[BÔNUS] Marcelo D2 pergunta à Vera: você faria alguma coisa diferente como mãe?
No episódio bônus desta semana, o músico Marcelo D2 faz uma pergunta pessoal para Vera Iaconelli: olhando para a criação das filhas, ela faria alguma coisa diferente? Ou acredita que fez o melhor que podia com os recursos e as condições que tinha em cada momento da vida?
Na resposta, Vera fala sobre arrependimento, responsabilidade, idealização e sobre a difícil tarefa de avaliar a própria trajetória como mãe.
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- Reconsideração da maternidadeArrependimento e responsabilidade · Idealização da maternidade · Trajetória como mãe · Limites e ideias equivocadas · Violência familiar e agressividade · Ansiedade e ideais altos · Relação com os filhos · Dificuldade de ser pai/mãe
Oi, eu sou a Velha Conelly e esse é o Pergunta Vera, um episódio bônus do Isso Não É Uma Sessão de Análise, podcast que criei com a Trovão Mídia. Aqui eu respondo uma pergunta qualquer feita pelo convidado da semana, que foi um rapper, cantor e compositor, Marcelo D2. A conversa completa que eu tive com ele saiu na terça. Volta lá depois se não ouviu, porque vale a pena. Bom, vamos para pergunta.
Eu vou fazer uma pergunta um pouco difícil, tá? Não sei se você faria alguma coisa diferente que você fez enquanto mãe, ou você acha que deu para fazer o melhor?
Eu tenho certeza absoluta que eu fiz o que era possível, porque não faltou amor nem boas intenções. É simplesmente tinha muitos limites e muitas ideias equivocadas que eu pus em prática.
Limites você diz dentro do que você sabia.
É, do que eu sabia. Eu venho de uma família também violenta, meu pai era um homem violento, mas violento a fundo perdido, ele não queria beneficiar ninguém, ele era só violento mesmo. Então hoje eu acho que eu fui muito mais agressiva com elas do que eu seria se elas tivessem nascido hoje, com certeza.
E você fala isso com elas?
Fala, elas conhecem bem a minha história, assim, então elas são muito... Eu vejo que as minhas filhas cuidam mais de mim, elas têm uma coisa de cuidar, assim, de falar: "Não, mãe, a gente..." É muito fofo, elas são pessoas... "Tudo bem, mãe, tá tudo bem." Eu acho que o que deixa a gente tudo bem, na verdade, a mim pelo menos, é ver que elas são pessoas muito legais.
Ah, isso é fofa.
Eu não posso ter feito tanta coisa errada, porque essas pessoas são muito legais, em todos os sentidos, assim, são cabeças legais, são pessoas super generosas, são melhores do que eu. Então eu falo: "Meu, eu não posso ter feito tanta coisa errada." Mas eu acho que eu era uma mãe muito ansiosa. Com ideais muito altos, com uma cobrança muito grande e uma pessoa com muita coisa para resolver. E elas entendem isso assim, eu acho que elas...
No final, é né, cara, porque é difícil, né, cara?
É difícil.
É difícil ser pai e mãe.
Nossa, é uma tarefa... O Freud dizia: "Impossível educar, impossível." A gente só faz o que dá.
E eu ainda tenho 5, olha isso.
Mas a vantagem de ter muito é que um cuida do outro também um tanto, né? Eles têm as relações entre eles, né? As minhas filhas se cuidam, viu, entre elas. Isso é muito importante pra mim.
É, eles têm esse núcleozinho ali. Mas isso que você falou é interessante, assim. Eu uma vez tava falando, conversando com a Luiza e falando: "Pô, obrigado por ser uma parceira assim maneira com meus filhos, sabe?" Ela falou: "Cara, seus filhos são muito legais." Isso talvez seja um elogio mais legal que eu podia ouvir da minha companheira, sabe?
Com certeza.
Fala: "Cara, não, eu faço isso, lógico, a gente é uma família e tal, mas seus filhos são muito legais." Você transmitiu alguma coisa legal pra eles, né?
Aham.
Eles são super ingratos, né?
Todos. Mas eles estão no papel deles, a gente também já foi, tudo bem. Essa coisa de reconhecer o lugar dos pais é uma volta muito madura, demora muito, bicho. Não é fácil, não.
Pô, obrigado de novo.
Obrigada, Marcelo.
Foi ótimo esse papo.
Foi muito legal pra mim.
Maneiraço.