Só Pod 94 - Ela dizia que era inveja... mas será?
Ela jurava que o problema era inveja. Mas quando a gente olha de perto o histórico e as atitudes no dia a dia, a conta não fecha. Até quando vale a pena pisar em ovos para manter a paz com uma colega de trabalho assim?
✨ Histórias sobre ambiente de trabalho, conflitos e convivência.
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Isa
- Agressão no ambiente de trabalhoRacismo e gordofobia · Ciberbullying · Plano de embebedar colega · Demissão por justa causa
- Ambiente de TrabalhoSentimento de exclusão · Acusações de panelinha · Mentiras e manipulação · João Barradas
- Inveja e críticasComportamento de Ana · Lei Rouanet · Maiara · Maraísa · Ana Bolena
- O papel do empregador em conflitosHistórico de desentendimentos · Comentários e indiretas · Exclusão social · Relacionamento profissional
- Resolucao de ConflitosReunião com a gestora · Tentativas de resolução · Escalada do conflito
Inveja no trabalho? Será que a gente tá lidando com uma pessoa muito insegura, com inveja, carente de atenção? Ou a gente tá enxergando isso tudo do jeito errado? E aí, galera! Bem-vindos a mais um episódio do Só Pode Ser História. Eu sou a Isa. Hoje a gente vai começar com a história de ouvinte. Quem me escreve é a Manu. Todas as informações, nomes, enfim, dessa história foram alterados. Então, se você quer mandar sua história para ser lida e comentada aqui, fica tranquilo que é tudo feito de forma anônima.
O título da história dela é: Inveja no trabalho? Será que a gente tá lidando com uma pessoa muito insegura, com inveja, carente de atenção? Ou a gente tá enxergando isso tudo do jeito errado? Oi Isa, tudo bem? Hoje eu quero trazer uma história que vem acontecendo no meu trabalho e eu gostaria muito de ouvir a sua opinião e a dos ouvintes. Na verdade, essa história não envolve só eu, tem mais duas amigas de trabalho que passam pela mesma situação com uma quarta pessoa.
Para facilitar, eu vou chamar essa pessoa de Ana. Só para dar contexto de idades, eu tenho 27, essas minhas duas amigas têm 30 e a Ana tem 34. Eu já conheço a Ana há 8 anos e eu já tinha um histórico com ela mesmo antes da gente trabalhar juntas. A gente se conheceu através de amigos em comum e lá atrás tudo começou por causa de um desentendimento. Na época eu morava de aluguel e eu precisei me mudar porque a casa onde eu vivia foi vendida e eu acabei me mudando para uma casa no mesmo bairro.
A Ana veio me perguntar quanto eu pagava e logo em seguida ela questionou como eu e o meu marido conseguíamos pagar as contas. Já que, segundo ela, a gente bebia todos os finais de semana. O problema é que eu não tinha intimidade nenhuma com ela pra ficar dando explicação da minha vida financeira. Eu só respondi que a gente tinha duas rendas e eu lembrei que ela também sustentava a si mesma e o filho só com uma renda. Ela ficou irritada, começou a dizer que não dependia de homem e falou várias outras coisas que eu nem lembro mais.
Eu só disse que as nossas realidades eram diferentes e que não fazia sentido a gente ficar se comparando. Depois disso, a gente nunca mais continuou a conversa. Dias depois, eu percebi que ela tinha me removido do Instagram. Eu cheguei a perguntar o motivo pelo WhatsApp, mas ela nunca me respondeu. Como a gente não era próxima, eu só deixei pra lá. Anos depois, eu comecei a trabalhar na mesma empresa que ela, inicialmente em um setor que não tinha relação com a minha área de experiência.
Uns 6 meses depois, surgiu uma oportunidade de transferência pro setor em que ela trabalhava. Eu fiquei receosa por causa do nosso histórico, Mas eu aceitei. No começo, tudo parecia tranquilo, até porque a gente trabalhava em unidades diferentes. Agora entra um detalhe importante: a Ana sempre foi uma pessoa muito invasiva e intrometida. Eu até compartilhava algumas coisas superficiais da minha vida, mas nada muito pessoal. Esse ano, uma colega muito próxima pediu desligamento da empresa e eu assumi parte das funções dela.
E sinceramente, eu acho que isso incomodou a Ana. Além de mim, existem outras duas amigas muito próximas que eu vou chamar de Maiara e Maraísa. Essas são as que ela comentou que têm 30 anos. Nós três trabalhamos juntas diariamente, somos muito parceiras e a gente tem uma convivência excelente. Mas desde então, a gente começou a perceber algumas atitudes estranhas da Ana. Sabe aquelas indiretas que vêm disfarçadas de brincadeira?
Comentário atravessado, pequenas provocações, aquele tipo de coisa que é difícil de apontar diretamente, mas que todo mundo percebe. Pra vocês terem uma ideia de exemplos que me marcaram: comigo, teve uma vez que eu saí da sala onde eu tava atendendo um colaborador e ela comentou que a sala tava fedendo. Com a Mayara, quando ela foi participar de um vídeo interno da empresa que a Ana tava editando, a Ana fez um comentário sobre a maquiagem dela dizendo: É, fez o que pôde e pôde pouco.
Já com a Maraísa, nem foi na brincadeira. Ela disse que a Maraísa não teria capacidade de assumir o lugar dela caso ela saísse da empresa. Inclusive, a colega que saiu da empresa me contou que logo depois que ela pediu desligamento, a Ana foi atrás dela pra falar mal de mim e tentar me queimar. Ela disse que eu tinha falado que se ela e a Ana saíssem, eu me virava sozinha. O que não é verdade. Da Ana eu posso até ter comentado em algum momento, mas da outra colega eu não comentei.
Ela também falou pra essa ex-colaboradora que ela tava fazendo o nosso trabalho, que ela não ia atender mais as nossas demandas e que a gente teria que se virar. O mais curioso é que parecia óbvio que essa informação ia chegar até mim. Recentemente eu e meu marido abrimos um negócio. Desde o início ela simplesmente ignorou completamente esse assunto. Nunca perguntou como tava indo, nunca comentou nada. Ela fazia de conta que o negócio nem existia.
Até aí, beleza. Mas aí aconteceu algo estranho. Em um sábado, ela me chamou para ser modelo em um curso de especialização que ela tava fazendo. Eu recusei educadamente porque eu não queria participar. Ela também sugeriu uma parceria com o meu negócio e do meu marido, mas eu desconversei, não dei abertura. Na quarta-feira seguinte, sem qualquer motivo aparente, ela me removeu de novo do Instagram e do TikTok. Pouco tempo depois, houve uma troca de unidade e eu precisei usar o computador dela para trabalhar.
Quando eu abri o chat corporativo para tirar uma dúvida, eu vi algumas pesquisas recentes dela, como: me sinto deixada de lado no meu local de trabalho e me sinto invejada porque eu trabalho muito bem. O que me chamou atenção é que a realidade parece ser exatamente o contrário. Nem nós nem a equipe dela estamos satisfeitos com o comportamento profissional dela. Ela costuma atender as pessoas de forma grosseira, é mal educada, e muitos colaboradores preferem esperar alguém da nossa equipe tá disponível para não precisar falar diretamente com ela.
Pelo que a gente percebeu, a própria equipe dela começou a se afastar porque conviver com ela é desgastante. Mas na visão dela, todo mundo a isola por inveja. Recentemente, conversando com outra colega que eu vou chamar de Hanna, a gente ficou sabendo que a Hanna vem dizendo que faz o nosso trabalho e tá reclamando da gente pelas costas. A Hanna sabe que isso não é verdade e não dá muita corda para essas conversas. Mesmo assim, eu, a Mayara e a Maraísa estamos começando a ficar bastante incomodadas.
Então fica a pergunta: a gente tá sendo babaca por simplesmente ignorar a existência dela fora do necessário? Porque a gente evita o conflito, a gente é educada quando precisa interagir e a gente segue trabalhando normalmente. Mas parece que quanto menos atenção a gente dá, mais ela se incomoda. Será que ela é uma pessoa muito insegura, com inveja, carente de atenção, ou a gente tá enxergando isso tudo do jeito errado? O Lelê, conflitos no trabalho.
Vamos lá, perguntas que eu faço para ela. Algumas das perguntas, gente, eu incorporei aqui na história, tá? Mas outras eu deixei separada. Vamos lá, primeira pergunta que eu faço: quando você fala que você ficou receosa para trabalhar com ela, foi por causa daquela situação do aluguel ou teve outra coisa? Ela responde que tudo começou por conta da história do aluguel. Segunda pergunta: a Maiara e Maraísa— e gente, amei esses nomes, dei muita risada— também trabalham diretamente com a Ana?
Elas passam pelas mesmas situações que você? Sim, mesma situação. Ela tirou nós três das redes sociais e aconteceram outros episódios nesse meio tempo. Terceira: se você tivesse que chutar, por que que você acha que ela age desse jeito? A impressão que eu tenho é que ela demonstra bastante insegurança. Ela costuma entrar em embates e muitas vezes ela se coloca como vítima da situação. Ela costuma agir assim só com vocês ou outras pessoas no trabalho também têm essa mesma impressão?
Tem outra colega que trabalha direto com ela e que já foi reclamar desse comportamento pra nossa gerente. E na unidade dela, todo mundo reclama do quanto ela é grosseira no atendimento e na forma como ela trata os outros. Cês já chegaram a conversar com ela sobre algumas dessas situações ou cês preferiram deixar pra lá? Resposta da Manu: A gente chegou a pensar em conversar diretamente com ela, mas naquele momento a situação já tava muito desgastada.
Pela forma como tudo vinha acontecendo, a gente acredita que uma conversa só aumentaria o conflito. Por isso, a gente optou por levar a situação diretamente para nossa gerente. A Manu maravilhosa nos proporciona com o gostinho da atualização. Gente, eu amo! E aí, vamos lá, eu vou direto para atualização antes de eu ir para os meus humildes. Vamos lá. A gente teve uma reunião com a nossa gestora e resolveu colocar os pingos nos is.
A gente levou pra ela tudo o que vinha acontecendo, todos os comentários desnecessários que a Ana fazia sobre a gente, e a gente explicou o nosso lado. O que mais deixou a nossa gestora indignada foi justamente o comentário de que a Maraísa não teria capacidade de assumir o lugar dela. Na mesma semana, a gerente teve uma reunião com as meninas que trabalham direto com a Ana. Em um determinado momento, ela começou a fazer alguns comentários meio que soltando umas indiretas sobre capacidade e desempenho.
Nisso, a própria Ana começou a elogiar a Maraísa. Quando a reunião terminou, a Ana chamou a gerente para conversar porque percebeu que ela tava estranha, com comportamento diferente. Foi aí que a gerente contou da conversa que tinha tido com a gente uns dias antes. E aí ela falou dos comentários que a Ana tinha feito sobre a tal incapacidade da Maraísa. Saindo da reunião, a Ana foi direto para a unidade da Maraísa. Antes dela chegar, ela mandou um áudio pedindo pra ela não ir embora e esperar, que já tava no final do expediente, ela precisava conversar.
Quando chegou lá, a Ana tava em prantos, negou tudo, disse que jamais tinha falado aquilo da Maraísa e pediu desculpa. Falou que ela não queria que a situação chegasse a esse ponto e tentou se justificar. A gente achou que tava tudo resolvido, só que no dia seguinte a gente viu que não era bem assim. A Ana foi lá e tirou a Maraísa das redes sociais do mesmo jeito que já tinha feito comigo. Na semana seguinte, a Maraísa teve que ir pra unidade da Ana, como ela já fazia normalmente por causa do trabalho.
Só que ela só aguentou ficar meio período. A Maraísa disse que ela foi ignorada o tempo todo, o clima tava péssimo e não tinha a menor condição de ter uma convivência profissional em paz. Ou seja, o que parecia resolvido acabou piorando. Mesmo depois de tanta conversa, pedido de desculpa e tentativa de alinhar as coisas, o clima entre elas ficou ainda pior. Depois de tudo isso, a gente resolveu mudar o esquema na hora de ir lá na unidade dela.
Em vez de ficar no mesmo espaço, a gente separou uma sala só para atender o pessoal e resolver todas as pendências, para evitar um contato desnecessário. Só que isso também incomodou ela. Em um desses dias, ela foi até a sala, abriu a porta com tudo e questionou porque ninguém tinha avisado que a Mayara e a Maraísa estariam lá. Aí não deu outra, ela foi direto no escritório principal e pediu uma reunião com a nossa gerente. Chorou horrores e falou que ela não era o monstro que a gente tava pintando.
E logo em seguida, a gente viu que a Mayara também tinha sido apagada das redes dela. Ou seja, fez a mesmíssima coisa com nós três. Essa reunião foi na penúltima sexta. Na terça-feira seguinte, a gente foi perguntar pra Hanna, que ela tinha participado da reunião, o que tinha rolado. Ela contou tudo e disse que depois que a reunião acabou, a nossa gestora chamou ela no canto e perguntou se ela tinha acreditado naquele choro da Hanna.
Isso acendeu um alerta gigante na gente, porque mostrou que até a própria gestora ficou na dúvida se aquele choro era de verdade. Enfim, a história segue se desenrolando. Bom, vamos aos meus humildes. Mas a Manu quer saber, gente, o que todo mundo pensa. Então, por favor, como vocês sabem, nenhuma história fica completa sem o comentário de vocês. Então já vai deixando aí o que que vocês acham, seus humildes. Bom, vou resumir o que eu penso.
Não acho que vocês estão erradas. Eu acho que a melhor opção é manter um relacionamento estritamente profissional. Porque assim, gente, a gente pode ficar aqui, eu posso ficar aqui horas com vocês supondo o que acontece com a Ana, se é inveja, se enfim, se ela é insegura. Eu acho que a pesquisa dela, né, deixa eu voltar nessa parte da pesquisa, do que ela pesquisou. Pera aí. Me sinto deixada de lado no meu local de trabalho e me sinto invejada porque eu trabalho muito bem.
Eu acho que essas são as maiores dicas do que a gente possa, enfim, chutar o que se passa com a Ana, né? Então, o que que eu tiro de conclusão com essas pesquisas? Eu acho, vou chutar, tá, que ela tem uma insegurança mesmo. Só que também, gente, não tem como a gente ser, né, faz esses comentários, volta, exclui. Ai, nossa, como que você consegue bancar o seu aluguel se você bebe todo final de semana? Não tem também às vezes como você ser uma pessoa desagradável e querer que você seja, né, incluída em tudo.
E eu imagino que todas essas situações devem esgotar, porque vocês até encontraram uma forma de, não, então vamos, quando a gente for na unidade dela, vamos aí reservar uma salinha pra gente, né, pra enfim não criar conflito, não ter nenhum atrito. E aí até nisso ela encontrou problema. Eu gosto de pensar que mulheres, gente, tem que se unir, tem que saber se ajudar, e tem que principalmente em ambientes de trabalho. Mas infelizmente não é sempre que isso pode acontecer, né?
Não é sempre que as pessoas também dão essa possibilidade disso acontecer. Então eu, no lugar de vocês, da Manu, da Mayara e da Maraísa, eu manteria uma relação estritamente profissional. E aí eu acho que no lugar de tentar se resguardar, eu acho a melhor opção de todas vocês reportarem tudo para as gestoras de vocês. Então tudo que aconteceu, reporta. E entender, gente, que lógico é maravilhoso. Eu acho que eu falei isso em outro episódio.
É maravilhoso quando colegas de trabalho acabam virando amigos, e aí a gente consegue, né, criar uma amizade, criar uma relação mais próxima. Mas nem sempre é possível. Ambiente de trabalho não exige amizade, né, exige respeito. Eu acho que se todo mundo manter o respeito espero que tudo dê certo, mas eu me afastaria. Eu acho que já deu para entender como a Ana se comporta. Então eu, no lugar de vocês aí, eu seguiria por esse caminho, sabe?
Sempre com o pé atrás, sempre prestando muita atenção. Eu acho que eu tentaria muito me afastar o máximo que der dessa situação e desse convívio. Respeito, profissionalismo e tudo que acontecer. Ó, aconteceu tal coisa. Olha, aconteceu tal coisa. Isso daqui aconteceu, blá blá blá blá blá blá. É o que eu faria. Infelizmente não são todas as pessoas que a gente pode, né, contar, enfim. Mas eu queria muito saber o que vocês acham, gente.
Deixem os seus humildes aí para Manu. Manu, Maiara e Maraísa, muito obrigada por terem enviado a história de vocês aqui para o podcast. Se tiver alguma atualização, pode me mandar, eu faço outro episódio com atualização da história de vocês. Mas é isso, gente, sigam firmes, reportem o que vocês acharem necessário e mantenham a relação estritamente, sabe? E aí, outra dica: se for te seguir no Instagram, se for te seguir no TikTok, sabe, já nem aceita, já.
Porque essa coisa de seguir, não seguir, né? Ou segue de uma vez ou não segue nunca mais. Esses são os meus humildes, mas eu conto com os humildes de vocês também para a história ficar completinha do jeito que a gente gosta. E, gente, vamos lá! Hoje eu separei só mais uma história porque é uma história bem comprida do Reddit, né, linkada aí com a história da Manu. É uma história bem comprida, é uma história que tem muitas atualizações, então eu vou diretão para ela.
Não vou, eu vou me abster dos meus humildes. Acho que eu só vou dar meus humildes no final Mas já vão aí comentando. Antes de eu ir pra ela, eu vou pedir, por favor, pra você seguir o podcast no Spotify. Dê as 5 estrelinhas, que me ajuda muito. Se você tá no YouTube, inscreva-se no canal. Ative o sininho pra saber quando sai vídeo novo. Sigam as redes sociais que estão na descrição do episódio. Tudo isso me ajuda muito! Então eu conto com a ajuda de vocês.
O título da história é: Uma colega de trabalho acha que a gente formou uma panelinha pra fazer bullying com ela. Antes de começar, é só importante dizer que essa história contém menções ao racismo, gordofobia, assédio e ciberbullying no trabalho. Então, se esses são tópicos sensíveis, por favor ouça com cautela. Ela começa dizendo: gente, eu, mulher, 22 anos, já fui adolescente, então eu sei muito bem como é o bullying na forma de exclusão.
Mas esse não é o caso aqui. Não tem nenhuma panelinha oprimindo essa pessoa. Basicamente, quase todo mundo do nosso setor, pessoal entre 20 e 30 anos, ficou muito próximos uns 3 meses atrás. A gente fez o mesmo treinamento juntos para uma filial nova da empresa. Quando o treinamento acabou, a maioria do pessoal se sentiu à vontade de trocar rede social. Uma das meninas, a Luma, mulher, 25 anos, Disse pra todo mundo que não tinha rede social, o que era mentira porque eu já tinha procurado o nome dela antes e eu tinha achado o perfil.
Era uma conta ativa e super pública, mas eu nunca saí espalhando nada disso pro grupo. Pra mim, essa foi só uma forma fofa dela dar um fora na gente. E eu super entendi, porque nem todo mundo gosta de misturar colega de trabalho com rede social. Passaram umas semanas e ela deixou escapar que ela tinha rede social sim. Falou alguma coisa sobre odiar quando os amigos dela mandavam mil coisas pra ela. O pessoal cobrou ela na hora e ela acabou admitindo que ela só não queria misturar trabalho com a vida pessoal.
A Luma não queria o trabalho invadindo o pessoal dela. Mais uma vez, todo mundo super entendeu de boa. Só que os meses foram passando. E nesses meses, o nosso grupo começou a se encontrar direto fora do trabalho. A gente saía pra fazer compra, fazer churrasco, noite de cinema, tomar vinho juntas assistindo série, enfim, várias coisas. Com isso vieram as piadas internas, mais convite para fazer coisa juntos e uma conexão muito boa entre a gente.
Na última segunda-feira, a Luna veio reclamar comigo que os nossos colegas Leandro e Leonardo— gente, eu usei tudo aqui é nome de sertanejo, tá— estavam dando risada no intervalo. Ela se sentiu excluída e perguntou qual que era a graça para eles. Eles disseram tipo, ai, você tinha que estar lá para entender. Ela ficou insistindo para eles contarem, falando que ela ia entender sim. Eles contaram meio caindo na risada, e como a Luma não entendeu absolutamente nada do que tava acontecendo, eles repetiram.
É que realmente você precisava estar lá para entender. Quando a Luma foi me contar a piada, eu comecei a rir na mesma hora, porque era de fato uma piada interna sobre algo que aconteceu na noite do cinema na casa do Leonardo. A Luma pareceu super chateada e ela só voltou pra mesa dela. Hoje, no intervalo, uma das meninas perguntou pra outra o que devia levar pro nosso encontro de série e vinho. Pausa pra falar aqui. Quem quiser, quem quer fazer um encontro de série e vinho, gente, me chama.
Eu super topo, que delícia. Essa conversa aconteceu bem na frente da Luma. De novo, a Luma se meteu e perguntou do que elas estavam falando. Aí elas explicaram da noite das meninas, enfim, do vinho, série, um papo nosso. E aí engataram o papo sobre o último episódio. A Luma me puxou pra um canto e perguntou se todo mundo tava fazendo as coisas sem ela. Eu mandei a real e falei que sim. E eu expliquei que foi ela mesma que tinha falado pra todo mundo que não queria misturar a vida pessoal e trabalho.
Mesmo assim, ela falou que era uma falta de educação enorme não ter chamado ela. E que o pessoal tava fazendo uma panelinha pra fazer bullying com ela. E ela ficou desabafando sobre como ela se sente uma vítima e como ela se sente excluída por não ser chamada. Como é que eu explico pra ela que o fato dela não ter sido incluída é culpa dela mesma? E que não dá pra obrigar as pessoas a gostarem dela ou convidarem ela pras coisas?
Ela faz uma edição antes, deixando bem claro pra não ter confusão. A Luma disse com todas as letras que ela não queria nenhuma interação com os colegas de trabalho. E não só nas redes sociais. Desde que ela descobriu que o pessoal se encontra fora do expediente, ela virou uma bisbilhoteira das minhas mensagens. No intervalo ou mesmo no trabalho. Ela fica querendo saber se eu tô trocando mensagem com um colega X ou se eu vou no evento Y.
Vamos lá, comentário mais votado: você claramente não quer convidar ela para essas coisas, senão você teria falado algo do tipo: nossa, Luma, desculpa, claro que você tá convidada. Você tá excluindo ela assim. E convenhamos, ficar fazendo plano na frente de alguém que você não quer convidar é pura falta de educação. O Pi responde: Mas não sou eu quem organiza a noite da série, eu não teria nem como convidar ela. Eu não organizo nada, na verdade.
Eu não assumo a culpa porque eu fico meio tipo... sei lá, é ela quem devia pedir pra ir, não? Ela não pediu em nenhum momento pra ser incluída, ela só fica reclamando comigo. Eu posso até dar um conselho, mas é só isso que eu posso fazer. Aí, gente, os outros comentários, eles batem meio que na mesma tecla, assim: Ah, beleza, ela falou que ela não queria, mas talvez ela mudou, né, de posição, talvez agora ela queira. Pô, ela tá vendo aí vocês construírem uma amizade, enfim.
Por que você não fala com ela? Chama ela também. E aí, o Pi responde o seguinte: Eu sou a única pessoa que tem todas as peças do quebra-cabeça. O que eu tenho que fazer? Contar pro pessoal que ela mudou de ideia e ver no que dá? Aí uma pessoa responde: Sim, você devia falar que a Luma tá chateada por ter sido deixada de fora. Que embora ela não parecesse interessada no passado, agora a postura dela mudou. E que vocês deviam sim começar a chamar ela.
Eu já sei todo o desenrolar dessa história. Até aqui, enquanto eu estava lendo, eu falei: bom, concordo, né? Tem gente de fato que não gosta de misturar, e eu acho que a gente tem que respeitar a decisão de cada pessoa. Mas até essa parte da história eu tava tipo: pô, beleza, talvez ela tenha se arrependido, talvez ela viu como tá legal aí o grupo se reunindo e quer e queira participar. Então, no lugar do Pi, eu conversaria com todo mundo, ia falar: gente, então, pô, tô percebendo que ela gostaria de ser chamada para as coisas, que que vocês acham?
Mas como vocês sabem, gente, às vezes a história do Reddit é um buraco sem fim. Então vamos para atualização. Eu descobri a verdade bizarra por trás da minha colega excluída. Eu falei com o pessoal do trabalho antes do nosso turno começar. A gente costuma se reunir pra tomar café. Eu puxei a conversa de um jeito que parecesse que eu tinha ficado chateada por eles estarem comentando sobre a noite da série na minha frente. Eles entenderam super de boa e prometeram não tocar mais no assunto.
Aí eu aproveitei o gancho e falei: Quem sabe da próxima vez a gente não chama a Luma também? Foi aí que o clima mudou. Uma das meninas ficou com uma cara de paisagem e um outro colega fechou a cara na hora. Visivelmente irritado. Acontece que a Luma mentiu quando ela disse que ela não tinha sido convidada. O motivo? Eu não faço a menor ideia. Uma das meninas já tinha mandado mensagem no Instagram pra Luma semanas atrás. Ela disse que ela tava querendo organizar essa noite da série e do vinho, listou algumas opções e perguntou o que ela gostaria de assistir.
A Luma visualizou, deixou ela no vácuo por dias e quando ela respondeu, ela falou que tinha mais o que fazer do que ficar bebendo vinho barato e assistindo TV lixo. E ainda completou pedindo pra nunca mais mandar nada no Instagram dela. Eu fiz questão de ver a mensagem com os próprios olhos, só pra ver que elas não estavam inventando nada. Eu perguntei por que ela não tinha contado isso pra todo mundo antes. E ela só disse que foi porque ela não queria deixar o clima no escritório pesado.
E aí, um dos caras também desabafou. Falou que a Luma era uma babaca e me falou pra dar uma olhada no perfil dela. Ela vem há meses postando uns status com o título O Chá da Luma. Descascando o nosso trabalho. Às vezes é só xingamento bobo, mas às vezes passa muito da conta. Uma das atitudes mais nojentas da Luma foi tirar uma foto escondida de todo mundo e postar no Instagram chamando um colega de termos racistas e gordofóbicos.
Ele só ficou sabendo porque um outro amigo em comum viu e mandou o print. E aí sobrou pra todo mundo. Ela pegou foto do meu perfil me chamando de ruiva de farmácia que faz o feminismo regredir. E esculachou até o nosso encontro, chamando de reunião de donas de casa desesperadas. Um dos meus colegas já tinha levado o caso para RH, mas a resposta foi aquela padrão, que era o perfil pessoal dela, mas que as fotos escondidas na empresa iam sim contra as regras.
Eu fiquei sem chão. A Luma mentiu na minha cara o tempo inteiro. Eu tenho só mais 4 horas até o meu intervalo. Será que eu jogo tudo na roda e eu cobro ela, ou será que eu fico na minha? Agora, que papinho mais fraco da empresa, hein? Eu acho que Nesse caso aqui, não sei, tá? Me digam aí o que vocês acham. Mas, gente, para mim é justa causa, não? Você pode ficar falando o que você quiser por aí, sendo racista, sendo gordofóbico, e a vida que segue.
Eu acho que daria justa causa, mas pessoal aí do direito, me contem. Vamos lá, ela traz uma atualização no dia seguinte: eu nem precisei decidir se eu ia confrontar ela, porque assim que o meu intervalo acabou, a minha supervisora veio falar comigo. Ela sabia que a aluna tinha me procurado para reclamar da panelinha do escritório. E ela tentou me convencer a falar em nome da Luma para o resto da turma, falando que a gente devia tentar incluir ela nos nossos encontros.
Eu já ia concordando com tudo quando um outro supervisor me interrompeu. Aí ele mandou a real: a Luma também já tinha ido chorar para ele, mas ele ignorou porque ele sabia que ela tinha sim sido convidada. Como os convites foram enviados pelo email corporativo, todos os gerentes viram tudo. A Luma não só foi chamada para todos os eventos, mas ela respondeu todos de uma de maneira super grossa, pedindo para todo mundo não gastar o tempo dela.
Quando eu fui para o cantinho do café, ela veio direto na minha direção com papo de: ai, gente, vocês precisam acabar com essa panelinha preconceituosa. E ela me chamou para tomar um café. Eu logo dei uma desculpa e eu fui embora. Chegando em casa, eu vi um post dela novo dizendo que tava pregando uma pecinha numa idiota do escritório. Eu tive certeza que era pra mim. Aí eu comecei a tirar print de absolutamente tudo. Além dos posts racistas, ela postou um plano sórdido de embebedar um colega de trabalho casado pra ir pra cama com ele.
Aí eu decidi cortar total o contato. Eu não vou ser capacho de manipulação de ninguém. Gente, nisso, RH, vida que segue, né? Se fazendo que não tá vendo nada, não tá entendendo nada. Tô achando muito estranha essa postura, né, dessa empresa. Mas a gente sabe que Infelizmente acontece. Bom, depois dessa atualização, gente, a gente tem só mais duas edições dessa história. Vamos para a primeira. A primeira edição é Denúncia do RH.
O pessoal aqui dos comentários me alertou que esse plano de embebedar o colega casado era muito grave. Eu mandei todos os prints para o RH e eu avisei o colega em questão, que ele ficou completamente revoltado. O RH me respondeu dizendo que chamaram a aluna para ir na empresa em pleno final de semana. Cheirinho de demissão. Como o escritório nem abre de sábado e domingo, ficou claro que tinha dado ruim para ela. Eu segui os conselhos de vocês, parei de olhar o perfil dela e eu só esperei.
Última edição: pelo visto ela foi demitida no final de semana. Barulhos de fogos, alegria e comemoração. Na segunda-feira, a mesa dela tava completamente vazia. Mas a mesa ficou toda amassada e detonada. Gente, acho que ela macetou-lhe a mesa. Tinha até decoração da mesa dos outros colegas em volta, que acabaram quebradas no processo. Tudo indica que ela armou o maior barraco antes de ir embora. Eu já bloqueei a Luma em tudo, não fui checar nem o perfil dela, e agora eu só quero paz.
Que bom, fico muito feliz que foi demitida. Tá? E aí o que me passa na cabeça: tem pessoas que às vezes se sentem excluídas, e às vezes, enfim, né? Eu não tô dizendo que todo caso é assim, gente, mas tem gente que não tá vivendo as coisas que gostaria, e aí se pergunta: nossa, por que isso tá acontecendo comigo? E aí é muito importante que a gente olhe, ó, para o nosso próprio umbiguinho, né? Porque nesse caso aqui, dessa história do Reddit, pô, não tava primeiro porque isso é uma péssima pessoa.
Mas aí, voltando no caso da Manu, entendeu? O que vocês acham que a Ana... O que vocês acham que se passa assim na cabeça da Ana? Eu gostaria muito de saber os seus humildes. Manu, muito obrigada mais uma vez por ter enviado a história de vocês aqui pro podcast. Qualquer atualização é só me avisar. Gente, lembrando, por favor, pra vocês seguirem o podcast no Spotify. Deem as 5 estrelinhas, isso me ajuda muito. Inscreva-se no canal no YouTube, dê o hype no vídeo se você puder.
Sigam as redes sociais que estão na descrição do episódio. Se você quer mandar sua história pra ser lida e comentada aqui, é só mandar pro email que também tá na descrição. Gente, por hoje é só. Eu espero muito que vocês tenham gostado do episódio de hoje. Muito obrigada por terem ficado comigo até aqui. A gente se vê no próximo episódio. Tchau, tchau!