parênteses de novo, fui idiota. Durante meses eu tentei conhecer ele melhor, mas as conversas simplesmente não fluíam.
Era sempre aquele básico de, oi, tudo bom? E, boa noite. Eu tentava puxar assunto, fazia pergunta, mas nunca existia profundidade nenhuma nas nossas conversas. Se é que eu posso chamar aquilo de conversa. Ele nunca perguntou nada sobre mim. Ele nunca demonstrou curiosidade real sobre mim. Eu tenho quase certeza de que a única coisa que ele sabe sobre mim é algo que literalmente todo mundo sabe.
que eu amo ler. Meus amigos sabem disso, meus colegas de trabalho também. Então, não era algo pessoal. Aí, a gente foi no encontro. Ele insistiu muito para que acontecesse e ele também fez muita questão de pagar uma bebida para mim. Mesmo desconfortável, eu acabei deixando. Então, eu escolhi a opção mais barata do cardápio.
A única conversa que a gente teve foi justamente sobre ele insistir em me pagar a bebida. Fora isso, a gente passou praticamente o date inteiro em silêncio.
Ah, e antes que eu esqueça, durante o date, ele ainda comentou sobre o encontro que ele tinha tido com outra garota anos antes. Na hora, eu nem soube como reagir. Talvez pra outras pessoas isso seja normal, mas aquele era o meu primeiro date de alguém como ele. Então eu achei tudo muito estranho, porque eu sempre achei que falar de ex num date não é muito legal.
Algumas semanas depois, eu perguntei o que exatamente ele gostava em mim. E sabe o que ele respondeu? Ele disse que me achava bonita e que gostava de ter coisas bonitas perto dele. Sim, você leu certo. Ele usou a palavra coisas. Hoje eu penso que se eu tivesse percebido o tamanho da red flag naquele momento, eu já teria bloqueado ele ali mesmo.
Pouco tempo depois, eu ouvi uma conversa dele com outro cara. Ele falou que queria arrumar uma mulher porque aí era só ele chegar em casa e colocar os pés para cima, já que tudo estaria pronto para ele. Eu fiquei em choque com a mentalidade dele. Na minha cabeça, a única coisa que eu conseguia pensar era ele não quer uma namorada, ele quer uma babá.
Depois de um tempo, eu comecei a me afastar dele aos poucos. Devagar, porque eu tinha medo de parecer cruel. Mas a verdade é que ele me fazia sentir sufocada. E eu também já tinha percebido que a gente nunca daria certo. A gente era completamente incompatível. Mesmo assim, eu não bloqueava ele. Eu acho que eu ficava com pena.
Só que ele começou a me mandar mensagem de forma insistente, às vezes com poucos minutos de diferença entre uma e a outra, claramente esperando que eu respondesse mais rápido. Um exemplo disso aconteceu num dia que eu decidi passar um tempo lendo ao invés de ficar no celular. Eu simplesmente deixei o meu celular no modo não perturbe e eu passei horas lendo.
Eu amo-lhe. Eu consigo passar o dia inteiro mergulhada num livro sem perceber o tempo passar. Quando eu peguei o celular de novo, ele tinha me mandado 15 mensagens. E o pior é que quando eu vi tudo aquilo, eu ainda pedi desculpa por ter demorado para responder e eu expliquei o motivo. Hoje eu nem sei porque eu senti necessidade de pedir desculpa, porque eu não tinha feito absolutamente nada de errado.
Ela coloca entre parênteses de novo. Fui burra, eu sei. Ele disse que mesmo que eu tivesse ocupada, eu devia ver as mensagens dele só pra ele saber que eu tinha visto. Isso me irritou muito. Eu falei que eu não passava o dia inteiro agarrada no celular igual ele. Honestamente, eu sei que eu fui meio grossa nessa parte. Talvez até infantil. Mas naquele momento eu tava fora de mim.
Eu expliquei que existem momentos em que eu gosto de me desconectar. Eu nem sei porque eu fiquei me explicando pra ele. Na hora eu pensei, a gente nem tava namorando ainda e ele já queria me controlar. Eu achei bastante sufocante e controlador. Na minha cabeça eu só pensava, esse cara tá maluco.
Alguns dias depois, ele continua insistindo para eu responder as mensagens dele. A situação ficou tão pesada que eu comecei a sentir uma sensação ruim só de ouvir a notificação chegando. Eu não entendo porque eu não bloqueei ele logo. Um dia eu fui fazer compra com uma amiga para tentar distrair a minha cabeça.
Nesse dia, eu recebi uma mensagem dele perguntando se eu queria namorar com ele, seguida de várias outras mensagens pedindo para eu responder logo. Ele exigiu que eu desse uma resposta no mesmo dia. Quando eu li aquilo, eu comecei a passar mal. Eu não sei dizer se foi uma crise de ansiedade ou só estresse. Eu não conseguia respirar direito.
Eu precisei sair da loja e ir para a rua tomar um ar porque eu comecei a me sentir sufocada. Até hoje eu não sei explicar porque eu fiquei naquele estado. Quando eu me acalmei, a minha amiga me ajudou a mandar uma mensagem para ele dizendo que eu não queria namorar com ele, mas que a gente podia continuar amigo. E eu nem sei porque eu escrevi que a gente podia continuar amigo. Eu acho que eu só não queria ser ruim.
Na mesma noite, ele me enviou um áudio dizendo que eu era uma pessoa horrível, que eu não tinha coração e que por minha causa ele ia tirar a própria vida. E disse que eu carregaria a culpa pela morte dele. Naquele momento, eu me senti culpada e completamente perdida.
sem saber como reagir, e eu só pedi para ele não fazer nenhuma besteira. Honestamente, durante alguns segundos, até passou pela minha cabeça aceitar o pedido de namoro só para evitar que algo ruim acontecesse. Mas eu não fiz isso porque eu sabia que era uma péssima ideia, tanto para mim quanto para ele.
Então eu preferi pedir ajuda para outra pessoa conversar com ele. Eu não sei o que aconteceu depois disso. E, sinceramente, eu também nem nunca perguntei. Depois disso, durante muito tempo, sempre que a gente se encontrava, ele simplesmente fingia que eu não existia. Mesmo sabendo que eu estava ali, ele me ignorava completamente. Cumprimentava todo mundo pelo nome, menos eu.
Isso durou até esse ano. Eu não sei explicar, mas eu senti que aquela era a forma que ele tinha encontrado para se vingar de mim. Há poucas semanas, ele voltou a falar comigo. Oi, tudo bem? Como se absolutamente nada tivesse acontecido. Eu ainda não entendo porque eu não cortei contato logo quando ele começou a ser insistente.
Eu fui uma pessoa ruim? O que vocês fariam no meu lugar? Será que eu fui uma idiota? Obrigada por ler a minha história. Tem coisa melhor do que uma pausa no seu dia para apreciar um café? Passe no Pão de Açúcar mais próximo ou acesse o app e descubra uma seleção de aromas, origens e sabores especiais. Tudo de café do clássico ao importado está no Pão.
Vamos às perguntas que eu faço pra Pietro. A primeira é, quando ele perguntou se você queria namorar com ele, isso é algo comum por aí antes de vocês realmente se conhecerem ou também te pareceu estranho? Porque eu queria entender se era algo cultural, porque eu sei que em outras culturas, né, a pessoa meio que diz que tá meio que namorando, se relacionando pra depois, enfim. Sei lá, tem um date, etc.
Ela responde, na época eu achei tudo muito estranho porque a gente nunca teve uma conversa de verdade. Era sempre só um, oi, tudo bem? Porque a gente se encontrava em rolê com os amigos. Então a declaração dele foi completamente inesperada. Segunda pergunta.
Você comentou que tinha medo de parecer má. Por que você sentia isso? Eu tinha medo de parecer uma pessoa ruim porque ao longo da minha vida, algumas pessoas já disseram que eu parecia fria, insensível, que eu tinha um coração de pedra ou que eu não tinha sentimento. Isso fez com que eu tivesse ainda mais receio de magoar alguém ou ser mal interpretada.
Eu também não queria causar problema dentro do nosso grupo de amigos em comum. E por várias vezes eu pensei que o problema fosse eu ou que eu estivesse exagerando.
Você disse que não bloqueou ele por pena. Pena de que, exatamente? Eu não bloqueei ele porque eu sentia pena e eu não queria magoá-lo. Ele falava que gostava de mim e eu não queria ser cruel. Eu não sei se isso tem a ver com o fato de que já houve pessoas que me magoaram no passado e eu não queria fazer a mesma coisa com outra pessoa.
Ele já tinha dado algum sinal de um comportamento mais intenso ou emocionalmente instável? Ela responde que não. A gente praticamente não teve interação suficiente para isso. Por isso, tudo isso parecia ainda mais estranho. Você sente que ficou mais por medo de magoar ele ou por dificuldade de falar não e se colocar em primeiro lugar?
Hoje, olhando para trás, eu acho que eu fiquei mais por pena e por não querer magoar ele. Isso te fez mudar a forma como você enxerga relacionamento ou confiança nas pessoas? Depois disso, eu comecei a ficar ainda mais desconfiada nos relacionamentos.
eu tenho mais dificuldade para confiar e me abrir com alguém, porque eu fico com receio de passar por uma situação parecida de novo. Hoje eu acabo sendo mais reservada no começo e eu preciso de mais tempo para me sentir segura com alguém. Quando ele falou sobre tirar a própria vida...
Você se sentiu meio responsabilizada por algo que não era seu? Quando ele falou sobre se machucar, sim. Eu senti medo e eu acabei pensando que podia ser a minha culpa se alguma coisa acontecesse. Foi uma sensação muito pesada. Eu fiquei muito mal naquela noite. Eu cheguei a ter reações fortes de ansiedade, tipo com uma sensação de sufoco, o que tornou tudo ainda mais difícil emocionalmente.
Se você passasse por algo parecido hoje, se acha que você reagiria diferente? Sim, eu acredito, ou pelo menos espero, que hoje eu reagiria de forma diferente. Eu tentaria colocar limites mais cedo e me afastar. Só que, ao mesmo tempo, me conhecendo, eu acho que eu ainda tentaria ser gentil demais e dar mais uma chance por medo de machucar a pessoa.
Aí ela coloca, PS, isso não tem nada a ver com a história, mas hoje eu já não tenho contato com ninguém daquele grupo de amigos.
E aqui acabou. E vamos aos meus humildes. Pietra, eu vou falar com muito carinho que eu gostaria que você me fizesse uma promessa pra você mesma de que hoje você não vai mais olhar pra essa situação e achar que você foi burra ou achar que você foi idiota. Porque, gente, a gente faz o nosso melhor com o que a gente tem no momento.
Sabe, então, não se olhe pra você dessa forma, sabe? Seja mais, assim, carinhosa com você mesma. Entenda que você fez o que você conseguiu naquele momento com o que você tinha. Eu entendo que, às vezes, a gente olha pra essas situações e pensa, meu Deus do céu, como eu fui inocente. Eu acho que é até natural.
dessa situação que eu passei, que eu contei pra vocês, eu olho e eu também penso dessa forma. Mas assim, era a maturidade que eu tinha naquele momento, era o que eu conseguia naquele momento, então não se julgue dessa forma, por favor. E aí, eu acho muito importante dizer que...
Pena não é motivo pra gente ficar ou manter qualquer tipo de relação, sabe? Eu não tô falando também, né? Lógico que é pra sair também cagando no outro. Mas assim, quando a gente vê que não é aquilo que a gente quer e que, puta, já a vibe não bateu, não é muito bem isso que eu quero.
Saia da situação, ó, desculpa aí, desculpa não, que não tem que pedir desculpa, ó, não foi muito bem isso que eu esperava, acho que a gente não tem futuro, beijo, tchau, boa sorte, sem sentir pena da pessoa. Esse cara sente pena de você? Com certeza não. Não sente pena de te colocar na parede e fazer você responder 15 mensagens.
em te pedir em namoro, o que já é algo muito estranho, sendo que a pessoa nem te conhece, e exigir uma resposta até o final da noite. E também vou dizer que, por vezes, a gente vai ser de fato cruel, e a gente vai de fato desagradar, mas paciência. Entendeu? A gente tem que se colocar em primeiro lugar.
e cada um que fique com o seu desconforto. Então, talvez, para futuros relacionamentos, eu sei que você fala que você pelo menos espera que você agiria diferente, mas que você ainda tentaria ser mais gentil e dar uma chance para não magoar a pessoa. Eu, no seu lugar, ia rever esse medo de magoar os outros, de não ser gentil. A gente vai acabar magoando as pessoas, gente.
Às vezes com as melhores as intenções e paciência acontece. Mas assim, não carregue esse peso de, sabe, querer agradar e ser gentil o tempo todo, porque isso não existe, não tem como viver uma vida de boa, sabe? Com esse peso de tentar agradar os outros o tempo inteiro.
E se for para desagradar, vai desagradar. Paciência, as pessoas vão continuar seguindo a vida. E aí eu queria dizer também sobre o ponto em que ele ameaça tirar a própria vida e se machucar. E quando isso acontece, o que eu acredito ser a forma mais segura de sair dessa situação?
avisa amigos e familiares, se você tiver contato de familiar, avisa, ó, é o seguinte, eu tava aí num contatinho com esse cara, ele alertou isso pra mim, eu acho importante vocês ajudarem ele, eu estou me retirando da situação.
Eu acho que essa é a forma mais segura. E é uma sugestão, né? A pessoa dizer isso é algo que precisa, sim, de atenção e de cuidado, mas não você na posição de contatinho, de enfim.
É um cuidado em que familiares e pessoas de confiança têm que lidar, enfim, ajudar e tomar cuidado e prestar atenção. Mas não é o nosso lugar de fazer isso nessa situação, por exemplo, da Pietra, que mal tinha nada com o cara. Enfim.
Vou voltar lá pra última pergunta que você faz e vou responder. Foi uma pessoa ruim? Não, de forma nenhuma. O que vocês fariam no meu lugar? Eu, nos meus humildes, o corpo sinalizou, gente, ter ansiedade de falar com a pessoa, a pessoa te liga, a pessoa aparece. E a gente reage com ansiedade, com, sabe, com uma sensação ruim.
pontíssimo de alerta total. Aí já é um ponto que, tipo, o seu corpo está te sinalizando perigo. Como eu sempre digo, vamos ser fiel aos nossos instintos. Não pode ignorar uma coisa dessa, gente. Não pode ignorar. Pelo nosso bem, pela nossa segurança. Será que eu fui uma idiota? Não.
Eu acho que você só tentou ser agradável com uma pessoa que não merecia, sabe?
não merecia tudo isso de você. E aí, o meu conselho também, sempre vou vir aqui falando pra gente procurar terapia, quando a gente se depara com algumas questões pessoais que a gente tem dificuldade de enfrentar, eu sempre vou indicar terapia. Então, talvez, nesse caso, por exemplo, a terapia te ajudaria a entender porque você tem tanto medo, assim, de magoar as pessoas e estratégias, mecanismos pra você se respeitar e não ultrapassar esse seu limite.
Sabe, entender que às vezes a gente vai magoar mesmo, não tem jeito. O que vocês acham, gente? Quais são os seus conselhos para a Pietra? O que vocês fariam no lugar dela? Vocês acham mesmo que ela foi uma pessoa ruim? Eu acho que aguentou muito e foi simpática. Não sei o que vocês acham.
Deixem aí nos comentários. Como vocês sabem, nenhuma história fica completa sem o comentário de vocês. E as nossas ouvintes querem saber, os humildes também, de você que tá do lado daí. Eu ia falar do lado de lá, mas não, né? Vocês estão desse lado aí.
E aí, gente, vamos para duas histórias que eu separei do Reddit. Curtinhas, talvez, vamos ver. Curtinhas. Antes de eu ir, eu vou pedir a sua grande ajuda seguindo o podcast no Spotify. Deixa cinco estrelas. Compartilha com pessoas que vocês acham que vão curtir. Inscreva-se no YouTube também. Deixe o hype no vídeo.
Deixe a sua curtida, ative o sininho, já deixe os seus humildes e também siga as redes sociais que estão na descrição do episódio. Vamos lá, terceira história do dia. Eu, mulher 33 anos, tentei terminar com meu namorado, homem 33, pessoalmente, mas ele se virou contra mim. Eu ainda não consegui terminar com ele.
Eu ainda tomei em choque com o que aconteceu. Ontem eu decidi terminar meu relacionamento de nove meses. A gente vinha brigando constantemente nas últimas semanas e a relação estava ficando tóxica. Chegou num ponto em que meu namorado disse que a mãe dele tinha ouvido a gente discutir.
e que ela achava que eu tratava ele mal. Eu não tenho certeza se isso é verdade, porque a mãe dele sempre foi muito querida comigo. Enfim, ouvir aquilo acabou comigo. Eu fiquei com muita vergonha e eu me senti péssima. Então, eu falei que aquilo era o motivo perfeito do motivo pelo qual a gente não devia continuar junto.
Ele respondeu que não importava o que as outras pessoas pensavam e que ele queria tentar resolver as coisas. Mas na minha cabeça, as coisas já tinham ido longe demais e a gente precisava terminar. Ontem, quando eu estava na casa dele, eu falei pessoalmente que a gente precisava terminar, que as brigas estavam ficando demais e que aquilo não estava fazendo bem para nenhum de nós dois.
Eu tinha levado algumas coisas dele que estavam na minha casa e eu tentei ser o mais tranquila possível. Foi aí que ele se virou contra mim e disse...
Nem pensar. Você não vai fazer isso comigo, sua idiota do c******. Como você ousa vir aqui e querer terminar comigo? Você é maluca? Você tem algum problema na cabeça? Ele começou a me chamar dos piores nomes possíveis. Eu disse que eu precisava ir embora e eu pedi desculpa. Mas ele trancou a porta da frente e não me deixou sair. Só tinha gente em casa naquela hora.
Eu implorei para ele me deixar ir embora, mas ele não deixou. Ao invés de ele me deixar sair, ele começou a me perguntar sobre os motivos de eu querer terminar com ele. Ele ficava insistindo em saber se eu tinha conhecido outra pessoa e se eu estava terminando com ele para ficar com outro cara. Eu não conseguia pegar o meu celular porque ele estava dentro da minha bolsa, então não tinha como eu ligar para ninguém pedindo ajuda.
Depois ele mudou de estratégia e começou a dizer que a gente podia resolver as coisas. Voltou atrás do que ele tinha dito sobre a mãe dele e ele disse que me amava e que não queria terminar. Para me manter segura, eu tentei acalmar a situação e eu concordei em continuar com ele. A essa altura ele já tinha se acalmado e eu me senti muito aliviada.
Resumindo a história, eu ainda tô com ele. Ele disse que quer me ver mais tarde pra fazer as pazes. Falou que ele vai comprar jantar pra gente e que a gente vai passar uma noite tranquila juntos. Eu não entendo porque ele insiste em continuar um relacionamento tão ruim. O tempo todo ele me diz que eu sou um pé no saco e que ele tá de saco cheio de mim. Então por que ele simplesmente não me deixa embora? Ela faz um resumão. Tentei terminar com meu namorado, mas ele ficou agressivo.
Gente, muitos pontos de atenção nessa história, né? Muitas red flags aí nessa história. Primeiro, a pessoa, eu sempre falo, sempre vou falar e vou repetir quantas vezes for necessário. A gente não precisa de autorização de ninguém pra terminar relacionamento. Entendeu?
Não existe eu não aceito o nosso término. Você não tem que aceitar nada. Eu estou te comunicando que eu estou indo embora. Não aceita, tranca ela, xinga ela de tudo quanto é nome.
Aí você viu que ele inventou coisa da mãe, que já não era verdade. Vamos aos comentários. O comentário mais votado diz. Vamos colocar as coisas na perspectiva certa. Você terminou com ele. A resposta dele foi impedir que você fosse embora. Você precisou fingir que concordava com a situação para se manter segura. Isso não significa que você não terminou.
Você terminou. Ele simplesmente não aceitou um não como resposta. Mas isso não muda nada. Você não continua com ele. Você apenas fingiu que continuava porque estava sendo mantida contra sua vontade. Você não precisa da aprovação dele para terminar o relacionamento. Não é assim que términos funcionam.
Você está num relacionamento abusivo e o seu julgamento provavelmente está bastante abalado. Você precisa encontrar uma forma de cortar todo o contato e ficar num lugar seguro até essa situação se resolver. Talvez você precise até entrar com um pedido de medida protetiva e registrar oficialmente o que aconteceu.
Você está em perigo. Talvez você ainda não perceba isso, mas você está correndo um perigo real. Trancar as portas para impedir que você saia não é um comportamento normal. É abusivo e é crime. Você foi mantida presa contra a sua vontade. Apesar do que fizeram se acreditar, isso não é algo que alguém faz por amor.
Não é algo que alguém emocionalmente saudável faz com a pessoa que ama. Você precisa ir embora imediatamente. Não volta para a casa dele. E também não deixe que ele entre na sua casa. Hipótese alguma, fique sozinha com ele novamente. Você pode acabar sendo mantida presa de novo, agredida, violentada ou sofrer algo pior. Milhares de mulheres sofrem violência ou perdem a vida por pessoas exatamente como seu ex.
Por favor, entenda a gravidade da situação e tome as medidas necessárias para se proteger. Palmas, concordo com tudo. E volto lá na primeira história da Lê para dizer algo que eu esqueci de comentar. Quando a pessoa já se mostra...
agressiva, enfim, abusiva, gente, evitar ao máximo, assim, não fique sozinha com essa pessoa. Eu acho, por exemplo, na história da Lê, quando ela foi voltar pra pegar as coisas dela, nesse momento, ou ia acompanhada, ou não ia.
Sabe, eu deixo as coisas lá, eu sei que às vezes são coisas que a gente carrega com carinho, mas assim, pedir pra alguém ir buscar no seu lugar, realmente evitar ficar sozinho ou sozinha com essa pessoa, não ficar de forma alguma, realmente é um ponto bem importante a ser dito.
Um outro comentário diz, registrar situações abusivas que eu passei foi uma das melhores coisas que eu já fiz. Eu deixava lembrete para mim mesma dizendo, grava tudo. Isso acabou me salvando quando meu agressor tentou mentir sobre mim. Tentou inventar história e me fez questionar minha própria memória e percepção do que tinha acontecido.
E aí eu sinto lhes dizer que essa história tem uma atualização, mas infelizmente, não sei por qual motivo, a atualização da UPI foi excluída pelos moderadores do Reddit. Eu li todos os comentários para tentar, sim, arrancar o máximo de informação que eu consegui. Pelo que eu entendi dos comentários, a UPI consegue terminar, uhul, Vitória, com esse cara.
ela não faz isso pessoalmente e ele manda cartas pra ela. Então, o que eu suponho? Que ela terminou, bloqueou ele de tudo e aí ele acabou mandando carta. Então, vamos lá. E aí eu vou pros comentários porque o Pi responde.
O primeiro comentário da atualização que a gente infelizmente não tem diz Ele diz nas cartas que quer casar ou ter filho com você porque é um jeito novo de exercer controle sobre você. Não porque ele se importa com você. Ele não se importa nem um pouco. Não esquece disso. Você foi muito corajosa por ter saído disso e por procurar ajuda. Eu sei que tudo isso é muito cansativo e horrível, mas você consegue passar por isso.
Olha aí o que ele fez, ele mandou carta falando, não, agora eu quero super casar, ter filho. Não caiam no papinho desses caras. Eu concordo muito, ele não quer, ele não se importa. Ele só quer, talvez, pintar um quadro de, olha tudo que você sonhou, olha, agora eu consigo te dar, para a pessoa voltar atrás. Opi responde, obrigada, eu precisava ouvir isso. Tem sido difícil me manter firme, porque algumas dessas cartas...
Cheia de declaração de amor eterno e todo aquele blá blá blá, eram bastante convincentes. Principalmente porque eu tenho 33 e eu fico preocupada de não encontrar mais ninguém. Ele sabe que eu quero me casar e construir uma família. Então talvez seja por isso que ele está apelando para a carta de casamento e dos filhos. As respostas daqui estão me ajudando a enxergar além das mentiras dele e a continuar mantendo contato zero.
Pronto pra sentir a energia de Nescau? Então entre no jogo com Ana Castelli e Pedro Sampaio, o maior feat do ano. Chama a galera e dá o play, que eu quero ver você jogar. E se prepara que esse hit não vai sair da sua cabeça. Vem, que é agora ou nunca. Nescau, energia que dá jogo.
Tá vendo? Ela conseguiu. Então, acredito que ela terminou não pessoalmente, que isso é um conselho muito importante, igual eu acabei de dizer. E também cortar contato. Quer mandar carta? Manda, a gente queima tudo.
E aí, vamos pra última história do dia. O título da história é... Ele me pediu em namoro depois do primeiro date? Vários pontos de interrogação. Eu, mulher 26 anos, tô conversando com esse cara, homem 31 anos, há mais ou menos uma semana. Eu acho ele muito querido e os nossos valores se conversam bastante.
principalmente em relação a casamento, religião e aquelas coisas que a gente considera inegociável em um relacionamento. A gente também conversou muito sobre relacionamentos passados, sobre o que a gente podia ter feito de diferente e sobre como a gente cresceu como pessoa. A gente passou o ano novo juntos e foi a primeira vez que eu vi ele pessoalmente. Ele mora um pouco longe, então seria um relacionamento à distância. Mas a gente não se importa com isso.
Dá pra perceber que ele realmente gosta de mim e eu me senti segura e à vontade com ele a noite inteira. Eu me diverti muito com ele.
A gente bebeu demais e a gente acabou ficando na virada do ano e algumas outras vezes depois, pra ser sincera com vocês. Talvez tenha sido álcool falando, ou alguma coisa do momento, mas ele me pediu em namoro e eu disse sim. Só que agora que eu tô sóbria, eu não acho que isso tenha sido uma boa ideia. Eu não me importo de sair com ele nem de assumir algo sério, mas eu não quero apressar esse relacionamento.
Eu gosto dele, mas eu imaginava a gente indo com mais calma até chegar nesse ponto. Eu tô me sentindo mal porque eu não quero voltar atrás do que eu disse, mas eu não sei o que fazer. Eu gosto muito dele e eu quero continuar conversando com ele. Mas talvez namoro seja um passo grande demais pra agora. A gente já conversou sobre casar e ter uma família, então talvez ele só esteja tentando adiantar as coisas. Isso é normal?
Tá. Gente, vamos lá. Ela tá conversando há mais ou menos uma semana, ela encontra o cara e o cara já pede namoro. Eu vou dizer que não é normal. Falar sobre casar e ter filho já assim muito logo, eu também vou dizer que não é um sinal muito legal, não. Eu não sei se vocês pensam diferente de mim. A pessoa super se declara e a pessoa já quer super fazer parte da sua vida e já fala de casar, de ter filho muito rápido e tudo.
Quando a gente não conhece a outra pessoa, gente...
Então, assim, gente, muito cuidado com essas coisas que acontecem muito rápido, tá? Eu não tô falando que é uma regra, que tudo que acontece muito rápido não dá certo, enfim. Não é que todo relacionamento que começa muito rápido acontece isso. Mas, assim, digo atenção, quando declarações vierem muito rápido, quando um pedido de namoro vem uma semana, gente, uma semana você nem sabe nada da pessoa. E aí vamos para os comentários.
Comentário mais votado diz, Na minha opinião, siga mais o que você está sentindo do que a lógica do que você está dizendo. Se você sente que esse rótulo está colocando pressão demais em você, então isso não é bom para nenhum dos dois, nem para o rumo que esse relacionamento pode tomar. Eu passei por uma situação mais ou menos parecida e acabei me sentindo presa. No fim, eu terminei.
Isso também pode ser um sinal precoce de que ele é possessivo ou inseguro. Ou seja, ele pode estar pedindo você em namoro porque ele está com medo que você acabe escolhendo outra pessoa. E não porque ele realmente tem certeza que quer estar com você. O Pi responde.
Acho que é esse o meu principal medo. O rótulo em si não me incomoda. Eu não me importo de ter algo exclusivo e sair só com ele. Mas normalmente, quando as coisas vão rápido demais, isso pode ser um sinal de alerta ou até mesmo uma forma de love bombing. Ele parece ser muito verdadeiro. Mas eu acho que como nenhum cara quis oficializar algo comigo tão rápido assim, isso me pegou um pouco de surpresa.
Gente, às vezes, as nossas experiências passadas...
E eu vou dizer até que a nossa carência, estou dizendo por mim, quando eu passei pelo que eu passei lá, ela deixa a gente um pouco vulnerável. E aí, às vezes, a gente sofre rejeições. A primeira pessoa que aparece querendo ter algo com você parece, meu Deus, e a gente se apega muito a isso. Então, cuidado, gente. Sabe aquela frase, o seguro morreu de velho? É meio que por aí mesmo.
E aí eu não posso finalizar, lógico, esse episódio sem... Preparei aqui um textão sobre relacionamentos abusivos, enfim. E aí eu não posso deixar de dar um recadinho pra todo mundo. Eu escrevi, então eu vou ler pra você, tá? Então, o que é importante, gente? Não ignorar de os confortos que se repetem. Conversar com pessoas de confiança sobre o que está acontecendo.
Não se isolar de amigos, familiares, enfim, pessoas de confiança. Prestar atenção se você está mudando quem você é só para evitar conflito. Observar se existe controle sobre roupa, amizade, rotina, enfim, decisões pessoais. Guardar as mensagens, áudios e registros de situações preocupantes. Procurar apoio psicológico se possível.
Em situações de ameaça, intimidação ou violência, procure ajuda especializada na hora. No Brasil, 180 Central de Atendimento à Mulher. 190 Polícia Militar em situações de emergência. Lembrando que em alguns locais aí tem a Delegacia da Mulher, tem os Centros de Referência também de Atendimento à Mulher do seu município.
E se você sentir que a sua segurança está em risco, procure um lugar seguro e acione ajuda imediatamente. Gente, relacionamentos abusivos, eles raramente começam com ameaças óbvias. Então, todo o cuidado é muito necessário.
E é isso, pessoal. Essas foram as histórias de hoje. Eu espero muito que vocês tenham gostado. Deixem aí os seus humildes. E, por favor, gente, vamos ser gentis com as pessoas, tá? Nem sempre a gente tem consciência. Às vezes, a gente está numa fase mais fragilizada. E a gente acaba, sim, caindo em relacionamentos não saudáveis. Então, por favor, sejam gentis, tá bom? Nos comentários. Deixem os seus comentários tanto para a Ale quanto para a Pietra.
Meninas, muito obrigada por terem... Gaia, calma. Por terem confiado aí as suas histórias no podcast. Eu peço, por favor, pra você seguir o podcast no Spotify. Deixem aí as cinco estrelinhas. Inscreva-se no YouTube também, deixa o hype no vídeo. Siga as redes sociais que estão na descrição do episódio. Tudo isso me ajuda muito. Se você também quer mandar a sua história pra ser lida e comentada aqui, é só mandar pro e-mail que tá na descrição.
E por hoje é só. Deixem os seus humildes. Se vocês têm também alguma dica de segurança, gente, por favor, conto com vocês. A gente se vê no próximo episódio. Muito obrigada por terem ficado comigo até aqui. Tchau, tchau!
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