Episódios de Isso não é uma sessão de análise, com Vera Iaconelli

[BÔNUS] Déia Freitas pergunta à Vera: como foi a menopausa pra você?

09 de abril de 20266min
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A podcaster Déia Freitas foi a primeira entrevistada da segunda temporada do “Isso não é uma sessão de análise”. E, no fim da conversa com Vera Iaconelli (publicada no episódio anterior a este), ela trouxe uma pergunta que tem a ver com a fase que está vivendo: a menopausa. Ouça neste bônus a experiência da Vera.

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Participantes neste episódio1
V

Vera Iaconelli

HostPsicanalista
Assuntos1
  • Menopausa e EnvelhecimentoSintomas da menopausa · Depressão na menopausa · Reafirmação feminina · Mudanças no corpo · Aceitação da menopausa
Transcrição17 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Oi, eu sou a Vera Iaconelli e esse é o Pergunta Vera. Um episódio bônus do Isso Não É Uma Sessão de Análise, podcast que criei com a Trovão Mídia. Aqui eu respondo a pergunta feita pela podcaster Deia Freitas. E vale lembrar que a conversa completa com a Deia saiu na terça-feira e ficou ótima. Se não ouviu ainda, volta lá. Bom, vamos para a pergunta dela.

Déia, agora que você me respondeu várias perguntas, nada mais justo do que você me perguntar algo também. O que você gostaria de saber? Bom, eu te trouxe uma pergunta de uma fase que eu estou agora. Menopausa. Uhul! Quando eu entrei na menopausa...

Eu senti acho que todos os sintomas que a gente lê nas revistas, nas coisas. E eu fiquei mais burra, é a palavra. Esquecendo de tudo, com muitos calores. E tá sendo muito difícil. Eu queria saber como é pra você, como foi pra você a menopausa.

Bem-vinda ao Planeta Menopausa. Eu entrei na menopausa já faz muitos anos e já passou a minha menopausa. Já passou. Passa. Então quer dizer que passa. Passa. Eu tô com 61. Eu faço reposição. Nem todas as mulheres podem fazer. Mas eu faço e... Foi terrível.

Foi a primeira vez na vida, depois de tudo que eu já tinha passado, que eu realmente entrei num quadro depressivo. Procurei um psiquiatra, que é minha colega, que eu gosto muito de uma psiquiatra, que é psicanalista. Fiz um projeto de tomar medicação durante um tempo, porque eu fiquei muito magoada com o meu corpo.

Fiquei arrasada. Parece que não responde, nada responde mais. Eu não me reconhecia, e vou te dizer, como eu sempre tive uma saúde muito boa, eu sou daquelas pessoas que, quando fica doente, acha que vai morrer, porque não tá acostumada. E como é que eu não conseguia mais fazer as mesmas coisas, eu fiquei traída pelo corpo, e aquilo me magoou muito. Até que eu fui num médico, e eu falei, ah, eu não consigo mais correr de manhã, não consigo mais fazer tudo que lá, não consigo mais lá. Precisa dar um jeito nisso aí. Ele falou assim, mas...

Será que você não tá um pouco depressiva? Imagina que eu tô depressiva. Eu tava com raiva, com muita raiva. E aí eu percebi que eu tava deprimida. Imagina, a psicanalista precisa ir no endócrino pra descobrir que tava... Tava deprimida. O que mostra que a gente tá sempre se escondendo de si mesmo. Nunca acaba esse mecanismo, né? E aí eu fui cuidar disso e fui fazendo... A coisa melhorou de vez. Quando eu entendi que os sintomas são passageiros, que a gente vive...

como disse meu médico. Até os esquecimentos são passageiros? A gente recupera. Nunca mais a gente vai ter a memória que a gente tinha. A memória tem que ser treinada. Eu não tenho paciência nenhuma, então eu esqueço tudo mesmo. Mas a gente, uma coisa que me ajudou, o médico que me falou que os homens chegam no mesmo lugar que a gente, só que a gente desce de elevador e eles descem de escada.

Então eles vão percebendo muito lentamente aquilo que a gente percebe de uma vez. Eles também vão esquecer, eles também vão ter uma outra resposta sexual, eles também vão ter calores. Sério? Sério, que não são iguais aos nossos, mas vão ter, porque vai desregulando a capacidade do corpo reconhecer as temperaturas. Só que são diferentes, de formas diferentes que eles vivem isso. E a gente fica ressentida por ser mulher e levar mais uma... Porque a gente já teve isso...

Na menstruação, a gente já teve isso em vários... Então, teve um ressentimento de gênero também. Eu tive que fazer um longo trabalho. A coisa começou a melhorar quando eu falei, pô, é a condição de estar vivo, é isso. Ou você tá vivo, né? Ou você tá morto, ou você tá vivo. Você segue com essas experiências, né? Comecei a viver isso mais com uma curiosidade de uma fase da vida.

E também quando eu perdi o ressentimento. Eu tinha um ressentimento de estar passando por isso. Não me conformava. Aí o que aconteceu foi que eu me conformei. Sim, é isso mesmo. Vamos passar. E depois tem muita vida. É uma vida diferente. Mas tem muita vida, tem muita coisa pra gente fazer. Então passa. Passa. Passa o bode. Eu acho que eu tô no bode.

Passa o bode. Você vai ser uma pessoa pós-menopausa com outra vida. Eu não corro mais às 6 da manhã no parque, 10 quilômetros, dando 3 voltas no Parque Vila Lugas. Não acontece. Nunca mais vai acontecer. Deus que me livre. Eu vou fazer yoga.

caminhar 30 minutos, tá ótimo mas muda, inclusive você para de se comparar com quem você era aos 30 e fala, putz, eu quero me comparar com quem eu sou aos 60 mas aquela bagunça passa, então você passou bem por essa bagunça eu não sou mais a pessoa que eu era antes e pro bem e pro mal, assim, pra algumas coisas físicas que eu perdi, mas eu melhorei muito como pessoa eu tinha, só menos megalomaníaca, acho vou GTA

depois da menopausa em relação ao que eu esperava de saúde eterna, eu queria morrer saudável isso não existe, você fica doente pra morrer você adoece, você colapsa mas a menopausa te traz um monte de coisa ao mesmo tempo é muita doença junto muitos sintomas junto

Mas eu fico me perguntando, porque as mulheres estão num momento muito importante de reafirmação, e elas estão conseguindo muita coisa, e estão sendo penalizadas por isso também, e quando elas se deparam com o limite do corpo, não digo nem mulheres, pessoas nascidas com útero, pessoas que vão passar por isso.

A gente fica muito magoada. Porque a gente tá lutando tanto pra conseguir... E não dá pra fazer. Mas aí que eu entendi que eu quero muito abraçar quem eu sou como mulher. A gente tem que se orgulhar disso também. Não tem que pedir desculpa. Ah, desculpa, aí tô com calor. Tô com calor mesmo, entendeu? Ah, desculpa, esqueci, esqueci mesmo. Eu tô na menopausa, tá? Porque eu cheguei aqui. A gente precisa parar de pedir desculpa de não ter mais o corpo que a gente tinha, né? Então acho que tem várias coisas pra ir tentando ajustar aí.

Foi, passou. Passou, passou. Eu tô bem assumidona, assim, pós-menopáusica. Eu vejo minhas amigas entrando na menopausa e falam Ai, coitada, eu só posso lamentar. Assim, mas eu não... Mas passa. Mas passa. Que bom que você perguntou isso, porque isso é um assunto que eu adoro. Obrigada, Adéa. Muito bom ter você aqui. Muito bom. Muito bom.

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