Episódios de Isso não é uma sessão de análise, com Vera Iaconelli

Débora Falabella encontra na maternidade a vulnerabilidade e a força para atuar

21 de abril de 202652min
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A atriz Débora Falabella fala sobre crescer em uma família unida, formada por mulheres fortes e um pai sensível, e sobre como essas referências permanecem hoje. Na conversa com Vera Iaconelli, revisita o divórcio, a construção de uma família ampliada, que inclui ex-marido, atual companheiro e novos vínculos – e a escolha de sustentar relações de cuidado ao longo do tempo. Débora também fala da emoção permanente de ser mãe, nas diversas fases da vida. 

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Participantes neste episódio2
D

Débora Falabella

HostAtriz
V

Vera Iaconelli

HostPsicanalista
Assuntos5
  • Referências familiaresFamília unida · Influência das irmãs · Papel do pai e da mãe
  • Desafios da MaternidadeConciliar carreira e maternidade · Culpa materna · Apoio familiar na criação dos filhos
  • Construção de novas famíliasDivórcio e novas relações · Família ampliada · Cuidado e apoio mútuo
  • Impacto da maternidade na carreiraSensibilidade como atriz · Escolhas profissionais
  • Relações FamiliaresRelações não convencionais · Aceitação de novas dinâmicas
Transcrição139 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Trovão Mídia. Oi, eu sou a Velha Conelli e isso não é uma sessão de análise. Um podcast criado por mim, junto com a Trovão Mídia.

Toda semana eu recebo alguém para a gente conversar sobre os vínculos que nos formam, sobre as pessoas que acompanharam a gente desde o começo e sobre como essas relações familiares se reproduzem, se repetem ou se transformam ao longo da vida. Minha convidada de hoje é a atriz Débora Falabella, a filha do Rogério e da Maria Olímpia, a irmã da Cíntia e da Júnia e a mãe do Nick.

Oi, eu sou a Ana Bonomi, da Trovão Mídia. Eu sou criadora e produtora do Isso Não É Uma Sessão de Análise, junto com a Vera. Bom, o feriado chegou e eu gosto de me planejar para aproveitar esses dias sem trabalho. Pode ser uma viagem curta, pode ser só curtir a cidade com mais calma, ir num parque, num café e num museu. O que eu não gosto é de ficar perdendo muito tempo pensando no que eu vou vestir.

E é aí que eu conto com a Insider, porque nesses dias a roupa faz toda a diferença. Tem que ser confortável de verdade, tem que acompanhar o movimento e funcionar em vários momentos. Tem uma peça que eu adoro, que é a calça wide leg, eu já falei dela aqui num episódio passado. Eu coloco ela de manhã para sair com meus filhos e eu consigo chegar feliz com ela no bar para encontrar minhas amigas no fim de tarde.

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Bem-vinda, Débora. Obrigada. Que alegria ter você aqui. Uma pessoa que eu admiro tanto, que vai um trabalho tão lindo. Eu que te admiro muito. Estava doida para vir. Estava muito feliz com o convite. Nossa, que honra. A gente sempre começa com uma pergunta que é bem ampla. Qual é a sua referência de família?

Então, eu tenho uma referência muito sólida, né? Eu fui, eu cresci numa casa com pai e mãe, que são casados até hoje, e muito amorosos, assim, e com duas irmãs também muito presentes, né? Duas irmãs mais velhas do que eu. Então, esse núcleo, pra mim, foi o núcleo que fez parte da minha formação, assim, como pessoa e até como atriz também, porque eles tiveram muita influência, assim. Então, eu tenho um núcleo familiar.

Claro que ele é grande, porque tem tios, mas o núcleo mesmo, o núcleo duro ali, são essas pessoas. E tem uma outra parte que eu também considero família, que é a família que eu faço principalmente trabalhando no teatro. Que eu acho que é, assim, hoje talvez seja a família que eu mais convivo, assim, né? Eu falo que pra gente fazer teatro e ser artista, a gente precisa de trupe. Então, acho que essa trupe acaba virando realmente uma família, assim, pra mim.

E essa família sólida, me conta um pouquinho como é que funcionava. Você tá em que... Quem é mais velha, quem é mais nova? A Júnia é mais velha. Eu sou mais velha, essas duas. É. Aí vem a Cíntia e eu sou a caçula, assim. Eu vim sete anos depois da Cíntia. Então foi numa época que a minha mãe realmente não imaginava mais ter filho.

E aí eu nasci. E aí essas duas irmãs minhas, né, a Júnia tem uma diferença de 11 anos, e a Cintia de 7, elas acabaram também fazendo um pouco um papel de mães, assim. Mães e irmãs, né, o que ficou ótimo, porque ao mesmo tempo que elas me levavam pra... me amparavam ali na minha infância e adolescência, elas também cuidavam, assim.

Tipo irmãs, né? Eu tenho uma irmã também, que ela tem 11 anos mais que eu, e ela funcionou assim bastante. E meus pais, assim, meu pai sempre trabalhou com teatro, né? Meu pai é ator, assim, até hoje, escreve. Então, foi meu pai também que foi minha grande de referência, e minha mãe também trabalhou com arte.

São essas pessoas que viviam ali muito unidas, assim, quase todos fazendo a mesma coisa, porque meu pai também era publicitário, a minha irmã mais velha é publicitária, então a gente compartilhava um pouco as profissões e muito unidos, assim. Todas as filhas saíram cedo de casa, mas a gente continuou sempre muito unida, assim. Isso era muito bonito mesmo. E você acabou, ao sair, não convivendo tanto com eles?

Eu saía, mas eu ficava muito próxima sempre, assim, tanto das minhas irmãs. Teve uma época que eu fiquei mais distante, que eu saí de casa com 20 anos a primeira vez. E depois disso eu voltei muito pontualmente, mas já fui morar em outra cidade, né?

Fui morar no Rio, depois fui morar em São Paulo. Mas BH é um lugar que eu sempre volto. E meu pai sempre foi muito, muito presente. Até por estar na mesma profissão, ele muitas vezes ia me acompanhar, me encontrava, me acompanhava. A minha irmã, a Cíntia, mora hoje em São Paulo, então mora perto de mim. A minha sobrinha, que é filha da Júnia, mora comigo hoje, porque ela tá fazendo faculdade aqui.

Então é uma família ali que é bem unida. Vou te fazer uma pergunta bem baseada na minha experiência, que é o fato de ter essa distância da minha irmã mais velha e que ela tinha muita ascendência sobre mim e dava muito palpite e era muito gostoso. Sim.

E eu percebi que eu fiz uma passagem de adolescência com ela, no sentido de me emancipar. Mas eu já tinha quase 30 anos quando eu comecei a... Não, deixa que a festa em casa é quem prepara só eu, porque ela vinha preparar a festa na minha casa, de aniversário da minha filha. Então, você teve esse momento de emancipar da irmã mais velha, das irmãs? Eu tive, inclusive, uma inversão, assim.

Uma inversão, às vezes, que eu até... Eu acabei, muitas vezes, me vendo num outro papel. Num papel de ser, mesmo sendo a irmã mais nova, me colocando um pouco ali como minha irmã mais velha. O que é muito engraçado. Acho que esses papéis se alternam em determinado momento das nossas vidas. Ou quando uma está mais frágil, ou quando uma está precisando mais. Então, isso é muito bonito. Mas, assim, a minha irmã mais velha, o que era muito interessante... A Júnia sempre foi uma mulher...

Eu falo que antes dessa terceira onda do feminismo, ela sempre foi uma mulher muito feminista, muito livre. E ela sempre foi minha companheira, mas ela tinha comigo uma relação de proteção, mas ao mesmo tempo de companhia. Então eu lembro uma época que a gente mais velha, eu já tinha uns 20 anos, ela dava aula numa faculdade. E eu namorava um aluno dela e ela também namorava um aluno dela.

Então, assim, tinha uma hora que essa relação de ser mais velha ou mais nova também se misturava, assim, e virávamos grandes amigas e companheiras. Então, eu acho que isso acontece lá em casa, assim. Tem hora que uma tá precisando de mais cuidado da outra e uma faz um pouco esse papel.

E emendando isso com os seus pais, que agora devem estar bem mais velhos, você sente também que já está numa fase de cuidar deles? Ah, totalmente. O meu pai, ele tem 90 anos, fez 90 anos, está muito bem, muito lúcido. Ele segue com uma preocupação muito grande em relação a gente. É engraçado de ver, porque são filhas que já estão numa idade... Eu que sou a mais nova, estou com 46.

Só que é engraçado que a preocupação é a mesma, assim. Ele muito lúcido, a minha mãe um pouco mais fragilizada, mas a gente agora realmente esse cuidado inverteu, assim. A gente viu que é um momento em que a gente precisa ficar mais perto, precisa ter pessoas ali cuidando dele também e dela. Essa situação se inverte, sim. É interessante porque essa preocupação com os filhos adultos, né? E adultos mesmo, não são jovens adultos, né?

Mantém a pessoa num lugar de potência. Porque ela tem esse papel de pai perpétuo nesse lugar de cuidador. Ou seja, sem ele vocês não vão na fantasia. O que dá uma potência para o sujeito. É, e eu acho que ele precisa de manter isso. Apesar da gente falar, não preocupe. Vocês fazem uma deferência nesse sentido? Sim. De um pouco de...

Até de se deixar cuidar um tanto, né? Sim, totalmente. Eu lembro que agora eu fui para Belo Horizonte fazer a peça, né? A gente mora muito pertinho do teatro. Eu fiquei num hotel muito próximo a eles ali, porque na casa dele agora tem umas cuidadoras, é mais difícil. E eu lembro que ele queria me levar. Ele dirige com 90 e ele queria fazer questão de me levar todos os dias no teatro. E a gente realmente, assim, é muito legal, porque ele está muito bem, né?

joga peteca no clube, a gente acompanha ele então eu sou muito grudada no meu pai mesmo e realmente é uma pessoa que faz muita diferença na minha vida hoje, até hoje as coisas que ele me fala apesar da gente estar cuidando ele também dá um papel muito grande nas nossas vidas ainda

E de pequena também era esse pai que era a referência mais próxima? Era, só que ele trabalhava muito. Ele trabalhava muito quando a gente era pequena, assim, que era isso. Era publicitário, freelancer, também ator. E minha mãe trabalhava, mas trabalhava no período da manhã, que ela era cantora lírica no Palácio das Artes, era corista.

E muitas vezes levava, me levava pro coral, então tinha essa referência de participar e de assistir esses ensaios e óperas, mas ficava mais em casa. E meu pai saía mais, mas eu acho que na adolescência a gente conseguiu ficar mais próximo. Meu pai também me levava às vezes pras coxias, mas meu pai trabalhava muito, eu lembro dessa sensação do meu pai trabalhar muito.

Mas me conta essa coisa de um pai que hoje tem 90 anos, ou seja, um pai formado numa outra geração. Que tipo de pai se acha que ele era? A gente tem pensado muito a questão da masculinidade, do pai. Imagino que um homem um pouco mais tradicional, mas talvez quebrado pelas questões...

Já artísticas. Que pai que... Aí me acende uma luzinha quando você fala assim, a gente se aproximou na adolescência, que é justamente a hora que as meninas e os pais, os pais tradicionais piram, né? Como é que foi essa... Meu pai sempre foi muito tranquilo, assim. O meu pai, eu acho que ele também foi, né? Assim, ele é casado com uma mulher, a minha mãe, que é uma mulher muito forte. Ela nunca esteve nesse lugar da dona de casa. Então, assim, a minha mãe não cozinhava.

A minha mãe não era essa pessoa que ficava cuidando da casa. A minha mãe ganhou na loteria antes de eu nascer, então deu pra ela uma loteria esportiva. Por isso que eu nasci, inclusive, porque foi logo depois disso. É uma história até engraçadíssima. Ela ganhou duas vezes na loteria.

esportiva e com você que nasceu é uma história engraçadíssima, até porque a minha mãe ela, né, trabalhava meu pai também, aí teve uma época que meu pai começou a trabalhar e fazer bastante, foi pra publicidade deixou um pouco o teatro, que era mais difícil de você se sustentar ali, e falou, não, você já tá com as duas meninas, fica mais tranquila não precisa trabalhar, minha mãe acho que trabalhava na Petrobras, não sei e aí

E aí a minha mãe, nessa época, ganhou na loteria esportiva, que era aquela da Zebrinha, sabe? E assim, claro, não é uma Mega Sena, uma coisa, mas foi um dinheiro muito bom. Então deu pra ela também uma tranquilidade de falar assim, agora eu coloquei dinheiro nessa casa, assim.

E aí ela foi fazer o que ela queria fazer, ela foi cantar. Então, assim, ela sempre foi uma pessoa assim. Essa questão da mulher ter o sustento dela, seja como for, né? É fundamental, desde a Virginia Woolf, né? Que se fala dessa... Sem esse recurso, as mulheres ficam à mercê mesmo, né?

E aí foi uma mulher que, assim, com isso que ela ganhou, e o jeito que ela era também, ela acabou tendo ali uma outra postura em relação à casa, assim, né? E meu pai também sempre é artista. Claro, ele é de uma outra geração, mas sempre acostumado a lidar com artistas. E artistas de diversas idades, que é o que acontece também no teatro, né? Então, a minha casa, às vezes, tinha...

festas que às vezes a gente dava as irmãs ou ele, tinham pessoas de todas as idades e amigos que eram dele, então acho que isso deixou ele realmente um cara mais sensível, assim. Ele se manteve, né, porque a gente conhece vários artistas que tiveram toda essa experiência e foram ficando um horror.

cada vez mais conservadores, porque tem questões que precedem, né? Você fala de uma sensibilidade, você fala de um cara que se interessa pelas filhas, você fala de um cara que aproveitou esse ambiente pra se expressar de um jeito bacana, porque isso não garante, né? Não, e eu acho que ele teve filhas também que deixaram ele também sempre...

Em dia com a coisa. É, acho que sim, assim, sempre situaram ele, assim, em algum sentido, quando eu acho que poderia se perder em algum momento. A gente, ele também estava ali sempre discutindo em casa, falando sobre tudo, sobre política, sobre as questões femininas. Então, pra ele, era, né, assim, quatro mulheres em casa. Então, tinha muito pra onde correr, mas ele sempre foi um cara muito sensível, muito calmo.

Claro que na adolescência, principalmente das minhas irmãs, às vezes elas saiam da linha. Eu, como fui a terceira, aprendi com o erro dela. Então, eu fazia as coisas de uma forma um pouco mais responsável e mais discreta, né? Sim, sim. Mas eu acho que deixou ele mais sensível mesmo, acho que essas quatro mulheres em casa, sabe? E foi perto de quatro mulheres crescendo ali em torno dele o tempo inteiro.

E como é que isso chega na tua ideia de família, na família que você forma? Então você vem dessa família que tem essa dupla face muito interessante, porque é uma família que tem uma estrutura bem convencional, papai, mamãe e filhinhos, que permanecem ao longo de décadas.

Mas com uma experiência aberta para o mundo, para um mundo progressista, para um mundo de novidades, de jovens. Quer dizer, que combinação incrível de possibilidades. Sim. Como é que isso chega para você, na sua experiência como formando uma família?

É, a minha família hoje, e o mais interessante disso, apesar de a gente ter esse exemplo da família em casa, as três irmãs se separaram dos seus primeiros casamentos, de quem elas tiveram filhos, e formaram outras famílias ou não, e hoje eu formei uma outra família, fora minha família ali convencional, com o meu marido, filho.

A família que acaba ficando em torno, que é o meu ex-marido, que é a madrasta, que viraram realmente uma referência e um grande núcleo também, o que é muito interessante. E as pessoas que são agregadas, a minha irmã que mora aqui, a minha sobrinha. Então, essa ideia de família, mas que sempre cuidam do outro, que se reúne em casa.

E que cuida realmente, assim, tem um olhar de cuidado com o outro. Mas você acha que isso quebra um paradigma em relação à família anterior? Vocês não tinham essa coisa mais expandida?

A gente tinha com primos ali, tem primas que são muito próximas, tinham amigos sempre, mas eu acho que as famílias mudaram de um modo geral também, né? Hoje é isso também, a gente tem famílias com filhos únicos, então você acaba criando outras relações de amizade que acabam virando relações familiares.

Mas você sente quando você foi fazer, por exemplo, o primeiro divórcio, né? Espero que seja o único, mas também tiver que ter outros que forem bons pra você. Mas o primeiro grande divórcio foi do pai do meu filho. Aí foi uma quebra mesmo. E aí você acha que repercutiu nessa ideia de família que você tinha? Repercutiu também, assim. Pra mim, acho que por mais que hoje eu seja uma mulher que enxerga de outra forma, na época isso foi muito... Acho que realmente abriu uma outra janela, porque...

Eu realmente imaginava que ia ter um filho, depois ia ter outro, ia continuar casada. Eu acho que pelo exemplo também de casa, acho que a gente acaba tendo muitas vezes essa fantasia. E isso não aconteceu, isso foi interrompido. E aí eu, claro, vivi assim, tinha namorados, tinha outras relações familiares, assim, com minhas irmãs.

mas agora realmente eu tenho uma sensação de novo de um núcleo mais forte de família, assim. Me sinto mais como eu me sentia dentro da minha casa, sabe? Com essa, não segurança, porque segurança a gente nunca tem, mas com esse afeto ali que circula entre todos nós, né? Segurança a gente não tem e é ótimo isso exatamente, mas parece que o que você vai contando é de uma estabilidade das relações. São relações longevas, mesmo que não seja...

com aquela pessoa casada pra sempre, mas é uma pessoa que tá ali, né? É o pai do seu filho, alguém que você pode contar, que tá com você mesmo, que em outra relação. Então, é como se esses núcleos fossem mais tolerantes às transformações dos afetos, né? Você não precisa viver 60 anos com uma pessoa. Eu tenho certeza que seus pais viveram, sei lá, 60 anos com um conto, tiveram vários divórcios e casamentos dentro dessa relação, vários momentos de crise, de renovar a vó, disso ou não.

Porque às vezes não acontece. Hoje eu acho que isso é mais difícil, né? A pessoa ficar, né?

E ao mesmo tempo as relações também permanecem. É isso, assim, com o Eduardo, que é pai do meu filho. É uma relação que ficou. E ficou muito forte, de amizade. Hoje com a Luísa, que é a mulher dele. Com o Fernando, que é meu marido. Então realmente é algo que hoje é... Pra mim, há um tempo atrás, talvez eu não enxergasse isso como uma possibilidade. Mas a gente viaja juntos.

A gente faz programas juntos, a gente marca viagens de férias juntos, assim. Então é muito interessante. Você fala uma coisa pra mim que me ajuda muito a pensar como as coisas são possíveis de acontecer quando a gente consegue imaginá-las, né? É. Então, na medida em que deixa de ser um...

Porque era um escândalo até um tempo atrás que o ex convivesse com o atual. Era uma coisa mal resolvida. Não sei se você lembra, uns 20, 30 anos atrás. Não lembro. Até acho que tinham ex que não gostavam. Tinham questões. Sim, pode acontecer. Hoje as pessoas estão com a cabeça um pouco... Parando de estranhar isso. E achar que isso é uma coisa que pode acontecer. Então isso permite que as pessoas arrisquem mais nessas relações. Sim.

E aconteça de uma maneira mais natural, porque é imaginável. Sim. Já não tem mais aquela rivalidade do homem ofendido, porque a mulher não tá com ele, tá com o outro, né? Que também é uma coisa absolutamente misógina, né? É. Não que todo mundo tem que se gostar, as pessoas podem não ter nenhuma afinidade, né? Mas essa rivalidade também passa pelo lugar da mulher nessa relação, né? É. Quando ela tem que estar submetida a um homem, troca de parceiro, troca de homem, né? Como coisa mesmo.

É, e essas relações, principalmente hoje, tendo a Luísa, hoje casada com o Eduardo, é uma relação também, assim, da gente também estar junto por uma pessoa, né? Então, assim, hoje em dia ficou mais fácil ser mãe, porque tem um núcleo maior, né? Cuidando ali de mãe.

Isso também é muito bonito, assim, de entender. Então você está dizendo que a madrasta, né? É. Não é a madrasta amada, porque a madrasta ainda carrega essa figura. Essa madrasta, ela não ameaça a tua maternidade. Nunca. Ao contrário, ela compõe. A ajuda, é. Sim.

Mas pra você conseguir isso, a gente tem que quebrar o paradigma de mãe só tem uma. Exatamente. Que é uma disputa também no lugar da mulher de dizer, ó, mulher, você é a mãe, se você perder esse lugar, você não tem mais nada na vida. E então todas as outras são madrastas barra figuras ameaçadoras do teu papel, né? Você vê quanto, parece simples, né? A gente se deu bem, a gente funciona bem, mas na verdade, você tem que quebrar um monte de preconceitos nessas relações, né?

É, e talvez são quebrados, porque a gente também, né, foi se modificando, assim, hoje a quantidade de tempo que se trabalha, que eu trabalho, por exemplo, se eu não tivesse essa, né, assim, todas essas pessoas ali junto, assim, pra mim seria muito mais difícil. Se não tivesse o Fernando, que é meu marido, o Chuck, que é o meu marido, que é o pai do Nick, a Luísa, seria muito mais difícil pra mim, assim, eu estaria muito mais angustiada, estando distante, né, e tendo que cuidar, e sem essa...

esse comprometimento mesmo de estar todo mundo ali junto. Mas você não é madrasta. Não sou madrasta. Não é madrasta. Não, é. Porque o Fernando não tem filhos. Quer dizer, ele fala que tem um filho que é a Uri. Sim, sim. Boa enteada. É, que tem um enteado.

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E quando você pensa nessa tua relação que se estende aí para essas irmãs e essas sobrinhas, todo mundo faz parte desse núcleo? Faz. E você estava começando a falar da trupe de trabalho. Essa família também faz parte da trupe de trabalho? Ou tem, além de tudo, tem a trupe de trabalho?

Não, a família também tem uma interseção ali, porque, por exemplo, a Yara, que é a minha grande amiga e que é a minha grande companheira artística e que eu conheço desde 16 anos, que virou também uma espécie de irmã e mãe, ocupa um lugar para mim muito importante, hoje minha mãe está mais frágil.

Às vezes eu não consigo estar tanto com as minhas irmãs. Ela realmente é essa pessoa que vira uma família. Ela já trabalhou muito com o meu pai. Então as pessoas todas se conhecem muito. Então essas pessoas da trupe também são pessoas que conhecem a minha família. Até porque minha família também trabalhou sempre com teatro.

Então elas acabam se encontrando. Mas a trupe eu falo também quando a gente... Claro que elas são relações às vezes que estão acontecendo agora. Eu tive uma companhia de teatro, por exemplo, por 16 anos. E que foi um casamento muito longo. Hoje ele se encerrou. Mas a gente cada um foi para um caminho. A Yara era dessa companhia. Continuou trabalhando comigo agora nesse último espetáculo.

Gabriel é um grande amigo, mas é isso, a gente conviveu e teve uma relação de amizade, porque éramos amigos também, e de trabalho durante 16 anos contínuos, assim, e viajando com filhos, com amigos, com os companheiros deles, assim, então virou realmente uma família, assim. E isso, hoje, por exemplo, eu faço um espetáculo que eu tô viajando há dois anos com a mesma equipe.

E acho que é diferente o teatro de outros trabalhos. No cinema você tem ali uma relação, você faz uma coisa, mas o teatro é realmente duradouro. Você fica em cartaz, às vezes, com um espetáculo durante cinco anos. Você vai voltar a trabalhar com aquela mesma produtora ou com o mesmo camareiro.

Então essas relações ficam muito fortes e viram uma grande turma. O figurinista que fez os outros espetáculos meus, ou até hoje, são pessoas que estão no meu núcleo de amizade, um núcleo que eu me sinto também muito segura.

É lindo que você vai contando como essa experiência das relações duradouras e longevas começa lá atrás e de algum jeito você preza, porque isso não é acidental, né? Tem um investimento aí nessa continuidade, num ambiente que costuma ser injustamente tratado como de relações muito descartáveis, muito fluídas, né? Mas na verdade as pessoas quando fazem esses projetos de trabalho no teatro são totalmente... é uma imersão de relações para o bem e para o mal de uma intensidade gigantesca, né?

Você imagina, agora a equipe viajou, ficávamos sempre no mesmo hotel, a equipe ficou uma época num apartamento onde eles alugaram um Airbnb, eles ficaram juntos. Eu fiquei no meu apartamento que eu tinha, mas eles ficaram juntos. Então fica muito próximo, né? A gente viaja junto, a gente faz os programas todos juntos. Então é hora que você fica muito longe da família. Então aquelas pessoas acabam realmente virando...

Seus companheiros, assim mesmo. E você divide coisas, né? O teatro, ele é muito sensível. Ele toca em lugares muito sensíveis. Tem uma entrega muito diferenciada, né? Da experiência pessoal. Agora, também pensar... É uma coisa que eu tenho cada vez mais ouvido aqui. Principalmente dos mais jovens, né? Como os amigos...

com relações mais profundas, vão alçando a categoria de família, que até então era uma categoria extremamente rígida, com sanguínea, fechada com a herança, com os bens, e não pensada em termos afetivos e sociais. E o que você vai trazendo é que você conjuga isso também.

É, e às vezes isso, assim, né, tem questões familiares que são, tem relações com as minhas irmãs, em que às vezes tá acontecendo tanta coisa comigo e com elas também, que eu acabo buscando esse acolhimento, essa conversa, às vezes em núcleos que são de amigos e que são minha família, assim, né, às vezes.

Então é isso também, né? A família nem sempre ela tá em harmonia. Então às vezes também você acaba buscando outros momentos ali pra outras pessoas, pra você se agrupar e pra você também se sentir segura. Principalmente quando você sai de perto da sua família cedo, né? Que foi o que aconteceu comigo desde nova.

Eu saí acho que 19 anos, 20, e sempre morei fora. Sempre, assim, morei em outra cidade. Um pouquinho só mais velha do que seu filho hoje. É engraçado, a gente acha que a gente era muito mais madura, mas quando você olha para os seus filhos, você fala, nossa, eu era uma criança, né? Sim.

E você conta da tua mãe ganhar esse dinheiro que eu achei divertidíssimo, gente. Não garanto a vida de vocês fazendo jogos, tá? Isso aí não dá certo. Tanto que quando acontece a gente acha um absurdo. É tão fora da curva que a gente não conhece ninguém, né? E foi tão legal, mas ao mesmo tempo é que ela também pôde ali, conseguiu ajudar numa época a família dela, entendeu? Então tinha uma família da parte de mãe, né? Então ela também conseguiu ali ser um ponto de apoio ali para as irmãs.

E ela fazia as coisas dela e ela tinha, ela e o seu pai, porque é claro que qualquer pessoa que ajudasse a criar você estava ajudando os dois e não a ela. Vocês também tinham alguém que participava da vida de vocês? Uma babá? Eu fui a única que tive por causa disso. Porque a minha mãe, quando ela me teve, ela tinha 40 anos.

E ela realmente não ia me ter. Foi assim, no susto. E a minha mãe é essa mulher que faz as óperas, trabalha. Mas acho que ela não é aquela dona de casa. E que fica, que gosta de cuidar. E que fica fazendo a comida. Então ela se deu a esse luxo. De ter uma pessoa pra ajudá-la. E eu fui a única filha. O que causou nas minhas irmãs um ciúme.

porque eu fui bem mimada pela Tunica, que era a dona Tunica que realmente ficou um tempo lá em casa, bastante tempo depois disso a gente teve uma relação muito linda, mas fui a única que pude ter esse auxílio porque não tinha essa condição minha família antes não tinha essa condição

Então tem essa referência. Eu gosto de puxar essas referências das outras mulheres que eventualmente cuidaram da gente, que ficam muito invisibilizadas. Mas a dona Tonica era tipo, eu chamava ela de Kikaia. Era assim a minha paixão real. Não se tirou Kikaia?

Eu não sabia falar tunica e eu falava que caia. Então pra mim sempre virou que caia. E era uma mulher maravilhosa. Que mesmo depois de... Depois que eu não precisei. Porque foi uma parte só quando eu era criança. Ela continuou muito presente nas nossas vidas.

Então ela ia lá pra casa, e às vezes a gente viajava junto. Então ela virou uma pessoa realmente que ficou muito próxima, assim. Virou uma grande amiga ali da família. É, mas uma relação que a gente ultrapassa esse lugar comum da família, né? A gente pode ter outras relações afetivas longevas. Com ela foi muito forte, assim. Eu acho que eu tinha até uma grande intimidade com ela. Talvez mais do que com a minha mãe, assim, né? Uma intimidade mesmo. E era muito próxima dela, assim. Muito. Obrigado.

e aí quando você vai viver a tua maternidade como é que você, é uma pergunta meio clássica mas para as mulheres é importante a gente pensar como é que a gente concilia a maternidade com a carreira, com uma super carreira você é muito jovem você começou muito jovem, já fez sucesso muito cedo com todo o assédio, toda a presença dos fãs que a gente sabe que vem junto

Eu tive, assim, muita ajuda, né? Vários momentos da vida, assim, sempre tinha uma pessoa que me ajudava e tal, mas eu também não conseguia terceirizar demais. Então, assim, eu lembro que eu levava pra tudo quanto é canto, assim. Levava filho pra tudo quanto é canto, pro teatro, pra coxia. Eu lembro eu amamentando na coxia pra entrar no segundo ato da peça. Todas as vezes que eu fui pro Rio pra fazer novela, ficava comigo. Então...

Foi muito presente, assim, tanto que a gente fala até que eu, o Eduardo também, que é o pai, ele é também músico, artista, assim, então essa vida regrada de criança que dorme cedo não existia, porque a gente levava com a gente, e a nossa vida era assim. Então eu tive muito auxílio, porque senão não conseguiria, eu tinha que gravar, né, eu lembro que, por exemplo, Avenida Brasil, que eu gravei muito, eu lembro que Niki tinha três anos.

então assim, muito pequena mas é isso, ficava ia pra gravação, levava não sei como que eu conseguia isso mas você acha que era um ambiente que tinha essa tolerância? porque eu sei que o tempo na televisão acho que agora nem pode entrar mais criança assim fácil, sabia? mas na época eu levava bastante assim mas ficava muito longe, agora por exemplo quando eu vou trabalhar, eu fico muito distante

Mas também já está numa idade um pouco mais tranquila. Não tão tranquila, porque a adolescência nunca é tranquila. E o Eduardo também é muito presente. É muito dividido a maternidade e a paternidade. Mas é o que também não era na época da minha mãe muito. Meu pai trabalhava muito, mas mesmo tendo uma pessoa, quem cuidava era a minha mãe.

Quem ficava mais em casa e fazia todas as funções era mais a minha mãe mesmo. Que não trabalhava tanto quanto o meu pai. Eu acho importante a gente frisar que quando a gente fala assim, eu tive muita ajuda, geralmente são as mulheres que falam. Toda família teve muita ajuda, porque se você não pudesse participar, o outro teria que participar. É uma...

sendo a criança uma responsabilidade de todo o núcleo familiar, cada babá que entra, cada cuidador que entra, é alguém que está ajudando o núcleo todo, senão outra pessoa teria que comparecer. Mas a gente sabe ao mesmo tempo que mesmo na guarda compartilhada, pra mulher, historicamente, e também a experiência que a gente tem, que eu acho que tem uma questão da gente se identificar mais com esse lugar de estar mais atenta. Fala um pouquinho disso, da tua...

É, eu acho que eu tenho, assim, é realmente muito dividido, assim, esse cuidado mesmo. Só que eu acho que a gente acaba carregando uma preocupação e uma culpa que eu acho que os pais não carregam.

Os homens, né? Eu acho que os homens não carregam, assim, por mais que esteja super dividido e que eu acho que... E que eu saia e esteja tranquila, eu acho que a culpa, eu acho que os homens não carregam, assim, porque eu sinto o tempo inteiro, né? Por mais que eu esteja trabalhando, me sinto bem trabalhando, fico feliz fora trabalhando.

Mas a angústia, assim, mas eu tô trabalhando, mas tô o tempo inteiro ligada, né? Às vezes eu tô entrando em cena e tô pedindo um negócio pra chegar pelo mercado. É coisa que a gente não desliga. Não que não faça, mas é porque acho que é uma questão que a gente fica muito ligada mesmo nisso.

Eu tô pra entender melhor cada vez essa questão, porque eu acho que tem um lado que é uma culpa histórica. Ah, você é mulher. Como assim, você tá entrando no teatro, você tinha que estar com teu filho, dando comida na boca dele, com 16 anos de idade. Mas eu acho que tem essa culpa que é imputada mesmo pra gente ficar nesse lugar. Eu acho que tem uma outra coisa que é bem mais legal, que vai junto.

que é uma responsabilidade pelo cuidado que a gente assumiu e a gente tem essa tecnologia e a gente sabe aplicar e a gente não vai abrir mão por uma questão ética. Não quero que meu filho fique comendo miojo, eu quero que chegue aí uma comidinha boa. Que às vezes, e os homens não foram criados nesse lugar, é uma pena porque eles perderam essa coisa do cuidado.

Então, eu acho que essas coisas caminham juntas. Eu tô falando isso porque eu tenho essa questão minha, assim. Não jogar o bebê com a água do banho, no sentido de falar, putz, a culpa tem que tirar. Mas a responsabilidade a gente tem que manter e dividir. É. Né? Manter, porque se não olhar... Não.

Não é legal. Tem que olhar mesmo. Tem que ficar. E os homens não foram criados para isso. Não tem esse olho. E vão se amoitando, porque as mulheres têm. Então, tem todo um jogo de empurra muito ruim. Até quando a responsabilidade faz parte de você deixar aí um pouco. Sim. Até isso exige da gente uma...

um cuidado pra tentar entender também até onde e a gente também se desamarrar um pouco dessas coisas, porque acho que tem uma hora que chega a adolescência e vai dando uma angústia muito grande, mas como assim? Tá pegando o metrô e não tô sabendo onde tá. Eu acho que é isso. O cuidado e a preocupação, acho que vai estar sempre presente, mas ao mesmo tempo...

Eu também acho que, ainda mais que aconteceu a adolescência na pandemia, eu acho que as pessoas que passaram por essa fase com adolescentes seguraram muito os filhos, ficou muito dentro de casa. Então, esse medo também da gente deixar ir, eu acho que ele é muito grande, mas tem que ser visto com responsabilidade também, porque o mundo está...

Muito doido. Tá muito doido. E eles ficaram mais... Os adolescentes ficaram com mais medo do mundo, né? Mais apreensivos do que a tua geração e muito mais do que a minha geração que a gente tinha que ir e acabou, né? Era o mundo... É, e assim, o adolescente foi BH. BH, assim, por mais que, claro, tenham violência, era um lugar bem tranquilo de se viver, né? Assim.

Eu fiquei pensando, porque tem uma coisa de território aí, né? BH tem uma coisa quase interiorana para quem mora, por exemplo, num centro como São Paulo e Rio, né? BH tem isso, assim, até entre as pessoas, né? Todo mundo se conhece.

Então, tinha uma sensação maior, eu acho, pertencimento, estando em BH, crescendo em BH. Que eu não sei como é crescer em São Paulo, ser adolescente numa cidade tão grande. É, depende da época. Quando eu cresci, era muito mais tranquilo, né? Quer dizer, vai mudando também. Mas hoje, né? É, acho que hoje é difícil, assim. Para as minhas filhas já foi bem mais complicado. Sim.

Agora você fala dessa... Você chegou a se cobrar... É que você já vem numa família que tinha uma rotina talvez um pouco distinta, não sei. Mas você chegou a se cobrar o fato de que você tinha pro seu filho uma rotina fora desses padrões que eu acho ridículos, né? A gente achar que realmente as crianças têm que ter o estilo de vida com horários rígidos. As crianças têm que acompanhar a trupe da família mesmo. Quer dizer, aquilo é a verdade da família. Se a família vai dormir tarde...

a criança pode dormir tarde. E se vai acordar tarde, a criança pode... Aquilo é uma rotina. Tem o que fazer. Mas é uma rotina tão boa quanto qualquer outra, né? É só uma rotina, né? É claro que... Você se cobrava? Você tinha essa coisa? É, tinha. Porque também ao mesmo tempo quando você... Né, mãe tem...

várias maternidades acontecendo próximas, é que o filho dorme cedinho, que ele dorme no horário, acorda cedo, consegue... Não explode. A criança explode, viu, gente? Se não for dormir cedo, não acordar cedo. Então, eu tinha um pouco, mas não teve jeito. Sim. Teve que ser essa loucura, assim. E dentro da loucura, claro, que a gente tentava, tenta, né, e tentava que existisse uma rotina, assim, né?

E até uma rotina familiar, né? Que eu acho que é importante. Por mais que eu viaje muito, trabalhe muito fora, eu acho que tem relações que ainda são legais da gente ter, que é acordar cedo, acordar e tomar café junto, almoçar junto quando pode.

Viajar junto de vez em quando, assim, essas coisas, eu acho que elas nos conectam ainda, assim, com as... Por mais que às vezes fique com uma cara de obrigação, né? Tipo, ah, tira o fone de ouvido, vamos almoçar, vamos conversar. Eu acho que são momentos também onde a gente também alimenta as relações, né?

Sim, esses encontros mais... Que não sejam burocráticos. Então, esse tipo de rotina eu tenho, assim. Sempre tentei ter em casa, assim. Eu acho isso tão interessante, né? Porque os pais, premidos aí por uma lógica totalmente de Instagram, enfim, que eles ficam lendo coisas, manuais...

ficam tão preocupados com a rotina, mas eles não ficam suficientemente preocupados com a intimidade nesses encontros. Que não seja, ah, a gente almoçou todos os dias. Mas daí, mas vocês conversaram? Você percebeu, né? Porque a gente também vai criando uma coisa que os homens também podem criar, mas a gente é muito treinada a pegar a expressão facial dos filhos. Eu não sabia que isso ia acontecer. Não sabia que eu ia olhar pra minha filha e falar, meu, hoje ela tá de bode, hoje ela tá apaixonada, tô vendo coraçõezinhos nos olhos dela.

Eu não sabia, eu achava que era uma coisa meio sobrenatural, mas eu tenho com as minhas filhas isso, que eu fui olhando, né? Fui olhando. Percebendo. Você vai percebendo, mas isso você tem que sentar e parar e prestar atenção. Não pode ser um encontro burocrático. É, não. E tem momentos, né? Assim, momentos que a gente também vai...

encontrando, assim, tem dias que a hora de conversar é antes de dormir, aí vem um monte de coisa, aí fala um monte de coisa às vezes não tá legal, ou às vezes tá muito legal e antes de dormir começa a rir muito então tem momentos que a gente vai encontrando de achar essas conexões, né

E acho que isso tanto com o filho, quanto com o meu companheiro, com minhas irmãs também, que são momentos que a gente consegue ainda também se encontrar nessa loucura, às vezes, que a vida impõe para a gente. E no teu trabalho, na tua arte, que é ampla, você está no teatro, na televisão. Sim.

Você está em todos os lugares. Como é que você sente que essa tua experiência de família e de maternidade e de mulher e de esposa, vamos dizer, se reflete nas tuas escolhas? Você tem que fazer escolhas o tempo todo, né? É. Agora, ultimamente, eu tenho voltado a...

a entrar num ritmo mais maluco de trabalho, assim, né? Antes eu tinha um contrato, era uma coisa mais tranquila, agora eu voltei a trabalhar muito, assim, fazer muita coisa, um pouco... Mas depois da maternidade, assim, uma coisa que eu percebi é que eu fui escolhendo também como ter o meu tempo. Então, assim, as férias eu tiro nas férias escolares, eu tento realmente estar em casa em datas específicas e importantes quando eu tô viajando, né?

Tento estar sempre junto e voltar. Quando eu vou fazer um trabalho no Rio, é enlouquecedor. Mas eu vou e volto a cada folga. Você está baseada em São Paulo. Estou baseada em São Paulo. E tento escolher momentos em que eu tenho tempo mesmo. Tempo de qualidade.

e que eu consiga ficar. Às vezes opto por trabalhos em São Paulo pra não ter que ficar viajando. Então acho que são escolhas que hoje eu também me dou o direito e o conforto de fazer. Mas como atriz, você acha que mudou a tua percepção? Mudou totalmente. Dos personagens, dos...

É, mudou. Acho que a gente fica com uma sensibilidade muito grande quando é mãe, né? E eu amo ser mãe, assim, quando eu falo sobre maternidade, assim, tem uma sensação, assim, de algo, pra mim é, assim, é um... Eu sinto, assim, meu coração pulando fora mesmo, assim, sabe? Quando eu penso no meu filho, quando eu tô com ele, quando eu sinto algum medo, quando eu...

Tenho alguma angústia. E como a gente precisa usar muitas memórias na TV, no cinema, para determinados personagens, eu sempre tenho isso comigo. Minha maternidade está sempre comigo. Está sempre no meu ponto mais sensível. Eu acho que isso como atriz é interessante pensar. Quando eu tenho que entrar em contato com a minha vulnerabilidade para que aquilo fique aberto para o trabalho, para aquela emoção aflorar,

vai sempre passar pela maternidade. Sempre, assim. Acho que hoje em dia, sempre. O que você acha que seria uma questão pra você hoje, na maternidade, em termos de alguma coisa que você sente que as mulheres, que os homens não estão atentos, não estão vendo, não estão cuidando?

você sente que tem alguma coisa que a gente tá comendo bola? de um modo geral? é, de um modo geral, que você acha que seja uma coisa mais crítica, mais problemática hoje, porque a mulher tá penando né, a mulher é uma dos caras também segue penando né eu acho que a gente realmente assim, a quantidade de amigas

pessoas próximas e nessa eu trabalho com muita gente mais jovem que eu e que estão realmente optando pela não maternidade assim e eu acho que isso talvez seja fruto desse medo dessa misoginia dessa

Acho que a gente abriu os olhos para coisas que são muito graves, né? Assim, nesses últimos anos. Então, a maioria das meninas de 30, de 20 e poucos, estão... Querem, estão ligadas nisso, assim. E eu acho que principalmente, talvez por esse cansaço também de estar numa relação com um homem, que esse homem não vai cumprir com esse companheirismo na hora de criar um filho.

E acho que tem um medo muito grande de se criar um filho no mundo hoje, assim, né? Não sei, acho que de uns tempos pra cá, eu tentei ter filhos, né? De novo, assim, não consegui, já tinha passado, não congelei óvulo, não fui essa pessoa que fez isso, assim. E não sei também se seria... Hoje eu repenso mesmo, assim, né? Porque a gente... O mundo tá muito perigoso, assim. Então, não sei se é uma questão...

qual que é a questão, né? Se a questão são os homens. Acho que a questão é o mundo, assim, de um modo geral, né? A gente tá vivendo um mundo muito perigoso, assim, e muito difícil de se criar um filho, assim, né? Então, acho que tá tudo muito exposto. Eu acho que você vai no cerne da questão mesmo, né? Que é, por mais que a gente encontre um companheiro, ou mesmo uma companheira, né? Que seja uma pessoa cheia de disposição pra estar com você.

alguém vai assumir alguma coisa a mais. Isso também. As coisas estão estruturadas. Isso também. A gente vai ter que mudar a estrutura também para conseguir ter resultados. Então, hoje ter um filho é assumir que o teu desejo banca, inclusive, essa diferença. Banca essa injustiça, vamos dizer assim, que não dá para ficar na conta do companheiro ou da companheira. Tem que ser assumido que tem uma injustiça estrutural.

e vai sobrar pra alguém, entendeu? É, e que as pessoas precisam trabalhar, precisam se manter então como é que vão fazer isso e parar pra ter um filho hoje, né? Eu vejo amigas minhas falando mas como é que eu paro pra ter um filho? Preciso ganhar meu dinheiro acho que também tem um modelo, né? que a gente vive, que é muito é contra o pensamento mesmo de se ter filho hoje, porque

momento em que as pessoas precisam parar, principalmente se for um casal que for criar esse filho junto por algum tempo naquela vida, precisa existir um planejamento pra essas pessoas pararem e criarem e cuidarem de uma criança. E aí você vai, é isso, pra você viver num mundo assim, você vai ter mais despesas, você vai ter mais questões, então...

o mundo que a gente vive pra se criar um filho, pra parar e pra ter esse conforto, um país, principalmente, que a gente vive, não ajuda a gente a querer. É. O primeiro mundo também não tá muito melhor. Talvez a gente até tenha pouquíssimos lugares. O brasileiro é tão cheio de esperança, né? Mesmo não tendo do quê, que a gente acaba até tendo mais filhos do que esses países que estão super bem, né? Que têm condições financeiras muito melhores. É, e a pirâmide da área tá totalmente invertida, né? Isso é a verdade, assim. As pessoas não estão tendo filhos. É uma loucura.

Bom, a gente fez a nossa escolha, tivemos as nossas, pagamos o preço. E é isso, é uma escolha que envolve perdas e ganhos, e são sempre novas etapas, novas fases. Eu sou uma apaixonada mesmo pela maternidade. Acho que não me... Ah, mas a maternidade não te define. Eu me define, sim. Ah, me define, sim.

Mas que legal poder falar isso, porque também essas fases, né, de então agora todo mundo tem que ser mãe agora não sabemos, agora ninguém mais pode ser mãe, que isso é louca, teve filho poder bancar o desejo eu sempre acho que o feminismo que me interessa é aquele onde você banca

O teu desejo, mesmo que seja ficar em casa, né? Sendo sustentada por um homem, não importa, né? Mas você bancar esse desejo a partir de uma escolha que não seja uma escolha da ordem de uma vontade consciente só, mas que banque o teu desejo inconsciente, pra mim, seja o que for. Poder dizer, putz, o que eu queria mesmo era ser mãe e eu me organizo naquilo e eu me realizo naquilo, eu acho perfeito. Porque outra mulher vai dizer não, é a carreira. E outra mulher vai dizer não. E olha que eu sigo, né? Assim, tendo a minha carreira, eu sei da dificuldade que é, mas assim...

E assim, não a maternidade é maternidade, que foi a minha maternidade. Sim, a tua experiência como mãe, que poderia ter sido completamente diferente. E criando essa pessoa que hoje é uma pessoa tão maravilhosa, assim, que eu fico realmente, eu sou realmente bem babona, assim. Eu não acredito que esse ser saiu, assim, eu tenho isso, assim. Mas claro, trabalhando, não tenho nada romantizado, mas sempre amando todas as fases, assim. Mas você me aponta uma coisa muito legal.

Que é... A maternidade é na genérica. Você criou uma pessoa. Essa pessoa, ela é o que é a sua revelia. De bom e de ruim. Sim. Então, tem algo de se haver com o amor por aquela pessoa.

que não é genérico. Então, você só pode falar de uma maternidade realizada. É realizada. Ela não é no plano do ser mãe genérico. Sim. Eu acho que eu só amo a minha maternidade porque eu criei uma pessoa que é muito maravilhosa. Eu não sei nem se faz parte da minha criação. Porque eu falo assim, gente, como que eu criei e ainda saí? Eu tenho até que ver isso depois. Porque eu sou tão babona. Eu sou perfeita. Eu sou perfeita.

que é depois eu acho que eu vou até sofrer muito, com o aninho vazio, com tudo isso mas depois eu vejo eu acho que tem outras fases e elas são desafios diferentes, mas são muito gratificantes de outras formas é, gente, adolescência, assim

Eu tô, cada dia é uma coisa, assim, um aprendizado e me emociona mesmo, assim, sabe? Muito bonito. Não que emocione, eu tô sempre feliz, mas me deixa, assim, num estado realmente muito apaixonado, sabe? Pela vida, assim. Pra mim, é uma coisa bem, do efeito que, bem narcisista, até um tanto egoísta, no sentido de, me encanta...

o que me provoca, o que me obriga a fazer, o que me... não tem nada na minha vida que me vire tanto do avesso quanto a maternidade. Isso, eu acho que você como... eu como louca psicanalista, né, que quer saber dessas coisas, e você como atriz, artista, quer dizer, algo que te revoluciona o tempo todo, se você não tiver medo, pode ser sensacional, né? Sim.

Não que a gente não tenha medo, mas se você gosta de enfrentar esse medo, é um arejamento que você não tem normalmente na vida. A vida tende a embrutecer a gente, né? E a gente pode estar com jovens o tempo todo, né? Isso também. Enfim, gente, assim, eu acho que cada um, cada um. Mas pra algumas pessoas isso funcionou bem. Débora, que prazer te ouvir, que doçura. Eu te imaginava uma pessoa muito doce. Embora seus personagens fossem apimentados, né?

Mas assim, puxa, eu senti uma suavidade aqui. Que bom. Que legal, que gostoso. E eu ouvi do seu pai, da sua mãe, dessa família. Sim. Ganhou na loteria várias vezes, pelo jeito. Agradeço muito. Ai, que agradeço.

E agora, Débora, a gente inverte o microfone. Tá. E eu, arriscando tudo aqui, peço pra você fazer uma pergunta que eu vou ver se eu consigo responder. Tá. Como que você acha que um ator ou uma atriz, assim, se eles carregam em si as questões do personagem? E como que isso reflete, assim, no nosso corpo? Porque eu, às vezes, tenho a sensação que eu vivo personagens durante muito tempo.

Por exemplo, no teatro, né? Eu tô fazendo uma personagem que foi violentada sexualmente, que passa por uma via cruz aí na justiça, e faço isso todo dia. E eu acho que isso, por mais que seja uma ficção, no meu corpo me afeta, né? Assim, eu durmo mal, eu tenho dormido mal tem um ano e meio. Então tem coisas que... Então a mente, ela confunde isso.

A resposta a essa pergunta que a Débora fez, que é super complexa, está no próximo episódio, que vai ao ar na quinta-feira. É o nosso bônus Pergunta Vera. Vai lá! Esse foi o podcast. Isso não é uma sessão de análise, um original da Trovão Mídia. Na semana que vem, a gente faz mais uma visita às várias casas que compõem uma família. Até lá!

A direção e a produção executiva desse podcast são da Trovão. A produção e o roteiro são da Eduarda Cunert. A montagem e edição de som são da Laila Moalem. E a trilha sonora original foi criada pelo Arthur de Cloé.

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