[BÔNUS] Ana Suy pergunta à Vera: se você pudesse escolher uma filha, como ela seria?
Ouça a resposta de Vera Iaconelli para a questão da psicanalista e escritora Ana Suy neste episódio bônus de “Isso não é uma sessão de análise”.
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Oi, gente, aqui é Velha Connelly e isso não é uma sessão de análise. Hoje vocês vão ouvir minha resposta para a pergunta que a Ana Sui me fez lá em Paraty durante a Flip, no episódio gravado ao vivo na Casa da Cultura com plateia. Boa escuta!
Vera, se você pudesse escolher alguém— as pessoas perguntam muito pra você sobre maternidade, né? Eu vou perguntar por essa via, mas ao contrário. Se você pudesse escolher alguém pra ser sua filha, como seria essa filha?
Para ser minha filha, como seria essa filha? Puxa, imediatamente eu pensei nas minhas filhas, porque não é porque ela— o que mais me encanta nelas é que elas não são eu, elas me surpreendem incrivelmente, eu tô sempre estranhando elas. E por acaso eu tô com a minha filha aqui, a mais velha, né? E sempre tem uma surpresa, sempre tem uma revelação, sempre tem uma coisa que eu não estava esperando, um jeito de ser, e elas são muito diferentes entre si.
Eu não consigo... Nossa, não poderia... Por que eu não poderia ter tido a criatividade de uma coisa tão distinta como elas são? Até fisicamente, assim, não sei. Eu cheguei na quarta, porque nós estamos... Aqui na Philips teve uma casa que a gente montou, e ela só pôde chegar na quinta. Eu estava ansiosíssima para ela chegar, porque, enquanto ela não desse palpite no meu figurino, estava muito difícil sair de casa de manhã. E elas dão: Mãe, essa maquiagem não dá, mãe, parece que você não sabe usar esse negócio, deixa eu te mostrar aqui como é isso.
E é incrível, porque, como eu não tive essa relação com a minha mãe, minha mãe é bem mais velha, Enfim, tinha lá as questões dela, era quinta filha. Toda essa parte da adolescência é traço, não existiu nada de troca de roupa, nada, nada, nada, traço mesmo. Eu tenho isso com elas, elas é que dão palpite, falam, trocam roupas, levam um monte de roupa do meu armário. Falou, ai, que linda, ferrou, já acabou, não tenho mais, porque empresta não volta nunca.
Mas essa... Eu preciso muito delas nesse lugar da diferença, de estranhá-las. Elas tiveram pais mais próximos, eu ia dizer muito melhores, sacanagem horrível, eu tive os melhores pais possíveis, mas elas puderam aproveitar mais da relação mais íntima que eu tenho com elas do que eu tive com os meus pais, que eram bem mais velhos, de uma outra geração. Eu estou virando cada vez mais assim para a plateia, gente, porque é muito constrangedor falar de filho, é vergonha, você sempre exagera.
Então, essa diferença absoluta da forma de ver o mundo, entre elas também, de pensar, é uma coisa que me choca todo dia, todo dia eu fico muito... Espantada e— Ah, obrigada. Acho que era isso que dá para dizer agora. Esqueci o que eu ia dizer. Obrigada.
Obrigada.